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UNIVERSIDADE FEDERAL DO ESPÍRITO SANTO

DEPARTAMENTO DE ENGENHARIAS E COMPUTAÇÃO

ENGENHARIA QUÍMICA

Experiência 01: Medida da Tensão Superficial

Método do Peso da Gota

Físico-Química Experimental
Resumo

Este trabalho visa construir um equipamento e realizar um experimento


simples, em laboratório, com a finalidade de determinar e estudar o
comportamento da tensão superficial em gotas de solução elaboradas com
diferentes concentrações de surfactantes, através do método do peso da gota,
um dos métodos utilizados para medir tensão superficial.
Este método, assim como todos aqueles que envolvem separação de
duas superfícies, depende da suposição de que a circunferência multiplicada
pela tensão superficial é a força que mantém juntas as duas partes de uma
coluna líquida. Quando esta força está equilibrada pela massa da porção
inferior, a gota se desprende. E através da massa da gota, pode-se calcular a
tensão superficial de uma determinada substância.

Introdução

A tensão superficial é a força que age na superfície dos líquidos, e


surge como resultado do desequilíbrio entre as forças que agem sobre as
moléculas da superfície em relação àquelas que se encontram no interior da
solução. As moléculas de qualquer líquido localizadas na interfase líquido-ar
realizam um número menor de interações intermoleculares comparadas com as
moléculas que se encontram no interior do líquido. A força resultante que atrai
as moléculas da superfície de um líquido para o seu interior torna-se o principal
obstáculo para a formação de bolhas, gotas e a nucleação de cristais em
líquidos. Como estas forças de coesão tendem a diminuir a área superficial
ocupada pelo líquido, observamos freqüentemente gotas adotarem a forma
esférica. Na indústria, a tensão superficial é aplicada em processos de
fermentação, formação de gelo durante o resfriamento de alimentos e no
processo de tingimento nas indústrias têxteis.
Os tensoativos são substâncias que tem a propriedade de diminuir a
tensão superficial dos líquidos, eles são constituídos por um grupo hidrofóbico
e um grupo hidrofílico. Entretanto, após saturar a superfície, a adição de novas
moléculas de tensoativo tem pouco efeito sobre o valor da tensão superficial,
principalmente após atingirem uma certa concentração crítica (CMC), onde se
formam espontaneamente agregados moleculares de dimensões coloidais,
chamados micelas.
A CMC depende da estrutura do tensoativo (tamanho da cadeia do
hidrocarboneto) e das condições experimentais (força iônica, contra-íons,
temperatura etc), e as discussões sobre sua formação, funções e relações com
aplicações industriais é de extrema importância. O Dodecil Sulfato de Sódio
(SDS), cuja estrutura química está ilustrada abaixo, é um bom exemplo dos
compostos tensoativos. Este apresenta uma longa cadeia alquílica,
praticamente insolúvel em água, ligada covalentemente a um grupo iônico, o
sulfato de sódio.

São diversos os métodos que podem ser empregados para a


determinação da tensão superficial. Um exemplo é o método do peso da gota
No método do peso da gota geralmente emprega-se uma vidraria especial, o
estalagmômetro, de modo a poder regular através da quantidade de líquido o
tempo de formação da gota. No exato momento de desprendimento, a força
exercida pelo peso da gota (m.g) é equilibrada pela tensão superficial
multiplicada pela circunferência da gota formada.

Procedimento

Materiais e reagentes:
- 5 balões volumétricos 100 mL por grupo
- Bureta 25 mL
-Suporte universal
- Garras
- Balança analítica
- Solução de SDS (dodecil sulfato de sódio) estoque: 50,0mM.
- Béquers

Procedimento experimental:
Preparou-se 7 soluções de SDS com as seguintes concentrações: 1,0
mM; 3,0mM; 5,0 mM; 7,0mM; 9,0mM; 11,0mM; 15,0mM.
A bureta foi fixada em suporte universal com o auxílio das garras (como
se utiliza em tituluações). Em seguida colocou-se a água na bureta, ajustando
para uma vazão de no máximo 4 gotas por minuto. Recolheu-se 10 gotas do
líquido no béquer (já pesado anteriormente). Anotou-se então, a variação de
volume observada na bureta e a massa das gotas de água.
Determinou-se o diâmetro do tubo de vidro a partir da massa de uma
gota da água. A massa de uma gota de água pura a 20° C, para tubos de
diferentes diâmetros encontra-se na tabela 1. Para temperaturas superiores ou
inferiores a 20° C, mas não muito diferentes, pode-se usar a seguinte equação
para encontrar a massa da gota da água a 20°C, sabendo que  é a tensão
superficial da água nas respectivas temperaturas.

Tabela 1 - Massa de uma gota de água que se desprende de tubos de diferentes diâmetros.

A tensão superficial é calculada pela equação (Lei da Tate):

mi . g
=
2. .  . r (1)

onde: mi – massa de uma gota ideal


r – raio do tubo
g – aceleração da gravidade
Como somente a porção mais externa da gota alcança a posição de
instabilidade e cai, deve-se corrigir o erro causado pelo peso da gota, introduz-
se na equação da Lei de Tate um fator de correção f.

mi . g
 =
2.. . r . f (2)

Pelo raio do tubo, obtidos pela tabela 1, e pela variação de volume de


água observada na bureta, pode-se encontrar o fator de correção f, através da
abaixo:

Tabela 2 – Fator de correção para o método do peso da gota.

Ao se repetir o procedimento com as soluções de dodecil sulfato de


sódio, somente a massa de dez gotas foi necessário anotar, pois o fator de
correção já havia sido calculado.
Com os dados do experimento, pode-se calcular a tensão superficial da
cada uma das substâncias, através da equação 2.

Resultados e Discussão

Cálculo da tensão superficial da água:

• Massa do béquer vazio: 71,0740 g


• Massa do béquer com 10 gotas de água: 71,6884 g

∆m = 71,6884g – 71,0740g = 0,6144 g


mgota = 0,6144g = 0,06144 g
10

• Volume inicial de água na bureta: 10,90 mL


• Volume final de água na bureta: 12,30 mL

∆V = 12,30 mL – 10,90 mL = 1,40 mL


Vgota = 1,40 mL = 0,14 mL
10

Portanto, de acordo com a tabela 1, o raio da gota com massa 0,06144


g é aproximadamente 0,19666 cm.

• Fator de correção para o método do peso da gota

_R_ = 0,19666 = 0,3787


V1/3 0,141/3

Logo, o fator de correção (f) é 0,6828.

• Tensão superficial da água:

γ= 0,06144 x 9,8 = 0,7136 N/cm


2π x 0,19666 x 0,6828

Tensão superficial das soluções:

• Solução 1,0 mM:

γ= 0,04516 x 9,8 = 0,5246 N/cm


2π x 0,19666 x 0,6828
As outras tensões foram obtidas da mesma forma, e estão
apresentadas na tabela a seguir:

Tabela 3 - Variação da tensão superficial com a concentração de SDS


Massa béquer Tensão
Massa béquer
Solução com solução Massa da gota superficial
vazio
de SDS (N/cm)
1,0 mM 29,6595 g 30,1111 g 0,04516 g 0,5246
3,0 mM 29,6595 g 30,0383 g 0,03788 g 0,4400
5,0 mM 29,6595 g 29,9403 g 0,02808 g 0,3262
7,0 mM 29,6595 g 29,9009 g 0,02414 g 0,2804
9,0 mM 29,6595 g 29,9329 g 0,02737 g 0,3180
11,0 mM 29,6595 g 29,8832 g 0,02237 g 0,2598
15,0 mM 29,6595 g 29,8739 g 0,02144 g 0,2490

Pode-se perceber na tabela acima as diferenças entre as tensões


superficiais em concentrações diferentes. Isso se deve ao fato do dodecil
sulfato de sódio ser um surfactante e portanto o aumento de sua concentração
na solução diminui a tensão superficial.
Os surfactantes são substâncias que tem a propriedade de diminuir a
tensão superficial dos líquidos porque eles são constituídos por um grupo
lipofílico e um grupo hidrofílico. Quando em solução, devido à presença do
grupo lipofílico, ocupam preferencialmente a superfície do líquido, diminuindo a
força de coesão entre as moléculas do solvente e, conseqüentemente, diminui
a tensão superficial.
Com os dados coletados pode-se plotar um gráfico da tensão
superficial variando em função da concentração:
Obs1.: A tensão superficial calculada para a concentração de 9,0 mM foi
suprimida na montagem do gráfico, pois está fora do padrão esperado. Esse
fato pode ter ocorrido devido alguma falha na execução no método, por
exemplo errou-se a contagem das gotas.

Conclusão

O método do peso da gota já se apresenta como uma técnica


extremamente simples para a determinação da tensão superficial e a forma
com foi realizada, torna-o acessível às condições do laboratório em questão.
Alguns fatores precisam ser observados cuidadosamente durante
a execução do experimento, pois de outra forma acarretarão em valores de
tensão superficial bastante distintos daqueles presentes na literatura, tais como
temperatura em torno de 20ºC ; mínimo de vibrações possíveis na bancada
onde se encontra a bureta; e a formação lenta e controlada das gotas, a fim de
garantir que a relação entre a massa da gota e o raio interno da bureta esteja
de acordo com o proposto pela tabela 1.
Pode-se afirmar que esses fatores foram levados em consideração
durante os experimentos, pois apenas uma medida saiu do padrão esperado.

Referências Bibliográficas

Behring, J. L.; Lucas, M.; Machado, C.; Barcellos, I. O. Adaptação no método


do peso da gota para determinação da tensão superficial: um método
simplificado para a quantificação da CMC de surfactantes no ensino da
química. Quim. Nova, Vol. 27, No. 3, 492-495, 2004

http://150.162.31.1/~minatti/aulas/qmc5406/20071_qmc5406_extrato_tese_min
atti_surfactantes.pdf. Acessado em 29/08/2010.

http://pt.wikipedia.org/wiki/Tens%C3%A3o_superficial. Acessado em
01/09/2010.
http://www.feiradeciencias.com.br/sala07/07_T01_05.asp. Acessado em
01/09/2010.

http://www.webbiblioteca.com/modulos/bioquimicasaude/livros/QuimFisCap10_
TENSAO_SUPERFICIAL.pdf. Acessado em: 01/09/2010.

http://www.qmc.ufsc.br/qmcweb/artigos/cabelo.html. Acessado em 01/09/2010.

Questionário

1) A tensão superficial é um efeito que ocorre na superfície de um líquido


que a leva a se comportar como uma membrana elástica. As moléculas
situadas no interior de um líquido são atraídas em todas as direções pelas
moléculas vizinhas e, por isso, a resultante das forças que atuam sobre cada
molécula é praticamente nula. As moléculas da superfície do líquido,
entretanto, sofrem apenas atração lateral e inferior. Esta força para o lado e
para baixo cria a tensão na superfície, que faz a mesma comportar-se como
uma película elástica. A noção de tensão superficial aplica-se também à
superfície de separação entre duas substancias quaisquer, sendo então
denominada tensão interfacial. Ao contrário da tensão superficial de um liquido,
a tensão interfacial de um par de substâncias pode ser negativa; neste caso a
energia potencial de coesão diminui à medida que a área da interface aumenta,
e este aumento se produz espontaneamente por ser a adesão entre as
moléculas mais intensa do que a coesão entre elas. Por exemplo, certos óleos
minerais flutuando sobre água tendem a espalhar-se até constituírem uma
película monomolecular.
2) Substâncias que tendem a aumentar a tensão superficial da água, são
os compostos polares. Elas tem essa capacidade pois aumentão as forças de
atração.
3) Os surfactantes são moléculas anfipáticas constituídas de uma porção
hidrofóbica e uma porção hidrofílica. A porção apolar e freqüentemente uma
cadeia hidrocarbonada enquanto a porção polar pode ser iônica (aniônica ou
catiônica), não-iônica ou anfóterica. Eles podem ser iônicos, anfóteros ou
neutros. Alguns são encontrados na natureza, enquanto que outros são
sintetizados em laboratório.
Os Surfactantes Aniônicos e Catiônicos, são aqueles onde os ânions e cátions
da molécula são a espécie tenso-ativa. Exemplo:
laurato de potássio CH3(CH2)10COO- K+
brometo de hexadeciltrimetilamônio CH3(CH2)15N+(CH3)3+ Br-
Os Surfactantes Anfóteros (zwitteriônicos) podem apresentar na estrutura, da
espécie tensoativa, dependendo do pH da solução, grupos aniônicos,
catiônicos ou até mesmo não-iônicos. A forma zwitterionica de N-dodecil-N,N-
dimetil betaína é um exemplo:

Os Surfactantes Não-iônicos (neutros) possuem uma região hidrofílica


com um ou mais grupos polares, tais como grupos éteres e hidroxilas. Um
exemplo é o éter poli(oxietileno) p-octilfenil:

4)

5) Ambos possuem, em sua formulação, moléculas de surfactantes. Os


xampus e condicionadores diferem, basicamente, na carga do surfactante: os
xampus contém surfactantes aniônicos, enquanto que os condicionadores têm
surfactantes catiônicos. Quando o cabelo está sujo, ele contém óleo em
excesso e uma série de partículas de poeira e outras sujeiras que aderem à
superfície do cabelo. Esta mistura é, geralmente, insolúvel em água - daí a
necessidade de um xampu para o banho. O surfactante ajuda a solubilizar as
sujeiras, e lava o cabelo. Um problema surge do fato de que surfactantes
aniônicos formam complexos estáveis com polímeros neutros ou proteínas,
como é o caso da queratina. O cabelo, após o uso do xampu, fica carregado
eletrostaticamente, devido a repulsão entre as moléculas de surfactantes
(negativas) "ligadas" à queratina. É aí que entra o condicionador: os
surfactantes catiônicos interagem fracamente com polímeros e proteínas
neutras, e são capazes de se agregar e arrastar as moléculas de xampu que
ainda estão no cabelo. Nos frascos de condicionadores existem, ainda, alguns
produtos oleosos, para repor a oleosidade ao cabelo, que foi extraída com o
xampu. O cabelo, após o condicionador, fica menos carregado e, ainda, com
mais oleosidade.

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