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CONFORMAÇÃO

MECÂNICA E
SOLDAGEM

Ederval Lisboa
Soldagem: terminologia
e simbologia
Objetivos de aprendizagem
Ao final deste capítulo, você deverá apresentar os seguintes aprendizados:

„„ Reconhecer os principais termos utilizados nos processos de soldagem.


„„ Identificar os principais símbolos empregados nos processos de
soldagem.
„„ Descrever a aplicação dos símbolos de solda em desenhos de projetos
mecânicos.

Introdução
A comunicação escrita, definida como a representação simbólica da
linguagem falada, foi um dos maiores feitos produzidos pela humani-
dade, pois somente com ela foi possível registrar fatos, descobrimentos
e teorias, o que possibilitou entender os eventos históricos e avançar
sobre os conhecimentos científicos.
Por meio de uma comunicação eficaz, algo definido de um lado do
planeta é executado com precisão do outro lado. Contudo, para que isso
seja real, é necessário que os interlocutores dominem a linguagem, ou
seja, é preciso que tanto o que faz quanto o que recebe o comunicado
dominem a linguagem, utilizando termos adequados e símbolos corretos.
Para os processos de soldagem, a mesma ideia deve ser aplicada, uma
vez que dentro desse universo existem termos e expressões intrínsecos.
A fim de estabelecer uma comunicação efetiva sobre os processos
de soldagem por intermédio da padronização de símbolos e expressões,
em vários países surgiram associações sobre o tema, sendo a Sociedade
Americana de Soldagem (AWS, do inglês American Welding Society) uma
das principais delas. No Brasil, quem cuida dessa normatização é o Comitê
Brasileiro de Soldagem da Associação Brasileira de Normas Técnicas
(ABNT), que se baseia nas normas da Organização Internacional de Nor-
2 Soldagem: terminologia e simbologia

malização (ISO, do inglês International Organization for Standardization) e


na própria AWS. As empresas brasileiras, por sua vez, adotam as normas
nacionais e internacionais, observando as particularidades referentes às
suas atividades, como é o caso da Petrobras, cuja Comissão de Normas
Técnicas (CONTEC) estabelece as aplicações cabíveis.

Terminologia de soldagem
Com base na norma Petrobras N-1438 E:2009, dos termos utilizados para se
entender sobre o processo de soldagem, os que mais se destacam são:

„„ Abertura da raiz (root opening): menor distância entre as peças a serem


soldadas, conforme Figura 1.
„„ Alma do eletrodo (electrode core): região metálica de seção circular
existente no centro do eletrodo revestido, conforme Figura 2.
„„ Ângulo do bisel (bevel angle): ângulo do corte em relação à perpendi-
cular à superfície cortada, conforme Figura 1.
„„ Ângulo de abertura de junta ou ângulo do chanfro (groove angle): ângulo
entre ambas as extremidades da junta, conforme Figura 1.
„„ Ângulo de trabalho (work angle): ângulo agudo entre o plano do eletrodo
e do eixo de solda e o plano de referência.
„„ Atmosfera protetora ou gases de proteção (protective atmosfere): região
de influência dos gases que protegerão a poça de fusão, conforme
Figura 2.
„„ Bisel (bevel): borda do componente a ser soldado.
„„ Camada (layer): deposição do material em passes.
„„ Chanfro (groove): entidades de extrema importância na realização da
soldagem, principalmente quando se trata de peças de grande espessura.
„„ Chapa de teste (test coupon): material utilizado para efetuar o teste de
soldagem.
„„ Cobre-Junta (backing): material colocado por baixo da junta de solda
para suportar o metal de solda.
„„ Consumível (consumable): itens utilizados no processo de soldagem
que são consumidos com rapidez.
„„ Cordão de solda (weld bead): depósito de solda resultante de um passe.
Soldagem: terminologia e simbologia 3

„„ Corpo de prova (test specimen): junta soldada utilizada para ensaios


destrutivos e não destrutivos.
„„ Corrente de soldagem (welding current): correte medida em Ampére
para realização da solda elétrica.
„„ Dimensão da solda (weld size): comprimentos dos catetos do maior
triângulo retângulo que pode ser inscrito dentro da seção transversal
da solda ou distância da face à raiz da solda.
„„ Eletrodo nu (bare electrode): metal, de adição ou não, sem revestimento.
„„ Eletrodo revestido (covered electrode): metal de adição com camada,
conforme Figura 2, que pode ser básica, rutílica ou celulósica.
„„ Equipamento (equipment): itens a serem soldados, que conterão a junta
soldada.
„„ Equipamentos de soldagem (welding equipment): utensílios utilizados
no processo de soldagem, como máquinas, alicates, martelos, picadores,
dispositivos, etc.
„„ Gabarito de solda (weld gage): dispositivo para verificar a forma e as
dimensões de soldas, conforme Figura 1b.
„„ Garganta de solda (throat of a fillet weld): menor distância entre a raiz
e a face plana teórica da solda.

Ângulo do
Ângulo dochanfro
chanfro
ÂnÂngguulo
dodobbisiselo
el
l

Abertura
Abertura dada
raizraiz

Figura 1. a) Ângulos de solda. b) Gabarito de solda para verificação da garganta.


Fonte: a) Adaptada de Petrobras N-1438 E:2009. b) Kimtaro/Shutterstock.com.
4 Soldagem: terminologia e simbologia

Eletrodo
Revestimento

Vareta (alma)
Atmosfera Escória
Poça de Protetora solidificada
fusão
Metal de solda
Metal de base

Figura 2. Elementos do processo de soldagem.


Fonte: Adaptado de ESAB (c2018).

Ângulo de trabalho (Figura 3):


1. para chapa: é o ângulo agudo entre o plano ortogonal e o plano principal do metal
de base e o plano definido pelo eixo do eletrodo e o eixo da solda, em juntas em
ângulo, o plano principal é o do elemento que não está de topo.
2. para tubos: é o ângulo agudo entre o plano ortogonal e o plano da superfície
cilíndrica do tubo, no ponto de intersecção entre os eixos do eletrodo e da solda,
e o plano definido pelo eixo do eletrodo e o eixo da solda no ponto de soldagem.
Soldagem: terminologia e simbologia 5

Ângulo de
trabalho
Ângulo de
deslocamento

a
old
da s
Eixo
(a) Ângulo de
trabalho
Ângulo de
deslocamento

Eixo da solda
(b)
Ângulo de trabalho
Ângulo de
deslocamento

Linha de tangência

ntro
de ce
Linha tubo
do

Figura 3. Ângulo de trabalho.


Fonte: Adaptada de Quites (2011) e Petrobras (1997).
6 Soldagem: terminologia e simbologia

„„ Gás de proteção (shielding gas): gás utilizado para proteção da poça


de fusão.
„„ Goivagem (gouging): processo de remoção do material para formar
o chanfro.
„„ Goivagem na raiz (back gouging): remoção do metal de solda e do
metal de base pelo lado oposto de uma junta parcialmente soldada para
facilitar a fusão e a penetração na soldagem subsequente naquele lado.
„„ Junta ( joint): região estabelecida para ser realizado o processo de
soldagem.
„„ Junta soldada (welded joint): região onde os materiais foram coales-
cidos, tornando-se uma única peça. As juntas podem ser de materiais
iguais, similares ou diferentes, sendo empregados os chanfros quando
necessário.
„„ Junta de aresta (edge joint): junta com um ângulo de, aproximadamente,
180° entre as peças.

Os principais tipos de chanfros (Figura 4) aplicados na indústria são:


„„ chanfro em J (single-J-groove);
„„ chanfro em duplo J (double-J-groove);
„„ chanfro em U (single-U-groove);
„„ chanfro em duplo U (double-U-groove);
„„ chanfro em V (single-V-groove);
„„ chanfro em X (double-V-groove);
„„ chanfro em meio V (single-bevel-groove);
„„ chanfro em K (double-bevel-groove);
„„ chanfro I ou chanfro reto (square-groove).
Soldagem: terminologia e simbologia 7

Chanfro J Chanfro duplo J

Chanfro U Chanfro duplo U

Chanfro V Chanfro duplo V ou X

Chanfro meio V Chanfro K

Chanfro I
ou chanfro reto

Figura 4. Principias tipos de chanfro.


Fonte: Petrobras (1997).

„„ Junta dissimilar (dissimilar joint): junta soldada composta por materiais


cujas composições químicas se diferem.
„„ Junta de ângulo: junta em que numa seção transversal, os componentes
a soldar apresentam-se sob forma de um ângulo, a Figura 5 apresenta
alguns exemplos de juntas de ângulo.
„„ Junta de topo (butt joint): junta entre duas peças colineares.
„„ Junta sobreposta (lap joint): junta formada entre duas peças, onde uma
se assenta sobre a outra.
8 Soldagem: terminologia e simbologia

Veja neste exemplo algumas posições particulares das juntas de ângulo (Figura 5):
a) junta de ângulo em quina;
b) junta de ângulo em L;
c) junta de ângulo em T.

Junta de ângulo (situação genérica) (A) Junta de ângulo em T

(B) Junta de ângulo em quina (C) Junta de ângulo em L

Figura 5. Exemplos de juntas de ângulo.


Fonte: Adaptada de Petrobras (1997).

„„ Martelamento (peening): Trabalho mecânico de impacto aplicado na


junta soldada para remoção da escória solidificada.
„„ Metal de adição ( filler metal): material metálico adicionado à solda
durante o processo de soldagem.
„„ Metal de base (base metal): material metálico que recebe a solda.
„„ Metal de solda (weld metal): região fundida constituída pelo metal de
base e pelo metal de adição.
„„ Penetração da raiz (root penetration): alcance da raiz na junta soldada.
„„ Perna de solda ( fillet weld leg): menor distância entre a raiz e a margem
da solda em ângulo.
„„ Poça de fusão (molten weld pool): região líquida durante a soldagem.
„„ Ponteamento (tack weld): menor solda possível ente duas peças a fim
de fixar para manter o alinhamento e diminuir a distorção.
„„ Porta-Eletrodo (electrode holder): dispositivo mecânico que além de
prender o eletrodo, transmite a corrente elétrica.
„„ Posição de soldagem (welding position): posição em que será efetuada
a solda (veja na Figura 6 as principais posições de soldagem).
Soldagem: terminologia e simbologia 9

Principais posições de soldagem aplicadas na indústria:


„„ Posição horizontal (horizontal position): 2G, 2F, 2FR, 5G, 5F, 6G.
„„ Posição plana (flat position): 1G, 1F.
„„ Posição sobre-cabeça (overhead position): 4G, 4F.
„„ Posição vertical (vertical position): 3G, 3F.

1G/PA 2G/PG 3G/PF & PG 4G/PE

5G/PF & PG 6G/HL045 1F/PA 2F/PB

3F/PF & PG 4F/PD

Figura 6. Posições de soldagem.


Fonte: Adaptada de ESAB (c2018).

„„ Preaquecimento (preheating): aquecimento controlado aplicado ao


metal base instantes antes de iniciar a soldagem.
„„ Soldador (welder): executor do processo de soldagem.
„„ Solda autógena (autogenous weld): soldagem sem metal de adição.
„„ Solda de aresta (edge weld): solda executada numa junta de aresta.
„„ Solda de costura (seam seld): cordão de solda contínuo ou numa série
consecutiva de pontos alinhados, para união de peças longas.
„„ Solda de fixação (tack weld): técnica empregada antes da soldagem
final, a fim de conter a distorção das peças.
„„ Solda descontínua: cordões de solda intercalados com vãos ao longo
da junta soldada.
„„ Solda descontínua coincidente: cordões de solda espaçados e no mesmo
alinhamento em ambos os lados da junta.
10 Soldagem: terminologia e simbologia

„„ Solda descontínua intercalada: cordões de solda espaçados e desali-


nhados em ambos os lados da junta.
„„ Solda de selagem (seal weld): processo de soldagem executado para
evitar o vazamento de produtos, sobretudo fluidos.
„„ Solda de tampão (plug weld): processo de soldagem realizado em
aberturas, quase sempre circulares, em uma das peças que alcançam
outra peça.
„„ Solda de topo (butt weld): processo de soldagem aplicado às juntas
de topo.
„„ Solda em ângulo ou solda de filete ( fillet weld): solda cuja seção trans-
versal apresenta forma triangular.
„„ Solda em chanfro (groove weld): processo de soldagem aplicado em
uma junta com chanfro.
„„ Solda homogênea: característica atribuída às soldas cujo metal de solda
contém propriedades químicas similares ao do metal-base.
„„ Solda heterogênea: característica atribuída às soldas cujo metal de solda
contém propriedades químicas diferentes do metal-base.
„„ Soldabilidade (weldability): capacidade de soldagem aplicada a um
dado material.
„„ Soldagem (welding): processo de coalescência.
„„ Soldagem a arco (arc welding): processo de coalescência realizado a
partir de uma diferença de potencial elétrico.
„„ Soldagem automática (automatic welding): soldagem executada sem a
intervenção direta de um soldador.
„„ Soldagem manual (manual welding): soldagem executada com a inter-
venção direta de um soldador.
„„ Taxa de deposição (deposition rate): massa de material depositado por
unidade de tempo (kg/h).
„„ Tensão residual de soldagem (residual stress): tensão residual prove-
niente de um processo de soldagem.
„„ Tratamento térmico após soldagem (postwelding heat treatment): pro-
cesso aplicado à junta soldada, após a soldagem, com o emprego de
temperatura.
„„ Tratamento térmico de alívio de tensões (stress relief heat treatment):
aquecimento e resfriamento controlados da junta soldada, a fim de
diminuir as tensões residuais.
„„ Zona termicamente afetada (heat-affected zone): região diretamente
impactada pelo aporte térmico.
Soldagem: terminologia e simbologia 11

Simbologia de soldagem
A simbologia básica empregada em desenhos e projetos de juntas soldadas,
conforme normatizado pela AWS, consiste em uma referência contendo infor-
mações quanto à característica da solda, englobando todo o processo, que vai
desde a preparação dos chanfros até o tratamento térmico após a soldagem.
Um dos itens que requer atenção especial é a seta, pois é ela quem determina
o local da junta que receberá a solda, observando-se ainda se os símbolos da
solda estão em ambos os lados, do lado da seta (ou seja, posicionado abaixo
da linha de referência) ou do lado oposto (isto é, posicionado acima da linha
de referência). Na Figura 7 temos a representação geral para os processos de
soldagem.

Figura 7. Simbologia geral empregada em desenhos e projetos de juntas soldadas.


Fonte: Adaptada de Budynas e Nisbett (2016).

O símbolo de acabamento pode ser plano, representado por uma linha reta;
ou convexo, representado por um arco de círculo.
Na cauda ou apêndice, destinada a especificações, podem ser colocadas
as mais diversas informações, como o tipo de eletrodo a ser empregado, ou,
ainda, o tratamento térmico a ser realizado depois da soldagem.
O símbolo de solda no campo, quando especificado, designa uma junta
soldada a ser realizada durante a montagem do equipamento na obra.
12 Soldagem: terminologia e simbologia

O símbolo de solda em toda volta deve ser aplicado quando se deseja solda
em todo o perímetro.
Os símbolos específicos de contorno também são padronizados, sendo
discriminados conforme mostra a Figura 8.

Tipos de solda

Contra- Chanfro
Filete Tampão
solda Reto V Bisel U J

Figura 8. Símbolos representando os tipos de juntas soldadas.


Fonte: Adaptada de Budynas e Nisbett (2016).

A seguir, na Figura 9, são apresentados alguns exemplos da correta utili-


zação dos símbolos de solda e suas respectivas interpretações.

1. Solda contínua de filete, com 5 mm de dimensão, realizada em todo o contorno.


Soldagem: terminologia e simbologia 13

2. Solda contínua de filete, com dimensão de 5 mm, realizada em ambos os lados.

60 200

6 60-200

3. Solda de filete com 6 mm dimensão, cordão com 60 mm de comprimento e espaço


de 200 mm entre os cordões, realizada em ambos os lados e de forma intercalada.

60º

2
60º

4. Solda em chanfro V de 60º, com abertura de raiz de 2 mm.

45°

45°

5. Solda em chanfro meio V 45º.


14 Soldagem: terminologia e simbologia

6. Solda em chanfro reto realizada em ambos os lados.

60°

7. Solda em chanfro duplo V 60º realizada em ambos os lados.

E60

8. Solda em chanfro U, com acabamento convexo, executada com eletrodo E60.


Figura 9. Exemplos de aplicações dos símbolos de soldagem.
Fonte: Adaptada de Budynas e Nisbett (2016).
Soldagem: terminologia e simbologia 15

Além dos símbolos mostrados, o Comitê Brasileiro de Máquinas e Equi-


pamentos Mecânicos da Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT),
através da ABNT NBR 13043:1993, padroniza números e nomes de processos
de soldagem, para representação simbólica em desenho técnico. A Tabela 1
a seguir mostra os principais processos utilizados nas indústrias com seus
respectivos códigos.

Tabela 1. Números e nomes de processos de soldagem.

Número Nome

1 Soldagem a arco elétrico

11 Soldagem a arco elétrico com eletrodo-fusível


sem proteção gasosa

111 Soldagem a arco elétrico com eletrodo revestido

12 Soldagem a arco submerso

121 Soldagem a arco submerso com alarme-eletrodo

122 Soldagem a arco submerso com fita-eletrodo

13 Soldagem a arco elétrico sob proteção gasosa


com alimentação de arame consumível

135 Soldagem a arco elétrico sob proteção gasosa inerte com


alimentação de arame consumível (soldagem MIG)

136 Soldagem a arco elétrico sob proteção gasosa ativa com


alimentação de arame consumível (soldagem MAG)

137 Soldagem a arco elétrico com gás inerte e arame tubular

14 Soldagem com proteção gasosa e eletrodo não consumível

141 Soldagem a arco elétrico com proteção gasosa


e eletrodo de tungstênio (soldagem TIG)

3 Soldagem a gás combustível

31 Soldagem a gás oxicombustível

Fonte: ABNT NBR 13043:1993.


16 Soldagem: terminologia e simbologia

Saiba mais sobre outros símbolos de soldagem segundo a AWS (Figura 10):

QUADRO GERAL DE SIMBOLOGIA DE SOLDAGEM (AWS)

Figura 10. Outros símbolos de soldagem.


Fonte: Novo InfoSolda 4.0 (c2013).

Aplicações práticas dos símbolos de solda em


desenhos e projetos
Quando falamos da inserção dos símbolos de solda em desenhos e projetos,
alguns cuidados devem ser considerados, a fim de propiciar uma comunicação
efetiva entre os interlocutores.
Uma prática opcional, mas comumente adotada, é a inserção de um “som-
breamento” simbolizando o local onde a solda deverá ser aplicada, conforme
mostra a Figura 11.
Soldagem: terminologia e simbologia 17

FOLGA DE 5

150

CHAPA XADREZ
1/4”

L 2”x2”x1/4”
5

5”x3/8”x150

SEÇÃO” A-A”
Figura 11. Detalhe de projeto.
Fonte: Adaptada de Petrobras N-0279 G:2013.

Quando a especificação de solda é para ambos os lados, os símbolos devem


ser dispostos na parte superior e inferior da linha de referência, contudo, os
valores pertinentes à especificação da solda podem ser inseridos em apenas
em um dos lados, como mostra a Figura 12.

5 25

20
LINHA DE
REFERÊNCIA
2”x2”x1/4”

2”x1/4”
B

VER NOTA 1
3 1/2”x3 1/2”x3/8”

80

Figura 12. Detalhe de projeto.


Fonte: Adaptada de Petrobras N-0279 G:2013.
18 Soldagem: terminologia e simbologia

Em casos onde houver chanfro em apenas uma das chapas, a seta deverá
apontar para esta, a fim de que não haja dúvidas sobre a aplicação do chanfro,
conforme mostrado na Figura 13.

Q P P Q

A
VER NOTA 2

S
8
B

Figura 13. Detalhe de projeto.


Fonte: Adaptada de Petrobras N-0279 G:2013.

Os valores referentes à perna da solda de filete devem ser posicionados


sempre à esquerda do símbolo, ou seja, próximo à linha vertical do símbolo,
conforme Figura 13.
Quando da aplicação de solda intermitente, os valores referentes ao compri-
mento do cordão de solda e do centro entre os cordões devem ser posicionados
à direita do símbolo de solda, ou seja, próximo à linha inclinada do símbolo,
conforme Figura 14.
Soldagem: terminologia e simbologia 19

MONTAGEM PERMANENTE DE CHAPA XADREZ


10
6 300-225 FUROS 09/16” PARA PARAFUSOS DE 1/2” DE CABEÇA
CÔNICA FENDADA SOMENTE PARA CHAPAS REMOVÍVEIS

CH. 3”x1/4 CHAPA DE PISO

JUNÇÃO PARA CHAPAS DE PISO

Figura 14. Detalhe de projeto.


Fonte: Adaptada de Petrobras N-0279 G:2013.

A dimensão mínima da perna da solda é limitada pela menor espessura


das chapas a serem unidas. A Tabela 2 mostra as dimensões mínimas da solda
de filete em função da chapa mais fina.

Tabela 2. Dimensões mínimas das pernas de solda aplicada à solda de filete.

Espessura da chapa Dimensão mínima da


mais fina, t (mm) perna, b (mm)

t ≤ 6,35 3

6,35 < t ≤ 12,5 5

12,5 < t ≤ 19,0 6

t > 19,0 8

Fonte: ABNT NBR 8800:2008.

Para casos de chapas com espessura inferior a 6,35 mm, onde a solda é
executada em sua borda, a ABNT NBR 8800:2008 estabelece que a dimensão
máxima da solda não deve ultrapassar a espessura da chapa mais fina (b = t).
Para os casos com espessura de chapa a partir de 6,35, o limite máximo para
a perna do filete é da espessura da chapa mais fina subtraída de 1,5 mm
(b = t – 1,5 mm).
20 Soldagem: terminologia e simbologia

Quanto ao comprimento do cordão de solda, sua dimensão mínima é de


40 mm e quatro vezes o valor da perna do filete. Caso não seja possível alcançar
ambas as condições, apenas 25% do valor do cordão deve ser considerado nos
cálculos de resistência da junta soldada.
Para os casos em que a solda é aplicada até a extremidade da peça, o cordão
de solda deve contornar os cantos, com dimensão mínima de duas vezes o
valor da perna de solda.

Veja no link abaixo um artigo técnico-científico com uma revisão crítica do dimensio-
namento das juntas soldadas de filete. Disponível em:

https://goo.gl/3MdQED

Em muitos softwares comerciais de desenho e projeto, os símbolos de solda estão


contidos em uma biblioteca. Para saber mais sobre a utilização dos símbolos com o
AutoCad Mechanichal®, acesse:

https://goo.gl/9gKuT5

ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS. ABNT NBR 8800:2008. Projeto de


estrutura de aço e de estruturas mistas de aço e concreto de edifícios. Rio de Janeiro:
ABNT, 2008.
ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS. ABNT NBR 13043:1993. Soldagem –
Números e nomes de processos. Rio de Janeiro: ABNT, 1993.
Soldagem: terminologia e simbologia 21

BUDYNAS, R. G.; NISBETT, J. K. Elementos de máquinas de Shigley. 10. ed. Porto Alegre:
AMGH, 2016.
ESAB. Site. [S.l.]: ESAB, c2018. Disponível em: <http://www.esab.com.br>. Acesso em:
23 jan. 2018.
NOVO INFOSOLDA 4.0. Site. [S.l.]: Novo InfoSolda 4.0, c2013. Disponível em: <http://
www.infosolda.com.br>. Acesso em: 23 jan. 2018.
PETROBRAS. N-0279 G:2013. Projeto de estrutura metálica. Rio de Janeiro: Petrobras,
2013.
PETROBRAS. N-1438. Terminologia soldagem. Rio de Janeiro: Petrobras, 1997.
PETROBRAS. N-1438 E:2009. Terminologia soldagem. Rio de Janeiro: Petrobras, 2009.
QUITES, A. M. Terminologia de soldagem: análise crítica da N-1438. [S.l.]: Solda Soft, 2011.

Leituras recomendadas
AMERICAN WELDING SOCIETY. AWS D1.1/D1.1M:2010. Código de soldagem estrutural
– Aço. Miami: AWS, 2010.
ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS. ABNT NBR 14842:2003. Certificação
de inspetores de soldagem. Rio de Janeiro: ABNT, 2003.
MACHADO, I. G. Dimensionamento de juntas soldadas de filete: uma revisão crítica.
Soldagem & Inspeção, São Paulo, v. 16, n. 2, p. 189-201, abr./jun. 2011.
MACHADO, I. G. Soldagem & técnicas conexas: processos. Porto Alegre: editado pelo
autor, 1996.
PETROBRAS. N-0133 N:2017. Soldagem. Rio de Janeiro: Petrobras, 2017.
PETROBRAS. N-1852 G:2011. Estruturas oceânicas – Fabricação e montagem de unidades
fixas. Rio de Janeiro: Petrobras, 2011a.
PETROBRAS. N-2036 F:2011. Soldagem subaquática. Rio de Janeiro: Petrobras, 2011b.
PETROBRAS. N-2301 E:2016. Elaboração da documentação técnica de soldagem. Rio
de Janeiro: Petrobras, 2016.
Encerra aqui o trecho do livro disponibilizado para
esta Unidade de Aprendizagem. Na Biblioteca Virtual
da Instituição, você encontra a obra na íntegra.

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