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Começando pela ação, para que haja e responsabilidade criminal exige-se que

haja uma ação humana (praticada por uma pessoa) e voluntária (porque
quando a praticou não estava privado da liberdade dos seus movimentos).
(EXEMPLO: Aqui, a acção individual e concreta consiste em C tentar apunhalar
o A nas costas, mas não consegue porque o A, entretanto, lhe impede ao dar-
lhe um soco. Esta acção de C é humana, porque foi praticada por C uma vez
que foi ela quem tentou apunhalar A, e é voluntária porque é dominada pela
vontade uma vez que, a partir do momento em que decidiu apunhalar, poderia
ter decidido nada fazer a A. Assim, neste caso prático temos uma acção que,
pelo menos para já, não pode ser considerada irrelevante para o direito penal.)
Quanto à tipicidade esta significa o juízo de correspondência entre a ação
individual e concreta do agente e à ação geral e abstrata da norma. Portanto, a
tipicidade corresponde a um juízo de subsunção; é no âmbito da tipicidade que
se analisam as questões relativas à tipicidade e à legalidade em direito penal.
De acordo com o princípio da precedência da lei (nullum crimen sine lege,
nullum poena sine lege, 29º CRP e 1º CP), temos de verificar se para esta ação
individual e concreta existe no direito penal alguma norma que incrimine esta
acção.
(EXEMPLO: , temos uma acção de subtracção de uma viatura, com a intenção
de a destruir, sendo que, no entanto, a viatura foi levada por um maremoto.
Este facto indicia um crime existente no CP: 212º crime de dano.)
Analisemos então os elementos constitutivos do tipo de crime
i. Comum (praticado por qualquer pessoa) vs específico;
ii. De resultado (haver efetivamente resultado) vs mera
atividade;
iii. Ação (comportamento ativo facere quando a norma impõe
o non facere) vs omissão;
iv. Dano (lesão do bem jurídico) vs perigo;
v. Forma livre (praticado de várias formas) vs vinculada;
vi. Consumado vs tentado;
vii. Instantâneos vs duradouros vs continuados.
(EXEMPLO: acção de A preencher os elementos constitutivos do tipo,
verificamos que, pela norma 212º/1, o L é um “quem” que praticou uma acção
de destruiu totalmente (“destruir, no todo”) o automóvel de M (“coisa …
alheios”). O 131º exige ainda um resultado morte, o que foi efectivamente o
que aconteceu com B. Portanto, consegue-se fazer a subsunção desta acção
pelo 131º do CP.
Estando perante um crime de resultado para que se possa dizer, plenamente,
que a ação praticada pelo agente é uma ação objetivamente típica plenamente
subsumida no art x falta nos a causalidade, a imputação objetiva.

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(EXEMPLO TEORIA DA ADQUEAÇÃO: Aqui teremos de analisar se a
destruição do automóvel pode ser imputada à acção da L. Fazendo aqui a
imputação objectiva pela teoria da adequação, imputamos o resultado ao
agente desde que, através de juízos de previsibilidade objectiva, lhe seja
exigível que ele antecipe a produção daquele resultado. Assim, imputando pelo
juízo da prognose póstuma, o ser humano médio será chamado a ser colocado
nas mesmas circunstâncias de tempo e lugar do agente, e com os
conhecimentos concretos do agente, de forma a saber se era previsível que
daquela acção adviesse aquele resultado. Para este caso concreto, o ser
humano médio será questionado se, ao subtrair um automóvel e tendo-o
deixado estacionado num descampado junto ao mar durante a noite enquanto
se ausentava, tendo vindo um maremoto que destruiu o veículo é previsível.
Não há uma resposta muito satisfatória a esta questão. Em Portugal os
maremotos não são muito previsíveis nem frequentes; portanto poderíamos
dizer que não era de todo previsível que acontecesse naquelas circunstâncias
um maremoto e o automóvel fosse arrastado. No entanto, foi a L que o colocou
lá. Desta forma, parece estamos numa situação em que esta solução fere o
nosso sentimento de justiça. Teremos de analisar de seguida se se poderá
utilizar alguns dos princípios correctores desta teoria da adequação. Para este
caso, poderemos utilizar o desvio relevante do processo causal, uma vez que o
resultado se produzido por causa diversa da pensada. Aqui, embora o desvio
tenha saído da previsibilidade da pessoa média e da normalidade (ocorrência
do maremoto), ainda que o resultado produzido seja o querido (destruição do
veículo), não podemos imputar o resultado ao agente. Assim, L não será
imputável pelo dano ao veículo.)
(EXEMPLO: Aqui teremos de analisar se a morte de C pode ser imputada à
acção da L. Fazendo aqui a imputação objectiva pela teoria da adequação,
imputamos o resultado ao agente desde que, através de juízos de
previsibilidade objectiva, lhe seja exigível que ele antecipe a produção daquele
resultado. Assim, imputando pelo juízo da prognose póstuma, o ser humano
médio será chamado a ser colocado nas mesmas circunstâncias de tempo e
lugar do agente, e com os conhecimentos concretos do agente, de forma a
saber se era previsível que daquela acção adviesse aquele resultado. Para
este caso concreto, o ser humano médio será questionado se, com a força do
soco de A a C, é previsível a sua queda em cima de uma mesa de forma a que
se parta uma garrafa e C caia em cima dos vidros de modo a ferir o seu
pescoço, morrendo em consequência disso. Parece um cenário bem previsível,
podendo A ser imputado pelo resultado desta acção. Portanto, objectivamente
A cometeu um crime de homicídio consumado (130º).)
(EXEMPLO: Para este caso concreto, o ser humano médio será questionado
se, alguém circulando na via pública em que de repente lhe atravesse à frente
uma pessoa idosa de marcha lenta, é previsível que se continuar essa marcha
lenta acabará por ser atropelado e morrer. Como já vimos, A praticou a acção
que levou à morte. É verdade que se provou que, se A não tivesse circulado
em excesso de velocidade teria ficado retido no semáforo vermelho e B, por
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sua vez, teria conseguido atravessar a rua em segurança. Portanto, podemos
dizer que o resultado se produziu porque A circulou em excesso de velocidade;
nesta medida podemos dizer que o resultado lhe é imputado. Contudo, no
momento do atropelamento, A já circulava licitamente (já tinha cessado a
conduta ilícita). Se responsabilizarmos A por este facto, estaremos a fazê-lo
penalmente pela prática de um facto lícito. Desta forma, parece estamos numa
situação em que esta solução fere o nosso sentimento de justiça. Teremos de
analisar de seguida se se poderá utilizar alguns dos princípios correctores
desta teoria da adequação. Para este caso, poderemos utilizar o âmbito da
protecção da norma, em que a norma que impede que as pessoas circulem em
excesso de velocidade destina-se a evitar que nesse momento elas produzam
resultados danosos. A poderia ser responsabilizado criminalmente pelos danos
que tivesse causado no momento em que circulava em excesso de velocidade.
Ora, o que aconteceu foi que a partir do momento em que ultrapassa a fase da
acção ilícita e começa a circular nos limites de velocidade exigidos pelo código
da estrada, a norma que lhe proibia a conduta anterior não sofre esta ultra
actividade aplicando-se ao momento em que conduzia licitamente. Neste caso,
o agente não poderia ser punido porque funcionaria aqui na teoria da
adequação o princípio corrector da do âmbito da protecção da norma, o que
faria com que não fosse punido.)

Se considerarmos imputar o agente, significa que a ação é objetivamente típica


porque se subsume no artigo X. De seguida teria de se seguir para a
imputação subjectiva. Aqui deverá haver uma descrição subjectiva da acção
do agente, havendo a análise da sua atitude anímica, para isso, considera-se a
sua motivação, vontade, capacidade ou reconhecimento de representação,
entre outros. Assim, se o artigo não refere negligência, estamos perante o dolo.
É, assim, necessário que se verifique o elemento intelectual do dolo e o
elemento volitivo do dolo.
(EXEMPLO: Neste caso em concreto, o elemento intelectual do dolo consiste
em L conhecer e representar convenientemente a factualidade típica (212º/1):
quem destruir no todo coisa alheia. Então, para que L actue dolosamente, tem
de num primeiro momento ter conhecimento desta factualidade típica: tem de
saber quem integra o conceito do autor (uma pessoa); além disso tem de saber
que, através da sua acção vai destruir no todo uma coisa. Terá, adicionalmente
de saber que a coisa que está a destruir é alheia. Pela análise anterior, L
conhece a factualidade típica, verificando-se o elemento intelectual do dolo.
Quanto ao elemento volitivo, L quis o preenchimento da factualidade típica, ou
seja, desejou a destruição do automóvel da M. Verificando-se o elemento
volitivo, podemos afirmar que L actuou dolosamente)

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