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2018/630200237957-68476-JEF

PODER JUDICIÁRIO
JUIZADO ESPECIAL FEDERAL DA 3ª REGIÃO

TERMO Nr: 6302044508/2018 SENTENÇA TIPO: A


PROCESSO Nr: 0004876-55.2018.4.03.6302 AUTUADO EM 22/05/2018
ASSUNTO: 040102 - APOSENTADORIA POR IDADE (ART. 48/51) - BENEF. EM
ESPÉCIE/CONCESSÃO/CONVERSÃO/RESTABELECIMENTO/COMPLEMENTAÇÃO
CLASSE: 1 - PROCEDIMENTO DO JUIZADO ESPECIAL CÍVEL
AUTOR: APARECIDA IZABEL RODRIGUES PEREZ
ADVOGADO(A)/DEFENSOR(A) PÚBLICO(A): SP250123 - ELIAS EVANGELISTA DE SOUZA
RÉU: INSTITUTO NACIONAL DO SEGURO SOCIAL - I.N.S.S. (PREVID)
PROCURADOR(A)/REPRESENTANTE:
DISTRIBUIÇÃO POR SORTEIO EM 24/05/2018 11:35:16
DATA: 20/09/2018
LOCAL: Juizado Especial Federal Cível Ribeirão Preto, 2ª Subseção Judiciária do
Estado de São Paulo, à Rua Afonso Taranto, 455, Ribeirão Preto/SP.

SENTENÇA

<#APARECIDA IZABEL RODRIGUES PEREZ requer a concessão do benefício da


APOSENTADORIA POR IDADE , sustentando possuir todos os requisitos legais. Alega
que, já possuindo a idade mínima de 60 anos, e carência superior ao número de
meses exigidos pelo art. 142 da Lei nº 8.213/91, postulou o benefício ao INSS,
que o negou, ao argumento de não implemento da carência mínima. Tal negativa
decorre do fato de a autarquia não ter considerado como carência o período em que
a autora esteve em gozo de auxílio-doença.

Citado, o instituto réu apresentou contestação.

É o relatório. DECIDO.

Nada obsta o exame do mérito, que passo a fazer.

Os requisitos para a concessão do benefício pleiteado pela autora são: a


idade mínima legal e o cumprimento de período de carência, uma vez que a
qualidade de segurado foi dispensada pelo § 1º do art. 3º da Lei nº 10.666/03, ao
dispor que “a perda da qualidade de segurado não será considerada para a
concessão desse benefício, desde que o segurado conte com, no mínimo, o tempo de
contribuição correspondente ao exigido para efeito de carência na data do
requerimento do benefício”.

O art. 48, da Lei nº 8.213/91, dispõe que:

“Art. 48. A aposentadoria por idade será devida ao segurado que, cumprida
a carência exigida nesta Lei, completar 65 (sessenta e cinco) anos de idade, se
homem, e 60 (sessenta), se mulher.”

Saliento que a carência a ser cumprida, no caso dos segurados já


inscritos no regime geral de previdência anteriormente ao advento da lei
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8.213/91, é aquela exigida para o ano em que o segurado preenche o requisito


etário, nos termos da tabela progressiva constante do art. 142 da mesma lei.

Tal interpretação se coaduna com reiterado entendimento pretoriano,


expresso no enunciado abaixo, da Turma de Uniformização das Decisões das Turmas
Recursais dos Juizados Especiais Federais:

“Súmula n° 44 - Para efeito de aposentadoria urbana por idade, a tabela


progressiva de carência prevista no art. 142 da Lei nº 8.213/91 deve ser aplicada em
função do ano em que o segurado completa a idade mínima para concessão do benefício,
ainda que o período de carência só seja preenchido posteriormente.

No caso dos autos, dúvida não há de que a autora completou 60 anos em


2013, conforme documento de identidade anexado ao processo.

Quanto à carência, tendo em vista a data do implemento etário, são


exigidos 180 meses de contribuição, de acordo com a tabela constante do art. 142
da lei 8.213/91.

A questão controvertida, no caso, refere-se unicamente à consideração,


para fins de carência, do tempo em que a autora esteve em gozo do benefício de
auxílio-doença.

Nesse sentido, a Turma Nacional de Uniformização da Jurisprudência dos


Juizados Especiais Federais já pacificou a questão, emitindo a seguinte súmula:

SÚMULA Nº 07 “O tempo de gozo de auxílio-doença ou de aposentadoria


por invalidez não decorrentes de acidente de trabalho só pode ser computado como
tempo de contribuição ou para fins de carência quando intercalado entre períodos
nos quais houve recolhimento de contribuições para a previdência social.”

Desse modo, considerando-se o tempo em gozo de auxílio-doença como


carência, apurou-se que a autora possui tempo de contribuição equivalente a 16
anos, 02 meses e 24 dias, sendo 200 meses para fins de carência, superando a
carência exigida no art. 142 da lei 8.213/91.

Destarte, a autora atende a todos os requisitos legais necessários à


concessão do benefício pleiteado.

Conclui-se, assim, que foram atendidos os requisitos do benefício,


resultando evidente a plausibilidade do direito invocado na inicial.

Noto, por outro lado, a presença de perigo de dano de difícil reparação,


que decorre naturalmente do caráter alimentar da verba correspondente ao
benefício, de forma que estão presentes os elementos pertinentes à antecipação
dos efeitos da tutela, tal como prevista pelos artigos 300 do CPC e 4º da Lei nº
10.259-01.

Ressalto, por fim, que com o julgamento da PET 10.996 junto ao STJ houve
a revogação prática da Súmula 51 da TNU, sendo certo que, em caso de reforma
dessa sentença, os valores recebidos por força de tutela serão passíveis de
devolução.

Ante o exposto, julgo PROCEDENTE o pedido formulado para condenar o INSS


a (1) reconhecer que a parte autora possui 16 anos, 02 meses e 24 dias de tempo
de serviço, equivalentes a 200 meses de contribuição para fins de carência,
conforme contagem anexada aos autos, (2) conceder à autora o benefício de
aposentadoria por idade, a partir da DER, em 20/04/2018. Deverá a autarquia

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utilizar, para cálculo da RMI os efetivos salários-de-contribuição que constem de


seus sistemas ou que tenham sido demonstrados pela parte autora, observada a
atualização legalmente prevista.

Concedo a antecipação dos efeitos da tutela, para determinar ao INSS que,


em até 15 (quinze) dias, implante o benefício.

Observo que o pagamento das parcelas vencidas é devido entre a DER, em


20/04/2018, e a data da efetivação da antecipação de tutela.

Os valores das diferenças do julgado deverão ser apurados nos termos da


Resolução CJF 267/2013 (Manual de Cálculos da Justiça Federal), sendo os juros de
mora contados a partir da citação.

Intime-se. Oficie-se, requisitando o cumprimento da antecipação deferida,


sendo esclarecido que a preterição do prazo implicará a fixação de outro mais
exíguo e a previsão de multa.

Sem custas e honorários. Defiro a gratuidade. P.I. Sentença registrada


eletronicamente.#>

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SÚMULA
PROCESSO: 0004876-55.2018.4.03.6302
AUTOR: APARECIDA IZABEL RODRIGUES PEREZ
ASSUNTO : 040102 - APOSENTADORIA POR IDADE (ART. 48/51) - BENEF. EM
ESPÉCIE/CONCESSÃO/CONVERSÃO/RESTABELECIMENTO/COMPLEMENTAÇÃO
NB: 5400888603 (DIB ) NB: 5511926600 (DIB ) NB: 6219790565 (DIB ) NB: 1793284897 (DIB
) NB: 1686044981 (DIB ) NB: 5409904660 (DIB ) NB: 5433944073 (DIB ) NB: 5424711959
(DIB )
CPF: 00542417820
NOME DA MÃE: MARGARIDA RODRIGUES PEREZ
Nº do PIS/PASEP:
ENDEREÇO: RUA JOÃO KAMLA, 319 - - VILA SANTA TEREZA
JABOTICABAL/SP - CEP 14883290

DATA DO AJUIZAMENTO: 22/05/2018


DATA DA CITAÇÃO: 16/07/2018

ESPÉCIE DO NB: CONCESSÃO DE APOSENTADORIA POR IDADE


RMI: A APURAR
RMA: A APURAR
DIB: 20.04.2018
DIP: DATA DESTA SENTENÇA
DCB: 00.00.0000
ATRASADOS: APURAR JUDICIALMENTE
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PAULO RICARDO ARENA FILHO


Juiz(a) Federal

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