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"A Ponte de Pedra suspensa na paisagem pelo tempo!

"

BIER, Lucile
CARON, Daniele
COELHO, Letícia
MARTINS, Marina
PANITZ, Lucas
PIMENTEL, Maurício
PUNTEL, Geovane Aparecida
RANGEL, Mário
SCHWERZ, João Paulo
SILVA, Luís Alberto
SOLLER, Juliane da
VERDUM, Roberto
VIEIRA, Lucimar de Fátima dos Santos

RESUMO
No artigo se discute a reestruturação ou requalificação funcional e simbólica de um monumento
histórico ao sofrer uma intervenção no espaço público, sendo esta analisada pelo referencial
teórico-metodológico da abordagem perceptiva. A Ponte de Pedra, localizada em Porto Alegre,
capital do estado do Rio Grande do Sul, no Largo dos Açorianos, foi construída em 1846, em
substituição a uma ponte de madeira (construída em 1825) erguida quase no mesmo local. A
ponte ligava as chácaras da zona sul (área rural) ao centro da cidade, mas em 1937, o arroio
Dilúvio começou a ser retificado e a ponte perdeu a sua função. Mas, ela sobreviveu às
mudanças do espaço urbano, e as suas funcionalidades estão marcadas na paisagem, como
memória do tempo passado, transformada em “testemunha de pedra”. A ponte foi um dos
primeiros cinco monumentos tombados pelo município em 1979, sendo projetado na
reurbanização do seu espaço de entorno um espelho d´água sob seus pilares em arco. A
abordagem perceptiva no estudo da paisagem urbana se interessa pelo modo como os
indivíduos percebem e tomam decisões a respeito da cidade e seus monumentos históricos. A
problemática na qual se focaliza este estudo está em saber qual a percepção dos transeuntes
na transformação da paisagem e na perda de um monumento de identidade cultural e histórica.
A produção cultural se dá no espaço e no tempo, e os momentos históricos são relictos de
sobreposição de percepções e funcionalidades refletidas nas paisagens. Ou seja, será que
este patrimônio, resultado de um processo histórico/cultural, deve conviver com os elementos
que compõe uma nova paisagem?

Palavras-chave: paisagem, patrimônio, monumento histórico, Ponte de Pedra, Largo


Açorianos, Porto Alegre

1
INTRODUÇÃO

Refletir sobre a noção de patrimônio, atualmente, requer compreender o


contexto de transformação a que estão submetidas às paisagens, as às sociedades e
os territórios, revisando o impacto dos fenômenos da globalização sobre a sociedade e
a crise de valores que dela deriva.
Pois, a vulnerabilidade daquilo que se pretende conservar ou proteger está
relacionado com a transferência semântica, que sofreu a palavra “patrimônio” ao longo
das últimas décadas. O fenômeno do patrimônio se transforma a cada dia em culto
mediático que nada tem a ver com os laços de co-determinação existentes entre o
indivíduo, o ato de rememorar e o objeto que reflete esta memória.
A proteção institucional do patrimônio1 histórico iniciou-se somente no século
XIX, na França. Segundo Choay (2001), durante a Revolução Francesa inicia-se o
grande processo de apropriação da "propriedade nacional", com o sequestro e confisco
de bens da igreja, da coroa e da aristocracia. Para conservar os bens criou-se a ideia
do patrimônio coletivo, ou seja, de um valor de nacionalidade, de interesse de todos os
cidadãos e de uma história coletiva. Paradoxalmente, esse período, também, é
fortemente influenciado pela destruição que ganha o país e torna-se incontrolável, pelo
desejo de “apagar” todos os símbolos da realeza e a necessidade de fazer armas.
Em 1794, na luta contra este vandalismo, o abade Grégoire (membro do
parlamento) se opõe à destruição de certos locais representativos (certains lieux
emblématiques) da história da França e concebe o atributo de "monumento2
histórico". François Guizot (historiador, professor, vice-ministro do Interior – criador da
política do patrimônio, em 1830), assim como Grégoire, considerava o patrimônio uma
ferramenta que, juntamente com a escola, poderia sensibilizar os cidadãos do país para

1
A palavra patrimônio vem do latim patrimonium, herança, isto é, conjunto de bens de família,
transmitidos por herança (a herança, a propriedade da família transmitida pelo pai ‘pater’ e pela mãe);
conjunto de bens herdado ou adquirido de uma pessoa, instituição ou empresa; e o conjunto dos bens
materiais e imateriais de uma nação, estado, cidade, que constituem herança coletiva e são transmitidos
de geração a geração, (AZEREDO, 2013).
2
Monumento, origem latina monumentum, derivado do verbo moneo (se remémorer). Obra erigida em
honra de alguém ou para comemorar algum acontecimento notável. Edifício grandioso, digno de
admiração pela sua estrutura ou pela sua antiguidade. Qualquer obra intelectual ou material que pelo seu
alto valor passa à posteridade, (AZEREDO, 2013).

2
participarem da construção de uma identidade nacional e do Estado-Nação (VIEIRA,
2014).
Choay (2001) explica que as grandes mudanças ocorridas no espaço geográfico
e o ritmo acelerado da sociedade decorrentes da Revolução Industrial (países como
Inglaterra, França, Alemanha e Estados Unidos) produziram uma crise de identidade e,
consequentemente, uma tentativa de resgate para compor uma visão nostálgica do
passado. Ao término da Primeira Guerra Mundial, a preocupação com o patrimônio
histórico estendeu suas fronteiras aos demais países europeus e americanos (VIEIRA,
2014).
Se por um lado a trajetória delineada pela conservação do patrimônio ao longo
do tempo remete à valoração de âmbitos cada vez mais amplos e complexos, por outro,
no século XX começa o processo de patrimonialização da paisagem. Tal como o
patrimônio em sua época, o conceito de paisagem entra no rol das discussões
intelectuais e científicas transformando-se em simulacro 3 de um ideal paisagístico
obsoleto para o contexto contemporâneo, pleno de desigualdades sociais e econômicas
e de complexa diversidade.
No Brasil, a proteção efetiva da paisagem é ainda um desafio, apesar dos
grandes progressos a respeito da legislação ambiental e dos diversos instrumentos
vigentes para a proteção dos bens culturais 4. Recentemente, em 2009, foi criada pelo
Instituto do Patrimônio Artístico e Nacional a Chancela da Paisagem Cultural Brasileira,
um instrumento de reconhecimento do valor cultural de um recorte definido do território
nacional, que possui características especiais quanto à interação homem-meio. Sua
finalidade é atender ao interesse público por determinado território que constitua parte
da identidade brasileira. O instrumento se configura como um pacto entre poder público,
sociedade civil e iniciativa privada, resultando em uma gestão compartilhada da
paisagem protegida5.

3
JACOB, M. Metacrítica del Omnipaisaje. Seminario Internacional Teoría y Paisaje, reflexiones desde
miradas interdisciplinarias. Departament d’Humanitats e Institut Universitari de Cultura de la Universitat
Pompeu Fabra y Observatori de Paisatge de Catalunya. Febero 2010 ”Los que hablan, siempre y sin
parar, de paisaje se refieren más bien al entorno, al territorio, al país. El signo paisaje se presenta así
como un simulacro, como un término fetiche que enmascara, al mismo tiempo que es empleado y porque
está ahí, dispuesto a serlo, su destinación permanente.”
4
A Carta da brasileira da paisagem
5
http://portal.iphan.gov.br/portal/baixaFcdAnexo.do?id=1756

3
Entretanto, o estudo de algumas metodologias de conservação patrimonial,
requalificação de centros urbanos, proteção de paisagens rurais e urbanas, tanto em
países europeus como no Brasil e América Latina, demonstram que ainda há um longo
caminho a percorrer, no sentido de reafirmar o papel da paisagem na gestão do
patrimônio, resgatando o conceito em seu sentido fenomenológico.
Ao entender a paisagem como um modo de olhar, ou como explica COSGROVE
(1998), “um modo de compor e harmonizar o mundo externo em uma cena, em uma
unidade visual”, é possível compreender que o homem constrói a paisagem, e ao
mesmo tempo, é construído por ela. Os múltiplos e sucessivos olhares sobre um
território participam do esquema de percepção do ser humano, construindo o imaginário
coletivo sobre determinadas espacialidades. Este imaginário, por sua vez, é a matéria
prima com a qual as sociedades transformam este território.
A fenomenologia da paisagem está intrinsicamente relacionada com o conceito
de tempo de modo que não há nada fixo, estático ou imutável. O caráter dinâmico e
mutante da paisagem em relação à imprevisibilidade da própria natureza, e,
principalmente, das concepções de uma sociedade, a caracterizam como um meio
volátil, difícil de manipular e em constante transformação. A partir desta noção de
tempo condensado, na qual podem coexistir diferentes realidades, passado, presente e
futuro, se chega novamente ao tema da memória.
A memoria é um dos agentes que determinam a crescente complexidade da
paisagem, já que se acumula em extratos ao longo do tempo. Nas pedras, caminhos,
na simples andança do viajante, se depositam infinitas histórias que por um lado
compõe a paisagem tal como é, e por outro, gera uma diversidade causada por esta
sobreposição de leituras. O conjunto destas interpretações da paisagem ocorre em
diferentes medidas, e pode crescer onde a paisagem ocorre a partir de dicotomias e
dualidades como o urbano-rural, o centro-periferia, o natural-construído, o passado-
presente.
Gonçalves (2002) explica que ocorreram dois discursos na construção do
conceito de patrimônio: de “monumentalidade” e do “cotidiano”. A visão da
monumentalidade, de origem francesa, que se generalizou mundialmente e firmou-se
como uma expressão de grandiosidade, de beleza e de intocabilidade, que por sua vez,

4
advém de um “sentimento de monumentalidade como preocupação estética”. O outro
discurso, chamado de cotidiano, prioriza outros valores, como a experiência pessoal e
coletiva dos diversos grupos sociais, constituindo o patrimônio como uma
representação da diversidade cultural presente em uma sociedade.

A PONTE DE PEDRA DE PORTO ALEGRE

Conforme CHOAY (2001, p. 207) chama a atenção para a Convenção Mundial


do Patrimônio, em 1972, como marco simbólico da proteção do patrimônio cultural e
natural, na qual se cria um conjunto de obrigações relativas à identificação,
proteção, conservação, valorização e transmissão do patrimônio cultural às
futuras gerações. O texto aponta os estados membros da convenção como
responsáveis pela identificação deste patrimônio, e posteriormente pelos
programas de educação e de informação, nos quais “deverão fazer o possível para
estimular em seus povos o respeito e o apreço do patrimônio cultural e natural”.
A Ponte de Pedra, ou Ponte dos Açorianos, situada no bairro Centro, em Porto
Alegre, como ficou conhecida pelos porto-alegrenses, se constitui em interessante
elemento para a discussão sobre o processo de patrimonialização da paisagem.
Inicialmente, construída para “vencer” o leito do Arroio Dilúvio e conectar a península
central com a zona sul da cidade, este elemento aparece nos dias de hoje como uma
lembrança de um passado distante.
Tendo em vista a Convenção Mundial do Patrimônio, o poder público identificou
a ponte como patrimônio cultural e reservou uma estrutura com funcionalidade de área
verde – praça. Destinou recursos para sua identificação em roteiros turísticos. Contudo,
mais uma vez nos deparamos com o cancelamento do processo de rememorar que
estaria na base do conceito de monumento e de todos os elementos a ser valorados
como patrimônio; um processo de apreensão conduzido pelo Estado, na maioria das
vezes distanciado da participação efetiva da sociedade e não mais o fenômeno de
invocar o passado, através da memoria que se sustenta na arquitetura, na cidade, na
paisagem. A história desse monumento se confunde com a história dessa localidade,
periférica ao desenho urbano da “cidade velha” de Porto Alegre.

5
No momento em que se retifica o Arroio Dilúvio, na Avenida Ipiranga, se decide
salvaguardar este elemento construído, assegurando sua permanência numa
paisagem, que desde então vem sofrendo uma série de transformações, atreladas
obviamente ao desenvolvimento da cidade contemporânea.
A Ponte de Pedra é hoje uma espécie de “colagem” no cenário da metrópole
porto-alegrense, trazendo recordações aos mais antigos e causando certo
questionamento ao transeunte mais atento à paisagem. Um elemento para fixar o olhar
de quem observa a cidade histórica transformada pelos altos edifícios da Avenida
Borges de Medeiros, branca, com pesados pilares que hoje repousam em um pequeno
lago que faz alusão ao antigo leito do arroio. Para quem olha a cidade moderna, os
edifícios públicos e institucionais do lado oposto a ponte, também, é emblemática e se
relaciona visualmente com uma grande escultura em homenagem aos açorianos,
colocada ali anos mais tarde.
O traçado simples e robusto da Ponte de Pedra contrasta com a placidez do
curso d’água, sobre a qual está assentado, um espelho d´água. Seu fluxo, por sua vez,
parece inerte comparado ao potente viaduto que existe apenas há alguns metros em
paralelo. Como aquela ponte ficou em tal situação? Nessa seção procuraremos trazer o
contexto histórico das intervenções urbanísticas deste equipamento que teve
importância crucial para integração do território porto-alegrense e cuja função foi
subvertida em monumento.
O povoamento do que viria a ser Porto Alegre iniciou com a vinda de 60 casais
açorianos em 1752, instalados precariamente na ponta do gasômetro, enquanto
aguardavam as definições políticas entre as coroas ibéricas para saber se seguiriam,
ou não, ao seu destino final, as missões jesuíticas da margem oriental do rio Uruguai.
Acabaram ficando, e em sua homenagem é erigida a escultura de Carlos Tenius (1973)
na outra margem da Avenida Loureiro da Silva, em frente à Ponte de Pedra, motivo
pelo qual a região é conhecida como Largo Açorianos.
Vinte anos depois, em 1772, a cidade é elevada à vila, e, um ano após, devido à
posição estratégica do ponto de vista militar e comercial, visto que desde seu
promontório era possível controlar o fluxo de embarcações entre a Laguna dos Patos e
os rios do interior do território, instalou-se ali em 1773 a capital. Neste século XVIII,

6
além de uma economia de subsistência, Porto Alegre destacava-se pela produção de
trigo.
Os porto-alegrenses embarcavam em direção aos balneários da Zona Sul na
Estação Ildefonso Pinto (próxima ao Mercado Público) ou na Estação Riacho (próxima
à desembocadura do arroio Dilúvio e da Ponte de Pedra), figura 01. Segundo Alves
(2001, p. 18) “nos finais de semana, esperar o trem, viajar e tomar banho no rio era um
divertimento sublime”.

Figura 01: Estação do Riacho, Ponte de Madeira e Ponte de Pedra


Fonte: Alves, 2001.

No caminho, para as chácaras da zona sul da cidade, havia um limite a ser


transposto, o Arroio Dilúvio (na época, chamado de Riacho, Riachinho, Arroio da
Azenha), hoje canalizado entre as margens da Avenida Ipiranga. Quando o Conde da
Figueira faz abrir o ‘Caminho de Belas’, atual Avenida Praia de Belas, entre 1818-1820,
para realizar essa conexão, não havia meio de transpor o arroio. Assim, no governo do
Visconde de São Leopoldo foi construída uma ponte de madeira sobre ele o riacho

7
(Figura 02), um pouco mais abaixo, de onde fica a atual Ponte de Pedra. Devido às
cheias do arroio Dilúvio, essa ponte de madeira sofreu repetidos danos e teve de
passar por várias reconstruções, no período de 1825-1844.

Figura 02: Antiga ponte de madeira.


Fonte: SANTOS, 2010
Pouco mais a leste, sobre este mesmo arroio estava a ponte da Azenha, cuja
transposição pelas tropas farroupilhas deu início da Guerra dos Farrapos (1835-1845) e
o cerco a Porto Alegre. A capital manteve-se fiel ao Império, motivo pelo qual recebeu
de D. Pedro o título de ‘mui leal e valorosa’, hoje estampado em seu brasão. Finda a
guerra, o General Lima e Silva, mais tarde Duque de Caxias, assume o governo da
província rio-grandense. É durante seu mandato que faz construir uma nova ponte na
embocadura da Rua da Figueira, desta vez opta-se por uma obra durável, construída
em alvenaria. De acordo com Franco (1988, p. 324), no relatório de 1º de março de
1846, Caxias relata:
Depois de ter mandado consertar por várias vezes a ponte de madeira do
Riacho, nesta cidade, tive por mais vantajoso, atendendo ao seu estado de
ruína, de fazer construir nova ponde de pedra na embocadura da rua da
Figueira, como lugar mais favorável ao trânsito público; feita a planta e o

orçamento, pôs-se a obra em arrematação e já nela se trabalha.

O empreiteiro açoriano, João Batista Soares da Silveira, foi designado com


construtor da obra, que, realizada com trabalho escravo, terminou em 1854. No entanto,

8
desde 1848, ainda inacabada, foi aberta ao público. Segundo Weimer (2001, p.12) as
antigas pontes romanas serviram de modelo para a Ponte de Pedra. “A ponte romana
é composta por três arcos plenos, apoiados em duas fundações enterradas nas
margens do antigo riacho e sobre dois pegões de pedra aparelhada.” (FRANCO, 1988)
Assim como em outras edificações de Porto Alegre, o traçado militar da ponte é reflexo
do momento em que foi erguida, quando a cidade assumia proeminência nesse campo,
tendo em vista às disputas fronteiriças da época.
A iconografia ainda atesta o arroio riacho como via de comunicação entre os
arrabaldes e o centro da cidade, trazendo lenha, verduras, hortaliças e frutas em
canoas (Figura 03) Segundo Santos (2010, p. 32) na memória dos antigos moradores
ainda persistem imagens e “o ruído que faziam as lavadeiras, batendo roupa nas
tábuas, principalmente na praia do Riacho, localizava-se após a Ponte de Pedra”. Outro
uso documentado é prática de atividades de lazer, como a pesca, o banho, e de
esportes náuticos, como o remo.

Figura 03: Fonte: http://laboratorioart.blogspot.com.br/2011/09/ponte-de-pedra-em-labirintos-


da.html

Nos anos de 1930, têm início importantes reformas urbanas em Porto Alegre,
duas com especial interesse para o contexto da Ponte de Pedra. A primeira é a
abertura da Avenida Borges de Medeiros, que hoje passa sobre o viaduto ao lado da

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ponte. A segunda, que tardaria décadas, é o início da canalização e retificação do
arroio Dilúvio, desviando seu curso e tornando a ponte desnecessária, já nos anos de
1950.
Contudo, é na década de 1970, que o espaço ao redor da ponte irá adquirir sua
configuração paisagística atual. Como a maior parte das capitais brasileiras, Porto
Alegre teve um expressivo crescimento demográfico na segunda metade do século XX,
passando de 394.151 habitantes em 1950 para 885.545 em 1970, ou seja, um aumento
de 124%.
Com o autoritarismo do regime militar e o dinheiro do “Milagre Brasileiro” esse
período é caracterizado por grandes intervenções, sobretudo na malha viária da cidade.
A Ponte de Pedra encontra-se cercada por essas intervenções, ficando no centro de
uma das alças de acesso ao Viaduto dos Açorianos, no cruzamento da Avenida Borges
de Medeiros, com a Avenida Loureiro da Silva, outra das intervenções do período,
também conhecida como perimetral, que contorna o Centro da cidade. Percebe-se
nesta nova fase à adesão a certos princípios modernistas, como a setorialização da
cidade, assim neste período cria-se um novo centro administrativo exclusivo para essa
finalidade, para o qual se transfere algumas das funções antes localizadas na parte
histórica da cidade. Outro elemento é o privilégio à circulação feita em vias expressas
por veículos automotores privados. A Ponte de Pedra passa então, assim como o
monumento de ferro instalado na alça de sentido oposto do viaduto, a uma função
estética e, também, como um marco da memória dos tempos provinciais da, agora,
cidade moderna.
Nessa época de grandes intervenções alguns bens importantes para memória e
identidade urbana de Porto Alegre estiveram ameaçados, motivo pelo qual em 1979, foi
tombada como patrimônio municipal.
Observando a iconografia recente da Ponte de Pedra, percebe-se, o contraste de
sua alvura na maior parte das fotos, com as inscrições e intervenções que hoje ali se
materializam. Isso abre um próximo capítulo que são as apropriações contemporâneas
da Ponte de Pedra que ficou suspensa no tempo.

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NOVAS PASSAGENS E FUNCIONALIDADES DA PAISAGEM MEDIADA PELA
PONTE DE PEDRA

A Praça dos Açorianos e a sua Ponte de Pedra, que liga suas extremidades, sob
um lago artificial, marca a transição do centro histórico de Porto Alegre e boêmio bairro
da Cidade Baixa. É a linha imaginária do território da administração pública, com seus
prédios construídos a partir da década de 70 (século XX), invadindo as águas do
Guaíba, carregados por um manto de aterro.
A ponte é um “fantasma” que assombra as sensações históricas dos transeuntes,
que lhes dispensam alguma atenção. O lago artificial que ela atravessa é lembrança do
arroio que constantemente insistia em alastrar-se muito além de suas margens.
Ocupava o terreno abandonado em momentos de seca. Hoje, os antigos arcos e as
fundações da ponte estão parcialmente imersos no lago, talvez lembrança das outroras
enchentes históricas dessa região.
O monólito rochoso que carrega seus aventureiros turistas até suas
extremidades, ainda é um objeto simbólico. Ao passar do tempo, percorreu
funcionalidades diversificadas, despertou sensações múltiplas nos seus
contempladores:  juras de amor podem ter sido prometidas em seu cume, roupas foram
higienizadas nas águas; por entre seus arcos, como se fossem pernas abertas, deixou
passagem para a navegação de pequenos barcos; ligou por muito tempo localidades
órfãos da Porto Alegre histórica; encantou artistas que guardaram para posteridade
suas formas, cores, texturas, luzes e sombras em pinturas e fotografias.
Segundo Georg Simmel,

A ponte se torna um valor estético, não somente quando estabelece nos fatos e
para a realização dos seus objetivos práticos uma junção entre termos
dissociados, mas também na medida em que a torna imediatamente sensível.
Ela oferece ao olhar, ligando as partes da paisagem, o mesmo suporte que
oferece ao corpo para satisfazer a realidade da praxis. A simples dinâmica do
movimento, em cuja efetividade vem se esgotar a cada vez o "objetivo" da
ponte se faz visualmente durável, assim como o quadro imobiliza à sua maneira
o processo vital, físico e psíquico pelo qual se cumpre a realidade do homem, e
que ele comprime numa única visão - estável pela sua intemporalidade, como
não mostra nem pode mostrar a realidade factual - toda a agitação desta

11
realidade que decorre no tempo. A ponte empresta um sentido último, superior
a todo o sensível, uma figura particular que não mediatiza nenhuma reflexão
abstrata e que recolhe em si a significação prática da ponte, trazida à forma
visual, como a obra de arte pode proceder com o seu "objeto".

Weimer (2001, p. 12) cita que


A ponte de Pedra foi mutilada – há muito tempo foram-lhes suprimidas as
luminárias nos extremos das amuradas; o calçamento foi reformado com pedras
diferentes e, mais recentemente, foi-lhe adicionado um revestimento em forma
de reboco a esconder a estrutura original que lhe deu o nome. O tal espelho
d’água teria melhor destino se refletisse a fisionomía arrependida de quem
ordenou afogar os talhamares que, adicionados aos acanhados pilares, davam

passagem para qualquer canoa, com remador de pé, sob o arco central.

No presente, suas funções reservam um tempo para a travessia, mas


diversificam-se: é ponto de encontro para de funcionários que apreciar a vista do seu
lago artificial, enquanto queimam mais um cigarro e inundam o corpo de lembranças
descompromissadas e nicotina. Sua paisagem está ajardinada com belos exemplares
de jacarandás, cedros e outras lenhosas frondosas, sombreando seus limites e
conferindo um caleidoscópio de luz e sombra. Moradores de rua buscam abrigo junto a
suas pilastras em arco; boêmios marcam encontros nos seus limites e moradores
marcam piqueniques e almoços em suas sombras e nos seus solares. Territórios
efêmeros, com dia e hora para ocupação e desocupação, são construídos,
reivindicados por grupos de diferentes nichos, nunca se sobrepondo, mas
complementando o mosaico funcional dessa paisagem com o enclave de pedra.
O público noturno que se localiza na ponte e seu entorno é conhecida como
"Tutti", apelido de Tutti Giorni, um bar que se localizava nos altos do viaduto Otávio
Rocha, também no Centro. O bar era ponto de encontro de cartunistas e artistas. Como
o tempo, o público engrossou com estudantes universitários que se reuniam sempre às
terças-feiras. Após o fechamento do bar, devido às dividas e reclamações de
moradores pelo excesso de barulho, o Tutti Giorni se mudou para outro lugar, perto da
Ponte de Pedra, em um prédio de uso comercial no térreo e residencial nos outros
andares. O ponto de encontro, já exclusivamente universitário, reunia muitos

12
estudantes vinculados às manifestações sociais na cidade, integrantes de diretórios
acadêmicos, ativistas sociais e artistas da cena alternativa. Com a justificativa do
excesso de ruído aos moradores e da falta de alvará para o funcionamento do bar, a
Secretaria Municipal de Indústria e Comércio determinou o fechamento do mesmo.
Neste momento é que o público de terça-feira à noite passou a se reunir na Ponte de
Pedra. Nota-se que a microterritorialidade do chamado "Tutti" se deslocou de um objeto
histórico - o Viaduto Otávio Rocha - para outro - a Ponte de Pedra. Articulado com este
movimento sabe-se que o público é o mesmo de outros tipos de reivindicação pelo
espaço público na capital, como o Largo Vivo (movimento de ocupação do Largo Glênio
Peres em frente ao Mercado Público após a abertura deste para o estacionamento de
carros a partir do fim da tarde), o Vaga Viva (movimento que ocupa aleatoriamente as
vagas de estacionamento ao longo da rua movimentadas e desenvolve micro-territórios
de convivência e atividades artísticas e culturais), o Ocupa Cais Mauá (movimento que
questiona a revitalização do cais e seu ímpeto gentrificador) e o Massa Crítica
(movimento mundial de ciclistas que ocupa as ruas toda a última sexta-feira do mês).
Portanto, acreditamos que o movimento que ora produz a ocupação da Ponte de Pedra,
nas terças-feiras à noite, está intimamente ligado à luta pelo direito à cidade e aos
espaços públicos, apropriando-se de geossímbolos (Bonnemaison, 2002) consagrados
da cidade - objetos históricos como pontes, largos, cais, entre outros. Essas
microterritorialidades, no seu conjunto, expressam também a luta pela paisagem que,
para ser mantida, deve ser ocupada pelos grupos sociais.

PERCEPÇÕES SOBRE A PONTE DE PEDRA

Para a pesquisa de campo sobre a percepção dos transeuntes na transformação


da paisagem e na perda de um monumento de identidade histórica e cultural – a Ponte
de Pedra no Largo dos Açorianos se utilizou o método qualitativo, com entrevista aberta
para a coleta de dados. A estrutura do texto segue um dos modelos exemplificados por
Creswell (2010) para a pesquisa qualitativa, ou seja, os resultados obtidos aparecem de
forma descritiva, conforme os relatos.
Foram realizadas nove entrevistas no sábado, dia 09 de agosto de 2014, no
turno da manhã, dia da semana em que há um menor fluxo de transeuntes, mas que

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ocorre uma feira de hortigranjeiros nas redondezas. O público de entrevistados é
composto por moradores locais, principalmente, e por pessoas que estavam de
passagem pelo centro da cidade.
A partir do contexto da transformação da paisagem de Porto Alegre e da perda
ou da modificação da função da Ponte de Pedra, os entrevistados foram questionados
sobre o que conhecem sobre o histórico dessa ponte, assim como a relação desse
elemento na paisagem atual e a sua permanência no futuro. Posteriormente, perguntou-
se qual o significado da ponte no cotidiano dos entrevistados.
A maior parte dos entrevistados opina que a Ponte de Pedra é um elemento
antigo na paisagem da cidade. Essa identificação ocorre pelo próprio conhecimento,
pelo tempo de vivência em Porto Alegre e, também, pela estética, que remete a uma
construção antiga. Entretanto, embora haja esse entendimento, nota-se que essa
temporalidade é relativa, pois entre os entrevistados esse tempo diz respeito há dois
séculos passados, até 30 anos atrás.
Alguns associam a construção da Ponte de Pedra à chegada dos açorianos em
Porto Alegre, devido ao nome do local onde ela está instalada, o Largo dos Açorianos.
Outros reconhecem que a Ponte foi construída como passagem sobre o curso natural
do Arroio Dilúvio, chegando a citações específicas de que no original o material
empregado era a madeira. Nesse contexto, há menções sobre o tempo em que havia
transporte de carroças em Porto Alegre e aos pequenos barcos que passavam no
arroio e no Lago Guaíba. Também fora relatado uma estação ferroviária e um povoado
nas adjacências.
Na questão sobre como a Ponte de Pedra, elemento do passado de Porto
Alegre, convive com o presente, destacam-se dois grupos distintos de opiniões. Para o
primeiro, a importância histórica e cultural é assinalada como a principal característica
na atualidade. Aqui, ocorrem as referências sobre a necessidade de preservação e
revitalização da Ponte, assim como o contraste entre a nova e a velha cidade, como um
fator positivo, pois a história é parte dessa cidade. No segundo, àqueles que a
reconhecem enquanto um ponto de referência, tanto para encontrar outros locais da
cidade, quanto como lugar turístico e de embelezamento, estimulando registros
fotográficos, e lugar de lazer.

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A Ponte de Pedra em uma projeção para o tempo futuro suscita diferentes
opiniões. Para a funcionalidade, estima-se que poderá permanecer enquanto ponto
turístico, agregando beleza à paisagem. Há quem entenda que poderia ter alguma
atividade, por exemplo, uma feira, para atrair as pessoas ao lugar e assim promover o
conhecimento do seu significado histórico em Porto Alegre. Há citação de ser dada uma
nova utilidade, com a autorização de passagem de carros, da necessidade de alteração
do piso, que é escorregadio para os pedestres. Outra pessoa relata a possibilidade de
transformar o local em um estacionamento ou prédios residenciais e comerciais. , a
desagradado.
Quando questionados, sobre o significado da Ponte de Pedra no seu cotidiano, a
maior parte dos entrevistados assume que ela serve de passagem enquanto atalho
para pedestres, visto que as outras opções exigem um deslocamento maior. O lugar,
também, é a opção para retratos com os amigos, para lazer, com piquenique com as
crianças e passeios com animais de estimação.
Um grupo menor, ainda que transite sobre a ponte, não vê significado algum
desse elemento nesse deslocar rotineiro. Esse afastamento é motivado, em parte, pela
insegurança de transitar na ponte conforme a hora e o dia. Mesmo achando que se
trata de um lugar bonito, ele não é atraente para desempenhar atividades pela escassa
ocupação na maior parte dos dias, assim como pelos moradores de rua que frequentam
o Largo, de acordo com os relatos. Ainda, o desconhecimento sobre o seu histórico e a
poluição são elencados nessa mesma situação.
Outras apropriações, significativas da Ponte de Pedra, expostas pelos
entrevistados, ocorre principalmente por dois grupos distintos. O primeiro por pessoas
em situação de vulnerabilidade social, tanto para abrigo no dia a dia, como para o
recebimento de alimentos que entidades beneficentes distribuem aos domingos pela
manhã (fotografia 1) . O outro grupo é composto pelas pessoas que a utilizam com fins
de lazer nas terças-feiras à noite (fotografia 2).

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Fotografia 1 de Lucimar Vieira: Ponte de Pedra em um domingo pela manhã.

Fotografia 2 de Mauricio Pimentel: Ponte de pedra nas terças-feiras à noite.

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CONSIDERAÇÕES FINAIS

A problemática está em saber qual a percepção dos transeuntes na


transformação da paisagem e na perda de um monumento de identidade cultural e
histórica. A produção cultural se dá no espaço e no tempo, e os momentos históricos
são relictos de sobreposição de percepções e funcionalidades refletidas nas paisagens.
Ou seja, será que este patrimônio, resultado de um processo histórico/cultural, deve
conviver com os elementos que compõe uma nova paisagem?
Observa-se, também, a compreensão do patrimônio com duplo aspecto: com
elementos culturais e naturais, materiais e imateriais, herdados do passado ou criados
no presente, no qual um grupo social reconhece alguns sinais de sua identidade,
vinculado com o meio em que esse grupo habita.
Nesta perspectiva, o sentido original do monumento era associado a uma
lembrança coletiva, tinha uma função memorial, pois eram para marcar algo que se
desejava recordar, acontecimentos, ritos, crenças que deveriam ser transmitidos para
as novas gerações. Posteriormente, passou a ter um caráter estético, ou seja, a beleza,
o poder e a grandiosidade passaram a ser as expressões do monumento. E,
atualmente, simboliza diferentes práticas e memórias de diversos grupos sociais, nem
sempre reconhecidos pela historiografia oficial.
Mesmo não existindo uma lembrança dos fatos históricos associados à pPonte
de pPedra, alguns entrevistados lembravam-se dos recortes de fatos desconectos da
história ou numa escala de tempo muito ampla: de acontecimentos de 30 anos a dois
séculos anteriores ao presente, existe uma convicção que essa obra é um marco
histórico para a capital dos gaúchos. Essa paisagem urbana está impregnada de
situações históricas, onde os entrevistados associam a ponte a uma volta temporal de
outras paisagens que ali já existiram e onde a ponte obedecia a outras finalidades. O
patrimônio, Ponte de Pedra, é uma referência aos entrevistados.
A Ponte de Pedra, enquanto elemento estético da paisagem, não foi deixado de
ser mencionado por todos os entrevistados. Aponta-se, assim, para o valor impactante

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que a imagem desse elemento provoca nos entrevistados, sua presença reforça a
identidade com o lugar. 
A assimilação desse espaço pelas diferentes manifestações da comunidade
porto-alegrense se traduz na produção cultural no espaço da paisagem marcada pela
Ponte de Pedra e no tempo. Os momentos históricos, como a Ponte de Pedra, são
relictos de sobreposição de percepções e funcionalidades refletidas na paisagem, se
configuram em uma rede que se revela aos fragmentos de memória dos transeuntes,
que agora, se apropriam de outras formas e recriam outras funcionalidades para esse
patrimônio.

REFERÊNCIAS

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AZEREDO, José C. Santos de. Dicionário Aulete. Desenvolvido por Lexikon Editora
Digital Ltda. Disponível em http://aulete.uol.com.br/
BONNEMAISON, JOËL. Viagem em torno do território. In: CORREA, Roberto Lobato;
ROSENDAHL, Zeny. Paisagem, tempo e cultura. Rio de Janeiro: EdUERJ, 2002. pp.
83-131.
COSGROVE, D. A Geografia está em toda parte: Cultura e Simbolismo nas Paisagens
Humanas. In CORREA,R.L., ROSENDAHL,Z. (Orgs.). Paisagem, tempo e cultura. Rio
de Janeiro: EdUERJ, 1998. p.98
CRESWELL, J.W. Projeto de Pesquisa: métodos qualitativo, quantitativo e misto.
3ª ed. Porto Alegre: Artmed, 2010. 296 p.
FRANCO, Sérgio da Costa. Guia Histórico de Porto Alegre. Porto Alegre: Editora da
Universidade (UFRGS)/Prefeitura Municipal, 1988.
GONÇALVES, José. R. S. Monumentalidade e cotidiano: os patrimônios culturais como
gênero e discurso. In: OLIVEIRA, L. (org.) Cidade: História e Desafios. Rio de Janeiro:
FGV, 2002.
SANTOS, Irene et al. (coord). Colonos e Quilombolas: memória fotográfica das
colônias africanas de Porto Alegre. Porto Alegre: (s.n.), 2010.
SECRETARIA Municipal de Cultura. Viva o centro: Ponte de Pedra. Disponível em:
http://lproweb.procempa.com.br/pmpa/prefpoa/vivaocentro/default.php?p_secao=67.
Acesso em 12 ago. 2014.
SILVEIRA, Núbia. Patrimônio mais dois prédios do Centro Histórico serão
restaurados. Disponível em: http://joelsantana13.blogspot.com.br/2011/10/obrigado-
sul-21-bela-reportagem-sobre.html Acesso em 12 ago. 2014. [reportagem veiculada no
jornal Sul 21].

18
VIEIRA, Lucimar de F. dos Santos Vieira. Valorização da beleza cênica da paisagem do
bioma Pampa do Rio Grande do Sul: proposição conceitual e metodológica. Tese de
Doutorado. Programa de Pós-Graduação em Geografia. Universidade Federal do Rio
Grande do Sul, 2014.
WEIMER, Guinter. A ponte de Pedra. In: ALVES, Hélio Ricardo. Porto Alegre foi
assim... Porto Alegre: Sagra Luzzatto, 2001.

Sites consultados:
http://laboratorioart.blogspot.com.br/2011/09/ponte-de-pedra-em-labirintos-da.html
http://www.terragaucha.com.br/praca_dos_acorianos.htm
http://pt.wikipedia.org/wiki/Ponte_de_Pedra
http://www.portoalegre.rs.gov.br/cultura
http://www.portoimagem.com/
http://www.portobusca.com.br
http://www.portoalegre.travel/site/contdetalhes.php?idConteudo=5776
http://habitantesdoarroio.blogspot.com/2009/02/quem-sao-os-habitantes-do-arroio.html
http://pt.wikipedia.org/wiki/Ponte_de_Pedra 
http://www.sejalider.com.br/familia/baptista/images/sb1ca1.htm (Foto de autor
desconhecido)
http://www.bolsadearte.com/cotacoes/pinto_sylvio2.htm
http://nahoradoamargo.blogspot.com/2010/05/tunel-do-tempo-malakoff-e-ponte-de.html  
http://fotosantigas.prati.com.br/fotosantigas/Bico_de_Pena/Cidades/
Porto_Alegre_Ponte_de_Pedra(Francisco_Carlos_S_da_Silva)_1910.htm
https://www.facebook.com/RUApoa
https://www.facebook.com/events/514697968548042/

Vídeo:
https://www.youtube.com/watch?v=kuOSwdnnDI4
https://www.youtube.com/watch?v=0mxRE4nroFE

Relato em blog: 

http://pitangadigital.wordpress.com/2012/11/26/arte-e-vida-na-ponte-de-pedra/

Divulgação no site da prefeitura:

http://www2.portoalegre.rs.gov.br/smgl/default.php?
p_noticia=156498&PONTE+DOS+ACORES+RECEBE+INTERVENCAO+CULTURAL

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