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Tribunal de Justiça de Mato Grosso

PJe - Processo Judicial Eletrônico

18/02/2022

Número: 1001869-32.2022.8.11.0000
Classe: MANDADO DE SEGURANÇA CÍVEL
Órgão julgador colegiado: Turma de Câmaras Cíveis Reunidas de Direito Público e Coletivo
Órgão julgador: GABINETE DA DESA. MARIA EROTIDES KNEIP BARANJAK
Última distribuição : 09/02/2022
Valor da causa: R$ 0,00
Assuntos: Abuso de Poder, Edital
Segredo de justiça? NÃO
Justiça gratuita? NÃO
Pedido de liminar ou antecipação de tutela? NÃO
Partes Procurador/Terceiro vinculado
SOUL PROPAGANDA LTDA - ME (IMPETRANTE) LEONARDO DA SILVA CRUZ (ADVOGADO)
SECRETÁRIA DE ESTADO DE COMUNICAÇÃO DE MATO
GROSSO (IMPETRADO)
MINISTERIO PUBLICO DO ESTADO DE MATO GROSSO
(CUSTOS LEGIS)
ESTADO DE MATO GROSSO (TERCEIRO INTERESSADO)
Documentos
Id. Data da Documento Tipo
Assinatura
11736 09/02/2022 14:17 a.1 Mandado de Segurança Soul 08.02.2022 Petição inicial em pdf
1981
A COLENDA PRESIDÊNCIA DA ___ TURMA DE CÂMARAS REUNIDAS
DE DIREITO PÚBLICO E COLETIVO DO TRIBUNAL DE JUSTIÇA DE
MATO GROSSO.

SOUL PROPAGANDA EIRELI (“SOUL), pessoa jurídica de direito


privado, inscrita no CNPJ/MF nº 07.112.825/0001-47, com sede na cidade de Cuiabá,
estado de Mato Grosso, na Rua Miguel Seror, 320, Bairro Santa Rosa por intermédio
de seus procuradores judiciais infra-assinados, endereço inserto no rodapé, onde
recebem suas notificações, intimações e avisos, vem com urbanidade à presença de
Vossa Excelência, com fulcro no Inciso LXIX, do artigo 5.º, da Constituição Federal e
no artigo 1.º e seguintes e da Lei n.º 12.016/2009 impetrar o presente:

MANDADO DE SEGURANÇA COM PEDIDO


LIMINAR - TUTELA DE URGÊNCIA

Em face ao ato manifestamente ilegal praticado pela autoridade coatora, na figura da


Secretária de Estado de Comunicação, Sra. Laíce Souza, que pode ser notificado em
seu gabinete, localizado Complexo Paiaguás - S/N - Centro Político Administrativo, Cuiabá
- MT, 78050-970, E-mail: laicesouza@gabgoverno.mt.gov.br, em razão de ilegalidades
ocorridas no Processo 333204/2021, referente à Concorrência Pública n. 001/2021-
SECOM-MT, para contratação de 05 (cinco) agências de publicidade.

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I - DOS REQUISITOS

I.I - DA TEMPESTIVIDADE.

A decisão a qual não acolheu as Razões do Recurso Administrativo


interposto pela Impetrante e demais licitante em sede administrativa, sendo este o ato
coator praticado, fora publicada em 03 de fevereiro de 2022, conforme anexo.

Assim, considerando o prazo de 120 (cento e vinte dias) para


impetração de mandado de segurança, a ferramenta ora utilizada encontra-se
tempestiva.

II – DA COMPETÊNCIA.

A constituição do Estado de Mato Grosso, em seu artigo 96, I, “a”


estabelece que:

Art. 96 Compete privativamente ao Tribunal de Justiça:

I – Processar e julgar, originariamente42: (EC 31/04)

g) o mandado de segurança e o habeas data contra os atos do Governador do Estado,


da Mesa da Assembleia Legislativa, do próprio Tribunal de Justiça, do Tribunal de
Contas, dos Secretários de Estado, do Procurador-Geral de Justiça, do
Procurador-Geral do Estado, do Defensor Público-Geral, do Comandante-Geral da
Polícia Militar e do Diretor-Geral da Polícia Civil; (EC 31/04)
(grifos nossos)

A decisão coatora ora impugnada, foi proferida pela Secretaria de


Estado e Comunicação, Sra. Laice Souza, conforme comprovação anexa, sendo assim,
resta comprovado a competência do E. TJMT para processar e julgar presente o
Mandado de Segurança.

II - DA BREVE SÍNTESE.

Trata-se de processo licitatório 333204/2021, Concorrência Pública nº


001/2021/SECOM, tipo melhor técnica e preço, regido pelas Leis 12.232/2010, 8.666/93,
4.680/65, bem como pelas normas e condições estabelecidas no Edital.

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O processo de Licitação tem por objetivo a contratação de 05 (cinco)
agências de propaganda, para prestação de serviços de publicidade para o Governo
do Estado de Mato Grosso, via Secretaria de Estado de Comunicação, com verba
anual anunciada de R$90.000.000,00 (noventa milhões de reais).

Realizada a primeira Sessão Pública em 08/11/2021, ocasião em que


foram recebidos os invólucros, a fim de que fossem encaminhados a Subcomissão
Técnica para as devidas análises.

A segunda Sessão Pública foi realizada em 04/01/2022, com o envio


das propostas técnicas para avaliação da Subcomissão Técnica.

Ocorre que o Edital de Licitação previu no item 8.3.1 quesitos para o


plano de comunicação publicitária, em linha com o art. 7 da Lei 12.232/2010,
dividindo a análise em critérios objetivos de Raciocínio Básico, Estratégia de
Comunicação Publicitária, Ideia Criativa e Estratégia de Mídia e Não Mídia.

Para cada quesito, o Edital previu subquesitos que deveriam ser


preenchidos pelas licitantes e que seriam alvo da avaliação da Subcomissão de
avaliação.
Como exemplo, trazemos a Estratégia de Mídia e Não Mídia, com
diversos apontamentos objetivos para análise:

Edital pág. 14

E esperando serem avaliadas por esses quesitos com a devida


fundamentação, as concorrentes se surpreenderam com notas atribuídas sem
qualquer justificativas.

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As notas foram atribuídas conforme Edital, mas sem justificativa que
lhe fosse condizente:

As justificativas foram colacionadas na Ata de Julgamento e Relatório


(doc.), contudo, como se verá, não só foram genéricas, como também não mantiveram
qualquer correção com as notas ofertadas. Empresas que receberam “ótimo” tiveram
notas 9,0, 8,5 e até 8,0 – sem qualquer justificativa que as diferenciassem.
Ademais, como se verá, os julgadores utilizaram parâmetros não
previstos no edital para aplicação das justificativas. Em alguns casos, por exemplo, é
dada nota baixa pela falta de previsão de cidades-polo na Campanha, e falta de
previsão do Programa Mais MT, quando, em verdade, o Edital nem sequer cita o
Programa Mais MT ou a necessidade de especificação de cidades-polo.

Além da falta de vinculação ao instrumento convocatório, as notas


não respeitaram a “justificativa” requerida pela Lei 12.232/2010 não foi seguida,
inclusive tendo os membros da Subcomissão destacado na resposta ao recurso que
“os adjetivos [da justificativa] foram adotados pela Subcomissão com intuito de
destacar os aspectos mais positivos de cada campanha, deixando o juízo de valor
exclusivo para as notas”. Ora, se a “justificativa” não traz a justificativa para as notas,
eminentemente ilegal, como se verá.

III – DA EXIGÊNCIA DE REQUISITOS SEM


PREVISÃO EM EDITAL.

III.I - DA AUSÊNCIA DE PREVISÃO QUANTO AO USO DE CIDADES-POLO


DE MATO GROSSO COMO REFERÊNCIA.
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Conforme debatido em sede de Recurso Administrativo, uma das
etapas da avaliação realizada pela subcomissão técnica, seria a análise do subquesito
III “ideia criativa”, o qual traz definições expressas no item 7.15 e 8.3.1.3, do Edital.
Vejamos:

7. DA APRESENTAÇÃO DA PROPOSTA TÉCNICA


7.15. Subquesito 3 - Ideia Criativa - apresentação da proposta de campanha
publicitária, contemplando os seguintes conteúdos:
a) relação de todas as peças publicitárias que a licitante julga necessárias para
superar o desafio e alcançar os objetivos de comunicação estabelecidos no Briefing,
com a descrição de cada uma;
b) exemplos das peças, constantes da relação prevista na alínea anterior, que a
licitante julga mais adequadas para corporificar e ilustrar objetivamente sua
proposta de campanha publicitária.

8. DO JULGAMENTO DAS PROPOSTAS TÉCNICAS


8.3.1.3. Subquesito 3 - Ideia Criativa
a) o alinhamento da campanha com a Estratégia de Comunicação Publicitária;
b) a pertinência da solução criativa com a natureza da contratante, com o desafio e
com os objetivos de comunicação estabelecidos no Briefing;
c) a adequação das peças publicitárias ao perfil dos segmentos de público-alvo;
d) a compatibilidade das peças publicitárias com os meios e veículos de divulgação
a que se destinam;
e) a originalidade da solução criativa e a multiplicidade de interpretações favoráveis
que comporta;
f) a clareza e precisão das mensagens e a adequação da linguagem com os públicos-
alvo;
g) a exequibilidade das peças e de todos os elementos propostos, com base na verba
referencial para investimento.

Pois bem, em que pese a Impetrante tenha encaminhado sua


apresentação em perfeita conformidade com o Edital, o Julgamento da Técnica Alline
Barros atribuiu nota abaixo das demais licitantes sob a seguinte justificativa:

“demonstrou boa ideia criativa, mas não usou as cidades-polo de Mato Grosso
como referência para comparar as distâncias, prejudicando a execução da
campanha”.

O mesmo ocorreu na avaliação do membro Kleverson Souza, que


argumentou a seguinte justificativa:

“A licitante atende parcialmente o quesito ideia criativa estabelecido no edital.


Utiliza cidades menores em detrimento das cidades-polo, como Sorrido ao invés de
Sinop, por exemplo.”

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Contudo, o Edital não faz nenhuma exigência relacionada a cidades-
polo, pelo contrário, na página 62 no Briefing evidencia que o Estado de Mato Grosso
está organizado em 04 (quatro) polos turísticos, sendo Amazônia, Cerrado, Araguaia
e Pantanal. Vejamos:

De acordo com a Lei de Licitações, as empresas participantes do


certame licitatório devem ser avaliadas de acordo com as exigências previstas no
Edital de Licitação, tendo em vista que é instrumento vinculativo. Vejamos:

Lei 8.666/93 Art. 41. A Administração não pode descumprir as normas e


condições do edital, ao qual se acha estritamente vinculada.

Mais que isso, sabendo da subjetividade na análise técnica de


contratação de empresas de publicidade e propaganda, e sabendo que agentes
públicos mal intencionados poderiam se utilizar dessa subjetividade para lesar o
erário, ou direcionar licitações, o Legislador optou por definir formalidades e
quesitos para que a contratação ocorra por critérios objetivos.

A Lei 12.232/2010 foi, então, formulada pelo Poder Legislativo, na


investidura que lhe cabe, para dispor sobre as normas gerais para licitação e
contratação pela administração pública de serviços de publicidade prestados por
intermédio de agências de propaganda, e a Lei delimita ainda mais os critérios de
julgamento, vinculando-o exclusivamente ao instrumento convocatório:

Art. 6o A elaboração do instrumento convocatório das licitações previstas nesta


Lei obedecerá às exigências do art. 40 da Lei no 8.666, de 21 de junho de 1993, (...)
(...)
VI - o julgamento das propostas técnicas e de preços e o julgamento final do
certame serão realizados exclusivamente com base nos critérios especificados
no instrumento convocatório.
(grifos nossos)

Excelência, o objetivo de comunicação do briefing aponta como


abrangência "Mato Grosso e seus 141 municípios", ou seja, toda e qualquer cidade é
um alvo em potencial da campanha, exatamente como foi apresentada pela
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Impetrante, que não pode ser prejudicada por exigência definida por integrantes da
subcomissão técnica no momento da avaliação, sem qualquer previsão no Edital.

Ora, não pode o avaliador exigir que a licitante utilize determinada


cidade como polo sem qualquer previsão, somente por entender ser a melhor.

A conduta dos julgadores, que frisamos carecer de legalidade,


acarreta prejuízos não só para a Impetrante como também ao erário, que poderá
firmar contrato com empresa que apresentou proposta menos vantajosa e com menos
qualidade técnica.

Ademais, sabemos que um dos princípios mais importantes que


norteiam a Administração pública é o PRINCÍPIO DA LEGALIDADE, expresso na
nossa Constituição Federal, em seu artigo 37, e garante total subordinação do poder
público à previsão legal, sob pena de praticar ato inválido.

Portanto, a exigência de cumprimento de requisitos sem previsão


expressa no Edital está eivada de vício, tendo em vista que afronta tanto o Princípio
de Vinculação do Instrumento Convocatório, que será mais bem debatido em tópico
próprio, quanto o Princípio da Legalidade.

Sendo assim, requer a suspensão do Edital, a fim de que seja


reavaliados os critérios de apuração de notas.

III.II – DA AUSÊNCIA DE PREVISÃO DO PROGRAMA “MAIS MT”.

Assim como na avaliação citada acima, outro membro da


Subcomissão Técnica, o Sr. Kleverson Souza apontou exigência não prevista em
Edital, sendo que em sua avaliação citou a campanha 11 (número da Campanha do
Impetrante) argumentando o seguinte:

“a licitante atende parcialmente o subquesito raciocínio básico estabelecido no


edital, com abordagem nos programas do Governo do Estado, mas ausência na
utilização do programa Mais MT.”

O briefing apresentado no Edital cita diversos programas voltados


para o turismo, porém não cita o suposto programa o “Mais MT”, exigido pelo
julgador.
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Novamente, assim como no tópico anterior, é possível verificar a
utilização de fatores não previstos no Edital de convocação, nem no briefing, para
avaliar e julgar as competidoras.

Vejamos o que traz o item 7.13 do Edital:

O item 7.13 do edital aponta aquilo que deve ser dito no Raciocínio Básico:

7.13. Subquesito 1 - Raciocínio Básico - apresentação em que a licitante


descreverá:
a) análise das características e especificidades da contratante e do seu papel no
contexto no qual se insere;
b) diagnóstico relativo às necessidades de comunicação publicitária identificadas;
c) compreensão do desafio e dos objetivos de comunicação estabelecidos no
Briefing.

Excelência, frisamos que não existe razão para a Impetrante ter sua
avaliação prejudicada, fundamentado em ausência de requisitos que não constam em
edital.

Ante o exposto, evidencia-se a necessidade de suspensão do Edital, a


fim de que seja reavaliados os critérios de apuração de notas.

IV - DO PRINCÍPIO DE VINCULAÇÃO DO INSTRUMENTO


CONVOCATÓRIO.

O Princípio de Vinculação ao Instrumento Convocatório impõe o


cumprimento de normas estabelecidas em Edital, que devem ser observados tanto
pela Administração Pública, quanto pelas empresas licitantes. Nesse sentido,
entendem-se que o Edital é instrumento normativo da licitação.

A temática é tão importante, que a Lei 8.666/93 dispõe sobre o


princípio em três artigos, sendo eles:

Art. 3o A licitação destina-se a garantir a observância do princípio constitucional


da isonomia, a seleção da proposta mais vantajosa para a administração e a
promoção do desenvolvimento nacional sustentável e será processada e julgada em
estrita conformidade com os princípios básicos da legalidade, da impessoalidade,
da moralidade, da igualdade, da publicidade, da probidade administrativa, da

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vinculação ao instrumento convocatório, do julgamento objetivo e dos que lhes
são correlatos.

Art. 41. A Administração não pode descumprir as normas e condições do


edital, ao qual se acha estritamente vinculada.

Art. 55. São cláusulas necessárias em todo contrato as que estabeleçam:


(...)
XI - a vinculação ao edital de licitação ou ao termo que a dispensou ou a inexigiu,
ao convite e à proposta do licitante vencedor;
(Grifos nossos)

Portanto, é evidente o dever de a Administração respeitar aquilo que


foi estabelecido no Edital, não podendo a administração fazer análise de documentos
ou propostas de forma arbitrária, caso contrário além de contrariar o referido
princípio, também vai em desencontro com o princípio da legalidade e isonomia entre
os participantes.

Neste sentido, é o entendimento dos Tribunais Superiores, bem como


das Cortes de Contas:

STF (RMS 23640/DF)


RECURSO ORDINÁRIO EM MANDADO DE SEGURANÇA.
CONCORRÊNCIA PÚBLICA. PROPOSTA FINANCEIRA SEM
ASSINATURA. DESCLASSIFICAÇÃO. PRINCÍPIOS DA VINCULAÇÃOAO
INSTRUMENTO CONVOCATÓRIO E DO JULGAMENTO OBJETIVO. 1. Se o
licitante apresenta sua proposta financeira sem assinatura ou rubrica, resta
caracterizada, pela apocrifia, a inexistência do documento. 2. Impõe-se, pelos
princípios da vinculação ao instrumento convocatório e do julgamento objetivo, a
desclassificação do licitante que não observou exigência prescrita no edital de
concorrência. (...)

TCU - Acórdão 966/2011 - Primeira Câmara


REPRESENTAÇÃO. LICITAÇÃO. POSSÍVEIS IRREGULARIDADES EM
PREGÃO ELETRÔNICO. CONSTATAÇÃO DE ALGUMAS FALHAS
RELACIONADAS À INOBSERVÂNCIA DO PRINCÍPIO DA VINCULAÇÃO
AO INSTRUMENTO CONVOCATÓRIO. PROCEDÊNCIA PARCIAL.
DETERMINAÇÃO.

Tal entendimento é seguido pelos Tribunais Pátrios:

REMESSA NECESSÁRIA. LICITAÇÃO. MANDADO DE SEGURANÇA.


EDITAL DE PREGÃO ELETRÔNICO Nº 476/2020. PRESTAÇÃO DE
SERVIÇOS ESPECIALIZADOS EM MANUTENÇÃO DE SISTEMA DE
ALIMENTAÇÃO DE POTÊNCIA ININTERRUPTA. NOBREAKS. BANRISUL.
APRESENTAÇÃO DE LICENÇA DE OPERAÇÃO PARA TRANSPORTE
INTERESTADUAL. EXIGÊNCIA NÃO CONTIDA NO EDITAL. PRINCÍPIO
DA VINCULAÇÃO AO INSTRUMENTO CONVOCATÓRIO. A Administração
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Pública, assim como o particular, vincula-se ao instrumento convocatório, o edital
da licitação, e por isso ele deve ser claro e preciso, sem lacunas e espaços para
interpretações divergentes.\n2. No caso concreto, em que pese a abrangência
nacional do certame, a apresentação da Licença de Operação para Transporte
Interestadual não foi prevista no edital de pregão eletrônico, constando,
genericamente, a apresentação de licença de operação para transportes de produtos.
\n3. Nestes termos, se o edital foi redigido com equívoco, tal fato não deve ser
imputado ao administrado, mostrando-se acertada a sentença que concedeu a
segurança para que as impetradas habilitem a impetrante no certame, devendo o
Edital nº. 476/2020 seguir o regular prosseguimento. SENTENÇA MANTIDA EM
REMESSA NECESSÁRIA.

(TJ-RS - Remessa Necessária Cível: 51052403020208210001 RS, Relator: Lúcia


de Fátima Cerveira, Data de Julgamento: 30/07/2021, Segunda Câmara Cível, Data
de Publicação: 30/07/2021) (Grifos nossos)

Afinal, como exercer o princípio da livre concorrência, da ampla


defesa e do contraditório, se a licitante está sendo julgada por critérios não
mencionados no Edital?

Mais que isso, como garantir a isonomia entre os participantes, se


estão sendo julgados por critérios não previstos no edital? Em verdade, vemos que as
exigências com relação a apresentação de propostas com Programa Mais MT, e
indicação de cidades polo, fere em cheio o art. 3 da Lei 8.666/93:

Art. 3o A licitação destina-se a garantir a observância do princípio constitucional


da isonomia, (...)
§ 1o É vedado aos agentes públicos:
I - admitir, prever, incluir ou tolerar, nos atos de convocação, cláusulas ou
condições que comprometam, restrinjam ou frustrem o seu caráter competitivo,
inclusive nos casos de sociedades cooperativas, e estabeleçam preferências ou
distinções em razão da naturalidade, da sede ou domicílio dos licitantes ou de
qualquer outra circunstância impertinente ou irrelevante para o específico objeto
do contrato, ressalvado o disposto nos §§ 5o a 12 deste artigo e no art. 3o da Lei
no 8.248, de 23 de outubro de 1991;
II - estabelecer tratamento diferenciado de natureza comercial, legal, trabalhista,
previdenciária ou qualquer outra, entre empresas brasileiras e estrangeiras,
inclusive no que se refere a moeda, modalidade e local de pagamentos, mesmo
quando envolvidos financiamentos de agências internacionais, ressalvado o
disposto no parágrafo seguinte e no art. 3o da Lei no 8.248, de 23 de outubro de
1991.

A igualdade de condições entre todos os concorrentes é previsão


constitucional que vai além: determina que somente se permitirá exigência no edital
caso sejam indispensáveis à garantia do cumprimento das obrigações:

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Art. 37. A administração pública direta e indireta de qualquer dos Poderes da União,
dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios obedecerá aos princípios de
legalidade, impessoalidade, moralidade, publicidade e eficiência e, também, ao
seguinte: (...)
XXI - ressalvados os casos especificados na legislação, as obras, serviços, compras
e alienações serão contratados mediante processo de licitação pública que
assegure igualdade de condições a todos os concorrentes, com cláusulas que
estabeleçam obrigações de pagamento, mantidas as condições efetivas da proposta,
nos termos da lei, o qual somente permitirá as exigências de qualificação técnica
e econômica indispensáveis à garantia do cumprimento das obrigações.

No presente caso, contudo, vemos que esta Impetrante poderia ter


adicionado a sua proposta a previsão do Programa Mais MT, ou destacado as cidade-
polo, mas não o fez pois não lhe foi requerido de antemão. Alterar as regras no meio
do jogo é veemente afronta à igualdade de condições, bem como demonstra
exigências desarrazoadas, que não são indispensáveis à garantia do cumprimento das
obrigações.

Neste sentido, destacamos o entendimento do Tribunal de Justiça do


Estado de Mato Grosso, que correlaciona a isonomia dos concorrentes com a
vinculação ao instrumento convocatório:

MANDADO DE SEGURANÇA. PROCEDIMENTO LICITATÓRIO.


PRINCÍPIO DA ISONOMIA DOS CONCORRENTES E DA VINCULAÇÃO AO
INSTRUMENTO CONVOCATÓRIO. INOBSERVÂNCIA. SEGURANÇA
CONCEDIDA. SENTENÇA RATIFICADA. Na salvaguarda do procedimento
licitatório, exsurge o princípio da vinculação, previsto no art. 41 da Lei 8.666/93,
que tem como escopo vedar à administração o descumprimento das normas
contidas no Edital. Sob essa ótica, o princípio da vinculação se traduz na regra de
que o instrumento convocatório faz lei entre as partes, devendo ser observados os
termos do edital até o encerramento do certame. (TJ MT 000034-
60.2018.8.11.0026, Primeira Câmara de Direito Público e Coletivo, Des. Rel. Maria
Aparecida Ribeiro, Publicação: 29.05.2018)

AGRAVO DE INSTRUMENTO. MANDAO DE SEGURANÇA.


PROCEDIMENTO LICITATÓRIO. PRINCÍPIO DA ISONOMIA DOS
CONCORRENTES E DA VINCULAÇÃO AO INSTRUMENTO
CONVOCATÓRIO. O princípio da vinculação ao edital restringe o próprio ato
administrativo às regras editalícias, impondo a inabilitação da empresa que
descumpriu as exigências estabelecidas no ato convocatório. (AI 1002197-
64.2019.811.0000, Segunda Câmara de Direito Público e Coletivo, Des. Maria
Aparecida Ribeiro, Publicação 25 de julho de 2019)

Portanto, é evidente a afronta ao instrumento convocatório, posto


que membros da Subcomissão técnica atribuiu avaliação inferior na proposta enviada
pela impetrante, fundamentado em exigência não prevista no Edital.
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Pois bem. A celeuma não finaliza por ai, uma vez que a subjetividade
permeou inclusive a valoração das notas, como se verá:

V - Lei 12.232/2010 – CRITÉRIOS OBJETIVOS


INOBSERVÂNCIA – JUSTIFICATIVA NÃO CONDIZENTE
COM NOTAS

É certo que a escolha de empresas de publicidade e propaganda


possuem, na esfera privada, amplo grau de subjetividade.

Ocorre que na esfera pública, não há espaço para subjetividade do


gestor, sob pena de incorrer em dano ao erário.

Por esta razão o Poder Legislativo, composto por representantes do


povo, optou por criar legislação específica para as contratações públicas de empresas
de publicidade e propaganda. Mais do que adequação para a contratação específica,
a Lei buscou prever maior formalidade para o rito, evidentemente buscando evitar
abusos do poder público, direcionamento de licitação, falta de isonomia entre os
concorrentes, que evidentemente acarretariam dano ao erário.

Bem, exatamente pelas razões citadas, a Legislação prevê


necessidade de justificativa que baseie as notas dadas às propostas entregues pela
empresa.
Art. 11. Os invólucros com as propostas técnicas e de preços serão entregues à
comissão permanente ou especial na data, local e horário determinados no
instrumento convocatório. (...)
§ 3o Na contratação dos serviços de publicidade, faculta-se a adjudicação do objeto
da licitação a mais de uma agência de propaganda, sem a segregação em itens ou
contas publicitárias, mediante justificativa no processo de licitação.
§ 4o O processamento e o julgamento da licitação obedecerão ao seguinte
procedimento:
I - abertura dos 2 (dois) invólucros com a via não identificada do plano de
comunicação e com as informações de que trata o art. 8o desta Lei, em sessão
pública, pela comissão permanente ou especial;
II - encaminhamento das propostas técnicas à subcomissão técnica para análise e
julgamento;
III - análise individualizada e julgamento do plano de comunicação publicitária,
desclassificando-se as que desatenderem as exigências legais ou estabelecidas no
instrumento convocatório, observado o disposto no inciso XIV do art. 6o desta Lei;
IV - elaboração de ata de julgamento do plano de comunicação publicitária e
encaminhamento à comissão permanente ou especial, juntamente com as propostas,
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as planilhas com as pontuações e a justificativa escrita das razões que as
fundamentaram em cada caso;
V - análise individualizada e julgamento dos quesitos referentes às informações de
que trata o art. 8o desta Lei, desclassificando-se as que desatenderem quaisquer das
exigências legais ou estabelecidas no instrumento convocatório;
VI - elaboração de ata de julgamento dos quesitos mencionados no inciso V deste
artigo e encaminhamento à comissão permanente ou especial, juntamente com as
propostas, as planilhas com as pontuações e a justificativa escrita das razões que as
fundamentaram em cada caso;
VII - realização de sessão pública para apuração do resultado geral das propostas
técnicas, com os seguintes procedimentos:
a) abertura dos invólucros com a via identificada do plano de comunicação
publicitária;
b) cotejo entre as vias identificadas e não identificadas do plano de comunicação
publicitária, para identificação de sua autoria;
c) elaboração de planilha geral com as pontuações atribuídas a cada um dos quesitos
de cada proposta técnica;
d) proclamação do resultado do julgamento geral da proposta técnica, registrando-
se em ata as propostas desclassificadas e a ordem de classificação;

Assim, a subcomissão receberá os projetos (“plano de comunicação


publicitária”) e os avaliará por meio de notas devidamente justificadas.

Mais que isso, o Edital, assim como o art. 7 da Lei 12.232/2010


determinam 4 frentes de verificação dos projetos, sendo elas:

Art. 7o O plano de comunicação publicitária de que trata o inciso III do art.


6o desta Lei será composto dos seguintes quesitos:
I - raciocínio básico, sob a forma de texto, que apresentará um diagnóstico
das necessidades de comunicação publicitária do órgão ou entidade
responsável pela licitação, a compreensão do proponente sobre o objeto da
licitação e os desafios de comunicação a serem enfrentados;
II - estratégia de comunicação publicitária, sob a forma de texto, que
indicará e defenderá as linhas gerais da proposta para suprir o desafio e
alcançar os resultados e metas de comunicação desejadas pelo órgão ou
entidade responsável pela licitação;
III - ideia criativa, sob a forma de exemplos de peças publicitárias, que
corresponderão à resposta criativa do proponente aos desafios e metas por
ele explicitados na estratégia de comunicação publicitária;
IV - estratégia de mídia e não mídia, em que o proponente explicitará e
justificará a estratégia e as táticas recomendadas, em consonância com a
estratégia de comunicação publicitária por ela sugerida e em função da
verba disponível indicada no instrumento convocatório, apresentada sob a
forma de textos, tabelas, gráficos, planilhas e por quadro resumo que
identificará as peças a serem veiculadas ou distribuídas e suas respectivas
quantidades, inserções e custos nominais de produção e de veiculação.

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E ainda mais detalhadamente que a Lei, o Edital dividiu cada quesito,
discriminando objetivamente tudo o que deveria constar na proposta (pag 13, 14 e 15
do Edital), como exemplo trazemos o quesito “Ideia criativa”

Desta forma, o Edital previu objetivamente todos os critérios a serem


avaliados pelos membros da subcomissão técnica, e as empresas apresentaram os
projetos esperando ser avaliadas quanto àqueles pontos definidos no edital.
Supreendentemente abaixo destacamos exemplos das justificativas da subcomissão
técnica:

Justificativa Sr. Protásio de Morais

Justificativa Sra. Alline Barros

Justificativa Sr. Kleverson Souza

O trecho destacado assim não é fração/parte da análise dos técnicos


quanto à “ideia criativa”, mas é a análise integral. Nada mais foi dito por cada um
dos técnicos.

Sejamos francos, uma competidora que espera ser julgada pelos itens
constantes do Edital certamente se frusta ao verificar que foi julgada em duas linhas
por cada um dos técnicos com justificativas genéricas e que não correspondem às
notas datas.

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Ocorre que a subcomissão extrapolou em muito o nível de
subjetividade dando a mesma justificativa para notas completamente distintas. O
que se vê é que as notas foram dadas de forma arbitraria SEM a devida justificativa
correspondente.

Suscintamente demonstramos:

Julgamento do Técnico Protásio de Morais:



Subquesito “Raciocínio Básico”:
Campanha Julgamento Nota
10 “Ótima consistência de argumentação” 9,0
11 – SOUL “Ótima consistência de argumentação” 8,5

Destacamos as justificativas do técnico para estas notas:


Subquesito “Estratégia de Comunicação – Tópico C”
Campanha Julgamento Nota
04 “Excelentes chances de interpretação positiva” 9,0
10 “Excelentes possibilidades de interpretação positiva” 9,0
11 – SOUL “Excelentes possibilidades de interpretação positiva” 8,5
08 “Ótimas possibilidades de interpretação positiva” 9,0
09 “Ótimas possibilidades de interpretação positiva” 8,5
14 “Boas possibilidades de interpretação positiva” 9,0
02 “Boas possibilidades de interpretação positiva” 8,5
07 “Boas possibilidades de interpretação positiva” 8,0

▪ Subquesito “Estratégia de Comunicação – Tópico D”


  Campanha Julgamento Nota
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11 – SOUL “Boa consistência técnica dos pontos centrais” 8,5
13 “Boa consistência técnica dos pontos centrais” 8,0
14 “Boa consistência técnica dos pontos centrais” 9,0

Campanha 11 – da Impetrante

Campanha 13

Campanha 14

▪ Análise geral das avaliações do Sr. Protásio de Morais em


Estratégia de Comunicação:
 Campanha Julgamento Nota
10  “Ótimo levantamento dos meios de comunicação do estado e 44,5
detalhamento coerente dos investimentos.”
14  “Ótimo levantamento dos meios de comunicação e 42,5
detalhamento coerente dos investimentos.”
11  “Ótimo levantamento dos meios de comunicação do estado e 42
detalhamento coerente dos investimentos.”
12  “Ótimo levantamento dos meios de comunicação e 42
detalhamento coerente dos investimentos.”
04  “Bom levantamento dos meios de comunicação do estado e 42
detalhamento dos investimentos.”
07  “Bom levantamento dos meios de comunicação do estado e 42
detalhamento dos investimentos.”
08  “Bom levantamento dos meios de comunicação do estado e 42
detalhamento dos investimentos.”
02  “Bom levantamento dos meios de comunicação do estado e 41
detalhamento dos investimentos.” 
03  “Bom levantamento dos meios de comunicação do estado e 40,5
detalhamento dos investimentos.”


Subquesito “Ideia Criativa – tópica F”
Campanha Julgamento Nota
11 – SOUL “Muita clareza e precisão das mensagens” 8,5
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10 (Julgamento sem apontamento sobre a qualidade deste quesito) 9,0
14 (Julgamento sem apontamento sobre a qualidade deste quesito) 9,0

Julgamento da Técnica Alline Barros:

No julgamento do Raciocínio Básico, a Sra. Alline Barros avaliou


como "bom Raciocínio Básico, demonstrando entendimento do briefing e
conhecimento das ações do Governo do Estado" as diversas campanhas abaixo, mas,
a despeito da igualdade das análises, as notas atribuídas a elas foram distintas.
Vejamos: 

Campanha 02  Nota 24 
Campanha 03  Nota 24 
Campanha 07  Nota 24 
Campanha 08  Nota 24 
Campanha 09  Nota 24 
Campanha 10  Nota 24,5 
Campanha 11 (SOUL) Nota 24 
Campanha 12  Nota 24 
Campanha 13  Nota 24,5 
Campanha 14  Nota 25,5 
Campanha 16  Nota 24 

Se o julgamento é exatamente igual, as notas deveriam ser as mesmas,


do contrário demonstra subjetividade VEDADA pela Lei 12.232/2010.

Lembramos que o requisito “justificativa” para a nota, não é


simbólico e o avaliador tem o DEVER legal de correlacionar a justificativa e a nota
concedida.

Em resposta, os avaliadores da subcomissão mencionam que foi


realizado um “exame comparativo entre as propostas apresentadas pela
licitantes”(pag. 40 doc. Anexo I Decisão Subcomissão), ocorre que se efetivamente
tivesse sido realizado o exame comparativo, as notas atribuídas seriam condizentes
com as suas justificativas.

E pior, vejamos a continuação da resposta da Subcomissão:

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Pag. 41 e 42 doc. Anexo I Decisão Subcomissão

Note que a Subcomissão diz que se utilizou do campo “justificativas”


apenas para “destacar os aspectos mais positivos”, e nas palavras deles “deixando o
juízo de valor exclusivo às notas empregadas”.

Ora, a legislação prevê expressamente que a justificativa deve ser


formalizada para JUSTIFICAR A NOTA, e não como destaque!

Se houve diferença de 0,5 ponto entre uma empresa ou outra, o


campo “justificativa” é requisito legal exatamente para justificar a diferença de
pontuação atribuída.

Fica claro, por conseguinte, pela própria resposta da Subcomissão,


que o campo “justificativa” não justificam as notas concedidas – ilegal, portanto.

Em verdade, realizando uma análise macro desta licitação, deixa


transparecer a falta de cuidado dos avaliadores ao lançar as notas, atuando com
arbitrariedade em contrariedade à Lei 8.666/93 e Lei 12.232/2010.

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VI - FALTA DE RESPOSTA ÀS IMPUGNAÇÕES DA
IMPETRANTE

O Recurso Administrativo da Impetrante foi protocolado 12.01.2022


com extensa demonstração das intercorrências, ponto a ponto, demonstrando as
incongruências no julgamento da subcomissão.

A resposta à impugnação foi recepcionada em 03.02.2022, horas antes


abertura das propostas de preços.

Ocorre que em rápida análise já é possível verificar que os membros


da subcomissão mais uma vez agiram com arbitrariedade ao responder a
impugnação de forma superficial com defesas e parágrafos iguais para todas as
impugnantes.

Do recurso protocolado pela Impetrante, não foram apreciados


diversos questionamentos, entre eles:

▪ Item 2.1.3 do Recurso da Impetrante questionava sobre a falta de


correlação entre notas e justificativa. Em resposta, a Subcomissão
revisou a avaliação da ZF para alterar a justificativa, mudando de
“bom” para “ótimo”, mantendo a nota 9. Entretanto ignoraram o
nosso pedido de alteração da nossa nota de 8,5 para 9, uma vez que
fomos avaliados como “excelente”.
Desta forma, alteraram a justificativa para corresponder à nota, ao
invés de alterar a nota para corresponder à justificativa –
demonstrando que em verdade deram as notas sem o devido critério
requerido em lei.
▪ Item 2.2.1 do Recurso da Impetrante questionava a divergência
das notas dadas pela Técnica Alline Barros, todas com a mesma
justificativa. Ao avaliar este ponto, a técnica se limitou a verificar a
nota da ZF, sem reavaliar as demais, demonstrando notas diferentes
para a mesma justificativa.
▪ Item 2.2.2 do Recurso da Impetrante questionava a falta de
previsão no edital do requisito relacionado a cidades polo. Isto,
porque o julgamento da Técnica Alline Barros, se justificou na

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inexistência de cidades-polo para atribuir nota baixa à Impetrante,
contudo esta previsão não havia no Edital.

(Justificativa da técnica para atribuição da nota – vide Ata e Relatório


de Julgamento Invólucro 01 pág. 12)

Não houve qualquer resposta sobre esse apontamento pela


subcomissão.

▪ Item 2.3.3 do Recurso da Impetrante também questionava a falta


de previsão no edital do requisito relacionado a cidades polo, agora
sob avaliação do Técnico Kleverson Souza.
Isto, porque a justificativa que ensejou a baixa nota dada pelo Sr.
Kleverson falava sobre a utilização de cidades menores em
detrimento as cidades-polo, que não está previsto no Edital:

(Justificativa do técnico para atribuição da nota – vide Ata e Relatório


de Julgamento Invólucro 01 pág. 17)

Da mesma forma, não houve qualquer resposta sobre esse


apontamento pela subcomissão.

▪ Item 2.3.1 do Recurso da Impetrante questionava a falta de


previsão no edital do requisito relacionado ao Programa MT Mais.
Isto, porque a justificativa que ensejou a baixa nota dada pelo Sr.
Kleverson falava sobre o Programa Mais MT, que não está previsto
no Edital:

(Justificativa do técnico para atribuição da nota – vide Ata e Relatório


de Julgamento Invólucro 01 pág. 17)

Não houve qualquer resposta sobre esse apontamento pela


subcomissão.
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▪ Item 2.3.2 do Recurso da Impetrante questionava a falta de
justificativa do Técnico Kleverson no subquesito de estretágia de
comunicação.
Em verdade, o Sr. Kleverson se limitou a mencionar que a licitante
atende parcialmente, sem mencionar “o quê” exatamente não foi
atendido.
Uma justificativa completamente vaga, que não atende ao propósito
da legislação:

(Justificativa do técnico para atribuição da nota – vide Ata e Relatório


de Julgamento Invólucro 01 pág. 17)

Não houve qualquer resposta sobre esse apontamento pela


subcomissão.

▪ Item 3.1.4 do Recurso da Impetrante foi questionado a existência


de peças da campanha da empresa Genius que não possuíam o
respectivo orçamento. Em verdade, de todas as 110 peças
encontradas na proposta de campanha da Genius (Campanha n. 02),
pelo menos 30 delas exigiriam algum recurso para produção, o que
demonstra notório dano ao erário, pois a competidora não
apresentou proposta com orçamento equivocado.
Neste ponto, destacamos que o Edital não previa a utilização de
Twitter, TikTok e Whatsapp como meio de divulgação e que os
vídeos Tiktok da empresa Genius foram apresentados com custo
zerado.
Neste ponto, a própria subcomissão alega que o Edital não trouxe
critérios objetivos para a análise do quesito “Estratégia de Mídia e
Não Mídia”:

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(Anexo I da Decisão da Subcomissão – pág. 50)

Mas vejamos o que diz a Lei 12.232/2010:


Art. 7o O plano de comunicação publicitária de que trata o inciso III do art.
6o desta Lei será composto dos seguintes quesitos:
(...)
IV - estratégia de mídia e não mídia, em que o proponente explicitará e justificará
a estratégia e as táticas recomendadas, em consonância com a estratégia de
comunicação publicitária por ela sugerida e em função da verba disponível
indicada no instrumento convocatório, apresentada sob a forma de textos,
tabelas, gráficos, planilhas e por quadro resumo que identificará as peças a serem
veiculadas ou distribuídas e suas respectivas quantidades, inserções e custos
nominais de produção e de veiculação.

A Legislação, portanto, é clara e cristalina no dever de previsão de


custos nominais de produção por peça a ser veiculada, mas a
subcomissão, sem grande aprofundamento, se limita a dizer que a
legislação não prevê critérios objetivos e que agiu com boa-fé de
acordo com a Lei 12.232/2010:

(Anexo I da Decisão da Subcomissão – pág. 50)

Em que pese tal resposta, o entendimento não merece prosperar, pois


a Legislação é mais do que expressa ao determinar a identificação de
cada peça devidamente atrelado ao respectivo custo, sendo medida
ilegal, portanto, o aceite de peças sem o correspondente valor.

▪ Item 3.2.3. do Recurso da Impetrante foi questionado o


desrespeito ao Edital/briefing de algumas competidoras no quesito
abrangência.
Ocorre que o Edital disciplina que o público-alvo serão turistas mato-
grossenses e que a abrangência é o Estado de Mato Grosso e seus 141
municípios. Apesar de tal previsão, algumas empresas fizeram
constar em suas propostas revistas de alcance nacional.
Se o órgão publico optou em Edital por limitar o espaço territorial de
veiculação, existe uma razão motivadora. Em verdade, a
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Administração Pública opta por focar esforços no Estado de Mato
Grosso, fomentando o turismo interno. Ao utilizar revistas de
abrangência nacional, a campanha desperdiça a verba falando com
públicos de outros estados, demonstrando gastos públicos
desnecessários e em dissonância com o Edital.

Não houve qualquer resposta sobre esse apontamento pela


subcomissão.

De todo o exposto, demonstra-se que além de dar notas não


condizente com as respectivas justificativas, a subcomissão ainda deixa de aplicar
dispositivos objetivos do Edital de licitação, e por fim, não aprecia os recursos
administrativos de forma transparente, uma vez que deixa diversos questionamentos
sem avaliação.

A Lei de Introdução ao Direito Brasileiro prevê a necessidade de


motivação dos atos da Administração Pública, intimamente ligado ao princípio da
publicidade, ao princípio do contraditório e da ampla defesa. Afinal, se eu estou
sendo classificado em determinada posição em um rol de concorrentes na licitação,
eu preciso que o órgão responsável me dê transparência e critérios objetivos para a
ampla compreensão da razão.

Art. 20. Nas esferas administrativa, controladora e judicial, não se decidirá


com base em valores jurídicos abstratos sem que sejam consideradas as
consequências práticas da decisão.
Parágrafo único. A motivação demonstrará a necessidade e a adequação da
medida imposta ou da invalidação de ato, contrato, ajuste, processo ou
norma administrativa, inclusive em face das possíveis alternativas.
Art. 21. A decisão que, nas esferas administrativa, controladora ou judicial,
decretar a invalidação de ato, contrato, ajuste, processo ou norma
administrativa deverá indicar de modo expresso suas consequências
jurídicas e administrativas.

O princípio da motivação dos atos está previsto no art. 4 da Lei do


Processo Administrativo do Estado de Mato Grosso, e exige que a Administração
Pública indique os fundamentos de fato e de direito de suas decisões:

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Art. 4° A Administração Pública Estadual obedecerá, dentre outros, aos
princípios da legalidade, impessoalidade, moralidade, publicidade,
eficiência, motivação, formalidade, razoabilidade, proporcionalidade,
ampla defesa, contraditório e segurança jurídica.

Ainda, a mesma Lei 7.692/2002 determina que o administrado tem o


direito de formular alegações, que serão objeto de análise do órgão competente, bem
como destaca que a insuficiência de motivação acarreta invalidade do ato
administrativo:

Art. 6° O administrado tem os seguintes direitos perante a Administração


Pública Estadual, sem prejuízo de outros que lhe sejam assegurados por lei:
(...)
III - formular alegações e apresentar documentos antes da decisão, os quais
serão objeto de consideração do órgão competente;

Art. 25 São inválidos os atos administrativos que desatendam os princípios


da Administração Pública Estadual e os pressupostos legais e
regulamentares de sua edição, especialmente nos casos de: (...)
III - omissão de formalidades ou procedimentos essenciais;
IV - inexistência ou impropriedade do motivo de fato ou de direito;
V - falta ou insuficiência de motivação;

O princípio da motivação está consagrado pela doutrina e pela


jurisprudência, sendo trazido inclusive no âmbito dos tribunais detalhadamente pelo
Código de Processo Civil:

Art. 489. São elementos essenciais da sentença:


(...)
II - os fundamentos, em que o juiz analisará as questões de fato e de direito;
III - o dispositivo, em que o juiz resolverá as questões principais que as
partes lhe submeterem.
§ 1º Não se considera fundamentada qualquer decisão judicial, seja ela
interlocutória, sentença ou acórdão, que:
I - se limitar à indicação, à reprodução ou à paráfrase de ato normativo, sem
explicar sua relação com a causa ou a questão decidida;
II - empregar conceitos jurídicos indeterminados, sem explicar o motivo
concreto de sua incidência no caso;
III - invocar motivos que se prestariam a justificar qualquer outra decisão;
IV - não enfrentar todos os argumentos deduzidos no processo capazes de,
em tese, infirmar a conclusão adotada pelo julgador;

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V - se limitar a invocar precedente ou enunciado de súmula, sem identificar
seus fundamentos determinantes nem demonstrar que o caso sob
julgamento se ajusta àqueles fundamentos;
VI - deixar de seguir enunciado de súmula, jurisprudência ou precedente
invocado pela parte, sem demonstrar a existência de distinção no caso em
julgamento ou a superação do entendimento.

O que vemos é que o legislador constitucional e infraconstitucional


desdobrou artigos e incisos sobre a necessidade de motivação das decisões – tudo, em
verdade, a fim de possibilitar o exercício do direito ao contraditório e a ampla defesa.

E justamente por estarmos tratando de Concorrência Pública de


serviço de publicidade e propaganda é a Lei 12.232/2010 determinou critérios de
seleção criteriosos, que devem ser devidamente fundamentados. Mas no presente
caso, diferentemente, vemos avaliações esparsas, justificativas não condizentes com
as notas ofertadas, e falta de resposta aos questionamentos previstos nas
impugnações das concorrentes.

Ilegalidades em cima de ilegalidades, que não podem prosperar.

VII – DA LIMINAR.

Requer-se a CONCESSÃO DE LIMINAR, visando a suspensão do


Edital de Concorrência Pública Nº 001/2021/SECOM.

O inciso III, do art. 7. ° da Lei 12.016/09, que disciplina o Mandado de


Segurança, esclarece que o juiz, ao despachar a inicial, ordenará a suspensão do ato
que deu motivo ao pedido, quando houver fundamento relevante e do ato
impugnado puder resultar a ineficácia da medida, caso seja finalmente deferida,
sendo facultado exigir do Impetrante caução, fiança ou depósito, com o objetivo de
assegurar o ressarcimento à pessoa jurídica.

A probabilidade do direito resta demonstrada diante da prova


documental anexa ao Mandado de Segurança, os quais demonstram
indubitavelmente lesão ao direito líquido e certo da impetrante, consubstanciada, em
especial, a afronta ao princípio da Legalidade, e vinculação ao instrumento
convocatório, da motivação dos atos, o que autoriza a concessão imediata do pleito
liminar.

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Ademais, (i) houve demonstração de violação ato convocatório, art.
41 da Lei 8.666/93, ao utilizar como critério de julgamento itens não previstos no
briefing e no Edital, i.e., previsão de Programa Mais MT e destaque para “cidades-
polo” retirando pontos das concorrentes sem previsão no edital; (ii) houve violação
da necessidade de justificativa prevista no art. 2, §3, e art. 11, IV e VI da Lei
12.232/2010; (iii) violação da previsão de análise objetiva, prevista no art. 6, VIII da
Lei 12.232/2010.

Quanto ao perigo na demora pode ser demonstrado facilmente, visto


que a continuidade do certame acarreta prejuízos tanto para a Impetrante quanto
ao erário, tendo em vista se tratar de contrato com valor previsto de R$90.000.000,00
(noventa milhões de reais), ao qual terá empresa de publicidade e propaganda
inferior às demais concorrentes. Adicione-se que restou demonstrada a verificação de
ilegalidade de uma das concorrentes que trouxe campanha com peças sem estimativa
de valor, em violação ao art. 7, IV da Lei 12.232/2010.

Pelo exposto, requer a concessão da tutela de urgência, liminarmente,


a fim de suspender a continuidade do certame.

VIII - DO CABIMENTO.

Cumpre-nos esclarecer que a Impetrante não insurge quanto ao


poder da Administração Pública de rever os seus próprios atos, tanto que
protocolizou Recurso Administrativo, no entanto é visível que o ato coator resta
eivado de ilegalidade ou abuso de poder. Sendo, portanto, notória a existência de
direito líquido e certo da Impetrante em ver revisto ato coator.

Deste modo, cabe-nos a observância do artigo 5º, LXIX, da Carta


Magna que traz:

Art. 5º LXIX - conceder-se-á mandado de segurança para proteger direito líquido e


certo, não amparado por "habeas-corpus" ou "habeas-data", quando o responsável
pela ilegalidade ou abuso de poder for autoridade pública ou agente de pessoa
jurídica no exercício de atribuições do Poder Público
(Grifos nossos)

Toda concorrente/licitante tem direito à concorrência isonômica, com


critérios objetivos, com vinculação ao instrumento convocatório, com julgamento
transparente, motivado, e com a devida fundamentação e respeito às determinações
do Edital e da Lei.
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Assim, não vislumbra alternativa senão a busca da tutela
jurisdicional para solucionar os impasses causados pela autoridade coatoras.

IX - DOS PEDIDOS E REQUERIMENTOS.

Ante todo o exposto, pugna-se pela improcedência dos pedidos


formulados requerendo:

a) A concessão da TUTELA DE URGÊNCIA, de forma LIMINAR,


visando à suspensão do Edital de Concorrência Pública Nº
001/2021/SECOM até decisão de mérito;

b) Para fins de efetividade, que eventual ordem liminar suspensiva


seja encaminhada à Secretaria de Estado e Comunicação, mais
especificamente à Secretaria, através do e-mail:
laicesouza@gabgoverno.mt.gov.br

c) A notificação das autoridades coatoras do conteúdo deste


Mandado de Segurança, bem como os documentos anexados para
que, caso queiram, prestem as informações necessárias dentro do
prazo legal;

d) Que se notifique a Douta Procuradoria de Justiça, para judicioso


parecer;

e) Ao final, requer a segurança de forma definitiva com a anulação


da Concorrência Pública 001/2021/SECOM, por violação do
instrumento convocatório, art. VI da Lei 12.232/2010, 41 da Lei
8.666/93, art. 25, IV, V da Lei 7.692/2002;

f) Alternativamente, requer a anulação da fase Avaliação da


Proposta Técnica, em razão da falta de isonomia entre as
concorrentes, violando o art. 3, §1, I e II da Lei 8.666/93, para a
reanálise com os critérios objetivos previstos em Lei e no Edital, com
notas em consonância com as justificativas.

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Por fim, requer-se ainda que todas as notificações e publicações
sejam realizadas e mantidas exclusivamente em nome do DR. LEONARDO DA SILVA
CRUZ - OAB/MT 6.660, e-mail leonardo@scsadvogados.com.br, sob pena de nulidade,
nos termos do art. 272, §5º do CPC.

Dá-se a causa o valor de R$ 1.000,00 (mil reais)

Nestes termos, pede e espera deferimento.

Cuiabá-MT, 08 de fevereiro de 2022.

Leonardo da Silva Cruz Catiane Janjob Souza


Advogado–OAB/MT 6.660 Advogada–OAB/MT 28.223

Pascoal Santullo Neto


Advogado–OAB/MT 12.887

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