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A Felicidade Cristã

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A FELICIDADE

Cristã
Uma fonte que jorra da Graça de Deus

PR. MOISÉS CARNEIRO

As Bem-aventuranças
Sermão da Montanha: Volume 1

EDITORA
SÃO PAULO

Outono de 2010

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Copyright © 2010, Moisés Carneiro.

1ª edição
outono de 2010

Revisão gráfica
Talita Tristão

Produção gráfica
Design Artistic

Fotolito
Editora Betânia

Capa
Design Artistic

A Felicidade Cristã: uma fonte que jorra da Graça de


Deus. Pr. Moisés Carneiro. Três Corações, Minas Ge-
rais: Editora Triunfai, Outono de 2010
1. Cristianismo - Vida Cristã 2. Felicidade - Aspectos
da Graça de Deus.

Direitos desta edição reservados ao Pastor Moisés Carneiro.


Rua João Pereira Silva, nº 33 - Três Corações MG Brasil
Tel. (35) 3232-2535 / 3232-5700
http://moisespedrosa.blogspot.com/

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AGRADECIMENTOS

À minha querida esposa Daniela pela contínua


demonstração de amor e paciência.

À nossa pequena Dâmaris por nos encantar todas


as manhãs com sua doce alegria, contagiando nossos dias .

À minha mãe Antonieta por ser um grande


exemplo de vida.

Aos meus queridos sogros, Graciano e Wilma pelo


carinho, hospitalidade e respeito.

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ÍNDICE

Nota do autor IX
Introdução 1

Capítulo 1 A natureza da felicidade 5


Capítulo 2 Os pobres de espírito 20
Capítulo 3 Aqueles que choram 27
Capítulo 4 Aqueles que são mansos 33
Capítulo 5 Aqueles que têm fome e sede
de justiça 39
Capítulo 6 Aqueles que são misericordio-
sos 45
Capítulo 7 Os puros de coração 49
Capítulo 8 Os pacificadores 67
Capítulo 9 Os perseguidos 73

Bibliografia 85

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NOTA DO AUTOR

E ste é o primeiro volume da coleção “Sermão da


Montanha”. Este projeto nasceu de uma série de
estudos sobre as passagens de Mateus de 5 à 7, que preguei
em minha igreja local.

Aos poucos, vou me acostumando ao hábito de


fazer preleções em séries. Isso é novidade para mim,
contudo tem me ajudado a elaborar sermões objetivos,
com resultados animadores.

Ao olhar para o ensino de Jesus sobre a Felicidade


nas Bem-aventuranças, você percebe sua riqueza e
profundidade. Compreende o verdadeiro significado de
uma pessoa plenamente feliz. Que é aquela que vive um
anelo profundo e sincero com seus ensinos.

Pois, nada pode trazer maior prazer, alegria e


satisfação a uma pessoa do que perceber que sua vida

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A FELICIDADE CRISTÃ

está plenamente aprovada por Deus.

Como é harmonioso saber que você tem uma


consciência alinhada aos ensinos de Jesus, e que pode
desfrutar deles, especialmente do ensino das Bem-
aventuranças. Pois este, apesar de se opor ao padrão
mundando, insere você numa vida de abundante
felicidade.

É possível ser e viver feliz, quando se aplica à vida


prática, o Sermão da Montanha, em especial o ensino
das beatitudes.

Boa leitura!

Em Cristo,
Nele somente.

Moisés Carneiro

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INTRODUÇÃO

T odas as pessoas, indistintamente, buscam a


felicidade, o estado de suprema satisfação interior,
estado de absoluto contentamento e harmonia entre o
homem interior e o meio em que ele atua. Isto é o que
motiva todas as pessoas a viverem.

Entretanto, o que é realmente ser uma pessoa feliz?


E se de fato ela existe, como encontrá-la?

Ser feliz não implica necessariamente ser uma

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A FELICIDADE CRISTÃ

pessoa milionária, famosa, bela, casada, solteira,


inteligente, etc. Estes ‘adjetivos’ não produzem felicidade,
pelo contrário, atenuam à sua ausência. Pois, essas
pessoas, descontentes por não encontrá-la naquilo que
já possuem, seja qualquer coisa relacionada aos adjetivos
acima citados, vão baldeando mais e mais as águas desses
poços entulhados, em busca de alternativas palheativas.

Muitos até deixam o balde de lado, e se arriscam


mergulhando nas águas rotas desses poços, e por fim
acabam naufragando na vida espiritual, emocional e
social.

O final delas é o bloqueio mental e emocional,


tornando-as suscetíveis ao mau humor, à insensibilidade,
à falta de perdão, à vingança, e ao ressentimento.

Assim como a riqueza, a pobreza, o anonimato,


a ausência de beleza estética, a nacionalidade e a cor
também não são fontes de felicidade.

Ninguém pode ser feliz porque é pobre, ou porque

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INTRODUÇÃO

mora num cazebre, e é desconhecido de todos.

“O rico não é feliz por que é rico, nem o pobre é


feliz porque é pobre.”

A fonte inesgotável de felicidade é Jesus Cristo.


Não os bens temporais deste mundo, ela só é possível nele.

Nas Bem-aventuranças, Jesus revela um novo


conceito sobre o que é ser uma pessoa feliz. Ele ensina que
a fonte da felicidade está nas atitudes em harmonia com
os seus mandamentos e não em algum lugar específico.

As Beatitudes são os meios apresentados por


Cristo, para uma vida verdadeiramente feliz. Ele falou
sobre ela em Mateus 5.1-12.

“A felicidade existe e ela está ao nosso alcance. Ela não


é apenas um destino aonde se vai, mas uma maneira como se
caminha” (Rev. Hernandes D. Lopes).

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A FELICIDADE CRISTÃ

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Capítulo 1
A NATUREZA DA FELICIDADE

C omece este estudo reflitindo a necessidade de


se obter novas e revolucionárias experiências
através deste tema, ainda que ele pareça ser familiar a
você. Sempre espere encontrar uma mensagem nova e
impactante capaz de influenciar positivamente sua vida,
capaz de inserí-lo na rota da verdadeira felicidade.

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A FELICIDADE CRISTÃ

A Natureza das Bem-aventuranças

As Bem-aventuranças ou beatitudes, como


também são conhecidas, representam os paradoxos do
sermão de Cristo. Ao considerar o texto de Mateus 5.1-12,
observamos que eles expelem um sentido contraditório
em relação ao mundo. Pois, secularmente, a pobreza se
refere à negação da riqueza, mas aqui ocorre o contrário:
a pobreza gera riqueza. O pranto se refere à ausência de
gozo, mas aqui pranto é uma condição de alegria.  

As Bem-aventuranças revelam como são visíveis


as contradiçoes entre os valores e perspectivas da Igreja
com os do mundo.

As Beatitudes aprovam a ausência de uma grande


lista de prêmios que o mundo oferece, como: poder,
popularidade, prazeres sexuais, influência, beleza física,
e coisas pelas quais somos levados a acreditar que são
essenciais para se obter a felicidade. Essas coisas não
representam a real medida de maturidade espiritual de
alguém, que não têm relação alguma com o nível ou

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A NATUREZA DA FELICIDADE

posição de alguém no reino de Deus.

Vamos tomar como exemplo o estado de riqueza.


Embora nada nas Bem-aventuranças a condene, faz-se
necessário salientar que a riqueza não é uma condição
para alcançar as Felicidade, pois esta não está associada
à bens materiais.

As Bem-aventuranças revelam a essência do


cristianismo. “A quem, que tipo de pessoa e que tipo de
comportamento Deus olha com aprovação? Quem Deus faz
feliz? Qual comportamento traz alegria e prazer para o coração
de um cristão?”

A resposta está notavelmente em contradição com


o que a maioria dos ‘cristãos’ do século 21 pensam. Pois
muitos deles desejam os “tesouros” de Cristo, mas fogem
da sua cruz.

Elas englobam a todos os cristãos individualmente


e não apenas alguns excepcionais, como os doze apóstolos,
como os pastores, ou talvez alguns super-crentes. 

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A FELICIDADE CRISTÃ

As virtudes, descritas nas Bem-Aventuranças são


provenientes da ação do Espírito Santo. E não apenas
valores naturais que se assemelham ao conjunto de
virtudes apenas humanas. São resultados do poder
influenciador da palavra e do mover do Espírito.

Fazendo uma análise paralela entre as Bem-


aventuranças e a Graça de Deus, compreendemos o plano
de Salvação para nós. Isto fica claro na primeira bem-
aventurança, ao revelar que o reino dos céus é para aqueles
que estão absolutamente falidos espiritualmente, que não
têm nada para merecer a aprovação de Deus. Portanto, se
você se encontra nessa condição é um excelente candidato
ao Reino de Deus.

Um conceito especial sobre as Bem-aventuranças

As Bem-aventuranças não são apenas instruções


para o viver cristão ou ensinamentos de como ser
abençoado. Elas não indicam somente as condições
que são especialmente agradáveis a Deus ou boas para

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A NATUREZA DA FELICIDADE

os seres humanos. O sentido não é afirmar que alguém


é melhor só pelo fato de ser pobre, chorar, ou por ter
sido perseguido, como se essas condições listadas fossem
recomendadas como formas de bem-estar diante de Deus
ou do homem.

As Bem-aventuranças servem primeiramente


para esclarecer a mensagem fundamental de Cristo que
é o livre acesso ao Reino de Deus e Justiça para toda a
humanidade através da fé nele.

Seja Feliz

Você nunca deve se envergonhar por desejar


ser feliz. É tão natural como ter fome. Certo filósofo
francês disse certa vez: “Todo o mundo está buscando
loucamente a certeza e a felicidade.” O presidente de uma
Universidade nos Estados Unidos disse: “O mundo está
procurando uma religião em que possa crer e uma canção
que possa cantar.” Um milionário do Texas confessou isto:
“Pensei que com dinheiro pudesse comprar a felicidade,
mas acabei miseravelmente decepcionado.” Uma famosa

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A FELICIDADE CRISTÃ

estrela do cinema exclamou: “Tenho dinheiro, beleza,


fascinação e popularidade. Deveria ser a mulher mais feliz
deste mundo, mas sou infeliz e miserável. Por quê?” Um
dos mais nobres líderes britânicos disse certa vez: “Perdi
toda a vontade de viver, e, no entanto tenho que viver.
Que é que acontece comigo?”

Certo senhor foi consultar um psiquiatra e disse


ao médico: “Doutor, sinto-me vencido, sozinho e muito
infeliz. O senhor poderá me ajudar?” O especialista então
lhe receitou que fosse ao espetáculo de um famoso circo,
visse e ouvisse um extraordinário palhaço que tinha a
fama de fazer os mais tristes e desanimados deste mundo
rirem incansavelmente. O consulente respondeu: “Eu
sou o dito palhaço.”

Certo acadêmico disse: “Tenho 23 anos e já passei


por experiências que fizeram de mim um velho, estou
farto da vida.” Uma famosa bailarina um desses dias atrás
disse: “Nunca tenho estado só, mas sinto que minhas
mãos tremem, que os olhos se enchem de lágrimas e que

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A NATUREZA DA FELICIDADE

se me aflige o coração em busca de uma paz e felicidade


que jamais achei.” Um dos grandes estadistas do mundo
hodierno disse certa vez: “Estou velho e para mim a vida
já perdeu todo o encanto e significado. Estou pronto a
saltar fatalmente para o desconhecido. Alguém me poderá
dar um raio de esperança?”

Não há quem não busque a felicidade, todos sem


exceção. As pessoas instintitamente se inclinam para
esse fim, tanto os que correm para a guerra como os que
fogem dela. Este é o motivo de cada ação do ser humano.

O desejo de felicidade é insuperável, nunca pode


ser mudado ou de qualquer forma abatido. Certamente
as pessoas têm noções diferentes do que se constitui a
felicidade, mesmo assim irá persegui-la de acordo com
seus desejos particulares. No entanto, isso em nada
altera o fato de que sua presença é comum entre todos
os homens. 

Você pode se negar ao prazer de comer um doce


agora porque acredita que a alegria de perder peso valha

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A FELICIDADE CRISTÃ

mais a pena. Seu desejo de uma satisfação a longo prazo


(a alegria de ter um elegante corpo) é mais forte que o
apelo do sorvete agora. Você põe na balança, desculpe
o trocadilho, prazeres concorrentes. Sua vontade é
energizada com base em sua crença de que um prazer
(imediato ou a longo prazo) é melhor do que outros. Mas
em todo caso você escolhe agir com vista a aumentar a
alegria e evitar a dor.

Deus construiu em nós uma inegável, implacável


e incontornável fome de alegria, satisfação e prazer.
Deus nos construiu a ser fascinado, a ser intrigado, a ser
hilariante na busca pela felicidade. Foi Deus quem te
fez dessa maneira para que você escolhesse, através dele
e de sua alma, desfrutar dos seus prazeres permanentes.
Satanás não tem nada a ver com essa volição e anseio,
ele apenas distorce os valores e conceitos do que é ser
uma pessoa feliz.

Deixe-me ser ainda mais ousado e dizer que sua


responsabilidade como cristão é ser o mais feliz possível.
A felicidade que possui valor permanente na vida do

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A NATUREZA DA FELICIDADE

cristão não é superficial e não depende das circunstâncias.


É uma felicidade, um contentamento que enche a alma
ainda mesmo em meio das circunstâncias mais adversas
que se possam surgir, mesmo em meio a ambientes mais
que nocivos e desanimadores que se possa deparar. É essa
felicidade que te faz sorrir quando tudo vai mal, mesmo
através das lágrimas. A felicidade pela qual nossa alma
suspira é essa felicidade imperturbável ante o sucesso ou a
derrota, que se enraiza profundamente em nosso íntimo e
nos faculta descanso interior, paz e contentamento, sejam
quais forem os problemas que se agitem na superfície. Essa
espécie de felicidade não precisa de estímulos externos.

“Regozijai-vos sempre no Senhor; outra vez digo,


regozijai-vos”. (Filipenses 4.4)

“Mas alegrai-vos no fato de serdes participantes das


aflições de Cristo, para que também na revelação da sua glória
vos regozijeis e alegreis”. (I Pedro 4.13)

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Capítulo 2
OS POBRES DE ESPÍRITO (Mateus 5.3)

O que esta Bem-aventurança não significa

J esus disse que os “pobres de espírito” são abençoados,


porém, não significa que alguém por ser pobre
materialmente possa ser uma pessoa feliz, como se a
pobreza material fosse em si uma virtude. Se assim fosse,
então toda ação social com intuito de ajudar quaisquer
famintos e miseráveis, a fim de tentar aliviar seus encargos,
seria uma atitude incoerente e anticristã. Isso significaria

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OS POBRES DE ESPÍRITO

afastá-los daquilo que lhes traz para mais perto de Deus


e da Sua felicidade. Se fosse esse o significado, não seria
correta a tentativa de aliviar aqueles que passam fome em
países devastados pela guerra. Não seria justo alojar os
refugiados que ficaram desabrigados pelas calamidades
naturais. Não poderia haver programas sociais dentro das
nossas igrejas. Não poderia haver orfanatos, hospitais ou
missões urbanas. Nenhuma destas coisas seria correta se
este verso ensinasse que a Bem-aventurança espiritual
é o resultado da pobreza material. Apesar disto, não
devemos perder de vista o fato de que há, de modo geral,
entre os economicamente desfavorecidos um profundo e
mais intenso desejo de Deus e humilde confiança Nele.
Aqueles que sofrem de perturbações sociais não têm
ninguém a quem eles possam colocar a sua confiança a
não ser no Senhor.

Jesus não chamou bem-aventurados os pobres de


espírito no sentido de que aqueles que experimentam
a deficiência de coragem, vitalidade e entusiasmo
são mais agradáveis a Deus do que outros. Não é esta

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A FELICIDADE CRISTÃ
uma aprovação à depressão, à preguiça ou à falta de
entusiasmo. Jesus não está dizendo que o introvertido,
de personalidade passiva é mais espiritual do que o tipo
extrovertido e agressivo. Nem está Jesus dizendo que a
pessoa com baixa auto-estima ou baixa auto-imagem é
mais espiritual do que qualquer outra pessoa. Esta Bem-
aventurança não tem nada a ver com a natureza de uma
personalidade. 

O que significa esta Bem-aventurança

Sabemos que Jesus não estava preocupado aqui


com a pobreza financeira e que Ele não estava recorrendo
à analogia da miséria material para lançar em mente
sua mensagem. Há duas palavras gregas, normalmente
usadas para se referir aos pobres: (1) penichros, usada em
Lucas 21 para a viúva que teve apenas duas pequenas
moedas de cobre (ela era pobre, mas pelo menos tinha
alguma coisa) e (2) ptochos, a palavra usada aqui, significa
totalmente desamparado, sem meios de sobrevivência,
completamente dependente de alguém para seu sustento. 

No Antigo Testamento, os pobres financeiramente

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OS POBRES DE ESPÍRITO

e miseráveis eram impotentes e dependentes. Sendo


materialmente desfavorecidos eram frequentemente
explorados pelos ricos e poderosos. Isso exigiu que
confiassem unicamente em Deus a necessidade de
proteção e sustento. Mas aqui, no entanto, Jesus se
refere ao espírito e não ao bolso, que é pobre. Em
outras palavras, tal como aquele que está sem dinheiro
é totalmente dependente de Deus para o sustento físico,
assim também aquele que é sem mérito é totalmente
dependente de Deus para o sustento espiritual. Jesus
estava afirmando que é abençoada a pessoa que diz:
“Eu não tenho um centavo de mérito, nenhuma justiça
com a qual eu poderia comprar a admissão no reino de
Deus.” Ou: “Eu sou tão pobre que não tenho capacidade
de pagar nenhum centavo pela ‘Graça’ de Deus”.

Pobreza de espírito, então, é o reconhecimento


da falência espiritual, a confissão consciente de absoluta
miséria espiritual diante de Deus. O pobre de espírito é a
pessoa que sente profundamente em seu coração que ele
é miserável e se aproxima de Deus sem nenhum mérito.

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A FELICIDADE CRISTÃ

Esta é a pessoa que o banco da justiça de Deus oferece


(o plano da) salvação através da graça. “Os sacrifícios para
Deus são o espírito quebrantado, um coração quebrantado e
contrito, não desprezarás, ó Deus” (Salmo 51.17). “Assim diz o
Senhor: Não se glorie o sábio na sua sabedoria, nem se glorie o
forte na sua força; não se glorie o rico nas suas riquezas. Mas o
que se gloriar glorie-se nisto: em me conhecer e saber que eu sou
o Senhor, que faço beneficência, juízo e justiça na terra; porque
destas coisas me agrado, diz o Senhor” (Jeremias 9.23-24). 

O caminho para ascensão no reino dos céus está


em mergulhar em nossa condição de pobreza espiritual,
confessando nossa miséria e pecados à espera, com
humildade, da misericórdia de Deus. 

Porque esta é a primeira Bem-aventurança? Porque


a falência de espírito é o fundamento de todas as outras
virtudes. É só quando nós reconhecemos que somos
vazios que então Deus pode começar a nos encher com
a justiça. Alguém afirmou: “nós não somos capazes de
receber graça. Aquele que está inchado, com um parecer
da auto-excelência e autossuficiência, não é apto para

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OS POBRES DE ESPÍRITO

Cristo. Ele já está cheio. Se a sua mão está cheia de pedras,


não pode receber o ouro. O copo é primeiro esvaziado
antes de receber o vinho. Deus em primeiro lugar esvazia o
homem de si mesmo, antes de derramar o vinho precioso
da sua graça”. Além disso, enquanto não formos pobres
de espírito, Cristo nunca será precioso para nós. Pobreza
de espírito é o sal e o tempero, o molho que faz Cristo
saborear doçuras para a alma. Quando um homem se vê
quase ferido de morte, como será precioso o bálsamo do
sangue de Cristo sobre ele!

“Como dizes: ‘Rico sou, e estou enriquecido, e de nada


tenho falta’, e não sabes que és um desgraçado, e miserável,
e pobre, e cego, e nu, aconselho-te que de mim compres ouro
provado no fogo, para que te enriqueças, e vestes brancas, para
que te vistas, e não apareça a vergonha da tua nudez; e que unjas
os olhos com colírio, para que vejas”. (Apocalipse 3.17-18). 

Veja o que diz Filipenses 3.3-8: “Porque a circuncisão


somos nós, que servimos a Deus em espírito, e nos gloriamos
em Jesus Cristo, e não confiamos na carne. Ainda que também

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A FELICIDADE CRISTÃ

pudesse confiar na carne; se algum outro cuida que pode confiar


na carne, ainda mais eu: Circuncidado ao oitavo dia, da
linhagem de Israel, da tribo de Benjamim, hebreu de hebreus;
segundo a lei, fui fariseu; Segundo o zelo, perseguidor da igreja,
segundo a justiça que há na lei, irrepreensível. Mas o que para
mim era ganho, reputei-o perda por Cristo. E, na verdade,
tenho também por perda todas as coisas, pela excelência do
conhecimento de Cristo Jesus, meu Senhor; pelo qual sofri a
perda de todas estas coisas, e as considero como escória, para
que possa ganhar a Cristo.” 

Quanto à recompensa, “deles é o reino dos céus”.


Note que Jesus usa o tempo presente “é” e não o tempo
futuro “será”. Isso porque Jesus estava presente e o seu
reino já havia se manifestado diante deles, apesar das
aparências contraditórias. Apesar disso, ainda assim,
existe uma consumação escatológica para a experiência
de todo o reino voltada para os filhos de Deus. 

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Capítulo 3
AQUELES QUE CHORAM (Mateus 5.4)

N ovamente devemos começar por dissipar a confusão


do significado entre lamentar e chorar. A benção
sobre esta Bem-aventurança, ‘aqueles que choram’, não
implica que o cristão deve ser eternamente melancólico
ou que deve estar sempre chorando. Jesus não está falando
da pessoa que está naturalmente triste ou que anda um
pouco abatida e murmura constantemente com suas
palavras. 

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A FELICIDADE CRISTÃ

Este não é o tipo de pranto que é fruto da


autopiedade, como quando as pessoas choram por causa
da insatisfação com o seu trabalho, com a aparência ou
com muitas outras coisas na vida. Este pranto não é o
produto de uma perda, seja material ou relacional em sua
natureza. Não é um pranto de opressão de um homem
que chora amargamente porque não pôde satisfazer a
sua lascívia ou de quando nós lamentamos a ausência
de alguns bens terrenos que cobiçamos. Veja o que diz
também em Mateus 6.16: “E, quando jejuardes, não vos
mostreis ‘contristados’ como os hipócritas; porque ‘desfiguram’
os seus rostos, para que aos homens pareça que jejuam.” 

Cristo não está fazendo alusão também ao


desespero. Judas Iscariotes reconheceu o seu pecado,
mostrou-se arrependido, fez a confissão e até restituiu
as poucas moedas, mas não chorou como Jesus tinha
em mente. Há uma diferença entre o desespero e a
tristeza espiritual. O primeiro não olha para Cristo, mas
para si mesmo. O segundo não tem olhos senão para a
misericórdia e o perdão oferecidos por Jesus.

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AQUELES QUE CHORAM

Também não é o tipo de pranto que lamenta as


consequências mais do que o crime, a pena mais do que
o pecado. Vejamos o que Jesus tinha em mente ao dizer:
“Bem aventurados, os que choram”. 

Esta é a contrapartida espiritual da pobreza


de espírito. Uma coisa é ser espiritualmente pobre e
reconhecer, outra é lamentar e chorar por causa disso.
Confissão é uma coisa, contrição é outra. Temos que
fazer mais do que reconhecer a nossa falência espiritual,
temos que agonizar sobre o pecado. Temos que prantear
por conta das nossas constantes fraquezas. Este não
é o pranto de tristeza, mas de arrependimento. É o
sofrimento sobre o pecado pessoal. “Então disse eu: Ai de
mim, que vou perecendo! Porque eu sou um homem de lábios
impuros, e habito no meio de um povo de impuros lábios. E os
meus olhos viram o rei, o Senhor dos Exércitos!” (Isaías 6.5).
“Miserável homem que eu sou! quem me livrará do corpo
desta morte?” Romanos 7.24. É a tristeza pelos pecados
particulares e secretos (aqueles que só você e Deus sabem
que existem), não simplesmente pelos pecados geralmente

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A FELICIDADE CRISTÃ

visíveis. Quando um homem está doente, ele não diz ao


médico: “Eu não me sinto bem” e deixa por isso mesmo,
ele aponta para a ferida e especifica a sua dor. Falando
dos pecados geralmente visíveis, estes podem se tornar
facilmente uma tampa para ocultar os pecados secretos. 

Este é o tipo de pranto espiritual que nos santifica.


Nossas lágrimas afogam os nossos pecados. Não podemos
apenas lamentar, chorar, mas nos arrepender com
sinceridade de coração. Veja o que está escrito em Joel
2.12-13: “Ainda assim, agora mesmo diz o Senhor: Convertei-vos
a mim de todo o vosso coração; e isso com jejuns, e com ‘choro’, e
com ‘pranto’. E rasgai o vosso coração, e não os vossos vestidos, e
convertei-vos ao Senhor vosso Deus; porque ele é misericordioso,
e compassivo, e tardio em irar-se, e grande em beneficência, e
se arrepende do mal.”

“O que adianta ter um olho aguado e um coração


corrompido? Não basta chorar com os olhos, mas chorar com
o coração.”

Esta também é a tristeza pelos pecados alheios. A

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AQUELES QUE CHORAM

maioria das pessoas está habituada apenas em condenar


as pessoas. Estamos preparados para andar com Jesus
e repetir seus pronunciamentos de advertências, mas
recuamos quando deveríamos nos ajuntar a ele em seu
pranto pelo povo (Mateus 23). Leia Marcos 3.5, Filipenses
3.18, Salmo 119.136 e Daniel 9. Não lamentamos sobre
a perda da verdade, da integridade e decência em nossa
sociedade? Também em nossas igrejas?

Tiago escreve: “Senti as vossas misérias, e lamentai


e chorai: converta-se o vosso riso em pranto, e o vosso gozo em
tristeza. Humilhai-vos perante o Senhor, e ele vos exaltará.”
(Tiago 4.9-10). Esta Bem-aventurança não é um repúdio
a alegria, muito menos um incentivo a procura de
tristeza permanente. O contexto de Tiago 4 indica que
ele está tratando com as pessoas que se tinham tornado
irreverente, casual e indiferente ao pecado por causa de
seu caso de amor com o mundo. Este, então, é um convite
para o arrependimento sóbrio.

Em resumo, ficamos tristes, mas não nos tornamos

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A FELICIDADE CRISTÃ

rabugentos, por vezes ficamos sérios, mas não carrancudos,


sóbrios, porém não frios ou proibitivos.

A recompensa: “eles serão consolados.” Essas pessoas


trocarão o saco de tristeza por uma veste de louvor, as
cinzas de tristeza pelo óleo da alegria. A chave para esta
experiência é a prática do perdão. “Dou graças a Deus
através de Jesus Cristo, nosso Senhor!” (Romanos 7.25 parte
a). “Bendito seja o Deus e Pai de nosso Senhor Jesus Cristo,
o Pai das misericórdias e o Deus de toda a consolação; Que
nos consola em toda a nossa tribulação, para que também
possamos consolar os que estiverem em alguma tribulação, com
a consolação com que nós mesmos somos consolados de Deus.
Porque, como as aflições de Cristo abundam em nós, assim
também a nossa consolação abunda por meio de Cristo” (2
Coríntios. 1.3-5). O cumprimento final desta promessa
é encontrado em Apocalipse 21.4: “E Deus limpará de seus
olhos toda a lágrima; e não haverá mais morte, nem pranto, nem
clamor, nem dor; porque já as primeiras coisas são passadas.”

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Capítulo 4
AQUELES QUE SÃO MANSOS (Mateus 5.5)

A palavra que Jesus usa aqui é Praus (veja o uso de


‘ prautes’ em Gálatas 5.23; 6.1). Qual é a essência
do termo “humildade” ou “humilde”? Existe um conceito
comum equivocado sobre o significado de humildade.
Acredita-se que ser humilde implica em ser indolente,
preguiçoso, fraco de coração, ter uma espécie de
flacidez mental e emocional, ter medo de se expressar
com força, ter falta de agressividade, quando a verdade

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A FELICIDADE CRISTÃ

está em jogo. Outros identificariam a mansidão como


uma personalidade dócil e dependente. Isso não é ser
exatamente manso.

Embora a mansidão não esteja associada à


fraqueza, não devemos perder de vista um elemento
essencial que é a ternura. Uma sensibilidade, que é capaz
de lidar com cuidado e compaixão com os outros.

Um elemento chave para a mansidão é a capacidade


de aceitar aquilo que os outros dizem sobre você sabendo
lá no fundo que essas não são as mesmas coisas que você
reconhece prontamente diante de Deus. 

A pessoa humilde não se irrita facilmente. Alguém


disse certa vez que um espírito manso, como lenha
molhada, não será fácil pegar fogo. Bem como afirma o
salmista: “Também os que buscam a minha vida me armam
laços, e os que procuram o meu mal dizem coisas que danificam
e imaginam astúcias todo o dia. Mas eu, como um homem
surdo, não ouço, e eu sou como um homem mudo que não abre
a boca” (Salmo 38.12-13).

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AQUELES QUE SÃO MANSOS

A mansidão é o contraste da precipitação, da


malícia e da vingança. Ter mansidão é viver de acordo
com as habilidades que Deus deu. Isso significa que você
não deve viver se pressionando com situações que não está
plenamente preparado para lidar com elas. Às vezes, se
submete a isso com medo de perder o respeito de alguém.
Também não significa que você deve fugir das situações
que, certamente, pode lidar com elas. 

Mansidão é ser como Jesus: “Tomai sobre vós o meu


jugo, e aprendei de mim, que sou manso e humilde de coração;
e encontrareis descanso para as vossas almas.” (Mateus 11.29).
É sentir o que Ele sentiu, praticar o que Ele praticou em
circunstâncias adversas. “De sorte que haja em vós o mesmo
sentimento que houve também em Cristo Jesus. Que, sendo em
forma de Deus, não teve por usurpação ser igual a Deus. Mas
aniquilou-se a si mesmo, tomando a forma de servo, fazendo-
se semelhante aos homens. E, achado na forma de homem,
humilhou-se a si mesmo, sendo obediente até a morte, e morte
de cruz. Pelo que também Deus o exaltou soberanamente, e lhe
deu um nome que é sobre todo o nome. Para que ao nome de

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A FELICIDADE CRISTÃ

Jesus se dobre todo o joelho dos que estão nos céus, e na terra, e
debaixo da terra. E toda a língua confesse que Jesus Cristo é o
Senhor, para glória de Deus Pai.” (Filipenses 2.5-11). 

Promessas feitas aos mansos

“Senhor, tu ouviste os desejos dos mansos; confortarás os seus


corações; os teus ouvidos estarão abertos para eles.” (Salmo
10.17)

“Os mansos comerão e se fartarão; louvarão ao Senhor os que o


buscam: o vosso coração viverá eternamente.” (Salmo 22.26)

“Guiará os mansos retamente, e aos mansos ensinará o seu


caminho.” (Salmo 25.9)

“Mas os mansos herdarão a terra, e se deleitarão na abundância


de paz.” (Salmo 37.11)

“E os mansos terão gozo sobre gozo no Senhor; e os necessitados


entre os homens se alegrarão no Santo de Israel.” (Isaías 29.19)

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AQUELES QUE SÃO MANSOS

A chave para a mansidão é um reconhecimento


saudável e submissão à graça soberana de Deus. Em I
Coríntios 4.7 Paulo escreve: “Por que você se refere como
superior? E o que você tem que você não recebeu? Mas se você
o recebeu, por que se vangloria como se não tivesse recebido?”
O orgulho é o fruto da mentira, pois esta última exibe
aquilo que você não recebeu. Mansidão e humildade são
o fruto da verdade, mostram que tudo aquilo que você
recebeu é de Deus.

Veja também João 3.22-30 (especialmente os


versículos 27 e 30). “Depois disso, foi Jesus com os seus
discípulos para a terra da Judéia; e estava ali com eles e batizava.
Ora, João batizava também em Enom, junto a Salim, porque
havia ali muitas águas; e vinham ali e eram batizados. Porque
ainda João não tinha sido lançado na prisão. Houve, então,
uma questão entre os discípulos de João e um judeu, acerca da
purificação. E foram ter com João e disseram-lhe: Rabi, aquele
que estava contigo além do Jordão, do qual tu deste testemunho,
ei-lo batizando, e todos vão ter com ele. João respondeu e disse:
O homem não pode receber coisa alguma, se lhe não for dada

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A FELICIDADE CRISTÃ

do céu. Vós mesmos me sois testemunhas de que disse: eu não


sou o Cristo, mas sou enviado adiante dele. Aquele que tem a
esposa é o esposo; mas o amigo (Gr. Filho) do esposo, que lhe
assiste e o ouve, alegra-se muito com a voz do esposo. Assim,
pois, já essa minha alegria está cumprida”.

A recompensa, “eles herdarão a Terra”, uma clara


alusão ao Salmo 37.9,11, 29. “Porque os malfeitores serão
desarraigados; mas aqueles que esperam no SENHOR herdarão
a terra. Mas os mansos herdarão a terra e se deleitarão na
abundância de paz. Os justos herdarão a terra e habitarão
nela para sempre.”

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Capítulo 5
AQUELES QUE TÊM FOME E SEDE DE JUSTIÇA
(Mateus 5.6)

S e quisermos compreender o significado do que disse


nosso Senhor, devemos imaginar a pior condição
de fome e sede física, como temos visto muitas vezes em
países subdesenvolvidos, como é o caso do Brasil.

Aqui Jesus está dizendo: “Bem-aventurados aqueles


cujo apetite e sede de justiça é tão intenso quanto o
de crianças famintas por comida e água!” Estamos tão

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A FELICIDADE CRISTÃ
famintos pela justiça como quando ficamos pelo alimento
físico? Estamos dispostos a ir a qualquer lugar necessário
para consegui-la? Há alguma coisa que você não está
disposto a pagar para obtê-la? Você sente em seu coração
a mesma profundidade de angústia espiritual, por falta de
justiça, como a criança que sente fome em seu estômago,
por falta de alimentos, e na boca por falta de água?

O anseio pela justiça não ocupa uma posição tão


popular no meio cristão. Nos dias de hoje muitos estão
prontos a buscar outras coisas: maturidade espiritual,
felicidade através das bençãos, poder do Espírito,
habilidades eficazes para pregar ou testemunhar,
acompanhar outras pessoas atrás de pregadores e de
conferências buscando algumas vagas bênçãos que afirmam
ser ‘do alto’, etc. Eles têm fome e sede de experiência
espiritual, mas quantos têm fome e sede de justiça?

Jesus tem em mente o zelo pela pureza da conduta,


do pensamento, do linguajar, das atitudes, dos nossos
sentimentos. Ele está falando da pessoa que anseia deixar
o profano para se tornar santo, para que toda a vida seja

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AQUELES QUE TÊM FOME E SEDE DE JUSTIÇA
um reflexo da justiça de Deus. Nota-se, porém, que nem
todo mundo acha que Jesus está se referindo à santidade
pessoal aqui nesse texto. Como se diz: “Só chorar pelos
pecados praticados no passado não é suficiente, temos
também que ter a fome de justiça com expectativa para
o futuro”. A fome e a sede de justiça são a própria fome
e sede de Cristo.

Nossa fome só será satisfeita depois que ingerirmos


alguma comida. Traga a um homem faminto flores,
música, conte-lhe histórias agradáveis, nada disso poderá
matar sua fome, pois a fome só será saciada depois que
ele comer alimentos sólidos. Assim, um homem que tem
fome e sede de justiça diz: “Dá-me Cristo, ou eu morro.
Deixe-me ter Cristo para me vestir, para me alimentar
dele, Cristo que intercede por mim.” Pois apesar do
homem obter riqueza, honra e prestígio no mundo,
tudo é nada sem Cristo. O Senhor é suficiente para nós.
Enquanto a alma está sem Cristo, ela é agitada. Mas a
água que brota do sangue de Cristo pode saciar a sua sede.

Como podemos saber se estamos com fome e sede

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A FELICIDADE CRISTÃ

de justiça? Você está satisfeito consigo mesmo? A pessoa


que está satisfeita e contente com a sua própria justiça vai
ver pouca necessidade de Deus. Não importa o quanto
podemos nos tornar maduros, devemos sempre estar
dispostos a declarar: “estou faminto por mais.”

Você tem um apetite insaciável pela Palavra de


Deus? Então leia os versos a seguir.

“Bem-aventurados os que trilham caminhos retos e


andam na lei do Senhor. Bem-aventurados os que guardam os
seus testemunhos (e) o buscam de todo o coração. E não praticam
iniqüidade, mas andam em seus caminhos.” (Salmo 119.1-3)

“Desvenda os meus olhos, para que veja as maravilhas


da tua lei. Sou peregrino na terra; não escondas de mim os teus
mandamentos. A minha alma está quebrantada de desejar os
teus juízos em todo o tempo.” (Salmo 119.18-20)

“Oh! Quanto amo a tua lei! É a minha meditação


em todo o dia! Tu, pelos teus mandamentos, me fazes mais
sábio que meus inimigos, pois estão sempre comigo. Tenho mais

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AQUELES QUE TÊM FOME E SEDE DE JUSTIÇA

entendimento do que todos os meus mestres, porque medito nos


teus testemunhos. Sou mais prudente do que os velhos, porque
guardo os teus preceitos. Desviei os meus pés de todo caminho
mau, para observar a tua palavra. Não me apartei dos teus
juízos, porque tu me ensinaste. Oh! Quão doces são as tuas
palavras ao meu paladar! Mais doces do que o mel à minha
boca. Pelos teus mandamentos, alcancei entendimento; pelo que
aborreço todo falso caminho.” (Salmo 119.97-104)

“Príncipes me perseguiram sem causa, mas o meu


coração temeu a tua palavra. Folgo com a tua palavra, como
aquele que acha um grande despojo. Abomino e aborreço a
falsidade, mas amo a tua lei. Sete vezes no dia te louvo pelos
juízos da tua justiça. Muita paz tem os que amam a tua lei,
e para eles não há tropeço. SENHOR, tenho esperado na tua
salvação e tenho cumprido os teus mandamentos. A minha alma
tem observado os teus testemunhos; amo-os extremamente. Tenho
observado os teus preceitos e os teus testemunhos, porque todos
os meus caminhos estão diante de ti.” (Salmo 119.161-168).

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A FELICIDADE CRISTÃ

Sua fome e sede são incondicionais? O jovem rico


queria Cristo e seus bens. Não dizemos, “eu quero Cristo
e meu egoísmo, eu quero Cristo e minha imoralidade, eu
quero Cristo e o meu erro.” A pessoa que está realmente
com fome e sede de justiça não vai comer entre as refeições
do diabo! Ele não fará nada para suprir seu apetite com
as delícias do mundo. Não alimentará sua carne com os
banquetes do pecado. A promessa é que Ele, Jesus, “fartará
a alma sedenta e encherá de bens a alma faminta”. (Salmo
107.9. Mas com o quê? Paulo diz: “Ora, o Deus da paz vos
encha de todo o gozo e paz no vosso crer, para que sejais ricos
de esperança, pelo poder do Espírito Santo” (Romanos 15.13).
Certamente Jesus estava dizendo que ele preencherá,
saciará você com sua justiça tanto no presente (João 4.14,
6.35) como no futuro (Efésios 5.25-27; I João 3.1-3). 

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Capítulo 6
AQUELES QUE SÃO MISERICORDIOSOS
(Mateus 5.7)

A qui Jesus descreveu o homem moralmente justo.


No entanto, alguns têm a idéia de que se formos
justos, nos tornaremos rígidos, severos, frios, irritados e
teremos relacionamentos distantes. Mas a moralidade
bíblica na verdade não nos torna mais resistentes, e sim
mais maleáveis e acessíveis. A pessoa moralmente justa,
afirma Jesus, é uma pessoa misericordiosa.

Por que é importante a misericórdia? “... Quando


for julgado, saia condenado; e a sua oração se lhe torne em

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A FELICIDADE CRISTÃ
pecado. Sejam poucos os seus dias, e outro tome o seu ofício.
Sejam órfãos os seus filhos, e viúva sua mulher. Porquanto não se
lembrou de fazer misericórdia; antes perseguiu ao homem aflito
e ao necessitado, para que pudesse até matar o quebrantado de
coração.” (Salmo 109.6-9,16)

O que significa ser misericordioso? 

Significa ser como Deus! Como afirma Lucas


6.36: “Sede, pois, misericordiosos, como também vosso Pai é
misericordioso.” Salmo 145.9: “O Senhor é bom para todos,
e as suas misericórdias são sobre todas as suas obras.” I Pedro
1.1-4: “Pedro, apóstolo de Jesus Cristo, aos estrangeiros dispersos
no Ponto, Galácia, Capadócia, Ásia e Bitínia. Eleitos segundo
a presciência de Deus Pai, em santificação do Espírito, para a
obediência e aspersão do sangue de Jesus Cristo: Graça e paz
vos sejam multiplicadas. Bendito seja o Deus e Pai de nosso
Senhor Jesus Cristo que, segundo a sua grande misericórdia, nos
gerou de novo para uma viva esperança, pela ressurreição de
Jesus Cristo dentre os mortos. Para uma herança incorruptível,
incontaminável, e que não se pode murchar, guardada nos céus

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AQUELES QUE SÃO MISERICORDIOSOS

para vós.” Assim, misericórdia é bondade e generosidade


é sacrifício de amor em nome dos miseráveis e indignos. 

A recompensa, “porque eles alcançarão misericórdia.”


Mas de quem e quando? Provavelmente, não das pessoas.
Embora elas possam retribuir, não há garantia de que
você vai ver qualquer recompensa terrena, qualquer
reconhecimento terreno, qualquer gratidão daqueles a
quem você teve misericórdia. A nossa recompensa vem
de Deus: “Porque Deus não é injusto para se esquecer da
vossa obra e do trabalho do amor que, para com o seu nome,
mostrastes, enquanto servistes aos santos e ainda servis”.
(Hebreus 6.10). Mas quando? “E quando o Filho do homem
vier em sua glória,... E porá as ovelhas à sua direita, mas os
bodes à esquerda. Então dirá o Rei aos que estiverem à sua
direita: Vinde, benditos de meu Pai, possuí por herança o reino
que vos está preparado desde a fundação do mundo. Porque tive
fome, e destes-me de comer; tive sede, e destes-me de beber; era
estrangeiro, e hospedastes-me. Estava nu, e vestistes-me; adoeci,
e visitastes-me; estive na prisão, e fostes ver-me. Então os justos
lhe responderão, dizendo: Senhor, quando te vimos com fome, e

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A FELICIDADE CRISTÃ

te demos de comer? ou com sede, e te demos de beber? E quando


te vimos estrangeiro, e te hospedamos? ou nu, e te vestimos?
E quando te vimos enfermo, ou na prisão, e fomos ver-te? E,
respondendo o Rei, lhes dirá: Em verdade vos digo que quando
o fizestes a um destes meus pequeninos irmãos, a mim o fizestes.
Então dirá também aos que estiverem à sua esquerda: Apartai-
vos de mim, malditos, para o fogo eterno, preparado para o
diabo e seus anjos. Porque tive fome, e não me destes de comer;
tive sede, e não me destes de beber. Sendo estrangeiro, não me
recolhestes; estando nu, não me vestistes; e enfermo, e na prisão,
não me visitastes. Então eles também lhe responderão, dizendo:
Senhor, quando te vimos com fome, ou com sede, ou estrangeiro,
ou nu, ou enfermo, ou na prisão, e não te servimos? Então lhes
responderá, dizendo: Em verdade vos digo que, quando a um
destes pequeninos o não fizestes, não o fizestes a mim. E irão
estes para o tormento eterno, mas os justos para a vida eterna.”
(Mateus 25:31-46)

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Capítulo 7
OS PUROS DE CORAÇÃO (Mateus 5.8)

É difícil identificar um período na história humana


em que as pessoas foram tão obcecadas com seus
corpos, com a saúde física e com a aparência externa
como ocorre nos dias de hoje. O embelezamento
exterior se tornou uma frebe popular. Mas sem dúvida,
a purificação do nosso interior ainda é uma questão
muito mais relevante para aqueles que almejam estar bem
apresentáveis diante da graça de Deus. 

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A FELICIDADE CRISTÃ

1 - O que é o coração?

 Contrariando o que muitas pessoas têm sugerido,


o coração está relacionado à mente, pois a pureza da
qual Jesus está falando se refere à nossa mente ou àquilo
que pensamos. Na verdade, muitas vezes nas Escrituras,
o termo coração designa mente. Por exemplo, “Como um
homem pensa em seu coração, assim ele é” (Provérbios 23.7).
“Que as palavras da minha boca e a meditação do meu coração
sejam agradáveis na tua presença, Senhor, minha rocha e meu
redentor” (Salmo 19.14). “Por que vocês estão pensando mal em
vossos corações?” (Mateus 9.4). “Porquanto, tendo conhecido
a Deus, não o glorificaram como Deus, nem lhe deram graças;
antes, em seus discursos se desvaneceram, e o seu coração
insensato se obscureceu.” (Romanos 1.21). Outros textos
onde o termo coração designa mente são 2 Coríntios 4.6:
“Porque Deus, que disse que das trevas resplandecesse a luz,
é quem resplandeceu em nossos corações, para iluminação do
conhecimento da glória de Deus, na face de Jesus Cristo.” 2
Coríntios 9.7: “Cada um contribua segundo propôs no seu
coração, não com tristeza ou por necessidade; porque Deus

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OS PUROS DE CORAÇÃO
ama ao que dá com alegria.”; Efésios 1.18: “Tendo iluminados
os olhos do vosso entendimento, para que saibais qual seja a
esperança da sua vocação e quais as riquezas da glória da sua
herança nos santos.” Em outras ocasiões, o termo coração
designa emoções ou paixões e até mesmo vontade. Em outras
palavras, o coração se refere ao centro da personalidade
humana: pensamento, sentimento, vontade, esperança,
saudade. O coração é o núcleo de nossas almas, a fonte de
nosso ser interior. Assim, “Sobre tudo o que se deve guardar,
guarda o teu coração, porque dele procedem as saídas da vida”
(Provérbios 4.23). 

2 - Por que o coração necessita de purificação? 


Vejamos o que diz as Escrituras:

“E o Senhor cheirou o suave cheiro e disse o Senhor em


seu coração: Não tornarei mais a amaldiçoar a terra por causa
do homem, porque a imaginação do ‘coração’ do homem é má
desde a sua meninice; nem tornarei mais a ferir todo vivente,
como fiz.” (Gênesis 8.21). 

“Enganoso é o coração, mais do que todas as coisas, e

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A FELICIDADE CRISTÃ
perverso; quem o conhecerá?” (Jeremias 17.9).

“Ainda não compreendeis que tudo o que entra pela boca


desce para o ventre e é lançado fora? Mas o que sai da boca
procede do coração, e isso contamina o homem. Porque do coração
procedem os maus pensamentos, mortes, adultérios, prostituição,
furtos, falsos testemunhos e blasfêmias.” (Mateus 15.17-19).

Leia também Romanos 1.21; 2.5; Efésios 4.17-


18. Se nossos corações não fossem puros, não seríamos
diferentes dos fariseus, pois a santidade deles foi
inteiramente aparente. Por isso, Jesus nos convida a viver
uma vida cristã plena, que vá além da mediocridade, que
exceda a justiça dos fariseus. “Porque vos digo que, se a vossa
justiça não exceder a dos escribas e fariseus, de modo nenhum
entrareis no Reino dos céus.” (Mateus 5.20). 

3 - Que tipo de purificação necessita o coração? 

A princípio, entende-se que todos os cristãos já


são puros de coração. Em Atos 15.8-9 diz: “E Deus, que
conhece os corações, lhes deu testemunho, dando-lhes o Espírito
Santo, assim como também a nós; e não fez diferença alguma

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OS PUROS DE CORAÇÃO

entre eles e nós, purificando o seu coração pela fé”, aqui é feita
uma referência à justificação. Mas não é sobre isso que
Jesus está fazendo menção. Pois esta ‘pureza’ não aponta
para uma obra já concluída na vida do crente, e sim
para um projeto do Espírito que é atual e que está em
pleno desenvolvimento em nossa natureza. Chamamos
isso de “santificação diária”, que está em evidência em
nós, sem a qual ninguém poderá chegar à presença do
Eterno. Como nos mostra Hebreus 12.14: “Segui a paz
com todos e a santificação, sem a qual ninguém verá o Senhor”
e Salmo 24.3-5: “Quem subirá ao monte do Senhor ou quem
estará no seu lugar santo? Aquele que é limpo de mãos e puro
de coração, que não entrega a sua alma à vaidade, nem jura
enganosamente. Este receberá a bênção do Senhor e a justiça
do Deus da sua salvação.”

4 - O que significa pureza de coração?

Os puros de coração são aqueles que choram


por causa da impureza que há em vossos corações. Só
é possível obter pureza de coração quando se inicia um

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A FELICIDADE CRISTÃ

processo através do reconhecimento da própria falência


espiritual pela busca da graça de Deus (Mateus 5.3). Para
ser puro de coração é preciso ter fome e sede de justiça.
Para ser puro de coração não é preciso esperar pela
perfeição absoluta nesta vida, mas manter o exercício
intenso e implacável em busca dela (Filipenses 3.12-14).
Para ser puro de coração é preciso buscar através de uma
contínua e interminável perseguição, o poder da graça
de Deus para a santidade. É uma busca pela santidade,
na qual nunca estamos satisfeitos, nunca nos sentimos
completos, mas sempre estamos com fome de alcançar
mais, nunca estamos saciados, mas sempre sedentos por
mais, nunca nos sentimos ricos, mas sempre sentimos
nossa pobreza espiritual.

Alguém disse que o nosso coração é tão impuro,


que não vê necessidade de pureza. Os puros de coração
às vezes pecam, mas não sentem nenhuma complacência
neste ato. 

A pureza de coração aponta para o nosso interior

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OS PUROS DE CORAÇÃO

e não para o exterior. Portanto, ser simplesmente uma


pessoa civilizada não é suficiente. Um homem pode ser
civilizado, mas mesmo assim continuar alimentando
pecados secretos e sórdidos em seu coração. 

Esta Bem-aventurança nos confronta e nos leva a


perguntas desconfortáveis, tais como estas: “Em que nível
as suas ações e palavras refletem exatamente o que está em seu
coração? Em que nível as suas ações e palavras constituem uma
realidade do que está em seu coração?”

Os puros de coração servem a Deus com todo o


seu ser. Os puros de coração nunca devem ser tímidos em
sua devoção. “Como são abençoados aqueles que observam os
seus testemunhos, que o procuram com todo seu coração” (Salmo
119.2).

Os puros de coração odeiam e reprovam o pecado.


É possível deixar o seu pecado, ainda assim amá-lo. Como
uma cascavel que lança a sua pele, mas retém seu veneno,
assim também alguns cessam o mal em sua vida, mas
gostariam de realizá-los.

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A FELICIDADE CRISTÃ

5 - Como podemos obter a pureza do coração?

Incontestavelmente isso sempre depende do dom


da graça de Deus, mas ele designou certos meios ou
instrumentos para nos ajudar. 

a) A Palavra de Deus - “Tua Palavra é pura” (Salmo


119.140). “Santifica-os na tua palavra, a tua palavra é a
verdade” (João 17.17). A Bíblia funciona muito como um
purificador de água, filtrando para fora dos escombros do
nosso sistema espiritual, sujeiras, odores e tudo aquilo que
pode poluir as nossas almas.

b) Não podemos só ser puros de coração, temos que


andar e falar com outros que são puros de coração. “Quem
anda com os sábios será sábio” (Provérbios 13.20).

c) Devemos suplicar pela pureza de coração. Jó


exclamou: “Quem pode trazer uma coisa pura de um imundo?”
(Jó 14.4 e 15.14). Deus pode! Devemos orar como Davi:
“Cria em mim um coração puro, ó Deus!” (Salmo 51.10).

d) Tratar com rigor aquilo que tende a contaminar

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OS PUROS DE CORAÇÃO

o coração. “Portanto, se o teu olho direito te escandalizar,


arranca-o e atira-o para longe de ti, pois te é melhor que se perca
um dos teus membros do que todo o teu corpo seja lançado no
inferno. E, se a tua mão direita te escandalizar, corta-a e atira-a
para longe de ti, porque te é melhor que um dos teus membros
se perca do que todo o teu corpo seja lançado no inferno.”
(Mateus 5.29-30). 

e) Fixe seus olhos e esforços em Jesus. “Portanto, nós


também, pois, que estamos rodeados de uma tão grande nuvem
de testemunhas, deixemos todo embaraço e o pecado que tão
de perto nos rodeia e corramos, com paciência, a carreira que
nos está proposta, olhando para Jesus, autor e consumador da
fé, o qual, pelo gozo que lhe estava proposto, suportou a cruz,
desprezando a afronta, e assentou-se à destra do trono de Deus.”
(Hebreus 12.1-2). 

Poderíamos nos perguntar: “Por que se preocupar


com pureza e santidade?” Parece ser uma tarefa tão árdua
e exigente. Várias razões podem ser dadas. Antes de

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A FELICIDADE CRISTÃ

qualquer coisa, devemos buscar a santidade de coração,


porque é isso que Deus deseja que sejamos, ‘santos’: “Sede
santos, porque eu sou santo” (I Pedro 1.16). 

Em segundo lugar, esse é o objetivo da nossa


eleição. “Ele nos escolheu para sermos santos e irrepreensíveis”
(Efésios 1.4). “Porque os que dantes conheceram, também os
predestinou para serem conformes à imagem de seu Filho, a fim
de que ele seja o primogênito entre muitos irmãos” (Romanos
8.29). “Pedro, apóstolo de Jesus Cristo, aos estrangeiros dispersos
no Ponto, Galácia, Capadócia, Ásia e Bitínia, eleitos segundo
a presciência de Deus Pai, em santificação do Espírito, para
a obediência e aspersão do sangue de Jesus Cristo: graça e paz
vos sejam multiplicadas” (I Pedro. 1.1-2).

Terceiro, essa foi a razão ou o propósito da morte


de Cristo. “Ele se entregou por nós para nos remir de toda
iniqüidade e purificar para si um povo todo seu, zeloso de boas
obras” (Tito 2.14). Ele morreu em nosso lugar, para que
por sua terrível morte nos tornássemos semelhante a ele.

Contudo, a quarta e mais importante razão para

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OS PUROS DE CORAÇÃO

se lançar em busca da pureza do coração é que somente


os que são puros de coração poderão ver a Deus! A
razão de Deus para nos guiar na pureza de coração não
é porque ele quer nos privar dos prazeres. Não é que
Deus é um desmancha-prazeres, um rabugento celestial
que vive com receio de que alguém em algum lugar possa
estar tendo um momento prazeroso. O motivo de Deus
é o seu anseio amoroso em nos dar um prazer, uma
alegria e uma felicidade que excedem em muito, tanto
em profundidade, em altura e em duração a tudo o que
a impureza poderia produzir-nos. E como isso poderá
acontecer? Vendo a Deus! 

A importância da pureza de coração pode ser


mais bem ilustrada com uma interessante história. “Não
muito tempo atrás aconteceu que um homem teve uma
intensa batalha com a pornografia. Aquele homem ao
relatar no final como superou sua luta, recomendou aos
que estavam vivendo a mesma situação, que praticassem
uma atividade de quatro etapas para se libertar do ciclo

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A FELICIDADE CRISTÃ

de dependência da pornografia. Ele sugeriu que uma


pessoa deve começar com aconselhamento, de preferência
com alguém que tem experiência em lidar com o vício
sexual. A segunda etapa é entrar num procedimento de
prestação de contas dos atos praticados após as sessões
de aconselhamentos sem medo de relatar as questões
que considerou difíceis de superar. A manutenção é a
terceira etapa. O viciado deve tomar medidas para evitar
se colocar numa posição de vulnerabilidade ou onde ele
é suscetível a cair novamente nos velhos hábitos. Em
quarto, finalmente, é preciso confiar no poder de Deus”. 

Sem menosprezar e criticar os conselhos desse


homem vejo que isso é simplesmente insuficiente. Talvez
ele provou ser eficaz no seu próprio caso. Mas não estou
convencido de que será frutífero e terá êxito em longo
prazo. Seis meses ou um ano depois em sua caminhada,
quando o olhar atento dos amigos e da família se
voltarem para outra direção, ou quando a solidão, o
tédio, a frustração com Deus vierem em conjunto, os

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OS PUROS DE CORAÇÃO

quatro passos para a liberdade ou os sete princípios de


libertação ou os passos de qualquer outra atividade que
ele tenha abraçado não será páreo para lhe dar força
contra seu impulso sexual. O desejo forte do prazer
não vai desaparecer nem se dissipar magicamente. As
probabilidades indicam que só irão aumentar. Cada perda
só pode ser superada tendo em vista um ganho superior.
Só é possível dizer “não” à pornografia quando primeiro
houver dito “sim” ao prazer que se encontra na pessoa e
presença de Jesus. O homem só conseguirá de fato vencer
os seus apetites carnais, quando o seu interior de fato
estiver ocupado pela fascinante pureza da companhia de
Cristo.

O que é “ver” Deus?

Deus é Espírito, invisível ao olho físico. Homem


finito não pode, em si mesmo, ver o Deus Infinito, em
si mesmo. Com efeito, para “ver Deus” é preciso morrer
(Êxodo 19.21). Seu rosto nunca foi visto por alguém: “Deus
nunca foi visto por alguém. O Filho unigênito, que está no seio

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A FELICIDADE CRISTÃ

do Pai, este o fez conhecer.” (João 1.18). “A qual, a seu tempo,


mostrará o bem-aventurado e único poderoso Senhor, Rei dos reis
e Senhor dos senhores; aquele que tem, ele só, a imortalidade e
habita na luz inacessível; a quem nenhum dos homens viu nem
pode ver; ao qual (seja) honra e poder sempiterno. Amém!” (1
Timóteo 6.15-16).

Sempre que alguém diz ter “visto” Deus, é sempre


uma visão parcial. A exemplo de Moisés que viu o “as
costas” de Deus, de dentro da fenda da rocha.

Certo escritor disse: “Os homens não estão


autorizados a ver o rosto de Deus.” As Escrituras advertem
que nenhum homem pode ver Deus e viver. Lembramo-
nos do pedido de Moisés, quando ele subiu ao monte
santo de Deus. Moisés havia sido uma testemunha ocular
dos milagres surpreendentes no deserto. Ele tinha ouvido
a voz de Deus falando com ele fora da sarça ardente. Ele
testemunhou a transformação do rio Nilo em sangue. Ele
tinha provado o maná do céu e contemplado a coluna
de nuvem e a coluna de fogo. Ele tinha visto os carros de

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OS PUROS DE CORAÇÃO

Faraó inundados pelas ondas do Mar Vermelho. Ainda


assim, ele não estava satisfeito. Ele queria mais. Ele
enfatizou a experiência espiritual suprema. Ele consultou
o Senhor sobre a montanha, “Deixe-me ver seu rosto. Mostre-
me a tua glória”. O pedido foi negado. (cf. Êxodo 33.19-23).
Quando Deus disse a Moisés que ele poderia ver suas
costas, a leitura literal do texto pode ser traduzida para
“por detrás”. Deus permitiu a Moisés vê-lo por detrás,
mas nunca o seu rosto. Quando Moisés voltou do monte,
seu rosto estava brilhando. O povo estava aterrorizado.
O rosto de Moisés estava demasiado brilhante para ele
olhar para cima. Então Moisés colocou um véu sobre o
rosto para que o povo pudesse se aproximar dele. Essa
experiência magnífica foi direcionada para um homem
que tinha chegado tão perto de Deus a ponto de refletir
a glória de Deus em seu rosto. Este foi um reflexo da
glória originado da parte de trás de Deus, não a glória
refulgente do seu rosto. Se as pessoas estão aterrorizadas
com a visão da glória refletida das costas de Deus, como
alguém pode olhar diretamente para o seu rosto santo? No

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A FELICIDADE CRISTÃ

entanto, o objetivo final de todo cristão é ser autorizado


a ver o que foi negado a Moisés. Queremos vê-Lo face
a face. Queremos nos alegrar na glória radiante de Seu
Rosto divino.

A visão de Deus que Jesus se refere em Mateus


5.8 é mais do que mera visão física. Embora Jesus fosse
o próprio Deus, ele tinha algo mais profundo em sua
mente do que apenas vê-lo. Para “ver” Deus, portanto, é
preciso viver uma experiência da maneira mais profunda
e íntima possível com Cristo. 

Quais são as características desta visão ou a “visão”


de Deus? 

a) Vai ser totalmente transparente. Paulo diz “agora,


vemos por espelho em enigma; mas, então, veremos face a face;
agora, conheço em parte, mas, então, conhecerei como também
sou conhecido.” Mas Deus um dia irá revelar-se em todo
o seu resplandecente brilho e veremos a sua glória com
perfeita clareza! 

b) Será completamente transcendente. Será

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OS PUROS DE CORAÇÃO
em todos os aspectos concebíveis superior a glória e
majestade de qualquer coisa que já vimos nesta terra. Ele
irá transcender toda e qualquer alegria que vivemos aqui.
Nós nunca nos cansaremos de vê-lo! 

c) Será totalmente transformadora. Leia I João


3.1-3. Pela sua graça nos tornamos totalmente puros de
coração. 

Em 2 Coríntios 3.18 lemos: “Mas todos nós, com


cara descoberta, refletindo, como um espelho, a glória do Senhor,
somos transformados de glória em glória, na mesma imagem,
como pelo Espírito do Senhor.” Assim como a visão de Cristo
no presente nos santifica progressivamente, no futuro,
a visão de Cristo nos santificará totalmente. É a nossa
experiência com Cristo que nos santifica.

Qual é a relação entre a visão de Cristo e a


glorificação final? Vejamos dois pontos de vista possíveis.
Por um lado, pode ser que veremos Cristo porque somos
semelhantes a ele; semelhança, então, é a condição de
vê-lo (cf. Mateus 5.8, Hebreus 12.14). Assim, esta visão

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A FELICIDADE CRISTÃ

afirma que a santidade é um pré-requisito para a visão de


Cristo e, portanto, deve precedê-lo (a santidade, é claro, é
dada por Deus, não ganhada pelo homem). Mais provável,
porém, é que quando Ele se manifestar, vamos vê-lo, e,
como resultado seremos feitos como ele. A posse de tal
esperança é o maior incentivo para uma vida de pureza.
Não é uma moda passageira, é uma esperança firmemente
fixada Nele, Cristo Jesus.

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Capítulo 8
OS PACIFICADORES (Mateus 5.9)

O que não significa ser um pacificador

1 - Jesus não disse: “Bem-aventurados são


aqueles que estão em paz”, como se ele tivesse em mente
alguma calma, subjetiva no interior de um espírito. 

2 - Ele não disse “Bem-aventurados os pacíficos”


como se ele tivesse em mente que abençoada é a pessoa
que é inofensiva, covarde, ou aqueles que nunca se
envolveram em brigas e agressões. 

3 - Tampouco ainda Jesus disse que Bem-


aventurados são os amantes ou apaixonados pela paz,
apesar de que amar a paz é certamente um pré-requisito

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A FELICIDADE CRISTÃ
para a verdadeira paz.

4 - Nem deveríamos pensar sobre a pacificação


em termos de “apaziguamento”, como se dissesse que
um espírito de comprometimento é suficiente para
evocar a bênção de Deus. Algumas pessoas são pacíficas,
simplesmente porque lhes falta a coragem de suas
convicções e rapidamente fazem uma barganha quando
estão sob pressão. 

5 - Jesus também não disse que devemos negociar


a verdade e a fé à custa da paz, não podemos ceder às
pressões contrárias a fé e seus princípios básicos em troca
de uma paz ‘momentânea’. Muitos dizem que “a paz não
tem preço.” Por isso eles querem afirmar que nenhum
preço é demasiado alto para pagar a paz, para obtê-la
não há custos demasiados ou exorbitantes. Mas não foi
isso que Jesus pronunciou como se estivesse abençoando
aquela pessoa que coloca a paz no topo de sua lista
de prioridades espirituais. Nunca devemos comprar a
paz à custa da pureza ou verdade. Às vezes a paz não é
simplesmente possível. Paulo escreve em Romanos 12.18,

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OS PACIFICADORES

“Se possível, na medida em que depende de você, esteja em paz


com todos os homens.” A expressão “se possível” indica que,
por vezes, a paz não é possível. A impossibilidade que
Paulo tem em mente, entretanto, não é devido a nossa
incapacidade de conter a nossa raiva ou ressentimento.
Ele está se referindo aos obstáculos que são exteriores
a nós, sobre as quais não temos controle, como por
exemplo: a) o espírito e temperamento dos outros que se
recusam a nos aceitar, apesar de todos os nossos esforços
para reconciliar e manter essa harmonia; b) quando o
conflito não é extinto através da verdadeira paz.

Então, o que é ser um “pacificador”?

O pacificador tem como foco principal realizar


duas importantes tarefas: 

1 - Extinguir as chamas da discórdia e desarmonia


no corpo de Cristo. 

2 - Tomar todas as medidas necessárias para que em


primeiro lugar nenhum incêndio ocorra. O pacificador
não está satisfeito com a situação atual. Ele antecipa as

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A FELICIDADE CRISTÃ

circunstâncias em que a discórdia pode florescer para


poder evitá-la. Ele antecipa os temas que irão dividir os
irmãos e se recusa a deixar que as pessoas morram ao
discuti-los. Ele é sábio o suficiente não somente para
saber quando, simplesmente, deve derramar água sobre
um incêndio, mas quando também agir para “evitar” que
um incêndio venha ocorrer.

Como se tornar um pacificador?

Um pacificador deve ser alheio a si mesmo, às


suas próprias necessidades. Em Filipenses 2.1-5 lemos:
“Portanto, se (há) algum conforto em Cristo, se alguma
consolação de amor, se alguma comunhão no Espírito, se alguns
entranháveis afetos e compaixões, completai o meu gozo, para
que sintais o mesmo, tendo o mesmo amor, o mesmo ânimo,
sentindo uma mesma coisa. Nada (façais) por contenda ou
por vanglória, mas por humildade; cada um considere os
outros superiores a si mesmo. Não atente cada um para o que
é propriamente seu, mas cada qual também para o que é dos
outros. De sorte que haja em vós o mesmo sentimento que

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OS PACIFICADORES

(houve) também em Cristo Jesus.” Ele deve ser totalmente


obcecado por Jesus. Ele deve ser o tipo de pessoa que
não está sempre olhando para tudo em termos do efeito
que tem sobre si. Ele não vive perguntando: “Como isso
me afeta? O que as pessoas vão pensar de mim? Os meus
direitos foram esmagados? Será que estou sendo tratado
de forma justa?”

Note a promessa desta Bem-aventurança: “Pois eles


serão chamados filhos de Deus.” Se isto for verdade, então
certamente o inverso também é verdadeiro: “Maldito são
os contendeiros, criadores de guerras, discórdias e desunião entre
os irmãos, porque serão chamados filhos do Diabo!” Veja o que
é dito em Romanos 16.17-18: “E rogo-vos, irmãos, que noteis
os que promovem dissensões e escândalos contra a doutrina que
aprendestes; desviai-vos deles.”; Provérbios 6.19: “Há seis coisas
que o Senhor odeia, sim e sétima, ele abomina: olhos altivos,
língua mentirosa, mãos que derramam sangue inocente, coração
que trama projetos iníquos, pés que se apressam a correr para o
mal, testemunha falsa que profere mentiras, e (sétima) “o que
semeia contendas entre irmãos.” Em Tiago 3.14,15: “Mas, se

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A FELICIDADE CRISTÃ

tendes amarga inveja e sentimento faccioso em vosso coração,


não vos glorieis, nem mintais contra a verdade. Essa não é a
sabedoria que vem do alto, mas é terrena, animal e diabólica.”
Como alguém disse certa vez: “É Satanás quem acende as
chamas da discórdia nos corações dos homens e então se levanta
e se aquece no fogo.” 

Infelizmente, nossos esforços para fazer e manter a


paz nem sempre são bem-sucedidos. Na verdade, ao invés
de paz muitas vezes vem a guerra. Em vez de ser apreciado
por nossos esforços, somos perseguidos por eles.

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Capítulo 9
OS PERSEGUIDOS (Mateus 5.10-12)

E sta Bem-aventurança desmascara vários mitos:

1 - O mito de que o cristianismo é uma forma


de libertação do sofrimento. Conquanto desejamos nos
tornar mais parecidos com Jesus, devemos esperar ser
tratados como Jesus! 

2 - O mito de que Deus ama seus filhos demais


para permitir que eles sofram nas mãos dos infiéis. Deus
realmente nos ama, mas isso não significa que vamos ser
poupados da dor da perseguição. 

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A FELICIDADE CRISTÃ
3 - O mito de que os que sofrem perseguição
estão sendo castigados por seus pecados. Mas, os
puros de coração também são perseguidos. Muitas
vezes é justamente por causa do êxito em manifestar
as características contidas nas Bem-aventuranças que é
provocada a perseguição.

4 - O mito de que o sofrimento é sempre o sinal


do desagrado de Deus ou da sua ira. 

5 - O mito de que o sofrimento pode nos separar


do amor de Cristo. “Quem nos separará do amor de Cristo?
A tribulação, ou a angústia, ou a perseguição, ou a fome, ou a
nudez, ou o perigo, ou a espada?” (Romanos 8.35). 

6 - O mito de que o sofrimento ou a perseguição


às mãos do infiel é um sinal de vitória deste último.
“E eles o venceram pelo sangue do Cordeiro e pela palavra
do seu testemunho; e não amaram a sua vida até a morte.”
(Apocalipse 12.11). 

7 - O mito de que o sofrimento é seletivo, restrito


a alguns santos especiais.

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OS PERSEGUIDOS

A condição de ser desprezado e rejeitado,


caluniado e perseguido, é tão normal quanto a marca
do discipulado cristão, assim como são com os puros
de coração ou os misericordiosos. Todo cristão é um ser
pacificador e cada um deve esperar oposição. Os que têm
fome de justiça sofrerão pela justiça que anseiam.

As pessoas podem falar muito dessas virtudes,


mas muitas vezes desprezam a pessoa com quem elas
se parecem (Jesus), disso não se tem dúvida. A única
homenagem que a maldade pode pagar para a justiça é
persegui-la. 

Outras considerações a serem observadas: 

1 - Jesus não afirmou que os bem-aventurados são


os que sofrem por qualquer causa. A Bem-aventurança se
aplica para aqueles que sofrem por causa da justiça. Veja o
que diz em I Pedro 2.18-21: “Porque, que glória será essa, se,
pecando, sois esbofeteados e sofreis? Mas se, fazendo o bem, sois
afligidos e o sofreis, isso é agradável a Deus. Porque para isto sois
chamados; pois também Cristo padeceu por nós, deixando-nos o

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A FELICIDADE CRISTÃ

exemplo, para que sigais as suas pisadas. O qual não cometeu


pecado, nem na sua boca se achou engano. O qual, quando o
injuriavam, não injuriava, e quando padecia não ameaçava,
mas entregava-se àquele que julga justamente”. Nesta passagem
somos informados que manter a boca fechada e suportar
pacientemente quando vier o sofrimento resultante de
algum pecado que cometemos, não será isso uma notável
virtude. Porém, ao reservarmo-nos de retaliação e auto-
justificação quando somos injustamente prejudicados,
então isso se torna particularmente agradável ao Senhor.
Alguns sofrimentos e perseguições são merecidos e,
portanto, isso se torna lamentável. Mas nós temos
realmente sido “chamados” (I Pedro 2.21) para suportar
injusta perseguição. Mais uma vez, Pedro incentiva você
a manter uma boa consciência, de modo que, pela única
coisa em que você é caluniado, por aqueles que insultam
o seu bom comportamento em Cristo, será a causa de
serem confundidos. Por isso é melhor, aquele que serve
a Deus assim, “sofrer por fazer o que é certo ao invés de sofrer
por fazer aquilo que é errado” (I Pedro 3.17).

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OS PERSEGUIDOS
Do texto de I Pedro 4.12 onde se diz: “Amados, não
estranheis a ardente prova que vem sobre vós, para vos tentar,
como se coisa estranha vos acontecesse;” entendemos que
não devemos “ficar surpresos com a prova de fogo” da
perseguição e do sofrimento que vem sobre nós, e isso
por três razões:

(1) O sofrimento como resultado da perseguição


desempenha um papel essencial na nossa santificação. E
diz Pedro, que é “para nos provar” (4:12). O sofrimento é
fundamental para a formação do caráter cristão: ele afia,
refina, expurga, e nos purifica, bem como nos obriga a
confiar mais plenamente em toda a suficiência da graça de
Deus.

(2) O sofrimento presente só vai servir para


aumentar o grau da alegria em nossa glorificação, pois à
medida que você compartilha os sofrimentos de Cristo,
e se mantém alegre, desse modo também você poderá se
alegrar com exultação na revelação de Sua glória. “Mas
alegrai-vos no fato de serdes participantes das aflições de Cristo,
para que também na revelação da sua glória vos regozijeis e

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A FELICIDADE CRISTÃ
alegreis” (I Pedro 4.13).

(3) Finalmente, há uma especial e singular unção


do Espírito sobre os cristãos que sofrem por causa de
Cristo e levam em vossos corpos a Sua provação. Com
efeito, se você é insultado pelo nome de Cristo, você é
abençoado, porque o Espírito de glória e de Deus repousa
sobre você: “Se pelo nome de Cristo sois vituperados, bem-
aventurados sois, porque sobre vós repousa o Espírito da glória
e de Deus; quanto a eles, é ele, sim, blasfemado, mas quanto
a vós, é glorificado” (I Pedro 4.14). A palavra “glória” aqui
tem o artigo definido, (lit. “Glória”), apontando, assim,
para a “glória” de Cristo a ser revelada plenamente em
sua segunda vinda.

Observe também em I Pedro 4.15-16 que,


novamente, determinado sofrimento pode ser uma
vergonha, isto é, o sofrimento que é resultante do
pecado (versículo 15). No entanto, há também o fato de
que os sofrimentos pelos quais os cristãos são expostos
existem simplesmente pelo fato de que eles são cristãos,
simplesmente porque professam a fé, obedecem às leis,

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OS PERSEGUIDOS

respeitam as instituições de Cristo e que tais sofrimentos,


no entanto não são vergonhosos em sua própria natureza;
e na aceitação dos homens, não há motivos válidos de
vergonha para aqueles que se encontram com eles, mas, pelo
contrário, devem ser motivos de dar glória e graças a Deus.

Contudo, se quiser evitar a perseguição do mundo,


então você deve trazer para sua vida os padrões do mundo
e praticá-los, nunca censurar os seus valores, manter o
silêncio sobre o evangelho da graça, condescender com
o humor obsceno, sorrir e consentir quando o nome de
Deus for escarnecido e insultado e se envergonhar de
Jesus Cristo. 

Note também que Jesus amplia a perseguição para


incluir insultos e ataques verbais. Para nós, em nossos
dias, esta é muitas vezes a única forma de perseguição
que experimentamos. 

Observe que no versículo 10 de Mateus 5 o


sofrimento é “por uma questão de justiça”, já no versículo
11 é “por conta de mim”, ou seja, Jesus. Conclui-se então
o seguinte:
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A FELICIDADE CRISTÃ

(a) O mundo não somente despreza estas virtudes,


como despreza ainda mais a pessoa em quem elas são
encontradas.

(b) Isto reafirma que a justiça para a vida presente


que se tem em vista está na constante busca pela
semelhança da vida terrena de Jesus.

Observe atentamente a forma como Jesus diz que


temos de responder a essa perseguição: “Exultai e alegrai-
vos!” Não estamos a retaliar, como fazem os incrédulos.
Não ficamos de mau humor como uma criança. Não
estamos lambendo nossas feridas em autopiedade como
um cão ferido. Não estamos simplesmente sorrindo
e suportando com indiferença, como se nada tivesse
acontecido. Menos ainda estamos fingindo que a dor
que se sente é boa. Não somente isso, mas não devemos
também nos ressentir, magoar, enrijecer por sentimentos
negativos, pagar com a mesma moeda. Antes, devemos
nos alegrar e ser felizes!

No entanto, como pode uma pessoa em sã

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OS PERSEGUIDOS

consciência fazer isso? Bem, primeiro, refletindo sobre


o fato de que essa dor é ínfima se comparada com as
agonias do inferno.

Segundo, lembrando João 15.21 “Tudo isto, porém,


vos farão por causa do meu nome, porquanto não conhecem
Aquele que me enviou.” Se você desejar se eximir da
perseguição, então terá que renunciar sua sociedade com
Jesus. Se você pensa que está acima e além de perseguição,
então certamente está acima e além de Jesus.

Terceiro, lembre-se de Atos 5.40-42: “Chamando


os apóstolos, açoitaram-nos e, ordenando-lhes que não falassem
em o nome de Jesus, os soltaram. E eles se retiraram do Sinédrio
regozijando-se por terem sido considerados dignos de sofrer
afrontas por esse Nome. E todos os dias, no templo e de casa
em casa, não cessavam de ensinar e de pregar Jesus, o Cristo”.

Quarto, lembre o que diz Romanos 5.3-5: “E


não somente isto, mas também nos gloriamos nas próprias
tribulações, sabendo que a tribulação produz perseverança; e a
perseverança, experiência; e a experiência, esperança. Ora, a

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A FELICIDADE CRISTÃ

esperança não confunde, porque o amor de Deus é derramado


em nosso coração pelo Espírito Santo, que nos foi outorgado”.

Quinto, lembre-se de Romanos 8.16-17: “O próprio


Espírito testifica com o nosso espírito que somos filhos de Deus.
Ora, se somos filhos, somos também herdeiros, herdeiros de Deus
e co-herdeiros com Cristo; se com ele sofremos, também com ele
seremos glorificados”; pois sofrimento é um sinal da nossa
adoção como filhos.

Sexto, pense em I Pedro 4.12-14: “Amados, não


estranheis o fogo ardente que surge no meio de vós, destinado
a provar-vos, como se alguma coisa extraordinária vos estivesse
acontecendo; pelo contrário, alegrai-vos na medida em que sois
co-participantes dos sofrimentos de Cristo, para que também, na
revelação de sua glória, vos alegreis exultando. Se, pelo nome de
Cristo, sois injuriados, bem-aventurados sois, porque sobre vós
repousa o Espírito da glória e de Deus”. Perseguição não é
apenas essencial para a nossa santificação, mas também
intensifica a nossa glória no retorno de Cristo!

E, sétimo, temos a promessa de recompensa no

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OS PERSEGUIDOS

céu: “Regozijai-vos e exultai, porque é grande o vosso galardão


nos céus; pois assim perseguiram aos profetas que viveram
antes de vós” Mateus 5.12. Lembre-se ainda do que diz 2
Coríntios 4.16-18: “Por isso, não desanimamos; pelo contrário,
mesmo que o nosso homem exterior se corrompa, contudo, o
nosso homem interior se renova de dia em dia. Porque a nossa
leve e momentânea tribulação produz para nós eterno peso
de glória, acima de toda comparação, não atentando nós nas
coisas que se vêem, mas nas que se não vêem; porque as que
se vêem são temporais, e as que se não vêem são eternas”.
Uma das maneiras de se obter alegria no sofrimento
advém de enxergar com os olhos da alma as grandezas
da recompensa que nos virá na ressurreição para a vida.
O que se espera como resultado deste tipo de ‘foco’ é
fazer com que a nossa presente dor se revele pequena em
comparação à grande glória que nos aguarda no porvir.

Empenhe toda sua força na hora do sofrimento,


lembre-se de Jesus nesta hora. Você se acha pobre? Jesus
disse: “As raposas têm covis e as aves têm ninhos, mas o
Filho do Homem não tem onde reclinar a cabeça”. Alguém é

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A FELICIDADE CRISTÃ

contra você? “Contra o santo Filho Jesus, Herodes e Pôncio


Pilatos com os gentios, estavam juntos”. Seus inimigos são os
religiosos? Lembre-se que foram eles que crucificaram o
Filho de Deus! Você está sofrendo censura por parte de
alguém ou de algum grupo? “Foram eles que dobraram os
joelhos diante dele, e zombavam dele, dizendo: Salve-se, rei dos
judeus”. Você está sendo caluniado? Lembre-se, Jesus foi
acusado de fazer milagres pelo poder de Satanás. Você
está sendo desprezado? Bateram e cuspiram no Rei da
Glória. Seus amigos te traíram? Lembre-se de Judas! Você
perdeu posses? Eles lançam sortes sobre a túnica de Jesus.
Você sofreu algum tipo de injustiça? Lembre-se daquilo
que Pilatos disse: “Não achei culpa alguma neste homem.”

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BIBLIOGRAFIA

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Bíblia de Estudo Genebra, SSB
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BÍBLICA – SP – IBAD
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