Você está na página 1de 9

AULA ESTRUTURADA – DIREITO DAS COISAS

AULA 02

Planejamento

Conteúdo
DIREITO DAS COISAS

Carga Horária: 03 HORAS


Unidades de Ensino
CUIABÁ/MT

Pré-aula

BREVE REVISÃO DA AULA 01

Conceito de Direito Da Coisas – Conjunto de regras que regulamentam as relações


jurídicas entre o homem e as coisas.

Diferenciação entre DIREITO DAS COISAS e DIREITOS REAIS:

Direito das Coisas – é o ramo do Direito Civil que tem como conteúdo relações
jurídicas estabelecidas entre pessoas e coisas determinadas ou determináveis.
Como coisas, pode-se entender tudo aquilo que não é humano, ou ainda os bens
corpóreos, na linha da polêmica existente na doutrina. No âmbito do Direito das
Coisas há uma relação de domínio exercida pela pessoa (sujeito ativo) sobre a
coisa. Não há sujeito passivo determinado, sendo esse toda a coletividade.
Segue-se a clássica conceituação de Clóvis Beviláqua citada, entre outros, por
Carlos Roberto Gonçalves, para quem o Direito das
Coisas representa um complexo de normas que regulamenta as relações
dominiais existentes entre a pessoa humana e coisas apropriáveis.

Direitos Reais – conjunto de categorias jurídicas relacionadas à propriedade,


descritas inicialmente no art. 1.225 do CC. Os Direitos Reais formam o conteúdo
principal do Direito das Coisas, mas não exclusivamente, eis que existem
institutos que compõem a matéria e que não são Direitos Reais.

INICIAMOS O ESTUDO SOBRE A “POSSE”


Conceito de posse: exercício, pleno ou não, de algum dos poderes inerentes à
propriedade.

Previsão legal no art. 1.196 do Código Civil: “Considera-se possuidor todo aquele que
tem de fato o exercício, pleno ou não, de algum dos poderes inerentes à propriedade.”

Teorias:
Teoria objetiva (Ihering) – ADOTADA POR NOSSSO CODIGO CIVIL
Para Ihering, ter a posse se configura como a mera “conduta de dono”, ou seja,
é comportar-se como dono ou proprietário. Objetivamente, na linha da sua
Teoria Simplificada da Posse, poderíamos conceituá-la apenas como a
exteriorização da propriedade, ou seja, possuidor seria aquele que, exercendo
poderes de dono, imprimisse destinação econômica à coisa.

Teoria subjetiva (Savigny)


Para SAVIGNY, a posse caracteriza-se pela conjugação de dois elementos: o
corpus, elemento objetivo que consiste na detenção física da coisa, e o animus,
elemento subjetivo, que se encontra na intenção de exercer sobre a coisa um
poder no interesse próprio e de defendê-la contra a intervenção de outrem. Não
é propriamente a convicção de ser dono (opinio seu cogitatio domini), mas a
vontade de tê-la como sua (animus domini ou animus rem sibi habendi), de
exercer o direito de propriedade como se fosse o seu titular.

Diferença entre posso se detenção


POSSE - Art. 1.196 do CC/02: "Considera-se possuidor todo aquele que tem de
fato o exercício, pleno ou não, de algum dos poderes inerentes à propriedade."
DETENÇÃO - Art. 1.198 do CC/02: "Considera-se detentor aquele que, achando-
se em relação de dependência para com outro, conserva a posse em nome deste
e em cumprimento de ordens ou instruções suas."

Conceito de Composse: é a situação pela qual duas ou mais pessoas exercem,


simultaneamente, poderes possessórios sobre a mesma coisa. “Se duas ou mais pessoas
possuírem coisa indivisa, poderá cada uma exercer sobre ela atos possessórios, contanto
que não excluam os dos outros compossuidores” (CC, art. 1.199). É o que ocorre com
adquirentes de coisa comum, com marido e mulher em regime de comunhão de bens
ou com coerdeiros antes da partilha. Como a posse é a exteriorização do domínio,
admite-se a composse em todos os casos em que ocorre o condomínio, pois ela está
para a posse assim como este para o domínio.

CLASSIFICAÇÃO DA POSSE:
a) DIRETA OU INDIRETA;
a.1 – Direta/imediata – exercida por quem detém materialmente a coisa;
a.2 – Indireta/mediata – exercida por meio de outra pessoa (inquilino);
b) JUSTA OU INJUSTA;
b.1 – Justa – adquirida sem violenta, sem ser clandestina ou precária (Art.
1.200 do CC/02);
b.2 – Injusta – adquirida com violência (esbulho), as escondidas
(clandestina) e precária (abuso de confiança);
c) BOA-FÉ OU MÁ-FÉ;
c.1 – É de boa-fé a posse se o possuidor ignora o vício, ou o obstáculo que
impede a aquisição da coisa (CC, art. 1.201).
c.2 – É de má-fé a posse se o possuidor tem ciência dos vícios;
d) POSSE NOVA E POSSE VELHA;
d.1 – Posse Nova – menos de ano e dia;
d.2 – Posse Velha – mais de um ano e um dia;

AQUISIÇÃO DA POSSE
O art. 1.204 do CC/02 dispõe: “Adquire-se a posse desde o momento em que se
torna possível o exercício, em nome próprio, de qualquer dos poderes inerentes à
propriedade”. A aquisição pode se dar: pela apreensão da coisa, ou pelo exercício do
direito; pelo fato de se dispor da coisa, ou do direito; por qualquer dos modos de
aquisição em geral, inclusive pelo constituto possessório.

PERDA DA POSSE
A perda da posse se dá por abandono, tradição, perda ou destruição, posse de
outrem e constituto possessório;

EFEITOS DA POSSE
AULA
PROPRIEDADE

ARTIGO 1.225 DO CC/02


São direitos reais:
I - a propriedade;
II - a superfície;
III - as servidões;
IV - o usufruto;
V - o uso;
VI - a habitação;
VII - o direito do promitente comprador do imóvel;
VIII - o penhor;
IX - a hipoteca;
X - a anticrese.
XI - a concessão de uso especial para fins de moradia;
XII - a concessão de direito real de uso; e
XIII - a laje

FUNÇÃO SOCIAL DA PROPRIEDADE:


Constituição, ao proteger a propriedade privada e determinar que seu uso
atenda à função social, prescreveu: de um lado, não se podem sacrificar os
interesses público, coletivo e difuso para atendimento do interesse do
proprietário; mas também não se pode aniquilar este último em função
daqueles. A propriedade, em suma, deve estar apta a cumprir simultaneamente
as funções individual e social que dela se espera.

Obs: O autor Fabio Ulhoa Coelho afirma que: “O direito de propriedade é o mais
importante dos direitos reais. Todos os demais institutos desse ramo do direito civil se
definem como exteriorização (posse), desdobramento (usufruto, uso etc.) ou limitação
(servidão e direitos reais de garantia) do direito de propriedade.”

CLASSIFICAÇÃO DA PROPRIEDADE
Vamos examinar cinco critérios de classificação do direito de propriedade:
a) Propriedade corpórea ou incorpórea.
O objeto da propriedade podem ser bens corpóreos ou incorpóreos. Os
primeiros são os bens dotados de existência física, providos de materialidade, de
corpo e que, por isso, ocupam espaço, enquanto os incorpóreos são alguns
direitos que existem apenas enquanto conceitos jurídicos. A casa, o automóvel,
o microcomputador são bens corpóreos, enquanto a obra intelectual, as marcas
registradas, patentes de invenções, incorpóreos. A propriedade será corpórea ou
incorpórea segundo a classificação do bem a que se refere.

b) Propriedade imobiliária ou mobiliária.


Nesse critério de classificação, acomoda-se apenas a propriedade corpórea, que se
subdivide em imobiliária ou mobiliária, de acordo ainda com a natureza do objeto do
direito. Imóveis são, pela lei, “o solo e tudo quanto se lhe incorporar natural ou
artificialmente” (art. 79). Por sua vez, móveis são, de acordo com a definição da lei, “os
bens suscetíveis de movimento próprio, ou de remoção por força alheia, sem alteração
da substância ou da destinação econômico-social” (CC, art. 82).

c) Propriedade plena ou restrita.


Propriedade plena é aquela sobre a qual o proprietário não criou, por declaração
negocial de vontade, nenhuma limitação ao exercício do seu direito. Todos os poderes
associados ao direito de propriedade estão concentrados nas mãos do proprietário, que
sujeita a coisa por inteiro. As limitações ao exercício da propriedade plena são
exclusivamente as constitucionais e legais. De outro lado, restrita é a propriedade em
que o exercício do direito esbarra em limites estabelecidos por negócio jurídico
celebrado pelo seu titular.

d) Propriedade singular ou copropriedade


Esse critério leva em conta a quantidade de titulares do direito de propriedade. Singular
é aquela em que um só sujeito de direito, pessoa física ou jurídica, é o proprietário;
copropriedade (condomínio, comunhão ou propriedade coletiva), por sua vez, se
verifica quando dois ou mais sujeitos dividem o direito de propriedade sobre o mesmo
objeto. Qualquer bem, móvel ou imóvel, divisível ou indivisível, pode ser objeto de
condomínio.

e) Propriedade perpétua ou resolúvel.


A propriedade pode ser perpétua, no sentido de durar enquanto o proprietário por ela
se interessa, ou resolúvel, hipótese em que deixa de existir quando implementada a
condição.

OS PODERES DO PROPRIETÁRIO
Nos termos do art. 1.228 do CC, são quatro os poderes: “usar, gozar e dispor da coisa”,
bem como “reavê-la do poder de quem quer que injustamente a possua ou detenha”.
Usar - Esse poder significa o de desfrutar dos proveitos diretamente
proporcionados pelo bem, respeitando a função social da propriedade.
Gozar - O poder de gozar (ou de fruir) o bem corresponde ao de explorá-lo
economicamente, isto é, extrair dele frutos. Gozar é obter renda ou lucro da coisa.
Dispor - Abrange tanto, de um lado, o poder de destruir, total ou parcialmente,
o bem objeto de propriedade, reformá-lo, fundi-lo ou em qualquer medida alterar-lhe a
substância (disposição material) como, de outro, o de abandoná-lo, aliená-lo ou dá-lo
em garantia (disposição jurídica).
Reivindicar - é o poder de reivindicar o bem das mãos de quem injustamente o
possui ou detém. A reivindicação da posse da coisa pelo titular da propriedade, assim, é
feita necessariamente por meio de processo judicial.

MODOS DE AQUISIÇÃO DA PROPRIEDADE


São modos de aquisição da propriedade imóvel:
a) registro do título de transferência no Registro do Imóvel; (tradição – negócio
jurídico) - A propriedade imobiliária, por sua relevância, é objeto de disciplina
jurídica extremamente formal. Dono de certo imóvel é o sujeito identificado
como tal no registro imobiliário, e nenhum outro. A formalidade extremada visa
conferir a mais absoluta segurança à definição do titular do direito de
propriedade, quando imóvel o seu objeto. Em consequência, a regra geral de
aquisição da propriedade imobiliária é o registro do título translativo no
Registro de Imóveis (CC, art. 1.245)
b) acessão; O bem imóvel pode “aumentar” por razões naturais ou pelo trabalho
humano. São cinco as hipóteses de aquisição por acessão, listadas no art. 1.248
do CC: formação de ilhas, aluvião, avulsão, abandono de álveo e plantações ou
construções.
c) usucapião; A ordem jurídica parece sempre desconfortável com a situação em
que o bem é da propriedade de um sujeito, mas se encontra na posse de outro,
sem que o primeiro saiba dela ou tenha com ela concordado. Por outro lado, é
racional, econômico e justo que a posse reiterada de uma pessoa sobre certo
em, quando ninguém se opõe a essa situação, implique a atribuição ao
possuidor do direito de propriedade.

AQUISIÇÃO PELA USUCAPIÃO

IMPORTANTE - Não podem ser adquiridos por usucapião os imóveis públicos (CF, arts.
183, § 3º, e 191, parágrafo único). Os bens públicos são imprescritíveis para que o
interesse particular do possuidor não venha a se sobrepor ao da coletividade.

Em todas as espécies de usucapião, há três elementos comuns à posse: continuidade,


inexistência de oposição e a intenção de dono do possuidor. São os elementos que,
aliados aos requisitos próprios de cada espécie (subitem 3.1.2), caracterizam a posse
que dá ensejo à aquisição do imóvel por usucapião; a chamada posse ad usucapionem.

ESPÉCIES DE USUCAPIÇÃO
a) Usucapião extraordinária.
Nessa espécie de usucapião, exige-se o decurso do prazo de 15 anos (CC, art. 1.238). São
irrelevantes, aqui, as características específicas da posse. Desde que apta a gerar a
usucapião, a posse pode ser de má-fé e sem justo título. Também pouco importa se o
possuidor deu ao imóvel algum aproveitamento econômico ou não, se nele mantinha
sua residência ou uma simples cabana de pesca. Abreviada – O prazo diminui para 10
anos se o possuidor estabelecer moradia ou der ao imóvel uma finalidade econômica.

b) Usucapião ordinária.
Na usucapião ordinária, exige-se da posse que ostente duas características específicas.
Ela deve ser de boa-fé e com justo título. Quer dizer, o possuidor deve ignorar os
obstáculos à regular aquisição da propriedade e demonstrar a existência dum negócio
jurídico (contrato de compra e venda, doação, beneficiário em testamento etc.) na
origem de sua posse. Quando atendidos esses pressupostos, o prazo para a aquisição da
propriedade será de 10 anos (CC, art. 1.242). Abreviada – O prazo diminui para 05 anos
quando presentes duas circunstâncias concomitantes. A primeira diz respeito à
aquisição onerosa do bem, com base em registro do Registro de Imóveis que vem a ser
posteriormente cancelado. A segunda é que possuidor estabelecer moradia ou der ao
imóvel uma finalidade econômica.

c) Usucapião Constitucional. Prazo de 05 anos, estabelecendo moradia e não sendo


proprietário de outro imóvel. Pode se dar em imóvel rural ou urbano.
c.1 - Quando o imóvel é rural e mede menos de 50 hectares, o prazo para a
usucapião é de 5 anos quando o possuidor a tornou produtiva com o seu trabalho
ou de sua família. É necessário, ademais, que o possuidor não seja proprietário
de nenhum outro imóvel, urbano ou rural (CF, art. 191; CC, art. 1.239).
c.2 – quando o imóvel urbano tem até 250 metros quadrados e é usado como
moradia do possuidor ou de sua família. Nesse caso, também é indispensável,
para a aquisição da propriedade, que o possuidor não seja dono de nenhum
outro imóvel, urbano ou rural (CF, art. 183; CC, art. 1.240; Estatuto da Cidade,
art. 9º).

d) Usucapião especial coletiva.


Na usucapião especial coletiva, o imóvel urbano mede mais que 250 metros quadrados
e está na posse de pessoas de baixa renda, não sendo possível discriminar a porção
ocupada por cada família. Nesse caso, a exemplo do exigido para as outras usucapiões
especiais, os possuidores não podem ser proprietários de qualquer imóvel, urbano ou
rural. Essa espécie de usucapião dá origem a um condomínio entre os possuidores. Seu
prazo é, também, de 5 anos (Estatuto da Cidade, art. 10 e seus parágrafos).

e) USUCAPIÇÃO DO ART. 1.240-A (inserido pela Lei 12.424/11)


Estabelece o prazo de 02 anos quando o imóvel urbano tem até 250 metros quadrados
e é usado como moradia do possuidor ou de sua família, cuja a propriedade dividia com
o ex-cônjuge ou ex-companheiro que abandonou o lar.

AQUISIÇÃO PELO REGISTRO DO TÍTULO

No direito brasileiro não basta o contrato para a transferência ou aquisição do domínio.


Por ele, criam-se apenas obrigações e direitos, segundo estatui o art. 481 do Código Civil.
O domínio, porém, só se transfere pela tradição, se for coisa móvel (art. 1.267) e pelo
registro do título translativo, se for imóvel (art. 1.245). A relação dos atos sujeitos a
registro encontra-se na Lei dos Registros Públicos (Lei n. 6.015, de 31-12-1973, art. 167).
A formalidade extremada visa conferir a mais absoluta segurança à definição do titular
do direito de propriedade, quando imóvel o seu objeto.

MATRICULA, REGISTRO E AVERBAÇÃO


Matricula é a individualização da propriedade com suas devidas especificações, tais
como, dados da origem, tamanho e proprietário original.
O registro sucede à matrícula e é o ato que efetivamente acarreta a transferência da
propriedade. O número inicial da matrícula é mantido, mas os subsequentes registros
receberão numerações diferentes, em ordem cronológica, vinculados ao número da
matrícula-base. A averbação é qualquer anotação feita à margem de um registro, para
indicar as alterações ocorridas no imóvel, seja quanto à sua situação física (edificação
de uma casa, mudança de nome de rua), seja quanto à situação jurídica do seu
proprietário (mudança de solteiro para casado, p. ex.). Averbam-se fatos posteriores à
matrícula e ao registro, que não alteram a essência desses atos, modificando apenas as
características do imóvel ou do sujeito.

AQUISIÇÃO PELA ACESSÃO

O bem imóvel pode “aumentar” por razões naturais ou pelo trabalho humano. Quando
um rio naturalmente muda seu curso, o antigo leito torna-se pedaço de chão agregado
à propriedade de alguém. Também se agrega, com sua construção, o prédio ao solo.
Nesse caso, verifica-se a aquisição da propriedade por acessão, isto é, por união ou
incorporação de algo ao bem objeto do direito. São cinco as hipóteses de aquisição por
acessão, listadas no art. 1.248 do CC: formação de ilhas, aluvião, avulsão, abandono de
álveo e plantações ou construções. As quatro primeiras são fatos jurídicos
caracterizados por ato da natureza (acessão natural), examinada neste subitem; a
derradeira da lista deriva de intervenção humana (acessão industrial) e será estudada
nos próximos subitens.

a) Formação de ilhas. No leito de correntes (rios, riachos, córregos, ribeirões, canais etc.)
podem se formar naturalmente ilhas. Estas pertencerão ao titular do domínio sobre a
corrente. Se no rio que passa pela fazenda de uma sociedade empresária agropecuária
se forma uma pequena ilha, a pessoa jurídica proprietária do imóvel rural será também
a da ilhota.

b) Aluvião. Aluvião é o acréscimo sucessivo e imperceptível derivado de depósito e


aterro naturais às margens das correntes ou por desvios das águas destas. Esse processo
importa, por óbvio, a diminuição do álveo e o aumento da terra ordinariamente seca.
Os acréscimos pertencem aos proprietários dos terrenos marginais, pelos quais não
devem qualquer indenização.

c) Avulsão. Por avulsão se entende o processo natural violento em que uma parte de
terra se destaca de uma propriedade para se juntar a outra. Ao contrário da aluvião, que
é lenta e imperceptível, a avulsão é brusca e visível. Ademais, a avulsão se processa por
justaposição ou mesmo sobreposição, ficando em qualquer dos casos sujeita à mesma
disciplina jurídica.

d) Abandono de álveo. Se a corrente naturalmente abandona seu leito e abre novo curso
sobre outras terras, diz-se que ocorreu abandono de álveo. Os proprietários dos imóveis
lindeiros adquirem a propriedade da nova terra ordinariamente seca, dividindo-as até o
meio do antigo álveo. Eles não são obrigados a indenizar os proprietários dos imóveis
inundados, tendo em vista que a aquisição e perda de propriedades derivaram
exclusivamente de processo natural (CC, art. 1.252; CA, art. 26).
e) Plantações ou Construções. As construções e plantações são chamadas de acessões
industriais ou artificiais, porque derivam de um comportamento ativo do homem. A
regra básica está consubstanciada na presunção de que toda construção ou plantação
existente em um terreno foi feita pelo proprietário e à sua custa. Trata-se, entretanto,
de presunção vencível, admitindo prova contrária (CC, art. 1.253). A presunção se ilide
nas hipóteses mencionadas nos arts. 1.254 e seguintes.

Se o proprietário semeia, planta ou edifica em seu próprio terreno, mas com sementes,
plantas ou materiais alheios, adquire a propriedade destes, visto que o acessório segue
o principal. O que adere ao solo a este se incorpora. Entretanto, para evitar o
enriquecimento sem causa, estabelece o art. 1.254 do Código Civil que terá de
reembolsar o valor do que utilizar, respondendo ainda por perdas e danos se tiver
procedido de má-fé. Por outro lado, quem planta, semeia ou edifica em terreno alheio
perde, em proveito do proprietário, as sementes, plantas e construções, mas, estando
de boa-fé, tem direito à indenização (CC, art. 1.255).

Se, no entanto, estiver de má-fé, o proprietário terá a opção de obrigá-lo a repor as


coisas no estado anterior, retirando a planta ou demolindo a edificação, e a pagar os
prejuízos, ou deixar que permaneça, a seu benefício e sem indenização. Não seria justo,
com efeito, que o plantador ou construtor que procedesse de má-fé fosse encontrar
para esta uma proteção da ordem jurídica e receber indenização pelo seu ato ilícito, em
condição melhor do que o possuidor de má-fé, que também nenhuma indenização
recebe. “Se a construção ou plantação exceder consideravelmente o valor do terreno,
aquele que, de boa-fé, plantou ou edificou, adquirirá a propriedade do solo, mediante
pagamento da indenização fixada judicialmente, se não houver acordo” (art. 1.255,
parágrafo único).
Esta última regra constitui inovação introduzida pelo novo Código Civil, caracterizando
uma espécie de desapropriação no interesse privado. Configura-se a denominada
“acessão inversa”, lastreada no princípio da função social da propriedade.

Se de ambas as partes houver má-fé, o proprietário adquire as sementes, plantas e


construções, mas é obrigado a ressarcir o valor das acessões (CC, art. 1.256). À falta de
elementos positivos, presume a lei, ainda, no parágrafo único do 1.256, a má-fé do
proprietário quando o trabalho de construção ou lavoura foi realizado em sua presença
e sem impugnação sua. O mesmo se aplica quando terceiro, que não é dono das
sementes, plantas ou materiais, emprega-os de boa-fé em solo alheio. Assim mesmo o
proprietário os adquire, e o dono das plantas ou dos materiais poderá cobrar a
indenização do dono do solo quando não puder havê-la do plantador ou construtor (art.
1.257 e parágrafo único).

Pós-aula
CRONOGRAMA DE ATIVIDADES DA DISCIPLINA:
22/02/2022 - AULA 03 – VEREMOS A LIMITAÇÃO AOS PODERES DE PROPRIEDADE E
APERDA DA PROPRIEDADE.

Você também pode gostar