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Pesquisa sociológica - O papel do investigador no trabalho de campo 1

Celina Fernandes Gonçalves Bruniera

Quando se sai a campo para uma pesquisa sociológica, o objeto de estudo


não pode ser isolado e observado num laboratório. São as relações sociais que
interessam.

É comum a realização de trabalhos de campo com alunos do ensino médio.


Trata-se, na maioria dos casos, de pesquisas locais (no bairro ou no entorno da
escola). É uma iniciativa que pretende fazer o estudante refletir sobre seu
lugar, sobre as relações sociais das quais faz parte.

A pesquisa sociológica
Em seu trabalho "A história de vida na investigação sociológica: a seleção dos
sujeitos e suas implicações", publicado em 'Ensaios de Sociologia Geral e
Aplicada', Florestan Fernandes preocupa-se em revelar a riqueza do método
da história de vida como documento sociológico.

O sociólogo examina a relação entre o investigador e as pessoas que


colaboram com a pesquisa. Analisa também as dificuldades encontradas pelo
pesquisador quando seu objeto de estudo é também um sujeito.

Florestan Fernandes aborda a combinação da técnica da observação


participante e do método da história da vida e aborda a forma como o
investigador procurará obter uma posição no grupo que vai observar. E alerta:
as condições exteriores da investigação não garantem a capacidade de
comunicação e de compreensão do pesquisador.

O pesquisador que faz parte do grupo

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... - Veja mais em https://educacao.uol.com.br/disciplinas/sociologia/pesquisa-sociologica-
o-papel-do-investigador-no-trabalho-de-campo
Especial para a Página 3 Pedagogia & Comunicação
Alguns pesquisadores passam a ser operários, por exemplo, porque assim
imaginam obter um "conhecimento concreto" das condições de trabalho e da
mentalidade dos próprios operários. Mas tornar-se parte do grupo observado
não é garantia de conseguir mais convivência e estabelecer laços de simpatia
com os membros da comunidade pesquisada. E esses são elementos
necessários para o bom andamento do estudo.

Fazer parte da rotina

Quem opta por se inserir no grupo investigado não deve escolher posições que
"restrinjam sua área de ação pessoal ou inibam afetiva ou moralmente os
ajustamentos sociais viáveis", diz o Fernandes. A relação entre pesquisador e
pesquisado é, antes de tudo, uma relação entre sujeitos. Portanto, deve ocorrer
como qualquer outra interação social.

O sociólogo pode explorar estrategicamente a observação participante,


operando em ambientes onde sua presença faz parte da rotina. A participação
resultaria da condição do pesquisador como membro do grupo. Ao observar um
grupo do qual faz parte, o pesquisador se sente menos constrangido e ainda
reduz as inconveniências para os outros.

Mais: a existência de uma longa convivência ou a estima mútua entre o


pesquisador e os sujeitos da pesquisa podem contribuir como elementos
estimulantes para os dois agentes envolvidos na situação de investigação.

Não há garantia de comunicação

A inserção do pesquisador no grupo, de forma deliberada ou espontânea, não


garante a comunicação entre o pesquisador e os sujeitos da pesquisa, nem a
compreensão das relações sociais num determinado grupo.

Para Florestan Fernandes, o que contribui para um trabalho proveitoso "é a


qualidade humana do investigador, aproveitada em suas atividades de
pesquisa", "o que o investigador puder dar de si, como e enquanto ser humano,

nas situações de convivência social criadas pela investigação”.


O que dá rigor à pesquisa...

Cabe também ao pesquisador, de acordo com o objeto e diante das condições


de investigação, examinar a viabilidade da combinação de técnicas de
pesquisa, selecionar os casos para a elaboração das histórias de vida,
encontrar o que há de mais significativo nas biografias e aproveitar da melhor
forma os resultados da análise. O rigor da pesquisa sociológica não reside no
afastamento do investigador dos grupos aos quais pertence, - como muitos
atestam -, nem na inserção no grupo a ser observado, mas em como o
pesquisador desenvolverá suas atividades.

Interesses envolvidos na pesquisa sociológica Qualquer que seja a posição


que o investigador escolha ocupar diante do grupo que observa, será uma
posição em que história pessoal e formação profissional se revelam e se
confrontam. Será uma relação mediada pelos diferentes interesses envolvidos,
pelas impressões que os interlocutores têm um do outro, pelos dilemas vividos
por cada um, enfim por uma história comum e por histórias particulares. Tanto
o pesquisador como os colaboradores são sujeitos da investigação, porque
estão disponíveis para aprender um com o outro.

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