Você está na página 1de 6

ENVOLTÓRIOS CELULARES

Uma célula viva é um compartimento microscópico, isolado do ambiente por, pelo menos, uma barreira: a membrana
plasmática. Esta é uma película extremamente fina e delicada, que exerce severa “fiscalização” sobre todas as substâncias e partículas
que entram ou saem da célula.

1. GLICOCÁLIX

Do Grego glykys, doce/açúcar e do Latim calyx, casca/envoltório.


Região rica em hidratos de carbono (glicídios/açúcares) ligados a proteínas ou a lipídios. Na maior parte, é uma extensão da
própria membrana e não uma camada separada. Funcionalmente importante, sua composição não é estática. Varia de um tipo celular
para outro e, na mesma célula, varia com a região da membrana e conforme a atividade funcional da célula em determinado momento.
Toma parte nos processos celulares de pinocitose, de adesão entre células, em fenômenos imunológicos e em outros processos vitais.
Na pinocitose, o glicocálix participa da retenção de partículas na superfície celular.
O glicocálix não é uma característica exclusiva dos epitélios, ocorrendo também em células não epiteliais, está presente
mesmo em células de tecidos compactos, como o epitelial e o nervoso. Nestes tecidos, o glicocálix auxilia na adesão das células,
constituindo um cimento flexível.
Resumidamente, exerce função de proteção, possibilita o reconhecimento celular (identidade) e ainda
funciona como uma malha de retenção de nutrientes e enzimas, mantendo um microambiente adequado ao redor
de cada célula.
 Reconhecimento de substâncias;
 Inibição por contato, contato de células do mesmo tipo, inibe a
multiplicação celular. Células cancerosas perdem a propriedade
de inibição por contato e continuam se dividindo e amontoam.
 Antigênico, tomando parte no estímulo que leva à formação de
anticorpos que promovem a rejeição de enxertos.
 Substâncias responsáveis pelos tipos sanguíneos (A, B, AB e O)
são glicoproteínas localizadas no glicocálix.
 O glicocálix que reveste os microvilos das células absorventes do
intestino contém enzimas que promovem a etapa final da digestão
de glicídios e proteínas, e facilita a absorção de alimentos.

2. PAREDE CELULAR

As células vegetais possuem um envoltório externo, espesso e relativamente rígido: a parede celulósica, também chamada
membrana esquelética celulósica.
Nas bactérias e cianobactérias, a composição química pode variar de espécie para espécie, mas ela é formada basicamente por
uma substância típica dos procariontes: o peptidoglicano (peptoglicano). Nas bactérias, ainda há a possibilidade de existência de um
envoltório mais externo, a cápsula, de natureza polissacarídica e viscosa. A cápsula constitui um dos antígenos de superfície das
bactérias e está relacionada com a virulência da bactéria, uma vez que a cápsula confere resistência à fagocitose.
Nas plantas, a parede é composta basicamente
por celulose, por isso é chamada de parede celulósica
(membrana celulósica). Na célula jovem, existe apenas
a parede primária (fina e pouco rígida), com a
maturação, forma-se a parede secundária (espessa e
rígida). Ainda podendo haver deposição de lignina e
suberina (promovendo mais resistência).

Esquema da estrutura de uma bactéria

MEMBRANA PLASMÁTICA

Composição
- Lipídios: possui uma bicamada de lipídios, com as porções hidrofóbicas voltadas umas para as outras, e as porções
hidrofílicas voltadas para as superfícies interna e externa da membrana. Mergulhadas nesse "tapete de gordura", estão as moléculas de
proteínas, ora expostas na face externa, ora na face interna ou em ambas as faces da membrana plasmática. Esta característica de
possuir uma parte hidrofílica e outra hidrofóbica fazem com que essas macromoléculas sejam denominadas de anfipáticas.
Um dos principais tipos de lipídios encontrados nas membranas são os fosfolipídios e os esteróis.

- Proteínas: principais responsáveis pelas funções da membrana e a atividade metabólica desta. Algumas se estendem através
das camadas de lipídios (as transmembranas) e outras não, algumas se movem ao longo da bicamada, enquanto outras ficam fixas num
ponto.

- Glicídios: aparecem na face externa e tem principal tem como principal função o reconhecimento que pode ser de outras
células, de diversos tipos de moléculas, de estímulos recebidos, etc. Estão associados a proteínas (glicoproteínas), e em menor
proporção a lipídios (glicolipídios).

ESTRUTURA:
A membrana plasmática e outras membranas internas apresentam o modelo ‘mosaico-fluido’ (Singer e Nickolson 1972):
uma bicamada lipídica fluida onde as proteínas estão imersas, onde esses componentes estão em constante movimento. À medida que
as moléculas de proteínas e lipídios se movem lateralmente formam-se mosaicos de proteínas que variam ao longo do tempo.
A fluidez da membrana é controlada por diversos fatores físicos e químicos. A temperatura influencia na fluidez: quanto mais
alta ou baixa, mais ou menos fluida será a membrana, respectivamente. O número de duplas ligações nas caudas hidrofóbicas dos
lípides também influencia a fluidez: quanto maior o número de insaturações, mais fluida a membrana, pois menor será a possibilidade
de interação entre moléculas vizinhas. Também a concentração de colesterol influencia na fluidez: quanto mais colesterol, menos
fluida. O colesterol, por ser menor e mais rígido, interage mais fortemente com os lipídeos adjacentes, diminuindo sua capacidade de
movimentação.
A estruturação de uma membrana biológica é dinâmica e complexa, possibilitando exercer diferentes

FUNÇÕES:
a) receber e transmitir sinais químicos;
b) transportar moléculas pequenas ou íons;
c) englobar partículas por fagocitose ou pinocitose;
d) estabelecer o limite físico celular;
e) resguardar o conteúdo celular.

Especializações da Membrana

Dependendo das funções que a célula exerce, sua membrana plasmática sofre certas especializações. Numa célula cilíndrica
existem especializações na superfície apical, basal e lateral.
Superfície Apical

1. Microvilos ou microvilosidades: prolongamentos, do citoplasma preenchidos por membrana. Sua função básica é aumentar a área
da membrana a fim de facilitar a absorção de nutrientes de fora para dentro das células. A maioria das células possui microvilos,
porém são encontrados em grande número e organizados nas células de absorção (células epiteliais de revestimento intestinal, células
cúbicas dos túbulos contorcidos proximais dos rins, por exemplo). Cada microvilosidade contém numerosos microfilamentos de
actina, responsáveis pela manutenção da forma dos microtúbulos, unidos nas suas extremidades pela -actina. Abaixo da base dos
microvilos existe a trama terminal, formada por actina e miosina. Essa trama terminal dá mais resistência à superfície da célula.

2. Estereocílios : expansões longas e filiformes da superfície livre de certas células epiteliais. Embora flexuosos, não têm a estrutura
nem a capacidade de movimento dos cílios verdadeiros. São semelhantes aos microvilos, porém possuem maior comprimento e se
ramificam freqüentemente. Os estereocílios são encontrados nas células epiteliais de revestimento do epidídimo, dos duetos do
aparelho genital masculino e no ouvido interno.
3. Cílios: estruturas microtubulares curtas que se projetam para o meio extracelular. Sua função é realizar a locomoção ou criação de
corrente no líquido que rodeia a célula. Nas células epiteliais situam-se sempre na superfície apical.
Superfície Lateral

Quando as células precisam estar fortemente unidas, existem certas estruturas especializadas que asseguram a junção celular, vedação
do espaço intercelular e comunicação entre células.

Estereocílio

1. Zônula Oclusiva: é uma estrutura em torno da porção apical de curtas células epiteliais adjacentes que cria uma barreira, vedando o
espaço intercelular, evitando a passagem de íons e moléculas entre as células. É sustentada pela trama terminal.

2. Junção Aderente: (desmossomas em cinturão) em certos epitélios de revestimento, circunda a parte apical da célula, como um
cinto contínuo. Além da forma de cinto pode ocorrer também na forma circular ou oval como as desmossomas. Na altura da junção
aderente existe deposição de material amorfo na face citoplasmática de cada membrana celular formando placas, onde se inserem
microfilamentos de actina que fazem parte do citoesqueleto e são contráteis. Geralmente, as junções aderentes se localizam
imediatamente abaixo das zônulas oclusiva.

3. Desmossomos: dá aderência mecânica e é formada por espessamento de membranas plasmáticas de células adjacentes que contém
materiais densos no espaço intercelular. Os desmossomas são muito freqüentes nas células submetidas a trações.
4. Junção Comunicante - GAP: Trata-se de uma estrutura para estabelecer comunicação entre as células. Cada junção, geralmente
circular, é constituída por conjunto de tubos protéicos paralelos que atravessam as membranas das duas células. Através dessas
conexões passam nucleotídeos, aminoácidos, íons de uma célula para outra. Macromoléculas, porém, não conseguem atravessar as
conexões.

5. Interdigitações: São especializações cuja função é aumentar a superfície de aderência entra as células.
Desmossomo

Superfície Basal

1. Hemi-desmossomos: Permite a adesão entre a célula e a lâmina basal. Ë formada por filamentos intermediários (FI) de integrina.

2. Contatos Focais: Liga a célula à matriz extracelular. É formada por FI de integrina ligadas a fibras de stress ou tencionais

Interdigitações

Transportes através da Membrana

As células estão sempre banhadas por uma gama de substancias como água, sais, nutrientes, neurotransmissores, sinais
químicos, hormônios, toxinas, e gases. A passagem dessas substancias pela membrana dependerá da estrutura da própria e das
características de cada material (tamanho das moléculas, carga elétrica, forma espacial). Além dessas características devem ser levadas
em consideração as concentrações dessas substancias e as condições físicas do meio tais como temperatura, pressão e outros fatores
como pH e graus de solubilidade.
A passagem de partículas através das membranas é aleatória e sempre acontece em maior fluxo do local de maior
concentração para o local de menor concentração. Esse tipo de movimento é chamado a favor do gradiente de concentração. Esse
movimento a favor do gradiente de concentração acontece até que se estabeleça igualdade de concentração entre os dois meios, ou
seja, até que a distribuição de partículas seja uniforme.
Os principais mecanismos de passagem de substâncias através das membranas são o transporte passivo, o transporte ativo e
os transportes de massa.
Exemplos de transporte: 1) passivo - osmose, difusão simples e difusão facilitada; 2) de transporte ativo - bomba se sódio e
potássio; 3) de massa – fagocitose e pinocitose.

1) Transporte Passivo
Ocorre sempre a favor do gradiente, no sentido de igualar as concentrações nas duas faces da membrana. Não envolve gasto de
energia.

A - Osmose
A água se movimenta livremente através das membranas celulares. Esse movimento se faz do local de menor concentração de solutos
(pois é o local de maior concentração de água!) para o local de maior concentração. A pressão com a qual a água é forçada a atravessar
a membrana é conhecida por pressão osmótica. A osmose não é influenciada pela natureza do soluto, mas pela quantidade de
partículas de soluto existentes em uma solução. Quando duas soluções contêm a mesma quantidade de partículas por unidade de
volume, mesmo que não sejam partículas do mesmo tipo, são chamadas soluções isotônicas. Caso estejam separadas por uma
membrana semipermeável, ou por uma membrana seletivamente permeável, o fluxo de água nos dois sentidos será exatamente igual, e
podemos dizer que o fluxo global de água é nulo. Quando se comparam soluções com diferentes quantidades de partículas por
unidades de volume, a de maior concentração de partículas é hipertônica, e exerce maior pressão osmótica. A solução de menor
concentração de partículas é hipotônica, e a sua pressão osmótica é menor. Separadas por uma membrana semipermeável, há
passagem de água da solução hipotônica em direção à solução hipertônica. A osmose pode provocar alterações na forma das células.
Uma hemácia humana, célula que tem o formato de um disco bicôncavo, é isotônica em relação a uma solução de cloreto de sódio a
0,9% em massa. Essa solução é conhecida como solução fisiológica, e é empregada para hidratação endovenosa, para lavagem de
ferimentos e de lentes de contato, etc. Se uma hemácia for colocada em um meio de concentração superior a essa (uma solução
hipertônica, portanto), perde água e murcha. Se estiver em uma solução mais diluída (solução hipotônica), absorve água por osmose.
Se a entrada de água for intensa, a célula se distende até se romper. O rompimento das hemácias se chama hemólise.
 
Existem protozoários, animais formados por uma única célula, que vivem em água doce, cuja concentração de partículas é inferior à
do meio intracelular. Como esses organismos evitam a explosão das suas células? Graças à presença de uma "bomba" chamada
vacúolo pulsátil ou vacúolo contrátil. Quando há entrada de água por osmose, em quantidade superior àquela que a célula consegue
tolerar, o vacúolo pulsátil bombeia o excesso de água para fora da célula.

B - Difusão simples
Consiste na passagem de partículas de soluto do local de maior para o local de menor concentração, tendendo a estabelecer um
equilíbrio. É um processo geralmente lento, exceto quando o gradiente de concentração é muito elevado ou quando as distâncias a
serem percorridas pelas partículas forem muito pequenas. A passagem de substâncias relativamente grandes através da membrana se
dá por intermédio de poros que ela possui, e que põe diretamente em contato o hialoplasma e o meio extracelular. A velocidade com a
qual determinadas moléculas se difundem pelas membranas das células depende de alguns fatores, anteriormente citados: tamanho das
moléculas, carga elétrica, polaridade, etc.
 

C - Difusão facilitada
Algumas substâncias entram nas células a favor do gradiente de concentração e sem gasto de energia, mas com uma velocidade muito
maior do que a que seria esperada se a entrada ocorresse por difusão simples. Nas células, isso acontece, por exemplo, com a glicose,
com os aminoácidos e com algumas vitaminas. As substâncias "facilitadoras", presentes nas membranas celulares, são as permeases,
e têm natureza protéica.

2) Transporte Ativo
Nesse mecanismo de transporte, atuam moléculas carregadoras que também são proteínas. Ocorre contra o gradiente de concentração
e com gasto de energia.
Os mecanismos de transporte ativo agem como "portas giratórias", que recolhem uma substância em uma das faces da membrana e a
soltam na outra face.

Alguns mecanismos realizam uma troca de partículas, levando uma de dentro para fora e outra de fora para dentro. Um exemplo desse
tipo de transporte é a bomba de sódio e de potássio, que recolhe um íon sódio na face interna da membrana e o solta no lado de fora
da célula. Na face externa, prende-se a um íon potássio, que é lançado no meio intracelular. Esse mecanismo permite que a célula
mantenha alta concentração de potássio dentro da célula e alta concentração de sódio no meio extracelular. A energia empregada pelos
mecanismos de transporte ativo vem do ATP, produzido nas mitocôndrias, durante a respiração celular.

3) Transporte de Massa
As células são capazes de englobar grandes quantidades de materiais "em bloco". Geralmente, esses mecanismos são empregados na
obtenção de macromoléculas, como proteínas, polissacarídeos, ácidos nucléicos, etc. Essa entrada de materiais em grandes porções é
chamada endocitose. Esses processos de transporte de massa sempre são acompanhados por alterações morfológicas da célula e de
grande gasto de energia. A endocitose pode ocorrer por dois mecanismos fundamentais:
 
A - Fagocitose
É o processo pelo qual a célula engloba partículas sólidas, pela emissão de pseudópodos. Nos protozoários, a fagocitose é uma etapa
importante da alimentação, pois é a forma pela qual esses organismos unicelulares conseguem obter alimentos em grandes quantidades
de uma só vez. Nos metazoários, animais formados por numerosas células, a fagocitose desempenha papéis mais específicos, como a
defesa contra microorganismos e a remodelagem de alguns tecidos, como os ossos.
 
B - Pinocitose
Processo pelo qual a célula engloba gotículas de líquido ou partículas de diâmetro inferior a 1 micrômetro.

Fagocitose Pinocitose

Curiosidade: As substâncias hidrossolúveis que atravessam a membrana plasmática são: água (H2O), oxigênio (O2), gás
carbônico (CO2), uréia, vitamina C, glicose, ácido salicílico, ácido láctico, proteínas pequenas (menores que o tamanho dos
poros das proteínas transportadoras), aminoácidos e sais minerais.

Você também pode gostar