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IV EREEC

Teresina - PI
15 a 17 de agosto de 2018

SISTEMA CONSTRUTIVO TOP-DOWN E A VIABILIDADE DE


IMPLANTAÇÃO NA CIDADE DE SANTARÉM - PA

Artemis Rolim Peixoto (artemisr.peixoto@gmail.com)


Bianca Fernanda Figueira da Silva (biasilva.eng@gmail.com)
Karla de Souza Gaziero (karla.gaziero@hotmail.com)
Liliane Maria Leal de Andrade (lilianemlandrade@gmail.com)
Rosiane Barbosa Ferreira (rosiane.barbosa.ferreira@gmail.com)

Resumo: A construção civil é um dos setores mais importantes da economia do país. E por isso tem buscado investir em novas
tecnologias para alavancar o setor, o que resulta em produtividade e qualidade para o mesmo. Construções rápidas, eficientes
e limpas, são alguns dos desafios na engenharia civil, pensando nessas questões surgiu o Top Down – a técnica invertida, que
significa “de cima para baixo”. Nesse sentido o presente trabalho pretende contribuir ao longo de seu desenvolvimento, com
levantamentos de conceitos sobre o sistema top Down, sua viabilidade no mercado atual como recurso para agilizar a entrega de
uma obra, analisando sua importância na engenharia, como também as tecnologias empregadas para a utilização desse método
e suas especificações de projeto e prática. Diante disso, foi feito um estudo de caso em uma obra no município de Santarém-Pará
realizando comparativos com o sistema tradicional onde usou-se uma edificação já construída na cidade, verificando conceitos,
vantagens e desvantagens do emprego dessa nova tecnologia na realidade da região local. E como resultado, mostrou que o
munícipio ainda não possui condicionantes para a implantação do sistema Top Down.
Palavras-chave: Top Down. Tecnologia. Construção civil.

INTRODUÇÃO

A construção civil é um dos setores mais importantes da economia brasileira, responsável por gerar mi-
lhões de empregos diretos e indiretos, qualidade de vida e renda. E por isso tal setor, tem buscado novas tec-
nologias para alavancá-lo, tendo em vista que investir em tecnologia na maioria das vezes tem resultado de
produtividade e qualidade para o mesmo. Os materiais, as técnicas e os processos de construção de edifícios
têm evoluído de forma acentuada nos últimos tempos. Novos processos têm sido adotados com base em prá-
ticas tradicionais da construção resultando, muitas vezes, em insucessos técnicos e econômicos. Isto provoca
mudanças de caráter muito mais profundo e radical (THOMAZ, 2002).
Nesse sentido, é importante lembrar que o cronograma de um empreendimento na atualidade ainda con-
tinua seguindo os padrões do método construtivo tradicional, o que muitas vezes torna demorado a entrega da
obra, e por essa razão novos sistemas foram criados com o intuito de acelerar o cronograma. Um deles, é o mé-
todo construtivo invertido, que veio ao mercado com o objetivo de quebrar o paradigma hierárquico que segue
a execução de um projeto, pois este sistema não necessita que a etapa de fundação seja finalizada para dar iní-
cio a parte do levantamento da estrutura, por isso separa-se duas linhas de trabalho, onde uma encarrega-se da
fundação e outra da estrutura que se apoia sobre um apoio provisório.
O sistema “TOP DOWN” apresenta não só rapidez como também um ambiente limpo, reaproveitando a
laje do térreo como canteiro de obras durante a fase de levantamento da estrutura melhorando assim a acessi-
bilidade e movimentação dos operários e máquinas na obra.
De acordo com um levantamento realizado no Município de Santarém/Pará, certificou-se que o mesmo
como na maioria dos outros municípios brasileiros, possui características que permitem a viabilidade de novos

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empreendimentos. E dessa forma, comparado aos outros municípios do Oeste do Pará, Santarém vem se des-
tacando na construção de edificações verticais, demonstrando o potencial que possui em inovar superando a
expectativa de vida para a população que escolhe residir neste local.
O método convencional aplicado a construção tem-se mostrado ultrapassado comparando-se a outros
métodos inovadores que se destacam no mercado. O processo de construção ainda está vinculado a desorgani-
zação no canteiro de obra, como entulhos espalhados, principalmente em obras residenciais, demora em con-
cluir o projeto, já que o mesmo segue uma hierarquia nas etapas de edificação: preparação do canteiro de obra,
a rotatividade de mão de obra pouco qualificada gerando maiores custos ao proprietário, consequentemente
desperdício de materiais. A alvenaria convencional é o tipo mais comum utilizado nas construções brasileiras,
esse sistema pode conter problemas como vícios construtivos, paredes fora de prumo, nível e esquadro, além
de ficarem mais suscetíveis a “gambiarras” e improvisos, durante a sua execução.
Portanto, nesse contexto, o presente artigo pretende contribuir ao longo de seu desenvolvimento, com
levantamentos de conceitos sobre o sistema Top Down, sua viabilidade no mercado atual como recurso pa-
ra agilizar a entrega de uma obra, analisando-se sua importância na engenharia, como também as tecnologias
empregadas para a utilização desse método e suas especificações de projeto e prática. Desta forma, tem-se co-
mo um dos principais objetivos deste artigo analisar se o município de Santarém possui condicionantes para
a implantação do sistema Top Down. A partir disso, nesta dissertação realizou-se comparativos com o sistema
tradicional usando-se uma edificação já construída na cidade chamado Edifício Plaza de Viena, e analisou-se
conceitos, vantagens e desvantagens do emprego dessa nova tecnologia na realidade da região local.
A metodologia desenvolvida baseou-se em estudos bibliográficos, livros, revistas, e trabalho de campo
em uma torre vertical, para fornecer informações e fazer comparativo de uma construção entre o sistema cons-
trutivo Top-Down e o método Convencional em Santarém.

1. SISTEMA CONSTRUTIVO “TOP DOWN”

De acordo com Lafraia (2006), o método invertido como o Top Down é conhecido, foi desenvolvido a
partir do método milanês chamado Cover and cut method, em português “cubra e depois escave”. Original-
mente desenvolvido para a aplicação a obras de túneis e metrôs, ou seja, trata-se de uma sequência invertida
do método convencional, onde se faz primeiro a escavação e depois cobre. O referido método começou a ser
executado na Europa e no Oriente, chegando nos Estados Unidos na década de 80 com a construção do Olym-
pia Center em Chicago, a utilização desse sistema cresce em países desenvolvidos.
Chegando no Brasil em 2011, com a construção de uma torre vertical no Rio de Janeiro. Diante das difi-
culdades de reduzir o tempo de obra em situações especificas o sistema construtivo Top Down foi definido se-
gundo Mignone (2006 apud PINTO) como: “Modo construtivo invertido que consiste na execução da estrutura
principal sem que haja a necessidade da execução previa das escavações, dos blocos ou vigas de fundação”.
O “Top-Down” é um método muito utilizado na execução de grandes obras como, prédios e construções
subterrâneas, devido à flexibilidade e rapidez que o mesmo proporciona, reduzindo assim o tempo de obra. É
um sistema caracterizado pela sua execução invertida, ou seja, a estrutura superior e a fundação são executadas
quase que simultaneamente (VALLE, 2011).

1.1 Características de Projeto Top Down

Milititsky (2011), afirma que o processo de aplicação desse sistema é rápido, porém complexo se com-
parado aos métodos de construção tradicional. Portanto o método deve ser feito por um profissional da área
com projeto detalhado de cada etapa da obra, pois as etapas das escavações se dão em ambientes confinados
que iram variar de acordo com o número de pavimentos subterrâneos da edificação, o projeto não pode conter
erros que possam influenciar na estabilidade da estrutura. Para iniciar sua execução todo o projeto deve estar
revisado. Na etapa de aplicação são avaliadas as seguintes características:
Aplicação do método Top Down - Esse sistema pode ser aplicado para obras de grande porte como pré-
dios e construções subterrâneas, e quando a obra possui um cronograma de curto prazo.
Tipo de solo - O conhecimento geotécnico da área onde a edificação será construída, pois o solo que irá
receber as cargas provenientes da estrutura, para isso ocorre à investigação do solo. Veloso e Lopes (2012),

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afirmam em sua literatura que os principais processos de investigação do subsolo para fins de projeto de funda-
ções de estruturas são: Poços, Sondagens a trado, Sondagens a percussão com SPT, Sondagens rotativas, Son-
dagens mistas, Ensaio de cone (CPT), Ensaio pressiométrico (PMT).
Determinação das solicitações - Para que um bom projeto seja executado com êxito atendo as especifi-
cações obtidas nos ensaios antes e durante a execução de acordo com o projeto.
Avaliação dos efeitos da implantação na vizinhança - É importante, antes do início da obra, o registro
das condições das construções vizinhas, assim como, tipo da construção, número de pavimentos, fundação en-
tre outros dados para análise.
Elaboração das plantas com especificações construtivas - O ponto mais meticuloso de todo projeto sãos
as especificações, que iram contar com todos os detalhes e observações que cada pavimento possui, eles são
compostos por plantas (arquitetônico, elétrico e hidráulico), corte e memorial de cálculo, sistema estrutural,
dissertação contendo a descrição de cada pavimento, etc.
Detalhamento do controle e instrumentação - Essa etapa é constituída do controle detalhado de cada eta-
pa realizada nos pavimentos durante a fase de projeto, ou seja, são especificações contidas que iram nortear o
engenheiro a cada etapa de execução. A instrumentação é constituída dos instrumentos que serão utilizados,
como equipamentos, materiais e ferramentas.
Verificação da segurança referente aos estados limites. A segurança é um fator importante em qualquer
projeto, pois é nele onde será analisada a interação solo-estrutura que a edificação possa vir a sofrer, ou seja,
são todos os mecanismos possíveis de colapso, que são as rupturas gerais e as rupturas estruturais.

2. CARACTERIZAÇÕES DO LOCAL EM ESTUDO

O local onde a obra para o presente estudo está situada, é na cidade de Santarém, município brasileiro
do estado do Pará, considerado o terceiro mais populoso do estado e visto como principal centro urbano, co-
mercial, financeiro e cultural do oeste do estado. O município de Santarém é uma cidade média, localizada na
mesorregião do Baixo Amazonas e microrregião de Santarém, à margem direita do rio Tapajós na confluência
do rio Amazonas. O Edifício PLAZA DE VIENA é um empreendimento de alto padrão que está localizado na
Avenida Barão do Rio Branco, na cidade de Santarém-Pará. Foi projetado e executado pela empresa R Branco
Engenharia. Na figura 1, uma foto do edifício já concluído.

Figura 1.
Edifício Plaza de
Viena

Fonte: Acervo R. Branco


Engenharia, 2017.

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De acordo com Branco (2015), a empresa em questão atua como construtora e incorporadora, há mais de
25 anos no mercado de Santarém. O presente estudo foi baseado em uma edificação que possui 25 pavimentos,
sendo eles: 2 Pavimentos de garagem; 1 pavimento de Lazer; 20 pavimentos de apartamentos; 2 pavimentos de
cobertura duplex. A obra teve início em agosto de 2013 e sua conclusão foi no atual ano de 2017.

3. ETAPAS DE CONSTRUÇÃO DO EDIFÍCIO PELO MÉTODO TRADICIONAL X MÉTODO INVERTIDO


“TOP DOWN”.

Nesse método o edifício, para começar a erguer o edifico a fundação não precisa estar concluída. A cons-
trução começa a ser erguida enquanto existe outro grupo de trabalho aprofundando as escavações até o nível
das fundações. Dessa forma a escavação e contenção ocorrem juntamente com a elevação do prédio. Tendo as-
sim como sua principal vantagem, o considerável ganho de prazo.

3.1 Limpeza do terreno

Antes de iniciar a construção pelo método tradicional, o terreno foi limpo, capinado e nele realizados
serviços de terraplenagem para deixa-lo adequado, tanto para instalação de um canteiro de obras como tam-
bém para se iniciar a execução do projeto. O serviço começou em 08 de agosto de 2013 e terminou em 16 de
agosto de 2013. Esses serviços se aplicariam sem mudanças, caso fossem realizados pelo método Top Down.

3.2 Ferragem e concretagem das estacas muro de contenção

O serviço durou aproximadamente entre 27 de agosto de 2013 e 08 de novembro de 2013. Nas Figuras
2 e 3 é possível ver tais etapas.

Figura 2. Concretagem estacas muro de contenção

Fonte: Acervo R.Branco Engenharia, 2017.

Depois de concluída a etapa de concretagem das estacas do muro de contenção. Inicia-se o processo de
levantamento da primeira laje, é construída no nível do muro de contenção que iria apoiar a laje. A partir de en-
tão, as linhas de trabalho são separadas. Enquanto uma se encarrega das etapas de fundação, a outra cuida do
levantamento da estrutura. No Top Down a contenção é não possível, pois as estacas utilizadas para contenção
precisam ser perfis metálicos e não concretados por serem cravadas ao solo.

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Figura 3.
Concretagem muro de contenção

Fonte: Acervo R.Branco Engenharia, 2017.

A execução do método é iniciada a partir do nível Térreo, sendo assim o primeiro passo aplicando-se o
Top Down seria a execução das paredes de Contenção ao redor do perímetro da área escavada, podendo ser
elas em paredes diafragma, estacas prancha, entre outros exemplos. Iniciar-se-ia a primeira fase pelo rebaixa-
mento do lençol freático, executado junto as paredes de contenção e ligado para o início do processo de rebai-
xamento do nível da água. E em seguida, começaria também a montagem das formas e armação das peças a
serem concretadas na fase seguinte.

3.3 Locação da obra e fundação

A locação da obra teve início em 06 de dezembro de 2013. Em seguida deu-se início aos serviços de es-
cavação, e fundação do prédio por meio de estacas hélice continua no dia 15 de janeiro de 2014.

Figura 4. Estaca hélice continua

Fonte: Acervo R. Branco Engenharia, 2017.

No sistema Top Down, não seria possível a utilização da estaca hélice contínua pois a fundação no mé-
todo invertido é feita em locais confinados. Conforme é realizada a escavação dos pavimentos subsolos, chega-
-se no nível final para a fundação permanente ser feita. Na edificação analisada seria levantada a laje, o que não
permitiria a utilização da hélice contínua. Nesse caso, o recomendado seria usar a estaca mega ou estaca raiz,
pois ambas podem ser executadas em ambientes confinados. Na execução do método invertido podem ser uti-

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lizadas fundações provisórias durante a sua etapa de escavação, até que se chegue ao nível das fundações per-
manentes. Podem ser cravados perfis metálicos como fundação provisória para apoio das lajes da edificação.
Estes podem ser posteriormente arrasados ou utilizados de maneira definitiva, como pilares mistos.

3.4 Inicio de Baldrame, Blocos de coroamento junto com laje térreo e laje fundo de garagem

Tais serviços começaram em 11 de março de 2014 com o baldrame sendo feito, e sucessivamente em 08
de abril de 2014 começou-se os blocos de coroamento e as lajes fundos garagem.

Figura 5. Baldrame e blocos de coroamento

Fonte: Acervo R. Branco Engenharia, 2017.

3.5 Escavação, equipamentos e concretagem de blocos e lajes

A escavação iniciou-se pelos blocos do elevador no dia 08 de abril de 2014, sucedendo-se da concreta-
gem lajes em 10 de abril de 2014 e blocos de 21 a 30 de maio de 2014. As atividades de escavação podem ser
manuais ou mecanizadas. A partir dessa etapa dar-se início a fundação. Ao analisar a figura abaixo, percebe-
-se que a utilização dos equipamentos (caminhão e retroescavadeira) utilizados não seria possível, pois no Top
Down já teria iniciado o levantamento da estrutura, e essa etapa seria confinada, sendo necessária a utilização
de mini equipamentos (mini escavadeira, mini pá carregadeira).

Figura 6. Concretagem Blocos e Lajes

Fonte: Acervo R. Branco Engenharia, 2017.

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Enquanto essas etapas da obra ainda estariam em execução pelo método construtivo tradicional, pe-
lo Top Down já teriam sido concluídas. Nas etapas iniciais, como escavação aberta, se utiliza um maquinário
mais pesado, como Retroescavadeiras, escavadeiras hidráulicas e Clam Shell. Nas etapas de escavação confi-
nada utiliza-se maquinário de pequeno porte como bob cat’s e mini escavadeiras. Podendo ser utilizada tam-
bém o auxílio da escavação manual nas partes mais próximas as paredes de contenção (LOPES, 2014). No Top
Down, após a execução das contenções em estacas, da cravação das fundações provisórias e contenção com
perfis metálicos e do ligamento do sistema de rebaixamento, é iniciada a etapa de escavação. No método inver-
tido a escavação, a contenção, as fundações e a estrutura estão em sequência executiva diferentes do método
convencional. Realizar-se-ia a escavação até o nível do 1º (primeiro) subsolo deixando uma berma provisória
na parede. Acarretando assim no avanço das contenções em plaqueamento metálico e prancheamento de ma-
deira de acordo com a escavação. A partir de então, inicia-se a execução da laje superior, no nível Térreo, para
o travamento das paredes de contenção ao redor da edificação. Essa laje deve possuir uma abertura com tama-
nho suficiente para a retirada do solo que será escavado para os níveis inferiores.

3.6 Levantamento da estrutura superior

Pelo método convencional começou-se a levantar a estrutura superior a partir do dia 06 de junho de
2014. As mesmas passaram por testes de carga até o dia 21 de julho de 2014. A partir de então, no dia 13 de
agosto de 2014 iniciou-se o levantamento do primeiro piso em diante. No método convencional o levantamen-
to de estrutura inicia-se neste momento, enquanto pelo Top Down, o levantamento iniciar-se-ia após a finaliza-
ção da concretagem das estacas do muro de contenção.

Figura 7. Concretagem Laje garagem meio e Levantamento do 1º piso

Fonte: Acervo R. Branco Engenharia, 2017.

A concretagem das lajes do terreno foi dividida em 3 etapas. Sendo a concretagem da laje de fundo, con-
cretagem da laje do meio e concretagem da laje de frente. No sistema Top Down, essa etapa já estaria conclu-
ída, sendo que a concretagem não seria dividida em 3 etapas, mas sim, em apenas uma laje única.
O levantamento do primeiro piso no método convencional deu-se através de toda sequência conforme
figuras anteriores, pelo método Top Down essa etapa seria executada previamente.

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Figura 8.
Formas e laje
apartamento 4
(quarto) tipo

Fonte: Acervo R. Branco


Engenharia, 2017.

Esta etapa pelo método invertido, seria continuada pela execução de laje do primeiro subsolo seguin-
do-se com a escavação confinada repetida. A execução das lajes subterrâneas se dará dessa maneira, e irá se
repetir quantas vezes forem o número de pavimentos subterrâneos a serem feitos. Até que se alcance o ní-
vel das fundações definitivas. É mais viável em obras com vários subsolos. Ao mesmo tempo em que a obra
avança em profundidade, são executadas as lajes superiores na outra frente de trabalho, fazendo com que o
prédio suba. Sendo que o número de pavimentos acima do térreo deve ser limitado devido a capacidade de
carga das fundações provisórias. É preciso então, definir-se a execução da fundação definitiva escolhida. Em
seguida, a execução dos pilares definitivos da fundação. Podendo aproveitar a existência dos perfis metáli-
cos para executar pilares mistos (perfis metálicos mais concretos).

Figura 9.
Modelo de execução
Top Down

Fonte: Lopes, 2014.

3.7 Alvenaria e Fachada

Considerando-se a alvenaria como conforto nos ambientes de uma construção sendo térmicos e acústi-
cos, o trabalho da mesma começou em 13 de fevereiro de 2015. Bem como o trabalho das fachadas.

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Figura 10.
Fachadas e alvenaria

Fonte: Acervo R. Branco Engenharia, 2017.

No método Top Down, paralelamente as duas frentes de trabalho iniciar-se-iam os serviços de imper-
meabilização, execução de alvenaria e instalações nos pavimentos intermediários (térreo e primeiro subsolo) e
demais pavimentos. Nesse ponto a obra mostrar-se-ia o seu pico de mão de obra, serviço e vantagem, devido
as diversas frentes de trabalho e a economia no prazo que esta etapa apresentava.

3.8 Fase final: Revestimento e Acabamento

A construção do Edifício chegou ao final com a fase de acabamento, o momento de colocar pisos, for-
ros, louças, metais sanitários, pintura, armários, esquadrias, entre outros. Essa fase iniciou em 14 de janeiro de
2016. E pelo Top Down, ao término da estrutura, seriam removidos os escoramentos restantes e executados os
serviços de instalações, impermeabilização, vedação, acabamentos, entre outros serviços comuns que são si-
milares descritos acima pelo método convencional.

Figura 11. Acabamento

Fonte: Acervo R. Branco Engenharia, 2017.

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CONSIDERAÇÕES FINAIS

Considerando-se todas essas vantagens e desvantagens, os autores deste trabalho chegaram a uma tabe-
la de redução no tempo de obra utilizando-se o Top Down como método de construção, ao invés do conven-
cional. Tal método se mostrou satisfatório no quesito prazo, aplicando-se a redução de 30% no cronograma de
execução da obra, chegou-se a redução de 1 ano e 5 meses comparado ao convencional. Ou seja, a obra que foi
construída pelo método tradicional durou aproximadamente 3,5 (três anos e meio) sendo sua construção subs-
tituída pelo método invertido teria duração de aproximadamente 2 (dois) anos no seu cronograma. Conforme
Tabela 1 e Gráfico 1 abaixo.

Tabela 1. Tempo de obra


Convencional Top Down
Inicio da obra 08/08/2013 08/08/2013
Fim da obra 01/01/2017 01/08/2016
Tempo de obra 100% 70%
Fonte: Autores, 2017.

Gráfico 1.
Tempo de obra

Fonte: Autores, 2017.

No entanto, apesar do método Top Down se mostrar satisfatório em relação ao prazo de entrega da obra,
sua aplicação no município de Santarém ainda é economicamente inviável. De acordo com a pesquisa realiza-
da no município, incluindo visitas em empresas privadas, os autores deste trabalho encontraram vários fatores
negativos para a implantação do método invertido. Dentre eles:
Falta de equipamentos necessários para a realizado do trabalho confinado. Como: mini escavadeira, mi-
ni carregadeira, entre outros materiais. A dificuldade em achar os mesmos, implicaria diretamente no crono-
grama da obra, já que para a empresa realizar a construção pelo método invertido, teria que procurar outras
soluções disponíveis no mercado da cidade, ou importar equipamentos de outros locais e regiões, acarretando
em mais custo para a obra.
A Falta de mão de obra qualificada é outro fator predominante. Tendo em vista que o Top Down é um
método de construção novo, o seu emprego ainda é de pouco conhecimento pelos profissionais da construção
civil, não somente nessa região do oeste do Pará, mas no Brasil todo. Sendo que até o ano de 2017, apenas 1
(uma) obra foi executada no País pelo método invertido. Por se tratar de um sistema de construção com o custo
relativamente elevado comparado ao convencional, o Top Down ainda é visto de forma “desnecessária” e com
pouco retorno satisfatório para algumas empresas.
Em relação ao tipo de fundação no caso do método tradicional, usou-se à estaca Hélice Contínua. Já pelo
método Top Down a fundação adequada para o edifício em estudo, precisaria ser determinada pelos projetis-
tas de acordo com os relatórios de sondagem, que não foram fornecidos aos autores deste trabalho. Entretanto,

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sugere-se que seja Estaca Mega ou Raiz, pois ambas possuem tecnologias aplicáveis a ambientes confinados,
sendo consideradas viáveis técnica e financeiramente.
Com isso pode ser concluir que o pico de mão de obra não se dará nas etapas intermediárias da execução
da mesma, como seria no método Convencional, mas sim nas etapas iniciais da construção.

Figura 12. Comparação entre método convencional e Top Down

Fonte: Site obrasweb.com, 2017.

Portanto, através desse estudo é possível comprovar-se a inviabilidade de aplicação do método invertido
Top Down em substituição do método convencional nesta cidade, simplificando-se, na obra em estudo Edifício
Plaza de Viena. Apesar disso, vale ressaltar a importância do conhecimento desse sistema pelos profissionais
da construção civil. Já que os conceitos de novas tecnologias na obra, devem ser estudados e trabalhados desde

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sua concepção, planejamento até execução, para que as vantagens desse sistema construtivo sejam otimizadas
e maximizadas, e suas desvantagens sejam reduzidas, e assim obter o sucesso do empreendimento.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

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