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Do Afastamento da Decadência.

A decadência é tema recorrente na doutrina e diversas decisões no campo


previdenciário.

Como o art. 103 da Lei 8213/91 em sua redação original, tinha a previsão
para a revisão dos benefícios, mas não mencionava o prazo para fazer o pedido, editou-
se a MP 1.523/9, de 06/1997, que foi convertida na Lei nº 9.528, em 10 de dezembro
1997, para regularizar a situação até então vigente, alterando o artigo 103 da Lei de
Benefícios nº 8.213/91, onde determinou o prazo da decadência em dez anos, prazo este
que o beneficiário tem para revisar do ato de concessão do seu benefício previdenciário
a partir do primeiro dia do mês subsequente a aquele em que o segurado recebeu a sua
primeira prestação ou quando tomou ciência da decisão na esfera administrativa que
indeferiu o seu pedido.

Mesmo, tendo sido estabelecido o prazo para a revisão do ato de concessão


dos benefícios, os juristas, continuaram a interpretação de maneiras diversas, tendo o
prazo da decadência de 10 anos vigorando somente até a Lei de número 9.711 de 20 de
novembro de 1.998, em que reduziu o prazo em 5 (cinco) anos.

Continuando os conflitos nos tribunais, e por política, o Poder Executivo se


sentiu pressionado a determinar um prazo novo para caducidade, e aí editaram a MP nº
138 de 19 de novembro de 2.003, sendo convertida em Lei no dia 05/02/2004 ( Lei
10.839) e retornou o prazo decadencial em 10 (dez) anos, retornando assim,
praticamente o prazo e a redação da Lei de Benefícios.

A decadência afeta os direitos formativos = faculdade de criar, modificar ou


extinguir uma relação jurídica unilateralmente, sem a colaboração ou concorrência da
outra parte, que sofre os efeitos decorrentes desse exercício.

O que é prescrição: é perda do direito de pleitear o cumprimento de uma


obrigação, por não tê-lo feito, ou é a perda da eficácia da pretensão, por não ter sido
exercida no prazo legal.

Conforme Artigo 189 do Código Civil: Violado o direito, nasce para o


titular a pretensão, a qual se extingue, pela prescrição.

Vamos verificar a funcionabilidade na prática.

O artigo 103, da Lei de Benefícios, é de 10 (dez) anos para a revisão do ato


de conceder o benefício, conforme abaixo:

“Art. 103.  É de dez anos o prazo de decadência de todo e


qualquer direito ou ação do segurado ou beneficiário para a
revisão do ato de concessão de benefício, a contar do dia
primeiro do mês seguinte ao do recebimento da primeira
prestação ou, quando for o caso, do dia em que tomar
conhecimento da decisão indeferitória definitiva no âmbito
administrativo”.
Em breve síntese, encontramos as seguintes orientações sobre o tema:
Segundo orientação do Supremo Tribunal Federal (RE 626489, Rel. Min.
Roberto Barroso, Tribunal Pleno, j. 16.10.2013, DJe 23.09.2014 – Repercussão Geral –
Tema 313):

a) O prazo decadencial, previsto no artigo 103, caput, da Lei nº 213/91, é


constitucional;

b) o prazo decadencial, previsto no artigo 103, caput, da Lei nº 213/91,


aplica-se também ao direito de revisão dos benefícios previdenciários concedidos
anteriormente à edição da MP 1.523-9, de 27/06/1997.

c) o prazo decadencial, previsto no artigo 103, caput, da Lei nº 8.213/91,


não alcança o direito de ação de concessão de benefício previdenciário, mas apenas as
ações de revisão de benefício

Por outro lado, a Revisão apontada no caso dos autos como “Revisão da
Vida Toda” é um mero desdobramento da aplicação do melhor benefício previdenciário.

E no mesmo sentido, da ausência de análise na via administrativa quando da


concessão do benefício.

Desse modo, seguindo estritamente os pontos acima, temos que a


decadência, data venia, deve ser afastada no caso dos autos, senão vejamos:

a) A decadência não se aplica nas ações em que se busca o reconhecimento


do direito ao melhor benefício, isto é, a melhoria da posição jurídica previdenciária,
mediante reconhecimento do direito adquirido, com alteração do período básico de
cálculo e elevação da renda mensal;

b) Segundo a atual compreensão das duas turmas de direito público do STJ,


a decadência também não incide nas revisionais fundadas em circunstâncias não
apreciadas na via administrativa. A TNU possui entendimento no sentido favorável aos
segurados (Súmula 81).

Seguindo estes caminhos requer seja a decadência afastada do caso dos


autos e pugna pela total procedência da ação.

De forma subsidiária, caso seja outro o entendimento de V. Excelência,


como desdobramento do TEMA 975 do C. STJ, verifica-se típico caso de fato
superveniente.

Nesse sentido: (descrever fato superveniente).

Assim, não há que se falar em decadência tendo-se em vista que o início do


proza decadencial ocorreu em _____/___/___ (data do transito em julgado da
reclamatória trabalhista).

Requer assim, seja a decadência afastada do caso dos autos e pugna


pela total procedência da ação.

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