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INTRODUÇÃO

A ética e moral no campo educacional devem ser entendidas como processo de


reflexão e ação no que diz respeito à identidade do educador, bem como suas origens
e o papel que vem atuando na educação e dentro das relações sociais ao longo do
tempo. A definição de Aristóteles no campo da ética não se resume apenas na reflexão
da virtude do bem e da obrigação, mas na discussão e na escolha. “Nós nos
deliberamos e decidimos sobre tudo aquilo que, para ser e existir depende de nossa
vontade e de nossa ação.” (Chauí, 2005, p.312).

O papel da escolha entre um caminho e outro recebe influências a partir do


conhecimento que se tem e dos objetivos que se deseja alcançar. Para ampliar as
informações deste artigo utilizou-se uma pesquisa bibliográfica, no aprofundamento
das questões sobre a ética e a moral, a fim de abrir as portas para uma discussão mais
ampla sobre a influência da ética e da moral e seu processo de transformação dentro
da sociedade. Apresentou-se e discutiu-se o papel e a importância da ética e da moral
na atuação do educador, dentro e fora da comunidade escolar, e a sua consequente
atuação sobre a condição de preceptor bem como na práxis em sala de aula. Com
relação ao primeiro passo percorrido nesta pesquisa, realizou-se várias pesquisas,
tendo em vista uma revisão sistemática da literatura em livros, artigos científicos,
revistas e publicações da internet, sobre os temas: ética e moral como condição da
identidade do educador; fundamentos históricos e conceituais do agir ético;
aproximação conceitual entre ética e moral; a conceituação da ética ao longo da
história; ética grega; ética medieval; ética moderna; a ética de Kant; ética
contemporânea; de Kierkegaard ao existencialismo; o pragmatismo; psicanálise e
ética; o Marxismo; neopositivismo e filosofia analítica; os valores do pós modernidade.

Princípios éticos na atuação do coordenador educacional; a ética na profissão


professor; virtudes da profissão; o comportamento ético do educador; dilema ético do
professor; A ética e a moral são indispensáveis para o desenvolvimento educacional e
na construção do caráter do homem, diante das pressões decorrentes do modo de
viver que a sociedade exige para a boa convivência, que são os valores éticos. O
trabalho de trazer à tona 3 a discussão sobre a ética e a moral como condição da
identidade do educador é um instrumento indispensável na conquista da valorização
deste profissional e de um ambiente de trabalho salutar e amistoso. Somente através
da disseminação de informações, debates, dinâmicas e outras ferramentas que
culminem em ações direcionadas à importância ética e moral na profissão do
educador, que se pode, então, lutar a favor da construção de um código ético voltado
para essa profissão no enfrentamento do seu não reconhecimento. Uma expressão
muito comum e pouco discutido

FUNDAMENTOS HISTÓRICOS E CONCEITUAIS DO AGIR ÉTICO: APROXIMAÇÃO


CONCEITUAL ENTRE ÉTICA E MORAL

A ética busca refletir sobre os sistemas morais elaborados pelos homens, que
norteiam o comportamento do mesmo em sociedade, tentando compreender a
fundamentação das normas e das interdições peculiares de cada sistema social e
cultural. No entanto, a moral refere-se aos costumes, regras e convenções
determinadas para cada sociedade, é o conjunto de normas que orientam o
comportamento humano com base em valores próprios, tendo em vista certa
sociedade e esta varia no espaço e no tempo e constrói a moralidade bem como a sua
cultura e identidade.

Do ponto de vista etimológico, ética vem do grego ethos e tem relação mútua
no latim morale com o mesmo significado de conduta ou relativo aos costumes.
Portanto, etimologicamente, ética e moral são palavras sinônimas. Afirma Lalande
(1993, p. 348) que “historicamente a palavra ética foi aplicada à moral sob todas as
suas formas, quer como ciência, quer como arte de dirigir a conduta”. os problemas
teóricos não se identificam com os problemas práticos, ainda que estejam
estreitamente relacionados, da mesma forma não podemos confundir a ética e a
moral.

A ética não cria a moral, no entanto é correto afirmar que toda moral
conjectura determinados princípios, normas ou regras de comportamento, a ética não
os estabelece numa determinada comunidade social, ela se depara com uma serie de
práticas morais já existentes. A grande generalidade da ética é afirmada por Kant
quando ele instiga o ser humano a agir de maneira que este possa querer que o motivo
que o levou a agir se torne uma lei 4 universal. O mesmo autor, estabelece como
morais os acontecimentos que dizem respeito à conduta individual e como éticos
aqueles ligados à moralidade reunidas nas práticas e instituições que especifica a
comunidade, proporcionando normas de julgamento consensuais para que qualquer
pessoa possa distinguir o erro da verdade, o bem do mal, o justo do injusto, o certo do
errado. Para Kant, por outro lado, uma norma moral pode ser generalizada e alcançar
a condição de norma ética, quando ela pode ser aplicada a todos os seres racionais.

ÉTICA E EDUCAÇÃO

A sociedade brasileira contemporânea tem enfrentado o problema de como


educar para o respeito às diferenças e para o respeito a todos os seres humanos.
Combatendo a violência, essa é uma das principais questões éticas. Atualmente são
espantosos os casos de ações violentas e desrespeito nas escolas, agressões de todas
as formas, além do uso de drogas, ameaças, descriminação, desrespeito aos
professores e aos alunos. Daí surge à questão, como a ética poderá nos auxiliar para a
construção de uma educação contra a violência? O artigo 2º da LDB considera que,
inspirada nos princípios da liberdade e nos ideais de solidariedade humana, é
finalidade da educação nacional o pleno desenvolvimento do educando, seu preparo
para o exercício da cidadania e sua qualificação para o trabalho. O artigo 1º diz que a
educação abrange os processos formativos que se desenvolvem em varias esferas
(família, convivência, trabalho, escola, movimento sociais e etc.).

A educação voltada para a cidadania e os programas educacionais voltados


para esse fim, e para que o homem possa se relacionar entre si se faz necessário a
crença na tolerância, a marca do bom senso, da razão e da civilidade e ainda a crença
na possibilidade de formar este homem ensinando-o a tolerância e a civilidade dentro
do espaço e do tempo na escola. Em nossos tempos, a LDB institui que a escola é um
espaço de formação de cidadão, difusão de valores que inspirem cidadania e ética,
mas não pressupõe que a escola, local onde esta formação acontece (ao menos
parcialmente, como diz a lei), seja um espaço ético, operando por meios éticos que
inspirem valores éticos.
No entanto, observa-se que a sociedade brasileira é marcada pela violência e
esta violência também está presente nas escolas. Marilena Chauí no artigo “Ética e
violência”, explica que a violência pode ser entendida por atos de brutalidade, cruel e
abuso físico e/ou psíquico contra a alguém, opressão, intimidação pelo medo e pelo
terror. Tais ações retiram do sujeito sua autonomia, tratam as pessoas, os seres
humanos, como se fossem coisas, como desprovidos de razão e de vontade, assim é
possível dizer que a violência é exatamente o oposto da ética.

É possível admitir que a educação de nossos tempos é idêntica a escolarização,


a qual se transfere para a escola e para os professores, que ali atuam para a formação
do cidadão, formação ética e política. No decorrer dessa formação coloca se em
evidencia a postura ética do professor sendo ele responsável pela educação, será
modelo de conduta, espelho de caráter, defensor de valores. Por isso se faz tão
necessário transferir aos professores a virtude, a justiça e a responsabilidade como
base no processo de formação dos cidadãos.

COMPORTAMENTO ÉTICO DO EDUCADOR

Em sua obra “Pedagogia da Autonomia”, Paulo Freire (2006), recomenda a


proposta de uma prática educativa que reflita sobre o compromisso e a
responsabilidade do educador, em relação à sala de aula, os limites da ética, do que é
“ser ético”. Na introdução do tema, Paulo Freire chama a atenção para o
comportamento ético do professor, pautando nos saberes por ele propostos e que são
imprescindíveis à prática educativa, e a obrigatoriedade de que o docente observe
estas virtudes.

Em se tratando da prática pedagógica e a ética do docente, bem como as


virtudes que o docente precisa apresentar como comportamento ético, precisam
encontrar-se adequadas a um modelo de educação na sociedade. Tem a ver com que
diz respeito à guia da ação, fundada nos princípios do respeito da solidariedade e da
justiça, na direção do bem coletivo. Para impedir confusões entre à ética e a moral.
Pode-se dizer que a ética se diferencia da moral por não possui caráter normativo, ela
tem um caráter reflexivo que possibilita que as ações morais possam ser julgadas com
base em seus princípios como: o respeito, a justiça, a liberdade. O respeito é princípio
nuclear da ética – dele decorrem os outros. Respeitar implica, em primeiro lugar, o
reconhecimento da presença do outro como semelhante, em sua 6 humanidade.
Contudo, para respeitar alguém é necessário antes de qualquer coisa admitir que esse
alguém exista e reconhecer sua existência.

Algo que parece fácil e simples, no entanto, guarda grandes complexidades.


Muitas vezes passamos pelas pessoas sem reconhecê-las, não escutamos o que ela
tem a nos dizer, falamos o que queremos sem sequer mostrar interesse no discurso do
outro, os outros “eus” existentes no outro, tem ideias e sentimos próprios deles. Não
sou eu, mas são como eu e minha existência depende também do reconhecimento
deles.

O educando no curso de sua trajetória rumo ao aprender, busca garantir o seu


desenvolvimento. Todos os seres humanos têm o direito à aprendizagem e ao
desenvolvimento; e é em busca desse aprendizado significativo e do seu
desenvolvimento que o educando dirige-se à escola, pública ou privada, com tudo pelo
lugar que ocupa na pratica educativa, o educador tem como compromisso ser solidário
para com o educando, o que significa ensinar com eficiência para ele aprender bem e,
por aprender bem, cresça. O que consiste em uma pratica educativa pautada por uma
conduta ética centrada no atendimento das necessidades do educando como aprendiz
dos mais variados conteúdos escolares. O que não significa de jeito algum, instruir
teoricamente procedimentos éticos aos educando; como “ensinar lições de moral”;
todavia praticar condutas éticas com eles, é no exercício profissional de educadores,
próximo ao educando, que podemos agir junto com eles ao qual carece estar acordado
nosso sentimento ético. Em vista a uma ação benfeitora, ou seja, afetuosa (o que
significa “agir com o outro” no seu modo de ser e na sua necessidade).

REFERÊNCIAS

DESCARTES, René. Discours de la méthode . Pa-ris: Vrin, 1989. FREIRE, P. Pedagogia da


autonomia: saberes necessários à prática educativa. 34. ed. São Paulo: Paz e Terra,
2006.
GALLO, Silvio. Ética e cidadania: caminhos da filosofia: elementos para ensino de
filosofia. _ Campinas, SP: Papirus, 1997.

GIACAGLIA, Lia Renata Angelini. Orientação educacional na prática: princípios,


técnicas, instrumentos. Wilma Millan Alvez Penteado. - - 4. Ed. Atual. - - São Paulo:
Pioneira, 2000. - -

GOMES, Emiliano. Liderança e ética; tradução Magda Lopes. _ 2. Ed. _ são Paulo:
Editora Academia de Inteligência, 2008. LUCKESI, C. C. Filosofia da educação. São
Paulo: Cortez, 1994.

VÁSQUEZ, A. S. Ética. 28ª ed. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 2007. 304p.

Ética: pressupostos teóricos

O homem como ser social, está diuturnamente partilhando experiências e


relações com os seus semelhantes, pois somente adquire a humanidade quando
imerso na vida gregária. Essa associação se efetiva por meio das relações pessoais,
coletivas e de trabalho as quais são sedimentadas em meio a um universo próprio à
comunidade a qual está inserido, e, portanto, são permeadas pelas peculiaridades de
seu tempo histórico. As relações são partilhadas por indivíduos semelhantes, mas com
características subjetivas, políticas, econômicas e culturais as mais diversas; são
contextuais.

Cada um com seus interesses, suas aspirações, seus desejos, suas paixões e
suas razões. Há, desse modo, a necessidade de mecanismos de orientação e regulação
da forma de os sujeitos estarem em sociedade no intuito de contribuir com uma
convivência respeitosa e pacífica. “A ética se instaura no âmbito dessa ambigüidade,
reconhecendo, por um lado, a fragilidade do humano com suas paixões e, por outro, a
tentativa permanente de construir normas que regulem a convivência humana para
além da particularidade [...]” (HERMANN, 2001, p.11).
Conciliar motivações e interesses que movem as ações humanas não se
constitui uma tarefa simples. Criar critérios éticos é um esforço que se observa desde
os gregos antigos até os mais contemporâneos dos homens com a finalidade de
promover o bem viver na coletividade. No entanto, há quem possa compreender que a
ética se reduz a um conjunto de regras que determinam o comportamento dos
homens em sociedade, entretanto, ela não se subjuga a um mero receituário do agir
social. Hermann (2001, p. 15) afirma que “o esforço da ética surge da necessidade de
explicitar, organizar e justificar criticamente a racionalidade implícita no ethos”, ou
seja, no 9481 espaço de materialização de nossas vivências concretas, no âmbito do
social. Assim, entendemos a relevância de estarmos preocupados não só com as
teorias nas quais acreditamos, se faz preciso, além disso, que se analise a
correspondência entre as crenças e as práticas.

Esta é uma especificidade da ética entendida como práxis humana “destinada a


entender as articulações da existência coletiva dos homens para mudá-la” (SEVERINO,
2007, p. 190). Trata-se de uma ciência prática que debate os valores e costumes das
pessoas. Ressurge aqui e ali de forma mais veemente, mas está sempre presente no
palco das discussões sociais, profissionais, pessoais, ecológicas e, por que não dizer,
inclusive educacionais. Severino (2007, p. 193) enfatiza que “a ética contemporânea
entende que o sujeito se encontra sob as injunções da história que até certo ponto o
conduz, mas que é também constituída por ele, por meio de sua prática efetiva”.

Está inscrita não na natureza ou essência humana, como foi entendida em


outras épocas, mas no caráter social e histórico, na dimensão coletiva e política da
existência dos indivíduos, pois a “ação do sujeito não pode mais ser vista e avaliada
fora da relação social coletiva” (idem, p. 193). Verifica-se que, corriqueiramente, a
ética é confundida com a moral. Muito embora não sejam sinônimas, ambas estão
intimamente relacionadas. Vázquez (2006), Rios (1999, 2003, 2005) e Severino (2005,
2007) esclarecem que essa indistinção entre os termos se dá pela proximidade entre
os conteúdos de significância de ambos. A palavra latina mores e a grega ethos, deram
origem aos termos moral e ética, respectivamente, que, em linhas gerais, tratam dos
costumes das pessoas em sociedade.
Além disso, a indissociabilidade entre moral e ética nutre-se do fato de uma ser
o objeto de estudo da outra. Vázquez (2006, p.23) afirma que a “ética é a teoria ou
ciência do comportamento moral dos homens em sociedade” e moral “um sistema de
normas, princípios e valores, segundo o qual são regulamentadas as relações mútuas
entre os indivíduos ou entre estes e a comunidade” (idem, p.84). Nesta esteira, a ética
se apresenta como uma ciência fundada a partir da reflexão filosófica sobre os
fundamentos das condutas, posturas e comportamentos manifestos dos indivíduos.

Não pode, sob pena de destruição de seu campo de estudo, ser reduzida a um
conjunto de preceitos que qualificam o agir humano em certo ou errado, bom ou mau.
Ela não cria a moral, mas nela interfere como ciência que se debruça sobre as variadas
formas em que 9482 se manifesta o comportamento humano elegendo-o como objeto
de estudo e de reflexão sistemática (VÁZQUEZ, 2006; SEVERINO, 2005). Em linhas
gerais, a ética é aqui entendida como uma reflexão intencional e crítica sobre o agir
social dos indivíduos no intuito de orientá-los para o bem viver (VÁZQUEZ, 2006). A
partir dessas considerações, pode-se entender que o professor, em sua prática
profissional, lida com um público coletivizado, imerso em relações complexas,
permeadas por situações conflituosas, cujo entendimento solicita que se promova uma
interface com a ética. Ética, prática educativa e formação docente A complexidade da
tarefa educacional instiga à discussão, à reflexão sobre os fundamentos e valores que
dão norte à educação escolar nos tempos atuais. E, apesar de não se ter a pretensão
de esgotar o assunto, mas tão somente evidenciar algumas relações entre ética e
educação, considera-se importante destacar o imbricamento entre ambas.

Destaca-se como um desafio da escola e do docente, fazer com que os alunos


se percebam e comportem-se como membros de uma comunidade. O ambiente
escolar é eminentemente coletivo e possui cultura e dinâmicas próprias, cujas
características se fundam no diálogo de seus sujeitos em interface entre a tradição
educacional e as inovações cada vez mais exigidas nos contextos contemporâneos;
constitui-se em espaço privilegiado para esse exercício. Nesse sentido, nos filiamos ao
pensamento de Morin (2001, p. 11) que afirma que “uma educação só pode ser viável
se for uma educação integral do ser humano. Uma educação que se dirige à totalidade
aberta do ser humano e não apenas a um de seus componentes”. A educação escolar
anseia formar um determinado tipo de homem, não um homem qualquer, mas se
idealiza a constituição de um homem de bem. Assim, cada unidade de ensino, por ser
única e possuir sua cultura peculiar, define suas especificidades naquilo que Viera
(2008) menciona como sendo a alma da escola, o projeto político-pedagógico. Esse
documento deve servir de balizamento para as ações da comunidade escolar e precisa
estar em permanente diálogo com a prática educativa institucional de modo que se
possa verificar a coerência entre o que se idealiza e o que, de fato, se realiza. É
imperioso destacar a articulação da educação à ideia de bem. Ainda que os valores não
sejam contemplados pelo currículo oficial, manifestam-se nos atos dos sujeitos da
relação pedagógica, nas opções metodológicas, na seleção dos conteúdos, como
fundamento de ações 9483 pessoais e coletivas. De outro modo, há instituições que
fazem opção pelo trabalho sistemático dos conteúdos atitudinais cujas substâncias
cognitivas permeiam todo o processo educativo em que são promovidas atividades e
momentos que propiciam o desenvolvimentos dessas aprendizagens e, por sua vez,
são contemplados nos processos avaliativos (ZABALA, 1998). Essa condução
pedagógica tem os fundamentos na proposta de ética axiológica de Aristóteles, agora
justificada por argumentos não transcendentais, mas cujas bases contemplam a razão.
Nesse ínterim, podem-se destacar os valores democráticos que se espera que a escola
possa desenvolver, tais como: a cidadania, o respeito à diversidade, a solidariedade.

Entretanto, ficam os desafios de contemplar essa formação, uma vez que se


observa que muitas das vivências escolares colidem com tais preceitos. A ação
pedagógica não é uma atividade desinteressada, seus contornos não são adquiridos
apenas durante o processo, mas são idealizados institucionalmente e de forma prévia.
Contudo, no cotidiano escolar, nem tudo de fato se concretiza de acordo com o
planejado, pois esse contexto é marcado por contingências as mais diversas (FARIAS,
2006). Ensinar é uma ação teleológica, orientada para uma finalidade, e estruturada
com base em relações (FARIAS, 2000; SACRISTÁN, 1999; TARDIF, 2002; TARDIF e
LESSARD, 2005) de natureza interpessoal e institucional. Uma ação dirigida a outros
que se sedimenta em um contexto incerto, aberto a influências múltiplas, porém
condicionada a uma cultura escolar sedimentada ao longo de toda trajetória da
educação institucionalizada.
Sobre esse caráter, Sacristán (1999, p. 74) menciona que Os sujeitos
manifestam-se e expressam-se na ação e o fazem a partir do marco da cultura da
prática acumulada que os orienta e que eles utilizam como capital. A prática é fonte de
ação, e os caminhos gestados por esta, dentro daquela, podem enriquecê-la e
redirecioná-la, condicionando o seu desenvolvimento histórico. Assim, a ação possui
uma marca pessoal, mas está ancorada à prática como uma dinâmica de cultura
institucional. Ao falarmos que se espera que o professor seja um profissional que zele
pela sua profissão, pela aprendizagem dos alunos, que seja competente e ético, na
verdade estas especificidades estão imbricadas a um grupo, um coletivo de
profissionais.

Apesar de estes anseios estarem diluídos no contexto social, inexiste entre os


docentes uma associação, uma entidade única que possa agremiá-los e definir um
projeto, um perfil profissional, suas especificidades e atribuições. Não há um projeto
ético a ser seguido por toda a categoria, um corpus profissional do professorado. Esta
é uma discussão que permeia o contexto educacional pela busca de reconhecimento
profissional. Entende-se a necessidade do estabelecimento de critérios que balizem as
ações dos docentes, não apenas de forma tácita, mas crítica e assumida como um
compromisso coletivo. Isso porque a ética ocupa espaço central no ensino, pois os
professores fazem escolhas, emitem juízos de valor, assim como os alunos, já que a
docência, para Tardif e Lessard (2005, p. 190), é “impregnada pelo humano”.

Além disso, seu caráter público e heterogêneo implica a eqüidade de


tratamento aliada ao equilíbrio entre o coletivo e o particular. Soma-se ainda, a
dimensão simbólica, dialógica que marca a interatividade do ensino e deve estabelecer
coerência entre os meios e os fins para a execução do projeto educativo, assumido
politicamente pela escola e pelo professor. A realidade educacional é entremeada por
dilemas e quefazeres próprios aos indivíduos em situação, esse intrincamento não se
dá sob condições por eles escolhidas ou estabelecidas. Ademais, compreendemos
como Boufleur (2001, p.10), que a ação educativa é um fazer intencional, construído
coletivamente, processo que solicita dos envolvidos “um mínimo de clareza teórica”.
Tal entendimento reforça o reconhecimento da capacidade dos sujeitos inseridos em
determinada situação e/ ou contexto de explicitarem as razões que motivam suas
práticas, mas esta deve ser uma preocupação atinente a formação docente tanto no
espaço da universidade como na escola. Este âmbito que deve ser permeado pelo
anseio em se discutir e compreender o quê, como, porquê e para quê se trabalha
deste e não de outro modo, tornando-se assim a instituição educacional em
privilegiado espaço não só de práticas, mas também de formação. A ação educativa
escolar não é um fazer por fazer, mas um fazer intencional.

Trata-se da intencionalidade de um coletivo de sujeitos. Essa intencionalidade


coletiva, porém, é impossível de ser construída sem que haja um mínimo de clareza
teórica no nível dos sujeitos participantes, isto é, sem que os envolvidos nessa
construção saibam dar as razões que motivam suas práticas. (BOUFLEUER, 2001, p.10)
É, sobretudo, durante a formação inicial que o professor elabora e incorpora um
conjunto de crenças e de princípios éticos constituidores de sua cultura profissional.
Essa 9485 norteia a ação pedagógica exercendo forte influência na maneira com as
interações comunicativas e relacionais são construídas em situações de ensino
(FARIAS, 2000). Ao mesmo tempo, cabe considerar que o docente universitário,
profissional responsável socialmente pela formação dos professores que atuam na
Educação Básica, ao exercer o magistério ensina e renova os valores, crenças e práticas
que matizam seu fazer educativo, portanto, também aprende. O professor, sujeito
responsável pelo fazer pedagógico, tem à sua frente uma tarefa delicada, quer pela
natureza de seu objeto de trabalho, quer pela abrangência da ação educativa. Embora
a escola tenha como razão primeira de sua existência a socialização dos saberes
culturais historicamente produzidos pela humanidade, a ela não se reduz, pois a
educação, como adverte Paro (2001), é um processo muito mais rico e complexo do
que a transmissão de informações. Observa-se que a qualidade das relações
propiciadas e vivenciadas pela escola e pelo trabalho do professor interfere na
formação humana que vai além do intelectual, pois tem incidência na constituição da
personalidade de crianças e jovens, em seus projetos de vida (THERRIEN, 2006). A
instituição educacional proporciona aprendizagens não apenas dos conteúdos
escolares, mas dos modos de pensar, sentir e agir. A aprendizagem, nesse sentido, não
fica restrita à sala aula; se efetiva, ainda que de forma implícita, em todos os
momentos e movimentos vivenciados na instituição educativa.
Na aula, no recreio, em atividades extras sala, nos momentos festivos, os
sentimentos, as atitudes e os comportamentos são gestados, mesmo que não
componham explicitamente o currículo oficial a ser desenvolvido. Para concretizar o
ensino o professor precisa estabelecer interface entre esses componentes, tendo de
deliberar entre um e outro conteúdo, entre um e outro recurso para determinados
alunos em dado tempo e contexto. Ao fazer inúmeras escolhas, o docente é
conclamado a emitir juízos de valor que têm uma implicação ética. Como adverte
Freire (1996, p. 20), “é no domínio da decisão, da avaliação, da liberdade, da ruptura,
da opção, que se instaura a necessidade da ética e se impõe a responsabilidade [...]”.
Apreciando esta relação, nos instiga a reflexão acerca da formação de professores para
o entendimento do modo como vem sendo possibilitado aos docentes em processo de
formação inicial ou continuada a compreensão da responsabilidade ética que a
profissão exige. Esta é uma preocupação que nos parece bastante solícita pelo fato de
o docente atuar com seres humanos para seres humanos e sobre seres humanos
(TARDIF, LESSARD, 2005) 9486 em contexto social mutante e complexo que gera cada
vez mais expectativas da ação educativa. Esta, por sua vez, não pode ser uma prática
espontaneísta, mas fundada e fertilizada por uma intencionalidade competente (RIOS,
1999, 2003).

Do professor se espera uma postura efetivamente ética e que prepare o


educando, o cidadão ético; mas quem está preocupado com a formação ética desse
professor? Este nos parece um caminho a ser trilhado. Além disso, cabe questionar
quais os limites de atuação da escola e do trabalho docente. É bem verdade que as
demandas do presente exigem uma nova postura da escola, contudo esta instituição e
seus profissionais não devem ser onerados pela sociedade com demandas que se
afastem e extrapolem sua finalidade. De forma diversa, teríamos uma instituição social
que se distancia de sua essência constitutiva, pois a escola é o lócus privilegiado da
instrução e da formação humanas, embora não o seja de modo absoluto e exclusivo.

A ética na política educacional No final dos anos 1990, o Ministério da Educação


(MEC), lançou os Parâmetros Curriculares Nacionais (PCN) para as séries iniciais do
Ensino Fundamental (1997) no intuito de indicar os objetivos a serem atingidos nessa
etapa da educação, os conteúdos para sua consecução, as metodologias de trabalho,
bem como a forma de avaliação das práticas educativas. Nessa orientação, além das
disciplinas curriculares, tem espaço reservado os temas transversais cujos assuntos são
ética, pluralidade cultural, meio ambiente, saúde, orientação sexual e os temas locais
pertinentes à realidade regional da unidade escolar, com as orientações de que esses
assuntos devem ser trabalhados de forma transversal e interdisciplinar e, portanto,
perpassar todas as práticas pedagógicas escolares. A ética é um desses temas. O
documento enuncia a “importância da escola na formação ética das novas gerações”
(BRASIL, 1997, p.65) e indica o bloco de conteúdos a serem trabalhados no tema
transversal ética: o respeito mútuo, a justiça, o diálogo e a solidariedade, destacando
que o objetivo do trabalho pedagógico desse componente curricular é de “propor
atividades que levem o aluno a pensar sobre sua conduta e a dos outros” (IDEM, p.69).
Na seção de apresentação dos PCN, ressalta-se a importância da educação escolar para
a consecução da sociedade democrática e da educação ética como algo que corrobora
para a efetivação desse ideal.

Por sua vez, as Diretrizes Curriculares Nacionais para a formação de professores


da Educação Básica, Parecer CNE/CP nº 009/ 2001, articuladas em eixos de
competências, orientam que as licenciaturas devem estar comprometidas, assim como
os PCN, com os valores democráticos, pautando-se “em princípios da ética
democrática para atuação dos professores como profissionais e cidadãos” (CNE, 2001,
p. 41). Alerta que estes devem “zelar pela dignidade profissional e pela qualidade do
trabalho escolar sob sua responsabilidade” (IDEM, 2001). Esse mesmo documento
sinaliza ainda que ao longo da formação os futuros professores possam “exercer e
desenvolver sua autonomia profissional e intelectual e o senso de responsabilidade,
tanto pessoal quanto coletiva – base da ética profissional” (IBIDEM, p.53) Mais
recente, o documento das Diretrizes Curriculares para o curso de Pedagogia nº 1/2006
(CNE/CP 1/2006) corrobora estas formulações ao mencionar que o estudante dessa
licenciatura trabalhará com informações e habilidades instituídas em conhecimentos
teóricos e práticos, “fundamentando-se em princípios de interdisciplinaridade,
contextualização, democratização, pertinência e relevância social, ética e sensibilidade
afetiva e estética” (Art. 3º, inciso I). Acrescenta, na sequência, que o egresso do curso
deverá “atuar com ética e compromisso com vistas à construção de uma sociedade
justa” (Art. 5º, inciso I). Prossegue enfatizando que esta formação articulará a
“aplicação em práticas educativas, de conhecimentos de processos de
desenvolvimento de crianças, adolescentes, jovens e adultos, nas dimensões física,
cognitiva, afetiva, estética, cultural, lúdica, artística, ética e biosocial”, merecendo
“atenção as questões atinentes à ética, à estética e à ludicidade, no contexto do
exercício profissional” (Art.6º).

As orientações desses documentos sinalizam uma crescente atenção para as


relações da ética com a educação, que como sublinham os registros governamentais,
deve ser tratada como um elemento cognitivo que ao professor cabe desenvolver
junto com os seus alunos, bem como frente às responsabilidades e deveres que deve
assumir no exercício de sua profissão. Por outro lado, é preciso considerar que a
existência dessas diretrizes na política educacional em curso não são suficientes para
impulsionar práticas profissionais qualitativamente mais consistentes do ponto de
vista ético, podendo mesmo se constituir um obstáculo. Isto porque a necessidade
ética que se põe ao fazer docente, de qual nos fala Freire, não se constitui como uma
habilidade inata ao ser humano ou ao profissional, qualquer que seja ele. Noutros
termos, a ação ética necessária à docência não é uma aquisição imediata ou ainda
uma construção pessoal, solitária do professor, como por vezes, parece querer fazer
crer a documentação governamental. Ela é uma composição histórica, social, cultural
e, que, portanto, pode e deve ser aprendida de forma intencional. A postura ética dos
sujeitos da relação pedagógica deve transcender os ideais dos professores, os
discursos sociais e oficiais e se manifestar na prática cotidiana da sala de aula. No
entanto, conclui-se que a legislação trata a ética de forma pontual e imprecisa, sem
indicar de fato como esta formação pode ser efetivada, sobretudo na Educação
Superior.

REFERÊNCIAS

BOUFLEUER, José Pedro. Pedagogia da ação comunicativa: uma leitura de Habermas.


3. ed. Ijuí: Unijuí, 2001. BRASIL.

Parâmetros curriculares nacionais: apresentação dos temas transversais, ética.


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(Coleção questões da nossa época, v.16).

Ética: o que é, e até que ponto existe sua valorização na sociedade?

O individualismo, a ausência do exercício da ética, e a busca incessante por um


bem- estar solitário, têm tomado conta do mundo contemporâneo, transformando ao
longo do tempo, o perfil do homem, pressupostamente, solidário e ético, em um ser
egocêntrico e hedonista. Corroborando com este pensamento (Lipovetsky, 1989, p.49
apud Goergen, 2005, p. 73) afirma que “Hoje vivemos para nós próprios, sem nos
preocuparmos com as nossas tradições nem com a nossa posteridade: o sentido
histórico sofre a mesma deserção o de valores e as deserções sociais”.

Podemos dizer que a ausência do exercício da ética, nessa perspectiva, está


sendo estabelecida pela apatia à imensidade de quebra de valores e princípios, e a
importância que o homem contemporâneo tem dado aos novos modelos de
comportamentos, assumido uma nova identidade que nega o outro, e se distancia de
uma ética pautada nas relações sociais, que necessita para viver com alteridade em
sociedade.

Assim, a essência da ética tem se perdido em meio a um mundo neoliberal


cheio de possibilidades, em que a competitividade transcende as relações de amizade;
a ganância pelo poder e descontentamento social fazem matar; a mídia alienar; a
indiferença social e política não agir; e o pensar no eu individual buscar satisfação,
independente se isso venha ou não atropelar o outro, e os códigos éticos e morais
existentes.

Portanto, a ética imbricada a valores que precisam ser refletidos, diante de


códigos morais estabelecidos, é discutida nesta pesquisa, na perspectiva de tecer
algumas considerações sobre o que vem ser a mesma para os professores, como tem
acontecido sua construção para formar professores, e a importância da mesma para a
educação.

Dessa forma, as questões foram aplicadas a sete professores da Universidade


Federal de Campina Grande - Campus Cajazeiras/PB, inseridos no Curso de
Licenciatura em Pedagogia, partindo de suas concepções sobre o referido tema.

Ao serem indagados com a questão: O que é ética para você?, O professor B


disse: “É o conjunto de regras e valores que regem uma sociedade”; o professor D
disse: “Ética é a prática de regras e valores estabelecidos para tornar possível a
convivência e o bem estar dentro dos grupos sociais”. Os professores B e D
responderam semelhantemente, quando relataram que ética é um conjunto de valores
e regras regidos pela sociedade.

O professor A diferentemente disse: “exercício constante do pensamento


crítico e reflexivo com relação aos valores, [...]”; o C disse: “Seria você querer para os
outros, o que deseja para você”, e o professor E “refletir obre as ações que fazemos”.
O F disse: “É você seguir alguns princípios que considero básicos como: justiça,
sinceridade, verdade, coerência e buscar vivenciá-los no seu cotidiano, o que nos
reportar a Rios (2010, p. 655) quando diz que: “Os princípios da ética são: o respeito, a
justiça, a solidariedade”.

O professor G disse que conceituar ética “[...] é uma questão emblemática. Há


tantos pontos de vista que podem auxiliar na discussão”. Porém, ressaltou que “A ética
tem a ver com o sentimento de justiça social”.

Podemos perceber na fala dos professores B e D, que suas concepções se


aproximaram mais do significado da moral do que da ética ressaltadas pelos autores
estudados, enquanto os professores A, C, E, F e G, apresentando significados
diferenciados, defenderam o conceito da ética, tal qual relatam os autores. Isto
mostra, como diz Rios (2004), que

No cotidiano, [...] os conceitos de ética e de moral se confundem


ou se identificam. Não sem razão. Se recorremos à origem
etimológica das palavras, vamos encontrar os vocábulos ethos
(grego) e mores (latino), que significam, ambos, costume, jeito de
ser. (RIOS, 2004, p. 21)

É compreensível, portanto, a partir desse pensamento, não apenas aos


professores B e D, os sujeitos estabelecerem o mesmo conceito para as interfaces que
propõe os termos “ética e moral”, porém, para deixarmos claro o que significa estes,
reportamo-nos a (Vázques, 1975, p. 25 apud Rios, 2004, 22) quando ressalta que: “A
moral pode ser definida como um conjunto de normas e regras destinadas a regular as
relações dos indivíduos numa comunidade social dada”, e a ética, como diz Rios (2004,
p. 23) “[...] se apresenta como uma reflexão crítica sobre a moralidade, sobre a
dimensão moral do comportamento do homem”.

Mas, mesmo sendo diferenciadas em conceitos, sobretudo semelhantes na


essência, a ética e a moral precisam caminhar juntas, para que o cumprimento da
moral seja repensando na ética, e esta cause impactos positivos para a vida em
sociedade. A segunda questão intitulada: “Você acredita que as pessoas hoje estão
valorizando o exercício da ética? Comente sua resposta”. Somente o professor A
respondeu “sim”; os professores B, C, D, E, F e G, ao contrário, responderam “não”. As
respostas em uma proporção desequilibrada mostram que, mesmo vivendo num
mundo globalizado e pós-moderno, em que se fala muito em direitos humanos, éticos
e de solidariedade, como disse o professor A em sua resposta: “[...] que o ser humano
está em conflito e consequentemente procurando valorizar ou exigindo a valorização
da ética no grupo a qual pertence”, é visto constantemente, como disse o professor D
“[...] que o exercício da ética se encontra sacrificado nos dias hoje em decorrência do
individualismo, [...]”, o que nos faz perceber que realmente existe um conflito, mas
que não há ainda um exercício da ética, veementemente prático, entre a maioria das
pessoas em sociedade. Corroborando com este pensamento, o professor C disse: “Não
para a maioria, porque há um individualismo e supervalorização das coisas materiais”,
o professor F disse: “Não.

Infelizmente hoje ser ético parece estar fora de moda, pois as pessoas
valorizam mais a hipocrisia e a falsidade”. Diante do que ressalta Goergen (2005, p. 71)
quando diz que “[...] antiético é tudo o que prejudica este sentido essencial de nossa
vida de tornarmo-nos o que somos, isto é, seres humanos sociais”, nos reportamos a
fala do professor G quando explicitou seguindo a 5 coerência do que designa ser
antiético, e o quanto este comportamento, o qual o professor propôs exemplos, tem
prejudicado a vida em sociedade, quando disse: “As pessoas em sociedade caminham
na contramão de suas humanizações. [...] valorizam a ética do “farinha pouca, meu
pirão primeiro!”; a lei do mais esperto com o menor esforço… Isso tá nas filas dos
bancos, no recebimento do troco para mais (do que se deveria), na corrida pelo
assento no ônibus, no melhor lugar em um auditório, na escolha acelerada dos item do
prato no coffee break, avançar o sinal vermelho em prol de uns segundos a mais em
meu favor, vender o voto em “único momento em quatro anos que se pode ser
diretamente beneficiado”, estacionar na vaga de idosos, sentar em lugares para
prioridades, usar a fila das prioridades, nepotismo, [...]

É sob esta ética que padecem as pessoas.

É na contramão do exercício ético e da concepção da ética que são postas os


tesouros e os valores das pessoas comuns, no geral”. Portanto, os professores
questionados acreditam, tomando como exceção o professor A, conforme sua fala
ressaltada acima, que ainda muito há o que fazer para que o sentido da valorização da
ética e do seu exercício sejam apreendidos, o que nos faz acreditar, como ressalta Rios
(2010 p. 667) que: “Os princípios da ética guardam um caráter utópico.

O respeito, a justiça, a solidariedade ainda não se encontram presentes da


maneira como os idealizamos”, pois, pelos exemplos citados pelo professor G é
possível constatarmos, constantemente, estes feitos ao nosso redor. 3. Ética e
Educação: pode a universidade contribuir para sua construção? A questão titulada “Em
sua opinião, há e qual a relação entre ética e educação? Comente sua resposta”.

O professor A disse: “Acredito que há sim uma relação entre ética e educação.
Porque a educação deve contribuir para a construção da formação integral do ser
humano, tanto moral quanto intelectual. [...]”. O professor B disse: “Acho que a ética
se coaduna com a educação quando nos importamos com o caminho e a direção que a
mesma caminha.

Logo, há sim relação entre ética e educação, pois nos preocupamos, muito
embora ainda não tenhamos alcançado a educação de qualidade, está não deixa de ser
nossa meta”. O professor C disse: “Essa vinculação é natural, pois não se pratica uma
boa educação se não há preocupação com o bem coletivo, isto é, com o bem e a boa
convivência junto aos educandos”. O professor F e G com respostas bem parecidas
responderam com ênfase, que existe entre ética e educação “toda” uma relação. O
professor F disse: “Toda, pois não posso ensinar algo que não acredito ou não pratico.
O educador deve antes de tudo ter uma postura 6 ética e agir dentro dessa postura
para poder passar para seus alunos tal princípio, para poder exigir deles igual postura.
O professor G disse: “Toda! Absolutamente toda! A ética está posta para a vida
em equilíbrio consigo mesmo, com os outros e para com o orbe em que vivemos. A
Educação é o pressuposto de formação para este princípio”. Constatamos, portanto,
que os demais professores inseridos nesta pesquisa, respondendo também de forma
semelhante a esta questão, veem que a educação tem uma dimensão ética, e que esta
deve abranger todos os seus princípios, para que haja uma transformação reflexiva nas
ações dos sujeitos nos aspetos sociais, políticos, intelectuais e morais.

Dessa maneira, Rios (2010 p. 667) corrobora ressaltando que “A educação deve
ser um gesto de emancipação. Se assim é, não se pode esquecer a dimensão ética no
trabalho educativo, de quem ensina ou aprende”, nos mostrando o quanto através da
educação, os sujeitos podem se apropriarem da construção ética, de que pode a
educação subsidiar. Portanto, não há ética que possa ser construída, sem que perto
esteja a educação. Com relação à questão: “Em sua opinião, a universidade pode
contribuir para construção da ética? como? em que sentido? Comente sua reposta”.

O professor A disse: “Sim, a partir do exemplo dado pelo corpo docente e


administrativo nas suas práticas cotidianas. No cumprimento das leis e normas que
regem a universidade, ampliando para as leis e normas sociais. Porque acredito que
ética não se ensina, se pratica, se discute, se aplica”. O professor D com semelhante
resposta disse: “Sim, “pode” contribuir pelo exemplo, pela coerência das práticas dos
professores, pelo zelo com a boa formação dos seus educandos, e até pelos conteúdos
ensinados. Mas não considero possível “ensinar” as pessoas a serem éticas”.

Isto nos remete a Almeida (2002, p. 11) quando diz que “[...] ética não se
ensina, dá-se como exemplo e constrói-se na relação”, mostrando que é a partir de um
processo de construção que a mesma se faz presente nas relações. Portanto, a
universidade como lócus de um trabalho ético, e a prática docente, como diz Freire
(1996, 27), que é “[...] especificamente humana, [...] profundamente formadora, por
isso ética”, pode desenvolver constantemente, seja no espaço da sala de aula, ou na
promoção de eventos acadêmicos a construção da ética, pautada no desenvolvimento
de um ser crítico e autônomo, capaz de refletir e agir, diante do que contribui esse
espaço para isso.
O professor B ressaltou que pode contribuir: “Quando pensa na melhor
formação profissional, e para isso seleciona os melhores profissionais para isto”. O
professor E também respondeu positivamente, quando disse: “Sim, no sentido de
discutir os princípios éticos, contribuindo para a apropriação desses valores”.

O professor F disse: “Sim. Como instituição formadora é dever da universidade


e nossa que a fazemos agir eticamente e fomentar tal construção”, e o professor G
também afirmativamente disse: “Por intermédio do rigor teórico- metodológico de
formação profissional dos acadêmicos, naquilo que compete a cada curso no propósito
político-institucional de formação acadêmica dos processos formativos de nível
superior”. Com relação ao professor C, sua reposta foi negativa, sucinta, e sem
comentários, o mesmo disse: “Do ponto de vista teórico, há um discurso ético, mas na
prática fica a desejar”, o que pressupõe, diante da proporção desequilibrada em
relação às demais respostas, que o professor, mesmo acreditando que existe uma
relação entre ética e educação, que a universidade pode contribuir do ponto de vista
teórico, expõe sua insatisfação acreditando que a atuação profissional de formadores
da educação e da própria instituição pode ser insatisfatória nesse sentido. Sua fala foi
determinante para fomentar o desejo de investigar sua concepção em pesquisas
posteriores.

É por estes e outros conflitos, surgidos do mote “ética e educação”, que


Goergen (2005), ressalta que: O que se espera a educação ético-moral é que contribua
para ampliar a capacidade reflexiva dos indivíduos para que a autonomia e liberdade
subjetivas ampliadas possam ser resgatadas do individualismo hedonista e ser
capitalizadas em favor de um novo projeto de transformação social. (GOERGEN, 2005,
p. 87)

É nessa perspectiva, que o professor como formador, antes de tentar construir


valores éticos na Academia, consiga internalizá-los em sua vida, pois, como diz Freire
(1996, p. 26) “As qualidades ou virtudes são construídas por nós no esforço que nos
impomos para diminuir a distância entre o que dizemos e o que fazemos”, para com
isso sermos capazes de construir juntos com os sujeitos, uma ética pautada na
capacidade de cumprir não apenas valores morais que exigem as leis, sobretudo, de
refleti-los e questioná-los. 8 4. Professor ético: construindo valores Na questão
titulada: “O que é ser um professor ético?”, o professor A disse: “É acima de tudo ser
exemplo dos valores e normas que eles acreditam e defende. É ser responsável e
comprometido com o que faz”.

O professor B disse: “Um professor que se preocupa em dar o melhor exemplo


possível de companheirismo, formação, reflexão e preocupação com a formação de
seus alunos, considerando suas realidades, histórias e futuras intervenções na vida
daqueles que serão alunos de seus alunos”. Dessa forma, como formador de opiniões,
numa profissão cuja responsabilidade atravessa os muros da Academia, quando se
exige da mesma, uma ressignificação na formação de professores, de como ensinar,
para quem, e por que, este deve em seu ensino transmitir “[...] como referência
fundamental os princípios da ética”, Rios (2010, p. 665), sobretudo saber seu
significado dessa prática formadora.

Assim, nada melhor do que um professor ético, profissional, capaz de exercer


alteridade para formar cidadãos, que mesmo vivendo em meio à amoralidade e falta
de ética são capazes de exercer seu poder de escolha, quando através de uma prática
questionadora desempenhada pelo professor formador, consegue perceber o que é
ética e seus princípios, o significado do seu exercício para a vida e a sociedade. O
professor C disse que um professor ético: “É aquele que respeita a vontade, os
princípios e valores do outro, do aluno, dos seus companheiros.

É quem exerce o livre arbítrio e permite a participação sem fazer acepção de


pessoas”. Essa resposta fez-nos reportar a Goergen, (2005) quando diz que Não se
trata mais de disciplinar, de impor valores e sentidos mediante ameaças e castigos,
mas de convencer os educandos, através de argumentos racionais da importância e
necessidade de certos princípios orientados como consensos reguladores da vida do
homem em sociedade. (GOERGEN, 2005, p. 89)

Para formar sujeitos éticos através da educação deve-se buscar desenvolver


junto a estes, constantemente, uma reflexão diária sobre escolhas e valores, para que
compreendam as facetas do mundo que o cerca, do acirrado capitalismo, da violência
e injustiça, dos ataques do consumismo para conseguir cada dia mais adeptos, do
poder de manipulação inserido nas mídias, na política, não deixando que estes os
impeçam de se fazerem ser humano ético. 9

Portanto, com respostas semelhantes, todos os professores nessa mesma


perspectiva, acreditam na importância de se constituir um professor ético, e transmitir
valores através das discussões em sala de aula, estes como: respeito, tolerância,
justiça, solidariedade, entre outros, bem como mostrando diante da crueldade de
fatos verídicos que acontecem dia a dia, que podem ser éticos, mesmo quando o
mundo não é.

Levando em consideração que tudo o que é ouvido, provocado e argumentado


sobre ética e valores em sala de aula pode influenciar o educando positivamente para
exercer esses valores, o professor ético deve considerar o ser subjetivo “[...] artíficie,
escultor de si mesmo” Goergen (2005, p. 61), que quando escuta e debate é capaz de
raciocinar, criar, cabendo-lhe a habilidade de discernir o certo do errado, o bom do
ruim, e a partir disso viver bem consigo e com os outros, considerando que é parte de
um todo, e que esse todo necessita dele e ele do todo, sobretudo, da ética para
transformar o meio em que vive no melhor possível

GENERAL GLEUBER VIEIRA em sua essência, lá está, subjacente, o


mesmo entendimento: ética (do grego
Pediram-me para escrever um
ethirós e do latim mos, mores no plural)
artigo sobre ética e valores morais.
significa modo de ser, caráter. Em
Nada mais lógico e fácil do que
filosofia significa “o que é bom para o
mergulhar no universo das
indivíduo e para a sociedade”. Moral é o
conceituações formuladas ao longo da
conjunto de normas, princípios,
história sobre os temas em questão.
preceitos, costumes e valores que
Implicaria identificar, comentar e
norteiam o comportamento do
comparar inúmeras definições que
indivíduo no grupo social. Portanto, a
encontramos nas mais variadas fontes
ética encerra um enfoque teórico,
de consulta.
enquanto a moral é normativa.
Se atentarmos bem, vamos Importante ressaltar que ambos os
constatar que, no fundo, todas elas conceitos focalizam a harmonia, a
expressam a mesma percepção. Mudam conciliação de interesses individuais e
as palavras, alteram-se as ênfases, mas, da sociedade. Creio que basta essa
mínima cogitação conceitual para um que estimula a transgressão, poupa os
entendimento claro e unânime sobre o mais favorecidos e penaliza os que não
que esperar de uma conduta ética e dispõem de instrumentos para reclamar
obediente a valores morais. justiça? Ou a cumplicidade dos que se
omitem em suas obrigações por terem o
Porém, como optar por essa via
“rabo preso”? O fato é que se vive um
conceitual, natural e cômoda, fechando
quadro de visível deterioração do tecido
os olhos para as agressões hoje em dia
moral de nossa sociedade, capaz de
cometidas contra a ética em nosso país,
arruinar as barreiras que defendem a
quando vivemos uma crise moral? Como
moralidade.
ignorar a desfaçatez com que são
driblados, sob os mais diversos e É realmente desanimador
infames artifícios, os valores morais que constatar que nos distanciamos cada
constituem os fundamentos das vez mais da Pindorama idílica dos versos
sociedades solidamente organizadas? de Gonçalves Dias e que o país prefere
Como não lembrar o descalabro das cultuar Macunaíma, o “herói sem
condutas que afrontam nenhum cará- ter” da obra de Mário de
conscientemente o comportamento Andrade.
ético que se pode esperar – e, mais que
Quais as causas? Onde está a raiz
isso, exigir – de pessoas responsáveis
desse flagelo? Difícil definir, mas é
em todos os campos de atividades
possível trazer à tona alguns pontos. A
pública e privada? Vamos reconhecer:
célula básica para a semeadura de
vivemos sob o estigma de
valores morais é indiscutivelmente a
procedimentos que ofendem solene,
família. É onde se conforma a
deslavada e cinicamente preceitos
personalidade dos jovens e lhes são
éticos e morais. Como fingir que não
transmitidas as premissas fundamentais
vemos o festival de Reflexões sobre
da vida em comunidade, do respeito ao
ética e valores morais, malandragem do
próximo e da valorização dos interesses
mensalão, os escândalos das malas de
comuns. É onde se forma e fortalece seu
subornos, a orgia do tráfico de
caráter. Todavia, é preocupante
influência, o dinheiro de origem
perceber como esse organismo
inconfessável escondido em pastas e
fundamental se vem debilitando e
meias, as vantagens auferidas por meios
comprometendo seu decisivo papel na
escusos, o uso desavergonhado do
preparação da juventude do país e no
nepotismo, o apego inconsequente a
fortalecimento dos valores morais. É
cargos, as manobras eleitorais
inquietante ver pais que fazem da
duvidosas, o império do “eu não sabia”,
leniência indiscriminada o paradigma da
do “foi contra minha vontade” ou do
educação no lar; que são capazes de
“assinei sem ler”, a luta pela
questionar a atuação de professores e
perpetuação no poder a qualquer custo,
orientadores – prosseguidores naturais
mesmo em detrimento do auto respeito
da formação iniciada na célula familiar –
da nação? Como ignorar a impunidade
que tentam incutir a disciplina, as “religiosos” que, em detrimento da
noções de cidadania e o espírito de legítima motivação espiritual,
civismo indispensáveis à vida em favorecem um proselitismo político-
sociedade e acabam conflitando com as ideológico ou buscam o enriquecimento
facilidades exageradas e os mimos financeiro pessoal por intermédio da
concedidos aos seus “intocáveis malévola e indecente exploração da fé.
filhotes”, fechando os olhos diante de Tais concessões a condutas perversas
seus procedimentos antissociais. também são percebidas na parcela da
mídia que não preserva sua
Nessa trilha perigosa, segue-se o
independência e se permite, por
ambiente educacional dos
conveniência e mesmo por omissão,
estabelecimentos de ensino que
compactuar com procedimentos que
dependem de estruturas favoráveis, de
conflitam com a ética.
corpos docentes bem preparados e
recompensados, mas que Será que está tudo realmente
frequentemente vivem acossados por perdido? Afinal, parece que cada um
incertezas e atuam com insuficiente desses aspectos sumariamente citados e
preparação. Convivem com estruturas comentados se interalimenta e forma
precárias e ameaças que podem um círculo vicioso do mal, de difícil
comprometer o exercício da nobre rompimento. Talvez as percepções que
missão do magistério. expus fiquem majoradas pela frequência
com que os fatos desairosos ganham
Estende-se esse ciclo perverso às
espaço em nosso mundo atual, da
esferas superiores da vida nacional,
informação universal e instantânea.
onde maus e berrantes exemplos
contribuem para minar os vetores que Contudo, não quero acreditar
elevam espiritualmente uma nação: um nessa possibilidade do irremediável. Já
comportamento ético irretocável e o vi sociedade se dar conta de problemas
respeito aos valores que constituem a graves e reagir no momento certo. Por
fortaleza moral de um povo. Tais que não pode fazê-lo mais uma vez?
transgressões são cometidas, até Uma reflexão judiciosa me faz lembrar
mesmo, ora por integrantes dos que a maior parte do povo brasileiro
poderes da República em seus diversos percebe essa deterioração moral, com
níveis, ora pelos que têm por missão a ela não compactua e reconhece que
própria defesa e aplicação da justiça. algo precisa ser feito. Acredito que cabe
à própria sociedade desenvolver os
Incidem no mesmo pecado
anticorpos capazes de destruir os vírus
políticos e empresários que acendem
que contaminam setores da vida
uma vela a Deus e outra ao diabo, na
nacional e ameaçam a solidez dos
ânsia de “se dar bem” em qualquer
pilares morais que sustentam a ética em
situação, de assegurar espaço junto a
uma sociedade. Para tanto dispõe dos
qualquer governo ou administração. O
instrumentos proporcionados pelo
comentário vale também para os
regime democrático, que, embora demande persistência. O brasileiro não
agindo lentamente, são eficazes e pode continuar assistindo impassível à
asseguram resultados que não são derrocada do monumento dos valores
efêmeros. Ao contrário, podem e devem morais provocada pela atitude
perpetuasse. Mas é preciso que cada vergonhosa de alguns maus
um faça a sua parte, a própria pessoa concidadãos. A solução está em nossas
sendo exemplo de conduta ética e mãos. Somente uma reação em cadeia,
sabendo escolher, cobrar e exigir. utilizando os instrumentos que o
próprio regime oferece, será capaz de
É relevante o papel a ser
reverter o quadro de deterioração moral
cumprido por famílias bem constituídas,
da sociedade.
que sabem valorizar a formação moral
de seus membros, constituindo-se em Eis por que não consegui me ater
agentes dos bons costumes. São à mera discussão de conceitos e
necessárias religiões realmente voltadas comentários didáticos sobre “ética e
para o enriquecimento espiritual do ser valores morais”, quando dispomos, em
humano, caminho certo e fácil para o nosso dia a dia, de exemplos que, mais
fortalecimento de uma sociedade. do que qualquer debate, nos podem
Contamos também com instituições e ensinar o que significam essas
organizações Brasil afora que fazem expressões e inspirar a necessária
ponto de honra da observância dos reação. Por extensão, sabendo valorizar
valores éticos, conscientes dos esses conceitos, avaliar sua importância
benefícios de dispor, como seus e identificar quem os despreza, sabemos
servidores, de cidadãos de formação perfeitamente como proceder para
moral sólida e confiável. Sem falar de fazê-los respeitados.
instituições tradicionais – entre elas as
Resta começar. Portanto, mãos à
Forças Armadas – que fazem da
obra. Acorda, cidadão! Acorda, Brasil!
lealdade, da disciplina, do apego
incondicional aos valores éticos o O GENERAL DE EXÉRCITO GLEUBER
paradigma a ser perseguido. E, fugindo a VIEIRA é natural da cidade do Rio de Janeiro.
uma generalização injusta, devemos Desempenhou o cargo de Ministro do Exército,
entre 1999 e 2002, e, com a criação do
reconhecer que existem políticos,
Ministério da Defesa, o de Comandante do
empresários, profissionais liberais e Exército.
juízes absolutamente éticos, honestos e
inatacáveis. Basta saber identificá-los e
voltar as baterias contra os que não
seguem essa trilha e não merecem
nossa escolha, nosso apoio, nosso
reconhecimento.

Portanto, há como reverter o


quadro, ainda que leve tempo e

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