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04/12/2014

Estatístical

Universidade Estadual de LondriNA CENTRO DE CIÊNCIAS Biológicas


DEPARTAMENTO de Biologia Geral
COB
CENTRO DE CIENCIAS BIOLOGICAS
http://www.uel.br/pessoal/rogeriolgenetica/respostas/pratica_07a.html
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04/12/2014
Estatístical

As regras de probabilidade e a primeira e segunda leis de Mendel:

Informações gerais:

Qual seria a chance de alguém ser atingido por um meteorito ou de


ganhar na loteria? Ou do touro Juvenal e Estrela, ambos mochos, que tiveram
um descendente chifrudo, venham a ter um segundo descendente mocho? Esses exemplos,
embora tão diferentes, compartilham uma coisa em comum: eles envolvem situações
futuras para as quais ainda não sabemos os resultados e que poderão acontecer de
diferentes formas.

Seria possível determinar com exatidão a chance de ocorrência de cada um


desses eventos? Bom, existe uma área da ciência, chamada de Estatística, que se
utiliza de teorias probabilísticas para calcular a possibilidade que eventos, que ocorrem
de uma maneira regular, venham a se repetir no futuro. Mas, o que seriam as
teorias probabilísticas e como elas podem responder a tais tipos de
questões?

Definindo probabilidade:

Do Latim probare = provar/testar, probabilidade é a palavra usada em estatística


para se referir a situações que podem ter diferentes resultados.

E o que sorte e azar têm a ver com probabilidade?

De um modo geral chamamos de sorte quando obtemos um resultado que nos é


vantajoso, como ganhar na loteria. Por outro lado, se nos for nocivo, como nascermos
com uma doença hereditária, falamos de azar. Acontece que as teorias probabilísticas
usadas pela estatística são ferramentas muito úteis justamente porque permitem que
calculemos a chance de termos "sorte" ou "azar" em uma série de situações.

O uso das teorias probabilísticas em nosso cotidiano:

Embora a primeira vista as teorias probabilísticas pareçam complicadas ou deem a


impressão de servirem apenas para resolver coisas sem muita importância, como
determinarmos a chance de alguém ser atingido por um meteorito, elas estão
definitivamente inseridas na nossa sociedade.

Das análises feitas em uma previsão eleitoral, passando pelo lançamento de


satélites em órbita da Terra até os testes de eficiência de novos medicamentos para
o combate ao câncer, isso tudo é apoiado por cálculos probabilísticos e por suas
derivações.

E, embora não resolvam o nosso problema de origem hereditária, elas


podem nos ajudar mostrando, por exemplo, quais serão os riscos de
passarmos essa mesma característica para os nossos descendentes.

Ou seja, as teorias probabilísticas e a estatística nos ajudam nas


tomadas de decisões.

Exemplificando:

O touro Juvenal e a vaca Estrela são heterozigotos para o gene que


confere a ausência/presença de chifres. Sabemos também que, devido a
segregação meiótica, este casal irá produzir dois tipos de gametas (Ce c) para essa
característica, nas frequências de 50% cada.

Vaca

vaca
Progenitores: Fenótipo: Genótipo: Gametas:

x
Touro Mocho

(Cc) 50% (C) e 50% (c)


Mocha
(CC) 50% (C) e 50% (c)

Como a união de gametas masculinos e femininos com diferentes alelos de um


loco acontece de maneira independente, podemos calcular a probabilidade de surgimento
de cada uma das combinações genotípicas possíveis usando as regra do produto e da
adição.

Touro x Vaca Cc Cc
CC Cc Cc cc

A- A regra do produto:

Em probabilidade, a regra do produto se refere a chance de que dois eventos


independentes (A e B) ocorram simultaneamente:

P(A e B) = P(A) x P(B)

Essa regra é utilizada, por exemplo, na seguinte situação: Qual seria a


chance de Juvenal e Estrela produzirem um bezerro chifrudo (cc)?

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Estatística Neste caso, tal probabilidade depende do encontro casual
de um espermatozoide e de um cócito, cada um deles carregando um
alelo c:

o Como a probabilidade de cada um desses gametas carregarem o


alelo cé P(c) = 1/2 ou 50%, então:

• P(filhote ser chifrudo - cc) = P(Juvenal produzir um gameta c)


P(Estrela produzir um gameta c)

• P(filhote ser chifrudo - cc) = 0,5 x 0,5

• P(filhote ser chifrudo - cc) = 0,25 ou 25%

Um outro exemplo, usando a segregação de dois caracteres


independentes: qual seria a chance de Juvenal e Estrela gerarem uma
novilha mocha?

Touro x Vaca XY XX
Touro x Vaca Cc Cc
XX XY XX XY
CC Cc Cc cc

• Aqui, devemos considerar a chance de nascer uma fêmea (XX) e de


ela ser mocha (C_):

o P(ser novilha - XX) = 1/2 ou 50%

o P(ser mocha) = 3/4 ou 75% o P(ser novilha e mocha) = 0,5 x 0,75


= 0,375 ou 37,5%

O gráfico a seguir mostra todas as possibilidades de nascimentos de machos e


fêmeas mochos e chifrudos:

12,5%
37,5%

37,5%
12,5%
P(Femea e mocha) P(Fêmea e chifruda) P(Macho e mochoj P(Macho e chifrudoj

Observe o seguinte cruzamento diíbrido:

Vaca

Progenitores: Fenótipo: Genótipo:


X
Touro Mocho e Preto
(CcVv) 25% (CV), 25% (CV), 25% (CV) e 25% (cv)
Mocha e Preta
(CCV) 25% (CV), 25% (CV), 25% (CV) e 25% (cv)
Gametas:

Se esses dois caracteres segregam independentemente, se espera as


seguintes proporções genotípicas e fenotípicas para cada caráter:

Proporção Genotipica
Proporção Fenotipica
Proporgao Genotipica
Proporção Fenotipica

1/4 CC 2/4 Cc
3/4 Mocho
1/4 W 2/4 Vy
3/4 Pelagem preta

1/4 ac
1/4 Chifrudo
1/4 v
1/4 Pelagem vermelha

Considerando a combinação de dois desse caracteres:


• A probabilidade deste casal gerar um filhote chifrudo e com pelagem
vermelha será:

o P(chifrudo e vermelha) = 1/4 x 1/4 = 1/16 ou 0,0625 ou 6,25%

• A probabilidade deste casal gerar um filhote mocho e com pelagem


vermelha será:

o P(mocho e vermelha) = 3/4 x 1/4 = 3/16 ou 0,1875 ou


18,75%

Considerando o espaço amostral para todas as


combinações possíveis:

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56,25% (9/16)
6,25% (1/16)
18,75% (3/16)

P(mocho e preto) P(mocho e vermelho) P(chifrudo e preto) P(chifrudo e vermelha)

18,75% (3/16)

B-A regra da adição:

Se quisermos saber a probabilidade do filhote de Estrela e Juvenal nascer mocho, temos


que considerar o fato que existem três possibilidades independentes disso
acontecer (e, para cada uma delas, continuamos a usar a regra do produto):

• P (do filhote ser mocho homozigoto - CC) = P(Juvenal fornecer um gameta


C) xP(Estrela fornecer um gameta C) =
0,5 x 0,5 = 0,25 ou 25%

• P (do filhote ser mocho heterozigoto - Cc) = P(Juvenal fornecer um gameta


C)*P(Estrela fornecer um gameta c) =
0,5 x 0,5 = 0,25 ou 25%

P (do filhote ser mocho heterozigoto - CC)= P(Juvenal fornecer um gameta c) x


P(Estrela fomecer um gameta C) = 0,5 x 0,5 = 0,25 ou 25%

Mas, se estamos interessados em saber a chance deste filhote nascer


mocho, independente do seu genótipo, então temos que usar a regra da
adição:

. Em probabilidade, se os eventos A e B são independentes e se estes não se superpõem


no universo amostral, a
chance de que pelo menos um dele aconteça é dado pela regra da adição:

P(A ou B) = P(A) + P(B)


No nosso exemplo, os três eventos independentes anteriores preenchem a
situação sugerida: Ou seja, a probabilidade do filhote de Juvenal e Estrela
nascer mocho será:

• P(do filhote ser mocho-C_)=P(CC) + P(CC) + P(CC)=0,25 +0,25


+0,25 = 0,75 ou 75%

Mudando um pouco a pergunta: Poderíamos ser mais específicos em nosso


questionamento perguntando qual seria a chance desse filhote ser heterozigoto para
esse loco?

• Vimos há pouco que existem duas formas de surgimento de um filhote


heterozigoto: Juvenal contribuindo com o alelo
Ce Estrela com o alelo c, ou o contrário, Juvenal fomecendo c e Estrela C.

Então, novamente usaremos a regra da adição para responder a esta


pergunta:

• P(do filhote ser heterozigoto - Cc)= P(CC) + P(CC)= 0,25 +0,25 = 0,50 ou 50%.

Reunindo todas as possibilidades do nosso universo amostral:

Todas as possibilidades de encontro casual dos gametas de Estrela e


Juvenal podem ser resumidas no quadro a seguir, conhecido como Quadrado
de Punnett:

Juvenal
Gametas
12C

с
4С 12x12 = 14 CC
(Mocho) bx2 = 14 Cc
(Mocho)
Estrela
x2 = 14 CC
(Mocho) 12x 12 = 14 CC (Chifrudo)
120

Observe que se somarmos todas essas probabilidades, teremos 100% dos


eventos possíveis para os genótipos/fenótipos do filhote desse casal:

• P(Filhote de Juvenal e Estrela)= P(ser mocho homozigoto) + P(ser mocho


heterozigoto) + P(ser chifrudo homozigoto)

• P(Filhote de Juvenal e Estrela) = 1/4 + 2/4 +1/4 ou 0,25 +0,50 +0,25 = 1,00

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OU

• P(Filhote de Juvenal e Estrela) = P(ser mocho) + P(ser chifrudo)

• P(Filhote de Juvenal e Estrela) = 3/4 + 1/4 ou 0,75 +0,25 = 1,00

A probabilidade condicional: Também podemos impor outras restrições às nossas perguntas:


Por exemplo, podemos indagar qual será a probabilidade de
que um descendente de
Juvenal e Estrela seja heterozigoto, tendo em vista que esse ele é mocho?

Neste caso temos que utilizar os princípios da probabilidade condicional. Isso


porque o filhote já nasceu, já cresceu e então sabemos de antemão que ele é mocho!

Espaço amostral: Antes do nascimento:


Depois do nascimento:

CC (Mocho)
Cc (Mocho)
CC (Mocho)
Cc (Mocho)

Cc (Mocho) cc (Chifrudo)
Cc (Mocho)

Portanto, não existe mais no nosso universo amostral a possibilidade dele


ser chifrudo (ou cc):

Gametas
120
Juvenal
- 2c 1x 12 = 14 CC
(Mocho) 14.16 = 12.00 TChifrudo
720 12x = 14 CC
(Mocho) 2x12 = 14 Cc
(Mocho)
Estrela
120

Assim, a probabilidade condicional (a probabilidade de um evento A acontecer, dado


um evento B) é dada da seguinte forma:

P(ANB) = P(A/B)/P(B)
No nosso exemplo, P(B) é a probabilidade de um bezerro ser mocho (3/4) e P(A/B) é
a probabilidade de um bezerro mocho ser heterozigoto (2/4).

• Colocando na equação:

o P(heterozigoto lem sendo mocho) = (2/4)(3/4)

o P(heterozigoto lem sendo mocho) = 2/3 ou ou 0,6667 ou 66,67%

Observe a diferença:

• Se tivéssemos perguntado qual seria a probabilidade de um filhote de


Estrela e Juvenal nascer mocho e heterozigoto
(Cc), responderíamos que esta seria de 50%!

• Isso porque, neste caso, como ele ainda não nasceu, não podemos descartar a
possibilidade dele nascer e se tomar
chifrudo (cc).

O modelo de distribuição binomial: Também podemos utilizar as regras de probabilidade


para calcular a chance de vários filhotes de Juvenal e Estrela nascerem com uma
determinada combinação de características. Por exemplo, qual seria a
probabilidade de Juvenal e Estrela produzirem 2 bezerros chifrudos?

Neste caso, sabemos que cada nascimento é um evento independente, ou seja, se


a probabilidade do primeiro filhote nascer mocho é de 25%, no próximo parto existirá
também 25% do filhote ser mocho.

Então, como estamos querendo saber a chance de Juvenal e Estrela terem


dois filhotes mochos, também usaremos a regra do produto:

• P(dois filhotes mochos ou cc)=P(do primeiro filhote ser mocho) x P(do


segundo filhote ser mocho)

• P(dois filhotes mochos ou CC) = 0,25 x 0,25

• P(dois filhotes mochos ou cc) = 0,0625 ou 6,25%

A chance desses dois filhotes serem chifrudos também é calculada da


mesma maneira:

• P(dois filhotes serem chifrudos)=P(primeiro ser chifrudo) xP(segundo ser


chifrudo)

• P(dois filhotes serem chifrudos) = 0,25 x 0,25 = 0,0625 ou 6,25%


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Por outro lado, para calcularmos a probabilidade deles virem a ter um filhote
chifrudo e um mocho, temos que considerar as seguintes situações:

• Se impusermos a ordem de nascimento - por exemplo, o primeiro filhote será


chifrudo e o segundo será mocho,
então teremos:

o P(do primeiro filhote ser chifrudo e do segundo ser mocho) = P(chifrudo) x


P(mocho)

o P(do primeiro filhote ser chifrudo e do segundo ser mocho) = 0,25 0,75 = 0,1875
ou 18,75%

• Porém, se não impusermos a ordem de nascimento, então teremos que


considerar as duas situações possíveis:

o P(do primeiro filhote ser chifrudo e do segundo ser mocho) = 0,25 x


0,75 = 0,1875 ou 18,75% o P(do primeiro filhote ser mocho e do
segundo ser chifrudo) = 0,75 x0,25 = 0,1875 ou 18,75%

• Então, a probabilidade de nascer um filhote mocho e um chifrudo não


importando a ordem de nascimento será:

o P(chifrudo e mocho ou mocho e chifrudo) = 0,1875 +0,1875 = 0,375 ou 37,50%

Aumentando o número de filhotes:

Para duas ou três combinações é fácil calcular dessa forma. Entretanto, se aumentamos o número de
previsões temos que lançar mão de alguns princípios matemáticos para obtermos mais rapidamente os
resultados desejados.

Nesse nosso exemplo, como se tratam de dois eventos que segregam em duas classes
distintas (Ex mocho ou chifrudo, preto ou vermelho, macho ou fêmea, etc) podemos
trabalhar com a probabilidade binomial, da seguinte forma:

Prevendo apenas um descendente


a = probabilidade de ser mocho (4) b = probabilidade de ser chifrudo (14)
Prevendo vários descendentes
(a + b)n com n + 1 termos

No caso de 2 descendentes, podemos calcular as diferentes possibilidades


a partir do seguinte binômio:
(a + b)2 = a2 + 2ab + b2

• onde, a? é a chance dos dois filhotes nascerem mochos, 2ab de um ser


mocho e o outro chifrudo (não importando a
ordem de nascimento) e b2 dos dois serem chifrudos.

No caso de 3 descendentes:

(a + b)* = a* + 3a2b + 3ab2 + b

• onde, a’ é a chance dos três filhotes nascerem mochos, 3a2b de serem dois
mochos e um chifrudo, 3ab2 de serem
um mocho e dois chifrudos e b3 dos três serem chifrudos.
Se formos calcular para vários descendentes, podemos expandir os
binômios ou então utilizar a seguinte equação:

n!
P
=
- abt
s!t!

• onde, Pé a probabilidade geral do evento de interesse ocorrer, n é o número total de eventos, sé o número
de
vezes que desejamos que o evento 1 ocorra, t é o número de vezes que
desejamos que o evento 2 ocorra, a é a probabilidade de ocorrência do evento 1 e ba
probabilidade de ocorrência do evento 2.

Vamos então calcular a chance de nascerem três filhotes mochos usando essa
equação:

• P= três filhotes

• s = número desejado de mochos

• t= número desejado de chifrudos

• a = probabilidade de um filhote nascer mocho

• b = probabilidade de um filhote nascer chifrudo

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Colocando esses dados na equação:

• P = [3!/(30!)] < (3/4)3 x (1/4)0


• P = 0,421875 ou 42,19%
Para o caso de três descendentes, sendo um mocho e dois chifrudos,
não importando a ordem de nascimento:

• P = [3!/(1!2!)] < (3/4)1x(1/4)2


• P = 0,140625 ou 14,06%

e assim por diante.


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