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O paço
No verão de 1433, o rei D. João I (1357-1433) sentiu-se doente em Alcochete. Ao ter a
premonição da iminência da morte, o monarca não quis permanecer naquela vila ribeirinha do
Tejo e, de acordo com o relato do cronista Rui de Pina, ordenou que o conduzissem a Lisboa, a
fim de acabar os seus dias na “mais principal cidade e na melhor casa de seus reinos”.
5 Satisfizeram-
-lhe essa vontade; e, como relata em continuação o mesmo Rui de Pina (1440?-1522), “dentro
do seu castello d’Alcaçova, que então mandava muito emnobrecer”, faleceu D. João I, aos 14
dias de agosto daquele referido ano de 1433.
Esta atitude do rei, a par de múltiplas reflexões de variada índole que suscita, permite
10 também colocar, desde logo, um conjunto de problemas relacionados com as funções, a
importância social e a vivência quotidiana da casa de habitação medieval da nobreza – o paço.
Podemos, assim, avaliar como era importante, para D. João I, exalar o último suspiro em
Lisboa, cidade que consigo heroicamente resistira ao cerco castelhano e que, por essa
circunstância, transmitira um alento precioso aos apoiantes do Mestre de Aviz, partidários da
15 independência de Portugal. Para além disso, e porque era a “principal cidade” do Reino,
Lisboa assumia-se também, pela força da imagem que tal ato implicava, como o local mais
adequado para o óbito do monarca, assim dado em espetáculo e exemplo aos seus súbditos.
Finalmente, compreende-se também que o cenário indicado para esse acontecimento-limite
teria de ser, necessariamente, o dos velhos paços da Alcáçova lisboeta, por essa altura
20 objeto de obras de ampliação e melhoramento ordenadas pelo rei.
Podemos, pois, afirmar que este desejo expresso de D. João I de querer falecer na sua
cidade de Lisboa, permite, no essencial, uma dupla leitura: por um lado, significa o
reconhecimento pelo papel que, em definitivo, Lisboa assumira de cidade primeira e mais
representativa do país e de seu símbolo mais evidente; por outro lado, ganhavam nova
25 expressão a importância e o significado social que os paços, como residência de maior
prestígio dos reis e da nobreza, começavam a ganhar, definitivamente, no final da Idade Média.
José Custódio Vieira da Silva, “O Paço”, in História da Vida Privada em Portugal, A Idade Média,
Círculo de Leitores e Temas e Debates, Porto, 2016, p. 78

1. Indica o período do português a que corresponde o excerto: “‘[…] dentro do seu castello d’Alcaçova,
que então mandava muito emnobrecer’” (linhas 5 e 6).

2. Identifica a função sintática desempenhada pelo nome próprio “D. João I” em “[…] faleceu D. João I”
(linha 6).

3. A palavra “falecer” (linha 20) constitui um exemplo em que ocorre uma evolução semântica. Indica o
seu significado atual e o antigo.
4. Seleciona a opção correta.

4.1. O processo fonológico que ocorreu na evolução da palavra cerco > cercar (linha 12) designa-se
por
(A) crase.
(B) redução vocálica.
(C) metátese.
(D) sonorização.

4.2. A palavra “paço” (linha 10) deriva do étimo latino


(A) PALATIUM.
(B) PATRE.
(C) PLAGA.
(D) PARVULU.

4.3. No segmento “ordenou que o conduzissem a Lisboa, a fim de acabar os seus dias na ‘mais
principal cidade’” (linhas 3 e 4) estão presentes, respetivamente, orações subordinadas
(A) substantiva completiva e adverbial causal.
(B) adjetiva relativa restritiva e adverbial final.
(C) adjetiva relativa explicativa e adverbial consecutiva.
(D) substantiva completiva e adverbial final.

4.4. O vocábulo “que” (linha 12) presente em “[…] cidade que consigo heroicamente resistira ao
cerco castelhano […]” introduz uma oração
(A) subordinada substantiva relativa.
(B) subordinada adjetiva relativa explicativa.
(C) subordinada adjetiva relativa restritiva.
(D) coordenada explicativa.

5. Faz corresponder a cada um dos segmentos textuais a respetiva função sintática.

Coluna A Coluna B

a) “a Lisboa” (linha 3) 1. complemento direto


b) “importante” (linha 11) 2. complemento indireto
c) “heroicamente” (linha 12) 3. complemento oblíquo
d) “precioso” (linha 13) 4. modificador apositivo do nome
e) “aos apoiantes do Mestre” (linha 13) 5. modificador restritivo do nome
f) “partidários da independência de Portugal” (linhas 13 e 14) 6. predicativo do sujeito
g) “que este desejo expresso de D. João I de querer falecer 7. modificador
na sua cidade de Lisboa” (linhas 20 e 21)

a) _______; b) _______; c) ________; d) _________; e) _________; f) _________; g) _________.

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