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GELO?

DIGA “NÃO”

Os americanos aceitam o gelo como algo natural. Eles esperam que ele seja servido num copo de água em todo
restaurante. Eles o querem em todo refrigerante. A maioria produz um suprimento contínuo dele em casa nos
seus refrigeradores. E para as festas eles compram sacos de gelo para encher seus baldes e banheiras. Mas qual
é o preço?

Estimar o quanto os americanos consomem de gelo todos os dias não é fácil. Além do gelo que eles derretem
em suas bebidas e baldes de gelo, tem também todo o gelo que é produzido, somente para jogar fora, sem uso,
no esgoto. Numa estimativa grosseira cada americano provavelmente consome, tanto direta como
indiretamente, uma média por volta de 450 gramas de água em forma de gelo por dia, ou 164 Kg por ano por
pessoa.

O gelo como uma “commodity” é basicamente energia, ou, mais precisamente, a ausência dela. Para congelar a
água, a energia (calor latente) precisa ser extraída dela. Quando o gele derrete, ele suga esta energia de volta,
resfriando o ambiente ao seu redor.

O calor latente do gelo é de cerca de 300 joules (unidade de trabalho e energia) por grama. (Eu irei usar valores
aproximados para tornar os cálculos mais fáceis, e não há razão para usar valores mais precisos quando a
quantidade de gelo consumida é somente uma estimativa). Considerando o consumo médio de 450 gramas de
gelo por dia, o consumo médio de cada americano está por volta de 135.000 joules. Existem cerca de 270
milhões de pessoas nos EUA, fazendo o consumo diário nacional de energia em gelo girar por volta de 36
trilhões de joules.

A maioria de nós não tem ideia de quanto é um joule de energia, por isso vamos converter este valor para uma
unidade mais conhecida, o quilowatt hora (KWh), que é a quantidade de energia que o fogo elétrico de um
quilowatt consome em uma hora. Um watt é um joule/segundo; então um quilowatt-hora é 1.000 x 60 x 60
joules, ou seja, 3,6 milhões de joules. Então o consumo diário nacional dos EUA de gelo representa por volta de
10 milhões de KWh de energia, ou 3,6 bilhões de KWh por ano.

Gerar esta quantidade de energia consome 5.000 toneladas de carvão, ou 17.000 barris de petróleo por dia ou
6,2 milhões de barris por ano. Aqui está o problema. Eles estão tentando economizar a energia que usam em
combustível de calefação, gasolina e eletricidade, e ao mesmo tempo estão jogando fora uma vasta quantidade
de energia como gelo – a energia que uma cidade do tamanho de San Francisco consome em gasolina todos os
dias.

A produção de gelo não somente contribui para a crise de energia, ela também contribui (até meio
ironicamente) para o aquecimento global. Cada quilowatt de energia gerada produz cerca de 700 gramas de
dióxido de carbono. Então o consumo diário de gelo dos americanos libera 7.000 toneladas adicionais de dióxido
de carbono na atmosfera todos os dias, ou 2,5 milhões de toneladas por ano, fazendo a sua própria contribuição
para o efeito estufa. Além disso temos que considerar o custo dos equipamentos usados para produzir gelo,
mais o efeito danoso nas camadas de ozônio causado pela liberação na atmosfera de todo o clorofluorcarboneto
das máquinas de fazer gelo que são sucateadas.
Por que eles precisam de todo este gelo? Certamente que não precisam dele. Os Europeus não o esperam em
todo copo de água ou refrigerante, assim como os Japoneses tradicionais. As medicinas Chinesa e Indiana
defendem a água morna junto as refeições. O efeito refrescante no corpo é insignificante. Não há benefício para
a saúde. Justamente o contrário. O estresse da temperatura em nossos dentes pode quebrar o esmalte,
aumentando a possibilidade de cáries. O revestimento do estomago é enfraquecido por ter que lidar com
temperaturas para o qual ele não foi programado. O resfriamento no estômago atrai desnecessariamente
sangue de outras partes do corpo. Ele também solidifica a matéria oleosa da comida que foi ingerida
recentemente, o que aumenta a quantidade de gordura absorvida pelo intestino. Além disso, as máquinas de
gelo podem ajudar a disseminar infecções intestinais e pulmonares. Você pode beber água engarrafada, mas há
grande chance de que o gelo colocado nela venha da água da torneira.

O gelo é um vício social. Nós não precisamos dele, mas nós fomos levados a acreditar que não podemos viver
sem ele. Não obtemos nada dele a não ser uma estimulação oral.

Mas todo vício tem seu preço. Aqui o preço é o consumo desnecessário de energia, o aumento da degradação
ambiental, e o possível dano à nossa saúde. Então, na próxima vez que te oferecerem gelo, apenas diga “Não”.

Autoria: Peter Russel (Traduzido e adaptado)

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Dica:
Para a forma de gelo não grudar no congelador, use sal no local que colocara a forma.

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