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UNIVERSIDADE EDUARDO MONDLANE

Curso de Engenharia Civil

HIDROLOGIA
Capítulo 8 – Água subterrânea

11
Importância da água subterrânea
l Grandes reservas, menor variabilidade
temporal, grande extensão geográfica
l Importante para o abastecimento doméstico,
sobretudo rural (em Moçambique: cidades de
Xai-Xai,
Xai, Chokwè, Tete, Quelimane, Pemba)
l Importante em problemas de construção
(fundações, estabilidade de taludes, drenagem
de fossas sépticas e aterros sanitários,
infiltração de águas pluviais na origem)

2
Comparação com água superficial
l Beneficia de filtragem natural, melhor qualidade
l Menos evaporação
l Estende-se
se por áreas geográficas mais vastas
l Acesso mais difícil
l Estudos mais complexos
l Caudais mais pequenos

3
Definições e conceitos fundamentais
l Geohidrologia vs Hidrogeologia
l Zonas de aeração (não saturada) e de
saturação (saturada)
l Lençol / toalha / nível freático
l Aquífero / aquicludo / aquitardo
l Tipos de aquíferos:
- Confinado
- Semi-confinado
- Freático
- suspenso
4
Tipos de aquíferos

5
Características dos aquíferos
l Armazenamento de água
- Porosidade n: primária e secundária
l Diminui com o aumento do diâmetro das partículas
l Diminui com a compactação do solo

6
Porosidade
Tipo de rocha Porosidade primária Porosidade Porosidade secundária
(predominante) primaria e (predominante)
secundária
Rochas ígneas rocha meteorizada granito, diorito, gabro
intrusivas
(plutónicas)
Rochas ígneas cinza, ejecções tufo vulcânico, riolito, basalto, andesito
extrusivas vulcânicas escória, pomes
(vulcânicas)
Rochas quartzito, gneisse, xisto,
metamórficas filito, micaxisto, mármore
Carbonatos calcário calcário, dolomite
oogénico,
calcário oolítico,
grés calcário

Outras rochas argilito, grés,


sedimentares conglomerado,
ardósia, brechia
Formações não argila, silte, areia,
consolidadas areão

7
Porosidade
Material Porosidade (%)
areão grosseiro 25 - 35
areão fino 25 - 40
areia grossa 30 - 40
areia fina 25 - 50
Silte 35 - 50
Argila 40 - 60
Grés 5 - 30
Calcário 0 - 35
Dolomite 0 - 20
calcário carsificado 5 - 50
xisto argiloso 0 - 15
rocha cristalina fracturada 0 - 10
rocha cristalina compacta 0-5
Basalto 3 - 35
8
granito meteorizado 35 - 55
Características dos aquíferos
l Armazenamento de água
- Rendimento específico ou cedência específica
Sy:relação
relação entre o volume de água drenada por
gravidade num solo inicialmente saturado e o
volume total do solo
- Retenção específica r = capacidade de campo
- n = r + Sy
- Argila: grande porosidade mas baixo rendimento
específico

9
Rendimento específico
Material Rendimento específico
(%)
areão grosseiro 22 - 23
areão médio 23 - 24
areão fino 25
areia grossa 27
areia média 26 - 28
areia fina 21 - 23
silte 8
argila arenosa 7
argila 2-3
grés 21 - 27
10
calcário 14
Relação entre porosidade, rendimento
específico e retenção específica

11
Características dos aquíferos
l Armazenamento de água
- Armazenamento específico Ss: volume de água
libertado por unidade de volume do aquífero para
um abaixamento unitário da altura piezométrica
- Coeficiente de armazenamento S: volume de água
libertado por uma coluna de aquífero de secção
transversal unitária para um abaixamento unitário
da altura piezométrica
- S = h x Ss, no caso dum aquífero confinado, sendo
h a espessura do aquífero
- S = h x Ss + Sy,, no caso dum aquífero freático,
sendo h a espessura saturada do aquífero
12
Características dos aquíferos
l Condutividade da água
- Permeabilidade ou condutividade hidráulica K:
capacidade do aquífero de escoar água
subterrânea.. Determinação de K através de
ensaios de bombagem
- Transmissividade T: produto da permeabilidade K
pela espessura do aquífero H
- Resistência hidráulica c dum aquitardo (camada
semi-permeável):
permeável): c = H / K

13
Permeabilidade
Material Permeabilidade
(m/dia)
Areão 100 - 1000
Areia grossa 20 - 100
Areia média 5 - 20
Areia fina 1-5
Silte 0,1 - 1
Argila (superfície) 0,01 - 0,2
Argila (profunda) 10-8 - 0,1
Grés 0,2 - 3
Calcário 1
Dolomite 0,001
Basalto 0,01
Granito meteorizado 1,5
14
Granito não meteorizado 0,2
Permeâmetro

15
Características dos aquíferos
l Homogeneidade – características não variam
de ponto para ponto
l Isotropia – características não variam com a
orientação à volta de um ponto

16
Homogeneidade e isotropia

17
Recarga e ressurgência
l Recarga R: fracção da precipitação que se
infiltra e percola até ao lençol freático.
freático Depende
de:
- características da zona superficial não saturada
- zona de recarga
- forma como ocorre a precipitação
l Fontes de recarga: precipitação, rios e lagos,
irrigação
l Recarga anual média é fracção pequena da
precipitação anual média (menos de 20%)
l Rendimento seguro – 40-80%
40 da recarga
18
Recarga e ressurgência
l Em termos médios, recarga é igual à saída
(para um rio, lago, fonte ou oceano ou para a
atmosfera por evaporação em aquíferos perto
da superfície do terreno)
l Extracção de água do aquífero diminui a
descarga (exº caudal do rio Incomati em
Marracuene)
l Não contar duas vezes a mesma água
l Ressurgência - água que sobe de um aquífero
para os estratos superficiais
19
Ocorrência de água subterrânea
l Rochas ígneas e metamórficas – aquíferos
fracos, permeabilidade e porosidade muito
baixas, zonas de fracturação e falhas
(porosidade secundária)
l Rochas sedimentares – aquíferos com
características variadas, bons aquíferos em
calcários e dolomitos carsificados
l Sedimentos – contêm a maior parte dos
aquíferos, sobretudo com formações de areia e
areão.
20
Rocha ígnea ou metamórfica

21
Hidráulica do escoamento
subterrâneo
l Baseia-se
se na lei de Darcy e na equação da
continuidade
l Lei de Darcy: O escoamento da água através
dum meio poroso saturado homogéneo e
isotrópico é proporcional ao gradiente hidráulico
j1 - j 2
v=K
L

22
Ilustração da lei de Darcy

23
Lei de Darcy
l Velocidade do escoamento subterrâneo é muito
baixa, componente cinética pode ser
desprezada, carga φ = cota piezométrica
l (φ2- φ1)/L – gradiente hidráulico i
l v=-Ki
l K – permeabilidade (m/dia)
l v – velocidade aparente de filtração
l Lei de Darcy é válida porque o escoamento se
processa em regime laminar
24
Lei de Darcy
l q = - K H i – caudal específico (caudal por
metro de largura)
v x = -K x i x

l Expressões similares nas direcções y, z


(aquífero isotrópico: Kx = Ky = Kz = K)
l Escoamento em meio estratificado:
- Na direcção perpendicular ao fluxo
- Na direcção paralela ao fluxo
25
26
Estratificação em direcção
perpendicular ao fluxo
- caudal e velocidade iguais em todas as camadas
atravessadas
- para cada camada j v = - K j i j = - K j Dh j H j
Þ Dh j = - v H j K j

- perda de carga total do escoamento ao atravessar


as várias camadas
Dh = å Dh j = - v å ( H j / K j )
j j

v = - K eq i = - K eq Dh / H = - K eq å Dh j / å H j
j j
H H
K eq = K v = =
åK
Hj åcj
j
j j
27
Estratificação em direcção
paralela ao fluxo
- Gradiente hidráulico igual em todas as camadas
atravessadas
- para cada camada j q j = - K j × H j × i = - K j × H j × Dh L

- Caudal total que atravessa as várias camadas


Dh
q = å q j = - å (K j H j )
L
åKj Hj
j j

Dh
q = - K eq å H j K eq = K h =
j
j L H

28
Escoamento em meio estratificado
l Na direcção perpendicular, resistência
hidráulica é igual à soma da resistência
hidráulica das camadas
l Na direcção paralela, transmissividade é igual à
soma das transmissividades das camadas
l Na direcção perpendicular, quase toda a perda
de carga dá-se
se nas camadas menos
permeáveis
l Na direcção paralela, quase todo o escoamento
atravessa pelas camadas mais permeáveis
29
Escoamento em meio estratificado
l Escoamento através da fundação de uma
barragem

30
Equação da continuidade

31
Equação da continuidade
l Caudal de entrada no aquífero - caudal de
saída = variação do volume armazenado por
unidade de tempo
l Variação lenta, regime permanente; apenas em
certos casos considerar regime variável
¶q x ¶q y ¶q z ¶j
+ + = Ss
¶x ¶y ¶z ¶t

l Ligando com a lei de Darcy (aquífero confinado


homogéneo anisotrópico)
¶ 2j ¶ 2j ¶ 2j
¶j
K x 2 + K y 2 + K z 2 = Ss
¶x ¶y ¶z ¶t 32
Equação geral do escoamento
subterrâneo, regime variável
l Aquífero freático homogéneo, espessura
saturada varia, sendo H espessura média
¶2h ¶ 2h ¶ 2 h S y ¶h
Kx 2 + Ky 2 + Kz 2 =
¶x ¶y ¶z H ¶t

l Equações não são integráveis analiticamente,


integração numérica (método dos elementos
finitos)
l Equações podem ser simplificadas para uma
série de casos particulares
33
Simplificações da equação geral,
aquífero confinado
l Meio homogéneo isotrópico, regime variável
¶ 2j ¶ 2j ¶ 2j ¶j
K ( + + ) = Ss
¶x 2 ¶y 2 ¶z 2 ¶t
l Meio homogéneo anisotrópico, regime
permanente ¶ 2j ¶ 2j ¶ 2j
Kx + Ky + Kz =0
¶x 2
¶y 2
¶z 2

l Meio homogéneo isotrópico, regime


permanente – eq. Laplace
¶ 2j ¶ 2j ¶ 2j
+ + = Ñ2j = 0
¶x 2 ¶y 2 ¶z 2

34
Simplificações da equação geral,
aquífero freático
l Meio homogéneo isotrópico, regime variável,
aquífero freático ¶ 2 h ¶ 2 h ¶ 2 h S y ¶h
+ + =
¶x 2
¶y 2
¶z 2
KH ¶t
l Meio homogéneo anisotrópico, regime
permanente, aquífero freático
¶ 2h ¶ 2h ¶ 2h
Kx 2 + Ky 2 + Kz 2 = 0
¶x ¶y ¶z
l Meio homogéneo isotrópico, regime
permanente, aquífero freático – eq. Laplace
¶2h ¶2h ¶2h
+ 2 + 2 =0
¶x 2
¶y ¶z
35
Escoamento bi-dimensional
bi
l Escoamento é bi-dimensional
dimensional se características do
aquífero e condições de fronteira se repetem em
planos paralelos (escoamento plano) ou em planos
todos concorrentes num mesmo eixo (escoamento
radial)
l Escoamento bi-dimensional
dimensional plano (homogéneo
isotrópico)
¶ 2j ¶ 2j
+ 2 =0
¶x 2
¶y
l Função potencial Ф e função de corrente Ψ - redes de
escoamento compostas por linhas equipotenciais (Ф
constante) e por linhas de corrente (Ψ constante)
que se cruzam perpendicularmente
36
Escoamento bi-dimensional
dimensional plano
F = -K ×j
®
v = grad F = ÑF
Ñ 2j = Ñ 2 F = 0
l Ф é uma função harmónica
® ¶ F ¶Y ® ¶F ¶Y
vx = = vy = =-
¶x ¶y ¶y ¶x
Ñ Y=0
2

l As duas funções são ortogonais em qualquer


ponto W = Ф + i Ψ (função de var. complexa)
37
Rede de fluxo

38
Rede de fluxo
DF F 2 - F 1 DY Y2 - Y1
vp = = vp = =
Ds Ds Dn Dn
Dn
Dq = v p Dn = (F 2 - F 1 ) = Y2 - Y1
Ds
l Δq é o mesmo entre sucessivas linhas de
corrente
l se nº linhas de corrente = s+1, caudal que
passa entre linhas de corrente adjacentes é
q
= K Dh
s 39
Construção duma rede de fluxo
l Desenhar limites do domínio do escoamento à mesma
escala horizontal e vertical;
l Traçar tentativamente três ou quatro linhas de
corrente, transição suave entre as linhas de corrente
limitantes do problema, distância entre linhas de
corrente adjacentes aumenta na direcção do maior
raio de curvatura;
l Traçar tentativamente as linhas equipotenciais, devem
cortar todas as linhas de corrente, incluindo as
limitantes, formando ângulos rectos e que devem
formar quadrados (excepto nas proximidades de
pontos singulares);
· Ajustar a posição das linhas de corrente e das
equipotenciais até se obter a correcta ortogonalidade
e a formação dos quadrados curvilíneos, num
procedimento de aproximações sucessivas;
40
· Atribuir valores a Φ e ψ.
Escoamento bidimensional radial
l Aquífero confinado homogéneo isotrópico
¶ 2j ¶ 2j ¶ 2j S ¶j
+ 2 + 2 =
¶x 2
¶y ¶z Kh ¶t
l Em coordenadas cilíndricas

1 ¶ ¶j ¶ 2j S ¶j
(r )+ 2 =
r ¶r ¶r ¶z Kh ¶t
l Em regime permanente, o 2º membro anula-se
anula
l Equação similar para aquifero freático
homogéneo isotrópico 1 ¶ ¶h ¶ 2 h S y ¶h
(r )+ =
r ¶r ¶r ¶z 2
KH ¶t 41
Escoamento plano num aquífero
confinado

42
Escoamento plano num aquífero
confinado
v = vx
¶ 2F d 2F
= =0
¶x 2
dx 2

dF
= c1
dx
F = c1 x + c 2 = - Kj
c1 c1
j =- x-
K K

43
Escoamento plano num aquífero
confinado
l Constantes c1, c2 determinadas a partir das
condições de fronteira
(j 2 - j1 )
j = j1 + x
L
j1 - j 2
v=K
L

j1 - j 2 j1 - j 2
q = vH = KH =T
L L

44
Escoamento plano num aquífero
confinado
l Linha piezométrica é uma recta
l Velocidade e caudal aumentam com a
permeabilidade
l Caudal aumenta com a espessura do aquífero

45
Escoamento radial num aquífero
confinado

46
Escoamento radial num aquífero
confinado
l Poço completo – apanha toda a espessura do
aquífero
l Escoamento radial dirigido da periferia para o centro
l Simetria radial, superfícies equipotenciais cilíndricas
concêntricas com o poço, linhas de corrente semi-
semi
rectas radiais
l Distância r do centro do poço, cota piezométrica φ <
φ0
l φ - φ0 = s - rebaixamento.
rebaixamento No poço (r = rp), cota
piezométrica = φp e rebaixamento = sp
l Caudal constante Q0 extraído do poço
47
Escoamento radial num aquífero
confinado
l Simetria radial, espessura constante:
escoamento unidireccional na direcção radial
1 d dj dj 1 j = c1 ln(r ) + c 2
(r ) =0 = c1
r dr dr dr r

l Constantes determinadas pelas condições de


fronteira
Q0 1 dj Q0 Q0
vr = - vr = - K c1 = =
2pH r dr 2p K H 2p T
Q0 Q0
j0 = ln(ro ) + c 2 Þ c2 = j 0 - ln(r0 )
2pT 2pT 48
Escoamento radial num aquífero
confinado
l Equação de Thiem Q0 æ r0 ö
j0 - j = s = lnç ÷
2p T è r ø

l Rebaixamento no poço
Q0 æ r0 ö
sp = lnç ÷
2p T çè rp ÷ø
l Curva característica do poço Q0 æ r1 ö
s p = s1 + lnç ÷
2p T çè rp ÷ø

l Ensaio de bombagem para determinar K


Q0 æ r2 ö
K= lnçç ÷÷
2pH ( s1 - s 2 ) è r1 ø 49
Ensaio de bombagem num aquífero
confinado

50
Poço de penetração parcial

51
Poço de penetração parcial
l Fórmula de TNO, dá o acréscimo do
rebaixamento

Q 1-d 4b
(s p ) p - s p = (ln - F (d , e ))
2p T d rp

l F(δ,ε) dada em tabela


l Fórmula de Schneebeli
Q r0 H 2l
(s p ) p = (ln + ln )
2p T 2H l rp 52
Valores de F(δ,ε)
F(

ε 0,00 0,05 0,10 0,15 0,20 0,25 0,30 0,35 0,40 0,45
δ
0.1 4,298 4,297 4,294 4,287 4,276
276 4,259 4,232 4,184 4,084 3,605
0.2 3,809 3,806 3,797 3,781 3,756
756 3,716 3,650 3,525 3,116
0.3 3,586 3,581 3,566 3,537 3,490
490 3,425 3,276 2,893
0.4 3,479 3,471 3,445 3,395 3,312
312 3,165 2,786
0.5 3,447 3,433 3,388 3,302 3,145
145 2,754
0.6 3,479 3,455 3,374 3,208 2,786
786
0.7 3,586 3,538 3,370 2,893
0.8 3,809 3,688 3,116
0.9 4,298 3,605

53
Campo de furos

54
Campo de furos
l Há interferência mútua dos furos
l Rebaixamento num ponto do aquífero, di =
distância do ponto ao furo i
1 n
æ r0 ö
s= å
2p T i =1
Qi lnçç ÷÷
è di ø

55
Escoamento subterrâneo em
aquíferos freáticos
l Análise mais complexa que em aquíferos
confinados: espessura do aquífero varia,
recarga
l Eq. Boussinesq (aquífero homogéneo
anisotrópico, regime permanente, com recarga
R) ¶ æ ¶h ö ¶ æ ¶h ö ¶ æ ¶h ö
Kx ç h ÷ + K y çç h ÷÷ + K z ç h ÷ + R = 0
¶x è ¶x ø ¶y è ¶y ø ¶z è ¶z ø
l Aquífero isotrópico e homogéneo
¶ h
2 2
¶ h
2 2
¶ h
2 2
2R
+ + + =0
¶x 2
¶y 2
¶z 2
K 56
Hipótese de Dupuit
l Numa secção transversal qualquer, a
distribuição de velocidades é uniforme;
l A componente vertical da velocidade em
qualquer ponto é desprezável, portanto vz = 0.
Isto não é válido em zonas do aquífero onde a
curvatura da toalha freática é acentuada como
acontece na vizinhança de valas ou poços para
onde se dá o escoamento.
l Equação de Dupuit-Forcheimer
Forcheimer
¶ 2 h 2 ¶ 2 h 2 2R
+ + =0
¶x 2
¶y 2
K 57
Hipótese de Dupuit

58
Escoamento plano num aquífero
freático sem recarga
d h
2 2
h = c1 x + c 2
2
=0
dx 2

condições de fronteira:
h = h0 para x = 0
h = h1 para x = L

h 2
- h 2
h 2 = h02 - 0 1
x
L
variação de h com x não é linear mas parabólica

59
Escoamento plano num aquífero
freático sem recarga
dh
v = vx = -K ×
dx
q = q x = v x × h = cte

1 dh
q=- K =
( )
K 2 2
h0 - h12
( )
2 dx 2L

60
Escoamento plano num aquífero
freático com recarga

61
Escoamento plano num aquífero
freático com recarga
d 2 h 2 2R R 2
+ =0 h = - x + c1 x + c 2
2

dx 2
K K
dh 2 R x - c1 K
v = vx = -K × =
dx 2h
2 R x - c1 K
q = vh =
2

condições de fronteira:
x = 0, q = 0
x = L/2, h = h1
62
Escoamento plano num aquífero
freático com recarga
c1 = 0
q = R × x
æ
R çæ L ö
2
ö
h 2
= h1
2
+ ç ÷ - x 2 ÷
K çè è 2 ø ÷
ø
RL 2
hmax = h1 +
2 2

4K
RL
q=
2
63
Escoamento plano num aquífero
freático com recarga
l Como se resolve o problema anterior, se o nível
de água não for o mesmo nas duas valas?

64
Escoamento radial num aquífero
freático com recarga

65
Escoamento radial num aquífero
freático

66
Escoamento radial num aquífero
freático
Equação de Dupuit-Forcheimer
Forcheimer para escoamento radial

1 d æ dh ö R
çr ÷+ = 0
r dr è dr ø K
Condições de fronteira:
h = h0 para r = r0
Q = Q0 – π r2 R em qualquer superfície equipotencial

Superfície equipotencial – sup cilíndrica concêntrica


com o furo

h =h +
2 2
0
Q0 r
ln( ) +
pK r0 2 K
R 2
(
r0 - r 2 )
67
Escoamento radial num aquífero
freático
l Valor de r0 (linha de separação das águas):
Q=0
Q0
Q0 - p × r × R = 0 Þ r0 =
2

Rp
0

l Se não houver recarga, r0 = ∞

68
Permeabilidade por ensaio de
bombagem
l Precaução: não haver recarga

69
Permeabilidade por ensaio de
bombagem
Q0 æ r0 ö
s1 = h0 - h1 h -h =
2 2
lnçç ÷÷
0 1
pK è r1 ø
s 2 = h0 - h2
Q0 æ r0 ö
h -h =
2 2
lnçç ÷÷
0 2
pK è r2 ø
Q0 æ r1 ö
Þ h -h =
2 2
lnçç ÷÷
1
pK è r2 ø
2

Q0 æ r1 ö
K= ç ÷
( ln
)
p h12 - h22 çè r2 ÷ø
70
Curva característica do poço
Rebaixamento no poço sp s p = h0 - h p
Q0 æ r0 ö
lnç ÷ Curva característica
sp =
pK (h0 + h p ) çè rp ÷
ø
do poço

Caudal específico qe – caudal por unidade de


rebaixamento
Q æ rp ö
= q e = pK (2h0 - s p )lnçç ÷÷
sp è r0 ø
æ rp ö
s p = h0 Þ Q = Qmax Þ Qmax = pKh lnçç
2
0
÷÷
è r0 ø 71
Caudal máximo de um furo num
aquífero freático
Q s p (2h0 - s p ) (h - h p )(h0 + h p ) h p2 hp Q
= = =1- Þ = 1-
0

Qmax h2
0 h 2
0 h 2
0 h0 Qmax

rebaixamento sp entre 0,5h0 e 0,75h0


Q entre 0,75 e 0,94 de Qmax

72
Situações particulares
l Pequenos rebaixamentos e numa zona
afastada do poço

( )( )
h - h = h0 - h h0 + h » s × 2h0 Þ s =
2 2 Q æ r0 ö
lnç ÷
2pKh0 è r ø
0

l Grandes rebaixamentos no poço, correcção


dada pela fórmula de Jacobs
s 2
p
s = sp -
'
p
2h0
73
Intrusão salina em aquíferos
costeiros
l Exploração deve ser cuidadosa, atender ao
interface água doce – água salgada
l Exploração excessiva pode originar intrusão
salina (exº aquífero de Chuíba em Pemba)
l Recuperação de um aquífero contaminado
demora muito tempo por causa do longo tempo
de residência
l Interface é estacionária em termos médios;
pequena espessura, pode ser considerada uma
transição brusca
74
Teoria de Ghyben-Herzberg
Ghyben
l Hipóteses:
- o escoamento da água doce é horizontal;
- não existe escoamento da água salgada;
- interface entre os dois tipos de água é uma
superfície, não existindo uma zona de mistura.
l Verifica-se
se que a interface aparece a uma
profundidade de cerca de 40 vezes a altura da
toalha freática acima do nível do mar

75
Teoria de Ghyben-Herzberg
Ghyben

76
Teoria de Ghyben-Herzberg
Ghyben
l Equilíbrio hidrostático num ponto genérico da
interface
(h + z )r d g = zr s g
rd
z= h » 40h
(r s - r d )
1 rs - rd z 2
q= K Caudal que se escoa para
2 rd x o oceano por metro de costa

77
Teoria de Ghyben-Herzberg
Ghyben
l Limitações da teoria
- Não descreve correctamente o afloramento do
aquífero no mar
- Há aceleração do escoamento
- Há componente vertical do escoamento
l Escoamento processa--se através de uma faixa,
não de um ponto
l Nível freático próximo da linha de costa tem de
ser superior ao previsto pela teoria
78
Problemas de exploração de
aquíferos costeiros

79
Problemas de exploração em ilhas
marítimas

80
Problemas de exploração em ilhas
marítimas
l Escoamento para o mar Qr = p r 2 R
l Conjugando com a teoria de Ghyben-Herzberg
Ghyben
dz ( rs - rd )
Þ Qr = -2p r K (g z + z )g g =
dr rd
l Por integração e considerando a condição de
fronteira h = 0, z = 0 para x = r0

Þz =2 (
R r0 - r
2 2
)
2 K (1 + g )g
81
Problemas de exploração em ilhas
marítimas
l Profundidade de interface é função de:
- Recarga
- Permeabilidade
- Tamanho da ilha
l Muitas vezes, permeabilidade é alta (calcário,
areia), interface pouco profunda

82

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