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MINISTÉRIO DA EDUCAÇÃO

INSTITUTO FEDERAL DE EDUCAÇÃO, CIÊNCIA E TECNOLOGIA DO PARÁ


UNIVERSIDADE ABERTA DO BRASIL

DELCI DO SOCORRO SILVA DA SILVA PEREIRA

A IMPORTANCIA DA PARTICIPAÇÃO ATIVA DOS PAIS NA VIDA ESCOLAR DA


CRIANÇA

Santana– AP
2018
DELCI DO SOCORRO SILVA DA SILVA PEREIRA

A IMPORTANCIA DA PARTICIPAÇÃO ATIVA DOS PAIS NA VIDA ESCOLAR DA


CRIANÇA

Trabalho de Conclusão de Curso (TCC)


apresentado ao Instituto Federal de
Educação, Ciências e tecnologias do Pará
(IFPA) junto com Universidade Aberta do
Brasil (UAB) como requisito parcial e
obrigatório para a obtenção do título de
licenciada em Pedagogia.

Orientador (a): Aurilena Ferreira Haick.


Tutor (a): Ermelinda Nobrega de M. Melo

Santana – AP
2018
DELCI DO SOCORRO SILVA DA SILVA PEREIRA

A IMPORTANCIA DA PARTICIPAÇÃO ATIVA DOS PAIS NA VIDA ESCOLAR DA


CRIANÇA

Trabalho de Conclusão de Curso, apresentado ao Instituto Federal de Educação,


Ciências e tecnologias do Pará junto com Universidade Aberta do Brasil, como
requisito parcial e obrigatório para a obtenção do título de licenciada em Pedagogia,
avaliada pela seguinte banca examinadora

________________________________________
Profª. Aurilena Ferreira Haick- (Orientadora).
Pós-graduada em Orientação Educacional.

________________________________________

Profª. Maria de Fátima Soares Ferreira.


Mestre em Ciências da Educação

Profª. Márcia Nobre Herrera de Melo.


Graduada em Licenciatura e Bacharelado em História.
Especialista em História do Amapá e Mestre e História Moderna e Conteporânea

Profª. Wellesandra das Neves Monteiro


Graduada em Licenciatura Plena em Pedagogia.
Pós-graduada em Docência do Ensino Superior e
Mestre em Educação

Santana - AP
2018
Dedico em especial ao meu marido José
Pereira e aos meus filhos que sempre
acreditaram que eu ia conseguir e por
isso sempre me apoiaram
incondicionalmente.
AGRADECIMENTOS

À minha orientadora, Aurilena Ferreira Haick, pela prontidão e disposição em


me acompanhar, pela sua orientação e amizade.

Ao Curso de Licenciatura em Pedagogia (Repercurso) do Instituto Federal de


Educação, Ciência e Tecnologia do Pará e a Universidade Aberta Do Brasil pela
oportunidade de formação e pelo apoio recebido.

Ao colegiado do Curso de Lincenciatura em Pedagogia, pela compreensão


aos momentos difícil.

Aos Professores que corrigiam as atividades que mesmo a distância


contribuiram muito para essa conquista.

E ao Professor Carlos Alberto Silvério Meirelles por estar sempre a


disposição em ajudar e cooperar para o bom êxito do meu trabalho.

.
“Se a gente quiser modificar alguma coisa, é pelas
crianças que devemos começar. Devemos
respeitar e educar nossas crianças para que o
futuro das nações e do planeta seja digno. ”

AYRTON SENNA
RESUMO

O presente trabalho teórico e de campo discorre sobre a importância da participação


ativa dos pais na educação dos educandos durante toda sua jornada escolar, a partir
de um relato de experiência vivenciado pela graduanda, realizado na Escola
Municipal Vera Lúcia Pinon Nery, nível fundamental, onde trabalha, no período de
julho a novembro de 2017. Detectou-se que é de grande importância que haja a
participação familiar no processo educional junto à instituição, pois através do
trabalho conjunto, possibilitará a formação de cidadãos críticos, reflexivos e dotados
de potencialidades e habilidades, para que dessa forma, oportunize à escola, o
cumprimento de sua função básica e social. Fica evidente que, quanto mais os pais
e a escola estivem envolvidos, atuando como verdadeiros parceiros, maiores serão
os ganhos e disposição nos esforços convergentes para educação escolar da
criança, e, por consequência, haverá maior competência para o desenvolvimento de
diversas habilidades por parte dos alunos.

PALAVRAS CHAVE: Família, Escola, Processo de educação.


ABSTRACT

The present theoretical and field research deals with the importance of the active
participation of the parents in the education of the children throughout their school
day, starting from an experience report by the undergraduate, realized in the
Municipal School Vera Lúcia Pinon Nery, fundamental level, where works in the
period from July to November 2017. It was found that it is of the utmost importance
that the family participate in the education process together with the instuition,
because through joint work, it will enable the formation of critical, reflective and gifted
citizens. Potentialities and abilities, so that, in this way, it allows the school to fulfill its
basic and social function. It is evident that the more parents and the school are
involved, acting as true partners, the greater the gains and willingness in the
convergent efforts for school education of the child, and consequently, there will be
greater competence for the development of various skills on the part from the
students.

KEYWORDS: Family, School, Education Process.


LISTA DE GRÁFICOS E TABELAS

Gráfico 1 – Presença dos pais nas reuniões ............................................................. 44


Gráfico 2 – Importância da participação dos pais nas reuniões. ............................... 44
Gráfico 3 – Justificativas dos pais que não participaram das reuniões. .................... 45
Gráfico 4 – Participação dos pais no dever de casa ................................................. 45
Gráfico 5 – Ajuda com o dever de casa..................................................................... 46
LISTA DE ABREVIATURAS E SIGLAS

ECA - Estatuto da Criança e do Adolescente


LDB - Lei de Diretrizes e Bases
PPP - projeto político pedagógico
SUMÁRIO

1 INTRODUÇÃO ........................................................................................... 111


1.1 QUESTÃO .................................................................................................. 133
1.2 OBJETIVOS................................................................................................ 133
1.2.1 Objetivo Geral ........................................................................................... 133
1.2.2 Objetivos Específicos .............................................................................. 133
1.3 JUSTIFICATIVA.......................................................................................... 143

2 REFERENCIAL TEÓRICO ......................................................................... 155


2.1 TODOS TÊM DIREITO À EDUCAÇÃO ...................................................... 155
2.2 A ESCOLA .................................................................................................. 177
2.3 FAMÍLIA ...................................................................................................... 199
2.4 FAMÍLIA E ESCOLA ................................................................................... 211
2.5 A DIFICIL ARTE DE EDUCAR ................................................................... 299
2.6 DIREITOS E DEVERES .............................................................................. ,30
2.7 A PARTICIPAÇÃO DA FAMÍLIA NA EDUCAÇÃO ESCOLAR .................... 322
2.8 ESCOLA SEM CONFLITO – PARCERIA COM OS PAIS .......................... 344
2.9 ESCOLA – INSTITUIÇÃO NECESSÁRIA PARA TRANSFORMAÇÃO ...... 356

3 PROCEDIMENTOS METODOLÓGICOS ................................................... 378


3.1.1 Trabalho de campo. .................................................................................... 39
3.1.2 Relato da observação ocorrida na escola. ............................................. 401
3.1.3 Perguntas feitas aos pais......................................................................... 423
3.1.4 PERGUNTA FEITA AOS PROFESSORES ............................................... 466

4 CONSIDERAÇÕES FINAIS ....................................................................... 477

REFERÊNCIAS ....................................................................................................... 488


11

1 INTRODUÇÃO

Na atualidade, tem se observado que a família vem passando para a escola


uma grande responsabilidade, que consiste em educar e ensinar seus filhos e fica
na expectativa que a mesma transmita valores que por natureza é obrigação dos
pais como: princípios éticos, pessoal, assim como valores morais e sociais. Usam
como justificativa falta de tempo por terem uma grande jornada de trabalho, assim
não há como dispor de tempo para cuidar da vida escolar dos filhos. /
Do outro lado, a escola tem afirmado que o êxito do processo educacional
não pertence somente a ela, depende, e muito, da atuação e participação ativa da
família, que deve estar atenta a todos as particularidades da evolução do seu filho.
Afirma também que a escola tem se afastado da família, pelo fato de a mesma ter
transferido a responsabilização pela formação completa do aluno, desviando assim a
escola do seu propósito original que é transmissão de conhecimentos e formação
acadêmica do educando. /
É digno de elogios os esforços que escola tem feito para buscar a parceria
das famílias através de reuniões, palestras, confraternizações e projetos de
intervenções, onde toda a comunidade escolar tem interagido com um único
objetivo, estreitar os laços e relacionamentos entre famíliares e instituição escolar,
fazendo com que os mesmos desenvolvam relações afetivas entre pais e filhos
dentro desse ambiente.
Contudo, diante a observação realizada na Escola Municipal de Ensino
Fundamental Vera Lúcia Pinon Nery, notou-se que os pais não têm colaborado com
a escola e ainda continuam muito ausentes em se tratando do acompanhamento da
vida escolar de seus filhos, percebeu-se também que essa ausência, não é só vida
escolar, mas no dia a dia da criança.
Ficou claro também que a maioria dos alunos exibem grande dificuldade com
relação a aprendizagem, assim como há uma falta muito grande de interesse pelas
aulas, causando assim um índice muito alto de evasão e de repetência.
Foi percebido que a escola e a família, assim como outras instituições, tem
passado por fortes transformações no decorrer do tempo e estas mudanças
acabam por interferir na organização familiar e na evolução escolar de forma que a
família, devido as circunstâncias, como por exemplo o fato de as mães como o
único pilar da família ter que trabalhar para manter o sustento da casa, e por esse
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motivo ter transferido para a escola a maioria das tarefas educativas que por ordem
natural deveriam ser suas.
Como afirma ESTEVE (2004, p. 24), [...] “dentro de nossa própria cultura, não
precisamos sair de nossa própria cidade nem mesmo de nosso próprio bairro, um
certo dia observamos a nossa volta e nos damos conta de que quase tudo mudou,
que mal somos até mesmo incapazes de saber como as coisas funcionavam ou
funcionam”. Sentimo-nos, então, tão confusos como se tivéssemos mudado para
uma sociedade distante e estranha, mas sem esperança de retornar e reaver aquele
ambiente bem conhecido no qual sabíamos nos arranjar perfeitamente.
Dessa forma, percebeu-se que é uma incumbência difícil, fazer a avizinhação
entre família e escola, devido à falta de esclarecimentos a respeito do processo
educacional e seu objetivo final.
Para que essa parceria aconteça tanto a família como a escola tem que
estarem ciente de suas responsabilidades ou seja; os pais não podem
responsabilizar a escola ela educação total de seus filhos e a escola não pode
eximir-se de ser a segunda, mas não menos importante, responsável pelo processo
de formação do educando.
O capítulo 1 traz a introdução, a questão envolvida no trabalho que é o motivo
da existência do mesmo, que é saber a relevância da participação de fato dos pais
no processo educativo de seus filhos, os objetivos do trabalho que estão
relacionados ao problema supracitado, que é o de investigação da temática e
demonstrar a relevância de escola e família serem parceiras e a justificativa, que são
elencadas em três tipos, organizacional, acadêmica e social, demonstrando os
motivos para que este estudo se concretize.
O capítulo 2 apresenta o referencial teórico, composto do corpo do trabalho,
com os termos mais importantes para o entendimento dele: a escola, a família, os
desafios de educar, direitos e deveres dos responsáveis legais, a participação da
família na educação escolar, a parceria da escola com os pais, a necessidade de
escolarização para se transformar indivíduos
O capítulo 3 traz a metodologia dividida em duas partes, a primeira alicerçada
pelas referências bibliográficas inseridas no capítulo 2 e o estudo de caso, relatado
no capítulo 3.
O capítulo 4 apresentará a conclusão, que faz a síntese dos temas elencados
no trabalho e os aspectos mais importantes e relevantes observados.
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Visando alcançar os objetivos propostos, utilizou-se como recursos


metodológicos, a pesquisa bibliográfica e o estudo de caso, a partir da análise de
trabalhos disponíveis na literatura.
O texto final teve como embasamento as concepções e entendimentos de
autores como: Almeida (2004), Reis (2010) e Sousa (2012).

1.1 QUESTÃO

Visando desenvolver o ensino e a aprendizagem faz-se necessário que tanto


a escola como a família, ambas devem estar trilhando os mesmos passos, à medida
que fossem um só organismo, onde todos os órgãos trabalham para o bem-estar
para que o corpo todo funcione em plena harmonia.
Portanto deve-se esclarecer que para que a aprendizagem siga seu processo,
escola e família devem conscientizar-se que uma depende da outra, pois se junta
caminharem, com certeza o resultado será alcançar o êxito desejado. Observando o
contexto faz-se a seguinte pergunta problema: qual a importância da participação
ativa dos pais na vida escolar dos educandos?

1.2 OBJETIVOS

1.2.1 Objetivo Geral

Investigar através da pesquisa teórica e de campo a importância da


participação ativa dos pais na vida escolar da criança.

1.2.2 Objetivos Específicos

Os objetivos específicos do trabalho são:


a) Pesquisar conceitos que mostrem porque a atuação dos pais é importante
na formação da criança;
b) Mostrar porque a família e a escola devem estar unidas na educação da
criança;
c) Comprovar através de entrevistas, que embora essa parceria seja
importante, está longe de se concretizar.
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1.3 JUSTIFICATIVA

A pesquisa é justificada pela obrigação de contribuir com a metodologia de


ensino e de aprendizagem de crianças de 6 a 10 anos dos anos inicias do ensino
fundamental (1° a 5°) e por entender que é muito relevante que escola e família
sejam parceiros, visando o êxito da formação do aprendiz nessa faixa etária e em
toda sua vida escolar, podendo desenvolver-se com louvor tanto intelectualmente,
como moralmente
O Interesse pelo tema surgiu a partir da vivencia e observações no cotidiano
da escola, onde percebeu-se muitas vezes a falta ou nenhum apoio dos pais na vida
dos filhos, tanto no cotidiano fora, como dentro da instituição.
Foi observado também, que apesar dos esforços de alguns educadores em
buscar a parceria dos pais, não obtiveram o êxito esperado.
Além do interesse da pesquisadora pela temática, o estudo se justifica pelas
seguintes razões:
No campo organizacional – pelas contribuições que trará para profissionais da
área sobre tudo diretores e pedagogos;
No campo acadêmico – importante pelas contribuições que trará para
professores, pesquisadores e estudantes de licenciatura e áreas afins;
No campo social – a pesquisa justifica-se pelo fato que pais que realmente
participam da vida escolar dos filhos serão muito importantes para que o educando
alcance o sucesso.
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2 REFERENCIAL TEÓRICO

2.1 TODOS TÊM DIREITO À EDUCAÇÃO

A Lei de Diretrizes e Bases (LDB), de 1996, enfatiza que a educação é um


direito assegurado para a criança. Para idades abaixo dos seis anos, a frequência
dela nas creches e pré-escolas, é opcional para os pais, ficando sob a
responsabilidade do Estado, a obrigação de ofertar vagas nestes espaços. No
ensino fundamental, a partir dos sete anos, a educação tem caráter obrigatório.
O poder público não pode deixar de atender à busca por vagas feita pelos
pais e eles não devem deixar os filhos sem ir à escola, estando ambos sujeitos às
penalidades previstas em lei. Fica claro que tanto as crianças como os adolescentes
possuem seus direitos assegurados não apenas pelos familiares, bem como
também pela sociedade e pelo Estado.
Não é nada fácil, conceituar educação, já que ela envolve uma série de
conceitos e se expande a diversas áreas como antropologia, sociologia, economia,
psicologia, biologia, história e pedagogia. Para alguns, importa mais a educação
como instituição social; para outros, a educação como processo de aprendizado e
obtenção de conhecimentos sistematizados.
Compreende-se por educação todos os processos sociais relativos à
aprendizagem, que existem em cada lugar, pois, ela constitui parte fundamental de
um modo de vida dos grupos sociais que criam e recriam outras invenções de sua
cultura em sociedade, a educação possui dinamismo, ou seja, evolui e se
movimenta conforme as circunstâncias (BRANDÃO, 1978).
A educação faz parte do procedimento de criação e de ideias, de
competências e especialidades que envolvem as transformações de vários formatos
de informações que conjuntamente, darão origem a outros tipos de sociedades.
Também diz respeito ao raciocínio que o indivíduo que educa possui sobre a
educação, afirmando que a instrução é o que dá a formato ao brilho para que, a
partir disso, a pessoa tenha condições de crescer, ou seja, se construir.
Na medida em que o indivíduo provoca mudanças, pelo desafio que lhe é
imposto, o homem se educa. Conforme ele vai comunicando os resultados de sua
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experiência, ele alcança seu objetivo que é contribuir para que os outros homens se
eduquem, tornando-se generoso.
Nota-se que a educação nos possibilita encontrar um norte para chegar onde
queremos, já nascemos com o desejo nato de aprender e com um grande potencial
e só precisamos de motivação seguida por um grande estímulo, que pode vir de
professores, pais e amigos.
A Educação inicia-se no instante em que nascemos e perdura por toda a vida
e continuará presente por bastante tempo. É construído na vivência, no aprender a
ser, na convivência com as pessoas, no relacionar os seus saberes com o cotidiano.
O homem pode ser educado livremente ou de forma obrigatória, ou seja, por um
sistema centralizado de poder, reforçando ainda mais a desigualdade de classes
sociais.
Conforme algumas obras relatam, a educação e política não devem caminhar
associadas, pois uma influi na outra. Entretanto, várias opiniões variam a esse
respeito. Quando se fala em educação, a tendência é ligá-la à escola, prevalecendo
a ideia de que ela é a única responsável pela educação do indivíduo. A educação
está em permanente evolução, embora seu objetivo principal seja permanente.
(Transmissão de saberes), encontrando-se em constante variação, para que possa
se adaptar às necessidades e circunstancias que vão surgindo no meio social.
Ocorre de modos e em lugares diferentes e, mesmo assim, todos participam
dela, conforme diz Moraes (1997): para tanto, a educação deverá ofertas
possibilidades e instrumentos que auxiliem o aluno a aprender a aprender, a
aprender a pensar, a conviver e a amar. Uma educação que incentiva na formulação
de hipóteses, tomada de decisão e construção de trajetórias.
A educação agrupa diversos processos de comunicação e interação, pelos
quais os sujeitos de um segmento absorvem valores, saberes, habilidades, atitudes,
técnicas existentes no meio culturalmente preparado e, com isso, chegam ao nível
necessário para produzir outros conhecimentos, técnicas e valores.
Além disto, tem o dever de aprender, a enfrentar uma permanente
readequação das emoções, das sensibilidades, da racionalidade e dos
conhecimentos. Nunca seremos o mesmo indivíduo após aprendemos algo
significativo, por menor que seja.
Segundo Gadotti (1997, p. 162): “a transferência de qualidade nas relações
que conserva a sociedade ativa é fruto de um demorado e por vezes violento
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processo de crescimento quantitativo, no interior dessas mesmas relações”. É uma


guerra solitária, do cotidiano, e até certo ponto, inglória.
É o trabalho muitas vezes desconhecido, do professor. A educação só pode
ser modificada nessa luta solitária do cotidiano, na lenta tarefa de transformação de
pensamentos, na guerra ideológica se inicia na escola.
É conhecido que o mundo contemporâneo pensa em educação e isso é de
grande importância para que haja uma mudança verdadeira e extensa. E para que
esta mudança ocorra é necessário que cada segmento, Estado, sociedade, escola e
família possam arcar com suas responsabilidades.

2.2 A ESCOLA

A escola nem sempre foi assim da maneira que é conhecida hoje. Em outros
momentos vários tipos de culturas ou caminhos visando percorrer a extraordinária
aventura de lidar com o conhecimento e as aptidões que ele carrega consigo. A
escola da atualidade vem sendo escopo de estudo, julgamentos e esquemas que
diversas vezes esquecem de considerar os que realmente estão inseridos nela.
A LDB define que a escola deve estar vinculada ao mundo do trabalho e às
práticas sociais. Desta forma, é esperado que a educação escolar prepare o
educando para a vida inspirando o mesmo a desenvolver princípios de liberdade
junto com ideais de solidariedade, características do indivíduo. Por ser considerados
universais esses valores devem direcionar toda atividade educativa da escola, das
famílias, das organizações sociais, e de outros segmentos que estejam dispostos a
ajudar com a educação escolar.
A contínua presença dos pais na escola pode provocar um certo incômodo e
isso poderá ser percebido. Principalmente quando essa presença é apenas para
fazer cobranças ou pedir explicações sobre isso ou aquilo sem conhecimento de um
todo. Porém hoje, a presença dos pais e da comunidade está sendo muito
requisitada e considerada como uma das maiores responsáveis pela ampliação das
possibilidades de uma boa relação, tanto para a escola, como para as famílias.
Tanto a instituição, como a família têm um papel importante: ajudar no progresso e
formação da criança. Quando se fala de escola, logo se pensa em conhecimentos e
saberes, e por esse motivo, diversas vezes é confundida com a própria educação.
Pois para muitos “ a escola é o berço da educação ou sela, onde ela começa”.
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Conforme Heidrich (2009), a escola foi criada para servir à sociedade. Por
esse motivo, ela tem a obrigação de dar uma satisfação no que diz respeito ao seu
trabalho, explanar de modo claro como realiza e como conduz a aprendizagem das
crianças criando assim, formas que os pais pudessem acompanhar a vida escolar
dos filhos, mas não é somente a instituição, a responsável pela educação. A
comunidade de modo geral também tem uma pequena parte de contribuição nesse
processo, como por exemplo as manifestações culturais que influenciam de alguma
forma na vida e na educação do indivíduo, pois, cada pessoa traz consigo, sua
própria identidade familiar, isto é, seus próprios pensamentos e valores, ou seja,
cada um têm suas características psicológicas únicas.
O caráter e a personalidade da pessoa são formados quando ainda são
novos e, tanto os familiares quanto a escola, certamente, são os principais
responsáveis por este desenvolvimento.
A escola, por apresentar uma extensão maior, proporcionaliza uma
socialização bem mais ampla que o convívio familiar. É na escola que o indivíduo
passa a conviver com outras crianças, experimenta e conhece um ambiente
completamente novo, com novas normas e novas concepções educativas.
A escola abre portas as novas experiências, muito diferente do universo
familiar, pois proporciona novos tipos de conhecimentos, capazes de causar grandes
transformações na vida dos indivíduos e em todo seu processo de formação. É na
escola que ele tem os primeiros contados com o conhecimento sistematizado e
passar de fato a interagir com pessoas de ambientes e mundos bem diferentes dos
que ele até agora ele conhecia. Conforme a idade da criança também é oferecida na
escola atividades diversificadas e especificas, que naturalmente não ocorre em
casa.
Reconhecer a relevância da educação pode, de fato, consolidar um canal de
interlocução com os familiares, visando aumentar a confiança entre os pais e escola.
Segundo Moraes (1997), a solidariedade, a harmonia e a paz, são realmente coisas
aprendidas na escola, pois ela é a grande responsável por isso, não pelos
conteúdos elaborados de preferência para as crianças, mas sim, pela importância do
convívio em sociedade, porém, é necessário também estar de mente aberta para
aceitar os novos paradigmas.
Gadotti (1997) ressalta que o ensino atual está se reformulando a partir de
outro olhar que os educadores estão tendo dela: longe de ser um lugar permanente,
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imutável, ela está sendo descoberta como um lugar temporário, inacabado,


insuficiente. E descobrindo sua insuficiência tida como geral, abre-se para o
profissional do ensino uma situação que lhe causa desconforto e conflito.

2.3 FAMÍLIA

Nos últimos vinte anos, tem ocorrido várias mudanças na sociedade no que
diz respeito ao processo internacional de integração, social, cultural, política e da
economia capitalista que vem afetando a evolução e a composição original da
família causando assim, transformações em sua estrutura tradicional.
Em um estudo feito por Pereira (1995), é explicado que a diminuição na
quantidade de casamentos, assim como o crescimento de famílias que vivem
somente juntos, ou vivem só com a mãe ou só com o pai, entre outros casos, tem
tornado as famílias da atualidade bem variadas.
Antigamente, as famílias eram constituídas de pai, mãe, filhos e parentes
próximos que viviam no mesmo ambiente, atualmente, essa realidade mudou,
existindo casos em que os pais moram separados.
Considera-se família, todo e qualquer grupo que possua algum parentesco e
que seja responsável pela manutenção das necessidades básicas e socialização
das crianças, sendo ligados ou não pelo sangue, aliança ou adoção que estão
morando num mesmo ambiente ou não, por um tempo indeterminado.
Entretanto, é necessário ressaltar que essas mudanças não devem ser
entendidas como pontos negativos. A aparente desorganização familiar representa
uma parte dos aspectos da reestruturação que ela vem sofrendo, os papéis sociais
atribuídos entre o homem e a mulher tendem a se modificar não só em casa, mas
também no local trabalho, na rua, na recreação e em outras esferas da atividade
humana. Portanto, não se fala mais em família, mas de “famílias”, para que se possa
tentar entender a diversidade de relações que convivem em nossa sociedade.
O refúgio familiar é o lugar indispensável para a garantia da sobrevivência e
da proteção integral dos filhos e demais membros, independentemente do formato
familiar ou da forma como vêm se estruturando.
Várias dificuldades podem ser encontradas na educação familiar devido os
reflexos que a sociedade propaga, como fala Cury (2003): nos dias atuais, bons pais
estão dando origem a filhos cheios de ansiedade, alienados, autoritários, sem
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disciplina e angustiados. Neste sentido, além de não possuírem tempo para educar
os filhos a enfrentar os problemas sociais, a própria sociedade é responsável por
não os educar, graças a quantidade de estímulos que exercem na criança.
Dentre eles, encontram-se os chamados para o consumo sem limites, para a
violência, para o sexo sem limites que funcionam como estímulos sedutores que
entram na sua cabeça, mesmo que os pais ensinem os filhos a serem solidários e a
consumirem o necessário, o sistema os corrompe, ensinando o individualismo e a
consumir sem precisar.
Combinando as atitudes desenvolvidas por familiares na educação da
criança, é possível elencar três tipos categorias de pais: os autoritários, os
permissivos e os democráticos.
Os pais autoritários são os que relutam em se comunicar com os filhos, além
de não mostram tanto afeto e serem muito rígidos, restritivos e controladores, quanto
ao grau de exigência para com eles. As condutas são analisadas a partir de um
padrão de exigência já estabelecida e eles apreciam também a obediência às regras
por eles definidas, e não se preocupam em expor aos filhos os motivos destas
imposições.
Tem também os permissivos que são afetuosos e procuram conversar com
eles, no entanto, eles têm dificuldades de colocar limites, pois toleram demais,
chegando até mesmo a serem condescendes com os desejos e atos do filho. Os do
tipo democrático possuem uma conduta equilibrada no controle das ações,
sobretudo, no que se refere ao amadurecimento, independência, respeito,
capacidades e sentimentos de seus filhos. Expressam afetividade e procuram
aguçar a capacidade crítica da criança, são flexíveis, fazendo o filho ter disciplina,
ajustando regras e limites de maneira clara e objetiva.
Nota-se a diferenciação das dimensões e formas de educação familiar onde
os pais podem seguir diferentes comportamentos no que se refere ao incentivo, a
evolução do caráter do filho, criação de regras, condutas, relação afetiva e
autocontrole. Desta maneira, verifica-se que os pais democráticos são aqueles que
efetivamente conseguem executar ações educacionais que estabelecem limites e
regras de conduta de forma construtiva, afetuosa e responsável.
Apesar dos impedimentos, a educação, tanto na família como na escola, não
deve ser mecânica e autoritária. É preciso ajudar a criança a encontrar significado
naquilo que aprende, proporcionando a ela, uma abertura para a vida. Assim, a
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incumbência de educar não é somente da escola, e sim, de toda a sociedade,


começando pela família, concluindo-se que a participação conjunta da escola e
família, é um elemento prevalente de desenvolvimento educacional e
comportamental do filho.
A educação tem passado por um momento difícil, onde a instrução dos pais
tem sido trocada, sistematicamente, pelos acessos de rede social, por um contato
cada vez menor familiar e maior no sentido do uso do Facebook, Instagram, Twitter,
entre outros. Dessa forma, as noções de ética que deveriam ser passadas e
consolidadas pelos pais estão sendo passadas por esses veículos. Por que os pais
estão permitindo que estas formas de comunicação conversarem mais com os filhos
e adolescentes do que eles? Será que noções de limites agora, não seria uma
estratégia para que não venham enfrentar problemas graves no futuro? (SOUSA,
2012).
As décadas de 1960 até 1980 tiveram uma importância muito grande para a
história brasileira, mas também conforme Sousa (2012), marcaram por despedaçar a
estrutura familiar. Muitas conquistas foram conseguidas de fato, mas origina-se
dessa época, o fenômeno de perda dos filhos. Houve a inversão dos valores e
muitas mudanças advindas dessa época, acabou por transformar a conduta das
pessoas, que, em uma linha do tempo, são os pais de hoje.
A inserção do limite a partir do não representa criar indivíduos capazes de
serem alguém no futuro. Os educandos precisam ter ciência que nem tudo é
possível e que as frustações fazem parte do cardápio. Quando você recebe um não,
você aprende a replicá-lo também. Significa dizer para a desonestidade, para as
drogas, para a corrupção, para a mentira.

2.4 FAMÍLIA E ESCOLA

É imprescindível a cooperação entre escola e família desde que as duas


possuam fundamentos e normas semelhantes e caminhem para o mesmo objetivo.
Mesmo possuindo objetivos convergentes, cada parte irá fazer o que lhe cabe
para chegar à finalidade, que significa que as crianças possam ter um futuro digno.
A educação das crianças passa necessariamente por essas duas instituições
necessárias: família e escola.
22

A LDB diz no artigo 2 que a educação constitui dever do Estado e da família


com o objetivo de proporcionar o desenvolvimento da criança e do adolescente, para
que ele possa exercer a sua cidadania e estar preparado para o ofício.
Partindo desta premissa, a família possui papel relevante na aprendizagem
educacional, pois ela se constitui um dos agentes preponderantes com esta
responsabilidade. Segundo Zagury (2002), existe a necessidade da escola e a
família estarem próximas no sentido de colaborar para a evolução do educando.
Desse modo, a família é a primeira educadora da criança, responsável pelos
primeiros passos dado por ela, segundo Szymanzki (2003), é na família que o
educando tem contato com os primeiros “outros” e, através deles, aprende os modos
de existir – seu mundo obtém significado e ela começa a constituir-se como sujeito.
Isso não quer dizer que a escola não possa ensinar valores morais e sociais, mas a
ela, além disso, possui outras qualidades.
A escola, porém, tem uma especificidade primordial – a obrigação de ensinar
bem os conteúdos específicos de áreas do saber, tidos como sendo imprescindíveis
para a instrução de novas gerações. O problema de as crianças aprenderem fração
é da escola. Nenhuma família tem como arcar com esse desafio.
Assim percebemos que as duas instituições têm interesses mútuos, mas cada
qual com seu jeito de educar. Desse jeito, a família passa a participar da escola de
maneiras distintas, podendo desenvolver práticas que facilitem a aprendizagem na
escolar (por exemplo: preparar para a alfabetização) e desenvolver hábitos
coerentes com os exigidos pela escola (hábitos de conversação).
E é nesse sentido que a família passa a participar da escola, com pequenas
intervenções no processo educacional da criança que gera grandes mudanças no
seu comportamento e aprendizado.
Sendo assim, a escola necessita da presença dos pais na escola, para que
possam distinguir quais os obstáculos que a criança encontra dentro e fora da
escola.
Os familiares não devem apenas criticar a escola, nem a responsabilizar pelo
fracasso escolar dos educandos, ela deve sugerir propostas para a instituição,
visando complementar o ensino de seus filhos, deve-se interessar pelos problemas
que seu filho possa encontrar nas disciplinas escolares e se precisam de ajuda
Neste contexto Maranhão (2004) dá ênfase à relevância da relação família e
escola afirmando que o entendimento que os dois consideravam suficiente no que
23

se refere à educação, já não é. O ideal é que pais, professores e comunidade


estreitem seus laços e torne a educação um processo coletivo. Entretanto, não cabe
aos professores educar os pais. Seu alvo é o aluno, independente da história familiar
que carrega e o influencia.
Segundo Maranhão, a instituição deve priorizar a educação dos educandos,
sendo este o seu alvo, mas existem contradições nessa realidade. Muitas vezes os
pais não receberam educação quando pequenos e necessitam de ajuda, para
desenvolverem atividades juntamente com seus filhos.
Dessa maneira, é importante debater: Qual é a relevância do relacionamento
da família e escola no método educacional? De que jeito a família interfere na
metodologia de aprendizagem da criança? E como essa relação família e escola
pode contribuir para o progresso da identidade dessa criança. Esse questionamento
faz parte de um processo que busca encontrar soluções além de procedimentos que
permitam favorecer a evolução da criança.
No que se refere à participação ou não dos pais nas atividades da escola
Szymanzki (2003) afirma que:

[...] sua condição de famílias trabalhadoras dificulta um


acompanhamento mais próximo do trabalho acadêmico das crianças.
Sua baixa escolaridade também dificulta esse acompanhamento.
Mas, mesmo assim, muitas demonstram boa vontade e colabora
(SZYMANZKI, 2003, p.68).

É um ponto comum, entre a escola e a família, o dever de se buscar formas


de articulação entre esses dois componentes. Fácil falar sobre ela, difícil construí-la.
Além do mais, hoje se vê a educação como algo permanente, por toda a existência,
um processo continuado e não mais como uma etapa a ser realizada (REIS, 2010).
Talvez o atual desejo da escola como instituição seja a família mais próxima
dela, para encarar as atuais dificuldades, as intencionalidades e obrigações
decorrentes para efetivar a parceria desejada. Essa relação não diz respeito apenas
aos alunos, mas a todos, familiares, professores e comunidade em geral.
Para que qualquer entidade funcione é necessário que ela saiba executar
bem a sua função e do melhor jeito possível, para que os objetivos sejam
alcançados. Alguns atuam sozinhos e outros em equipe, mas todos atuam em
alguma parte da instituição de ensino, seja porteiro, bibliotecário, secretária e outros
24

que também fazem parte do contexto escolar. São todos educadores, embora,
muitas vezes, não saberem disso.
A escola, certamente, não quer que a família seja responsável pelos
conteúdos ministrados, mas que incentive o seu filho em suas atividades. É uma
parceria entre diferentes instituições. A função da família seria a de fomentar no
educando, o comportamento de estudante e cidadão e o da escola seria orientar aos
pais nos propósitos que a escola deseja alcançar com o aluno e de criar momentos
para que essa integração possa acontecer. Isso não seria possível caso não
houvesse uma facilitação do diretor.
Os educandos precisam ser protegidos e cobrados conforme suas
necessidades e capacidades, protegidas nas situações que não conseguem se
defender e cobradas naquilo que têm condições de fazer. Por esse motivo, escola e
família têm funções parecidas e que se aproximam, que poderiam se resumir,
resumidamente, em como proteger e educar, dar autonomia ao educando,
permanecendo no espaço da troca e de da complementação, sem cair na armadilha
da disputa, objetivando acertos e corrigindo falhas. E entender que o relacionamento
que o aluno mantém com a escola está relacionado não só com o formato de família,
como, também com o relacionamento que os constituintes possuem entre si. Porque
é no momento que o filho é colocado na escola que o sistema familiar fica exposto
(REIS, 2010).
Para que elas sejam realmente eficazes, temos de reconhecer as
particularidades de cada uma e descobrir as relações possíveis existentes para essa
parceria. Ambas estão em crise, sendo criticadas pelo que não realizam e deveriam
realizar em um contexto de grandes transformações, apesar de que, mediante a
tantas críticas, ambas ainda sejam instituições valorizadas.
Podem ser entendidas, a escola e a família ou consideradas como sistemas
humanos em interações permanentes que possuem como elemento de união, o
filho-aluno. O aluno chega à escola com os seus paradigmas, seus medos,
dificuldades e desejos, precisando aprender os valores da instituição e conviver com
o diferente. É um instante rico e delicado para ele, sua família e para a escola (REIS,
2010).
A procura de um bom relacionamento entre família e escola deve fazer parte
de qualquer trabalho educativo que tem como foco a criança. Além do mais, a escola
também realiza uma função educativa junto aos pais, discutindo, informando,
25

aconselhando, encaminhando os mais diferentes assuntos, para que família e


escola, colaborando reciprocamente, possam proporcionar uma educação completa
do educando.
Quando se fala em parceria desejável e convoca-se os pais na participação
na educação, principalmente pelo dever dos pais de participarem por se tratar de
uma estratégia de promoção de sucesso escolar, não se considera as mudanças
históricas e as diversidades culturais nos modos de educação e reprodução social
(REIS, 2010).
Os professores da rede pública que trabalham com crianças das classes
populares têm tido problemas com as funções excedentes que estão tendo que
realizar. As questões sociais influenciam diretamente na escola: crianças famintas,
guardando a merenda para levar para casa, crianças doentes ou com piolho, que
passaram por maus tratos, que revezam cadernos e materiais escolares com os
irmãos, junto com crianças arrumadas, penteadas, falantes e bem alimentadas.
O artigo 18 do ECA afirma que é dever de todos zelar pela dignidade da
criança e do adolescente, colocando-os a salvo de qualquer tratamento desumano,
violento, aterrorizante, vexatório ou constrangedor.
É necessário citar algumas informações fornecidas por Heidrich (2009), que
certamente podem auxiliar nessa participação: acolhimento; apresentar a escola e
os funcionários à família; realizar uma entrevista com os pais e os alunos; propiciar a
participação no projeto político pedagógico (PPP). Essa clareza e exposição da
situação deixam todos mais tranquilos e cientes das dificuldades e das possíveis
soluções e imprevistos que poderiam aparecer no caminho nos quais todos estariam
ali, para dar sugestões e escolher juntos possíveis soluções.

Família e escola: uma importante e necessária relação

A presença dos pais na educação escolar dos filhos é de inestimável


importância, devendo acontecer regularmente, acompanhando todo o processo
educativo. Para que isso ocorra, é preciso que haja sintonia entre a escola e a
família para influenciarem na evolução do educando. Conforme Almeida (2014):

A educação é a ação exercida pelas gerações adultas sobre as


gerações que não se encontrem ainda preparadas para a vida social;
tem por objeto suscitar e desenvolver, na criança, certo número de
26

estados físicos, intelectuais e morais, reclamados pela sociedade


política, no seu conjunto, e pelo meio especial que a criança
particularmente se destine. (ALMEIDA, 2014, p, 41).

Assim, essa nova percepção de educação começa a suscitar uma nova


herança cultural no aluno, onde ele entra em contato com outras pessoas e começa
uma nova forma de socialização. A educação existe sob tantas formas e é praticada
em situações tão distintas, que algumas vezes parece ser invisível, desta forma, é
necessário entender que nestes ambientes a educação que o educando está
recebendo ultrapassa em muito a formativa, a que está sendo planejada e
controlada pelos adultos que tem contato com ele.
Assim, concerne à escola demonstrar interesse por tudo o que o aluno já
conhece e todo o conhecimento que ele adquiriu além dos muros da escola. Tudo
tem o seu devido significado e importância.
Geralmente, os trabalhos que se baseiam nas influências dos pais indicam
que o seu comportamento afeta a personalidade e outros atributos das crianças. Os
filhos podem ter a sua formação desenvolvida sob duas situações - a educação
familiar e a escolar. Caberia aos pais, o compromisso de ensinar aos filhos os
preceitos morais, bem como atitudes e comportamentos que devem ser
reconhecidos diante da sociedade e à escola, os conhecimentos científicos
(ALMEIDA,2014).
No aspecto teórico, a família tem que se comprometer com a formação do
educando, e a escola, com o conjunto de informações que permitem tomar ciência
das coisas. A escola nunca deveria tirar o lugar dos pais na educação, pois os filhos
são para sempre filhos e os alunos ficam apenas algum tempo ligados às
instituições de ensino que frequentam.
Nesse contexto é possível observar a diferenciação das funções da família e
da escola, compreendendo que uma precisa da outra, e caso uma dessas
instituições não cumpre o seu papel, a outra fica sobrecarregada e acaba por
atrapalhar a evolução da criança (ALMEIDA, 2014).
Neste processo, a criança não é passiva: ela seleciona, interpreta as
experiências, constrói estratégias que podem levar a mudanças nas suas relações
com seus pais e a revisões nas práticas destes, com efeito da experiência da
criança sobre as práticas. O ponto de vista das crianças traz contribuições
27

indispensáveis à compreensão de sua experiência e é importante levá-lo em


consideração.
O professor exerce na sociedade a função de contribuir para que os alunos
desenvolvam um posicionamento crítico sobre o mundo e tornem-se indivíduos
dotados de autonomia. E para que isso ocorra da melhor forma possível, torna-se
necessário que o professor também desenvolva uma boa relação com o aluno. A
função social desempenhada pela escola é o de educar e formar cidadãos
capacitados para conviver com as diferenças e respeitá-las.
A aprendizagem da criança não acontece apenas em um ambiente, ela está
aprendendo em todo o momento, ao ter contato com outras pessoas e presenciando
diferentes situações, pois são nestes momentos que ela pode aplicar o que
aprendeu tanto em casa como na escola. Desta forma, a instituição escolar não
pode estar desvinculada do mundo familiar e, sobretudo, da história social das
famílias, de suas bases de conhecimentos e dos objetivos do ensino de todas as
pessoas adultas que participam no processo educacional da criança.
Segundo Almeida:

A divulgação de valores positivos com relação ao saber e ao


estudo junto aos pais, para que estes trabalhem esses valores com
seus filhos em casa, depende de uma comunicação muito eficiente
entre escola e pais.... Parece haver, por um lado, uma incapacidade
de compreensão, por parte dos pais, daquilo que é transmitido pela
escola; por outro, uma falta de habilidade dos professores para
promoverem essa comunicação. (ALMEIDA, 2014, p.68).

Para que se estabeleça um elo de confiança entre pais e escola, é necessário


um trabalho em conjunto das duas partes, para que a comunicação seja
estabelecida de forma eficaz.
Na maioria das vezes, a família não se aproxima da escola, pois entende que
se trata de um ambiente muito diferente do qual está acostumada, ficam tímidos
diante dos professores, possuem medo da reprovação dos filhos e a lacuna que
sentem da “cultura” da escola os levam a ver a escola não como uma continuidade
em suas vidas, mas como algo separado de suas experiências (ALMEIDA, 2014).
Para um melhor entendimento da relação entre família e escola, a tipologia de
envolvimento parental de Epstein fala de cinco formas de envolvimento para esses
contextos:
28

TIPO 1: OBRIGAÇÕES ESSENCIAIS DOS PAIS:


Reproduz as ações e atitudes das famílias que se relacionam com
desenvolvimento completo do educando e a promoção da saúde e proteção. Além
da capacidade de atender às demandas da criança, levando em conta sua etapa de
desenvolvimento para inserção na escolarização formal, é tarefa da família criar um
ambiente propício para a aprendizagem escolar, junto com o comportamento
sistemático e orientações contínuas relacionadas aos hábitos de estudos e as
tarefas escolares (ALMEIDA, 2014).
TIPO 2: OBRIGAÇÕES ESSENCIAIS DA ESCOLA:
Mostra as formas distintas e estratégias preconizadas pela escola com o
objetivo de mostrar e discutir os tipos de programas existentes na escola e
demonstrar os progressos da criança, em diferentes graus, para os pais ou
responsáveis, a explicação das normas adotadas, do funcionamento geral da escola,
dos métodos de ensino e de avaliação e abertura de espaços, onde os pais possam
participar de forma ativa e dar suas sugestões sobre estas temáticas.
TIPO 3: ENVOLVIMENTO DOS PAIS EM ATIVIDADES DE COLABORAÇÃO
NA ESCOLA
Diz respeito a como os pais trabalham com a direção escolar no que se refere
ao funcionamento geral da escola, ou seja, em programações, reuniões, eventos
culturais e atividades extracurriculares, visando o auxílio a professores, orientadores,
coordenadores e apoio pedagógico em suas atividades especificas, seja mediante
ajuda direta, em sala de aula ou na preparação de atividades festivas.
TIPO 4: ENVOLVIMENTO DOS PAIS EM ATIVIDADES QUE AFETAM A
APRENDIZAGEM E APROVEITAMENTO ESCOLA, EM CASA.
Define-se pelo uso de mecanismo e estratégia pelos pais para acompanhar
as tarefas escolares, comportando-se como tutores e mediadores, atuando de forma
independente sob a orientação do professor (ALMEIDA, 2014).
TIPO 5: ENVOLVIMENTO DOS PAIS NO PROJETO POLITICO DA ESCOLA:
Demonstra a participação afetiva dos pais na tomada de decisão com relação
às metas e aos projetos escolares. Mostra as formas distintas de organização,
desde o estabelecimento do colegiado e da associação de pais até intervenções na
política local e regional.
29

Assim, ao ser estabelecida uma relação de parceria entre a escola e a família,


os resultados no desempenho escolar dos alunos refletirão tanto no escolar como no
social.
Certifica-se que o educando, mediante essa socialização secundária, que se
traduz no ensino dos conhecimentos e na aprendizagem dos valores sociais, ele terá
a chance de aprender a viver em uma sociedade democrática que envolve o
reconhecimento do outro e a busca por coordenar perspectivas diferentes,
administrar conflitos de uma maneira disciplinada e justa, estabelecer relações e ver
a necessidade das regras para se viver bem. O educando será capaz de enfrentar
situações cotidianas, de maneira consciente e saudável, independente do lugar que
está, pois já está acostumado com isso (ALMEIDA, 2014).

2.5 A DIFICIL ARTE DE EDUCAR

Educar os filhos não é uma ocupação simples, constitui um desafio de base


natural e permeado de requisitos da própria essência humana, cheia de conflitos,
desgastes emocionais, crises e dificuldades, que na maioria das vezes, não tem
como se evitar (SOUSA, 2012).
Na certeza que eles irão encontrar o próprio caminho, certos pais deixam de
impor limites e uma certa dose de autoridade. Ficam com receio de serem rotulados
de “caretas” e entendem que repreender as crianças em suas reações, pode
atrapalhá-los de se tornarem adultos normais e sem traumas. Os adultos que,
quando mais novos, não experimentaram limites, apresentam-se hoje, como
pessoas que possuem insegurança, indecisão, falta de persistência e não absorvem
bem perder algo. Podem desenvolver atitudes de manipulação e mentir, como
maneira de conseguir o que querem. Demonstram dificuldade em adquirir
responsabilidades, em cumprir aquilo que se comprometeram.
Pais severos rechaçam, agressivamente, condutas que não atendem a sua
expectativa, demonstram quase nenhum carinho, possuem dificuldade de
reconhecer e elogiar os seus filhos. Eles apresentam baixa estima, acham-se
culpados da situação, acabam por temer os desafios, por meio da conduta submissa
ou agindo com rebeldia e explosões emocionais sem razão (SOUSA, 2012).
Pais e filhos possuem o direito de demonstrar descontentamento, raiva e
medo. Entretanto, isso não significa que podem agredir, atirar ou quebrar coisas
30

quando estão chateados. Caso os filhos vejam os pais debatendo, porém,


conseguindo chegar em um consenso, podem aprender lição valiosa. Os pequenos
aborrecimentos contribuem para o enfrentamento de outros, maiores, que a vida
poderá trazer. Os filhos necessitam compreender que a raiva pode até fazer parte,
mas que o ódio e a maldade, jamais.
A raiva entre os filhos pode até existir, contudo, os pais não podem se agredir
fisicamente. Desejar e sentir são práticas aceitáveis e legítimas, mas diversos
comportamentos não devem ser aceitados nem estimulados. As crianças descobrem
como ficarem calmas, a se concentrarem no problema e se recuperarem das
frustrações (SOUSA, 2012).
Um dos grandes desafios é focar na resolução dos problemas, sem atrapalhar
a pessoalidade do filho, fazendo o equilíbrio entre afetividade e ser firme. Condutas
desagradáveis precisam ser desincentivadas, mas não pode sufocar a emoção,
reprimindo a ação sem fazer censura aos sentimentos.
Atualmente, as pessoas, não importando a sua idade, gênero ou sua
conjuntura financeira, do sexo, passam por raiva, temor e afeto. Os pais não estão
fora deste contexto e, dificilmente, conseguem lidar com as variações emocionais. O
equilíbrio entre afeto e limite, certamente, mostra-se o desafio mais intimidador
(SOUSA, 2012). A forma de lidar dos pais com relação aos dois pode influenciar
muito no aspecto educacional e formativo dos filhos, principalmente nos aspectos
relacionados ao caráter e desvios de personalidade.

2.6 DIREITOS E DEVERES

O artigo 226, da Constituição, fala que a família, base da sociedade, possui


especial abrigo do Estado. O artigo 19 da Lei 8.069/90 que fala dos Direitos
Fundamentais, fala que toda criança ou adolescente possui direito de ser criado e
educado com a sua família e, em casos excepcionais, em família substitutiva,
garantida a convivência com a família e com a sociedade, em ambiente longe da
presença de pessoas com algum tipo de vício. Como se pode ver na lei, o abrigo
familiar é o elo mais significativo na vida da pessoa e, por esse motivo, todos os
esforços devem convergir na proteção da família.
O ECA reserva no artigo 19 que toda criança ou adolescente tem a garantia
de criação e educação na esfera familiar, sendo os pais são os educadores
31

primordiais de seus filhos. Isso ocorre porque há um relacionamento natural entre


paternidade e educação. A primeira consiste na transmissão da vida a uma nova
pessoa e a segunda, consiste em auxiliar o filho a se desenvolver como indivíduo,
ou seja, proporcionar a eles, formas para conseguir e aprimorar as qualidades,
como: ser sincero, generoso, obediente, bom, honesto, solidário, leal, entre outras.
Em um quadro em que o mundo está mudando e, também, a família, nota-se
que nem sempre os pais conseguem saber todos os passos do seu filho, assim,
nesse sentido, qual seria o verdadeiro papel da família com relação à escola?
Estudar é imprescindível; assim, os filhos têm que estudar. Caso não estudem,
serão penalizados pela falta, que deverão ser previamente estipulados pelos pais,
como brincar se estudar. Os pais devem investir mais tempo objetivando estar perto
dos filhos e ver se está sendo respeitado este acordo. As crianças necessitam
compreender a necessidade do estudo e que os pais os estão contribuindo para que
uma tarefa que cabe a eles, seja cumprida.
Hoje, as pessoas que respondem pela educação das crianças e
adolescentes, na família e na escola, não estão cumprindo adequadamente a sua
missão. É a crise da autoridade dos pais no seio familiar, do docente em sala de
aula, do orientador na instituição. Na família, os pais respondem pelos seus filhos,
pelo menos, até a emancipação. Entretanto, antes da emancipação, os filhos já
experimentam muitos saberes e responsabilidades, sobretudo, na escola. Neste
interim, a presença dos pais e a assistência intensiva do ensino de seu filho são
muito importantes para que a educação consiga os objetivos. A família e a escola
possuem uma missão muito relevante no desenvolvimento mental, psicomotor,
social e afetivo do indivíduo. Caso o educando tenha uma excelente educação, sem
dúvidas, logrará êxito e isso contribuirá com sua criatividade nível de produção
quando estiver na fase adulta, dessa forma, a família é a influência mais decisiva
para o desenvolvimento da personalidade do indivíduo (SOUSA, 2012).
Compete aos pais diante da instituição escolar executar algumas funções no
intuito de favorecer a instrução de seus filhos, visando que eles se tornem bons
estudantes e, futuramente, cidadãos críticos e produtivos:
o Colaborar com os professores visando melhor a eficiência da atuação
escolar, seja academicamente, seja no campo das atitudes e dos
hábitos de comportamento que pretende incentivar, como parte do
projeto educacional da instituição.
32

o Estabelecer contatos regulares com os docentes para se saber como


está o andamento do processo educativo escolar (SOUSA, 2012).
o Demonstrar envolvimento pelas atividades que as crianças fazem na
instituição escolar, como modo de externar a sua preocupação pela
conduta da escola e demonstrar o seu apoio a ela. Mostrando a
importância que a instituição possui e assistindo realmente o seu filho,
os pais não estarão apenas contribuindo para um bom trabalho do
professor, como também mostrarão aos filhos, que querem saber de
sua na vida na escola e que valorizam o conhecimento e novas
habilidades que conquistam.
o Essas condições trarão muitas benesses a todos que participam do
sistema escolar. A participação dos pais pode ser mais ampla, pois
acontecem conselhos de classe e diversos outros projetos, eventos,
festas e atividades em que eles podem estar incluídos, dando o
amparo propício para que a instituição realize a sua função e deixar a
sociedade, de modo geral, contente com as soluções encontradas com
essa cooperação.

2.7 A PARTICIPAÇÃO DA FAMÍLIA NA EDUCAÇÃO ESCOLAR

A cooperação entre familiares e a escola, seja na educação tradicional ou na


técnica, torna-se efetiva quando ela converge no objetivo de desenvolver cidadãos
conscientes da sociedade em que vivem, dotados de valores éticos e morais e com
uma perspectiva de um futuro propício. A família pode participar de vários modos na
vida estudantil das crianças e adolescentes, acompanhando tarefas e trabalhos
escolares, verificando se o educando está fazendo as atividades pedidas pelo
professor, estabelecendo horário para estudos e se informando sobre matérias e
provas (SOUSA, 2012).
Há vários tipos de estruturas familiares, não apenas uma formação familiar no
nosso país, no entanto, existe peculiaridades entre elas, possuindo sua identidade e
evoluem progressivamente, procurando manter a sobrevivência de seus
constituintes.
A evolução da tecnologia trouxe mudanças para além das máquinas: para o
modo de vida da sociedade e para os relacionamentos mantidos com as outras
33

pessoas. A internet e as relações virtuais demonstram um novo modo de


comunicação e interação entre os indivíduos, ocupando o espaço que,
anteriormente, era usado para conversar com a família.
Os indivíduos e suas relações foram inseridos em uma situação de agitação,
além da diminuição do espaço e da imposição uma situação de intimidade entre os
indivíduos convivendo em culturas em conflito, necessitam de um entendimento
atualizado, uma nova perspectiva das relações do homem consigo mesmo e do
homem com a sociedade (SOUSA, 2012).
As mulheres no mercado de trabalho alteraram a estrutura familiar no sentido
em que, anteriormente, era a personagem principal na educação do filho. Desta
forma, por possuir uma grande responsabilidade como geradora de divisas para a
casa, isso acabou por diminuir o tempo com os filhos no seu cotidiano, dificultando
as possibilidades de educar o seu filho (SOUSA, 2012).
A família tem a premissa de que a escola consiga educar o seu filho nos
quesitos em que ela não foi capaz de fazê-lo e prepara-lo para ser bem-sucedido
profissional e financeiramente. A família tem o papel privilegiado de ser o primeiro
ente a participar da socialização da criança, fazendo a mediação entre os indivíduos
e a sociedade.
Portanto, as relações entre família e escola deverão ser aprimoradas, visando
a procura de uma qualificação melhor, evitando problemas de transferir as
responsabilidades entre as duas, objetivando uma evolução saudável dos
educandos.
Para que o relacionamento entre escola e comunidade possa se dar da
melhor forma possível, é interessante que a instituição conheça a própria
comunidade onde está inserida. Desta forma, se faz interessante que todos, não
apenas educadores ou diretores, analisem formas que ajudem na troca entre as
duas partes, estabelecendo uma relação de confiança e respeito entre elas (SOUSA,
2012).
Uma das atribuições da escola é procurar estar próxima das famílias de seus
educandos, promovendo atividades que possam consolidar essa intenção, como:
apoio de psicólogos, visitar os familiares, reuniões de pais e mestre com maior
frequência, assim como a realização de trabalhos técnicos com a participação dos
familiares para que estes possam vislumbrar os conteúdos que seus filhos estão
34

desenvolvendo nas diversas atividades curriculares, oportunizando um melhor elo


entre escola, professores e família.
A função a ser exercida pela escola e pelos pais, em um mundo que muda
constantemente, é a procura de novos instrumentos para obter sucesso na formação
de valores, pois muitos deles estão sendo destruídos, desta forma, a importância de
um local onde os filhos (estudantes) possam estar seguros e confiantes no seu
próprio potencial e a escola pode ser este lugar, caso possua boa estrutura e receba
o apoio da família do aluno. O papel da família não pode ser, em nenhuma
hipótese, o mesmo de escola. O ensino dos conteúdos das disciplinas é obrigação
dos professores, que não podem presumir que os pais possuam tempo para ensinar
ou conhecimento dos conteúdos vistos em sala de aula (SOUSA, 2012).

2.8 ESCOLA SEM CONFLITO – PARCERIA COM OS PAIS

Por mais ou menos 200 anos, família e escola estiveram muito bem. Escola e
os pais pensavam harmonicamente. Tanto que isso funciona, que tarefas, sanções
ou obrigações eram aprovados pelos familiares. Assim, os educandos percebiam
coerência na autoridade que era exercida por ambos. Isso fazia com que as duas
instituições ficassem mais fortes e essa força vinha dessa interação biunívoca. As
gerações posteriores recebiam os saberes e valores sem problemas.
Atualmente, o que se percebe? A harmonia e a sintonia não existem mais.
Muito pelo contrário, os pais parecem estar sempre desconfiados do que a escola
faz, do que os docentes ensinam ou fazem, não confiam na equipe de pedagogos e
diretoria, a relação dialógica e rítmica de antes não parece dar mais liga. (SOUSA,
2012).
Enquanto a família possui o seu grau de desconfiança, a escola está com
medo, com o moral em baixa e se sentindo insegura. Isso é fruto das reclamações e
ameaças dos pais às atitudes e recomendações que a escola passa, como, se
passa muito dever, eles reclamam que estão deixando o filho deles preocupado ou o
contrário, passam poucos exercícios e estão deixando o aluno de qualquer jeito.
Quando não é isso, é a falta de confiança no trabalho do professor, sendo ele,
questionado ou até mesmo, perdendo sua autonomia na elaboração das atividades.
Outra característica de alguns tipos de pais é que, depois de fazer a matrícula
das crianças, considera a sua missão terminada e, então, concerne à escola toda e
35

qualquer problemática ligada à educação. De modo geral, esses são pais ausentes,
que não vão às reuniões quando chamados ou que, quando convocados para
reuniões, nunca tem disponibilidade (SOUSA, 2012).
As atitudes supracitadas não colaboram no amadurecimento intelectual e
sentimental dos educandos. Mesmo assim, são modos de agir que acontecem com
muita frequência, criando uma amargura progressiva por uma parcela dos docentes
que percebem que não são mais reconhecidos como confiáveis e como parceiros
dos familiares. Sendo assim, os pais estão se sentindo cada vez mais inseguros
com relação à instituição escolar dos filhos, contribuindo para o aumento da tensão
que existe entre esses dois pilares de sustentação da educação infantil.
Em condições normais, nenhum pai em condições normais, irá executar
alguma ação que leve a um resultado ruim na escola. Pode acontecer, às vezes,
sem intenção, achar que está ajudando, mas estar atrapalhando o filho. Isso pode
acontecer das seguintes formas: proteger demasiadamente os pais; nele sem ouvir a
versão da instituição; interceder no cotidiano do aluno com a escola sem permitir
que ele lute por seus direitos e assume os seus deveres.
Os pais desejam o melhor para os filhos e isso parte, inclusive, do exemplo
que é dados para eles. Isso deve acontecer no campo prático, com o exercício da
cidadania, respeitando as regras, responsabilizar pelas falhas. Os filhos não podem
achar que podem tudo, errar e causar mal às pessoas e nada acontecer. Essa forma
de entendimento pode conduzi-los à marginalização (SOUSA, 2012).

2.9 ESCOLA – INSTITUIÇÃO NECESSÁRIA PARA TRANSFORMAÇÃO

A instituição tem tentado conversar e se aproximar, procurando estreitar


vínculos das pessoas entre si e delas com a escola. Os encontros organizados nos
fins de semana acabam introduzindo um aspecto de informalidade que ajuda as
pessoas a repensarem no trabalho cotidiano, os papeis rigidamente definidos pela
burocracia do sistema.
Até o final da Segunda Guerra Mundial, no Brasil e Mundo, destacava-se o
modelo de escola aristocrático, fechado, representado pela dificuldade de acesso e
de trajeto em seu interior. No início da década de 1950, a escola foi surpreendida
por demandas novas e intensas, passando a ter características democráticas. A
36

escola que, até então, era apenas para os ricos, teve que se abrir para outros
públicos, pois o acesso à escola passou a ser o principal indicador de uma
sociedade democrática (SOUSA, 2012).
Existe uma tendência atual em colocar a gestão democrática como resposta
para todos as dificuldades do atual modelo de ensino. Concebe-se a escola como
um caminho, entretanto, não o final dele, pois não adianta apenas saber o que fazer,
mas sim, como. A participação da comunidade deverá ser ativa, ajudando a construir
a escola que se quer, não apenas, com conjecturas, mas com esforço prático.
Está evidenciado o impacto das transformações políticas, econômicas,
culturais e sociais no ensino e essas mudanças provocam uma reformulação do
papel da escola e dos docentes. No entanto, por mais que ela seja influenciada em
seu todo, ela ainda se conserva como instituição imprescindível para a sociedade
democrática.
A escola, através de seu corpo diretivo, possui muito interesse na formação
dos indivíduos, nas esferas cultura e científica, visando a formação de cidadãos
autônomos, críticos e também, desenvolver a cultura em suas diversas
manifestações, fortalecendo organizações, entidades e movimentos sociais
(SOUSA, 2012).
A escola tem um papel preponderante no que se refere ao preparo das novas
gerações para os desafios propostos pela sociedade atual. Assim, o fortalecimento
das lutas sociais, a conquista da cidadania, resultam da ampliação do número de
pessoas que possam participar das decisões principais que vão de acordo com os
seus interesses. A escola possui a missão de minimizar a distância entre a ciência,
de mais subsídios, e a cultura de base produzida no cotidiano, que consistem nos
conhecimentos prévios que os alunos trazem. Além disso, tem a obrigação de
contribuir com os discentes, no sentido de torna-los indivíduos ativos e pensantes,
construtores de sua realidade e apropriadores críticos da realidade que os cercam.
Diante de tais possibilidades, a escola deverá estar preparada para fazer a
diferença buscando uma educação que dê valor ao conhecimento do aluno,
fortalecendo um melhor relacionamento entre o processo de ensino e aprendizagem
em que diretores, professores, pedagogos e funcionários.
No que se refere ao aspecto educacional, a escola possui sempre uma função
importante, e atualmente, além de ensinar, visa criar condições para o trabalho e
para a cidadania, além de passar os valores principais para a vida do estudante,
37

sendo que esse direcionamento poderia se dado pela família. Mais do que isso,
funções têm sido adicionadas visando que os educandos possam se apropriar da
experiência organizada de forma cultural e a se converter em agentes de criação
cultural.
A evolução da escola sofre muita influência social, mas nem sempre a
sociedade é participativa e fornece suporte à educação, o que acaba por
comprometer o ideal de educação de qualidade. É importante que a sociedade
contribua com a escola e que ela possa contar com todo suporte e presença da
família do aluno.
As mudanças que estão acontecendo, relacionadas com os valores familiares
e da sociedade, podem fazer com que a escola não possua mais o controle sobre a
forma correta que se deve educar, sendo que muitas causas influenciam na
educação, fazendo com que o trabalho da escola acabe se tornando mais
complicado e a sociedade acaba por passar deveres que, anteriormente, pertenciam
à esfera familiar. Considerando o rol de modificações, fica complicado chegar em um
acordo sobre a função da escola. Ensinar educando ou educar ensinando? Diante
disso, a escola vem sofrendo cada vez mais influências e cobranças da sociedade,
que nem sempre ajuda no bom desenvolvimento escolar da criança (SOUSA, 2012).

3 PROCEDIMENTOS METODOLÓGICOS

O trabalho se alicerça no levantamento bibliográfico de trabalhos disponíveis


em meio eletrônico, retirados de trabalhos de conclusão de curso, monografias,
dissertações e outras formas que sustentam e conferem robustez ao
desenvolvimento da temática adotada.
Desta forma, Andrade (2001) destaca que a pesquisa bibliográfica é de
grande importância para a elaboração de diversos trabalhos.

A pesquisa bibliográfica é habilidade fundamental nos cursos de


graduação, uma vez que constitui o primeiro passo para todas as
atividades acadêmicas. Uma pesquisa de laboratório ou de campo
implica, necessariamente a pesquisa bibliográfica preliminar.
Seminários, painéis, debates, resumos críticos, monografias não
dispensam a pesquisa bibliográfica. Ela é obrigatória nas pesquisas
exploratórias, na delimitação do tema de um trabalho ou pesquisa, no
desenvolvimento do assunto, nas citações, na apresentação das
conclusões. (ANDRADE, 2001, p. 39).
38

A análise de dados está presente em vários estágios da investigação,


tornando-se mais sistêmica e mais formal após o encerramento da coleta de dados.
Para a análise de dados, foi escolhido um critério de seleção dos nomes a
serem usados para proteger a identidade dos participantes. Foram usadas as iniciais
dos nomes dos filhos com as iniciais dos pais entrevistados.
Como afirma Ludke e André (1986, p.48):

O primeiro passo nessa análise é a construção de um conjunto de


categoria descritiva. O referencial teórico do estudo fornece
geralmente a base inicial de conceitos a partir dos quais é feita a
primeira classificação dos dados. (LUDKE e ANDRÉ, 1986).

Este trabalho possui, também, um estudo de caso. O estudo de caso é


referido por Martins e Theóphilo (2007) como:

[...] uma investigação empírica que pesquisa fenômenos dentro do


seu contexto real (pesquisa naturalística), onde o pesquisador não
tem controle sobre os eventos variáveis, buscando apreender a
totalidade de uma situação e, criativamente, descrever, compreender
e interpretar a complexidade de um caso concreto [...] O estudo de
caso possibilita a penetração na realidade social [...] (MARTINS e
THEÓPHILO, 2007, p. 61).

Além disso, o estudo de caso favorece uma visão sistêmica sobre os o que
acontece na vida real, destacando-se seu aspecto investigativo e de vivência na
realidade atual (CARVALHO, 2015). O estudo de caso é recomendável na fase
inicial de uma investigação sobre temas complexos que requerem a construção de
hipóteses ou reformulação de problemas.
O trabalho também se caracteriza como exploratório, pois, tem como fim, o
desenvolvimento e esclarecimento de ideias e conceituações, possibilitando estudos
posteriores, iniciando a possível familiarização com o problema. Também pode ser
vista como descritiva, porque trabalha com uma população de características
específicas, os trabalhadores na área pública, fazendo a observação sistêmica dos
dados coletados. Pode ser concebida como qualitativa, pois, o interesse em questão
é descrever e compreender informações e ocorrências, que os números não
poderiam expressar.
39

3.1 Trabalho De Campo.

Foi lançado mão de duas estratégias:

1) Observação: estratégia esta que precisou da presença constante do


observador, para que pudesse descrever com riquezas de detalhes, tudo que foi
vivido e observado durante o período da pesquisa feito na escola. Onde foi
observado, o comportamento dos pais em relação a escola e aos alunos, o
comportamento dos alunos em relação aos pais e professores, os professores e
suas relações com seus alunos e os pais dos mesmos
2) Entrevista: esta estratégia foi escolhida pela necessidade obter
informações seguras e de ouvir as opiniões dos pais e de ver suas reações ao
serem questionados sobre o assunto. Entrevista é uma conversa entre duas ou mais
pessoas, entrevistador e entrevistado, onde perguntas são feitas pelo entrevistador
de modo a obter informação necessária por parte do entrevistado. O entrevistador
entrevista as suas fontes para obter destas declarações que validem as informações
apuradas ou que relatem situações vividas por personagens.
Sendo assim, a entrevista é uma estratégia que exige disponibilidade de
tempo do entrevistador e do entrevistado, pois ela irá fluir naturalmente, quando seu
principal objetivo não é só a busca de informações ou evidências que valham por si
mesmas, mas sim fazer uma transcrição pessoal o ser humano homem ou mulher,
faz uma retrospectiva de sua vida e a enxerga em sua totalidade, ou em um de seus
fragmentos.
A pesquisa em si, baseou-se principalmente nas respostas obtidas dos pais,
professores e alunos, durante uma reunião especial onde foi convocado só os
responsáveis dos alunos dos 5° anos, o objetivo do questionário foi investigar o que
pensam os pais a respeito de sua participação na vida escolar de seus filhos. Foram
entrevistados também 8 professores das 8 turmas dos 5° anos e os 120 alunos cujo
os pais se encontravam na reunião especial.
A entrevista foi realizada em apenas uma tarde, porém a observação do
cotidiano da escola e a participação dos pais durante esse período, foi realizado nos
meses de julho a novembro de 2017, na Escola Municipal de Ensino Fundamental
Vera Lucia Pinon Nery, a mesma fica localizada no bairro Infraero II, da cidade de
Macapá no Estado do Amapá.
40

Assim como os dados da pesquisa como, como os dados obtidos durante a


convivência e observação nos meses citados também foram levados em conta para
o desenvolvimento do trabalho.

3.1.1 Relato da observação ocorrida na escola.

Durante a observação realizada durante os meses de julho a novembro de


2017, ficou claro para a graduanda que escola tem feito a sua parte na tentativa de
trazer os pais para participarem ativamente na vida escolar de seus filhos, tem feito
reuniões particulares com os pais de cada série especifica com a finalidade de
esclarecer aos pais a importâncias dos mesmos participarem na vida escolar de
suas crianças. Tem realizado projetos de intervenções, como por exemplo; “A
Família dentro da escola”, “Você quer ajudar seu filho a crescer “ dentre outros.
Realiza regularmente festinhas com a participação de toda a comunidade afim de
que os pais possam participar e socializar, com as crianças, com o corpo docente
(diretor, coordenador, professores) e demais funcionários da escola.
Foi observado também, que muitos pais só vêm na escola no início do ano,
ou seja, na época de matricula e no final do ano para saber se seu filho passou de
ano e muitos ainda ficam zangados quando descobrem que seu filho ficou na
recuperação ou mesmo não passou, fazem escândalos e culpam o professor pelo
mau desempenho de seu filho em uma das ocasiões uma mãe chegou a esbofetear
o rosto da professora porque a ela disse que sempre solicitou a presença da mesma
na escola para falar sobre sua criança, porém ela nunca compareceu e agora não
tinha o direito de reclamar de nada já que não fez nada para ajudar o filho.
A maioria dos pais só comparecem à escola se for conveniente eles ou se a
professora ou coordenadora lhe mandar um bilhete explicando porque ele tem que
vir a escola, e quando chegam não tem paciência para esperar, querem resolver
tudo na mesma hora, como se a culpada deles estarem ali fosse a escola.
Muitos pais custaram a se adaptar à mudança de direção, pois estavam
acostumados a entrar na escola de qualquer jeito, de short curto, de camiseta, blusa
muito curta, então quando mudou a gestão da escola, foram colocadas novas
regras, para educar os pais a nova forma de como eles deveriam se comportar em
relação à escola, visto que se trata de um local onde estudam muitas crianças, não
era nada educativo eles entrarem nas dependências da escola de qualquer jeito.
41

Diante disso muitos pais se afastaram, achando que a direção era muito
rígida, eles não entenderam que as mudanças eram para a proteção de seus filhos,
dos funcionários e para o bom funcionamento da escola.
Diante dessas observações, foi acordado com a direção da escola para que
durante uma reunião com os pais, pudesse ser feito uma pequena entrevista, afim
de investigar o que eles pensam sobre as reuniões, se participavam no aprendizado
de seus filhos, se os ajudavam com os deveres de casa, entrevista esta que seria
estendida a alguns professores e aos alunos em outro momento.
A entrevista aos pais foi realizada em uma reunião especial de pais e
mestres.
A entrevista com os professore foi feita em várias tardes, no horário de
intervalo dos alunos.
A entrevista com os alunos foi feita em sala de aula, em diferentes momentos
e com a autorização da direção e do professor da classe.
Todas as entrevistas foram gravadas com o auxílio de celular.
Para não perder nem um detalhe da entrevista e não esquecer pontos
considerados importantes, todas as entrevistas gravadas com o auxílio do celular.
Porem percebi que muitos pais não ficaram a vontade diante da ideia de gravar duas
respostas, elas conseguiram se expressar melhor depois que o gravador do celular
foi desligado. Algumas pessoas podem ficar limitadas durante a entrevista devido ao
uso de tecnologias.
O objetivo dessa entrevista foi o confirmar várias das questões encontradas
na fase de observação da escola por e de se aproximar o máximo possível da
resposta, pois, é necessário examinar os fatos ou fenômenos que se deseja estudar,
não basta apenas ver ou ouvir.
42

3.1.2 Perguntas feitas aos pais.

1-Você frequenta com regularidade as reuniões na escola de seu filho?

50
39
40
30 30
30
21
20

10

0
Categoria 1

SIM NÃO AS VEZES NÃO RESPODERAM

Gráfico 1 – Presença dos pais nas reuniões.


Fonte: do próprio autor.

Foi observado que dos 120 questionados, 39 pais participam das


reuniões, 30 não participam, 30 apenas algumas vezes e 21 dos pais não
responderam.

2- PERGUNTA FEITA SÓ AOS QUE DISSERAM SIM

Por que você frequenta ativamente nas reuniões na escola do seu filho?
17
13

ACHO IMPORTANTE VAI AJUDAR MEU FILHO QUERO COLABORAR COM A ESCOLA
43

Gráfico 2 – Importância da participação dos pais nas reuniões.


Fonte: do próprio autor.

Foi confirmado que os pais que frequentam sempre as reuniões são os pais
das crianças que vão bem na escola, pois são ajudados por seus pais em casa.
Esses pais afirmaram que frequentam as reuniões porque acham importante,
querem ajudas seus filhos e por fim colaborar com a escola.

3 - PERGUNTA FEITA SÓ AOS PAIS QUE DISSERAM NÃO.

Por que você não frequenta as reuniões na escola de seu filho?


14

CATEGORIA 1

NÃO TENHO TEMPO ACHO PERDA DE TEMPO MORO LONGE

Gráfico 3 – Justificativas dos pais que não participaram das reuniões.


Fonte: do próprio autor.

Foi confirmado que muitos dos pais não gostam de ir as reuniões na


escola do seu filho e as desculpas são sempre as mesmas: não tenho tempo,
acho perda de tempo, pois tudo que se fala nas reuniões, são sempre as
mesmas coisas, outros dizem que não participam porque moram longe.
44

4 - PERGUNTA FEITA A TODOS OS PAIS.

Você ajuda seu filho com o dever de casa?

64
27

23

6
CATEGORIA 1

SIM NÃO AS VEZES NÃO RESPONDERAM

Gráfico 4 – Participação dos pais no dever de casa.


Fonte: do próprio autor.

Dos 120 pais questionados, apenas 27 disse sim, que ajuda seu filho
com os deveres de casa, porém um número alto (64), disseram que não, 23
disseram que aas vezes, e os demais não responderam.
45

5 - PREGUNTA FEITA APENAS AOS QUE DISSERAM NÃO

Por que não ajuda seu filho com o dever?


20

18

17
NÃO TENHO TEMPO

14
NÃO TENHO INSTRUÇÃO
SUFICIENTE
NÃO SEI COMO FAZER

NÃO SEI LER

CATEGORIA 1

Gráfico 5 – Ajuda com o dever de casa.


Fonte: do próprio autor.

Quando questionados por que não ajudam seus filhos.


Disseram: 20 não tenho tempo, 18, não tem instrução o suficiente para ajudar o filho,
17 disseram que não sabem como ajudar, pois, os deverem são deveras
complicados e 14 pais disseram não que não sabem ler, por isso não ajudam.
46

3.1.3 PERGUNTA FEITA AOS PROFESSORES

1 - Os pais de seus alunos costumam vir as reuniões em sala de aula?


Todos responderam que metade dos pais de seus alunos, sim, vem as reuniões com
sempre. Outros vem só quando são chamados, outros, porém, nunca compareceram
a nenhuma das reuniões feita pelo professor.
2 – Você percebe se seus alunos são ajudados com os deveres que levam para
fazer em casa?
As respostas foram: Alguns, sim, levam os deveres e trazem todos resolvidos, com a
ajuda dos pais, mas feito por ele mesmos. Outros trazem resolvidos, mas feito por
outra pessoa que por não ter paciência ou tempo acabam resolvendo todo o trabalho
da criança. Os demais não fazem nada do dever em casa, trazem do jeito que
levaram.

PERGUNTA FEITA AOS ALUNOS.

1 – Seus pais ajudam você em seus trabalhos escolares?


A minoria deles, responderam que sim, seus pais os ajudam, e quando não sabem
ou não entendem o dever fazem pesquisa em livros ou na internet para que possa
ajudar com o dever. Outros responderam que seus pais ajudam em algumas vezes.

2 - PERGUNTA FEITA APENAS AOS ALUNOS QUE SEUS PAIS NÃO AJUDAM.

Por que seus pais não ajudam com o dever?


Uns disseram que seus pais não sabem ler, por isso não os ajudam, outros disseram
que seus pais não sabem como resolver o trabalho, outros falaram que seus pais
nunca têm tempo para esse tipo de coisa. E os demais revelaram que seus pais não
os ajudam porque estão sempre cansados do trabalho.
47

4 CONSIDERAÇÕES FINAIS.

O presente trabalho é resultado de uma pesquisa bibliográfica e estudo de


caso realizado na Escola Municipal Vera Lúcia Pinon Nery, e discorre sobre a
importância da família no processo de desenvolvimento da aprendizagem da
criança; vários autores abordam essa questão como sendo uma atividade crítica e
permanente com chance de rever e elaborar uma prática educativa na construção do
conhecimento e na formação da criança.
Na educação, a escola sempre teve um papel preponderante, e atualmente,
além de ensinar visando formar cidadãos críticos e reflexivos, tem também a
responsabilidade de passar os valores fundamentais para a vida do aluno, sendo
que esse papel deveria ser uma iniciativa da família que, por várias vezes, não se
encontram inteirados da aprendizagem e formação de seus filhos, mesmo sabendo
que o apoio da família aos trabalhos desenvolvidos com os alunos constituiria um
grande aliado para o sucesso na construção do saber.
Conclui-se, então, que a relação entre família e escola cria compromissos,
estimula o relacionamento, reproduz laços éticos dando novos significados e abrindo
horizontes para uma formação de prática pedagógica.
Assim, pode-se depreender que a relação dialógica entre a escola e a família
possa tornar possível a troca de ideias entre as duas; de nenhuma forma, compete a
escola ponderar como certa ou errada, a educação que cada família oferece; o
objetivo da escola é dar oportunidade e abrir espaços para que valores sejam
adquiridos e trabalhar o respeito e as diferenças expressas pela família,
proporcionando e garantindo a integridade básica do aluno e da família.
48

REFERÊNCIAS

BRASIL. LDB. Leis de Diretrizes e Bases da Educação. Lei n° 9424, de dezembro de


1996
ALMEIDA, Emanoelle Bonácio de. A relação entre pais e escola: a influência da
família no desempenho escolar do aluno. Trabalho de Conclusão de Curso
apresentado como exigência para a obtenção da Graduação em Pedagogia pela
Faculdade de Educação da Universidade Estadual de Campinas, sob orientação da
ProfªDrª. Elisabete Monteiro de Aguiar Pereira. Campinas, SP. 2014.
BRANDÃO, Carlos Rodrigues. O que é educação? São Paulo: Brasiliense, 1982.
(Coleção Primeiros Passos).
CURY, Augusto Jorge. Pais Brilhantes, professores fascinantes. 9. ed. Rio de
Janeiro: Sextante, 2003.
ESTEVE. J. M. A. Terceira revolução educacional: a educação na sociedade do
conhecimento. São Paulo: Editora Moderna, 2004.
HEIDRICH, G. O direito de aprender. Revista Nova Escola/ Guia do Ensino
Fundamental de 9 anos. n.225, Editora Abril. São Paulo: 2009.
LUDKE, Menga e ANDRE, Marli. E. D. A – Pesquisa em educação: abordagens
qu
MARANHÃO, Magno de Aguiar. Educação brasileira: resgate, universalização e
revolução. Brasília, Plano: 2004.
MARTINS, Gilberto de Andrade; THEÓPHILO, Carlos Renato. Metodologia da
investigação científica para ciências sociais aplicadas. São Paulo: Atlas, 2007.
MORAES, Maria Cândida. Paradigma Educacional Emergente. -5ª Edição.
Campinas: Papyrus, 1997.
PEREIRA, P.A. Desafios Contemporâneos para a Sociedade e a Família. In
Revista Serviço Social e Sociedade., Ano XVI. São Paulo, Cortez, 1995 p. 48.
REIS, Liliani Pereira Costa dos. A participação da família no contexto escolar.
Monografia apresentada como requisito parcial para obtenção da Graduação em
Pedagogia no Departamento de Educação da Universidade do Estado da Bahia.
Salvador, BA. 2010.
SOUSA, Jacqueline Pereira de. A importância da família no processo de
desenvolvimento da aprendizagem da criança. Artigo apresentado à Universidade
49

Estadual Vale do Acaraú como requisito parcial para obtenção do título de


Especialista em Psicopedagogia Clínica e Institucional. Fortaleza, CE. 2012.
ZAGURY, Tânia. O professor refém: para pais e professores entenderem por
que fracassa a educação no Brasil. Rio de Janeiro, Record: 2006

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