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UNIVERSIDADE FEDERAL DO MARANHÃO

CENTRO DE CIÊNCIAS HUMANAS


CURSO DE FILOSOFIA

Nietzsche e a Educação
Hiago Christian Cordeiro

SÃO LUÍS
2018
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Hiago Christian Cordeiro

Nietzsche e a Educação
Projeto apresentado como requisito para a
obtenção da terceira nota da disciplina de
Antropologia Filosófica do Curso de
Licenciatura em Filosofia da Universidade
Federal do Maranhão ministrado pela
Profa. Dra. Maria Olília Serra.

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Profa. Dra. Maria Olília Serra.

SÃO LUÍS
2018
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SUMÁRIO

1. IDENTIFICAÇÃO DO PROJETO-----------------------------------------------------04

2. OBJETIVOS---------------------------------------------------------------------------------05

. Geral---------------------------------------------------------------------------------------05
. Específicos--------------------------------------------------------------------------------05

3. JUSTIFICATIVA---------------------------------------------------------------------------05

4. PROBLEMATIZAÇÃO-------------------------------------------------------------------06

5. DESENVOLVIMENTO TEÓRICO----------------------------------------------------07

6. ROTEIRO TEMÁTICO (Provisório)--------------------------------------------------08

7. METODOLOGIA--------------------------------------------------------------------------09

8. REFERÊNCIAS (Provisória)-----------------------------------------------------------09
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1. IDENTIFICAÇÃO DO PROJETO

Título: “Nietzsche e a Educação”

Aluno: Hiago Christian Cordeiro

Orientador: Maria Olília Serra

Instituição: Universidade Federal do Maranhão – UFMA

Curso: Licenciatura em Filosofia

Coordenação de Monografia: Maria Olília Serra

Data Prevista – Início: ____/____/____ Conclusão: ____/____/____


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2. OBJETIVOS

 Geral:

Analisar o conceito de Educação nos escritos do primeiro período da produção


filosófica do jovem Nietzsche entrelaçando com o seu projeto de formação de um
Übermensch, “Além do Homem”, para investigar a possibilidade de um modelo
educacional de bases nietzschianas.

 Específicos:
 Caracterizar o pensamento de Friedrich Nietzsche, delimitando o contexto e as
motivações que o estimularam a refletir sobre a educação.
 Mostrar as características da educação alemã de seu tempo, e suas demais
críticas a esse modelo.
 Apontar o sentido do conceito de Übermensch e sua relação com a educação.
 Apresentar um possível projeto pedagógico nietzschiano.

3. JUSTIFICATIVA:

Entre os temas mais controversos e difíceis de se analisar concretamente nas obras


de Friedrich Nietzsche, o tema da educação nos aparece em certo destaque, ou melhor,
obscurecido por nebulosas justaposições com outros temas e especificidades da filosofia
nietzschiana, onde uma preparação cautelosa se faz necessária antes de se debruçar em tal
tema.
As justificativas de utilidade dessa pesquisa são vastas; além do enriquecimento no
que se refere aos debates sobre as instituições de ensino, quanto ao papel que a educação
teria para a formação de tipos mais “elevados de homem”. Conceito deveras polêmico, pois
é permeado por um discurso um tanto estranho aos objetivos impostos ao nosso modelo
atual de educação planificada, onde todos são iguais e não existe esse alguém “mais
elevado”.
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Através do entrelaçamento das suas críticas aos estabelecimentos de ensino


encontradas nas suas conferências enquanto ainda era o gentil e caloroso professor de
filologia da Universidade da Basileia (jovem Nietzsche – 1869 – 1882), com a ideia de
formação ou, mais especificamente, de “cultivo”, que se encontra nos escritos do Nietzsche
tardio (1882 - 1900), pretendemos poder esclarecer as condições de possibilidade de um
“conhecimento de si” como um projeto de formação, assim como a realização da tarefa
paradoxal que é “tornar-se o que se é”. Buscarei corroborar com a visão sobre a filosofia de
Nietzsche como uma filosofia da orientação. Filosofia da Educação e da orientação na
perspectiva nietzschiana implica em uma liberdade no pensar e agir, de modo a apreender a
liberdade também como a conscientização e domínio de um certo impulso criativo, ao qual
o homem está condicionado.

4. PROBLEMATIZAÇÃO:

Em “Sobre o futuro dos nossos estabelecimentos de ensino”, conferências


proferidas entre janeiro e março do ano de 1872, o professor Nietzsche faz duras críticas à
educação e a cultura de sua época, tendo como campo de investigação os estabelecimentos
de ensino, a saber: a escola primária, a escola técnica, e a universidade. Nestas
conferências, Nietzsche irá argumentar primeiramente que a cultura é uma determinação da
natureza, entretanto, ele constata que muitos pressupostos metodológicos modernos
possuem um caráter “não natural”. Desta forma, Nietzsche traça a tese de que nos
estabelecimentos de ensino alemães existiriam duas correntes pedagógicas, aparentemente
opostas, mas unidas em seus resultados: “a tendência de estender tanto quanto possível a
cultura, por outro lado, a tendência de reduzi-la e enfraquecê-la. As duas correntes levam a
uma pseudocultura, desatrelado aos ditames naturais.
Nosso autor argumenta que o Estado, neste contexto, é um dos principais culpados
pelo desenvolvimento desta pseudocultura, na medida em que quis o mais cedo possível
atrair para si funcionários utilizáveis e se assegurar, através de exames excessivamente
rigorosos, da sua docilidade incondicional, impulsionando-os através do espírito utilitário,
tendo como meio para atingir esses resultados os estabelecimentos de ensino. Nestes
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estabelecimentos regidos pelo espírito utilitário, o Estado impossibilita que a cultura


autêntica se estabeleça ao orientar a educação para a formação de “homens correntes”,
homens estes que são impulsionados pela imediaticidade.
Partindo destes princípios norteadores, podemos nos indagar: Nietzsche certamente
não é contrário à educação, mas sua atenção incide sobre isto: Quais as forças e valores
estão investidos nela? É capaz de produzir movimentos, e expandir o pensamento? Ou
estará meramente inventariando valores estabelecidos? Estaria a educação encerrando,
mumificando novas potências de vida, ao invés de liberá-las?

5. DESENVOLVIMENTO TEÓRICO:

Nietzsche, em “Sobre o futuro das instituições de ensino” reconhece, desta forma, a


existência de duas tendências educacionais nefastas para as instituições escolares e que
colaboram, concomitantemente, para o enfraquecimento da cultura de seu tempo: a
tendência de ampliação e redução máxima da cultura.
A tendência de ampliação máxima da cultura é, segundo Nietzsche, um dos dogmas
da economia política, com critérios excessivamente quantitativos. Procura-se estender a
educação à maior quantidade de pessoas possíveis. Desta maneira, o objetivo e fim desta
tendência é o lucro, ou seja, o maior ganho possível de dinheiro, sendo a cultura a
encarregada de criar “homens correntes”, ou seja, homens cultivados através de uma cultura
rápida que serve aos interesses dos Estados, homens estes que se assemelham a ideia de
moeda corrente, meras moedas de troca para se conquistar aquilo que se deseja.
Ademais, a outra tendência, a de redução máxima da cultura diz respeito à
valorização exacerbada do erudito (especialista) e conduz a superficialização e
fragmentação das potências do indivíduo. Nietzsche infere que esta tendência prega a
divisão do trabalho nas ciências e a especialização em determinada área, foca toda a
atenção do trabalhador em determinadas especificidades, e ao mesmo tempo alheios ao
conjunto do todo.
Em sua especialidade, o erudito realiza com entusiasmo e eficácia o que se propõe a
fazer, uma habilidade pontual a serviço da ciência e do Estado moderno. Todavia,
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especialização e funcionalidade na educação afasta o indivíduo da verdadeira cultura,


através desta imediaticidade, do caráter pontual de suas habilidades, de seu caráter passivo
e receptivo, encontrando-se alheio a qualquer outra preocupação diferente de sua
especificidade, reduzindo a cultura a um mero instrumento funcional, semelhante a um
operário de uma fábrica cuja a função é somente apertar um parafuso para construir algo do
qual não tem consciência do produto final. Esse “produto final” para Nietzsche, é a unidade
de estilo a qual a cultura deve se preocupar.
Apensar das críticas de Nietzsche pertencerem ao passado, na Alemanha do século
XIX, é notório que suas inquietudes a respeito da educação podem servir como
possibilidade de uma interpretação rica sobre a educação dos nossos dias. As suas
inquietações se fazem presentes ao se analisar as entranhas do sistema educacional
brasileiro, o que justifica o caráter atemporal de suas críticas. Desde a preconização de uma
educação profissionalizante, colocando o ensino a serviço do Estado, no manejo de mão-de-
obra que sirva aos seus interesses, até o desenvolvimento de tendências pedagógicas que
supervalorizam o cultivo de uma erudição, em detrimento do apreço ao tratar “a sua
realidade latente”, isto é, a realidade corrente do educando, de modo a torna-lo senhor do
seu presente, pode-se encontrar situações análogas às diagnosticadas por Nietzsche.

6. ROTEIRO TEMÁTICO

 Introdução
 Capítulo 1 – O contexto educacional da Alemanha do séc. XIX.
 Capítulo 2 – As principais críticas em “Sobre a situação das nossas instituições de
ensino”.
 Capítulo 3 – A noção de Übermensch em “Assim falou Zaratustra” e a educação
brasileira.
 Considerações finais.
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7. METODOLOGIA

A presente pesquisa se insertará no interior da metodologia filosófica através de uma


hermenêutica das obras do primeiro e segundo período de Nietzsche. Segundo esta
metodologia, se tratará de adotar o seguinte itinerário metodológico:
A) Coletar os textos originais do autor proposto.
B) Leitura e interpretação dos textos.
C) Análise comparativa das duas concepções de história nos referidos textos.
D) Escrita da monografia.

8. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

- NIETZSCHE, Friedrich. Assim Falou Zaratustra. São Paulo: Companhia das Letras,
2005.
- DIAS, R. A educação e a incultura moderna. Nietzsche pensa a educação: Biblioteca do
professor, São Paulo, p. 16-25, maio, 2012.
- GEN - Grupo De Estudos Nietzsche. Dicionário Nietzsche. São Paulo: Loyta, Coleção
Sendas & Veredas, 2016.
- ARANHA, M. Filosofia da educação.3.ed. São Paulo: Moderna, 2006.

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