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Tribunal de Justiça de Mato Grosso

PJe - Processo Judicial Eletrônico

18/02/2022

Número: 1001869-32.2022.8.11.0000
Classe: MANDADO DE SEGURANÇA CÍVEL
Órgão julgador colegiado: Turma de Câmaras Cíveis Reunidas de Direito Público e Coletivo
Órgão julgador: GABINETE DA DESA. MARIA EROTIDES KNEIP BARANJAK
Última distribuição : 09/02/2022
Valor da causa: R$ 0,00
Assuntos: Abuso de Poder, Edital
Segredo de justiça? NÃO
Justiça gratuita? NÃO
Pedido de liminar ou antecipação de tutela? NÃO
Partes Procurador/Terceiro vinculado
SOUL PROPAGANDA LTDA - ME (IMPETRANTE) LEONARDO DA SILVA CRUZ (ADVOGADO)
SECRETÁRIA DE ESTADO DE COMUNICAÇÃO DE MATO
GROSSO (IMPETRADO)
MINISTERIO PUBLICO DO ESTADO DE MATO GROSSO
(CUSTOS LEGIS)
ESTADO DE MATO GROSSO (TERCEIRO INTERESSADO)
Documentos
Id. Data da Documento Tipo
Assinatura
11859 18/02/2022 11:30 Decisão Decisão
5468
TURMA DE CÂMARAS CÍVEIS REUNIDAS DE DIREITO PÚBLICO E COLETIVO
PJE - MANDADO DE SEGURANÇA CÍVEL (120) 1001869-32.2022.8.11.0000

IMPETRANTE: SOUL PROPAGANDA LTDA - ME

IMPETRADO: SECRETÁRIA DE ESTADO DE COMUNICAÇÃO DE MATO GROSSO

Vistos etc.

Trata-se de Mandado de Segurança impetrado por SOUL


PROPAGANDA LTDA-ME, indicando como autoridade coatora o SECRETÁRIA DE
ESTADO DE COMUNICAÇÃO DE MATO GROSSO, contra ato supostamente
ilegal, consubstanciado na confirmação da decisão lavrada pela Comissão Especial
de Licitação quanto ao recurso administrativo interposto, que combatia as notas
atribuídas pelos avaliadores.

Registra que a Secretaria de Comunicação abriu processo


licitatório nº 333204/2021, modalidade Concorrência Pública nº 001/2021/SECOM,
tipo melhor técnica e preço, tendo por objetivo a contratação de 05 (cinco) agências
de propaganda para prestação de serviços de publicidade para o Governo do
Estado de Mato Grosso, via Secretaria de Estado de Comunicação, com verba
anual anunciada de R$90.000.000,00 (noventa milhões).

Afirma que a avaliação dos quesitos apresentados foi feita sem a


devida justificativa conforme Edital p. 14. E que, após, as motivações foram
colacionadas na Ata de Julgamento e Relatório (doc), contudo, de forma genérica,
além de discrepar das notas apresentadas anteriormente.

Sustenta a falta de vinculação ao instrumento convocatório, além


da inobservância da Lei nº 12.232/2010.

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Alega a ponderação de quesitos que não constaram do Edital de
regência, como a previsão de cidades polos como referência, além do Programa
Mais MT.

Enfatiza o caráter vinculante do Edital de convocação, sendo


certo que o avaliador não pode exigir do licitante a utilização de determinada cidade
polo na peça publicitária quando o edital não previu tal exigência.

Ressalta que “a exigência de cumprimento de requisitos sem previsão


expressa no Edital está eivada de vício, tendo em vista que afronta tanto o Princípio de
Vinculação do Instrumento Convocatório, que será mais bem debatido em tópico próprio, quanto
o Princípio da Legalidade.”

Alega que o briefing apresentado no Edital cita diversos


programas voltados para o turismo, porém não cita o programa “Mais MT”.

Assinala que as campanhas apresentadas pelas licitantes, em


alguns casos, tiveram o mesmo julgamento, mas notas distintas, sem qualquer
justificativa para tanto, destacando que se o julgamento é igual, as notas deveriam
ser as mesmas.

Pontuou a ausência de resposta às impugnações apresentadas


pela Impetrante.

Requer, assim, liminarmente, a suspensão do Edital de


Concorrência Pública nº 001/2021/SECOM, a fim de que seja reavaliado os critérios
de apuração das notas.

É o relato necessário.

Decido.

O mandado de segurança é expressamente previsto na


Constituição Federal, em seu art. 5º, inciso LXIX, segundo o qual conceder-se-á
mandado de segurança para assegurar direito líquido e certo, não amparado por
habeas-corpus ou habeas-data, quando o responsável pela ilegalidade ou abuso de
poder for autoridade pública ou agente de pessoa jurídica no exercício de
atribuições do Poder Público.

A legislação infraconstitucional prevê expressamente a

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possibilidade de concessão de liminar, conforme se depreende do art. 7º, inciso III,
da Lei 12.016/09.

Passo, assim, a análise da presença ou não dos requisitos


necessários ao deferimento do pleito liminar.

Destaca-se que o fumus boni iuris e o periculum in mora, em se


tratando de mandado de segurança, devem ser demonstrados por meio de prova
documental pré-constituída, não se admitindo dilação probatória.

Dispõe o art. 3º da Lei 8.666/93, que: “A licitação destina se a garantir


a observância do principio constitucional da isonomia, a seleção da proposta mais vantajosa para
a administração e a promoção do desenvolvimento nacional sustentável e será processada e
julgada em estrita conformidade com os princípios básicos da legalidade, da impessoalidade, da
moralidade, da igualdade, da publicidade, da probidade administrativa, da vinculação ao
instrumento convocatório, do julgamento objetivo e dos que lhes são correlatos.”

Destarte, a finalidade da licitação pública é fazer com que o


processo de contratação de serviços, obras e compras seja feito de forma
clara, democrática e justa, sem perder de vista os princípios da isonomia, da
legalidade e da moralidade.

Verifica-se dos autos uma incongruência entre as justificativas


apresentadas e as notas atribuídas a cada campanha, onde se apura que há
campanhas com justificativas idênticas, mas notas diferentes, sem qualquer
motivação.

A Comissão avaliadora justificou as divergências alegando que “


para estabelecimento da pontuação de cada quesito e subquesito, cada membro da Subcomissão
Técnica realizou um exame comparativo entre as propostas apresentadas pelas licitantes, e
a gradação das pontuações atribuídas refletiu o maior ou menor grau de adequação de cada
proposta e aos critérios de julgamento técnico estabelecidos no Edital.” (Grifei)

No entanto, tenho que na avaliação dos quesitos e subquesitos


os critérios de avaliação devem ser claros e objetivos, sob pena de violação à Lei nº
12.232/2010, além da obrigatoriedade de apresentação de “justificativa escrita das
razões” que fundamentaram a pontuação de cada uma das campanhas
apresentadas.

Dessa forma, diante da situação fática, verifica-se que estão

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presentes os pressupostos autorizadores da medida liminar requerida como fumus
boni iuris, e periculum in mora.

Ante o exposto, DEFIRO O PEDIDO DE LIMINAR para


determinar a suspensão da concorrência nº 001/2021/SECOM, até o julgamento de
mérito do presente mandado de segurança.

Intimem-se as partes, dando ciência quanto ao conteúdo da


presente decisão.

Notifique-se a autoridade dita coatora para fins do art. 7º, inc. I,


da Lei nº 12.016/2009, devendo prestar as informações necessárias no prazo de 10
(dez) dias.

Cientifique o Órgão de representação da pessoa jurídica


interessada, para fins do disposto no art. 7º, inc. II, da Lei nº 12.016/2009, para
querendo ingresse no feito.

Após decurso do prazo das informações solicitadas, prestadas ou


não, dê-se vista dos autos ao Ministério Público.

Cumpra-se.

Cuiabá, data da assinatura digital.

Desa. MARIA EROTIDES KNEIP


Relatora

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