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TATIANE VIEIRA DO ESPÍRITO SANTO

TRABALHO REMOTO EMERGENTE E A PANDEMIA COVID – 19:


Combinação do trabalho remoto com o presencial

Prof.º Dr. Paulo Roberto de Mendonça Motta - Coordenador Acadêmico

Me. Carlos Roberto Buzetto, Ph.D. - Professor Orientador do TCC

Trabalho de Conclusão de Curso apresentado ao curso Pós-Graduação lato sensu MBA em


Liderança Inovadora, Nível de Especialização, do Programa FGV In Company requisito para
a obtenção do título de Especialista

TURMA 12

RIO DE JANEIRO – RJ

2020
O Trabalho de Conclusão de Curso

TRABALHO REMOTO EMERGENCIAL E A PANDEMIA COVID – 19

Elaborado por Tatiane Vieira do Espírito Santo e aprovado pela Coordenação Acadêmica foi
aceito como pré-requisito para obtenção do MBA em Liderança Inovadora - Curso de Pós-
Graduação lato sensu, Nível de Especialização, do Programa FGV In Company.

Data da aprovação: _____ de ________________de __________

________________________________________

Coordenador Acadêmico: Prof.º Dr. Paulo Roberto de Mendonça Motta

_______________________________________

Prof.º Orientador: Me. Carlos Roberto Buzetto, Ph.D.


TERMO DE COMPROMISSO

A aluna Tatiane Vieira do Espírito Santo, abaixo-assinado, do Curso MBA Executivo:


Liderança Inovadora, do Programa FGV In Company, realizado no período de agosto de 2018
a dezembro de 2020, declara que o conteúdo do trabalho de conclusão de curso, elaborado em
conjunto com Daniele Cristina Sanaiotti Magalhães, Ligiany Soares Cardoso e Rafael Antonio
Garcia Kondo é autêntico e original. Declara, ainda, que o Capítulo 4 é autêntico e original e
de sua autoria exclusiva.

Rio de Janeiro, 02 de novembro de 2020.

Tatiane Vieira do Espírito Santo


Dedico esta pesquisa à minha dog Lola, por estar
em todos meus momentos como companheira fiel,
e que tanto ouve todos os meus queixares.
AGRADECIMENTOS

Sou grata a todos que de alguma forma, direta ou indiretamente participaram da realização deste
projeto de estudo.
RESUMO

Com o aparecimento do novo Coronavírus, causador da doença COVID-19, no final do ano de


2019 e sua rápida disseminação, uma pandemia logo impactou a organização do trabalho.
Devido à pertencerem ao grupo de risco, milhares de funcionários foram destacados para o
trabalho remoto, numa inovação organizacional repentina e excepcional. Neste trabalho
percorremos uma linha desde o início da transformação digital até a pulverização do trabalho
remoto, e sobre as habilidades necessárias para que a adaptação a ele seja a mais proveitosa e
produtiva possível. A partir de pesquisa com os funcionários do Banco MBA1 diagnosticamos
a percepção dos mesmos a respeito do trabalho remoto, para o qual foram destacados com a
disseminação da pandemia. Em face do resultado da pesquisa, procuramos apresentar
estratégias que possam ser adotadas pelo Banco MBA para melhor administrar os impactos que
o trabalho remoto trouxe aos seus funcionários. Uma dessas estratégias é a proposta de
combinação do trabalho remoto com o presencial cujo qual acredito que, proporcionará maior
lida com a realidade atual e os possíveis cenários para durante e depois da pandemia, dotado de
meios fáceis de mapeamento das tarefas a serem exercidas. Visto assim, a proposta trará mais
qualidade de vida aos funcionários, aumentará sua produtividade e acrescentará atrativos à
imagem do Banco.

Palavras chave: Organização do trabalho. Pandemia. Trabalho remoto. Trabalho presencial.

1
Nome fictício
ABSTRACT

With the appearance of the new Coronavirus, which causes the disease COVID-19, at the end
of 2019 and its rapid spread, a pandemic soon impacted the organization of work. Due to
belonging to the risk group, thousands of employees were assigned to remote work, in a sudden
and exceptional organizational innovation. In this work, we cover a line from the beginning of
digital transformation to the spreading of remote work, and on the skills necessary for the
adaptation to it to be as profitable and productive as possible. Based on a survey with Banco
MBA employees, we diagnosed their perception of remote work, for which they were
highlighted with the spread of the pandemic. In view of the research results, we seek to present
strategies that can be adopted by Banco MBA to better manage the impacts that remote work
has brought to its employees. One of these strategies is the proposal to combine remote work
with face-to-face work, which I believe will provide a better deal with the current reality and
possible scenarios for during and after the pandemic, with easy means of mapping the tasks to
be performed. Seen in this way, the proposal will bring more quality of life to employees,
increase their productivity and add attractions to the Bank's image.

Keywords: Work organization. Pandemic. Remote work. Face-to-face work.


SUMÁRIO

1 INTRODUÇÃO................................................................................................................... 09
1.1 Contextualização................................................................................................... 09
1.2 Objetivos............................................................................................................... 10
1.2.1 Objetivo geral........................................................................................ 10
1.2.2 Objetivos específicos............................................................................ 10
1.3 Justificativa........................................................................................................... 10
2 REFERENCIAL TEÓRICO................................................................................................ 12
2.1. Transformações universais no mundo do trabalho............................................... 12
2.2 A Pandemia e o mundo do trabalho...................................................................... 14
2.3 Novas dinâmicas e novos “espaços de trabalho”.................................................. 15
2.3.1 Técnicas de aprendizagem rotineiras de progressão e estudo................ 16
2.3.2 Gerenciamento do tempo....................................................................... 16
2.3.3 Administração das tarefas....................................................................... 20
2.3.4 Gerenciamento de energia...................................................................... 20
2.3.5 Concentração e foco............................................................................... 22
2.4 Transformação digital........................................................................................... 22
2.5.Adaptação em momentos de crise........................................................................ 23
3 DIAGNÓSTICO ................................................................................................................ 27
4 PROPOSTA DE COMBINAÇÃO DO TRABALHO REMOTO COM O
PRESENCIAL........................................................................................................................ 30
4.1 Escopo................................................................................................................... 30
4.2 Cronograma.......................................................................................................... 36
4.3 Orçamento............................................................................................................ 36
4.4 Matriz de Responsabilidades............................................................................... 37
4.5 Resultados esperados........................................................................................... 37
CONSIDERAÇÕES FINAIS................................................................................................ 38
REFERÊNCIAS..................................................................................................................... 40
9

1 INTRODUÇÃO

1.1 Contextualização

Partindo de fatos noticiados ao final do ano de 2019, casos de um novo coronavírus,


causador da doença Covid-19 foram registrados na China, causando milhares de mortes e
isolamento na cidade de origem do vírus, Wuhan. Antes, uma epidemia localizada, rapidamente
passou a ser considerada uma pandemia, acometendo a nível mundial a disseminação viral.
Ainda que viagens internacionais, trocas comerciais e aglomerações eram muito
frequentes no período, com a escalada das contaminações e o aumento exponencial de mortes,
muitos países passaram a seguir as estratégias adotadas pela cidade de Wuhan, com vistas à
prevenção ao contágio. A prática adotada de isolamento social foi a forma de mais adequação
para achatar a curva de crescimento de pessoas infectadas, mortes em decorrência da doença e
preocupação com o número de leitos disponíveis para estes casos em hospitais públicos e
privados. Empresas decretaram fechamento por tempo indeterminado, exceto serviços
essenciais.
Bancos são considerados serviços essenciais, de acordo com inciso LI do parágrafo § 1º
do Art. 3º do Decreto 10.282, de 20 de março de 2020 (2020). Apesar de algumas agências
bancárias permanecerem abertas, muitos funcionários passaram a prestar serviço por trabalho
remoto, através de uso do serviço de VPN (Rede Virtual Privada), com seus computadores
pessoais ou os notebooks de uso dentro da empresa.
As agências que mantiveram o atendimento ao público, passaram a contar com máscaras
modelo Face Shield, divisórias de acrílico para separar os atendentes de caixa operacional do
público e contratação emergencial de álcool gel 70%. Todas estas ações foram emergenciais,
não previstas nos procedimentos anteriores à crise.
O chamado grupo de risco inclui idosos, gestantes e pessoas com doenças pré-
existentes, como hipertensão, diabetes e asma. Nos setores internos, mesmo não havendo
contato com o público, muitos funcionários foram migrados para o trabalho remoto ou tiveram
suas férias antecipadas por fazerem parte do grupo de risco ou residirem com alguém deste
grupo.
O trabalho remoto, mesmo antes da pandemia, já vinha sendo adotado por algumas
empresas ao redor do mundo, como uma espécie de ensaio para o futuro. Para alguns
especialistas, o trabalho remoto será comum e necessário em um futuro próximo, para outros,
a presença física no local de trabalho é insubstituível.
10

No caso das instituições financeiras, com a bancarização e a digitização cada vez


maiores, a presença física dos clientes fica cada vez menos necessária. Porém o distanciamento
físico dos próprios funcionários ainda gera discussões e abre o debate sobre sua eficiência e
produtividade.
Sendo assim, o presente estudo busca responder ao seguinte questionamento: Que
estratégias podem ser adotadas pelo Banco MBA para melhor administrar os impactos que o
trabalho remoto trouxe aos seus funcionários?

1.2 Objetivos

Objetivo geral
 Apresentar estratégias que possam ser adotadas pelo Banco MBA para melhor
administrar os impactos que o trabalho remoto trouxe aos seus funcionários.

Objetivos específicos
 Levantar quais foram as dificuldades encontradas pelos colaboradores lotados
nas diversas dependências do Banco para a execução de seus serviços.

 Encontrar soluções que possam sanar os obstáculos e adversidades, visando a


manutenção dos empregos, entrega dos resultados e satisfação de todos os stakeholders.

 Indicar estratégias de enfrentamento da situação e utilização do trabalho remoto


com vistas a minimizar seus efeitos em todas as áreas do banco, sejam nas agências de
atendimento ou sejam nas áreas internas da Instituição.

1.3. Justificativa

A análise que aqui se apresenta mostra-se extremamente pertinente e atual para a


realidade que estamos enfrentando neste momento. A pandemia de Covid 19 trouxe uma nova
realidade a nível global. Com ela, tendências futuras passaram a ser necessárias hoje, servindo
como um tubo de ensaio. A partir desta experiência, apresenta-se oportunidade para
estruturação de novas formas de se lidar com o trabalho remoto e seus derivados, como home-
office e in-company.
Sem dúvida, o maior benefício do trabalho remoto é a qualidade de vida, afinal não há
11

interferência de fatores externos na rotina de tarefas e isso faz com que haja um melhor
direcionamento do tempo, melhorando qualidade e conteúdo.
Levando em consideração que nos encontramos num mundo VUCA (Volátil, Incerto,
Complexo e Ambíguo), onde adaptação laboral é a qualidade mais valorizada
profissionalmente, pretendemos discutir os impactos gerados pelo isolamento e trabalho
remoto, tanto nos funcionários como nos clientes internos e externos.
A relevância do tema para o Banco MBA é justificada pelo fato de que uma nova forma
de trabalho deverá ser pensada imediatamente. O mundo não será mais como era antes e nossas
propostas aparecem como solução de sobrevivência no mercado bancário.
Por meio de pesquisas, buscaremos entender as dificuldades, benefícios e insights que
houveram aos colaboradores, a partir dessa experiência única, o isolamento social repentino.
12

2 REFERENCIAL TEÓRICO

2.1 Transformações universais no mundo do trabalho

A dinâmica de trabalho que conhecemos hoje promete passar por uma profunda
revolução nos próximos anos. Antes mesmo do enfrentamento da COVID-19, as tendências de
grandes mudanças futuras já se fortaleciam.
Maior concorrência no mercado de trabalho, mudança contínua das carreiras e das
empresas, modificação e aprendizado das rotinas com maior frequência e flexibilidade na carga
horária são algumas das mudanças que muito provavelmente movimentarão as relações
trabalhistas e os mercados em um futuro bem próximo.
Mudanças no mercado de trabalho e na forma de trabalhar sempre foram esperadas,
porém, destaca-se a rapidez com que essas transformações vêm acontecendo por conta do
desenvolvimento tecnológico e científico.
Os executivos, hoje, têm um grande desafio pela frente: absorver novas demandas de
forma dinâmica, adaptar-se às novas maneiras de se fazer negócios e dedicar atenção especial
na continuidade do aprendizado.
Segundo Stephen Edgell,

“O aumento da quantidade de trabalhadores no setor de serviços, a necessidade de


interação com clientes, aspectos emocionais envolvidos nessa interação, além de
questões de estilo e estética, levaram a denominar esse novo tipo de trabalhador como
profissional do conhecimento, empreendedor de si e de suas tarefas”. (EDGELL, 2012
apud PWC, 2014, p. 11).

“Com alguma controvérsia, esse tipo de trabalho também tem sido chamado de
imaterial” (LESSA, 2009 apud PWC, 2014, p.11). Atenta-se assim que para Lessa, o trabalho
intelectual (imaterial), a apropriação do saber entorno de agentes sociais emergentes, colocam-
se na parte do trabalho improdutivo, mesmo que ainda produzam mais valia.
Segundo Blyton e Jenkins;

“Ele envolve um trabalhador com múltiplas habilidades e capacidades intelectuais em


detrimento da força física. Esse profissional usa as novas tecnologias e acompanha
seu ritmo acelerado de evolução, além de ser flexível para organizar serviços
customizados” (BLYTON; JENKINS, 2007 apud PWC, 2014, p. 11).

A seguir, como transformações previstas, podemos destacar:


13

 Maior concorrência no mercado de trabalho


As organizações tendem a serem mais seletivas com os candidatos que melhor se
encaixarem no propósito da empresa e no perfil da vaga oferecida, sem se importar com
questões como orientação sexual, classe social ou distância do local de trabalho.
Estas seleções serão mais criteriosas e levarão em conta o conhecimento técnico. Outra
questão a ser considerada é a disputa com sistemas de inteligência artificial ou robôs, pois
futuramente grande parte das tarefas hoje atribuídas a seres humanos serão executadas por eles.

 Perfil multi-carreira
Os avanços científicos e tecnológicos permitirão que os profissionais busquem
oportunidades e projetos que sejam compatíveis com seu perfil. Assim, serão mais comuns e
frequentes as trocas de emprego. Isso exigirá das organizações a implantação de novas táticas
de adaptação para que consigam manter os melhores profissionais em seu quadro de
colaboradores.

 Estudo e qualificação constantes


Para que sejam disputados pelas empresas e manterem-se relevantes nos bancos de
talentos, os profissionais deverão estudar e se qualificar com mais frequência. Cursos online e
certificações internas tomarão o lugar de grande parte dos cursos presenciais, refletindo o
dinamismo que o mundo dos negócios exigirá.

 Nova definição de escritório


No futuro, a mobilidade será uma realidade. Trabalhar de qualquer lugar fará parte do
cotidiano da vida dos colaboradores. Isso permitirá que viagens importantes possam ser
realizadas sem comprometer o desempenho profissional. Além disso, permitirá a redução de
gastos para as empresas e a expansão da dinâmica de trabalho do profissional.
Videoconferências e coworking serão importantes facilitadores para o escritório itinerante.

 Extinção das oito horas de trabalho


Carga horária menor, flexibilidade na entrada/saída do trabalho e redução da jornada
serão aspectos importantes na escolha do local de trabalho pelos profissionais do futuro, pois
para ele a presença física pelo período de oito horas dentro da empresa será de certa forma,
inadequada. Qualidade de vida pesará bastante no momento da escolha.
14

 Aspectos tecnológicos
A tecnologia já é uma realidade. Profissionais que tenham conhecimento e saibam
utilizar os recursos na velocidade com que os avanços tecnológicos surjam, serão priorizados
na concorrência por uma posição no mercado de trabalho. Haverá uma relação profunda entre
automação e fator humano dentro das organizações.

 Globalização da economia
Há pouco tempo atrás, globalização era uma aspiração da humanidade para o futuro.
Hoje, quando o assunto é negócio e emprego, praticamente não existem mais os entraves da
limitação geográfica. E-commerce, rotas comerciais e costumer experience surgem como
formas rápidas e interativas na realização de negócios e entrega de produtos em todo o planeta.

 Profissões do futuro
Alguns postos de trabalho e funções de carreira encontram-se em constante mudança,
mesmo que ainda não tenham sido criadas. Pode soar estranho, mas o avanço da tecnologia e
da ciência permite a afirmação, pois alteram constantemente o perfil de profissões que ainda se
encontram em desenvolvimento. Grande parte das nossas crianças exercerão profissões que
ainda não foram criadas.

2.2 A Pandemia e o mundo do trabalho

Até aqui, tratamos de uma análise do futuro do trabalho de uma maneira geral. Porém,
a crise sanitária que o Coronavírus causou em escala global também nos traz algumas
perspectivas.
O surto da COVID-19 pelo planeta fez com que milhões de vagas no mercado de
trabalho fossem fechadas. Escancarou-se as necessidades das pessoas que trabalham no
mercado informal e para aqueles que conseguiram manter seus empregos, a transformação veio
em forma de home-office como obrigação, e não como benefício. A forma de se trabalhar e
produzir nunca havia sofrido tamanha mudança em toda a história, de forma universal e
massiva, como sofreu por conta da pandemia.
Diante desta desventura, fomos confinados para refletirmos sobre nossas vidas, admitir
que temos privilégios (como possuir um emprego e uma casa), reavaliarmos a relação que
fazemos entre família, tempo e trabalho e que não estamos sozinhos, pois o mundo todo está
passando por isso.
15

No início dos primeiros dias de isolamento, pudemos perceber desafios explícitos que
já eram realidade em grande parte das empresas: decisões tomadas sem clareza, ruídos na
comunicação, problemas de colaboração, serviços e produtos sem compatibilidade com os
negócios digitais.
É fácil descobrir na internet, em tom bem-humorado, que o que acelerou a
transformação digital foi o Coronavírus, e não o corpo executivo, conselhos das empresas, ou
as necessidades dos clientes. Estamos no meio de uma pandemia e apenas ao fim dela
saberemos os quão verdadeiros terão sido os memes da Internet. Porém o fim, o balanço real
disso tudo, parece estar ainda bem longe.
Em meio a todo este transtorno estão as pessoas, simplesmente querendo, ou precisando,
trabalhar. Algumas se sentem mais produtivas, mais focadas e trabalham ainda mais em home-
office do que antes, no escritório.
Percebe-se assim, que o grande problema de misturar vida pessoal com profissional vai
ganhando outra conotação. Passar mais tempo com os filhos, ganhar o tempo antes perdido no
trânsito e reuniões virtuais mais curtas e objetivas são grandes atrativos.
Todos nós, trabalhadores, empresários e profissionais aguardamos pelo fim dessa
catástrofe. Porém, o horizonte parece não estar bem definido. Assim, podemos vislumbrar
algumas perspectivas.

2.3 Novas dinâmicas e novos espaços de trabalho

Dois aspectos foram fortemente modificados na nossa forma atual de trabalho: as


ferramentas de trabalho e os nossos comportamentos e atitudes.
Para que o trabalho no home-office seja realmente efetivo, muitos softwares de criação,
gestão, colaboração e organização vêm sendo utilizados de forma amplamente massificada.
Tendo como exemplo, Google Suite, Notion, Matrix, Slack, Zoom, Miro, Microsoft
Teams, Loom, etc., cada software com uma finalidade diferente. Porém, criar essa rotina onde
os softwares interagem entre si no home office é fundamental, afinal este é o seu novo
escritório, pelo menos por enquanto. Essa flexibilização do trabalho também “desafia processos
de interação e ritualização, como reuniões, conferências, entrevistas e até interações sociais,
muito comuns nas organizações como símbolos de pertencimento”. (LAWRENCE e CORWIN,
2003, apud PWC, 2014, p. 21).
16

2.3.1 Técnicas de aprendizagem rotineiras de progressão e estudo

Dada pesquisa divulgada em 2018 pelo World Economic Forum, (Fórum Econômico
Mundial), já havia indícios de apontamentos para com a deliberação de uma técnica de
aprendizagem ativa como umas das capacidades mais ressaltantes para o exercício dos
profissionais em 2022. A atual situação de pandemia, apenas acelerou este rumo.
Permeando os primeiros dias do isolamento social, tornou-se evidente o aumento
significativo da quantidade de manifestações das ofertas em cursos, palestras, séries educativas
e demais outros tipos de mecanismos entre os mais diversos temas.
No entanto, para uma eficácia técnica de aprendizagem ativa, é considerável a união de
três fatores: o que se quer estudar, de que maneira acontecerá o estudo e qual sua praticidade
neste processo, pois a falta destes direcionamentos surte a ocasionar falta de energia e aumento
da ansiedade, parte natural deste percurso, levando a perder o foco dos objetivos almejados.
É extremamente indispensável ter clareza do propósito deste projeto de estudo, visto
que novas habilidades e competências poderão vir a emergir.
É de certeza intrínseca que ao passar desse tempo de crise, as instituições
organizacionais imprescindivelmente terão que desenvolver novas tecnologias a atender o
mercado de trabalho e este é um caminho que não volta. Como meio de sobrevivência terão que
recorrer à investimentos em novos produtos e serviços de tecnologia
Profissionais híbridos, que estabelecem uma mescla de experiência em negócios e
habilidades tecnológicas, tendem a crescer muito mais rápido, com propensão de movimento
profissional mesmo durante a crise, pois a mesma remete-o ao crescimento.

2.3.2 Gerenciamento do tempo

Para análise do referencial teórico, foi utilizado o livro Gerenciando a si mesmo, da


Harvard Business Review, que apresenta artigos fundamentais sobre como administrar a
própria carreira, incluindo o artigo de Clayton M. Christensen, Que critérios pautarão sua
vida?.
O momento pelo qual estamos passando, uma situação de crise, Christensen sugere uma
estratégia de decidir com calma sobre a alocação de tempo, energia e talento. Todos estes são
recursos escassos e devem ser bem distribuídos para que não sejam alocados de forma
desequilibrada.
17

O gerenciamento do tempo vai muito além do controle das horas do dia ou tempo que
gastamos com cada atividade. Na verdade, o foco é no uso consciente do nosso tempo, com o
objetivo de nos tornarmos mais eficazes e produtivos.
Segundo Christensen, “Se não houver um claro sentido de propósito, é provável que
haja desperdício de tempo e energia para se obter sinais de progresso mais tangíveis de curo
prazo, deixando de lado o que é realmente importante para você. ” (CHRISTENSEN, 2018. p.
9)
Para o autor, a alavanca de conquistas é ter definição de seus valores e estabelecer
limites em campo de segurança. Mas quais seriam estes valores? O que propulsiona um
indivíduo a ser comprometido na realização de suas tarefas laborais, sem afetar sua saúde
mental? Sabemos que a motivação se dá pelo fato de apropriação do saber, pelo reconhecimento
e relevância do papel que exerce no contexto ao qual estão inseridos.
Ao alocar estes recursos pensando em longo prazo, dando a devida importância de
empregar tempo em atividades como relaxar, dar atenção ao cônjuge e aos filhos, cuidar da
saúde, aquilo que em algum momento declaramos como nossos bens maiores.
No artigo, Gestão de si mesmo do livro referenciado, seguindo a linha de
autoconhecimento Peter Drucker argumenta que a pergunta Como eu trabalho?, é uma das
principais para a construção de uma vida de excelência.
Ou seja, questionamentos sobre se você é melhor como leitor ou ouvinte, em equipe ou
sozinho ou prefere momentos de pressão a ambientes previsíveis podem dizer muito sobre sua
forma de trabalhar e gerenciar seu tempo. Para tanto, o gerenciamento do tempo deve ser feito
a partir do indivíduo, olhando para dentro de si, definindo quais ações gerenciais trarão os
resultados necessários. Muitos teóricos sugerem modelos e frameworks que ajudam nesta
análise.
Stephen Covey, autor do best-seller administrativo, Os sete hábitos das pessoas
altamente eficazes, criou uma ferramenta chamada Matriz da Administração do tempo para
auxiliar com melhoria todos os nossos momentos.
Este gerenciamento só conseguirá ser efetivo a partir do momento em que formos
capazes de distinguir o que é urgente e o que é importante em nossas vidas, pondo-nos a agir
com priorizações.
Importante – Conforme o dicionário, é aquilo que não se pode esquecer ou deixar de
atender. Algo que possui valor e poder. É o que nos trará resultados a curto, médio e longo
prazos.
18

Urgente – Aquilo que precisa ser resolvido com prontidão, imediatamente. Não pode
ser adiado.
O uso da matriz consiste em dividir um quadro em quatro quadrantes e, a partir de uma
lista de tarefas a fazer, identificar onde se enquadram cada uma delas. Assim, podemos
identificar e atribuir o real grau de prioridade para cada tarefa.
Quadro 1 – A matriz do gerenciamento do tempo

URGENTE NÃO URGENTE

QI QII

ATIVIDADES ATIVIDADES
IMPORTANTE

Crises Prevenção, atividades CP


Problemas urgentes Desenvolvimento de relacionamentos
Projetos com data marcada Identificação de novas oportunidades
Planejamento, recreação

QIII QIV

ATIVIDADES ATIVIDADES
NÃO IMPORTANTE

Interrupções, telefone Detalhes, pequenas tarefas


Relatórios e correspondência Correspondência
Questões urgentes próximas Perda de tempo
Atividades populares Atividades agradáveis

Fonte: (Covey, 2004, p. 194)

Q1 – Tarefas urgentes e importantes: Aquelas tarefas que exigem ação e atenção


imediatas. Segundo Covey este quadrante é aquele que nos sufoca. O que causa incêndios, pois
diz respeito às ações que conhecemos como “apagar incêndios. ”
19

Q2 – Tarefas importantes, mas não urgentes: Neste quadrante colocamos o


planejamento de longo prazo, como desenvolvimento pessoal e profissional, reavaliação de
carreira e de nossas competências. Analisar, prever e antecipar problemas futuros. São tarefas
consideradas importantes e por não serem urgentes correm o risco de serem negligenciadas.

Q3 – Tarefas urgentes, mas não importantes: São aquelas atividades que geralmente
nos tiram do foco. Interrupções, distrações, reuniões desnecessárias. Atividades que podem
comprometer nosso tempo e nos impedir de finalizar as tarefas dentro dos prazos. Ao
priorizarmos atividades apenas urgentes, corremos o risco de cometer um erro fatal: o de gastar
tempo com coisas que não nos ajudarão a atingir nossos objetivos de curto, médio ou longo
prazo e corremos o risco de passar a impressão de sermos improdutivos.

Q4 – Tarefas não urgentes e não importantes: É onde se encontram as atividades que


roubam nosso tempo. Não são produtivas nem contribuem para que atinjamos resultado.
Distrações que devem ser evitadas, podem ser ignoradas ou até canceladas. Muitas vezes aqui
encontram-se demandas de outras pessoas, que querem que você as faça. É neste caso que
precisamos analisar nossa gestão do tempo e priorizar o que é realmente importante, aprendendo
a dizer não.
Após o início da crise do COVID-19, em março de 2020, nos deparamos com a
necessidade de adaptação imediata às novas tecnologias, com as quais sequer tínhamos contato.
E-mails, videoconferências e mensagens instantâneas são exemplos de ferramentas de
cooperação que nos auxiliam e inclusive nos poupam muito tempo, porém precisam estar
classificadas para não nos desprendermos em meio à tantas tarefas e informações.
Não há como negar que, em alguns casos, houve aumento da produtividade por parte
dos colaboradores do Banco, especialmente em serviços de apoio às agências. Por outro lado,
são ferramentas que podem ser usadas fora do horário de trabalho e podem gerar sobrecarga de
demanda.
Se por um lado muitas pessoas conseguiram otimizar seus processos, por outro lado
muitos funcionários que não conseguiram se adaptar às novas ferramentas ficam sem condições
de executar seus serviços, demandando assim dos outros colegas e gestores.
Neste momento, novas práticas precisarão ser estabelecidas. Incentivo ao lifelong
learning (aprendizado constante) e superações cotidianas são parte da ferramenta de incentivo
e motivação aos funcionários. A presença do gestor como mentor nesta delegação, controle e
feedback é importantíssima neste processo.
20

2.3.3 Administração das tarefas

É muito comum acumularmos tarefas inacabadas. Este é um hábito ruim, visto que
muitas tarefas inacabadas podem gerar uma grande crise que nos colocará em momento crítico
para resolver várias pendências ao mesmo tempo.
Desde o início de cada tarefa, é importante um planejamento para que ela não seja
abandonada. A priorização também é importante neste caso, de várias tarefas ao mesmo tempo.
A forma como você elenca suas prioridades e lida com suas demandas dizem muito sobre você.
As pessoas mais eficazes utilizam a matriz de Covey com foco em coisas importantes,
mas não urgentes. Afastam-se de atividades dos quadrantes Q3 e Q4. Tendem a diminuir a
quantidade de atividades do Q1 e dedicam mais atenção e tempo ao Q2. Este é um
comportamento que demonstra iniciativa e produtividade, sem deixar de lidar com os
imprevistos.

2.3.4 Gerenciamento de energia

Partindo do pressuposto de que a energia física é um recurso limitado, em vez de gastá-


la com preocupações, antecipações ou sofrimentos passados, por que não a investimos em uma
batalha de cada vez? Se não são todas as variáveis que estão sob nosso controle, a priorização
de tarefas pode nos trazer clareza sobre aprendizados e padrões repetidos em nossa rotina.
Quando as pessoas já estão bem estabelecidas e dominando todas as atividades cotidianas,
ocorre a zona de conforto, onde há familiaridade e segurança de todas as situações e contextos
cotidianos.
Diante de um novo desafio, como o que ocorre neste momento, muitos recorrem à zona
de pânico, ao medo da mudança e até à desistência deste. Este comportamento causa estresse,
gerando ansiedade, nostalgia e aumento ainda maior da capacidade de adaptação e aprendizado.
O papel do gestor neste momento é crucial para analisar o contexto de cada funcionário
de sua equipe e verificar a capacidade de aceitação de desafio ou o recuo ao se deparar com o
novo. Este desafio novo deve ser acompanhado de perto, gerando aprendizado e segurança
durante o processo de mudança e adaptação. A curiosidade deve ser gerada, em vez da
resistência.
Tony Schwartz e Catherine McCarthy, em artigo denominado “Administre sua energia,
não seu tempo”, 2007, afirmam que a maioria de nós reage às crescentes exigências de trabalho
com o aumento da carga horária, em vez de analisar a situação e decidir o que priorizar.
21

Desta forma, funcionários com auto nível de comprometimento são os que apresentam
maiores índices de distração, picos de estresse, gastos excessivos com médicos e perda de
qualidade de vida.
A proposta dos autores é focar na energia e não no tempo, propondo um investimento
nas pessoas, para que se mantenham focadas em vez de apenas aumentar a carga horária. O
primeiro passo é a organização e seguidamente o reconhecimento dos custos de
comportamentos que roubam vitalidade e cada indivíduo deve se responsabilizar por observar
e mudá-los.
De acordo com Schwartz e McCarthy, a energia pessoal possui quatro dimensões: física,
emocional, mental e espiritual. Seguem algumas sugestões para a gestão delas:

 Energia física
Diminuir a ingestão de bebida alcoólica e ir dormir mais cedo; práticas de atividades
cardiovasculares; refeições e pequenos lanches a cada três horas; aprender a perceber sinais de
falta de energia, como inquietação, bocejos, fome e dificuldade de concentração. Durante os
trabalhos mais focados, fazer pausas curtas a cada 90 minutos.
 Energia emocional
Respiração abdominal profunda auxilia na neutralização de energias negativas, como
ansiedade, insegurança, impaciência. Sugere-se que haja prática do cultivo de emoções
positivas em si e nos outros, através de mensagens, telefonemas, bilhetes ou conversas.
 Energia mental
Carneti (2015) cita um estudo feito pela Microsoft no Canadá que constatou que, no
período de 2010 a 2013, a capacidade humana de concentração foi reduzida de 13 para 8
segundos. Um peixe dourado consegue se concentrar por 9 segundos. Com a internet e a
facilidade de acesso aos meios de comunicação, somos inundados por informações o tempo
todo. E assim, com tantos estímulos, nossa capacidade de foco fica muito prejudicada.
Ao executar tarefa de alta concentração, fique longe do telefone, e-mails e redes sociais,
para reduzir as interrupções; estabeleça horários para responder e-mails, mensagens e recados.
Antes de dormir, identifique quais serão os principais desafios do dia seguinte e os transforme
em prioridade assim que acordar.
 Energia espiritual
Identifique suas atividades prediletas e encontre meios de praticá-las com mais
frequência; dedique tempo e energia àquilo que considera mais importante; viva seus valores
fundamentais.
22

2.3.5 Concentração e foco


A Microsoft fez um estudo em 2013 e constatou que, no período de 2010 a 2013, a
capacidade humana de concentração foi reduzida de 13 para 8 segundos. Com a internet e a
facilidade de acesso aos meios de comunicação, somos inundados por informações o tempo
todo. E assim, com tantos estímulos, nossa capacidade de foco fica muito prejudicada.

2.4 Transformação Digital

De acordo com Almeida e Mahecha (entre 2018 e 2020, p. 3) “a transformação digital


vai além do maior uso de tecnologias de informação e da introdução de sistemas informáticos
nas organizações. As inovações da transformação digital representam um novo paradigma” e
junto a ele, destacamos, novas formas de trabalho.
A transformação digital é o movimento de agregar tecnologia digital a todos os aspectos
da organização, o que impõe mudanças basilares de tecnologia, cultura, operações e entrega de
valor. Sua importância e seu ritmo tem sido tão intenso, que algumas empresas criaram o cargo
de Chief Digital Officer (CDO) ou Diretor de Transformação Digital.

Alto gerente responsável pela digitalização de negócios, onde esses executivos são
responsáveis pelo movimento da transformação digital e pela liderança nos ajustes
que passam a se fazer necessários nas empresas inclusive nas suas lógicas de
funcionamento, visões, normas e valores culturais (PRAHALAD & KRISHNAN,
2008; CAPEGEMINI, 2012; WESTERMAN, BONNET & MCAFEE, 2014; APUD
ALMEIDA E MAHECHA, entre 2018 e 2020, p. 8).

Uma das principais tecnologias associadas à transformação digital é a computação em


nuvem. Segundo o National Institute of Standards and Technology (NIST) dos Estados Unidos,

“A computação em nuvem é um modelo para permitir o acesso conveniente e sob


demanda da rede a um conjunto compartilhado de recursos de computação
configuráveis, como por exemplos: redes, servidores, armazenamento, aplicativos e
serviços que podem ser rapidamente provisionados e liberados com o mínimo esforço
de gerenciamento ou provedor de serviços de interação” (NIST, 2016, sem paginação,
tradução nossa).

O modelo de nuvem é composto por cinco características essenciais: autosserviço sob


demanda, agrupamento de recursos, rápida elasticidade, medição do serviço e amplo acesso à
rede, característica essa que implica em as capacidades estarem disponíveis em rede e poderem
“ser acessadas em uma variedade de plataformas e dispositivos, como celulares, laptops, outros
23

servidores, tablets, etc.” (Almeida e Mahecha, entre 2018 e 2020, p. 68), sendo de grande
importância para o tele trabalho.
Atualmente a informatização ultrapassou os limites das empresas e se faz cada vez mais
presente no cotidiano das pessoas. Em compras online, relacionamentos, educação à distância,
o mundo virtual já é indispensável na vida da sociedade e sua influência nas práticas e valores
sociais tem dado origem ao que é chamado por Levy (1999) de cibercultura.
A cibercultura evidencia um novo mundo, com uma sociedade mais informal e aberta,
com novos hábitos advindos da transformação da informática e das telecomunicações. Essa
mudança de hábitos e necessidades impacta empresas, seus modelos de negócio e suas maneiras
de organizar o trabalho.

2.5 Adaptação em momentos de crise

Ao longo da história percebemos que tempos de crise são tempos de mudança, e para
que os indivíduos, grupos sociais e sociedade possam continuar existindo, fazem-se necessário
realizar adaptações a essas mudanças.
Tendo a cultura como instrumento que nos diferencia na espécie ser vivo, acumulamos
saberes ao enfrentamento de crises, visto que não permeamos uma única forma de adaptação.
Possuímos maneiras diversificadas de transformar e ou modificar nosso ambiente por meio do
fogo, instrumentos de caças e pescas, da agricultura, máquinas, remédios, o que nos garante
que a maior parte de nós, em espécie, consiga sobrevivência às tempestades, catástrofes e
adoecimentos.
Enfrentar uma crise tem muito a ver com a capacidade de se reinventar diante dos
obstáculos que possam surgir. Os indivíduos são pegos de surpresa e precisam desenvolver
ações para melhor passar por esse período.
Perceber que ações diferentes geram resultados diferentes pode ajudar no enfrentamento
das adversidades, entender que nem tudo o que parece ruim, acontece para trazer prejuízos
apenas, mas que pode ser uma porta de mudança muitas vezes necessária para a vida daqueles
que são afetados.
Claro que ninguém deseja passar por uma crise, mas existem eventos que não dependem
da vontade do indivíduo, ainda mais uma crise como a dos tempos atuais, que atinge milhares
de pessoas e que pode trazer consequências desastrosas para muitos, e essa possibilidade gera
medo e angústia. Em um cenário de incerteza, manter a positividade é uma boa alternativa, bem
como exercitar a resiliência, que é a capacidade de se manter firme na turbulência.
24

O mundo está passando por uma grande crise, pois além da crise sanitária, temos a crise
econômica que o impacto dessa primeira vai provocar. Muitas pessoas perderão além da saúde,
seus empregos.
A economia sofrerá um grande impacto, o que ocasionará outra mudança de postura.
Tais crises necessitam e necessitarão de intervenções do governo nas três esferas (municipal,
estadual e federal), todos estão imersos nos problemas que estão aparecendo.
Todos estão envolvidos no problema e a união será de fundamental importância para
que essa situação seja superada da melhor forma possível. É nato do ser humano realizar tarefas
para sua existência, e se adaptar ao meio em que está, é uma dessas.
Atualmente, o mundo está passando por mais uma grande mudança. Com o surgimento
da COVID – 19, um vírus totalmente desconhecido por todos, fez com que fosse decretado um
estado de pandemia, onde todos os povos e nações estão imersos nesse contexto que se instalou
de forma tão rápida, exigindo mudanças de hábitos e comportamentos.
A crise na saúde está instalada e ainda não há perspectivas de melhoria. Infelizmente
não é uma situação simples, pois a velocidade com que se propaga o vírus é inversamente
proporcional ao tempo hábil para criação de soluções.
Com a orientação do isolamento social, as pessoas têm que ficar em casa, evitar sair o
máximo possível, evitar aglomerações para diminuir o contágio e, portanto, surge assim outra
necessidade de demanda que é a de se manter ou até mesmo sobreviver sem poder ir trabalhar.
A situação pode levar a uma crise econômica, pois algumas empresas não podem
continuar seus serviços e nem manter seus empregados. Por isso, faz-se necessário se adaptar a
este atual cenário adotando um novo comportamento.
Os dicionários definem comportamento como a maneira como cada um de nós responde
aos estímulos dos ambientes em que vivemos. Isso inclui nosso modo de ser ou de agir diante
de cada uma das situações que vivenciamos.
Como reagimos, as expressões faciais que fazemos, o que falamos, como e quando
falamos, cada gesto, cada tomada de decisão e todas as respostas que conseguimos estruturar a
cada uma das demandas que recebemos em nosso meio.
Faz-se necessário entender o funcionamento da sua mente diante dos problemas para
desenvolver novos recursos para a análise de situações e cenários e com isso aumentar sua
capacidade de elaborar alternativas criativas e eficazes, levando em consideração que
transformações podem trazer novos cenários e novos cenários trazem consigo, novos problemas
e novos problemas necessitam de novas soluções.
25

Mesmo assim, é possível encarar tais dificuldades para abrir as portas do


autoconhecimento de várias formas. A vida é uma grande oportunidade e pede que se dê sentido
a ela.
Percebe-se que essas crises surgem de forma inesperada e exigem mudanças de posturas,
sendo muitas vezes necessário que as mentalidades antigas sejam abandonadas para que se
possa surgir uma readaptação.
Em meio as crises, o emocional é atingido e as reações podem ser boas ou não, em
alguns provocam reflexões sobre como fazer diferente e melhor, em outros, causa desespero e
aflição, o que pode impossibilitar a tomada de uma atitude positiva.
Alguns indivíduos desenvolvem posturas proativas, buscando meios de solucionar
problemas, enquanto outros se prendem aos medos de possíveis fracassos. Tal comportamento
pode até ser justificado pelo fato de que ultimamente a maneira como as necessidades surgem
e são tratadas são bem diferentes de tempos atrás.
Trazendo a situação para o âmbito dos negócios, percebe-se que as empresas selecionam
e avaliam sua força de trabalho de acordo com as demandas que emergem. Hoje em dia, é
necessário se reinventar para acompanhar as mudanças constantes do mercado de trabalho.
Devido à competitividade que existe no mercado de trabalho, as empresas precisam estar
todo tempo se reinventando, e oferecendo melhores experiências aos seus consumidores.
Porém com a pandemia do Coronavírus, além de buscar oferecer os melhores produtos,
os empresários têm que mudar sua forma de operacionalizar os serviços internos, tendo em vista
que muitas delas não podem contar com a presença dos clientes no ambiente empresarial.
A transformação digital já vinha mudando esse cenário, os clientes já possuem mais
autonomia para realizar transações, compras online, consulta a operações, etc., mas o que se
observa também no âmbito das empresas é o surgimento de uma nova modalidade de trabalho:
o trabalho remoto, o chamado home-office.
Entretanto, é preciso perceber que em situações de crise também podem-se levar a
oportunidades, pois o ser humano possui uma tendência a procurar soluções criativas para
melhor se adaptar ao meio.
Com a situação atual do mundo, as pessoas e as empresas precisam garantir que suas
atividades continuem ainda que de forma remota e para isso faz-se necessário através do uso de
ferramentas como computador, webcam, tablets e tudo mais. É preciso se adaptar, para que a
sobrevivência seja mantida e se readaptar ao mercado de trabalho.
Frente a essa situação, surgem algumas estratégias a curto prazo, que funcionam até
como dicas para ajudar algumas empresas a sobreviver em meio à crise, sendo estas:
26

1. Primeiramente controlar os gastos: Como o período é novo e muito incerto, é preciso


ter um controle de custos da empresa para evitar que a lucratividade fique
comprometida.
2. Buscar manter foco na produtividade: É preciso olhar para as ações que serão
desenvolvidas pela organização para melhorar sua atuação, aumentando sua
produtividade, pelo menos evitando reduzi-la.
3. Selecionar opções que ofereça resultados a curto prazo, para evitar investimentos
altos que possam gerar riscos graves para as empresas.
4. Identificar novas oportunidades dentro das possibilidades que a empresa tem,
buscando também olhar para o cenário como um todo.
5. Adotar a prática do networking, ou seja, estreitar sua rede de contatos, procurando
estabelecer uma relação proveitosa e frutífera com seus clientes.
6. Utilizar das ferramentas que possuir para ouvir dos seus clientes quais as
necessidades que eles buscam suprir neste momento, para que seja possível
desenvolver melhores alternativas para com essa fase.

Para sobreviver à crise é necessário muito planejamento e organização. É válido


ressaltar que todo esse impacto não atinge somente as empresas, não apenas estas precisam se
reinventar. Os colaboradores também precisam se readaptar as novas formas de trabalho.
Como citado anteriormente, frente a essa situação tão nova e tão urgente, a inclusão do
trabalho de forma remota se apresentou como uma opção de tentar continuar os serviços da
melhor forma possível.
Entretanto é necessário que se busque os meios certos para desenvolver essa habilidade
para contribuir nos processos e atividades em que atuam. O home Office, ou trabalho remoto,
requer algumas atitudes no contexto de que se torne um meio de trabalho produtivo como, por
exemplo, organização, otimização do tempo, de auto-gestão, etc.
27

3 DIAGNÓSTICO

A pesquisa foi feita de forma anônima, com 130 respondentes, sendo a maioria
composta por funcionários de diferentes dependências, desde Diretoria à Agência de
Atendimento Presencial. Dependências estas onde estão lotados os funcionários que
compuseram este trabalho por meio de um compartilhamento de formulário de pesquisa virtual.
A cópia detalhada é apresentada na Figura 1, formatada por meio do Microsoft Forms,
ferramenta online de elaboração de formulários.
Figura 1 – Formulário da pesquisa virtual

Fonte: Microsoft Forms - forms.office.com - Disponível em:


https://forms.office.com/Pages/ResponsePage.aspx?id=BykM6tI4gUGHULCxkLYEQz6UwLfDEe9Gsy-U-
eTjBeJUOVNNRUZPQVdHSDJRSFRQVzVXTTBMOERXSC4u
28

Dados colhidos:
 Tempo de empresa: 52% dos respondentes possuem entre 8 e 15 anos de
empresa.
 Trabalho remoto integral durante o período da pandemia: 65% dos respondentes.
 Desvantagens indicadas no trabalho remoto emergencial: Ergonomia,
isolamento e acesso aos colegas de trabalho.
 Vantagens indicadas no trabalho remoto emergencial: mobilidade no
deslocamento entre trabalho e casa, qualidade de vida e flexibilidade.

Como análise geral, apesar das desvantagens, os entrevistados classificaram como boa
e excelente a experiência do trabalho remoto. Em depoimentos espontâneos, verificamos pontos
preocupantes e pontos positivos.

Tabela 1 – Percepções diagnosticadas


Positivos Preocupantes

 Satisfação com a flexibilidade de  Falta de interação social entre os


horários; colegas;
 Equipamentos de trabalho
 Foco e concentração;
(computador, telefone, documentos);
 Forma mais relaxada de trabalho;  Acesso à internet (que foi particular

 Disciplina; do funcionário);
 Dificuldade para acessar programas
 Mais tempo com a família;
da empresa de forma remota;
 Ganho de produtividade;  Ergonomia;
 A falta de confiança dos gestores;
 Habilidades desenvolvidas por conta
 Disputa de espaço e horários com
da adaptação;
familiares;
 Segurança;
 Carga de trabalho aumentada.
 Melhora na alimentação e diminuição
do desgaste emocional;

 Autonomia de tempo e espaço;


29

 Sustentabilidade do ambiente e do
indivíduo.

Fonte: Elaborada pelo pesquisador.


Quando perguntamos o que precisaria ser desenvolvido ou melhorado para que a
experiência do trabalho remoto fosse efetiva, obtivemos como resposta:

 Comunicação;
 Confiança;
 Mobiliário adequado;
 Acesso a documentos e sistemas internos;
 Qualidade da internet pessoal que era para uso pessoal e passou a ser de uso
profissional;
 Ambientação com novas ferramentas de trabalho (Teams do Office, por
exemplo) e novas formas de comunicação;
 Jornada de trabalho ainda mais flexível para ser conciliada com as tarefas de
casa;
 Suporte técnico ágil.

Dessa forma, concluímos que a implantação do trabalho remoto, por via desta
experiência, confirma que a adesão destas estratégias de trabalho mostra-se promitente na
consolidação da imagem da Instituição bancária como incitadora da qualidade de vida no
trabalho, do comprometimento do quadro laboral, tanto quanto na modernização administrativa,
visando a praticabilidade na relação entre custo e benefício de suas adequações.
30

4 PROPOSTA DE COMBINAÇÃO DO TRABALHO REMOTO COM O PRESENCIAL

4.1. Escopo
Partir-se-á do cenário atual de pandemia mundial e de mudanças urgentes na rotina
laboral, onde a forma de trabalho sofreu grande impacto com a implantação do trabalho remoto,
como adequações de atividades, horários e locais de trabalho para manter as atividades
funcionando.
Mudanças ocorridas por conta deste contexto, desde hábitos simples, como passar a
cozinhar e almoçar em casa, até infraestrutura de conexão à internet e reuniões virtuais ao
contexto inserido, alterando atividades de trabalho e vida social. Deste fato emerge a busca por
novas metodologias no intuito de manter exercícios laborais ativos, sem perda de qualidade e
benefícios, trazendo aumento expressivo da quantidade de colaboradores que passam a prestar
trabalho remoto.
É muito provável que as consequências da pandemia, como a forma de trabalho remoto,
perdurarão na sociedade, deve-se pensar em uma dinâmica de trabalho que seja sustentável para
os próximos anos, não nos limitando apenas ao momento atual. Ponto que merece grande
atenção é a forma como a comunicação é feita atualmente, buscando evitar ruídos e
desentendimento, sempre promovendo a clareza e bom convívio entre as equipes.
Juntamente com os avanços tecnológicos e meios alternativos para o exercício laboral,
foi possível constatar a manutenção das atividades de trabalho de maneira remota, com o
aperfeiçoamento da comunicação entre os colaboradores e equipes.
Isso traz uma percepção por parte de funcionários e empresa de que o trabalho presencial
não é sempre necessário para que as tarefas sejam efetuadas de forma produtiva. Levar-se-á em
evidência alguns novos direcionamentos:
 Trabalho remoto
Com relação à adoção de uma forma de trabalho remoto, como o home office ou o in-
company, percebemos muitas discussões sobre benefícios ou desvantagens, tanto para
empregadores quanto para empregados. Porém, neste contexto mundial, vejo como uma das
poucas alternativas para manter a atividade profissional de todos, junto com a preocupação com
a saúde, neste momento crítico.
 Aperfeiçoamento digital;
Os indivíduos e empresas estão em busca de soluções digitais em seu cotidiano,
colocando-as sempre em perspectiva de aprimoramento, no ensejo de que consigam ser mais
eficientes, principalmente para atender às demandas do trabalho. Tal ideia é impulsionada por
31

trazer inúmeros benefícios tais como: agilidade, conforto e a possibilidade de testar novas
alternativas de escolha;
Sistemas, frameworks, comunicação e até a forma de trabalhar passam por um
aperfeiçoamento digital. Os indivíduos foram forçados a melhorar o desempenho tecnológico
para se manterem produtivos e participar das atividades laborais. Funcionários aprenderam a
configurar rede de internet, usar webcam, instalar VPN etc. para manterá as atividades rotineiras
em dia.
 Melhoramento atitudinal.
Novas habilidades e competências são exigidas, principalmente no gerenciamento de
tempo e na inteligência emocional. Sendo assim, as capacidades de adaptação e aprendizado
passam a ser mais do que desejadas, mas necessárias, trazendo a reflexão de que, além de um
bom planejamento dos caminhos a serem percorridos, a tomada de decisão rápida e adaptação
dos percursos também são importantes e complementares a este planejamento.
Em meio a todas essas mudanças, as empresas tendem a estar preparadas para
estratégias bem definidas para manter sua qualidade, pois o retorno ao trabalho exigirá muitos
cuidados de saúde com todos os integrantes, mas também atenção aos novos fatos relacionados
ao trabalho que podem surgir. Para atender a tal realidade, proponho a elaboração de um PT
(Plano de Trabalho), que objetive lidar com a realidade atual e os cenários possíveis durante e
pós pandemia, dotado de meios fáceis de mapeamento das tarefas a serem exercidas, conforme
apresentado nos próximos parágrafos.
É notório que durante todo o momento de pandemia e distanciamento social, as
instituições financeiras, desde o início da atual situação, apresentaram uma preocupação
imediata em manter as atividades em funcionamento. Inicialmente de forma contingencial, de
forma emergencial, com a implantação do trabalho remoto de forma bem rápida.
Minha proposta é estruturar um modelo de trabalho que se preocupe em manter as
pessoas conectadas e as equipes engajadas, aliando a execução laboral semipresencial com o
remoto, em área de apoio (que não presta atendimento ao público final, mas sim às
dependências da própria instituição), com adequação de pelo menos 50% do trabalho remoto e
o restante presencial. Trata-se de um projeto piloto que, caso obtenha sucesso pós implantação,
pode ser proposto para outras áreas-meio que também tenham as mesmas características.
Leiaute baseado nos coworkings e mesas não permanentes, arquitetura mais “clean” nos
moldes de coworking, áreas de café e ambiente adaptado com wi-fi são algumas das premissas
para a organização dessa estrutura de trabalho em momento de retorno do trabalho puramente
remoto.
32

Atualmente existem, por exemplo, salas de reunião e comitê muito grandes, com
espaços ociosos pouco utilizados. Proponho diminuir estes espaços para atender às referidas
mudanças organizacionais. Estas salas, por exemplo, comportam 20 ou 30 pessoas, e mesmo
antes do advento da pandemia, elas eram ocupadas com uma média de 3 a 4 pessoas,
demonstrando assim a ociosidade deste espaço.
Antes da pandemia, os funcionários e colaboradores estavam acostumados a “possuir”
uma mesa e até customizar suas áreas de trabalho com fotos de família, itens pessoais de
decoração, tanto fisicamente, como também no uso de computadores, quando o hábito de salvar
os arquivos no HD da máquina era muito comum. Com a pandemia, os arquivos passaram a ser
salvos na nuvem, com um serviço de Drive virtual e as máquinas perdem a característica pessoal
e passam a ser meras ferramentas para o desenvolvimento dos serviços, não importando em
qual máquina o prestador estará. Esta mudança toca bastante na cultura organizacional, onde os
lugares e materiais laborais passam a não pertencer mais ao funcionário e com isto, as jornadas
podem ser flexibilizadas, espaços podem ser utilizados de forma otimizada, equipes conseguem
se organizar de forma mais inteligente.
Por conta de tais mudanças apresentarem características disruptivas, proponho um
projeto piloto em alguma área menor, para gerar insumos e dados que validem ou não o projeto.
 Substituição de desktop para notebooks, disponibilizados para os funcionários
trabalharem em suas residências. A situação atual é a de que os funcionários estão
usando o computador pessoal, fato que pode colocar em risco a segurança
institucional, facilitando o vazamento de dados confidenciais e fraudes.
 Instalação de mobiliário para os funcionários, pensando na ergonomia e economia de
espaço.
Levando em consideração a cultura de empresa e de funcionários, a proposta é de que
não sejam feitas alterações muito bruscas, para gerar uma compreensão por parte de todos para
o momento em que estamos vivendo. Visto assim, a implantação deste projeto, se aprovado,
está prevista para o início de jan. /2021, com duração de 6 meses até a estruturação total.
Antes da pandemia, os prédios, até por contenção de despesas com luz e prestadores de
serviços, possuíam expediente total das 8h às 19h. Com a possibilidade do trabalho remoto e
compartilhamento de baias (pensando também na correta higienização destes equipamentos),
as pessoas mais produtivas no período da noite ou da madrugada podem se beneficiar e trazer
benefícios para a instituição financeira também.
Outra solução para tal flexibilização pode ser o trabalho não ser feito por jornada e
número de horas cumpridas, mas sim por resultado ou conclusão de projetos com implantação
33

de OKRs, por exemplo. Dado assim, pode-se entrar inclusive alguma discussão sobre revisão
de gratificação baseado em desempenho e não apenas em cargo.
Encontros presenciais são imprescindíveis para manter conexão, engajamento,
colaboração, parceria e propósito por parte da equipe. Para os funcionários que optarem por não
executar o trabalho remoto, por questões de não ter ambiente favorável em casa, por
preocupação com segurança, ou até mesmo motivos de saúde, fica disponível a opção de
trabalhar presencialmente, no formato de coworking.
O mesmo se aplicaria para funcionários que precisam estar presentes pela natureza do
trabalho, como uma administração predial ou fiscais que fazem vistoria de obras, por exemplo.
Nestes casos, existe uma liberdade para o gestor avaliar a melhor forma de distribuição de sua
equipe.
O projeto piloto permite que se trabalhe com o conceito de MVP (Minimum Viable
Product), onde a totalidade das pessoas afetadas é reduzida e as adaptações em cima de feedback
são feitas com maior efetividade.
Proponho objetivar nesta proposta de projeto de trabalho (PT) as seguintes questões:
 Olhar para a possibilidade de flexibilização do trabalho remoto e presencial como
alternativa de forma permanente no setor bancário levando em consideração redução
de custos;
 Flexibilizar a jornada de trabalho e medidas sustentáveis como a utilização do mesmo
espaço por várias equipes em jornadas de dias e horários distintos;
 Colocar uma discussão de análise em cima destas possibilidades.

O questionário veiculado para a dependência bancária, na qual se deu esta pesquisa, foi
elaborado por perguntas fechadas, conforme consta na Figura 1 (Formulário da pesquisa
virtual), formatado por meio do Microsoft Forms, ferramenta online de elaboração de
formulários. Destas, foram destacadas para análise mais detalhada por esta pesquisadora, pelo
motivo de maior afinidade com os objetivos da pesquisa, as seguintes questões:

1. Durante o período de isolamento, como foi sua relação com o trabalho?


Em observância de análise à resposta desta questão, a maior parte realizou trabalho
remoto o tempo inteiro e outros, quando dado por legalidade, tiraram todas as possíveis férias
e abonos.
34

2. Caso tenha efetuado trabalho remoto, quais destas situações julga como desvantagens
(pode assinalar quantas tenham ocorrido)?
É redundante as críticas em relação à conta telefônica que por via teve aumento triplo
em virtude da contatação de fornecedores e outras áreas em outros estados; ergonomia; acesso
à internet; aparelhos adequados ao trabalho; aumento dos gastos domésticos; acúmulo de tarefas
e isolamento.
“Toda mudança gera dificuldades, sinto falta de uma pessoa, que possa dirimir
dúvidas em tempo real, pois acabamos ficando sem uma melhor resolutividade, o que
é primordial no atendimento a distância. É duro pedir ajuda a três pessoas, por
exemplo, e não conseguir retorno. ”

3. Caso tenha efetuado trabalho remoto, quais destas situações julga como benefícios
(pode assinalar quantas tenham ocorrido)?
Os pontos de maior relevância foram citados por:
 Proximidade da família com maior atenção e cuidado aos filhos;
 Acompanhamento das atividades escolares;
 Produtividade, flexibilidade e sustentabilidade;
 Comunicação com a equipe e confiança entre os colegas;
 Clareza de objetivos e metas;
 Mobilidade (deslocamento casa-trabalho);
 Redução de custos e melhoria na qualidade de vida.

4. Como tem sido/foi sua experiência com o trabalho remoto nesta época de
isolamento?
Nesta questão, a maior parte dos entrevistados consideraram entre boa e excelente a
experiência advinda.

5. Deixe um depoimento sobre sua experiência com trabalho remoto, se desejar.


Observa-se nos comentários abaixo, distintas percepções e manifestos entre o grupo em
pesquisa.

“Tirando a falta do convívio social (necessidade do momento), experiência


satisfatória e excelente! ”

“Os sistemas funcionam bem, a produtividade é maior, mas o relacionamento com os


colegas faz falta. ”

“Você é posto para fazer um trabalho sem ter um treinamento decente e fica perdido
e desmotivado. ”
35

“Estou adorando. Consigo focar muito mais. ”

“Rendimento do trabalho. ”

“Tenho experiência positiva: sem o trânsito, alimentação adequada e sem o desgaste


emocional quando trabalha muitas pessoas numa mesma sala. A experiência
negativa foi triplicar as metas, os constantes telefonemas cobrando resultado,
aumento de gastos domésticos e o horário de trabalho que está sendo por escala. ”

6. O que foi preciso desenvolver ou melhorar para que o trabalho remoto fosse efetivo ou
produtivo?
Para com este momento, constata-se que o mais preciso foi o investimento em recursos
como internet, computadores/notebooks compatíveis à demanda, assim como o fator de
organização temporal para não comprometer a vida pessoal.

“Planejar novamente as atividades com as rotinas de casa, de início há a sensação


de que podem ser compartilhadas durante o dia, mas com o passar dos dias percebi
que não. Deve haver o horário do trabalho e o horário para os afazeres da casa. O
ponto a ser ajustado por parte de todos é esse, horários, pois estarmos em casa, para
muitos dá a sensação de que devemos estar 24 horas disponíveis, e não deve ser
assim, jornadas devem ser respeitadas. ”
“Trabalhar com o que temos, com alternativas para conseguir sustentar os acessos
sem sobrecarregar a máquina. ”

“Cadeira, mesa e suporte para notebook. ”

“Disponibilização de acesso a drivers de documentos do BB com mais facilidade, e


disponibilização de alguns softwares e equipamentos para uso no computador
pessoal. ”

“Qualidade da internet. ”

“Foi preciso escolher e melhorar o local onde pudesse colocar o equipamento para
trabalhar. ”

“Precisei investir em uma melhoria na rede internet da minha casa. ”

A apresentação da proposta contará com debate e discussão sobre o tema para com a
questão de análise e implantação da mesma;
Deverá ser feito Grupo de trabalho e seleção de pessoas para formação de equipe do
trabalho remoto e presencial;
O desenvolvimento visa avaliação contínua do processo com vistas às probabilidades
de mudanças organizacionais e adaptativas;
A fase de impacto, implicar-se-á olhar dinâmico para com os fatores emergentes.
A avaliação visará identificar pontos positivos e negativos, considerando a questão
adaptativa, no intuito de propor estratégias em sanar dificuldades que possam emergir.
4.2 Cronograma
36

PROPOSTA DO PROJETO – TRABALHO REMOTO E PRESENCIAL

01/12 08/12 22/12 Jan/21 Jun/2 Jul/21


1
Apresentação da proposta X
Instituição de equipes X
Desenvolvimento X X X
Impacto X
Avaliação X

4.3 Orçamento

A redução de custos prevista neste projeto, gerará economia, e assim poderá fazer a
diferença no orçamento da empresa. Todo mundo sabe que ter profissionais trabalhando no
ambiente empresarial gera custos contínuos. No final do mês, de pouco em pouco, essa conta
pode ficar bem grande e o home office pode ajudar nesse sentido, pondo que o ambiente pode
ser menor em função de alguns profissionais da equipe trabalharem remotamente.
Muitos gestores e líderes de times ainda acreditam que o controle da jornada de trabalho
dos profissionais é suficiente para garantir a produtividade. Mas, não é bem assim. A realidade
é que, além de entender o que é feito, é preciso saber o resultado do esforço investido pelos
colaboradores.
Há diversas ferramentas de gestão de projetos que podem auxiliar os líderes nesse
processo. A partir delas, é possível definir quais atividades devem ser realizadas em certo
período de tempo pela equipe. Já os colaboradores, sinalizam ao seu gestor sobre o tempo
dedicado à realização de cada uma delas. Com isso, o gestor tem o poder de saber:
 O custo real de cada atividade, projeto ou cliente;
 O tempo investido pelos profissionais em cada tarefa;
 Qual o ganho gerado em cada atividade, considerando o custo do profissional.
Com esses dados em mãos fica bem fácil otimizar o tempo da equipe. Coloco dessa
forma, como indicação de recursos de providenciamento: mobiliário linear para trabalho
esporádico; convênio com provedores de internet de boa qualidade e para com os funcionários
que não possuem mobiliário adequado para exercício do trabalho, envio de móveis utilizados
atualmente pelo serviço de transporte.
37

4.4 Matriz de Responsabilidades


A matriz de responsabilidade, também conhecida como matriz RACI, é uma ferramenta
bastante simples, porém de muita serventia a organizar e destruir tarefas aos membros de uma
equipe, pois esta, permite de forma objetiva e extremamente visual o acompanhamento de todo
trabalho dentre um projeto.
MATRIZ RACI
Atividades do projeto Colaborador/cargo
Analista de Equipe do projeto Gestor do projeto
Engenharia e
Arquitetura
Apresentação do PT R
Debate e discussão A A A
Formação de equipes A A A
Ergonomia C C R
Desenvolvimento I I I
Avaliação A A A
Fonte: elaborada pela pesquisadora.
Legenda:
R – Responsável
A – Andamento/Aprovado
C – Consultado
I – Informado

4.5 Resultados esperados


Assim sendo, espera-se como resultado:
 Ganho de eficiência em área ocupada, visto que como os terminais de trabalho não
serão exclusivos de um só funcionário, o espaço antes ocupado por um número de
funcionários acabará diminuindo.
 Redução de custos orçamentários como transporte e deslocamento de funcionários.
 Manutenção do clima organizacional e preocupação com os colaboradores
 Mudança de cultura organizacional focada em adaptação e melhoria contínua.
38

CONSIDERAÇÕES FINAIS

Esse estudo teve como objetivo apresentar estratégias que possam ser adotadas pelo
Banco MBA para melhor administrar os impactos que o trabalho remoto trouxe aos seus
funcionários.
Para tanto, foram utilizadas como referências as considerações de autores como PWC
(2020), Christensen (et al., 2018), Covey (2004) e Almeida e Mahecha (entre 2018 e 2020).
Nesta análise sobre as transformações na organização do mundo do trabalho, advindas
tanto da transformação digital como da própria reorganização imposta pela pandemia,
verificamos que o trabalho remoto tem alcançado cada vez mais espaço e se consolidado como
forma de organização para o futuro.
Encontramos nos autores pesquisados, orientações para otimização da experiência do
trabalho remoto, não só por meio da inovação tecnológica necessária e inerente à tal evolução,
mas também com mudanças de comportamento que se fazem essenciais aos profissionais
expostos a essa nova forma de trabalho. Diante disso, tecemos considerações, sempre baseadas
nos autores citados, para que funcionários e empresa obtenham maior eficiência e satisfação
com este tipo de trabalho agora, e cada vez mais, consolidado em nossa rotina.
A análise da situação relacionada ao Banco MBA foi realizada por meio de pesquisa
realizada junto aos funcionários do banco em situação de trabalho remoto emergencial e foi
encaminhada por formulário em meio eletrônico, facilitando a participação e cumprindo os
protocolos recomendados de distanciamento social.
O diagnóstico indicou que a situação de trabalho remoto emergencial a que os
funcionários foram direcionados devido à pandemia do Covid-19, embora tenha apresentado
vários pontos positivos na percepção do trabalho pelos funcionários, também apresenta pontos
preocupantes e diversas possibilidades de melhoria.
Entre os impactos negativos percebidos pelos próprios funcionários, pudemos observar
a falta de interação social entre os colegas de trabalho, a deficiência de acesso aos equipamentos
de trabalho (computador, telefone, documentos), a dificuldade de acesso à internet (que foi
particular do funcionário), a dificuldade para acessar programas da empresa de forma remota,
a falta de ergonomia do mobiliário disponível em casa para o trabalho, a falta de confiança dos
gestores, a disputa de espaço e horários com familiares e a carga de trabalho aumentada. Todos
impactos que podem ser administrados para que o trabalho remoto seja o mais positivo possível,
seja em situação emergencial, seja como nova organização efetivada do trabalho.
Com base no diagnóstico, foi apresentada uma proposta de combinação do trabalho
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remoto com o presencial, colocando-se a pensar em uma estratégia de trabalho flexível e que
seja sustentável para os próximos anos.
Verificamos que com um baixo orçamento podem ser alcançados inúmeros resultados
positivos, como aumento da satisfação dos funcionários, impacto positivo no clima
organizacional, aumento da qualidade de vida no trabalho, contribuição para a saúde dos
funcionários com a minimização dos níveis de estresse e ansiedade, maximização da
produtividade, economia financeira para o Banco e ganhos na imagem da instituição, nas áreas
de gestão de pessoas, tecnologia e sustentabilidade.
Espera-se que tal proposta possa ser discutida pelos gestores do Banco MBA para
aperfeiçoamento e uma possível implementação no futuro.
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REFERÊNCIAS

ALMEIDA, G. O.; MAHECHA, Y. L. R. Transformação digital. Rio de Janeiro: FGV,


[entre 2018 e 2020]. 138 p. Disponível em:
https://ls.cursos.fgv.br/d2l/lor/viewer/viewFile.d2lfile/260611/550209/assets/transformacao_d
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https://www.youtube.com/watch?v=vp-
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set. 2020.

BANCO DO BRASIL. Conversa com a PWC: Desafios na gestão de negócios: perspectivas


para o “novo normal”. 25 jun. 2020. (1h01m55s). Disponível em:
https://www.youtube.com/watch?v=svseSKAhoag&list=PLhnExfBbbmAQeV4TY86i_Hz6al
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BRASIL. Decreto n.º 10.282 de 20 de março de 2020. Regulamenta a Lei nº 13.979, de 6 de


fevereiro de 2020, para definir os serviços públicos e as atividades essenciais. Publicado no
Diário Oficial em Brasília, DF, 21 mar 2020. Disponível em:
https://www.normasbrasil.com.br/norma/decreto-10282-2020_391292.html. Acesso em: 27
abr. 2020.

BRASIL. Decreto-lei nº 5.452, de 1º de maio de 1943. Aprova a Consolidação das Leis do


Trabalho. Rio de Janeiro: Casa Civil, [1943]. Disponível em:
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/Decreto-Lei/Del5452.htm#art478%C2%A72. Acesso
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Exame, 19 maio 2015. Disponível em: https://exame.com/ciencia/nossa-atencao-e-menor-do-
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essenciais (Harvard Business Review), Rio de Janeiro: Sextante, 2018.

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