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AO MM.

JUÍZO DE UMA DAS VARAS TRABALHISTAS DA COMARCA DE (NOME DA


CIDADE/ESTADO)

Reclamação Trabalhista
Reclamante: Harry Potter Miranda da Silva
Reclamada: Organizaçõ es Tabajara
Rito ordiná rio

HARRY POTTER MIRANDA DA SILVA, brasileiro, solteiro, estudante, portador da Carteira


de Identidade RG-XXXXXXX e CPF XXX.XXX.XXX-XX, CTPS nº XXXX, série nº. XXXX, nascido
em XX/XX/XXX, natural de (cidade/estado), filha de Thiago Potter Miranda e de Maria
Potter da Silva, residente e domiciliado à rua X, n.º XXXX, bairro dos Bruxos, cidade de
XXXXXX, CEP-XXXXX-XXX, Estado de XXXXXX, por seu advogado que esta subscreve, com
escritó rio no endereço sito ao rodapé, vêm, com a devida vênia, a ilustre presença de Vossa
Excelência, com fulcro nos artigos 769 e 840 § 1º da CLT c.c. 282 do CPC, e 5º, inciso X, da
Constituiçã o Federal c/c arts. 186 e 927 do Có digo Civil, propor a presente
RECLAMAÇÃO TRABALHISTA
em face de ORGANIZAÇÕES TABAJARA, pessoa jurídica de direito privado registrado sob
o CNPJ n. XXXXXXXX, com endereço para citaçã o à rua (colocar endereço e, se possível,
colocar também telefone e e-mail. Se nã o tiver as informaçõ es suficientes para citar a
reclamada, é preciso abrir um tó pico na Peça e pedir ao juiz que realize diligências via
SISBAJUD (antigo Bacenjud), INFOJUD e DOI para identificar endereços da empresa), pelos
fundamentos de fato e de direito que passa a expor.

1 -PRELIMINARMENTE
1.1 - DO CONTRATO DE TRABALHO INICIADO E EXTINTO ANTES DA INCIDÊNCIA DA
NOVA LEI 13.467/2017 (REFORMA TRABALHISTA)
(Este é um tó pico APENAS caso a relaçã o de emprego tenha ocorrido ANTES da reforma
trabalhista, em que você vai requerer ao juiz a aplicaçã o das normas materiais que estavam
em vigor à época da realizaçã o do trabalho. Isso é muito importante, pois alguns direitos
que eram devidos antes da reforma, já nã o eram mais DEPOIS. Desta forma, você vai
defender o seu cliente utilizando toda a legislaçã o em vigor À É POCA DO CONTRATO DE
TRABALHO, mesmo que tenham sido revogadas pela reforma. Se a relaçã o de emprego se
deu de forma INTERTEMPORAL (pegou um trecho ANTES da reforma e outro trecho
DEPOIS da reforma, você pode usar este mesmo tó pico, neste caso será aplicado o direito
INTERTEMPORAL: as matérias de fato que se consolidaram na lei antiga, serão
regidos por ela, e as matérias de fato que se consolidaram na nova lei, serão regidos
pela nova lei). Outro ponto importante: Apesar da legislaçã o material (de fato) aplicá vel
ser aquela à época do contrato de trabalho, a legislaçã o formal (processual) aplicá vel será a
legislaçã o À É POCA DO PROCESSO, pelo princípio do “tempus regit actum” (o tempo rege o
ato). Ou seja: a legislaçã o material aplicada será à quela que estava em vigor à época da
consolidaçã o dos fatos, e a legislaçã o formal (procedimentos processuais) serã o os
contemporâ neos, ou seja, a legislaçã o em vigor à época do processo. A seguir o tó pico,
sendo necessá rio adaptá -lo ao caso concreto).
Primeiramente, quanto à matéria de fato, requer a aplicaçã o das normas celetistas ANTES
da incidência da Lei 13.467/2017 (reforma trabalhista), posto que, conforme consolidado
pelos tribunais, a aplicaçã o da lei material deve ser observada de acordo com a legislaçã o
em vigor à época de consolidaçã o dos fatos, ao passo que, pelo princípio do “Tempus Regit
Actum”, a lei formal aplicá vel é aquela da realizaçã o do ato processual. Neste aspecto, o E.
TST já consolidou tal questã o, pois vejamos:
RITO SUMARÍSSIMO - APLICAÇÃO PELO ACÓRDÃO RECORRIDO E PELO DESPACHO
DENEGATÓRIO - INCIDÊNCIA DO DIREITO INTERTEMPORAL - REGRA TEMPUS REGIT
ACTUM. A Lei nº 9.957, de 12 de janeiro de 2000, publicada no DOU de 13/01/2000, que
passou a vigorar após 60 (sessenta) dias da data da sua publicação, instituiu o procedimento
sumaríssimo no processo do trabalho, para os dissídios individuais cujo valor não exceda a 40
(quarenta) vezes o salário mínimo vigente na data do ajuizamento da ação trabalhista (CLT,
art. 852-A). Instituiu várias exigências, que não constavam no procedimento ordinário. Com
efeito, no rito ordinário, não se exige, entre outros pressupostos, o da liquidez do pedido,
tendo como objetivo maior rapidez na solução dos conflitos trabalhistas. A referida lei
somente é aplicável às causas trabalhistas ajuizadas a partir de sua vigência, sob pena
de ofensa aos princípios da irretroatividade das leis, do direito ao contraditório e da
ampla defesa e do ato jurídico perfeito. Sendo, pois, a ação trabalhista ajuizada, instruída
e julgada sob as regras do procedimento comum então vigente em dezembro 99 (fl. 12), este é
o rito que deve ser observado, porquanto a Lei nº 9.957/2000 não alterou apenas o rito
procedimental já existente, criou, também, novo procedimento judicial. A lei processual, é
claro, tem aplicação imediata e alcança os processos em curso. Mas a lei nova terá de
observar os atos processuais já praticados e consumados, pois são atos jurídicos
perfeitos e acabados (CF, art. 5º, XXXVI). Consumado, assim, o ato na vigência da lei
anterior, não pode mais ser desfeito pela legislação posterior, sob pena de ofensa ao
preceito constitucional previsto no art. 5º, XXXVI, da CF. Na hipótese destes autos, no
entanto, não há que se falar em nulidade do processo, porque o acórdão recorrido, na
verdade, aplicou o rito ordinário, porque a decisão não contém, tão-somente, a certidão de
julgamento, conforme faculta o artigo 895, 1º, IV, da CLT. Agravo a que se nega
provimento[1].
Nã o obstante, vejamos a jurisprudência mais recente dos tribunais:
RECURSO ORDINÁRIO. DIREITO INTERTEMPORAL. CONTRATO VIGENTE ANTES E DEPOIS
DA REFORMA TRABALHISTA. O contrato de estágio entre as litigantes perdurou durante o
interregno entre 18/04/2017 e 17/04/1019, de forma que, em 11/11/2017, início da vigência
da chamada Lei da Reforma Trabalhista (Lei nº 13.467/2017), a contratualidade ainda
subsistia. à vista disso, serão aplicadas à relação contratual submetida a exame as normas de
direito material de acordo com sua vigência na época em que ocorridos os fatos, de modo que,
até 10/11/2017, deve incidir, na hipótese, o regramento contido na CLT antes da Reforma
Trabalhista, e somente a partir daí serão observadas as alterações sucedidas. CONTRATO DE
ESTÁGIO. DIFERENÇAS DE BOLSA-ESTÁGIO. CONVENÇÃO COLETIVA DE TRABALHO X
ACORDO COLETIVO DE TRABALHO. INCIDÊNCIA DO ART. 620 DA CLT. Uma vez que a
Convenção Coletiva de Trabalho, em oposição ao Acordo Coletivo de Trabalho, garante o piso
salarial de ingresso dos empregados bancários aos estagiários sem vínculo de emprego, ainda
que a autora não tenha sido representada na negociação coletiva por qualquer ente sindical
por não deter a condição de bancária, sendo regida por lei específica, qual seja, a de nº
11.788/2008, ocupa posição, ante à CCT, de terceiro interessado em prol do qual se fixou a
obrigação de pagar os pisos salariais convencionados, motivo por que, nos termos do art. 436,
do Código Civil Brasileiro vigente, pode exigir o cumprimento da norma coletiva. Nessa
situação, devem ser observadas as disposições que emanavam do art. 620 da CLT antes de sua
alteração decorrente da entrada em vigor da Lei nº 13.467/2017, relativamente ao período
contratual anterior à reforma. Sentença reformada. HONORÁRIOS ADVOCATÍCIOS. AÇÃO
AJUIZADA NA VIGÊNCIA DA LEI Nº 13.467/2017. Em se tratando de ação ajuizada após
11/11/2017, faz-se aplicável o novo regramento trazido pela Reforma Trabalhista (Lei
13.467/2017) acerca dos honorários advocatícios. Nessa situação, impõe-se razoável a
condenação das partes em honorários advocatícios pela sucumbência recíproca, na forma
prevista no art. 791-A, § 3º, da CLT, bem como a determinação para suspensão da
exigibilidade em relação ao beneficiário da justiça gratuita, haja vista a declaração de
inconstitucionalidade material da expressão "desde que não tenha obtido em juízo, ainda que
em outro processo, créditos capazes de suportar a despesa", contida no § 4º, do art. 791-A, da
CLT, com redação dada pela Lei nº 13.467/2017, por este Regional, nos autos do processo nº
0080026-04.2019.5.07.0000, na sessão plenária ocorrida no dia 8.11.2019. Sentença
reformada. Recurso conhecido e parcialmente provido[2].
Posto isto, é imprescindível ressaltar que a relação de emprego se deu de (data de
início) a (data final), o que torna imperiosa a aplicação das normas (direito
intertemporal) nos termos que se expôs, o que fica requerido desde já.

1.2 - DO PEDIDO DE JUSTIÇA GRATUITA


Nos termos da Lei nº 1060/50, c/c com as alteraçõ es inseridas pelo art. 790 da Lei n.
13.467/2017, assim como o art. 98 e seguintes do CPC, a parte autora informa ser pobre na
acepçã o jurídica do termo, nã o podendo assumir os dispêndios processuais sem prejuízo ao
seu pró prio sustento. Ante a isso, requer os benefícios da justiça gratuita, pelo que anexa
declaraçã o de Hipossuficiência, nos termos legais.

2 - DOS FATOS
2.1 - DO CONTRATO DE TRABALHO
(Neste tó pico você vai descrever a data de entrada, data de saída, carga horá ria,
remuneraçã o, progressã o de cargo, etc. Vai dar uma visã o geral do emprego. Ainda nã o é o
momento de explorar as especificidades das situaçõ es. Lembre-se que, para cada ponto a
ser debatido, é preciso abrir um tó pico novo, para encadear as ideias de forma organizada.
Neste momento, você vai fazer uma descriçã o geral dos fatos que, posteriormente, nos
respectivos tó picos, serã o devidamente aprofundados. Neste caso em questã o – em que
elaborei esta petiçã o – era o caso de uma reclamante que trabalhou anos sem registro
formal na CTPS. Vou deixar a integralidade da Inicial a título de exemplo, mas você terá que
adaptá -la ao seu caso concreto). Segue o tó pico.
A reclamante nã o se recorda do dia exato em que iniciou o contrato de trabalho, porém
esclarece que se deu em meados de (ano). Isso se deve ao fato desse contrato ter sido
firmado meramente de forma oral, nã o tendo a reclamada procedido ao registro na CTPS da
reclamante, em clara ofensa ao art. 29 da CLT. Nã o obstante, foi dispensada sem justa causa
em (data), sem sequer aviso prévio. O seu ú ltimo salá rio foi de R$ XXX,XX.
Ressalta-se que a relaçã o de emprego será comprovada durante o deslinde da açã o, através
de provas testemunhais, documentais e o que mais for de direito. Por ora, destaca-se a
fotografia abaixo, onde se denota a reclamante entre os demais funcioná rios do
estabelecimento comercial:
(FOTOGRAFIA COM DESTAQUE NA RECLAMANTE)
Além disso, observamos que imagem semelhante era usada para a divulgaçã o de
propagandas comerciais do estabelecimento nas redes sociais. A seguir, vemos a
reclamante, dentre demais funcioná rios, numa fotografia em pá gina da rede social
Facebook:
(FOTOGRAFIA JUNTADA)
Desta forma, resta manifestada a relaçã o da reclamante com a reclamada. Demais questõ es
serã o levantadas oportunamente.
Ademais, é necessá rio ressaltar que quando começou o trabalho na reclamada, a autora
exercia a funçã o (nome da funçã o), e nesse cargo permaneceu durante (tempo na funçã o), o
qual recebia uma diá ria de R$ (valor). Apó s esse período, foi "promovida" a (nome da
funçã o), onde entã o percebia uma renda de R$ XXXXX ao mês, nesse cargo ficou, sem
alteraçã o do salá rio, até o seu afastamento.
O horá rio de trabalho da Autora dava-se de (explicar carga horá ria), inclusive todos os
feriados do ano, sem exceçã o, sem nenhum tipo de adicional ou compensaçã o por isso, com
exceçã o do fim-do-ano, em que, na véspera de Natal, cada trabalhador recebia R$ 50,00
como uma “gratificaçã o”.
Ressalte-se, excelência, que a reclamante trabalhava sozinha em diversos dias da semana,
principalmente à s segundas e quartas-feiras, sendo que nos demais dias era ajudada
esporadicamente por terceiros que eram contratados também sem qualquer tipo de
registro formal. O seu trabalho consistia basicamente em (explicar a funçã o). Quando nã o
havia terceiros para ajudá -la, ocasionalmente também fazia as vezes de garçonete. Além
disso, ao fim do expediente, precisava deixar o estabelecimento preparado para o dia
seguinte, tendo que limpar o salã o, a cozinha, o forno elétrico e o que mais fosse necessá rio
para deixar o ambiente adequado. Nessa ú ltima tarefa, também, nem sempre havia quem a
ajudasse, motivo de que por vá rias ocasiõ es a desempenhou sozinha, durante todo o
período de trabalho na reclamada.
Sua responsabilidade era tal, que, por vezes, chegou a desempenhar a tarefa de gerente,
pois o patrã o, Sr. (nome do gerente), viajava e, enquanto estava fora, deixava a Autora
responsá vel por tudo que dizia respeito ao estabelecimento: nessas ocasiõ es ela cuidava do
caixa, das mercadorias, dos pedidos, escalar os demais funcioná rios para o trabalho, etc.
Quando ficava nessa funçã o também nã o recebia qualquer tipo de abono ou adicional pela
tarefa desempenhada.
Destarte, nã o havia controle de ponto, em ofensa direta ao pará grafo 2º, do Art. 74 da CLT.
Além disso, o pagamento dos funcioná rios era feito mediante um caderno de anotaçã o: os
funcioná rios eram chamados, recebiam, colocavam a data e assinavam esse caderno, que
ficava com o Sr. (gerente). Nã o era emitido nenhum tipo de comprovante, recibo, ou
controle de pagamento para os funcioná rios.
A reclamante nunca gozou de férias durante todo o seu período de trabalho. À s vezes,
principalmente no fim do ano, solicitava ao Sr. (gerente) alguns dias de afastamento,
ocasiã o em que se afastava por, mais ou menos, X dias, e esses dias, ressalte-se, ERAM
DESCONTADOS EM SEU SALÁ RIO. Isso era o mais pró ximo de “férias” que a reclamante
gozava.
Saliente-se, ainda, excelência, que ao ser desvinculada da empresa em (data), a reclamante
nã o recebeu o salá rio referente ao mês XXXXXX, estando até hoje sem o pagamento.
Ademais, durante todo o período em que trabalhou, além de nã o gozar das férias, como já
relatado, a autora nã o fazia intervalo intrajornada, nunca recebeu 13 º salá rio, adicional
noturno, horas extras e as verbas rescisó rias, direitos que serã o evidenciados no decorrer
desta demanda.
Diante de tais violaçõ es, nã o resta à reclamante outra opçã o senã o a guarida junto ao poder
judiciá rio para socorrer os seus direitos.

3 - DO DIREITO
3.1 - DA NECESSIDADE DE FIXAÇÃO DO VÍNCULO EMPREGATÍCIO
É necessá rio, excelência, a fixaçã o do lapso de tempo, pois, conforme dito, a reclamante nã o
se lembra com exatidã o da data de contrataçã o, ante a ausência de um contrato formal
entre as partes. Esclarece, porém, que tal relaçã o teve início em meados do ano de 2016.
Desta forma, pede-se que seja considerado como marco inicial de emprego a data de
01/06/2016 e o marco final aquele em que efetivamente foi afastada da empresa,
prorrogado por mais 30 dias, segundo aviso prévio devido nos termos do art. 7º, XXI da
Constituiçã o Federal, qual seja a data de 05/11/2018. Reitera que o período empregatício
será comprovado oportunamente mediante testemunhas, prova documental e o pró prio
testemunho da Autora.
3.2 - DO RECONHECIMENTO DA RELAÇÃO EMPREGATÍCIA
Como sabemos, a "Relaçã o de trabalho" é gênero que comporta a espécie "Relaçã o de
emprego". Nesse ínterim, a relação de emprego se configura quando estã o presentes os
requisitos do art. 3º, do decreto-lei nº 5.452, de 1º de maio de 1943[3], e a relação de
trabalho se dá na ausência de um daqueles requisitos. A saber:
“Art. 3º - Considera-se empregado toda pessoa física que prestar serviços de
natureza não eventual a empregador, sob a dependência deste e mediante salário”.
Nã o há de se falar em relaçã o de trabalho, entretanto, se todos os requisitos do citado
artigo estã o presentes, mas sim em relaçã o de emprego e, daí, a cominaçã o de todas as
legalidades da relaçã o Empregado X Empregador. Neste sentido, DELGADO[4] explana:
“De fato, a relação empregatícia, enquanto fenômeno sociojurídico, resulta da síntese de um
diversificado conjunto de fatores (ou elementos) reunidos em um dado contexto social ou
interpessoal. Desse modo, o fenômeno sociojurídico da relação de emprego deriva da
conjugação de certos elementos inarredáveis (elementos fático-jurídicos), sem os quais não se
configura a mencionada relação”.
Sem destoar da doutrina, corroborando o que está expresso no art. 3º do diploma ora
citado, o Autor traz à baila a melhor classificaçã o dos requisitos que configuram a
relação de emprego:
“Os elementos fático-jurídicos componentes da relação de emprego são cinco: a) prestação de
trabalho por PESSOA FÍSICA a um tomador qualquer; b) prestação efetuada com
PESSOALIDADE pelo trabalhador; c) também efetuada com NÃO EVENTUALIDADE; d)
efetuada ainda sob SUBORDINAÇÃO ao tomador dos serviços; e) prestação de trabalho
efetuada com ONEROSIDADE”.
Com efeito, ao dissecarmos tais requisitos e reduzi-los à aplicaçã o no caso em comento, nã o
resta dú vida da relaçã o existente entre a reclamante e a reclamada. Analisamos, sem
sombra de dú vida, que a reclamante prestava serviço à reclamada como pessoa natural,
qual seja, pessoa física, uma vez que sequer existe um cadastro de Pessoa Jurídica
relacionado a si.
Observe que esse elemento, pessoa física, nã o se confunde com o da Pessoalidade. Esse
ú ltimo “trata-se de elemento obviamente vinculado ao anterior, mas que perante ele guarda
importante distinção. O fato de ser o trabalho prestado por pessoa física não significa,
necessariamente, ser ele prestado com pessoalidade. {...} É essencial à configuração da
relação de emprego que a prestação do trabalho, pela pessoa natural, tenha efetivo caráter
de infungibilidade, no que tange ao trabalhador” (DELGADO). Como já denotado da narraçã o
dos fatos, nã o há dú vida que a reclamante também se enquadrava em tal requisito.
Nã o obstante, o elemento da habitualidade configura-se na nã o-eventualidade.
Circunstâ ncia essa em que o trabalhador apresenta determinada rotina laboral, nã o sendo
essa de forma esporá dica. No caso em tela, a reclamante trabalhava de segunda à sá bado,
inclusive feriados, durante, aproximadamente, 2 anos. Não há aqui de se falar em não-
habitualidade.
Ainda segundo DELGADO, é “trabalhador subordinado desde o humilde e tradicional
obreiro que se submete à intensa pletora de ordens do tomador ao longo de sua prestação de
serviços [...], como também aquele que realiza, ainda que sem incessantes ordens diretas,
no plano manual ou intelectual, os objetivos empresariais [...], a par do prestador
laborativo que, sem receber ordens diretas das chefias do tomador de serviços e até
mesmo nem realizar os objetivos do empreendimento [...], acopla-se, estruturalmente, à
organização e dinâmica operacional da empresa tomadora, qualquer que seja sua função ou
especialização, incorporando, necessariamente, a cultura cotidiana empresarial ao longo da
prestação de serviços realizada [...]”.
Podemos ir mais além e reduzirmos também a esse caso concreto o elemento essencial da
onerosidade, compreendido como a prestaçã o pecuniá ria pelo trabalho realizado pelo
empregado. Como bem disse DELGADO, “ao valor econômico da força de trabalho colocada
à disposição do empregador deve corresponder uma contrapartida econômica em benefício
obreiro, consubstanciada no conjunto salarial, isto é, o complexo de verbas contraprestativas
pagas pelo empregador ao empregado em virtude da relação empregatícia pactuada”.
Desta forma, é evidente que a Autora se submetia a todos os requisitos da relação de
emprego, nos termos do ar. 3º da CLT. Diante disso, é imprescindível o
reconhecimento de seu Direito e de todas as cominações legais, conforme restará
provado no deslinde desta demanda.
3.3 - DAS ANOTAÇÕES NA CTPS DA RECLAMANTE
Como se observou anteriormente, excelência, fica manifesto que no caso em comento nã o
há de se falar em relação de trabalho, mas em relação de emprego, e, por consequência,
deve tal relaçã o ser reconhecida, nos termos do art. 3º, do decreto-lei nº 5.452, de 1º de
maio de 1943.
Dessa forma, requer que seja reconhecido o vínculo empregatício, para que a
reclamada proceda à anotação da CTPS da reclamante no período de 01/06/2016 a
05/11/2018, nos termos explanados no tópico 3.1 desta demanda, surtindo assim
todos os efeitos legais, como pagamento referente a todas as verbas rescisórias e
indenizatórias, advindas da rescisão do contrato de trabalho sem justa causa, bem
como a liberação das guias de seguro-desemprego ou pagamento de indenização
correspondente.

4. DAS VERBAS RESCISÓRIAS


4.1 - DO SALDO DE SALÁRIO DEVIDO
A Reclamante trabalhou todo o mês de setembro de 2018, sendo dispensada no dia (data),
sem justa causa, nada recebendo a título de saldo de salá rio desse ú ltimo período, estando
até hoje sem esse pagamento.
De acordo com o art. 4º da CLT, considera-se como tempo de serviço o tempo
efetivamente trabalhado pelo empregado, integrando-se os dias trabalhados antes
de sua dispensa injusta a seu patrimônio jurídico, consubstanciando-se direito
adquirido de acordo com o inciso IV do art. 7º e inciso XXXVI do art. 5º, ambos da CF/88.
Dessa forma, faz a reclamante jus ao saldo salarial referente ao período trabalhado
entre (data) a (data), com juros e correção monetária na forma da lei.
4.2 - DO AVISO PRÉVIO INDENIZADO
Tendo em vista a inexistência de justa causa para a rescisã o do contrato de trabalho, surge
para a reclamante o direito ao Aviso Prévio indenizado. Contudo, no caso em apreço
houve evidente afronta ao disposto no artigo 487 do texto consolidado, in fine:
CLT - art. 487. Não havendo prazo estipulado, a parte que, sem justo motivo, quiser rescindir
o contrato, deverá avisar a outra da sua resolução, com a antecedência mínima de:
I - oito dias, se o pagamento for efetuado por semana ou tempo inferior; (Redação dada pela
Lei nº 1.530, de 26.12.1951)
II - trinta dias aos que perceberem por quinzena ou mês, ou que tenham mais de doze
meses de serviço na empresa. (Redação dada pela Lei nº 1.530, de 26.12.1951)
§ 1º. A falta do aviso prévio por parte do empregador dá ao empregado o direito aos
salários correspondentes ao prazo do aviso, garantida sempre a integração desse
período no seu tempo de serviço.
Cabe salientar, ainda, que o direito ao título em comento tem previsã o constitucional,
estampada no inciso XXI, do artigo 7º da CF.
Sendo assim, considerando que o período correspondente ao aviso prévio deverá
integrar como tempo de serviço na relação de emprego, a reclamante faz jus ao
recebimento, sendo esse correspondente a mais 30 dias de tempo de serviço para
efeitos de cálculo do 13º salário, férias + 40% nos termos dos dispositivos legais ora
citados.
4.3 - DO PAGAMENTO DAS FÉRIAS VENCIDAS E PROPORCIONAIS + 1/3
A Reclamante prestou serviços para a reclamada de 01/06/2016 (presumidamente,
conforme exposto no tó pico 3.1) até, prospectivamente, 05/11/2018, no entanto, sem ter
gozado as férias no período que foi integralizado em 31/05/2017; 31/05/2018 e,
proporcionalmente, de 01/07/2018 a 05/11/2018.
Desta feita, requer a condenação da reclamada, ao pagamento das férias vencidas em
dobro, referente aos períodos integrais não gozados de 2016/2017 e 2017/2018,
conforme estabelece o art. 137 da CLT, e as proporcionais, referente ao período
01/07/2018 a 05/11/2018, nos termos do art 146, CLT, todas com adicionais de 1/3
constitucional, conforme art. 7º, XVII da CF.
4.4 - DO 13º SALÁRIO INTEGRAL
As leis 4090/62 e 4749/65 preceituam que o décimo terceiro salário será pago até o dia
20 de dezembro de cada ano, sendo ainda certo que a fração igual ou superior a 15
dias de trabalho será havida como mês integral para efeitos do cálculo do 13% salário.
Entretanto, excelência, a reclamante nunca recebeu tal gratificaçã o. Assim, requer o
pagamento dos valores devidos entre 01/06/2016 e 05/11/2018, com juros e correçã o
monetá ria na forma da lei.
4.5 - DOS RECOLHIMENTO DO FGTS E FUNDO COMPENSATÓRIO DA MULTA DE 40%
Preceitua o art. 15 da lei 8036/90 que todo empregador deverá depositar até o dia 7 de
cada mês na conta vinculada do empregado a importância correspondente a 8% de
sua remuneração devida no mês anterior.
Tal obrigaçã o, entretanto, nã o era cumprida pelo empregador. Requer, assim, nos termos
das leis 8.036/90 em regulamento á lei 5.107/66 c/c Art. 7o inc. III da Const. Federal,
o recolhimento direto ao reclamante, das parcelas não depositadas, INCLUSIVE, do
depósito referente ao Aviso Prévio, acrescidos das multas, correções monetárias e
juros na forma acima mencionada.
Ademais, o art. 18 da Lei nº 8.036/90, estabelece o pagamento referente ao depó sito do
ú ltimo mês trabalhado, e, segundo o pará grafo primeiro do mesmo artigo, o pagamento da
importâ ncia no valor igual a 40% do valor dos depó sitos realizados. Requer assim o seu
pagamento, acrescido da MULTA (20)% + TOTAL (FGTS), a sofrerem os acréscimos
legais, como juros de 1,0% ao mês e correção monetária na forma da Lei.
4.6 - DA MULTA PREVISTA NO ARTIGO 477 § 8º DA CLT
Reconhecida a inexistência do aviso prévio nã o concedido a demandante, é patente a mora
da reclamada em relaçã o à satisfaçã o da verba rescisó ria consubstanciada no respectivo
título.
Assim, pelo que dispõe o artigo 477 § 8º do texto consolidado, requer a reclamante o
pagamento da multa pertinente, a ser convertia em seu favor, no valor equivalente a
seu último salário devido.

4.7 - DA MULTA PREVISTA NO ARTIGO 467 DA CLT


A Reclamada deverá pagar a Reclamante, no ato da audiência, todas as verbas
incontroversas, sob pena de acréscimo de 50%, conforme art. 467 da CLT, in verbis:
Art. 467. Em caso de rescisão de contrato de trabalho, havendo controvérsia sobre o
montante das verbas rescisórias, o empregador é obrigado a pagar ao trabalhador, à data do
comparecimento a Justiça do Trabalho, a parte incontroversa dessas verbas, sob pena de
pagá-las acrescidas de cinquenta por cento.
Dessa forma, protesta a Reclamante pelo pagamento de todas as parcelas incontroversas
logo na primeira audiência.
4.8 - DA TUTELA ANTECIPADA PARA EXPEDIÇÃO DE GUIAS DE SEGURO DESEMPREGO
Visto que o rompimento contratual se deu pela dispensa sem justa causa, ainda, ausentes as
guias de SEGURO DESEMPREGO E DE TRCT, etc... certamente que o rompimento do vínculo
também pode ser reconhecido pela VIA INDIRETA.
Em assim sendo, pede que sejam expedidas as guias de seguro-desemprego
imediatamente na forma de TUTELA ANTECIPADA para fins de permitir que a
reclamante as receba antes do trânsito em julgado, haja vista a existência de todos os
elementos do artigo 300 do CPC. Vejamos:
Art. 300. A tutela de urgência será concedida quando houver elementos que evidenciem a
probabilidade do direito e o perigo de dano ou o risco ao resultado útil do processo.
§ 1o Para a concessão da tutela de urgência, o juiz pode, conforme o caso, exigir caução real
ou fidejussória idônea para ressarcir os danos que a outra parte possa vir a sofrer, podendo a
caução ser dispensada se a parte economicamente hipossuficiente não puder oferecê-la.
§ 2o A tutela de urgência pode ser concedida liminarmente ou após justificação prévia.
§ 3o A tutela de urgência de natureza antecipada não será concedida quando houver
perigo de irreversibilidade dos efeitos da decisão.
Art. 301. A tutela de urgência de natureza cautelar pode ser efetivada mediante arresto,
sequestro, arrolamento de bens, registro de protesto contra alienação de bem e qualquer
outra medida idônea para asseguração do direito.
Desta forma, por tudo que já foi exposto, e considerando a natureza alimentar do crédito
trabalhista, requer a TUTELA ANTECIPADA para a expediçã o de GUIAS DE SEGURO
DESEMPREGO, OU, na IMPOSSIBILIDADE DE EMITI-LAS, que seja convertido em
INDENIZAÇÃO em favor da autora nos termos da SÚ MULA n. 389 do C. TST[5].
4.9 - DOS RECOLHIMENTOS PREVIDENCIÁRIOS
O reclamado nã o recolheu o INSS devido (patronal e empregado), configurando uma
afronta a Lei 8213/91.
Desta forma, pede-se assim seja o empregador compelido a recolher O INSS
EMPREGADO E EMPREGADOR de todo o contrato de trabalho, para fins de contagem
de período de carência mínima para concessão de benefícios previdenciários.
4.9.1 - DA SUPRESSÃO DOS REPOUSOS INTRAJORNADAS
À luz do que dispõ e o caput do artigo 71 da CLT, “em trabalhos contínuos, cuja duração
exceda de seis horas, é obrigatória a concessão de um intervalo para repouso ou
alimentação, o qual será, no mínimo, de uma hora...”, sendo que tal previsã o legal nã o foi
atendida pela reclamada, que como exposto, concedia a reclamante EM TORNO DE 15 a 20
minutos atinentes ao intervalo legal em comento.
Neste sentido, o art. 71 da CLT consagra este instituto, e ainda prevê, em seu pará grafo 4º,
acrescentado pela Lei nº 8.923/94, indenizaçã o no caso do seu descumprimento. Vejamos:
Art. 71 - Em qualquer trabalho contínuo, cuja duração exceda de 6 (seis) horas, é
obrigatória a concessão de um intervalo para repouso ou alimentação, o qual será, no
mínimo, de 1 (uma) hora e, salvo acordo escrito ou contrato coletivo em contrário, não
poderá exceder de 2 (duas) horas (...)
§ 4º - Quando o intervalo para repouso e alimentação, previsto neste artigo, não for
concedido pelo empregador, este ficará obrigado a remunerar o período
correspondente com um acréscimo de no mínimo 50% (cinqüenta por cento) sobre o
valor da remuneração da hora normal de trabalho
Diante do exposto, requer a condenação da reclamada ao pagamento das horas
intrajornadas não usufruídas, acrescidas do adicional de 50%, durante todo o
período contratual, nos termos do artigo 7º, XVI da CF/88, § 4º do artigo 71 da CLT e
súmula 437, I do TST, bem como, reflexos, por se tratar de verba de natureza salarial
(súmula 437, III do TST), em verbas contratuais e rescisórias, 13º salário integrais e
proporcional, férias acrescidas de 1/3 integrais e proporcional e depósito de FGTS.

4.9.2 - DA DIFERENÇA SALARIAL


Como já exposto, em todo o seu período contratual, além de nã o ter a CTPS assinada, em
violaçã o aos preceitos legais, a reclamante somente tinha uma remuneraçã o de R$ XXXXX,
que passou a ser recebida a partir de (data), quando foi promovida de (funçã o) para
(funçã o), o que manifestadamente é uma afronta à Constituiçã o Federal, que garante o
salário-mínimo como um direito fundamental do trabalhador em seu art. 7º. Inciso
IV. A saber:
Art. 7º. São direitos dos trabalhadores urbanos e rurais, além de outros que visem à melhoria
de sua condição social:
IV – salário mínimo, fixado em lei, nacionalmente unificado, capaz de atender a suas
necessidades vitais básicas e às de sua família com moradia, alimentação, educação,
saúde, lazer, vestuário, higiene, transporte e previdência social, com reajustes
periódicos que lhe preservem o poder aquisitivo, sendo vedada sua vinculação para
qualquer fim.
Diante disso, tendo em vista que em todo período contratual não houve pagamento
de forma regular do salário da trabalhadora, que recebia aquém do mínimo
estabelecido, requer-se a diferença dos últimos 26 meses devendo essa ser paga com
todos os acréscimos e reflexos legais.
4.9.3 - HORAS EXTRAS EM RAZÃO DO TRABALHO EM FERIADOS
A reclamante ativou-se em todos os feriados ocorridos durante seu contrato de trabalho,
sem, contudo, receber o competente adicional devido e sem folga compensató ria. O ú nico
“adicional” que recebia era na véspera do Natal, em que os empregados recebiam 50,00
como uma “gratificaçã o”. Salta aos olhos o descaso com o trabalhador e o nível de
constrangimento a que era submetido com tal atitude. Cite-se a Lei 605 de 05/01/49, que
em seu art. 9º prescreve:
"Nas atividades em que não for possível, em virtude das exigências técnicas das empresas, a
suspensão do trabalho, nos dias feriados civis e religiosos, a remuneração será paga em
dobro, salvo se o empregador determinar outro dia da folga"
Tal dispositivo evidentemente não era cumprido, tolhendo de forma brutal tal
direito do trabalhador, motivo pelo qual requer o pagamento do adicional de horas
extras em razão dos trabalhos em feriados com seus devidos reflexos legais, ou seja,
o reflexo em repousos semanais remunerados, férias acrescidas de 1/3, décimo
terceiro salário e FGTS com multa de 40%.
4.9.4 - DO ADICIONAL NOTURNO / CÔMPUTO DA HORA REDUZIDA
(Neste tó pico eu coloquei as horas calculadas, como você vai observar. Para fazer o cá lculo
– que manualmente demanda muito trabalho – há diversas ferramentas de cá lculo de horas
trabalhadas on-line. Eu usei a calculadora de horas neste link: https://www.calculo-
exato.com/calculo-de-horas-trabalhadas/). Segue o tó pico.)
A reclamante trabalhava de segunda a sá bado. Entrava, em média, entre 16:30 à s 17:20 e
saía, em média, à 00:00/00:30 hrs.
De acordo com o artigo 73 e parágrafos da CLT, a jornada de desempenhada das 22
horas às 5 horas é considerada trabalho noturno, sendo a hora computada como de
52 minutos e 30 segundos e devendo ser paga com acréscimo de no mínimo 20%.
Desta forma, a reclamante realizava, em média, 03:10 hrs de trabalho noturno por
dia, de segunda a sábado. Entretanto, a reclamada jamais efetuou o pagamento do
adicional noturno devido. Portanto, requer seja a reclamada condenada ao
pagamento do referido adicional correspondente a 62 horas mensais, além de
reflexos sobre férias, décimo terceiro salário, aviso prévio, DSR e FGTS.
4.9.5 - DO ACÚMULO DE FUNÇÕES
Como já explanado, a reclamante foi contratada sem nenhum tipo de registro na CTPS, o
que configura grave descumprimento ao artigo 29 da CLT. Como demonstrado, a mesma
era diarista, sendo posteriormente, contratada como pizzaiolo.
Entretanto, excelência, nã o obstante a Autora exercer tal funçã o, também, ao fim do
expediente, tinha que limpar o estabelecimento para deixá -lo organizado para o expediente
do dia seguinte.
É sabido que cada funçã o compreende o desempenho de determinadas atividades a ela
inerentes ou correlatas que o empregado deve desempenhar, sendo por tudo isso
remunerado com o valor salarial ajustado. Entretanto, o exercício cumulado de outra
funçã o ou atividade notadamente desvinculada da funçã o contratada enseja a infraçã o ao
art. 468 da CLT.
Ressalte-se, aqui, que a falta de registro da CTPS nã o afasta a aplicaçã o de tal artigo, muito
menos a propriedade do que se pleiteia, uma vez que o Princípio da Primazia da
Realidade nos coloca diante do fato concreto, levando em consideraçã o a verdade material
em detrimento da verdade formal.
Nesse aspecto, a postulante foi contratada para a funçã o de pizzaiolo, entretanto, também
exercia a funçã o de serviços gerais, tendo que limpar nã o apenas o forno, o que seria uma
atividade inerente a funçã o, mas também todo o salã o dos clientes ao fim do expediente.
Ademais, quando nã o havia quem a ajudasse, também fazia as vezes de garçonete, o que
ocorria pelo menos duas vezes por semana. Notoriamente tal funçã o em nada guarda
relaçã o com o exercício da funçã o de pizzaiolo.
Nã o obstante, excelência, por vezes o patrã o, sr. (nome do gerente), viajava e deixava sob a
responsabilidade da reclamante o estabelecimento. Ocasiã o em que a mesma era
responsá vel por todas as atividades, tais como: organizar a escala dos demais empregados,
cuidar dos pedidos, controlar o caixa, etc. Nota-se que a Autora, nessas ocasiõ es, respondia
como se gerente fosse, sem, contudo, receber qualquer tipo de adicional por isso.
Aliá s, a reclamante jamais recebeu por quaisquer dessas atividades desvinculadas de sua
funçã o qualquer gratificaçã o, recompensa, compensaçã o ou promoçã o. Sempre recebeu o
salá rio de R$ XXXXX de forma fixa, independentemente das funçõ es que desempenhava e o
quanto eram cumuladas com sua funçã o primá ria.
Desta forma, o acú mulo de funçõ es enseja o pagamento de acréscimo salarial pelo acú mulo
de funçõ es, conforme consolidado pela jurisprudência deste tribunal, pois vejamos:
ACÚMULO DE FUNÇÕES. ACRÉSCIMO SALARIAL DEVIDO. Cada função compreende o
desempenho de determinadas atividades a ela inerentes ou correlatas que o
empregado deve desempenhar, sendo por tudo isso remunerado com o valor salarial
ajustado. Nisso residem, então, as características sinalagmáticas, comutativas e onerosas do
contrato de trabalho e é exatamente em razão delas que não se pode atribuir ao empregado,
ainda que dentro da mesma jornada de trabalho, o exercício cumulado de outra função ou
outra atividade substancialmente desvinculada da função contratada (CLT, 456, parágrafo
único), sem caracterização de infração ao art. 468 da CLT.[6]
ACÚMULO DE FUNÇÃO - ACRÉSCIMO SALARIAL - CABIMENTO. 1. Ao alterar
unilateralmente o contrato de trabalho, exigindo do trabalhador serviços alheios ao
pacto, o empregador pratica ato ilegal e lesivo ao empregado (art. 468 da CLT), pelo
que surge o direito de repará-lo, consoante exegese dos arts. 186 e 927 do Código Civil,
aplicados subsidiariamente com fulcro no art. 8º, p. único, CLT. 2. Sob outro ângulo,
exigir do trabalhador a realização de função não constante no contrato de trabalho,
sem a devida contraprestação, enseja o enriquecimento sem causa do empregador.
Logo, a teor do art. 884 do Código Civil, aplicados subsidiariamente por força do art. 8º,
parágrafo único, CLT, o empregador deve restituir o indevidamente auferido[7].
Pelo exposto, requer-se a condenação da reclamada ao pagamento do adicional de no
mínimo 20% por desvio ou acúmulo de função por todo o contrato, com incidência
em horas extras, DSRs, feriados, 13º salário, férias + 1/3, aviso prévio, INSS,
complementação salarial e FGTS + 40%.
4.9.6 - DOS DESCONTOS INDEVIDOS NO SALÁRIO
O artigo 462 da CLT estabelece que o empregador está proibido de efetuar qualquer
desconto nos salá rios do empregado, exceto quando resultar de um adiantamento salarial,
de dispositivos de lei ou de contrato coletivo. Tal disposiçã o encontra respaldo
constitucional no art. 7º, VI e X da CF, em primazia ao Princípio da Irredutibilidade
Salarial.
Entretanto, excelência, como já mencionado, nã o era o que ocorria em relaçã o a reclamante.
Já foi demonstrado que a mesma nã o gozava de férias, sendo que à s vezes, geralmente no
fim do ano, a autora pedia ao patrã o, Sr. (nome do gerente), “licença” para se afastar alguns
dias do trabalho. Esses dias eram o ú nico período do ano que dispunha para descansar e
viajar com o marido e família, já que também trabalhava todos os feriados do ano.
Concedida tal “licença”, ela se afastava, em média, cinco dias. Esses dias eram descontados
de seu salá rio. Isso era o mais pró ximo de “férias” que ela tinha.
Observa-se, excelência, o descaso da reclamada com o trabalhador, sendo privado de seus
direitos mínimos, e, já nã o obstante toda a violaçã o dos direitos, ressaltando a remuneraçã o
abaixo do salá rio-mínimo, ainda tinha que suportar o desconto salarial pelos pouquíssimos
dias de descanso que dispunha.
Por ser um direito diretamente ligado à saú de, cujo objetivo é proporcionar descanso ao
trabalhador apó s um período determinado de atividade, as férias nã o podem ser
suprimidas, sendo tal direito resguardado na Constituiçã o Federal, pelo artigo 7º, inciso
XVII, e na CLT, que regula a matéria nos artigos 129 a 153.
Ainda neste aspecto, estudiosos do Direito, como Arnaldo Sussekind e Mozart Victor
Russomano, descrevem os fundamentos que norteiam o instituto de férias: o fisiológico,
relacionado ao cansaço do corpo e da mente; o econômico, no sentido de que o empregado
descansado produz mais; o psicológico, que relaciona momentos de relaxamento com o
equilíbrio mental; o cultural, segundo o qual o espírito do trabalhador, em momentos de
descontração, está aberto a outras culturas; o político, como mecanismo de equilíbrio da
relação entre empregador e trabalhador; e o social, que enfatiza o estreitamento do convívio
famíliar[8].
A jurisprudência assim concorda:
DESCONTOS SALARIAIS. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DE HIPÓTESE AUTORIZADA PELO
ART. 462 DA CLT. DEVOLUÇÃO DE VALORES. Em observância ao princípio da
intangibilidade e com vistas à proteção do salário, é vedado ao empregador efetuar
quaisquer descontos no salário do empregado, nos termos do art. 462 da CLT.
Descontos somente são admissíveis nas situações previstas neste dispositivo ou mediante
autorização prévia, por escrito e livremente consentida. Acaso o empregador não comprove a
incidência de uma destas hipóteses, é devida a condenação à devolução dos valores
descontados[9].
Desta forma, denota-se que a reclamada efetuou descontos ilegais no pagamento dos
salários, motivo pelo qual a reclamante requer a devolução dos valores devidamente
corrigidos e com juros aplicáveis na forma da lei.

5. DOS PEDIDOS
5.1 - DOS PEDIDOS
Diante de todo o exposto, requer:
1. Que seja deferido o benefício da gratuidade processual, por ser a reclamante pobre
na acepçã o jurídica do termo, conforme se expô s;
2. A aplicaçã o das normas celetistas ANTES da reforma, pelo contrato de trabalho ter se
iniciado e encerrado antes da entrada em vigor da nova Lei, conforme se expô s;
3. A condenaçã o da reclamada ao pagamento da multa prevista no art. 55 da CLT, a ser
revertida para a DRT, tendo em vista o nã o registro do contrato de trabalho na CTPS;
4. O reconhecimento do vínculo de emprego entre a Reclamante e a empresa
Reclamada;
5. A condenaçã o da Reclamada em proceder a anotação do contrato de trabalho na
CTPS da Reclamante do período de 01/06/2016 a 05/11/2018;
6. O pagamento do período referente ao aviso prévio, com juros e correção na forma
da lei, bem como sua integraçã o no tempo de serviço da reclamante;
7. Pagamento de multa de 40%, tendo em vista a demissã o sem justa causa;
8. Liberaçã o das guias AM (guias para saque do FGTS), pelo có digo 01, acrescidas de
multa de 40%, sob pena de execuçã o direta;
9. A expedição das guias de seguro-desemprego, em sede de tutela antecipada, sob
pena de conversão em indenização, em ocorrendo essa segunda, a fixação de
indenização no importe de R$ XXXXXXXXX;
10. Requer, também (Neste ponto, pode colocar uma tabela com a liquidaçã o dos pedidos,
como abaixo):
13o salá rio, férias vencidas e verbas rescisó rias    R$ XXXXX
Diferença Salarial                 R$ XXXXX
Reflexos da diferença salarial nas demais verbas   R$ XXXXX
Adicional noturno                 R$ XXXXX
Reflexos das Horas Noturnas nos DSRs       R$ XXXXX
Reflexos do adicional noturno nas demais verbas   R$ XXXXX
Horas Intrajornada                R$ XXXXX
Reflexos das Horas Intrajornada nos DSRs      R$ XXXXX
Reflexos das horas intrajornada nas demais verbas   R$ XXXXX
Horas extras em razã o do trabalho nos feriados    R$ XXXXX
Adicional por acú mulo de funçõ es          R$ XXXXX
Restituiçã o dos descontos indevidos         R$ XXXXX
Aviso prévio                    R$ XXXXX
Saldo de salá rio do período trabalhado entre 01/09/2019 a 5/10/2019
                    R$ XXXXX
A multa prevista no art. 477, § 8º, CLT        R$ XXXXX
A multa prevista no art. 467, CLT          R$ XXXXX
Recolhimento do FGTS                R$ XXXXX
40 % da multa (sobre o valor do FGTS)        R$ XXXXX
Recolhimento previdenciá rio do período        R$ XXXXX
Honorá rios advocatícios               R$ XXXXX
Seguro-desemprego em eventual conversã o em multa R$ XXXXX
Total                       R$ XXXXX
5.2 - DA PROCEDÊNCIA DA AÇÃO
Requer a notificaçã o da reclamada para que compareça à audiência que for designada e
querendo, apresente sua defesa, sob os efeitos da revelia e pena de confissã o quanto à
matéria de fato.
Requer também a procedência da presente açã o, com a condenaçã o da reclamada no
pedido e nas custas processuais, tudo devidamente atualizado e acrescido de juros legais e
honorá rios advocatícios.
5.3 - DOS REQUERIMENTOS FINAIS
REQUER QUE A RECLAMADA SEJA COMPELIDA A JUNTAR NA PRIMEIRA
OPORTUNIDADE, SOB AS SANÇÕES DOS ARTS. 9º DA CONSOLIDAÇÃO DAS LEIS DO
TRABALHO, O CADERNO DE CONTROLE DE PAGAMENTO DOS FUNCIONÁRIOS, QUE
ERA ASSINADO PELOS MESMOS AO RECEBEREM.
Requer ainda condenaçã o da Reclamada, a pagamento de honorá rios advocatícios no
importe de 20% sobre o valor da causa a título de indenizaçã o, bem como o pagamento de
despesas processuais e custas processuais.
Requer que, ao final, seja a presente Reclamató ria julgada totalmente procedente,
condenando-se o Reclamado ao pagamento de todas as verbas pleiteadas, com a devida
atualizaçã o monetá ria, juros, honorá rios advocatícios, custas processuais e demais
cominaçõ es legais.
Protesta o reclamante por todos os meios de prova em direito admitidos, especialmente
pelo depoimento pessoal do reclamado, juntada de documentos, inquiriçã o de
testemunhas, perícias e tantas outras quantas forem necessá rias para provar tudo o quanto
aqui foi afirmado.
Protesta, também, pela intimaçã o do reclamado para comparecer à audiência para prestar
depoimento pessoal, com a expressa cominaçã o de aplicaçã o da confissã o, para o caso de
nã o comparecer (Sú mula 74 do TST) ou se recusar a depor.
Restam impugnados, desde já, quaisquer documentos apresentados a arredio dos
fatos narrados, nos termos do art. 9º, CLT.

Dá -se a causa o valor de R$ XXXXX para os efeitos fiscais.


Termos em que pede e espera deferimento.
Cidade/Estado, data.

(Nome do advogado)
(n. da OAB)

1. TST - AIRR: 7935869620015155555 793586-96.2001.5.15.5555, Relator: Rider de


Brito, Data de Julgamento: 12/02/2003, 5ª Turma. ↑
2. TRT-7 - RO: 00010884420195070016, Relator: DURVAL CÉ SAR DE VASCONCELOS
MAIA, Data de Julgamento: 06/08/2020, 1ª Turma, Data de Publicaçã o: 06/08/2020. ↑
3. Aplicaçã o da lei antiga, conforme explorado no tó pico 1.1 desta demanda. ↑
4. DELGADO, Maurício Godinho. Curso de Direito do Trabalho. LTr editora. 2018. 16ª ed.

5. SÚ MULA Nº 389 - SEGURO-DESEMPREGO. COMPETÊ NCIA DA JUSTIÇA DO TRABALHO.
DIREITO À INDENIZAÇÃ O POR NÃ O LIBERAÇÃ O DE GUIAS
I - Inscreve-se na competência material da Justiça do Trabalho a lide entre empregado
e empregador tendo por objeto indenizaçã o pelo nã o-fornecimento das guias do
seguro-desemprego.
II - O nã o-fornecimento pelo empregador da guia necessá ria para o recebimento do
seguro-desemprego dá origem ao direito à indenizaçã o. ↑
6. (TRT-24 00016107320125240071, Relator: JÚ LIO CÉ SAR BEBBER, 1ª TURMA, Data de
Publicaçã o: 27/11/2014) ↑
7. (TRT-24 00004666820125240005, Relator: NICANOR DE ARAÚ JO LIMA, 2ª TURMA,
Data de Publicaçã o: 20/05/2014) ↑
8. Fonte: <https://tst.jusbrasil.com.br/noticias/2760896/ferias-direito-ao-
descanso-reune-costume-leiejurisprudencia> Acesso em 27/09/2019. ↑
9. (TRT-5 – RecOrd: 00009853020115050030 BA 0000985-30.2011.5.05.0030, Relator:
LÉ A NUNES, 3ª. TURMA, Data de Publicaçã o: DJ 05/04/2013). ↑

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