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04/01/2022 15:31 Resenha Livro – Currículo: Debates Contemporâneos – Educação, Currículo e Processos Tecnológicos

Educação, Currículo e Processos Tecnológicos

Resenha Livro – Currículo:


Debates Contemporâneos

27 de janeiro de 2018 ecpt2017


LOPES, Alice Csimiro. MACEDO, Elizabeth. (orgs.) Currículo: debates
contemporâneos. – 2ª ed. – São Paulo: Cortez, 2005.

Por  André Almeida, Diego Aric Cerqueira, Jurene Veloso e Paquisa Melo

O livro Currículo: debates contemporâneos, organizado por Alice Casimiro e


Elizabeth Macedo está dividido em 10 capítulos, escritos por diferentes
autores, incluindo o primeiro que é assinado por elas.

No capítulo um, intitulado O pensamento curricular no Brasil, as autoras


organizadoras, trazem uma retrospectiva e um mapeamento do surgimento e
implantação do Currículo, aqui no Brasil, com especial ênfase aos grupos
hegemônicos dos anos 90.

As autoras nos contam que, até 1920, iniciaram-se preocupações com a


implantação do Currículo no Brasil e que até 1980 houve incidência de
transferência instrumental de teorizações de vieses americanas. Tecem, neste
contexto, uma crítica, afirmando que havia uma questão funcionalista que
fazia com que o Brasil importasse ideias americanas em virtude da existência
de acordos bilaterais entre Brasil e Estados Unidos, dentro do âmbito do
programa de ajuda à América Latina. A partir de 1980, porém, começaram as
ideias de redemocratização no Brasil e, com o enfraquecimento da Guerra
Fria, acabou por finalmente reduzir tal influência.

Ainda neste capítulo inicial, são trazidas à discussão as vertentes Marxistas


(de Karl Marx e Friedrich Engels, nos levando a refletir e a compreender
acerca das teorias econômica e   sociológica, discutindo-se, assim, sobre o
método filosófico, que levou  a pensamentos sobre uma visão revolucionária
de mudança social. São citados, neste espaço, autores brasileiros que

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trouxeram pensamentos que provocaram mudanças na Educação Brasileira,


como Paulo Freire, com  sua Pedagogia do Oprimido e Dermeval Saviani, com
sua Pedagogia Histórico-Crítica.

Enfim, é feita neste capítulo análise de produções de currículo a partir de três


grupos principais: a perspectiva pós-estruturalista, na qual é citado o autor
Tomaz Tadeu Silva, que toma como referências teóricas Michel Foucault,
Stuart Hall, Derrida, Deleuze e Guattari, e liderou o grupo de Currículo da
UFRGS, discutindo ideias acerca de um pensamento Pós-estruturalista; o
currículo em rede, onde se discute a concepção de Currículo sob o enfoque
das Teorias do Currículo (tradicionais, críticas, pós-críticas); a história do
currículo e a constituição do conhecimento escolar, na qual se debate o estudo
do pensamento curricular brasileiro e o estudo das disciplinas escolares. Tudo
isso vai caracterizando a formação de um currículo que as autoras adjetivam
como “híbrido”.

No capítulo segundo, por sua vez, O currículo híbrido: domesticação ou


pluralização das diferenças?, escrito por Inés Dussel, encontramos discussão
teórica acerca do que seria de fato um currículo híbrido e de seu real
significado, a depender do contexto e dos objetivos e estratégias políticas que
perpassam sua implantação em determinado local. Nesse sentido, o termo
híbrido pode englobar tanto aspectos positivos quanto negativos, a depender
de como e para que fim seja utilizado.

No capitulo de número três, Uma História da Contribuição dos Estudos do


Cotidiano Escolar ao Campo de Currículo, escrito por duas autoras Nilda Alves e
Inês Barbosa de Oliveira, ambas as professoras da Universidade do Estado do
Rio de Janeiro, inicia-se comparando o cotidiano escolar a uma caixa preta,
como se fosse impossível entender esse espaço. Isso foi originário do Ensino
de Ciências, da mecânica e da tecnologia lógica ou ainda da teoria de
sistemas, para exemplificar a falta de interação entre o que acontece dentro da
escola com a aprendizagem do aluno.

O artigo discute que as reformas no sistema educativo são associadas aos


resultados obtidos em avaliações externas, conhecidas como provas de final
de cursos e ciclos. Neste contexto, o cotidiano escolar é negligenciado. Essas
reformas são planejadas do alto e de fora, ignorando a importância de se
conhecer o cotidiano da escola e de todas as suas variáveis e caso os
resultados não sejam satisfatórios, alunos e professores são os culpados.

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As autoras também expõem as ideias de Stake, onde ele afirma que a forma
hegemônica de compreensão é insuficiente para compreender o cotidiano
escolar, seus problemas e consequentemente suas possíveis soluções. É
necessário cruzar informações das conclusões obtidas nesses estudos com o
cotidiano específico de cada unidade escolar, e olhar a escola sem julgamentos
prévios, sem discriminação e preconceitos.

Também Stenhouse, Elliot, Elsie Rockwell e Justa Ezpeleta reafirmam a


importância de estudar o cotidiano escolar em sua realidade, seus múltiplos
sujeitos, implantação da ideia de professor pesquisador, sendo estes os mais
recomendados para opinar sobre possíveis intervenções. E que a escola e sua
comunidade devem ser vistas sem julgamentos, a priori, de valor.

Ainda, os estudos na área de educação são baseados nos paradigmas das


teorias galileu-newtoniana, onde são apenas privilegiadas as variáveis
quantitativas controláveis, criando a ideia de que os demais dados não são
relevantes. É preciso romper essa ligação e entender como os professores
elaboram as suas práticas pedagógicas, como eles buscam metodologias para
o obtenção de bons resultados com relação à aprendizagem de seus alunos.
Como eles buscam isso através de suas práticas, saberes e experiências e tudo
em função do que são e de suas formações.

As práticas pedagógicas e os estudos sobre as escolas e sua comunidade


devem ser multicoloridas, os conteúdos de ensino devem ser trabalhados de
formas diferentes em cada sala, em cada contexto, de acordo com a realidade
da escola, da turma e do aluno, em situações diferentes, pois o estilo de
abordagem do conteúdo dependerá do cotidiano de cada escola, professor,
turma e alunos.

Em resumo, ainda hoje, as pesquisas na área de educação são baseadas nos


resultados de provas externas, os planos de entradas são baseados nos
resultados dessas provas aplicadas, combinados com processos anteriores e as
teorias da aprendizagem são construídas sem a análise do cotidiano escolar,
não levando em consideração as necessidades individuais de cada escola.

No capítulo quatro, no artigo intitulado de Diferença Pura de um Pós-Currículo,


a professora Sandra Mara Corazza, pesquisadora na área da Educação na
Universidade Federal do Rio Grande do Sul, utilizando as suas

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argumentações e inspirada pelas teorias críticas em Educação busca


contextualizar como é um pós-currículo. Ela aborda o que é um pós-currículo,
como pensa, age e o que um pós-currículo defende.

Segundo a autora, o pós-currículo é estruturado a partir das teorias pós-critica


em educação pela perspectiva do pós-estruturalista, pós-modernista, pós-
colonialista e multiculturalista. Abordando questões atuais como: classe e
gênero, raça e etnia, xenofobia e integrismo, dentre outros conceitos culturais,
filosóficos e pedagógicos, defendendo a diversidade. Ele também debate
questões sobre a força da mídia e dos artefatos culturais, processos de
significação, políticas de identidade e cultura global.

No decorrer do artigo, a autora destaca as diversas formas contemporâneas


de lutas sociais, já que essa teoria defende o respeito às diferenças,
reivindicações e direitos de grupos sociais discriminados, pois um pós-
currículo reconhece e valoriza as diferenças. Nesse sentido, no campo político,
um pós-currículo sempre se situa à esquerda e nunca à direita. Recusa-se a
aceitar as políticas educacionais e sociais dos governos neoliberais, pois estas
defendem o capitalismo e consequentemente a exclusão social. Condena os
currículos ofertados, bem como os meios utilizados para avaliações dos
processos educativos, pois é contra as classificações e divisões aplicadas aos
processos de aprendizagem.

O artigo coloca que, no campo político, o pós-currículo está comprometido


com uma educação pública de qualidade e que atenda a todos, em um
currículo que também proponha a inserção da cultura e promova a política
curricular intercultural, estratégia de desarticulação de práticas políticas já
enraizadas, pois entende que as diversas culturas são construções históricas e
que, desta forma, conseguirá a descentralização do capital das classes a partir
da inclusão das culturas dos diferentes, excluídos e criminalizados.

O capítulo cinco, com o título de Tempo e Currículo: O Quadro de Horário e a


Distribuição Escolar das Ocupações é escrito pelo pesquisador Mariano
Palamidessi, pertencente à Faculdade Latino-americana de Ciências Sociais,
situada em Buenos Aires. O autor começa descrevendo o que é um quadro de
horário escolar, como são estruturados. Que todo currículo o tem como figura
básica e que ele regulamenta a distribuição do tempo e atividades aplicadas
no âmbito escolar.

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O artigo discorre sobre a evolução dos horários escolares no decorrer das


duas últimas décadas do século XIX e das primeiras décadas do século XX,
especificamente na Argentina. No início existiam vários quadros com a
justificativa de obter uma ordem temporal do ensino. Neste caso os quadros
de horários eram bastante detalhados para cada dia da semana, horas, séries e
para cada tipo de escola e sujeitos. Nesta perspectiva não eram admitidas
adaptações, todos seguiam um único molde. Tinham-se horários rígidos,
onde cada passo era controlado e as escolas e professores não tinham
autonomia para realizar modificações ou adequações.

Somente a partir da década de 80 que o quadro de horários começa a ter


modificações significativas, vindo a desaparecer dos planos curriculares. Os
quadros começam a se tornar mais simples e flexíveis, múltiplos e realistas a
cada contexto escolar. O gestor da escola ganha autonomia para compor o
horário de cada ano e os professores a fazer adequações com relação ao tempo
de aprendizagem dos alunos, mesmo assim devendo-se seguir alguns
padrões generalizados.

No sexto capítulo: Poder, discurso e política cultural: contribuições dos Estudos


Culturais ao campo do currículo, de Marisa Vorraber Costa, temos que a ideia
de que a idiossincrasia existente na axiologia política influencia diretamente
no ambiente escolar e nas práticas pedagógicas dos docentes na Educação
básica.

Ainda na sessão, a autora aponta que o currículo deve estar diretamente


ligado aos estudos culturais de uma sociedade mutável, onde os sujeitos e
seus dinamismos devem ser considerados. O campo curricular é fruto das
experiências dos indivíduos e os processos civilizatórios/concepções culturais
são imprescindíveis ao estabelecimento de uma educação crítica,
construtivista e epistêmica.

Em paralelo, o sétimo capítulo: Conhecimentos escolares e a circularidade entre


culturas, a autora Maria de Lourdes Rangel Tura, mergulha fundo nos
aspectos culturais enquanto produção dos sujeitos atores em uma sociedade
não linear. Nesse ínterim, a autora inicia suas provocações evidenciando a
globalização e as tecnologias como substratos de uma sociedade produtora de
mudanças e múltiplos redimensionamentos. Perpassa também por
emergências sociais que devem ser discutidas dentro e fora dos muros da
escola. Identidade, sexualidade, relações de gênero e raça – para ela, são

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imprescindíveis quando incorporados no currículo escolar, possibilitando a


formação de sujeitos autônomos e autores na construção e difusão do
conhecimento.

Desse modo, emergem alguns questionamentos diante dos capítulos (6 e 7)


em voga:1.De que currículo escolar estamos falando? 2.      Qual o papel dos
docentes nesse processo civilizatório? 3.Qual a relação entre diversidade e
contemporaneidade?  4. É necessário abandonar o tradicional ou repensar os
fazeres e saberes docentes na contemporaneidade? Fidedignamente, esses são
diálogos contemporâneos consideráveis no campo da educação e do currículo
contemporâneo.

   Chegando aos três últimos capítulos do livro vemos que estes versam sobre
temas pertinentes, enfocando a motivação e justificativa para o
relacionamento com a educação. No capitulo oito, intitulado Sentidos e dilemas
do multiculturalismo: desafios curriculares para o novo milênio, temos que o
multiculturalismo emerge em meio às tensões que a sociedade
contemporânea oferece em seus aspectos mais diversos. Trata-se de um
movimento teórico, politico e social que busca respostas para os desafios da
pluralidade cultural nos campos do saber, incluindo não só a educação como
também outras áreas que podem contribuir para o sucesso organizacional.

No capitulo nove, cujo título é A educação que se pergunta pelos os outros: e se o


outro não estivesse aqui?, Enfocam-se questionamentos do tipo: o que
perguntamos, quando perguntamos sobre a educação? Ou melhor, ainda,
porque perguntamos sobre a educação? O trecho denota a realidade em que,
não se pergunta por ela, mas pela instabilidade e pela inexistência de suas
mudanças e de suas transformações, quer dizer, pergunta-se para adiar,
segurar e capturar aquilo que se pensa sobre a educação. Um pensamento de
mudança na educação, a insistência em uma única especialidade e
temporalidade, mas com outros nomes, a reconversão dos lugares em não
lugares para os outros em temporalidade e especialidades egocêntricas, a
pedagogia das supostas diferenças em meio a um terrorismo indiferente e a
produção de uma diversidade que apenas se nota, se entende, se sente.

Já no último capítulo, A apropriação educacional das tecnologias da informação e da


comunicação, são feitas reflexões sobre como é uma sala de aula, quais
mudanças ocorreram ao longo do tempo com esse espaço, levanta dúvidas em
comparação com outros espaços de trabalho em relação a sua evolução e
elenca as mudanças percebidas além do que temos em mente do que é uma
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sala de aula. Ainda, traz à tona linguagens e tecnologias presentes no contexto


escolar observando uma evolução tímida que tenta acompanhar o que a
realidade mundana tecnológica oferece, focando em tecnologias na formação
de professores a distancia.

Enfim, este livro, em seu conjunto formado por tão ricos artigos, produzidos
por diferentes autores, forma uma obra ímpar, que só vem a enriquecer o
território de conhecimentos a respeito do tema Currículo, tão necessário na
busca incessante pela qualidade na Educação.

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