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A doença a partir da consciência

Trabalho elaborado por Irish Light

Ponto de Reflexão do Terapeuta


No início da adolescência desenvolvi uma doença genética chamada Doença Celíaca. É uma
enteropatia ao Glúten, uma substância encontrada em cereais como o trigo, a cevada, o centeio, a
aveia e o malte. Para além desta doença simultaneamente desenvolvi alergia à carne e ao milho.
E intolerância aos leites animais. Para detetar este problema foram necessários alguns anos. Os
meus sintomas não eram compreendidos pelos médicos no hospital da cidade onde eu morava.
Pelo que por minha conta resolvi pesquisar e tornar-me na minha própria cobaia. Selecionava
alimentos, fazia jejuns e introduzia lentamente determinado alimento para analisar qual a reação.
Após descobrir mantive-os à distância e escolhi para mim os que restavam. Desta forma tornei-me
vegetariana. Aprendi a cozinhar, a amar o alimento e a ser uma defensora da alimentação
saudável. Já na Universidade após conflitos familiares desenvolvi Frutossemia, uma doença
genética raríssima: intolerância á frutose, pelo que me estavam proibidos todos os legumes e frutas.
A dieta ficou muito complicada durante uns meses até que os sintomas mesmo com jejum
persistiam. Foi-me diagnosticado uma intolerância generalizada a todo o tipo de substâncias e
alimentos. Os valores de uma infeção sistémica disparavam assim que comia algo. Não havia
mais como fugir, não podia comer sob pena de desenvolver uma infeção sistémica. Vivi a soro
muito tempo mas emagrecia a cada dia até o médico ser sincero comigo e me esclarecer que não
sabiam como resolver o problema pois deveria ser uma nova doença raríssima. Percebi que ia
morrer e o meu mais desafio era compreender que era uma situação real e não um sonho.
Despedi-me de todas as pessoas, dos lugares que amava, dos objetos, dos animais, das árvores, de
tudo e apercebi-me nessa despedida que havia uma situação da minha vida que eu não tinha
perdoado. Por volta dos meus 14 anos fui violada por um rapaz amigo da minha família e
mantive a situação em segredo sob ameaça e medo. Eu queria perdoar a pessoa que me tinha
feito mal, acreditava que se morresse sem perdoar alguém poderia permanecer presa à terra e au
não queria isso. Nessa situação procurei uma terapeuta que me ajudou nesse processo. Esperando
morrer, não morri, pois passadas 2 sessões comecei a comer normalmente após o perdão. Desde esse
dia até hoje nenhuma alergia, intolerância ou doença genética existem em mim. O médico não
soube em que acreditar quando as análises lhe mostraram que não havia registo dos marcadores
genéticos da doença celíaca, da frutossemia, nem sinal de intolerâncias. Aprendi que para tudo de
desagradável que nos surja deve haver um perdão da nossa parte. Nada é injusto nesta vida,
tudo tem uma sabedoria implacável por trás que a vida nos vai ensinando a decifrar. A
intransigência com atitudes de outros, a vitimização, a necessidade de colocar o erro sobre os
ombros do outro foram lições muito importantes para mim. Na realidade esta situação foi o
melhor presente que a vida me podia ter dado. Estou em profunda Gratidão!
Vejo todo o acompanhar dependente do intuito do paciente. Levá-lo a entender que não é um
fracasso estar doente, não é um fatalismo ter cancro. Toda a doença ou desarmonia é somente um
alarme, uma chama de atenção por parte de outras instâncias do ser humano para que seja
alterado algo. E prosseguir investigando as causas subjacentes à doença, acompanhando o
processo de auto-conhecimento, oferecendo ferramentas para conviver com a doença e a melhor
postura para a transcender. Lutar contra a doença é na verdade lutar contra a chamada de
atenção, é na verdade ignorar o alarme. A ideia é fazer as pazes com a doença, acarinha-la e
agradecer ao corpo a chamada de atenção. Incrementar a noção de que somos um instrumento
tão perfeito e sensível que a menor somatização revela a voz da alma. Incentivar a adotar ou a
descobrir como desenvolver o seu amor ou prazer na vida é das premissas mais importantes para
alguém doente.

Na verdade adoecemos muito antes da expressão física da doença. Acredito que a doença é o
resultado da incapacidade que se tem de equilibrar a energia (mental, emocional, espiritual).
Toda a incapacidade é ilusória, na verdade o que há é não-domínio. A pessoa que não domina o
seu pensamento, que não domina a sua emoção é levada para o carrossel das paixões e da paixão
egoica advém sempre a desarmonia. O equilíbrio do que somos e das nossas expressões é um
processo que gera saúde e bem-estar. Para chegarmos ao equilíbrio é necessário aproximarmo-nos
de valores como o Amor, a Paz, a Aceitação e sermos detentores das suas qualidades superiores.
Acredito que seja muito mais fácil manter a saúde do que perdê-la. Há um esforço necessário para
gerar doença, que é o esforço do bloqueio, da resistência. Já a saúde não necessita de esforço
algum, o ser apenas se permite ser sustentado pelo Universo.

Toda a doença é um Mestre. Os seres de grande sabedoria também têm ensinamentos valiosos a
retirar dela. No entanto também existem desarmonias em seres evoluídos, ninguém encarnado
está livre de desarmonizações. Para além destas razões sabemos que tem de haver uma
justificação para que o corpo pereça e a alma se liberte, uma destas justificações é a doença.
Eu vejo a morte como uma outra parte da Vida, um processo igualmente válido onde a existência
do Ser é preservada.

Em Amor,
Eu Sou Irish Light!

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