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COMPREENSÃO LEITORA E ANALFABETISMO FUNCIONAL Cléa Silvia Biasi Krás1

Resumo

O presente artigo propõe uma reflexão sobre a compreensão leitora, fundamentando-se na Psicolinguística, no que se refere ao processamento, mecanismos e estratégias de leitura e quanto ao conhecimento prévio do leitor e sua consciência linguística. Analisa, também, o analfabetismo funcional no Brasil, cujos dados mostram a inabilidade de indivíduos na compreensão leitora da língua portuguesa no Brasil. O estudo possibilita não só a construção de conceitos sobre os tópicos previstos e o desenvolvimento da consciência sobre o processo de ler, como também expõe possibilidades de aplicação pedagógica com vistas ao

desenvolvimento da competência em compreensão leitora.

Palavras-chave: leitura, compreensão leitora, Analfabetismo Funcional

Introdução

A compreensão leitora e a produção de textos escritos são, conforme dados recentes, a grande deficiência dos alunos no Brasil. A maioria dos jovens saem da escola sem saber ler, interpretar, ter opinião crítica e, consequentemente, sem produzir bons textos. Isso tudo contraria o procedimento essencial das escolas, já que as habilidades de leitura e de escrita são indispensáveis para os alunos em todos níveis de escolaridade, inclusive no nível superior.

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Doutora em Letras pela PUCRS e professora da ULBRA/ Torres (RS).

Conversas Interdisciplinares Ano I Vol. 1 ISSN 2176-1051

a incompreensão leitora constitui-se o maior obstáculo ao sucesso escolar. Além disso. quando lê. Nesse sentido.2 Partindo dessas considerações. Sendo assim. que o aluno não lê e. será apresentado. 1 ISSN 2176-1051 . por meio da interação do leitor com o produtor do texto. Desse modo. A maior e mais significativa consequência do processo de escolarização é o processo de descontextualização de linguagem. descrevendo vários aspectos que constituem a leitura e as atividades em que o leitor se engaja para construir o sentido de um texto. Leitura Um dos aspectos fundamentais de comunicação entre letrados é a leitura. um conjunto de teorias. a seguir. enfatizando aspectos da compreensão leitora: processamento. o presente estudo pretende destacar a contribuição que a Psicolinguística – ramo da Linguística que analisa os processos cognitivos de recepção e de produção da linguagem verbal – pode dar ao ensino. uma vez que se ouve dos profissionais da educação. não compreende o que leu. o objetivo neste artigo é oferecer subsídios sobre aspectos cognitivos da compreensão e leitura de textos. apesar da sua importância. a aprendizagem do educando na escola está fundamentada na leitura. assim como serão analisados dados sobre o analfabetismo funcional no Brasil. estratégias. envolvidos no processo ensino e aprendizagem. É por meio dela que captamos o sentido do texto e reconhecemos as intenções pretendidas pelo seu autor. com base numa revisão bibliográfica limitada. conhecimento prévio e consciência linguística. Conversas Interdisciplinares Ano I Vol. a leitura ainda é motivo de discussão em muitas instituições de ensino. mecanismos. acrescentando novos enfoques aos problemas que os alunos enfrentam na leitura. que permite a aquisição do conhecimento. especialmente dos professores de todas as áreas. No entanto. serão examinadas possibilidades de aplicação pedagógica com vistas ao desenvolvimento da competência em compreensão leitora. Posteriormente.

Em suma. Assim. mecanismos e estratégias Para Schneider (1990. O autor acrescenta que a leitura eficiente não resulta da percepção precisa e identificação Conversas Interdisciplinares Ano I Vol. da mesma forma que ler não é um processo preciso. decodificar palavras ou frases não chega a ser leitura. Faz com que o que o leitor traz para o texto seja tão importante quanto o próprio texto na sua compreensão. parte-se do pressuposto de que a leitura é um processo dinâmico. resultante da interação do leitor com o texto e do leitor com o autor. p. seus conhecimentos a respeito dos diferentes tipos de textos e dos recursos linguísticos utilizados. que envolve um processamento de informações por tentativa.3 Desse modo. os quais serão analisados posteriormente neste trabalho. opiniões e interesses. mencionado em Goodman (1991. se esse processo de decodificação não for acompanhado da compreensão do significado veiculado por meio dos elementos ou estruturas linguísticas. Desse modo. pois o texto não tem uma única significação. já que o papel do professor é criar oportunidades que permitam o desenvolvimento desse processo cognitivo e social. Cabe ressaltar que o conhecimento prévio é entendido. Essa visão torna o papel do leitor altamente ativo. 16). Grande parte das pesquisas converge para a visão de que as transações entre o leitor e as características textuais resultam na construção de significado. que envolve fatores linguísticos (a contribuição do texto) e extralinguísticos (decorrentes do conhecimento prévio e das vivências do leitor e do autor). Compreensão leitora: processamento. neste trabalho. Além disso. suas crenças. há um conjunto de fatores cognitivos que interferem na atividade de compreensão. a partir de transações que realiza com o texto. 1 ISSN 2176-1051 . 498). o significado do texto é construído pelo leitor. ler é compreender. faz-se necessário uma reflexão sobre aspectos envolvidos na compreensão leitora.27). a leitura é um jogo psicolinguístico de adivinhação. como uma série de elementos centrados no leitor: o seu conhecimento de mundo. Segundo Goodman (1976. integrando informações novas ao conhecimento prévio. Soletrar. É um processo ativo de construção de sentidos. p. p. a leitura não é um processo passivo da parte do leitor. pois a leitura não se efetiva sem a compreensão.

Pereira (2009 – b. dando novos entendimentos. “É para extrair sentido de material escrito que serve a leitura”.32-43) que a compreensão. assim como a habilidade de antecipar o que ainda não foi ouvido é vital para a compreensão oral. da memória armazenadora dos processos contínuos e da ação cognitiva do leitor de fazer associações desses elementos. É essa busca pelo sentido que preocupa o leitor e unifica o uso de estratégias que o processo exige. que ele realiza para atingir algum objetivo de leitura. As estratégias cognitivas da leitura são as operações inconscientes. como a inferência – que é uma estratégia de adivinhação. em determinado nível. Enquanto as estratégias metacognitivas são operações (não regras) controladas conscientemente.4 exata de todos os elementos. Nessa perspectiva. dependendo de conhecimentos anteriores e encaminhada pelas expectativas do leitor. isto é. p. mas da habilidade em selecionar o maior número de “pistas” produtivas necessárias à elaboração de “adivinhações” que estão certas desde o início. dos movimentos de antecipação por ele desenvolvidos. e a predição – refere-se à habilidade de predizer e antecipar o que está por vir. Conversas Interdisciplinares Ano I Vol. p. de qual informação é necessária. De acordo com Kleiman (2007. 22) afirma que a leitura consiste num jogo de risco automonitorizado em que o leitor faz as suas apostas. a leitura configura-se como atividade essencialmente significativa. 1 ISSN 2176-1051 . Também afirma Goodman (1991. A habilidade de antecipar aquilo que não foi visto é vital para a leitura. Estudos sobre esses aspectos estão colocando nitidez na leitura como processo cognitivo que depende dos conhecimentos prévios do leitor. p. mas não é conhecida. controla-as e assim chega ao êxito. diz a autora. O autor enfatiza o processo de busca de sentido na leitura. dirigida a um objetivo. 50). realizadas com algum objetivo em mente. dirigindo-os para a compreensão do texto. são ações realizadas pelo leitor sem estar ciente disso. com base no que é conhecido. as estratégias de leitura são classificadas em cognitivas e metacognitivas. é sempre o produto final de todo ato de leitura e que os leitores utilizam estratégias cognitivas gerais que assumem uma significação particular na construção de sentidos nos eventos de leitura. Desse modo.

decodificando letra por letra. extraído dos Parâmetros Curriculares Nacionais de Língua Portuguesa (1998. p. o trecho a seguir sobre leitura. Conversas Interdisciplinares Ano I Vol. as estratégias cognitivas de leitura são operações que não envolvem conhecimento reflexivo. permitindo tomar decisões diante de dificuldades de compreensão.5 Dentro dessa visão. segundo Pereira (2009 -a): skimming (aproximação global do texto. procurando alguma informação especificamente). Não se trata de extrair informação. 1 ISSN 2176-1051 . inferência e verificação. apoiadas no conhecimento de regras gramaticais e no conhecimento de vocabulário. de tudo o que sabe sobre a linguagem etc. autoavaliação (verificação da pertinência das hipóteses formuladas). Pela consonância com a posição assumida no presente estudo. Constituem-se em estratégias de leitura. palavra por palavra. e que forma relações com um conceito maior. automonitoramento (acompanhamento do próprio processo). a partir de seus objetivos. sobre o autor. buscando uma compreensão geral). 69-70): A leitura é o processo no qual o leitor realiza um trabalho ativo de compreensão e interpretação do texto. autocorreção (alteração das hipóteses realizadas). sem as quais não é possível proficiência. Trata-se de uma atividade que implica estratégias de seleção. de seu conhecimento sobre o assunto. leitura detalhada (processo minucioso e gradativo). que descobre e infere informações e significados mediante estratégias cada vez mais flexíveis e originais. scanning (leitura geral rápida. refletir sobre o conhecimento e controlar nossos processos cognitivos é o caminho certo à formação de um leitor que percebe relações. ainda. avançar na busca de esclarecimentos. validar no texto suposições feitas. E as estratégias metacognitivas da leitura envolvem a habilidade de autoavaliar a compreensão e de determinar um objetivo para a leitura. É o uso desses procedimentos que possibilita controlar o que vai sendo lido. antecipação. merece destaque. Tendo em vista os aspectos mencionados. seleção (escolha e marcação de determinados segmentos). são realizadas automaticamente. inferência (dedução sobre proposições). predição (antecipação de informações com base nos conhecimentos prévios e nas pistas linguísticas).

Nessa mesma perspectiva. “é a possibilidade de se relacionar o que quer que estejamos observando no mundo a nossa volta. p. estabelecendo uma relação entre o linguístico e o conceitual-cognitivo. o conhecimento adquirido ao longo de sua vida. p.” Desse modo. 13) afirma que “a compreensão de um texto é um processo que se caracteriza pela utilização do conhecimento prévio: o leitor utiliza na leitura o que ele já sabe. o primeiro requisito para que se inicie o processo de compreensão é que ele possua conhecimento prévio a respeito dos elementos linguísticos. ao conhecimento. Compreensão Leitora: utilização do conhecimento prévio A compreensão leitora. possa captar o sentido dos enunciados que compõem o texto. para construir o sentido do texto. intenções e expectativas que já possuímos em nossas cabeças”. 1 ISSN 2176-1051 . O conjunto desses componentes da superfície do texto funciona como pistas para que o receptor. adquirido ao longo da vida. como itens lexicais e as estruturas sintáticas (conhecimento linguístico). p. Segundo Trevisan (1992. compreender um texto escrito não deve apenas ser considerado um processo cognitivo. durante a leitura. de acordo com Smith (1989.6 Além disso. presentes nos enunciados que lhe são propostos. através da ativação dos conhecimentos armazenados na memória e da realização de inferências. entre dois sujeitos – leitor e produtor do texto – que interagem entre si. O conhecimento prévio interfere de modo decisivo no processo de compreensão leitora. é utilizado o conhecimento prévio. Conversas Interdisciplinares Ano I Vol. As pesquisas relacionadas com os processos cognitivos que interferem na compreensão da linguagem têm contribuído para esclarecer os mecanismos de leitura. 23-24). quando um leitor se depara com um texto.72). Kleiman (1989. uma vez que a leitura é um ato social.

basicamente. quer em termos de produção. argumentativos). mais fácil será a sua compreensão. quer se trate de conhecimento episódico. Pode-se inferir. Esse conhecimento abrange desde o conhecimento sobre como pronunciar português.7 De acordo com Kleiman (1989. quer do conhecimento mais geral e abstrato. que faz com que falemos português como falantes nativos. que os modelos cognitivos têm a função de permitir ou facilitar o processamento textual. pois orientam a memória para o texto e visam à construção do sentido. Consciência Linguística Conversas Interdisciplinares Ano I Vol. então. A autora afirma que quanto mais conhecimento textual o leitor tiver e quanto maior for a sua exposição a todo o tipo de texto. suas expectativas em relação aos textos. como também de características dos usuários da língua. nem verbalizável na grande maioria das vezes. também. b) o conhecimento textual – entendido como um conjunto de noções e conceitos sobre o texto (por exemplo: discursos narrativos. pois o conhecimento de estruturas textuais e de tipos de discurso determinará. convicções e conhecimento de mundo. quer em termos de compreensão. 1 ISSN 2176-1051 . não verbalizado. c) o conhecimento de mundo ou conhecimento enciclopédico – consiste na configuração de conceitos e relações subjacentes ao texto. o conhecimento textual e o conhecimento de mundo são aspectos básicos tanto para a leitura como para a escrita e devem ser ativados pelo leitor ou produtor na compreensão ou produção textual. entretanto essa “construção” estará associada à visão pessoal e às crenças do leitor. descritivos. passando pelo conhecimento de vocabulário e regras da língua.13-27). p. que o conhecimento linguístico. o que se constitui num fator fundamental para a compreensão. os níveis de conhecimento que entram em jogo durante a leitura são: a) o conhecimento linguístico – é aquele conhecimento implícito. chegando até o conhecimento sobre o uso da língua. Pode-se afirmar. organizados sob a forma de esquemas. tais como seus objetivos. e a análise estratégica depende não só de características textuais.

para a Psicologia Cognitiva. 4) julgar a adequação semântica e a organização sintática frasal e textual. então. 3) apreender semelhanças sonoras entre palavras (rimas. entre outros. Com base na Psicologia Cognitiva. exigindo manipulação precisa de conhecimento específico – o linguístico -. E a consciência linguística em leitura se efetiva quando o leitor usa conscientemente os processos. mecanismos. A consciência. A autora ainda afirma que todas essas habilidades são indispensáveis à leitura e à escrita. visando à construção do sentido durante o ato da leitura. a Psicolinguística define consciência linguística como o uso do sistema linguístico para compreender e produzir sentenças. Em suma. estratégias e conhecimento prévio para chegar à compreensão. aliteração). assonância. imagens ou sentimentos). expressar um comportamento que traduz consciência. 2) destacar as palavras de seus referentes. tais como: 1) segmentar a fala em suas diversas unidades constitutivas (fonemas. A consciência linguística é. sílabas. é uma qualidade momentânea que caracteriza as percepções internas e externas dentro dos conjuntos dos fenômenos psíquicos. essa consciência é um dos fatores cognitivos implicados no processamento da leitura. a sua análise. a habilidade do indivíduo de descrever e de agir sobre os próprios conhecimentos linguísticos. p. a consciência é o conhecimento que o indivíduo tem de seus objetos mentais (percepções. separando-os (distinção entre significante e significado). o que permite. palavras). portanto. 73-74). 1 ISSN 2176-1051 . Enquanto. Analfabetismo Funcional: um problema de incompreensão leitora Conversas Interdisciplinares Ano I Vol. 5) avaliar o modo de distribuição das informações no texto. mobilizando a capacidade metalinguística requer a utilização e manejo de diferentes tipos de habilidades. De acordo com Flôres (2009.8 A consciência humana é um tema atraente que passou a ser vista como objeto de estudo de várias ciências e não como área de cogitação filosófica. com isso criando certo grau de afastamento da linguagem. morfemas. conforme a Psicologia Geral.

Ciência e Cultura (UNESCO) define analfabeto funcional como toda pessoa que sabe escrever seu próprio nome. contudo. de escrita e de cálculo necessárias para viabilizar seu desenvolvimento pessoal e profissional.50).9 Apesar de sabermos que a leitura e a escrita são tarefas da escola. deve. A Organização das Nações Unidas para a Educação. social e de trabalho”. de acordo com o Relatório do Indicador de Alfabetismo Funcional – INAF.corresponde à condição dos que não conseguem realizar tarefas simples que envolvem a leitura de palavras e frases ainda que uma parcela destes consiga ler números familiares (números de telefone. preços etc. Ainda. um aviso. Partindo desse princípio e como visto anteriormente. mas é incapaz de interpretar o que lê e de usar a leitura e a escrita em atividades cotidianas. “o conceito de analfabeto funcional.(2009).). não tem as habilidades de leitura. Segundo Scliar-Cabral (2009. efetua cálculos básicos. “é considerada analfabeta funcional a pessoa que. • Alfabetismo nível rudimentar .” O INAF (2009) define quatro níveis de conhecimento: • Analfabetismo . como uma carta. repousar sobre a falta de competência do indivíduo para ler e escrever textos dos quais necessita em sua vida cotidiana familiar. deparamo-nos com pessoas ditas “alfabetizadas” que não conseguem compreender textos simples. 1 ISSN 2176-1051 . impossibilitando seu desenvolvimento pessoal e profissional. compreensão leitora envolve muito mais que decodificação. uma grande parcela da população é funcionalmente analfabeta. um anúncio. como o próprio adjetivo indica. assim como lê e escreve frases simples. mesmo sabendo ler e escrever.corresponde à capacidade de localizar uma informação explícita em textos curtos e familiares (como um anúncio ou Conversas Interdisciplinares Ano I Vol. p. Conceitos de Analfabeto Funcional No Brasil.

1 ISSN 2176-1051 . resolvem problemas que exigem maior planejamento e controle. Dados sobre o Analfabetismo Funcional no Brasil Conversas Interdisciplinares Ano I Vol. ler e escrever números usuais e realizar operações simples. É importante mencionar que somente o nível pleno é considerado satisfatório.classificadas neste nível estão as pessoas cujas habilidades não mais impõem restrições para compreender e interpretar textos em situações usuais: leem textos mais longos. no entanto. localizam informações mesmo que seja necessário realizar pequenas inferências. realizam inferências e sínteses. etapas ou relações. distinguem fato de opinião. como manusear dinheiro para o pagamento de pequenas quantias ou fazer medidas de comprimento usando a fita métrica. que inclui leitura. limitações quando as operações requeridas envolvem maior número de elementos. leem números na casa dos milhões. • Alfabetismo nível básico . proporções e cálculo de área. comparam e avaliam informações. além de interpretar tabelas de dupla entrada.o letramento e numeramento –.As pessoas classificadas neste nível podem ser consideradas funcionalmente alfabetizadas. realizando plenamente a compreensão leitora. Quanto à matemática. escrita e matemática. de modo a possibilitar estudos com foco específico. analisando e relacionando suas partes. Os níveis acima definidos descrevem as habilidades medidas por meio da escala de alfabetismo. mapas e gráficos.10 pequena carta). envolvendo percentuais. relativas a cada um dos domínios . • Alfabetismo nível pleno . Foram mantidas também subescalas. pois já leem e compreendem textos de média extensão. Mostram. uma vez que a pessoa utiliza com autonomia a leitura como meio de informação e aprendizagem. resolvem problemas envolvendo uma sequência simples de operações e têm noção de proporcionalidade.

a preocupação concentra-se especialmente nos acadêmicos que estão dentro dessa faixa etária e que. Pode-se inferir que esses índices tão altos de analfabetismo funcional no Brasil devem-se à baixa qualidade dos sistemas de ensino (tanto público. pessoas com formação universitária e exercendo funções-chave em empresas e instituições. tanto privadas quanto públicas! Elas não têm as habilidades de leitura compreensiva. Precisamos entender onde estão as grandes dificuldades enfrentadas pelos educandos e por que os educadores não têm conseguido melhores resultados com a proficiência em leitura. constituindo-se. Seu principal objetivo é informar sobre as habilidades e práticas de leitura. Somando esses dados. 68% da população (21% no nível rudimentar e 47% no nível básico) são analfabetos funcionais.. Cabe ressaltar que o INAF revela os níveis de analfabetismo funcional da população adulta.[. muitas vezes têm problemas de compreensão leitora. Nessa perspectiva. à desvalorização e desmotivação dos professores. Sendo assim. Botelho (2010) afirma que: [. somente 25% estão no nível pleno de alfabetização..] Para minimizar esse grave problema.11 No Brasil. então.. também. escrita e matemática dos brasileiros entre 15 e 64 anos de idade. segundo o INAF (2009).] pode-se encontrar. apesar de estarem na universidade. 75% da população brasileira não possuem pleno domínio da leitura. quanto privado). Conversas Interdisciplinares Ano I Vol. em analfabetos funcionais. escrita e cálculo para fazer frente às necessidades de profissionalização e tampouco da vida sócio-cultural. ao baixo salário dos professores. à progressão continuada (ou aprovação automática). como se observa. 7% da população é totalmente analfabeta. à falta de infraestrutura das instituições de ensino (principalmente as públicas) e à falta de hábito e interesse de leitura do brasileiro. devemos nos apoiar nas descobertas das ciências mais avançadas que se ocupam do processamento de leitura. 1 ISSN 2176-1051 . isto é..

valorizar o que ele já sabe do mundo. é preciso observar que não se pode exigir do aluno o hábito da leitura. nos quais as competências de linguagem se relacionem e se desenvolvam. nem a sua total compreensão. cabe aos professores. Porém. não sendo exemplo. da vida. situando a prática da leitura no contexto social do aluno. nem modelo ou estímulo aos seus alunos. 1 ISSN 2176-1051 . Considerações Finais Conversas Interdisciplinares Ano I Vol. pois ler e escrever é um compromisso de todas as áreas. oficinas e jogos. Para isso. se o próprio professor não lê.  incentivar a produção coletiva e individual por meio de projetos. antes de tudo isso.  desenvolver as estratégias de leitura inerentes à proficiência. uma vez que é possível melhorar o nível de leitura. escrita e o desempenho do aluno de um modo geral.  respeitar o conhecimento prévio do aluno. adotarem algumas conduções pedagógicas. independente da área de atuação.  criar contextos voltados para o cotidiano do aluno. acrescentando-lhe informações. as teorias aqui mencionadas sobre leitura disponibilizam importantes informações para a realização de aplicações pedagógicas. tais como:  escolher conteúdos de interesse dos alunos e atividades em diferentes gêneros textuais (ficcionais e não ficcionais).12 Conduções Pedagógicas para o Ensino da Leitura Apesar de todas as deficiências apresentadas no que se referem à compreensão leitora. os quais estimulem a imaginação dos alunos e o gosto pela leitura.

61-78.). A seguir. apresentou alguns estudos psicolinguísticos. Por fim. identificação e tratamento das dificuldades de leitura e escrita.com/paulobotelho/?s =analfabetismo+funcional&submit=>. FLÔRES. BRASIL. Brasília. O analfabetismo funcional. algumas conduções pedagógicas foram mencionadas que fornecem sugestões para sanar dificuldades enfrentadas pelos aprendizes. In: COSTA. Onici Claro. investigações em áreas como a Psicologia do Desenvolvimento. EDIPUCRS. a Linguística. cujos altos índices motivam novos e mais profundos estudos para sanar ou minimizar esse quadro. Secretaria de Educação Fundamental. Referências BOTELHO. o leitor tem a possibilidade de apropriação de conhecimento teórico e de contato com caminhos pedagógicos para o ensino da leitura em sala de aula numa perspectiva psicolinguística. 2009. a Neuropsicologia. Pela relevância temática e científica do assunto abordado. inicialmente. Porto Alegre. os quais disponibilizam conhecimentos teóricos sobre leitura e compreensão leitora.13 O presente artigo. Acesso em: 15 de maio de 2010. p. Linguagem e cognição: relações interdisciplinares. Vera Wannmacher (orgs. a Psicologia Evolutiva. Disponível em: <http://ogerente. 1998. MEC/SEF. a Fonoaudiologia e a Educação podem se transformar em instrumentos a serviço de prevenção. Conversas Interdisciplinares Ano I Vol. a Psicolinguística. foram mostrados dados alarmantes sobre o analfabetismo funcional no Brasil. Parâmetros Curriculares Nacionais: terceiro e quarto ciclos de ensino fundamental. 1 ISSN 2176-1051 . Jorge Campos da. O que tem a dizer a Psicolinguística a respeito da consciência humana. Paulo. Dessa forma. PEREIRA.

PEREIRA. Pontes. Leonor. Dissertação (Mestrado) – Programa de Pós-Graduação em Letras. EDIPUCRS.a (e-book).44. Indicador de Analfabetismo Funcional: principais resultados. v. dez. ______. jul/set. INAF.26. 1990. EDIPUCRS. Porto Alegre. Letras de Hoje. Harry. SP. Campinas. Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul.). Acesso em: 17 maio de 2010.). 2009 . p. Delaware. Vera Wannmacher. 2007. Texto e leitor: aspectos cognitivos da leitura. (orgs.ed.pdf>. Porto Alegre. PEREIRA. A correlação entre a compreensão das categorias de coesão textual e a produção de textos escritos coerentes.br/edipucrs/. 1991. n. _____Oficina de leitura: teoria e prática. Disponível em: <http://www. Vera Wannmacher (org. v. RUDDELL. Predição leitora: procedimentos e desempenhos em ambiente virtual e não virtual. Mirna. Kenneth. EDIPUCRS. 119 f. PEREIRA. SP. Processamento da leitura: recentes avanços das neurociências. International Reading Association. Campinas. Reading: A Psycholinguistic Guessing Game. p. Pontes. Vera Wannmacher Conversas Interdisciplinares Ano I Vol. KLEIMAN.pucrs. p. 22-27. SCHNEIDER. Letras de Hoje.org. 1990. Theoretical Models and Processes of Reading. Jorge Campos da. 496-508.3. 2009-b. 1976. Unidade na leitura – um modelo psicolingüístico transacional. 11ª ed. 1 ISSN 2176-1051 . INAF Brasil 2009.14 GOODMAN. Robert B.br/download/inaf_brasil2009_relatorio_divulgacao_final. 1989. In: SINGER. 86. 9-43. In: COSTA. SCLIAR-CABRAL. Porto Alegre. 2. Ângela. Disponível em http://www.ipm. Porto Alegre. Leitura e cognição: teoria e prática nos anos finais do Ensino Fundamental. n. Acesso em 25 de maio de 2010.

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