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UNIME – FACULDADE DE FARMÁCIA

Prof. Esp. Roberth Bomfim Sertório de Souza

ACERTO DE pH EM FORMULAÇÕES MAGISTRAIS TÓPICAS.

1. Objetivo:
Definir em procedimento a técnica utilizada pela farmácia para o acerto de pH em formulações
magistrais.

2. Definições.
Entende-se por pH, a concentração de íons hidrogênio (H +) existente num meio. Dependendo
da quantidade de hidrogênio em relação à hidroxila (OH -), tem-se um produto ácido, básico ou neutro
como exemplifica o gráfico a seguir:

 ÁCIDO – Prevalece no meio o íon hidrogênio (H +). Valores menores que 7.00. Ex.: gel com ácido
glicólico pH = 4,00.
 BÁSICO – Prevalece no meio o íon hidroxila (OH -). Valores maiores que 7.00. Ex.: alisante de
cabelo
 NEUTRO – As quantidades de íons hidrogênio e hidroxila são iguais. Valores iguais a 7.00.

ÍONS H+ ÍONS OH-


0.00 7.00 14.00

pH ÁCIDO pH NEUTRO pH BÁSICO

3. Procedimento.

3.1. Acerto de pH em formulações magistrais.

O acerto de pH em formulações magistrais não é uma tarefa das mais simples. Para se
determinar o pH final de uma formulação alguns pontos deverão ser observados:

1. Faixa ou unidade de pH de estabilidade do(s) ativo(s).


2. Faixa ou unidade de pH de estabilidade do veículo.
3. Faixa ou unidade de pH da pele onde será aplicado o medicamento.
4. Faixa ou unidade de pH final do medicamento que deverá contemplar uma unidade de
pH dentro das citadas nos itens 1 2 e 3 deste POP (intersecção).

De uma maneira geral podemos visualizar o tema no seguinte gráfico.

Assim o farmacêutico deverá avaliar caso a caso para determina o pH final da formulação,
verificando as compatibilidades e tomando as ações corretivas por cada caso.

A tabela a seguir mostra o pH em suas diferentes regiões corporais:


pHs e regiões corporais.
Local pH Local pH
Tornozelos 5.9 Axilas 6.5
Pés 7.2 Troncos 4.7
Coxas 6.1 Pregas e mamas 6.0
Seios 6.2 Perna e tornozelo 4.5
Cabelos 4.1 Pregas interdigitais 7.0
Rosto 7.0 Intra-vaginal 6.2
Vagina 4.5 Mãos 4.5
Costas 4.8 Nádegas 6.4

3.2. Soluções utilizadas para o acerto de pH.

Para alcalinizar o meio, utilizamos a solução de hidróxido de sódio a 50% p/p ou AMP-95, e
para acidificar a solução de ácido cítrico a 50% p/p.

3.3. Acerto de pH de formulações contendo alguns tipos de alfa hidroxiácidos (AHAs) e


despigmentantes.

Os AHAs, quimicamente são ácidos carboxílicos que possuem uma hidroxila ligada ao carbono
alfa (o primeiro após a carboxila). Os AHAs mais utilizados topicamente são o ácido cítrico, o ácido
glicólico, o ácido lático, o ácido málico, o ácido mandélico e o ácido tartárico.
A ação dos AHAs varia de acordo com a concentração e unidade de pH. Em pHs mais ácidos
sua ação é do tipo “peeling”, e à medida que aumentamos o pH diminuímos a sua ação esfoliante e
aumentamos a ação hidratante (Quadro 1).

Quadro 1
Ação de AHAs frente a unidades de pH.

0 2 3,8 5,5 6,0 14


Ácido “peeling” Ideal “pele” hidratante Alcalino

Posto isso, o FDA (Food and Drug Administration) , órgão estadunidense que regulamenta
medicamentos e alimentos daquele país, preconiza que formulações contendo AHAs devem possuir pH
superior a 3,8 e a concentração abaixo de 10%.
Em concentrações superiores (Ex. ácido glicólico 12%, ácido mandélico 20%) o valor de pH
deve ser determinado juntamente com o prescritor (pH para peeling ou hidratação).

A seguir uma pequena enciclopédia sobre os AHAs mais utilizados topicamente e demais
associações como despigmentantes e hidratantes.

 Ácido Cítrico - pouco utilizado topicamente em comparação aos demais AHAs. Tem sido mais
utilizado como adjuvante farmacotécnico no acerto de pH de outras formulações (solução de
minoxidil p. ex.), do que como princípio ativo. A sua farmacotécnica segue as mesmas
considerações que os demais AHAs: pH acima de 3,8 e concentração abaixo de 10%.

 Ácido Málico – pouco utilizado topicamente em comparação aos demais AHAs. A sua
farmacotécnica segue as mesmas considerações que os demais AHAs: pH acima de 3,8 e
concentração abaixo de 10%.

 Ácido Tartárico – também é pouco utilizado topicamente em comparação aos demais AHAs. A
sua farmacotécnica segue as mesmas considerações que os demais AHAs: pH acima de 3,8 e
concentração abaixo de 10%.
 Ácido Glicólico – talvez seja o mais importante AHA e de longe o mais utilizado topicamente.
Utilizado em concentrações variáveis e em associação com despigmentantes tem diferentes
faixas de pH a depender do tipo de formulação.

 Ácido Mandélico – é prescrito regularmente em concentrações de 10% e sob a forma não


associada. Neste caso manter o pH em torno de 5,5.

3.4. Tampões.

Há muitas vezes, necessidade de se manter o pH de uma formulação em valores inalteráveis


durante o período de armazenamento. Isso porque após o ajuste do pH, podem ocorrer reações que
alteram o pH do meio. Para manter o pH da formulação inalterado durante o seu prazo de validade
utilizamos soluções denominadas de Tampão.
A quantidade de Tampão adicionada numa preparação farmacêutica pode ir de 1%, até o uso
do Tampão puro.
O procedimento para o seu uso consiste:

1. Acertar o pH para o valor próximo do pH desejado.


2. Adicionar q.s. do Tampão escolhido de acordo com a unidade de pH e de acordo com a
composição do Tampão (citrato ou fosfato).
3. A escolha da composição do Tampão deve ser efetuada de acordo com a compatibilidade do
Tampão e os componentes da formulação.

A tabela a seguir apresenta a composição dos Tampões mais utilizados em farmácia magistral
para preparações líquidas e semi-sólidas de uso tópico e uso interno.

Tampão citrato. Tampão fosfato.


pH Ácido cítrico Citrato de sódio pH Fosfato de Fosfato ácido
monohidrata dihidratado sódio (g/L) de sódio (g/L)
do (g/L) (g/L) 4,5 0,9 45,5
2,5 64,4 7,8 5,0 2,2 44,8
3,0 57,4 17,6 5,5 4,4 43,7
4,0 40,6 41,2 6,0 17,8 36,8
4,5 30,8 54,9 6,5 37,4 26,7
5,0 19,6 70,6 7,0 57,8 7,4
6,0 4,2 92,1 8,0 83,7 2,8
6,5 1,8 95,6 8,5 87,2 0,9

Bibliografia:

BRASIL, ANVISA, RDC 67, de 08 de outubro de 2007.


BRASIL, ANVISA, RDC 87, de 21 de novembro de 2008.
BRASIL, Farmacopeia Brasileira IV Edição, Editora Atheneu, 1988.
BRASIL, Formulário Nacional 2005.
FERREIRA, Anderson de Oliveira. Guia Prático da Farmácia Magistral, 3ª edição, Editora
Pharmabooks, 2008.

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