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GESTÃO DE

PROJETOS SOCIAIS
SUMÁRIO

Introdução Conceitos Terceiro setor


preliminares e gestão de
projetos

O mercado do Oportunidades Conclusão


terceiro setor
Introdução
O curso de Gestão de Projetos Sociais apresentado a vocês neste e-book aborda as temáticas envolvidas nas
transformações contemporâneas das relações entre Estado, mercado e sociedade civil, tomando-as sob o
prisma da emergência do terceiro setor enquanto lócus de configuração de novas formas de participação social,
de construção de políticas públicas e de desenvolvimento social.

Tal processo, não obstante, não é isento de contradições, exigindo uma leitura crítica acerca da emergência
do terceiro setor e de suas relações com o Estado e a iniciativa privada, o que se reflete sobre as competências
profissionais, as habilidades técnicas e gerenciais, as atitudes e comportamentos desejados para os
profissionais que desejam atuar neste mercado de trabalho.

NO MUNDO ATUAL PERMANECE “O DESAFIO DE ALCANÇAR O


EQUILÍBRIO ENTRE O ESTADO E O MERCADO, ENTRE A AÇÃO
COLETIVA NOS ÂMBITOS LOCAL, REGIONAL E GLOBAL, E ENTRE
AS AÇÕES GOVERNAMENTAIS E NÃO-GOVERNAMENTAIS”
(STIGLITZ, 2003, P. 12).

Segundo estudos da Johns Hopkins University, o terceiro setor movimenta cerca de 5% do PIB e só nos Estados
Unidos representa uma economia superior ao PIB brasileiro (que foi de R$ 6,3 trilhões em 2016, segundo o
IBGE). Estima-se ainda que o terceiro setor empregue, mundialmente, cerca de 7,4% da força de trabalho,
excluindo-se os voluntários¹ .

¹Estudo disponível em http://ccss.jhu.edu/wp-content/uploads/downloads/2013/04/JHU_Global-Civil-Society-


Volunteering_FINAL_3.2013.pdf . Acesso em agosto de 2018.

O CRESCIMENTO DO TERCEIRO SETOR ESTÁ DIRETAMENTE


RELACIONADO À NECESSIDADE DE SE ALCANÇAR FORMAS
DE DESENVOLVIMENTO SUSTENTÁVEL, O QUE EXIGE
COMPREENDER O DESENVOLVIMENTO EM SUAS DIMENSÕES
ECONÔMICA, AMBIENTAL E SOCIAL.

Introdução | 4
Conceitos
preliminares
O Estado pode ser compreendido como a estrutura jurídico-política de organização de uma formação social
específica, baseada num território determinado, unificada por meio de uma língua oficial e composta por sua
população e pelas relações internas e externas que ela estabelece. Esta formação social específica compreende
também outras relações, que incluem aspectos culturais, étnicos, raciais e econômicos.

As relações econômicas – e as diferentes formas de organizá-las – são, por seu turno, compreendidas como
o “mercado”, ou seja, a esfera da sociedade em que se dão as relações de produção e troca de mercadorias,
as quais, por sua vez, têm como grande agente a sociedade civil, ou seja, as demais relações que as pessoas,
reunidas numa comunidade, estabelecem entre si.

A ideia de que a sociedade se divide em três esferas – o Estado, o mercado e a sociedade civil – tornou-se, nos
dias atuais, bastante comum. É a partir desta visão tripartite da sociedade que convencionou-se compreender
o terceiro setor como o “setor público não-estatal”, ou o setor “privado, porém público”, ou, ainda, o setor das
ações públicas empreendidas pelas organizações da sociedade civil.

A EX-PRIMEIRA DAMA, DRA. RUTH CARDOSO, DEFINIA O


TERCEIRO SETOR COMO UM “ESPAÇO DE PARTICIPAÇÃO E
EXPERIMENTAÇÃO DE NOVOS MODOS DE PENSAR E AGIR
SOBRE A REALIDADE SOCIAL” (IOSCHEPE, 1997, P. 2).

Por outro lado, autores críticos dessa perspectiva tripartite da sociedade compreendem que o “terceiro setor”
é um conceito que obscurece aquilo que se quer definir: a expressão “terceiro setor é uma expressão com
significados múltiplos, devido a sentidos históricos diferenciados, em termos de realidade social” (GOHN, 1999,
p. 73).

Originária do inglês norte-americano “third sector”, a expressão “terceiro setor”, cunhada em 1978 por John
D. Rockfeller III, caracteriza um universo “que envolve um número significativo de organizações e instituições
– organizações não-governamentais (ONGs), sem fins lucrativos (OSFs), instituições filantrópicas, empresas
“cidadãs”, entre outras – e sujeitos individuais – voluntários ou não”. (MONTAÑO, 2002, p.15).

Conceitos preliminares | 6
Terceiro setor
e gestão de
projetos
A compreensão acerca dos fundamentos sociológicos, políticos e econômicos do Brasil e do mundo
contemporâneo é o ponto de partida para atuação do profissional do terceiro setor. A ela se somam as
competências específicas da organização e gestão do trabalho social e da gestão de políticas públicas, o que
envolve também o conhecimento dos conceitos de gerenciamento de projetos e planejamento estratégico, a
capacidade de realizar análises de contexto e estruturação de projetos sociais atuando desde o planejamento
à captação de recursos e implantação de redes sociais, além da execução, monitoramento e avaliação de
projetos.

Figura 1: perfil de competência do profissional do terceiro setor.

Neste cenário de desafios, o profissional do terceiro setor deve estar atento em perceber as diferenças entre seu
campo de atuação e o exercício profissional no primeiro ou segundo setores. Mas deve também buscar superar
algumas marcas de assistencialismo, caridade e benemerência que marcam o trabalho social no Brasil.

Terceiro setor | 8
Tabela 1: Gestão de projetos sociais: o que é, o que não é:

Gestão de Projetos Sociais

O que é O que não é

Profissional De caráter missionário

Desafiador Mera execução de tarefas e rotinas

Conquista coletiva e pública Mera conquista pessoal

Solidário, ético e colaborativo Caritativo ou centrado em si

Democrático Autoritário

Transparente Sigiloso

Terceiro setor | 9
O mercado
do terceiro setor
Sustenta-se a importância do terceiro setor não só pelo seu papel de prestador mais ágil de serviços públicos
ou coletivos, mas também por sua capacidade de incidir em políticas públicas e de funcionar como laboratório
para experiências inovadoras de atendimento a determinadas necessidades sociais, ao mesmo tempo em que
se amplia a capilaridade e o alcance das ações públicas para além dos limites de atuação do próprio Estado.

A tabela abaixo sistematiza, em termos gerais, as interfaces entre Estado, mercado e terceiro setor, bem como
as organizações que compõem cada uma destas esferas da sociedade civil.

Tabela 2: interações Estado, mercado e sociedade civil

ESTADO MERCADO TERCEIRO SETOR

Órgãos estatais da
Fornecimento de bens e Organizações que realizam ações de
ESTADO Administração direta e
serviços, corrupção, lobby interesse público
indireta; Poder Público; LEI

Órgãos reguladores,
agências de controle
MERCADO Lucro Financiamentos e sustentabilidade
e fiscalização, empresas
de capital misto
Fundações privadas,
projetos empresariais,
TERCEIRO
Marco regulatório ações estratégicas, Associações e Fundações
SETOR
financiamentos
e marketing

Fonte: elaboração própria a partir da bibliografia.

Enquanto esfera de experimentação, proposição e intervenção no campo do desenvolvimento sustentável,


o terceiro setor assume um papel relevante na articulação de pessoas e organizações, firmando-se como
alternativa em favor da promoção dos direitos humanos, da complexidade como riqueza humana e da
igualdade entre os seres como condição para a promoção de uma nova ordem mundial.

Nesse contexto, a profissionalização do terceiro setor aparece como um dos principais desafios para o avanço
institucional e para a real transformação dos quadros sociais, devendo-se compreender esta profissionalização
numa perspectiva que, ao valorizar as práticas cotidianas e intuitivas que foram se desenvolvendo ao
longo da história do terceiro setor, proceda também à análise crítica e à investigação de seus mais diversos
condicionantes.

Sendo assim, podemos enxergar a profissionalização do terceiro setor na forma do desenvolvimento dos
indivíduos com capacidade para intervir em seu mundo e produzir riquezas materiais e imateriais, num
horizonte de emancipação e justiça social.

O mercado do terceiro setor | 11


Oportunidades
VOCÊ JÁ PAROU PARA PENSAR EM QUANTAS ÁREAS DIFERENTES
UM PROFISSIONAL DO TERCEIRO SETOR PODE ATUAR?

A gestão de projetos sociais é um dos pilares centrais da atuação profissional no terceiro setor.

Segundo estudo publicado pelo IPEA – Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada, de 2003 a 2011, as entidades
sem fins lucrativos (ESFLs) compuseram aproximadamente 15% do total de transferências realizadas pela
União, correspondendo a quase R$ 29 bilhões em recursos transferidos por meio de convênios. Neste período,
aproximadamente 10 mil organizações firmaram pelo menos um convênio com o governo federal².

Além disso, uma pesquisa do IBGE mapeou, em 2013, as Entidades de Assistência Social sem Fins Lucrativos,
apresentando, dentre outros, os recortes de serviços realizados em regiões de concentração. Considerando
apenas o campo da Assistência Social, esta pesquisa do IBGE traz uma informação relevante sobre a diversidade
de atuação profissional presente no terceiro setor:

²A publicação está disponível para download em http://www.ipea.gov.br/portal/index.php?option=com_


content&view=article&id=20642. Acesso em agosto de 2018.

Oportunidades | 13
PARA ALÉM DA ASSISTÊNCIA SOCIAL, ASSOCIAÇÕES E FUNDAÇÕES
DO TERCEIRO SETOR ESTÃO PRESENTES NAS MAIS DIVERSAS ÁREAS
DO DESENVOLVIMENTO SUSTENTÁVEL, QUE INCLUI ORGANIZAÇÕES
AMBIENTAIS, DE CULTURA, EDUCAÇÃO, ESPORTE, HABITAÇÃO,
JUSTIÇA, DEFESA E PROMOÇÃO DE DIREITOS, DENTRE OUTRAS.

A gestão de projetos sociais pode ainda estar envolvida em ações relacionadas à mobilização e gerenciamento
de atividades com a participação de pessoas voluntárias, em ações corporativas de responsabilidade social e
voluntariado empresarial, em estruturação de organizações para atendimento a exigências dos mecanismos
de fomento e regulação das práticas de Responsabilidade Social Empresarial, em adequação de procedimentos
para atendimento a Códigos de Ética, Compliance e Gestão de Riscos, elaboração e monitoramento de Balanços
Sociais, dentre outras funções.

Por esta diversidade de áreas e públicos de atuação, acrescida da diversidade das atividades realizadas e do
pressuposto de reconhecimento da complexidade do contexto social que expande a importância dos gestores
de projetos sociais no mundo contemporâneo, que envolve, ainda, o reconhecimento de todo o aparato
legal e administrativo das organizações e projetos sociais, torna-se imprescindível a formação específica
e o aperfeiçoamento constante dos gestores de projetos sociais, escopo no qual se insere o curso que
apresentamos neste e-book.

Oportunidades | 14
Conclusão
Inserido num contexto de alta complexidade, lidando com situações adversas e tendo como desafios a
promoção do desenvolvimento sustentável, especialmente em suas dimensões social e ambiental, o gestor
de projetos sociais deve desenvolver competências de diferentes ordens, seja político-sociológica, seja
administrativa, seja relacional, seja ligada à tomada de decisões e à liderança.

O curso de Gestão de Projetos Sociais foi planejado para


desenvolver profissionais que sejam capazes de planejar,
implantar e gerenciar projetos sociais que atendam às
demandas sociais e às políticas públicas de desenvolvimento
socioeconômico.

Voltado para profissionais graduados em Serviço Social, Ciências Sociais, Direito, servidores públicos
graduados em áreas afins, que atuem ou desejem atuar na área de gestão social, ampliando as possibilidades
de intervenção social pela implantação de projetos sociais, este curso está pautado em uma visão crítica das
questões sociais e, principalmente, da realidade nacional.

Além disso, a disposição curricular prioriza a abordagem dos fundamentos da organização e gestão do trabalho
social, alicerçando os conteúdos que tratam a gestão de políticas públicas e os mecanismos de participação
cidadã. Outro ponto que embasa este curso são as ferramentas que oferecem para a elaboração, planejamento,
execução, gestão e monitoramento de projetos sociais, atendendo às expectativas de propor políticas que
atendam às necessidades da sociedade.

Para saber mais sobre o curso, acesse o site portalpos.com.br/unopar.


Até breve!

Autor: Felipe Athayde Lins de Melo

Conclusão | 16
Referências

IAMAMOTO, Marilda V. O Serviço Social na contemporaneidade; trabalho e formação profissional. São


Paulo: Cortez, 1999.

IOSCHPE, E. 3º setor: desenvolvimento social sustentado. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 2000.

MONTAÑO, Carlos. Terceiro Setor e questão social. Crítica ao padrão emergente de intervenção social.
São Paulo: Cortez, 2002.

STIGLITZ, Joseph E. Os exuberantes anos 90. Uma nova interpretação da década mais próspera da
História. São Paulo: Companhia das Letras, 2003.

SPOSATI, Aldaíza de Oliveira; BONETTI, Dilsea Adeodata; YAZBEK, Maria Carmelita; CARVALHO,
Maria do Carmo Brant. Assistência na trajetória das políticas sociais brasileiras. Uma questão
em análise. São Paulo: Cortez, 2014.

Referências | 17

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