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UNIVERSIDADE EDUARDO MONDLANE

FACULDADE DE ENGENHARIA
DEPARTAMENTO DE ENGENHARIA CIVIL
CURSO DE LICENCIATURA EM ENGENHARIA CIVIL

1º ano – II Semestre
Física II
Tema: carga e descarga de Capacitores

Discentes: Docente
Nhafuma, Anuarite Aventina Valdemiro Sultane
Kezene, Pinto Biaca Pinto
Matavele, Paulo Simão
Uamba, Jorge
Nhantumbo, shelton
Samuel, Filócrates Domingos

MAPUTO

JANEIRO, 2022
1. Introdução

O objetivo deste relatório é relatar o experimento realizado em laboratório a respeito da


carga e descarga de um capacitor. Como já estudado, a carga do capacitor não aumenta
linearmente, e o experimento permite visualizar isso. Através da medição constante da
voltagem do capacitor foi possível obter dados que serão apresentados futuramente.

O experimento consistiu em conectar uma fonte, uma resistência e um capacitor em


circuito. A fonte possuía voltagem constante fornecida da rede elétrica, por isso o
capacitor podia carregar sempre a uma voltagem de 10 volts. Durante o experimento foi
possível observar como o carregamento do capacitor é muito mais rápido no início,
todavia quanto mais perto da carga de 10 volts, mais demorava para a carga do capacitor
aumentar. Da mesma forma no processo de descarga, no início, a descarga era rápida,
todavia ao longo do experimento foi ocorrendo de maneira mais lenta.

Essa demonstração prática permitiu melhor entendimento da teoria estudada em sala de


aula.

Objectivos

o Utilizar o gerador de sinais e osciloscópio para obtenção e leitura de sinais


elétricos.
o Observar a resposta transitória do circuito RC no processo de carga e descarga.
2. Teoria Básica

Em um experimento de carga de capacitor, o circuito é formado por uma associação em


série de uma capacitância (C) com uma resistência elétrica (R) e alimentado por uma
fonte de tensão e corrente contínua. Num resistor ôhmico, qualquer que seja o instante
de tempo, a tensão entre seus terminais é sempre proporcional à corrente que passa por
ele:

Resistor ôhmico: V ( t ) =Ri ( t )(1)

onde R é o valor da resistência, geralmente medida em ohms ( Ω ). A tensão num resistor


acompanha, portanto, variações na corrente. Já no capacitor, a tensão entre os terminais
não depende da corrente, mas da carga acumulada nas placas. De fato, se numa placa
temos uma carga +q e na outra uma carga – q, a tensão no capacitor é

q (t)
Capacitor :V ( t )= (2)
C

onde C é o valor da capacitância, geralmente medida em farads (F).

Em particular, estamos interessados em saber como variam com o tempo a carga q , a


diferença de potencial V C e a corrente i enquanto o capacitor está sendo carregado ou
descarregado. Partindo da lei das malhas, no circuito RC da figura 1, tem-se que:

Figura 1. Esquema de um circuito


RC em série.

A equação das quedas de tensão será:

q
ε −iR− =0 ( 3 )
C

No processo de carregamento, toda a carga transferida pela corrente vai acumulando no


capacitor; assim, a corrente será igual à taxa de crescimento da carga no capacitor:
dQ
i= (4 )
dt

Combinando as Eq. 3 e Eq. 4 obtém-se:

Q=Cε ( 1−e )(5)


−1
τ

Q I
ε
Cε R

RC t RC t

Figure 2. Acumulação de carga num capacitor e a resposta de corrente

Por sua vez no processo de descarregamento, toda a carga transferida pela corrente vai
saindo do capacitor; assim, a corrente será igual à taxa de diminuição da carga no
capacitor:

−dQ
i= (6)
dt

Combinando as Eq.3 e a Eq. 6 e introduzindo as condições iniciais, obtemos uma


equação diferencial para a carga em função do tempo que ao ser solucionada resulta:

−1
τ
Q=Q O e (7)

Q
I
QO
QO RC

RC t RC t

Figure 1 Decaimento de carga num capacitor e a resposta de corrente

A constante τ , com unidades de tempo, designa-se constante de tempo. É o tempo para


que o capacitor carregue ou descarregue da carga total. Esta, cujo valor é igual a RC.
3. Descrição da Experiência
a) Material
i. Resistores ( R1 = 27k Ω, R2 = 33k Ω, R3 = 47k Ω)
ii. Capacitor (C = 470μF)
iii. Dois Multímetros
b) Procedimento Experimental
Com a aprovação do professor, montou-se um circuito RC (circuito de resistores e
capacitores), como ilustra a figura abaixo.

Figure 2 representação do circuito RC montando

Ligou-se à resistência consumidora, um multímetro para leitura da corrente DC na


malha II, mediu a tensão do capacitor a fim de verificar se este estava totalmente
descarregado. ajustou-se a fonte para 10V, ligou-se a mesma e, com o auxílio de fios
condutores, transmitiu-se a corrente para o circuito. Simultaneamente a isso, iniciou-se
o cronômetro e utilizou-se o multímetro para fazer a medição da tensão do capacitor.
4. Apresentação e discussão dos resultados

Enquanto o capacitor era carregado pela corrente proveniente da fonte, os dados de


tensão eram anotados a cada 5 segundos até que o capacitor se estabilizou em uma
tensão próxima a 10V, indicando que este estava completamente carregado. Os dados
abaixo ilustram o processo de carregamento do capacitor:

t (s) 0 5 10 15 20 25 30 35 40 45
Vc 0 2,464 4,506 5,523 7,030 8,030 8,820 9,410 9,920 10,00
Tabela 1 dados colhidos do processo de carregamento do capacitor

Com base nas Eq.3 e Eq.6 podes escrever:

−1
−ε τ
i (t )= e (8)
R

quando a chave é fechada, inicia uma corrente que percorrerá o circuito. Elétrons
ficarão sendo acumulados nas placas do capacitor de modo que sua carga vai
aumentando enquanto houver corrente no circuito e até que ele atinja um estado estável
em que a diferença de potencial entre as duas placas do capacitor é muito próxima à
diferença de potencial fornecida pela fonte. Pode-se perceber então, que a corrente do
circuito irá diminuir e a tensão do capacitor aumentar. A R1 funcionara com se fosse
uma resistência interna a fonte, limitando assim energia fornecida por esta.

Com o auxilio dos dados da tabela acima e substituindo os valores de t ponto a ponto e
achando-se os valores de i(t), foi construído o gráfico abaixo:

Vc e Ic
12

10

0 t (s)
0 5 10 15 20 25 30 35 40 45 50
tensao no capacitor (V)
corrente no capacitor (

Figure 3 gráfico da Tensão e corrente no capacitor em funções do tempo


Após a estabilização do capacitor em 10V, comutou-se a chave do circuito e
simultaneamente reiniciou-se o cronômetro, novamente medindo a tensão a cada 5
segundos. Tendo sidos obtidos os seguintes resultados.

t (s) Vc t (s) Vc t (s) Vc t (s) Vc


5 9,20 45 1,439 85 0,246 125 0,047
10 7,25 50 1,139 90 0,200 130 0,033
15 5,79 55 0,902 95 0,160 135 0,027
20 4,569 60 0,715 100 0,129 140 0,023
25 3,603 65 0,582 105 0,106 145 0,020
30 2,881 70 0,478 110 0,0860 150 0,017
35 2,273 75 0,382 115 0,070 155 0,014
40 1,796 80 0,309 120 0,0580 160 0,012
Tabela 2 dados colhidos do processo de descarregamento do capacitor

Se, com o capacitor carregado, a chave comutadora S for ligada nu outro ponto, o
processo de descarga do capacitor ocorre através da resistência R2. De fato, com a chave
nesta posição, o circuito é fechado sem que a fonte de tensão contínua participe do
processo de descarga.

Com base nas Eq.3 e Eq.5 podes escrever:

−1
ε τ
i ( t )= e
R

Com base no gráfico podemos observar que a corrente e tensão no capacitor tendem a
zero quando t → ∞ , isso porque nessa posição a carga presente no capacitor flui (sai) do
capacitor visto que não há fonte para impor uma certa ddp no capacitor.
Vc e Ic
12
10
8
6
4
2
0
0 20 40 60 80 100 120 140 160 180
t(s)
tensao no capacitor (V)
corrente no capacitor (

5. Conclusão
Comparando os aspectos dos gráficos de carga e de descarga com os aspectos ideias
(abaixo), percebe-se que o gráfico de carga difere bastante do estado ideal, e isso se dá
por diversos motivos:
o Mal contato existente no circuito, ocasionando uma leve descarga;
o Imprecisão dos aparelhos utilizados para coletar a diferença de potencial nos
períodos corretos;
o Erros humanos de anotação dos dados;
Apesar desses erros acabarem influindo consideravelmente no resultado e análise de
dados do experimento, ainda pode-se verificar a relação de crescimento da carga do
capacitor com o tempo, até que se atinja uma certa saturação. E com a descarga,
comprovar a dissipação da carga armazenada no capacitor no resistor acoplado ao
circuito, atingindo assim os objetivos gerais do experimento.

Figure 4 situação ideal dos gráficos de carga e descarga


6. Referências Bibliográficas
HALLIDAY, D., RESNICK, R., WALKER, J., Fundamentos de física. 7a edição, vol.
2, editora LTC, 2006.
CARGA E DESCARGA DE UM CAPACITOR. Disponível em:
<http://www.facip.ufu.br/sites/facip.ufu.br/files/Anexos/Bookpage/fe3-06-carga-e
descarga-de-um-capacitor.pdf>. Acesso em: 20 jan. 2022.

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