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Estudo sobre as diferenças e

similaridades entre as Normas


Internacionais de Contabilidade –
IFRS e as Normas e Práticas
Contábeis Brasileiras
IAS 34 - Relatórios Financeiros Intermediários

2008
ESTUDO SOBRE AS DIFERENÇAS E SIMILARIDADES ENTRE AS NORMAS
INTERNACIONAIS DE CONTABILIDADE – IFRS E AS NORMAS E PRÁTICAS
CONTÁBEIS BRASILEIRAS

IAS 34 - RELATÓRIOS FINANCEIROS INTERMEDIÁRIOS

Índice

1. Resumo Executivo....................................................................................................... 1
2. Pontos Relevantes Identificados na Comparação das Normas.................................... 2
I. Aplicação de Práticas e Princípios de Mensuração e Reconhecimento na
Elaboração das DFIs............................................................................................ 4
II. Objetivo e Escopo das Normas Contábeis na Preparação das DFIs....................11
III. Conteúdo das DFIs ..............................................................................................12
a) Componentes, forma e conteúdo de DFIs .....................................................13
b) Conjunto completo de demonstrações financeiras ........................................14
c) Demonstrações financeiras condensadas.......................................................15
d) Requisitos para informações financeiras intermediárias completas e
condensadas ...................................................................................................17
e) Notas explicativas selecionadas.....................................................................18
f) Divulgação de práticas contábeis ..................................................................21
g) Divulgação de valores incomuns...................................................................21
h) Divulgação de cumprimento com o IFRS .....................................................21
i) Períodos para os quais a apresentação de DFIs é necessária.........................24
j) Extensão do período financeiro intermediário...............................................27
k) Divulgação nas demonstrações financeiras anuais........................................27
l) Negócios sazonais .........................................................................................28
m) Receitas recebidas sazonal, cíclica ou ocasionalmente .................................28
n) Custos incorridos de forma desigual durante o exercício social ...................29
IV. Divulgação de Cumprimento com o IFRS ..........................................................29
V. Informações por Segmentos ................................................................................30
VI. Uso de Estimativas e Materialidade ....................................................................31
VII. Mudanças de Práticas Contábeis .........................................................................33
VIII.Imposto de Renda ................................................................................................34
3. Comentários sobre os Pontos Relevantes Notados na Comparação das Normas........44
4. Opinião dos Autores sobre as Barreiras na Aplicação da Norma Internacional .........46
5. Proposta de Ação Regulatória .....................................................................................48
6. Bibliografia Utilizada na Comparação das Normas e Práticas....................................55
7. Opinião e Comentários dos Consultores da FIPECAFI ..............................................55
1. Resumo Executivo

O objetivo específico deste relatório é o de prover aos usuários das informações


contábeis as principais distinções existentes entre a Norma Internacional de
Contabilidade – International Accounting Standard, Interim Financial Reporting –
IAS 34 e as práticas contábeis adotadas no Brasil que tratam da elaboração das
demonstrações financeiras intermediárias; demonstrar as barreiras na implementação
da Norma Internacional no Brasil, bem como propor sugestão de ação regulatória.

Para elaboração deste material foram tomados como referência os pronunciamentos


emitidos até 31 de janeiro de 2008, tanto para as normas internacionais de
contabilidade quanto para as práticas contábeis adotadas no Brasil. Foram também
efetuadas leituras de livros técnicos, comunicado técnico emitido pela CVM, artigos
publicados pelos IASB e outros artigos publicados por outros órgãos sobre o assunto.

Como resultado deste estudo, as seguintes principais conclusões foram alcançadas:

 As principais diferenças identificadas entre o IAS 34 e as práticas contábeis


adotadas no Brasil decorrem:

- Da aplicação dos princípios de reconhecimento e mensuração. De acordo com a


Norma Internacional, certas estimativas são mensuradas em períodos
intermediários utilizando-se critérios anuais, para despesas determinadas em
bases anuais. Como exemplo a despesa de imposto de renda. Essa prática ainda
não é utilizada pela contabilidade brasileira; e

- Da apresentação do conteúdo das demonstrações financeiras intermediárias que,


de acordo com a Norma Internacional, podem ser completas ou condensadas
(nestas últimas com notas explicativas selecionadas), e o balanço do período
intermediário deve ser comparado com o do ano anterior. No Brasil, as
demonstrações financeiras intermediárias são apresentadas em uma versão
extensa, mas não completas, e o balanço é comparado com o período
intermediário anterior.

 A literatura contábil brasileira não dispõe de norma específica que trate da


preparação das demonstrações financeiras intermediárias; desta forma, a
convergência para o IFRS exigirá a criação de norma específica, equivalente
ao IAS 34; e

 Para que as demonstrações financeiras intermediárias possam ser


apresentadas de acordo com o IFRS, será necessário o alinhamento entre as
práticas contábeis adotadas no Brasil e as demais normas internacionais de
contabilidade.

1
1. Resumo Executivo--Continuação

No capítulo 2 deste relatório são apresentados os pontos relevantes identificados na


comparação item a item, entre as normas internacionais e as práticas contábeis
adotadas no Brasil, e no capítulo 3 são discutidos, de forma detalhada, os problemas
percebidos na comparação das demonstrações financeiras intermediárias divulgadas.
Nos capítulos 4 e 5 são apresentadas nossas opiniões sobre o assunto e as bases para a
conclusão, bem como a proposta de ação regulatória e de outras naturezas sobre o
assunto. Finalmente, no capítulo 6 são listadas as fontes de pesquisas utilizadas para a
concepção deste relatório, e no capítulo 7 são documentados a opinião e os
comentários do consultor da FIPECAFI.

2. Pontos Relevantes Identificados na Comparação das Normas

O termo Demonstrações Financeiras Intermediárias – DFIs refere-se a um relatório


apresentado para um período menor que um ano. Apesar de a preparação e divulgação
de relatórios financeiros intermediários serem uma prática usada há longa data,
somente em décadas recentes vêm sendo requeridos, e nesse contexto, instruções
específicas determinando a sua preparação e apresentação foram incluídas na literatura
das práticas contábeis avançadas. O IAS 34 tem como objetivo “estabelecer o
conteúdo mínimo de relatórios financeiros intermediários juntamente com os
princípios para fins de reconhecimento e mensuração nas demonstrações financeiras
completas ou condensadas para um período intermediário...” Na sua descrição do
objetivo, a Norma estende comentários para enfatizar o propósito das DFIs, como
segue: “...A emissão de demonstrações financeiras intermediárias confiáveis em tempo
hábil melhora a capacidade de investidores e credores, entre outros, de entender a
capacidade de uma entidade de gerar resultados e fluxos de caixa, além da sua
condição financeira e liquidez.” 1 . Um dos principais propósitos das DFIs é o de
fornecer, aos seus usuários, uma atualização relativa ao último conjunto completo de
demonstrações financeiras anuais. Assim, evita-se a duplicidade de informações
previamente apresentadas e dá ênfase a novas atividades, eventos e circunstâncias
ocorridos desde as últimas demonstrações financeiras anuais.

O IAS 34 e o IFRIC 10 – Interpretation 10 Interim Financial Reporting and


Impairment, são as normas internacionais de contabilidade que tratam da elaboração
das DFIs. O IAS 34 foi emitido em fevereiro de 1988, como parte do projeto de
desenvolvimento de um conjunto completo de normas de contabilidade que a
Comissão Internacional de Valores Mobiliários (IOSCO) endossou para uso em
ofertas públicas internacionais e negociação de ações de entidades de capital aberto. O
IAS 34 é aplicável a entidades que apresentem suas DFIs de acordo com o IFRS para
os períodos a se iniciar em primeiro de janeiro de 1999 2 .

1
IAS 34, Objetivo.
2
IAS 34, parágrafo 46.

2
2. Pontos Relevantes Identificados na Comparação das Normas--Continuação

É importante mencionar que o item DFIs é um dos tópicos na lista do órgão americano
Financial Accounting Standards Board – FASB e do International Accounting
Standards Board – IASB para a convergência prevista a curto prazo entre as duas
estruturas e, em decorrência desse projeto, o IAS 34 poderá passar por mudanças. Tais
mudanças fazem parte da fase C 3 do referido projeto que tratará da apresentação das
DFIs em USGAAP, e que o IASB poderá considerar as DFIs por meio de alteração do
IAS 34. Essa fase se iniciará durante o estágio final da fase B do referido projeto, que
terá início no segundo trimestre de 2008. Os tópicos objeto de revisão da fase C
incluem:

 Demonstrações financeiras que devam ser apresentadas, se for o caso, em um


relatório financeiro intermediário;

 Se demonstrações financeiras que devam ser apresentadas em um relatório


financeiro intermediário possam ser apresentadas em um formato condensado e,
em caso afirmativo, se diretrizes devam ser fornecidas sobre a forma em que as
informações possam ser condensadas;

 Quais períodos comparativos, se for o caso, possam ser permitidos nos relatórios
financeiros intermediários, e quando a apresentação de demonstrações financeiras
para período acumulado de doze meses é requerida ou permitida em relatórios
financeiros intermediários; e

 Se as diretrizes para empresas fechadas devem diferir das diretrizes para empresas
abertas.

As práticas contábeis adotadas no Brasil não dispõem de um pronunciamento


específico que trate da elaboração das DFIs; existem normas emitidas pela CVM que
requerem a apresentação das DFIs 4 , bem como artigos específicos da Lei 6.404/76
determinando certos tratamentos contábeis a serem observados durante sua
elaboração. 5

As companhias abertas com registro na CVM são requeridas por esse órgão regulador
a apresentar, trimestralmente, seus relatórios de Informações Trimestrais – ITRs,
acompanhados de Relatório de Revisão Especial emitido por auditores independentes.

A seguir, são descritos os itens relevantes, ou seja, aqueles que apresentam diferenças
entre as práticas brasileiras e internacionais, identificadas na comparação, com
inclusão de comentários naqueles que consideramos necessários devido às suas
naturezas e complexidades:

3
FASB/IASB Atualização de Projetos – Última Atualização - 4 de março de 2008 – Fase C.
4
Instrução CVM 202, artigo 16º, inciso VIII.
5
Lei 6.404/76, artigo 204, parágrafos 1-2, Lei 6.404/76, artigo 186, parágrafo 1º, Deliberação CVM 506, Deliberação CVM 273,
parágrafos 8, 10 e 31.

3
I. Aplicação de Práticas e Princípios de Mensuração e Reconhecimento na
Elaboração das DFIs

Especialistas têm debatido a respeito das práticas e princípios de mensuração,


reconhecimento e divulgação alternativos e aqueles requeridos pelo IFRS na
apresentação das DFIs. Discute-se sobre se o período intermediário deveria ser tratado
como um período discreto e independente ou se deveria ser visto primeiramente como
uma apresentação parcial do ano financeiro.6 Na preparação das DFIs, o IAS 34 requer
que uma entidade efetue mensurações acumuladas na data-base intermediária, ou seja,
year-to-date 7 que é a forma híbrida largamente baseada no requerimento de divulgar
as demonstrações financeiras em uma data intermediária; entretanto, fazendo certas
estimativas e mensurações com a visão da posição financeira esperada para o fim do
ano. No entanto, a Norma não permite que tais estimativas e mensurações sejam
utilizadas para “flexibilizar” o resultado. Por exemplo, as despesas estimadas com
impostos sobre o lucro para um período intermediário são baseadas no lucro apurado
até à data do relatório intermediário, sobre o qual se aplica a melhor estimativa de
alíquota de imposto de renda esperada para o ano, não sendo uma função do total das
despesas anuais estimadas com impostos divididas pelo número de períodos
intermediários.

O IAS 34 permite a uma entidade incluir demonstrações financeiras completas ou uma


versão condensada para o período intermediário. 8 Os princípios para o reconhecimento
de ativos, passivos, receitas e despesas para períodos intermediários devem ser os
mesmos que os das demonstrações financeiras anuais. 9 Assim, uma entidade deve
aplicar as mesmas práticas contábeis nas suas DFIs e nas suas demonstrações
financeiras anuais mais recentes, ajustadas de forma a considerar mudanças nas
práticas contábeis que devam ser refletidas nas próximas demonstrações financeiras
anuais.

Contudo, o IAS 34 determina que a periodicidade das demonstrações financeiras de


uma entidade (anual, semestral ou trimestral) não deve afetar a mensuração dos seus
resultados anuais. Para alcançar este objetivo, mensurações para fins de demonstrações
intermediárias devem ser feitas de forma acumulada (year-to-date). 10

6
International GAAP 2007, Chapter 37, página 2457
7
IAS 34, parágrafo 28.
8
IAS 34, parágrafo 4.
9
IAS 34, parágrafo 29.
10
IAS 34, parágrafo 28.

4
I. Aplicação de Práticas e Princípios de Mensuração e Reconhecimento na
Elaboração das DFIs--Continuação

A mensuração de forma acumulada reconhece que um período intermediário é parte de


um exercício financeiro maior e permite ajustes de estimativa de valores apresentados
em períodos intermediários anteriores pertencentes ao exercício social corrente. 11
Além disso, os princípios para reconhecimento e as definições de ativos, passivos,
receita e despesas para períodos intermediários são os mesmos das demonstrações
financeiras anuais. 12 Assim, para ativos, as mesmas revisões de geração de benefícios
econômicos futuros se aplicam nas datas intermediárias e no encerramento do
exercício social. Custos que, pela sua natureza, não se classificariam como ativos no
encerramento do exercício também não se qualificariam para reconhecimento em datas
intermediárias. Analogamente, um passivo deve apresentar uma obrigação existente
em uma data-base intermediária, da mesma forma que em uma data-base da
demonstração financeira anual. 13 Segundo o IAS 34 e a Estrutura Conceitual Básica
do IASB (Framework), uma característica essencial de receita e despesa é a de que os
correspondentes fluxos de entrada e de saída de ativos e passivos já tenham ocorrido.
Quando esses fluxos de entrada e saída já tenham ocorrido, as correspondentes receitas
e despesas são reconhecidas, caso contrário não devem ser reconhecidas. 14

Os critérios de reconhecimento utilizados são aqueles preconizados pelo Framework.


Assim, um ativo é reconhecido se tiver um custo ou valor mensurável de forma
confiável e for provável que benefícios econômicos futuros fluirão para a entidade 15 , e
um passivo deve ser registrado quando for provável que haverá saída de recursos,
incluindo benefícios econômicos, para liquidação de uma obrigação presente, e o
montante a ser liquidado pode ser mensurado de forma confiável. 16 Os critérios de
reconhecimento de receitas e despesas derivam dessas definições, ou seja, receitas e
despesas são reconhecida4s quando um aumento/redução nos benefícios econômicos
futuros relacionado com um aumento/redução em um ativo ou redução/aumento de um
passivo estiverem presentes e possam ser mensurados de forma confiável. 17 Isto
significa que o reconhecimento de receitas e despesas ocorre simultaneamente com o
reconhecimento dos aumentos/reduções em ativos e reduções/aumentos de passivos.

Mensuração é definida como sendo o processo de determinação do montante


monetário em que os elementos das demonstrações financeiras são reconhecidos e
reportados no balancete e na demonstração do resultado. Isto envolve a seleção de uma
base particular de mensuração. 18

11
IAS 34, parágrafo 29.
12
IAS 34, parágrafo 29 e 31.
13
IAS 34, parágrafo 32.
14
IAS 34, parágrafo 33.
15
Framework, parágrafo 88.
16
Framework, parágrafo 91.
17
Framework, parágrafo 92 e 94.
18
Framework, parágrafo 99.

5
I. Aplicação de Práticas e Princípios de Mensuração e Reconhecimento na
Elaboração das DFIs--Continuação

O Framework lista quatro “bases de mensuração” possíveis: custo histórico; custo


corrente; valor realizável; e valor presente. Valor presente significa que os ativos são
mantidos ao valor presente dos seus fluxos de caixas futuros, enquanto os passivos são
mantidos ao valor presente do montante que será requerido para liquidação futura.
Apesar do uso freqüente nas normas do IASB, o fair value não está entre as bases de
mensuração listadas no Framework em que não é mencionado em nenhum momento.
Entretanto, em recentes normas emitidas, o IASB define fair value como sendo “o
montante pelo qual um ativo poderia ser negociado entre partes independentes e
dispostas a negociar em condições de mercado”, o que essencialmente significa dizer
que o termo fair value foi adotado para significar o que o Framework se refere como
sendo valor realizável (vale mencionar que o fair value é objeto de estudo detalhado
em projeto específico).

6
I. Aplicação de Práticas e Princípios de Mensuração e Reconhecimento na
Elaboração das DFIs--Continuação

A Norma descreve uma série de circunstâncias que ilustram esses princípios:

 Redução do valor de estoques, deterioração de ativos ou provisões para reestruturações


devem ser reconhecidos e mensurados da mesma forma como se o encerramento do
período intermediário fosse o encerramento do exercício social. Exceto reversões de
determinadas deteriorações de ativos, mudanças posteriores na estimativa original
devem ser refletidas no período intermediário seguinte, por meio do reconhecimento de
provisões adicionais ou a reversão dos valores anteriormente reconhecidos. 19 O IFRIC
10 – Interpretation 10 Interim Financial Reporting and Impairment, entrou em vigor
em 2006 para eliminar o conflito entre o IAS 34, IAS 36 e IAS 39, concluindo que as
entidades não podem reverter em suas DFIs as perdas com impairment relacionadas ao
ágio ou aos instrumentos financeiros que foram registrados em períodos anteriores. O
IAS 36 requer que uma entidade reconheça uma perda por deterioração quando o valor
recuperável de um ativo for inferior ao correspondente valor contábil. 20 Uma entidade
deve aplicar os mesmos critérios para teste de deterioração, reconhecimento e reversão
em uma data intermediária que seriam aplicados no encerramento do seu exercício
social. 21 O IAS 34 afirma que isso não significa que uma entidade deve,
necessariamente, realizar um cálculo detalhado da deterioração de ativos no final de
cada período intermediário. Ao contrário, uma entidade deve realizar um exame para
identificar evidências de deterioração significativa desde o encerramento do exercício
social mais recente para verificar se o referido cálculo é necessário. 22 Contudo, a
Norma não isenta efetivamente uma entidade da obrigação de realizar testes de
deterioração de ativos no encerramento dos seus períodos intermediários. Por exemplo,
uma entidade que tenha reconhecido um encargo de deterioração no exercício social
anterior pode concluir que é necessário atualizar os seus cálculos de deterioração de
ativos no encerramento dos períodos intermediários subseqüentes devido à presença de
evidências de deterioração. Em virtude da inexistência de tratamento específico no IAS
34 sobre a reversão de perda de substância econômica dos ativos tratados nas Normas
IAS 36 e 39, faz-se necessário considerar a aplicação dos requisitos existentes na
Norma IFRIC 10. Isto se faz necessário devido aos requisitos conjuntos do IAS 34 de
aplicar as mesmas práticas contábeis nas DFIs que as aplicadas nas demonstrações
financeiras anuais e de utilizar mensurações acumuladas para fins das DFIs. Conforme
mencionado no item anterior, o requisito de utilizar as mesmas práticas contábeis
significa que uma entidade deve aplicar os mesmos critérios para testes de deterioração
de ativos, reconhecimento e reversão em uma data intermediária os quais seriam
aplicados no encerramento do exercício social. 23 Ao aplicar os mesmos critérios de
reversão em uma data intermediária, os seguintes requisitos são relevantes:24

19
IAS 34, parágrafo 30.
20
IAS 34, apêndice B, parágrafo 35.
21
IAS 34, apêndice B, parágrafo 36.
22
IAS 34, apêndice B, parágrafo 36.
23
IAS 34, apêndice B, parágrafo 36.
24
IFRIC 10, parágrafos 4 – 6.

7
I. Aplicação de Práticas e Princípios de Mensuração e Reconhecimento na
Elaboração das DFIs--Continuação

- A Norma IAS 36 proíbe a reversão em um período subseqüente de perda de


substância econômica de ágio. 25

- Uma perda por deterioração reconhecida na demonstração do resultado, oriunda de


um investimento em um instrumento financeiro, classificado segundo a Norma IAS
39 como um investimento disponível para venda, não pode ser revertida por meio da
demonstração do resultado. 26

- A Norma IAS 39 também proíbe a reversão de uma perda por deterioração relativa a
um instrumento financeiro não cotado em bolsa, que seja apresentado ao custo,
devido ao fato de o seu valor justo não poder ser mensurado de forma confiável, ou
relativa a um ativo de instrumento derivativo e que deva ser liquidado por meio do
referido instrumento financeiro não cotado em bolsa. 27

25
IAS 36, parágrafo 124.
26
IAS 39, parágrafo 69.
27
IAS 39, parágrafo 66.

8
I. Aplicação de Práticas e Princípios de Mensuração e Reconhecimento na
Elaboração das DFIs--Continuação

Contudo, a utilização de mensurações acumuladas implicaria que o cálculo de


deterioração de ativos em datas intermediárias do mesmo exercício social deve ser
baseado em condições vigentes em cada data intermediária e determinada
independentemente de avaliações feitas em datas intermediárias anteriores. A
aplicação deste requisito da Norma IAS 34 levaria a reversões de deteriorações
anteriormente apresentadas se houver mudança de condições que justifiquem um valor
contábil mais alto para o referido ativo. Em julho de 2006, a Norma IFRIC 10 foi
emitida. Ao mesmo tempo em que seria pouco provável que as condições que
levassem a entidade a reconhecer, em uma data intermediária, uma perda de substância
econômica de ágio que mudasse antes do encerramento do exercício, a Norma IFRIC
10 estabelece que os requisitos mais específicos das normas relacionadas devam
prevalecer em relação às exposições mais genéricas na Norma IAS 34. 28. Dessa forma,
a Norma IFRIC 10 proíbe a reversão nas DFIs de uma perda por deterioração oriunda
de ágio ou investimento em instrumento financeiro ou um ativo financeiro apresentado
ao custo reconhecida em um período intermediário anterior. 29 A interpretação é
obrigatória para períodos contábeis que se iniciem em 1o de novembro de 2006 ou em
data posterior, sendo a sua adoção antecipada recomendada. Quando adotada, a
interpretação se aplica a ágio de forma prospectiva, desde a data em que a entidade
aplicou pela primeira vez a Norma IAS 36, e a investimentos em instrumentos
financeiros ou ativos financeiros apresentados ao custo prospectivamente, desde a data
em que a entidade aplicou os critérios de mensuração da Norma IAS 39 pela primeira
vez. Quando a interpretação for adotada pela primeira vez nas demonstrações
financeiras para um período que se inicia antes de 1o de novembro de 2006, este fato
deverá ser divulgado. 30 O IFRIC foi criterioso em assegurar que esta interpretação não
deveria ser utilizada de forma a obter um princípio geral, o que exigiria que requisitos
mais específicos de uma norma relacionada prevalecessem em relação a outros
elementos da abordagem acumulada do IAS 34. A Norma IFRIC 10 afirma que a
interpretação não deve ser aplicada por analogia a qualquer área, além da reversão de
determinadas perdas por deterioração. 31

28
IFRIC 10, Bases para conclusão, parágrafo BC9.
29
IFRIC 10, parágrafo 8.
30
IFRIC 10, parágrafo 10.
31
IFRIC 10, parágrafo 9.

9
I. Aplicação de Práticas e Princípios de Mensuração e Reconhecimento na
Elaboração das DFIs--Continuação

Um custo que não se enquadre na definição de ativo no encerramento de um período


intermediário não deve ser diferido na data do balanço, para aguardar informações
futuras sobre se satisfez a definição de um ativo ou para fins de alinhamento de
rendimentos ao longo de períodos intermediários pertencentes ao exercício social. 32
Por exemplo, os custos incorridos na compra de um ativo intangível antes de os
critérios para reconhecimento terem sido satisfeitos devem ser contabilizados em
despesas, de acordo com a Norma IAS 38 – Ativos Intangíveis. Apenas os custos
incorridos, após os critérios para reconhecimento terem sido satisfeitos, poderão ser
registrados no balanço patrimonial; não há o restabelecimento de um ativo em um
período posterior devido a custos anteriormente contabilizados em despesas, quando
os critérios de reconhecimento não tenham sido satisfeitos àquela época; e

 A despesa de imposto de renda deverá ser ‘reconhecida em cada período


intermediário com base na melhor estimativa da média ponderada anual da
alíquota de imposto de renda esperada para todo o exercício social. Os valores
provisionados para despesas com imposto de renda em um período intermediário
podem ter que ser ajustados em um período intermediário subseqüente do
correspondente exercício social se houver mudança na estimativa da alíquota de
imposto de renda anual 33 . Esse item é tratado com mais profundidade em tópico
subseqüente, já que é um dos itens que devem ser estimados com base anual.

Com base no critério de mensuração das DFIs, a posição financeira e o desempenho


em cada data-base (seja semestral, trimestral ou período inferior) são avaliados, não
como um período isolado, mas como parte de um período acumulado até chegar a um
ano e cujos resultados não devem ser influenciados por tais práticas adotadas. Os
valores apresentados em períodos intermediários anteriores não devem ser ajustados
de forma retroativa; assim, mensurações acumuladas podem envolver mudanças nas
estimativas de valores apresentados em períodos intermediários anteriores do exercício
social corrente. Conforme discutido no item anterior, o IAS 34 requer a divulgação da
natureza e do valor de mudanças significativas em estimativas anteriormente
apresentadas, tanto nos relatórios financeiros intermediários quanto nas demonstrações
financeiras anuais. 34

32
IAS 34, parágrafo 30.
33
IAS 34, parágrafo 30.
34
IAS 34, parágrafos 16, 26 e 34-36.

10
I. Aplicação de Práticas e Princípios de Mensuração e Reconhecimento na
Elaboração das DFIs--Continuação
A literatura contábil brasileira não aborda teoria sobre princípios de mensuração e
reconhecimento na elaboração das DFIs. A ausência de normas contábeis tratando da
aplicação de princípios de mensuração e reconhecimento na elaboração das DFIs
expõe o preparador à aplicação inconsistente de mensurações na elaboração das DFIs,
cuja preparação, na prática, tem sido historicamente mais com base no entendimento
de relevância da gerência, muitas vezes apoiada em benchmark com demonstrações
financeiras de outras companhias preparadas em contexto similar, do que de acordo
com princípios, mensurações e critérios determinados em norma de modo que facilite
a preparação e apresentação consistente do que seria relevante para o investidor e
demais usuários. A adoção do IAS 34 reduzirá inconsistências na preparação das DFIs.

II. Objetivo e Escopo das Normas Contábeis na Preparação das DFIs


Estabelecer objetivo e escopo em norma torna-se necessário, principalmente para
fortalecer a consistência do conteúdo dos relatórios apresentados aos leitores
tomadores de decisão, de quem, espera-se, conheçam, com um mínimo de
profundidade, as normas, e queiram revisar com certa diligência e discutir as DFIs
com os responsáveis pela sua apresentação.
O objetivo e escopo do IAS 34 são descritos na própria Norma e resumidos como
segue:

– Objetivo: Prescrever o conteúdo mínimo das DFIs (completas ou condensadas) e os


princípios para reconhecimento e mensuração. 35

– Escopo: O IAS 34 é aplicável somente se a entidade se propuser ou for requerida a


publicar DFIs de acordo com o IFRS. 36
Com relação ao objetivo das DFIs, os parágrafos 6 e 15 do IAS 34 enfatizam que um
dos principais propósitos das DFIs é o de fornecer aos seus usuários uma atualização
relativa ao último conjunto completo de demonstrações financeiras anuais. Assim,
evita-se a duplicidade de informações previamente apresentadas e dá-se ênfase às
novas atividades, aos eventos e às circunstâncias ocorridos desde as últimas
demonstrações financeiras anuais.
Assim, a apresentação das DFIs deve conter itens mínimos para que estejam de acordo
com os requerimentos da Norma Internacional. A não observância de tais
requerimentos não permite que as DFIs sejam ditas como de acordo com o IFRS; desta
forma, DFIs não devem divulgar que estão sendo apresentadas de acordo com o IFRS,
a menos que estejam cumprindo todas as normas internacionais de contabilidade
aplicáveis. 37 O conteúdo mínimo das DFIs é abordado com mais profundidade no item
2.III deste relatório.

35
IAS 34, objetivo.
36
IAS 34, parágrafo 1.
37
IAS 34, parágrafo 19

11
II. Objetivo e Escopo das Normas Contábeis na Preparação das DFIs--Continuação

Com relação à descrição do escopo, nota-se que o IAS 34 não obriga as companhias a
apresentarem DFIs e deixa a cargo dos órgãos reguladores nacionais a incumbência de
tal requerimento. Entretanto, se um órgão regulador requerer a apresentação de DFIs
de acordo com o IFRS, tais demonstrações financeiras devem ser preparadas
cumprindo os requerimentos de todas as normas internacionais de contabilidade
aplicáveis, conforme comentado anteriormente. O cumprimento com o IFRS deve ser
divulgado em notas explicativas. 38

As práticas contábeis brasileiras não estabelecem objetivo e escopo para elaboração e


publicação de DFIs, uma vez que não existe uma norma brasileira de contabilidade
disciplinando a apresentação de tais informações. A CVM requer a apresentação das
Informações Trimestrais (ITRs), preparadas de acordo com as práticas contábeis
adotadas no Brasil, e que sejam arquivadas em formulários específicos contendo ativo
e passivo do trimestre-base comparados com o trimestre anterior e demonstração do
resultado do trimestre e acumulada até à data-base, comparadas com os mesmos
períodos do ano anterior, bem como notas explicativas. A CVM não requer a
apresentação e o arquivamento da Demonstração de Origem e Aplicação de Recursos
– DOAR como parte das informações trimestrais. É importante mencionar que, de
acordo com o Artigo 176, IV, da Lei 11.638/07, a DOAR foi substituída pela
Demonstração dos Fluxos de Caixa – DFC com aplicação a partir do exercício de
2008.

A adoção das normas internacionais na preparação das DFIs no Brasil elucidará


questões sobre o seu conteúdo mínimo, os princípios e as mensurações contábeis a
serem aplicados, bem como as circunstâncias em que devam ser preparadas e
apresentadas de acordo com o IFRS.

III. Conteúdo das DFIs

O IAS 34, parágrafos 16, 20 e 21, determina que os relatórios intermediários devem
incluir DFIs (condensadas ou completas) para os seguintes períodos:

– Balanço patrimonial na data do encerramento do período intermediário comparativo


com o último balanço anual encerrado;

– Demonstração do resultado do período intermediário corrente e acumulado do ano


corrente, comparativo com a demonstração do resultado dos períodos intermediários
(corrente e acumulado) do ano imediatamente anterior;

– Demonstração das mutações do patrimônio líquido do ano corrente comparativa


com a demonstração das mutações do patrimônio líquido do mesmo período do ano
anterior;

38
IAS 34, parágrafo 19.

12
III. Conteúdo das DFIs--Continuação

– Demonstração do fluxo de caixa do ano corrente comparativa com a demonstração


do fluxo de caixa do mesmo período do ano anterior; e

– Notas explicativas completas ou selecionadas (em caso de apresentação de


demonstrações financeiras condensadas).

Caso a entidade tenha grande sazonalidade em suas operações, as informações


financeiras para os doze meses findos no período intermediário podem ser
apresentadas comparativamente com o mesmo período do ano anterior.

As práticas contábeis adotadas no Brasil não dispõem de norma específica que


determine o conteúdo das DFIs. A CVM, no atributo de suas funções de órgão
regulador, requer que as entidades de capital aberto observem o preenchimento dos
formulários das ITRs, conforme disposto nas Instruções para seu preenchimento. As
Instruções requerem a apresentação trimestral de balanço patrimonial comparado com
o trimestre anterior, demonstração do resultado do trimestre e acumulada do ano,
comparadas com o ano anterior e notas explicativas, os quais são preparados de acordo
com as práticas contábeis adotadas no Brasil (ver principais diferenças no item IV
deste relatório). Não é requerida a apresentação da DOAR e não há obrigatoriedade de
apresentação da DFC. Na prática, as companhias abertas brasileiras publicam todas as
peças apresentadas nas demonstrações financeiras anuais em data intermediária,
preparadas de acordo com as práticas contábeis adotadas no Brasil, sendo o balanço
patrimonial comparado com o trimestre anterior e as demonstrações do resultado, das
mutações do patrimônio líquido e das origens e aplicações de recursos dos trimestres e
períodos acumulados comparadas com os respectivos períodos do ano anterior, com
um número reduzido de notas explicativas.

Nos tópicos a a q, a seguir, os principais itens do IAS 34, bem como suas aplicações
na preparação e apresentação das DFIs, são abordados com mais profundidade pelos
autores. Devido ao fato de não existir norma contábil brasileira específica que trate do
assunto, nem sempre é possível contrapor os itens da Norma Internacional com o que é
praticado no Brasil; entretanto, naqueles em que existirem normas disciplinando o
assunto, comentários serão incluídos comparando as normas.

a) Componentes, forma e conteúdo de DFIs

O IAS 34 não proíbe ou desencoraja uma entidade: 39

 A publicar um conjunto completo de demonstrações financeiras no seu relatório


financeiro intermediário, em vez de demonstrações financeiras condensadas e
notas explicativas selecionadas; ou

39
IAS 34, parágrafo 7.

13
III. Conteúdo das DFIs--Continuação

a) Componentes, forma e conteúdo de DFIs--Continuação

 A incluir nas demonstrações financeiras condensadas intermediárias mais do


que os itens mínimos ou notas explicativas selecionadas.

As diretrizes sobre reconhecimento e mensuração juntamente com as divulgações


específicas nas notas explicativas, aplicáveis a períodos intermediários, requeridas
pela Norma, aplicam-se aos dois tipos de demonstrações financeiras completas e
condensadas. 40

No Brasil as demonstrações financeiras intermediárias são apresentadas em uma


forma extensa, mas não completas. Conforme já comentado anteriormente, visto
não existir normas contábeis definindo os componentes, a forma e o conteúdo das
DFIs, de uma forma geral, as companhias seguem a prática utilizada no mercado
local.

b) Conjunto completo de demonstrações financeiras

Uma entidade que publique um conjunto completo de demonstrações financeiras em


seu relatório financeiro intermediário deve incluir os seguintes componentes: 41

 Balanço patrimonial;
 Demonstração do resultado;
 Demonstração das mutações do patrimônio líquido, apresentando:
- Todas as mutações do patrimônio líquido; ou
- Mutações do patrimônio líquido além daquelas resultantes de transações
com acionistas ou equiparados;
 Demonstração do fluxo de caixa; e
 Notas, incluindo um resumo das principais práticas contábeis e outras notas
explicativas.

40
IAS 34, parágrafo 7.
41
IAS 34, parágrafo 5.

14
III. Conteúdo das DFIs--Continuação

b) Conjunto completo de demonstrações financeiras--Continuação

Quando uma entidade publicar um conjunto completo de demonstrações financeiras


em seu relatório financeiro intermediário, a forma e o conteúdo das referidas
demonstrações devem observar os requisitos da Norma IAS 1. 42 Além disso, a
entidade deve divulgar as informações especificamente requeridas pelo IAS 34 em
relação às DFIs (particularmente aquelas discutidas no item e) notas explicativas
selecionadas, a seguir). 43

No Brasil não há previsão, tampouco proibição em normas contábeis, de


apresentação de demonstrações financeiras completas em datas intermediárias. Em
geral, as companhias apresentam DFIs em formato diferente daquele determinado
pelas normas internacionais. A demonstração das mutações do patrimônio líquido é
apresentada completa incluindo todas as mudanças ocorridas no período. Conforme
comentado anteriormente, a DFC passa a ser obrigatória a partir de 2008 em
substituição à DOAR.

c) Demonstrações financeiras condensadas

Para fins de considerações sobre tempo e custo e para evitar a repetição de


informações anteriormente apresentadas, uma entidade pode ser requerida ou pode,
a seu critério, optar por apresentar menos informações nas datas intermediárias em
comparação com as suas demonstrações financeiras anuais. 44 A Norma define o
conteúdo mínimo de um relatório intermediário, como segue: 45

 Balanço patrimonial condensado;


 Demonstração do resultado condensada;
 Demonstração condensada apresentando (i) todas as mutações do patrimônio
líquido; ou (ii) mutações do patrimônio líquido além daquelas resultantes de
transações de capital com os proprietários e distribuições aos proprietários;
 Demonstração condensada do fluxo de caixa; e
 Notas explicativas selecionadas.

42
IAS 34, parágrafos 9 e 12.
43
IAS 34, parágrafo 7.
44
IAS 34, parágrafo 6.
45
IAS 34, parágrafo 8.

15
III. Conteúdo das DFIs--Continuação

c) Demonstrações financeiras condensadas--Continuação

A publicação de demonstrações financeiras condensadas com notas explicativas


selecionadas é consistente com a finalidade das DFIs de fornecer atualização
relativa ao último conjunto completo de demonstrações financeiras anuais. Assim,
evita a duplicidade de informações previamente apresentadas e dá ênfase a novas
atividades, eventos e circunstâncias ocorridos desde as últimas demonstrações
financeiras anuais. 46

As demonstrações financeiras condensadas devem incluir, no mínimo, cada uma das


rubricas e subtotais que foram incluídos nos componentes equivalentes da última
demonstração financeira anual da entidade e as notas explicativas selecionadas
requeridas pela Norma, conforme discutido no item e) a seguir. Itens adicionais ou
notas devem ser incluídos caso a sua omissão tornasse as demonstrações financeiras
condensadas enganosas. 47

Enquanto outras normas IFRS especificam divulgações que devem ser feitas nas
demonstrações financeiras anuais, o IAS 34 estabelece que as DFIs têm o mesmo
significado das demonstrações financeiras anuais e, algumas vezes, incluídos em
outros relatórios. Quando o relatório financeiro intermediário de uma entidade
incluir apenas demonstrações financeiras condensadas e notas explicativas
selecionadas, então as divulgações requeridas pelas outras normas não são
requeridas. 48

Da mesma forma, para as demonstrações financeiras completas, localmente não há


previsão, tampouco proibição, em normas contábeis, de apresentação de
demonstrações financeiras condensadas em datas intermediárias. As companhias
abertas apresentam DFIs em formato diferente daquele determinado pelas normas
internacionais. A demonstração das mutações do patrimônio líquido é apresentada
completa incluindo todas as mudanças ocorridas no período. Conforme comentado
anteriormente, a DFC passa a ser obrigatória a partir de 2008 em substituição à
DOAR.

46
IAS 34, parágrafo 6.
47
IAS 34, parágrafo 10.
48
IAS 34, parágrafo 18.

16
III. Conteúdo das DFIs--Continuação

d) Requisitos para informações financeiras intermediárias completas e condensadas

Os seguintes requisitos se aplicam, independentemente de uma entidade apresentar


demonstrações financeiras completas ou condensadas para um período
intermediário:

 O lucro básico ou diluído por ação deve ser apresentado com base na
demonstração do resultado para um período intermediário; 49

 A demonstração das mutações do patrimônio líquido (em relação à qual o IAS 1


permite que uma entidade opte pela inclusão, na demonstração, de todas as
mutações do patrimônio líquido ou pela apresentação de uma demonstração de
receitas e despesas reconhecidas e apresentação de informações nas notas
explicativas sobre mutações do patrimônio líquido resultantes de transações com
acionistas) deve observar o mesmo formato utilizado nas demonstrações
financeiras anuais mais recentes; 50 e

 Se as demonstrações financeiras anuais mais recentes forem demonstrações


financeiras consolidadas, o relatório financeiro intermediário deverá ser também
elaborado de forma consolidada. 51

Caso o relatório financeiro anual mais recente da entidade inclua as demonstrações


financeiras individuais da controladora, além das demonstrações financeiras
consolidadas, a Norma não requer, mas tampouco proíbe, a inclusão das
demonstrações financeiras individuais da controladora no relatório financeiro
intermediário. 52

No Brasil, é requerida a apresentação do lucro por ação, calculado pela simples


divisão do lucro do período pela quantidade de ações existentes na data do balanço.
Esse conceito é diferente do lucro básico e diluído por ação requerido pelo IAS 34,
os quais incluem no cálculo a ponderação das movimentações na quantidade de
ações ocorridas no período e, no caso do lucro diluído, modificações para
contemplar efeitos de papéis conversíveis em ações [ajuste no lucro (numerador) –
por exemplo, para expurgar efeitos de juros de papéis conversíveis; e ajuste na
quantidade de ações (denominador) para contemplar quantidades equivalentes de
ações de papéis conversíveis (financiamentos, debêntures, opções para compra de
ações etc.)], quando aplicável. Sua aplicação no Brasil representará mudança nas
DFIs locais. Este assunto é objeto de estudo em tópico específico.

49
IAS 34, parágrafo 11.
50
IAS 34, parágrafo 13.
51
IAS 34, parágrafo 14.
52
IAS 34, parágrafo 14.

17
III. Conteúdo das DFIs--Continuação

d) Requisitos para informações financeiras intermediárias completas e condensadas--


Continuação

Conforme comentado anteriormente, a demonstração das mutações do patrimônio


líquido é apresentada completa incluindo todas as mudanças ocorridas no período.

e) Notas explicativas selecionadas

O IAS 34 presume que um usuário do relatório financeiro intermediário de uma


entidade terá também acesso ao seu relatório financeiro anual mais recente. Assim,
uma explicação no relatório financeiro intermediário de eventos e transações que
sejam significativos para o entendimento das mutações na posição financeira e
desempenho da entidade desde a data do último relatório anual será mais útil do que
a inclusão de notas explicativas que fornecem atualizações relativamente pouco
significativas em relação às informações apresentadas no relatório anual mais
recente. 53

Assim, o IAS 34 requer que uma entidade inclua, no mínimo, as seguintes


informações nas notas explicativas das suas DFIs, quando forem materiais e não
tenham sido anteriormente divulgadas no relatório financeiro intermediário: 54

(a) Uma declaração de que as DFIs adotam as mesmas práticas contábeis e


métodos de cálculo que os das demonstrações financeiras anuais mais recentes
ou, em caso de mudança nas referidas práticas ou métodos, uma descrição da
natureza e o efeito da mudança. Vide exemplo na Nota 2 às DFIs de junho de
2007 da ImBev (arquivo - InBev NV junho 07), preparadas de acordo com o
IFRS, no Anexo 1. As companhias brasileiras também fazem declaração
similar para as DFIs preparadas de acordo com as práticas contábeis locais,
conforme podemos observar no exemplo da Nota 2 a) às DFIs de junho de
2007 da AmBev (arquivo - AmBev_ITR2T07) também no Anexo 1.

(b) Comentários sobre sazonalidade ou ciclo de operações intermediárias;

(c) A natureza e o valor de itens que afetam ativos, passivos, patrimônio líquido,
lucro líquido ou fluxos de caixa que são incomuns devido à sua natureza,
dimensão ou incidência;

(d) A natureza e o valor de mudanças nas estimativas de valores apresentados em


períodos intermediários anteriores, pertencentes ao atual exercício social, ou
mudanças nas estimativas de valores apresentados em exercícios sociais
anteriores, quando as referidas mudanças tiverem efeito significativo no
período intermediário corrente;

53
IAS 34, parágrafo 15.
54
IAS 34, parágrafo 16.

18
III. Conteúdo das DFIs--Continuação

e) Notas explicativas selecionadas--Continuação

(e) Emissões, recompras e pagamentos de títulos de dívida e patrimoniais;

(f) Dividendos pagos (total ou por ação) separadamente por ação ordinária e
outras ações;

(g) Receita e resultado por segmento para segmentos de negócio ou geográficos,


dependendo de qual seja a principal base adotada pela entidade para a
apresentação de segmentos (apresentação de informações por segmento é
requerida em um relatório financeiro intermediário da entidade apenas quando
o IAS 14 – Apresentação de Informações por Segmento requerer que a
entidade divulgue informações por segmento nas suas demonstrações
financeiras anuais). Vide exemplo na Nota 4 às DFIs de junho de 2007 da
InBev (arquivo - InBev NV junho 07), preparadas de acordo com o IFRS, no
Anexo 1. De acordo com as práticas contábeis locais, as companhias brasileiras
não são requeridas a divulgar informações por segmento de negócios ou
geográficas.

(h) Eventos subseqüentes significativos ocorridos após o encerramento do período


intermediário que não tenham sido refletidos nas demonstrações financeiras do
período intermediário;

(i) O efeito de mudanças na composição da entidade no período intermediário,


incluindo combinações de negócios, aquisição ou venda de controladas e
investimentos de longo prazo, reorganizações e operações descontinuadas. No
caso de combinações de negócios, a entidade deverá apresentar as informações
cuja divulgação seja requerida pelos parágrafos 66-73 do IFRS 3 –
Combinações de Negócios. O IFRS 3 requer a divulgação das referidas
informações tomadas em conjunto no caso de combinações de negócios
realizadas no período apresentado, quando essas não forem individualmente
significativas. 55 Contudo, materialidade precisa ser avaliada em relação ao
período intermediário, o que implica que o IFRS 3 pode requerer divulgações
mais detalhadas sobre combinações de negócios em um período intermediário
do que aquelas publicadas posteriormente nas demonstrações financeiras
anuais. Vide exemplo na Nota 3 às DFIs de junho de 2007 da ArcelorMittal
(arquivo - ArcelorMittal junho 07), preparadas de acordo com o IFRS, no
Anexo 1. Com relação às práticas contábeis locais, as companhias brasileiras
são requeridas a contabilizar no balanço o valor de mercado dos ativos e
passivos adquiridos em uma combinação de negócios a partir de 1o de janeiro
de 2008, por determinação da Lei 11.638; e

55
IFRS 3, Business Combinations, IASB, Parágrafo 68.

19
III. Conteúdo das DFIs--Continuação

e) Notas explicativas selecionadas--Continuação

(j) Mutações de passivos ou ativos contingentes desde o último balanço


patrimonial anual.

Essas informações devem, em geral, ser apresentadas de forma acumulada. 56


Contudo, o requisito do item (i) anterior de fornecer divulgações relativas a
combinações de negócios se aplica não apenas em relação às realizadas durante o
período intermediário corrente, mas também às combinações de negócios ocorridas
após a data do balanço, mas antes da autorização para a emissão do relatório
intermediário. 57 O IFRS 3 isenta entidades da apresentação de divulgações sobre
combinações de negócios realizadas após a data do balanço se isso for impraticável,
desde que esse fato seja divulgado e uma explicação seja apresentada sobre se esse é
o caso. 58

Além das informações anteriores relacionadas, o IAS 34 requer que uma entidade
divulgue quaisquer eventos ou transações que sejam significativos para o
entendimento do período intermediário corrente. 59 A Norma apresenta os seguintes
exemplos de eventos ou transações que poderiam requerer divulgação em relatórios
financeiros intermediários, quando forem materiais. Quando a divulgação for
considerada necessária, as normas e interpretações individuais específicas fornecem
diretrizes sobre as divulgações adequadas para muitos desses itens, como: 60

 A redução do valor dos estoques ao valor líquido realizável e a reversão da


referida redução;
 Reconhecimento de uma perda por deterioração de ativo fixo, ativos intangíveis
ou outros ativos, e a reversão da referida perda por deterioração;
 O estorno de quaisquer provisões para custos de reestruturação;
 Compras e vendas de ativo fixo;
 Compromissos pela compra de ativo fixo;
 Liquidação de litígios;
 Correção de erros do período anterior;
 Quaisquer inadimplências ou descumprimentos de contratos de empréstimo que
não tenham sido remediados até à data do balanço; e
 Transações com partes relacionadas.

56
IAS 34, parágrafo 16.
57
IFRS 3, parágrafo 66.
58
IFRS 3, parágrafo 71.
59
IAS 34, parágrafo 16.
60
IAS 34, parágrafo 17.

20
III. Conteúdo das DFIs--Continuação

e) Notas explicativas selecionadas--Continuação

Conforme mencionado anteriormente, não é necessário que as notas explicativas de


DFIs apresentem atualizações relativamente pouco significativas das informações
apresentadas nas demonstrações financeiras anuais mais recentes, mas, ao contrário,
que expliquem eventos e transações relativas às mutações na posição financeira e no
desempenho da entidade. 61 Isto significa que, quando tenham ocorrido mudanças
significativas nas informações, por exemplo, quando houver marcação a mercado de
ativos e passivos, uma entidade deverá divulgar informações adicionais, além dos
requisitos mínimos relacionados anteriormente, e com nível de detalhamento
suficiente para explicar a natureza das mudanças e quaisquer estimativas feitas na
sua determinação.

Conforme comentado anteriormente, no Brasil as notas explicativas às DFIs seguem


um formato local, o qual é diferente daquele requerido pelas normas internacionais
de contabilidade, ou seja, notas explicativas completas ou selecionadas.

f) Divulgação de práticas contábeis

A entidade deve confirmar a forma em que as práticas contábeis utilizadas nas DFIs
se comparam com as demonstrações financeiras anuais mais recentes e deve
descrever mudanças no período corrente, conforme requerido no item (a) do tópico
e) anterior.

Não há diferença com as práticas contábeis brasileiras.

g) Divulgação de valores incomuns

Além da apresentação de informações nas notas explicativas às demonstrações


financeiras, conforme requerido pelo IAS 34 no item e) anterior, a entidade pode
identificar os custos de reestruturação, bem como ganhos e perdas na alienação de
ativos na demonstração do resultado do período intermediário.

Não há diferença com as práticas contábeis brasileiras.

h) Divulgação de cumprimento com o IFRS

O IAS 34, parágrafo 19, determina que as DFIs não devem ser referidas como de
acordo com o IFRS, a menos que estejam em cumprimento com todos os
requerimentos de cada um dos pronunciamentos IAS/IFRS e de cada uma das
interpretações do SIC/IFRIC.

61
IAS 34, parágrafo 15.

21
III. Conteúdo das DFIs--Continuação

h) Divulgação de cumprimento com o IFRS--Continuação

As informações trimestrais, no Brasil, são apresentadas de acordo com as práticas


contábeis locais, disposições contidas na Lei das Sociedades por Ações, normas
complementares da CVM e pronunciamentos do Instituto dos Auditores
Independentes do Brasil (IBRACON) as quais, em determinadas áreas, diferem
materialmente do IFRS conforme descrito nas diversas normas internacionais de
contabilidade, as quais estão sendo objeto específico de estudos. As principais
divergências se concentram nas seguintes áreas:

– Apresentação de fluxo de caixa (comentado no tópico 2.II deste relatório).

– Classificação dos investimentos em instrumentos financeiros como destinados a


negociação, mantidos até o vencimento e disponíveis para venda; e tratamento
contábil no ativo, resultado e patrimônio líquido (dependendo da classificação).
Por exemplo, o ganho ou perda não realizado sobre investimentos em
instrumentos financeiros disponíveis para venda é contabilizado no patrimônio
líquido até à data da venda do investimento. Vide exemplo de apresentação na
demonstração das mutações do patrimônio líquido (Unrealized Gains (Losses)
on Available for Sales Securities) de junho de 2007 da ArcelorMittal (arquivo -
ArcelorMittal junho 07), página 4, preparada de acordo com o IFRS, no Anexo
1. No Brasil, as companhias brasileiras são requeridas a tratar contabilmente os
instrumentos financeiros similarmente ao IFRS, a partir de 1o de janeiro de
2008, por determinação da Lei 11.638; entretanto, o assunto ainda requer
regulamentação específica.

– Contabilização de instrumentos derivativos e hedges. A Norma Internacional


classifica as transações de hedge como de fluxo de caixa, de valor justo (fair
value) e de investimento estrangeiro. A Norma requer, ainda, marcação a
mercado e registro da variação do valor justo dos contratos derivativos em
aberto no ativo e/ou passivo em contrapartida de receita e/ou despesa no
resultado, no caso de hedge de fair value, e parcela eficaz do hedge de fluxo de
caixa diferida no patrimônio líquido até à data de utilização do item protegido,
se a documentação requerida estiver presente na data da contratação do
derivativo. Vide exemplo de apresentação de registro da parcela eficaz de hedge
de fluxo de caixa na demonstração das mutações do patrimônio líquido
(Unrealized Gains (Losses) on Derivative Financial Instruments) de junho de
2007 da ArcelorMittal (arquivo - ArcelorMittal junho 07), página 4, preparada
de acordo com o IFRS, no Anexo 1. No Brasil, as companhias brasileiras são
requeridas a tratar contabilmente os instrumentos financeiros similarmente ao
IFRS a partir de 1o de janeiro de 2008, por determinação da Lei 11.638,
carecendo o assunto, ainda, de regulamentação local.

22
III. Conteúdo das DFIs--Continuação

h) Divulgação de cumprimento com o IFRS--Continuação

Remuneração/pagamento com emissão de opções de compra de ações. O valor justo


das opções é registrado no patrimônio líquido (outras reservas) em contrapartida de
despesas (no caso de remuneração de empregados), no resultado, durante os
períodos contratuais em que os serviços estejam sendo prestados/direitos sendo
adquiridos. Vide exemplo na Nota 13 às DFIs de junho de 2007 da InBev (arquivo -
InBev NV junho 07), preparadas de acordo com o IFRS, no Anexo 1. De acordo
com as práticas contábeis locais, as companhias brasileiras não são requeridas a
contabilizar o valor justo das opções mas devem divulgar tais informações e efeitos
em notas explicativas.

– Contabilização de operações de arrendamento mercantil. Bens arrendados com


características de financiamentos (lease financeiro), assim classificados por se
enquadrarem nos critérios definidos na Norma, são registrados no ativo
permanente e os respectivos valores financiados registrados no passivo de curto
e longo prazo.

– Apresentação de informações por segmentos (comentado no tópico seguinte).


Vide exemplo na Nota 4 às DFIs de junho de 2007 da InBev (arquivo - InBev
NV junho 07), preparadas de acordo com o IFRS, no Anexo 1. De acordo com
as práticas contábeis locais, as companhias brasileiras não são requeridas a
divulgar informações por segmento de negócios ou geográficas.

– Combinação de negócios e determinação do ágio, principalmente no que tange


ao registro, pelo valor justo, dos ativos e passivos adquiridos e registro do ágio.
Vide exemplo na Nota 3 das DFIs de junho de 2007 da ArcelorMittal (arquivo -
ArcelorMittal junho 07), preparadas de acordo com o IFRS, no Anexo 1. Com
relação às práticas contábeis locais, as companhias brasileiras são requeridas a
contabilizar no balanço o valor de mercado dos ativos e passivos adquiridos em
uma combinação de negócios a partir de 1o de janeiro de 2008, por determinação
da Lei 11.638. Este assunto ainda precisa de regulamentação específica.

– Apresentação de lucro básico e diluído por ação (comentado no tópico 2.III.d


deste relatório). Vide exemplo de apresentação na demonstração do resultado de
junho de 2007 da InBev (arquivo - InBev NV junho 07), página 11, preparada
de acordo com o IFRS, no Anexo 1. No Brasil, as companhias brasileiras não
são requeridas a apresentar lucro básico e diluído por ação nas DFIs, e
apresentam lucro por ação.
A Lei 11.368, publicada em 28.12.07, dá poderes à CVM para emitir normas
contábeis; portanto, essas diferenças poderão ser eliminadas por meio de
emissão de normas regulamentando os assuntos mencionados.

23
III. Conteúdo das DFIs--Continuação

i) Períodos para os quais a apresentação de DFIs é necessária

Independentemente de uma entidade apresentar DFIs condensadas ou completas,


seus relatórios financeiros intermediários devem incluir os seguintes
componentes: 62

a) Balanço patrimonial no encerramento do período intermediário corrente e um


balanço patrimonial comparativo no encerramento do exercício social anterior;
b) Demonstrações do resultado para o período intermediário corrente e
acumuladas do exercício social corrente, com demonstrações do resultado
comparativas para os períodos intermediários comparáveis (corrente e
acumulada) pertencentes ao exercício social anterior;
c) Demonstração das mutações do patrimônio líquido acumulada para o exercício
social corrente, com a demonstração acumulada comparativa do exercício
social anterior; e
d) Demonstração do fluxo de caixa acumulada para o exercício social corrente,
com a demonstração acumulada comparativa do exercício social anterior.
Além disso, quando o negócio de uma entidade for altamente sazonal, a Norma
recomenda considerar a apresentação de informações financeiras adicionais para o
período de doze meses findo na data das DFIs e informações comparativas para o
período de doze meses anterior. 63

A Norma não requer que uma entidade apresente balanço patrimonial para o período
intermediário comparável. Contudo, na prática, diversas entidades que apresentam
informações financeiras em conformidade com as normas IFRS apresentam essas
informações de forma voluntária ou por força de requisito para isso nos
regulamentos locais. Analogamente, diversas entidades apresentam a demonstração
do resultado para todo o exercício social anterior. Esta apresentação não é proibida
pela Norma IAS 34; contudo, as entidades que optarem por apresentar informações
adicionais no seu relatório financeiro intermediário devem assegurar que as
informações sejam elaboradas e apresentadas em conformidade com a Norma.

Os exemplos a seguir ilustram os períodos em que uma entidade deve apresentar


informações financeiras segundo o IAS 34. 64

Exemplo: Entidade publica relatórios financeiros intermediários trimestrais

62
IAS 34, parágrafo 20.
63
IAS 34, parágrafo 21.
64
IAS 34, parágrafo 22 e apêndice A.

24
III. Conteúdo das DFIs--Continuação

i) Períodos para os quais a apresentação de DFIs é necessária--Continuação

Quando o exercício social de uma entidade terminar em 31 de dezembro (ano-


calendário), ela deverá apresentar as seguintes demonstrações financeiras
(condensadas ou completas) em seus relatórios financeiros intermediários
trimestrais para 2009:

Encerramento do Encerramento do
período período
intermediário intermediário Encerramento do
Relatório financeiro intermediário do corrente comparativo exercício anterior
primeiro trimestre 31/3/2009 31/3/2008 31/12/2008
Balanço patrimonial X X
Demonstração do resultado
-Período corrente e acumulado
(3 meses) findos X X
-12 meses findos XX XX
Demonstração das mutações do
patrimônio líquido
- Acumulada (3 meses) findos X X
- 12 meses findos XX XX
Demonstração do fluxo de caixa
- Acumulada (3 meses) findos X X
- 12 meses findos XX XX

X = Requerido
XX = Divulgação é recomendada quando o negócio da entidade for altamente sazonal

Encerramento do Encerramento do
período período
intermediário intermediário Encerramento do
Relatório financeiro intermediário do corrente comparativo exercício anterior
segundo trimestre 30/6/2009 30/6/2008 31/12/2008

Balanço patrimonial X X
Demonstração do resultado
-Período corrente (3 meses) findos X X
-Acumulada (6 meses) findos X X
-12 meses findos XX XX
Demonstração das mutações do
patrimônio líquido
-Acumulada (6 meses) findos X X
-12 meses findos XX XX
Demonstração do fluxo de caixa
-Acumulada (6 meses) findos X X
-12 meses findos XX XX

X = Requerido
XX = Divulgação é recomendada quando o negócio da entidade for altamente sazonal

25
III. Conteúdo das DFIs--Continuação

i) Períodos para os quais a apresentação de DFIs é necessária--Continuação

Encerramento do Encerramento do
período período
intermediário intermediário Encerramento do
Relatório financeiro corrente comparativo exercício anterior
intermediário do terceiro trimestre 30/9/2009 30/9/2008 31/12/2008

Balanço patrimonial X X
Demonstração do resultado
-Período corrente (3 meses) findos X X
- Acumulada (9 meses) findos X X
- 12 meses findos XX XX
Demonstração das mutações do
patrimônio líquido
- Acumulada (9 meses) findos X X
- 12 meses findos XX XX
Demonstração do fluxo de caixa
- Acumulada (9 meses) findos X X
- 12 meses findos XX XX

X = Requerido
XX = Divulgação é recomendada quando o negócio da entidade for altamente sazonal

Quando uma entidade tiver de publicar um relatório financeiro intermediário


separado para o período intermediário final (ou seja, para o quarto trimestre do
exercício social), ela deverá apresentar as seguintes demonstrações financeiras
(condensadas ou completas) em seu relatório financeiro intermediário para o quarto
trimestre de 31 de dezembro de 2009:

Encerramento do período Encerramento do período


Relatório financeiro intermediário do intermediário corrente intermediário comparativo
quarto trimestre 31/12/2009 31/12/2008

Balanço patrimonial X X
Demonstração do resultado
-Período corrente (3 meses) findos X X
-Acumulada (12 meses) findos X X
Demonstração das mutações do patrimônio
líquido
- Acumulada (12 meses) findos X X
Demonstração do fluxo de caixa
-Acumulada (12 meses) findos X X

X = Requerido

26
III. Conteúdo das DFIs--Continuação

i) Períodos para os quais a apresentação de DFIs é necessária--Continuação

As entidades que adotam as normas IFRS pela primeira vez devem apresentar
determinadas conciliações do seu patrimônio líquido e lucro líquido ou prejuízo,
apresentados segundo as práticas contábeis aplicadas anteriores, e aqueles segundo
o IFRS.

As companhias abertas brasileiras publicam todas as peças apresentadas nas


demonstrações financeiras anuais em data intermediária, preparadas de acordo com
as práticas contábeis adotadas no Brasil. Entretanto, o balanço patrimonial é
comparado com o trimestre anterior e as demonstrações do resultado, das mutações
do patrimônio líquido e das origens e aplicações de recursos dos trimestres e
períodos acumulados são comparadas com os respectivos períodos do ano anterior,
com um número reduzido de notas explicativas. A DFC é geralmente divulgada
como um item suplementar.

j) Extensão do período financeiro intermediário

Apesar de, em geral, considerar-se como estabelecido, o IAS 34 não restringe a


apresentação de relatórios trimestrais a períodos trimestrais ou semestrais, definindo
período intermediário como qualquer período que seja inferior ao exercício social. 65
É possível apresentar um relatório financeiro intermediário segundo o IAS 34, por
exemplo, para um período intermediário de quatro meses.

No Brasil, a CVM requer a apresentação de DFIs trimestralmente.

k) Divulgação nas demonstrações financeiras anuais

Uma estimativa de um valor apresentado em um período intermediário pode mudar


significativamente durante o período financeiro intermediário pertencente ao
exercício social. Uma entidade que não apresente um relatório financeiro
intermediário separado para o seu período intermediário final deve divulgar a
natureza e o valor da referida mudança em estimativas em uma nota explicativa das
demonstrações financeiras anuais para o correspondente exercício social. 66 Este
requisito de divulgação é de escopo limitado, referindo-se apenas à mudança de
estimativa, e não cria um requisito para a inclusão de informações financeiras
intermediárias adicionais nas demonstrações financeiras anuais. 67

65
IAS 34, parágrafo 4.
66
IAS 34, parágrafo 26.
67
IAS 34, parágrafo 27.

27
III. Conteúdo das DFIs--Continuação

k) Divulgação nas demonstrações financeiras anuais--Continuação

O requisito de divulgar informações sobre mudanças significativas em uma


estimativa desde a data-base da demonstração intermediária anterior é consistente
com a Norma IAS 8 e o parágrafo 16(d) do IAS 34, a qual requer divulgação da
natureza e do valor de uma mudança em estimativa que tenha efeito significativo no
período financeiro corrente ou, no caso das demonstrações financeiras anuais, que
se espera que tenha efeito significativo em períodos subseqüentes. A Norma
menciona mudanças em estimativa no período intermediário final relativas à
redução do valor de estoques, reestruturações ou perdas resultantes de deterioração
de ativos, que foram apresentadas em um período intermediário anterior pertencente
ao exercício social, como exemplos de itens que deveriam ser divulgados. 68

No Brasil, de uma forma geral, as companhias abertas não divulgam demonstrações


financeiras completas em período intermediário.

l) Negócios sazonais

Algumas entidades operam negócios em que as receitas não são recebidas e as


despesas não são incorridas de forma regular ao longo do ano; por exemplo,
negócios relacionados a agricultura, turismo, fornecedores de combustíveis no país
ou varejistas que enfrentam aumento de demanda no período do Natal. O
encerramento do exercício social é, em geral, escolhido de forma a estar alinhado
com o seu ciclo operacional anual; contudo, isto pode significar que um período
intermediário individual forneça pouca indicação do seu provável desempenho
anual e posição financeira. A entidade deve apresentar comentários explicativos
sobre os efeitos da sazonalidade em suas DFIs para o período apresentado.

Este assunto geralmente não é divulgado nas DFIs locais.

m)Receitas recebidas sazonal, cíclica ou ocasionalmente

Receitas somente devem ser registradas se todos os critérios de mensuração e


reconhecimento estiverem presentes, conforme mencionado anteriormente.
Exemplos das referidas receitas incluem receita de dividendos, royalties e
incentivos governamentais, além de receitas sazonais de varejistas, sendo
reconhecidas quando incorridas.

O IAS 34 requer, também, que uma entidade apresente comentários sobre a


sazonalidade ou o ciclo de operações intermediárias (vide menção anterior). Quando
os negócios forem altamente sazonais, o IAS 34 recomenda a apresentação de
informações adicionais para o período de doze meses findos na data-base do
relatório intermediário e comparativas para o período de doze meses do ano
anterior.

68
IAS 34, parágrafo 27.

28
III. Conteúdo das DFIs--Continuação

m)Receitas recebidas sazonal, cíclica ou ocasionalmente--Continuação

No Brasil, de uma forma geral, as receitas são reconhecidas utilizando-se critérios


similares aos das normas internacionais de contabilidade.

n) Custos incorridos de forma desigual durante o exercício social

O IAS 34 proíbe a antecipação ou o diferimento de custos para fins de DFIs quando


a antecipação ou o diferimento do tipo de custo em questão não sejam adequados no
encerramento do exercício social. Isto remete ao princípio de que ativos e passivos
devem ser reconhecidos e mensurados utilizando-se os mesmos critérios que seriam
aplicados se a data-base do período intermediário coincidisse com a data do
encerramento do exercício. Este princípio busca evitar a flexibilização de custos em
negócios sazonais quando isso resultar em ativos ou passivos cujos critérios de
reconhecimento não estejam presentes na data-base do período intermediário como
se esse coincidisse com a data de encerramento do exercício.

No Brasil, na prática, os custos são reconhecidos utilizando critérios similares aos


das normas internacionais de contabilidade.

IV. Divulgação de Cumprimento com o IFRS

O IAS 34, parágrafo 19, determina que as DFIs não devem ser referidas como de
acordo com o IFRS, a menos que estejam em cumprimento com todos os
requerimentos de cada um dos pronunciamentos IAS/IFRS e de cada uma das
interpretações do SIC/IFRIC.

As informações trimestrais, no Brasil, são apresentadas de acordo com as práticas


contábeis locais, disposições contidas na Lei das Sociedades por Ações, normas
complementares da CVM e pronunciamentos do Instituto dos Auditores Independentes
do Brasil (IBRACON) as quais, em determinadas áreas, diferem materialmente do
IFRS conforme descrito nas diversas normas internacionais de contabilidade, as quais
estão sendo objeto específico de estudos. As principais divergências se concentram nas
seguintes áreas:

– Apresentação de fluxo de caixa (comentado no tópico 2.II deste relatório).

– Classificação dos investimentos em instrumentos financeiros como destinados a


negociação, mantidos até o vencimento e disponíveis para venda; e tratamento
contábil no ativo, resultado e patrimônio líquido (dependendo da classificação).

29
IV. Divulgação de Cumprimento com o IFRS--Continuação

– Contabilização de instrumentos derivativos e hedges. A Norma Internacional


classifica as transações de hedge como de fluxo de caixa, de valor justo (fair value)
e de investimento estrangeiro. A Norma requer, ainda, marcação a mercado e
registro da variação do valor justo dos contratos derivativos em aberto no ativo e/ou
passivo em contrapartida de receita e/ou despesa no resultado, no caso de hedge de
fair value, e parcela eficaz do hedge de fluxo de caixa diferida no patrimônio
líquido até à data de utilização do item protegido, se a documentação requerida
estiver presente na data da contratação do derivativo.

– Remuneração/pagamento com emissão de opções de compra de ações. O valor justo


das opções é registrado no patrimônio líquido (outras reservas) em contrapartida de
despesas (no caso de remuneração de empregados), no resultado, durante os
períodos contratuais em que os serviços estejam sendo prestados/direitos sendo
adquiridos.

– Contabilização de operações de arrendamento mercantil. Bens arrendados com


características de financiamentos (lease financeiro), assim classificados por se
enquadrarem nos critérios definidos na Norma, são registrados no ativo permanente
e os respectivos valores financiados registrados no passivo de curto e longo prazo.

– Apresentação de informações por segmentos (comentado no tópico seguinte).

– Combinação de negócios e determinação do ágio, principalmente no que tange ao


registro pelo valor justo dos ativos e passivos adquiridos e registro do ágio.

– Apresentação de lucro básico e diluído por ação (comentado no tópico 2.III.d) deste
relatório.

A Lei 11.368, publicada em 28.12.07, dá poderes à CVM para emitir normas


contábeis; portanto, essas diferenças poderão ser eliminadas por meio de emissão de
normas regulamentando os assuntos mencionados.

V. Informações por Segmentos

 IAS 34, parágrafo 16 g.

– Requer a divulgação, caso a entidade tenha aplicado o IAS 14 Segment


Reporting (alterado pelo IFRS 8, Operating Segments), em suas demonstrações
financeiras anuais.

 BR GAAP

– Não tratadas em norma específica.

30
V. Informações por Segmentos--Continuação

A divulgação de receita e resultado por segmento para segmentos de negócios ou


geográficos, dependendo de qual seja a principal base adotada pela entidade para a
apresentação de segmentos, é uma informação importante para usuários tomadores de
decisão. Este assunto deverá ser objeto de discussão com maior profundidade em
tópico específico a ser desenvolvido.

VI. Uso de Estimativas e Materialidade

O IAS 34, parágrafo 41, esclarece que a preparação de relatórios financeiros


intermediários exigirá geralmente um maior uso de métodos de estimativa do que os
relatórios financeiros anuais. O IAS 34 requer que os procedimentos de mensuração
adotados em uma demonstração financeira intermediária devam ser concebidos de
forma a garantir que as informações resultantes sejam confiáveis e que todas as
informações financeiras materiais, que sejam relevantes para o entendimento da
posição financeira ou desempenho da entidade, sejam devidamente divulgadas. Ao
passo que o uso de estimativas representa uma característica da elaboração das
demonstrações intermediárias e anuais, a Norma reconhece que a elaboração de DFIs
exigirá, em geral, maior uso de métodos de estimativa do que no encerramento do
exercício. Conseqüentemente, a mensuração de ativos e passivos em uma data-base
intermediária pode envolver menor uso de peritos externos na determinação de valores
de itens como, por exemplo, provisões, contingências, plano de pensões ou ativos não
circulantes reavaliados ao valor justo. A mensuração confiável desses valores pode
simplesmente envolver a atualização da posição de encerramento do exercício
anteriormente apresentada. Além disso, os procedimentos podem ser menos rigorosos
do que para o encerramento do exercício. Os exemplos a seguir se baseiam no Anexo
C do IAS 34:

– Estoques – Procedimentos para a contagem integral e avaliação de estoques podem


não ser requeridos para estoques nas datas-base intermediárias, apesar de serem
realizados no encerramento do exercício. Pode ser suficiente fazer estimativas nas
datas-base intermediárias com base nas margens de vendas, histórico de perdas etc.

– Provisões – A determinação do valor adequado de uma provisão (como, por


exemplo, provisão para garantia, custos ambientais e de recuperação de bens) pode
ser complexa e, em geral, onerosa e demorada. As entidades às vezes contratam
peritos externos para prestar assessoria para fins dos cálculos anuais. A realização
de estimativas semelhantes nas datas-base intermediárias em geral subentende a
atualização da provisão anual anterior em vez de uma nova contratação de peritos
externos para fazer um novo cálculo.

31
VI. Uso de Estimativas e Materialidade--Continuação

– Passivos e ativos atuariais – O IAS 19 requer que uma entidade determine o valor
presente de obrigações relativas a planos de pensão com benefícios definidos e o
valor de mercado dos ativos do plano em cada data do balanço, e recomenda que
uma entidade envolva um atuário qualificado na mensuração das obrigações. As
informações sobre os valores de mercado dos ativos do plano na data-base
intermediária devem ser disponibilizadas sem recorrer a um atuário e a mensuração
confiável de obrigações de plano de pensão definidos para fins das DFIs é, em geral,
obtida por meio da extrapolação da avaliação atuarial mais recente.

– Imposto de renda sobre o lucro (utilização da média ponderada das taxas de cada
jurisdição pode ser razoável e suficiente). Vide adiante discussão detalhada sobre o
assunto.

– Contingências – A mensuração de contingências pode envolver a obtenção de


opinião de consultores jurídicos ou outros especialistas. Relatórios formais de
especialistas independentes são, às vezes, obtidos em relação às contingências. As
referidas opiniões sobre litígios, demandas, avaliações e outras contingências e
incertezas podem ou não ser necessárias nas datas-base intermediárias.

– Reavaliações e determinação de valor justo (avaliação anual pode ser suficiente).

No Brasil, esses itens não são tratados em norma específica. Porém, fazem parte da
realidade das entidades brasileiras e são mensurados e refletidos na contabilidade de
forma muito similar. Por exemplo, a maioria das companhias brasileiras não faz
contagem física do estoques, obtêm avaliação atuarial de planos de pensão ou opinião
de consultores advogados para as contingências etc., a cada trimestre. Essas avaliações
são feitas, em geral, uma vez por ano e quase sempre próximas ao fim do ano. Durante
a preparação das DFIs, métodos de avaliações de estimativas menos rigorosos, mas
com precisões razoáveis, e com premissas similares às das avaliações anuais, são
utilizados para mensurar os correspondentes valores de ativos e passivos apresentados.
Entretanto, de acordo com o IAS 34, certas estimativas são mensuradas em períodos
intermediários utilizando critérios anuais, para despesas determinadas em bases
anuais. Como exemplo, a despesa de imposto de renda comentado mais adiante.
Portanto, a adoção do IAS 34 representará um guidance importante para os
preparadores de DFIs e avanço na literatura contábil no Brasil.

32
VI. Uso de Estimativas e Materialidade--Continuação

Materialidade

Ao fazer julgamentos sobre reconhecimento, mensuração, classificação ou divulgação


de itens no relatório financeiro intermediário, a meta relevante do IAS 34 é a de
assegurar a inclusão no relatório financeiro intermediário de todas as informações
relevantes para o entendimento da posição financeira e desempenho de uma entidade
durante o período intermediário. A Norma se baseia nas Normas IAS 1 e IAS 8, as
quais consideram um item como relevante se a sua omissão ou distorção poderia
influenciar as decisões econômicas dos usuários das demonstrações financeiras, mas
não contém diretrizes quantitativas sobre materialidade.

O IAS 34 requer a avaliação de materialidade em relação às informações financeiras


intermediárias. Assim, decisões sobre o reconhecimento e a divulgação de, por
exemplo, itens incomuns, mudanças de práticas ou estimativas contábeis e erros
devem ser tomadas com base em materialidade em relação aos valores do período
intermediário e para evitar quaisquer inferências enganosas que poderiam resultar da
sua não divulgação. Nem as demonstrações financeiras do exercício anterior nem
quaisquer expectativas sobre a posição financeira no encerramento do exercício
corrente são relevantes para a avaliação de materialidade para fins das DFIs.

Em relação a decisões sobre mensuração de um item para fins das DFIs, materialidade
é ainda avaliada em relação aos valores do período intermediário; contudo, a Norma
adiciona que se deve reconhecer que as mensurações do período intermediário podem
se basear em estimativas em maior extensão do que as mensurações para as
informações financeiras anuais.69

VII. Mudanças de Práticas Contábeis

O IAS 34, parágrafo 41, determina que mudanças de práticas contábeis não oriundas
de regras de um novo IFRS ou interpretação devem ser registradas: i) refazendo as
DFIs do ano corrente e dos períodos intermediários de quaisquer anos anteriores, para
os quais as demonstrações financeiras anuais tenham sido objeto de refazimento, de
acordo com a determinação do IAS 8, Accounting Policies, Changes in Accounting
Estimates and Errors; e ii) quando for impraticável determinar o efeito cumulativo no
início do ano corrente em que a mudança de prática contábil for aplicável, ajustar,
prospectivamente as demonstrações financeiras dos períodos intermediários anteriores
apresentados para fins comparativos, de acordo com a nova prática contábil, a partir
do período mais antigo que for praticável.

69
IAS 34, parágrafo 23.

33
VII. Mudanças de Práticas Contábeis--Continuação

No Brasil, a Lei 6.404/76, artigo 186, parágrafo 1º, determina que os efeitos de
mudança de critério contábil e retificação de erro de períodos anteriores devem ser
contabilizados em lucros ou prejuízos acumulados, no patrimônio líquido. A CVM
disciplina o assunto, por meio da Deliberação CVM 506, indicando que mudanças de
prática contábil e correção de um erro de exercício anterior obrigam ao refazimento,
para fins de divulgação, das demonstrações financeiras de forma comparativa, como se
a nova prática estivesse sempre em uso, sendo o seu efeito refletido no patrimônio
líquido do período da mudança ou da correção.

Conforme preconizam os normativos mencionados, ainda existe conflito interno a ser


eliminado para que o tratamento contábil das mudanças de práticas e correção de erros
de períodos anteriores esteja em harmonia internamente e com as normas
internacionais de contabilidade. Tal conflito será eliminado com a entrada em vigor da
Lei 11.638/07 que dá poderes à CVM para emitir normas contábeis. Este assunto
deverá ser objeto de discussão com maior profundidade em tópico específico a ser
desenvolvido.

VIII. Imposto de Renda

O IAS 34, parágrafo 30, item “c”, e apêndice B, parágrafo 12, determinam que a
despesa com imposto de renda deve ser reconhecida em cada período intermediário,
com base na aplicação da alíquota efetiva estimada pela entidade para o final do ano
corrente sobre o lucro antes do imposto de renda do período intermediário a que se
refere. Vide comentários e exemplos a seguir.

No Brasil, a despesa de imposto de renda deve ser determinada com base no resultado
tributável do período a que se refere (Deliberação CVM 273, parágrafos 8, 10 e 31),
ou seja, a apuração da despesa de imposto deve ser efetuada aplicando-se a alíquota
oficial ao lucro tributável do período.

O tratamento de tributação corresponde a uma das áreas técnicas mais difíceis das
DFIs, principalmente devido ao fato de que a alíquota aplicada é estimada para o ano,
com base na qual a despesa de impostos é calculada; contudo, a posição apresentada
no balanço patrimonial intermediário deve resultar da aplicação da alíquota estimada
para o ano sobre o resultado acumulado até o período intermediário. A seguir,
comentaremos, em detalhe, citando exemplos, o tratamento do imposto de renda nas
DFIs conforme determina o IAS 34. É importante mencionar que o Imposto de Renda
(IAS 12 - Impostos de Renda) está sendo objeto de estudo detalhado e profundo em
projeto específico, incluindo o tratamento e os critérios para determinação de imposto
corrente e diferido de acordo com as normas brasileiras e internacionais; portanto,
somente abordaremos neste tópico comentários e ilustrações para fins de preparação
de DFIs.

34
VIII. Imposto de Renda--Continuação

Mensuração de despesa de imposto de renda para o período intermediário

O IAS 34 determina que a despesa de imposto de renda deva ser provisionada


utilizando-se a alíquota de imposto aplicável ao total do resultado anual esperado,
aplicando-se a média ponderada anual da alíquota efetiva de imposto de renda ao lucro
antes de impostos do período intermediário. 70

Uma vez que o imposto corrente é avaliado em bases anuais, a determinação da


alíquota efetiva anual de imposto de renda e a sua aplicação aos rendimentos
acumulados (year-to-date) são consistentes com o conceito básico no IAS 34 de que
os mesmos princípios para reconhecimento contábil e mensuração devem ser aplicados
nas DFIs e nas demonstrações financeiras anuais. 71

Ao estimar a média ponderada anual da alíquota de imposto de renda, uma entidade


deve levar em conta a estrutura de alíquota de imposto que se espera que seja aplicada
aos rendimentos de todo o ano, incluindo mudanças introduzidas ou substancialmente
introduzidas nas alíquotas de imposto de renda, programadas para vigorar mais adiante
no decorrer do exercício social. 72 O IAS 12 fornece diretrizes mais detalhadas sobre a
maneira em que uma entidade deve determinar quando uma mudança na alíquota de
imposto é substancialmente introduzida. 73 Isto significa que se, por exemplo, a
legislação em vigor na data-base do encerramento do primeiro semestre aumentar a
alíquota de imposto para rendimentos acima de um determinado limite, aplicável a
partir de uma data posterior, mas anterior ao encerramento do exercício da entidade, a
estimativa da alíquota de imposto de renda a ser aplicada no relatório intermediário
seria baseada na referida alíquota mais alta, mesmo que no encerramento do primeiro
semestre a entidade não tenha obtido rendimentos acima do limite requerido (uma vez
que é esperado que isso ocorra até o encerramento do exercício).

Quando uma entidade opera em diversas jurisdições fiscais, ou quando diversas


alíquotas de imposto de renda forem aplicadas a diferentes categorias de renda (como
ganhos de capital ou renda obtida em segmentos particulares), a Norma requer que
uma entidade deva, na máxima extensão praticável: 74

– Estimar a alíquota efetiva média anual de imposto de renda para cada jurisdição
fiscal, separadamente, e aplicá-la individualmente ao lucro antes de imposto do
período intermediário de cada jurisdição; e

– Aplicar diferentes alíquotas de imposto de renda a cada categoria individual de


lucro antes de imposto do período intermediário.

70
IAS 34, parágrafo 30 e apêndice B, parágrafo 12.
71
IAS 34, apêndice B, parágrafo 13.
72
IAS 34, apêndice B, parágrafo 13.
73
IAS 12, Income Taxes, IASB parágrafo 48.
74
IAS 34, apêndice B, parágrafo 14.

35
VIII. Imposto de Renda--Continuação

Contudo, a Norma reconhece que, apesar de ser desejável, o referido grau de precisão
não pode ser alcançado em todos os casos; assim, permite uma média ponderada de
alíquotas entre jurisdições fiscais ou categorias de renda, a ser utilizada quando
representar uma aproximação razoável do efeito resultante da utilização de alíquotas
mais específicas. 75
Exemplo 1: Mensuração de despesa de imposto de renda para o período intermediário
– prejuízos trimestrais 76
Uma entidade que reporta trimestralmente apresenta lucro antes de imposto de 30.000
no primeiro trimestre, mas espera incorrer prejuízo de 10.000 em cada um dos outros 3
trimestres (assim, apurando lucro zero no exercício) e opera em uma jurisdição em que
a alíquota média estimada esperada de imposto de renda é de 20%. A tabela a seguir
apresenta o valor da despesa de imposto de renda apresentada em cada trimestre:
Despesa de imposto de
Período renda
Primeiro trimestre 6.000
Segundo trimestre (2.000)
Terceiro trimestre (2.000)
Quarto trimestre (2.000)
Anual 0

O exemplo anterior enfatiza que o IAS 34 não aloca a cada período intermediário uma
parcela da despesa total de imposto de renda esperada para o exercício, que no caso
seria zero. Se isso fosse feito, o regime de competência não estaria sendo respeitado e,
portanto, tanto a despesa de imposto de renda quanto o imposto a pagar no passivo
estariam incorretos nas demonstrações financeiras dos períodos intermediários. Ao
contrário, qualquer aplicação de estimativa anual é restrita à determinação da alíquota
de imposto de renda a ser utilizada. A despesa de imposto de renda nas DFIs resulta da
aplicação desta alíquota aos rendimentos acumulados (year-to-date) até à data-base da
preparação das DFIs.
Mudanças na alíquota efetiva de imposto
O IAS 34 requer que uma entidade reavalie, em cada data-base intermediária, a
alíquota de imposto de renda média anual estimada em bases acumuladas (year-to-
date basis). 77 Assim, pode haver a necessidade de ajustar, em um período
intermediário subseqüente, os valores provisionados de despesa de imposto de renda
em um período intermediário se houver mudança na referida estimativa. 78 O IAS 34
requer divulgação nas DFIs de mudanças significativas nas estimativas de valores
apresentados em um período anterior ou, em demonstrações financeiras anuais, de
mudanças significativas nas estimativas de valores apresentados nas DFIs mais
recentes. 79

75
IAS 34, apêndice B, parágrafo 14.
76
IAS 34, apêndice B, parágrafo 16.
77
IAS 34, apêndice B, parágrafo 13.
78
IAS 34, parágrafo 30.
79
IAS 34, apêndice B, parágrafo 17.

36
VIII. Imposto de Renda--Continuação

Assim, a aplicação da alíquota efetiva anual não resulta em uma mudança constante de
imposto em cada período intermediário, nem deveria resultar em uma alíquota efetiva
de impostos constante quando houver mudança nas circunstâncias.

Desta forma, o efeito de uma mudança na alíquota efetiva de imposto deve ser
reconhecido integralmente no primeiro período após a mudança.

Exemplo 2: Mudanças na alíquota efetiva de imposto durante o exercício - em $

Uma entidade que elabora demonstrações financeiras trimestrais espera apurar lucro
antes de imposto de renda, em cada trimestre, de 20.000. A partir do início do terceiro
trimestre, a Administração decide pagar juros sobre o capital próprio aos acionistas, no
fim do ano, no valor de 20.000, sendo este valor totalmente dedutível para fins de
pagamento de imposto de renda, e determina que a alíquota efetiva anual estimada será
reduzida de 30% para 22,5% (lucro antes do imposto de renda de 80.000 menos juros
sobre o capital próprio de 20.000 é igual à base de cálculo do imposto no valor de
60.000. Aplicando-se a alíquota oficial do imposto de renda de 30%, determina-se o
valor do imposto a pagar de 18.000 (18.000 / 80.000 = 22,5% - representa a nova
alíquota efetiva). Os resultados esperados continuam a corresponder às expectativas. A
tabela a seguir apresenta o valor da despesa de imposto de renda apresentada em cada
trimestre.

Despesa de
Período imposto de renda
Primeiro trimestre (20.000 x 30%) 6.000
Segundo trimestre ((40.000 x 30%) – 6.000) 6.000
Terceiro trimestre ((60.000 x 22,5%) – 12.000) 1.500
Quarto trimestre ((80.000 x 22,5%) – 12.000) 4.500
Anual 18.000

A redução na alíquota efetiva de imposto significa que se espera recolher imposto de


18.000 durante o exercício, sobre lucro antes de imposto de 80.000, o que corresponde
à alíquota efetiva de imposto de renda média anual de 22,5%.

Com rendimentos acumulados de 60.000 no final do terceiro trimestre, a obrigação


fiscal estimada resulta em 13.500, exigindo reconhecimento de despesa de imposto de
1.500 durante o trimestre. No último trimestre, rendimentos de 20.000 gerarão encargo
de imposto de 4.500, utilizando a alíquota efetiva revisada de 22,5%.

Caso a alíquota efetiva não tivesse sido ajustada no terceiro trimestre, a despesa de
imposto de renda ficaria superavaliada no terceiro trimestre e o ajuste total seria
alocado no último trimestre do ano, ficando, desta forma, tanto o passivo do final do
terceiro trimestre quanto os resultados dos dois últimos trimestres distorcidos.

37
VIII. Imposto de Renda--Continuação

Diferença entre o exercício social e o ano fiscal

Quando o exercício social de uma entidade não coincidir com o ano fiscal, a despesa
de imposto de renda para períodos intermediários do exercício social é mensurada
utilizando-se alíquota efetiva média ponderada estimada de imposto para cada um dos
anos fiscais, aplicada à parcela do lucro antes de imposto em cada um dos anos
fiscais. 80 Em outros termos, uma entidade necessita calcular uma alíquota efetiva de
imposto média ponderada estimada para cada ano fiscal em vez de para o seu exercício
social.

Exemplo 3: Diferença entre o exercício social e o ano fiscal 81 - em $

O exercício social de uma entidade termina em 30 de junho e a entidade elabora


demonstrações financeiras trimestrais. O seu ano fiscal termina em 31 de dezembro.
No exercício social iniciado em 1o de julho de 2007 e finalizado em 30 de junho de
2008, a entidade apura lucro antes de imposto de 20.000 em cada trimestre.

A alíquota de imposto de renda média anual estimada é de 30% no ano fiscal


finalizado em 31 de dezembro de 2007 e de 40% no ano fiscal finalizado em 31 de
dezembro de 2008.
Despesa de imposto de
Trimestres findos em: renda
30 de setembro de 2007 6.000
31 de dezembro de 2007 6.000
31 de março de 2008 8.000
30 de junho de 2008 8.000
Anual 28.000

Assim, as despesas e obrigações de imposto de renda de cada período são registradas


aplicando-se a alíquota pertinente a cada ano fiscal.

Prejuízo fiscal e crédito fiscal a compensar com lucros de períodos passados ou


futuros

O Anexo B do IAS 34 reforça o requisito do IAS 12 que, para a compensação futura


de prejuízos fiscais e créditos fiscais, o imposto diferido ativo deve ser reconhecido na
extensão em que for provável a existência de lucro tributável futuro para a
compensação de prejuízos fiscais e créditos fiscais não utilizados. Ao avaliar a
probabilidade de existência de lucro tributável futuro, os critérios descritos no IAS 12
devem ser aplicados na data-base intermediária. Quando esses critérios forem
satisfeitos na data-base intermediária, o efeito do prejuízo fiscal a compensar com
lucros futuros é refletido no cálculo da alíquota efetiva de imposto média anual
estimada. 82
80
IAS 34, apêndice B, parágrafo 17.
81
IAS 34, apêndice B, parágrafo 18.
82
IAS 34, apêndice B, parágrafo 21.

38
VIII. Imposto de Renda--Continuação

Exemplo 4: Prejuízo fiscal que se espera compensar no exercício atual 83 - em $

Uma entidade que elabora demonstrações financeiras trimestrais apresenta prejuízos


operacionais não utilizados de 20.000 para fins de imposto de renda no início do
exercício social corrente, para os quais o imposto diferido ativo não foi reconhecido. A
entidade apura lucro de 20.000 no primeiro trimestre do exercício corrente e espera
apurar lucro de 20.000 em cada um dos três outros trimestres. Excluindo-se o efeito da
utilização de prejuízos a compensar, a alíquota de imposto de renda média anual
estimada esperada é de 40%. Incluindo o efeito da utilização de prejuízos a
compensar, a alíquota de imposto de renda média anual estimada esperada é de 30%.
Assim, a despesa de imposto é determinada aplicando a alíquota de 30% aos
rendimentos de cada trimestre, como segue:

Despesa de imposto de
Período renda
Primeiro trimestre 6.000
Segundo trimestre 6.000
Terceiro trimestre 6.000
Quarto trimestre 6.000
Anual 24.000

Este resultado é consistente com a abordagem geral para a mensuração da despesa de


imposto de renda na demonstração financeira intermediária, no sentido de que
qualquer direito à redução de imposto corrente devido a prejuízos fiscais a compensar
é determinado em bases anuais. Assim, o seu efeito é refletido na estimativa da
alíquota de imposto de renda média anual e não, por exemplo, pela compensação de
todos os prejuízos fiscais não utilizados com rendimentos do primeiro trimestre para
apresentar despesa de imposto de renda nula no primeiro trimestre e de 8.000 nos
demais.

Em contraste, a abordagem acumulada (método year-to-date) do IAS 34 significa que


os benefícios de prejuízo fiscal a compensar com lucro de períodos passados são
refletidos no período intermediário em que o correspondente prejuízo fiscal ocorrer84 e
não são incluídos na avaliação da alíquota de imposto média anual. Esta situação não
ocorre no Brasil, uma vez que a legislação fiscal brasileira não permite a compensação
de prejuízos fiscais apurados em anos recentes com lucros apurados em anos
anteriores, o que resultaria em recuperação dos impostos pagos naqueles anos em que
a entidade apresentava lucro tributável. Isto é consistente com o IAS 12, que requer
que o benefício relativo a prejuízo fiscal passível de compensação com lucros
passados, para recuperar impostos correntes já incorridos em um período anterior,
deva ser reconhecido como um ativo. 85 Assim, uma correspondente redução de uma
despesa de imposto ou aumento de receita fiscal são também reconhecidos. 86
83
IAS 34, apêndice B, parágrafo 22.
84
IAS 34, apêndice B, parágrafo 20.
85
IAS 12, parágrafo 13.
86
IAS 34, apêndice B, parágrafo 20.

39
VIII. Imposto de Renda--Continuação

Quando se espera utilizar integralmente prejuízos fiscais não reconhecidos no


exercício social corrente, parece ser intuitivo refletir a recuperação dos referidos
prejuízos fiscais a compensar na estimativa da alíquota de imposto média anual,
conforme apresentado no Exemplo 4 anterior. Contudo, quando o nível de prejuízos
fiscais não reconhecidos ultrapassar os lucros tributáveis esperados do exercício
corrente, um imposto diferido ativo deverá ser reconhecido em relação aos prejuízos
fiscais a compensar em períodos futuros que se espera utilizar (se os critérios para
reconhecimento de ativo – comentados anteriormente – estiverem presentes), ainda
que em períodos contábeis anuais posteriores. Se os critérios de reconhecimento não
estiverem presentes, o imposto de renda diferido ativo não deve ser reconhecido.

Os exemplos no IAS 34 não indicam a forma em que o referido imposto diferido ativo
seria criado na demonstração financeira intermediária. Entendemos que o tratamento
imposto de renda diferido seja similar ao do corrente. A nosso ver, duas abordagens
são aceitáveis, conforme demonstrado no Exemplo 5 a seguir:

Exemplo 5: Prejuízo fiscal a compensar superior aos lucros esperados para o


exercício corrente – em $

Uma entidade que apresenta demonstrações financeiras semestrais tem prejuízos


operacionais não utilizados de 75.000 para fins de imposto de renda no início do
exercício social corrente, para os quais nenhum imposto diferido ativo foi
reconhecido. No encerramento do primeiro período intermediário, a entidade apresenta
lucro antes de imposto de 25.000 e espera apurar lucro antes de imposto de 20.000 no
segundo semestre. A entidade reavalia a probabilidade de gerar lucros suficientes para
utilizar seus prejuízos fiscais a compensar e conclui, no encerramento do primeiro
período intermediário, que os critérios para o reconhecimento de imposto diferido
ativo determinados pelo IAS 12 são satisfeitos para todo o valor de 75.000 (ou seja, a
recuperação do valor é provável e todos os critérios para reconhecimento do ativo,
definidos pela estrutura conceitual do IASB, estão presentes).

Excluindo-se o efeito da utilização dos prejuízos fiscais a compensar, a alíquota de


imposto de renda média anual estimada esperada é igual ou muito próxima da alíquota
oficial de 40%.

Na data do encerramento do exercício social corrente, a entidade espera apresentar


prejuízos não utilizados de 30.000 (75.000 transportados de períodos passados menos
lucro antes de imposto do exercício corrente de 45.000). Utilizando-se a alíquota em
vigor de 40%, isso requereria o reconhecimento de imposto diferido ativo de 12.000
no encerramento do exercício. Como este imposto diferido ativo deveria então ser
refletido nos períodos intermediários?

40
VIII. Imposto de Renda--Continuação

Abordagem 1

Segundo a primeira abordagem, a estimativa da alíquota efetiva média anual inclui os


prejuízos fiscais a serem compensados e que se espera que sejam utilizados no
exercício social corrente, e um imposto diferido ativo é reconhecido em relação aos
prejuízos fiscais a compensar que se espera utilizar em exercícios futuros. Neste caso,
o imposto de renda diferido ativo, sendo reconhecido, deve estar enquadrado na
definição de ativos descrita na estrutura conceitual do IASB, que indica que um item
somente deve ser reconhecido como ativo se for provável que benefícios futuros
fluirão para a entidade.

Considerando o fato descrito anteriormente, a utilização de prejuízos fiscais, no valor


de 45.000, resulta em alíquota de imposto média anual de zero, como segue:

Estimativa da alíquota efetiva de imposto anual – Abordagem 1 - em $


Despesa anual de imposto esperada antes da utilização de prejuízos fiscais a
compensar (45.000 x 40%) 18.000
Benefício fiscal da utilização de prejuízos fiscais a compensar (45.000 x
40%) (18.000)
Despesa anual de imposto esperada antes do efeito dos prejuízos fiscais a
compensar em períodos futuros 0
Alíquota efetiva de imposto anual esperada 0%

Efeito de prejuízos fiscais a compensar em períodos futuros ((75.000-45.000)


x 40%) (12.000)
Receita fiscal a ser reconhecida no período intermediário (12.000)

Os prejuízos fiscais remanescentes, não utilizados, geram imposto diferido ativo de


12.000, reconhecido integralmente no final do primeiro semestre, resultando na
apresentação do seguinte lucro após imposto: (em $)
Primeiro Segundo
semestre semestre Exercício
Lucro antes de imposto de renda 25.000 20.000 45.000
Crédito (despesa) de imposto de renda
- à alíquota efetiva anual esperada 0 0 0
- reconhecimento de imposto diferido ativo 12.000 0 12.000
Lucro líquido após imposto 37.000 20.000 57.000

Abordagem 2

Na segunda abordagem, a estimativa da alíquota efetiva de imposto média anual


reflete a recuperação esperada de todos os prejuízos fiscais anteriormente não
utilizados do início do período em que houve mudança na avaliação da possibilidade
de recuperação. Considerando o fato mencionado anteriormente, o reconhecimento
dos prejuízos fiscais não utilizados resultaria em alíquota efetiva de imposto média
anual de -26,67%, como segue:

41
VIII. Imposto de Renda--Continuação

Abordagem 2--Continuação

Estimativa da alíquota efetiva de imposto anual – Abordagem 2 - em $

Despesa anual de imposto esperada antes da utilização de prejuízos


fiscais a compensar (45.00 x 40%) 18.000
Benefício fiscal do reconhecimento de prejuízos fiscais não
utilizados (75.000 x 40%) (30.000)
Crédito de imposto anual esperado após o reconhecimento de
prejuízos fiscais não utilizados (12.000)
Alíquota efetiva de imposto anual esperada (-12.000/45.000) -26,67%

Esta abordagem resulta na apresentação do seguinte lucro após imposto:

Primeiro Segundo Exercício


semestre semestre
Lucro antes de imposto de renda 25.000 20.000 45.000
Crédito (despesa) de imposto de renda
- à alíquota efetiva anual esperada 6.667 5.333 12.000
Lucro líquido após imposto 31.667 25.333 57.000

A nosso ver, a Abordagem 1 é a mais adequada, uma vez que resulta no


reconhecimento integral do imposto diferido ativo esperado assim que se torna
provável a existência de lucro tributável futuro, para fins da utilização da diferença
temporária dedutível. 87 Contudo, dado que o IAS 34 não contempla especificamente
este tipo de situação e não esclarece se a alíquota efetiva deve ou não refletir
mudanças na avaliação da possibilidade de recuperação de prejuízos fiscais a
compensar, consideramos que a Abordagem 2 também é aceitável.

É importante mencionar que não há dúvida de que, com base nos dados do caso, de
acordo com os critérios de reconhecimento de um ativo determinados pelo framework
do IASB (isto é, se tiver um custo ou valor mensurável de forma confiável e for
provável que benefícios econômicos futuros fluirão para a entidade), o valor do
imposto diferido deve ser reconhecido no primeiro semestre. A questão é se a alíquota
efetiva deveria refletir a possibilidade de recuperação de prejuízos fiscais nos períodos
intermediários. Daí a opção de o imposto de renda diferido poder ser reconhecido,
nesse caso, integralmente no primeiro semestre, ou, durante os dois semestres do ano:
6.667 no primeiro semestre, e 5.333 no segundo semestre, conforme cálculos
anteriores.

87
IAS 12, parágrafo 24.

42
VIII. Imposto de Renda--Continuação

CRÉDITOS FISCAIS

O IAS 34 descreve também, em maiores detalhes, o tratamento de créditos fiscais, que


podem, por exemplo, ser baseados no valor de gastos de capital em áreas agrícolas,
incentivos governamentais, exportações ou de despesas com pesquisa e
desenvolvimento. Esses benefícios são, em geral, concedidos e calculados em bases
anuais segundo a legislação tributária; assim, devem ser refletidos no cálculo da
alíquota efetiva anual estimada de imposto de renda utilizada nas DFIs. Contudo,
quando os benefícios fiscais se relacionam a um evento não recorrente, devem ser
excluídos da estimativa da alíquota anual e tratados separadamente como uma dedução
da despesa de imposto de renda para o período intermediário em que o evento ocorreu.
Por vezes, alguns créditos fiscais se assemelham mais a um benefício governamental.
Quando este for o caso, devem ser reconhecidos no período intermediário de sua
origem. 88

Um exemplo de evento não recorrente se refere ao efeito de uma mudança nas


alíquotas de imposto em vigor sobre a mensuração de impostos diferidos ativos e
passivos existentes. Neste caso, o imposto diferido ativo ou passivo seria remensurado
na data-base das demonstrações intermediárias com base na nova alíquota de imposto
em vigor, reconhecendo o efeito integralmente no referido período, e excluindo-o da
avaliação da alíquota efetiva de imposto anual.

Com relação à aplicação, no Brasil, dos conceitos descritos anteriormente referentes


ao registro e à apresentação do imposto de renda em data intermediária, exceto quanto
ao registro da despesa de imposto de renda utilizando-se a alíquota efetiva anual
estimada de imposto, os demais conceitos são essencialmente aplicados quando da
preparação das DFIs de acordo com as práticas contábeis adotadas no Brasil.

Quanto à prática da utilização da alíquota efetiva anual estimada a ser aplicada no


Brasil, esta representará novidade. Sem dúvida, uma possível conclusão sobre a forma
correta de divulgar os efeitos do imposto de renda em períodos intermediários passa
pelo entendimento dos princípios de reconhecimento e mensuração aplicados na
preparação das DFIs, discutidos com certa amplitude neste relatório. De fato, apesar
de as entidades serem obrigadas a recolher impostos sobre o lucro apurado no decorrer
do ano, a apresentação das contas ao governo ocorre anualmente sobre o resultado
acumulado do ano, por meio da entrega da declaração de imposto de renda.

88
IAS 34, apêndice B, parágrafo 19.

43
VIII. Imposto de Renda--Continuação

CRÉDITOS FISCAIS--Continuação

Portanto, se uma entidade tem um lucro ou prejuízo maior em um ou outro período


intermediário ao longo do ano, terá de prestar contas ao governo em bases anuais,
tomando como referência o lucro apurado no ano. Desta forma, é razoável considerar
que a utilização da melhor estimativa de alíquota anual para contabilização das
despesas e efeitos do imposto de renda em períodos intermediários seja adequada
nesse contexto. Portanto, a estimativa e consideração da alíquota efetiva do ano,
aplicada sobre o lucro antes do imposto de renda dos períodos intermediários, são
imprescindíveis para a apresentação consistente da despesa de imposto de renda dos
períodos intermediários, ao longo do ano. Tal prática não distorce o registro e a
apresentação de ativos e passivos com impostos, conforme definido na estrutura
conceitual de contabilidade do IASB.

3. Comentários sobre os Pontos Relevantes Notados na Comparação das Normas

De uma forma geral, visto não existir nas práticas contábeis adotadas no Brasil um
pronunciamento específico que trate da elaboração das DFIs, as entidades obrigadas a
apresentá-las seguem as normas emitidas pela CVM; contudo, as divulgações não
seguem uma estrutura específica. Na busca de melhor atender às necessidades dos
leitores, as entidades acabam, em determinados casos, divulgando em formato auto-
definido e diferente do conteúdo exigido pelo órgão regulador e pela norma
internacional.

Uma das principais diferenças entre as práticas contábeis brasileiras e internacionais


são as mensurações e o conteúdo das DFIs. Em muitos casos, a preparação e
apresentação das DFIs se aproximam daquelas determinadas pelo IFRS. Em outros
casos, se distanciam; por exemplo, divulgações de eventos ou transações relevantes no
primeiro trimestre não são mantidas nos trimestres posteriores e somente são incluídas
na demonstração financeira anual, talvez porque os balanços sejam comparados com
os períodos intermediários anteriores e não com o ano anterior. Em outras situações,
divulgações de itens do balanço que não foram objeto de mudanças em relação ao ano
anterior são incluídas. Pode existir casos em que o preparador não tem certeza de quais
notas explicativas deveria incluir.

As práticas e os critérios contábeis aplicados pelo IFRS, conforme comentado


anteriormente neste relatório, determinam que as DFIs sejam apresentadas
considerando a situação patrimonial na data intermediária, usando certas estimativas
projetadas sobre o resultado anual estimado. O IAS 34 requer a divulgação de notas
explicativas selecionadas, no caso de apresentação de demonstrações financeiras
condensadas ou completas.

44
3. Comentários sobre os Pontos Relevantes Notados na Comparação das Normas--
Continuação

Devemos considerar, também, o fato de o IAS 34 reconhecer que a elaboração de DFIs


exige, em geral, maior uso de métodos de estimativa do que no encerramento do
exercício. Conseqüentemente, a mensuração de certos ativos e passivos em uma data-
base intermediária pode envolver um menor uso de peritos e especialistas externos,
assunto pouco explorado na literatura contábil brasileira.

O uso de estimativas não está previsto na literatura contábil brasileira e, sem dúvida,
sua absorção no processo de formalização de convergência das normas contábeis
representará um desafio. Na prática, a maioria dos itens indicados pelo IAS 34 está
presente na realidade das entidades brasileiras e refletida na contabilidade. Por
exemplo, a maioria das companhias brasileiras não faz contagem física dos estoques,
obtém avaliação atuarial de planos de pensão ou opinião de consultores advogados
para as contingências etc., a cada trimestre e, de uma forma geral, essas avaliações são
feitas uma vez por ano e quase sempre próximas ao fim do ano. Durante a preparação
das DFIs, métodos de avaliações de estimativas menos rigorosos, mas com precisões
razoáveis, são utilizados para mensurar os correspondentes valores de ativos e
passivos apresentados. Portanto, a criação de uma norma equivalente ao IAS 34
tratando esses itens representará um guidance importante para os preparadores e
avanço na literatura contábil no Brasil.

Materialidade é discutida como um subtópico da relevância, no sentido de prover um


ponto-limite abaixo do qual relevância não existe. A informação é considerada
material se a sua omissão ou erro influenciar as decisões econômicas dos usuários
tomando-se por base as demonstrações financeiras. 89 A pergunta importante,
entretanto, seria em relação a que determinada informação deve ser julgada como
material ou imaterial, e para quem. O Framework não provê discussões adicionais
sobre o assunto, ou instruções adicionais para identificação de itens materiais.

O IAS 34 requer a inclusão no relatório financeiro intermediário de todas as


informações relevantes para o entendimento da posição financeira e do desempenho de
uma entidade durante o período intermediário. A Norma se baseia nas Normas IAS 1 e
IAS 8, as quais consideram um item como relevante se a sua omissão ou distorção
poderia influenciar as decisões econômicas dos usuários das demonstrações
financeiras, mas não contém diretrizes quantitativas sobre materialidade.

O IAS 34 também requer a avaliação de materialidade em relação às informações


financeiras intermediárias. Assim, decisões sobre o reconhecimento e a divulgação de,
por exemplo, itens incomuns, mudanças de práticas ou estimativas contábeis e erros
devem ser tomadas com base em materialidade em relação aos valores do período
intermediário e para evitar quaisquer inferências enganosas que poderiam resultar da
sua não divulgação. Nem as demonstrações financeiras do exercício anterior nem
quaisquer expectativas sobre a posição financeira no encerramento do exercício
corrente são relevantes para a avaliação de materialidade para fins das DFIs.
89
Framework, parágrafo 30.

45
3. Comentários sobre os Pontos Relevantes Notados na Comparação das Normas--
Continuação

Na prática, materialidade é feita de conceitos qualitativos e quantitativos, e um mero


pequeno item pode não necessariamente representar um item imaterial.

Consideramos, também, a aplicação da competência dos períodos, um dos


pressupostos básicos da estrutura contábil do IFRS, que determina que os efeitos de
transações e outros eventos são reconhecidos quando ocorrem e são apresentados nas
demonstrações financeiras do período aos quais se relacionam. 90 Esse conceito proíbe
o reconhecimento de itens no balancete que não se enquadrem na definição de ativos e
passivos. 91 Portanto, qualquer estimativa reconhecida no balanço de uma entidade
deve obrigatoriamente estar enquadrada no conceito de ativo, ou seja, os benefícios
futuros quantificáveis fluirão para a entidade e, passivos, isto é, que seja provável a
entrega de benefícios pela entidade para liquidar obrigações quantificáveis geradas em
eventos passados. Esses conceitos estão, de uma forma geral, alinhados com as
práticas contábeis adotadas no Brasil.

4. Opinião dos Autores sobre as Barreiras na Aplicação da Norma Internacional

A aplicação da Norma Internacional no Brasil é viável após a criação de norma


equivalente ao IAS 34 e o alinhamento das praticas contábeis adotadas no Brasil com
as demais normas internacionais de contabilidade, conforme comentado a seguir. As
diferenças de princípios de reconhecimentos e mensurações, bem como do conteúdo
mínimo e de apresentação das DFIs mencionados neste estudo, seriam diretamente
eliminadas com a adoção do IAS 34 ou norma equivalente. Nesse processo, as
mensurações de estimativas em períodos intermediários utilizando-se os critérios
anuais, para as despesas determinadas em bases anuais, a exemplo do imposto de
renda e demais estimativas que se enquadrem nesse conceito, bem como a forma de
apresentação das DFIs, isto é, completas ou condensadas (nestas últimas com notas
explicativas selecionadas) e balanço do período intermediário comparativo com o ano
anterior, seriam novidades em relação às práticas contábeis brasileiras. Entretanto, o
alinhamento requerido para aplicação do IAS 34 no Brasil vai além, e passa pela
eliminação dos conflitos e das diferenças entre outras normas internacionais de
contabilidade e as práticas contábeis adotadas no Brasil. As principais divergências
estão concentradas nas seguintes áreas e que devem ser alinhadas para que o IAS 34
ou norma equivalente possa ser aplicado no Brasil. Esses itens, além de outros, estão
sendo objeto de estudo com maior profundidade em tópicos específicos:

– Apresentação de fluxo de caixa (comentado no tópico 2.II deste relatório).

90
Framework, parágrafo 22.
91
Framework, parágrafo 95.

46
4. Opinião dos Autores sobre as Barreiras na Aplicação da Norma Internacional--
Continuação

– Tratamento contábil no ativo, resultado e patrimônio líquido de investimentos em


instrumentos financeiros dependendo de sua classificação: destinados a negociação,
mantidos até o vencimento e disponíveis para venda.

– Contabilização de instrumentos derivativos a valor de mercado. Tratamento contábil


específico quando derivativos são utilizados como hedge. Classificação das
transações de hedge como de fluxo de caixa, de valor justo (fair value) e de
investimento estrangeiro. Requer ainda o registro da variação do valor justo dos
contratos derivativos designados como hedge no ativo e/ou passivo e receita e/ou
despesa, no resultado, no caso de hedge de fair value, ou diferimento da parcela
eficaz do hedge de fluxo de caixa no patrimônio líquido até à data da utilização do
item protegido, desde que documentado conforme requerido.

– Remuneração/pagamento com emissão de opções de compra de ações. O valor justo


das opções é registrado no patrimônio líquido e despesas (no caso de remuneração
de empregados), no resultado, durante os períodos contratuais em que os serviços
estejam sendo prestados/direitos sendo adquiridos.

– Contabilização de operações de arrendamento mercantil. Bens arrendados com


características de financiamentos (lease financeiro), assim classificados por se
enquadrarem nos critérios definidos na Norma, são registrados no ativo permanente
e os respectivos valores financiados registrados no passivo de curto/longo prazo.

– Combinação de negócios e determinação do ágio, principalmente no que tange ao


registro pelo valor justo dos ativos e passivos adquiridos e registro do ágio.

– Apresentação de informações por segmentos (comentado no tópico 2.V deste


relatório).

– Apresentação de lucro básico e diluído por ação (comentado no tópico 2.III.d deste
relatório).

A Lei 11.638, publicada em 28.12.07, dá poderes à CVM para emitir normas


contábeis; portanto, essas diferenças poderão ser eliminadas por meio de emissão de
normas regulamentando os assuntos mencionados.

47
5. Proposta de Ação Regulatória

A convergência das práticas contábeis brasileiras com as normas internacionais passa,


necessariamente, pela criação de norma específica equivalente ao IAS 34,
disciplinando a elaboração das DFIs, uma vez que as práticas contábeis brasileiras não
contemplam tal norma. A aplicação da nova Norma no Brasil implicará em mudanças
no conteúdo e nos princípios contábeis de reconhecimento e mensuração quando da
preparação das DFIs, conforme mencionado anteriormente. Para que a Norma seja
aplicada por completo e as DFIs possam ser apresentadas de acordo com o IFRS, a
regulamentação de outros itens, incluindo os mencionados no tópico 4, é necessária
com o objetivo de eliminar possíveis conflitos entre as práticas brasileiras e normas
internacionais de contabilidade e permitir que as DFIs no Brasil sejam preparadas de
acordo com o IFRS. Após a eliminação dos conflitos entre as práticas contábeis
brasileiras e demais normas internacionais de contabilidade e a criação da Norma
sobre preparação de DFIs, os desafios seguintes seriam a sua implementação.

O IFRS não obriga à aplicação do IAS 34 e deixa a cargo dos órgãos reguladores a
exigência da sua aplicação. A CVM pode recomendar as entidades a preparar as suas
DFIs com base nos princípios de reconhecimento e mensuração do IFRS que elas
pretendem aplicar às suas demonstrações financeiras anuais. Nesse caso, as DFIs
devem divulgar que as políticas contábeis sendo utilizadas são aquelas que a entidade
pretende aplicar nas suas demonstrações financeiras anuais de acordo com o IFRS (e
que algumas mudanças podem ser necessárias quando da preparação das referidas
demonstrações financeiras anuais). Ou seja, a CVM obriga à apresentação dos ITRs e
o IFRS não.

No caso de aplicação de políticas contábeis diferentes das do ano anterior, as


mudanças devem ser explicadas em Nota e os valores comparativos devem ser
ajustados conforme apropriado. Abaixo tratamos das disposições transitórias e das
ações que as entidades devem tomar quando da adoção inicial da Norma.

Disposições Transitórias e Adoção Inicial

1. Apresentação inicial de DFIs em conformidade com a Norma IAS 34

O IAS 34 não contém quaisquer regras transitórias para sua primeira aplicação.
Desta forma, uma entidade que elabora demonstrações financeiras segundo o IFRS,
pela primeira vez, deve aplicar os requisitos do IAS 34 integralmente, sem qualquer
isenção transitória na elaboração das suas DFIs em conformidade com o IFRS.

48
5. Proposta de Ação Regulatória--Continuação
Disposições Transitórias e Adoção Inicial--Continuação
1. Apresentação inicial de DFIs em conformidade com a Norma IAS 34--Continuação
Por exemplo, uma entidade que já elaborou demonstrações financeiras anuais segundo
as normas do IFRS e opta, ou é requerida por regulamento, a elaborar DFIs em
conformidade com o IAS 34, deve apresentar todas as informações requeridas pela
Norma para o período intermediário corrente, de forma acumulada para o exercício
social corrente e relativas a períodos comparáveis (corrente e acumulada) do exercício
social anterior. A falta de disposições transitórias requer que essas entidades refaçam
DFIs anteriormente apresentadas, de forma a observar o IAS 34 e a obter informações
relativas a períodos intermediários comparáveis como, por exemplo, relativas à receita
por segmento e resultado por segmento ou relativas à baixa e reversão de ativos, que
não poderiam anteriormente ser apresentadas.
Entidades que ainda não elaboraram demonstrações financeiras anuais de acordo com o
IFRS estão sujeitas aos requisitos adicionais segundo a Norma IFRS 1 – Adoção Inicial
das Normas Internacionais de Elaboração de Relatórios Financeiros ao apresentar
relatórios segundo o IAS 34, conforme mencionado a seguir.
2. Divulgações adicionais para entidades que adotam o IFRS pela primeira vez
Para uma entidade que apresenta demonstrações financeiras anuais segundo o IFRS,
não é obrigatório elaborar DFIs segundo o IAS 34. Assim, os requisitos mencionados a
seguir se aplicam apenas às entidades que elaboram suas DFIs segundo o IAS 34 pela
primeira vez, de forma voluntária, ou porque são requeridas a fazê-lo por órgão
normativo ou outro agente. 92
Quando uma entidade adota as normas e apresenta a demonstração financeira
intermediária, segundo o IAS 34, pela primeira vez, para parte do período incluído em
sua primeira demonstração financeira anual segundo o IFRS, a entidade deverá
satisfazer os seguintes requisitos além daqueles determinados pelo IAS 34: 93
a) se as DFIs do exercício social anterior, apresentadas para fins de comparação,
foram preparadas segundo as práticas contábeis anteriores (BRGAAP), as
demonstrações financeiras para o período intermediário corrente devem incluir as
seguintes reconciliações:
 do patrimônio líquido da entidade segundo o BRGAAP no encerramento do
período intermediário em questão com o seu patrimônio líquido segundo o
IFRS naquela data; e
 do seu lucro líquido ou prejuízo segundo o BRGAAAP para o período
intermediário comparável, tanto em bases correntes quanto acumuladas, com o
seu lucro líquido ou prejuízo segundo o IFRS para aquele período; e

92
IFRS 1, parágrafo IG37.
93
IFRS 1, parágrafo 45.

49
5. Proposta de Ação Regulatória--Continuação

Disposições Transitórias e Adoção Inicial--Continuação

2. Divulgações adicionais para entidades que adotam o IFRS pela primeira vez--
Continuação

b) incluir, na primeira demonstração financeira intermediária da entidade,


preparada segundo o IAS 34 para aquele trimestre do período, abrangido por
sua primeira demonstração financeira segundo o IFRS, as conciliações
relativas às demonstrações financeiras anuais anteriormente publicadas e para a
data da transição para o IFRS 94 , ou fazer referência a outro documento
publicado que inclua essas reconciliações.

Exemplo 6: Reconciliações a serem apresentadas nas demonstrações financeiras


trimestrais intermediárias 95

A data da Entidade A de transição para as normas IFRS é 1° de janeiro de 2009, a


sua data-base para elaboração de demonstrações financeiras é 31 de dezembro de
2010 e publica demonstrações financeiras trimestrais segundo o IAS 34, e a sua
primeira demonstração intermediária, segundo o IAS 34, corresponde àquela para o
primeiro trimestre de 2007. Quais reconciliações deve a Entidade A apresentar nas
suas DFIs de 2010?

Explicação de
ajustes
Reconciliação do Reconciliação de significativos à
patrimônio lucro líquido ou demonstração do
líquido prejuízo fluxo de caixa
Primeiro trimestre de 2010
1° de janeiro de 2009 XX
31 de março de 2009 X X
31 de dezembro de 2009 XX XX XX
Segundo trimestre de 2010
30 de junho de 2009 X
Período corrente X
Acumulada X
Terceiro trimestre de 2010
30 de setembro de 2009 X
Período corrente X
Acumulada X

X = Divulgações obrigatórias a serem incluídas em cada demonstração financeira intermediária se a entidade tiver
apresentado uma demonstração financeira segundo o BRGAAP para o período intermediário comparável do
exercício social anterior.
XX = Em vez de incluir essas reconciliações no primeiro relatório intermediário preparado segundo o IAS 34, a
entidade pode incluir uma referência a outro documento publicado que inclua essas reconciliações. As
reconciliações devem diferenciar a correção de erros de mudanças nas práticas contábeis.

94
IFRS 1, parágrafo 39.
95
IFRS 1, IG Exemplo 10.

50
5. Proposta de Ação Regulatória--Continuação

Disposições Transitórias e Adoção Inicial--Continuação

2. Divulgações adicionais para entidades que adotam o IFRS pela primeira vez--
Continuação

Conforme pode ser visto na tabela do Exemplo 6, a maioria das reconciliações


adicionais e explicações requeridas no item (b) anterior seriam apresentadas fora de
contexto, ou seja, sem o balanço patrimonial, demonstração do resultado e
demonstração do fluxo de caixa às quais se relacionam. Por este motivo, uma
entidade que apresenta as demonstrações financeiras, de acordo com o IFRS, pela
primeira vez pode optar por incluir os componentes das demonstrações financeiras
aos quais essas reconciliações se referem na sua demonstração financeira
intermediária, apresentada pela primeira vez segundo o IFRS, ou fazer referência a
outro documento que inclua essas conciliações com as demonstrações financeiras
primárias em questão.

As DFIs, segundo o IAS 34, podem conter bem menos detalhes do que as
demonstrações financeiras anuais, uma vez que os seus requisitos de divulgação
estão baseados na premissa de que os usuários das DFIs também têm acesso às
demonstrações financeiras anuais mais recentes. Assim, a entidade que elabora as
demonstrações, segundo o IFRS, pela primeira vez terá de assegurar que a sua
primeira demonstração financeira intermediária contenha informações suficientes
sobre eventos ou transações que são relevantes para obter entendimento do período
intermediário corrente. Desta forma, pode ser necessário que a entidade tenha que
incluir na sua primeira demonstração intermediária, segundo o IFRS, bem mais
informações do que normalmente incluiria em uma demonstração intermediária;
alternativamente, poderia incluir uma referência a outras demonstrações financeiras
publicadas que inclua essas informações. 96 Além das reconciliações indicadas
anteriormente relativas às informações financeiras anuais anteriormente publicadas
e na data da transição para o IFRS, um exemplo da referida divulgação incluiria a
necessidade de apresentar integralmente as práticas contábeis da entidade segundo o
IFRS, ou de fazer referência a outro documento que inclua essas informações.

96
IFRS 1, parágrafo 46.

51
5. Proposta de Ação Regulatória--Continuação

Disposições Transitórias e Adoção Inicial--Continuação

2. Divulgações adicionais para entidades que adotam o IFRS pela primeira vez--
Continuação

Abaixo incluímos, preservando o texto original, uma análise, por meio de pergunta
e resposta, referente ao primeiro ano de adoção do IFRS sobre as DFIs e
obrigatoriedade:

IAS 34.19-1 – Interim financial reports in 2005 for a first-time adopter (July 2005)
Issue
Does a company that is adopting International Financial Reporting Standards for the
first time in 2005 and that publishes a 2005 interim financial report need to prepare
the interim financial report under IAS 34 Interim Financial Reporting?
Fact Pattern
For the year 2005, many listed companies in Europe will prepare their first annual
financial statements under IFRS. However, these companies will often be required by
national law or regulation to also prepare interim financial reports in 2005. This
Q&A elaborates on the implications the conversion to IFRS has on the interim
financial reporting.
Conclusion
No, IFRS does not require companies to prepare interim financial reports.
Accordingly the need to publish an interim financial report, and the basis of
preparation, form and content of the interim financial report continue to be
determined by national law or regulation. In the absence of any specific national
regulatory requirement (or obligation created eg by covenant), 2005 interim financial
reports therefore do not need to be prepared under IAS 34.
Reasons for conclusion
Paragraph 2 of IFRS 1 First-time Adoption of International Financial Reporting
Standards states that an entity shall apply IFRS 1 to:
"…
(a) its first IFRS financial statements; and
(b) each interim financial report , if any, that it prepares under IAS 34 Interim
Financial Reporting for part of the period covered by its first annual IFRS financial
statements."

52
5. Proposta de Ação Regulatória--Continuação

Disposições Transitórias e Adoção Inicial--Continuação

2. Divulgações adicionais para entidades que adotam o IFRS pela primeira vez--
Continuação

Paragraph 3 then further explains that:


"An entity's first IFRS financial statements are the first annual financial statements in
which the entity adopts IFRSs…"[emphasis added]
The EU Regulation requiring listed EU companies to prepare their consolidated
financial statements under IFRS applies only to annual consolidated financial
statements not to interim reports.
Paragraph 19 of IAS 34 states:
"If an entity's interim financial report is described as complying with International
Financial Reporting Standards, it must comply with the requirements of this
Standard".
As a result, a company that does not wish to prepare its 2005 interim financial report
under IAS 34 must not explicitly describe its 2005 interim financial report as
complying with International Financial Reporting Standards.
Rather than prepare its 2005 interim financial report under IAS 34, a company may
instead decide to prepare its interim report on the basis of the IFRS recognition and
measurement principles that it intends to apply in its 2005 annual financial
statements. For EU companies in particular, this has the advantage that should any
published revisions to standards not have been endorsed as at the interim reporting
date, they may nevertheless be applied in preparing the interim financial report.
In such cases, the interim financial report should disclose that the accounting policies
are those the company intends to apply in its financial statements for the year.
Preferably it should also disclose that there is a possibility that the company will
determine that some changes to these policies are necessary when preparing the
company's annual financial statements for the first time in accordance with IFRS.

53
5. Proposta de Ação Regulatória--Continuação

Disposições Transitórias e Adoção Inicial--Continuação

2. Divulgações adicionais para entidades que adotam o IFRS pela primeira vez--
Continuação

Paragraph 19 of IAS 34 states--Continuação

As noted above, the provisions of IFRS 1 relating to an interim financial report for
part of the period covered a company's first IFRS financial statements apply only to
interim financial reports prepared under IAS 34. Strictly speaking, therefore, a
company that does not prepare its interim financial report under IAS 34 is not
required to comply with IFRS 1. However, a company which is preparing its interim
financial report on the basis of the accounting policies it intends to apply in its
financial statements for the subsequent year end will need to apply IFRS 1 in the
same way at the interim date as it intends to in those subsequent financial statements.
Also, where a company applies a different accounting policy in its 2005 interim
financial report from the policy applied in its previously published preliminary 2004
IFRS financial statements, the change should be explained in the interim report and
comparative figures adjusted as appropriate. Paragraphs 45 and 46 of IFRS 1 detail
certain required disclosures in interim financial reports prepared in accordance with
IAS 34. Whilst these disclosures are by definition not mandatory if IAS 34 is not
adopted, companies will need to consider carefully the adequacy of their disclosures
in the light of local regulatory recommendations or requirements. In turn, if we are
performing a review of the interim financial report we will need to consider the
adequacy of disclosures in forming our report, again in the light of relevant
guidance.
Approved by the IFRS Policy Committee: July 2005

54
6. Bibliografia Utilizada na Comparação das Normas e Práticas

IASB’s Conceptual Framework


IAS 34;
IAS 36, parágrafo 124;
IAS 39, parágrafos 66 e 69;
IFRIC 10;
IFRS 1
Capítulo 37 do livro International GAAP 2007, Ernst & Young;
Capítulo 19 do livro Wiley GAAP 2005;
EY IFRS Q&As.
Lei 6.404/76, artigo 204, parágrafos 1-2.
Lei 6.404/76, artigo 186, parágrafo 1º.
Deliberação CVM 506.
Deliberação CVM 273, parágrafos 8, 10 e 31.
Instrução CVM 202, artigo 16º, inciso VIII;
Circular BACEN 2.990, artigos 1º e 2º.;
Circular SUSEP 334 - Anexo I, 5.1;
Ofício-Circular/ CVM/SNC/SEP No. 01/2007, item 22.4.6.
Pronunciamento Técnico CPC 01;
Estrutura conceitual de contabilidade - CPC

7. Opinião e Comentários dos Consultores da FIPECAFI

A discussão dos objetivos das demonstrações financeiras intermediárias é interessante,


bem como dos métodos que decorrem das filosofias que podem ser adotadas. Todavia,
para fins de normatização, deve-se escolher um conjunto de objetivos e método e
aplicá-los sem entrar nessa discussão mais própria de materiais críticos como este.

Apesar da não obrigatoriedade da adoção deste IAS para a convergência com as


normas internacionais, sugere-se sua plena adoção no Brasil por parte da CVM e
demais órgãos reguladores, em base trimestral. Isso significa atribuir a esses relatórios
intermediários a função de atualizar o usuário com os principais fatos ocorridos desde
as últimas demonstrações completas divulgadas, dando-lhe uma idéia da tendência de
direcionamento do desempenho do exercício em andamento.

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