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Fazendo Gênero 8 - Corpo, Violência e Poder

Florianópolis, de 25 a 28 de agosto de 2008

Entre o trabalhador e o vagabundo: ambigüidades nos sentidos atribuídos ao trabalho de


funcionário público

Maria Fernanda Diogo (UFSC)1; Maria Chalfin Coutinho2; Regina Célia Borges3; Emanuelle de
Paula Joaquim4.
Sentidos do trabalho; Pai-provedor; Masculinidades
ST 21 - Masculinidades e paternidade: leituras feministas e de gênero

Introdução
Na perspectiva utilizada nesta pesquisa5, o sujeito é encarado como produto e produtor
social, integrado na divisão do trabalho. Desta forma, mais que uma categoria teórica, o trabalho é
aqui tomado como central na estruturação ontológica do ser social. Mesmo considerando as grandes
transformações ocorridas no capitalismo recente, particularmente depois dos anos 1990, gerando
mudanças tão intensas nos modos de objetivação das relações de trabalho a ponto de muitos autores
assinalarem o fim da centralidade do trabalho como fundante do ser humano e de suas formas de
socialização (GORZ, 1982; OFFE, 1989), compartilhamos neste artigo do ponto de vista de
Antunes (2005, p. 26), ao considerar que “os críticos da sociedade do trabalho podem estar
equivocados ao enfatizar, eurocentricamente, que o trabalho está em vias de desaparição, que o
capital não mais necessita desta mercadoria especial”.
O trabalho é um dos principais elementos organizadores da sociabilidade, tomando sentidos
múltiplos e individuais na vida dos sujeitos. Desta forma, faz-se importante analisar a articulação
entre as dimensões subjetivas e objetivas do trabalho. Esta articulação pressupõe a reciprocidade e a
interdependência entre ambas as dimensões e a interação entre os aspectos psicológicos e estruturais
fundantes de um determinado contexto social (JACQUES, 1996).
Assim, a partir de uma perspectiva histórico-dialética sobre o modo de constituição dos
sujeitos, desenvolvemos uma investigação para identificar os sentidos atribuídos ao trabalho por
servidores técnico-administrativos (STA) da Universidade Federal de Santa Catarina. Nosso campo
de pesquisa foi a Prefeitura Universitária (PU). Esta é um dos órgãos que integra a Pró-Reitoria de
Orçamento, Administração e Finanças (PROAF) e tem como competências a coordenação e
execução de atividades ligadas à conservação do patrimônio da universidade, efetuação de reformas
e a manutenção das áreas verdes no campus ou instalações administradas pela universidade.

Método
Efetuamos uma pesquisa de campo de metodologia qualitativa, na forma de estudo de caso.
As pesquisas qualitativas possibilitam maior compreensão sobre os processos pelos quais as pessoas
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constroem sentidos e significados, permitindo ao pesquisador uma imersão nas vivências e modos
de pensar e agir dos sujeitos em relação ao tema pesquisado (BIASOLI-ALVES, 1998). Como
técnica de coleta de informações realizamos um Grupo Focal (GF). Esta técnica tem por objetivo
revelar experiências, sentimentos, percepções e confrontar a opinião dos participantes. O GF
consiste em uma reunião de pessoas que possuem características em comum para discutir um
determinado tema.
Um roteiro foi elaborado para auxiliar a discussão, como sugere Gatti (2005), tendo como
pergunta norteadora “na opinião de vocês, o que é trabalho?”. Uma das pesquisadoras atuou como
moderadora, de maneira a estimular o debate e direcionar a discussão para os objetivos específicos
da pesquisa, sem, no entanto, interromper a interação entre os participantes. O GF contou com sete
trabalhadores: seis STA e um terceirizado. Todos os participantes do GF eram homens, assim como
a grande maioria dos STA pertencente à PU.
Após a transcrição da sessão procedemos a Análise de Conteúdo (AC) do material coletado.
A narrativa revela informações sobre seu autor e o objetivo desta técnica é buscar o(s) sentido(s) de
um texto (FRANCO, 2005). O primeiro passo é a criação de categorias de análise, processo
desafiador e demorado que requer “constantes idas e vindas da teoria ao material de análise” (p.
58). Ao final, obtivemos duas categorias: ‘sentidos do trabalho’ e ‘condições e organização do
trabalho’. Para fins do presente trabalho, realizamos um recorte sobre a centralidade do trabalho
como constitutiva do ser social, discutindo-a sobre o aspecto da ambigüidade de ser funcionário
público, que por vezes gera satisfação pela estabilidade possibilitar planejamentos em longo prazo,
nutrindo o papel de pai-provedor e, em outras ocasiões, sentimentos de humilhação e vergonha
social.
O foco da análise do GF foi o jogo de opiniões e falas dos participantes no contexto do
grupo. Gatti (2005) orienta que os pesquisadores devem confrontar as posições dos participantes,
extraindo os significados das suas falas e de outras expressões. Como a interação grupal é a maior
justificativa para a utilização desta técnica, a autora orienta que esta deve ser o foco central da
análise. “Assim, nem os indivíduos, nem o grupo como um todo, constituem unidade de análise
separável” (p. 49). Seguindo esta orientação, situamos todas as falas no contexto grupal, não as
codificando no nível individual, pois estas foram encaradas enquanto produção grupal.

Resultados e Discussão
O grupo enfatizou a centralidade do trabalho nas suas vidas com frases como: “Trabalho,
pra mim é compromisso, é fidelidade, é tudo.” ou “E outra coisa também, né, o trabalho faz parte da
nossa vida aqui na terra [...]. Trabalho é a própria vida na terra, né.”. Podemos observar aqui quão
importante se faz a esfera laboral na vida destes trabalhadores.
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Arendt (1999) enfatiza que vivemos numa “sociedade do trabalho”, na qual seus indivíduos
se reconhecem mutuamente pelas funções que executam. É certo que houve importantes
transformações no cenário produtivo nas últimas décadas, levando Antunes (2005, p. 48) a apontar
o surgimento de uma nova morfologia do trabalho “que emerge a partir do universo multifacetado
do trabalho e suas múltiplas potencialidades”, contudo estas mudanças não extraíram o trabalho
como central na constituição ontológica do ser social. Como aponta Rhéaume (2001), num
provocativo artigo intitulado “La fin du travail ou le travail sans fin?”, é duvidoso falar no fim do
trabalho numa sociedade onde as pessoas se definem prioritariamente pelo trabalho, ainda que
contemporaneamente o setor produtivo enfrente momentos de crise.
O grupo relatou que o trabalho de manutenção é a base que sustenta os outros trabalhos da
universidade “A manutenção, na minha maneira de ver, é que só vai desencalhar o seu trabalho lá
como professora, como pesquisadora, se um de nós estiver de plantão.” Interessante pontuar a
consciência demonstrada pelo grupo de que seus trabalhos sustentam o tripé da universidade
pública (ensino, pesquisa e extensão), apesar das características deste tipo de trabalho algumas
vezes conflitarem com estes objetivos-fim e de ser frequentemente invisível aos olhos da
comunidade universitária (Coutinho, Diogo & Joaquim, n.d.)6. “Então, pô, o cara descobriu a cura
do câncer, aqui na universidade, né, trabalhando com os ratinhos lá, mas ele depende de nós
também, depende de um serviço dele [aponta para um colega] que precisa da tomada funcionando,
porque se não tiver chegando energia elétrica como é que ele vai ligar o computador? [...] Toda a
universidade gira em torno do nosso trabalho.”.
O grupo demonstrou comprometimento com o trabalho executado, reforçando a consciência
da sua importância: “[...] é um serviço que realmente não dá pra deixar [...] A manutenção é mais
ou menos isso, deu uma emergência tem que socorrer, né.” Este comprometimento por vezes é
criticado por alguns colegas: “Eu faço e às vezes recebo até crítica, a gente é chamado de puxa-saco
[risos] [moderadora: O que é essa fama de puxa-saco?] É fazer o trabalho.” Estes STA narraram
cumplicidade na realização das tarefas, auxiliando-se mutuamente em relação a divulgação de
conhecimentos e, também, fisicamente (ex. ajuda para carregar equipamentos). Coutinho et al.
(n.d.) descrevem que o comprometimento repercute na importância social (realizar um trabalho de
base para a instituição) e financeira (proporcionando economia para ao Estado) do trabalho. “Se a
universidade tá assim é muito a mão de obra do técnico administrativo, né, isso vem da parte de
jardinagem, limpeza, toda a estrutura técnica, de técnico trabalhando aqui.”.
Quando o grupo fala das características deste trabalho, descrevem-no como fisicamente
desgastante e pesado, configurando um tipo de trabalho socialmente identificado com o masculino.
“E três menino ajudando pra carregar, ó. [...] Como é que vai tirar um ar daquela altura ali, em dois
técnicos só?”. Também pudemos observar a convivência diária com situações de risco laboral:
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“Então não tem condições de trabalhar dentro do nosso local de trabalho. [...] Se alguém se apoiar
na parede ela cai. [...] Passa anos e anos e aquilo ali vai ficando e o pessoal que trabalha ali vai
ficando cada vez mais a risco de [...] Pode desabar [...] não sei nem como os empregados ainda tão
lá.” Sendo o trabalho de apoio imprescindível para a universidade, este necessitaria de
reestruturação e renovação em seus princípios básicos para oferecer melhorias qualitativas às
atividades-fim (Vieira & Vieira, 2004). No entanto estes STA teceram várias reclamações sobre o
“sucateamento” das condições de trabalho e deles próprios enquanto trabalhadores.
Uma das principais atribuições do trabalho é a provisão do sustento. Nos discursos, foram
freqüentes as assimilações dos trabalhadores à imagem de pai-provedor: proporcionar “formação”
aos filhos, “encaminhá-los” na vida. “Por isso que eu digo, apesar dos trancos e barrancos que a
gente vive aqui, eu ainda sou privilegiado, né. [...] Consegui colocar a minha filha na faculdade, ter
uma boa formação pra tá ali fora, porque depois só tem mais uma pequena, o resto tá tudo
encaminhadinho já, bonitinho.”. A paternidade foi identificada como a capacidade de sustentar os
filhos, reforçando o atributo moral do pai-provedor. “De programação [gerada pela estabilidade],
uma certa tranqüilidade pra gente repensar o futuro do próprio filho, né, porque não é só colocar os
filhos no mundo.”. Tagliamento (2007) aponta que o trabalho e o prover são elementos importantes
na produção de masculinidades e paternidades, sendo estas atribuições paternas.
Aos filhos é dada a condição de transcender a condição social paterna através da educação.
“As pessoas que humilhavam a gente, que eram doutores, eram formados, com o tempo eles
esqueceram que eu não sei mexer em internet, mas eu tenho filha que faz faculdade, na idade dela
[aponta para um das pesquisadoras] que sabe [...] ferinha nesse tipo de coisa.” A estabilidade do
serviço público possibilitou planos em longo prazo, proporcionando segurança financeira e
emocional para os STA e suas famílias. “É [...] numa empresa privada a pessoa não pode nem fazer
planos, pelo menos colocar o filho onde quer, porque aqui é uma loteria, né, passar aqui [no
vestibular] pra UFSC.”.
No entanto, ser servidor público comporta ambigüidades. Se por um lado, no contexto de
desestabilização econômica e laboral contemporâneo, a estabilidade tornou-se uma importante
razão para o ingresso e permanência no serviço público (PIRES & MACEDO, 2006) possibilitando
estratégias de planejamento e salários dificilmente plausíveis na iniciativa privada, por outro lado o
GF também revelou a vergonha desta categoria, levando-os por vezes à opção de omitir socialmente
a profissão. “Como profissional, como chefe de família, não, eu tenho orgulho. Isso aqui é a minha
vida, né. Mas como servidor público, a opinião fora, lá, o pessoal que paga, em determinados casos
eu tenho vergonha de dizer que sou servidor público. Porque o pessoal que paga, com razão, tem
que exigir, né. [...] Há uma discriminação social, causada pela má conduta de alguns.”.
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Para Chanlat (2002), os servidores sofrem com sentidos depreciativos, sendo que muitos
deles optam por esconder sua condição para não serem ridicularizados em contextos sociais, como
observamos nas falas do GF. Carreteiro (2003) analisa as dimensões do sofrimento social
(humilhação, vergonha, falta de reconhecimento) vivido por algumas categorias profissionais,
apontando que este processo de anulação da pessoa em seus grupos de pertença é sempre construído
na cena pública, contudo o sofrimento destes indivíduos é negado e tornado inaudível. “As pessoas
se sentem desvalorizadas e diminuídas e, raramente, compartilham tais sentimentos. [...] A esse
processo de silenciamento dos afetos, dos quais participam as instituições e os sujeitos individuais e
grupais, denominamos lógica da invisibilidade do sofrimento” (p. 60).
Este sentimento de vergonha demonstrou-se tão mais injusto quanto é provocado por uma
minoria de STA, reverberando nas significações sociais de “vagabundo” e “mandrião” para toda
categoria. “[Alguns] servidores [...] um pouquinho [pequena parcela] que acabam levando todos nós
pro mesmo patamar, né. Vão lá pro boteco, tomar uma cachacinha, aí falam lá no boteco que
ganham uma barbaridade, aí o pessoal lá fora que tá tomando cachaça, tá vendo todos nós,
servidores, como vagabundo, como igual, certos casos que a gente sai humilhado.” Autoras como
Spilki e Tittoni (2005) reconhecem que há esforço por parte dos servidores tentando reverter este
estigma estabelecido e mostrar eficiência para a sociedade, contudo há também grande dificuldade
em mudar esta representação social. Para Matos (1994), este desgaste da imagem do servidor na
sociedade difama toda a categoria profissional. A cena política no país frequentemente reforça o
preconceito relacionado ao servidor publico: “Então são essas coisas que passa, sem contar essa
questão: deputado, senadores, vereadores, tão fazendo essa barbaridade aí.”
La Taille (2002), afirma que o sentimento de vergonha recobre um campo de significados
bastante amplo e diversificado, ocasionando no sujeito a sensação de ser cúmplice das apreciações
negativas de que é objeto. Neste sentido, os servidores se julgam e olham a si mesmos de forma
negativa, sentindo desprazer e dor. Contudo, de acordo com este autor, este sentimento se apresenta
como um auto-juízo, ou seja, ter a capacidade de sentir vergonha caracteriza um aspecto positivo,
repercutindo na índole ou caráter, pois o envergonhado julga a si mais do que julga uma ação ou
situação singular. O sofrimento está representado em frases como: “E aí a gente, dependendo da
situação, tem que omitir porque senão vai escutar desaforo dos outros, tem que baixar a cabeça e
sair. [...] Vontade até de agredir fisicamente, mas a gente tem que engolir isso aí, até porque atinge,
assim... certos casos que a gente sai humilhado.”Este sentimento mudo, segundo Carreteiro (2003),
tem importante custo psíquico, pois representa uma violência simbólica vivida isoladamente pelo
sujeito.

Comentários Finais
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Gaulejac (2001, p. 37) aponta que “o indivíduo é multideterminado”, produto de uma
história complexa que diz respeito ao seu desenvolvimento psíquico e, ao mesmo tempo, à sua
existência social. “A vergonha é um sentimento cujas raízes podem ser identificadas no psiquismo,
até nas suas zonas mais inconscientes, e cuja gênese está associada à confrontação do sujeito com o
mundo social” (p. 37). La Taille (2002) afirma que o sentimento de vergonha implica, em princípio,
num controle interno do indivíduo, ou seja, aquele que sente vergonha está julgando suas próprias
atitudes balizado pelo juízo alheio.
De outro lado, também foi possível identificar sentimentos de orgulho associados ao
trabalho, seja pela importância da atividade desenvolvida na manutenção – ao dar apoio e
“desencalhar” as outras atividades da universidade; seja pela possibilidade de dar sustento à
família, como pai-provedor. Neste sentido, os STA identificam-se com o seu trabalho. Costa (1989),
um autor do campo da psicanálise, compreende a identidade psicológica do trabalhador como não
decorrendo apenas dos conflitos sexuais, mas fundando-se, particularmente, na capacidade de
trabalho. Desta forma, “ser um bom trabalhador significa também ser bom pai, bom marido, bom
filho [...] enfim um bom homem” (p. 29).
Percebemos no GF clara ambivalência de sentimentos suscitada pelo trabalho. De um lado,
foi narrado o papel de trabalhador exercido com eficiência e comprometimento, um trabalho
fisicamente desgastante e muito importante para a universidade, que proporciona satisfação em
poder planejar e prover o sustento familiar. De outro, foram descritos sentimentos de vergonha e
humilhação que geram sofrimento. O sofrimento é individual (vivido pelo sujeito), mas engendra
um processo de desvalorização pessoal e profissional que se inscreve numa relação social
(Gaulejac, 2001). Autores como La Taille (2002) afirmam que a vergonha é um sentimento
fundamental para a conduta dos indivíduos e também para a constituição da moral do sujeito.

Referências Bibliográficas
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Summa.
Carreteiro, T. C. (2003). Sofrimentos sociais em debate. Psicologia USP, 14 (3), 57-72.
7
Chanlat, J-F. (2002).O gerencialismo e a ética do bem-comum: a questão da motivação para o
trabalho nos serviços públicos. Anais de VII Congreso Internacional del CLAD sobre la Reforma
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http://www.scielo.br/pdf/rap/v40n1/v40n1a05.pdf
Rhéaume, J. (2001). La fin du travail ou le travail sans fin? Conférence publié dans Crise de
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Tagliamento, G. (2007). Com a palavra o prover: uma análise das masculinidades produzidas em
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Vieira, E. F., & Vieira, M. M. F. (2004). Funcionalidade burocrática nas universidades federais:
conflito em tempos de mudança. RAC, 8 (2), 181-200. Recuperado em 07 novembro, 2007, de
http://anpad.org.br/periodicos/arq_pdf/211.pdf

1
Mestre e doutoranda do Programa de Pós-Graduação em Psicologia da UFSC. Pesquisadora do NETCOS – Núcleo de
Estudos do Trabalho e Constituição do Sujeito (UFSC).
2
Doutora em Ciências Sociais pela UNICAMP e professora da Graduação e do Programa de Pós-Graduação em
Psicologia da UFSC. Coordenadora do NETCOS.
3
Mestranda do Programa de Pós-Graduação em Psicologia da UFSC. Pesquisadora do NETCOS.
4
Graduanda em Psicologia pela UFSC, bolsista PIBIC 200-2008. Pesquisadora do NETCOS.
5
Este artigo discute resultados parciais da pesquisa “Sentidos do trabalho para servidores técnico-administrativos da
UFSC: focalizando a Prefeitura Universitária”, orientada pela Profa. Dra. Maria Chalfin Coutinho e co-orientada pela
Msc. Maria Fernanda Diogo. Esta pesquisa conta com apoio do programa PIBIC/UFSC 2007-2008.
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Coutinho, Diogo e Joaquim (s/d) apontam que o trabalho de manutenção possui algumas peculiaridades: evidencia-se
no negativo, ou seja, diante do defeito de um equipamento ou instalação, fazendo com que estes trabalhadores
cotidianamente lidem com “problemas” (o que pode ser associado à deterioração das condições atuais da universidade
pública). Além disso, este tipo de trabalho concorre com os objetivos-fim da instituição, pois sua execução tumultua o
ambiente e paralisa, mesmo que por curto espaço de tempo, aulas e pesquisas. Muitas vezes o próprio demandante do
serviço reclama da atuação do servidor.