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Responsabilidade civil extracontratual ou extra obrigacional


Por factos ilícitos  no caso apresentado estamos perante uma situação em
que não existe nenhuma relação obrigacional entre o lesante e o lesado, logo,
e porque não representa nenhum negócio jurídico, estamos perante uma
relação civil extracontratual prevista nos arts 483º ss do CC, ou seja, a violação
de direitos absolutos que consubstancia a prática de factos ilícitos. Este tipo de
responsabilidade tem uma função reparadora e preventiva, na medida em que
as pessoas sabem que se lesarem o direito de outrem irão ter de indemnizar e
restituir a situação inicial, tem também uma função punitiva dado que a culpa é
relevante para efeitos de determinação da indemnização. Assim sendo, cabe
agora analisar os cinco pressupostos cumulativos para averiguar se há ou não
lugar a indemnização por parte do lesante (ou lesantes) ao lesado, são eles o
facto voluntário do agente, a ilicitude do facto, a culpa, o nexo de causalidade e
o dano.
 Quanto ao facto voluntário, importa saber se o lesante atuou num
estado de plena capacidade cognitiva e volitiva, controlando o seu
comportamento pela vontade e dotado de plena capacidade de agir (ou omitir)
esse mesmo comportamento, art 483º/1cc (ou 486º cc). É de referir que este
facto não tem de ser intencional, basta ser danoso, mas é necessário que o
agente em alternativa pudesse ter adotado um resultado diferente daquele que
praticou.
(dizer que se verificou porque A continha estas condições)
 Quanto ao segundo pressuposto a ilicitude do ato que se consubstancia
na violação de um dever jurídico, isto é
 na violação de um direito absoluto, sendo que no caso
apresentado, estamos perante uma violação ao direito à
vida, integridade física, propriedade…
 na violação de normas de proteção de interesses alheios,
sendo que no caso práticos estamos perante a violação da
paz, segurança, fácil circulação nas estradas,..
 na ofensa do crédito ou bom nome, art 484ºcc
 485º, conselhos, recomendações ou informações
 334º abuso de direito, pois excede clamorosamente os
limites do drt ou os interesses de boa-fé e dos bons
costumes
 335º colisão de direitos
No entanto apesar da ilicitude do ato em si, existem situações em que a
ilicitude é afastada, através de cláusulas gerais (cumprimento de um
dever, quando a ordem provém de uma autoridade pública e não pode
contribuir para um ilícito penal; Exercício de um direito, associado ao
abuso de direito) ou cláusulas especiais de exclusão de ilicitude sendo
elas:
 Ação direta (336º) - Mecanismo de proteção de um direito
próprio que foi anteriormente violado. Para tal a ação visa
assegurar um dto próprio, não podendo ser usada em drts
alheios, tem de haver uma impossibilidade de recorrer em
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tempo útil aos meios coercivos normais para evitar a


inutilização desse direito, não pode exceder o estritamente
necessário e não pode sacrificar interesses
manifestamente superiores aos que visa defender.
Verificando-se estes pressupostos, a ação é considerada
lícita e não há lugar a indemnização.
 Legítima defesa (337º) - ação realizada pelo próprio titular
de um direito, ou por um terceiro, contra uma agressão
atual e ilícita a esse direito, quando não for possível em
tempo útil recorrer à autoridade pública. Para tal a
agressão tem de ser atual e ilícita, tem de haver uma
impossibilidade de recorrer aos meios normais e o prejuízo
causado não pode ser manifestamente superior ao que
resultar da agressão. Verificando-se estes pressupostos, a
ação é considerada lícita e não há lugar a indemnização.
 Estado de necessidade 339ºss havendo a lesão de um
direito ou de um bem alheio para defesa face a um perigo
atual contra um direito ou bem jurídico da pessoa ou
património do agente ou do terceiro. Para tal, tem de haver
uma impossibilidade de recorrer aos meios normais, a
conduta do agente tem de ser considerada um meio
necessário para preservar um direito ou bem jurídico
ameaçado e os interesses defendidos têm de ser
manifestamente superiores aos sacrificados. Verificando-
se estes pressupostos, a ação é considerada lícita e não
há lugar a indemnização.
Quer a legítima defesa, quer a ação direta podem dar origem a situações do
estilo previstas no 338º - erro sobre os pressupostos da ação direta ou da
legítima defesa. Estas situações acontecem quando o agente (autor da ação
direta ou da legítima defesa) está convencido que a situação é uma, quando de
facto é uma situação diferente – há um engano. Este erro dá origem a causas
de exclusão da culpa e não a causas de exclusão da ilicitude, uma vez que o
comportamento é sempre ilícito; é-o porque há violação do direito de outrem e
porque causam prejuízo quanto ao resultado. Contudo, não é considerado
culposo se o erro for desculpável (se o homem médio nas mesmas
circunstâncias seria também induzido em erro). Sendo desculpável, apesar da
ação ser ilícita, não há lugar a responsabilidade civil uma vez que não
preenche os pressupostos da responsabilidade civil.
A diferença fundamental entre a legítima defesa e o estado de necessidade é
que no primeiro estamos a causar dano a quem nos está a ameaçar ou quem
pretende violar um direito nosso, enquanto que no estado de necessidade
estamos a causar dano a um terceiro que nada tem a ver com a pessoa que
nos ameaça ou que pretende causar o dano. Por isso mesmo, a legítima
defesa é considerada lícita e não dá lugar a indemnização e o estado de
necessidade, como em princípio a ação defensiva implica causar dano a um
terceiro, essa ação é considerada lícita, mas há sempre lugar a indemnização
de terceiro. Essa indemnização deve ser da exclusiva responsabilidade do
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agente (339º/2) ou fixada equitativamente entre o agente quem dá origem ao


estado de necessidade e quem dele beneficia.

 Consentimento do Lesado (340º) - o ato que lesa é lícito


desde que, o ofendido tenha consentido a lesão, mas o
consentimento do lesado não exclui a ilicitude do ato,
quando este se mostre contrário a uma proibição legal ou
aos bons costumes (ex: se praticar um ato contra as regras
do jogo) ). O consentimento do ofendido deve anteceder o
ato. Existe, contudo, uma presunção de consentimento,
como determina o art. 340º/3.
o No que diz respeito à culpa, é o juízo de censura feito pela ordem
jurídica ao agente, assim ter culpa significa que o agente podia e devia ter
agido de forma diferente, mais ainda não basta, que se verifique uma violação
ilícita de um direito ou interesse juridicamente protegido de outrem. Impõe-se,
ainda, que se tenha procedido com dolo (ato praticado com a intenção
malévola de o produzir) ou mera culpa (consiste no simples desleixo,
imprudência ou inaptidão), em sentido amplo consiste precisamente na
imputação do facto ao agente. É fundamental interpretar o artigo 488º, no
momento em que o agente atua. Isto é, o agente pode ser imputável ou
inimputável (imputável= maior de 7 anos), sendo que poderá ainda existir uma
situação de inimputabilidade transitória (álcool, drogas), ou seja quando alguém
se coloca nesse estado culposamente. A regra que consubstancia este
pressuposto é de que cabe ao lesado provar a culpa do agente 487º nº1, salvo
presunção legal de culpa prevista nos artigos 491º, 492º, 493º, 503º nº 3, onde
é o lesante que tem de provar que não teve culpa. Note-se que quando o
agente tem contra si uma determinada presunção, não significa que seja
culpado. A única coisa que resulta da presunção (350º) é que há uma inversão
do ónus da prova (344º), deixando-se de aplicar o 487º/1 para ter de ser o
agente a provar que o comportamento que lhe é imputável não foi culposo.
Mais ainda, se estivermos perante um caso em que exista culpa provada, esta
prevalece e até mesmo absorve a culpa presumida e o risco, e a presumida
prevalece sobre o risco.
 Existe também a relevância negativa da causa virtual: A
relevância negativa significa que a causa virtual afasta o
autor da causa real, retirando-lhe a responsabilidade. Mas
atenção a causa virtual apenas é relevante se for de
causas naturais. Também só há aplicação da relevância
negativa da causa virtual quando há aplicação das
presunções de culpa.
 Ainda dentro do pressuposto da culpa, existem também
cláusulas de exclusão da culpa, sendo elas:
 Medo invencível (337ºnº2) - Ocorre sempre que a
atuação do agente tenha sido provocada por um
medo que ele não conseguiu ultrapassar, sem que
tal lhe possa, em face das circunstâncias, ser
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censurado. Uma das situações em que a lei prevê


ainda o medo como causa de exclusão de culpa, diz
respeito ao excesso de legítima defesa. Este é
qualificado como uma forma de justificação do ato,
mas, a interpretação correta é a de que se trata
antes de uma causa de exclusão da culpa.
 Erro desculpável (338º) - Ocorre sempre que a
atuação do agente resulte de uma falta
representação da realidade, que não lhe possa, em
face das circunstâncias, ser censurada. Por
exemplo, alguém anda a ser perseguido numa
floresta por um grupo de assaltante e na fuga
depara-se com dois homens armados que julga
fazerem parte do grupo, pelo que os resolve atingir
a tiro, vindo, porém, mais tarde a descobrir que
esses dois homens eram simples caçadores.
 Desculpabilidade (dada a situação aceita-se a ação)
- Ocorre sempre que, embora não se verificando
medo nem erro, em face das circunstâncias do caso
não lhe fosse exigível comportamento diferente. Por
exemplo, a situação de um médico que causa danos
ao doente numa intervenção cirúrgica de
emergência, em virtude de, num estado de
emergência geral provocado por uma catástrofe, ter
sido obrigado a trabalhar dezoito horas seguidas
sem descanso adequado. As circunstâncias em que
isto ocorre torna desculpável, excluindo assim a
indemnização. Quando se verifique o caso de serem
vários os autores, instigadores ou auxiliares do ato
ilícito, todos eles respondem pelos danos que hajam
causado (art. 490º), e a sua responsabilidade é
solidária (art. 497º).
o Relativamente ao Nexo de causalidade 563º, quarto pressuposto, no
qual se vai enveredar pela aplicabilidade da teoria da causalidade adequada,
elaborada por Von Kries, no qual se faz um juízo de prognose póstuma sobre
determinado comportamento abstrato, fazendo-o corresponder com a
probabilidade de aquele facto produzir aquele dano, chamada relação
causa/efeito, artigo 563º CC. Assim, além do facto e do dano, exige-se que
entre os dois elementos exista uma ligação sendo ela, que o facto constitua
causa do dano.
o Por fim, no que toca ao ultimo pressuposto, o dano, o facto ilícito
culposo só determina responsabilidade desde que cause um dano a terceiro.
Verificamos assim, que no presente caso prático:
 O dano é de natureza patrimonial, pois é suscetível de
avaliação pecuniária (económica, ou material).
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 Natureza não patrimonial, pois não é suscetível de


avaliação pecuniária (não económicos, ideia dos valores
de ordem moral…).
 Danos pessoais: são produzidos em pessoas.
 Danos não pessoais: danos que se verificam em coisas.
 Danos emergentes: compreende a perda ou diminuição de
valores já existentes no património do lesado.
 Lucros cessantes: refere-se aos benefícios que ele deixou
de obter em consequência da lesão, ou seja, ao acréscimo
patrimonial frustrado (art. 564º/1).
o Assim sendo, e em jeito de conclusão, tendo em conta que se verificam/
ou não, cumulativamente os pressupostos acima identificados, A (agente) terá
de indemnizar B, pelos danos causados, isto pois A irá responder por
responsabilidade civil extracontratual.
 Obrigação de indemnizar por danos patrimoniais:
562ºss; a regra é a da reconstituição natural, embora o
legislador previu, nesta impossibilidade, por ser demasiado
onerosa para o agente, a indemnização em dinheiro. Esta
é calculada em função da teoria da diferença (566º/2). Esta
assenta na diferença do património do lesado após a
verificação do facto danoso e o mesmo património no
momento exactamente anterior. Verificando-se aquela
diminuição de património, será essa que irá servir de valor
de referência para a indemnização. Obrigações de
natureza pecuniária são predefinidas nos termos do 806º,
sendo os juros (taxa atual é de 4%).
 Obrigação de indemnizar por danos não patrimoniais:
496º/1; são mais difíceis de provar, porque só aqueles
considerados graves é que são indemnizáveis. O que é
relevante aqui é que nos termos do /4, não há critérios
predefinidos, mas a sua indemnização é fixada
equitativamente pelo tribunal, considerando as
circunstâncias do 494º (circunstância do caso, património
do lesado e património do agente). No /2, onde se refere à
morte da vítima, o direito à indemnização por danos não
patrimoniais cabe me conjunto ao cônjuge não separado
de pessoas e bens, aos filhos ou outros descendentes ou,
na falta destes, a pais ou ascendentes e, por último, a
irmãos ou sobrinhos que os representam. Não se aplicam
aqui as regras sucessórias do CC – herdeiros
testamentários não têm direito a indemnização.
Pelo risco  É considerada uma responsabilidade objetiva porque assenta em
critérios objetivos de distribuição do risco (não assenta em quaisquer juízos de
censura), aplicando-se o princípio da tipicidade (483º/2): só há
responsabilidade objetiva (responsabilidade independente de culpa) nos casos
expressamente determinados pela lei (499º a 510º). Aqui, quem retira o
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benefício de determinado objeto ou atividade, deve assumir o encargo do


pagamento dos prejuízos que daí decorrem. Aqui a responsabilidade civil
apenas reveste função reparatória e preventiva. Prescinde-se da culpa e da
ilicitude do comportamento (embora não se prescinda da ilicitude do resultado).
Desta forma, pode haver violação pelo direito de outrem sem que haja um
comportamento ilícito.
o Responsabilidade do comitente 500º: O comitente é aquele que
encarrega outrem de realizar determinada tarefa por sua conta e risco. A
pessoa a quem a tarefa é incumbida é o comissário. Na responsabilidade pelo
comitente pretende-se reforçar a capacidade financeira dos obrigados à
indemnização (à partida, quem tem mais poder económico é o patrão),
assegurando que o lesado é indemnizado; o comitente tem de ser responsável
pelas pessoas que escolhe para desempenhar determinadas tarefas em seu
poder. Para se verificar a responsabilidade do comitente, têm de estar
preenchidos três requisitos, onde faltando 1 não há responsabilidade do
comitente.
 Tem de existir uma relação de comissão entre o comitente
e o comissário: Ex: contrato de trabalho, pai e filho, tio e
sobrinho, … O que importa é que, no âmbito da relação de
comissão é que os actos praticados pelo comissário o
sejam por conta do comitente; ele não os pratica por si
próprio, mas no interesse do comitente. É irrelevante se
são ou não seguidas as instruções do comitente porque o
500º/2 estabelece a responsabilidade do comitente mesmo
quando o comissário não cumpre as instruções daquele.
 O acto danoso tem de ser praticado no exercício de
funções: o facto é praticado por causa da função e não
apenas por ocasião da função.
 Tem de haver obrigação de indemnizar por parte do
comissário: se o comissário não for obrigado a indemnizar
dado não se fazer prova da sua culpa, ou se existindo uma
presunção de culpa e ele conseguiu ilidi-la, não havendo
responsabilidade do comissário, também não haverá
responsabilidade do comitente (o que não significa que não
será responsável noutros moldes).
 Culpa pelo Risco: tem de ser provada a culpa do lesado
(572º)  a culpa provada do lesado prevalece sobre a
culpa presumida do lesante (570º/2).
 Requisitos para haver responsabilidade pelo risco:
 Ter direção efetiva do veículo
 O veiculo tem de ser conduzido no seu interesse
(pode ser material ou espiritual
1- Analisamos se o comissãrio tem responsabilidade por factos ilícitos,
483º/1: 2- se tiver responsabilidade por factos ilicitps o comitente tb
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responde na mesma medida enquanto tal, art 500º: 3- para isso, basta
confirmar se o fato danoso foi praticado no exercício de funções, se sim
estamos perante um caso de respom civil por fatos ilícitos por parte do
comissário 483º/1 e da respetiva respons do comitente, enquanto tal
500º
2- Analisamos se o comissário tem responsa por fatos ilícitos 483º/1 se sim
mas o facto danoso tiver sido praticado fora do exercício de funções o
comissário responde 483º/1+487º. Ou seja o comissário n responde
enquanto comissário logo o comitente tb não responde enquanto
comitente. O comissário responderá sim pela respon por factos ilícitos
483º/1 e o ónus de prova incumbe ao lesado art 487º
3- O comissário responde pelo art. 503º/1 quando não podem estar
apuradas as causas do acidente, ou sejam n pode haver culpa nem
presumida nem provada, tem de ter a direção efetiva do veiculo aquando
do facto danoso e tem de estar a utilizar o veiculo no seu interesse, ou
seja estar fora do exercício de funções 503º/3 remete para 503º/1por
causa do facto danoso ser praticado fora do exercício de funções
o Responsabilidade do comitente quando se trata de uma entidade
pública ou Estado (501º): Igual ao anterior, embora se aplique às pessoas
colectivas públicas
o Danos causados por animais, estabelecend a responsabilidade dos
próprios 502º: Aplica-se a todos aqueles que utilizam os animais no seu
interesse e seu benefício (material ou espiritual). Aplica-se aos proprietários,
usufrutuários, comodatários, etc. Esta responsabilidade aplica-se no
pressuposto de que os danos resultam do perigo especial que envolve a
detenção e a utilização dos animais; isto é, quando não há por parte dos
proprietários uma actuação culposa, aplica-se o 502º. Quando há uma
actuação culposa aplica-se o 483º, sendo que a culpa dos proprietários,
usufrutuários, comodatários, etc., tem de ser provada nos termos do 487º/1.
Não há qualquer presunção de culpa contra os proprietários, usufrutuários,
comodatários, etc. dos animais. O 493º/1 (presunção de culpa) aplica-se em
conjunto com o 483º/1 e apenas àqueles que têm a seu cargo a vigilância do
animal (empregada, funcionário, treinador, tratador, …). Nunca se aplica o
483º/1 aos proprietários.
o Danos causados por veículos, consagrando a responsabilidade dos
próprios ou daqueles que os usam em seu proveito 503:
 503º/1  tem-se a responsabilidade pelo risco. Deste
artigo retiram-se os requisitos: 1) da direcção efectiva e 2)
o próprio interesse. Falhando um destes dois requisitos
impede a que haja lugar à responsabilidade pelo risco. Não
é preciso que seja o proprietário do veículo a ter a direcção
efectiva e a conduzi-lo no próprio interesse. A direcção
efectiva é o poder de facto sobre o veículo. Em última
instância é ter a propriedade e, mais do que ter a
propriedade, encarregar-se da manutenção e do bom
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estado de conservação do veículo (inspecções, pôr


combustível, fazer revisões, pagar respectivos impostos,
pagar seguro, …). Não corresponde à condução do
veículo; uma pessoa pode conduzir o veículo e não ter a
condução efectiva: isso ocorre quando o veículo é
conduzido pelo comissário. O comissário, só se se desviar
das funções que lhe foram incumbidas, é que terá a
direcção efectiva e conduz no seu próprio interesse. Por
regra, faz parte da definição do comissário executar uma
comissão por conta e segundo as ordens do comitente;
portanto nunca o comissário (à partida) responde pelo
risco. Responde pelo risco o proprietário, o locatário, o
comodatário, etc. Embora haja situações em que, pelo
facto do comodatário responder, exonera o comodante da
responsabilidade pelo risco. Acontece naqueles casos em
que o comodato é de longa duração. O próprio interesse
não tem de ser um interesse material ou económico; pode
ser um interesse espiritual.
 503º/3 A conjugação da direcção efectiva, que pode
estar na posse do detentor proprietário ou do detentor
condutor, com a utilização veículo no seu próprio interesse
dá lugar à responsabilidade civil, mas apenas pelos riscos
próprios do veículo (final do 503º/1). Isto são riscos
próprios do veículo sem estar em circulação. Quando se
fala em riscos próprios do veículo temos 3 situações
distintas:
 Ligados ao veículo: falha dos travões, rebentamento
de pneu, direcção bloqueada, …
 Ligados à via de circulação: pedra que salta, lençol
de água, rabanada forte de vento, buraco, … (se o
buraco for uma omissão do município que deveria
ter a estrada em condições, não se trata de um risco
próprio do veículo).
 Ligados à pessoa do condutor: desmaio, ataque de
tosse, espirro, … Se o condutor for a comer ou a
beber, sob efeito de estupefacientes, … não são
riscos próprios do veículo: o pressuposto é a
ausência de culpa, onde caímos no 483º.
 505º  Nos momentos em que as pessoas se lançam à
frente de um veículo (propositadamente ou não),
considera-se que o dano é causado por essa pessoa, uma
vez que em nenhum momento o facto danoso está
relacionado com o funcionamento do veículo, seja por
factos ilícitos, seja pelo risco. Ex: A cai do passeio no
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momento em que B vai a passar no seu veículo, dando A


origem ao acidente (desde que B esteja a cumprir as
regras da estrada). Mas se o carro vier em excesso de
velocidade, há culpa de ambos os lados e, pelo concurso
de culpas, aplica-se o 570º.
 570º C vai no veículo e há um embate e, porque não
levava o cinto, magoa-se. Para saber se se aplica o 570º,
teremos de considerar se o facto de C não levar cinto
impediria o embate. Como a resposta é não, não é C que
dá origem ao acidente, embora tenha contribuído para os
danos que sofreu, aplicando-se aqui o 570º.
o Danos causado por instalações de eletricidade ou gás 509º  O
funcionamento é semelhante ao 503º. Estabelece a responsabilidade pelo risco
daqueles que têm a direção de instalação destinada à produção ou distribuição
de energia elétrica ou gás, mas só até o momento em que entra na casa das
pessoas. A partir do momento em que somos nós que ligamos o fogão ou
metemos uma tomada numa parede, já corre por nossa conta. Não será assim
se, por exemplo, em virtude de uma descarga elétrica queimarem os
eletrodomésticos de uma casa, rua, ou parte da cidade. Aí já responde a
entidade concessionária.
Responsabilidade contratual  A responsabilidade contratual refere-se ao
cumprimento e incumprimento das obrigações, sendo que o incumprimento
pode ser culposo ou não culposo, mas apenas o culposo é que dá origem a
responsabilidade civil. A regra base é o 798º ss. Aqui, temos a violação de
direitos relativos ou direitos de crédito (não têm eficácia externa, sendo apenas
violados pelas partes que fazem parte da relação jurídica contratual ou
obrigacional).
Ana pede a Diogo, seu irmão mais novo, que vá buscar o seu filho de 6
anos, Carlos, à escola, uma vez que se encontra numa reunião demorada,
disponibilizando-lhe o seu carro para esse efeito. Porque seguia em
excesso de velocidade e o piso estava escorregadio, Diogo acabou por
derrapar e ir embater num veículo que circulava na faixa contrária,
conduzido por Bruno, propriedade da entidade patronal deste. Ambos os
veículos sofreram danos materiais avultados.
a) Quem responde e em que termos pelos danos sofridos?
b) Suponha que Diogo levava consigo um amigo, Eduardo, que, no
acidente, fracturou uma perna e danificou o relógio que os pais lhe
haviam oferecido como prenda pela sua licenciatura. Quid iuris?
c) Suponha que, na hipótese da alínea anterior, Eduardo se recusara a
colocar o cinto de segurança. A solução seria a mesma?
a) Neste caso prático temos como agentes o Diogo, tendo sido este a provocar
o acidente. Como dano temos o veículo que circulava na faixa contrária
conduzido por Bruno e o veículo conduzido por Diogo.
O Diogo conduz o veículo da sua irmã a título de comissário, uma vez que foi a
A que lhe pede para exercer uma função com o seu veículo, sendo, assim, a
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Ana o comitente. Diogo responde por facto ilícito com culpa provada 1 (483º/1 e
487º/1), dado sabermos que seguia em excesso de velocidade (viola regra de
protecção de interesses alheios e o direito de propriedade da entidade patronal
de Bruno). Teremos de analisar se se verificam os pressupostos da
responsabilidade extracontratual:
- Facto voluntário: existe facto voluntário porque temos o embate e a condução
perigosa que Diogo praticava;
- Ilicitude: temos violação das regras de protecção de interesses alheios e
violação do direito de propriedade de outrem;
- Culpa: temos culpa por negligência, porque não utiliza o veículo como arma,
mas sim, de forma descuidada;
- Dano: existe porque o próprio enunciado o indica;
- Nexo de causalidade: em abstracto, é muito provável que, quando se segue
em excesso de velocidade num piso escorregadio haja um despiste e se possa
causar danos em ambos os veículos.
A par de Diogo irá responder Ana, uma vez que é comitente. Esta irá responder
exactamente na mesma medida que Diogo. Par ao fazer, terá de preencher os
três requisitos do 500º:
- Tem de existir uma relação de comissão entre o comitente e o comissário: Há
um ascendente de Ana sobre o Diogo (irmão mais novo). Desta forma, há uma
relação de comissão entre eles uma vez que os actos praticados pelo
comissário são praticados por conta do comitente.
- O acto danoso tem de ser praticado no exercício de funções: confirma-se,
porque está dito no enunciado.
- Tem de haver obrigação de indemnizar por parte do comissário: também se
verifica. Pela análise feita anteriormente o Diogo responderá por factos ilícitos
com culpa provada (483º/1 + 487º/1).
Verifica-se que há, efectivamente responsabilidade pelo comitente (500º).
Responderia igualmente pelo 503º/1, uma vez que, enquanto comissário, tem
direcção efectiva do veículo conduzido pelo seu funcionário. Contudo,
prevalece o 500º, uma vez que a indemnização nos termos desta norma não
tem limite, respondendo exactamente nos mesmos moldes que responde o
comissário.
Assim, Diogo e Ana responderiam solidariamente, com o Diogo pelo 483º/1 e
487º/1 e a Ana pelo 500º.
Desta forma, a entidade patronal de Bruno teria mais interesse me pedir a
indemnização à Ana, uma vez que, enquanto comitente, terá uma capacidade
financeira mais robusta. Esta poderia, por sua vez, vir a ter direito de regresso
em relação a Diogo (500º/3).
Por outro lado, temos o Bruno, igualmente comissário. Este tem sobre ele a
presunção de culpa do 503º/3 – da hipótese não resulta que o Bruno tenha
violado qualquer tipo de regra jurídica ou que o seu comportamento tenha sido
ilícito. A questão que se coloca é se o Bruno consegue ou não ilidir a
presunção de culpa. Indo o Bruno a conduzir na faixa contrária e o Diogo

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Se na hipótese nos dão factos que nos permitem qualificar a culpa como provada, é essa que devemos seguir uma
vez que é essa que acautela melhor os direitos do lesado.
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derrapa e vai embater contra ele, não tendo sequer saído da sua faixa.
Portanto, Bruno irá conseguir ilidir esta presunção de culpa. Ao fazê-lo o Bruno
não irá responder pelo risco dado que está a conduzir o veículo da entidade
patronal. Para o fazer, e nos termos do 503º/1, tinha de ter o interesse na
condução do veículo, coisa que não tem. Quem tem esse interesse é a sua
entidade patronal. A entidade patronal do Bruno a responder responderia pelo
risco porque não há aqui nenhum tipo de violação, ilicitude ou culpa. Mas como
se verificou uma responsabilidade por factos ilícitos (responsabilidade
subjectiva que assenta na culpa), esta absorve a responsabilidade pelo risco 2.
Assim, não cabe nenhum tipo de responsabilidade à entidade patronal de
Bruno.

b) Nesta hipótese, a responsabilidade do Diogo não se altera; continua a estar


em excesso de velocidade, respondendo pelo 483º/1 por factos ilícitos com
culpa provada. Aqui teremos de aferir é se a Ana também responde.
Quando o Diogo transporta Eduardo fê-lo a título de boleia (e não em função do
exercício de funções da Ana). Embora se preencham os requisitos da relação
de comissão e a obrigação de indemnizar por parte do Diogo, não se verifica a
realização da tarefa no exercício de funções. Como tal, não preenchendo os
três pressupostos do 500º, Ana não responderá enquanto comitente e será
Diogo a fazê-lo.
O facto de Eduardo ter sofrido danos pessoais e materiais não é relevante para
efeitos de responsabilidade civil, uma vez que se trata de uma
responsabilidade por factos ilícitos. Apenas releva para efeitos do 504º,
disposição esta para efeitos da responsabilidade pelo risco; não é possível
aplicá-la quando o agente responde por factos ilícitos. Não se aplica a 2.ª parte
do 503º/3 porque diz especificamente que quando o comissário não está no
exercício de funções, responde pelo risco. Não se aplica igualmente o 503º/1
porque sabemos que o Diogo está a responder com culpa e com ilicitude,
porque vai em excesso de velocidade. Não faz sentido ir pela presunção de
culpa se efectivamente o enunciado diz que ia em excesso de velocidade.
Logo, Diogo vai pagar os danos resultantes da fractura da perna, tanto
patrimoniais e/ou não patrimoniais (562º, 566º e /ou 496º/1).

c) Nesta situação continuamos a ter o Diogo a responder por factos ilícitos com
culpa provada e o Eduardo (lesado), também com culpa provada (572º).
Quando há concurso de culpa provada, aplica-se o 570º/1, onde o juiz no
momento de decidir pode atribuir ao Eduardo a totalidade da indemnização,
com redução ou até mesmo excluí-la.
** Não se aplica o 505º porque a responsabilidade não foi fixada pelo 503º,
mas sim, por factos ilícitos, Também se deve ao facto de, mesmo que o Diogo
estivesse a responder pelo risco, não se aplica o 505º porque, mesmo que o
Eduardo levasse o conto, o acidente produzir-se-ia de igual forma; ou seja, o
acidente não é imputável ao Eduardo nem ao facto d ele não levar o cinto de
segurança. **
2
Mesmo que o Diogo estivesse a responder pelo risco, a responsabilidade de indemnizar recaía apenas sobre Diogo nos termos do
506º/1, 2.ª parte.
12

Nuno, ao conduzir um veículo automóvel que o seu amigo Jorge lhe


emprestara, teve um ataque cardíaco, tendo perdido o domínio do veículo
e foi atropelar Carlos no passeio. Do acidente, saiu também ligeiramente
ferido António a quem Nuno tinha dado boleia.
a) Quem responde e em que termos.
b) Suponha que Nuno, no exercício das funções, conduzia o
automóvel, propriedade da sua entidade patronal. Quid iuris?
c) Imagine a situação da alínea anterior, não tendo ficado apurada a
causa do acidente.
a) Os lesados nesta situação são o Carlos e o António; por sua vez, os agentes
são o Nuno e o Jorge.
Entre o Nuno e o Jorge existe um contrato de comodato, em que, à partida, é
de curta duração porque nada indica que o Jorge perdeu o poder de facto
sobre o veículo. Sendo um contrato de curta duração, respondem ambos
porque têm a direcção efectiva e conduzem o veículo no seu interesse: o Jorge
é detentor proprietário e tem interesse espiritual e o Nuno é detentor condutor e
tem, à partida, interesse material.
Tendo tido um ataque cardíaco, os danos produzidos por Nuno são risco do
funcionamento do veículo, ligados à pessoa do condutor. Daí nada ser
censurável no comportamento de Nuno, uma vez que sofreu de um ataque
cardíaco.
Assim, respondem ambos pelos danos causados a Carlos de forma solidária: o
Jorge responde pelo 503º/1 e o Nuno responde pelo 503º/1 e, como há
pluralidade de responsáveis, pelo 507º. Carlos pode pedir a indemnização toda
a um deles.
Quanto a António, este poderá pedir indemnização a Nuno, dado que Jorge
não tem interesse no transporte de António. Nos termos do 504º, só terá direito
a ser indemnizado pelos danos pessoais.

b) No que respeita ao atropelamento de Carlos, Nuno, enquanto comissário,


teve um ataque cardíaco, o que fará possível ilidir a presunção de culpa do
503º/3, 1.ª parte. Assim, não responde por culpa provada e não responde pelo
risco porque não tem interesse na condução do veículo. Quem responderia
seria a entidade patronal com o fundamento de que há uma relação de
comissão e o Nuno estava no exercício de funções. Não há, contudo, a
obrigação de indemnizar por parte do comissário uma vez que Nuno não terá
de responder pelo risco. Assim, a entidade patronal não responde pelo 500º.
Mas, enquanto proprietário do veículo, tem a direcção efectiva e o veículo está
a ser conduzido no seu interesse, sendo o acidente motivado por um risco
inerente ao funcionamento do veículo que é da pessoa do condutor. Logo, a
entidade patronal responde pelo 503º/1.

c) Nuno é um funcionário que conduz o veículo da sua entidade patronal,


sendo este o seu comitente e o Nuno o comissário. Assim, o Nuno responde
pelo 483º/1, responsabilidade por factos ilícitos e não à responsabilidade pelo
risco. Responderia igualmente pelo 503º/3, 1.ª parte, havendo aqui uma
presunção de culpa, onde o Nuno teria de ilidir esta culpa de forma a não ser
13

responsabilizado. Contudo, o enunciado diz que não foram apuradas as causas


do acidente, por isso, mantém-se a presunção de culpa. O Nuno responderá,
assim, por factos ilícitos com culpa presumida. Quanto à entidade patronal,
responderá também enquanto comitente, nos termos do 500º, desde que
preenchidos os respectivos requisitos:
- Tem de existir uma relação de comissão entre o comitente e o comissário:
assume-se que, enquanto funcionário, existe um contrato de trabalho entre
Nuno e a entidade patronal. Desta forma, há uma relação de comissão entre
eles uma vez que os actos praticados pelo comissário são praticados por conta
do comitente.
- O acto danoso tem de ser praticado no exercício de funções: confirma-se,
porque está dito no enunciado.
- Tem de haver obrigação de indemnizar por parte do comissário: também se
verifica. Pela análise feita anteriormente o funcionário responderá por factos
ilícitos com culpa presumida (483º/1 + 503º/3, 1.ª parte).
Verifica-se que há, efectivamente responsabilidade pelo comitente (500º).
Responderia igualmente pelo 503º/1, uma vez que, enquanto comissário, tem
direcção efectiva do veículo conduzido pelo seu funcionário. Contudo,
prevalece o 500º, uma vez que a indemnização nos termos desta norma não
tem limite, respondendo exactamente nos mesmos moldes que responde o
comissário.
Assim, Nuno e a sua entidade patronal responderiam solidariamente.
Desta forma, Carlos teria mais interesse me pedir a indemnização à entidade
patronal, uma vez que, enquanto comitente, terá uma capacidade financeira
mais robusta. Esta poderia, por sua vez, vir a ter direito de regresso em relação
a Nuno (500º/3).
Quanto ao António, este teve boleia do Nuno e sofreu danos com o acidente.
Tendo este sido transportado a título de boleia de Nuno (e não em função do
exercício de funções da sua entidade patronal) a entidade patronal não
responderá. Será o Nuno a responder nos moldes do 503º/3, 2.ª parte e do
503º/1. Logo, Nuno terá de indemnizar o António nos termos do 503º/1 e 504º
(transporte gratuito).

Manuel prometeu vender a Bento, que por sua vez lhe prometeu comprar
um imóvel de que era proprietário. o contrato foi celebrado no dia
25/05/2020 tendo, no momento da celebração do contrato promessa
compra e venda o promitente comprador procedido ao pagamento de
25000€ a título de sinal e princípio de pagamento do preço.
Ficou convencionado que a escritura de compra e venda seria outorgada
no prazo máximo de 4 meses a contar daquela data, sendo a mesma
marcada por Bento, que se obrigou a informar Manoel de dia, hora e local
para o efeito.
No dia de Hoje, Bento ainda nada disso e, apesar de Manuel já ter tentado
contactar Bento, a verdade é que, até esta data, este não marcou a
escritura nem apresentou qualquer justificação.
14

O que Manuel pode fazer, sabendo que, nesta altura tem outro
interessado em adquirir um imóvel e já não tem interesse em vendê-lo a
Bento?

M ————-B  RCO 
Há uma relação jurídica nomeadamente um contrato promessa compra e
venda e quanto a classificação há 2 declarações negociais, quanto aos efeitos
é bilateral ou sinalagmático 
Efeitos: produz efeitos obrigacionais e refere se à declaração futura 
Na responsabilidade contratual o primeiro facto é a omissão dessa obrigação
(declaração negociam desde contrato do promitente) 
Ilicitude- 805 se essa obrigação estiver vencida. As obrigações têm de ser
puras n1 (só se vencem se o credor interpelar o devedor para cumprir) ou não
puras (obrigações quando estão sujeitas a um prazo certo n2) 
Verifica-se deste modo a Ilicitude porque a obrigação está vencida e é não pura
805/2 
Culpa- 798 presume-se a culpa do devedor logo a culpa está verificada 
Dano- temos de classificar se a obrigação está em mora( primeiramente temos
de ver de é possível e na impossibilidade de incumprimento que pode ser
originária e a consequência é a nulidade do negócio ou então subsequente e
depende se é culposa ou não culposa e aí será responsabilidade pelo risco)
ou  incumprimento definitivo 
Aqui é possível, há interesse no credor e utiliza-se o princípio do homem médio
(808/2) 
Se estamos em mora o credor tem duas opções: incumprimento coercivo do
contrato; incumprimento definitivo com o resolução do contrato 
Há sempre a possibilidade de indemnização moratória e é calculada em juros
moratórios e podem ser legais ou aqueles fixados no contrato e não pode
ultrapassar o limite do juro usurário e avalia se a natureza é civil ou comercial 
No incumprimento coercivo é a realização do contato 830 fixando um prazo
razoável e tem de ser perentorio e a cominação e ai passa-se para a
indemnização 442 e acontece que a indemnização corresponde à perda do
sinal 
Se fosse o P.C seria o sinal em dobro, valorização do imóvel e ter havido
tradição da coisa e constitui-se o direito real de retenção 755

Tiago, conduzindo um automóvel que o seu amigo Nuno lhe emprestará


despistou-se e foi embater numa camioneta que circulava em sentido
contrário que era conduzida por Jorge, motorista, ao serviço da empresa
proprietária 
A camioneta transportava touros para uma praça onde se iria realizar uma
tourada 
Em consequência do acidente um dos animais soltou se e atacou sofia a
quem Tiago momentos antes tinha dado boleia provocando lhe
ferimentos graves 
Ambos os veículos ficaram danificados 
15

Diga a quem responde pela reparação de danos? 


Qualificar a relação entre Tiago e Nuno e qualificando depende o fundamento
da responsabilidade do Nuno - comodato de curta duração 
Tiago que se despista, Tiago detentor, com interesse e embate num veículo de
Jorge comissário pelo que resulta do enunciado em exercício de funções e
sobre ele recai a presunção de culpa do 503/3 invertendo o ónus da prova
Jorge não terá problemas iludindo a presunção e assim o comissário não
respondendo por factos ilícitos não responde pelo risco 
Aqui a questão é resolvida entre Tiago e Nuno e a empresa proprietária do
outro lado 
Questão dos touros: nexo de causalidade e não é consequência provada em
abstrato assim entre os danos do acidente e os danos causados a sofia nao ha
nexo e Jorge tem fe ilidir a presunção porque não poderia ter evitado o
acidente assim quem responde pelos danos são os proprietários dos donos
502 
Em relação aos veículos danificados é preciso de referir a responsabilidade de
Tiago, responde solidariamente Nuno pelo risco e responde com a empresa
proprietária da carrinha pelo risco 506 
483 se imputarmos a Tiago por título de negligência só este responderá
embora solidariamente com o Nuno sendo que nas relações internas seria
apurado a nível da culpa 

Manuel vendeu a Bento um automóvel tendo ficado convencionado que


reservaria para si a propriedade até que procede-se ao pagamento
integral e efetivo do preço. Quanto a esta obrigação havia ficado
convencionado que o pagamento seria pago em prestações mensais e
sucessivas no primeiro dia de cada mês vencedo se as restantes em
iguais dias dos meses sucessores. Dois meses depois celebrado o
negócio Bento deixou de pagar as prestações encontrando se agora
vencida uma prestação. O que é que Manuel pode fazer? 

M ———B  RCO 
Ccv é um contrato sinalagmático 
Efeitos obrigacionais - entrega da coisa e pagamento do preço (preço pago em
12 prestações)  
Estes efeitos são simultâneas e a falta de uma corresponde à outra 
A entrega da coisa foi cumprida mas o 3 mês 
de pagamento não foi cumprido, a prestação passou de instantânea e
simultânea a uma prestação fracionada (passa de uma obrigação pura para
uma obrigação não pura 805/2 e só se vencem com o término do prazo 
Temos de ver de quem foi constituído o prazo a favor 
Efeitos reais - transmissão do direito de propriedade 408 
Impossibilidade subsequente - 
Impossibilidade originária - contrato nulo 401
16

Neste caso o direito real 409 as partes fizeram uma reserva de propriedade e
assim o proprietário pode reservar a propriedade do facto futuro e incerto
verificando-se uma condição suspensiva 
Manuel através da fidúcia tem o direito de garantia 
934- perda do benefício do prazo (781)
Resolução do contrato através da coisa ou reservou a propriedade que é a
garantia do contrato 
No nosso caso em concreto está em mora e pede uma indemnização com juros
indemnizatorios que podem ser fixados à taxa legal 

Manuel, proprietário de uma galeria de arte, expõe uma valiosíssima


coleção de óleos, acabando por vender, logo no primeiro dia a maior
parte dos quadros. Porque a data prevista para o termo da exposição era
dali a um mês, Manuel, que pretendia manter a exposição completa até ao
final, acordou com os vários adquirentes dos quadros que aqueles
apenas seriam entregues no dia seguinte ao do encerramento da
exposição.
a) Todos os adquirentes compareceram na data mas Manuel não pode
fazer a entrega porque, na noite anterior, um violento incendio de causas
desconhecidas destruiu a galeria de arte e todo o recheio que ali se
encontrava. Quid iuris? (4 val.)
b) Imagine agora que a entrega só não aconteceu na data acordada
porque Manuel se sentiu mal e foi hospitalizado de urgência. Furioso,
António pretende reaver o dinheiro que pagou pelo quadro. Quid iuris? (4
val.)
a) Transferência da propriedade e do risco mas há uma clausula acessória
nomeadamente o termo 796 e assim o risco não se transfere. Assim é
necessário aferir se estamos face a responsabilidade obrigacional e é
necessário que haja culpa. O não cumprimento não é imputável ao devedor
porque se trata de uma impossibilidade objetiva superveniente 790º e trata-se
de uma impossibilidade definitiva 791º e o devedor fica exonerado da sua
prestação e, assim fica desobrigado da sua prestação. Quanto aos credores
796º/2 exclui a transferência do risco sendo uma exceção a alínea anterior logo
o risco corre por conta de Manuel e os credores que já tiverem efetuado a sua
prestação tem direito a serem reembolsados
b) Estamos face uma impossibilidade temporária e superveniente mas é um
facto que o quadro não foi entregue e, Antonio sendo credor não faz sentido
que o dinheiro seja reavido porque é um motivo valido e segundo a pessoa
media é uma razão valida para o não cumprimento do negocio e refere-se ao
interesse do credor 487º/2 e 808º

Manuel emprestou o seu automóvel a Benedita para que esta fosse


passear com as amigas. No caminho de regresso, Benedita, em virtude do
rebentamento de um pneu, despista-se e acaba por atropelar Carlos que
se encontrava no passeio e que, em resultado do acidente partiu uma
perna.
17

Considere as seguintes hipóteses, resolvendo-as independentemente


umas das outras:
a) Quem, e com que fundamento, responde pelos danos causados a
Carlos? (3 val.)
b) Imagine agora que, no momento do acidente, Carlos se encontrava a
atravessar a rua fora da passadeira. Quid Juris? (3 val.)
a) Quem responde pelos danos quanto a benedita aplica-se o 503º/1 através
da responsabilidade pelo risco
Quanto a Manuel, este tem um a relação de comodato de curta duração com
Benedita e assim este tem a direção efetiva e assim também responde pelo
risco e solidariamente pelo 507º
b)Aqui aplica-se a culpa do lesado 570º/2 porque o 505º não se aplica e o que
motivou o acidente foi o facto de o pneu rebentar logo verificar-se-ia na mesma
o facto e assim Carlos não tem motivo para o acidente e, aqui nesta situação
aplica-se o 570º/2 e fica excluída a obrigação de indemnizar

Manuel prometeu vender a Bento, que por sua vez lhe prometeu comprar
um imóvel de que aquele era proprietário. O contrato foi celebrado no dia
25 de maio de 2020 tendo, no momento da celebração do CPCV o
promitente comprador procedido ao pagamento de €25.000,00 a título de
sinal e princípio do pagamento do preço. Ficou convencionado que a
escritura de CV, seria outorgada no prazo máximo de 4 meses a contar
daquela data, sendo a mesma marcada por Bento, que se obrigou a
informar Manuel de dia, hora e local para o efeito. No dia de hoje Bento
ainda nada disse e, apesar de Manuel já ter tentado contactar Bento, a
verdade é que, até esta data, este não marcou a escritura nem apresentou
qualquer justificação. O que Manuel pode fazer, sabendo que, nesta altura
tem outro interessado em adquirir o imóvel e já não tem interesse em
vendê-lo a Bento?
M ————-B  RCO 
Ha uma relação jurídica nomeadamente um contrato promessa compra e
venda e quanto a classificação há 2 declarações negociais, quanto aos efeitos
é bilateral ou sinalagmático 
Efeitos: produz efeitos obrigacionais e refere se à declaração futura 
Na responsabilidade contratual o primeiro facto é a omissão dessa obrigação
(declaração negociam desde contrato do promitente) 
Ilicitude- 805 se essa obrigação estiver vencida. A obrigação tem de ser puras
n1 (só se vencem se o credor interpelar o devedor para cumprir) ou não puras
(obrigações quando estão sujeitas a um prazo certo n2) 
Verifica-se deste modo a Ilicitude porque a obrigação está vencida e é não pura
805/2 
Culpa- 798 presume-se a culpa do devedor logo a culpa está verificada 
Dano- temos de classificar se a obrigação está em mora (primeiramente temos
de ver de é possível e na impossibilidade de incumprimento que pode ser
originária e a consequência é a nulidade do negócio ou então subsequente e
depende se é culposa ou não culposa e aí será responsabilidade pelo risco) ou
incumprimento definitivo 
18

Aqui é possível, há interesse no credor e utiliza-se o princípio do homem médio


(808/2) 
Se estamos em mora o credor tem duas opções: incumprimento coercivo do
contrato; incumprimento definitivo com a resolução do contrato 
Há sempre a possibilidade de indemnização moratória e é calculada em juros
moratórios e podem ser legais ou aqueles fixados no contrato e não pode
ultrapassar o limite do juro usurário e avalia se a natureza é civil ou comercial 
No incumprimento coercivo é a realização do contato 830 fixando um prazo
razoável e tem de ser perentório e a cominação e aí passa-se para a
indemnização 442 e acontece que a indemnização corresponde à perda do
sinal 
Se fosse o P.C seria o sinal em dobro, valorização do imóvel e ter havido
tradição da coisa e constitui-se o direito real de retenção 755

Manuel vendeu a Bento um automóvel tendo ficado convencionado que


reservaria para si a propriedade até que se procede ao pagamento
integral e efetivo do preço. Quanto a esta obrigação havia ficado
convencionado que o pagamento seria pago em prestações mensais e
sucessivas no primeiro dia de cada mês vencido se as restantes em
iguais dias dos meses sucessores. Dois meses depois celebrado o
negócio Bento deixou de pagar as prestações encontrando se agora
vencida uma prestação. O que é que Manuel pode fazer? 

M ———B  RCO 
Ccv é um contrato sinalagmático 
Efeitos obrigacionais - entrega da coisa e pagamento do preço (preço pago em
12 prestações)  
Estes efeitos são simultâneos e a falta de uma corresponde à outra 
A entrega da coisa foi cumprida, mas o 3 mês 
de pagamento não foi cumprido, a prestação passou de instantânea e
simultânea a uma prestação fracionada (passa de uma obrigação pura para
uma obrigação não pura 805/2 e só se vencem com o término do prazo 
Temos de ver de quem foi constituído o prazo a favor 

Efeitos reais - transmissão do direito de propriedade 408 


Impossibilidade subsequente - 
Impossibilidade originária - contrato nulo 401

Neste caso o direito real 409 as partes fizeram uma reserva de propriedade e
assim o proprietário pode reservar a propriedade do facto futuro e incerto
verificando-se uma condição suspensiva 
Manuel através da fidúcia tem o direito de garantia 
934- perda do benefício do prazo (781)
Resolução do contrato através da coisa ou reservou a propriedade que é a
garantia do contrato 
No nosso caso em concreto está em mora e pede uma indemnização com juros
indemnizatórios que podem ser fixados à taxa legal 
19

Manuel vendeu a Bento um automóvel tendo ficado convencionado que


Manuel reservava a propriedade até que Bento procedesse ao pagamento
integral e efetivo do preço. Quanto a esta obrigação havia ficado
convencionado o pagamento a prestações – mensais e sucessivas –
vencendo-se a primeira no momento da celebração do contrato e as
restantes em iguais dias nos 12 meses subsequentes. Dois meses
volvidos desde a compra e venda uma tempestade arrastou o carro pela
rua e destrui-o completamente. Bento entende que não deve continuar a
pagar as prestações vincendas. Quid Juris?
Contrato de compra e venda com efeitos reais com cláusula de reserva de
propriedade
Efeitos obrigacionais - pagamento fracionado e entrega 
A coisa estava na esfera jurídica do vendedor logo o efeito é impossível de
cumprir, é uma impossibilidade superveniente
Impossibilidade objetiva no âmbito da responsabilidade civil contratual
relativamente ao risco 
Quem tem a posse da coisa, quem tem o direito real e por quem corre o
benefício do prazo 797
Para não cumprimento 696 e segs 
Há uma impossibilidade objetiva nas prestações 797 e segs
O risco de a coisa parecer (ninguém teve culpa) por causa não alienante ao
adquirente fica responsabilizado o que comprou - o risco acompanha a coisa
quer a posse ou a propriedade 
N1 Se a coisa continuar na posse do alienante por um prazo constituído a favor
dele (alienante) o risco conta por sua conta
N2 Se a coisa se mantiver na posse do alienante, mas o prazo tiver sido
constituído a favor do adquirente o risco conta por conta deste 
O n3 quando o contrato defender de condição resolutiva, o risco conta por sua
conta. O risco acompanha o direito real. Caso a condição seja suspensiva os
efeitos não se produzem mormente o direito real 796 
No nosso caso a natureza da condição suspensiva o risco conta por conta do
alienante.

Manuel, submeteu-se a uma cirurgia estética realizada por Carlos numa


clínica privada para, de acordo com a escolha que fez no catálogo alterar
a forma do tamanho do nariz que tanto lhe incomodava 
O médico Carlos, aceitou fazer a cirurgia, mas informou Manuel da
dificuldade em atingir a estética que Manuel tanto queria classificando a
cirurgia como um risco elevado e de não ser bem-sucedida
Não obstante Manuel insistiu para que a cirurgia fosse realizada e Carlos
aceitou fazê-la com uma condição: fosse incluída no contrato uma
cláusula em que Manuel renunciaria a qualquer indemnização decorrente
do procedimento médico seja qual for a causa, efeitos ou consequências
e independentemente qualquer ato culposo do médico
20

Manuel aceitou a condição e a cirurgia foi realizada não sendo o método


conseguido mudar o efeito estético pretendido por Manuel 
Quid iuris? 

M————-C RCO
contrato de prestações de serviços médicos 
Requisitos: 
Facto- próprio negócio jurídico (negócio jurídico bilateral sinalagmático 
Obrigação e realização dos atos médicos (legis artis) 
Pagamento do respetivo preço pelo serviço 
Ilicitude- decorrerá do não cumprimento de determinada obrigação dos atos
médicos 
Temos de analisar o âmbito da relação e se esta obrigação é de meios (de
acordo com a lei se fez tudo ao seu alcance para atingir o fim) ou de resultado
(se a obrigação atingiu determinado fim) 
Assim, a obrigação é de meios 
Ao nível dos atos médicos a obrigação e de meios, mas o padrão médico refere
a obrigação de meios 
Analisamos a partir de um critério objetivo pois a partir do conhecimento
médico e o do critério do bom homem médio se o fim se realizaria, se tal
acontecer é de resultado 
No caso concreto o médico assumiu que a cirurgia é complicada e que era
difícil atingir o resultado e assim estamos perante uma obrigação de meios e o
médico tem que demonstrar que realizou todas as diligências para atingir o
resultado 
Presume-se a culpa do médico, mas este tem de demonstrar que a obrigação
de meios ilidindo a presunção e assim mostrar que agiu segundo a legis artis
fazendo cessar qualquer direito indemnizatório 
A cláusula é ampla porque o resultado está fora do âmbito logo nunca pagaria
nenhuma indemnização, no entanto, a cláusula no caso prático é mais
abrangente porque refere que caso o médico tenha culpa não indemnizaria
Não é possível fazer esta renúncia dado que se trata de um direito de crédito
apesar este de renunciável, mas este não pode ser realizada antecipadamente
809, 800/2
Esta cláusula antecipatória do dever de indemnizar é nula.

(…) Uma mãe e uma filha, em que a mãe numa indisposição desmaiou e a
filha saiu de casa. Na brincadeira, atirou umas pedras e causou um
acidente (…) Acabou por embater num veículo que se encontrava
estacionado, tendo causado e sofrido graves danos. Ambos os
proprietários dos veículos pretendem ser indemnizados. Quid iuris?
A imputabilidade aqui não tem grande relevância. Na verdade, quem responde
sempre é a mãe, uma vez que, para efeito do dever de vigilância, não é tão
importante a noção de imputabilidade, mas sim a noção de incapacidade –
491º: não interessa se o menor é menor ou maior de 7 anos, interessando
apenas que seja menor de 18 anos.
21

No que se refere ao despiste propriamente dito, verificamos que a criança


(agente mais directo) causou o acidente.
Verifica-se pela criança um facto voluntário por acção, não no sentido de
intenção, mas, em bom rigor, é dominável pela vontade humana. Neste caso,
há o limiar da distinção entre o elemento volitivo e o discernimento. Aqui
confunde-se um pouco a noção de facto voluntário e, de seguida, a
imputabilidade, dado que esta também assenta no querer e no entender. Este
facto voluntário por acção corresponde ao atirar a pedra e causar dano no
veículo (483º/1).
A actuação da criança é ilícita, uma vez que o que está a ser violado é o direito
de propriedade do dono do veículo.
Quanto à culpa, esta está relacionada com a imputabilidade. A criança tem 6
anos, e o 488º/2 diz-nos que se presume inimputável o menor de 7 anos.
Contudo, existe aqui uma presunção iuris tantum, que admite prova em
contrário (pode a criança ter uma especial maturidade e ser considerada
imputável). Nada no caso prático leva a afastar esta presunção, por isso
considera-se a criança inimputável, logo não haveria responsabilidade civil por
parte da criança. Teremos então de analisar sobre quem recai esta
responsabilidade.
Vamos então analisar a situação da mãe, porque nos termos do 487º/1 e 491º
há uma presunção de culpa que recai sobre a mãe, dado que tem a obrigação
de vigiar a criança em virtude da sua incapacidade. A obrigação do dever da
vigilância da mãe resulta da lei, fazendo parte das obrigações parentais.
Assim, analisando os pressupostos, verifica-se que se poderia responder de
duas formas. Pode-se considerar não haver facto voluntário porque a mãe
estava desmaiada, ou seja, estava num estado transitório cujo facto voluntário
não era dominável pela sua vontade (488º/1), sendo inimputável ao agente.
Havendo facto voluntário, considera-se como sendo um facto voluntário por
omissão, onde a ilicitude seria a omissão do dever de vigilância – 483º/1 +
486º. O próprio comportamento, pelo 486º, é considerado uma causa especial
de ilicitude porque o facto voluntário omitido é justificado. Há também violação
do direito de propriedade porque foi essa, em última instância, o resultado.
Assim, quer numa situação, quer noutra, a mãe não seria chamada a
indemnizar. Para estes casos, há uma disposição legal com um regime
excepcional em que não seja possível recair sobre o obrigado à vigilância
(489º). Não sendo possível conferir todos os pressupostos necessários para
responsabilizar a mãe e, se a criança fosse imputável, para que a criança seja
condenada a indemnizar, é necessário que a criança tenha património e que
esteja assegurada a sua subsistência económica e financeira.
Quanto ao acidente do António, podemos ir pelo estado de necessidade
(483º/1 + 339º). A actuação do condutor terá de ser analisada: há facto
voluntário por acção de condutor, porque podia ter optado por outro tipo de
comportamento, pois desviou-se para não atingir o António. O resultado do
comportamento é ilícito pois viola o direito de propriedade de outrem. Contudo,
opera aqui a causa de exclusão da ilicitude que é, como já referimos, o estado
de necessidade: cedendo sempre o direito da propriedade face à vida humana,
22

houve uma destruição de coisa alheia3 para evitar um dano manifestamente


superior, bem como a impossibilidade de recorrer aos meios coercivos normais.
Assim, esta conduta é considerada lícita.
Assim, apesar da licitude da sua conduta, há obrigação de indemnizar (339º/2)
pelo autor da destruição se o estado de necessidade lhe for imputável
exclusivamente. Senão, pode haver responsabilidade repartida entre o autor da
destruição, entre quem dá origem ao estado de necessidade e entre quem
beneficia do estado de necessidade, sendo esta repartida equitativamente pelo
juiz, que aplicaria o 497º/2, que determina o grau de culpa de cada um dos
agentes. Para este caso, será de considerar que a obrigação de indemnizar
recairia sobre o condutor (que levou com a pedrada), o António (que beneficiou
do estado de necessidade) e a criança (que deu origem ao estado de
necessidade) (339º/2).

A é doente mental e encontra-se internado no hospital em virtude de ter


comportamentos violentos que não consegue controlar.
Num certo dia, agride o enfermeiro responsável pela ala em que se
encontrava internado e foge, dirigindo-se a um café nas redondezas. Ali
chegado, pede ao dono do café que empreste dinheiro, e perante a recusa
deste, com um guarda chuva, destrói a caixa e parte a cabeça do dono do
café. Dois clientes que ali se encontravam, mesmo sabendo da
incapacidade de A, agridem-no violentamente causando-lhe danos
irreversíveis. Chamada a polícia, A recolheu ao hospital, B, dono do café,
teve de sofrer tratamento médico e os dois clientes C e D foram detidos.
Quis iuris?
Neste caso, o agente directo é o A, doente mental, estando em causa a
agressão do doente mental ao dono do café, quer no que respeita aos danos
materiais, quer no que respeita aos bens pessoais.
Este doente mental e inimputável (488º) já que, apesar de ser maior de 7 anos,
não tem capacidade de querer ou entender (elementos volitivo e cognitivo) e,
como tal, se é inimputável para os danos causados a terceiro, também é
inimputável aos danos causados ao obrigado à vigilância (488º). Aqui, e no que
respeita à agressão ao enfermeiro, não seria aplicável o 491º uma vez que se
aplica apenas a agressões a terceiros. Não sendo este o terceiro, mas sim a
própria vítima, não poderia ser ressarcido pelos danos nestes moldes. Este
enfermeiro teria de ter outra forma de ser ressarcido, eventualmente pela
entidade patronal, já que se tratou de um acidente de trabalho.
Em relação ao B, verifica-se que, sendo A inimputável, não é possível
estabelecer a ligação entre o facto danoso e o agente. Logo, tem de se analisar
esta situação na perspectiva do obrigado à vigilância, o enfermeiro, onde há
uma omissão, embora não seja culposa – face à agressão que sofreu, não
tinha como reagir a este incidente -, e, como tal, não lhe é imputável. Também
não se poderá aplicar o 500º/3, uma vez que o enfermeiro (comissário) não era
responsável (não houve facto danoso). Estando o enfermeiro imobilizado pela
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Estado de necessidade – destruição de coisa alheia
Legítima defesa - destruição da coisa do agressor, da origem do dano que se pretende evitar
Gestão de negócios - O próprio agente destrói uma coisa sua para benefício de terceiro (464º)
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agressão, consegue afastar a presunção de culpa. Aplica-se,


excepcionalmente o 498º, onde quem deveria indemnizar, em última instância,
seria o indivíduo.
Quanto à acção dos clientes C e D, configura-se numa legítima defesa, nos
termos do 337º/2. Os clientes estariam a tentar defender o dono do café,
embora se coloque duas questões: eles sabiam da incapacidade de A; a
hipótese também diz que estes usaram um excesso de força àquela que seria
necessária. Quando a agressão vem de uma pessoa com capacidade
diminuída, a legitima defesa tem de ser ponderada noutros moldes, onde o
meio tem de ser proporcional. O excesso de legítima defesa, nos termos do
338º, é aceitável se for desculpável. Neste caso não o seria, porque eles
sabiam que A tinha uma deficiência grave e também usaram da força para
além do que seria necessária, e não tendo qualquer medo ou perturbação, esta
acção não seria, por isso, desculpável. Logo, estes teriam de indemnizar.

Nuno leva o seu filho Jorge de 6 anos de idade ao parque da cidade.


Enquanto Nuno lia o jornal, Jorge brincava com Óscar, um cão da raça
boxer, propriedade de Sofia. A determinada altura e, apesar dos avisos de
Sofia, Jorge irritou de tal forma o animal que este o mordeu e também a
Tiago que, entretanto, se tinha aproximado. Jorge e Tiago terão direito a
ser indemnizados pelos danos sofridos?
Embora não exista uma actuação culposa por parte de Sofia, só o facto de ter o
animal e utilizá-lo em seu benefício, é o suficiente para haver responsabilidade
civil pelos danos que este causar (502º). Contudo, não significa
necessariamente que Sofia terá de indemnizar. Neste caso, o Jorge estava a
irritar o cão, apesar dos avisos de Sofia, devendo este estar sob vigilância do
Nuno, que lia ao jornal, desatento ao que se estava a passar.
Responsabilidade da Sofia em relação ao Jorge:
Existe um facto voluntário em que não há um comportamento ilícito, não
havendo culpa (não há nada que a Sofia tenha feito que seja censurável),
havendo, inclusivamente, tentativas repetidas para que Jorge parasse de
atormentar o animal. Aqui, quem tem culpa é o lesado Jorge, sendo uma culpa
provada (572º). Tem-se no 570º/2 que a culpa provada prevalece sobre a culpa
presumida (na culpa presumida não há um juízo de censura, mas sim uma
inversão do ónus da prova). Assim, por maioria de razão, se a culpa provada
absorve a culpa presumida, absorve também as situações de risco em que
nem sequer há culpa de nenhum tipo. Desta forma, nestes moldes, o Jorge não
seria indemnizável.
Responsabilidade da Sofia em relação ao Tiago
Não operando a culpa do lesado em relação ao Tiago, ou seja, não há nada
que diga que ele teve um comportamento que, de alguma forma, concorreu
para a produção ou agravamento dos danos (570º), este terá de ser
indemnizado por Sofia nos termos do 502º na qualidade de proprietária do
Óscar.
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No dia 25 de Setembro, A decidiu oferecer um jantar aos seus amigos e,


para tal, dirigiu-se ao seu talho habitual, propriedade de B, onde comprou
vários quilos de carne que cozinhou.
No dia seguinte, A sentiu-se mal, tendo de receber tratamento hospitalar,
em consequência do mau estado da carne. O mesmo aconteceu a C e D,
os amigos que jantaram em sua casa.
A, C e D sofreram fortes enjoos e cólicas que os deixaram prostrados e os
impossibilitaram de trabalhar durante uma semana.
a) A, C e D pretendem ser indemnizados pelos danos sofridos.
b) Considere-se a hipótese de A, C e D viverem numa pequena aldeia.
Furiosos com a situação de terem apanhado uma intoxicação
alimentar devido à carne de B, resolvem publicar no jornal regional
uma notícia q dizer “Atenção, B vende carne podre”.
Quid iuris?
a) B e A (CONTRATO COMPRA E VENDA)
Existe uma relação jurídica obrigacional entre A e B, sendo um contrato de
compra e venda (874º ss): A é credor da carne e devedor do preço e,
simultaneamente, B é credor do preço e devedor da carne. De forma a saber
vínculo a analisar para saber as posições que cada um dos sujeitos ocupa, terá
de ser analisada a prestação que está em falta. Neste caso, será a carne que
não foi entregue nos termos acordados uma vez que está defeituosa. Assim, a
prestação em falta é a de B; logo B é o devedor/lesante e A é o credor/lesado.
Estas relações resolvem-se nos termos da responsabilidade contratual (798º
ss) porque se entende que, estando no âmbito das obrigações, as partes
resolveram livremente celebrar entre si um contrato deixando o legislador a
liberdade de escolha quanto aos os moldes em que contratam, desde que não
atentem contra as normas imperativas. Assim, todas as vicissitudes que
resultam do (não) cumprimento desse contrato sejam também resolvidas à luz
do princípio da autonomia das partes. Não havendo acordo entre elas, aplica-
se essa parte do código civil supletivamente.
Nos termos do 798º ss, são também indemnizáveis danos patrimoniais
(tratamento hospitalar e impossibilitado de trabalhar) e não patrimoniais
(enjoos, cólicas, prostração), sendo estes segundos mais difíceis de indemnizar
por força do 496º/1.
A e C, D (A SERVIU CARNE A C E D)
Tendo A preparado o jantar e servido a carne defeituosa a C e D, para haver
responsabilidade civil tem de haver culpa. A culpa é, em primeiro lugar, a
imputação do facto ao lesado. A doença de C e D não são imputáveis a A,
falhando assim um dos pressupostos da responsabilidade civil – o querer e
entender (elemento volitivo e cognitivo). Não havendo culpa, não é imputável o
facto e, consequentemente, não há juízo de censura (se foi negligente ou não)
porque não houve a ligação do facto ao agente.
Assim, A não precisa de indemnizar C e D porque falta um dos pressupostos
na relação entre eles estabelecida.
B e C, D (C, D INGERIRAM A CARNE VENDIDA POR B)
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Não existe uma relação jurídica obrigacional entre eles. Desta forma, terá de
ser resolvido à luz da responsabilidade por factos ilícitos (483º ss). Verifica-se
que existe:
- facto voluntário (venda da carne estragada),
- ilicitude (há violação do direito à integridade física de C e D),
- culpa (mesmo que não fosse doloso no sentido de querer provocar a doença,
foi negligente em que se quis libertar da carne que estava estragada e vendeu-
a). Releva o facto de estarmos perante culpa ou negligência neste caso; pelo
494º, quando o agente actua por mera culpa, pode eventualmente a
indemnização ser inferior ao dano causado, tendo em consideração as
circunstâncias do caso e a situação económica, quer do agente, quer do
lesado. Assim, este artigo só será aplicado se o lesado tiver uma situação
económica confortável em detrimento da situação económica do agente,
- nexo de causalidade (da venda da carne estragada é provável que resulte a
doença de quem a ingere), e
- dano (possibilidade de dano patrimonial -tratamento hospitalar e
impossibilitado de trabalhar- e não patrimonial - enjoos, cólicas, prostração).
b) Além do 483º, que apresenta a causa geral da ilicitude, que corresponde à
violação do direito de outrem ou à violação de normas de interesses alheios,
encontramos também, nos 484º, 485º e 486º 4, as causas especiais de ilicitude.
Neste caso prático, temos interesse no 484º, que trata da ofensa ao crédito e
ao bom nome. Nesta questão, a doutrina diverge se se pode divulgar factos em
relação a outra pessoa. À partida, o que parece correcto é que se são
verdadeiros, haverá a possibilidade de fazer essa divulgação. Só que, há uma
colisão de direitos – direito à privacidade e ao bom nome contra o direito à
indignação. Assim, o Prof. Antunes Varela diz que haverá sempre a obrigação
de indemnizar; o Prof. Almeida Costa diz não haver a obrigação de indemnizar
quando estão em causa interesses legítimos, sobretudo de natureza pública; o
Prof. Ribeiro de Faria diz haver a obrigação de indemnizar ainda que o facto
seja verdadeiro se a publicação fosse dolosa; e o Prof. Pessoa Jorge refere
que só haverá lugar a indemnização se a notícia for falsa.

4
Este é aqui referido no âmbito do facto voluntário e não como causa especial de ilicitude. Prende-se com a
omissão (483º + 486º).

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