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SUMÁRIO

Introdução..............................................................................................................3
O que é surdez? .....................................................................................................4
Tipos de Surdez .................................................................................................... 5
Principais causas da deficiência auditiva...............................................................5
Declaração de Salamanca .....................................................................................8
O que é inclusão ....................................................................................................8
Pensando a Inclusão dos Surdos ........................................................................ 10
A Inclusão dos Surdos
Na Sociedade ................................................................................................11
Na Escola ......................................................................................................13
Nas Escolas Brasileiras .................................................................................14
Língua Brasileira de Sinais (LIBRAS) .............................................................. 15
Conclusão............................................................................................................17
Referências..........................................................................................................18

INTRODUÇÃO
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Neste trabalho veremos sobre a Surdez e a Inclusão, o que é surdez, seus tipos e
causas. Conceituaremos a inclusão em si e como é e está a inclusão dos deficientes auditivos
na sociedade e na escola e quando foi introduzida a Língua Brasileira de Sinais.
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O QUE É SURDEZ?

Cotidianamente determinamos a surdez como: a perda da capacidade de ouvir, a perda


do som em seu aspecto natural, incapacidade de compreender a fala humana, segundo Skliar,
1998, resultado de uma ideologia clinica na busca de uma explicação para a surdez (doença x
Tratamento) e, via das regras, como deve-se comunicar através do uso da linguagem oral,
cria-se uma busca para que haja a correção e a normalização desse sujeito. Deficiência
auditiva ou surdez é a incapacidade parcial ou total de audição. Pode ser de nascença ou
causada posteriormente por doenças.
Há diversos tipos de surdez, uma forma de classificar é medindo o quanto de som você
escuta, pela média da intensidade e frequencia- HZ. Faz-se um exame chamado
AUDIOMETRIA.
Como resultado você pode ser classificado como:

Audição Normal
A pessoa ouve bem o tic-tac de um despertador. (som de zero a 20 decibéis).

Perda Leve
A pessoa sente dificuldade numa conversação normal particularmente quando há presença de
ruídos. (som de 20 à 40 decibéis).

Perda Moderada
A pessoa não ouve o tic-tac do despertador, escuta um sussurro tem dificuldades ao falar no
telefone. (som de 40 a 60 decibéis).

Perda Severa
Para ouvir a pessoa precisa de um som tão alto quanto o barulho de uma impressora rotativa.
(som de 60 a 80 decibéis).

Perda Profunda
A pessoa só ouve ruídos (vibrações) como os provocados por um a turbina de avião, disparo
de revólver e tiro de canhão. (som acima de 90 decibéis).
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TIPOS DE SURDEZ

Existem basicamente 2 tipos de surdez:

A surdez de condução: É aquela que afeta o ouvido externo ou médio e acontece quando as
ondas sonoras não são bem conduzidas para o ouvido interno. A surdez de condução é a
menos comum.

A surdez neurosensorial: que ocorre no nervo auditivo ou na cóclea:


A surdez neurossensorial pode se manifestar em qualquer idade, desde o pré-natal até
a idade avançada. A cóclea é um órgão muito sensível e vulnerável aos fatores genéticos, às
doenças infantis, aos sons muito altos e a alguns medicamentos. Muitos idosos também
sofrem de surdez neurossensorial.
Um parto difícil ou prematuro, sobretudo quando o bebê não recebe oxigênio
suficiente, às vezes causa surdez neurossensorial. Ao nascer, a criança está sujeita à icterícia,
prejudicial ao nervo auditivo, podendo levar à perda de audição. A icterícia é mais comum em
bebês prematuros. Muitos problemas que surgem no parto estão se tornando menos freqüentes
à medida que se aprimoram as técnicas de assistência a bebês de "alto risco".
Às vezes a pessoa pode apresentar problemas de condução e neurossensorial juntos. É
o que chamamos de surdez mista.

PRINCIPAIS CAUSAS DA DEFICIÊNCIA AUDITIVA

A deficiência auditiva pode ser congênita ou adquirida. As principais causas da


deficiência congênita são:
• hereditariedade,
• viroses maternas (rubéola, sarampo),
• doenças tóxicas da gestante (sífilis, citomegalovírus, toxoplasmose),
• ingestão de medicamentos ototóxicos (que lesam o nervo auditivo) durante a gravidez.

A deficiência auditiva pode ser adquirida, quando:


• existe uma predisposição genética (otosclerose),
• ocorre meningite,
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• ingestão de remédios ototóxicos,


• exposição a sons impactantes (explosão) ou viroses, por exemplo.

Outra forma de classificar as causas potenciais da deficiência auditiva ou a ela


associadas é a seguinte:

- Causas pré-natais: a criança adquire a surdez através da mãe, no período de


gestação, devido à presença destes fatores, entre outros:
• desordens genéticas ou hereditárias;
• causas relativas à consangüinidade;
• causas relativas ao fator Rh;
• causas relativas a doenças infecto-contagiosas, como a rubéola, sífilis,
citomegalovírus, toxoplasmose, herpes;
• ingestão de remédios ototóxicos;
• ingestão de drogas ou alcoolismo materno;
• desnutrição/subnutrição/carências alimentares;
• pressão alta;
• diabete;
• exposição à radiação.

- Causas perinatais: quando a criança fica surda em decorrência de problemas no


parto:
• pré- maturidade, pós- maturidade, anóxia, fórceps;
• infecção hospitalar.

- Causas pós-natais: a criança fica surda em decorrência de problemas após seu


nascimento:
• meningite;
• remédios ototóxicos, em excesso ou sem orientação médica;
• sífilis adquirida;
• sarampo,
• caxumba;
• exposição contínua a ruídos ou sons muito altos;
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• traumatismos cranianos.

Devemos salientar que, atualmente, sabemos que são várias e diferenciadas as causas
que originam a surdez, embora o conhecimento científico seja ainda insuficiente para
identificar todas elas. O diagnóstico médico permite, em muitos casos, que se identifique a
causa mais provável da perda auditiva, mas infelizmente nem sempre isso é possível. A
ocorrência de gestações e partos com histórico complicado, bem como a manifestação de
doenças maternas no período próximo ao nascimento da criança podem inviabilizar a
identificação dessa causa.
Por isso mesmo, em cerca de 50% dos casos, a origem da deficiência auditiva é
atribuída a 'causas desconhecidas'. Quando se consegue descobrir a causa, o mais freqüente é
que ela se deva a doenças hereditárias, rubéola materna e meningite.

Quais são as causas da surdez súbita?

Algumas pessoas apresentam perdas auditivas súbitas, elas quase sempre são
unilaterais, mas em raras ocasiões podem atingir os dois ouvidos. Pressão no(s) ouvido(s) ou
"estalos" são sintomas que podem indicar o aparecimento da surdez, não só a súbita, como a
progressiva, que pode atingir níveis elevados em poucos dias. A surdez súbita é acompanhada
de "estalos" intensos, podendo haver vertigem ao mesmo tempo. São causadoras desse
problema:
• Lesões na cóclea ou no nervo auditivo.
• Formação de coágulos nos vasos que irrigam a cóclea, o que faz com que as células
sensoriais morram por não receber sangue. Problema mais comum em pessoas com
diabetes e hipertensão.
• Processos infecciosos como sarampo, rubéola , herpes ou mesmo gripe comum.
• Alergias, como reação a soros, vacinas, picadas de abelha ou comidas.
• Tumor no nervo auditivo, causa de 10 % dos casos.
• Auto-imunização, quando o mecanismo de defesa do organismo ataca a cóclea e mata
as células como se fossem um corpo estranho.
• Excesso de ruído (barulhos acima de 120 decibéis podem provocar falta de
estabilidade no líquido que preenche a cóclea e alimenta as células sensoriais).
• Infecção bacteriana no labirinto, que pode desencadear. hipersensibilidade e
problemas de microcirculação.
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• Degeneração neurológica (em casos raros, a surdez súbita pode ser o primeiro sintoma
de esclerose múltipla).
• Batida na cabeça e fratura do osso temporal.
• Fístula perilinfática, estrutura que liga a caixa do tímpano com a cóclea se rompe sem
causa aparente e provoca perda do líquido que nutre as células sensoriais. À medida
que as células morrem, a audição fica comprometida.
• Obstrução por cera ou inflamações (otites)

DECLARAÇÃO DE SALAMANCA

A Declaração de Salamanca (Salamanca - 1994) trata dos Princípios, Política e Prática


em Educação Especial. Trata-se de uma resolução das Nações Unidas adotada em Assembléia
Geral, a qual apresenta os Procedimentos-Padrões das Nações Unidas para a Equalização de
Oportunidades para Pessoas Portadoras de Deficiências. A Declaração de Salamanca é
considerada mundialmente um dos mais importantes documentos que visam a inclusão social,
juntamente com a Convenção sobre os Direitos da Criança (1988) e da Declaração Mundial
sobre Educação para Todos (1990). Faz parte da tendência mundial que vem consolidando a
Educação Inclusiva. Sua origem é normalmente atribuída aos movimentos em favor dos
Direitos Humanos e contra instituições segregacioanistas, movimentos iniciados a partir das
décadas de 60 e 70 do século XX.

O QUE É INCLUSÃO?

Segundo o dicionário, o verbo incluir apresenta vários significados, todos com o


sentido de algo ou alguém inserido entre outras coisas ou pessoas. Em nenhum momento essa
definição pressupõe que o ser incluído precisa ser igual ou semelhante aos demais aos quais se
agregou.
Ela é a nossa capacidade de entender e reconhecer o outro e, assim, ter o privilégio de
conviver e compartilhar com pessoas diferentes de nós.
Quando falamos de uma sociedade inclusiva, pensamos naquela que valoriza a
diversidade humana e fortalece a aceitação das diferenças individuais. É dentro dela que
aprendemos a conviver, contribuir e construir juntos um mundo de oportunidades reais (não
obrigatoriamente iguais) para todos.
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Isso implica numa sociedade onde cada um é responsável pela qualidade de vida do
outro, mesmo quando esse outro é muito diferente de nós.
Hoje em dia, se fala muito em inclusão e integração, mas ao mesmo tempo, não se
conhece o que realmente é uma e a outra, e por esse motivo usa-se os termos sem ao menos
conhecê-los.
Com isso, devemos aprender a diferenciar uma da outra, sabendo que:

INCLUSÃO INTEGRAÇÃO

a inserção é total e incondicional a inserção é parcial e condicional


(crianças com deficiência não precisam (crianças "se preparam" em escolas ou
"se preparar" para ir à escola regular) classes especiais para estar em escolas ou
classes regulares)
ocorrem mudanças que beneficiam toda e as mudanças são visando prioritariamente
qualquer pessoa (não se sabe quem a pessoas com deficiência (consolida a
"ganha" mais; TODAS ganham) idéia de que elas "ganham" mais)
exige transformações profundas contenta-se com transformações
superficiais
a sociedade se adapta para atender às as pessoas com deficiência se adaptam às
necessidades das pessoas com deficiência necessidades dos modelos que já existem
e, com isso, se torna mais atenta às na sociedade, que faz apenas ajustes
necessidades de TODOS
defende o direito de TODAS as pessoas, defende o direito de pessoas com
com e sem deficiência deficiência

traz para dentro dos sistemas os grupos de :insere nos sistemas os grupos de
"excluídos" e, paralelamente, transforma "excluídos que provarem estar aptos" (sob
esses sistemas para que se tornem de este aspecto, as cotas podem ser
qualidade para TODOS questionadas como promotoras da
inclusão)
o adjetivo inclusivo é usado quando se o adjetivo integrador é usado quando se
busca qualidade para TODAS as pessoas busca qualidade nas estruturas que
com e sem deficiência (escola inclusiva, atendem apenas as pessoas com
trabalho inclusivo, lazer inclusivo etc) deficiência consideradas aptas (escola
integradora, empresa integradora etc)
não quer disfarçar as limitações, porque tende a disfarçar as limitações para
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elas são reais aumentar a possibilidade de inserção

Pensando a inclusão de surdos

A inclusão de surdos em escola regular é um assunto muito complexo, onde a situação


deve ser pensada como um todo, a partir da realidade de cada local. Para conseguir analisar a
situação amplamente, necessita-se conhecer melhor sobre o surdo, sua situação cotidiana de
inclusão/exclusão na sociedade como um todo, discutir práticas e teorias partindo de uma
questão sociocultural (não apenas audiológica), onde o surdo é um sujeito que possui uma
língua natural, a Língua de Sinais.
Na inclusão, é importante lembrar de alguns fatores primordiais quando pensamos em
surdos:
* Oportunizar o aprendizado favorecendo a diferença sócio-lingüística e valorizando a
comunicação espaço/visual em todos os momentos deste processo. A língua de sinais não
deve ser encarada pelo professor como um instrumento de trabalho, mas sim, como parte da
cultura da comunidade surda, sendo sua língua oficial.
* Favorecer o aprendizado do indivíduo surdo utilizando a língua de sinais, se ao iniciar o
trabalho de inclusão esta não for possível, utilizar todos os recursos de comunicação (não
simultaneamente), para que a partir destes tenha-se a certeza de que o surdo adquiriu o
conhecimento.
No passado, as escolas de ou para Surdos (públicas) eram precárias e durante muitos
anos a sociedade brasileira ouvinte proibiu o uso da Língua de Sinais aqui no Brasil. Somente
no ano de 2002, com muita luta e esforço, a Língua de Sinais foi reconhecida como Língua
oficial dos Surdos, através da Lei LIBRAS n° 10.436. Apesar de ter conseguido essa vitória,
ainda há muitas metas a serem atingidas em escolas e universidades públicas para que se
tenham professores Surdos Mestres ou Doutores, também para que se tenham Intérpretes de
LIBRAS, assim como professores bilíngües, para atuarem em salas de aula em todas as áreas,
para que o surdo sinta tranqüilidade em seus estudos.
A Educação Inclusiva tem como objetivo incluir o surdo em escolas regulares, a
prioridade do governo é garantir a educação gratuita e obrigatória "Inclusão de Surdos na rede
oficial de ensino objetiva colocar as crianças em condições sociais de vincular-se aos
ouvintes". O único problema foi o aparecimento dessa política sem preparo, que fez com que
o MEC fizesse uma parceria com a FENEIS, para a elaboração dos cursos de Capacitação dos
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Instrutores Surdos e a Capacitação dos Intérpretes de LIBRAS que formaram de forma


ineficiente os intérpretes de LIBRAS e um número insuficiente de Instrutores Surdos para
atender a necessidade.
Na maioria das vezes os intérpretes de LIBRAS têm somente o Ensino Médio, pois
não existe ainda a Formação dos Intérpretes de LIBRAS em níveis superiores nas
Universidades Públicas.

A INCLUSÃO DOS SURDOS

• Na sociedade
Inclusão social é uma ação que combate a exclusão social geralmente ligada a pessoas
de classe social, nível educacional, portadoras de deficiência física e mental, idosas ou
minorias raciais entre outras que não têm acesso a várias oportunidades, ou seja, Inclusão
Social é oferecer aos mais necessitados oportunidades de participarem da distribuição de
renda do País, dentro de um sistema que beneficie a todos e não somente uma camada da
sociedade.
Para haver essa inclusão, um dos principais fatores é o campo profissional.
A capacitação para o trabalho ou profissional inicia desde quando o ser humano
começa a se relacionar com o mundo, com as outras pessoas. O sentido que as coisas e os
fatos vão construindo nas mentes constituem-se em possibilidades para a futura formação.
Ao pensar este processo em relação às pessoas surdas é de fundamental importância
incluir, na discussão, a questão da Língua Brasileira de Sinais e da utilização da Língua
Portuguesa. Quanto mais cedo for propiciado o acesso à Língua Portuguesa e à Língua de
Sinais mais efetivamente as pessoas surdas podem se comunicar com o seu meio, entendendo
e se fazendo entender.
A capacitação profissional da pessoa surda é um desafio para as escolas repensarem
suas finalidades, seu currículo, suas formas de atuação. É um direito da comunidade surda se
fazer presente nas discussões das políticas sociais. Tanto a esfera municipal, quanto a estadual
e federal, devem estar atentas aos programas de capacitação profissional e de geração de
renda a fim de que contemplem as necessidades das pessoas surdas. É um desafio à sociedade
que vive cada vez mais uma realidade de exclusão social. Esta não é uma luta de uma pessoa
ou de um grupo. É a luta de muitos e que para ser efetiva necessita articulação e mobilização.
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É importante que o surdo adulto adquira a sua independência econômica e sinta-se


produtivo dentro da comunidade. Ele ainda encontra dificuldades em ser aceito no mercado de
trabalho, uma vez que suas reais potencialidades ainda não são reconhecidas pela classe
empresarial por falta de informações e pelo preconceito relativo aos portadores de
necessidades especiais em geral.
Com todas essas dificuldades, a integração dos educandos com deficiência auditiva no
mercado de trabalho deverá ser uma preocupação de família, da escola e dos próprios
portadores de deficiência. E a esse respeito uma profissionalização proporcional ao seu nível
de escolarização pode ser considerada a meta a ser alcançada com vistas à independência do
surdo, mediante seu ingresso no mercado de trabalho.
É importante que os pais tenham uma participação efetiva no processo de inclusão de
seu filho no mercado de trabalho.
A escolha da profissão dos surdos, assim, como de qualquer outra pessoa, vai depender
de suas aptidões, habilidades, interesses e do nível de escolarização que alcançar, deduzindo-
se que quanto maior for esse nível mais facilidade terá para ingressar no mercado competitivo.
A questão da língua, se for o caso, pode ser contornada pelo desempenho na modalidade
escrita do Português.
Os surdos são pessoas altamente capazes de exercer qualquer função na sociedade que
não requeira exclusivamente habilidades auditivas. Seu problema lingüístico os coloca em
condições mais ou menos semelhantes aos de estrangeiros.
No entanto, entendemos que a inclusão social, é um processo para a construção de um
novo tipo de sociedade, através de transformações, pequenas e grandes, nos ambientes físicos
(espaços internos e externos, equipamentos, aparelhos e utensílios mobiliário e meios de
transporte) e na mentalidade de todas as pessoas, e portanto, também do próprio portador de
necessidades especiais.
O processo de inclusão vem sendo aplicado em cada sistema social. Assim, existe a
inclusão na educação, no lazer, no transporte, etc. Quando isto acontece, podemos falar em
educação inclusiva, no lazer inclusivo, no transporte inclusivo e assim por diante. Uma outra
forma de referência consiste em dizermos, por exemplo, educação para todos, lazer para
todos, transporte para todos.
Apesar de atualmente a maioria dos países apresentar alguma legislação que assegura
os direitos de todos os cidadãos igualmente, poucas sociedades estão preparadas para exercer
a inclusão social em plenitude. Pessoas com dificuldades de locomoção enfrentam barreiras
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para utilizar os transportes públicos e para ter acesso a prédios públicos, inclusive escolas e
hospitais.
Muitas pessoas e instituições estão trabalhando pela inclusão social e a informação é
uma das grandes armas contra a discriminação.

• Na escola
Inclusão de surdos em escola regular é um assunto muito complexo, onde a situação
deve ser pensada como um todo, a partir da realidade de cada local. Para conseguir analisar a
situação amplamente, necessita-se conhecer melhor sobre o surdo, sua situação cotidiana de
inclusão/exclusão na sociedade como um todo, discutir práticas e teorias partindo de uma
questão sociocultural (não apenas audiológica), onde o surdo é um sujeito que possui uma
língua natural, a Língua de Sinais.
Segundo Marisa Faermann Eizirik (2000), "na inclusão o que está em jogo é a ruptura
com o conceito estático do homem, de mundo, de conhecimento; é a necessidade de cruzar
experiências, de compartilhar caminhos, de compreender a complexidade e a diversidade
através da abertura de canais para o diferente, o que não é meu, nem igual ao meu, mas por
isso mesmo, merece respeito. E esse respeito descortina a possibilidade da descoberta de
coisas. pessoas, situações, - insuspeitáveis, fascinantes. - É certo que esse caminho provoca
ferimentos pela insegurança, pela quebra de certezas, de normas estáveis."
Há uma diversidade de fatores e experiências em cada indivíduo e, quando se fala de
inclusão de surdos, além da diversidade, retrata-se o diferente (língua, cultura, tradições,...).
Neste convívio, entre duas comunidades (surda e ouvinte), há sempre a situação de uma nova
língua, ou seja, para o ouvinte, a língua de sinais e para o surdo, a língua portuguesa.
Retratando da segunda língua, pode-se reportar à Poersch (1995), "há três fatores para o
aprendizado de uma segunda língua: - fatores motivacionais, fatores construídos no sujeito
aprendiz devido ao contexto comunicacional lingüístico em que ele se insere; - atenção, que é
derivada da motivação, ou seja, dependerá da maneira como o aprendiz tem contato com a
língua a ser aprendida (métodos e técnicas utilizadas no ensino, oportunidades e qualidades da
utilização da língua); - memória, que provém da atenção e está relacionada à aptidão do
indivíduo para o aprendizado de novas línguas".
Na inclusão, é importante lembrar-se de alguns fatores primordiais quando pensamos
em surdos:
Oportunizar o aprendizado favorecendo a diferença sócio-lingüística e valorizando a
comunicação espaço/visual em todos os momentos deste processo, já que, segundo Skliar
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(1998), "... todos os mecanismos de processamento da informação, e todas as formas de


compreender o universo em seu entorno, se constroem como experiência visual".
A língua de sinais não deve ser encarada pelo professor como um instrumento de
trabalho, mas sim, como parte da cultura da comunidade surda, sendo sua língua oficial.
Deve-se favorecer o aprendizado do indivíduo surdo utilizando a língua de sinais, se
ao iniciar o trabalho de inclusão esta não for possível, utilizar todos os recursos de
comunicação (não simultaneamente), para que a partir destes tenha-se a certeza de que o
surdo adquiriu o conhecimento. A partir disto pode-se reportar ao livro "O vôo da gaivota" da
autora surda Emmanuelle Laborit (1996): "Utilizo a língua dos ouvintes, minha segunda
língua, para expressar minha certeza absoluta de que a Língua de Sinais é nossa primeira
Língua, aquela que nos permite ser seres humanos comunicadores. Para dizer, também, que
nada deve ser recusado aos Surdos, que todas as linguagens podem ser utilizadas, a fim de se
ter acesso à vida."

• Nas Escolas Brasileiras


Para termos uma noção real da situação escolar do deficiente no Brasil, seria
necessário que soubéssemos o número exato deles. Pois, a partir da comparação entre o
número de habitantes brasileiros deficientes e o número de matrículas dos mesmos em
instituições de ensino, poderíamos analisar se estas pessoas estariam sendo atendidas e
recebendo uma educação de qualidade. Entretanto, nem mesmo o IBGE sabe ao certo este
número. Desta forma se torna difícil saber como é a situação dos Deficientes, já que nem
mesmo sabemos de quantos estamos falando.
Segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS), cerca de 10% da população
mundial têm necessidades especiais. Se este percentual for aplicado ao Brasil, nós teremos
cerca de 18 milhões de pessoas com necessidades especiais. De acordo com a Sinopse
Estatística da Educação Básica/Censo Escolar de 1998, do MEC/INEP, haviam 293.403
alunos matriculados em estabelecimentos escolares (que não quer dizer, o mesmo que
instituições convencionais). Ora, se, segundo a estimativa da OMS, o Brasil realmente tiver
de fato 18 milhões de deficientes, estes pouco mais de 293 mil que se encontram matriculados
é apenas uma ínfima parte desta população.
A Lei nº 10.172, de 9 de janeiro de 2001, que aprova o Plano Nacional de Educação. O
capítulo 8 do PNE é destinado à Educação Especial. Este documento tece um diagnóstico e
traça as diretrizes, objetivos e metas para os próximos 10 anos. Segundo o PNE, a oferta de
educação especial poderá ser realizada de três formas: participação nas classes comuns, sala
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especial e escola especial. Sendo que, as salas e escolas especiais devem ser apenas para
aqueles que realmente não puderem ser atendidas nas salas convencionais. Neste sentido, a
matrícula destes alunos vem crescendo a olhos vistos entre 1998 e 2003.
Em contrapartida a este número de alunos com necessidades especiais matriculados
em escolas regulares, que vem aumentando, o número de matrículas em Escolas Especiais
vem caindo. Segundo a Revista Nova Escola (Maio/2005), este número teve uma queda de
21,4% em 6 anos.
Infelizmente, este número de matrículas continua irrelevante se o compararmos com a
estimativa da OMS. E, pouco se tem feito para que este número cresça. O PNE, estipulou 28
objetivos e metas para que a inclusão pudesse ocorrer. Entretanto, como estamos no ano de
2006, isto quer dizer que o PNE completou 5 anos. E se analisarmos as diretrizes, objetivos e
metas estipuladas para serem concretizados ao longo destes 10 anos, na sua maioria, eles não
foram, não estão sendo e provavelmente não serão totalmente cumpridos.

LÍNGUA BRASILEIRA DE SINAIS (LIBRAS)

A Linguagem de Sinais é a língua natural das comunidades surdas. Não é apenas


mímicas e gestos soltos, são línguas com estruturas gramaticais próprias.
A Língua Brasileira de Sinais, mais conhecida como libras, foi introduzida no Brasil
ainda no Império. Em 1856, o conde francês Ernest Huet desembarcou no Rio de Janeiro com
o alfabeto manual francês e alguns sinais. O material trazido pelo conde, que era surdo, foi
adaptado e deu origem à Libras. Este sistema foi amplamente difundido e assimilado no
Brasil.
No entanto, a oficialização em lei da Libras só ocorreu um século e meio depois, em
abril de 2002 - nesse período, o Brasil trocou a monarquia pela república, teve seis
Constituições e viveu a ditadura militar.
O longo intervalo deve-se a uma decisão tomada no Congresso Mundial de Surdos, na
cidade italiana de Milão, em 1880. No evento, ficou decidido que a língua de sinais deveria
ser abolida, ação que o Brasil implementou em 1881.
A Libras quase mudou de nome e só voltou a vigorar em 1991, no Estado de Minas
Gerais, com uma lei estadual. Só em agosto de 2001, com o Programa Nacional de Apoio à
Educação do Surdo, os primeiros 80 professores foram preparados para lecionar a língua
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brasileira de sinais. A regulamentação da Libras em âmbito federal só se deu em 24 de abril


de 2002, com a lei n° 10.436.
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CONCLUSÃO

Surdez é a incapacidade parcial ou total de audição, pode ser de nascença ou causada


posteriormente por uma doença. Pode ser classificada medindo o quanto você escuta pela
média da intensidade e freqüência com a Audiometria, como, audição normal, perda leve,
perda moderada, perda severa e perda profunda. Há dois tipos de surdez, a condução e a
neurosensorial.
Quando se trata de inclusão, temos a Declaração de Salamanca que tem como objetivo
fornecer diretrizes básicas para a formulação e reforma de políticas e sistemas educacionais de
acordo com o movimento de inclusão social. A inclusão dos surdos tanto em sociedade
quando na escola devem-se oportunizar campos de trabalho e a aprendizagem. Mas para essa
inclusão na escola devem-se ter professores preparados que se comuniquem com a língua
deles (Libras).
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REFERÊNCIAS

http://saci.org.br/?modulo=akemi&parametro=1662
http://www.feneis.com.br/page/materias_universidadepublica.asp
http://www.pead.faced.ufrgs.br/sites/publico/eixo7/libras/unidade1/introducao_libras.html

LEI Nº 10.436, DE 24 DE ABRIL DE 2002.

http://www.libras.org.br