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PC - RJ

Direito
Administrativo

Livro Eletrônico
AULA ESSENCIAL 80/20
Direito Administrativo

Sumário
Gustavo Scatolino

Direito Administrativo.. ................................................................................................................... 5


Princípios Administrativos. . ........................................................................................................... 5
Princípios Expressos na Constituição (Art. 37)......................................................................... 5
Princípios Implícitos na Constituição.......................................................................................... 8
Organização Administrativa.........................................................................................................15
Centralização...................................................................................................................................15
Desconcentração............................................................................................................................15
Formas de Descentralização Administrativa.. ......................................................................... 18
Criação das Entidades da Administração Indireta. . .................................................................19
Entidades da Administração Indireta.........................................................................................19
Atos Administrativos.. ................................................................................................................... 26
Requisitos/Elementos.................................................................................................................. 26
Atributos do Ato Administrativo.. ............................................................................................... 29
Extinção dos Atos Administrativos.............................................................................................31
Convalidação ou Sanatória.......................................................................................................... 32
Responsabilidade Extracontratual do Estado. . ....................................................................... 33
Responsabilidade no Direito Brasileiro.................................................................................... 33
Responsabilidade nos Casos de Omissão................................................................................ 34
Excludentes da Responsabilidade Objetiva............................................................................. 35
Responsabilidade por Atos Legislativos. . ................................................................................. 35
Responsabilidade por Atos Jurisdicionais................................................................................ 35
Ação Regressiva............................................................................................................................. 36
Poderes Administrativos.............................................................................................................. 36
Abuso de Poder. . ............................................................................................................................. 36
Espécies de Poderes. . .................................................................................................................... 37
Licitação........................................................................................................................................... 43
Modalidades (Art. 22).. .................................................................................................................. 43

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Contratação Direta........................................................................................................................ 47
Lei n. 14.133/2021........................................................................................................................... 56
Questões de Concurso.................................................................................................................. 65
Gabarito............................................................................................................................................ 72
Gabarito Comentado..................................................................................................................... 73

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Olá!
Esta é a nossa aula essencial 80/20. Ela tem por objetivo trazer os assuntos que realmente
são recorrentes nas provas de concurso. Tudo feito com a ajuda da tecnologia!
A ideia não é ser um resumo de tudo que foi visto. Por isso, você não terá um material
tópico por tópico do edital. Nós vamos trazer os assuntos que estatisticamente têm mais fre-
quência no concurso.
Fizemos uma análise estatística da banca FGV e, com base nesta análise, elaboraremos
nossa aula 80/20.
Assuntos que embora não tenham sido encontrados questões nas últimas provas, vamos
também trazer de forma bem objetiva, pois acreditamos que podem ser exigidos na sua prova.
Nos últimos certames que elaboramos esse material, tivemos um aproveitamento de mais de
75% do conteúdo abordado nas provas.
No final do material, vou deixar algumas questões e você pode ter muitas outras no site do
Gran para treinar bastante!

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DIREITO ADMINISTRATIVO
Princípios Administrativos
Princípios de uma ciência são as proposições básicas, fundamentais, típicas, que condicio-
nam todas as estruturações subsequentes; nesse sentido, são os alicerces, os fundamentos
da ciência. (CRETELLA JÚNIOR, 1999).

Princípios Expressos na Constituição (Art. 37)


A Constituição Federal possui cinco princípios expressos: legalidade, impessoa­lidade, mo-
ralidade, publicidade e eficiência.
Os princípios são de observância obrigatória por toda a Administração direta e indireta de
todos os Poderes e níveis federativos.
Não há hierarquia entre os princípios administrativos, inclusive quanto aos expressos e im-
plícitos na CF, embora a doutrina entenda que os princípios da supremacia do interesse público
e da indisponibilidade do interesse público sejam a base do regime jurídico-administrativo.
Também é importante destacar que nenhum princípio administrativo é absoluto, pois pode
ser restringido em determinadas hipóteses. É o que ocorre, por exemplo, quando a Constitui-
ção admite restringir a publicidade cujo sigilo seja imprescindível à segurança da sociedade e
do Estado (art. 5º, XXXIII, CF).
A Lei n. 9.784/99, Lei do Processo Administrativo Federal, apresenta os seguintes princí-
pios expressos: legalidade, finalidade, motivação, razoabilidade, proporcionalidade, moralida-
de, ampla defesa, contraditório, segurança jurídica, interesse público e eficiência.
Art. 37 Lei do Processo Administrativo Federal

Expressos na CF Expressos na Lei 9.784/99


Segurança jurídica
Eficiência
RAzoabilidade
Finalidade
Legalidade Ampla Defesa
Impessoalidade Contraditório
Moralidade Interesse público
Publicidade Legalidade
Eficiência
PROporcionalidade
MOtivação
MOralidade
“SERÁ FÁCIL PRO MOMO”

O que é o regime jurídico-administrativo?


É o conjunto de regras de Direito Público e princípios que devem ser observados pela
Administração.

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Legalidade

Significa que o agente público só poderá fazer o que a lei autoriza.


Deve o administrador estar sempre pautado pela lei.
Na Administração Pública não há espaço para liberdade nem vontade pessoal. Enquanto
na vida particular é lícito fazer tudo o que a lei não proíba, na Administração Pública só é lícito
fazer aquilo que a lei autoriza.
• Legalidade para o cidadão (art. 5º, II, da CF): no sentido de que ninguém será obrigado a
fazer ou deixar de fazer alguma coisa, salvo em razão de lei.
• Legalidade administrativa (art. 37, CF): no sentido de que o agente público só pode fazer
aquilo que a lei expressamente autoriza.

DICA
A expressão juridicidade significa observar todos os princípios
expressos e implícitos na CF, bem como as demais regras do
ordenamento jurídico, inclusive as que estão fora da Constitui-
ção (bloco de legalidade). Juridicidade representa uma evolu-
ção do princípio da legalidade.

Impessoalidade

A atuação da Administração Pública deve ser impessoal sem favorecer este ou aquele
indivíduo de forma especial.
As realizações governamentais não são do agente público ou da autoridade, mas da en-
tidade pública em nome de quem as produz. A própria CF dá uma consequência expressa a
essa regra, quando, no art. 37, § 1º, proíbe que constem nomes, símbolos ou imagens que ca-
racterizem promoção pessoal de autoridades ou servidores públicos em publicidade de atos,
programas, obras, serviços e campanhas dos órgãos públicos.

CUIDADO!
O STF entendeu que há violação aos princípios da impessoalidade e da moralidade administra-
tiva em razão do uso de símbolo e de slogan político-pessoais nas publicidades oficiais.

Esse princípio está implícito na Lei n. 9.784/1999, art. 2º, parágrafo único, III, pois se exige
“objetividade no atendimento do interesse público, vedada a promoção pessoal de agentes e
autoridades.”

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Moralidade

Significa que a conduta administrativa deve observar os preceitos éticos da instituição em


que o agente público atua. Tal princípio está ligado ao conceito de bom administrador, procura
do bem comum, da boa-fé e da honestidade.
O administrador, ao atuar, não terá que decidir somente entre o legal e o ilegal; o justo e o
injusto, mas, também, entre o honesto e o desonesto.
A moralidade administrativa constitui, hoje, pressuposto de validade de todo ato admi-
nistrativo.
Qualquer cidadão pode propor ação popular para anular ato que viola o dever de moralida-
de. (art. 5º, LXXIII, CF).

CUIDADO!
O Ministério Público não pode propor ação popular; no entanto, pode prosseguir com a ação
popular, caso o autor seja negligente.

O legislador constituinte ainda colocou a ação de improbidade administrativa visando à


responsabilização daqueles que violem a probidade administrativa, estabelecendo, no art. 37,
§ 4º, as seguintes consequências para os atos de improbidade administrativa, sem prejuízo da
ação penal cabível:
• suspensão dos direitos políticos;
• perda da função pública;
• indisponibilidade dos bens;
• ressarcimento ao Erário, na forma e gradação previstas em lei, sem prejuízo da ação
penal cabível.

CUIDADO!
A ação de improbidade administrativa não tem natureza penal, e sim, civil.

A Súmula Vinculante n. 13 do STF decorre dos princípios da moralidade e da impessoalidade:

A nomeação de cônjuge, companheiro ou parente em linha reta, colateral ou por afini-


dade, até o terceiro grau, inclusive, da autoridade nomeante ou de servidor da mesma
pessoa jurídica, investido em cargo de direção, chefia ou assessoramento, para o exercí-
cio de cargo em comissão ou de confiança, ou, ainda, de função gratificada na Adminis-
tração Pública direta e indireta, em qualquer dos poderes da União, dos Estados, do Dis-
trito Federal e dos Municípios, compreendido o ajuste mediante designações recíprocas,
viola a Constituição Federal.

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O STF entendeu que estão excluídos da vedação da súmula vinculante os agentes/cargos po-
líticos. Ex.: Governador pode nomear um irmão para cargo de Secretário de Estado.
Mas, cuidado: o STF entende que conselheiro de Tribunal de Contas é cargo técnico. Assim,
Governador não pode nomear irmão para essa função.

Publicidade

Divulgação oficial do ato para conhecimento do público e para o início da produção de seus
efeitos (eficácia), bem como o acesso às condutas administrativas.
Não é elemento formativo do ato; é requisito de eficácia e moralidade.
A regra é a publicidade, somente se admitindo exceções em casos de segurança da so-
ciedade e do Estado (art. 5º, XXXIII, da CF) ou em casos que possam violar a intimidade ou a
privacidade. A Lei n. 12.527/2011 dispõe sobre os procedimentos a serem observados pela
União, pelos Estados, pelo Distrito Federal e pelos Municípios, com o fim de garantir o acesso
a informações previsto no inciso XXXIII do art. 5º da CF.
O princípio garante a obtenção de informações, certidões, atestados da Administração, por
qualquer interessado, desde que observe a forma legal, bem como o uso do habeas data.

CUIDADO!
Publicação não é sinônimo de publicidade. A publicação é a divulgação do ato nos meios ofi-
ciais (ex.: Diário Oficial da União), tratando-se de uma forma de publicidade.

Eficiência

Exige que a atividade administrativa seja exercida com presteza, perfeição, rendimento
e economicidade para a Administração. Foi acrescentado com a Emenda Constitucional n.
19/1998 (reforma administrativa). Com a Emenda Constitucional n. 45, passou a ser um direito
com sede constitucional, pois foi inserido no art. 5º, inciso LXXVII, que “assegura a todos, no
âmbito judicial e administrativo a razoável duração do processo e os meios que garantam a
celeridade de sua tramitação.”.
Não se espressa de modo claro
Princípios Implícitos na Constituição
A CF ainda possui vários princípios implícitos. Verificaremos os mais importantes.

 Obs.: Não há hierarquia entre os princípios constitucionais, nem mesmo entre os expressos
e implícitos na CF.

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Razoabilidade/Proporcionalidade

Visa aferir a compatibilidade entre os meios e os fins, de modo a evitar restrições desne-
cessárias ou abusivas com lesão aos direitos fundamentais.
A lei não admite ato praticado com falta de razoabilidade. Desse modo, a inobservância da
razoabilidade atinge a legalidade do ato praticado.
Para o ato ser proporcional ele deve ser:
• adequado: o meio empregado deve ser o correto em vista do fim desejado;
• necessário/exigível: a medida só deve ser utilizada se não houver outros meios menos
gravosos;
• proporcionalidade em sentido estrito: compatibilidade de restrição de um direito e a
prevalência de outro.

EXEMPLO
Não é adequado convocação de candidatos para próxima etapa de concurso com divulgação
apenas em Diário Oficial.
É adequado editar decreto disciplinando uso de fogos de artifício a fim de evitar danos à sociedade.
Não é necessário/exigível determinar a interdição de estabelecimento, ao invés de aplicar
multa, quando encontra apenas uma mercadoria vendida com prazo de validade vencido.
(menos gravoso).
Há proporcionalidade em sentido estrito quando são fixados índices mínimos de consumo de
bebida alcoólica antes de dirigir (a restrição de um direito é proporcional à prevalência do outro).

O princípio em estudo ganha relevância na análise de atos discricionários pelo Poder Ju-
diciário. Nesses atos, como os requisitos de competência, de finalidade e de forma são de-
terminados pela lei, o Judiciário pode exercer amplo controle, confrontando-os com as de-
terminações legais. Entretanto, os requisitos de motivo e objeto são deixados a critério do
administrador, a fim de que ele realize juízo de conveniência e oportunidade para a escolha da
solução mais adequada.
Desse modo, em atos discricionários, o controle jurisdicional sobre o mérito, juízo de con-
veniência e oportunidade têm de ser feitos com reservas. O Judiciário não pode substituir
a análise feita pelo agente público se ele atuou dentro de seus limites. Por exemplo, se um
município precisa de hospital e de escolas e o prefeito decide investir na saúde construindo
hospitais ao invés de escolas, fazendo isso de forma adequada, não poderá o Poder Judiciário
substituir essa decisão.
Entretanto, a atividade do Judiciário em relação a atos administrativos pode alcançar a
análise de mérito, fazendo a correção da ilegalidade se, no exercício de conveniência e de
oportunidade, houver falta de razoabilidade/proporcionalidade, pois, na verdade, esse ato será
um ato ilegal.

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 Obs.: Quando o Poder Judiciário anula um ato administrativo, ele não deve indicar a solução
mais adequada.

Segurança Jurídica

Princípio que visa dar maior estabilidade às relações jurídicas, mesmo àquelas que, inicial-
mente, apresentavam vício de ilegalidade.
Decorre desse princípio a fixação do prazo de cinco anos, salvo comprovada má-fé, para a
Administração anular seus atos, conforme o art. 54 da Lei n. 9.784/1999.

“Nos processos perante o Tribunal de Contas da União


asseguram-se o contraditório e a ampla defesa quando
Súmula da decisão puder resultar anulação ou revogação de ato
Vinculante n. 3 administrativo que beneficie o interessado, excetuada a
do STF apreciação da legalidade do ato de concessão inicial de
aposentadoria, reforma e pensão.”
O TCU deve assegurar contraditório e ampla defesa diante de
Regra 1 seus atos.
Dispensa contraditório e ampla defesa prévios no registro inicial
Observação 1 de aposentadoria, reforma e pensão. Para o STF, registro de
aposentadoria é ato complexo.

Mas atenção!!!
O STF entende que o registro de aposentadoria é ato complexo. Sendo assim, só está
realmente formado o ato com a conjugação da vontade dos dois órgãos (órgão do servidor e
TCU). Enquanto o servidor tem a concessão de aposentadoria apenas perante seu órgão de
origem, esse ato ainda não está formado, pois apenas com o registro perante o TCU é que es-
tará finalizado.
O entendimento inicial do STF era na direção de que o TCU não estaria submetido ao pra-
zo de 5 anos para fazer o registro da aposentadoria. Contudo, era exigida a observância dos
princípios do contraditório e ampla defesa quando o TCU não analisava o registro inicial no
prazo de 5 anos.1
Assim, durante certo tempo a orientação sedimentada pelo STF foi no sentido de se conce-
der direito ao contraditório e à ampla defesa, quando a anulação do ato de aposentadoria ocor-
resse depois de tempo razoável de sua concessão: em média, 5 anos. Sob esse fundamento, o
Supremo aplicou orientação firmada no MS 25.116/DF (v. Informativo 599) para anular acórdão

1
O termo a quo do prazo de 5 anos para que o Tribunal de Contas da União – TCU examine a legalidade dos atos concessivos
de aposentadorias, reformas e pensões conta-se a partir da data de chegada do processo administrativo na própria Corte
de Contas. MS 24781/DF, rel. orig. Min. Ellen Gracie, red. p/ o acórdão Min. Gilmar Mendes, 2.3.2011 (MS-24781) – Informa-
tivo n. 618, STF.

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do TCU, a fim de ser assegurada a oportunidade do uso das garantias constitucionais do contra-
ditório e da ampla defesa. Tratava-se, na espécie, de mandado de segurança impetrado contra
atos do TCU e do Coordenador-Geral de Recursos Humanos do Ministério dos Transportes, que
implicaram no cancelamento da pensão especial percebida pela impetrante. Tendo em conta
que ela vinha recebendo a pensão havia quase 10 anos, de forma ininterrupta, entendeu-se que
seu benefício não poderia ter sido cessado sem que lhe fosse oportunizada manifestação. Ven-
cidos os Ministros Celso de Mello e Cezar Peluso, Presidente, que concediam a ordem totalmen-
te, pronunciando a decadência, e os Ministros Ellen Gracie e Marco Aurélio, que a denegavam.
MS 25403/DF, rel. Min. Ayres Britto, 15.9.2010 (MS-25403-Informativo 600).
Em 2020, o STF aprecia novamente a questão em sede de Repercussão Geral, fixando a
seguinte tese:

Em atenção aos princípios da segurança jurídica e da confiança legítima, os Tribunais de


Contas estão sujeitos ao prazo de 5 (cinco) anos para o julgamento da legalidade do ato
de concessão inicial de aposentadoria, reforma ou pensão, a contar da chegada do pro-
cesso à respectiva Corte de Contas. (RE n. 636.553).

Com o novo posicionamento do STF, se o Tribunal de Contas negar o registro dentro de 5


anos, a contar da chegada do processo, não será necessário contraditório e ampla defesa ao
interessado. Temos aqui a aplicação da Súmula Vinculante n. 3 que, a princípio, não sofreu
alteração.
Porém, o ponto principal objeto de mudança foi referente ao prazo para o Tribunal de Con-
tas se manifestar expressamente pela negativa. Decorrido o prazo de 5 (cinco) anos para o jul-
gamento da legalidade do ato de concessão inicial de aposentadoria, reforma ou pensão, pelo
Tribunal de Contas, a contar da chegada do processo, haverá uma espécie de homologação
tácita se a Corte de Contas não analisar o processo.
Assim, até o prazo de 5 anos, dispensa contraditório e ampla defesa se o Tribunal nega o
registro. Depois de 5 anos, o Tribunal não pode negar o registro. Logo, não haverá mais exce-
ção à súmula vinculante n. 3 do STF acerca do direito de contraditório e ampla defesa.
O relator, Ministro Gilmar Mendes, propôs, por analogia, a aplicação do prazo prescricional
de cinco anos previsto no Decreto 20.910/1932 para que o administrado acione a Fazenda
Pública. “Se o administrado tem o prazo de cinco anos para buscar qualquer direito contra a
Fazenda Pública, também podemos considerar que o Poder Público, no exercício do controle
externo, teria o mesmo prazo para rever eventual ato administrativo favorável ao administrado”,
explicou. O Ministro afastou a aplicação do art. 54, da Lei n. 9.784/99.
Quanto ser um ato complexo o registro de aposentadoria, aparentemente, não houve mu-
dança de entendimento.

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Outro assunto também julgado em sede de Repercussão Geral pelo STF se refere à pres-
crição para execução de condenação fixada por Tribunal de Contas. O STF entendeu que é
prescritível a pretensão de ressarcimento ao erário fundada em decisão de Tribunal de Contas.
Na decisão o STF afastou a aplicação do tema n. 897 (imprescritibilidade referente a atos
dolosos de improbidade). Isso porque, não estão presentes em relação as decisões do Tribunal
de Contas que resultem imputação de débito ou multa os requisitos do tema n. 897, e, que, nos
termos do §3º, do artigo 71 da CF, as multas tem eficácia de título executivo; sendo, portanto,
prescritível a pretensão de ressarcimento ao erário fundada nessas decisões; uma vez que,
(a) TCU não analisa a existência ou não de ato doloso de improbidade administrativa; (b) não
há decisão judicial caracterizando a existência de ato ilícito doloso, inexistindo contraditório e
ampla defesa plenos, pois não é possível ao imputado defender-se no sentido da ausência de
elemento subjetivo.

Motivação

É a indicação dos fatos e fundamentos jurídicos que autorizam a prática do ato. Ex.: ser-
vidor que foi demitido por praticar crime contra a Administração. No ato administrativo de-
missão deve haver a descrição de toda a situação fática ocorrida e de todos os fundamentos
jurídicos que levaram à demissão.
Em termos simples, significa justificar o ato praticado, apresentando as razões (fáticas e
jurídicas) que levaram à sua prática.
Segundo Maria Sylvia (2010), a motivação, em regra, não exige formas específicas, po-
dendo ser ou não concomitante com o ato, além de ser feita, muitas vezes, por órgão diverso
daquele que proferiu a decisão.
• Teoria dos motivos determinantes: quando a Administração indica os motivos que leva-
ram a praticar o ato, este só será válido se os motivos forem verdadeiros. Ex.: na exone-
ração de cargo em comissão, se o ato for motivado, a exoneração somente será válida
se forem apresentados os verdadeiros motivos que levaram à exoneração.
• Motivação aliunde: consiste em declaração de concordância com fundamentos de ante-
riores pareceres, informações, decisões ou propostas que serão parte integrante do ato
(art. 50, § 1º, Lei n. 9.784/1999).

Atualmente, a doutrina entende que a regra é a motivação dos atos administrativos. Contu-
do, o art. 50 da Lei do Processo Administrativo Federal, explicita os atos que obrigatoriamente
exigem motivação:

Art. 50. Os atos administrativos deverão ser motivados, com indicação dos fatos e dos fundamen-
tos jurídicos, quando:
I – neguem, limitem ou afetem direitos ou interesses;
II – imponham ou agravem deveres, encargos ou sanções;

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III – decidam processos administrativos de concurso ou seleção pública;
IV – dispensem ou declarem a inexigibilidade de processo licitatório;
V – decidam recursos administrativos;
VI – decorram de reexame de ofício;
VII – deixem de aplicar jurisprudência firmada sobre a questão ou discrepem de pareceres, laudos,
propostas e relatórios oficiais;
VIII – importem anulação, revogação, suspensão ou convalidação de ato administrativo.
§ 1º A motivação deve ser explícita, clara e congruente, podendo consistir em declaração de concor-
dância com fundamentos de anteriores pareceres, informações, decisões ou propostas, que, neste
caso, serão parte integrante do ato. (Motivação aliunde)
§ 2º Na solução de vários assuntos da mesma natureza, pode ser utilizado meio mecânico que repro-
duza os fundamentos das decisões, desde que não prejudique direito ou garantia dos interessados.
§ 3º A motivação das decisões de órgãos colegiados e comissões ou de decisões orais constará da
respectiva ata ou de termo escrito.

Supremacia do Interesse Público sobre o Interesse Particular

Se houver possível conflito entre o interesse coletivo e o do particular, o administrador deve


escolher o interesse público.
Esse princípio constitui a base do regime jurídico-administrativo.
O interesse público a ser perseguido pelo administrador é o interesse público primário (in-
teresse da coletividade), e não o secundário (interesse apenas do Estado).

CUIDADO!
O interesse público secundário só é válido quando coincide com o interesse público primário.

Indisponibilidade do Interesse Público

Os gestores da coisa pública passam a ser autoridades, com poderes e deveres especí-
ficos do cargo ou função, com responsabilidades próprias. Porém, não são donos da coisa
pública e, por isso, não podem abrir mão de buscar sempre o interesse coletivo.
Cada agente administrativo é investido da necessária parcela de Poder Público para o de-
sempenho de suas atribuições. O poder administrativo é atribuído à autoridade para remover
os interesses particulares que se opõem ao interesse público. Nessas condições, o poder de
agir converte-se em dever de agir.
Por não poder dispor dos interesses públicos cuja guarda lhes é atribuída por lei, os po-
deres atribuídos à Administração têm caráter de poder-dever; são poderes que ela não pode
deixar de exercer, sob pena de responder por sua omissão.

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Autotutela/Sindicabilidade

Controle dos próprios atos, revogando os atos legais, inconvenientes e inoportunos, e anu-
lando os ilegais.

Revogação Anulação
Controle de mérito Controle de legalidade
Somente pela Administração Administração e Judiciário
Efeitos ex nunc (não
Efeitos ex tunc (retroativos)
retroativos)
Prazo de cinco anos, salvo
Não há prazo comprovada má-fé (art. 54, Lei n.
9.784/1999).

Sindicabilidade significa que a Administração Pública está sujeita a controle, seja judicial
ou pela própria Administração (autotutela).

Tutela ou Controle Administrativo

Visa assegurar que a entidade descentralizada, no exercício da sua autonomia, atue em


conformidade com os fins que resultaram na sua criação.
Quando a Administração direta cria uma das entidades da Administração indireta (autar-
quias, fundações, empresas públicas e sociedades de economia mista), ela permanecerá vin-
culada ao ente central, sujeitando-se ao controle de tutela administrativa, a fim de evitar que
atue fora de suas finalidades legais.

 Obs.: O controle de tutela administrativa é chamado de supervisão ministerial, em nível fede-


ral, conforme prevê o Decreto-Lei n. 200/1967. Em provas, também é chamado de con-
trole finalístico.

Hierarquia

Estabelece que os órgãos da Administração devam estar estruturados de forma que exista
relação de coordenação e subordinação entre eles.

 Obs.: No art. 2º da Lei n. 9.784/1999 são relacionados os seguintes princípios: legalida-


de, finalidade, motivação, razoabilidade, proporcionalidade, moralidade, ampla defesa,
contraditório, segurança jurídica, interesse público e eficiência.

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Organização Administrativa
Centralização
A Administração direta/centralizada corresponde à atuação direta pelo próprio Estado por
meio de seus órgãos. Significa que as entidades políticas (União, Estados, DF e Municípios)
prestam a atividade administrativa por seus próprios órgãos, ou seja, na relação entre o Poder
Público e a atividade prestada não existe nenhuma pessoa.
Os órgãos são centros de competência despersonalizados, instituídos para o desempenho
de funções estatais, por meio de seus agentes, cuja atuação é imputada à pessoa a que per-
tencem. Cada órgão tem necessariamente funções, cargos e agentes, mas é distinto desses
elementos que podem ser modificados, substituídos ou retirados sem supressão da unida-
de orgânica.
O Decreto-Lei n. 200/1967 dispõe sobre a organização da Administração Fe­deral e apre-
senta os seguintes conceitos:

Art. 4º A Administração Federal compreende:


I – A Administração direta, que se constitui dos serviços integrados na estrutura administrativa da
Presidência da República e dos Ministérios.
II – A Administração indireta, que compreende as seguintes categorias de entidades, dotadas de
personalidade jurídica própria:
a) autarquias;
b) empresas públicas;
c) sociedades de economia mista.
d) fundações públicas.
Parágrafo único. As entidades compreendidas na Administração indireta vinculam-se ao Ministério
em cuja área de competência estiver enquadrada sua principal atividade.

 Obs.: Devemos considerar os órgãos do Poder Judiciário e do Poder Legislativo como Admi-
nistração direta quando estão no exercício de atividade administrativa.

Existem também órgãos na estrutura da Administração indireta.

Desconcentração
É a distribuição interna de competências dentro da mesma pessoa jurídica, resultando na
criação de ÓRGÃOS. Isso é feito para descongestionar, tirar do centro um volume grande de
atribuições. Na desconcentração há controle hierárquico. Assim, os órgãos superiores podem
revisar, controlar e corrigir os atos de órgãos subordinados.

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Os órgãos integram a estrutura do Estado e das demais pessoas jurídicas não têm perso-
nalidade jurídica nem vontade própria, mas, na área de suas atribuições e nos limites de sua
competência funcional, expressam a vontade da entidade a que pertencem. Os órgãos são
meros instrumentos de ação das pessoas jurídicas.

Excepcionalmente, órgãos
independentes e autônomos podem ter
capacidade processual para a defesa
de suas prerrogativas institucionais
Não possuem: (capacidade processual = personalidade
personalidade jurídica (não é judiciária).
sujeito de direitos) Súmula n. 525 STJ: “A Câmara
Características
patrimônio próprio de vereadores não possui
capacidade processual personalidade jurídica, apenas
personalidade judiciária, somente
podendo demandar em juízo
para defender os seus direitos
institucionais.”

Hoje, prevalece a teoria do órgão = pessoas jurídicas expressam sua


Teorias do vontade por meio de seus órgãos, que são titularizados por agentes
órgão públicos (não se aplica teoria do mandato e da representação).

Organização e funcionamento podem


Criação e ser por meio de decreto, desde que
extinção de Por meio de lei não provoque aumento de despesa
órgãos ou criação e extinção de outros
órgãos (art. 84, VI, CF).

Capacidade Processual de Órgãos

O órgão não possui, como regra, capacidade processual, ou seja, não pode figurar em qual-
quer dos polos de uma relação processual (ativo e passivo). Essa é a regra. Entretanto, há ór-
gãos que podem ter capacidade para certos litígios, como o caso de impetração de mandado
de segurança por órgãos de natureza constitucional, quando se trata de defesa de sua com-
petência. Cite-se como exemplo a Assembleia Legislativa Estadual. Contudo, essa exceção so-
mente se aplica aos órgãos independentes e autônomos para a defesa de suas prerrogativas
institucionais.

 Obs.: Excepcionalmente, órgãos independentes e autônomos podem ter capacidade proces-


sual para defesa de suas prerrogativas institucionais; ou seja, eventualmente, alguns
órgãos podem estar em juízo.

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Classificação dos Órgãos

Independentes Autônomos Superiores Subalternos


Subordinam-
Subordinam-se
se ao chefe Possuem
hierarquicamente
Existência e origem dos órgãos atribuições de
aos demais
fundamentada na independentes; direção, decisão
órgãos.
própria Constituição Ex.: Ministérios. e controle.
Ex.: Setores,
Ex.: Presidência da Planejamento, Ex.:
divisões internas
República. supervisão, Departamento da
dos demais
coordenação e Polícia Federal.
órgãos.
controle.
Localizados na Subordinam-se
Auxiliam Exercem apenas
cúpula de cada um hierarquicamente
diretamente atividade
dos três Poderes. aos órgãos
os órgãos operacional/
Órgãos primários do independentes e
Quanto à independentes; executória;
Estado. autônomos;
posição
Possuem poder
estatal
de direção,
controle, decisão
e comando de
Possuem assuntos de sua Reduzido poder
autonomia competência; decisório;
São dirigidos por administrativa e Sujeitos à realização de
seus membros financeira; subordinação serviços de rotina.
que são agentes São dirigidos por e ao controle Dirigidos e
políticos. seus membros hierárquico de ocupados
que são agentes uma chefia mais por agentes
políticos. alta; administrativos.
Dirigidos e
ocupados
por agentes
administrativos.
Simples Compostos
Dividido em outros órgãos menores que
Quanto à Um só centro de competência; realizam funções principais do órgão
estrutura não há outros órgãos internos. superior e, também, funções auxiliares.
Ex.: Secretaria de Educação.
Singulares ou unipessoais Colegiados ou pluripessoais
Decisão conjunta e majoritária dos
Quanto à membros.
atuação Decisão por meio de um único agente. Ex.: junta administrativa composta
funcional de 3 membros que julgam recursos
administrativos.

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Formas de Descentralização Administrativa


O processo de criação das entidades da Administração indireta decorrerá da descentrali-
zação por outorga, que também pode ser chamada de descentralização técnica, funcional, por
serviços ou delegação legal.
Há, também, a descentralização por colaboração ou delegação, resultando na transferência
da execução de determinada atividade administrativa para particulares, mediante contrato de
concessão ou permissão de serviços públicos ou ato de autorização. Nessa forma somente a
execução do serviço é transferida para particular, a titularidade permanece sob domínio estatal.

Denominação Forma Resultado


Criação das
entidades da
Administração
Outorga/técnica/ LEI (art. 37, XIX,
indireta
serviços/funcional CF)
(autarquias,
fundações públicas,
EPs e SEM).
ato
administrativo:
autorização de Particulares como
serviço público; concessionários,
Colaboração/
contrato permissionários ou
Delegação
administrativo: autorizatários de
concessão e serviço público.
permissão de
serviços públicos.

Descentralização por outorga transfere titularidade e execução.


Descentralização por colaboração transfere apenas a execução do serviço.
Descentralização por outorga há controle finalístico (tutela administrativa, supervisão ministe-
rial) das entidades descentralizadas (não há hierarquia entre Administração direta e indireta).

Uma das características da Administração indireta é a especialidade de cada entidade.


Existe Administração indireta federal, estadual, municipal e no DF.
Na descentralização por outorga há controle finalístico, a fim de evitar que a entidade des-
centralizada atue fora dos limites para qual foi criada.
As entidades da Administração indireta NÃO ESTÃO SUBORDINADAS ao ente central, es-
tão apenas vinculadas.

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Criação das Entidades da Administração Indireta


O art. 37, XIX, da CF estabelece a forma de criação das entidades da Administração indireta:

XIX – somente por lei específica poderá ser criada autarquia e autorizada a instituição de empresa
pública, de sociedade de economia mista e de fundação, cabendo à lei complementar, neste último
caso, definir as áreas de sua atuação;

Por lei específica deve-se entender a lei elaborada somente com um único objetivo, conten-
do apenas um único assunto. Conforme o art. 37, XIX, da CF, é atribuída a lei complementar a
definição das áreas de atuação das fundações.
Quanto às autarquias, a lei cria a entidade. A partir da lei, a autarquia já tem sua existência
jurídica, dispensando qualquer tipo de registro. No caso das demais entidades, a lei apenas
autoriza a criação; com o registro no órgão competente, estarão constituídas.
Dependem ainda de autorização legislativa, em cada caso, a criação de subsidiárias e a
participação de quaisquer das entidades da Administração indireta em empresa privada (art.
37, XX, CF).

 Obs.: Vale salientar que o STF, apreciando a Ação Direta de Inconstitucionalidade n. 1.649,
entendeu que basta a lei autorizativa da empresa pública ou sociedade de economia
mista conter uma autorização geral para criação de subsidiárias que se dispensa a
autorização legislativa em cada caso.

Entidades da Administração Indireta


Autarquias

Conforme o Decreto-Lei n. 200/1967, que dispõe sobre a organização da Administração Fe-


deral, a autarquia é o serviço autônomo, criado por lei, com personalidade jurídica, patrimônio
e receita próprios, para executar atividades típicas da Administração Pública, que requeiram,
para seu melhor funcionamento, gestão administrativa e financeira descentralizada.

Características

1. Pratica atividade típica de Estado: são as atividades de fiscalização, regulação, serviços


públicos, poder de polícia, dentre outras.
Desse modo, como as autarquias devem exercer atividades tipicamente estatais, não po-
derão exercer atividades econômicas. Essas atividades serão adequadas a outras pessoas
administrativas, como as sociedades de economia mista (SEM) e empresa pública (EP).

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Após o julgamento da ADI n. 1.717/DF, está superada a divergência sobre a natureza au-
tárquica dos conselhos de fiscalização profissional. O art. 58 da Lei n. 9.649/1998 conferiu a
esses conselhos caráter privado, dispondo que esse serviço seja executado por delegação do
Poder Público, mediante delegação legislativa. O STF, ao julgar a referida ADI, fixou o entendi-
mento de que a fiscalização de profissões é atividade típica do Estado que não se enquadra ao
regime jurídico de direito privado. Portanto, devem ter a natureza de entidade autárquica. O STJ
também possui julgados na mesma direção2, inclusive, reafirmou sua jurisprudência, no mes-
mo sentido firmado pelo STF, considerando que o regime jurídico nos conselhos profissionais
deve ser obrigatoriamente estatutário3.

O STF afirma que a OAB “não é entidade da Administração indireta”, não é uma autarquia (ADI
n. 3.026). Apesar de o STJ já ter decido que a OAB é autarquia sui generis (“único em seu gêne-
ro”), em vários outros precedentes desse Tribunal também já ficou expresso que a OAB não é
autarquia (Informativo STF 456).

2. Criação e extinção por lei: é com o início de vigência da lei criadora que tem início a per-
sonalidade jurídica das autarquias. Não necessita de registro.
3. Personalidade de direito público: são transferidas às autarquias todas as prerrogativas
e restrições desse regime.
4. Capacidade/autonomia administrativa e financeira: não possuem autonomia política,
ou seja, capacidade de auto-organização e capacidade de legislar, pois essa autonomia só é
conferida aos entes federativos. (=não possui capacidade política.)
5. Especialização dos fins ou atividades: ao criar-se uma autarquia transfere-se a ela parte
das atribuições do ente federativo para que exerça essa atividade com zelo pelo ente descen-
tralizado (princípio da especialização).
6. Sujeição a controle ou tutela: com a criação de entidades especializadas em determina-
da atividade, elas exercerão suas atribuições com autonomia no que se refere às matérias que
lhe são destinadas. Entre as entidades descentralizadas e o ente federativo não há relação de
subordinação e, sim, de vinculação. Ou seja, a entidade só está vinculada ao ente central, mas
sem relação hierárquica. O controle que existe é o controle de tutela ou controle administrativo,
que afere se a entidade está atuando dentro dos limites que resultaram na sua criação e evita
que pratique atos fora das matérias que lhe foram destinadas.

As entidades da Administração Indireta não estão subordinadas à Administração Direta, ape-


nas vinculadas.

2
REsp n. 820.696/RJ, Rel. Ministro Arnaldo Esteves Lima, Quinta Turma, julgado em 2/9/2008, DJe 17/11/2008;
REsp n. 879.840/SP, Rel. Ministro Francisco Falcão, Primeira Turma, julg. 3/6/2008, DJe 26/6/2008.
3
REsp n. 507.536/DF, Relator Ministro Jorge Mussi, Quinta Turma, DJe 6/12/2010.

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7. Regime jurídico dos servidores: quanto aos dirigentes, são livremente nomeados e exo-
nerados pelo Chefe do Executivo ou por auxiliar direto, exercendo cargos em comissão.
O STF admitiu que a investidura de Presidente de Autarquia esteja sujeita à autorização
legislativa.4 Desde que esse requisito esteja na LEI que autorizou a criação da autarquia. Por
outro lado, o Supremo Tribunal Federal, entendeu que é inconstitucional a exigência de aprova-
ção legislativa prévia para a exoneração de ocupantes.
Quanto aos seus servidores, devem ser estatutários, com garantia de estabilidade, pois
exercem atividades de fiscalização, regulação, controle, ou seja, atividades típicas de Estado.
(ADI n. 1.717/STF)
8. Seus bens são considerados bens públicos: conforme o Código Civil de 2002, em
seu art. 98:
“São públicos os bens do domínio nacional pertencentes às pessoas jurídicas de direito
público interno; todos os outros são particulares, seja qual for a pessoa a que pertencem.”
9. Responsabilidade objetiva do Estado na forma do art. 37, § 6º, da CF: na reparação de
eventuais danos causados a terceiros não é necessário discutir dolo ou culpa, bastando pro-
var: conduta, dano e nexo causal.

Prerrogativas Autárquicas
• Imunidade tributária: o art. 150, § 2º, da CF veda a instituição de impostos sobre o pa-
trimônio, renda e os serviços das autarquias, desde que vinculados as suas finalidades
essenciais ou que delas decorram. (O STJ entendeu que a imunidade abrange inclusive
imóveis alugados a terceiros, REsp n. 285.799, Informativo STJ 128).
• Impenhorabilidade de seus bens e suas rendas: os pagamentos devem ser feitos por
precatórios judiciais.
• Imprescritibilidade de seus bens: não estão sujeitos a usucapião.
• Prescrição quinquenal: dívidas e direitos em favor de terceiros contra autarquias pres-
crevem em cinco anos.

Fundações

Conforme o Decreto-Lei n. 200/1967, que dispõe sobre a organização da Administração


Federal é a entidade dotada de personalidade jurídica de direito privado, sem fins lucrativos,
criada em virtude de autorização legislativa, para o desenvolvimento de atividades que não
exijam execução por órgãos ou entidades de direito público, com autonomia administrativa,
patrimônio próprio gerido pelos respectivos órgãos de direção, e funcionamento custeado por
recursos da União e de outras fontes.

4
ADI 2225 MC, Relator(a): Min. SEPÚLVEDA PERTENCE, Tribunal Pleno, julgado em 29/06/2000.

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Natureza das Fundações

A tese atualmente dominante defende a existência de dois tipos de fundações públicas/


governamentais: as fundações de direito público e as de direito privado, aquelas sustentando
personalidade jurídica de direito público, e estas de direito privado.
Por esse entendimento, as fundações de direito público são caracterizadas como verda-
deiras autarquias, razão por que são denominadas de fundações autárquicas ou autarquias
fundacionais.

Características

1. Pratica atividades de caráter social: ex.: saúde, educação (UnB), cultura, pesquisa etc.
2. Criação
• Se for fundação de pública de direito privado, a lei apenas autoriza a criação; a perso-
nalidade jurídica é adquirida com a inscrição da escritura pública de sua constituição no
Registro Civil de Pessoas Jurídicas.
• Se a fundação pública for de natureza autárquica, a regra a ser aplicada é a mesma que
incide sobre as autarquias; a lei cria a nova entidade.

3. Possuem autonomia administrativa e financeira: ou seja, administram a si próprias, sem


subordinação hierárquica. (=não possui capacidade política.)
4. Deve ser criada sem fins lucrativos, embora possa obter lucro em virtude da gestão ado-
tada; se assim for, tais lucros reverterão ao atendimento dos fins da entidade.
5. Incidem as normas de contratação e licitação da Lei n. 8.666/1993: todas as fundações
públicas devem sujeitar-se ao regime licitatório.
6. Imunidade tributária (art. 150, § 2º, da CF): a imunidade tributária é extensiva às funda-
ções instituídas e mantidas pelo Poder Público.
7. Regime de pessoal: no regime de pessoal das fundações de direito público aplica-se
o mesmo regime dos servidores das autarquias, servidores estatutários com garantia da es-
tabilidade.
Já no caso das fundações de direito privado, devem sujeitar-se ao regime da CLT, mas com
pertinência das normas constitucionais do art. 37 da CF que veda a acumulação de cargos e a
necessidade de concurso público.
8. Foro dos litígios: se fundação de direito privado, o foro é a Justiça estadual. Se de natu-
reza pública e se for fundação criada em nível federal, o foro será a Justiça Federal, nos termos
do art. 109 da CF.

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Sociedade de Economia Mista e Empresa Pública

São pessoas de DIREITO PRIVADO. Mas seu regime é híbrido/misto, já que se sujeitam a
normas de Direito Público, como a regra do concurso público, prestação de contas ao Tribu-
nal de Contas, necessidade de licitação. Há sujeição ao regime jurídico próprio das empresas
privadas quanto aos direitos e obrigações civis, comerciais, trabalhistas e tributárias. Veda-se
ao Estado-empresário a obtenção de vantagens de que também não possam usufruir as em-
presas da iniciativa privada.
O art. 173 da CF propicia a criação das estatais para o desempenho de atividade econômi-
ca apenas quando houver imperativo de segurança nacional ou relevante interesse coletivo.
As empresas estatais estão sujeitas ao regime jurídico próprio das empresas privadas, inclusi-
ve quanto aos direitos e obrigações civis, comerciais, trabalhistas e tributários.

 Obs.: Segundo o STF, as empresas estatais prestadoras de serviços públicos possuem imu-
nidade tributária (art. 150, VI, da CF) e pagam débitos mediante precatórios (art. 100
da CF), assim, os bens são impenhoráveis (RE n. 407.099).
 O STF entendeu que a imunidade tributária dos Correios (ECT) alcança todas as suas
atividades, prestação do serviço postal em caráter exclusivo e atividades econômicas.
(RE n. 601.392, Pleno do STF, decidido por maioria de votos).
 Assim, entende-se que as prestadoras de serviços públicos têm imunidade tributária e
impenhorabilidade de bens e rendas.

EXEMPLOS
Empresa Pública (EP): Serpro; Correios – ECT; BNDES, Caixa Econômica Federal, Novacap-DF,
Caesb-DF, Metrô-DF, Casa da Moeda.
Sociedades de Economia Mista (SEM): Banco do Brasil, Petrobras.

Essas duas sociedades possuem traços comuns e traços distintivos. Veremos, primeiro, os
traços comuns entre a empresa pública e a economia mista.

Traços Comuns
• Lei autoriza a criação (art. 37, XIX, da CF): somente com o registro no órgão competente
adquire personalidade jurídica.

O STF tem decidido que, mesmo quando o Poder Público passa por qualquer fato jurídico,
a deter a maioria do capital da empresa, esta não poderá ser considerada sociedade de econo-
mia mista, porque lhe faltará o elemento indispensável a essa configuração: autorização legal.
• Sujeição ao controle do Tribunal de Contas: essa possibilidade foi confirmada pelo STF
ao julgar o MS n. 25.092 e o MS n. 25.181.

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• Atividades desenvolvidas: podem desempenhar atividade de natureza econômica ou


prestação de serviços públicos. Mas para o desempenho de atividade econômica deve
ter motivo de segurança nacional ou relevante interesse coletivo.
• Realização de licitação para contratar: Seguem lei própria de licitações. Lei n. 13303/2016.
• Regime de trabalho: os empregados são regidos pela Consolidação das Leis Trabalhistas
(CLT), ingressando na entidade mediante a realização de concurso público. Porém, não
se aplica o instituto da estabilidade, previsto no art. 41 da CF, mas o STF exige a motiva-
ção no ato de demissão do empregado (RE n. 589.998; julgamento em 19/3/2013). No
caso dos cargos de direção e membros de conselhos (fiscal e administrativo), esses são
regidos por regime diferenciado, regime especial, que não tem definição em lei própria.

As empresas estatais só se submetem ao teto remuneratório do art. 37, XVI, da CF, se recebem
recursos para pagamento de pessoal ou custeio em geral.

• Responsabilidade por danos causados a terceiros: a responsabilidade é objetiva se fo-


rem prestadoras de serviços públicos; se forem exploradoras de atividade econômica, a
responsabilidade é subjetiva, na forma do art. 37, § 6º, da CF.
• Falência: com o advento da Lei n. 11.101/2005, que regula a recuperação judicial e ex-
trajudicial, ficou positivado que a lei não se aplica à EP e nem à SEM. Como o legislador
não fez distinção, deve-se concluir que as empresas estatais não podem falir, inde-
pendentemente da atividade que desempenham. Não foi feliz o legislador, pois deveria
excluir do regime falimentar apenas as prestadoras de serviços públicos.

Resumindo:

EMPRESA PÚBLICA ou SOCIEDADE DE EMPRESA PÚBLICA ou SOCIEDADE DE


ECONOMIA MISTA ECONOMIA MISTA
Prestadora de SERVIÇO PÚBLICO Explora ATIVIDADE ECONÔMICA
Personalidade jurídica de direito privado. Personalidade jurídica de direito privado.
Regime misto ou híbrido. Regime misto ou híbrido.

Mais próxima do regime de direito público. Mais próxima do regime de direito privado.

Empregados públicos – regime CLT. Empregados públicos – regime CLT.


Aplica-se teto remuneratório SE recebe Aplica-se teto remuneratório SE recebe
recursos do Ente Federativo que a criou. recursos do Ente Federativo que a criou.
Empregados não têm estabilidade. Pode haver Empregados não têm estabilidade. Pode haver
demissão sem justa causa, desde que tenha demissão sem justa causa, desde que tenha
motivação. motivação.

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EMPRESA PÚBLICA ou SOCIEDADE DE EMPRESA PÚBLICA ou SOCIEDADE DE


ECONOMIA MISTA ECONOMIA MISTA
Prestadora de SERVIÇO PÚBLICO Explora ATIVIDADE ECONÔMICA
Possui imunidade tributária. Não possui imunidade tributária.
Bens privados. Bens vinculados à prestação do
Bens privados. Podem ser objeto de penhora.
serviço são impenhoráveis.
Dever de licitar. Segue as regras da Lei n. Dever de licitar. Segue as regras da Lei n.
13.303/2016. 13.303/2016.
Não pode falir. Não pode falir.
Responsabilidade objetiva por danos causados Responsabilidade subjetiva por danos
a terceiros. causados a terceiros.

Traços Distintivos

Resumindo:

Empresa pública Sociedade de economia mista


Forma de Qualquer forma. S.A (Sociedade Anônima)
organização
Público e privado.
Público (podendo ser de mais de Maioria das ações com direito (maioria
Composição um ente federativo ou de pessoa do capital social) a voto tem que ser
do capital da Administração indireta). do Poder Público ou de pessoa da
Administração indireta.

EP federal – Justiça Federal,


se autoras, rés, assistentes ou
opoentes, nos termos do art.
Foro processual Justiça estadual.
109 da CF.
EP estadual, DF ou Municipal –
Justiça estadual.

 Obs.: Não tramitam na Justiça Federal as ações trabalhistas, acidente do trabalho, falência
e Justiça Eleitoral (art. 109, CF).

Agências

No processo de modernização do Estado, uma das medidas implementadas pelo Governo


foi a criação de um grupo especial de entidades a que se denominou agências, com maior in-
dependência em relação à Administração central.

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Agências Executivas

É a qualificação atribuída à autarquia ou à fundação que firma contrato de gestão com


o Ministério ao qual está vinculada, para aumentar sua autonomia gerencial, orçamentária e
financeira (art. 37, § 8º, CF).

§ 8º A autonomia gerencial, orçamentária e financeira dos órgãos e entidades da Administração


direta e indireta poderá ser ampliada mediante contrato, a ser firmado entre seus administradores e
o Poder Público, que tenha por objeto a fixação de metas de desempenho para o órgão ou entidade,
cabendo à lei dispor sobre:

Agência executiva é o nome atribuído à autarquia ou fundação que celebra contrato de


gestão; contudo, a CF prevê que os órgãos e as entidades da Administração indireta, também,
possam firmar contrato para aumentar sua autonomia gerencial, orçamentária e financeira.

CUIDADO! Agência executiva não é uma nova entidade da Administração indireta; é apenas
resultado de qualificação dada à autarquia ou à fundação.

Agências Reguladoras

São consideradas autarquias em regime especial.


A expressão autarquias em regime especial serve para designar todas as autarquias que
têm regime diferenciado das demais. Inicialmente, essa denominação somente se referia às
universidades, tendo em vista a maior autonomia conferida pela CF (art. 217). Posteriormente,
o Banco Central foi incluído nessa categoria. Atualmente, também podemos considerar autar-
quias em regime especial as agências reguladoras.
Existem aquelas que exercem típico poder de polícia. Ex.: Anvisa, ANA (a função regulató-
ria dessas entidades decorre do exercício do poder de polícia) e existem aquelas que regulam
e controlam as atividades objeto de concessão, permissão ou autorização de serviços públi-
cos (telecomunicações, energia elétrica, transportes), Aneel e Anatel. As agências reguladoras
detêm poder normativo técnico, que é a competência para editar atos normativos relacionados
aos assuntos de sua atribuição. Esse fenômeno é denominado de deslegalização, uma vez
que o assunto deixa de ser tratado por lei e passa a ser disciplinado por atos normativos (ex.:
resoluções) inferiores à lei.
• Regime especial
− Dirigentes investidos após aprovação do Poder Legislativo;
− Mandato fixo dos dirigentes. O prazo de mandato é fixado em 5 anos.

Atos Administrativos
Requisitos/Elementos
Para a validade da conduta administrativa, qualquer ato a ser praticado terá os seguintes
requisitos ou elementos:
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Competência/Sujeito

É o poder atribuído ao agente público para o desempenho específico de suas funções. A


competência resulta da lei e por ela é delimitada. O ato emanado de agente incompetente, ou
realizado além do limite de que dispõe a autoridade incumbida de sua prática, é ilegal.

Características
• Irrenunciável: a lei confere a competência ao agente público; dessa forma, não pode ser
renunciada (não pode abrir mão). Entretanto, é possível delegar parte das atribuições,
desde que atendidos os requisitos da lei.
• Improrrogabilidade: a incompetência não se transforma em competência. Um agente
que não recebeu da lei atribuição para praticar determinado ato, não se torna competen-
te pela simples omissão dos interessados em alegar sua incompetência.
• Imprescritível: o não exercício da competência, não importa por quanto tempo, não a
extingue, permanecendo sob a titularidade do agente ao qual a lei a atribuiu.
• Inderrogável (não se derroga): não se transfere por acordo ou vontade das partes. A lei
deve estabelecer as condições.

Delegação e Avocação

Ocorre quando um agente público transfere parte de suas atribuições.


A regra é a possibilidade de delegação, não sendo admitida se houver
impedimento legal.
Atos que não podem ser delegados
– atos de caráter NOrmativo;
– decisão de REcurso administrativo;
– questões de competência EXclusiva;
(NOREEX).
Não exige hierarquia.
Delegação A delegação deve ser apenas de parte das atribuições.
O ato de delegação e a sua revogação deverão ser publicados no meio oficial.
O ato de delegação especificará as matérias e os poderes transferidos, os
limites da atuação do delegado, a duração e os objetivos da delegação e o
recurso cabível.
Pode haver ressalva de exercício da atribuição delegada.
O ato de delegação é revogável a qualquer tempo pela autoridade delegante.
Os atos praticados no exercício da delegação são considerados praticados pelo
sujeito delegado (recebe a atribuição).

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Ocorre quando um superior chama para si atribuição de seu subordinado.


Avocação Exige hierarquia.
É medida excepcional e temporária.

Finalidade

É objetivo de interesse público a atingir. Não há ato administrativo que não vise a interesse
público. O Direito não admite ato administrativo sem finalidade pública ou desviado de suas
finalidades específicas. A finalidade do ato administrativo é aquela que a lei indica.
É a lei que define a finalidade que o ato deve alcançar, não havendo liberdade para a au-
toridade administrativa; se a lei coloca a remoção apenas para deslocamento de servidor, não
pode ser utilizada com outra finalidade. Dessa forma, não cabe ao administrador escolher ou
substituir por outra, ainda que ambas sejam fins públicos.

CUIDADO! A remoção da Lei n. 8.112/1990 não pode ter caráter punitivo. Configura desvio de
finalidade.

Forma

É a exteriorização da vontade ou exteriorização da decisão. Exige-se, como regra, que seja


adotada a forma escrita, embora existam atos de forma verbal, por meio de gestos, como as
orientações de polícia em caso de urgência, sinalização de trânsito, por placas e por meios
mecânicos/eletrônicos.
O não respeito à forma vicia o ato, tornando-o passível de invalidação.

Motivo

Motivo é a situação de fato e de direito que determina ou autoriza a realização do ato admi-
nistrativo. Pode vir expresso, como poder ser deixado a critério do administrador. Ex.: multa em
razão de estacionamento irregular. Motivo de fato = estacionar em local inapropriado; motivo
de direito (fundamentos jurídicos) = poder de polícia do Estado e Código de Trânsito (lei) que
autoriza multa diante dessa infração.
Motivo não se confunde com motivação. Enquanto o motivo é a situação de fato e de direi-
to que autoriza a prática do ato administrativo, a motivação é a justificação, a explicação das
razões (motivos) que levaram o agente público a praticar o ato administrativo. Assim, na motiva-
ção ocorre a explicitação dos motivos que levaram o administrador a editar o ato administrativo.
NOTA: Todo ato tem motivo, mas nem todo ato tem motivação.

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Atualmente, a regra é a motivação dos atos administrativos, seja o ato vinculado ou discri-
cionário. Apesar de a motivação ser a regra, existem atos que a dispensam, como, por exem-
plo, a nomeação e a exoneração de cargo em comissão.
O art. 50 da Lei n. 9.784/1999 apresenta uma lista de atos que obrigatoriamente exigem
motivação.

Art. 50. Os atos administrativos deverão ser motivados, com indicação dos fatos e dos fundamen-
tos jurídicos, quando:
I – neguem, limitem ou afetem direitos ou interesses;
II – imponham ou agravem deveres, encargos ou sanções;
III – decidam processos administrativos de concurso ou seleção pública;
IV – dispensem ou declarem a inexigibilidade de processo licitatório;
V – decidam recursos administrativos;
VI – decorram de reexame de ofício;
VII – deixem de aplicar jurisprudência firmada sobre a questão ou discrepem de pareceres, laudos,
propostas e relatórios oficiais;
VIII – importem anulação, revogação, suspensão ou convalidação de ato administrativo.

Objeto

Corresponde ao efeito prático ou jurídico pretendido com a edição do ato administrativo ou


a modificação por ele trazida ao ordenamento jurídico. Ex.: em uma declaração expropriatória,
o resultado pretendido é desencadear um processo que vai levar à retirada de determinado
bem do patrimônio de seu proprietário.
Ao contrário da finalidade, que se caracteriza como o fim mediato do ato administrativo, o
objeto é o fim imediato do ato.

Os requisitos da competência, da finalidade e da forma são sempre vinculados, enquanto mo-


tivo e objeto podem ser ou não vinculados.

Atributos do Ato Administrativo


Presunção de Legalidade/Legitimidade

É a presunção de que o ato foi praticado de acordo com a lei.


Trata-se, entretanto, de presunção relativa (juris tantum), que admite prova em contrário,
com a transferência do ônus da prova de invalidade do ato para quem a invoca. Portanto, será
o administrado que deverá provar que o ato praticado pela Administração foi ilegal.
O ato também nasce com a presunção de veracidade, no sentido de que os fatos alegados
pela Administração são presumidos como verdadeiros.

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Presunção de Presunção de que o ato está conforme a


legalidade lei.

Presunção de Presunção de que os fatos são


veracidade verdadeiros.

Imperatividade

É o atributo pelo qual os atos administrativos impõem-se a terceiros, independente de sua


concordância.
Não está presente em todos os atos, visto que alguns deles (enunciativos, negociais) o
dispensam, por desnecessário à sua execução, uma vez que os efeitos jurídicos do ato depen-
dem exclusivamente do interesse do particular. Os atos, porém, que consubstanciam um provi-
mento ou uma ordem administrativa (atos normativos, ordinatórios, punitivos) nascem sempre
com imperatividade, ou seja, com força impositiva pelo próprio Poder Público, e que obriga o
particular ao fiel cumprimento, independentemente de sua vontade.
A imperatividade decorre do chamado Poder extroverso do Estado, que é o poder que tem
o Estado de impor unilateralmente obrigações aos particulares.

Autoexecutoriedade

Consiste na possibilidade que certos atos administrativos ensejam de imediata e direta


execução pela própria Administração, independentemente de ordem judicial.
Excepcionalmente, o ato administrativo fica sem esse atributo, o que obriga a Administra-
ção a recorrer ao Judiciário. Ex.: cobrança de multas, tributos e desapropriação.

DICA!
Maria Sylvia (2010) aponta o atributo da tipicidade, sendo a
necessidade de previsão legal para a prática do ato. O ato só
poderá ser utilizado conforme o fim para o qual foi criado. Tra-
ta-se de proteção para o administrado/particular. Para a auto-
ra, são quatro os atributos:
a) presunção de legitimidade;
b) imperatividade;
c) autoexecutoriedade; e
d) tipicidade.
Celso Antônio B de Mello apresenta ainda o atribuído da exigi-
bilidade que é a possibilidade de utilização de meios indiretos
de coerção nos atos administrativos.

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Extinção dos Atos Administrativos


1. Cassação: a retirada dá-se porque o destinatário descumpriu condições que deveriam
permanecer atendidas a fim de continuar desfrutando da situação jurídica.
Ocorre principalmente nos atos negociais, cuja execução fica a cargo do parti­cular que o
obteve regularmente, mas o descumpre ao executá-lo.
2. Revogação: a revogação é feita pela Administração quando um ato legal deixa de ser
conveniente e oportuno.
Os efeitos da revogação são EX NUNC, ou seja, daquele momento em diante, para o futuro
(prospectivos). Todos os efeitos que decorrem do ato revogado devem ser mantidos.
A competência para revogação só cabe à Administração. Entretanto, o Poder Judiciário
poderá revogar os seus próprios atos quando estiver no exercício de função administrativa. O
Poder Judiciário só faz revogação de seus atos administrativos. Em relação a atos administra-
tivos de outro Poder, ele somente anula quando forem ilegais.
O ato que faz revogação tem natureza constitutiva, uma vez que produz uma situação nova.

DICA!
O Poder Judiciário nunca revoga ato administrativo na sua fun-
ção típica. Apenas quando agir em função administrativa (atí-
pica) poderá revogar seus próprios atos.

Atos que Não Admitem Revogação

1) Atos vinculados: não se revogam, pois não há juízo de conveniência e de oportunidade


que permita a revogação.
Entretanto, o STF decidiu que a licença para construir, enquanto a obra não for iniciada,
pode ser revogada. A licença é ato vinculado, pois, se o interessado atender a todos os requisi-
tos fixados, surge o direito de ter a solicitação deferida. Esse caso seria uma exceção em que
caberia revogação de ato vinculado.
2) Atos exauridos ou consumados: não se revogam, pois já produziram seus efeitos.
3) Atos que geram direitos adquiridos: ato que gera direito adquirido não pode ser revoga-
do, pois o direito incorpora-se ao seu titular, não podendo ser extinto por questão de conveni-
ência e de oportunidade da Administração.
4) Atos integrativos de um procedimento administrativo: não se revogam, pois se opera
a preclusão do ato anterior pela prática do ato sucessivo. A preclusão é a perda de se realizar
determinados atos em uma fase do procedimento. No procedimento licitatório existem vários
atos encadeados entre si (edital, habilitação, julgamento, classificação e adjudicação).

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5) Meros atos administrativos ou atos enunciativos: ex.: pareceres, certidões e atestados.


Esses atos não são passíveis de juízo de conveniência e oportunidade. No caso de uma cer-
tidão de nascimento, há o nascimento de uma criança, o posterior registro e a expedição da
certidão. Não é possível análise de conveniência e oportunidade sobre esse fato.
6) Atos consultivos: não se revogam porque não dependem de análise de conveniência e
oportunidade.
3. Anulação/invalidação: ocorre quando a Administração ou o Poder Judiciário declara a extinção
do ato administrativo por motivos de vícios no ato praticado com a produção de efeitos retroativos.
A anulação tem por pressuposto a análise de legalidade/legitimidade, pois são analisados
os aspectos legais do ato. Verifica-se se o ato respeitou os requisitos legais e os demais prin-
cípios administrativos. Assim, como a anulação pressupõe a análise da legitimidade do ato
administrativo, pode ser feita pela própria Administração, de ofício ou mediante provocação,
ou pelo Poder Judiciário, desde que seja provocado.
O vício que torna o ato ilegal pode estar presente em qualquer dos seus requisitos de vali-
dade (competência, finalidade, forma, motivo e objeto).
Os efeitos de uma anulação são EX TUNC, ou seja, retroativos. A partir da anulação de um
ato, como regra, todos os seus efeitos serão desconstituídos.
Existem atos ilegais que poderão ter seus efeitos mantidos pela convalidação (atos anulá-
veis). Quando o vício for relativo à competência e à forma, como regra, será possível a conva-
lidação. Irregularidades relativas à finalidade, ao motivo e ao objeto não admitem a correção.
Nessa hipótese, o ato impreterivelmente será anulado.
O prazo para a anulação de atos ilegais é de cinco anos, salvo comprovada má-fé.
Quadro sinótico das diferenças entre revogação e anulação:

Revogação Anulação/Invalidação
Atos Legais Ilegais
Conveniência e oportunidade
Análise Legalidade/legitimidade
(mérito)
Administração ou Poder
Competência Administração
Judiciário
5 anos, salvo comprovada
Prazo Não há prazo fixado em lei má-fé (art. 54, Lei n.
9.784/1999)

Convalidação ou Sanatória
A convalidação, também conhecida como sanatória, é a correção do vício existente no
ato administrativo como forma de manter esse ato produzindo seus efeitos e restaurando a
legalidade.
A convalidação possui efeitos retroativos (ex tunc), pois aproveita os efeitos produzidos
no passado.
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O art. 55 da Lei n. 9.784/1999 trouxe três requisitos para a possibilidade de convalidação


dos atos administrativos:
a) não acarretar lesão ao interesse público;
b) não acarretar prejuízo a terceiros;
c) apresentar vício sanável.
A doutrina tem entendido que os vícios sanáveis, passíveis de convalidação, são os vícios
de competência (salvo se for competência exclusiva) e forma (quando essa forma não for
essencial à validade do ato administrativo). Ex.: necessidade de a desapropriação ser iniciada
mediante decreto do Chefe do Poder Executivo.
O ato que convalida tem efeitos ex tunc, uma vez que retroagem em seus efeitos, ao mo-
mento em que foi praticado o ato originário.

Obs.: Quanto ao motivo, ao objeto e à finalidade não é possível a convalidação.


 Excepcionalmente, admite-se convalidação de vício de objeto quando o objeto for plú-
rimo (vários efeitos).

A convalidação pode ser feita pela RATIFICAÇÃO quando a autoridade superior confirma o
vício de competência praticado pelo agente subordinado. Ou pela REFORMA quando se retira
a parte inválida de um ato mantendo apenas a parte válida.

Responsabilidade Extracontratual do Estado


Responsabilidade no Direito Brasileiro
A Constituição Federal de 1946 inaugurou a tese da responsabilidade objetiva. Seguindo o
mesmo raciocínio, a CF de 1988, no art. 37, § 6º, estabelece que:

§ 6º As pessoas jurídicas de direito público e as de direito privado prestadoras de serviços públicos


responderão pelos danos que seus agentes, nessa qualidade, causarem a terceiros, assegurado o
direito de regresso contra o responsável nos casos de dolo ou culpa.

A CF adotou a teoria do RISCO ADMINISTRATIVO para consagrar a responsabilidade objetiva.

CF somente EXCEPCIONALMENTE admite a teoria do risco integral. Pela chamada teoria do risco
integral, não se admite qualquer hipótese de exclusão da responsabilidade do Estado, como, por
exemplo, a culpa exclusiva da vítima, caso fortuito ou força maior. Ao contrário da teoria do risco
administrativo.
A teoria do risco integral é, segundo alguns autores, adotada no Brasil, mas de maneira excepcional,
e apenas com expressa determinação legal. São, por exemplo, baseadas nessa teoria as responsa-
bilidades do Estado por danos nucleares (CF, art. 21, XXIII, d) e as hipóteses de danos decorrentes
de atos terroristas, atos de guerra ou eventos correlatos, contra aeronaves de empresas aéreas
brasileiras, conforme previsto nas Leis nos 10.309, de 22/11/2001, 10.605, de 18/12/2002, e 10.744,
de 9/10/2003.

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Na forma do referido artigo, é necessário que se trate de pessoa jurídica de direito público
ou de direito privado prestadora de serviços públicos. Assim, ficam excluídas as entidades da
Administração indireta que explorem atividade econômica.
Exige também o artigo em estudo que o agente causador do dano atue nessa qualidade (na
qualidade de agente público). Com base nesse requisito, o Supremo Tribunal Federal tem afastado
a responsabilidade objetiva do Estado quando o agente público não tenha atuado nessa qualidade
(Ex.: policial de folga, que não invoca a qualidade de policial, o Estado não responde por seus atos).
Conforme o art. 37, § 6º, da CF, as empresas de direito privado que prestam serviços públi-
cos respondem objetivamente por danos causados a terceiros, incluindo as concessionárias e
permissionárias de serviços públicos.

O entendimento atual do STF é de que as prestadoras de serviços públicos têm responsabilida-


de objetiva em relação a usuários e a terceiros não usuários (RE n. 591.874).

Responsabilidade nos Casos de Omissão


Entende-se que, quando o Estado é omisso em seu dever legal de agir, deverá reparar o
prejuízo causado, porém, a responsabilidade será na forma subjetiva, uma vez que deverá ser
demonstrada a omissão estatal (culpa). O tema não é pacífico, tanto na doutrina, como nos
tribunais. Prevalece entre os doutrinadores que a redação do art. 37, § 6º, da CF só consagra a
responsabilidade objetiva nos atos comissivos (ação).

Para provas de concurso, é correto afirmar que se admite responsabilidade subjetiva nos ca-
sos de omissão do Estado.

Resumindo:

entes federativos
Pessoa jurídica de
autarquias
direito público
fundações autárquicas
empresa pública
Objetiva Pessoa jurídica sociedade de economia
de direito privado mista
(prestadora de concessionários e
serviço público) permissionários de
serviço público
Omissão estatal;
Subjetiva Empresa pública e sociedade de economia mista
que exploram atividade econômica.

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Excludentes da Responsabilidade Objetiva


O caso fortuito e a força maior excluem a responsabilidade estatal, podendo decorrer da
ação humana ou de eventos da natureza. Por serem imprevisíveis, inevitáveis e estranhos à
vontade das partes, afastam a responsabilização do Estado.

EXEMPLO
Raio que derruba um poste público em cima de um carro particular.

 Obs.: Mesmo havendo motivo de força maior ou caso fortuito, a responsabilidade do Estado
poderá ficar configurada, se houver, também, a omissão do Poder Público.
 Por exemplo, quando as chuvas provocam enchente na cidade, inundando casas e des-
truindo objetos, o Estado responderá se ficar demonstrado que a realização de deter-
minados serviços de limpeza dos bueiros teria sido suficiente para impedir a enchente.
 Porém, nesse caso, a responsabilidade do Estado será subjetiva.

A mesma regra aplica-se quando se trata de atos de terceiros, como é o caso de danos cau-
sados por atos de multidão ou por delinquentes. O Estado responderá se ficar caracterizada a
sua omissão, ocorrendo falha na prestação do serviço público.
Nos casos de culpa concorrente entre a vítima e o Estado, a responsabilidade do Estado
será atenuada.

Responsabilidade por Atos Legislativos


A regra é a irresponsabilidade por atos praticados pelo Poder Legislativo. Entretanto, no
caso de leis inconstitucionais, desde que declaradas pelo STF, haverá dever de reparar os pre-
juízos causados.
No caso de leis de efeitos concretos que atingem pessoas determinadas, também incide a
regra da responsabilidade do Estado, pois, nesse caso, a lei não terá o caráter geral e abstrato
como lhe é comum; como, por exemplo, uma lei que institui uma reserva ambiental.

Responsabilidade por Atos Jurisdicionais


Assim como ocorre nos atos legislativos, quando o Estado exerce função jurisdicional, a
regra será a irresponsabilidade, tendo em vista a possibilidade de interposição de recursos,
bem como pelo fato de que o juiz deve ter total independência para exercer sua função.
Entretanto, a CF traz duas hipóteses no art. 5º, inciso LXXV, de casos de responsabilidade
do Estado. “O Estado indenizará o condenado por erro judiciário, assim como o que ficar preso
além do tempo fixado na sentença”.
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Inicialmente, entende-se que o erro judiciário somente será passível de indenização se


ocorrer na esfera penal.
Tem-se entendido que prisão preventiva com posterior absolvição não gera direito a inde-
nização (RE n. 429.518/ SC, julg. em 17/8/2004).
Essa é a tese que tem prevalecido em provas de concursos públicos.

Ação Regressiva
Prescrição: Vítimas x Estado

No que se refere ao prazo prescricional do particular em face do Estado, sendo pessoa


jurídica de direito público ou pessoa de direito privado prestadora de serviço público, o prazo
será de cinco anos, de acordo com o Decreto n. 20.910/1932 e nos termos do art. 1º-C da Lei
n. 9.494/1997.

Prescrição: Estado x Agente

Atualmente, o STF entende que a Fazenda Pública (o Estado) está sujeita a prazo para
mover ação de regresso contra o agente em razão de ilícito civil (entende-se que esse prazo é
de 5 anos).

 Obs.: A única ação de regresso que não está sujeito a prazo (imprescritível) é a ação de
regresso em razão de ato doloso de improbidade.

Poderes Administrativos
Abuso de Poder
O exercício dos poderes administrativos deve ser utilizado de modo correto, a fim de que o
agente público não cometa abuso de poder.
O abuso de poder ocorre quando a autoridade, embora competente para praticar o ato,
ultrapassa os limites de suas atribuições; ou pratica ato visando ao interesse próprio ou utili-
zando atos para finalidades não previstas em lei.
O abuso de poder pode ocorrer de duas formas:
• excesso de poder: quando a autoridade, embora competente para praticar o ato, vai
além do permitido e exorbita no uso de suas atribuições administrativas. O abuso de
poder pelo excesso viola o requisito de competência do ato administrativo.
• desvio de finalidade/desvio de poder: embora atuando nos limites de sua competência,
pratica o ato por motivos pessoais ou com fins diversos dos objetivos dados pela lei ou
exigidos pelo interesse público. O abuso de poder pelo desvio viola o requisito da fina-
lidade. Ex.: desapropriação para prejudicar desafeto político, remoção de servidor com
caráter punitivo.

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O desvio da finalidade pode ser genérico ou específico. Os atos administrativos têm fina-
lidade genérica, satisfação do interesse público, e finalidade específica, fim específico do ato
que foi criado.
Importante salientar que a remoção prevista na Lei n. 8.112/1990 somente pode ser uti-
lizada para adequação de lotação do servidor, pois essa foi a finalidade de interesse público
atribuída à remoção. Portanto, se a remoção for utilizada para punir o servidor, será ato ilegal
e que deve ser anulado.
A remoção prevista na Lei n. 8.112/1990 não pode ter caráter punitivo.

Espécies de Poderes
Poder Hierárquico

Poder hierárquico é o poder de que dispõe a Administração para distribuir e escalonar as


funções de seus órgãos, ordenar e rever a atuação de seus agentes, estabelecendo a relação
de subordinação entre os servidores do seu quadro de pessoal.
Hierarquia é a relação de subordinação existente entre os vários órgãos e agentes do Exe-
cutivo. Assim, conclui-se que não há hierarquia no Judiciário e no Legislativo, nas suas funções
próprias (típicas), pois ela é privativa da função administrativa.
Vale também lembrar que não há relação de hierarquia entre os entes da Administração
direta e as entidades da Administração indireta, pois o que existe, na verdade, é apenas uma
vinculação, sendo o controle exercido apenas finalístico.
Também não há hierarquia entre os entes federativos: União, Estados, DF e Municípios.

Poder Disciplinar

É o poder de punir internamente as infrações funcionais dos servidores e demais pessoas


sujeitas à disciplina dos órgãos e serviços da Administração como, por exemplo, aplicação
de multa/advertência em particular que foi contratado pela Administração para execução de
algum serviço.

EXEMPLO
Concessionários e permissionários de serviço público e alunos em universidades.

A característica deste poder é a discricionariedade, no sentido de que a Administração


não está vinculada à sanção a ser aplicada. O art. 128 da Lei n. 8.112/1990 exige que antes
de ser aplicada a sanção ao servidor devem ser analisados: a conduta do servidor, os seus
antecedentes, a gravidade da situação e os danos gerados ao serviço público. Trata-se de dis-
cricionariedade limitada, pois a Administração tem liberdade de aplicar apenas as sanções já
previstas em lei.

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a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal.

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Mas, cuidado: se ficar provado que o servidor cometeu um ato ilegal, ele deve ser punido,
nesse aspecto não há liberdade, passando a ser ato vinculado.
Também é discricionário porque não há a necessidade de todas as infrações administrati-
vas estarem previamente definidas em lei. Prevalece no Direito Administrativo o princípio da ati-
picidade, ao contrário do Direito Penal em que todos os ilícitos penais já estão descritos em lei.
A motivação da punição disciplinar é sempre imprescindível para a validade da sanção.
O poder disciplinar é exercido pela Administração. Entretanto, se a infração disciplinar pra-
ticada pelo servidor caracterizar ilícito, penal o servidor responderá também na esfera penal,
sendo as duas instâncias independentes, salvo no caso do art. 126 da Lei n. 8.112/1990:

Art. 126. A responsabilidade administrativa do servidor será afastada no caso de absolvição crimi-
nal que negue a existência do fato ou sua autoria.

Assim, absolvido na esfera penal com base em um desses dois fundamentos, o servidor
não poderá receber punição na via administrativa.

CUIDADO! As bancas de concurso, geralmente, colocam questões em que o servidor foi ab-
solvido na esfera penal por falta/ausência de provas, mas esta hipótese não vincula a decisão
administrativa.

Conforme a Súmula Vinculante n. 5 do STF, “A falta de defesa técnica por advogado no


processo administrativo disciplinar não ofende a Constituição.”
O tema processo administrativo disciplinar é tão importante para concursos públicos que
sugiro que conheça um pouco mais da jurisprudência do STJ:

1) É possível haver discrepância entre a penalidade sugerida pela comissão disciplinar e


a aplicada pela autoridade julgadora desde que a conclusão lançada no relatório final não
guarde sintonia com as provas dos autos e a sanção imposta esteja devidamente motivada.
2) A portaria de instauração do processo disciplinar prescinde de minuciosa descrição
dos fatos imputados, sendo certo que a exposição pormenorizada dos acontecimentos
se mostra necessária somente quando do indiciamento do servidor.
De fato, uma portaria que inaugura um processo administrativo disciplinar, descreve o
fato bem genericamente e determina também a apuração dos demais fatos conexos.
3) No PAD, a alteração da capitulação legal imputada ao acusado não enseja nulidade, uma
vez que o indiciado se defende dos fatos nele descritos e não dos enquadramentos legais.
Assim, por exemplo, o servidor pode ser indiciado por não ter sido assíduo (faltou 20
dias) o que geraria apenas advertência, e a autoridade competente entender que houve,
na verdade, abandono de cargo por entender que houve ausência intencional por mais de
30 dias consecutivos e aplicar a demissão.

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4) Da revisão do PAD não poderá resultar agravamento da sanção aplicada, em virtude da


proibição do bis in idem e da reformatio in pejus.
Súmula 591-STJ: É permitida a “prova emprestada” no processo administrativo discipli-
nar, desde que devidamente autorizada pelo juízo competente e respeitados o contradi-
tório e a ampla defesa.
Súmula n. 635: Os prazos prescricionais previstos no art. 142 da Lei n. 8.112/1990 ini-
ciam-se na data em que a autoridade competente para a abertura do procedimento admi-
nistrativo toma conhecimento do fato, interrompem-se com o primeiro ato de instaura-
ção válido – sindicância de caráter punitivo ou processo disciplinar – e voltam a fluir por
inteiro, após decorridos 140 dias desde a interrupção.

Poder Regulamentar

O Poder Legislativo, ao editar as leis, nem sempre possibilita que sejam elas executadas.
Cumpre à Administração criar mecanismos de complementação das leis indispensáveis a sua
efetiva aplicabilidade.
Dessa forma, poder regulamentar é o poder de que dispõem os chefes do Poder Executivo
para editarem decretos visando à correta execução da lei.
Alguns autores preferem falar em poder normativo, no sentido de que é a competência
da Administração para a edição de atos de caráter normativo, pois o poder regulamentar não
esgota toda competência normativa da Administração. Assim, o poder regulamentar pertence
aos chefes do Poder Executivo e o poder normativo pertence a toda a Administração.
A prerrogativa é somente para complementar a lei, não pode, por isso, alterá-la a pretexto
de estar regulamentando. Por essa razão, o art. 49, V, da CF autoriza o Congresso Nacional a
sustar atos normativos que extrapolem o poder de regulamentação.

Regulamentos Autônomos

Há profunda divergência na doutrina sobre a possibilidade de o Executivo editar os deno-


minados regulamentos autônomos (atos que não regulamentam lei anterior). Contudo, para
concursos é possível admitir decretos autônomos unicamente na hipótese do art. 84, VI, da CF:

a) organização e funcionamento da Administração Federal, quando não implicar aumento de despe-


sa nem criação ou extinção de órgãos públicos;
b) extinção de funções ou cargos públicos, quando vagos;

Poder Discricionário

É a prerrogativa concedida aos agentes administrativos de elegerem, entre as várias con-


dutas possíveis, a que traduz maior conveniência e oportunidade para o interesse público.
Há possibilidade de limitação ao poder discricionário, permitindo maior controle do Judiciá-
rio sobre os atos que dele derivem. O controle judicial alcançará todos os aspectos de legalidade.

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Poder de Polícia

É o poder de que dispõe o Estado para condicionar e restringir o uso e o gozo de bens, ati-
vidades e direitos, em benefício da coletividade.
A CF autoriza a União, os Estados, o DF e os Municípios a instituírem taxas em razão do
exercício do poder de polícia (art. 145, II).

Atributos

a) Discricionariedade: existe liberdade no uso das atividades a serem policiadas, na gra-


dação das sanções aplicáveis aos infratores, bem como para decidir o melhor momento
de atuação.
Entretanto, o poder de polícia também pode manifestar-se de modo vinculado, em especial,
por meio de licenças para a realização de atividades. A licença é espécie de ato vinculado, ten-
do em vista que o preenchimento de todas as exigências fixadas em lei gera para o interessado
o direito à pretensão requerida, como acontece com a licença para construir ou dirigir veículos.
NOTA:
• Autorização: poder de polícia atuando de modo discricionário, pois a autorização é ato
discricionário e precário.
• Licença: poder de polícia atuando de modo vinculado, pois a licença é ato vinculado e
definitivo.

b) Autoexecutoriedade: sem necessidade de intervenção prévia do Poder Judiciário.

EXEMPLO
Demolição de edificação irregular.

 Obs.: Para o STF se a casa estiver habitada, deve ter autorização judicial para efetivar a
demolição.
 Excluem-se da autoexecutoriedade a cobrança de multas. Somente podem ser cobra-
das por via judicial.

Celso Antônio Bandeira de Mello (2009) aponta três hipóteses em que é possível a autoe-
xecutoriedade:
• quando a lei autoriza;
• quando for urgente a providência administrativa;
• quando não houver outra via de resguardar o interesse público.

c) Coercibilidade: imposição coativa das medidas adotadas. Todo ato de polícia é impera-
tivo, admitindo até força pública para o seu cumprimento, quando resistido pelo administrado.

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Polícia Administrativa e Polícia Judiciária

Polícia Administrativa Polícia Judiciária


Regra: preventivo (evita danos à
Regra: repressivo (apuração
Momento de sociedade)
de crimes)
atuação Pode ser repressivo (ex.: aplicação
Pode ser preventivo
de multa, demolição)

Regime jurídico Normas e princípios administrativos Lei processual penal

Competência Qualquer órgão/entidade Corporações especializadas


para exercer as designado por lei (ex.: Polícia Civil/Federal)
atividades
Responsabilizar os infratores
Finalidades Combater atividades antissociais
da lei penal
Bens, direitos, atividades (não é a
Destinatários pessoa)
A pessoa

 Obs.: Ambas as atividades (polícias administrativa e judiciária) exercem e decorrem do


poder de polícia do Estado.

Delegação de Atos de Polícia Administrativa

Via de regra, não é possível delegar o poder de polícia para particulares.


Entretanto, certos atos materiais que são anteriores a atos jurídicos de polícia podem ser
praticados por particulares. Ex.: verificação do cumprimento de normas de trânsito mediante
equipamentos fotossensores, pertencentes e operados por empresas privadas controladas
pelo Poder Público. Constatações utilizadas por tal meio caracterizam-se pela impessoalidade
e asseguram, além da exatidão, a igualdade completa no tratamento dos administrados, o que
não seria possível obter com o concurso da pessoa humana.
Nesse meio não está envolvida expedição de sanção administrativa e nem mesmo a de-
cisão sobre se houve ou não violação de norma de trânsito, mas mera constatação objetiva
de um fato.
Há, ainda, a possibilidade de particulares serem encarregados de praticar ato posterior a
ato jurídico de polícia, quando se trate de executar materialmente ato jurídico referente à pro-
priedade dos administrados.

EXEMPLO
Contratar uma empresa privada de demolição ou implosão para destruir obras efetuadas irre-
gularmente.

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O Supremo tribunal Federal, ao julgar a ADI n. 1.717 entendeu que pessoas de direito pri-
vado não podem exercer o poder de polícia. No caso concreto, a Lei n. 9.649/1998 conferiu
natureza de direito privado aos conselhos regionais que fiscalizam profissão. Segundo o STF,
o serviço de fiscalização constitui atividade típica do Estado, envolvendo, também, poder de
polícia, poder de tributar e de punir, insuscetíveis de delegação a entidades privadas.

IMPORTANTE DECISÃO STF: “É constitucional a delegação do poder de polícia, por meio de lei,
a pessoas jurídicas de direito privado integrantes da Administração Pública indireta de capital
social majoritariamente público que prestem exclusivamente serviço público de atuação pró-
pria do Estado e em regime não concorrencial.”

Vale salientar que as autarquias (entidades da Administração indireta), por serem dotadas
de personalidade jurídica de direito público, podem receber a delegação para o exercício do
poder de polícia. Ex.: Detran e Procon.
O STF entendeu que as guardas municipais, desde que autorizadas por lei municipal, têm
competência para fiscalizar o trânsito, lavrar auto de infração de trânsito e impor multas. Para
o Supremo é constitucional a atribuição às guardas municipais do exercício do poder de polícia
de trânsito, inclusive para a imposição de sanções administrativas previstas em lei. A fiscaliza-
ção do trânsito, com aplicação das sanções administrativas (multas), constitui mero exercício
de poder de polícia, não havendo, portanto, proibição de que seja exercida por órgãos que não
fazem parte das carreiras policiais, como é o caso das guardas municipais, cuja atribuição des-
crita na CF, art. 144, § 8º, não é exaustiva. STF. Plenário. RE 658570/MG, rel. orig. Min. Marco
Aurélio, red. p/ o acórdão Min. Roberto Barroso, julgado em 6/8/2015 (Info 793).
Resumindo:

PODERES ADMINISTRATIVOS
EXCESSO DE PODER – o agente vai além de suas atribuições.
ABUSO DE PODER DESVIO DE PODER – agente pratica ato para interesse pessoal ou
sem atender ao seu fim legal.
Poder de estabelecer hierarquia entre os órgãos e agentes públicos.
Não há hierarquia:
PODER Adm Direta – Indireta
HIERÁRQUICO Entre as pessoas políticas
Entre os três Poderes
Nas funções típicas do PL e PE
É o poder que a administração tem de punir internamente as
PODER DISCIPLINAR infrações funcionais dos seus servidores e demais pessoas sujeitas à
relação especial com o Estado.

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PODERES ADMINISTRATIVOS
É o poder de expedir atos normativos/decretos para a
PODER
complementação das leis.
REGULAMENTAR/
Obs! Decreto não pode inovar na ordem jurídica. Não pode
NORMATIVO
contrariar a lei.
É a prerrogativa concedida aos agentes administrativos de elegerem,
PODER
entre as várias condutas possíveis, a que traduz maior conveniência e
DISCRICIONÁRIO
oportunidade para o interesse público.
Confere à administração o poder para a prática de atos de sua
PODER VINCULADO
competência, determinando os elementos e requisitos necessários à
OU REGRADO
sua formalização. Não há liberdade para os agentes públicos.
É o poder do Estado de impor limitações ao exercício do Direito à
liberdade e à propriedade.
Características:
PODER DE POLÍCIA
1. Discricionariedade
2. Autoexecutoriedade
3. Coercibilidade

Licitação
Modalidades (Art. 22)
As modalidades de licitação são normas gerais. Portanto, é competência da União legis-
lar sobre as modalidades a serem utilizadas na busca da melhor proposta. Assim, somente a
União é que pode criar, por lei, nova modalidade de licitação.
A Lei n. 8.666/1993 veda a criação de outras modalidades de licitação ou a sua combinação.
A vedação imposta pela lei direciona-se ao agente público que realizará a licitação; não abran-
ge o ente federal (União), que terá competência para criar novas modalidades, como ocorreu
com o pregão, criado pela Medida Provisória n. 2.026/2000, convertida na Lei n. 10.520/2002.

Não se deve confundir modalidade com tipo de licitação. Tipo é o critério de julgamento a ser
utilizado (menor preço, melhor técnica ou técnica e preço, maior lance ou oferta), modalidade
é o procedimento a ser fixado em lei (concorrência, tomada de preços...)

A concorrência, a tomada de preços e o convite são utilizadas, a princípio, em razão do


valor da contratação. Concorrência para contratos de grandes valores; tomada de preços para
contratos de médio porte e convite para contratos de pequeno valor.
O leilão e o concurso são destinados a situações específicas. A modalidade pregão tem
por finalidade a aquisição de bens e serviços comuns.

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Os valores apresentados na lei para a escolha da respectiva modalidade estão no art. 23 e


foram atualizados com base no art 120 da Lei n. 8.666/93, sendo:

CONCORRÊNCIA TP CONVITE
Obras e serviços de acima de R$ até R$ até R$
engenharia 3.300.000,00 3.300.000,00 330.000,00
Compra e outros acima de R$ até R$ até R$
serviços 1.430.000,00 1.430.000,00 176.000,00

DICA!
No caso de consórcios públicos5, aplicar-se-á o dobro dos va-
lores mencionados no caput deste artigo, quando formado por
até 3 (três) entes da Federação, e o triplo, quando formado por
maior número.

Concorrência

É a modalidade de licitação entre quaisquer interessados que, na fase inicial de habilitação


preliminar, comprovem possuir os requisitos mínimos de qualificação exigidos no edital para
execução de seu objeto.
Uma das principais características da concorrência é a existência de uma fase de habilitação
preliminar logo após a divulgação do edital. Na concorrência, uma vez divulgado o edital de lici-
tação, qualquer interessado poderá participar, desde que comprove possuir os requisitos neces-
sários para a habilitação. Não se exige que tenha sido convidado ou que tenha cadastro prévio.
Apesar de a modalidade concorrência ser escolhida em razão do valor, existem outros ca-
sos que exigem o procedimento da concorrência:
• Adquirir ou alienar imóveis – art. 23, § 3º;
• Licitação internacional – art. 23, § 3º;
• Concessão de direito real de uso – art. 23, § 3º;

DICA!
A concorrência é a modalidade destinada às licitações inter-
nacionais. Entretanto, é possível realizar licitação internacional
mediante tomada de preços, se houver cadastro internacional
de fornecedores ou, também, por meio de convite, se não hou-
ver fornecedor do produto ou do serviço no País, respeitados
os limites de valor (art. 23, § 3º).
5
O consórcio público é a pessoa jurídica, formada exclusivamente por entes federativos, para a prestação de ser-
viços na forma de gestão associada, nos termos do art. 241 da CF e da Lei n. 11.107/2005. É o caso, por exem-
plo, da conjugação dos recursos de dois ou mais municípios formando consórcio público para a construção de
uma universidade ou hospital.

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É permitido nos casos em que couber convite, utilizar a tomada de preços e, em qualquer
caso, a concorrência (art. 23, § 4º).

Tomada de Preços

É a modalidade de licitação entre interessados devidamente cadastrados ou que atende-


rem a todas as condições exigidas para cadastramento até o terceiro dia anterior à data do
recebimento das propostas, observada a necessária qualificação.
Uma das características da tomada de preços é o cadastramento prévio dos interessados.

Convite

É a modalidade de licitação entre interessados do ramo pertinente ao seu objeto, cadas-


trados ou não, escolhidos e convidados em número mínimo de 3 (três) pela unidade adminis-
trativa, a qual afixará, em local apropriado, cópia do instrumento convocatório e o estenderá
aos demais cadastrados na correspondente especialidade em que manifestarem seu interesse
com antecedência de até 24 (vinte e quatro) horas da apresentação das propostas.
O convite é a única modalidade cuja lei dispensa a publicação de edital. O instrumento
convocatório será mediante a carta-convite, que será enviada para, pelo menos, três interes-
sados, cadastrados ou não, e depois fixada em local apropriado. Aquele que não recebeu a
carta-convite só poderá participar se estava previamente cadastrado e manifestar seu inte-
resse de participação com antecedência de até 24 (vinte e quatro) horas da apresentação das
propostas.
Em que pese à lei admitir a realização de licitação pela modalidade convite com dois lici-
tantes quando não houver pelo menos três interessados, deve-se atentar para o entendimento
do TCU no sentido de que no convite deve haver a apresentação de, no mínimo, três propostas
válidas. Vejamos a Súmula n. 248 do Tribunal de Contas da União:

Não se obtendo o número legal mínimo de três propostas aptas à seleção, na licitação sob a mo-
dalidade Convite, impõe-se a repetição do ato, com a convocação de outros possíveis interessados
ressalvados as hipóteses previstas no § 7º do art. 22 da Lei n. 8.666/1993.

Concurso

É a modalidade de licitação entre quaisquer interessados para escolha de trabalho técni-


co, científico ou artístico, mediante a instituição de prêmios ou remuneração aos vencedores,
conforme critérios constantes de edital publicado na imprensa oficial com antecedência míni-
ma de 45 (quarenta e cinco) dias. Seria, por exemplo, modalidade para escolha de um concurso
de monografias ou projeto arquitetônico de novo prédio a ser construído.

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O concurso da Lei de Licitação é para a escolha do melhor trabalho, portanto, não se con-
funde com o concurso exigido pela Constituição para a ocupação em cargos públicos de provi-
mento efetivo. Os contratos para a prestação de serviços técnicos profissionais especializados
deverão, preferencialmente, ser celebrados mediante a realização de concurso, ressalvados
os casos de inexigibilidade de licitação em que haverá contratação direta sem licitação (art.
13, § 1º).
NOTA: No concurso, os critérios de julgamento serão definidos pelo edital.

Leilão

Leilão é a modalidade de licitação entre quaisquer interessados para a venda de bens mó-
veis inservíveis para a Administração (qualquer valor) ou de produtos legalmente apreendidos
ou penhorados a quem oferecer o maior lance, igual ou superior ao valor da avaliação.
Como dito anteriormente, a concorrência é a modalidade utilizada para adquirir ou alienar
imóveis. Contudo, o leilão também pode ser utilizado para alienação de bens imóveis da Ad-
ministração Pública, desde que a aquisição haja derivado de procedimentos judiciais ou de
dação em pagamento (art. 19).6

 Obs.: É possível utilizar o leilão para venda de imóveis que tenham sido adquiridos por dação
em pagamento ou decorrente de procedimento judicial.

Pregão

O pregão tem por finalidade a aquisição de bens e serviços comuns. De acordo com a
lei, bens e serviços comuns são aqueles que podem ter padrões de qualidade e desempenho
indicados com as condições usuais do mercado como, por exemplo, materiais de escritório,
limpeza, aquisição de café, serviços de manutenção de elevadores e segurança, contratação
de serviços de coleta seletiva, reciclagem e transporte final de resíduos, aquisição e instalação
de ar condicionado etc.
O pregão poderá ser utilizado para qualquer valor de contratação; não há imposição de
limites, desde que se trate de bens e serviços comuns. Não há limite de valor no pregão.

 Obs.: Não há limite de valor no pregão.

O critério de julgamento (tipo de licitação) será sempre o MENOR PREÇO (ou MAIOR DES-
CONTO sobre o preço).

6
A dação em pagamento é a forma de quitação de dívida por meio diverso daquele inicialmente previsto,
em que o credor pode consentir em receber prestação diversa da que lhe é devida, regulada pelo art. 356 do
Código Civil.

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Uma das peculiaridades do pregão é a inversão de fases, em especial entre julgamento e


habilitação.
A lei estabelece que primeiro deva ser realizado o julgamento, com a escolha da proposta
mais vantajosa e, posteriormente, será feita a habilitação do licitante vencedor. Se o vencedor
estiver com todos os documentos de habilitação, haverá a adjudicação do objeto licitado. Con-
tudo, se o vencedor não atender aos requisitos de habilitação fixados no edital, será desclas-
sificado, sem prejuízo de aplicação de penalidades, devendo ser examinada a documentação
do licitante seguinte.
A fase de julgamento do pregão também apresenta algumas peculiaridades. O pregoeiro
selecionará a proposta de menor preço e todas as outras que são em até 10% de valor maior,
convidando-as para uma sessão de lances verbais para que possam apresentar novos lances
verbais e sucessivos a fim de reduzir a proposta apresentada. Nessa fase, o primeiro convida-
do a dar lance será o autor da proposta que apresentou o menor preço.
A lei estabelece que não havendo pelo menos 3 (três) ofertas nas condições definidas
anteriormente, poderão os autores das melhores propostas, até o máximo de 3 (três), oferecer
novos lances verbais e sucessivos, quaisquer que sejam os preços oferecidos.
NOTA: No pregão, assim que for declarado o vencedor, qualquer licitante pode manifestar
a intenção de recorrer. Esse é o prazo para interpor o recurso. O prazo de três dias é para apre-
sentar as razões do recurso.
A falta de manifestação imediata e motivada do licitante de recorrer importará a decadên-
cia do direito de recurso e a adjudicação do objeto da licitação pelo pre­goeiro ao vencedor.
O acolhimento de recurso importará a invalidação apenas dos atos insuscetíveis de apro-
veitamento.

MUITO IMPORTANTE!!!
O art. 5º da Lei do Pregão estabelece as seguintes vedações no procedimento licitatório:
I – garantia de proposta;
II – aquisição do edital pelos licitantes, como condição para participação no certame, e
III – pagamento de taxas e emolumentos, salvo os referentes a fornecimento do edital, que não
serão superiores ao custo de sua reprodução gráfica, e aos custos de utilização de recursos de
tecnologia da informação, quando for o caso.

Contratação Direta
Regras Relacionadas à Dispensa e à Inexigibilidade

As hipóteses de contratação direta são: dispensa e inexigibilidade. Os casos de dispensa


constituem a licitação dispensada (art. 17) e licitação dispensável (art. 24). Os casos de inexi-
gibilidade encontram-se no art. 25.

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As hipóteses de dispensa de licitação são casos taxativos/exaustivos, ou seja, somente


nos casos previstos em lei.
A inexigibilidade compõe-se de casos exemplificativos. O art. 25 estabeleceu três situa-
ções exemplificativas, mas tornou possível ao agente público, quando se encontrar em outra
situação de inviabilidade de competição, fazer a contratação direta pela inexigibilidade.
Outro ponto distintivo entre dispensa e inexigibilidade é que a licitação dispensada é uma
atuação vinculada em que o agente público não faz licitação porque a lei assim previamente
estabeleceu, não havendo liberdade do administrador de querer licitar.
A licitação dispensável é atuação discricionária, pois diante das situações do art. 24, o
agente público pode decidir em fazer ou não a licitação conforme seus critérios de conveniên-
cia e de oportunidade.
Por outro lado, nos casos de inexigibilidade não há o procedimento licitatório por ser in-
viável a competição, mesmo que o agente público pretendesse fazer licitação não teria como
executá-la (situações que veremos mais à frente).
Resumindo

Dispensada Atuação
(art. 17) vinculada Casos
Dispensa
Contratação Atuação taxativos
Dispensável
direta discricionária
Casos
Inexigibilidade Inviabilidade de competição
exemplificativos

Inexigibilidade (Art. 25)

Como dito acima, o art. 25 da Lei de Licitações apresenta três casos exemplificativos de
inexigibilidade em razão da inviabilidade de competição.

Fornecedor Exclusivo

O primeiro caso de inexigibilidade refere-se ao caso de fornecedor exclusivo. Nesse caso,


a inviabilidade de competição é gritante, tendo em vista que somente existe um fornecedor
do produto.

I – para aquisição de materiais, equipamentos, ou gêneros que só possam ser fornecidos por pro-
dutor, empresa ou representante comercial exclusivo, vedada a preferência de marca, devendo a
comprovação de exclusividade ser feita através de atestado fornecido pelo órgão de registro do
comércio do local em que se realizaria a licitação ou a obra ou o serviço, pelo Sindicato, Federação
ou Confederação Patronal, ou, ainda, pelas entidades equivalentes;

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Serviços Técnicos Profissionais Especializados

A segunda hipótese exemplificativa de inexigibilidade refere-se a serviços técnicos profis-


sionais especializados.

II – para a contratação de serviços técnicos enumerados no art. 13 desta Lei, de natureza singular,
com profissionais ou empresas de notória especialização, vedada a inexigibilidade para serviços de
publicidade e divulgação;

Os contratos para a prestação de serviços técnicos profissionais especializados deverão,


preferencialmente, ser celebrados mediante a realização de concurso. Somente é permitida a
contratação direta se preenchidas as condições previstas em lei (art. 13, § 1º).
Para a contratação de serviços técnicos especializados sem licitação devem ser atendidos
três requisitos: serviço incluído no art. 13 da Lei de Licitações; o profissional deve ter notória
especialização; objeto singular.

Serviço previsto no art. 13 → notória especialização → objeto


singular

A Súmula n. 252 do TCU prescreve que a inviabilidade de competição para a contratação


de serviços técnicos decorre da presença simultânea de três requisitos: serviço técnico espe-
cializado, entre os mencionados no art. 13 da referida lei, natureza singular do serviço e notória
especialização do contratado.
O art. 13 apresenta uma lista de serviços considerados especializados para fins de contra-
tação direta:

Art. 13. Para os fins desta Lei, consideram-se serviços técnicos profissionais especializados os
trabalhos relativos a:
I – estudos técnicos, planejamentos e projetos básicos ou executivos;
II – pareceres, perícias e avaliações em geral;
III – assessorias ou consultorias técnicas e auditorias financeiras ou tributárias;
IV – fiscalização, supervisão ou gerenciamento de obras ou serviços;
V – patrocínio ou defesa de causas judiciais ou administrativas;
VI – treinamento e aperfeiçoamento de pessoal;
VII – restauração de obras de arte e bens de valor histórico.

O profissional deve possuir características individuais distintas dos demais que atuam no
mesmo ramo, tornando-o o mais apropriado e conveniente para o desenvolvimento do trabalho.
Deve, ainda, tratar-se de objeto singular. Ou seja, deve ser uma situação excepcional da
Administração. A contratação de serviços técnicos profissionais especializados não é para
atividades corriqueiras.
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Nas hipóteses de serviços técnicos profissionais especializados é vedada a inexigibilidade


para serviços de publicidade e divulgação. A vedação expressa na lei é um tanto redundante,
uma vez que o serviço de publicidade e divulgação não consta na lista de serviços do art. 13
para fins de contratação sem licitação.

Contratação de Serviços Artísticos

A terceira situação que configura caso de inexigibilidade de licitação é a contratação de


serviços artísticos.

III – para contratação de profissional de qualquer setor artístico, diretamente ou através de empre-
sário exclusivo, desde que consagrado pela crítica especializada ou pela opinião pública.

Trata-se de mais um caso de inviabilidade de competição, pois na contratação de serviços


artísticos seria inviável a elaboração de um edital com critérios de julgamento puramente ob-
jetivos a fim de fazer a escolha do melhor serviço artístico.
É possível para qualquer serviço (ator, cantor, artista plástico etc.), desde que consagrado
pela crítica especializada ou pela opinião pública.

Licitação Dispensável (Art. 24)

A Lei de Licitações, atualmente, enumera trinta e dois casos taxativos para licitação dis-
pensável, sendo situações em que há discricionariedade para o agente público realizar juízo de
conveniência e oportunidade para decidir se realizará, ou não, licitação.
A licitação poderá ser dispensável em razão do valor, de situações excepcionais, do objeto
e da pessoa a ser contratada.
DECORE ESSA LISTA!!!!

I – para obras e serviços de engenharia de valor até 10% (dez por cento) do
limite previsto na alínea a, do inciso I do artigo anterior, desde que não se refiram
a parcelas de uma mesma obra ou serviço ou ainda para obras e serviços da
mesma natureza e no mesmo local que possam ser realizadas conjunta e
concomitantemente; (10% de R$ 176.000,00 = R$ 17.6000,00)
Valor II – para outros serviços e compras de valor até 10% (dez por cento) do limite
previsto na alínea a, do inciso II do artigo anterior e para alienações, nos casos
previstos nesta Lei, desde que não se refiram a parcelas de um mesmo serviço,
compra ou alienação de maior vulto que possa ser realizada de uma só vez; (10%
de R$ 330.000,00 = R$ 33.000,00)

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III – nos casos de guerra ou grave perturbação da ordem; (Cuidado! Esse caso é
dispensável)
IV – nos casos de emergência ou de calamidade pública, quando caracterizada
urgência de atendimento de situação que possa ocasionar prejuízo ou
comprometer a segurança de pessoas, obras, serviços, equipamentos e
outros bens, públicos ou particulares, e somente para os bens necessários ao
atendimento da situação emergencial ou calamitosa e para as parcelas de obras
e serviços que possam ser concluídas no prazo máximo de 180 (cento e oitenta)
dias consecutivos e ininterruptos, contados da ocorrência da emergência ou
calamidade, vedada a prorrogação dos respectivos contratos;
V – quando não acudirem interessados à licitação anterior e esta, justificadamente,
não puder ser repetida sem prejuízo para a Administração, mantidas, neste caso,
todas as condições preestabelecidas; (licitação deserta)
VI – quando a União tiver que intervir no domínio econômico para regular preços
ou normalizar o abastecimento; (somente para a União)
VII – quando as propostas apresentadas consignarem preços manifestamente
superiores aos praticados no mercado nacional, ou forem incompatíveis com os
fixados pelos órgãos oficiais competentes, casos em que, observado o parágrafo
Situações único do art. 48 desta Lei e, persistindo a situação, será admitida a adjudicação
excepcionais direta dos bens ou serviços, por valor não superior ao constante do registro de
preços, ou dos serviços; (Vide § 3º do art. 48)
IX – quando houver possibilidade de comprometimento da segurança nacional,
nos casos estabelecidos em decreto do Presidente da República, ouvido o
Conselho de Defesa Nacional;
XI – na contratação de remanescente de obra, serviço ou fornecimento, em
consequência de rescisão contratual, desde que atendida a ordem de classificação
da licitação anterior e aceitas as mesmas condições oferecidas pelo licitante
vencedor, inclusive quanto ao preço, devidamente corrigido;
XIV – para a aquisição de bens ou serviços nos termos de acordo internacional
específico aprovado pelo Congresso Nacional, quando as condições ofertadas
forem manifestamente vantajosas para o Poder Público;
XVIII – nas compras ou contratações de serviços para o abastecimento de navios,
embarcações, unidades aéreas ou tropas e seus meios de deslocamento quando
em estada eventual de curta duração em portos, aeroportos ou localidades
diferentes de suas sedes, por motivo de movimentação operacional ou de
adestramento, quando a exiguidade dos prazos legais puder comprometer a
normalidade e os propósitos das operações e desde que seu valor não exceda ao
limite previsto na alínea a do inciso II do art. 23 desta Lei (R$ 80.000,00).

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X – para a compra ou locação de imóvel destinado ao atendimento das finalidades


precípuas da Administração, cujas necessidades de instalação e localização
condicionem a sua escolha, desde que o preço seja compatível com o valor de
mercado, segundo avaliação prévia;
XII – nas compras de hortifrutigranjeiros, pão e outros gêneros perecíveis, no
tempo necessário para a realização dos processos licitatórios correspondentes,
realizadas diretamente com base no preço do dia;
XV – para a aquisição ou restauração de obras de arte e objetos históricos, de
autenticidade certificada, desde que compatíveis ou inerentes às finalidades do
órgão ou entidade;
XVII – para a aquisição de componentes ou peças de origem nacional ou
estrangeira, necessários à manutenção de equipamentos durante o período de
garantia técnica, junto ao fornecedor original desses equipamentos, quando tal
condição de exclusividade for indispensável para a vigência da garantia;
XIX – para as compras de material de uso pelas Forças Armadas, com exceção de
materiais de uso pessoal e administrativo, quando houver necessidade de manter a
padronização requerida pela estrutura de apoio logístico dos meios navais, aéreos
e terrestres, mediante parecer de comissão instituída por decreto;
XXI – para a aquisição de bens e insumos destinados exclusivamente à pesquisa
científica e tecnológica com recursos concedidos pela Capes, pela Finep, pelo
CNPq ou por outras instituições de fomento a pesquisa credenciadas pelo CNPq
Objeto para esse fim específico;
XXV – na contratação realizada por Instituição Científica e Tecnológica – ICT ou
por agência de fomento para a transferência de tecnologia e para o licenciamento
de direito de uso ou de exploração de criação protegida;
XXVI – na celebração de contrato de programa com ente da Federação ou com
entidade de sua Administração indireta, para a prestação de serviços públicos de
forma associada nos termos do autorizado em contrato de consórcio público ou
em convênio de cooperação;
XXVII – na contratação da coleta, processamento e comercialização de
resíduos sólidos urbanos recicláveis ou reutilizáveis, em áreas com sistema de
coleta seletiva de lixo, efetuados por associações ou cooperativas formadas
exclusivamente por pessoas físicas de baixa renda reconhecidas pelo Poder
Público como catadores de materiais recicláveis, com o uso de equipamentos
compatíveis com as normas técnicas, ambientais e de saúde pública.
XXXII – na contratação em que houver transferência de tecnologia de produtos
estratégicos para o Sistema Único de Saúde (SUS), no âmbito da Lei n. 8.080,
de 19 de setembro de 1990, conforme elencados em ato da direção nacional do
SUS, inclusive por ocasião da aquisição destes produtos durante as etapas de
absorção tecnológica.
XXXV – para a construção, a ampliação, a reforma e o aprimoramento de
estabelecimentos penais, desde que configurada situação de grave e iminente
risco à segurança pública.(Esse CAI MUITO).

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VIII – para a aquisição, por pessoa jurídica de direito público interno, de


bens produzidos ou serviços prestados por órgão ou entidade que integre
a Administração Pública e que tenha sido criado para esse fim específico
em data anterior à vigência desta Lei, desde que o preço con­tratado seja
compatível com o praticado no mercado;
XIII – na contratação de instituição brasileira incumbida regimental ou
estatutariamente da pesquisa, do ensino ou do desenvolvimento institu­
cional, ou de instituição dedicada à recuperação social do preso, desde que
a contratada detenha inquestionável reputação ético-profissional e não
tenha fins lucrativos;
XVI – para a impressão dos diários oficiais, de formulários padronizados
de uso da Administração, e de edições técnicas oficiais, bem como para
prestação de serviços de informática a pessoa jurídica de direito público
Pessoa interno, por órgãos ou entidades que integrem a Administração Pública,
criados para esse fim específico;
XX – na contratação de associação de portadores de deficiência física,
sem fins lucrativos e de comprovada idoneidade, por órgãos ou enti­dades
da Administração Pública, para a prestação de serviços ou forneci­mento
de mão-de-obra, desde que o preço contratado seja compatível com o
praticado no mercado.
XXII – na contratação de fornecimento ou suprimento de energia elé­trica
e gás natural com concessionário, permissionário ou autorizado, segundo
as normas da legislação específica;
XXIV – para a celebração de contratos de prestação de serviços com as
organizações sociais, qualificadas no âmbito das respectivas esferas de
governo, para atividades contempladas no contrato de gestão.

Resumindo:
Concorrência Tomada de preços Convite
Modalidade
modalidade de licitação
de licitação modalidade de
entre interessados do ramo
entre quaisquer licitação entre
pertinente ao seu objeto,
interessados interessados
cadastrados ou não, escolhidos
que, na fase devidamente
e convidados em número
inicial de cadastrados ou que
mínimo de 3 (três) pela unidade
habilitação atenderem a todas
administrativa, a qual afixará,
Conceito preliminar, as condições exigidas
em local apropriado, cópia do
(art. 22) comprovem para cadastramento
instrumento convocatório
possuir os até o terceiro dia
e o estenderá aos demais
requisitos anterior à data do
cadastrados na correspondente
mínimos de recebimento das
especialidade que manifestarem
qualificação propostas, observada
seu interesse com antecedência
exigidos no edital a necessária
de até 24 (vinte e quatro) horas
para execução de qualificação.
da apresentação das propostas.
seu objeto.

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Concorrência Tomada de preços Convite


cadastrados ou;
Aberta a demais interessados Convidados (cadastrados ou
todos que que atenderem em não), no mínimo, 3.
comprovarem condições para demais cadastrados que
Participantes
possuir os cadastramento até manifestarem interesse até 24
requisitos do três dias antes do horas antes da apresentação
edital. recebimento das das propostas.
propostas.
Possui fase de
Habilitação Em regra, é prévia Prévia
habilitação.
Tipo de
Qualquer um Qualquer um Qualquer um
licitação
45 dias:
empreitada 30 dias: melhor
Prazo
integral ou técnica ou técnica e
mínimo para
melhor técnica ou preço 5 dias úteis
recebimento
técnica e preço 15 dias: demais
das propostas
30 dias: demais casos
casos
Art. 51. Regra geral,
comissão permanente ou
Art. 51. Comissão
especial de, no mínimo,
permanente
Art. 51. Comissão 3 (três) membros, sendo
ou especial de,
permanente ou pelo menos 2 (dois) deles
no mínimo, 3
especial de, no mínimo, servidores qualificados
(três) membros,
3 (três) membros, pertencentes aos quadros
sendo pelo
sendo pelo menos 2 permanentes dos órgãos da
menos 2 (dois)
(dois) deles servidores Administração responsáveis
deles servidores
Comissão qualificados pela licitação.
qualificados
pertencentes aos Observação:
pertencentes
quadros permanentes excepcionalmente,
aos quadros
dos órgãos da nas pequenas unidades
permanentes
Administração administrativas e em face
dos órgãos da
responsáveis pela da exiguidade de pessoal
Administração
licitação. disponível, poderá ser
responsáveis pela
substituída por servidor
licitação.
formalmente designado pela
autoridade competente.

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Pregão
Concurso Leilão Lei n.
10.520/2002
Modalidade para
aquisição de
bens e serviços
Modalidade de licitação
Modalidade de licitação comuns.
entre quaisquer
entre quaisquer interessados Bens e serviços
interessados para escolha
para a venda de bens comuns são
de trabalho técnico,
móveis inservíveis para a aqueles cujos
científico ou artístico,
Administração ou de produtos padrões de
mediante a instituição de
Conceito legalmente apreendidos desempenho
prêmios ou remuneração
(art. 22) ou penhorados, ou para a e qualidade
aos vencedores, conforme
alienação de bens imóveis possam ser
critérios constantes
prevista no art. 19, a quem objetivamente
de edital publicado na
oferecer o maior lance, igual definidos
imprensa oficial com
ou superior ao valor da pelo edital,
antecedência mínima de
avaliação. por meio de
45 (quarenta e cinco) dias.
especificações
usuais no
mercado.
Em regra, aberto a
Participantes Em regra, aberto a todos. Aberto a todos.
todos.
Após a fase de
Habilitação Pode ou não exigir Pode ou não exigir classificação ou
julgamento.
Venda de bens móveis
inservíveis para a
Administração ou de
produtos legalmente
apreendidos ou
Escolha do melhor Aquisição de bens e
penhorados ou
Hipóteses trabalho técnico, serviços comuns de
alienação de bens
científico ou artístico. qualquer valor.
imóveis adquiridos
por procedimentos
judiciais ou de dação
em pagamento (art.
18).

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Pregão
Concurso Leilão Lei n.
10.520/2002
Art. 3º, IV –
10.520/2002 – a
autoridade competente
designará, dentre os
servidores do órgão ou
entidade promotora da
licitação, o pregoeiro
e respectiva equipe de
Art. 51, § 5º. comissão Art. 53. Leiloeiro
apoio.
especial integrada por oficial ou a servidor
Observação
pessoas de reputação designado pela
A equipe de apoio
Comissão ilibada e reconhecido Administração,
deverá ser integrada
conhecimento da matéria procedendo-se na
em sua maioria
em exame, servidores forma da legislação
por servidores
públicos ou não. pertinente.
ocupantes de cargo
efetivo ou emprego
da Administração,
preferencialmente
pertencentes ao quadro
permanente do órgão ou
entidade promotora do
evento.

Lei n. 14.133/2021
Âmbito de Aplicação
Não tem vacatio legis.
VIGÊNCIA
IMEDIATA
Revogação imediata dos arts. 89
a 109 da Lei n. 8.666/1993 (crimes).

APLICAÇÃO Lei das Concessões, Lei das PPPs;


SUBSIDIÁRIA Lei n. 12.232/2010.

APLICAÇÃO Parte criminal prevista no Código Penal.


NOVA LEI DE LEI N. 13.303/2016
LICITAÇÕES – LEI
2 LEI N. 8.666/1993;
@gustavo.scatolino LEI N. 10.520/2002; Aplicação por mais dois anos.
LEI N. 12.462/2012

APLICAM-SE Convênios, acordos, ajustes e


“NO QUE COUBER” outros instrumentos congêneres.

CONTRATO ASSINADO Continuará a ser regido de acordo com


ANTES DA NLL as regras previstas na legislação revogada.

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PL E PJ QUANDO EM FUNÇÃO
ADMINISTRATIVA

ADM.
UNIÃO, ESTADOS, DF E MUNICÍPIOS
PÚBLICA

FUNDOS ESPECIAIS

ÂMBITO DE ENTIDADES CONTROLADAS


APLICAÇÃO

@gustavo.scatolino

NÃO SE EP E SEM LEI N.


APLICA 13.303/2016

PECULIARIDADES
CONTRATAÇÃO LOCAIS
NO EXTERIOR
PRINCÍPIOS DA
LEI N. 14.133/2021

Objeto: Quando? (Contrato)

Art. 2º Esta Lei aplica-se a:


I – alienação e concessão de direito real de uso de bens;
II – compra, inclusive por encomenda;
III – locação;
IV – concessão e permissão de uso de bens públicos;
V – prestação de serviços, inclusive os técnico-profissionais especializados;
VI – obras e serviços de arquitetura e engenharia.
Parágrafo único. Aplica-se o disposto no caput deste artigo às contratações de tecnologia da infor-
mação e de comunicação.

Objetivos da Licitação (Para Quê?)

Art. 11. O processo licitatório tem por objetivos:


I – assegurar a seleção da proposta apta a gerar o resultado de contratação mais vantajoso para a
Administração Pública, inclusive no que se refere ao ciclo de vida do objeto;
II – assegurar tratamento isonômico entre os licitantes, bem como a justa competição;
III – evitar contratações com sobrepreço ou com preços manifestamente inexequíveis e superfatu-
ramento na execução dos contratos;
IV – incentivar a inovação e o desenvolvimento nacional sustentável.

Diferença de sobrepreço e superfaturamento, art. 6º:

LVI – sobrepreço: preço orçado para licitação ou contratado em valor expressivamente superior
aos preços referenciais de mercado, seja de apenas 1 (um) item, se a licitação ou a contratação for
por preços unitários de serviço, seja do valor global do objeto, se a licitação ou a contratação for por
tarefa, empreitada por preço global ou empreitada integral, semi-integrada ou integrada;
LVII – superfaturamento: dano provocado ao patrimônio da Administração, caracterizado, entre ou-
tras situações, por: a) medição de quantidades superiores às efetivamente executadas ou forneci-
das; b) deficiência na execução de obras e de serviços de engenharia que resulte em diminuição
da sua qualidade, vida útil ou segurança; c) alterações no orçamento de obras e de serviços de

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engenharia que causem desequilíbrio econômico-financeiro do contrato em favor do contratado; d)
outras alterações de cláusulas financeiras que gerem recebimentos contratuais antecipados, dis-
torção do cronograma físico-financeiro, prorrogação injustificada do prazo contratual com custos
adicionais para a Administração ou reajuste irregular de preços;

Dos Princípios

Art. 5º Na aplicação desta Lei, serão observados os princípios da legalidade, da impessoalidade, da


moralidade, da publicidade, da eficiência (LIMPE), do interesse público, da probidade administrativa,
da igualdade, do planejamento, da transparência, da eficácia, da segregação de funções, da moti-
vação, da vinculação ao edital, do julgamento objetivo, da segurança jurídica, da razoabilidade, da
competitividade, da proporcionalidade, da celeridade, da economicidade e do desenvolvimento na-
cional sustentável, assim como as disposições do Decreto-Lei n. 4.657, de 4 de setembro de 1942
(Lei de Introdução às Normas do Direito Brasileiro)

Portal Nacional de Contratações Públicas (PNCP)

Art. 94. A divulgação no Portal Nacional de Contratações Públicas (PNCP) é condição indispensável
para a eficácia do contrato e de seus aditamentos e deverá ocorrer nos seguintes prazos, contados
da data de sua assinatura:
I – 20 (vinte) dias úteis, no caso de licitação;
II – 10 (dez) dias úteis, no caso de contratação direta.

Agentes Públicos que Atuam nas Licitações

Preferencialmente, servidor efetivo ou empregado público


dos quadros permanentes da Administração Pública

Tenham atribuições relacionadas a licitações e


REGRA GERAL contratos ou possuam formação compatível
ou qualificação atestada

Não sejam cônjuge ou companheiro de licitantes ou


contratados habituais da Administração nem tenham com
eles vínculo de parentesco, colateral ou por afinidade, até o
terceiro grau, ou de natureza técnica, comercial,
econômica, financeira, trabalhista e civil
REGRA GERAL

Servidores efetivos ou empregados


públicos dos quadros permanentes

Tomar decisões, acompanhar o tramite da licitação, dar


impulso ao procedimento licitatório e executar demais atos

AGENTE DE
AGENTES CONTRATAÇÃO Auxiliado por equipe de apoio
PÚBLICOS
Responde individualmente pelos atos que praticar,
@gustavo.scatolino
salvo quando induzido a erro pela atuação da equipe

Bens ou serviços especiais – pode haver substituição


por comissão, no mínimo, 3 (três) membros –
Responsabilidade SOLIDÁRIA – salvo posição individual

PREGÃO Pregoeiro

Comissão (art. 32) pelo menos 3 servidores efetivos ou


empregados públicos pertencentes aos quadros
DIÁLOGO permanentes da Administração, admitida a
COMPETITIVO contratação de profissionais para
assessoramento técnico da comissão

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Fases da Licitação

Aquisição de Artigos de Luxo

Art. 20. Os itens de consumo adquiridos para suprir as demandas das estruturas da Administração
Pública deverão ser de qualidade comum, não superior à necessária para cumprir as finalidades às
quais se destinam, vedada a aquisição de artigos de luxo.

O edital poderá, na forma disposta em regulamento, exigir que percentual mínimo da mão
de obra responsável pela execução do objeto da contratação seja constituído por:
I – mulheres vítimas de violência doméstica;
II – oriundos ou egressos do sistema prisional.

Recursos

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Modalidades
ANTES Com a LEI N. 14.133/2021
– concorrência
– tomada de preços – concorrência
– convite – concurso
– concurso – leilão
– leilão – pregão
– pregão – Lei n. 10.520/2002 – diálogo competitivo
– RDC (Lei n. 12.462/2011)

DIÁLOGO
CONCORRÊNCIA PREGÃO CONCURSO LEILÃO
COMPETITIVO

– aquisição – contratação de
de bens e – escolha obras, serviços e
– alienação
serviços de trabalho compras;
de bens
comuns técnico, – licitantes
– bens e serviços imóveis; ou
– serviços científico ou previamente
especiais; – alienação
comuns de artístico selecionados;
OBJETO – obras e serviços de bens
engenharia. (Obs! – desenvolver
comuns e especiais móveis
(Obs! Pagamento uma ou mais
de engenharia inservíveis ou
VEDADO de prêmio ou alternativas
legalmente
para obras remuneração ao capazes de
apreendidos
e serviços vencedor) atender às suas
intelectuais) necessidades

a) menor preço;
b) melhor técnica ou
– menor – melhor
conteúdo artístico;
CRITÉRIO DE preço; técnica; ou
c) técnica e preço; – maior lance – fixados em edital
JULGAMENTO – maior – conteúdo
d) maior retorno
desconto. artístico
econômico;
e) maior desconto;

Procedimento Comum Comum Especial Especial Especial

comissão de
contratação
Agente de composta de pelo
Contratação menos 3 (três)
Leiloeiro
(Obs! Sendo bens e servidores efetivos
AGENTES Agente de oficial ou
serviços especiais, Pregoeiro ou empregados
PÚBLICOS contratação servidor
pode ser substituído públicos
designado
por Comissão – 3 pertencentes
membros) aos quadros
permanentes da
Administração

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Contratação Direta

Fornecedor Exclusivo

I – aquisição de materiais, de equipamentos ou de gêneros ou contratação de serviços que só pos-


sam ser fornecidos por produtor, empresa ou representante comercial exclusivos;

A Administração deverá demonstrar a inviabilidade de competição mediante atestado de


exclusividade, contrato de exclusividade, declaração do fabricante ou outro documento idôneo
capaz de comprovar que o objeto é fornecido ou prestado por produtor, empresa ou represen-
tante comercial exclusivos, vedada a preferência por marca específica.

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Setor Artístico

II – contratação de profissional do setor artístico, diretamente ou por meio de empresário exclusivo,


desde que consagrado pela crítica especializada ou pela opinião pública;

Considera-se empresário exclusivo a pessoa física ou jurídica que possua contrato, de-
claração, carta ou outro documento que ateste a exclusividade permanente e contínua de
representação, no País ou em Estado específico, do profissional do setor artístico, afastada a
possibilidade de contratação direta por inexigibilidade por meio de empresário com represen-
tação restrita a evento ou local específico.

Serviço Técnico Especializado

III – contratação dos seguintes serviços técnicos especializados de natureza predominantemente


intelectual com profissionais ou empresas de notória especialização, vedada a inexigibilidade para
serviços de publicidade e divulgação:
a) estudos técnicos, planejamentos, projetos básicos ou projetos executivos;
b) pareceres, perícias e avaliações em geral;
c) assessorias ou consultorias técnicas e auditorias financeiras ou tributárias;
d) fiscalização, supervisão ou gerenciamento de obras ou serviços;
e) patrocínio ou defesa de causas judiciais ou administrativas;
f) treinamento e aperfeiçoamento de pessoal;
g) restauração de obras de arte e de bens de valor histórico;
h) controles de qualidade e tecnológico, análises, testes e ensaios de campo e laboratoriais, ins-
trumentação e monitoramento de parâmetros específicos de obras e do meio ambiente e demais
serviços de engenharia que se enquadrem no disposto neste inciso;
IV – objetos que devam ou possam ser contratados por meio de credenciamento;
V – aquisição ou locação de imóvel cujas características de instalações e de localização tornem
necessária sua escolha.

Considera-se de notória especialização o profissional ou a empresa cujo conceito no cam-


po de sua especialidade, decorrente de desempenho anterior, estudos, experiência, publica-
ções, organização, aparelhamento, equipe técnica ou outros requisitos relacionados com suas
atividades, permita inferir que o seu trabalho é essencial e reconhecidamente adequado à ple-
na satisfação do objeto do contrato.

Credenciamento

IV – objetos que devam ou possam ser contratados por meio de credenciamento;

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Aquisição ou Locação de Imóvel

V – aquisição ou locação de imóvel cujas características de instalações e de localização tornem


necessária sua escolha.
Nas contratações com fundamento no inciso V do caput deste artigo, devem ser observados os
seguintes requisitos:
I – avaliação prévia do bem, do seu estado de conservação, dos custos de adaptações, quando im-
prescindíveis às necessidades de utilização, e do prazo de amortização dos investimentos;
II – certificação da inexistência de imóveis públicos vagos e disponíveis que atendam ao objeto;
III – justificativas que demonstrem a singularidade do imóvel a ser comprado ou locado pela Admi-
nistração e que evidenciem vantagem para ela.

Casos de Dispensa – Art. 75

DICA!
Ler e memorizar as hipóteses de dispensa do art. 75.

Os mais importantes:

I – para contratação que envolva valores Contratação de serviços de engenharia


inferiores a R$ 100.000,00 (cem mil reais), e manutenção de veículos de ATÉ R$
no caso de obras e serviços de engenharia 100.000,00.
ou de serviços de manutenção de veículos Houve uma ampliação dos valores e também a
automotores; inclusão de manutenção de veículos.

II – para contratação que envolva valores


Demais serviços (que não sejam de engenharia)
inferiores a R$ 50.000,00 (cinquenta mil
e compras de até R$ 50.000,00
reais), no caso de outros serviços e compras;

Para fins de aferição dos valores que atendam aos limites referidos nos incisos I e II do caput
deste artigo, deverão ser observados:
I – o somatório do que for despendido no exercício financeiro pela respectiva unidade gestora;
II – o somatório da despesa realizada com objetos de mesma natureza, entendidos como tais
aqueles relativos a contratações no mesmo ramo de atividade.

Não se aplica o disposto no § 1º deste artigo às contratações de até R$ 8.000,00 (oito mil reais)
de serviços de manutenção de veículos automotores de propriedade do órgão ou entidade
contratante, incluído o fornecimento de peças.

Os valores referidos nos incisos I e II do caput deste artigo serão duplicados para compras,
obras e serviços contratados por consórcio público ou por autarquia ou fundação qualificadas
como agências executivas na forma da lei.

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A letra “a”, na primeira parte (não surgiram


licitantes interessados), trata da licitação
deserta ou frustrada. Na licitação deserta,
publica-se um edital e não aparecem
III – para contratação que mantenha todas
interessados.
as condições definidas em edital de licitação
Na letra “a”, segunda parte (não foram
realizada há menos de 1 (um) ano, quando se
apresentadas propostas válidas), trata-se
verificar que naquela licitação:
de licitação fracassada, na qual as propostas
não surgiram licitantes interessados ou não
apresentadas não são válidas. Por exemplo,
foram apresentadas propostas válidas;
uma proposta condicionada que é aquela que
as propostas apresentadas consignaram
depende de condição futura. Ex.: oferece uma
preços manifestamente superiores aos
proposta pelo preço X, se o dólar se mantiver
praticados no mercado ou incompatíveis
em X reais. Essa proposta é inválida porque é
com os fixados pelos órgãos oficiais
condicionada.
competentes;
Na letra “b” são de preços excessivos. Se todos
os licitantes apresentarem preços elevados,
a Administração Pública poderá partir para
contratação direta.

VIII – nos casos de emergência ou de calamidade pública, quando caracterizada urgência de aten-
dimento de situação que possa ocasionar prejuízo ou comprometer a continuidade dos serviços
públicos ou a segurança de pessoas, obras, serviços, equipamentos e outros bens, públicos ou par-
ticulares, e somente para aquisição dos bens necessários ao atendimento da situação emergencial
ou calamitosa e para as parcelas de obras e serviços que possam ser concluídas no prazo máximo
de 1 (um) ano, contado da data de ocorrência da emergência ou da calamidade, vedadas a prorro-
gação dos respectivos contratos e a recontratação de empresa já contratada com base no disposto
neste inciso;

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QUESTÕES DE CONCURSO
Atos Administrativos

001. (2019/FGV/PREFEITURA DE SALVADOR-BA/ESPECIALISTA EM POLÍTICAS PÚBLI-


CAS) Sobre a invalidação de um ato administrativo vinculado, praticado por um Secretário
Municipal de Salvador no bojo de um processo administrativo sobre fomento de determinada
política pública, é correto afirmar que, em regra, o ato pode ser
a) revogado, por questão de mérito administrativo, pelo Poder Judiciário, ou anulado, por vício
de legalidade, pelo Poder Legislativo.
b) invalidado e revogado por questão de mérito e de legalidade, respectivamente, pelo próprio
Poder Executivo e pelo Poder Judiciário.
c) revogado e anulado por questão de mérito e legalidade, respectivamente, pelos Poderes
Executivo, Judiciário e Legislativo.
d) invalidado e revogado, por questão de mérito e de legalidade, respectivamente, somente
pelo próprio Poder Executivo.
e) invalidado, por vício de legalidade, pelo próprio Poder Executivo e pelo Poder Judiciário.

002. (2019/FGV/PREFEITURA DE SALVADOR-BA/FISCAL DE SERVIÇOS MUNICIPAIS) Um


pequeno hotel localizado no bairro do Pelourinho, no centro histórico de Salvador, decidiu apro-
veitar o movimento noturno da região para comercializar bebidas alcoólicas, transformando
parte de sua área de recepção em um bar. Posteriormente, com o sucesso inesperado, o hotel
adequou suas estruturas para funcionar exclusivamente como uma discoteca, encerrando as
atividades de hospedagem.
Concernente à situação exposta, tem-se como possível resultado
a) a cassação imediata da licença do hotel pelo poder público, visto que a mudança de ramo
de atividade representa um descumprimento das condições que permitiam a manutenção do
ato administrativo que concedeu o alvará ao estabelecimento.
b) a caducidade do ato administrativo que viabiliza as atividades do hotel, em virtude de admi-
nistração não mais julgar oportuno e conveniente o ato administrativo que permitia as ativida-
des do estabelecimento, decorrente da mudança de ramo.
c) a invalidação dos efeitos jurídicos da atividade hoteleira do estabelecimento, amparado na
impossibilidade de convalidação dos vícios insanáveis do elemento subjetivo, tendo em vista
ilegalidade evidente das atividades da discoteca.
d) a revogação da permissão do estabelecimento, desde que precedido de devido processo
legal, obedecendo aos princípios de ampla defesa e contraditório, sendo imprescindível a pro-
vocação do judiciário para a execução do ato.
e) o decaimento do direito de exercer a atividade de hotelaria, contanto que seja demonstrada
motivação condizente com a retirada da autorização, associada diretamente à violação do es-
tabelecimento ao omitir, do fisco, alteração cadastral.
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003. (2019/FGV/PREFEITURA DE SALVADOR-BA/FISCAL DE SERVIÇOS MUNICIPAIS) Jo-


aquim construiu irregularmente, sem obter qualquer licença para tal e ao arrepio dos ditames
legais sobre a matéria, um muro que se iniciou nos limites de sua propriedade e se estendeu
para a calçada, ocupando parte de área pública, com risco iminente de desabamento e dificul-
tando o tráfego de pedestres.
O poder público municipal, com as formalidades legais, utilizando sua prerrogativa de direito
público que, calcada na lei, lhe autoriza a restringir o uso e o gozo da propriedade privada em
favor do interesse da coletividade, determinou a demolição da obra.
O poder administrativo que fundamentou a demolição e o atributo do ato administrativo que
fez valer tal decisão sem necessidade de prévia intervenção do Poder Judiciário, são denomi-
nados, respectivamente,
a) normativo e coercitibilidade.
b) disciplinar e autoaplicabilidade.
c) de polícia e autoexecutoriedade.
d) sancionatório e imperatividade
e) de hierarquia e impositividade.

004. (2019/FGV/PREFEITURA DE SALVADOR-BA/FISCAL DE SERVIÇOS MUNICIPAIS) José


é servidor público ocupante de cargo efetivo do executivo municipal e está lotado no depar-
tamento de recursos humanos. Após estudo estratégico de pessoal de toda a administração
pública municipal, constatou-se a carência de servidores no departamento de licitação, ra-
zão pela qual o Prefeito praticou ato administrativo determinando a remoção de José para
aquele órgão.
Inconformado, José impetrou mandado de segurança, pleiteando judicialmente a manutenção
de sua lotação no setor de recursos humanos.
A pretensão de José merece
a) desacolhimento, porque a remoção é ato administrativo discricionário e, por esta razão, o
Poder Judiciário, em regra, deve controlar apenas sua legalidade e não seu mérito.
b) acolhimento, porque a remoção é ato administrativo vinculado e, por esta razão, o Poder
Judiciário, em regra, deve controlar tanto seu mérito, como sua legalidade.
c) acolhimento, porque a remoção é ato administrativo discricionário e, por esta razão, o Poder
Judiciário, em regra, deve controlar o seu mérito e concluir que deve ser respeitado o direito
subjetivo do servidor.
d) desacolhimento, porque, apesar de a remoção ser um ato administrativo vinculado, tanto a
Administração quanto o Poder Judiciário devem analisar seu mérito, revisando os valores de
oportunidade e conveniência.
e) acolhimento, porque a remoção é ato administrativo vinculado e, por esta razão, o Poder
Judiciário deve controlar seu mérito e concluir que deve ser respeitado o direito subjetivo
do servidor.

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005. (2019/FGV/PREFEITURA DE SALVADOR-BA/GUARDA CIVIL MUNICIPAL) O servidor


público ocupante do cargo de Guarda Civil Municipal de Salvador, no dia a dia do exercício de
suas funções, exerce diversas atividades, como executar segurança ostensiva, preventiva, uni-
formizada e aparelhada na proteção à população, bens, serviços e instalações do Município.
Para tal, esses servidores públicos praticam alguns atos administrativos com o atributo da
autoexecutoriedade, que consiste em
a) ser cogente, obrigando todos que se encontrem em seu círculo de incidência, ainda que o
objetivo a ser por eles alcançado contrarie interesses privados ou públicos.
b) ser de observância e execução vinculantes a todos os administrados, tão logo haja a intima-
ção pessoal das pessoas que tiverem sua esfera jurídica afetada pelos atos.
c) viabilizar a execução dos atos pela autoridade administrativa por motivos de conveniência e
oportunidade, por serem atos vinculados e obrigatórios.
d) trazerem em si, quando praticados os atos, a presunção de legitimidade, ou seja, a presun-
ção de que nasceram em conformidade com as devidas normas legais.
e) poder ser o ato, tão logo praticado, em regra, imediatamente executado, e seu objeto imedia-
tamente alcançado, sem prévia intervenção do Poder Judiciário.

006. (2019/FGV/DPE-RJ/ADMINISTRAÇÃO DE EMPRESAS) Em matéria de classificação


dos atos administrativos quanto ao grau de liberdade do administrador público que o pratica, o
ato de primeira lotação de um Técnico Superior Especializado da Defensoria Pública aprovado
em concurso público em determinado órgão e o ato de remoção por antiguidade de um Defen-
sor Público são, respectivamente, chamados de atos:
a) simples e de império;
b) discricionário e vinculado;
c) enunciativo e de gestão;
d) declaratório e constitutivo;
e) administrativo e finalístico.

Organização Administrativa

007. (2019/FGV/PREFEITURA DE SALVADOR-BA/ESPECIALISTA EM POLÍTICAS PÚBLI-


CAS) Até recentemente, havia o entendimento dos especialistas de que a sociedade poderia
ser classificada em dois setores, o primeiro sendo o Poder Público e o segundo o Mercado.
Com o crescente número de demandas sociais não atendidas pelo Estado, um terceiro setor
começa se consolidar e ganhar importância no atendimento das demandas da sociedade.
Assinale a opção que indica uma organização do terceiro setor.
a) Agência Executiva.
b) Sociedade Anônima.
c) Fundação Autárquica.
d) Associação Pública.
e) Entidade de Apoio.

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008. (2019/FGV/PREFEITURA DE SALVADOR-BA/ESPECIALISTA EM POLÍTICAS PÚBLI-


CAS) No que concerne às Agências Reguladoras, importantes entidades criadas para fiscalizar
e regular serviços de determinados setores econômicos, assinale a afirmativa incorreta.
a) As agências devem ter necessariamente personalidade jurídica de direito público, dotadas
de independência administrativa e autonomia financeira.
b) Seus dirigentes devem possuir mandatos fixos, sendo estritamente vedada a possibilidade
de exoneração ad nutum.
c) As agências são autarquias ou fundações públicas que celebraram contrato de gestão com
o Poder Público.
d) Seus atos não podem ser revistos ou alterados pelo Poder Executivo, apenas pelo Judiciário,
devendo, no entanto, agir conforme suas finalidades específicas.
e) As agências podem existir tanto em âmbito federal quanto estadual e municipal, desde que
criadas por lei.

009. (2019/FGV/PREFEITURA DE SALVADOR-BA/FISCAL DE SERVIÇOS MUNICIPAIS) O


conceito de agência executiva foi criado com o objetivo precípuo de otimizar recursos, re-
duzir custos e aperfeiçoar a prestação de serviços públicos. Essa noção tem sua origem em
um modelo utilizado nos Estados Unidos e foi importado pelo Brasil no período de reforma
administrativa do Estado, na década de 90.Considerando as Agências Executivas, analise as
afirmativas a seguir.
I – É um tipo de qualificação dada à uma pessoa jurídica.
II – Garante maior autonomia ao ente público.
III – Altera a natureza jurídica da entidade.
Está correto o que se afirma em
a) I, apenas.
b) II, apenas.
c) III, apenas.
d) I e II, apenas.
e) II e III, apenas.

010. (2019/FGV/PREFEITURA DE SALVADOR-BA/FISCAL DE SERVIÇOS MUNICIPAIS) So-


bre a descentralização por colaboração, assinale a afirmativa correta.
a) Ocorre quando a Constituição atribui a um ente específico que exerça atribuições próprias
de forma autônoma ao ente central.
b) Ocorre quando a Administração Pública transfere, por contrato ou ato administrativo unila-
teral, a execução de serviço público a uma pessoa jurídica de direito privado.
c) Ocorre quando é outorgada a outros órgãos funções de determinada entidade administrati-
va, visando ao aumento de eficiência.

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d) Ocorre quando a Lei específica cede a titularidade de serviço público a uma pessoa jurídica
do direito público, sem que o cedente interfira nas atividades.
e) Ocorre quando as organizações paraestatais celebram ajuste com a Administração Pública
por termo cooperação e se tornam parte da administração indireta.

011. (2019/FGV/PREFEITURA DE SALVADOR-BA/FISCAL DE SERVIÇOS MUNICIPAIS) De-


terminado município baiano autoriza, por meio de lei, a instituição de uma autarquia com a
finalidade de gerir o trânsito e os estacionamentos públicos da região. Para preencher os car-
gos dessa autarquia, serão realizados concursos públicos, e os empossados serão regidos
pelo regime jurídico estatutário. Além disso, visando a contenção de despesas, o Município irá
convocar alguns empresários locais para participar do capital da autarquia, deixando o Poder
Público apenas com 51% do controle.
Em relação ao apresentado na situação, está de acordo com a legislação brasileira que dispõe
sobre as autarquias:
a) A autorização da instituição da autarquia por lei, o uso do regime jurídico único estatutário
para o pessoal e a participação da iniciativa privada em seu capital.
b) A autorização da instituição por lei da autarquia e a participação de empresários em
seu capital.
c) A autorização da instituição da autarquia por lei, o uso do regime jurídico estatutário para
o pessoal.
d) O uso do regime jurídico estatutário para o pessoal e a participação da iniciativa privada em
seu capital.
e) O uso do regime jurídico estatutário para o pessoal.

012. (2019/FGV/PREFEITURA DE SALVADOR-BA/FISCAL DE SERVIÇOS MUNICIPAIS) O


Prefeito do Município Alfa solicitou orientações de sua assessoria jurídica a respeito da sis-
temática de criação de uma autarquia, da natureza de sua personalidade jurídica e da possi-
bilidade desse ente celebrar contrato, a ser firmado por seus administradores, com o poder
público, visando a ampliar a sua autonomia gerencial, orçamentária e financeira.
À luz da sistemática constitucional, a assessoria respondeu corretamente que as autarquias
a) são criadas por lei específica, possuindo personalidade jurídica de direito público e estando
autorizadas a celebrar os denominados contratos de gestão.
b) têm sua instituição autorizada por lei, possuindo personalidade jurídica de direito público e
não estando autorizadas a celebrar contratos com o Poder Público.
c) são criadas por ato administrativo negocial, possuindo personalidade jurídica de direito pú-
blico e não estão autorizadas a celebrar contratos com o Poder Público.
d) são criadas por lei específica, possuindo personalidade jurídica de direito privado e os seus
contratos são celebrados pelo Ministro responsável pela supervisão.
e) têm sua instituição autorizada por lei específica, possuindo personalidade jurídica de direito
público e os seus contratos são celebrados pelo Ministro responsável pela supervisão.
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013. (2019/FGV/DPE-RJ/TÉCNICO SUPERIOR ESPECIALIZADO/ADMINISTRAÇÃO DE EM-


PRESAS) Hércules, diretor-executivo de uma multinacional do setor de varejo, recebe um con-
vite do Presidente da República para assumir cargo de diretor-geral de uma agência regula-
dora federal. Entusiasmado com a oportunidade, mas com receio de abandonar seu emprego
seguro na multinacional, Hércules pergunta ao seu amigo Aquiles, destacado jurista, sobre a
possibilidade de perda de mandato de dirigentes das agências reguladoras. Aquiles informa,
corretamente, que:
a) por ter natureza jurídica de cargo comissionado, os cargos de dirigentes das agências regu-
ladoras são caracterizados como de livre nomeação e exoneração;
b) embora a estabilidade, por tempo determinado, seja a regra, a lei instituidora da agência
pode prever condições diferentes para a perda de cargo dos dirigentes;
c) devido ao seu caráter político, o dirigente de agência reguladora só poderá ser substituído
após cumprido integralmente seu mandato;
d) em razão de a nomeação ser realizada por meio de processo seletivo simplificado, sua de-
missão será feita apenas pelo plenário do Congresso Federal;
e) com o objetivo de garantir a autonomia das agências reguladoras no cumprimento de seus
deveres funcionais, é assegurada a vitaliciedade aos seus dirigentes.

014. (2019/FGV/DPE-RJ/TÉCNICO SUPERIOR ESPECIALIZADO/ADMINISTRAÇÃO DE EM-


PRESAS) Em relação às formas de descentralização e desconcentração administrativa, anali-
se os itens a seguir.
I – A descentralização por serviços institui uma entidade da administração indireta, contanto
que seja criada por meio de lei específica.
II – A descentralização por colaboração transfere a titularidade de execução da atividade da
Administração Pública para a iniciativa privada, por meio de contrato ou ato unilateral.
III – A desconcentração administrativa permite a criação de órgão com personalidade jurídica
de direito público, mas sem capacidade processual.
Está correto somente o que se afirma em:
a) I;
b) II;
c) III;
d) I e II;
e) I e III.

015. (2019/FGV/DPE-RJ/TÉCNICO SUPERIOR ESPECIALIZADO/ADMINISTRAÇÃO DE EMPRE-


SAS) “Levantamento da Confederação Nacional de Municípios (CNM) identificou 491 consór-
cios públicos em todo o Brasil. De acordo com o mapeamento inédito, do total de 5.568 mu-
nicípios, mais de 4 mil participam de pelo menos um consórcio público, pessoa jurídica que
executa a gestão de serviços públicos”.

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A notícia, retirada do site da Agência Brasil, faz referência à personalidade jurídica conhecida
por consórcio público, disciplinada pela Lei n. 11.107/05.
Quanto ao consórcio público, é correto afirmar que:
a) é equivalente aos órgãos públicos, representando parte da Administração Direta de todos
os entes participantes;
b) necessita do firmamento de convênios especiais entre os partícipes para o repasse de re-
cursos públicos;
c) seus cargos podem ser preenchidos sem a necessidade de realização de concurso público,
desde que respeite regulamento próprio;
d) poderá ser constituído tanto como pessoa jurídica de direito público quanto de direito privado;
e) pode exonerar os funcionários sem motivação, desde que extinta a atividade geradora da
formação do consórcio.

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GABARITO
1. e
2. a
3. c
4. a
5. e
6. b
7. e
8. c
9. d
10. b
11. e
12. a
13. b
14. a
15. d

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GABARITO COMENTADO
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001. (2019/FGV/PREFEITURA DE SALVADOR-BA/ESPECIALISTA EM POLÍTICAS PÚBLI-


CAS) Sobre a invalidação de um ato administrativo vinculado, praticado por um Secretário
Municipal de Salvador no bojo de um processo administrativo sobre fomento de determinada
política pública, é correto afirmar que, em regra, o ato pode ser
a) revogado, por questão de mérito administrativo, pelo Poder Judiciário, ou anulado, por vício
de legalidade, pelo Poder Legislativo.
b) invalidado e revogado por questão de mérito e de legalidade, respectivamente, pelo próprio
Poder Executivo e pelo Poder Judiciário.
c) revogado e anulado por questão de mérito e legalidade, respectivamente, pelos Poderes
Executivo, Judiciário e Legislativo.
d) invalidado e revogado, por questão de mérito e de legalidade, respectivamente, somente
pelo próprio Poder Executivo.
e) invalidado, por vício de legalidade, pelo próprio Poder Executivo e pelo Poder Judiciário.

a) Errada. O Poder Judiciário, se provocado, poderá realizar o controle dos atos administrati-
vos. Esse controle recai sobre os atos vinculados e discricionários. O Poder legislativo não faz
o controle de Legalidade. Além disso, segundo narra a questão o ato foi invalidado, ou seja,
ouve vício de legalidade, não podendo ser revogado.
b) Errada. A revogação ocorre por questão de mérito, já a invalidação ocorre mediante vício de
legalidade do ato. Além disso o Poder Judiciário apenas poderá revogar seus próprios atos.
c) Errada. A anulação somente pode ser feita pelo Poder Judiciário sobre os atos de ou-
tros Poderes.
d) Errada. A alternativa trocou os conceitos: a revogação é por questões de mérito, enquanto a
anulação por legalidade.
e) Certa. A anulação/ invalidação é a análise da legitimidade do ato administrativo, podendo
ser feita pela própria administração, de ofício ou mediante provocação, ou pelo Poder Judiciá-
rio, desde que seja provocado.
Letra e.

002. (2019/FGV/PREFEITURA DE SALVADOR-BA/FISCAL DE SERVIÇOS MUNICIPAIS) Um


pequeno hotel localizado no bairro do Pelourinho, no centro histórico de Salvador, decidiu apro-
veitar o movimento noturno da região para comercializar bebidas alcoólicas, transformando
parte de sua área de recepção em um bar. Posteriormente, com o sucesso inesperado, o hotel
adequou suas estruturas para funcionar exclusivamente como uma discoteca, encerrando as
atividades de hospedagem.
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Concernente à situação exposta, tem-se como possível resultado


a) a cassação imediata da licença do hotel pelo poder público, visto que a mudança de ramo
de atividade representa um descumprimento das condições que permitiam a manutenção do
ato administrativo que concedeu o alvará ao estabelecimento.
b) a caducidade do ato administrativo que viabiliza as atividades do hotel, em virtude de admi-
nistração não mais julgar oportuno e conveniente o ato administrativo que permitia as ativida-
des do estabelecimento, decorrente da mudança de ramo.
c) a invalidação dos efeitos jurídicos da atividade hoteleira do estabelecimento, amparado na
impossibilidade de convalidação dos vícios insanáveis do elemento subjetivo, tendo em vista
ilegalidade evidente das atividades da discoteca.
d) a revogação da permissão do estabelecimento, desde que precedido de devido processo
legal, obedecendo aos princípios de ampla defesa e contraditório, sendo imprescindível a pro-
vocação do judiciário para a execução do ato.
e) o decaimento do direito de exercer a atividade de hotelaria, contanto que seja demonstrada
motivação condizente com a retirada da autorização, associada diretamente à violação do es-
tabelecimento ao omitir, do fisco, alteração cadastral.

a) Certa. A cassação do ato ocorre quando o particular descumpre as condições fixadas pela
administração. A extinção se dá porque o particular beneficiário do ato não atendeu às deter-
minações da Administração. Assim, o hotel narrado perdeu sua licença já que houve mudança
do ramo de atividade.
b) Errada. A caducidade ocorre quando uma nova norma jurídica/lei torna inadmissível a si-
tuação antes permitida. É uma nova LEI que não permite mais uma situação anterior e, por
conta disso, o ato será extinto. Além disso, se a administração não mais julgar oportuno e
conveniente o ato administrativo que permitia as atividades do estabelecimento, haverá a re-
vogação do ato.
c) Errada. A atividade de discoteca não é ilegal, assim não há que se falar em invalidação.
d) Errada. A própria Administração poderia revogar seu próprio ato, não precisando do Poder
Judiciário para tal.
e) Errada. Decaimento é o mesmo que caducidade, e como já dito não se aplica ao caso narrado.
Letra a.

003. (2019/FGV/PREFEITURA DE SALVADOR-BA/FISCAL DE SERVIÇOS MUNICIPAIS) Jo-


aquim construiu irregularmente, sem obter qualquer licença para tal e ao arrepio dos ditames
legais sobre a matéria, um muro que se iniciou nos limites de sua propriedade e se estendeu
para a calçada, ocupando parte de área pública, com risco iminente de desabamento e dificul-
tando o tráfego de pedestres.

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O poder público municipal, com as formalidades legais, utilizando sua prerrogativa de direito
público que, calcada na lei, lhe autoriza a restringir o uso e o gozo da propriedade privada em
favor do interesse da coletividade, determinou a demolição da obra.
O poder administrativo que fundamentou a demolição e o atributo do ato administrativo que
fez valer tal decisão sem necessidade de prévia intervenção do Poder Judiciário, são denomi-
nados, respectivamente,
a) normativo e coercitibilidade.
b) disciplinar e autoaplicabilidade.
c) de polícia e autoexecutoriedade.
d) sancionatório e imperatividade
e) de hierarquia e impositividade.

Segundo o autor Hely Lopes Meirelles, o ato administrativo apresenta 3 atributos: presunção
de legitimidade, imperatividade e autoexecutoriedade. Esse último significa a execução direta
do ato administrativo pela própria Administração, independentemente de ordem judicial. As-
sim, quando a Administração Pública vai praticar um ato não tem que perguntar para o Poder
Judiciário se pode, ou não, praticá-lo. Do mesmo modo, tal atributo está presente no Poder de
Polícia da Administração, que é o poder do Estado de restringir, limitar ou condicionar o exercí-
cio de direitos e da propriedade em benefício do interesse público.
Letra c.

004. (2019/FGV/PREFEITURA DE SALVADOR-BA/FISCAL DE SERVIÇOS MUNICIPAIS) José


é servidor público ocupante de cargo efetivo do executivo municipal e está lotado no depar-
tamento de recursos humanos. Após estudo estratégico de pessoal de toda a administração
pública municipal, constatou-se a carência de servidores no departamento de licitação, ra-
zão pela qual o Prefeito praticou ato administrativo determinando a remoção de José para
aquele órgão.
Inconformado, José impetrou mandado de segurança, pleiteando judicialmente a manutenção
de sua lotação no setor de recursos humanos.
A pretensão de José merece
a) desacolhimento, porque a remoção é ato administrativo discricionário e, por esta razão, o
Poder Judiciário, em regra, deve controlar apenas sua legalidade e não seu mérito.
b) acolhimento, porque a remoção é ato administrativo vinculado e, por esta razão, o Poder
Judiciário, em regra, deve controlar tanto seu mérito, como sua legalidade.
c) acolhimento, porque a remoção é ato administrativo discricionário e, por esta razão, o Poder
Judiciário, em regra, deve controlar o seu mérito e concluir que deve ser respeitado o direito
subjetivo do servidor.

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d) desacolhimento, porque, apesar de a remoção ser um ato administrativo vinculado, tanto a


Administração quanto o Poder Judiciário devem analisar seu mérito, revisando os valores de
oportunidade e conveniência.
e) acolhimento, porque a remoção é ato administrativo vinculado e, por esta razão, o Poder
Judiciário deve controlar seu mérito e concluir que deve ser respeitado o direito subjetivo
do servidor.

Segundo o caso narrado, o MS não será acolhido, pois a remoção é um ato administrativo
discricionário, ou seja, a lei permite ao agente público realizar um juízo de conveniência e opor-
tunidade (mérito), decidindo o melhor ato a ser praticado. Nesses atos, a lei confere ao admi-
nistrador certa margem de liberdade para a escolha do ato mais adequado ao caso concreto.
Assim, o Poder Judiciário apenas poderá controlar a legalidade de tal ato, mas não seu mérito.

Lei 8.112/90
Art. 36. Remoção é o deslocamento do servidor, a pedido ou de ofício, no âmbito do mesmo quadro,
com ou sem mudança de sede.
Letra a.

005. (2019/FGV/PREFEITURA DE SALVADOR-BA/GUARDA CIVIL MUNICIPAL) O servidor


público ocupante do cargo de Guarda Civil Municipal de Salvador, no dia a dia do exercício de
suas funções, exerce diversas atividades, como executar segurança ostensiva, preventiva, uni-
formizada e aparelhada na proteção à população, bens, serviços e instalações do Município.
Para tal, esses servidores públicos praticam alguns atos administrativos com o atributo da
autoexecutoriedade, que consiste em
a) ser cogente, obrigando todos que se encontrem em seu círculo de incidência, ainda que o
objetivo a ser por eles alcançado contrarie interesses privados ou públicos.
b) ser de observância e execução vinculantes a todos os administrados, tão logo haja a intima-
ção pessoal das pessoas que tiverem sua esfera jurídica afetada pelos atos.
c) viabilizar a execução dos atos pela autoridade administrativa por motivos de conveniência e
oportunidade, por serem atos vinculados e obrigatórios.
d) trazerem em si, quando praticados os atos, a presunção de legitimidade, ou seja, a presun-
ção de que nasceram em conformidade com as devidas normas legais.
e) poder ser o ato, tão logo praticado, em regra, imediatamente executado, e seu objeto imedia-
tamente alcançado, sem prévia intervenção do Poder Judiciário.

Segundo o autor Hely Lopes Meirelles, o ato administrativo apresenta 3 atributos: presunção
de legitimidade, imperatividade e autoexecutoriedade. Esse último significa a execução direta
do ato administrativo pela própria Administração, independentemente de ordem judicial. As-
sim, quando a Administração Pública vai praticar um ato não tem que perguntar para o Poder
Judiciário se pode, ou não, praticá-lo.
Letra e.

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006. (2019/FGV/DPE-RJ/ADMINISTRAÇÃO DE EMPRESAS) Em matéria de classificação


dos atos administrativos quanto ao grau de liberdade do administrador público que o pratica, o
ato de primeira lotação de um Técnico Superior Especializado da Defensoria Pública aprovado
em concurso público em determinado órgão e o ato de remoção por antiguidade de um Defen-
sor Público são, respectivamente, chamados de atos:
a) simples e de império;
b) discricionário e vinculado;
c) enunciativo e de gestão;
d) declaratório e constitutivo;
e) administrativo e finalístico.

Em regra, o ato de primeira lotação é discricionário, já que a Administração que decide onde e
quando o candidato irá tomar posse. Já a remoção por motivo de antiguidade será vinculado,
por ter que seguir os ditames da lei, sem margem de discricionariedade.
Letra b.

Organização Administrativa

007. (2019/FGV/PREFEITURA DE SALVADOR-BA/ESPECIALISTA EM POLÍTICAS PÚBLI-


CAS) Até recentemente, havia o entendimento dos especialistas de que a sociedade poderia
ser classificada em dois setores, o primeiro sendo o Poder Público e o segundo o Mercado.
Com o crescente número de demandas sociais não atendidas pelo Estado, um terceiro setor
começa se consolidar e ganhar importância no atendimento das demandas da sociedade.
Assinale a opção que indica uma organização do terceiro setor.
a) Agência Executiva.
b) Sociedade Anônima.
c) Fundação Autárquica.
d) Associação Pública.
e) Entidade de Apoio.

O primeiro setor é o Estado, composto pela Administração direta e indireta. O segundo setor
é o mercado: são pessoas de direito privado que atuam no mercado, visando ao lucro. E o
terceiro setor são pessoas privadas incentivadas pelo Estado para exercerem atividade priva-
da de interesse público, sendo estimuladas por meio do fomento. Atualmente, fala-se em um
quarto setor: o mercado informal e aqueles que desempenham atividades ilícitas. A expressão
paraestatal é atualmente utilizada para se referir ao terceiro setor do Estado. Atualmente, as
entidades incluídas no terceiro setor (paraestatais) são:

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• Serviços Sociais Autônomos (Sistema “S”);


• Organizações Sociais – OSs;
• Organizações Sociais Civis de Interesse Público – OSCIPs;
• fundações ou entidades de apoio.
Letra e.

008. (2019/FGV/PREFEITURA DE SALVADOR-BA/ESPECIALISTA EM POLÍTICAS PÚBLI-


CAS) No que concerne às Agências Reguladoras, importantes entidades criadas para fiscalizar
e regular serviços de determinados setores econômicos, assinale a afirmativa incorreta.
a) As agências devem ter necessariamente personalidade jurídica de direito público, dotadas
de independência administrativa e autonomia financeira.
b) Seus dirigentes devem possuir mandatos fixos, sendo estritamente vedada a possibilidade
de exoneração ad nutum.
c) As agências são autarquias ou fundações públicas que celebraram contrato de gestão com
o Poder Público.
d) Seus atos não podem ser revistos ou alterados pelo Poder Executivo, apenas pelo Judiciário,
devendo, no entanto, agir conforme suas finalidades específicas.
e) As agências podem existir tanto em âmbito federal quanto estadual e municipal, desde que
criadas por lei.

As Agências Reguladoras foram criadas no Brasil como autarquias, mas são autarquias em
regime especial.
Letra c.

009. (2019/FGV/PREFEITURA DE SALVADOR-BA/FISCAL DE SERVIÇOS MUNICIPAIS) O


conceito de agência executiva foi criado com o objetivo precípuo de otimizar recursos, re-
duzir custos e aperfeiçoar a prestação de serviços públicos. Essa noção tem sua origem em
um modelo utilizado nos Estados Unidos e foi importado pelo Brasil no período de reforma
administrativa do Estado, na década de 90.Considerando as Agências Executivas, analise as
afirmativas a seguir.
I – É um tipo de qualificação dada à uma pessoa jurídica.
II – Garante maior autonomia ao ente público.
III – Altera a natureza jurídica da entidade.
Está correto o que se afirma em
a) I, apenas.
b) II, apenas.
c) III, apenas.
d) I e II, apenas.
e) II e III, apenas.

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Agência Executiva é uma qualificação dada à autarquia ou fundação que, por meio do contrato
de gestão com o órgão da Administração direta (Item I) a que esteja vinculada, amplia sua au-
tonomia (Item II) para a melhoria da eficiência e redução de custos (art. 37, § 8º).

§ 8º A autonomia gerencial, orçamentária e financeira dos órgãos e entidades da administração


direta e indireta poderá ser ampliada mediante contrato a ser firmado entre seus administradores e
o Poder Público, que tenha por objeto a fixação de metas de desempenho para o órgão ou entidade,
cabendo à lei dispor sobre: (…) (Incluído pela Emenda Constitucional n. 19, de 1998).

As agências executivas não são uma nova figura administrativa. É apenas o resultado de uma
qualificação, uma nova roupagem que se atribui a uma autarquia ou fundação que, mediante
contrato de gestão, realizado nos termos do art. 37, § 8º, da CF/1988, amplia sua autonomia
administrativa, financeira e patrimonial, visando a se tornar mais eficiente. É importante desta-
car que o art. 37, § 8º, da CF/1988, possibilita que órgãos e entidades da Administração direta
e indireta celebrem contrato de gestão com o Ministério supervisor. Essa possibilidade não é
restrita apenas às autarquias e fundações. Mas se qualificar como agência executiva é apenas
para autarquia ou fundações governamentais.
Letra d.

010. (2019/FGV/PREFEITURA DE SALVADOR-BA/FISCAL DE SERVIÇOS MUNICIPAIS) So-


bre a descentralização por colaboração, assinale a afirmativa correta.
a) Ocorre quando a Constituição atribui a um ente específico que exerça atribuições próprias
de forma autônoma ao ente central.
b) Ocorre quando a Administração Pública transfere, por contrato ou ato administrativo unila-
teral, a execução de serviço público a uma pessoa jurídica de direito privado.
c) Ocorre quando é outorgada a outros órgãos funções de determinada entidade administrati-
va, visando ao aumento de eficiência.
d) Ocorre quando a Lei específica cede a titularidade de serviço público a uma pessoa jurídica
do direito público, sem que o cedente interfira nas atividades.
e) Ocorre quando as organizações paraestatais celebram ajuste com a Administração Pública
por termo cooperação e se tornam parte da administração indireta.

Na descentralização, a atividade é prestada por pessoa diversa. Ocorre a distribuição de com-


petências de uma para outra pessoa. Assim, pressupõe duas pessoas: o ente político e a en-
tidade descentralizada. Na descentralização por delegação/colaboração o Estado transfere,
por contrato de concessão ou permissão de serviços públicos, ou ato administrativo de auto-

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rização, a execução de um serviço, para que um particular o preste por sua conta e risco. No
caso de permissão de serviços públicos pode ser feita a delegação para pessoas físicas ou
jurídicas; na concessão, somente para pessoas jurídicas ou consórcio de empresas.
Letra b.

011. (2019/FGV/PREFEITURA DE SALVADOR-BA/FISCAL DE SERVIÇOS MUNICIPAIS) De-


terminado município baiano autoriza, por meio de lei, a instituição de uma autarquia com a
finalidade de gerir o trânsito e os estacionamentos públicos da região. Para preencher os car-
gos dessa autarquia, serão realizados concursos públicos, e os empossados serão regidos
pelo regime jurídico estatutário. Além disso, visando a contenção de despesas, o Município irá
convocar alguns empresários locais para participar do capital da autarquia, deixando o Poder
Público apenas com 51% do controle.
Em relação ao apresentado na situação, está de acordo com a legislação brasileira que dispõe
sobre as autarquias:
a) A autorização da instituição da autarquia por lei, o uso do regime jurídico único estatutário
para o pessoal e a participação da iniciativa privada em seu capital.
b) A autorização da instituição por lei da autarquia e a participação de empresários em
seu capital.
c) A autorização da instituição da autarquia por lei, o uso do regime jurídico estatutário para
o pessoal.
d) O uso do regime jurídico estatutário para o pessoal e a participação da iniciativa privada em
seu capital.
e) O uso do regime jurídico estatutário para o pessoal.

Os servidores das Autarquias possuem cargo efetivo (= concurso). No entanto, de 2003 a 2007,
foi possível fazer concurso para regime da CLT. Isso porque a obrigatoriedade de regime jurídi-
co único foi retirada pela Emenda Constitucional n. 19/1998 da CF/1988 e, em seguida, editada
a Lei n. 9.986/2000, que permitiu contração pela CLT. No entanto, essa permissão foi até 2007,
quando o STF julgou a ADI n. 2135, entendendo que a forma de exclusão do regime jurídico úni-
co foi feita com vício formal (vício no procedimento). Assim, nessa data, retornou a obrigação
de contratação pelo regime estatutário nas autarquias.

MEDIDA CAUTELAR EM AÇÃO DIRETA DE INCONSTITUCIONALIDADE. PODER CONSTI-


TUINTE REFORMADOR. PROCESSO LEGISLATIVO. EMENDA CONSTITUCIONAL 19, DE
04.06.1998. ART. 39, CAPUT, DA CONSTITUIÇÃO FEDERAL. SERVIDORES PÚBLICOS.
REGIME JURÍDICO ÚNICO. PROPOSTA DE IMPLEMENTAÇÃO, DURANTE A ATIVIDADE
CONSTITUINTE DERIVADA, DA FIGURA DO CONTRATO DE EMPREGO PÚBLICO. INOVA-
ÇÃO QUE NÃO OBTEVE A APROVAÇÃO DA MAIORIA DE TRÊS QUINTOS DOS MEMBROS

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DA CÂMARA DOS DEPUTADOS QUANDO DA APRECIAÇÃO, EM PRIMEIRO TURNO, DO DES-


TAQUE PARA VOTAÇÃO EM SEPARADO (DVS) n. 9. SUBSTITUIÇÃO, NA ELABORAÇÃO DA
PROPOSTA LEVADA A SEGUNDO TURNO, DA REDAÇÃO ORIGINAL DO CAPUT DO ART. 39
PELO TEXTO INICIALMENTE PREVISTO PARA O PARÁGRAFO 2º DO MESMO DISPOSITIVO,
NOS TERMOS DO SUBSTITUTIVO APROVADO. SUPRESSÃO, DO TEXTO CONSTITUCIONAL,
DA EXPRESSA MENÇÃO AO SISTEMA DE REGIME JURÍDICO ÚNICO DOS SERVIDORES
DA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA. RECONHECIMENTO, PELA MAIORIA DO PLENÁRIO DO
SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL, DA PLAUSIBILIDADE DA ALEGAÇÃO DE VÍCIO FORMAL
POR OFENSA AO ART. 60, § 2º, DA CONSTITUIÇÃO FEDERAL. RELEVÂNCIA JURÍDICA DAS
DEMAIS ALEGAÇÕES DE INCONSTITUCIONALIDADE FORMAL E MATERIAL REJEITADA
POR UNANIMIDADE. 1. A matéria votada em destaque na Câmara dos Deputados no DVS
n. 9 não foi aprovada em primeiro turno, pois obteve apenas 298 votos e não os 308 neces-
sários. Manteve-se, assim, o então vigente caput do art. 39, que tratava do regime jurídico
único, incompatível com a figura do emprego público. 2. O deslocamento do texto do § 2º
do art. 39, nos termos do substitutivo aprovado, para o caput desse mesmo dispositivo
representou, assim, uma tentativa de superar a não aprovação do DVS n. 9 e evitar a per-
manência do regime jurídico único previsto na redação original suprimida, circunstância
que permitiu a implementação do contrato de emprego público ainda que à revelia da regra
constitucional que exige o quorum de três quintos para aprovação de qualquer mudança
constitucional. 3. Pedido de medida cautelar deferido, dessa forma, quanto ao caput do
art. 39 da Constituição Federal, ressalvando-se, em decorrência dos efeitos ex nunc da
decisão, a subsistência, até o julgamento definitivo da ação, da validade dos atos anterior-
mente praticados com base em legislações eventualmente editadas durante a vigência do
dispositivo ora suspenso. 4. Ação direta julgada prejudicada quanto ao art. 26 da EC 19/98,
pelo exaurimento do prazo estipulado para sua vigência. 5. Vícios formais e materiais dos
demais dispositivos constitucionais impugnados, todos oriundos da EC 19/98, aparente-
mente inexistentes ante a constatação de que as mudanças de redação promovidas no
curso do processo legislativo não alteraram substancialmente o sentido das proposições
ao final aprovadas e de que não há direito adquirido à manutenção de regime jurídico ante-
rior. 6. Pedido de medida cautelar parcialmente deferido.(ADI 2135 MC, Relator(a): Min.
NÉRI DA SILVEIRA, Relator(a) p/ Acórdão: Min. ELLEN GRACIE (ART.38,IV, b, do RISTF),
Tribunal Pleno, julgado em 02/08/2007, DJe-041 DIVULG 06-03-2008 PUBLIC 07-03-2008
EMENT VOL02310-01 PP-00081 RTJ VOL-00204-03 PP-01029).

Por fim, observe-se que, em qualquer caso, independentemente da época de admissão e do


regime de pessoal adotado, as autarquias são alcançadas pela regra constitucional que exige
a realização de concurso público (art. 37, II, CF/1988), bem como pela vedação de acumulação
remunerada de cargos, empregos e funções públicas (art. 37, XVII, CF/1988).
Letra e.

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012. (2019/FGV/PREFEITURA DE SALVADOR-BA/FISCAL DE SERVIÇOS MUNICIPAIS) O


Prefeito do Município Alfa solicitou orientações de sua assessoria jurídica a respeito da sis-
temática de criação de uma autarquia, da natureza de sua personalidade jurídica e da possi-
bilidade desse ente celebrar contrato, a ser firmado por seus administradores, com o poder
público, visando a ampliar a sua autonomia gerencial, orçamentária e financeira.
À luz da sistemática constitucional, a assessoria respondeu corretamente que as autarquias
a) são criadas por lei específica, possuindo personalidade jurídica de direito público e estando
autorizadas a celebrar os denominados contratos de gestão.
b) têm sua instituição autorizada por lei, possuindo personalidade jurídica de direito público e
não estando autorizadas a celebrar contratos com o Poder Público.
c) são criadas por ato administrativo negocial, possuindo personalidade jurídica de direito pú-
blico e não estão autorizadas a celebrar contratos com o Poder Público.
d) são criadas por lei específica, possuindo personalidade jurídica de direito privado e os seus
contratos são celebrados pelo Ministro responsável pela supervisão.
e) têm sua instituição autorizada por lei específica, possuindo personalidade jurídica de direito
público e os seus contratos são celebrados pelo Ministro responsável pela supervisão.

Autarquia é a pessoa jurídica de direito público, criada por lei específica para o desempenho
de atividades típicas de Estado, como fiscalização, regulação, assistência social, seguridade
social, poder de polícia. Vejamos o conceito apresentado pelo Decreto n. 200/1967:

Art. 5º
I – o serviço autônomo, criado por lei, com personalidade jurídica, patrimônio e receita próprios, para
executar atividades típicas da Administração Pública, que requeiram, para seu melhor funcionamen-
to, gestão administrativa e financeira descentralizada.

Além disso, temos as chamadas Agências Executivas que são uma qualificação dada à autar-
quia ou fundação que, por meio do contrato de gestão com o órgão da Administração direta a
que esteja vinculada, amplia sua autonomia para a melhoria da eficiência e redução de custos
(art. 37, § 8º).

§ 8º A autonomia gerencial, orçamentária e financeira dos órgãos e entidades da administração


direta e indireta poderá ser ampliada mediante contrato a ser firmado entre seus administradores e
o Poder Público, que tenha por objeto a fixação de metas de desempenho para o órgão ou entidade,
cabendo à lei dispor sobre:
Letra a.

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013. (2019/FGV/DPE-RJ/TÉCNICO SUPERIOR ESPECIALIZADO/ADMINISTRAÇÃO DE EM-


PRESAS) Hércules, diretor-executivo de uma multinacional do setor de varejo, recebe um con-
vite do Presidente da República para assumir cargo de diretor-geral de uma agência regula-
dora federal. Entusiasmado com a oportunidade, mas com receio de abandonar seu emprego
seguro na multinacional, Hércules pergunta ao seu amigo Aquiles, destacado jurista, sobre a
possibilidade de perda de mandato de dirigentes das agências reguladoras. Aquiles informa,
corretamente, que:
a) por ter natureza jurídica de cargo comissionado, os cargos de dirigentes das agências regu-
ladoras são caracterizados como de livre nomeação e exoneração;
b) embora a estabilidade, por tempo determinado, seja a regra, a lei instituidora da agência
pode prever condições diferentes para a perda de cargo dos dirigentes;
c) devido ao seu caráter político, o dirigente de agência reguladora só poderá ser substituído
após cumprido integralmente seu mandato;
d) em razão de a nomeação ser realizada por meio de processo seletivo simplificado, sua de-
missão será feita apenas pelo plenário do Congresso Federal;
e) com o objetivo de garantir a autonomia das agências reguladoras no cumprimento de seus
deveres funcionais, é assegurada a vitaliciedade aos seus dirigentes.

A principal diferença entre uma autarquia comum e a agência reguladora está no modo de
escolha ou nomeação do dirigente. Em uma autarquia comum, os dirigentes ocupam cargo de
natureza especial (cargo em comissão); dessa forma, são de livre nomeação e exoneração, a
critério da autoridade competente. No caso das agências reguladoras, os dirigentes são indi-
cados pelo Chefe do Poder Executivo, mas dependem de aprovação do Poder Legislativo. No
plano federal, essa aprovação é feita pelo Senado. Outro ponto distintivo está na existência
de mandato dos dirigentes insuscetíveis de destituição a critério do Chefe do Executivo. O
prazo de mandato e as possibilidades de sua perda estão dispostos na lei de cada agência
reguladora, pois não existe prazo uniforme para todas as agências. Além disso, nas agências
reguladoras os dirigentes têm mandato fixo.
Letra b.

014. (2019/FGV/DPE-RJ/TÉCNICO SUPERIOR ESPECIALIZADO/ADMINISTRAÇÃO DE EM-


PRESAS) Em relação às formas de descentralização e desconcentração administrativa, anali-
se os itens a seguir.
I – A descentralização por serviços institui uma entidade da administração indireta, contanto
que seja criada por meio de lei específica.
II – A descentralização por colaboração transfere a titularidade de execução da atividade da
Administração Pública para a iniciativa privada, por meio de contrato ou ato unilateral.

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III – A desconcentração administrativa permite a criação de órgão com personalidade jurídica


de direito público, mas sem capacidade processual.
Está correto somente o que se afirma em:
a) I;
b) II;
c) III;
d) I e II;
e) I e III.

De início vamos analisar item por item. Item I único correto, pois na chamada descentralização
por outorga, o Estado cria, por lei, uma pessoa jurídica (entidade administrativa) que integra a
Administração indireta (autarquias, fundações, empresas públicas e sociedades de economia
mista). Item II errado, pois na descentralização por delegação/colaboração, o Estado transfere,
por contrato de concessão ou permissão de serviços públicos, ou ato administrativo de autori-
zação, a execução de um serviço, para que um particular o preste por sua conta e risco. O Esta-
do nunca irá transferir a titularidade. Por fim, Item III também errado, pois na desconcentração
os órgãos que são criados não possuem personalidade jurídica; assim, a pessoa jurídica que
realizou a distribuição interna de competências responderá pelos atos de seus órgãos.
Letra a.

015. (2019/FGV/DPE-RJ/TÉCNICO SUPERIOR ESPECIALIZADO/ADMINISTRAÇÃO DE EMPRE-


SAS) “Levantamento da Confederação Nacional de Municípios (CNM) identificou 491 consór-
cios públicos em todo o Brasil. De acordo com o mapeamento inédito, do total de 5.568 mu-
nicípios, mais de 4 mil participam de pelo menos um consórcio público, pessoa jurídica que
executa a gestão de serviços públicos”.
A notícia, retirada do site da Agência Brasil, faz referência à personalidade jurídica conhecida
por consórcio público, disciplinada pela Lei n. 11.107/05.
Quanto ao consórcio público, é correto afirmar que:
a) é equivalente aos órgãos públicos, representando parte da Administração Direta de todos
os entes participantes;
b) necessita do firmamento de convênios especiais entre os partícipes para o repasse de re-
cursos públicos;
c) seus cargos podem ser preenchidos sem a necessidade de realização de concurso público,
desde que respeite regulamento próprio;
d) poderá ser constituído tanto como pessoa jurídica de direito público quanto de direito privado;
e) pode exonerar os funcionários sem motivação, desde que extinta a atividade geradora da
formação do consórcio.

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AULA ESSENCIAL 80/20
Direito Administrativo
Gustavo Scatolino

Os consórcios públicos são pessoas jurídicas formadas exclusivamente por entes da Federa-
ção, nos termos do art. 241 da CF/1988 e da Lei n. 11.107/2005, para a prestação de serviços
públicos, na forma de gestão associada. Os entes federativos, ao formarem o consórcio pú-
blico, deverão constituir associação, que o administrará. No entanto, essa associação pode
ser de direito privado ou de direito público, sendo que neste último caso terá a natureza de
autarquia.
Letra d.

Gustavo Scatolino
Atualmente é procurador da Fazenda Nacional. Bacharel em Direito e pós-graduado em Direito
Administrativo e Processo Administrativo. Ex-assessor de ministro do STJ. Aprovado em vários concursos
públicos, dentre eles, analista judiciário do STJ, exercendo essa função durante cinco anos, e procurador
do Estado do Espírito Santo.

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