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PSICO Ψ

v. 36, n. 1, pp. 13-20, jan./abr. 2005

Aspectos psicológicos da gravidez na adolescência


Giana Bitencourt Frizzo
Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS)
Maria Luiza Furtado Kahl,
Universidade Federal de Santa Maria, RS (UFSM)
Ebenézer Aguiar Fernandes de Oliveira
Malone College, EUA

RESUMO
Na gestação, a vinculação entre a mãe e seu bebê pode ser investigada através do estudo das expectativas
maternas. Os objetivos do estudo foram verificar os motivos que as adolescentes gestantes atribuíram à
gravidez, suas reações quanto à gravidez e suas expectativas quanto à gestação e ao bebê. Participaram do
estudo 9 adolescentes gestantes primíparas, que moravam com o pai do bebê. Foi utilizada uma entrevista
que investigou as expectativas quanto à gravidez e ao bebê. As entrevistas foram submetidas à análise de
conteúdo. O motivo atribuído à gravidez foi a falta de cuidado. As reações à gravidez foram variadas. A
escolaridade e a rede de apoio social pareceram ser importantes fatores para a continuidade dos estudos.
Algumas diferenças apareceram entre as expectativas das gestantes adolescentes e as de mulheres adultas
relatadas na literatura, possivelmente apontando para a necessidade de um atendimento diferenciado a ado-
lescentes nos serviços de pré-natal.
Palavras-chave: Gravidez; adolescência; gravidez na adolescência; expectativas maternas.

ABSTRACT
Psychological aspects of teenage pregnancy
During pregnancy the bond between mother and child can be predicted through the investigation of maternal
expectations.The aims of this study were to investigate the reasons teenagers have atrributed to their
unplanned pregnancy, their reactions concerning pregnancy and their expectations concerning the pregnancy
and the baby. The sample included 9 adolescents who were primiparous and were married or were cohabiting
with the baby’s father. An interview was used to access the teenagers’ expectations about pregnancy and the
baby. The interviews were analyzed for content. The main reason attributed to pregnancy was carelessness.
Their reactions were varied. Schooling and the social network seemed to be important factors to the
continuation of the studies. Some differences emerged between pregnant teenagers’ expectations and adult
women’s expectations from the literature, possibly indicating the need for a special prenatal service directed
to pregnant teenagers.
Key words: pregnancy; adolescence; teenage pregnancy; maternal expectations.

INTRODUÇÃO Além disso, não se pode esquecer que a sexualida-


de precoce é um comportamento de risco, e a gravidez
A gravidez na adolescência é um assunto bastante não planejada é apenas uma de suas conseqüências
atual tanto no ambiente da psicologia quanto no da en- (por exemplo, a contaminação da Síndrome da Imu-
fermagem e medicina, principalmente por suas impli- nodeficiência Adquirida – AIDS ou SIDA e outras
cações biopsicossociais. A adolescência em si já é um Doenças Sexualmente Transmissíveis – DSTs). Por
processo de mudança tanto física, como psicológica. isso é necessário que se invista em pesquisas que pos-
Ter um bebê é uma decisão bastante difícil e envolve sam ajudar na prevenção à gravidez não planejada1 e
muitas renúncias, por isso o apoio tanto da família da educação para a sexualidade.
menina, como do rapaz e de sua respectiva família é
1 Optou-se por falar em gravidez não planejada ao invés de gravi-
de grande importância, tanto pelo lado financeiro dez indesejada, pois, na verdade, a questão de enfoque deste trabalho foi
como emocional. sobre a gravidez não planejada na adolescência.
14 Frizzo, G. B., Kahl, M. L. F. & Oliveira, E. A. F.

A GRAVIDEZ NA ADOLESCÊNCIA (a não ser que a pessoa considere a abstinência sexual


como método anticoncepcional e que realmente esteja
O fenômeno da gravidez na adolescência não é
certo de que não terá relações sexuais). Talvez seja
novo. Novas são as formas de compreendê-lo, segun-
essa a grande questão na prevenção à gravidez preco-
do o pensamento da sociedade ocidental moderna. A
ce. É preciso que a menina se assuma enquanto mu-
análise deste fenômeno nas camadas populares exige
lher para utilizar anticoncepcional. Também não pode-
um entendimento que depende das determinações eco-
mos deixar de levar em conta que ainda hoje a sexua-
nômicas e socioculturais, bem como dos diferentes
lidade é um tabu, e adotar métodos anticoncepcionais
valores de cada segmento que interagem em nossa
significa quebrar esse tabu. E é por isso que informa-
sociedade (Menezes, 1996).
ção sobre contraceptivos não implica mudança de ati-
A taxa de fecundidade na adolescência entre 15 e
tude (Vitória, 1994), embora haja muitas evidências
19 anos vem diminuindo, assim como a das mulheres
que quanto maior a ignorância sobre a sexualidade,
adultas. No entanto, há uma tendência de aumento na
menor a possibilidade de proteção (Papalia e Olds,
proporção de partos entre adolescentes em relação ao
1998; Newcombe, 1999). Segundo Newcombe (1999),
número total de partos (Pinto e Rodrigues, 1986). Uma
estudos psicológicos sugerem que adolescentes se-
adolescente que não usa nenhum método contra-
xualmente ativas que não usavam métodos anticon-
ceptivo tem 90% de chance de engravidar em um ano.
Mas como os adolescentes em geral têm relações cepcionais tinham uma tendência maior a ter atitudes
sexuais esporadicamente, isso pode dar uma falsa sen- fatalistas, assumir riscos e a lidar com a ansiedade na
sação de segurança (Newcombe, 1999; Machado e tentativa de negar os conflitos, ao invés de enfren-
Paula, 1996). tá-lo.
Para Menezes (1996, p.197), “a situação de gravi- Além dos aspectos psicológicos, parece que alguns
dez geralmente não é pensada na perspectiva de direi- fatores demográficos também parecem estar implica-
to ao prazer, mas na do controle e repressão da sexua- dos no entendimento da gravidez não planejada na
lidade (...)”. Segundo essa mesma autora, pressupor adolescência, como idade e escolaridade. A diferença
que a adolescência é uma questão de saúde pública e foi de 4,8 anos entre mulheres sem nenhuma escola-
inevitavelmente um fator de risco faz com que se ridade e as com doze anos ou mais de instrução
ignore a possibilidade de ajudar as adolescentes em (Berquió, 1996). Parece, então, que quanto maior a in-
seu direito de satisfação de seu desejo sexual. Ao se formação, mais tarde é o início da vida sexual (Papalia
ouvir falar em prevenção à gravidez precoce, parece e Olds, 1998). Conforme Medrado e Lyra (1999) uma
que seria uma prevenção a uma atitude pensada, cons- questão que deveria ser considerada é o ciclo da po-
ciente. Se assim fosse, ficaria uma dúvida: como en- breza, pois os índices de gravidez não planejada são
tender que garotas que conhecem métodos contra- mais elevados em jovens analfabetas ou com instru-
ceptivos, têm acesso a eles e não querem engravidar, ção mínima.
engravidam? O fator idade também merece ser destacado: quan-
A gravidez, especialmente na adolescência, pode do a relação ocorre antes dos 15 anos, 52% das mulhe-
evidenciar necessidades inconscientes, podendo ser res relatam ter usado algum método anticoncepcional.
uma experiência simbólica de renascimento, ou o bebê A porcentagem aumenta para 77% quando a relação
pode ser considerado alguém que pode preencher uma se deu entre 17 e 19 anos (Papalia e Olds, 1998). Em
carência afetiva ou para suprir uma relação de insatis- um estudo conduzido por Béria (1998) foi evidencia-
fação com a mãe. Além dos motivos usualmente atri- do que o risco de não usar camisinha na última relação
buídos à gravidez na adolescência há outros mais a se- sexual apresentava uma redução de 18% para cada ano
rem observados: desejo de engravidar, gravidez como a mais do adolescente.
estratégia de inserção no mundo adulto, a ideologia Uma conseqüência social da gravidez é a restrição
da maternidade e o desamparo emocional (Menezes, das possibilidades de futuras melhorias nas condições
1996). Dadoorian (1998) também ressalta que as ado- socioeconômicas das adolescentes. Freqüentemente as
lescentes que engravidam na adolescência estabelecem adolescentes grávidas se vêem obrigadas a abandonar
uma equivalência em que exercer a sexualidade impli- a escola ou o emprego (Pinto e Rodrigues, 1999). Po-
ca ter um filho, o que simboliza sua entrada na vida rém, este é um ponto controverso. Alguns autores (Me-
adulta. drado e Lyra, 1999) explicam que a idade não pode ser
O surgimento dos anticoncepcionais possibilitou a única causa desses problemas, mas sim as desigual-
que as mulheres pudessem escolher qual o melhor dades sociais e a pobreza que sofrem os grupos menos
momento para ter filhos. Mas só usa anticoncepcional favorecidos. O estilo de vida de muitos jovens tam-
quem assume que possui uma vida sexualmente ativa bém merece ser analisado, pois pode envolver terato-
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gênicos – fumo, abuso de álcool, droga, o que também MÉTODO


contribui para aumentar as complicações de uma ges-
tação nesta idade, no caso, principalmente para o bebê. Participantes
Além disso, os riscos diminuem se o pré-natal come- Foram entrevistadas nove adolescentes gestantes
çar cedo (Papalia e Olds, 1998; Machado e Paula, com idade entre 14 e 18 anos (média 16 anos) que pro-
1996), o que nem sempre acontece. O início tardio curaram o serviço de pré-natal nos postos de saúde de
neste acompanhamento deve-se ao fato de essa gra- suas cidades. Para atender aos pré-requisitos (ser
videz ter sido escondida ao máximo, devido à dificul- primigesta, estar com o pai do bebê e a gravidez não
dade de assumi-la frente à sua família e toda a socie- ser planejada) de participação na pesquisa foi neces-
dade. sário que as participantes fossem adolescentes gestan-
A gravidez não planejada na adolescência parece tes de duas cidades diferentes. Destas, cinco residiam
contribuir para o aumento demográfico, favorecer o em SM/RS, e quatro residiam em I. (cidade recém-
abandono, ser responsável por um terço dos abortos emancipada de SM). O contato com as últimas se deu
realizados no mundo, contribuir para o aumento de ta- através dos Agentes Comunitários de Saúde de cada
xas de morbi-mortalidade materna, interromper o pro- área. O recrutamento das primeiras se deu através do
cesso educacional das meninas (e às vezes, também Serviço de Saúde da Mulher em uma unidade básica
dos meninos), provocar a desestabilização emocional de saúde do município.
dos jovens e ser um fator importante na desagregação Todas moravam com os pais (média 20 anos) de
familiar. Vários autores (Pinto e Rodrigues, 1999 e seus bebês e não haviam planejado a gravidez. O tem-
Papalia e Olds, 1998) têm mostrado que as adolescen- po que estão juntas com o companheiro variou de cin-
tes estariam mais propensas a complicações obstétri- co meses a dois anos (média de 13 meses). A primeira
cas do que mulheres adultas, bem como seus bebês têm relação sexual havia acontecido entre nove meses a
mais tendência a prematuridade, baixo peso ao nascer, dois anos antes da gravidez (média de 15 meses). Ne-
asfixias, doenças hemolíticas e infecções diversas. nhuma delas engravidou na primeira relação. Quanto
Além disso, a gravidez não planejada na adolescência ao uso de anticoncepcionais, três relataram que usa-
tende a estar associada à desorganização familiar, po- vam camisinha, cinco usavam pílula anticoncepcional
breza, desemprego, falta de esperança no futuro e a e apenas uma disse que não usava nada. Apenas três
um ciclo de interrupção da instrução escolar e da não meninas souberam informar a renda familiar (média
realização profissional, com marginalização social das de R$ 226,00 mensais).
mães (Machado e Paula, 1996). Mas a gravidez na ado-
lescência pode ser entendida como causa ou como con- Instrumento
seqüência da interrupção dos estudos (Fávero e Mello, Foi utilizada uma entrevista semi-estruturada divi-
1997). O projeto de vida e a escolaridade parecem ser dida em duas partes, a primeira sobre os dados
cruciais para que essa distinção possa ser feita. Além demográficos e a segunda sobre a gravidez. A entre-
disso, as dificuldades que surgem na gravidez na ado- vista sobre a gravidez investigou as expectativas da
lescência podem ser minimizadas se a adolescente pu- gestante quanto à gravidez e ao seu bebê. Esta foi gra-
der contar com uma rede de apoio social adequada vada com o consentimento das adolescentes gestantes.
(Medrado e Lyra, 1999).
Enfim, um bom vínculo entre mãe e filho é de Procedimento
grande valia para promover a saúde mental tanto da As adolescentes de SM fizeram a entrevista na uni-
criança quanto da própria mãe. As expectativas são dade básica de saúde, com hora marcada em uma sala
importantes porque podem dar indícios de como será de atendimento. As de I. fizeram suas entrevistas em
a futura relação mãe-bebê (Maldonado, 2000; Rubin, casa, já que o deslocamento até o posto de saúde é bas-
1972). As expectativas em relação à gravidez têm sido tante grande. A entrevista foi feita em um cômodo da
tratadas na literatura, freqüentemente com mulheres já casa onde estavam presentes apenas a adolescente e a
adultas. Não se sabe se a idade da gestante pode ter entrevistadora. Todas as adolescentes foram entrevis-
alguma influência quanto a suas expectativas em rela- tadas individualmente.
ção à gestação e ao seu bebê. Neste sentido, os objeti-
vos deste estudo foram verificar quais são as expecta- Análise dos dados
tivas das adolescentes gestantes em relação à sua gra- As entrevistas foram transcritas e posteriormente
videz e ao seu bebê, bem como investigar os motivos procedeu-se à análise de conteúdo (Laville e Dionne,
que a adolescente atribui à sua gestação e sua reação 1999) utilizando algumas categorias propostas por
quando da descoberta da gravidez. Dirani (1993). Algumas delas precisaram ser criadas
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ou modificadas para abarcar as diferenças e espe- A reação dos familiares foi positiva, para quase
cificidades entre os dois estudos. todas. Apenas duas mães disseram para suas filhas que
elas deviam ter se cuidado, que elas ainda eram muito
RESULTADOS jovens para ser mães:
G4. “Ah, ela, pra ti ver, né, nós somos sete irmãs e
A partir da análise de conteúdo foram derivadas só uma que não tem filho porque ela tá noiva,
quatro categorias: motivo da gestação, reação quanto mas todas têm , né, todas tem filho, né. Mas,
à gravidez, expectativas quanto à gestação e expecta- assim, elas estão superfelizes também. E a tua
tivas quanto ao bebê. Estas foram divididas em subca- mãe?4 A mãe também né. Com todos os netos
tegorias conforme será explicitado a seguir. Buscou- que ela tem ela adora todos os netos que ela
se exemplificá-las através de relatos das próprias tem, então parece uma avó boba, né, quanto
mães. mais netos, mais boba ela fica”.
1. Motivo da gestação. Essa categoria foi subdivi- G6. “Eles acham que é muito cedo, né. Que eu sou
dida em duas subcategorias: motivos atribuídos à muito nova. E a tua mãe? Achou um descuido
gravidez na adolescência e motivos atribuídos à sua (risos)”.
gravidez. O principal motivo atribuído tanto à questão G7. “Eles vêem assim, como... é normal. E a tua
da gravidez na adolescência em geral quanto à própria mãe? Minha mãe pensa que vai ser um pouco
gravidez das participantes, foi a falta de cuidado, que difícil, né”.
significava usar camisinha ou pílula: 3. Expectativas quanto à gestação: essa categoria
G1. “Por falta de cuidado (dá risada). Eu mesma engloba as seguintes sub-categorias: mudanças após a
foi por falta de cuidado”. confirmação da gravidez; como tem se sentido nos úl-
G2. “Por quê? Porque não se cuidam, não usam timos tempos; mudanças no corpo; preocupações com
a gravidez/medo de aborto; preocupação com ações
camisinha, umas têm uma cabeça muito fra-
que podem prejudicar o feto; preocupação/medo do
ca. Eu fui uma também, né?” Risos.
parto e papel materno (subdividida novamente em
Esses relatos demonstram que as adolescentes ti- medo de não ser boa mãe, muito nova para ser mãe e
nham conhecimento sobre métodos anticoncepcionais, preocupada com os cuidados com o bebê).
mas não o utilizaram ou não o fizeram de maneira ade- Quatro meninas relataram preocupações por ser
quada, já que três meninas disseram estar usando ca- muito nova para ser mãe. Algumas meninas também
misinha e cinco relataram utilizar a pílula. Apenas uma referiram receio de não serem boas mães:
falou que não utilizou nenhum método contraceptivo. G1. “Acho que não vou ser uma boa mãe não. Por
2. Reação quanto à gravidez: essa categoria foi que tu acha isso? Ai, não sei, quando são pe-
subdividida em cinco subcategorias – reação quando quenininhos são difíceis de pegar, sabe, pare-
ficou sabendo da gravidez; reação da família quanto ce que são tão molezinhos”.
à gravidez; reação do companheiro; posicionamento G2. “Ai, eu não sei, não levo jeito. Não levo mesmo,
quanto à interrupção da gravidez e mudanças após a nunca gostei de pegar o dos outros, cuidar,
confirmação da gravidez. mudar, tudo, pra depois eu aprender, né?”
As reações à gravidez variaram entre reações de 4. Expectativas quanto ao bebê: subdividida em
alegria, majoritariamente, e medo: quatro subcategorias – características físicas do bebê
G2. “Apavorada, né? Deus o livre, achava que mi- imaginado; temperamento do bebê; alterações na vida
nha mãe ia me matar. Eu só passava choran- após o nascimento do bebê; e expectativas quanto ao
do, chorando e daí meu namorado disse que futuro do filho. Todas as gestantes descreveram carac-
era para eu contar, um monte de coisa. Aí ele terísticas físicas e de temperamento dos seus bebês,
que contou eu não contei nada. Eu por mim muitas vezes associando-as com características suas
faria tudo escondida da mãe e do pai. Mas a ou de seu marido.
mãe dele não sabia também” (....)2,3. G9. “Eu sonhei que ele vai ser parecido comigo.
G4. “Ah, me senti assim, como posso te dizer.. Eu (o cabelo). Pretinho... porque eu sou morena,
gostei ...eu não fiquei...preocupada. Eu não o pai dele é moreno, eu só pinto o cabelo”.
fiquei assim preocupada, não sabia o que fa-
zer, não, porque eu sabia que ele ia assumir. 2 Os relatos das gestantes estão em itálico. Não foi feita nenhuma

correção na fala das mesmas para evitar mudanças no sentido da sentença.


Tanto ele como eu”. 3 O número no início de cada relato refere-se ao número da gestante

na amostra.
Apenas uma adolescente mostrou-se indiferente a 4 Quando aparecem palavras que não estejam em itálico significa
este fato. que foram perguntas feitas pela entrevistadora.

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Uma gestante relatou que antes de engravidar ela contrário não estariam grávidas. Infelizmente as ado-
imaginava como seria sua criança, mas agora não con- lescentes entrevistadas não aprofundaram mais suas
segue mais fazê-lo: respostas a ponto de esclarecer qual o motivo subja-
G2. “Eu quero que seja parecido comigo.(risos). cente a esta gravidez dita inesperada. Mas segundo
E o pai quer que seja parecido com ele. Quan- Borges (1999), a maioria das adolescentes não sabe
do eu não estava grávida eu imaginava que justificar claramente o porquê de terem engravidado.
eu tinha, assim, uma guria, coisa mais linda. Além disso, a culpa por estar tendo relações sexuais
Só que agora que eu estou grávida eu não pré-conjugais diminui a probabilidade do uso de um
imagino mais nada”. método anticoncepcional efetivo, constituindo-se em
mais um motivo que pode contribuir para o afasta-
Quanto ao temperamento do bebê, algumas disse-
mento da adolescente dos métodos contraceptivos
ram também que temem que seus bebês sejam nervo-
(Newcombe, 1999).
sos por causa de situações estressantes que elas este- No presente estudo, a maioria das adolescentes re-
jam passando durante a gestação. Quando pergunta- latou que as reações à gravidez variaram entre alegria
das sobre as mudanças que poderiam acontecer com a e medo. Esse achado corrobora o estudo de Frediani,
chegada do bebê, quatro gestantes relataram que Roberto e Ballester (1996), que encontrou reações se-
acham que não ocorrerão alterações. melhantes com oito adolescentes gestantes em Porto
O futuro do filho apareceu na maioria dos relatos Alegre: surpresa, alegria ou tristeza, além de ambiva-
das mães, sendo que elas desejavam que o filho estu- lência e confusão, não explicitados pelas gestantes do
dasse: presente estudo. Segundo Menezes (1993), a diversi-
G9. “Que ele estude ... bastante, estude, aproveite dade de sentimentos desencadeados pela confirmação
a vida dele. O que é aproveitar a vida? Apro- da gravidez pode ser explicada porque a gestação pode
veitar assim, né, fazer as coisas direitinho, se constituir como projeto de vida de muitas adoles-
tudo direitinho. E tudo de bom para ele. O que centes, enquanto que para outras significa uma frus-
eu não tive ele vai ter”. tração a suas aspirações futuras. Mesmo se esta última
proposição for verdadeira, apenas uma adolescente
DISCUSSÃO hesitou sobre a gravidez enquanto todas as outras dis-
seram nunca ter pensado em abortar. Uma possível
Os objetivos deste estudo foram verificar os moti- explicação para isso é que o aborto é um assunto polê-
vos que levaram as adolescentes gestantes a engra- mico e que está ligado a uma questão moral bastante
vidar, as reações delas quanto à gravidez e as expecta- delicada e talvez algumas meninas não tenham se sen-
tivas em relação à sua gestação e ao seu bebê. O prin- tido à vontade para admitir que aventaram essa possi-
cipal motivo atribuído tanto à questão da gravidez na bilidade. No estudo de Frediani e cols. (1996) foram
adolescência em geral quanto à própria gravidez das encontrados dados semelhantes: algumas meninas
participantes, foi a falta de cuidado, que significava pensaram em abortar, mas no final todas relataram que
usar camisinha ou pílula. Estes dados corroboram o deveriam aceitar a criança.
estudo de Trombini (1998) em P. F., entre 1995 e 1996, O apoio dado para essas meninas por parte das
onde a autora analisou a ficha médica de 364 adoles- mães pode ser entendido porque muitas delas também
centes gestantes, no qual muitas relataram usar algum foram mães cedo e também porque neste contexto so-
método anticoncepcional (pílula ou camisinha) quan- cial é bastante comum a maternidade precoce. Segun-
do engravidaram. do Dadoorian (1998), parece haver uma valorização
Segundo Borges (1999), o que se percebe na ques- da maternidade, onde o papel de mãe equivale a ser
tão da gravidez na adolescência é que não há falta de mulher, constituindo-se em um novo status social.
conhecimento, pois grande parte das meninas conhece Além disso, de acordo com essa mesma autora, o pa-
os métodos contraceptivos e os riscos de engravidar se pel materno parece ser o papel social mais importante
não utilizá-los, mas não fazem uso dos mesmos devi- a ser desempenhado neste contexto socioeconômico.
do ao pensamento mágico de que não irão engravidar Um dado interessante do presente estudo é que to-
simplesmente porque não o desejam. Madeira (1997) das as adolescentes disseram que o companheiro gos-
também descreve a maternidade precoce como ato in- tou de saber que ia ser pai e que a está apoiando neste
tencional, já que muitas adolescentes conheciam os período. Este é um dado importante porque a vivência
métodos anticoncepcionais. É importante ressaltar que da mãe durante a gravidez e o apoio recebido do am-
como muitas adolescentes disseram que usavam algum biente social imediato parecem contribuir para a adap-
método, há algo mais a ser pensado: de que maneira tação da mulher ao papel da maternidade (Maldonado,
era usado este método, pois alguma falha houve, do 2000; Medrado e Lyra, 1999).
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A questão da escolaridade também merece desta- ciando nesse momento, diferentemente do estudo
que. Nenhuma menina havia completado o primeiro de Dirani (1993), onde muitas mães descreveram
grau, todas já haviam repetido pelo menos um ano ou o temperamento dos seus bebês baseadas nos mo-
mais na escola, encontrando-se já com uma certa defa- vimentos fetais, algo que não foi encontrado nesse
sagem no processo educacional. Quatro delas já ha- estudo.
viam parado de estudar quando engravidaram, duas re- Também contrariamente ao estudo de Dirani (1993)
lataram que não pretendiam parar de estudar e três dis- no qual só um terço das mulheres relatou preocupa-
seram que pararam ou vão parar por causa do bebê. ções com inexperiência apesar de serem primigestas,
Isto significa que apenas um terço das gestantes admi- boa parte das adolescentes relataram preocupações
te que irá parar de estudar em função da gravidez. Es- quanto ao desempenho do papel materno. Esse dado é
tes resultados contrariam a maior parte da literatura de extrema importância, pois se as expectativas real-
existente sobre o assunto que ressalta que a causa do mente parecem dar indícios de como será a futura
abandono da escola é devido à gravidez (Newcombe, relação mãe-bebê (Maldonado, 2000), estas meninas
1999; Papalia e Olds, 1998; Pinto e Rodrigues, 1986). já estão relatando uma possibilidade de fracasso no
Também é possível que esta discrepância se dê por papel materno.
causa do tamanho limitado e a natureza não-represen- Quanto às alterações quando da chegada do
tativa da amostra do presente estudo. bebê, algumas mães acreditam que não ocorreram
Conforme Fávero e Mello (1997) e Silva (1994 mudanças. Segundo Sherwen (1981, citado por
apud Frediani et al., 1996), a gravidez pode ser enten- Dirani, 1993), expectativas demasiadamente posi-
dida como conseqüência de um conjunto de caracte- tivas podem deixar a mãe despreparada para cuidar do
rísticas tais como fraco desempenho escolar e baixas bebê. É possível que a ausência de expectativas tam-
aspirações educacionais. Além disso, as duas adoles- bém tenha o mesmo efeito, embora não se disponha
centes que disseram que vão continuar estudando apre- de mais dados para afirmar isso. Não há evidências de
sentam uma pequena defasagem entre idade e escola- que isso também tenha sido encontrado por Dirani
ridade, o que segundo estas autoras, também é impor- (1993).
tante para que tenham maior probabilidade de sucesso No estudo conduzido por Dadoorian (1998) com
no futuro. Soma-se a isso o fato de que estas adoles- vinte adolescentes grávidas no Rio de Janeiro, as ex-
centes contam com um maior número de pessoas que pectativas quanto ao futuro do filho também foram se-
elas acham que vão poder ajudar a cuidar do bebê, evi- melhantes às encontradas neste estudo e no de Dirani
denciando a importância da rede de apoio na gravidez (1993): o filho terá tudo o que elas não tiveram, como
precoce. Em um estudo conduzido longitudinalmente estudo, carinho e família. Possivelmente isso aconteça
por Horwitz, Klerman, Kuo e Jekel (1991) foi suge- porque de acordo com Brazelton e Cramer (1992), o
rido que a percepção do apoio social do ambiente filho pode ser considerado depositário de várias ex-
prediz sucesso a longo prazo para mães em idade pectativas maternas. Para esses autores, o filho pode
escolar. ser a salvação dos pais, pois pode triunfar aonde eles
Outro objetivo deste estudo foi verificar quais as fracassaram. No presente estudo, o fato de a maioria
expectativas das futuras mães adolescentes em rela- das adolescentes desejar que seus filhos estudem, pa-
ção à gravidez e ao seu bebê. Segundo Dirani (1993), rece ilustrar muito bem esta situação, já que a maioria
tais expectativas refletem o que a mulher está expe- das mães já havia parado de estudar ou parou por cau-
renciando internamente e ajudam na preparação psi- sa do bebê.
cológica para o papel materno e para o futuro vínculo Dadas algumas diferenças entre o presente estudo
mãe-bebê. e o de Dirani (1993), pode-se sugerir que há algumas
De maneira geral, todas gestantes conseguiram diferenças nas expectativas de gestantes adolescentes
imaginar características físicas de seus bebês. Estes e de mulheres adultas. Isto poderia ser levado em con-
dados concordam com os encontrados por Dirani sideração nos programas de educação sexual nas esco-
(1993). A diferença fica por conta do fato de que mui- las e nos de atendimento pré-natal nas unidades de saú-
tas mães não conseguiram imaginar o seu bebê por in- de. Frediani et al. (1996) propõem a prevenção em três
teiro, só características físicas isoladas. Inclusive uma níveis: primário, secundário e terciário. A primeira es-
gestante relata que antes de engravidar ela imaginava taria enfocada no comportamento sexual responsável,
como seria sua criança, mas agora não consegue mais tarefa da educação sexual na escola e dos serviços de
fazê-lo. Parece que agora que esta situação está pres- saúde. A segunda seria o uso eficiente de métodos
tes a se concretizar é mais fácil negá-la não mais ima- contraceptivos pelos jovens sexualmente ativos. Só é
ginando o bebê. Já quanto ao temperamento do bebê, importante ressaltar que estas duas etapas não pode-
as mães a situações estressantes que estejam viven- riam se reduzir a apenas informar, pois a questão da
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sexualidade é permeada por valores que deveriam REFERÊNCIAS


ser introjetados e pelo juízo crítico (Borges, 1999;
Béria, J., Morris, S., Carret, M. L. V. & Oliveira, O. M. F. (1998).
Menezes, 1996). Isto pode encontrar um apoio neste A transa e o uso de camisinha em adolescentes escolares no
estudo, pois as gestantes relataram conhecer os méto- Sul do Brasil. In J. Béria (Ed.). Ficar, transar...: a sexualidade
dos contraceptivos, mas que não os usaram adequa- do adolescente em tempos de AIDS (pp. 79-94). Porto Alegre:
damente. Finalmente, a terceira forma de prevenção Tomo Editorial.
seria evitar danos à saúde das mães adolescentes e suas Berquió, E. (1998). Jovens no Brasil – Diagnóstico nacional.
Brasília: CNPD.
crianças, através do pré-natal adequado.
Borges, I. C. B. (1999).Uma delicada travessia. Cadernos Psica-
nalíticos, CPRJ, 21, 13, 45-53.
CONSIDERAÇÕES FINAIS Brazelton, T. B. & Cramer, B. G. (1992). As primeiras relações.
São Paulo: Martins Fontes.
O presente estudo pretende contribuir para um Dadoorian, D. (1998). A gravidez desejada na adolescência.
melhor entendimento da questão da gravidez na ado- Arquivos Brasileiros de Psicologia, 50, 3, 60-70.
lescência em classes populares. Embora os dados não Dirani, C. C. (1993). Expectativas e sonhos da gestante na pri-
possam ser generalizados, eles ainda são relevantes meira gravidez. Dissertação de Mestrado não-publicada, Cur-
so de Pós-Graduação em Psicologia do Desenvolvimento,
para um propósito descritivo. Diante da complexidade Universidade Federal do Rio Grande do Sul. Porto Alegre.
desse fenômeno, é sempre importante a busca de no- Fávero, M. H. & Mello, R. M. (1997). Adolescência, maternida-
vas fontes de compreensão. de e vida escolar: a difícil conciliação de papéis. Psicologia:
A gravidez não planejada na adolescência foi atri- Teoria e Pesquisa, 13, 1, 131-136.
buída à falta de cuidado, embora os motivos subja- Frediani, A. M., Roberto, C. M. & Ballester, D. A. P. (1996).
Aspectos psicossociais da gestação na adolescência. Acta Mé-
centes a ela não tenham sido explicitados. Talvez para dica, 6, 349-360.
isso fosse importante uma escuta mais atenta como a Fonçatti, C. (2001). Questões emocionais de uma gravidez ino-
relatada por Fonçatti (2001), que remonta a uma deta- portuna na adolescência. [On line] http://saude.pr.gov.br/
lhada história da vida pessoal e familiar da adolescen- artigos_publicacoes/gravidez_adosl.htm (Acesso em: 05 maio
2001).
te. Esta abordagem pode ser o objeto de uma próxima
Horwitz, S. M., Klerman, L. V., Kuo, S. & Jekel, J. F. (1991).
investigação. School-age mothers: predictors of long-term educational and
As reações quando da descoberta da gravidez vari- economic outcomes. Pediatrics, 85, 862-868.
aram entre alegria, medo e indiferença. Isto pode vari- Laville, C. & Dionne, J. (1999). A construção do saber. Porto
ar de acordo com os diferentes projetos de vida da ado- Alegre: Artes Médicas Sul; Belo Horizonte: Editora da UFMG.
lescente e com o apoio social percebido pela adoles- Machado, R. C. A. A. & Paula, L. G. (1996). Gravidez na adoles-
cente. Estes dois aspectos mostraram-se de bastante cência. Acta Médica, 6, 257-264.
importância na questão da gravidez na adolescência e Madeira, A. M. F. (1997). Maternidade na adolescência – uma
análise à luz do discurso médico. Enfermagem Revista, 1, 3,
futuras investigações poderiam melhor enfocá-los. Por 21-30.
exemplo, futuras investigações poderiam aplicar mé- Maldonado, M. T. (2000) Psicologia da gravidez – parto e
todos quantitativos inferenciais a fim de testar direta- puerpério, (14ª ed.). São Paulo: Saraiva.
mente o papel que esses fatores possivelmente exer- Medrado, B. & Lyra, J. (1999). A adolescência “desprevenida” e
cem na gravidez da adolescente. a paternidade na adolescência: uma abordagem geracional e de
Este estudo investigou os aspectos psicológicos gênero. In M. S. F. T. Mota & V. C. Branco (Eds.). Cadernos
Juventude, Saúde e Desenvolvimento. Brasília: Ministério da
da gravidez na adolescência em classes populares. Saúde, Secretaria de Políticas de Saúde.
Seria interessante verificar como são vivenciados Menezes, M. I. C. B. B. (1993). A gravidez e o projeto de vida –
estes aspectos em diferentes níveis socioeconômi- uma análise das adolescentes grávidas das camadas popula-
cos, especialmente quanto a questões como aborto, res. Tese de Doutorado não publicada, Curso de Pós-Gradua-
ção em Psicologia Social, Pontifícia Universidade Católica de
aceitação da gravidez, namoro, casamento e escola- São Paulo, São Paulo.
ridade. Newcombe, N. (1999). Desenvolvimento infantil – abordagem de
Enfim, uma importante contribuição do presente Mussen, (8ª ed.). Porto Alegre: Artes Médicas Sul.
artigo é indicar que a gravidez na adolescência parece Papalia, D. E. & Olds, S. W. (1998). O mundo da criança – da
ter algumas especificidades em relação à gestação infância à adolescência, (2ª ed.). São Paulo: Makro Books.
de mulheres adultas. Assim, seria interessante que Pinto, A. L. R. & Rodrigues, F. M. A. (1986). A gravidez na ado-
os serviços de saúde pudessem estar cientes de tais lescência. Rio de Janeiro: Centro Nacional Bertha Lutz de As-
sistência, Educação e Promoção da Mulher e da Família.
diferenças a fim de oferecer o melhor atendimento a
Raphael-Leff, J. (1997). Gravidez: a história anterior. Porto Ale-
população, tanto em relação ao atendimento pré- gre: Artes Médicas.
natal quanto a políticas públicas de planejamento fa- Rubin, J. (1972). Fantasy and object constancy in maternal
miliar. relationships. Maternal-Child Nursing Journal, 1, 101-111.

PSICO, Porto Alegre, PUCRS, v. 36, n. 1, pp. 13-20, jan./abr. 2005


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Trombini, E. (1998). As causas do não uso de métodos anti- Autoras:


concepcionais por adolescentes. Tema livre apresentado no Giana Bitencourt Frizzo – Psicóloga, Mestre e Doutoranda em Psicologia do
Desenvolvimento pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul.
I Simpósio Sul-Brasileiro de Sexualidade, Passo Fundo. Maria Luiza Furtado Kahl – Psicóloga, Psicanalista, Doutora em Comunica-
Vitória, G. (1994). Barrigas de anjo. Isto É (pp. 68-73). São ção e Cultura pela UFRJ. Professora do Departamento de Psicologia da
Paulo. UFSM/RS.
Ebenézer Aguiar Fernandes de Oliveira – Seminário Presbiteriano do Norte,
Recife. BS, Philadelphia College of Bible, Philadelphia, EUA. MA, West-
minster Theological Seminary, Philadelphia, EUA. MA e PhD, University of
Recebido em: 29/12/2003. Aceito em: 14/04/2005. Delaware, EUA. Associate Professor, Department of Psychology, Malone
College, EUA.
Nota: Este estudo foi baseado na monografia de conclusão do curso de gra-
duação em Psicologia na Universidade Federal de Santa Maria, RS, pela Endereço para correspondência:
primeira autora. Agradecemos a colaboração da enfermeira Roselaine B. F. GIANA BITENCOURT FRIZZO
Machado e aos agentes comunitários de saúde de Itaara e a equipe de enfer- Rua Santana, 946, ap. 205
magem do Serviço de Saúde da Mulher na Unidade Sanitária Kennedy pelo CEP 90040-370, Porto Alegre, RS
auxílio no recrutamento e seleção da amostra. E-mail: gifrizzo@terra.com.br

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