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Universidade Federal do Vale do São Francisco – UNIVASF

Colegiado de Engenharia Agrícola e Ambiental

Componente Curricular: Microbiologia Geral

Docente: Vanessa Polon Donzeli

Discentes: Thiago Maia, José Maia

AVALIAÇÃO DA PRESENÇA DE MICRORGANISMOS CONTAMINANTES NO


LABORATÓRIO

1. Introdução

O laboratório de microbiologia possui diversos materiais e


equipamentos que precisam passar por processos de eliminação total ou
parcial de microrganismos. Tais processos são indispensáveis em trabalhos
rotineiros em que se utilizam microrganismos, onde a presença destes na
forma contaminante pode alterar significativamente o resultado, inclusive
invalidando-os, proporcionando perda de tempo e prejuízos financeiros.

O processo de higienização do laboratório, atentando-se


principalmente aos materiais e equipamentos a serem utilizados na
atividade, pode passar por distintas fases, entre elas a esterilização, a
desinfecção, a anti-sepsia, a assepsia, a digerminação, a sanitização e
sufixos “cida”. Segundo HIRATA e MANCINI FILHO (2002), é importante
conhecer e saber classificar os artigos a serem higienizados, bem como os
desinfetantes químicos, para que haja escolha adequada do processo de
higienização dos mesmos.

A esterilização é a destruição de todas as formas de vida microbiana,


inclusive os endósporos. A desinfecção é a destruição das formas
vegetativas bacterianas, onde alguns vírus, fungos, endósporos e
microbactérias podem resistir. A inibição ou destruição de formas
vegetativas bacterianas em tecidos vivos é chamada anti-sepsia. Já a
assepsia é a ausência de microrganismos contaminantes, condição
indispensável para o êxito de atividades laboratoriais. Essa ausência pode
ser proposital, através da digerminação, que é a retirada dos
microrganismos de uma área limitada. Em alguns casos, não é possível a
remoção completa dos microrganismos, sendo denominado de sanitização.
Há os processos químicos que se apossam de sufixo “cida” e promovem a
morte de microrganismos em geral (germicida ou microbicida) ou
específicos (bactericida, esporicida, fungicida).

Há diversas vias de transmissão de patógenos em laboratórios de


microbiologia. Podemos destacar os agentes infecciosos de transmissão oral
(principalmente quando microrganismos patogênicos são isolados em
culturas puras e atingem populações elevadas); transmissão aérea (onde os
microrganismos são transmitidos através da inalação de aerossóis contendo
os agentes infecciosos); a transmissão cutânea ou parenteral (ocorre
através da pele, pela injeção acidental de espécimes ou culturas
microbianas com agulhas ou quando ocorrem acidentes com materiais
cortantes); e a transmissão ocular (os organismos podem ser transmitidos
através da superfície da mucosa ocular através de gotículas ou respingos de
culturas que atinjam os olhos).

A higienização primordial ao acesso a um laboratório é realizada


através da limpeza das mãos e dos utensílios pessoais. Neste processo se
orienta a utilização de água com detergente ou produtos enzimáticos.
Consiste na remoção de material orgânico e sujidades dos objetos.
Processo que precede as ações de desinfecção e/ou esterilização. Poderá
ser feita pelo método manual ou mecânico (SOUSA JUNIOR, 2008).

2. Objetivo

Avaliação da presença de microrganismos contaminantes no


laboratório e noções de higienização.

3. Materiais e métodos

Primeiro passo foi a identificação das placas de Petri que continham


os meios de culturas: quatro placas com nutriente ágar (N.A.), quatro placas
com Sabouraud e quatro placas com Mac-conkey. Posteriormente, foi
especificada em cada placa os nomes dos realizadores da prática, a data e o
tipo de inoculação utilizado. Em seguida, houve a inoculação de três tipos
de meios de cultura da seguinte maneira: tocando com os dedos das mãos e
raspando a sujeira debaixo das unhas nas quatro diferentes placas; tocando
com cabelo nas quatro diferentes placas e com a saliva nas outras quatro
diferentes placas. Foram incubadas as placas de N.A. e Sabouraud a 28⁰C na
incubadora B.O.D., e Mac-conkey a 35⁰C por 48h.

4. Resultados e discussão

O cultivo de microrganismos, em condições laboratoriais, é uma


condição indispensável para seu estudo eficiente. Para que este possa se
concretizar, é necessário o conhecimento de suas exigências nutritivas e
das condições físicas requeridas.

A inoculação de microrganismos (sem prévia distinção de sua


classificação) nas placas de Petri, com diversos meios de cultura, a partir do
contato dos objetos citados nos materiais e métodos, acarretou a
proliferação de fungos e bactérias visíveis a olho nú.
As placas de Petri com o meio de cultura Sabouraud continham a
sacarose, tipo de glicídio formado por uma molécula de glicose e uma de
frutose produzida pela planta ao realizar o processo de fotossíntese, e esse
ambiente é propício para o crescimento de fungos, como observado em
laboratório.

O carbono é um elemento requerido em maior quantidade pelos


fungos do que qualquer outro elemento. Várias fontes de carbono são
utilizadas pelos fungos no seu desenvolvimento, e quando o C não é
encontrado isolado, os fungos utilizam dissacarídeos, tal como a sacarose,
para a obtenção desta substância. Em um fungo considerado normal, 50%
do peso seco são representados por carbono. Outros fungos utilizam
proteínas, lipídios e certos ácidos orgânicos como fontes de energia.

A maioria dos fungos cresce bem entre 0⁰C e 35⁰C, mas o ótimo fica
na faixa de 20⁰C a 30⁰C. As placas de Petri com o ágar e o Sabouraud, onde
os fungos se desenvolveram, respeitaram este padrão de temperatura,
ficando em torno de 28⁰C por 48h. Podem ocorrer casos extremos de
tolerância tanto a altas como baixas temperaturas.

A luz não é tão importante para o desenvolvimento dos fungos,


embora um pouco de luz é essencial para a ocorrência de esporulação em
muitas espécies, além de que muitos fungos são positivamente fototrópicos
e descarregam seus esporos em direção à luz. A luz não foi considerada na
execução do experimento.

O extrato de carne tem o objetivo de fornecer carbono orgânico,


nitrogênio, vitaminas e sais minerais e energia ao microrganismo. Já a
peptona serve como fonte de nitrogênio, e o cloreto de sódio aumenta a
pressão osmótica e mantém a isotonia do meio.

O meio de cultura Nutriente Ágar é considerado um tipo de meio


enriquecido, próprio para microrganismos presentes usualmente em baixos
números ou de crescimento lento, bem como microrganismos exigentes e
fastidiosos. A adição de fluídos biológicos diferentes como sangue de cavalo
ou ovelha, cera, gema de ovo, etc., o tornam mais adequado para o cultivo
de organismos mais exigentes.

O ágar não é utilizado como nutriente pela bactéria, só dá


consistência ao meio de cultura. A eles adicionam-se sangue, soro ou
extratos de tecido animal ou vegetal ao caldo ou ágar nutritivo,
proporcionando nutrientes acessórios, de modo a permitir o crescimento
dos heterotróficos fastidiosos. (LACAZ-RUIZ, 2000).

Houve a observação das placas de Petri dos dois realizadores do


experimento. As placas observadas por Thiago Maia tiveram as seguintes
características:

Meio Sabouraud com o ambiente analisado sendo os dedos e unhas: 6


colônias (sendo quatro de tamanho grande e duas pequeno); 5 colônias com
forma circular e uma irregular, todas apresentando brilho fosco; as 6 foram
pigmentadas (3 brancas, sendo uma grande e duas pequenas e 3 verde-
musgo com aspecto aveludado, sendo as três grandes); as 3 colônias verde-
musgo apresentaram bordas filamentosas; duas colônias grandes
apresentaram elevação elevada, e o restante, convexa.

Meio Sabouraud com o ambiente analisado sendo a saliva: foi


observado um fungo grande e fosco, aveludado, com pigmentação verde-
musgo, forma circular e bordas lisas, elevação elevada e estrutura rugosa.

Meio Nutriente Ágar com ambiente analisado sendo os dedos e


unhas: mais do que 100 colônias observadas em 3 tamanhos distintos,
cerca de 90% de pequenas, 5% de médias e 5% de grandes; cores variando
entre branca, amarela e laranja, onde todas as colônias grandes são
brancas, 90% das pequenas são laranja; todas com aspecto úmido e brilho
opaco.

Meio Nutriente Ágar com ambiente analisado sendo a saliva: muito


mais do que 100 colônias observadas, todas de tamanho muito pequeno, e
por isso não foi possível a obtenção das demais características a olho nú.

Meio Mac-conkey com ambiente analisado sendo os dedos e unhas:


mais ou menos 50 colônias todas pequenas, e por isso não foi possível a
obtenção das demais características a olho nú

Meio Mac-conkey com ambiente analisado sendo a saliva: mais do


que 100 colônias, todas elas de tamanho pequeno e, portanto, não foi
possível a averiguação das demais características.

As placas de Petri observadas por José Maia apresentaram as


seguintes características:

Meio de cultura Sabouraud: foram coletadas amostras de


microrganismos dos dedos e posteriormente cultivado neste meio,
apresentando crescimento de 20 colônias de fungos. Foram encontrados
fungos com diversas características, sendo elas: no tamanho, variavam de
média a grande, apresentando-se entre 2 a 5 mm, ou até maior. Sua forma
variou entre filamentosa e circular, com bordas lisas e filamentosas. Eram
microrganismos de elevação elevada, com estrutura filamentosa ou rugosa,
de brilho fosco, alternando nas cores amarela, verde e cinza, esta última
com certa predominância. O aspecto variava entre cotonoso e velutinoso.

Meio de cultura Nutriente Ágar: foram inoculadas amostras de pelos,


a qual depois de cultivada, apresentaram mais de 100 colônias de bactérias.
Pela observação a olho nú foi possível notar que as bactérias apresentaram
certa semelhança, diferindo-se em apenas dois itens: o brilho, onde
algumas eram translúcidas e outras transparentes, e quanto ao aspecto,
diferenciando-se entre butírica e úmida.

5. Referências bibliográficas
HIRATA, Mario Hiroyuki; MANCINI FILHO, Jorge. Manual de Biossegurança.
Barueri: Manole, 2002

SOUSA JUNIOR, Manuel Alves de. Tecnólogo em Segurança no Trabalho:


Biossegurança. Salvador: FTC EAD, 2000

LACAZ-RUIZ, Rogério. Manual Prático de Microbiologia básica/Rogério


Lacaz-Ruiz; - São Paulo: Editora da Universidade de São Paulo, 2000.
(Acadêmica: 29)

DIAS, Edna Scremine; ROCHA, Marco Aurélio. FUNGOS. Estudanet.


Disponível em: http://www.estudanet.hpg.ig.com.br/fungos1.htm

Acesso em: 22 mar. 2011

MEIOS de cultura: conceito, preparo e aplicação. MICROBIOLOGIA.


Disponível em: www.microbiologia.ufba.br/.../MEIOS%20DE
%20CULTURA.doc

Acesso em: 22 mar. 2011