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CURSO DE PÓS-GRADUAÇÃO LATO SENSU

NÚCLEO DE PÓS-GRADUAÇÃO E EXTENSÃO – FAVENI

SOCIOGRAMA: INTERVENÇÃO NEUROPSICOPEDAGÓGIC


TRATANDO DA CONVIVÊNCIA EM CONTEXTOS COLETIVOS

ESPÍRITO SANTO
SUMÁRIO

1 O que é um sociograma? ................................................................... 3

1.1 O indivíduo e a organização de trabalho ..................................... 5

1.2 O teste sociométrico .................................................................... 9

2 TÉCNICA SOCIOMÉTRICA ............................................................. 14

2.1 Utilidade .................................................................................... 18

2.2 Procedimento ............................................................................ 19

2.3 Processamento de dados .......................................................... 20

2.4 Exemplos de aplicação.............................................................. 23

2.5 Outras aplicações ...................................................................... 26

3 A NEUROPSICOPEDAGOGIA ........................................................ 26

3.1 O Atendimento e Acompanhamento Psicopedagógico ............. 27

3.2 Um salto para a Neuropsicopedagogia ..................................... 28

3.3 O que é o Diagnóstico Neuropsicopedagógico? ....................... 29

3.4 Instrumentos de Avaliação Neuropsicopedagógica ................... 30

3.5 Acompanhamento Neuropsicopedagógico ................................ 30

3.6 A Neuropsicopedagogia: ........................................................... 31

3.7 A Psicopedagogia: .................................................................... 31

3.8 Desenvolvimento maturacional ................................................. 31

3.9 Mielinização ............................................................................... 32

3.10 Lateralidade das funções ....................................................... 32

3.11 Hemisfério esquerdo .............................................................. 32

3.12 Hemisfério direito ................................................................... 32

3.13 Plasticidade ............................................................................ 33

3.14 Fatores ambientais ................................................................. 34

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3.15 Fatores culturais..................................................................... 34

3.16 Função atencional .................................................................. 34

3.17 Bases neurais da atenção ...................................................... 35

3.18 Hemisfericidade ..................................................................... 36

3.19 Hemisfericidade e uso da linguagem verbal e não verbal ...... 36

3.20 Especialização hemisférica .................................................... 37

4 BIBLIOGRAFIA ................................................................................ 38

2
1 O QUE É UM SOCIOGRAMA?

Um sociograma é uma técnica que, através da observação e da


contextualização, apresenta sob a forma de um gráfico as várias relações entre
os sujeitos que formam um grupo. Deste modo, consegue explicitar os
vínculos/laços de influência e de preferência que existem nesse mesmo
conjunto.

O sociograma é um instrumento que, quando corretamente aplicado,


mostra o modo como os indivíduos de um grupo se relacionam uns
com os outros, se existem subgrupos dentro do grupo principal (ou
“panelinhas”) e se alguns membros estão socialmente isolados. Desta
forma, o sociograma promove um mapeamento do grupo, sendo um
medidor da coesão social. (Weinberg & Gould, 2006).

A integração e a interação são fatores essenciais num grupo e contribuirão


para que a coesão se desenvolva. A coesão está diretamente relacionada aos
sentimentos de pertencimento e valor no grupo e à relação de união entre os
membros, ao perseguirem um mesmo objetivo. (Rubio, 2007)
Em grupos esportivos a coesão é um dos fatores determinantes da
performance. No entanto, isso não significa que equipes com relações
conflituosas serão sempre malsucedidas. Uma equipe coesa de futebol possui
maiores chances de sucesso dentro do campo do que aquela que se encontra
dividida, devido a essa forte relação coesão-desempenho. (Rubio, 2007)

"Um sociograma é considerado bom quando é legível. Para tal, a


quantidade de linhas que se cruzam deve ser reduzida ao mínimo.
Quanto menor o número destas linhas, tanto melhor será o
sociograma. Após a coleta e a tabulação das escolhas, comece o
sociograma pelas pessoas mais escolhidas. Coloque-as em suas
formações naturais – três pessoas em um triângulo, quatro em um
quadrado, cinco em um pentágono etc., bem separadas no papel. A
existência de subgrupos deve ser observável no desenho" (Moreno,
1992b, p. 26).

Os sociogramas são usados para explicar a estrutura de uma


organização, seja esta grande ou pequena. Também se trata de uma ferramenta
que permite analisar o funcionamento das redes fraudulentas, por exemplo.
O sociograma é uma técnica sociométrica, ou seja, uma técnica que
permite medir / avaliar as relações sociais entre os integrantes de um grupo

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humano, onde os respectivos elementos se conhecem, têm objetivos em comum
e se influenciam mutuamente.
Graficamente, um sociograma representa as relações interpessoais
através de pontos (os indivíduos), os quais estão ligados por uma ou mais linhas
(as relações interindividuais).
O gráfico obtido permite visualizar as relações de afinidade, detectar
subgrupos dentro do grupo principal e localizar os líderes sociométricos (as
pessoas mais influentes). Desta forma, consegue-se atuar sobre o grupo para
ativar potenciais vínculos/laços ou desativar os já existentes.
O sociograma é, portanto, uma ferramenta bastante usual na área da
sociologia, que é a ciência que estuda os grupos sociais. Com este tipo de
técnicas, a sociologia analisa as relações que os sujeitos mantêm uns com os
outros e com o sistema, e o grau de coesão que existe na estrutura social.
Os métodos da sociologia podem ser qualitativos (com descrições
detalhadas de situações, comportamentos e pessoas) ou quantitativos (quando
dizem respeito a características e variáveis que possam ser representadas por
valores numéricos).
Estudos no campo da sociometria fundamentam-se na Psicologia e na
Sociologia. A sociometria, segundo Alves, compreende o teste sociométrico, que
é uma técnica diagnóstica, e o psicodrama e sociodrama, que são técnicas
tipicamente terapêuticas.
Este trabalho focaliza apenas o teste sociométrico. Teoricamente, é uma
técnica muito defendida pela sua plasticidade e sistematicidade na exploração
da estrutura e dinâmica de grupos sociais; entretanto, o seu uso em grupos de
trabalhadores não tem sido muito difundido. Assim, o objetivo deste estudo é
mostrar aos administradores de recursos humanos uma experiência da
aplicação desse teste num grupo de empregados recém-admitidos numa
Unidade da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária-EMBRAPA, visando
a subsidiar o processo de integração desses novos membros à organização.
O questionário foi aplicado em 1987, ao final de um treinamento
introdutório, cuja programação envolvia ações informativas, interativas e de
levantamento de opiniões para que esses empregados se conhecessem melhor,

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tivessem uma visão do sistema EMBRAPA e desenvolvessem atitudes de
cooperação e de comprometimento com o cargo e com a organização a que se
vincularam.
A análise focaliza três estruturas do grupo, criadas a partir dos critérios
estabelecidos no questionário. Na primeira, pode-se observar como ocorrem as
primeiras relações interpessoais num grupo novo; na segunda, como poderão se
reestruturar; e na terceira, como são identificados os prováveis líderes para
situações de trabalho.
O teste sociométrico tem apoio nas Ciências Sociais, especialmente na
Psicologia de Grupos, com o auxílio de Métodos Quantitativos. Não se pretende
aqui fazer um estudo exaustivo sobre o assunto, mas discutir alguns conceitos
básicos para compreensão do tema.

1.1 O indivíduo e a organização de trabalho

O homem vive agregado por uma questão natural de sobrevivência. Ele


tem necessidades e desejos que o levam a associar-se a outros, formando
grupos e neles interagindo, para atingir objetivos comuns.
Esse é o pressuposto de toda constituição grupal e é a força que impele
as pessoas à coesão, mesmo tendo elas características, hábitos, atitudes,
valores, aspirações e sentimentos individuais.

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Fonte: slideplayer.com.br

Há diferenças nítidas entre grupo social e relações sociais em geral.


Todos os grupos são constituídos de relações sociais, mas nem todas as
relações sociais constituem grupos. As relações sociais variam desde interações
tênues e transitórias, até mesmo as permanentes, como no caso de amigos de
infância, mas sem comprometimento com objetivos. Os grupos sociais têm como
característica principal a cooperação para a consecução de propósitos comuns,
o que não exclui antagonismos entre os membros.
A família, a escola, a igreja, o clube são alguns exemplos de grupos
sociais, dos quais os homens são chamados "átomos sociais". Eles,
necessariamente, se relacionam num sentido negativo ou positivo, formando
uma rede de interações e demonstrando a hierarquização que existe em todo
grupo social.

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Fonte: slideplayer.com.br

Não haveria sociedade sem interação. A interação se baseia na


comunicação (que não significa apenas manifestações verbais, mas qualquer
símbolo que seja entendido por um mínimo de membros do grupo) e é regulada
por determinados padrões, que constituem os direitos e obrigações ou regras de
comportamento do grupo.
A organização de trabalho é também um grupo social que, na
conceituação de Katz & Kahn, "é um dispositivo social para cumprir
eficientemente, por intermédio do grupo, alguma finalidade declarada...".
Considerada assim, e sob o ponto de vista sistêmico, ela congrega diferentes
subgrupos, com características específicas, os quais criam a sua própria cultura,
mas, na medida em que os objetivos desses subgrupos convergem para as
finalidades organizacionais, eles, necessariamente, interagem, harmonizam-se
e amoldam-se, modelando uma cultura geral.
Por isso, pressupõe-se que o indivíduo ingressa numa organização por
uma opção própria, de acordo com os requisitos estabelecidos por ela. Isso
significa que a escolha é feita, em primeiro lugar, pelo indivíduo, que dificilmente
irá trabalhar numa organização com a qual não mantenha um grau mínimo de
afinidade, seja pelo lado profissional ou pela concepção de vida.

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A integração de indivíduos à organização não se dá simplesmente pela
palavra, isto é, através de palestras, orientações e instruções, por ocasião do
ingresso de recém-admitidos "para que vistam a camisa da empresa". Essas
técnicas de treinamento são importantes, mas produzem efeito muito mais
emocional do que cognitivo.
A verdadeira integração poderá iniciar-se com tais atividades de
treinamento, mas é um processo mais cultural do que instrucional, que se
consolida através de ações positivas de ambas as partes e que se traduz por
uma postura filosófica de elevado grau de comprometimento do empregado com
a organização, por ser ela um meio para satisfazer suas necessidades básicas
e de auto realização, e da organização com o empregado, por ser ele o seu
principal insumo de produção e eficiência.
O homem é uma unidade psicossocial, que tem valores próprios, e
interesses e expectativas conforme esses valores. Mesmo assim, procura
adaptar-se a situações de trabalho.
A integração do empregado ao grupo e à organização é, portanto, uma
decorrência do seu sistema de valores e do seu papel ocupacional. Por outro
lado, há uma série de bloqueios que podem dificultar a sua integração, tais como:
desconhecimento dos companheiros, insegurança com relação ao seu grau de
sociabilidade ou ao que lhe será exigido pelo grupo, temor de não ser aceito,
sentimento de inferioridade por razões de posição social, educação e até mesmo
modo de trajar.
Há muitos outros bloqueios e frustrações que podem atuar muito
fortemente no consciente ou inconsciente do indivíduo, inibindo-o de se integrar
plenamente no grupo.
Nesse sentido, Beal, Bohlen & Raudabaugh dão a seguinte sugestão:

"Para se tornar um membro eficiente, a pessoa deve analisar-se e lutar


contra esses bloqueios e frustrações. Um dos deveres dos membros
de grupos democráticos sólidos é ajudar os outros a se analisarem
objetivamente a fim de que possam sobrepujar suas limitações e,
desse modo, participar mais eficientemente do trabalho grupal".

De qualquer modo, a formação de grupos é um processo complexo, dado


que certo número de pessoas, com suas forças internas positivas ou negativas

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(objetivos, valores, aptidões, inibições, fobias), se transforma num grupo
produtivo, segundo objetivos comuns.
A dinâmica de um grupo é, portanto; resultante da atuação dessas forças
internas (das individualidades) e externas (ambientais) na busca da integração,
da harmonia e da coesão, fazendo com que a interação seja uma necessidade
constante na vida do grupo.
Nas organizações de trabalho, nota-se uma crescente preocupação com
a dinâmica de grupos ou relações interpessoais, especialmente naquelas onde
há subculturas bastante diferenciadas, como é o caso da EMBRAPA.
Um dos recursos que a literatura sugere para explorar esse aspecto é a
sociometria, técnica desenvolvida por Moreno, que encontrou nos Estados
Unidos um ambiente propício para o seu desenvolvimento inicial, visto que a
situação política daquele país, após a Segunda Guerra Mundial, oferecia um
campo sociológico aberto a qualquer experiência nova.

1.2 O teste sociométrico

Segundo a literatura especializada, a sociometria foi criada por Jacob L.


Moreno, romeno, que nasceu em 1892 e se radicou nos Estados Unidos a partir
de 1925. Ele é o autor da obra Fundamentos da Sociometria (cujo nome original
é Who shall survive?), onde diz que a sociometria possui três pontos de
referência: socius - o companheiro; metrum - a medida; e drama - a ação;
resultando três áreas de investigação: o grupo, a medida e a ação no campo
social.
Na sua conceituação, o teste sociométrico é um recurso exploratório
extremamente útil para estudar as estruturas sociais num dado momento, à luz
das atrações, repulsas e sentimentos manifestados no interior do grupo. Afirma,
ainda, que uma das principais preocupações dessa técnica é medir a intensidade
e a expansão das correntes psicológicas que se irradiam nos grupos sociais.
Para Alves, os dados sociométricos podem ser provenientes de dois tipos
de teste:

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Do teste de projeção sociométrica - que fornece a imagem do indivíduo
para o grupo e do grupo para o indivíduo;

Fonte: encrypted-tbn0.gstatic.com

Do teste de percepção sociométrica - que fornece a forma pela qual o


próprio indivíduo se percebe e sente que é percebido pelo grupo.

Fonte: 2.bp.blogspot.com

Essa nomenclatura expressa melhor a classificação, do que as


nomenclaturas propostas por Bastin e Northway.

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Weil et alii afirmam que o teste sociométrico é um instrumento dinâmico
utilizado "para observar, descrever e medir a coesão grupal, ou seja, a rede de
relações entre os participantes".
Esse teste consiste, basicamente, de um simples questionário, onde se
pede a cada membro para escolher, no grupo a que pertence ou a que poderia
pertencer, os indivíduos que gostaria de ter como companheiros, isto é, de a eles
se associar em situações específicas.
As questões podem ser formuladas de maneira a atender propósitos
diversos de relacionamento interpessoal. Daí porque os diferentes critérios de
escolhas podem produzir estruturas diferentes de um mesmo grupo.
As respostas dadas (escolhas, preferências ou opções) constituem,
inicialmente, a sociomatriz e, em seguida, um gráfico denominado sociograma,
onde passam a ter mais sentido pela representação conjunta.
Para Alves, a sociomatriz ou matriz sociométrica é mais um instrumento
de análise do que de síntese, visto que "nos apresenta com clareza os totais das
indicações realizadas nos grupos e no entanto nos dá apenas uma vaga ideia
das inter-relações dos componentes do grupo".
Faz, também, referência ao sociograma, dizendo que ele "nos dá uma
visão sintética dos grupos, permitindo uma perspectiva mais adequada da
dinâmica dos mesmos, que é mais do que a simples soma das ações dos
componentes".
Sintetizando, pode-se dizer que a sociomatriz é um quadro de dupla
entrada para quantificação das respostas, e o sociograma é a representação
gráfica desse quadro ou a fotografia de "quem é quem" dentro do grupo. Nele se
realçam:
A dinâmica de um grupo e a posição de cada um de seus membros
(átomos);
Os indivíduos mais populares e os possíveis líderes para situações
diversas;
Os subgrupos e as "panelinhas" ou "igrejinhas" (grupinhos fechados);
O grau de aceitação ou não dos membros por seus pares;

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Fonte: opsicologoonline.com.br

a) As relações existentes entre os membros, quer sejam afetivas (simpatia,


amizade...) ou conflitivas (antipatia, ódio, rivalidade...), bem como a
neutralidade ou inexistência de relações (indiferença);

Fonte: www.dge.mec.pt

b) A integração ou desintegração dos membros e o grau de coesão existente


no grupo.

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Fonte: www.assedioorganizacional.com.br

Como diz Bastin, essa técnica encontrou na Psicologia de Grupos o seu


campo ideal de aplicação

"... pelo jogo incessante das interações individuais e grupais, e também


pelo jogo das forças exteriores, é, por excelência, a sede de
transformações contínuas: transformações no plano dos indivíduos
como dos subgrupos, transformações no plano estrutural de todo o
grupo. É o que Kurt Lewin designou por dinâmica do grupo".

Na vida de um grupo, os sentimentos e as interações não circulam


uniformemente, fato este que Teles denomina de "Lei Sociodinâmica: poucos no
centro e muitos na periferia".
Assim, num gráfico sociométrico, os membros que recebem um maior
número de votos ou escolhas são chamadas estrelas e são os possíveis líderes
do grupo com relação ao aspecto explorado.
Na estrutura grupal, há outras figuras distintas que, na classificação de
Teles, se denominam:
- Esquecidos: são os membros que votam, têm participação no grupo,
mas não recebem votos, por serem inexpressivos;

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- Companheiros: são os que se situam entre os líderes e os esquecidos.
Eles constituem a sustentação do grupo, uma vez que são, geralmente,
escolhidos por estes e por aqueles. E deles que resulta o clima de cooperação
ou de hostilidade gerado dentro de um grupo. São, como diz o referido autor:
"... a matéria-prima que a liderança vai usar";
- Isolados: são os membros que não são escolhidos e que também não
escolhem. Geralmente estão situados na periferia do sociograma.
Assim, a hierarquia está sempre presente em todo grupo social, seja ele
grande ou pequeno.

2 TÉCNICA SOCIOMÉTRICA

A técnica sociométrica, quando se vale fundamentalmente sociograma, é


um meio de provocar respostas de membros de um grupo relativas ao que
pensam e sentem uns dos outros.

Fonte: www.researchgate.net

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O termo "sociométrico" tem sido utilizado em relação a técnicas e testes
criados por Moreno (1954), como o psicodrama, a testagem de interação e o
teste sociométrico ou sociograma de que vamos tratar.
Um sociograma possibilita informações sobre o ajustamento social de
grupos. Quando empregado pelo professor, traz uma imagem objetiva (gráfica)
do relacionamento interpessoal existente na sala de aula.
Moreno determinou seis estipulações para seu emprego:
- O grupo deve ser bem definido e as escolhas e rejeições limitadas aos
membros do grupo;
- Devem ser dadas oportunidades para escolhas e rejeições a todos os
membros do grupo conforme seus desejos;
- Devem ser proporcionados critérios definidos nos quais os sujeitos
possam basear suas escolhas e rejeições;
- Os dados sociométricos devem ser realmente utilizados para
reestruturar o grupo e os membros do grupo devem ser informados disso;
- Os membros do grupo devem fazer suas escolhas privadamente, e
- As questões devem ser preparadas de tal modo que sejam bem
compreendidas pelos membros do grupo.
A forma mais simples de aplicação do teste sociométrico, na sala de aula,
é a seguinte:
- Solicitar oralmente, ou por escrito, ao aluno, que escreva em uma folha
de papel, individualmente:

1º - os nomes de três colegas com os quais gostaria de trabalha junto, por ordem
de preferência;
2º - os nomes de três colegas com os quais gostaria de passear (divertir,
brincar) junto, também por ordem de preferência.

(Pode-se também, ao invés de solicitar os nomes de três colegas, solicitar


os de quatro ou cinco, mas isto dificulta a montagem do sociograma. Alguns
autores complementam as questões anteriores - de aceitação - com questões de

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rejeição, como: indique o nome de três colegas com os quais você não gostaria
de trabalhar ou passear).
- Organizar, após, com base nas respostas dos alunos, uma matriz. -
Montar, tomando como referência a matriz, o sociograma.

A interpretação do sociograma é muito fácil. Basta constatar visualmente:

- As escolhas mútuas;
- Os alunos isolados;
- Os alunos mais escolhidos;
- Os grupos fechados.

Fonte: www.psicologiaparacuriosos.com.br

Toda a escolha é representada, por exemplo: Maria escolheu Janira. A


escolha mútua é simplesmente representada, por exemplo: Paulo e João, ou
seja, estes alunos se escolheram mutuamente.
Quando o professor visa os objetivos no domínio afetivo (desenvolvimento
sócio emocional) a aplicação do teste sociométrico em períodos determinados é

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muito útil. Pode ele então comparar as mudanças comportamentais ocorridas no
grupo da sala de aula e no aluno, em particular.
A sociologia é uma das ciências que estuda a sociedade por si só. Ela é
uma entidade dinâmica composta pela soma de pessoas. Existem diversas
ferramentas possíveis para estudar a sociedade. Por exemplo, é possível utilizar
um sociograma para obter a informação necessária de um grupo social. O
sociograma é uma técnica simples em forma de gráfico que serve para mostrar
a estrutura de um grupo social, seja ele amplo ou reduzido.
Para utilizar o sociograma no estudo de um determinado grupo é
importante que exista um elo comum entre os seus membros com o objetivo de
estabelecer semelhanças. O gráfico permite compreender melhor as afinidades
entre os membros do grupo. Em que setores se utilizam com mais frequência a
ferramenta do sociograma? Este método costuma ser utilizado no plano
educativo.
O sociograma é uma técnica fantástica de análise de dados que mostra
uma realidade objetiva. Centraliza sua atenção de forma particular no modo
como se estabelecem os vínculos afetivos dentro de um grupo.
Como citado anteriormente, através do uso do sociograma também é
possível obter importante informação sobre as relações que as crianças
estabelecem com as outras dentro de uma sala de aula. Por exemplo, permite
identificar quem é a líder do grupo e quais são as crianças mais populares e com
maior nível de influência através de suas palavras e ações.
Do contrário, também é possível identificar as crianças que mais sofrem
com seus colegas e a consequente baixa autoestima. O conhecimento da
realidade é fundamental para poder fazer algo a respeito, como também o papel
dos professores como adultos e responsáveis que são.
Que tipo de pergunta pode ser inclusa num questionário deste tipo?
Por exemplo, as perguntas:
 Quais são os colegas que você gosta de trabalhar em grupo?
 Quais colegas você prefere brincar na hora do recreio?
 Quais são os colegas que você considera os mais simpáticos?

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Definitivamente, o sociograma também inclui a elaboração de
questionários com perguntas que contém informação de valor para interpretar a
realidade com objetividade.
O sociograma é uma técnica de análise de dados que concentra a atenção
sobre como os laços sociais são estabelecidos dentro de qualquer grupo.
Uma ligação social é um conjunto de relações sociais estabelecidas entre
duas ou mais pessoas, que em conjunto resulta em um grupo de interação social,
isto é, quando vários membros estabelecer laços sociais entre eles, formando
um pequeno grupo social, e o lugar específico de um membro, quer em relação
à interação do grupo ou o grupo em geral é conhecido como posição social.
Assim, através da aplicação de um teste Sociométrica Sociograma ou em
um grupo de escola, o professor pode ter conhecimento de como o grupo é
socialmente relacionam uns com os outros, bem como as vantagens e o impacto
que esta interação tem em cada uma das crianças individualmente; isso é útil no
trabalho dentro o grupo, porque muitas vezes o grau de integração de uma
criança afeta diretamente o seu desempenho.

2.1 Utilidade

Como resultado da aplicação do sociogramas, os professores podem:


Identificar as crianças que são rejeitadas pelo grupo, ou que têm
dificuldade em integrar as duas atividades e tempo de jogo.
Reconhecer as crianças que trabalham como líderes, ou seja, a mais
aceita e que têm maior influência sobre o grupo, o que representa uma vantagem
para socorro para orientar o grupo positivamente auxiliar para aquelas
desvantagens, etc.

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Fonte: www.minutopsicologia.com.br

Detectar os diferentes grupos de interação social e, assim, descobrir a


presença de facções dentro do grupo.
Deve aplicar este teste no início do ciclo (no caso do primeiro grau, eu
sugiro levar um tempo considerável para que as crianças encontram e um
resultado mais preciso é observada) para a detecção precoce de dificuldades
sociais, e no fim de um tempo estimado trabalhar para ver os resultados, por
exemplo, o fim do ano escolar.

2.2 Procedimento

Para obter as informações necessárias, a aplicação de um grupo


questionário simples, é necessária, em que as crianças vão eleger um de seus
colegas, dependendo da pergunta.
Existem 3 perguntas que dizem os professores que são os líderes de
aceitação em jogo e o trabalho da escola, bem como o grupo mais rejeitados são

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geralmente aplicadas. Embora possa ter outras aplicações que serão explicadas
mais tarde. Pessoalmente, eu usei este teste para conhecer outros aspectos
sociais do grupo, além de círculos de amizade.
Perguntas vulgarmente utilizados são os seguintes (mas podem ser
adaptados ao nível de cada grupo):
 Quem de seus colegas que você gosta de jogar?
 Quem de seus colegas você gosta de trabalhar em equipe?
 Quem de seus colegas não gostam de ficar juntos? (Você também pode
aplicar duas questões, a saber que não trabalha e outro de saber que não
joga).
Importante crianças que suas respostas devem ser secretas, e que
nenhum dos seus companheiros devo dizer que será selecionado para uma
determinada questão, a fim de obter uma maior confiança nos resultados; se
possível, é preferível aplicar cada questionário individualmente.
Cada questão deve ser respondida apenas com um nome, não pode ter
mais de dois filhos para responder a uma pergunta, nem são respostas válidas
como "amigos" ou "aqueles que eu gosto deles" ou escolher uma criança
pertencente a outro grupo, como o irmão, por exemplo; você deve especificar o
nome da criança selecionada.

2.3 Processamento de dados

Fonte: encrypted-tbn0.gstatic.com

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As respostas das crianças devem ser registradas em uma lista, usando
números como uma lista de referência, e ao lado de cada nome na lista, os
números devem ser colocados a cada criança que tenha escolhido. A lista deve
ser realizada para cada pergunta.
Uma vez registados todos os dados, é facilmente observável a partir das
listas que o aluno ou alunos, mais aceitos e / ou mais rejeitado pelo grupo. No
entanto, deve haver um gráfico que pode exibir um resultado mais práticos e
diretos.
Uma forma de representar graficamente estes dados é através de um
padrão de círculos concêntricos, geralmente 3, como mostrado no exemplo,
onde o círculo central serve para localizá-lo, ou aqueles que foram eleitos mais
vezes, e o círculo mais é onde eles estão localizados fora que foram escolhidos
com menos frequência, ou em qualquer ocasião. Ou seja, mais o centro de uma
criança, maior a aceitação / rejeição pelos pares está localizado, depende da
questão em apreço.

Fonte: image3.slideserve.com

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No gráfico, os seguintes símbolos. Eu tenho usado repetidamente
aparece, cada figura tem uma função específica que lhe diz o professor todos os
dados importantes:

Fonte: br.monografias.com

Os símbolos que representam o grupo, o triângulo representa um filho, e


um círculo uma menina, o número dentro é o número de lista da criança, assim
você pode saber sua posição social no grupo.
Geralmente quando se aplica para o segundo tempo do questionário, há
crianças que têm não subscritas, mas porque foram registrados no pedido
anterior, não deve ser omitido, ou percorrer a lista, quando isso acontece,
enquadrar esses alunos com figura linhas suspensas.
Quando uma criança se escolheu em uma questão em particular não pode
colocar uma seta dirigida regularmente sob seu símbolo com a borda mais
grossa.
Enquanto os professores devem colocar os alunos com necessidades
educativas especiais, ou aqueles que têm sido alvo de algum problema social;
na presença de crianças com necessidades especiais, o seu símbolo da moldura
com uma cor diferente.

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As setas indicam as ligações sociais entre as crianças, por exemplo,
escolheu a criança 30 a 28, de modo a que a seta aponta para o 28; quando dois
alunos escolheram o outro, uma seta dupla, o que indica a reciprocidade é
usado.
Grupos de interação delimitado aprisionar aqueles que pertencem ao
mesmo grupo, de preferência, devem ser marcadas com cor diferente para
melhor distinção, mas também pode ser representada simplesmente usando as
setas de cores diferentes para cada grupo.
Uma criança que não escolher alguém para responder a uma pergunta
deve ser colocada de qualquer maneira dentro do gráfico, não há simplesmente
nenhuma seta para estabelecer uma relação social com alguém, como uma
criança de 12 no gráfico, que aparece na parte mais externa porque nem foi
escolhida por alguém, este é o lugar onde você pode detectar alguma dificuldade
na vida social, a falta de interação é observada.

2.4 Exemplos de aplicação

De acordo com as perguntas, então eu mostrar gráficos para cada


pergunta, um teste aplicado para me apoiar no meu grau de trabalho, neste caso,
4 questões foram colocadas:

1. Quem de seus colegas que você gosta de jogar?

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Fonte: br.monografias.com

2. Quem de seus colegas não gostam de jogar?

Fonte: br.monografias.com

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3. Quem de seus colegas você gosta de trabalhar em equipe?

Fonte: br.monografias.com

4. Quem de seus colegas não gostam de trabalhar em equipe?

Fonte: br.monografias.com

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2.5 Outras aplicações

Este teste também pode ser útil para resgatar outras informações
diferentes, como resgate que considerou o mais inteligente, o mais puro,
causando uma maior desordem, que gostaria de ser seu amigo (não quem), que
consideram que exige mais apoio, etc.
Para cada caso deve fazer uma pergunta e um gráfico.

3 A NEUROPSICOPEDAGOGIA

Fonte: 3.bp.blogspot.com

Basta lembrar de sua infância: quantos conflitos! Quantos dramas e


culpas e tensões com cargas emocionais que a criança carrega e que acabam
tornando "o ato de estudar" um fardo pesado para o resto da vida. Sem prazer,
satisfação, motivação, compreensão e sentido; a aprendizagem fica deficiente e
o cérebro acaba por registrar, vincar e marcar impressões errôneas do ato de
estudar e aprender.

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3.1 O Atendimento e Acompanhamento Psicopedagógico

A Psicopedagogia trabalha com as dificuldades de aprendizagem e a


diversidade de fatores que contribuem para o baixo desempenho da
aprendizagem. O atendimento tem enfoque na avaliação e intervenção destas
dificuldades, visando propor intervenções e/ou ações capazes de desencadear
um novo patamar cognitivo no indivíduo.
O Atendimento para os pais, ocorre em sessões separadas e objetiva a
conscientização destes, aos modos de aprender e apreender de seus filhos. É
uma excelente oportunidade de reflexão, onde a troca e a compreensão balizam
o sucesso da Intervenção Psicopedagógica.
A dificuldade de aprendizagem é vista na Psicopedagogia como um
indicador de problemas que podem estar acontecendo em várias dimensões da
vida daquele aluno (a), ou indivíduo. São elas:
 Cognitiva (Relativas ao conhecimento)
 Afetiva ou Psíquica (Relativas ao emocional)
 Social (Quanto aos relacionamentos)
 Biológica (Quanto ao físico-funcional)
Essas quatro dimensões se inter-relacionam e interferem umas nas outras
promovendo ou não as dificuldades de aprendizagem, como resposta de que
algo não vai bem. A Intervenção Psicopedagógica vai exatamente atuar no
sujeito e não no aluno, para que ele possa se estruturar, conhecer a si mesmo e
mobilizar-se internamente para a aprendizagem e para a vida, favorecendo o
desenvolvimento de habilidades para lidar com frustrações e conflitos.
Para cada causa associada ou isolada, existem intervenções específicas.
Trabalha-se com o "como" ele aprende e não "porque" ele não aprende.
Atuando diretamente nos estilos modais de aprendizagem, o
Neuropsicopedagogo descobre habilidades que ele já possui e através da
valorização dessas habilidades, sugere caminhos menos conhecidos e maneiras
diferentes que as da escola, facilitando o raciocínio, a descoberta, o
entendimento e, consequentemente a aprendizagem. Este processo devolve ao
aprendiz a autoconfiança e a autonomia para voltar a estudar e sentir-se mais

27
seguro para fazê-lo sozinho, com a satisfação de estar apreendendo os devidos
conteúdos e conhecimentos.

3.2 Um salto para a Neuropsicopedagogia

A Neuropsicopedagogia tem as mesmas bases de regulamentação da


Psicopedagogia, pautadas nos seguintes documentos:
• Lei 3124/97 – Senado Federal, que pode ser acompanhada a sua
tramitação pelo site da Câmara dos Deputados;
• Certificado de especialista com registro no MEC – CNE;
• Estar devidamente registrado na ABPp.
Também as atividades e atribuições do profissional em Psicopedagogia,
servem de base para os da Neuropsicopedagogia, conforme dispõe o art. 4º do
Projeto de Lei 3.512 de 2008, que regulamenta a função do
Neuropsicopedagogo:
 Intervenção neuropsicopedagógica, que visa a solução dos problemas de
aprendizagem;
 Realização de diagnósticos neuropsicopedagógicos;
 Utilização de métodos, técnicas e instrumentos neuropsicopedagógicos
para a pesquisa, prevenção, avaliação e intervenção relacionadas à
aprendizagem;
 Consultoria e Assessoria Neuropsicopedagógicas;
 Apoio Neuropsicopedagógico;
 Supervisão em trabalhos teóricos e práticos em Psicopedagogia;
Neuropsicopedagogia;
 Orientação, coordenação e supervisão dos cursos de Psicopedagogia e
Neuropsicopedagogia;
 Direção de Serviços de Neuropsicopedagogia;
 Realização de pesquisas no âmbito das Neurociências aplicadas à
Educação.
O Neuropsicopedagogo trabalha no cerne cognitivo: No desejo e na
"vontade de aprender" melhorando e ampliando habilidades e talentos latentes.

28
O atendimento e a avaliação objetivam identificar as dificuldades que
estão prejudicando o aprendizado fluido, sem entraves, oferecendo ferramentas
de auto superação cognitiva, intelectual e emocional, contribuindo com a
crescente autoconfiança e motivação para o aprendizado.
Sendo assim, o Neuropedagogo intermedia, ajuda, auxilia no
despertamento da motivação da criança ou adolescente para o estudo, através
de estímulos e metodologias apropriados e personalizados para cada indivíduo,
respeitando seus modos e canais de aprendizagem e colaborando com a
crescente autonomia cognitiva do neuroaprendiz.
O exercício do pensar, refletir, atentar, memorizar, associar ideias,
despertar a curiosidade, a criatividade e a inventividade, são focos permanentes
do trabalho de um Neuropsicopedagogo.
A Neuropsicopedagogia no campo clínico emprega como recurso
principal à realização de entrevistas operativas dedicadas a expressão e a
progressiva resolução da problemática individual e/ou grupal daqueles que a
consultam. Neste segmento também destacamos sua atuação profissional em
hospitais e clínicas.

3.3 O que é o Diagnóstico Neuropsicopedagógico?

É a investigação do processo de aprendizagem do indivíduo: seu modo


de aprender, áreas de competência e limitações, habilidades. Tem como objetivo
entender as origens das dificuldades e/ou distúrbio de aprendizagem
apresentado.
O Neuropsicopedagogo não busca um diagnóstico isolado. Ao contrário
disso, complementa suas impressões e achados junto a outros profissionais,
como o Neurologista, Psicólogo, Fonoaudiólogo, Nutricionista; visando
aprofundar tal investigação.

29
3.4 Instrumentos de Avaliação Neuropsicopedagógica

Para realizar o diagnóstico clínico, o Neuropsicopedagogo utiliza diversos


recursos. Esses recursos se constituem num importante instrumento de
linguagem e revelam dados sobre a nossa vida, que muitas vezes são segredos
para nós mesmos. Com base nesses dados é elaborado o plano de intervenção.
Os instrumentos de avaliação podem incluir diferentes modalidades de
atividades e testes padronizados, utilizados de acordo com a habilitação
profissional e da composição da equipe multidisciplinar da clínica de educação.
Em geral, realiza-se uma análise do material escolar; questionários;
atividades matemáticas, como resolução de cálculos, problemas, exercícios de
lógica; escrita livre e dirigida, visando avaliar a grafia (qualidade da letra ou
caligrafia); ortografia e produção textual; leitura (decodificação e compreensão);
desenhos; jogos de construção, jogos simbólicos e com regras; testes
psicomotrizes; interações grupais e usa-se também testes de neurofeedbacks.

3.5 Acompanhamento Neuropsicopedagógico

O trabalho de acompanhamento Neuropsicopedagógico desencadeará


novas necessidades, de modo a provocar o desejo de aprender e não somente
uma "melhora no rendimento escolar". O foco do Neuropsicopedagogo não é o
"aluno" como outrora comentou-se, mas sim o "indivíduo" o ser aprendente, em
qualquer das dimensões em que ele se manifeste.
Durante o acompanhamento são estabelecidos contatos periódicos ou um
cronograma com o neuroaprendiz; os pais e a equipe escolar (coordenador e
professores) com a finalidade de obter um melhor feedback dos avanços,
melhoras e conquistas do neuroaprendiz, até que o Neuropsicopedagogo
conclua que seu paciente reassumiu sua autonomia cognitiva, para conduzir seu
caminho de conhecimentos.

30
3.6 A Neuropsicopedagogia:

Sua análise está inserida no contexto em que se desenvolve o processo


de aprendizagem; a leitura dos problemas que emergem da, e na interação social
voltada para o sujeito que aprende; busca compreender os fatores que intervêm
nos problemas, discriminando o particular e o geral, o específico e o universal,
na busca de alternativas de ação para uma mudança significativa nas posturas
frente ao ensinar e ao aprender, pautada em uma essência específica e
diferenciada da psicopedagogia.

3.7 A Psicopedagogia:

Área de estudo da neuropsicologia que avalia, diagnostica, estuda e


intervenciona frente a aprendizagem humana e suas intercorrências
considerando a compreensão do sujeito enquanto aprendiz, dotado de
complexidades, peculiaridades e inseguranças, sendo obrigado a tomar
decisões avaliativas além ou aquém de sua realidade cognitiva.

3.8 Desenvolvimento maturacional

A formação e a elaboração das várias funções cognitivas passam por um


processo de ontogênese que atravessa vários estágios. A esses estágios pode-
se atribuir uma correlação significativa com as fases do desenvolvimento
cerebral.
A partir dos 6-7 anos, a criança tem maior desenvolvimento das noções
de lateralidade, orientação direita e esquerda, sendo capaz de reproduzir
movimentos alternados e simultâneos. Há um grande desenvolvimento das
áreas associativas específicas e das conexões inter-hemisféricas do córtex
motor e sensorial.

31
3.9 Mielinização

Observam-se diferenças sexuais na cronologia da mielinização, mais


precoce nas meninas em áreas relacionadas com a linguagem, hemisfério
esquerdo. Para os meninos, o ciclo maturacional do hemisfério direito parece ser
mais prolongado, o que poderia justificar a maior habilidade em tarefas que
envolvem o processamento visoespacial.

3.10 Lateralidade das funções

A noção de lateralização ou simetria funcional da linguagem e outras


funções cognitivas, iniciou-se em 1861, com o neurologista Pierre Paul Broca.
Observa-se que cada hemisfério utiliza estratégias de processamentos
diferentes e complementares, um de base verbal-analítica, hemisfério esquerdo
(como a linguagem) e o outro visuoespacial, hemisfério direito (por meio de
imagens).

3.11 Hemisfério esquerdo

O hemisfério esquerdo (HE) parece ter o substrato neural para a


expressão, análise e compreensão da linguagem, que compreendem sistemas
para a percepção e classificações de materiais que são codificados
linguisticamente; também é associado à organização temporal e sequencial da
informação das funções de raciocínio abstrato, matemático e analítico, formação
de conceitos verbais e distinção de sons e outras características articulatórias.

3.12 Hemisfério direito

O hemisfério direito (HD) parece ser predominantemente não linguístico,


emocional e responsável pela integração sensorial de variáveis internas e
externas, isto é, orientação espacial, percepção de estímulos, análise e posição
do corpo no espaço, com a imagem corporal, percepção do todo de um estímulo,

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relações visuo-espaciais, bem como participa da mediação da expressão
emocional.
Com o desenvolvimento da especialização hemisférica, observa-se que a
lateralidade de função no cérebro se desenvolve com o tempo e parece ser
totalmente estabelecida na adolescência. Observa-se que lesões ocorridas no
hemisfério esquerdo, ocorrendo entre o início da fase da fala e adolescência,
associam-se a distúrbios de linguagem.
Desta forma, provavelmente a lateralidade, na utilização de estratégias de
processamentos, tem sua emergência também na época da aquisição da
linguagem. Algumas diferenças no processamento hemisférico já estão
presentes desde o nascimento, mas são susceptíveis à modulação e à
modificação mediante experiência.

3.13 Plasticidade

Verifica-se que os sistemas neurais que mediam a linguagem têm um


prognóstico para a sua recuperação, de algum prejuízo, aproximadamente até
aos 12 anos de idade. Numa perspectiva evolutiva maturacional, lesões e
disfunções caracterizam-se de acordo com as fases do crescimento neuronal,
mielinização e maturação sequencial das várias regiões cerebrais:

[...] os determinantes de disfunção neuropsicológica na infância sofrem


influência de fatores genéticos e estruturais (relacionados com a
topografia das lesões), especificidade das áreas cerebrais envolvidas
com o comportamento (relacionadas a áreas eloquentes da linguagem
e memória), a extensão das disfunções, fatores de neuroplasticidade e
os relacionados ao paradigma da especialização hemisférica, isto é,
estilo cognitivo holístico do hemisfério direito ou analítico do hemisfério
esquerdo.

O desenvolvimento psicológico se dá por meio de uma interação dinâmica


e contínua das experiências sociais e ambientais e por isso é necessário, não só
identificar os fatores que interferem nesse processo, mas também sua influência.
Padrões rudimentares de atividade neural fornecerão a base do
desenvolvimento psicológico da criança.

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3.14 Fatores ambientais

Os fatores ambientais estão diretamente relacionados às condições


nutricionais, quantidade e qualidade de estimulação, cuidados físicos, tanto da
criança quanto da mãe, ocupação dos pais, escolaridade e estilos de interação
familiar e social.

3.15 Fatores culturais

Cultura refere-se ao comportamento aprendido e aos traços que são


atribuíveis às experiências socializadas de um particular sistema ou instituição
de uma sociedade, diferentes ambientes culturais levam ao desenvolvimento de
diferentes padrões e habilidades, incluindo também as habilidades cognitivas.
Os fatores culturais também alteram diferente e dinamicamente o
desenvolvimento do cérebro:

[...] o cérebro não funciona como variável independente que dita ou


controla o comportamento, mas que atua como uma variável
dependente que reflete e é influenciada pelos fatores ambientais. O
desenvolvimento e a plasticidade sináptica das funções cognitivas
chamadas "superiores" são ativadas no processo do contato social da
criança e não somente determinados por fatores estruturais e de
mielinização das regiões corticais. (Grifo da autora da pesquisa).

A totalidade das ideias, habilidades e costumes a qual cada criança nasce


e cresce estariam envolvidas no seu desenvolvimento e no perfil de habilidades
cognitivas.

3.16 Função atencional

A função atencional está relacionada tanto à entrada de informação, como


na execução de tarefas complexas, onde a pessoa adquire informação sobre si
própria, sobre o seu meio e, com isso, afeta o seu comportamento. De todas as
funções cognitivas, a atenção é provavelmente aquela que mais frequentemente
se torna comprometida quando se consideram as lesões cerebrais como um
todo, independentemente de sua localização.

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Os déficits atentivos podem se manifestar em diferentes quadros clínicos.
A partir dos cinco anos, a atenção da criança fica sob o controle de processos
lógicos internos como, por exemplo, as estratégias de procura seletiva, onde ela
tem dificuldades em ignorar distrações e discriminar estímulos que são ou não
relevantes para uma tarefa. Prestar atenção é focalizar a consciência,
concentrando os processos mentais em uma única tarefa principal e colocando
as demais em segundo plano.
A atenção apresenta-se sob dois aspectos: a criação de um estado geral
de sensibilização - estado de alerta e a focalização desse estado de
sensibilização sobre certos processos mentais e neurobiológicos. Podemos
focalizar a atenção em estímulos sensoriais (som, cheiro), e em processos
mentais (cálculo matemático, pensamento, lembrança).
A atenção mental é chamada de cognição seletiva e a atenção sensorial,
de percepção seletiva.
O controle da atenção refere-se ao esforço, por parte do sujeito, para
manter a atenção, é determinado por fatores externos e internos.
Os externos referem-se às características dos estímulos, como tamanho,
posição, cor, intensidade, movimento, complexidade, relevância e novidade.
Os fatores internos são aqueles que se relacionam diretamente com o
estado do organismo, como fadiga, estresse, interesse, uso de medicamentos e,
provavelmente, a preferência de processamento hemisférico.

3.17 Bases neurais da atenção

O córtex frontal e o temporal são as estruturas corticais envolvidas na


atenção, uma rede atencional composta de áreas frontais que mobilizam
seletivamente o córtex parietal (atenção viso-espacial) e o córtex temporal
(atenção linguística). Para se verificar quais regiões corticais estariam envolvidas
na atividade de atenção, utilizaram-se técnicas de imagem por ressonância
magnética funcional (IRMf) e tomografia por emissão de pósitrons (PET), as
quais nos capacitam a ver as alterações na atividade encefálica humana.

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Pode-se considerar que a atenção está relacionada com o processamento
preferencial de informação sensorial. O cérebro não consegue processar toda a
informação sensorial que entra simultaneamente. A atividade cerebral muda
quando a atenção é dirigida para um estímulo específico: visual, auditivo. Os
dois hemisférios cerebrais são especializados nos mecanismos atencionais por
diferentes caminhos.
Um sistema de ativação, responsável pela produção de respostas
motoras, está localizado no lado esquerdo do cérebro, enquanto que o sistema
de alerta (provocativo), responsável pela resposta fásica aos estímulos externos,
encontra-se lateralizado para o lado direito do cérebro. Geralmente a duração de
um determinado foco de atenção é breve.

3.18 Hemisfericidade

A ideia de que os dois hemisférios são especializados em diferentes


modos de pensamento levou ao conceito de hemisfericidade. A hemisfericidade
é uma forte tendência para a predominância de um dos hemisférios ou de um
modo de processamento, independentemente do tipo de tarefa.
Apesar dos hemisférios parecerem semelhantes, eles têm
particularidades diferentes e fazem a diferença entre os indivíduos de acordo
com a sua preferência de processamento e capacidade de balanceamento entre
eles. Presume-se que esta utilização diferencial se reflete no "estilo cognitivo" do
indivíduo, as preferências pessoais e a abordagem na solução de problemas. A
hemisfericidade não se estende apenas à percepção, mas a todos os tipos de
dimensões intelectuais e de personalidade.

3.19 Hemisfericidade e uso da linguagem verbal e não verbal

Conforme dito anteriormente, o hemisfério direito processa a informação


não-verbal, é holístico, tem capacidade de reconhecer faces, formas e
propriedades geométricas, realizar transformações espaciais e transposições,

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colocar forma nos moldes, copiar desenhos, discriminar e lembrar formas visuais
e uma pequena capacidade de processar habilidade verbal.
O hemisfério esquerdo processa informações analíticas, é verbal, controla
também a sequência de movimentos dos membros superiores e inferiores,
sistema de produção da fala, melhor habilidade para reconhecimento da fala
humana.

3.20 Especialização hemisférica

Na dimensão neuropsicológica, a linguagem verbal, que define a


preferência funcional do hemisfério esquerdo, é antecedida pela linguagem não-
verbal, que pertence ao hemisfério cerebral direito. Pode-se dizer que: "a
especialização hemisférica requer que, evolutivamente, o hemisfério direito
assuma a liderança das atividades não-verbais, como os gestos, a postura, as
brincadeiras, as imitações, a integração motora. Gradativamente, ao longo do
desenvolvimento humano, o hemisfério esquerdo transcende esta dimensão, a
fim de se projetar e disponibilizar para as atividades linguísticas verbais e
cognitivas mais complexas.

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