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A FILOSOFIA EM ANGOLA: DA REPÚBLICA POPULAR DE ANGOLA À

REPÚBLICA DE ANGOLA (1995-2012).

Todo homem por natureza é filósofo, porque desde as décadas mais remotas
procurou dar resposta aos problemas sociais do seu tempo. E a educação do homem é
um dos aspectos a ser estudado. Sendo a filosofia e o filosofar partes integrantes da
dimensão racional do homem que designamos por disposição, no sentido de uma
«tonalidade afectiva e gnoseológica que nos harmoniza e nos convoca por um apelo.»1

Sabemos nós que a filosofia é um interrogar-se e interrogar; é um esforço que se faz


para o alcance da verdade pela verdade, é uma sistematização do saber. 2 A filosofia da
educação é o campo da filosofia que se ocupa da reflexão sobre os processos
educativos, os sistemas educativos, a sistematização de métodos didácticos, entre outros
temas relacionados com a pedagogia3.

A filosofia tem uma palavra indispensável neste mundo de alta tecnologia,


democracias emergentes e tradicionais com desafios culturais, políticos, sociais,
bioéticos e ecológicos. A filosofia se identifica com o saber que não se distancia do
homem de ontem, de hoje e de sempre em busca da sua realização ou felicidade.

A história é reflexão racional sobres os factos mais relevantes da vida humana do


mundo e do universo que são dignos de memória. Toda história tem uma filosofia e toda
filosofia também tem uma história. Porque a história fornece lições válidas que
despertam as novas gerações. A Filosofia no Partido Único era ensinada sob a
perspectiva marxista-leninista; já nos seminários, era ensinada sob a perspectiva
escolástica, como uma Filosofia Aristotélico-tomista, livre das impurezas do socialismo.

A FILOSOFIA EM ANGOLA
Se a história é a ciência que estuda a cultura e o modo de vida de um povo e toda
história tem uma filosofia e toda filosofia tem uma história, a história da filosofia em
Angola será a reflexão racional do povo angolano que visa dar uma resposta racional
aos problemas: culturais, económicos, políticos, sociais, etc.

O substantivo “Angola” vem da palavra Ngola, em Kimbundu, que designava uma


pequena peça de metal usada na administração de justiça e chefes, que tornou-se
símbolo de autoridade política entre as linhagens Kimbundu. Também foi usado para
designar um título real na região que se estendia entre Luanda e o planalto de Malange,
que os portugueses chamaram reino do Ngola.4

1
SISSIMO Henriques Alberto, Necessidade de Promover o Pensamento Filosófico em Angola.
Trabalho final de pesquisa filosofia. Seminário Maior Arquidiocesano de Luanda Sagrado Coração de
Jesus. pag. 6
2
Cfr. Idem
3
https//pt.m.wikipedia.org/wiki/filosofia_da_educação
4
Cfr. SISSIMO Henriques Alberto. Op. Cit. Pag. 10

1
PASSAGEM DA REPÚBLICA POPULAR DE ANGOLA PARA
REPÚBLICA DE ANGOLA - DE 1975 À 1992
A passagem da República Popular de Angola para a República de Angola deu-se
por uma mudança também de filosofia; a filosofia que reinava na República Popular de
Angola era de cariz marxista-leninista, que centralizava o socialismo; ao se fazer a
mudança de paradigma, houve também uma mudança no ensino da própria filosofia que
passou a ser mais abrangente e foi inclusa nos programas de vários estabelecimentos de
ensino, desde o Ensino Médio ao Ensino Superior. Houve também a abertura das
instituições privadas a nível do país, uma abertura em muitos sectores da vida social
também. Verificou-se também aí uma mudança na concepção da Filosofia em geral; o
país passou a adoptar a democracia, e do socialismo passou para a economia de
mercado.5

Em 1992 realizaram-se as primeiras eleições no nossos país, fruto dos novos ares de
democracia que se respiravam naquela época, quando o MPLA, partido no poder,
decidiu aceitar as ideias de outros partidos, deixando o Partido Único, o
monopartidarismo para passarmos ao multipartidarismo.

O ENSINO DA FILOSOFIA EM ANGOLA DE 1975 À 1992.

Recuando no tempo, podemos dizer que durante o monopartidarismo, a educação


tinha um carácter ideológico, tanto em conteúdo como em objectivo. Antes da
colonização os angolanos já filosofavam não obstante a falta de liberdade de expressão,
consequência da colonização. Nisto, a independência marca a fase do desenvolvimento
e autonomia do pensamento angolano.

O período de 1975 à 1992 marca o ponto mais alto na história da Filosofia e do


Ensino em Angola, porque ganha-se autonomia contra o colonizador e passa-se a ter
autonomia no pensamento e a liberdade de expressão dos angolanos a fim de darem um
destino melhor ao seu país que era uma província ultramarina de Portugal.

Depois da independência, instalou-se uma guerra civil. Em Outubro de 1990, se


iniciou o abandono do sistema “marxista-leninista” em Angola. Nesta época o ensino da
Filosofia em Angola era restrito porque só se efectivava nos seminários e regimes
militar. 6

O ENSINO DA FILOSOFIA EM ANGOLA NO PERÍODO DE 1992 À 2012.

Depois de o MPLA ter abandonado, em 1991, a experiência socialista e a ideologia


marxista-leninista, o ensino passou por uma nova remodelação. Apesar de, na Lei,
a educação em Angola ser compulsória e gratuita até os oito anos, o governo reporta
que uma cerca percentagem de estudantes não está matriculada em escolas por causa da
falta de estabelecimentos escolares e professores. Estudantes são normalmente

5
Cfr. SISSIMO Henriques Alberto. Op. Cit. Pag. 11
6
Cfr. Claudino Pilette e Nelson Pilette, Filosofia e História da educação, S. Paulo, 1993, Pg. 37

2
responsáveis por pagar despesas adicionais relacionadas à escola, incluindo taxas para
livros e alimentação.7
Ora, no domínio do ensino primário, houve uma unificação: há uma classe pré-
primária seguiam-se quatro anos regulares. As escolas elementares de artes e ofícios
mantiveram-se a título de excepção.  Em consequência destas medidas, houve uma
verdadeira explosão, primeiro no ensino primário, a seguir no ensino secundário. De
1992 à 2012, o ensino da Filosofia como disciplina começou a fazer parte do currículo
académico de Angola, desde o Ensino Médio até o Ensino Superior, e a data acima
citada marca a expansão da filosofia no território angolano. Dela para cá a Filosofia tem
ajudado no desenvolvimento dos diferentes sectores sociais e na compreensão das
coisas do mundo dando-lhes as respectivas respostas, e até aos diferentes fenómenos
naturais e artificiais.

A EDUCAÇÃO E O ENSINO EM ANGOLA


Os conflitos que se foram registando na história do povo angolano mostraram-nos
que a educação e o ensino podem ser um dos meios indispensáveis para o combate de
contravalores e propostas existenciais desumanizantes no sentido de implementar
modos de vida e estilo do pluralismo existencial onde a dignidade e a dimensão do outro
ou outra diferente de mim seja uma exigência incontornável e uma implicação para a
coexistência e a convivência pacífica, mais dinâmica e criativa. A filosofia tem
afectivamente uma missão insubstituível: formar mentes críticas, criativas e criadoras
para um desenvolvimento humano e cósmico integral e integrante.

ANÁLISE CRÍTICA DO CONTEXTO SOCIAL, POLÍTICO, ECONÓMICO


E CULTURAL DE ANGOLA
Depois de longo período de ocupação colonial, depois de um período de dezasseis
anos de guerra civil, eis que Angola continua numa série de crises política, económica,
social e cultural, que afectaram directamente o ensino em Angola, na altura da
República Popular de Angola. Na esfera social, a situação é lastimável; não há uma
estratificação social estável e coesa para se determinar que tipo de sociedade é a nossa,
porque as instituições básicas da própria sociedade degradaram-se lentamente, como é o
caso da família e da escola.

Na esfera política, sabemos que desde 1991, entrou o regime da democracia


representativa e multipartidária, que a princípio é bastante louvável se o povo já possui
uma experiência e uma consciência política-democrática à altura da exigência desde
tipo de sistema8.

Na esfera económica o sistema vigente é o capitalismo liberal. Este é um sistema


que não estava a altura para ser aplicado em Angola, tendo em conta que a sociedade
angolana em si não estava nem está preparada para tal porque nem o antigo regime que

7
https//pt.m.wikipedia.org/wiki/filosofia_da_educação.
8

3
foi o comunismo, foi bem compreendido e implantado. Logo depois surge o capitalismo
que ficou mal concebido tanto pelos que dirigem como pelos que são dirigidos.

DO FILOSOFAR SOBRE A SOCIEDADE ANGOLANA


Queremos apresentar o papel que o filosofar exerce sobre a sociedade,
particularmente em Angola. Ao longo desta descrição falaremos do contexto sócio-
político, económico e cultural, tendo em conta que, é ele que determina o tipo de
sociedade, de mentalidade, de estado. 9

Sabemos que entre outras condições para promoção do pensamento filosófico e não
só, é necessário um certo nível de liberdade que carrega consigo todos aqueles
adjectivos qualificativos que fazem com que ela seja verdadeiramente liberdade, como é
a liberdade de expressão, pensamento, opinião, de circulação e de manifestação. Vamos
fazer menção a educação como alcance ou inspiração filosófica dos angolanos e a
questão complexa da verdade em Angola como tem sido vivida e testemunhada e vivida
pelos seus povos.

Não se pode negar que a escola surgiu como resposta às necessidades sociais, como
continuidade da educação de base, como complemento daquilo que recebemos em casa,
como formação do homem para com a sociedade, daí que a escola surgiu como resposta
de um chamado ensino sistematizado, portanto este ensino sistematizado que tem como
fim último formar o homem para o âmbito social. A educação escolar surge como
segundo agente da educação, e é enquadrada na educação formal.

Ademais, a educação escolar, para Paulo freire, deve passar pela prática da
dialogicidade, que é essência da educação, como prática da liberdade. “O diálogo deve
ser também um elemento constitutivo, portanto, a escola busca e nos leva a surpreender,
nela, duas dimensões: a acção e reflexão, de tal forma solidária”.

Portanto a Filosofia em Angola é marcada por duas grandes épocas:

 Autonomia no pensar do angolano, que consiste na liberdade de expressão.


 Expansão da filosofia, que começou a fazer parte do currículo académico dos
angolanos.

A Filosofia em Angola contribuiu muito na mudança da mentalidade dos angolanos,


porque antigamente a filosofia era considerada como um saber restrito, por isso não era
ensinada nas outras escolas excepto no seminário e na academia militar. Hoje, já se
pode notar claramente que a expansão da filosofia tem trazido muito desenvolvimento
nos diferentes sectores da vida humana, de modo peculiar na educação que consiste na
formação de uma consciência racional; capaz dar soluções aos problemas.

9
Cfr. SISSIMO, Alberto. Op. Cit. pag.36

4
BIBLIOGRAFIA
MONDIN Battista, introdução à filosofia. 7 edição. S. Paulo, 1989.

OLIVEIRA Ana Maria de Angola e a expressão cultural material,


edição escher, 1 edição lisboa, 1989.

AAVV, a voz de angola clamando no deserto, edição 70,3 edição,


lisboa 1991.

PILETT claudino e pilett nelson, filosofia e história da educação,


editora ática, 10 edição, s. Paulo, 1993.

AAVV, introdução ao pensamento filosófico, edição loyola, 4 edição


revista e ampliada, s. Paulo, 1990.

SISSIMO, Alberto Necessidade de Promover o Pensamento Filosófico em


Angola. Trabalho Final de Pesquisa Filosofia. Seminário Maior Arquidiocesano de
Luanda Sagrado Coração de Jesus.

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