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UNIVERSIDADE TECNOLÓGICA FEDERAL DO PARANÁ

DEPARTAMENTO ACADÊMICO DE COMUNICAÇÃO E EXPRESSÃO

CURSO DE TECNOLOGIA EM COMUNICAÇÃO INSTITUCIONAL

CARLOS TABAJARA FERREIRA

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DISSERTAÇÃO EXPOSITIVA

CURITIBA

2011

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CARLOS TABAJARA FERREIRA

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Dissertação Expositiva apresentada ao


Curso deTecnologia em Comunicação
Institucional, pertencente ao
Departamento Acadêmico de
Comunicação e Expressão da
Universidade Tecnológica Federal do
Paraná como requisito parcial para a
aprovação na disciplina de História das
Ideias no Brasil ± Século XIX.

Prof. Responsável: Prof. Dr. Wilton Fred


Cardoso de Oliveira

CURITIBA

2011
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NoCapítulo VIII da obra intitulada³Os Donos do Poder´ de Raymundo Faoro ,
podemos observar que vários fatores digladiavam-se no cenário nacional no tempo
de D. Pedro I, o que trouxe inúmeras consequ ências para um então país em pleno
momento de transição e que importava a burocracia segundo aos moldes de Lisboa,
fato este ocasionado pelo encontro do príncipe com a nação , e que ocasionou
profundas mudanças políticas no país.
A homogeneidade da colônia deu lugar ao regime constitucional e os alvarás
deram lugar às leis. Neste ponto, o liberalismo somou-se ao emancipacionismo, e
em 1814, até o final do século, duas correntes dividiram as opiniões: ( a democrática
e a liberal temperada) a da soberania popular que faziam o rei e a autoridade obra
do país e não de condições preexistentes, condições históricas ou religiosas, e a
corrente onde a Constituinte e a própria independência, preexistia à monarquia e o
imperador.
Na Constituinte, os democratas por medo da autoridade de D. Pedro I,
calaram-se e a Constituição deixa de ser reivindicatória para tomar forma das
monarquias velhas, onde se procurava manter a igualdade , porémsem a
democracia. A liberdade tão perseguida é alcançada , mas não na partilha do poder e
sim na garantia dos direitos individuais.
A independência acontece apenas para satisfazer a necessidade de uma
representatividade causada pelo embate entre as forças nacionais e a ditadura
régia, até mesmo porque antes da sua ocorrência a Constituinte j á estava
convocada, e essa Assembleia Constituinte serviu apenas para satisfazer um desejo
do príncipe, manter a autoridade régia. Com a aclamação o príncipe não precisou
mais usar a política repressiva, pois era amado pelo povo; mas ao contrário do
esperado seu poder não se consolidou com a popularidade e este favor popula r
acaba-lhe viciando a conduta, resultando na distribuição de títulos e honrarias.
Ações estas que causaram descontentamento e decepção da nação.
Com a dissolução da Constituinte, por não ter conseguido estruturar a ordem
política, a monarquia se refugia n o poder moderador. A monarquia constitucional e a
absolutista perdem a distinção, colocando em questionamento o poder do

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imperador. Tentando disfarçar uma estrutura que ainda mantinha o seu cunho
autoritário é instituída a Câmara temporária, que supostamen te permitira o ingresso
de outras pessoas na política existente, ao contrário do Senado vital ício e do
Conselho do Estado, enfim, o estamento apenas se rearticulou. Essa Câmara dos
Deputados, a única que necessitava de eleição, também não possuía autentici dade
real, visto que os eleitores eram selecionados, modo de controlar a vontade popular
e sua representatividade. Toda essa estrutura servia apenas para homologar as
decisões e desmandos da cúpula.
A Constituição então servia apenas para controlar em nome dos destinatários
do poder. A coroa conservava o comando da política e da administração através do
chamado Poder Moderador, convertendo o sistema parlamentar num
parlamentarismo. Neste cenário de obediência ao imperador, infiltrou -se a facção
liberal moderada, com o intuito de domesticar o ministério, que enfrentou o revide
por parte de D. Pedro I, que desprezou os debates da Câmara temporária e passou
a trocar de ministérios.
Essa linha de ação adotada por D. Pedro I, que viera desde a dissolução da
Constituinte, desgastou a Independência. O governo existia para o povo e não pelo
povo, o intuito principal era manter a monarquia. Diante de um país descontente e
sublevado só restava a D. Pedro I o retorno a Portugal, para cingir a coroa usurpada.
O imperador tivera que enfrentar até mesmo a uma tentativa de    dos
ministros da justiça e da guerra, tanto era o desconforto e descontentamento na
época.
A Câmara dos Deputados após diversos acontecimentos torna -se o centro do
poder e a vitaliciedade do Senado passa a ser contestada. As reformas tinham a
intenção de romper com o círculo de ferro na cúpula do poder e abrir a política para
a devida participa ção de todos. Duas medidas consagram a autonomia local: o
Código de Processo Penal e o Ato Adicional, com estas medidas foram implantados
os sistemas de juízes e inspetores, embora o império ainda intervisse no processo, o
salto era considerável, passava -se da centralização para o localismo.
Todas as reformas teriam o objetivo maior de unir as províncias, que
ganharam poder legislativo e tutela sobre os municípios, mesmo com os três focos
principais de poder ± o município, a província e o império, restaram zonas
indefinidas pelas quais reivindicações revolucionárias iriam se infiltrar. Neste

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período,o controle da população e a submissão vieram através da distribuição de
empregos públicos. Forma que possibilitava a instauração do poder mais próximo a
população e quando acontecesse algo de errado estes levariam a culpa,
resguardando a eficiência do governo central.
Como consequência de todos estes fatores históricos, políticos e sociais,
podemos atribuir atitudes que até hoje estão arraigadas em nossa c ultura, ainda
podemos identificar o status atribuído ao funcionalismo público como a sua
subserviência devido aos seus cargos; a preocupação dos governantes em agradar
o grande público, mesmo que para isso necessite fazer atos arbitrários; o fato de o
poder público agir em benefício próprio, visando a sua própria manutenção, não o
benefício do povo. Pequenos fatores e ideias, somadas entre si, traçaram sulcos que
podem ser percebidos até hoje em nossa sociedade.















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FAORO, R.à  !" #$%#!# . 3.
ed. rev. São Paulo: Globo, 2001.


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