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29/07/2019 A desigualdade no Brasil medida pelos dentes

A DESIGUALDADE NO BRASIL
É MEDIDA PELOS DENTES:
RICOS VÃO AO DENTISTA, E
POBRES SENTEM DOR
Rosana Pinheiro-Machado
14 de Maio de 2019, 0h02

Foto: Image Source/Folhapress

Maria da Luz teve sua primeira escova de dentes aos 15 anos. Antes
disso, usava folhas para limpar os dentes, como era de praxe em
Mulungu do Morro, interior da Bahia, onde nasceu. Aos 14, sentiu
uma dor forte no dente da frente e seu avô a levou ao farmacêutico,
ordenando que extraísse todos os dentes da frente de uma vez só —
sem anestesia — para que não voltasse a incomodar. Aos 17 anos,

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29/07/2019 A desigualdade no Brasil medida pelos dentes

depois de muito trabalhar na roça, ela conseguiu juntar dinheiro para


comprar uma dentadura, com a qual nunca se adaptou.

Maria migrou para São Paulo com os três filhos, priorizando dar o
melhor de saúde e educação para eles com as suadas economias do
salário de auxiliar de serviços gerais. Ela nunca tirava foto. Dizia que
era infeliz com sorriso e que seu sonho era fazer um tratamento
dentário. Em 2015, conseguiu fazer implantes com a poupança de
muitos anos. Hoje, não coloca mais a mão na boca para sorrir.

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A história de Maria, contada a mim por sua filha Maya, é um pouco


da história de dezenas de milhões de brasileiros que têm suas vidas
atravessadas por dores de dente e falta de autoestima — quadro que
só muda quando as famílias experimentam alguma mobilidade social.

Mas o desfecho positivo do caso de Maria, hoje com 47 anos, é


incomum. Os problemas relacionados à saúde bucal tornam miserável
o cotidiano de pessoas pobres. A dor física latejante e constante se
soma à dor moral – o sentimento de vergonha, a humilhação e o
trauma por não conseguir sorrir.

Apesar da onipresença desse sofrimento do cotidiano brasileiro,


surpreende o quão invisível é o apartheid bucal que divide o país.

Este texto começou há dez anos, quando vi um estudante rico


debochar de um porteiro que se queixava de dor de dente. “Que coisa
mais jurássica! Isso ainda existe?”, ele disse. Naqueles dias, eu e a
antropóloga Lucia Scalco começávamos nossa pesquisa etnográfica
sobre consumo e política na periferia do Morro da Cruz, Porto Alegre.
Recém havíamos conhecido Juremir, hoje com 52 anos, que não teve
dinheiro para pagar um dentista, e a solução encontrada foi colocar
álcool na boca para lidar com a dor até o nervo necrosar.
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Segundo a Pesquisa Nacional de Saúde de 2013, quatro a cada dez


brasileiros perdem todos os dentes depois dos 60 anos. O país que
tem mais dentistas no mundo é também o país dos banguelas. Na
terra em que ricos pagam o preço de um apartamento para colocarem
facetas reluzentes, milhões de pessoas ainda praticam métodos da
Idade Média para lidar com a dor. Como afirmam os pesquisadores
Thiago Moreira, Marilyn Nations e Maria do Socorro Alves, nesse
mundo de abismos, a questão dentária é chave para compreender a
desigualdade social e a pobreza no Brasil.

A pobreza é constituída
multidimensionalmente
por meio de uma
combinação de renda e O país que tem mais
acesso à educação e à dentistas no mundo
saúde. A condição dental é também o país dos
precária é exemplar da
pobreza porque é resultado
banguelas.
de uma falência de uma
série de eixos, como a
condição financeira, o local de residência e o acesso à informação e à
odontologia.

Se a saúde bucal é um fato social por excelência, não é raro escutar


profissionais da saúde culparem as vítimas por sua situação. Durante
a apuração que fiz para a elaboração deste texto, ouvi coisas como
“pobre é acomodado”, “eles têm valores errados, preferem pagar por
um tênis a ir ao dentista”, “hoje em dia qualquer pessoa consegue
escova de dente de graça em uma universidade”. Individualizar a
responsabilidade é uma falácia conveniente.

É difícil pensar a longo prazo quem tem que viver com o imediatismo
da sobrevivência. Muitos sujeitos quando conseguem dinheiro
precisam comprar comida. Outras vezes, optam por se dar a um
pequeno luxo.

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Em nossa pesquisa, coletamos infindáveis casos de pessoas que


disseram que, em meio a uma existência precária marcada pela dor e
sofrimento, permitir-se um pequeno ato hedonista significava uma
espécie de “último desejo”– um prazer que será lembrado na
memória para sempre. Podia ser um estrogonofe com batata palha,
um book fotográfico ou um tênis de marca. Curiosamente todos esses
auto-presentinhos foram comprados por pessoas que, aos 40 anos, já
não tinham mais nenhum dente na boca.

Muitas crianças crescem em ambientes onde é comum o


compartilhamento de escova de dentes. “Meu sonho é ter uma só
para mim e não ter que dividir com meus sete irmãos”, escreveu uma
menina em uma cartinha ao Programa Papai Noel dos Correios.

Adolescentes pobres saem da infância acumulando histórias


dramáticas, que os prejudicam na socialização. Wellington, oito anos,
morador do Morro da Cruz, tinha oito cáries em dentes de leite.
“Podre” foi como a a dentista definiu a boca do menino. Ele não
comia e não tinha mais alegria de viver. Ainda que existam serviços
baratos e até gratuitos oferecidos por universidades e ONGs, famílias
como de Wellington não sabem sequer como encontrar esses serviços.
Minha colega Lúcia fez a mediação e agora ele está recebendo
tratamento.

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Beto, 17 anos, não tinha amigos e sofria bullying dos próprios irmãos por causa dos dentes.
Hoje com o sorriso reabilitado, Beto tem uma nova vida social. Antes e depois de Beto
encontrar a equipe do SAS Brasil. Fotos: Reprodução/SAS Brasil
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William Estevesom, 34 anos, trabalha como técnico bucal do bairro


mais pobre do município de Alvorada, um dos mais violentos e
estigmatizados da Região Metropolitana de Porto Alegre, Rio Grande
do Sul. Ele relata que, nas segundas-feiras de manhã, os pacientes
chegam no posto para pegar ficha no SUS depois de um final de
semana de tormenta em que já tentaram de tudo para passar a dor,
como passar perfume e creolina nos dentes.

As técnicas para lidar com a dor que eu e Lúcia ouvimos nos últimos
anos são muitas. Álcool, sal, cravo, pomada de procedência duvidosa e
até “sangria”: furar o própria gengiva com uma faca para sangrar e
deixar a infecção vazar. Também é comum que as pessoas extraiam
seus próprios dentes, pois pensam que, em última instância, é isso
que muitos postos de saúde irão fazer. Na comunidade de Dendê, em
Fortaleza, os recursos são rezar pelo dente para Santa Apolônia, além
de cachaça, óleo de coco e líquido de bateria para diminuir a dor.
Muitas dessas técnicas trazem riscos graves à saúde. São fruto do
desespero. Como disse Juremir: “não é dor, é uma tormenta, uma
angústia”.

Com a ajuda pessoal de Lúcia, Juremir conseguiu colocar uma prótese


nos dentes. Voltou a sorrir depois de muitos anos e não parava de
postar fotos no Facebook. Mas após cinco anos, o dente que segurava
a prótese infeccionou, sua cara inchou e ele recorreu a quase todos os
caminhos acima.

Essas experiências vividas vão deixando marcas que deterioram a


identidade do sujeito. O processo pode ser encarado como parte da
vida: a “sofrência do pobre”. Para muitos, o sofrimento bucal
atravessa a vida toda. É uma “sina, um karma de outra vida”, como
disse uma interlocutora. Isso porque, mesmo depois de colocar
prótese, a alegria pode durar pouco. Sem acompanhamento, muitos
não se adaptam e voltam a ser desdentados. “Essa desgraça fica solta,
caindo, me machuca gengiva. Só coloco para tirar selfie,” brincou
Rosi, 56 anos, também do Morro da Cruz.

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29/07/2019 A desigualdade no Brasil medida pelos dentes

Colocar a mão na boca para


sorrir é uma cena cotidiana
que revela a vergonha
Ter os dentes da sentida por quem tem uma
frente é um falha na dentição. Por outro
requisito estético lado, percebemos o orgulho
que as pessoas têm de
exigido pela maioria mostrar os dentes saudáveis
dos empregadores. que restam: “esse e esse são
bons”.

O técnico do SUS William


Estevesom também narrou que, há poucos dias, uma senhora chegou
no posto implorando para colocar um dente na frente, alegando que
precisava trabalhar já que o inverno estava chegando. Ter os dentes
da frente é um requisito estético exigido pela maioria dos
empregadores.

Uma amiga, quando soube que eu ia escrever esta coluna, pediu-me


para contar a história de sua mãe. Rosana, uma psicóloga que teve
uma trajetória de sucesso e ascensão social no norte do país, passou a
vida se escondendo das filhas para escovar os dentes. Minha amiga só
descobriu que a mãe usava prótese quando tinha 12 anos. Demorou
muito tempo para que a mãe se sentisse à vontade para comprar
Corega na frente dela. Quando ela faleceu, as filhas tiveram o cuidado
de colocar a prótese para velar seu corpo: “ela não gostaria de ser
vista de outra forma”.

As filhas de Rosana passaram a vida cuidando excessivamente dos


dentes – algo que escutei de muitas pessoas cujas famílias ascendem
socialmente. O trauma da dor e a vergonha social de não poder sorrir
é uma ferida que deixa marcas familiares profundas. Portanto, o
cuidado com a saúde bucal passa a ser uma questão de dignidade,
uma herança que essas mães, como Maria e Rosana, deixam para seus
filhos.

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29/07/2019 A desigualdade no Brasil medida pelos dentes

A estética e a saúde dos dentes dizem muito sobre mobilidade social.


Uma das primeiras medidas que muitas pessoas tomam quando
conseguem um emprego é colocar aparelho nos dentes. Quando eu a
Lúcia pesquisávamos os jovens que davam “rolezinhos” nos
shoppings, percebíamos que eles sonhavam em usar aparelho: era
uma marca de distinção tal como um tênis da Nike. Eles nos
contaram que aparelhos dentários falsos eram vendidos na
comunidade para eles irem “bonitos ao baile funk”. Nunca
encontramos esses tais aparelhos falsificados, mas a existência dessa
história já diz muito sobre as aspirações e desejo de status social da
juventude das periferias.

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Anna Borges Louzada, 51 anos, trabalha em um centro de especialidades odontológicas (CEO)


em Manaus. Defensora do SUS e preocupada com o governo atual, ela se dedica ao tratamento de
pessoas com necessidades especiais. Foto: Reprodução/Instagram

Apesar do cenário dramático, não são poucas as conquistas


individuais e coletivas dos últimos anos. Houve uma significativa
expansão das universidades do Brasil — que oferecem serviços a
preço muito baixo à comunidade — e a proliferação de clínicas
populares que foram impulsionadas pela inclusão financeira da Era
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Lula. A criação do Programa Brasil Sorridente, que chega a 90% dos


municípios brasileiros, já atingiu 100 milhões de pessoas pelo
atendimento básico do SUS. Há também, por todos os lados,
profissionais que fazem trabalhos na ponta do sistema, superando a
falta de recursos de norte a sul do país, em comunidades ribeirinhas
ou em favelas.

Se as conquistas sociais aconteceram a duras penas, o cenário de


cortes públicos do atual governo alerta para uma situação de
calamidade. Quem começou a sorrir nos últimos anos pode voltar a se
esconder.

Mastigar, gargalhar e ter uma vida sem dor são direitos humanos
fundamentais. Sorrir é o gesto que expressa a felicidade. Por isso, a
inclusão bucal, associada a um projeto de transformação social, deve
ser uma pauta prioritária em qualquer projeto de reconstrução do
campo progressista.

*Os nomes dos personagens deste texto foram omitidos para preservar sua
identidade.
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TÓPICO S RECENTES

Luciana Santiago
20 de Maio de 2019, 10h26
Ótimo artigo e reflexão, os abismos sociais no Brasil atingem sem precedentes todos os
níveis, roubam toda dignidade das pessoas que não tem acesso e direito à um bom serviço
saúde.

Rafael
19 de Maio de 2019, 20h47
Minha mãe perdeu os dentes as 20 anos. Extraiu todos em casa mesmo. Hoje usa dentadura
mas sempre recomenda cuidados com saúde bucal dos filhos e netos

Janine
19 de Maio de 2019, 17h26
Excelente artigo! Parabéns e obrigada!
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Samir
18 de Maio de 2019, 18h22
Parabéns. Belo artigo.

Lucas
18 de Maio de 2019, 17h23
Excelente texto! É algo tão simples e tão rotineiro que não paramos para pensar nas
desigualdades que fica explícita até mesmo pela boca; que sensibilidade.

Rosana
18 de Maio de 2019, 17h04
Obrigada pela reportagem!
Sou dentista e lendo o texto revivi minha trajetória pessoal. O sofrimento que também
assisti, o uso de criolina, álcool, alho e outras substâncias para alívio da dor, a vergonha, a
disfunção etc, tudo isso me fez optar por trabalhar pela saúde pública e a entender saúde
como direito.
Mas sei que a regra na minha profissão é o individualismo, somos treinados para isso.

Paulo José
16 de Maio de 2019, 22h42
Na eleição muitos ganham dentadura. Esse sim é um problema que na minha opinião deveria
haver INTERVENÇÃO FEDERAL. Não distribuindo dentadura e sim implantes. É caro mas é
algo que devolve a dignidade humana.

Alessandra J. de Almeida
16 de Maio de 2019, 21h43
Parabéns e obrigada pelo texto, Rosana. Quando Bolsonaro foi eleito, não esqueço que meu
pai, que não se posicionou durante todo o período eleitoral, disse: “tomara que não me dê
dor de dente”. Me emociono muito quando lembro. Meu pai tem 48 e é mecânico de motos no
interior do RS. Ele ouvia eu, minhas irmãs e minha mãe, todas progressistas, conversando
sobre o neoliberalismo e cortes que viriam com o novo governo. Naquela frase ele colocou a
perspectiva dele, bem material, de como seria impactado. Obrigada! Seguimos!

Irandir
16 de Maio de 2019, 19h58
Alguém sabe me dizer onde encontro a escova de cabeça pequena e cerda macia que os
dentistas recomendam? E já viram os preços abusivos do fio-dental??!! Em Tamandaré não é
fácil se prevenir da cárie, não…

wezt
16 de Maio de 2019, 3h07
Não deixar de ver essa apresentação contra a ideologia identitarista

https://www.youtube.com/watch?v=AgS-SVHe37A

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Jadson
15 de Maio de 2019, 23h45
Gostei muito da matéria

Jéssica Saldanha
15 de Maio de 2019, 21h06
ótimo artigo! paranéns!!

Marcelo
15 de Maio de 2019, 10h13
A falta de saneamento básico, onde menos da metade dos domicílios do Brasil a possuem,
aliado a falta de prevenção e promoção da saúde e da escassa assistência aos já doentes é
fruto de décadas de falta de investimentos ou de ações pouco planejadas a longo prazo. O
flúor na água de abastecimento tem real benefício, mas não se sabe ao certo se os índices de
diluição estão certos…. o cuidado com a saúde é individual sim, claro que ajustado por ações
de saúde coletiva e de políticas de saúde pensadas e organizadas. Tirar a responsabilidade
do ator principal de sua própria saúde dizendo que é falácia conveniente não parece
totalmente certo.

Abaltasar Agraciano
15 de Maio de 2019, 2h59
Que migué. Existem dentistas de sobra nas capitais, tem mto dentista em universidades
também.

Dan
14 de Maio de 2019, 22h42
Dolorido. Ótimo artigo!

KATIA JARA
14 de Maio de 2019, 22h11
Excelente texto!
Sou Cirurgia dentista há 26 anos e atuo em saúde pública e privada e de fato vivemos em
dois mundos! Sou especialista em odonto para pessoas com necessidades especiais e onde
a situação é ainda pior. Porém não concordo que a situação ficou pior nesse governo. Até
porque a descentralização da saúde dá margem para que Todas as esferas ( federal/estadual
e municipal) tenham participação e responsabilidade no caos instituído. Não é fácil entrar
numa sala clínica toda Mofada, sem materiais básicos para o atendimento como luvas e
máscaras e temos que levar os nossos proprios materiais..mas isso já está assim há mais de
3 anos e portanto não da pra responsabilizar um governo com menos de um ano. O caso é
que é sempre mais fácil achar culpados. Assumir autorresponsabilidade é bem difícil. Temos
problemas comportamentais graves que precisam ser revistos para tentar no futuro rever
essa situação. Estou lançando um ebook sobre isso. Vou disponibilizar gratuitamente para
quem quiser sobre os pontos que precisam ser trabalhados. Chamo de Dimensão Família;
Dimensão criança/indivíduo; Dimensão Dentista todos precisam mudar comportamento
para melhorar qualidade de vida. Não há possiblidade de melhorar qualidade de vida ou de se
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pensar em saúde sem antes mudar a triste realidade da precária saúde bucal de nosso povo!
Estou imensamente feliz com essa matéria pq os dentistas veem essa verdade e que bom
que outros começam a ver também!

um ALAGOANO
14 de Maio de 2019, 22h09
Eu pensei que o Lula e a Dilma tinha resolvido tudo isso, eles não tiraram o povo da pobreza!

Riane
14 de Maio de 2019, 20h41
Convivo diariamente com situações do tipo. Sou dentista e meu público em sua grande
maioria é carente. O que observo no dia a dia da clínica é a falta de informação sobre a saúde
bucal … tanto entre jovens como também entre adultos . Manter a saúde bucal não é caro.
Porém as pessoas não sabem escovar os dentes, nao sabem passar fio dental… nao
entendem o “pq” disso tudo…a partir do momento que vc consegue passar de forma efetiva e
clara esses ensinamentos básicos é possível observar uma nitida mudança de
comportamento. Da gosto de ver a evolução. Da gosto de ver que eles captaram a mensagem
e aplicam no dia a dia. Parabéns pelo texto.

wezt
14 de Maio de 2019, 18h31
FINALMENTE a colunista resolveu falar sobre CLASSE?

Opa!!
Já não era sem tempo, certo?

wezt
14 de Maio de 2019, 18h27
“Esse não é um governo que governa para 60% da população. Ele governa para 30%. O
governo tem uma lógica de guerra muito clara. É melhor ter um grupo pequeno de
apoiadores, mas muito aguerridos e mobilizados, do que um grupo grande e disperso. Eles
não estão se importando em estar perdendo aprovação. Sabem que a questão fundamental
não é a provação que terão, mas se os 30% que estão do lado deles vão estar muito
mobilizados. Porque os outros 70% estão desmobilizados. Porque do outro lado não tem
força de mobilização. Há energia de revolta, mas não força de mobilização. Enquanto essa
situação perdurar, eles conseguem se sustentar com 30%”

Fabíola
14 de Maio de 2019, 18h08
Durante a leitura do texto, cliquei no link anunciando resultados da Pesquisa Nacional de
Saúde de 2013. Qual não foi meu espanto quando percebi que esta outra reportagem para
onde fui transferida se tratava, já na parte do meio para o final, de uma “sugestão” de
especialização para tratamento de Halitose. Já tinha até curso online indicado. Será que foi
“sem querer ?” Ou seria uma parceria, já que o texto sobre desigualdades no Brasil atrairia o
interesse de dentistas, obviamente.
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Alice
14 de Maio de 2019, 18h02
Excelente matéria! tenho acompanhado por aqui alguns textos do trabalho que você e Lucia
Scalco vem fazendo há tantos anos em Morro da Cruz e sempre quero saber mais …… esse
ponto dos dentes e das dores é muito importante, o sofrimento físico e o emocional com a
vergonha e a falta de auto estima…… acho que nunca li nada sobre isso com essa clareza e
profundidade.. agradeço

Esdras Guedes
14 de Maio de 2019, 16h39
Parabéns pelo texto!! Lido diariamente com essa realidade, enquanto profissional da rede
pública de saúde.

Ozimandias
14 de Maio de 2019, 15h42
Uma coisa que sei com certeza sobre minha juventude é eu era muito mais besta que hoje…
mas eu sabia que era besta; então minhas vagas simpatias com o socialismo só podiam ser
decorrência dessa bubiça e sabia que não devia me envolver com essa turma;
Hoje vejo que eu não era um caso perdido de todo….

wezt ↪ Ozimandias
14 de Maio de 2019, 18h29
“então minhas vagas simpatias com o socialismo”
Olha o moleque de apartamento cristãotário querendo posar de ex-comunista de
universidade.
Tu é um fascistinha, era um fascistinha, sempre será um fascistinha, teu avô era um
fascistinha, teu pai é um fascistinha, tua mãe é uma fascistinha e todos são um bando de
babacas

Ozimandias ↪ wezt
14 de Maio de 2019, 19h03
Mas sobre o massacre de lgbts em Havana sábado passado nem uma palavra né??

Marcelo Soares ↪ Ozimandias


15 de Maio de 2019, 4h04
Se massacraram fizeram bem. Quem gosta de viado são os capitalistas.Por isso adoram
promover a causa gay. Comunistas odeiam pederastas.

mr ↪ Ozimandias
15 de Maio de 2019, 21h46
Uma besta que se tornou um bosta. ploft.

Maya
14 de Maio de 2019, 15h24

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Nossa, sua conclusão foi bastante tendenciosa. Trabalho em serviço público de saúde, e as
economias ocorreram já no governo Temer pq o mesmo Governo Lula que fez o
Brasil sorridente, roubou os nossos cofres. Se liga !

Drika de Jesus
14 de Maio de 2019, 15h17
Excelentíssimo texto.
Na minha infância chegamos a usar sabonete como substituto na falta do creme dental. Não
tínhamos acesso à fio dental e os dentistas da escola pública só sabiam extrair os dentes.
Isso de pacientes crianças de 8 a 10 anos de idade.
Parabéns pela magnífica abordagem. Muito necessário para discussão e possível solução
(não tão difícil, considerando o programa do governo federal anterior “Brasil Sorridente”).

Simone
14 de Maio de 2019, 15h09
Parabéns pelo texto. Muito sensível e verdadeiro, pois vivenciei isso na pele e é
simplesmente horrível, um pesadelo…e ninguém tem esse olhar sensível que vc teve.

Mao
14 de Maio de 2019, 14h54
Parabéns pelo texto, Rosana. Critiquei-te em outras ocasiões, entretanto, este texto tem
uma qualidade imensurável. Uma sensibilidade tremenda. Gostei muito. Parabéns.

wezt ↪ Mao
14 de Maio de 2019, 18h32
Finalmente ela resolveu falar sobre a relação primordial do capitalismo: a relação entre os
que possuem e os que não possuem

Roseleia
14 de Maio de 2019, 14h21
Texto excelente! Autora demonstra sensibilidade ao abordar um tema q pode ser
considerado sem importância, mas que interfere no autoconceito de quem passa por esse
problema.

Jayne Cipriano da
14 de Maio de 2019, 14h12
Cada palavra traduziu meus sentimentos, me vi um pouco em cada história real contada aí.
Tenho 23 anos, passei minha infância inteira me escondendo, eu não me lembro de sorrir em
uma foto. Me tornei adulta e por diversas razões não posso cuidar do meu Sorriso, eu o
priorizo tanto, mas não parece suficiente. O que eu queira dizer é que as vezes uma escova e
uma pasta de dente não é suficiente. Hoje eu sinto dor todos os dias, meu dentes doem
todos os dias, e minha rotina tem sindo lutar para não perder-los. Se eu ficar sem eu não terei
como pagar um implante ou seja o que for. Eu vivencio todos os dias a sensação de dor e
medo, medo de sentar na cadeira do dentista e não ter nenhuma saída a não ser extrai-los, pq
sei que não terei como repôr. Dói não poder custear um bom tratamento, dói, não poder ir até
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o fim do que pode ser feito, dói não poder ter esperança que a situação pode mudar, pq todos
os dias a minhas circunstâncias me dizem que não. Meu sonho, o sonho de minha vida é
poder sorrir sem medo, frustração, ou vergonha. Que o senhor abençoe quem escreveu essa
matéria. E que cada dia mais, menos pessoas precisem passar por isso.

Kataline segura melhado


14 de Maio de 2019, 14h12
Sou dentista e seu texto elucida exatamente o que vejo há 12 anos de formada! Me formei na
era Lula! Atendi muitas pessoas simples que pela primeira vez tiveram acesso a odontologia!
Chorei com elas de felicidade nos finais dos tratamentos. Hoje td mudou. Os postos de
saúde sem recursos pra atender tanta gte com dor.É desumano a desconstrução desse
governo!

Goodfella ↪ Kataline segura melhado


14 de Maio de 2019, 19h10
Ahhh sim..Bolsonaro arranca os dentes dos pobres de noite..é a fada dos dentes ao
contrário

Andreia ↪ Goodfella
14 de Maio de 2019, 20h06
É.

Everton ↪ Goodfella
15 de Maio de 2019, 9h02
Só um robô mesmo pra não conseguir entender que “postos de saúde sem
recursos=menos verba destinada pelo governo fascista miliciano”….pois se fosse uma
pessoa de verdade por mais inguinorante que fosse, por menos neurônios que
conseguissem fazer a sinapse, entenderia.

Anderson ↪ Kataline segura melhado


15 de Maio de 2019, 12h02
Prova de que a educação em saúde bucal e a intervenção para limitação dos danos não
serviram pra nada nesses últimos governos pra ter que “atender tanta gente assim com
dor” a ponto de não ter material.

Robson Geraldes
14 de Maio de 2019, 14h02
Ótima matéria. Parabéns pela dedicação e pelo ótimo trabalho de jornalismo.
Infelizmente essa é a verdadeira realidade no Brasil.

Joelma Melo da Silva


14 de Maio de 2019, 13h28
Esse texto me fez lembrar do meu período de trabalho de campo, onde me deparei com essa
triste realidade.

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Ermelinda oliveira
14 de Maio de 2019, 13h04
Tratamento caríssimo e ineficiente…..um horror

Jeferson
14 de Maio de 2019, 12h41
Excelente matéria. Parabéns pelo belo trabalho. E forças para todos os profissionais da área
odontológica que se empenham em oferecer tratamento digno e acessível aos brasileiros
mais carentes. Deus retribua essa dedicação.

Diane
14 de Maio de 2019, 12h29
Parabéns pela reportagem.

Wellington Silva
14 de Maio de 2019, 12h28
Até os meus 25/26 anos de idade eu tinha pavor de tirar foto sorrindo. Quando arrumei uma
nova namorada (está garota adorava tirar fotos) eu tomei iniciativa e iniciei um longo
tratamento dentário. Foram aproximadamente 4 a 5 anos de sofrimento e planejamento.
Hoje vejo que valeu muito a pena. Posso tirar foto sorrindo sem medo. As vezes coisas
simples na vida são muito significativas.
Fio dental, limpador de língua e escovar os dentes depois das refeições e uma tarefa que
agora fazem parte da minha rotina.
O Brasil e lindo, mas infelizmente e muito desigual.
Parabéns pela excelente matéria.

Hilza Cordeiro
14 de Maio de 2019, 12h22
Excelente, Rosana! Eu também só descobri que minha mãe usava ‘chapa’ quando tinha uns
12 anos. Acho que mainha tinha uns 40 anos quando descobriu a possibilidade do implante
dentário, juntou uma graninha e colocou os dentes que faltavam. Hoje, tenho uma irmã que
cursa odontologia e atende pessoas na clínica da universidade. Não é difícil encontrar
histórias como essas por aí…

Ronaldo
14 de Maio de 2019, 12h18
Sou filho de imigrantes rurais nascido em 69 praticamente perdi todos os molares so fui
tratar meus dentes quando pude pagar o tratamento com 20 anos, sei da dor e do estigma,
hoje luto para meus filhos preservarem os seus dentes e nunca tiveram caries.

Wagner
14 de Maio de 2019, 12h14
Excelente artigo. Gostei!

Wagner
https://theintercept.com/2019/05/13/desigualdade-no-brasil-dentes/ 17/22
29/07/2019 A desigualdade no Brasil medida pelos dentes

14 de Maio de 2019, 12h13


Realmente a desigualdade social é refletida na saúde bucal. Existe uma linha divisória
explícita. Gostei do artigo.

Caio
14 de Maio de 2019, 12h06
Texto interessante, uma realidade pouco discutida e muito lamentada. Só a alfinetada no
governo que achei tendenciosa e desnecessária, como citado acima, é mais fácil por a culpa
no outro. A saúde bucal sempre foi elitizada no Brasil e em muitos lugares, mas depois da
“era de ouro” lulista ainda assim acredito que o avanço está na informação e acesso da
população aos meios de prevenção. Só de ter a informação correta a pessoa pode
desenvolver uma qualidade de vida superior. Há muitas palestras e ações em escolas sobre
escovação e aplicação de flúor, mas é muito pontual e superficial. Minha experiência
acadêmica me deu a entender que precisa ser feito muito mais, os responsáveis precisam
ser informados, armados de meios de prevenção. Acho que nunca vi uma chamada na tv
sobre uma escovação correta, o que fazer ou onde ir em uma emergência como cair e quebrar
o dente, por outro lado os discursos sobre sexualidade ou raça parecem ser mais imediatos
nas mídias, cada um tem sua luta, talvez seja questão de prioridades.
Outra questão é o atraso, burocracia e valor dos recursos odontológicos pra quem trabalha
com essa população vulnerável.
Mesmo com a facilidade de acesso do governo anterior ainda assim vi muitos colegas
abandonar o curso ou concluir com esforço sobrehumano pra depois de formado trabalhar
em péssimas condições e ganhando tanto quanto um profissional informal, a alternativa?
Conseguir algo até ter condições de ter o próprio consultório e sair do serviço público, mas
há os que permanecem pela compaixão e afeto, que nem sempre paga o financiamento.
É um assunto complexo mas tenho fé que no geral as coisas vão melhorar, hoje o pobre
consegue ter um smartphone que abre uma porta alternativa a maneira de pensar e ver a
vida, se cuidar faz parte disso e quanto mais informações de qualidade as prioridades tbm
mudam.
Gostei muito da reportagem.

Luiza ↪ Caio
14 de Maio de 2019, 15h06
Perfeito, Caio.

Luana
14 de Maio de 2019, 11h55
Simplesmente perfeita a matéria.

Jorge HURST
14 de Maio de 2019, 11h29
Muito boa reportagem. Cada aspecto apresentado dá ganchos para aprofundamento em
vários temas ligados à Saúde Bucal. Por favor, não abandone este tema. Parabéns!

https://theintercept.com/2019/05/13/desigualdade-no-brasil-dentes/ 18/22
29/07/2019 A desigualdade no Brasil medida pelos dentes

Dacio Franco
14 de Maio de 2019, 11h18
Rosana, parabéns pela matéria…Simplesmente fantástica !
O que chamamos de ADENTADO TOTAL ( banguelos ) do Brasil, é um tema de extrema
relevância. Sua matéria expôs em detalhes uma realidade que precisa ser mudada . São 26
milhões de pessoas sem um único dente na boca, segundo uma pesquisa de 2004 do
ministério da saúde. Está é a triste estatística . Parabéns mais uma vez pela brilhante mateia
!

Dávilla
14 de Maio de 2019, 10h55
Li e compartilhei com meus colegas de classe.
Maravilha de texto, que nos trás aos contextos atuais da saúde bucal no Brasil.
Estou no 5º semestre de Odontologia da Uniararas.
Estou correndo riscos de perder minha bolsa do Prouni por conta dos cortes de verbas que
atingiu o MEC. Mas textos como este me faz ter mais força para lutar pela Odontologia.
Obrigada!

Arthur
14 de Maio de 2019, 10h53
Olá, Rosana. Brilhante e comovente texto.
Faço questão de compartilhar um momento vivido por mim no meio de 2009. Pra história
ficar clara, sou carioca, de classe alta, morador da Barra da Tijuca.
Estava no meio do meu processo de alistamento militar obrigatório (última coisa que queria
era servir o exército) e fui encaminhado para processo de alistamento no forte de
Copacabana, área militar aberta a civis para visitação. O Forte recebe turistas que visitam o
museu histórico, as fortificações e os restaurantes que lá existem. Um dos motivos de eu ter
sido obrigado a servir foi esse, o comandante buscava jovens recrutas de “padrão”, como ele
mesmo dizia. Um dos cortes de muitos outros recrutas, que buscavam servir o exército em
busca de um primeiro emprego ou por tradição familiar, foi a saúde bucal. Escutei do próprio
dentista do quartel que ele rejeitou mais recrutas do que o médico. Como teríamos que lidar
com turistas o sorriso dos soldados seria porta de entrada para o forte. Acho que corrobora
com o que você falou sobre oportunidades negadas a muitos.

Obrigado pelo texto novamente.

Maria Hilda da Silva


14 de Maio de 2019, 10h45
Ótima matéria!
Foi assim comigo tb. Nasci de pais pobres e desde sempre me preocupei com os dentes. Aos
15 anos fui trabalhar de empregada doméstica com intuito de tratar meu dente careado
(incisivo). Já havia perdido 2 molares arrancado no INPS (SUS). Daí, trabalhei por 18meses
com dentistas e aprendi tudo de dente. Meu maior orgulho foi criar meus filhos sem nunca
terem tido uma cárie.

https://theintercept.com/2019/05/13/desigualdade-no-brasil-dentes/ 19/22
29/07/2019 A desigualdade no Brasil medida pelos dentes

Lieth
14 de Maio de 2019, 10h44
Eu vivi isso na infância e na adolescência, muito triste ainda vivo. Hoje uso próteses ou seja
dentadura, na parte inferior uso prótese, e já estou pensando em extrair todos os que resta,
mais não consigo vaga no posto de saúde, todos conseguem menos eu, meu esposo tá
doente e até agora nenhum exame que fez relata o problema dele.E eu continuo orando para
Deus, só Ele pode estender suas mãos para mim

Mario Giorgi
14 de Maio de 2019, 10h44
Prevenção nunca saiu de moda. Se os profissionais tivessem o foco em que a
desorganização da placa bacteriana que se forma na boca após as refeições ,
desorganizando muitos problemas podem ser prevenidos. Temos sempre que promover
saúde e a higienização com técnica pode sim melhorar e muito esse triste retrato

Kaíque Guerra
14 de Maio de 2019, 10h28
Que matéria! A realidade é essa, nua e crua. 11% da população é desdentada completa.
Enquanto os cursos de odontologia não param de crescer, os investimentos em saúde
pública vão ruindo. Triste.

Micaela
14 de Maio de 2019, 10h15
Ótimo texto. A primeira coisa que fiz quando consegui um emprego aos 15 anos foi colocar
aparelho. Afinal, a única forma de tratar dos dentes, numa família pobre e com muitos
irmãos, era trabalhando. Na época dos rolezinhos chovia meninos que colavam as peças dos
aparelhos com “superbonde” e depois pegavam fios de cabo de vassoura coloridos para ligar
as peças… e isso era prática comum no meu bairro (perus-sp) mas também de outros como
no capão redondo, zona leste.

Alessandra
14 de Maio de 2019, 10h15
Excelente reportagem!

Carlos Henrique da Silva Oliveira


14 de Maio de 2019, 10h14
Parabéns, brilhante matéria. Certo que cada um de nós tem um semelhante ou ancestral com
sérios problemas dentários.
Eu, mesmo, até os 16 convivi com isso.
Hoje com 54 posso me chamar de paranoico com dentes.
Obrigado pelo texto.
Divulgarei

Milla Pupo
14 de Maio de 2019, 10h12

https://theintercept.com/2019/05/13/desigualdade-no-brasil-dentes/ 20/22
29/07/2019 A desigualdade no Brasil medida pelos dentes

Ótima matéria! Uma forma de ter acesso à atenção odontológica primária pode ser os planos
odontológicos, poderia ser algo considerado na matéria. Obviamente que mesmo tendo um
custo mais acessível, entendo que não são todos que podem pagar, mas talvez seja uma
opção para alguns.

Luciana
14 de Maio de 2019, 10h00
Sonhos de muitos,alegria de poucos!

Gisela
14 de Maio de 2019, 9h59
A narrativa proveniente de pesquisa vem ao meu encontro – em uma situação pessoal, mas
também funcionários como zeladores, terceirizados etc de quem ouço a alegria de poder
sorrir depois de implantes dentários feitos …

Guilherme Larroyd
14 de Maio de 2019, 9h45
Ótima reportagem! Acrescentaria aos fatos citados como possíveis razões para este cenário,
o próprio foco do ensino da odontologia nas universidades, praticamente todo voltado para o
mercado privado. As disciplinas de saúde pública são totalmente colocadas de lado. Acredito
que essa mudança também seja necessária.

Ana Luiza
14 de Maio de 2019, 9h38
Ótima reportagem. Parabéns!!!

Alexandre JUn Zerbini Ueda


14 de Maio de 2019, 8h57
Parabéns pelo texto, sou dentista com 25 anos de profissão, já presenciei situações citadas,
família que divide escova, compra de prótese total como se sapatos fossem, coquetel
analgésico que num bar venderia como drinks, solicitação de construir os dentes da frente
para arruma emprego… E ainda no século atual carregamos esse rótulo! Triste para nós…

Bianca
14 de Maio de 2019, 8h50
Como sempre, ótimo artigo da Rosana Pinheiro!
Cursei metade do curso de Odontologia na Unesp e é desesperador como os futuros
profissionais não tem nenhum preparo (nem interesse) pra lidar com pacientes carentes.
Cansei de ver filhinho de papai recebendo paciente na clínica de ressaca, bêbado … E
professor passando pano. Paciente esse que às vezes tinha pego 2 ou 3 ônibus pra chegar
até ali.
A disciplina de Saúde Coletiva que aborda essas desigualdades e a Odontologia no sistema
público, é ridicularizada em um curso tão elitizado como Odonto.
Discussão extremamente necessária!

https://theintercept.com/2019/05/13/desigualdade-no-brasil-dentes/ 21/22
29/07/2019 A desigualdade no Brasil medida pelos dentes

Felipe Gomes
14 de Maio de 2019, 2h14
Texto lindo e dolorido. Obrigado por escrever, Rosana.

https://theintercept.com/2019/05/13/desigualdade-no-brasil-dentes/ 22/22

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