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AMANDA ALMEIDA FERREIRA


ANDRESSA ZIFIRINO
JANAÍNA CANTELLI
MAGDA EVANGELISTA DA SILVA
NILCÉA CRISTINA LOPES
SÔNIA DOS SANTOS

QUALIDADE NO SETOR
DA CONSTRUÇÃO

FACULDADE MAX PLANCK


INDAIATUBA - SP
2010
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AMANDA ALMEIDA FERREIRA


ANDRESSA ZIFIRINO
JANAÍNA CANTELLI
MAGDA EVANGELISTA DA SILVA
NILCÉA CRISTINA LOPES
SÔNIA DOS SANTOS

QUALIDADE NO SETOR
DA CONSTRUÇÃO

Trabalho apresentado à disciplina de


Administração da Qualidade do Curso de
Administração com Habilitação em
Empresas da Faculdade Max Planck de
Indaiatuba – SP.
Orientador: Prof. ° Ana Flávia Oliveira

FACULDADE MAX PLANCK


INDAIATUBA - SP
2010
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SUMÁRIO

INTRODUÇÃO....................................................................................................... 3

1. CARACTERÍSTICAS DO SETOR DA CONSTRUÇÃO................................................4

2. OS FATORES INDUTORES DA COMPETITIVIDADE E DA QUALIDADE NO SETOR DA


CONSTRUÇÃO CIVIL.................................................................................................6

2.1 CÓDIGO DE DEFESA DO CONSUMIDOR...........................................................7

2.2 DEFESA DO CONSUMIDOR.................................................................................9

2.3 PROCON................................................................................................................9

2.4 PRODECON.........................................................................................................10

2.5 DECON.................................................................................................................10

2.6 SECRETARIA DE HABITAÇÃO...........................................................................10

2.7 PROGRAMAS HABITACIONAIS.........................................................................11

2.8 CDHU...................................................................................................................11

3. O PBQP-H (PROGRAMA BRASILEIRO DE QUALIDADE E PRODUTIVIDADE NO


HABITAT)........................................................................................................................13

4. RESULTADOS OBTIDOS COM O MOVIMENTO DE QUALIDADE NA CONSTRUÇÃO


CIVIL.....................................................................................................15

5. ESTUDO DE CASO : OBEDRECHT...........................................................................17

5.1 HISTÓRIA..............................................................................................................17

5.2 INFRAESTRUTURA..............................................................................................19

5.3 REALIZAÇÕES IMOBILIÁRIAS............................................................................20

5.4 ODEBRECHT E A QUALIDADE...........................................................................25


6

6. CONSIDERAÇÕES FINAIS........................................................................................28

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS................................................................................29
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INTRODUÇÃO

Em busca de atender a satisfação total do cliente, os conceitos de “qualidade


total” que por muitos anos ficaram restritos à área de produção, cada vez mais vêm
sendo aplicados em outros setores, sendo assim, no setor de construção civil não
poderia ser diferente, as pressões sócio-econômicas e a política governamental de
nosso país faz com que haja uma quebra de paradigmas, onde é necessário
enfrentar desafios e buscar maior eficiência nos processo.
Diante deste contexto, nesta pesquisa apresenta-se um panorama do setor da
Construção Civil no Brasil, os principais fatores que influenciaram na busca pela
“qualidade”, o programa de qualidade, os resultados e também a empresa
Odebrecht, uma “multinacional brasileira” que se destaca neste setor.
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1. CARACTERÍSTICAS DO SETOR DA CONSTRUÇÃO

O setor da construção civil tem passado por transformações desde o ano de


1990 em função da globalização e devido à abertura do mercado nacional. Neste
cenário, o país e as empresas começaram a trabalhar em uma economia
estabilizada depois de muitos anos de convivência com uma economia inflacionária.
Na mesma época entrou em vigência o Código de defesa do Consumidor e
estabeleceu uma série de regras para relações entre produtores e consumidores. O
código impõe sanções pesadas aos projetistas, fabricantes e construtores, no caso
do produto e serviço apresentar falhas em uso.
Segundo Oliveira (Org.) (2006), o perfil do consumidor brasileiro começou a
passar por alterações significativas na década de 90, com impacto sobre os bens de
consumo duráveis, tendo em vista seus altos valores de aquisição em relação à
renda. Outros fatores como o acesso a informações, a evolução da política com
maior participação do cidadão na sociedade, a abertura econômica de produtos,
serviços e realidades culturais, tecnológicas e econômicas dos países mais
desenvolvidos. Todos estes fatores de mudança trouxeram maior exigência dos
consumidores final e conseqüentemente novas necessidades devido a mudanças de
hábitos, cultura e comportamento.
O Estado, como contratante de bens e serviços da construção civil em grande
escala, passou a estabelecer novos parâmetros a serem atendidos. Exemplos com a
Petrobras, Telebrás e Eletrobrás que passaram a exigir qualificação de seus
fornecedores através do ISSO 9000.
Na mesma década surgiu o combate ao desperdício, muito relevante na
construção e um dos principais fatores dos custos da não-qualidade para as
empresas do setor. Etapas onde houve falhas e resultou o desperdício:
• Perdas de materiais em forma de entulho;
• Retrabalho feito para corrigir serviços em não-conformidade com o
especificado;
• Tempo ocioso de mão-de-obra e equipamentos, por deficiência de
planejamento de obras ou ausência de uma política de manutenção de
equipamentos;
• Falhas nos processos gerenciais e administrativas da empresa, por
compras feitas apenas na base do menor preço;
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• Deficiência nos sistemas de informação e comunicação da empresa;


• Contratação e treinamento de pessoal inadequados;
• Perdas financeiras por deficiência de contratos e atrasos da obra;
• Retrabalho administrativo nas várias áreas da empresa;
• Altos custos de manutenção e operação, com prejuízo da imagem da
empresa junto ao mercado.
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2. OS FATORES INDUTORES DA COMPETITIVIDADE E DA QUALIDADE NO


SETOR DA CONSTRUÇÃO CIVIL.

Desde 1990, o país e o setor da construção têm passado por transformações


aceleradas em seu cenário produtivo econômico. São exemplos dessas
transformações: criação do MERCOSUL, privatização das empresas estatais,
concessão de serviço público, nova lei de licitações, concorrência acirrada e a
redução dos preços praticados pelo mercado imobiliário e pelo contratante de obras
publicam indústrias e privadas.
Segundo SOUZA (2001) menciona que o próprio conceito de desperdício foi
ampliado, e as empresas passaram a diagnosticá-los por meio da identificação de
falhas nas seguintes etapas do processo produtivo:
• Falhas ao longo do processo produtivo: perdas de materiais que podem sair
da obra na forma de entulho ou ficar agregados à obras; retrabalho feito para
corrigir serviços em não-conformidade com o especificado; tempo ocioso de
mão-de-obra e equipamento, seja por deficiência de planejamento de obras,
seja por ausência de uma política de manutenção de equipamentos;
• Falhas nos processos gerenciais e administrativos da empresa:
caracterizadas por compras feitas apenas na base do menor preço;
deficiência de informação e comunicação as empresa; programas de seleção
de programação de treinamento de pessoal inadequado; perdas financeiras
por deficiência de contratos e atrasos da obra; retrabalho administrativo nas
varias áreas da empresa;
• Falhas na fase de pós-ocupação das obras: caracterizadas por patologias
construtivas com necessidade de recuperação e altos custos de manutenção
e operação, com prejuízo da imagem da empresa junto ao mercado.
• O diagnóstico desse conjunto de falhas, atuando na empresa, no processo de
produção e mesmo na fase de pós-ocupação das obras e sua conversão em
custo não-qualidade, possibilitou a identificação de enorme potencial nas
empresas construtoras para introdução de programas da qualidade visando à
melhoria de produtos e processos.

THOMAZ (2001) afirma que, mesmo com todo o investimento das empresas
em programas de qualidade e organização gerencial, estes constituem requisitos em
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necessários, mas não suficientes, para equacionar o trinômio “qualidade-custos-


prazos”. Para ele tais programas não conseguem resolver o surgimento de custos
não previstos e, muitas vezes ocultos, decorrentes da má qualidade dos processos
produtivos.
Portanto é preciso que as empresas de construção civil consigam de form
sistêmica, delimitar e entender o que é qualidade para suas empresas, e também,
quais os custos que são importantes ser identificados e controlados, pois no
mercado atual, qualidade virou sinônimo de competitividade.

2.1 CÓDIGO DE DEFESA DO CONSUMIDOR

Pelo Código de Defesa do Consumidor, é obrigatório o respeito às normas


pela ABNT; sua desobediência corresponde a uma infração legal sujeita às sanções
prescritas. A falta de observação dessas normas e deficiências no material e na
mão-de-obra empregada, aliadas a eventual negligencia dos construtores, pode
provocar vários defeitos construtivos.
Vícios construtivos são anomalias da construção, inadequação da qualidade
ou a quantidade prometida ou esperada; falhas que tornam o imóvel impróprio para
o uso ou diminuem seu valor. Isto acontece em casos específicos como um flexível
mal operado, pequeno defeito na pintura falha no rejuntamento de azulejos ou
esquadrias mal reguladas, que nem tornam o imóvel impróprio para uso, nem
diminuem seu valor. Um profissional habilitado poderá avaliar danos mais
comprometedores.
Defeitos são falhas que fazem com que o fornecimento de produtos ou
serviços afete a saúde e a segurança do consumidor. Como os vícios, eles podem
ser aparente, se difícil constatação, que podem ser notado na entrega do imóvel, ou
oculto, que diminuem o valor do imóvel ao longo do tempo ou o tornam impróprio ao
uso. Se o consumidor na ocasião da aquisição tivesse conhecimento do vicio oculto,
poderia pleitear abatimento no preço ou desistir da compra.
De acordo com o artigo 18 do Código de Defesa do Consumidor, somente é
possível pleitear abatimento ou desistir da compra, no caso da existência de vícios
que tornem o imóvel impróprio para o uso ou diminua seu valor e desde que não
tenha sido satisfeito nas exigências de reparação do vicio no prazo de 7 a 180 dias,
conforme pactuado entre as partes.
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Danos são as conseqüências dos vícios e defeitos que na construção da obra


afetem a ela própria, ao imóvel vizinho, a bens ou pessoas nele situados ou a
terceiros, como transeuntes.
Em geral a partir da entrega do imóvel (chaves), o consumidor tem 90 dias
para reclamar de vícios ou defeitos de fácil constatação. No caso de vicio oculto, os
90 dias começam a correr a partir do momento em que ele foi constatado, e isto vale
até o último dia do quinto ano de entrega do imóvel pronto. Mas, para o caso de
defeito que afete a solidez e a segurança do edifício ou a saúde do morador, este
prazo se amplia para vinte anos. Entenda-se entrega da obra como entrega das
chaves e não “habite-se”.
Este caso de 90 dias, contudo, se interrompe entre “a reclamação
comprovadamente formulada pelo consumidor perante o fornecedor, até a resposta
negativa correspondente, que deve ser transmitida de forma inequívoca” (qrt. 26, II,
parágrafo 2º do CDC). Portanto, aconselha-se que esta reclamação seja registrada
em Cartório de Títulos e Documentos.
O construtor (executor da obra) tem responsabilidade pela reparação dos
danos causados, independentemente da existência de culpa; basta haver relação de
causa e efeito entre o dano causado e o defeito ou vicio que causou esse dano.
O engenheiro (responsável pela obra) responde apenas se culpa dele restar
provada. A culpa, segundo o artigo 159 do Código Civil: “Aquele que por ação ou
omissão voluntária, negligencia ou imprudência, violar direito ou causar prejuízo a
outrem, fica a reparar o dano”.
Neste caso a reparação dos danos exige que se prove ação ou omissão
voluntária, negligencia ou imprudência. O engenheiro esta sob regime em que a
culpa deve ser comprovada.
O consumidor, pessoa física ou jurídica que adquire ou utiliza produto ou
serviço como destinatário final (art. 2º do CDC) deve receber o Manual de Uso e
Manutenção do empreendimento, bem como as plantas com a colocação correta
dos pontos e das tubulações de luz, água e as informações necessárias nos casos
omissos ou duvidosos (CDC e a norma VB 578 da ABNT, de Julho de 1989).
Com tais documentos, o consumidor se torna responsável pelo uso e
manutenção correta do imóvel. Caso não siga as instruções recebidas e disso
decorrer algum dano ao imóvel, ele não poderá reclamar, já que o usou
indevidamente. Exemplo disso é furar uma parede por onde passa um cano de
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água; constante na planta recebida pelo consumidor. Se a planta, porém, estiver


errada e o cano não passar pelo local indicado, a responsabilidade é do construtor,
que forneceu a informação errada.
Recomenda-se, por outro lado, que modificações de grande monta ( como
instalações hidráulicas), que irão ser efetuadas após a entrega do imóvel ao usuário,
também integrem o rol de documentos citados, com a descriminação do deu
responsável, preferentemente com a analise previa do engenheiro ou construtor do
imóvel, a fim de assegurar que as modificações pleiteadas não interfiram ou
prejudiquem o mesmo.
De acordo com o art. 17 do CDC, equiparam-se aos consumidores todas as
vitimas do evento. Assim, se alguém estiver passando na rua e for vitima de algum
material caído da obra, deve ser indenizado, independentemente da culpa do
construtor, como se fosse um consumidor.

2.2 DEFESA DO CONSUMIDOR

O consumidor está ficando cada vez mais consciente na busca de qualidade


pelo preço pago na aquisição de um serviço ou produto. Reclamar passou a ser um
procedimento normal à medida em o conhecimento sobre as leis que regem a
proteção do consumidor vão sendo difundidas e absorvidas.
Também não precisa de um advogado para conhecer os direitos a que deve
desfrutar, mas pode precisar deste profissional quando a situação não for resolvida
amigavelmente.
Portanto, tem algumas opções para resolver sua insatisfação com relação ao
produto ou serviço.

2.3 PROCON

Este órgão atua em questões individuais. Neste local o consumidor encontra


respostas rápidas para suas queixas. Ao formalizar uma reclamação, os funcionários
do órgão entram em contato com o fornecedor do produto ou serviço, com o objetivo
de conduzir uma negociação que satisfaça ambas as partes, ou seja, fornecedor e
consumidor. Quando não se obtém uma solução plausível, deve-se entrar na
Justiça.
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2.4 PRODECON

A Promotoria de defesa do Consumidor faz parte do Ministério Público, que


tem como objetivo defender a sociedade e fiscalizar o cumprimento de seus direitos.
O Ministério Público atua para defender interesses coletivos, sendo necessário que
várias pessoas estejam fazendo a mesma queixa ou que o caso particular possa ser
generalizado. Neste caso, os promotores iniciam ações civis públicas que serão
julgadas na Justiça.

2.5 DECON

A delegacia atua na repressão de crimes contra o consumidor. É bom


procurá-la para denunciar o desrespeito às leis de proteção do consumidor. A policia
não será capaz de determinar a reparação do dano, mas pode prender os culpados.

2.6 SECRETARIA DE HABITAÇÃO

A Secretaria de Habitação é responsável pela condução da política


habitacional do Governo do Estado de São Paulo.
Traça diretriz, estabelece metas, planeja e desenvolve programas específicos,
objetivando, através da CDHU (Companhia de Desenvolvimento Habitacional e
Urbano do Estado de São Paulo), a construção de moradias populares destinadas a
população de baixa renda, com rendimentos entre 1 e 10 salários mínimos.
O desafio macro é manter a produção de habitações em grande escala,
preços de custo, visando combater o déficit habitacional do Estado, hoje estimado
em cerca de 400 mil unidades.
Além desses programas, a Secretaria administra outros relacionados com
habitação. Desenvolve, ainda, outras atividades, como a autorização de projetos que
impliquem em parcelamento do solo urbano (loteamento, desmembramento e
regularizações), nas Regiões Metropolitanas da grande São Paulo, Campinas e
baixada Santista.
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2.7 PROGRAMAS HABITACIONAIS

Com o objetivo de cumprir sua principal missão que a construção de novas


moradias, a Secretaria de Habitação, juntamente com a CDHU, vem ampliando sua
atuação ofertando vários programas habitacionais.
Com isso, uma nova política no setor da habitação está sendo implantada,
demonstrando que além da eficiência técnica, é desejável a criatividade encontrada
nas propostas que vão ao encontro das necessidades de uma nova sociedade.
Estes programas garantem que a construção de moradias para a população
de baixa renda vá ao encontro de outras políticas públicas voltadas a melhoria da
qualidade de vida da população a ser beneficiada diretamente e da população de
entorno como um todo.
As moradias são construídas fazendo cada vez mais o uso de inovações
tecnológicas, como por exemplo, o aquecimento solar e o desenho universal, que
responde pelas necessidades de acessibilidade, principalmente para idosos e
pessoas portadoras de deficiência.
De um modo geral os programas da empresa buscam atender as famílias que
podem ser resultantes de:
• Casamento civil ou religioso,
• União estável,
• Famílias monoparentais (mãe ou pai com filhos)
• União homoafetiva (parceiros/as do mesmo sexo)
• Anaparentais (sem os pais)
• Afetivas (indivíduos que se consideram afamiliados)
• Indivíduos sós a partir de 25 anos.

2.8 CDHU

A Companhia de Desenvolvimento Habitacional e Urbano do Estado de São


Paulo fundada em 1949 com atual denominação em 1989. Iniciou suas atividades
efetivamente em 1967.
È uma empresa do Governo Estadual, vinculada a Secretaria da Habitação, é
o maior agente promotor de moradia popular no Brasil. Tem por finalidade executar
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programas habitacionais em todo território do Estado, voltados para o atendimento


exclusivo da população de baixa renda na faixa de 1 a 10 salários mínimos.
Alem de produzir moradias, a CDHU também intervém no desenvolvimento
urbano das cidades, de acordo com as diretrizes da Secretaria da Habitação.
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3. O PBQP-H (PROGRAMA BRASILEIRO DE QUALIDADE E PRODUTIVIDADE


NO HABITAT)

Segundo o site do Ministério das Cidades, o PBQP-H é um programa que


propõe organizar os setores que compõem a cadeia produtiva da construção civil em
torno de duas questões principais: a melhoria da qualidade do habitat e a
modernização produtiva. O Programa coloca-se como uma via de desenvolvimento
para toda a cadeia produtiva do setor.
De acordo com Ambrozewicz (2003), no Brasil o programa foi criado no
inicio da década de 90, mais precisamente em 1991, com a finalidade de difundir os
novos conceitos de qualidade, gestão e organização da produção, que são
indispensáveis à modernização e competitividade das empresas brasileiras. A partir
de 1996, foi reformulado para ganhar mais agilidade e abrangência setorial. O
Programa vem procurando descentralizar suas ações e ampliar o número de
parcerias, sobretudo com o setor privado. Para fortalecer essa nova diretriz no
âmbito do setor público, e envolver também os Ministérios setoriais nessa cruzada, o
Governo delegou a Presidência do Programa à Casa Civil, mantendo as tarefas de
Secretaria Executiva com o MDIC (Ministério do Desenvolvimento, Indústria e
Comércio Exterior), que hoje assume na integralidade a condução do PBQP.
O Programa Brasileiro de Qualidade e Produtividade no Habitat – PBQP-H,
de qualificação evolutiva, que se divide em 04 níveis de certificação (D, C, B e A), e
contempla os mesmos requisitos da ISO 9000. Visa alcançar todos os setores da
construção civil ao longo da cadeia produtiva, apoiar o esforço brasileiro de
modernização por meio da melhoria da qualidade, do aumento da produtividade e da
redução de custos na construção habitacional.
Segundo Formoso (1994), tendo em vista que as teorias e as ferramentas
para a melhoria da qualidade existem e estão disponíveis, é preciso analisar como
aplicá-las e adaptá-las ao setor da construção civil, principalmente dada a natureza
e as características únicas da indústria da construção, onde há necessidade de se
desenvolverem estratégias que permitam às empresas não só sobreviver, mas
principalmente competir. A implantação do sistema de qualidade nas empresas da
construção civil tem como objetivo, portanto:
• Regulamentar e documentar;
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• Controlar e planejar as atividades do projeto;


• Controlar e planejar as atividades de construção;
• Assegurar a adequação dos recursos necessários à construção, que incluem
equipe, materiais, equipamentos e outros insumos;
• Melhorar a produtividade e a qualidade dos serviços;
• Reduzir os custos do empreendimento;
• Otimizar as relações com os clientes;
• Melhorar a imagem da empresa, obtendo maiores e melhores participações
no mercado.
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4. RESULTADOS OBTIDOS COM O MOVIMENTO DE QUALIDADE NA


CONSTRUÇÃO CIVIL

Na história da construção civil brasileira a qualidade não ocupava um lugar de


destaque, porém com muita evidencia essa realidade vem mudando há alguns anos
pela atitude de cobrança da população.
Para atender essa nova realidade foram implantados alguns sistemas de
qualidade nas construtoras, o principal é o Programa Brasileiro de Qualidade e
Produtividade no Habitat – PBQP-H que já foi abordado nos capítulos anteriores.
Com a implantação desses sistemas foi possível identificar alguns resultados obtidos
pelo setor.
Segundo Oliveira (Org.) (2006) em fevereiro de 2002 aproximadamente 2 mil
empresas construtoras estavam aderindo a um sistema de gestão de qualidade,
onde 180 já estavam certificadas pela ISO 9000 e 250 qualificadas no nível A do
PBQP-H e as demais estavam em outros níveis.
Cada vez mais as empresas de construção civil estão procurando se
enquadrar na qualidade total de seus serviços e do seu setor a fim de melhorar a
produtividade e a qualidade dos serviços aumentando a satisfação dos clientes,
reduzir os custos do empreendimento permitindo maiores margens de lucratividade,
reduzir desperdícios, criar uma imagem diferenciada perante os concorrentes,
melhorar a padronização dos processos com a criação de manuais e assistência
técnica pós-entrega reduzindo o índice de reclamação dos clientes.
A redução nos custos e desperdícios principalmente na cadeia de
suprimentos e contratação de serviços, recebimento e armazenamento de materiais,
estrutura física da empresa, gerenciamento de obras, contratação de pessoas ou
serviços, segurança do trabalho e na saúde ocupacional.
Essa gestão de qualidade resulta também em reduções de falhas de
recebimentos de projetos, materiais e execução de serviços por parte dos
fornecedores, desenvolvendo novas parcerias, assegurando a adequação dos
recursos necessários á construção.
As melhorias se estendem também na organização da empresa definindo um
modelo de gestão baseado em qualidade, aumentando a padronização e
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racionalização dos processos, a informatização da empresa garantindo a integração


dos fornecedores e clientes.
Segundo Oliveira (Org.) (2006) há alguns anos vem aumentando a percepção
da importância das pessoas no desempenho do sistema de gestão de qualidade
total nas empresas do setor de construção civil.
Essa nova preocupação traz maior comprometimento e motivação dos
colaboradores, aumento de treinamentos, melhoria na comunicação empresarial,
otimização nas relações com os clientes em busca de obter maiores e melhores
participações no mercado.
Com a implementação da gestão de qualidade total nas construtoras, outros
segmentos da cadeia produtiva também se conscientizaram e estão implementando
seus programas de qualidade. Esse programa traz muitos benefícios tanto para as
empresas, como para o setor público e, também para o consumidor.
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5. ESTUDO DE CASO : OBEDRECHT

A Odebrecht é um conglomerado brasileiro que atua em quase todo o mundo


nas áreas de construção e petroquímica. A Organização Odebrecht é formada pela
Odebrecht S.A., que administra a Construtora Norberto Odebrecht S.A., Foz do
Brasil (Saneamento Básico e tratamento de resíduos industriais), Braskem S.A.
Petroquímica, Odebrecht Empreendimentos Imobiliários S.A. (controladora da Bairro
Novo Empreendimentos Imobiliários Ltda.), e a Odebrecht Investimentos em Infra-
estrutura Ltda. A Odebrecht presta serviços de Engenharia e Construção na maioria
dos países da América do Sul, na América Central, nos Estados Unidos, na África,
em Portugal e no Oriente Médio.
A Construtora Norberto Odebrecht foi fundada em 1944 em Salvador pelo
engenheiro Norberto Odebrecht.
Controla a Braskem, maior empresa petroquímica da América Latina, que
exporta para mais de 60 países em todos os continentes. Desde 2007, investe no
setor de Bioenergia, concentrada na produção de etanol e açúcar e na co-geração
de energia a partir da produção de açúcar e álcool.
A Tecnologia Empresarial Odebrecht, conhecida como TEO, é a base de
todas as ações da organização, em quaisquer dos seus negócios.
A Odebrecht é a maior empregadora particular de Angola.

5.1 HISTÓRIA

De acordo com Odebrecht (2010), o primeiro Odebrecht a chegar ao Brasil foi


Emil Odebrecht. Ele veio em 1856, no auge da imigração germânica, para o Vale do
Itajaí, em Santa Catarina. Engenheiro formado pela Universidade de Greifswald, na
Rússia, participou ativamente da demarcação de terras, de levantamentos
topográficos e da construção de estradas no sul do Brasil. Casado com Bertha
Bichels, teve quinze filhos. Emílio Odebrecht, um de seus netos e pai de Norberto
Odebrecht, foi um dos pioneiros no uso do concreto armado no Brasil.
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Em 1918, Emílio Odebrecht, após cursar a Escola Politécnica do Rio de


Janeiro, transferiu-se para o Recife, cidade que se modernizava e se expandia com
o desenvolvimento da economia canavieira.
No ano seguinte, fundou no Recife sua primeira empresa, a construtora Isaac
Gondim e Odebrecht Ltda. Em 1923, criou a Emílio Odebrecht & Cia., responsável
pela construção de várias edificações no período entre guerras, nos Estados de
Pernambuco, Alagoas, Ceará e Bahia. Em 1926, transferiu-se para Salvador em
busca de novas oportunidades.
Com o início da Segunda Guerra Mundial, os materiais de construção, vindos
da Europa, tornaram-se caros e escassos, deflagrando uma crise no setor.
Desgostoso, Emílio Odebrecht fechou a antiga empresa e retirou-se dos negócios.
Coube ao seu filho Norberto Odebrecht, formado pela Escola Politécnica da
Bahia, substituí-lo e fundar a Construtora Norberto Odebrecht, na primeira metade
dos anos 40. Em 2005, a empresa montou uma exposição na sede da empresa em
Salvador com imagens e histórias da sua trajetória de sucesso nacional e
internacional. É a maior empresa de Construção Civil do Brasil e a melhor para se
trabalhar.
A Odebrecht é uma organização brasileira composta por negócios
diversificados, com atuação e padrão de qualidade globais. Por meio de suas
empresas líderes, a Odebrecht atinge os seguintes setores:

Conheça as empresas operacionais e instituições auxiliares que fazem parte


da estrutura da Organização Odebrecht:
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5.2 INFRAESTRUTURA

A Odebrecht Infraestrutura desenvolve projetos nos setores de transportes


(metrôs, rodovias, ferrovias, portos, aeroportos, equipamentos marítimos, entre
outros), mineração, saneamento, arenas esportivas e irrigação. Além da prestação
de serviços de engenharia e construção, a empresa também participa como
investidora e operadora em novos negócios, por meio da Odebrecht TransPort, com
foco em concessões nos setores rodoviário, de transporte urbano, de infraestrutura
de logística (portuária e dutos) e aeroportuário.
Em 2009, a Odebrecht foi eleita a melhor construtora brasileira, pela Revista
Ferroviária. A empresa concluiu a Estação General Osório do Metrô do Rio de
Janeiro, a ampliação das peras ferroviárias de Carajás e de Ponta da Madeira, além
do virador de vagões de Ponta da Madeira, para a Vale, no Pará; e executou 267 km
da Ferrovia Norte-Sul. Participa, ainda, da construção de 1.182 km da
Transnordestina; da Linha 4 do Metrô de São Paulo e da Linha 1 do Metrô de Porto
Alegre; e executa a duplicação da Estrada de Ferro Carajás, no Norte do país.
Abaixo algumas obras concluídas:

• Cais V no Porto de Suape (PE);


• Obras de Infraestrutura da Mina de Ferro de Carajás (PA);
• Obras Civis e de Infraestrutura da Mina de Níquel de Onça Puma (PA);
• 344 Unidades Habitacionais, das obras de revitalização e urbanização
da Comunidade do Alemão, no Rio de Janeiro - PAC (RJ);
• Reforma e Ampliação do Hospital São José (ES).

Obras conquistadas:
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• Pier IV do Terminal de Ponta da Madeira (MA);


• Estaleiro e Base Naval na Baía de Sepetiba (RJ);
• Centro Administrativo do Distrito Federal (Cetrad);
• Arena (Fonte Nova) para a Copa 2014, em Salvador (BA);
• Linha II - Lote 7 do Metrô de São Paulo (SP);
• Sistema de Tratamento de Água de São Caetano (SP);
• 350 Unidades Habitacionais Populares do Projeto Morar Feliz, em
Campos de Goytacazes (RJ);
• Estações para tratamento de efluentes da Usina VSB, em Jeceaba
(MG);
• Lote II do Programa Luz para Todos (MG);
• Aprofundamento do canal de aproximação do Porto de Rio Grande
(RS).

5.3 REALIZAÇÕES IMOBILIÁRIAS

A Odebrecht Realizações Imobiliárias (OR) constrói e incorpora projetos


residenciais, empresariais, comerciais e de turismo. Com a marca Bairro Novo,
desenvolve bairros planejados em todo o país. Possui ainda uma equipe dedicada a
atender Clientes Corporativos na busca de soluções imobiliárias integradas. Membro
fundador do Green Building Council do Brasil, a OR é norteada pelo conceito de
desenvolvimento sustentável e cumpre os preceitos da preservação ambiental em
todas as etapas de seus empreendimentos.
Desde 2004, a Odebrecht Realizações Imobiliárias (OR) desenvolve
empreendimentos residenciais, corporativos, comerciais e turísticos em todo o
Brasil. A empresa, criada para fortalecer a presença da Organização no segmento
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imobiliário, conta com escritórios regionais em Recife, Salvador, Belo Horizonte, Rio
de Janeiro, São Paulo, Campinas e Brasília.
Sua atuação distingue-se pelo compromisso com a sustentabilidade em todas
as etapas dos projetos. Postura essa que levou a OR a assumir o posto de membro
fundador do Green Building Council do Brasil.
O Green Building Council Brasil, ou também conhecido como GBC Brasil, é
uma organização não governamental que surgiu para auxiliar no desenvolvimento da
indústria da construção sustentável no País, utilizando as forças de mercado para
conduzir a adoção de práticas de Green Building em um processo integrado de
concepção, construção e operação de edificações e espaços construídos.
O primeiro Green Building Council nasceu nos Estados Unidos, em 1993.
Hoje, mais de duas dezenas de associações se uniram a esse ideal. O conselho
brasileiro integra essa rede internacional de associações, cujo objetivo principal é
transformar a indústria da construção civil em parceira e aliada dos defensores da
causa da sustentabilidade no mundo dos negócios. O GBCB foi criado em março de
2007, com sede em Alphaville (SP) e cinco profissionais, engenheiros e advogados,
na diretoria. Entre seus membros fundadores encontram-se empresas de diferentes
portes, nacionais e multinacionais. A grande maioria delas faz parte da cadeia da
construção civil.
Segundo Odebrecht Online, a Odebrecht Empreendimentos Imobiliários,
aderir ao GBCB foi quase uma conseqüência de sua cultura empresarial. É o que
explica Paulo Aridan Mingione, Diretor de Construção da Regional São Paulo/Sul da
empresa. “A Odebrecht Empreendimentos Imobiliários foi criada pela Construtora
Norberto Odebrecht. Assim, sua cultura corporativa vem da raiz, ou seja, da CNO,
empresa que deu origem à Organização Odebrecht e que sempre aplicou os
preceitos da preservação e conservação ambiental em seus projetos.”
O conceito de sustentabilidade, tal como é difundido pelos Green Building
Councils nos países onde atuam, visa também fortalecer os aspectos econômicos
da construção civil. Um empreendimento imobiliário, projetado e construído com
essa preocupação, diferencia-se aos olhos do mercado. Por quê? O motivo mais
evidente diz respeito a práticas ecologicamente corretas, como a economia de água
e de energia, não apenas durante a fase de obras, mas também lá na frente, quando
os condôminos estiverem instalados e pagando pelos serviços de manutenção do
imóvel.
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Além disso, há os motivos classificados como intangíveis por especialistas em


marketing. Essas razões intangíveis dizem respeito à maneira como os clientes e o
mercado percebem um empreendimento associado à idéia da sustentabilidade e aos
esforços pela preservação socioambiental.
Difusão de características e benefícios é necessário garantir itens como
madeira certificada, tintas à base de água e plástico reciclado, lâmpadas
econômicas, janelas mais amplas para iluminação preferencial pela luz solar, vidros
especiais para isolar o calor provocado pela incidência dos raios do sol, dispensando
equipamentos de ar-condicionado mais potentes, notórios gastadores de energia
elétrica, e uma série de outros requisitos.
A missão da ONG é atuar fortemente na disseminação do conhecimento
sobre construções verdes, capacitando tecnicamente profissionais dos vários elos
do setor da construção e integrando todos os agentes do mercado, sejam
organizações governamentais ou privadas. O GBC também trabalha na divulgação
das melhores práticas adotadas, incluindo tecnologias, materiais, processos e
procedimentos operacionais, bem como promoverá o sistema de certificação LEED
(Leadership in Energy & Environmental Design) no Brasil, que vai ser adaptado à
realidade do país para aumentar a eficácia do sistema.
Seus grandes desafios para os próximos anos são a consolidação de um
programa educacional nacional e o estabelecimento de parcerias estratégicas para
alavancar as atividades da ONG em território nacional. Além disso, o GBC tem como
objetivo integrar todos os agentes do mercado de forma a propiciar um ambiente
favorável à construção, urbanização e o desenvolvimento sustentável, favorecendo a
conscientização do usuário final de todo o processo construtivo e seus benefícios.
Mais um diferencial da empresa é o cuidado não só com detalhes internos do
produto, como também com o entorno do empreendimento. Sempre que necessário,
a OR instala novas sinalizações ou recapeia vias próximas às suas obras.
Projetos que integram unidades comerciais e residenciais – os chamados
mixed use – já fazem parte do portfólio da empresa. O conceito é tendência no setor
e proporciona melhor qualidade de vida aos moradores e profissionais.
Com perspectivas de crescimento nos próximos anos, em maio de 2010, a
OR passou a ter como acionista a Gávea Investimentos, um dos principais gestores
de recursos no mercado financeiro brasileiro. Na nova composição acionária, a
Gávea detém 14,5% do capital social votante da OR e a Odebrecht 85,5%.
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Controlada pela OR, a empresa Bairro Novo constrói moradias voltadas para
o segmento econômico. Os empreendimentos têm entre 1 mil e 10 mil unidades,
agrupadas em condomínios de até 500 casas e apartamentos. Os bairros se
diferenciam pela oferta de infraestrutura completa: de ruas sinalizadas e asfaltadas
até escolas e centros comerciais.
A entrega dos imóveis acontece em, no máximo, 12 meses após o início das
obras. Agilidade essa garantida pela padronização e industrialização dos processos.
As unidades são feitas de concreto armado, a partir de formas de alumínio
importadas. Com um único jogo dessas formas, é possível construir um pavimento
de seis casas em 24 horas.
A Bairro Novo participa do programa Minha Casa, Minha Vida, criado pelo
Governo Federal, no qual a empresa desenvolve projetos voltados para famílias de
menor renda. Em 2009, a Bairro Novo iniciou a construção de 656 unidades no
Morro do Alemão (RJ) e assinou contratos com a Caixa Econômica Federal para
construção de 7.500 apartamentos em Blumenau (SC), Salvador (BA), Queimados
(RJ) e Campinas (SP). Também participou da primeira PPP (parceria público-
privada) habitacional do país, para a construção de 8 mil unidades no Distrito
Federal, e do lançamento de 6.120 unidades para famílias de 3 a 10 salários
mínimos nas cidades de Camaçari (BA), Fortaleza (CE) e Porto Velho (RO).
Outros destaques da organização:
• Dimension Office & Park, no Rio de Janeiro (RJ), projeto que reúne
escritórios comerciais, salas e lojas, teve 75% de suas unidades comercializadas no
lançamento;
• Torre corporativa iTower, integrada ao Shopping Iguatemi, em Alphaville
(SP), foi 100% vendida. O projeto foi o primeiro da OR a receber a certificação LEED
(Leadership in Energy and Environmental Design), para edifícios sustentáveis,
concedida pelo U.S. Green Building Council.
• Conclusão dos empreendimentos Vila Hartt, em Nova Lima (MG),
Riverside, em São Paulo (SP), e do primeiro condomínio no Bairro Novo Camaçari
(BA).
Abaixo as outras empresas do grupo:
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5.4 ODEBRECHT E A QUALIDADE

A Odebrecht é uma organização brasileira com atuação e padrão de


qualidade globais. O compromisso com a Qualidade é marcante em todas as etapas
de projetos da Construtora Norberto Odebrecht. Empenho esse atestado pelo
Bureau Veritas Certification, que é um grupo internacional fundado em 1828,
especializado na inspeção, análise, auditoria e certificação de produtos,
infraestruturas (edifícios, instalações industriais, equipamentos, navios, etc) e
sistemas de gestão em relação às normas regulatórias ou voluntárias. O Bureau
Veritas é o segundo maior grupo do mundo em avaliação da conformidade e
certificação nas áreas da qualidade, saúde e segurança, ambiente e
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responsabilidade social (QSMS) e líder mundial em serviços de QSMS, exceto


inspeção de matérias-primas.
A Odebrecht tem mantido, ao longo dos últimos anos, as seguintes
certificações:

• ISO 9001: em operações no Brasil, Angola, Estados Unidos, Panamá e


Portugal;
• Programa Brasileiro de Qualidade e Produtividade do Habitat (PBQP-h)
e Setoriais: em projetos nas áreas de Construção de Edificações Prediais,
Saneamento e Obras de Arte Especiais e Obras Viárias.
Seu Sistema de Gestão de Qualidade é orientado pela família de normas
internacionais ISO 9000, particularmente pela norma ISO 9001, e alinhado à
Tecnologia Empresarial Odebrecht. A empresa visa a satisfazer os c lientes ao
servir-lhes com ênfase na qualidade e na produtividade; prestar bons serviços;
fornecer produtos qualificados; atender à legislação; evitar desperdícios e respeitar o
meio ambiente.
O Consórcio CONPAR (Odebrecht, OAS e UTC), responsável por parte da
modernização e ampliação da capacidade produtiva da Refinaria Presidente Getúlio
Vargas, para a Petrobras, recebeu a certificação SA 8.000:2008 do Bureau Veritas
Certification, pela excelência de suas práticas em Responsabilidade Social no
canteiro de obras em Araucária, Paraná.
O certificado abrange o gerenciamento do empreendimento, projeto,
aquisição e montagem de processos da carteira de gasolina e da carteira de coque
da unidade e representa um marco significativo para o programa de sustentabilidade
da empresa.
“Poucas empresas do segmento de engenharia industrial do mundo possuem
este certificado e isso faz da Odebrecht uma referência na área de
Responsabilidade Social”, afirma Ricardo Garcia, Gerente de Segurança, Meio
Ambiente, Saúde e Responsabilidade Social do Consórcio CONPAR.
Com 370 cooperados, a Cooperativa dos Produtores de Palmito do Baixo Sul
(Coopalm), apoiada pela Fundação Odebrecht, conquistou espaço para seu produto
em grandes redes de varejo, além de firmar parcerias para a produção de marcas
próprias nacionais e internacionais. O palmito ecológico Cultiverde é comercializado
em 13 diferentes apresentações.
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A Ambial, indústria prestadora de serviços, parceira da Coopalm, responsável


pelo beneficiamento do palmito, acaba de obter o selo Rainforest Alliance Certified.
A certificação auxilia o consumidor a identificar produtos agrícolas de origem
responsável, que observam a conservação dos recursos naturais e as condições
socioeconômicas de trabalhadores, produtores e suas famílias. O processo industrial
do palmito ecológico da Coopalm já tem certificados ISO 9001 (Qualidade), ISO
14001 (Ambiental) e HACCP (Análise de Perigos e Pontos Críticos de Controle), e é
exportado para a França e os Estados Unidos.
O IQA (Instituto de Qualidade Automotiva) e o CESVI BRASIL (Centro de
Experimentação e Segurança Viária) certificaram em Guarulhos, SP, a oficina de
reparação pertencente à Organização Odebrecht, que é voltada ao reparo de
veículos e equipamentos da frota da empresa, em dois diferentes escopos:
certificação ambiental e certificação de serviços automotivos. É a primeira vez que
uma oficina especializada em reparo de veículos e equipamentos da construção
civil, como caminhões, guindastes, retroescavadeiras, entre outros, é certificada no
Brasil pelos organismos IQA e CESVI BRASIL.
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6. CONSIDERAÇÕES FINAIS

Por meio desta pesquisa, foi possível ter uma melhor compreensão sobre a
qualidade no setor da Construção da Civil, que sendo um setor mais específico e
tradicional, teve uma evolução lenta ao longo dos anos, principalmente no que diz
respeito à melhoria de processos. Assim, este setor só passou a investir em
qualidade, ao notar a evolução dos clientes, que por sua vez, exige soluções rápidas
e eficazes.
Desta forma, entende-se que a prática de qualidade tornou-se dentro do
segmento de construção civil um diferencial entre as empresas, tornando o setor
mais competitivo e, ao mesmo tempo, ganhando maior confiança do cliente final,
condição esta, fundamental para que o setor desempenhe seu papel de agente de
desenvolvimento econômico e social.
E vale ressaltar, que a implantação da Gestão de Qualidade, não interfere
apenas na eficiência do processo, e sim tem como conseqüência: um aumento da
produtividade, da lucratividade, exige fornecedor também orientado para gestão de
qualidade, diminui acidentes de trabalho e exige mão de obra melhor qualificada. Ou
seja, a busca pela qualidade não fica restrita apenas à empresa e sim a todos que
fazem parte da cadeia produtiva.
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REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

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