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06/12/2021 18:17 Livro - Unidade 2

Livro - Unidade 2

Site: ESKADA | Cursos Abertos da UEMA Impresso por: Perpétuo Caldeira


Curso: Psicologia da Educação (CAPES) Data: segunda, 6 dez 2021, 18:17
Livro: Livro - Unidade 2

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Índice

1. Introdução

2. Identidade e adolescência

3. Distúrbios no desenvolvimento humano e aprendizado


3.1. Distúrbios no desenvolvimento humano e aprendizado - continuação

4. As oito idades do homem segundo Erikson

5. Resumo

6. Referências

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1. Introdução

Nesta segunda unidade, discorreremos sobre um tema extremamente interessante: os processos do desenvolvimento humano. Afinal de contas,
quais os limites do homem? Até aonde ele pode ir enquanto ser humano? Nela, vamos abordar identidade e adolescência, enfatizando as mais
diversas crises que marcam a idade da puberdade. Depois, estaremos analisando as oito idades do homem, segundo Erikson. Ainda, nesta
unidade, destacaremos as relações modais que envolvem as relações intrapessoais e interpessoais nos processos educacionais. 

Vamos abordar os processos do desenvolvimento humano, pois estes são extremamente complexos. Os seres humanos são detentores de dois
construtos: a personalidade e o temperamento. Sabe-se que a personalidade vai sofrendo mutações ao longo do tempo, uma vez que as
experiências vão formatando a sua desenvoltura. É na construção da personalidade que, a todo tempo, estamos desconstruindo, reconstruindo e
construindo valores e hábitos que julgamos importantes. Já o temperamento ou humor dos seres humanos não mudam. A teoria dos quatro
temperamentos nasce com o grego Hipócrates, que dizia que existem quatro temperamentos: Sanguíneo, Colérico, Fleumático e Melancólico. Os
dois primeiros fazem parte do grupo das pessoas que são extrovertidas e os dois últimos das pessoas que são introvertidas. Não existe a
prevalência de um temperamento sobre o outro, na verdade,  os quatro temperamentos são detentores de qualidades e de fragilidades. Os
temperamentos, ao longo de nosso crescimento cognitivo, vão melhorando, mas não se modificando. Podemos ter um temperamento primário e um
secundário, mas sempre teremos um que nos caracteriza nas relações interpessoais. Tanto a personalidade como os temperamentos fazem parte da
construção de nossas crenças nucleares, vale dizer, da construção de nosso ser, de nossos valores e de estilos de vida. 

Assim, falar dos processos do desenvolvimento humano é falar de estudos assistemáticos, em regra, uma vez que a personalidade humana não
obedece a um padrão, ela é imprevisível. Vamos começar a falar sobre identidade e adolescência, para podermos entender de forma objetiva e
didática a desenvoltura emocional e cognitiva do ser humano.

Bons estudos!

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2. Identidade e adolescência

A adolescência é marcada pelas mais diversas mudanças. São mudanças somáticas e emocionais. Fala-se muito, nesse período, na chamada
puberdade. Mas, afinal de contas, o que é a adolescência?

Matheus (2007) faz a seguinte contribuição para o conceito de adolescência:

Etimologicamente, adolescência vem de adolescentes, o que significa desenvolver-se, ou crescer, entretanto, também guarda relação com
adolescentes, que significa adoecer. É devido a isso que se tem a ideia de crise para definir a adolescência. (MATHEUS, 2007, p. 21).

Definir o conceito de puberdade e de adolescência se tornou algo extremamente desafiador para os estudiosos do comportamento, pois temos aqui
um caso de conceitos que mudam de acordo com os contextos sociais. Em tempos de pós-modernidade e mundo virtual, as relações interpessoais e
intrapessoais se tornaram mais precoces. Talvez o conceito de puberdade precise ser redefinido, uma vez que uma criança de 12 anos, em alguns
casos no Brasil, já teve sua primeira experiência sexual, provavelmente pela influência dos dois paradigmas citados. Estamos falando da relatividade
dos valores e verdades e do complexo, emocionante, excitante e perigoso do mundo virtual. A identidade é um construto que tem sua formação
condicionada às nossas experiências sociais e emocionais. Isso envolve a família, a religião, a escola, enfim, as mais diversas relações consigo
mesmo e com o outro. Erikson (1976) fez uma definição de adolescência bem interessante, então vejamos:

A transição da infância à vida adulta é basicamente marcada por uma moratória psicossocial, ou seja, pela liberdade para experimentar livremente
papéis sexuais, sociais e ocupacionais até definir-se. Constitui-se como uma crise normativa que ocorreria entre os 12 e 18 anos, em que a pessoa
em desenvolvimento teria de resolver o dilema central entre construir uma identidade e viver uma difusão de papéis, sendo o modelo de construção
identitária marcado pela escolha e a reprodução de referências sociais (identidade como reprodução). (ERIKSON, 1976, p. 43).

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Fala-se bastante de um mito da Grécia Antiga, segundo o qual, havia uma esfinge que devorava os passantes que não decifrassem o seguinte
enigma: qual o ser que, pela manhã, anda com quatro pés, ao meio dia, com dois, e, ao entardecer, com três; e que contrariamente à lei, é mais fraco
quando tem mais pernas?

Segundo os relatos gregos, o famoso Édipo desvenda o mistério pondo a mão no peito e dizendo: é o homem, claro! Mas, o que é o homem? Quem
sou eu? Questão decisiva, desafio presente quando nascemos, nos movemos até a maturidade... até a morte!

A construção de nossa identidade, que em regra se desenvolve mais incisivamente na adolescência, envolve obrigatoriamente essas questões
existenciais que deram muito trabalho para os filósofos. Quem sou eu? Fazemos essa pergunta de forma habitual. A nossa vida tem fases, tanto no
aspecto emocional como no físico. Caracterizar, no século XXI, a personalidade dos adolescentes tem sido algo profundamente desafiador para os
estudiosos do comportamento. Marcelo Afonso Ribeiro e convidados, no artigo intitulado “Ser adolescente no século XXI”, diz que:

Ser adolescente no século XXI tem se mostrado um desafio importante para todos: para o mundo adulto, no qual é necessário lidar com padrões de
referência e modelos de ação no mundo muito distinto dos seus; para o Estado, que tem no adolescente um problema central em termos de
formação, inserção no mercado de trabalho, sexualidade, saúde, segurança, consumo e família; e para o próprio adolescente, que tem de lidar com

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um mundo adulto que lhe dá poucas referências e modelos, que, muitas vezes, são confusos, ambíguos e contraditórios, e se vê compelido a
praticamente criar referências e construir formas de ser em um mundo contemporâneo caracterizado como complexo, heterogêneo e flexibilizado.
(RIBEIRO, 2014, p. 13).

São muitos os problemas emocionais e existenciais que o adolescente enfrenta em nossos dias. A exemplo disso, temos as  crises na família, uma
vez que a maioria é criado por mães solteiras ou pelos avós; as experiências sexuais precoces pelo advento da pornografia na Internet e sua
acessibilidade; o envolvimento com drogas, talvez uma função de aspectos econômicos, entre outras questões. É importante esclarecer que esses
fatores não são determinantes para as crises, mas contribuem.

Hoje, os professores devem aprofundar seus estudos em Psicologia da Educação, uma vez que os processos educacionais, como temos falado
exaustivamente, envolvem aspectos subjetivos. O professor deve perceber em profundidade as crises emocionais dos alunos em sala de aula, em
especial dos adolescentes, já que as emoções instabilizadas bloqueiam o processo de ensino-aprendizagem.

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3. Distúrbios no desenvolvimento humano e aprendizado

Ouvi uma frase que dizia: “não é fácil ser, ser humano”. De fato, as complexidades do nosso ser e de outros seres humanos é uma realidade. O
Manual de Transtornos Mentais, DSM5, apresenta centenas de anomalias emocionais, sendo as mais conhecidas, a depressão, a ansiedade, a
bipolaridade, a fobia social, entre outras.

Grande parte das instabilidades emocionais e, consequentemente, de doenças mentais têm sua origem nas relações sociais, mais precisamente na
família. Quantas crianças, a saber, não conseguem aprender, não por causa da dislexia ou da discalculia, mas por um trauma emocional sofrido na
violenta relação conjugal entre  o pai e  a mãe dessa criança, por exemplo.

O ser humano cresce biologicamente, psicologicamente, socialmente e

espiritualmente. A família e a escola têm um papel preponderante para esse crescimento harmônico e saudável. Os professores passam a ser, de
uma certa forma, a ponte entre o conhecimento e uma formação social e cognitiva

saudável, mas entendo que a família deve sempre ser a protagonista da educação dos filhos. 

Mesmo nos primeiros momentos do nascimento do ser humano, este pode sofrer influência da mãe:

Na infância tem sido referido que alterações com a mãe no período da gestação podem contribuir para o aparecimento de neuroses posteriormente.
Não se trata de deficiências mentais, síndrome de Down ou de problemas resultantes de anomalias nos cromossomos, formação do ovo, mas de
situações ambientais determinando excesso de emoções e sofrimentos da mãe gestante. (CAMPOS, 2011, p. 99).

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O problema das instabilidades emocionais não se limita apenas a fenômenos ultrainterinos, mas principalmente aos aspectos sociais, vale dizer, aos
relacionamentos com a família, com a escola e com a sociedade. Em alguns casos, aspectos de limitação motora e emocional limitam o processo
ensino-aprendizagem. Muitos diagnósticos de dislexia , de TDAH, por exemplo, não estão condicionados a limitações motoras ou sensoriais, mas a
aspectos emocionais. É nesse ponto que o olhar psicológico do professor deve fazer valer, uma vez que ao detectar esse tipo de limitação, deve
encaminhá-lo ao psicólogo habilitado para fazer testes que identifiquem se o aluno tem ou não a dislexia, ou a sua improdutividade em sala de aula é
causada pela fome, pela tristeza, pela angústia, gerados pelo seu ambiente familiar. 

Nessa perspectiva, os distúrbios do ser humano são originados por diversas causas emocionais e motoras. Se essas anomalias persistem no
processo de educação de uma pessoa, essa verdadeiramente não vai conseguir acompanhar as diversas fases da educação. Os transtornos do
desenvolvimento humano causam, obviamente, os transtornos de aprendizagem. O professor deve, de forma tempestiva, perceber a limitação do
aluno, para tentar resolver a situação que tem causado o bloqueio do aprendizado.

Se o professor souber como funciona a atenção e a memória nas diversas fases da vida, com certeza vai ensinar melhor. A aprendizagem está
ligada ao processo de desenvolvimento biológico. A evolução é determinada pela genética da espécie. Nosso cérebro demora vinte anos para
amadurecer. Nossa saúde mental depende da ampliação de experiências anteriores e de experiências práticas. A escola é o lugar de ampliação da
experiência humana. O lugar onde gente como a gente constrói conhecimentos com o uso de diversas linguagens e da imaginação. Ela precisa

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preocupar-se com a formação humana. A semente da disciplina ou da indisciplina reside no clima escolar. Se esta não consegue impor seus valores
entre alunos e professores, conseguir disciplina passa a ser uma proeza. Na escola em que há mais indisciplina o rendimento é pior, mas se ela for
cativante terá poucos problemas. (EBAH, 2019, p. 1-2).

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3.1. Distúrbios no desenvolvimento humano e aprendizado - continuação

Interessante transcrever o que diz o DSM5 (2014, p. 110) sobre os distúrbios da aprendizagem.

Dificuldades na aprendizagem e no uso de habilidades acadêmicas, conforme  indicado pela presença de ao menos um dos sintomas a seguir que
tenha persistido por pelo menos 6 meses, apesar da provisão de intervenções dirigidas a essas dificuldades:

1. Leitura de palavras de forma imprecisa ou lenta e com esforço (p. ex., lê palavras isoladas em voz alta, de forma incorreta ou lenta e hesitante,
frequentemente adivinha palavras, tem dificuldade de soletrá-las);

2. Dificuldade para compreender o sentido do que é lido (p. ex., pode ler o texto com precisão, mas não compreende a sequência, as relações, as
inferências ou os sentidos mais profundos do que é lido);

3. Dificuldades para ortografar (ou escrever ortograficamente) (p. ex., pode adicionar, omitir ou substituir vogais e consoantes);

4. Dificuldades com a expressão escrita (p. ex., comete múltiplos erros de gramática ou pontuação nas frases; emprega organização inadequada de
parágrafos; expressão escrita das ideias sem clareza);

5. Dificuldades para dominar o senso numérico, fatos numéricos ou cálculo (p. ex., entende números, sua magnitude e relações de forma
insatisfatória; conta com os dedos para adicionar números de um dígito em vez de lembrar o fato aritmético, como fazem os colegas; perde-se no
meio de cálculos aritméticos e pode trocar as operações); 

6. Dificuldades no raciocínio (p. ex., tem grave dificuldade em aplicar conceitos, fatos ou operações matemáticas para solucionar problemas
quantitativos). 

As habilidades acadêmicas afetadas estão substancial e quantitativamente abaixo do esperado para a idade cronológica do indivíduo, causando
interferência significativa no desempenho acadêmico ou profissional ou nas atividades cotidianas, confirmada por meio de medidas de desempenho
padronizadas administradas individualmente e por avaliação clínica abrangente. Para indivíduos com 17 anos ou mais,  a história documentada das
dificuldades de aprendizagem com prejuízo pode ser substituída por uma avaliação padronizada. 

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As dificuldades de aprendizagem iniciam-se durante os anos escolares, mas podem não se manifestar completamente até que as exigências pelas
habilidades acadêmicas afetadas excedam as capacidades limitadas do indivíduo (p. ex., em testes cronometrados, em leitura ou em escrita de
textos complexos longos e com prazo curto, em alta sobrecarga de exigências acadêmicas).

As dificuldades de aprendizagem não podem ser explicadas por deficiências intelectuais, acuidade visual ou auditiva não corrigida, outros transtornos
mentais ou neurológicos, adversidade psicossocial, falta de proficiência na língua de instrução acadêmica ou de instrução educacional inadequada.

Nota: Os quatro critérios diagnósticos devem ser preenchidos com base em uma síntese clínica da história do indivíduo (do desenvolvimento,
médico, familiar e educacional), em relatórios escolares e em avaliação psicoeducacional.

Nota para codificação: Especificar todos os domínios e sub-habilidades acadêmicos prejudicados. Quando mais de um domínio estiver prejudicado,
cada um deve ser codificado individualmente conforme os especificadores a seguir. 

Especificar se:

315.00 (F81.0) Com prejuízo na leitura:

Precisão na leitura de palavras

Velocidade ou fluência da leitura

Compreensão da leitura

Nota: Dislexia é um termo alternativo usado em referência a um padrão de dificuldades de aprendizagem caracterizado por problemas no
reconhecimento preciso ou fluente de palavras, problemas de decodificação e de dificuldades de ortografia. Se o termo dislexia for usado para
especificar esse padrão particular de dificuldades, é importante também especificar quaisquer dificuldades adicionais que estejam presentes, tais
como:  dificuldades na compreensão da leitura ou no raciocínio matemático.

315.2 (F81.81) Com prejuízo na expressão escrita:

Precisão na ortografia

Precisão na gramática e na pontuação

Clareza ou organização da expressão escrita

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315.1 (F81.2) Com prejuízo na matemática:

Senso numérico

Memorização de fatos aritméticos

Precisão ou fluência de cálculo

Precisão no raciocínio matemático

Nota: Discalculia é um termo alternativo usado em referência a um padrão de dificuldades caracterizado por problemas no processamento de
informações numéricas, aprendizagem de fatos aritméticos e realização de cálculos precisos ou fluentes. Se o termo discalculia for usado para
especificar esse padrão particular de dificuldades matemáticas, é importante também especificar quaisquer dificuldades adicionais que estejam
presentes, tais como:  dificuldades no raciocínio matemático ou na precisão na leitura de palavras. 

Especificar a gravidade atual:

Leve: Alguma dificuldade em aprender habilidades em um ou dois domínios acadêmicos, mas com gravidade suficientemente leve que permita ao
indivíduo ser capaz de compensar ou funcionar bem quando lhe são propiciados adaptações ou serviços de apoio adequados, especialmente
durante os anos escolares.

Moderada: Dificuldades acentuadas em aprender habilidades em um ou mais domínios acadêmicos, de modo que é improvável que o indivíduo se
torne proficiente sem alguns intervalos de ensino intensivo e especializado durante os anos escolares. Algumas adaptações ou serviços de apoio por
pelo menos parte do dia na escola, no trabalho ou em casa podem ser necessários para completar as atividades de forma precisa e eficiente.

Grave: Dificuldades graves em aprender habilidades afetando vários domínios acadêmicos, de modo que é improvável que o indivíduo aprenda
essas habilidades sem um ensino individualizado e especializado contínuo durante a maior parte dos anos escolares. Mesmo com um conjunto de
adaptações ou de serviços de apoio adequados em casa, na escola ou no trabalho, o indivíduo pode não ser capaz de completar todas as atividades
de forma eficiente.

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4. As oito idades do homem segundo Erikson

O psicanalista Erik Erikson contribuiu sobremaneira para a sistematização do desenvolvimento humano, escrevendo sobre os oito estágios do seu
desenvolvimento. Antes de apresentar as chamadas oito idades do homem, vamos conhecer um pouco da biografia desse estudioso.

Erikson nasceu em Frankfurt, Alemanha, em 1902 (vindo a falecer em 1994). No começo da carreira artística, foi convidado a laborar em uma escola
para pacientes submetidos à psicanálise, entrando então em contato com o grupo de Anna Freud, a filha mais nova de Sigmund Freud. Em 1933,
quando se casou com uma canadense, mudou-se para os Estados Unidos, continuando seus estudos em Psicanálise, tornando-se o primeiro
psicanalista infantil americano.

Para Erikson, a crise existencial está profundamente condicionada ao desenvolvimento humano. Em seu diagrama epigenético, o autor apresenta
sua teoria segundo a qual as pessoas passam por quatro estágios de infância antes da crise de identidade da adolescência e por três estágios
posteriores.
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Os oito estágios são: 

O primeiro estágio – confiança/desconfiança (0 - 18 meses). A idade em que a criança adquire confiança em si mesma e no mundo ao redor, a
partir da relação com a mãe. Se a mãe atende às necessidades do filho, a confiança está construída. Se não, medo, receio e desconfiança podem
ser desenvolvidos pela criança. Virtude social desenvolvida: esperança.

O segundo estágio – autonomia/dúvida e vergonha (18 meses - 3 anos). A contradição entre o que a criança quer fazer (impulso) e o que as normas
permitem. A criança deve ser estimulada a fazer as coisas de forma autônoma, para não se sentir envergonhada. Os pais devem ajudar os filhos a
terem vontade de fazer as coisas corretamente. Virtude social desenvolvida: desejo.

O terceiro estágio – iniciativa/culpa (3 anos - 6 anos). Nesse estágio, a criança já tem a capacidade de distinguir o que pode e o que não pode fazer.
Toma iniciativas, mas sem sentir culpa. A criança começa a assumir outros papéis, tendo noção de ‘outro’ e de individualidade, começando a se
preocupar com a aceitação do seu comportamento. Virtude social desenvolvida: propósito.

O pensamento é um tanto egocêntrico, mas aumenta a compreensão do ponto de vista dos outros. A imaturidade cognitiva resulta em algumas ideias
ilógicas sobre o mundo. Desenvolve-se a identidade de gênero.(PAPALIA, 2006, p. 40).

O quarto estágio – indústria (produtividade) / inferioridade (6 anos - 12 anos). A criança começa a se sentir como uma pessoa trabalhadora, capaz
de produzir. A resolução positiva dos estágios anteriores é importantíssima, sem confiança, sem autonomia e sem iniciativa, não conseguirá se sentir
capaz. O sentimento de inferioridade pode levar a se sentir incapaz. Este é o momento de relações interpessoais importantes. Virtude social
desenvolvida: competência.

O quinto estágio – identidade/confusão de identidade (adolescência). Aqui se adquire a identidade psicossocial. O adolescente precisa entender
seu papel no mundo e reconhecer sua singularidade. Há uma redefinição nos elementos de identidade já adquiridos. Algumas dificuldades desse
período são: falta de apoio no crescimento, expectativas parentais e sociais diferentes, dificuldades em lidar com as mudanças entre outras. Virtude
social desenvolvida: fidelidade.

O sexto estágio – intimidade/isolamento (25 anos - 40 anos). É essencial estabelecer uma relação íntima durável com outras pessoas, caso não
consiga estabelecer essa relação se sentirá isolado. Virtude social desenvolvida: amor.

A condição física atinge o auge, depois declina ligeiramente. O pensamento e os julgamentos morais tornam-se mais complexos. São feitas escolhas
educacionais e vocacionais, após um período exploratório. Traços e estilos de personalidade tornam-se relativamente estáveis, mas as mudanças na
personalidade podem ser influenciadas pelas fases e acontecimentos da vida. São tomadas decisões sobre relacionamentos íntimos e estilos de vida
pessoais, mas podem não ser duradouras. (PAPALIA,2006, p. 41).
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O sétimo estágio – generatividade / estagnação (35 anos - 60 anos). Há necessidade de orientar a geração seguinte, uma fase de afirmação
pessoal no trabalho e na família. Pode ser produtivo em várias áreas. Existe a preocupação com as gerações futuras, educando e criando os filhos.
O lado negativo é que pode levar a pessoa a parar em seus compromissos sociais. Virtude social desenvolvida: cuidar do outro.

As capacidades mentais atingem o auge, a especialização e as habilidades relativas à solução de problemas práticos são acentuadas. A produção
criativa pode declinar, mas melhor em qualidade. Para alguns, o sucesso na carreira e o sucesso financeiro atingem seu máximo, para outros, poderá
ocorrer esgotamento ou mudança de carreira. A dupla responsabilidade pelo cuidado dos filhos e dos pais idosos pode causar estresse. (PAPALIA,
2006, p. 41).

O oitavo estágio – integridade/desespero (após os 60 anos). É a hora da avaliação de tudo que se fez na vida, em caso de uma negação em
relação ao passado, se sente fracassado pela falta de poderes físicos e cognitivos. O desespero para pessoas que acham o balanço de sua vida
negativo e integridade para pessoas que sentem o balanço de sua vida positivo. Virtude social desenvolvida: sabedoria.

Seja qual for o abismo a que as preocupações  fundamentais possam conduzir os homens, [...] o homem, como criatura psicossocial, defrontar-se-á,
no final de sua vida, com uma nova edição da crise de identidade que poderíamos formular nas seguintes palavras: ‘Eu sou o que sobrevive de mim’.
Das fases da vida, portanto, disposições tais como fé, força de vontade, determinação, competência, fidelidade, amor, desvelo, sabedoria – tudo
critérios de força vital individual – também fluem para a vida das instituições. Sem elas, as instituições definham; mas sem que o espírito das
instituições impregne os padrões de desvelo e amor, instrução e treino nenhuma força poderia emergir da sequência de gerações. (ERIKSON, 1976,
p.141).

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5. Resumo

Aqui, descrevemos sobre os processos do desenvolvimento humano. Começamos conversando sobre identidade e adolescência, aspectos que nos
possibilitaram uma vasta discussão, posto que o conceito de “adolescência” se tornou em nossos dias polimodal, isto é, possui vários conceitos
devido aos novos paradigmas que temos enfrentado no século XXI. Discorremos também sobre os distúrbios no desenvolvimento humano e
aprendizado, aspectos bem interessantes. Mostramos que a vida do ser humano tem seus altos e baixos, em função de relações consigo mesmo e
com o outro, inclusive apresentamos o famoso DSM5, que qualifica as mais diversas anomalias mentais; focamos, entretanto, nos distúrbios do
aprendizado. Encerramos assim, destacando  "Oito idades de Erikson" que demonstram as diversas fases que temos em nossa jornada, com suas
peculiaridades.

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6. Referências

AMERICAN PSYCHIATRIC ASSOCIATION. DSM-V. Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais. 5. ed. Porto Alegre : ARTMED,
2014. 

AS OITO IDADES DE ERIKSON. Disponível em: https://www.revistaprosaversoearte.com/as-oito-idades-da-vida-segundo-psicanalista-erik-erikson-


qual-e-a-sua/. Acesso em: 30 jan. 2019. 

BIOGRAFIA DE ERIKSON. Disponível em: https://pt.wikipedia.org/wiki/Erik_Erikson. Acesso em: 30 jan. 2019. 

COLL, C. (Org.). Psicologia da Educação. Porto Alegre: Artmed, 2004. 

CONCEITO DE PUBERDADE. Disponível em:https://pt.wikipedia.org/wiki/Puberdade. Acesso em: 30 jan. 2019. 

ERIKSON, Erik. Identidade, juventude e crise. 2. ed. Rio de Janeiro: Zahar, 1976. 

GOULART, Iris Barbosa. Psicologia da Educação: fundamentos teóricos e aplicações à prática pedagógica. 16. ed. Petrópolis: Vozes, 2010. 

JOSÉ, Elisabete da Assunção; COELHO, Maria Teresa. 12.ed. Problemas de aprendizagem. São Paulo: Ática, 2001. 

MATHEUS, T. C. Adolescência: História e política do conceito na psicanálise. São Paulo: Casa do Psicólogo, 2007. 

OS DISTÚRBIOS DO APRENDIZADO. Disponível em: www.ebah.com.br/content/ABAAAgyyAAB/disturibios-aprendizagem. Acesso em: 30 jan.


2019. 

RIBEIRO, M. A. Carreiras: Novo olhar socioconstrucionista para um mundo flexibilizado. Curitiba: Juruá, 2014.

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