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ENSINO CLÍNICO

EM CIRURGIA

autora
MARIANA GONÇALVES DE OLIVEIRA

1ª edição
SESES
rio de janeiro  2018
Conselho editorial  roberto paes e gisele lima

Autora do original  mariana gonçalves de oliveira

Projeto editorial  roberto paes

Coordenação de produção  gisele lima, paula r. de a. machado e aline karina


rabello

Projeto gráfico  paulo vitor bastos

Diagramação  bfs media

Revisão linguística  bfs media

Revisão de conteúdo  antônio da silva ribeiro

Imagem de capa  poznyakov | shutterstock.com

Todos os direitos reservados. Nenhuma parte desta obra pode ser reproduzida ou transmitida
por quaisquer meios (eletrônico ou mecânico, incluindo fotocópia e gravação) ou arquivada em
qualquer sistema ou banco de dados sem permissão escrita da Editora. Copyright seses, 2018.

Dados Internacionais de Catalogação na Publicação (cip)

O48e Oliveira, Mariana Gonçalves de


Ensino clínico em cirurgia / Mariana Gonçalves de Oliveira.
Rio de Janeiro : SESES, 2018.
120 p: il.

isbn: 978-85-5548-530-5.

1. Centros cirúrgicos. 2. Enfermagem. 3. Cirurgia geral. 4. Assistência


ao paciente. I. SESES. II. Estácio.
cdd 610.73677

Diretoria de Ensino — Fábrica de Conhecimento


Rua do Bispo, 83, bloco F, Campus João Uchôa
Rio Comprido — Rio de Janeiro — rj — cep 20261-063
Sumário
Prefácio 5

1. O centro cirúrgico 7
Enfermagem perioperatória 8
Evolução histórica da cirurgia 9

Classificação das cirurgias 10

Terminologia cirúrgica 14

Estrutura do centro cirúrgico 16


Objetivos do centro cirúrgico 16

2. Ambiente cirúrgico 27
Recursos humanos do centro cirúrgico 29

Funções/atribuições/responsabilidades da equipe de enfermagem 29


Funções/atribuições/responsabilidades da equipe médica 31
Funções/atribuições/responsabilidades do instrumentador cirúrgico 31
Atribuições do enfermeiro no controle de infecção 34

Prevenção e controle de infecção hospitalar no ambiente cirúrgico 35


Infecção sítio cirúrgico (ISC) 36
Precaução padrão 38

3. Sistematização da assistência de
enfermagem no perioperatório 55
Sistematização da assistência de enfermagem no perioperatório (SAEP) 56
O que consiste o período perioperatório? 57
Objetivos da SAEP 63

Assistência de enfermagem no pré-operatório 63


Período pré-operatório imediato 63
Visita pré-operatória 64
Assistência de enfermagem no transoperatório 65
Protocolo para cirurgia segura (checklist) 65
Assistência de enfermagem no pós-peratório 68

4. Anestesia e sala de recuperação pós anestésica 75


A anestesia e suas implicações para a assistência de enfermagem 76

Histórico da evolução anestésica 76


Visita pré-anestésica 82
Assistência de Enfermagem durante o processo anestésico 83
Complicações anestésicas 84
Drenos 89

5. A cirurgia 95
Degermação cirúrgica das mãos 96

Paramentação cirúrgica 98

Posições cirúrgicas 99

Tempos cirúrgicos 103


Montagem da mesa de instrumental 106

Central de material e esterilização (CME) 107


Prefácio

Prezados(as) alunos(as),

Esta obra foi construída no intuito de ajudar os estudantes de enfermagem


para compreender o assunto do centro cirúrgico. Contém orientações que vão
desde o momento em que o paciente se tornou cirúrgico até ter o seu caso defini-
do, identificando o preparo do paciente cirúrgico, situações que podem afetar a
cirurgia, área física da unidade, composição da sala de cirurgia, cuidados de enfer-
magem e quadro geral sobre anestesia. Apresenta a sistematização da assistência de
enfermagem perioperatória (SAEP), cuidados específicos de enfermagem, compli-
cações cirúrgica, limpeza e desinfecção das salas de cirurgia, central de material e
esterilização, terminologias e posições cirúrgicas, conceitos e instrumentais cirúr-
gicos e algumas sugestões para montagem das caixas cirúrgicas. Além de abordar
sobre o Protocolo de Cirurgia Segura e segurança do paciente.
Um dos capítulos está concentrado nos aspectos de assistência ao paciente na
recuperação anestésica, nas repercussões do trauma anestésico-cirúrgico, nos cui-
dados com feridas cirúrgicas, nos desconfortos, nas complicações e na avaliação da
dor no período pós-operatório imediato.
Este traz uma grande contribuição também para a assistência, o ensino e a pes-
quisa entre profissionais da área da saúde que atuam no bloco cirúrgico, lidando
com pacientes nos períodos pré, trans e pós-operatório.

Bons estudos!

5
1
O centro cirúrgico
O centro cirúrgico
Olá, Pessoal! É com grande satisfação que preparei esse capítulo especialmente
para vocês sobre a parte inicial do Centro cirúrgico, começando por entender de
onde surgiu. Aqui abordaremos assuntos básicos para contextualizar o ambiente
cirúrgico e as principais nomenclaturas utilizadas, para que vocês não fiquem per-
didos quando escutar ou visualizar algum dos termos cirúrgicos.
Este é um capítulo prazeroso de estudar, pois não envolve um conteúdo com-
plexo, mas sim um assunto estimulante que o despertará para conhecer um centro
cirúrgico.
Procurarei, sempre que possível, selecionar tópicos mais importantes para re-
visá-lo através de exercícios. Porém, em determinados assuntos, irei trazer figuras
e quadros para memorizar melhor o conteúdo.

OBJETIVOS
•  Apresentar a trajetória histórica da prática cirúrgica nos serviços de saúde;
•  Conceituar cirurgia, suas finalidades, peculiaridades e aspectos éticos;
•  Classificar os tipos de cirurgias;
•  Conhecer a estrutura do centro cirúrgico que envolve planta física, localização, equipamen-
tos, áreas;
•  Compreender os aspectos éticos e legais do centro cirúrgico e os aspectos gerenciais.

Enfermagem perioperatória

Para compreender o processo do Centro cirúrgico alguns conceitos são pri-


mordiais conhecer. Inicialmente, se faz necessário saber o que consiste o termo
“perioperatório”, pois ele será abordado durante todo o livro, principalmente nos
primeiros capítulos.

capítulo 1 •8
CONCEITO
Perioperatório: termo utilizado para descrever todo o momento cirúrgico, que envolve o
pré-operatório (momento de decisão cirúrgica e preparação), trans-operatório (procedimento
cirúrgico) e pós-operatório (situação de recuperação cirúrgica do paciente).

Evolução histórica da cirurgia

A origem do nome Cirurgia, veio do grego e recebeu a seguinte nomenclatura


kheirourgia, que significa (kheiros, mão e ergon, obra). Visto isso, entende-se que a
realização do procedimento cirúrgico iniciou com uso das mãos, mesmo hoje com
a robotização, as cirurgias por vídeo ainda utilizam das mãos do cirurgião para
controle dos equipamentos.
Os feridos de guerra eram tratados no empirismo, se os medicamentos não
resolvessem a situação, eles eram submetidos à cirurgia. Não havia estudos e pes-
quisas que provasse que os atendimentos realizados na época eram de qualidade.
Os cuidados eram desempenhados por pessoas menos qualificadas, sem em-
basamento teórico-prático.

TREPANAÇÕES Mutilações sangrentas que retirava parte do crânio.

Corte ou retirada de um tecido/pele, eram realizadas por


CIRCUNCISÕES feiticeiros.

Então começou uma mistura de misticismo e crueldade nos cuidados aos pa-
cientes, pois não havia materiais, tecnologias e preparo suficiente para prestar uma
assistência humanizada.
A cauterização de feridas era um dos procedimentos a ser realizado de maneira
rudimentar, mas que teve efeito positivo para o paciente, despertando interesse e
necessidade da ampliação das técnicas e dos conhecimentos cirúrgicos.
Visto essas interferências (misticismo, cauterização etc) sobre a saúde do pa-
ciente, despertou uma condenação da cirurgia pela igreja, para o ser humano não
poderia intervir na vontade Divina. Sendo que isso não foi suficiente para inter-
romper o desenvolvimento das cirurgias. E a cada dia ela tem se especializado
mais, hoje já existe a Cirurgia Robótica.

capítulo 1 •9
Então você pode conceituar Cirurgia como uma arte, pois é praticada por
aqueles que realmente têm vocação e facilidade de aprender. Além de arte a
Cirurgia também é uma ciência que evolui a partir da renovação das descobertas.

Assepsia E Antissepsia

Com o avanço da cirurgia, surgiram também as infecções. Os cirurgiões ale-


gavam que não usavam luvas porque as mesmas atrapalhavam, pois tirava a sensi-
bilidade do toque prejudicando os procedimentos cirúrgicos.
Sendo que com o passar dos anos, o número de paciente com sepse (infecção)
foi aumentando e então os profissionais tiveram que usar os equipamentos de pro-
teção individual (EPI) e assim tiveram redução nesses números. Dessa maneira,
por volta de 1890, o uso de técnicas de antissepsia e assepsia foram, finalmente,
aceitas como parte da rotina cirúrgica.

PERGUNTA
E afinal qual a diferença de assepsia e antissepsia?

É aquela técnica de higiene realizada nas pessoas, nas


ANTISSEPSIA mãos, nos pacientes.

É a técnica realizada em objetos, superfícies, em seres


ASSEPSIA não humanizados.

Classificação das cirurgias

Primeiro vamos entender o conceito mais amplo de Cirurgia, que compreen-


de um conjunto de técnicas que envolvem a realização de um procedimento inva-
sivo, estéril, traumático, que deve ser realizado em ambiente apropriado, e cuja
finalidade é reestabelecer a saúde do indivíduo quando as possibilidades terapêu-
ticas não invasivas são insuficientes.
Sabendo disso, é importante conhecer as principais classificações das cirurgias.
Elas podem ser classificadas quanto:

capítulo 1 • 10
•  Diagnóstica;
•  Curativa;
FINALIDADE •  Reparadora;
•  Estética;
•  Paliativa.

•  Emergência;
•  Urgência;
NECESSIDADE •  Necessária;
•  Eletiva;
•  Opcional.

•  Pequeno;
PORTE •  Médio;
•  Grande.

•  Porte I (ate 2h);


•  Porte II (2 a 4h);
TEMPO DE DURAÇÃO •  Porte III (4 a 6h);
•  Porte IV (> 6h).

•  Limpa;
•  Potencialmente contaminada;
GRAU DE CONTAMINAÇÃO •  Contaminada;
•  Infectada.

Após visualizar os cinco principais tipos de classificação, agora explicarei cada


uma detalhadamente e com seus respectivos exemplos.

1. Diagnóstica: ajuda no esclarecimento da doença.


Ex.: laparotomia exploradora.

2. Curativa: retira ou corrige a causa da doença, devolvendo a saúde ao pacien-


te. A retirada pode ser parcial (uma parte) ou total de um órgão. Em algumas
situações não é possível curar, o que ela faz é permitir uma maior sobrevida aos
pacientes.
Ex.: Apendicectomia.

capítulo 1 • 11
3. Reparadora: reconstitui artificialmente uma parte do corpo lesada por enfer-
midade ou traumatismo.
Ex.: enxerto de pele em queimados.

4. Estética: também pode ser chamada de reconstrutora ou cosmética. Serve


para fins de embelezamento, não envolve questão de saúde.
Ex.: Lipoaspiração, bleferoplastia, abdominoplastia.

5. Paliativa: serve para aliviar, atenuar ou buscar um meio para aliviar o mal,
mas não cura a doença.
Ex.: Gastrostomia.

6. Emergência (agora): procedimento que exige atenção imediata, pois consiste


em uma situação crítica.
Ex.: Ferimento por arma de fogo em região precordial, hematoma subdural.

7. Urgência (24 a 48h): requer uma pronta atenção, devendo ser realizado den-
tro de 24 a 48 horas.
Ex.: apendicectomia.

8. Necessária (planejar): o paciente precisa realizar a cirurgia, mas pode planejar


para semanas ou meses.
Ex.: catarata.

9. Eletiva (marcar): também conhecida como programada. É um procedimento


cirúrgico proposto pelo médico, mas pode aguardar um momento mais adequado
para realizá-lo.
Ex.: gastrectomia.

10. Opcional: a decisão de realizar o procedimento cirúrgico é do paciente, tem


fins estéticos.
Ex.: mamoplastia.

11. Pequeno porte: pequena probabilidade de perda de fluido e sangue.


Ex.: mamoplastia e endoscopia.

capítulo 1 • 12
12. Médio Porte: média probabilidade de perda de fluido e sangue.
Ex.: prótese de quadril.

13. Grande porte: grande probabilidade de perda de fluido e sangue.


Ex.: cirurgias de emergência, vasculares arteriais.

14. Porte I: cirurgias com duração de até 2 horas.


Ex.: rinoplastia.

15. Porte II: cirurgias que duram de 2 a 4 horas.


Ex.: colecistectomia, gastrectomia.

16. Porte III: cirurgias que duram de 4 a 6 horas de duração.


Ex.: Craniotomia.

17. Porte IV: cirurgias que duram acima de 6 horas.


Ex.: transplante de fígado.

18. Limpas: tecidos estéreis, sem infecção e inflamação; não traumáticas eletivas,
sem penetração de tratos respiratório, digestório e urinário; fechamento por 1ª
intenção; sem quebra da técnica asséptica e sem drenos.
Ex.: cirurgia vascular.

19. Potencialmente contaminadas: tecidos colonizados por flora residente, aber-


tura dos tratos respiratório, digestório e urinário sem contaminação significativa.
Ex.: histerectomia abdominal.

20. Contaminadas: tecidos colonizados por flora abundante, inflamação não pu-
rulenta, quebra da técnica asséptica, feridas abertas e trauma penetrante há menos
de 4 horas.
Ex.: Cirurgias de vias biliares, estômago e duodeno, jejuno, íleo, colon e reto.

21. Infectadas: tecidos com presença de pus, necrose; perfuração de víscera; trau-
ma penetrante há mais de 4 horas, ferida traumática.
Ex.: Cirurgias Ortopédicas: Fraturas expostas.

capítulo 1 • 13
Terminologia cirúrgica

Entende-se por terminologia cirúrgica o conjunto de termos próprios que ex-


pressam o segmento corpóreo afetado e a intervenção cirúrgica realizada no trata-
mento daquele tipo de afecção. Os termos que compõem a terminologia cirúrgica
são formados por uma raiz (prefixo) e um sufixo.

EXEMPLO

APENDICECTOMIA
prefixo
sufixo

Permite identificar a estrutura corpórea que está relaciona-


O PREFIXO (RAIZ): da com a intervenção cirúrgica;

O SUFIXO: Indica a intervenção cirúrgica a ser realizada.

SUFIXO (RAIZ) RELACIONA-SE (SIGNIFICADO)


•  Flebo; •  Veia;
•  Rino; •  Nariz;
•  Bléfaro; •  Pálpebra;
•  Adeno; •  Glândula;
•  Tráqueo; •  Traqueia;
•  Cádia; •  Esfincter esôfago-gástrico;
•  Êntero; •  Intestino delgado;
•  Cólon; •  Intestino grosso;
•  Cole; •  Vias biliares;
•  Laparo; •  Parede abdominal;
•  Pielo; •  Pelve renal;
•  Hístero; •  Útero;
•  Salpingo; •  Tuba uterina;
•  Ooforo; •  Ovário;
•  Orquio. •  Testículo.

Tabela 1.1  –  Exemplo de sufixo (raiz) e seus respectivos significados.

capítulo 1 • 14
Outros exemplos:
•  Cisto: bexiga
•  Colo: colo uterino
•  Colpo: vagina
•  Espleno: baço
•  Gastro: estômago
•  Hepato: fígado
•  Nefro: rim
•  Oftalmo: olho
•  Ósteo: osso
•  Oto: ouvido
•  Procto: reto

Após aprender os principais prefixos utilizados, vamos falar agora dos sufixos.
Será que vão ser mais inúmeras palavras para decorar?! Claro que não! Os prin-
cipais sufixos, aqueles mais utilizados, só são sete (7). Que sorte! Mas vocês têm
obrigação de aprender esses.

significa incisão, corte, abertura de parede ou órgão (toracoto-


TOMIA mia, laparotomia).

significa fazer uma nova “boca”, comunicar um órgão tubular ou


STOMIA oco com o exterior. (traqueostomia, jejunostomia).

significa extirpar parcial ou totalmente um órgão (esofagecto-


ECTOMIA mia, esplenectomia).

significa reparação plástica da forma ou função do segmento


PLASTIA afetado (rinoplastia, queiloplastia).

RAFIA significa sutura (herniorrafia, gastrorrafia).

significa fixação de uma estrutura corpórea (nefropexia,


PEXIA mamopexia).

significa visualizar o interior de um órgão cavitário ou cavi-


SCOPIA dade com o auxílio de aparelhos especiais (broncoscopia,
colonoscopia).

capítulo 1 • 15
ATENÇÃO
A terminologia cirúrgica é o conjunto de termos (prefixo e sufixo) que representa uma
forma de expressão técnica (da área da saúde) utilizada no Hospital (perioperatório) e nos
serviços de saúde, para indicar um ato cirúrgico proposto e ou realizado.

Estrutura do centro cirúrgico

O centro cirúrgico (CC) é um lugar especial dentro do hospital, conveniente-


mente preparado segundo um conjunto de requisitos que o tornam apto a prática
da cirurgia, visto que ele encontra-se isolado dos outros setores por se tratar de um
local mais restrito do hospital devido a sua especificidade.
Por ser uma área complexa, possui um acesso restrito, nem todas as pessoas
podem transitar livremente pelo centro cirúrgico, elas precisam utilizar roupas
apropriadas para esse local.
Entende-se que o CC é um ambiente destinado às atividades cirúrgicas e tam-
bém de recuperação anestésica, dessa forma é considerado um local complexo
devido às suas características e assistência especializada.

Objetivos do centro cirúrgico

•  Prestar assistência integral ao paciente cirúrgico em todo o período periope-


ratório (pré, trans e pós-operatório);
•  Proporcionar recursos humanos e materiais para que o ato cirúrgico seja
realizado dentro de condições ideais, técnicas e assépticas;
•  Favorecer o ensino, a fim de contribuir para a formação e aperfeiçoamento
de recursos humanos;
•  Propiciar condições favoráveis ao desenvolvimento de pesquisas, no sentido
de aprimorar conhecimento técnico-científico e melhorar a assistência prestada.

Localização

O CC deve ocupar área independente da circulação geral, ficando, assim, livre


do trânsito de pessoas e materiais estranhos ao serviço, porém com acesso livre
e fácil para pacientes provenientes das unidades de internação cirúrgica, pronto
socorro e terapia intensiva para que seja realizado o procedimento cirúrgico.

capítulo 1 • 16
LEITURA
Saiba mais lendo nas seguintes portarias:
•  Portaria MS nº 400/77
•  Portaria 1889/94
•  RDC 50

Planta física

A unidade do centro cirúrgico precisa de uma planta física específica para


atender toda a demanda necessária para o sucesso do procedimento cirúrgico.
Dentre a lista de áreas necessárias para o bom funcionamento do centro ci-
rúrgico tem:
•  Local para a recepção e transferência de pacientes;
•  Espaço para os procedimentos pré-anestésicos e anestésicos que não sejam
realizados em sala de operação;
•  Lavabo para escovação, degermação e antissepsia das mãos;
•  Salas de operação para procedimentos cirúrgicos de rotina ou de emergência;
•  Mesas para realização dos relatórios médicos e de enfermagem e dos regis-
tros das cirurgias;
•  Sala de recuperação pós anestésica (SRPA) para o paciente receber os cuida-
dos pós-operatório;

O CC precisa contar com outros ambientes de apoio, tais como:


•  Vestiários;
•  Sala administrativa;
•  Sala de espera;
•  Sala para guarda de medicamentos;
•  Sala para guarda de material de anestesia;
•  Sala para estocagem de material esterilizado;
•  Sala de depósito de cilindros de gases;
•  Sala de guarda de aparelhos e equipamentos;
•  Rouparia;
•  Sala para material de limpeza;

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•  Sala de expurgo;
•  Sala de estar para funcionários;
•  Copa.

Lavabo, tem como objetivo reduzir a flora bacteriana da pele.


•  Contem: pia, torneiras de água quente e fria e anti-sépticos;
•  Quando próximos das salas de operação, reduz o tempo de exposição da
área escovada com o meio ambiente;
•  Para duas salas de operação: um lavabo com duas torneiras; acionamento de
água e sabão por comando de pé, joelho, braço, exceto as mãos;
•  Espaço suficiente para duas pessoas lavarem as mãos simultaneamente.
Espaço entre 2 pessoas: 1,10m.

O tamanho da sala cirúrgica, metros quadrados, varia de acordo com a espe-


cialidade a que é destinada. Não depende somente do tamanho do procedimento,
mas dos equipamentos necessários aos tipos de intervenção. Geralmente obedece
a um formato retangular ou oval.

SALA DE OPERAÇÃO TAMANHO ESPECIALIDADE


SALA DE OPERAÇÃO PEQUENA 20m2 Otorrino, oftalmo

SALA DE OPERAÇÃO MÉDIA 25m2 Gástricas e geral;

Neurocirurgia, cardiovas-
SALA DE OPERAÇÃO GRANDE 36m2
cular, ortopédica.

A Sala de Operação (SO) é a área destinada à realização de intervenções ci-


rúrgicas e endoscópicas. Preconizam-se duas salas para cada 50 leitos não especi-
ficados ou para cada 15 leitos cirúrgicos. As salas precisam seguir algumas regras
para o bom funcionamento dos procedimentos cirúrgicos e diminuir as infecções
hospitalares.

capítulo 1 • 18
Paredes:
•  Cantos arredondados;
•  Material liso, resistente, lavável, anti-acústico e não refletor de luz;
•  Pintada de cor neutra, sem emitir reflexos luminosos;
•  As tintas não possuírem cheiro, resistentes à limpeza frequente, com textura
superficial lisa.

Piso:
•  Resistente ao uso de água e desinfetantes,
•  Não poroso e de superfície lisa e de fácil limpeza.

ATENÇÃO
Paredes de azulejos não são desejáveis no CC, pois muitas linhas de rejunte apresentam
porosidade e podem abrigar microrganismos.

Teto:
•  Material resistente, lavável, não deve ser poroso para impedir a retenção de
bactérias;
•  Contínuo, sendo proibido o uso de forro removível, do tipo que interfira na
assepsia da sala de operação;
•  Se o teto possuir forro deve ser contínuo nas salas de cirurgia;
•  O uso de teto falso e removível pode ocasionar a queda de poeira ou outro
material na ferida cirúrgica.

Janelas:
•  Devem estar localizadas de modo a permitir a entrada de luz natural em todo
o ambiente, deve ser lacrada e provida de vidro fosco, possibilitando a limpeza.

Portas:
•  Devem ser amplas;
•  Portas vai e vem, dessa forma impede que o profissional precise pegar na
porta para abri-la, mas hoje o ideal é usar portas automáticas ou de correr, pois a
porta vai e vem ainda leva contaminação para dentro da sala por turbulência de ar
provocada pela oscilação;

capítulo 1 • 19
•  Revestidas de material lavável;
•  Cor neutra;
•  Providas de visor, assim as pessoas podem visualizar a sala sem precisar abrir
a porta, evitando maior chance de contaminação e acidentes;
•  É necessário que as portas evitem acúmulo de poeira, proporcionem facili-
dade para a limpeza e tenham dimensões mínimas de 1,20 m X 2,10 m.

Instalações elétricas:
•  As tomadas devem estar localizadas a 1,5 m do piso, devendo possuir sis-
tema de aterramento para prevenir choque e queimaduras no paciente e equipe.

Iluminação:
•  A iluminação artificial da sala de cirurgia é feita por intermédio da luz geral
de teto, com lâmpada fluorescente e luz direta.
•  Durante uma cirurgia, o campo visual cirúrgico é vermelho, devido a pre-
sença de sangue (não é à toa que o isolamento do campo é feito com tecido verde,
complementar ao vermelho).
•  O vermelho tem uma intensidade de onda que estressa, além disso, tal cam-
po se encontra sob fonte de altíssima luminância.
•  O uso da tonalidade verde nos tecidos de isolamento do campo cirúrgi-
co, no revestimento do piso ou de qualquer outra superfície da SO atua como
complementar da tonalidade vermelha, provocando o descanso visual dos que
trabalham alí.
•  Os ambientes no entorno da sala de cirurgia devem possuir 50% da lu-
minância do campo cirúrgico e ir, gradativamente, reduzindo para que o olho se
adapte aos poucos e não sofra com a luz tão intensa.
•  Os Focos de luz podem ser de dois tipos:
– Focos de Teto: que contem uma cúpula com revestimento de
espelhos refletores e múltiplas lâmpadas conjugadas; possui um filtro
atérmico (para não esquentar o ambiente cirúrgico); uma vareta ex-
terna e braços articulados para mobilidade; ele apresenta focalização.
– Foco frontal: colocado na testa do profissional para aproximar a luz;
– Focos auxiliares: possui bases sobre rodízios + baterias;

capítulo 1 • 20
©© ANATOLY TIPLYASHIN | SHUTTERSTOCK.COM

©© PIRKE | SHUTTERSTOCK.COM

©© BLUEBAY | SHUTTERSTOCK.COM
Foco de Teto Foco Frontal Foco auxiliar

Sistemas de abastecimento e Instalações


•  Oxigênio;
•  Óxido nitroso;
•  Ar comprimido;
•  Vácuo clínico;
•  Tomadas 110 e 220w – 2 conjuntos c/ 4 tomadas (paredes distintas);
•  Tomada para aparelho RX portátil.

CORREDOR EXTERNO

LAVABO SALA DE SALA DE LAVABO


SALA DE OPERAÇÕES OPERAÇÕES SALA DE
OPERAÇÕES OPERAÇÕES
CORREDOR INTERNO

SALA DE
EXPURGO GUARDA DE
EQUIPAMENTOS
CORREDOR EXTERNO
CORREDOR INTERNO

SALA DE GUARDA DE RECUPERAÇÃO


SALA DE MATERIAL MEDICAMENTOS, PÓS-ANESTÉSICA
ESTERILIZADO MATERIAL ESTERELIZADO
E PRONTO USO

POSTO DE
ROUPARIA ENFERMAGEM

SALA DE SALA DE
MATERIAL DE ESTAR
LIMPEZA

VESTIÁRIO VESTIÁRIO
TROCA-MACAS MASCULINO FEMININO COPA

capítulo 1 • 21
CURIOSIDADE
Olhando para a figura anterior que refere-se ao mapa do centro cirúrgico, você pode
perceber que existem dois corredores: o interno e o externo. No qual o interno vai transitar
o material limpo e estéril, além dos pacientes e profissionais. E no externo circula o material
contaminado, usado nas cirurgias. Dessa maneira não haverá cruzamento do material limpo
com o sujo.

Áreas

Limites definidos para a circulação de pessoal e equipamentos


com rotinas próprias para o controle e manuseio da assepsia.
ÁREA Uso Privativo de uniforme, gorro, máscara, propés. Rígido con-
RESTRITA trole de trânsito e assepsia.
Ex.: Sala de operação, corredor intersala e lavabo.

Permite a circulação de pessoal e equipamentos de modo a


não interferir nas rotinas de controle e manutenção da assep-
ÁREA sia da área restrita; Uso do uniforme privado é indispensável.
SEMI-RESTRITA Ex.: Corredores do bloco operatório, recuperação pós-anesté-
sica, sala para guarda de equipamentos e materiais de limpeza,
sala de conforto, sala de enfermagem.

Circulação livre no ambiente interno do CC; Não precisa de


ÁREA uniforme privativo.
NÃO-RESTRITA Ex.: Vestiários, corredor de entrada.

Vestiários

Esse é um local que tem um enorme trânsito de pessoas, as quais são a prin-
cipal fonte exógena de bactérias. Antes de entrar no CC é necessário passar antes
no vestiário e colocar as roupas e equipamentos de proteção individual apropriada
(Gorro, máscara, camisa, calça e propés). Esses últimos, os propés, foram abolidos
em algumas instituições, então fica a critério de cada hospital definir a obrigato-
riedade do uso.

capítulo 1 • 22
Apoio técnico
•  Banco de sangue;
•  Raio X;
•  Laboratório e anatomia patológica;
•  Serviço de engenharia clínica e engenharia de manutenção;
•  Farmácia.

Lembrando que as roupas não são estéreis, mas sim lavagem especial com
água quente. Por isso não deve utilizar essas roupas por cima das suas que vem do
ambiente externo. Deve-se retirar toda a roupa e colocar a roupa própria do CC.
Como funciona a estrutura física do CC? Sendo que tem os setores que pres-
tam um apoio técnico ao CC para qualquer necessidade. Além dos seguranças e
secretaria, existem esses outros mostrados no quadro a seguir:

Equipamentos básicos

Imagine que você foi convidado para montar uma sala de cirurgia no qual
existe pouco dinheiro para essa finalidade. Então será preciso escolher o mínimo
de equipamentos necessários para realizar alguns procedimentos cirúrgicos, que
sem esse material não é possível realizar. Abaixo segue essa lista:
•  Mesa de operações com base e segmentos articulados;
•  Mesas auxiliares para colocação instrumental cirúrgico;
•  Carro anestesia + monitores;
•  Cestos (hampers);
•  Bacias + suportes;
•  Bisturi elétrico;
•  Focos;
•  Negatoscópio (aparelho que usa para ver o raio x do paciente);
•  Sistema de canalização de ar e gases;
•  Suporte de soro;
•  Aspirador de secreções;
•  Ar condicionado.

capítulo 1 • 23
Ar condicionado

•  Cada sala de operação (SO) deve possuir controle individual de temperatura;


•  Devem ser utilizados filtros de ar específicos de alta eficiência, os high
efficiency particulate air (HEPA);
•  É recomendável que haja pressão positiva dentro de cada SO para prevenir a
entrada de ar potencialmente contaminado por meio de áreas adjacentes;
•  O ar é uma via de transmissão de bactérias e fonte de contaminação;

RECUPERAÇÃO
CARACTERÍSTICA SO CORREDORES ANESTÉSICA
TEMPERATURA 19-24 19-24 22-24
MIN-MAX (OC)
UMIDADE RELATIVA 45-60 45-60 45-60

TROCA DE AR (POR 25 15 10
HORA)
FILTROS G2/F2/A3 G2/F2/A3 G2/F3

ATIVIDADES
01. Copie o quadro da classificação das cirurgias e em seguida anote ao lado o que você
aprendeu (definição) sobre cada uma.

02. Responda a lista de terminologias cirúrgicas a seguir:


•  Adenoidectomia •  Colecistectomia •  Gastrostomia
•  Amidelectomia •  Colectomia •  Ileostomia
•  Angioplastia •  Cranioplastia •  Laparoscopia
•  Apendicectomia •  Craniotomia •  Laparotomia
•  Artroplastia •  Esplenectomia •  Nefrostomia
•  Artrotomia •  Gastrectomia •  Rinoplastia
•  Cistectomia •  Gastroplastia •  Traqueostomia

capítulo 1 • 24
03. Assinale a alternativa que apresenta o significado do procedimento cirúrgico de
Cistopexia.
a) Retirada do fígado. c) Abertura da calota craniana.
b) Fixação da bexiga. d) Retirada dos rins.

04. Dos sufixos a seguir, o que significa extirpar?


a) rafia. b) tomia. c) stomia. d) ectomia.

05. Dos sufixos a seguir, o que significa abertura, é:


a) rafia. b) tomia. c) oscopia. d) ostasia.

06. Complete a frase no item 1 e 2.


O prefixo permite identificar a __________1_______ a que está relacionada com a inter-
venção cirúrgica; E o sufixo indica a __2____ a ser realizada.

REFLEXÃO
A história do Centro Cirúrgico (CC) se funde com a história da enfermagem periopera-
tória, a qual desde as primeiras intervenções cirúrgicas esteve presente em atividades que
incluíam restrição e cuidados aos clientes, bem como limpeza (assepsia e antissepsia) e
manutenção do ambiente. O trabalho do enfermeiro requer, portanto, conhecimento técnico-
científico e ético nos âmbitos do cuidar e do administrar, na perspectiva de oferecer melhores
condições de atendimento aos clientes e de trabalho para a equipe cirúrgica.
Sabe-se que a cirurgia seja eletiva ou de emergência é um evento complexo e estressan-
te. O centro cirúrgico é o conjunto de áreas e instalações que permitem efetuar a cirurgia nas
melhores condições de segurança para o paciente e de conforto para os médicos e equipe
de enfermagem. O paciente cirúrgico frequentemente sofre de stress, medo, ansiedade, dor,
anóxia, por isso o profissional deve ter paciência e acalmá-lo quando necessário.
O centro cirúrgico está isolado das outras áreas do hospital, ele apresenta um ambiente
mais calmo e silencioso. Sua estrutura física contém: vestiários feminino e masculino sepa-
radamente, área de recepção dos pacientes, sala pré-anestésica, lavabos, salas de cirurgia,
ante-salas, farmácia, corredores largos e outros. Nas salas observam-se área com grande
espaço, presença de ar condicionado, entrada de gases (oxigênio, ar comprimido e vácuo),
piso, parede, teto, janela e portas laváveis.

capítulo 1 • 25
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
BRUNNER,L. SUDDART,D. Tratado de enfermagem médico cirúrgica. 13ªed. Rio de Janeiro:
Guanabara- Koogan, 2013.
CARVALHO, R., Bianchi ERF. Enfermagem em Centro Cirúrgico e Recuperação. Barueri, SP.
Manole, 2007.
ROTHROCK, Jane C. Alexander - Cuidados de Enfermagem ao Paciente Cirúrgico. 13ªedição. Rio
de Janeiro: Elsevier, 2007.
SOCIEDADE BRASILEIRA DE ENFERMEIROS DE CENTRO CIRÚRGICO RECUPERAÇÃO
ANESTÉSICA E CENTRO DE MATERIAL E ESTERILIZAÇÃO - SOBECC. Práticas recomendadas da
SOBECC. 7. ed. São Paulo: SOBECC; 2017.

capítulo 1 • 26
2
Ambiente cirúrgico
Ambiente cirúrgico
Olá Pessoal, estamos aqui mais uma vez, juntos, para falar de recursos huma-
nos no centro cirúrgico e infecção do sítio cirúrgico com suas medidas de bios-
segurança. É um enorme prazer tratar desse assunto de grande relevância para a
formação do acadêmico de enfermagem em todos os âmbitos.
Aqui, abordaremos além das funções da equipe cirúrgica, a prevenção e con-
trole de Infecção Hospitalar (IH) no ambiente perioperatório. Dessa maneira,
considero esse capítulo uma base para outras disciplinas que envolva o contexto
hospitalar, pois IH será assunto estudado em todos os semestres.
Continuo preparando esse material da maneira mais lúdica possível para que
o estudo seja prazeroso. Sempre que possível colocarei exercícios de fixação do
conteúdo, figuras e quadros para memorizar melhor o assunto.
Tenho o enorme prazer em apresentar uma mensagem de reflexão: Você tem
a liberdade de escolher se irá ou não aprender esse novo conteúdo. Mas lembre-se,
a liberdade não é dada, ela é conquistada com esforço, disciplina, determinação e
responsabilidade. O preço da liberdade é o comprometimento consigo mesmo. O
que, sem dúvida, vale a pena. Por isso, desejo a você uma fantástica experiência no
mundo do Centro Cirúrgico.

OBJETIVOS
•  Identificar as características que o profissional de enfermagem do Centro Cirúrgico
deve possuir;
•  Conhecer as Resoluções que tratam da função e dimensionamento de pessoal em Centro
Cirúrgico;
•  Conhecer os membros da equipe de enfermagem do Centro Cirúrgico e as funções que
cada um desempenha;
•  Conceituar infecção e suas características;
•  Discriminar a definição de Infecção do Sítio Cirúrgico, seus agentes invasores, mecanismo
fisiopatogênico, medidas de tratamento e prevenção;
•  Discutir recomendações de profilaxia antimicrobiana pré, intra e pós-operatória;
•  Apresentar o conceito de biossegurança e suas recomendações no ambiente cirúrgico.

capítulo 2 • 28
Recursos humanos do centro cirúrgico

O centro cirúrgico tem uma equipe composta de equipe médica (cirurgiões


e anestesiologistas), equipe de enfermagem, equipe de higienização, equipe de
manutenção, equipe administrativa e outros. Essa equipe deve ter paciência, des-
treza, boas condições de saúde, rapidez e agilidade. Precisa ser interessado e buscar
sempre o conhecimento teórico.
Quando se realiza um trabalho em equipe, todos os integrantes conhecem
suas responsabilidades e funções bem definidas, assim como suas competências.
Dessa forma o relacionamento da equipe torna-se mais harmonioso, e o paciente
receberá um cuidado humanizado. Pode haver conflitos e tensões, sendo que o
profissionalismo e as boas relações devem prevalecer.
Diante do exposto, vamos compreender as principais funções/atribuições/res-
ponsabilidades de cada profissional envolvido no ambiente cirúrgico.

Funções/atribuições/responsabilidades da equipe de enfermagem

•  Enfermeiro coordenador: Se ocupa de atividades relativas ao funciona-


mento da unidade, atividades técnico-administrativas, assistenciais e de adminis-
tração de pessoal.

Sobre o funcionamento da unidade:


1. Participar da elaboração de normas, rotinas e procedimentos;
2. Solicitar aquisição de novos equipamentos;
3. Elaborar escalas mensais e diárias;
4. Colaborar com a CCIH;
5. Participar de reuniões e comissões;

Ações técnico-administrativas:
1. Realizar o planejamento estratégico de enfermagem;
2. Elaborar relatório mensal;
3. Implementar programas de melhoria da qualidade do serviço;
4. Participar do planejamento de reformas e/ou construção da planta físi-
ca do setor;

capítulo 2 • 29
Atividades assistenciais:
1. Desenvolver a Sistematização da Assistência de Enfermagem
Perioperatória (SAEP) ao paciente;
2. Realizar pesquisas e implantá-las, proporcionando uma base científica
para a atuação do enfermeiro no CC;
3. Verificar o mapa cirúrgico;
4. Orientar a montagem das salas;
5. Avaliar o relacionamento interpessoal;
6. Atuar em atendimentos de emergência e coordenar tais situações;
7. Notificar possíveis ocorrências adversas.

Atividades da administração de pessoal:


1. Proporcionar pessoal suficiente para assegurar a segurança do paciente
e minimizar o risco clínico;
2. Definir o perfil do profissional a ser admitido;
3. Participar do processo de seleção e treinamento;
4. Realizar avaliação de desempenho da equipe;
5. Estimular os técnicos e auxiliares;
6. Acompanhar faltas, licenças, atrasos.

ATENÇÃO
Nos serviços que possuem o enfermeiro assistencial prestando assistência 24 horas ao
paciente, fica a critério /do enfermeiro-coordenador dividir suas atividades enquanto está na
função de coordenador, ajudar o enfermeiro assistencial.

•  Enfermeiro assistencial: Se ocupa de atividades relativas à previsão de recur-


sos de pessoal, organização da programação cirúrgica, e cuidados intra-operatórios.
1. Recepcionar o paciente no CC;
2. Checar previamente a programação cirúrgica;
3. Acompanhar o paciente até a sala cirúrgica;
4. Colaborar no ato anestésico, se necessário;
5. Realizar Sondagem vesical;
6. Conferir materiais necessários ao procedimento cirúrgico;
7. Checar resultados de exames;

capítulo 2 • 30
8. Fazer todas as anotações e evoluções de enfermagem;
9. Encaminhar o pcte para a SRPA
10. E muitas outras…

•  Atribuições do técnico de enfermagem: Se ocupa de atividades relativas


conservação e organização do ambiente cirúrgico e cuidados intra-operatórios de
complexidade intermediária.
•  Atribuições do auxiliar de enfermagem: Se ocupa de atividades relativas
conservação e organização do ambiente cirúrgico e cuidados intra-operatórios de
menor complexidade.

Funções/atribuições/responsabilidades da equipe médica

•  Equipe de anestesiologista: É composta de médicos anestesiologistas.


Função: Avaliar o paciente no pré-operatório, prescrever a medicação pré-a-
nestésica, planejar e executar a assistência pré-operatória, controlando as condi-
ções clínicas deste durante o ato anestésico. Após a cirurgia, é de sua responsabili-
dade assistir o paciente na sala de recuperação pós-anestésica.

•  Equipe cirúrgica: Compõe-se de cirurgião, cirurgião assistente e instru-


mentador cirúrgico, sendo que este último pode ou não ser médico. Em hospital
-escola, na maioria das vezes, essa função é desempenhada por estudantes.
– Cirurgião: é da competência do cirurgião planejar e executar o ato
cirúrgico, comandar e manter a ordem no campo operatório;
– Cirurgião assistente: ao primeiro assistente compete auxiliar o cirurgião
no desenvolvimento do ato cirúrgico e substituí-lo caso se faça necessário.

Em cirurgias de grande porte, torna-se indispensável a presença de um segun-


do assistente.

Funções/atribuições/responsabilidades do instrumentador cirúrgico

•  Instrumentador cirúrgico: Trata-se do indivíduo que tem a responsabi-


lidade de auxiliar de maneira pró-ativa, organizada e sistematizada o trânsito de
materiais e equipamentos à equipe de cirurgia.
Em algumas instituições o instrumentador faz parte da equipe de enfermagem.

capítulo 2 • 31
Quem pode ser? Qualquer profissional com qualificação técnica e formação
em Instrumentação Cirúrgica. Resolução COFEN-214.2008
Se ocupa de atividades relativas a previsão e organização dos materiais na Sala
de Operação, além de garantir a segurança na sua utilização.
– Verificar os materiais e equipamentos necessários ao ato cirúrgico;
– Preparar a mesa com os instrumentais e outros materiais necessários à
cirurgia;
– Fornecer materiais e instrumentais ao cirurgião e assistente, solicitan-
do-os, sempre que necessário ao circulante de sala, devendo, para isso, estar
atento aos tempos cirúrgicos;
– Ajudar na colocação dos campos operatórios;
– Observar e controlar para que nenhum instrumental permaneça no
campo operatório;
– Zelar para a manutenção da mesa, conservando limpos os instrumentais
durante o ato cirúrgico, bem como protegendo-a para evitar contaminação.

Nesta situação deve prever os materiais necessários à cirurgia, separá-los após


o uso, lavá-los e refazer a caixa de instrumentais, zelando pela conservação de
tais materiais.

Agora vamos aprender os tipos de riscos ocupacionais que os profissionais do


ambiente cirúrgico estão sujeitos
Primeiramente, gostaria que você escrevesse ao lado de cada tipo de risco,
abaixo os exemplos de atividades/produtos para cada risco.

CLASSIFICAÇÃO DOS RICOS


Físico

Químicos

Biológicos

Mecânicos/Acidentes

Psicológicos/Ergonômicos

capítulo 2 • 32
Agora vamos corrigir e entender como funciona esses riscos ocupacionais que
envolvem o recurso humano no ambiente hospitalar. Segue uma tabela seguir com
os exemplos.

RISCOS RISCOS RISCOS RISCOS RISCOS DE


FÍSICOS QUÍMICOS BIOLÓGICOS ERGONÔMICOS ACIDENTES
Esforço físico Arranjo físico
Ruídos Poeiras Vírus
intenso inadequado
Levantamento e Máquinas e
Vibrações Fumos Bactérias transporte manual equipamentos
de peso sem proteção
Ferramentas
Radiações Exigência de postu-
Névoas Protozoários inadequadas
ionizantes ra inadequada
ou defeituosas
Radiações
Controle Rígido De Iluminação
não Neblinas Fungos
Produtividade inadequada
ionizantes
Imposição de rit-
Frio Gases Parasitas Eletricidade
mos excessivos

Tabela 2.1  –  Classificação dos principais riscos ocupacionais, de acordo com a sua nature-
za e a padronização das cores correspondentes.

Logo, os profissionais que atuam no Centro Cirúrgico estão sujeitos a riscos


físicos, químicos, biológicos, ergonômico e de acidente. Para preveni-los é im-
portante usar das precauções padrão e dos equipamentos de proteção individual
(EPI). Assunto que será abordado mais adiante nesse capítulo.

LEITURA
Estresses decorrentes do ambiente cirúrgico

A percepção dos fatores como estressores depende da subjetividade de cada pessoa.


Um mesmo fenômeno vivenciado será entendido, sentido e descrito diferentemente e, do
mesmo modo, pode desencadear reações diferenciadas em cada profissional. Hoje, obser-
vamos uma carga de trabalho excessiva, um ambiente com inúmeros riscos, tudo isso pode
ocasionar um estresse, uma fadiga ou mesmo uma depressão no profissional de saúde, dei-
xando doente.

capítulo 2 • 33
Para compreender as causas e consequências no mau relacionamento da equipe e da
falta de cuidado da saúde pelos profissionais do centro cirúrgico, selecionei esse artigo para
que você possa fazer a leitura e em seguida um resumo do que compreendeu. Boa Leitura!

Estressores e sintomas de estresse vivenciados por profissionais em um


centro cirúrgico. Fonte: REME rev. min. enferm;12(1):54-63, jan.-mar. 2008. graf, tab.
Autores: Stumm, Eniva Miladi Fernandes; Botega, Daiane; Kirchner, Rosane Maria; Silva,
Luiz Anildo Anacleto da.

Atribuições do enfermeiro no controle de infecção

O enfermeiro deve ainda tomar medidas para evitar a infecção da ferida ope-
ratória, devendo supervisionar ações referentes ao paciente, aos componentes
das equipes que atuam no Centro Cirúrgico, material esterilizado, instrumentais
e equipamentos.
•  Avaliar o preparo físico realizado no pré-operatório;
•  Certificar-se da incidência da infecção de ferida operatória;
•  Exigir o uso correto da roupa privativa do Centro Cirúrgico de todos os
profissionais e pessoas que venham da área externa;
•  Controlar o número de pessoas na sala durante o ato cirúrgico, bem como
o trânsito desnecessário da mesma;
•  Acompanhar a realização dos exames médico e laboratorial periódico dos
componentes da equipe de enfermagem;
•  Preparar, acondicionar e armazenar o material esterilizado em lo-
cal apropriado;
•  Realizar testes bacteriológicos nos aparelhos de esterilização;
•  Avaliar periodicamente as condições de uso dos instrumentais
e equipamentos;
•  Fazer pesquisa bacteriológica no ambiente, bem como avaliar a qualidade
dos produtos químicos usados na limpeza e desinfecção;
•  Desenvolver trabalho conjunto com a Comissão de Controle de Infecção
Hospitalar (CCIH).

capítulo 2 • 34
Compreendendo o fluxo que o profissional segue ao iniciar sua jornada de
trabalho no ambiente cirúrgico:

Ao entrar no centro cirúrgico, o profissional irá, inicialmente, trocar de roupa


no vestiário (jamais colocar a roupa por cima, para não levar microrganismos do
ambiente externo para dentro do ambiente cirúrgico). Depois, coloca o gorro,
máscara e propé (dependendo de cada Instituição, pois seu uso não é obrigatório),
se necessário usa-se o avental descartável. Em seguida lavar as mãos com sabão
anti-séptico na pia de aço inoxidável.
A anti-sepsia é a inativação dos microrganismos impedindo sua multiplicação
numa área de tecido vivo, pode ser usado clorexidina ou iodo. Lembrar que a
lavagem cirúrgica das mãos ocorre de uma forma diferenciada, especial e poucos
minutos antes do procedimento cirúrgico, quando já está tudo preparado só espe-
rando o profissional. Remover anéis, pulseiras, relógios, alianças, brincos e colares
prender os cabelos no gorro antes de entrar no centro cirúrgico.
A lavagem cirúrgica das mãos consiste em lavar não só as mãos, mas o ante-
braço utilizando solução degermante. Escovar as unhas, friccionar os antebraços,
enxaguar abundantemente deixando escorrer das mãos para o cotovelo, secar com
compressa estéril e em seguida calçar a luva estéril.
Importante saber que o centro cirúrgico deve ser livre de contaminação
para não haver infecção hospitalar, logo, todos os cuidados de higiene devem ser
realizados.

Prevenção e controle de infecção hospitalar no ambiente cirúrgico

Antes de falar sobre a prevenção e controle da infecção é importante entender


o que é a Infecção sítio cirúrgico (ISC) para depois buscar o que pode ser feito
para evitá-la.
ISC são aquelas que ocorrem como complicação de uma cirurgia, compro-
metendo a incisão, os tecidos, os órgãos ou a cavidade manipulada, podendo ser
diagnosticada em até 30 dias após realização do procedimento ou até em um ano,
em caso de implante de prótese.

capítulo 2 • 35
Infecção sítio cirúrgico (ISC)

•  Relaciona-se com procedimentos específicos do ato cirúrgico;


•  Aumentam em 1,6 vezes as chances de internação em UTI;
•  Aumentam em 5,5 os riscos de readmissão hospitalar;
•  Aumentam em 2 vezes os riscos de morte.

Fatores que interferem na infecção de sítio cirúrgico


•  Condições do paciente;
•  Tipo de cirurgia;
•  Tempo de cirurgia;
•  Vigilância.

Fontes de transmissão de infecção sitio cirúrgico


•  Paciente;
•  Funcionários;
•  Ambiente;
•  Materiais e equipamentos.

Agentes causadores de ISC


•  Cocos Gram positivos;
•  Gram Negativos aeróbios e anaeróbios;
•  Staphylococcus aureus;
•  Staphylococcus coagulase negativo;
•  Bactérias multirresistentes.

Classificação das ISCs

INFECÇÃO DE SÍTIO Envolve a pele ou o tecido celular subcutâneo no


CIRÚRGICO SUPERFICIAL local da incisão. Ex.: Celulite pós-incisional.

INFECÇÃO DE SÍTIO Envolve estruturas profundas da parede, a fáscia e


CIRÚRGICO PROFUNDO a camada muscular. Ex.: Fasceíte pós-operatória.

INFECÇÃO DE SÍTIO Envolve qualquer parte da anatomia aberta ou ma-


CIRÚRGICO EM ÓRGÃO nipulada durante a cirurgia, com exceção de incisão
de parede. Ex.: Meningite
OU ESPAÇO/CAVIDADE

capítulo 2 • 36
PELE
INCISIONAL
SUPERFICIAL
SUBCUTÂNEO

INCISIONAL
FASCIA E MÚSCULO
PROFUNDA

ÓRGÃO E ESPAÇO ÓRGÃO/ESPAÇO

Figura 2.1  –  Essa figura anterior mostra um resumo da explicação da classificação das ISCs.

Para diagnóstico da ISC


•  Secreção Purulenta
•  Abscesso
•  Febre sem outra causa definida

Para o controle das infecções cirúrgicas é necessário identificar e intervir nos


fatores de intrínsecos e extrínsecos inerentes ao procedimento cirúrgico: condi-
ções clínicas do paciente, tempo de internação pré-operatória prolongado, banho
pré-operatório, degermação da pele, técnica de degermação das mãos (de três a
cinco minutos na primeira cirurgia do dia e de dois a três nas subsequentes, desde
que ocorra uma duração de até uma hora entre uma cirurgia e outra), duração da
cirurgia, condições ambientais da SO, número de pessoas dentro da sala, controle
de medicamentos e cuidados com a ferida operatória.

PERGUNTA
Como prevenir ISC?

CONCEITO
Biossegurança: Refere-se à aplicação e a reflexão de princípios de segurança com o
trabalhador e com o paciente, envolvidos no processo saúde-doença no contexto de uma
instituição de saúde.

capítulo 2 • 37
Precaução padrão

São medidas de proteção que devem ser tomadas por todos os profissionais
de saúde, quando prestam cuidados aos pacientes ou manuseiam artigos conta-
minados, independentemente de presença de doença transmissível comprovada.
Consistem em:
•  Lavagem das mãos antes e após contato com o paciente;
•  Uso de luvas de procedimento retirando-as após prestar assistência;
•  Lavar as mãos após a retirada das luvas;
•  Uso de avental no contato de sangue e fluídos;
•  Manuseio correto de material perfuro-cortante;
•  Manuseio correto de artigos e roupas contaminadas;
•  Descontaminação de superfícies, ambientes, artigos e equipamentos;
•  Proteção facial (máscara, óculos).

PRECAUÇÃO PADRÃO

• Higienização das mãos: lave com água e sa-


bonete ou friccione aas mãos com álcool a 70%
(se ass mãos não estiverem visivelmente sujas)
antes e após o contato com qualquer paciente,
após a remoção das luvas e após o contato com
sangue ou secreções.

• Use luvas: apenas quando houver risco de con-


tato com sangue, secreções ou membranas mu-
cosas. Calce-as imediatamente antes do contato
com o paciente e retire-as logo após o uso, higie-
nizando as mãos em seguida.

capítulo 2 • 38
PRECAUÇÃO PADRÃO

• Use óculos, máscara e/ou avental: quando


houver risco de contato de sangue ou secreções,
para proteção da mucosa dos olhos, boca, nariz,
roupa e superfícies corporais.

• Descarte: em recipientes apropriados, seringas


e agulhas, sem desconectá-las ou reencapá-las.

* Devem ser seguidas para TODOS OS PACIENTES, independente da suspeita ou não de infecções.

Precauções padrão: conjunto de práticas de prevenção de infecções – CDC.


Quais são elas?
•  Higiene das mãos;
•  Seleção de EPIs;
•  Higiene respiratória da tosse;
•  Higiene ambiental;
•  Cuidados com material, equipamentos, roupas, utensílios alimentares;
•  Segurança na administração de medicações injetáveis;
•  Prevenção de acidentes com material perfuro cortante e material biológico;
•  Evite tocar desnecessariamente as superfícies próximas ao paciente.

PERGUNTA
Antes de falarmos de limpeza, vamos conhecer os conceitos de microbiologia e a clas-
sificação dos artigos?

capítulo 2 • 39
Conjunto de meios empregados para exterminar todos os mi-
ESTERILIZAÇÃO crorganismos, inclusive os que estiverem na forma de esporos,
que é sua forma de resistência.

Conjunto de práticas e técnicas que se utiliza para evitar a


ASSEPSIA penetração de microrganismos em locais e objetos que não
contenham, ou sejam esterilizados.

Meios utilizados para destruir os microrganismos na sua forma


vegetativa – quando não são tão resistentes – presentes nos
DESINFECÇÃO artigos e objetos inanimados, mediante aplicação de agentes
desinfetantes ou germicidas.
Classificação: alto nível, nível intermediário e baixo nível.

ATENÇÃO
Lembrando que foi comentado no início do capítulo o que consiste antissepsia. Para
aprender a diferença e nunca mais confundir, saiba que a assepsia é realizada em objetos e
a antissepsia em tecido vivo (ser humano), conseguiu entender?!
Então, quando eu falo que vou fazer a limpeza no paciente, me refiro a antissepsia no pa-
ciente, mas se eu for realizar a limpeza da maca cirúrgica, usa-se o termo assepsia da mesa.

PERGUNTA
Limpeza e desinfecção ajudam a reduzir a transmissão de infecções?

•  Considerável número de estudos têm mostrado que melhorar a limpeza


e desinfecção de superfícies ambientais pode reduzir a transmissão de microrga-
nismos como C. difficile, Enterococcus vancomicina-resistente (VRE), e S. aureus
meticilina-resistente (MRSA), Acinetotobacter.
•  As superfícies carreiam um risco mínimo de transmissão direta de infecção,
mas podem contribuir para a contaminação cruzada secundária, por meio das
mãos dos profissionais de saúde e de instrumento ou produtos que poderão ser
contaminados ao entrar em contato com essas superfícies.

capítulo 2 • 40
•  As superfícies limpas e desinfetadas conseguem reduzir em cerca de 99% o
número de patógenos, enquanto as superfícies que foram apenas limpas os redu-
zem em 80%.
•  Múltiplas publicações sugerem que intervenções de desinfecção podem re-
duzir a aquisição de microrganismos associado ao cuidado em saúde.
•  Há evidências de que as superfícies contaminadas contribuem de forma
importante para a transmissão epidêmica e endêmica do C. difficile, VRE, MRSA,
A. baumannii e P. aeruginosa e à transmissão epidêmica de norovírus.

Fatores que favorecem a contaminação do ambiente

•  Mãos dos profissionais de saúde em contato com as superfícies;


•  Ausência da utilização de técnicas apropriadas pelos profissionais de saúde;
•  Manutenção de superfícies úmidas ou molhadas;
•  Manutenção de superfícies empoeiradas;
•  Condições precárias de revestimentos;
•  Manutenção de matéria orgânica sem rápida remoção.

Superfícies/acabamentos

•  Lisos;
•  Laváveis;
•  Impermeáveis;
•  Fácil higienização;
•  Resistentes ao uso de produtos químicos;
•  Resistentes ao atrito, impacto, ao deslocamento de leitos e equipamen-
tos pesados.

Limpeza: é a remoção de sujidades, mediante aplicação de energia química


e mecânica.
•  A limpeza consiste na remoção de sujidade visível – orgânica ou inorgânica
– de um artigo e, por conseguinte, na retirada de sua carga microbiana.
•  Etapa essencial e indispensável para o processamento de todos os artigos
críticos, semicríticos e não críticos.
•  Deve sempre preceder a desinfecção e esterilização.
•  Ação mecânica e soluções adequadas.

capítulo 2 • 41
•  A limpeza eficiente diminui a carga de microrganismos em 99,99%, ou seja,
reduz quatro logaritmos do teste Bioburden presente no artigo.
•  O teste de Bioburden é o número inicial de microrganismos contaminantes
presentes no produto ou artigo
•  A qualidade da água a ser empregada na limpeza e esterilização do instru-
mental cirúrgico é fator fundamental a considerar, pois representa um item crítico
em razão da variedade dos tratamentos que recebe.
•  Quando a água apresenta qualidade insatisfatória provoca:
•  Oxidação na câmara das lavadoras; mudança na coloração dos componen-
tes; oxidação do instrumental; manchas nos instrumentais.
•  Utilizar detergente que facilite a remoção da matéria orgânica sem danificar
o artigo;
•  O produto deve ser de fácil enxágue, sem deixar resíduos no instrumental;
•  Detergentes com pH<7 são indicados para remoção de matéria inorgânica
e usam água dura, enquanto os que tem pH>7 removem matéria orgânica (sangue
e gordura).

Desinfecção: é a eliminação de microrganismos na sua forma vegetativa.

•  Ácidos;
DETERGENTES QUÍMICOS •  Alcalinos;
•  Neutro.

•  Habitualmente pH neutro;
DETERGENTES ENZIMÁTICOS •  Lipase (gorduras), protease;
•  (proteínas) e amilase (carboidratos).

Na limpeza diária, merece maior atenção, a limpeza das superfícies horizontais


que tenham maior contato com as mãos do paciente e das equipes profissionais,
tais como maçanetas das portas, telefones, interruptores de luz, grades de camas,
chamada de enfermagem e outras.

capítulo 2 • 42
Limpeza terminal

O procedimento inclui a limpeza de paredes, pisos, teto, painel de gases, cam-


painha, equipamentos, todos os mobiliários como camas, colchões, macas, mesas
de cabeceira, mesas de refeição, armários, bancadas, janelas, vidros, portas, maça-
netas, peitoris, filtros e grades de ar condicionado, luminárias.

ÁREAS CRÍTICAS Semanal

ÁREAS SEMI-CRÍTICAS Quinzenal

ÁREAS NÃO-CRÍTICAS Mensal

E sempre, no local após alta hospitalar, transferências, óbitos (desocupação do


local) ou nas internações de longa duração (programada).

Limpeza de manutenção

É a limpeza em locais de grande fluxo de pessoal e de procedimentos, ou áreas


críticas, sendo realizada nos três períodos e/ou conforme necessidade;
Ex.: pronto socorro e ambulatório, devido a alta rotatividade de atendimento.

Limpeza imediata

É aquela realizada quando ocorre sujidades, principalmente de origem orgâ-


nica, química ou radioativa, com riscos de disseminação e de contaminação. Esta
limpeza limita-se à remoção imediata dessa sujidade do local onde ocorreu. A
técnica utilizada dependerá do tipo de sujidade e de seu risco de contaminação.
É a limpeza em locais de grande fluxo de pessoal e de procedimentos, ou áreas
críticas, sendo realizada nos três períodos e/ou conforme necessidade;
Ex.: pronto socorro e ambulatório, devido a alta rotatividade de atendimento.

capítulo 2 • 43
Limpeza manual úmida

•  Consiste em passar um pano umedecido numa solução com água + deter-


gente e enxugar com um pano umedecido em água limpa. Esse procedimento é
adotado em superfícies, mobiliários e equipamentos de grande porte. Em pisos, é
utilizado o mesmo procedimento com pano e rodo com cabo de alumínio;
•  O ideal seria utilizar panos de cores diferentes para a limpeza de cada
superfície.
•  É o procedimento de remoção da sujidade e dos detritos para manter em
estado de asseio os artigos.
•  Fricção com escovas e uso de soluções de limpeza.
•  Recomendações para limpeza manual: Restringir para artigos delicados
que não possam ser processados por métodos automatizados; Preferência solu-
ções enzimáticas.
•  Utilizar EPIs adequados à luva grossa de borracha antiderrapante cano lon-
go, avental impermeável, bota, gorro, protetor facial ou máscara e óculos.
•  Utilizar escovas não abrasivas e de cerdas macias.
•  Estabelecer frequência de limpeza/troca das escovas.
•  A limpeza manual consiste em três fases distintas:
– Cuba com água e detergente
– Cuba com água deionizada para enxague intermediário
– Cuba com água destilada/deionizada para enxague final.

Limpeza automatizada

É desenvolvida por meio de equipamentos (lavadora ultrassônica, esteriliza-


dora, termodesinfetadora, de descarga, pasteurizadora ou de túnel) que opera em
diferentes condições de temperatura e tempo.
•  Reduz o risco de acidentes com material biológico.
•  Padrão de limpeza e enxágue
•  Uso de EPIs adequados

capítulo 2 • 44
Tipos de equipamentos para limpeza de artigos

•  Remove sujidade por cavitação.


LAVADORA •  Método efetivo de limpeza de instrumentais cirúr-
ULTRASSÔNICA gicos, especialmente os com conformações com-
plexas e lúmens.

•  Além do ciclo de lavagem, há o ciclo de esteriliza-


LAVADORA ção rápida, pela alta temperatura.
ESTERILIZADORA •  Deve ser utilizado com reserva – matéria orgânica
pode permanecer.

•  Usa força do spray e jatos de água, associada à


ação do detergente para remoção de sujidade.
LAVADORA •  Ciclo de água fria, água+detergente, enxágue in-
TERMODESINFETADORA termediário, termodesinfecção, enxágue final com
água deionizada, secagem.

•  Limpeza e desinfecção de comadres, papagaios


LAVADORA e frascos de vidro para coleta de secreções e
DE DESCARGA excreções.

•  Equipamento destinado à limpeza e desconta-


LAVADORA minação de artigos em substituição aos produ-
PASTEURIZADORA tos químicos.
•  Falta de padronização e dificuldade de validação.

•  Remove sujidade de instrumentos mais simples.


LAVADORA Similar à lavadora de pratos.
DE TÚNEL •  Pré-lavagem, lavagem, sucessivos enxágues e
enxágue final com água quente.

LAVADORA DE •  Padronizam o processo de desinfecção e dimi-


ENDOSCÓPIOS nuem a exposição do pessoal ao desinfetante.

ATENÇÃO
A avaliação do processo de limpeza deve ser realizada por meio de controle microbioló-
gico, químico e visual.

capítulo 2 • 45
Princípios básicos na operacionalização do processo de limpeza

1. Nunca varrer superfícies à seco;


2. Utilizar sempre dois baldes de cores diferentes;
3. Separar panos para diferentes superfícies e áreas;
4. Usar luvas de borracha de cores diferentes;
5. Nunca utilizar luvas de procedimentos;
6. Utilizar produtos químicos aprovados pela Anvisa/MS
7. Movimentos de limpeza em uma única direção e sem retorno;
8. A efetividade da limpeza, baseia-se na remoção de sujidades com pano úmido
nas superfícies de pisos e mobiliários na limpeza concorrente e esfregação ou fric-
ção dos mesmos na limpeza terminal com água + detergente;
9. A limpeza começa sempre do local menos contaminado para o mais contami-
nado, ou seja, do mais limpo para o mais sujo;
10. Os funcionários devem utilizar sempre os EPIs (equipamento de proteção
individual);
11. Outros cuidados de proteção dirigem-se à manutenção da sua própria higiene
pessoal básica: banho antes e após o trabalho, manutenção de unhas aparadas,
proteção de ferimentos e lavagem das mãos;
12. Os profissionais devem estar orientados sobre os cuidados de prevenção e de
disseminação de contaminação, principalmente, relacionados ao uso de luvas.
Estas devem ser usadas durante os procedimentos de limpeza e retiradas com téc-
nica correta. No momento do trabalho, não se deve nunca tocar com luvas em
locais de uso comum (maçanetas de portas, botões de elevadores etc.).
13. Participação dos funcionários na prevenção de acidentes, nos locais de grande
movimentação (escadas, corredores etc.).

Durante a limpeza dos pisos em lugares de grande circulação de pessoas, deve-


se limpar por partes, utilizando sinalizadores e cones de restrição ao trânsito de
pessoas e carrinhos, permitindo assim uma circulação mínima e segura.

capítulo 2 • 46
Desinfetantes usados em serviços de saúde

Documentos exigidos para aquisição de desinfetantes:


•  Certificado de registro no MS/ANVISA;
•  Laudos de testes do INCQS (Instituto Nacional de Controle de Qualidade
em Saúde) da Fundação Oswaldo Cruz ou Laboratório credenciado para esse fim;
•  Laudo do produto.

Produtos de limpeza e desinfecção de superfícies em serviços de saúde

Produtos de limpeza/indicação de uso:

ÁGUA E SABÃO OU DETERGENTE Limpeza para remoção de sujidade;

ÁLCOOL 60 A 90% Desinfecção de equipamentos e superfícies;

COMPOSTOS FENÓLICOS Desinfecção de equipamentos e superfícies;

QUATERNÁRIO DE AMÔNIA Desinfecção de equipamentos e superfícies;

COMPOSTOS LIBERADORES DE Desinfecção de superfícies não metálicas;


CLORO ATIVO
OXIDANTES, ÁCIDO PERACÉTICO
(ASSOCIADO OU NÃO A Desinfecção de superfícies e equipamentos.
PERÓXIDO DE HIDROGÊNIO)

Desvantagens dos produtos de limpeza

•  Álcool: inflamável, volátil, opacifica acrílico, resseca plásticos e borrachas;


ressecamento da pele;
•  Compostos fenólicos: É tóxico, poluente ambiental.
•  Quaternário de amônia: pode ser inativado em presença de matéria orgânica.
•  Compostos liberadores de cloro ativo: instável (afetado pela luz solar),
Inativo em presença de matéria orgânica; corrosivo para metais; odor desagradá-
vel, irritabilidade nos olhos e mucosas;

capítulo 2 • 47
•  Oxidantes, Ácido peracético: é instável quando diluído, corrosivo para
metais (cobre, latão, bronze, ferro galvanizado), causa irritação para os olhos e
para o trato respiratório.

CONCEITO
•  Detergentes: São todos os produtos que contém necessariamente em sua formulação
tensoativos que tem a finalidade de limpar através de redução da tensão superficial (umec-
tação), dispersão e suspensão da sujeira.

Ex.: sabão líquido.

•  Álcool: são bactericidas, tuberculocidas, fungicidas, viruscidas, mas não esporicidas.

70%. Torna o álcool mais molhado, penetra me-


CONCENTRAÇÃO DE USO lhor, e demora um pouco mais para secar.

TEMPO DE EXPOSIÇÃO 10 min. Sob fricção. Ideal é friccionar 3 vezes.

INDICAÇÃO DE USO Desinfetante e anti-séptico.

Hipoclorito de sódio: são bactericidas, tuberculocidas, fungicidas, mas não esporicidas.

CONCENTRAÇÃO 1% em superfícies.

TEMPO DE EXPOSIÇÃO 10 min.

desinfecção de superfícies, bebedouros, caixas de


INDICAÇÃO DE USO água etc.

OBS.: é inativado em presença de matéria orgânica, é corrosivo e descolorante. Não


deve ser usado em metais e mármores.

capítulo 2 • 48
Agora entenda a classificação dos artigos.
Vão de acordo com o seu grau de risco de infecção:

•  Artigos ou produtos utilizados em procedimentos inva-


sivos com penetração em pele e mucosas adjacentes, te-
cidos subepiteliais e sistema vascular, incluindo todos os
materiais que estejam diretamente conectados com es-
CRÍTICOS sas regiões.
•  É obrigatória a esterilização de produtos críticos. (RDC
nº8/2009).
Exemplos: agulhas, campos, gazes, compressas, fios cirúr-
gicos, cateteres.

•  Entram em contato com mucosa íntegra colonizada e exi-


gem desinfecção de alto nível.
SEMICRÍTICOS Exemplos: nebulizadores, umidificadores, inaladores, en-
doscópios, espéculo vaginal entre outros.

•  Destinados ao contato com a pele íntegra e mesmo aque-


les que nem sequer contatam diretamente o paciente.
ARTIGOS NÃO •  Exigem limpeza e/ou desinfecção de baixo nível.
CRÍTICOS Exemplos: termômetro, manguitos de esfigmo, sensor do
oxímetro, comadres e outros.

ATIVIDADES
Após tantas informações novas, agora é hora de avaliar o aprendizado. Resolva as ques-
tões a seguir, lembrando que só deve olhar o gabarito quando concluir todas as questões. Em
seguida pesquisar aquelas que errou para nunca mais errá-la.

01. Que classificação recebe cada artigo a seguir?


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capítulo 2 • 49
©© PIOTR_PABIJAN | SHUTTERSTOCK.COM

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©© MILAPHOTOS | SHUTTERSTOCK.COM

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©© FABRIKASIMF | SHUTTERSTOCK.COM

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©© HUAJI | SHUTTERSTOCK.COM

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02. A unidade de centro cirúrgico é um ambiente completo, com muitas substâncias, equipa-
mentos perigosos e ambientes com agentes e fatores psicológicos que interferem direta ou
indiretamente na vida profissional e/ou do paciente. O enfermeiro perioperatório desempe-
nha um papel importante ao ajudar a manter um ambiente seguro para o paciente em cirurgia
e para os outros membros da equipe cirúrgica. A respeito das recomendações para um plano
de segurança, afirma-se:
I. Em relação à ergonomia, toda a equipe deve ser educada no uso de mecânica cor-
poral, a fim de evitar quedas e distensões comuns quando permanece em uma mesma
posição por longos períodos.

capítulo 2 • 50
II. Equipamentos de proteção individual devem ser utilizados apenas quando houver a
confirmação de doenças infectocontagiosas e exposição à radiação.
III. Os resíduos do centro cirúrgico, como os materiais cortantes descartáveis, devem
ser colocados em recipientes resistentes à perfuração com identificação do coletor de
material perfurocortante com o símbolo de infectante.
IV. Deve-se constituir um plano de segurança elétrica estabelecendo controle de in-
ventário, inspeção regular, manutenção preventiva e sistemas de aprovação de segu-
rança juntamente com a engenharia clínica.

Está(ão) CORRETA(S):
a) Apenas as assertivas I e II. d) Apenas as assertivas II e III.
b) Apenas as assertivas I, II e IV. e) Apenas as assertivas I, III e IV.
c) Apenas as assertivas II e IV.

03. Em centro cirúrgico, o enfermeiro é o profissional habilitado para gerenciar as neces-


sidades que envolvem o ato anestésico cirúrgico em todas as suas etapas. Dependendo da
organização estrutural adotada, há tanto o enfermeiro coordenador e assistencial. A respeito
das atividades de coordenação e assistência de responsabilidades do enfermeiro, avalie as
assertivas que seguem:
I. Proporcionar condições de recursos humanos para realização do ato anestésico-
cirúrgico, bem como a administração de drogas anestésicas e controlar as condições
clínicas e anestésicas do paciente durante a cirurgia.
II. Desenvolver a sistematização de assistência de enfermagem perioperatória com o
paciente e sua família.
III. Realizar avaliação pré-operatória, de acordo com as condições oferecidas pela ins-
tituição.
IV. Elaborar o plano de cuidados, supervisionar sua execução e realizar as atividades
complexas de enfermagem, desde a admissão do paciente na recuperação pós-anes-
tésica até a sua alta do centro cirúrgico.

Está(ão) CORRETA(S):
a) Apenas as assertivas I, II e III. d) Apenas as assertivas II, III e IV.
b) Apenas as assertivas II e III. e) Apenas as assertivas I e IV
c) Apenas as assertivas III e IV.

capítulo 2 • 51
04. Considerando que o momento da admissão do paciente em Centro Cirúrgico (CC) é
algo extremamente estressante para o mesmo, destaque os aspectos que colaboram positi-
vamente e negativamente nesse contexto tanto por parte da equipe de Enfermagem como
também os fatores relacionados ao ambiente em que o paciente se encontra.

05. Cite, brevemente, como o(a) enfermeiro(a) interfere direta e indiretamente no cuidado
do cliente cirúrgico.

06. Enuncie aspectos do ambiente do Centro Cirúrgico que podem tornar a estadia do pa-
ciente desconfortável tanto em relação a elementos organizacionais bem como ao compor-
tamento da equipe multiprofissional.

07. Em relação ao manuseio de material esterilizado na preparação da sala cirúrgica, rela-


cione fatores que possam colaborar para a contaminação do mesmo, colocando em risco a
segurança do paciente exposto ao procedimento cirúrgico.

08. As primeiras 24 horas após um procedimento cirúrgico exigem muita atenção por parte
da equipe de saúde no intuito de promover a recuperação do paciente e a sua estabilidade
hemodinâmica. Enuncie as principais complicações pós-operatórias e as respectivas inter-
venções de Enfermagem.

09. A qualidade da assistência de Enfermagem prestada ao paciente, tanto no período que


antecede a cirurgia quanto durante e após a realização da mesma, interfere nos resultados
do procedimento realizado. Assim, enumere fatores que colaboram para uma assistência
de qualidade.

10. O estresse tem sido considerado, nos ambientes de trabalho, fator decisivo para o bom
desempenho profissional. Na Enfermagem, especificamente no ambiente de Centro Cirúr-
gico, quais fatores você acha que contribuem para o prejuízo das relações interpessoais na
equipe multiprofissional?

capítulo 2 • 52
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
BRUNNER,L. SUDDART,D. Tratado de enfermagem médico cirúrgica. 13ªed. Rio de
Janeiro: Guanabara- Koogan, 2013.
CARVALHO, R., Bianchi ERF. Enfermagem em Centro Cirúrgico e Recuperação.
Barueri, SP. Manole, 2007.
ROTHROCK, Jane C. Alexander - Cuidados de Enfermagem ao Paciente Cirúrgico.
13ªedição. Rio de Janeiro: Elsevier, 2007.
SOCIEDADE BRASILEIRA DE ENFERMEIROS DE CENTRO CIRÚRGICO RECUPE-
RAÇÃO ANESTÉSICA E CENTRO DE MATERIAL E ESTERILIZAÇÃO - SOBECC. Práticas
recomendadas da SOBECC. 7. ed. São Paulo: SOBECC; 2017.

capítulo 2 • 53
capítulo 2 • 54
3
Sistematização
da assistência de
enfermagem no
perioperatório
Sistematização da assistência de
enfermagem no perioperatório

Olá! Seja bem-vindo a mais um capítulo desse Livro.


Agora você vai entrar em um mundo novo. Novo, porque vai conhecer a
Sistematização da Assistência de Enfermagem no Perioperatório (SAEP) e os fios
de sutura. A SAEP é o instrumento mais utilizado pela enfermagem, pois ele é
exclusivo do enfermeiro e serve para o acompanhamento do estado de saúde do
paciente na unidade cirúrgica. Vamos lá?!

OBJETIVOS
•  Conhecer o período perioperatório;
•  Diferenciar os períodos pré, intra e pós-operatórios;
•  Identificar as principais complicações relativas aos períodos cirúrgicos;
•  Determinar os cuidados de enfermagem em cada uma dessas fases;
•  Compreender os fios de sutura.

Sistematização da assistência de enfermagem no perioperatório


(SAEP)

A Enfermagem Perioperatória pode ser entendida como a assistência de enfer-


magem prestada ao indivíduo que irá se submeter a um procedimento anestésico-
cirúrgico, englobando ações de promoção da saúde e prevenção de agravos.
A enfermagem perioperatória promove um atendimento contínuo ao paciente
cirúrgico e a importância da participação do enfermeiro de centro cirúrgico em
cada fase da assistência ao paciente, oferecendo assistência especializada, indivi-
dualizada e humanizada, assegurando uma evolução tranquila do tratamento.
Os objetivos dos enfermeiros de centro cirúrgico são: reduzir a ansiedade,
aumentar a auto-estima do paciente, estabelecer interação, garantir segurança do
processo cirúrgico ao paciente, monitorizar condições fisiológicas e psicológicas,
diminuir a morbi-mortalidade, onde estas necessidades poderão ser atendidas por
meio da Sistematização da Assistência de Enfermagem Perioperatória (SAEP).

capítulo 3 • 56
A SAEP deve ser implementada por enfermeiros perioperatórios, na busca da
satisfação das necessidades da pessoa em condição cirúrgica. Com foco na satis-
fação do cliente, tal processo leva à realização de um serviço com qualidade, que
pode tornar os profissionais mais envolvidos e motivados, uma vez que é desenvol-
vido com segurança, satisfação, destreza e confiabilidade.

O que consiste o período perioperatório?

O período perioperatório corresponde ao intervalo que compreende o pré,


o trans e o pós-operatório.
O período pré-operatório é dito imediato e corresponde às 24 horas que an-
tecedem o procedimento anestésico-cirúrgico até o encaminhamento do cliente
ao CC.
O transoperatório tem início no momento da admissão do cliente no CC até
sua transferência para a Sala de Recuperação Pós-Anestésica (SRPA). O período
intraoperatório faz parte do transoperatório e compreende o início do procedi-
mento anestésico-cirúrgico até seu término.
O pós-operatório se divide em imediato, primeiras 24 horas após a interven-
ção cirúrgica, e mediato, desde o término dessas 24 horas até a alta do cliente. A
recuperação pós anestésica faz parte do pós-operatório e compreende a chegada
do cliente na SRPA até sua alta para a unidade de origem. No caso de cirurgias de
grande porte, a recuperação pós anestésica pode ocorrer em Unidades de Terapia
Intensiva (UTI), quando o paciente é então encaminhado da Sala de Operação
(SO) direto para este setor.

ATENÇÃO
Sabe-se que toda instituição de saúde (pública ou privada), onde ocorra o cuidado profis-
sional de enfermagem, deve utilizar a Sistematização da Assistência de Enfermagem (SAE).
Para a orientação do cuidado de enfermagem ao cliente adulto no período perioperatório
propuseram a utilização da Sistematização da Assistência de Enfermagem Perioperatória
(SAEP), a ser utilizada por enfermeiros baseado na assistência integral, de forma continuada,
participativa, individualizada, documentada e avaliada nos períodos pré, trans e pós-operató-
rio. Logo, deve-se aplicar a SAEP nos três períodos.

capítulo 3 • 57
Os principais objetivos da SAEP são ajudar o paciente e a família a compreenderem e
se preparar para o tratamento anestésico-cirúrgico proposto; diminuir ao máximo os riscos
decorrentes da utilização dos materiais e equipamentos necessários para o desenvolvimento
desses procedimentos; prever, prover e controlar recursos humanos; diminuir ao máximo os
riscos inerentes ao ambiente específico do CC e da SRPA.

PERGUNTAS
•  Quais os cuidados de enfermagem específicos para cada período?
•  O que deve ser abordado na SAEP para cada período?

No período pré-operatório imediato:


•  Elaborar o histórico de enfermagem;
•  Realizar o exame físico;
•  Identificar os diagnósticos de enfermagem (de);
•  Realizar as prescrições de enfermagem para o período transoperatório.

No período pré-operatório:
•  A visita pré-operatória, com a realização da entrevista na coleta dos dados
subjetivos (aqueles que são fornecidos pelo paciente) e do exame físico na obten-
ção dos dados objetivos (aqueles que são mensuráveis, pode existir provas, laudos).
O enfermeiro deve investigar queixa principal, comorbidades, cirurgias prévias,
alergias, uso de medicamentos, fumo, álcool, drogas, estado civil, religião, nível de
instrução e ocupação;
•  É necessário fazer um levantamento dos exames laboratoriais e diagnósticos
realizados como gasometria, hemograma, raio x, ultrassom, tomografia computa-
dorizada, ressonância magnética, eletroencefalograma;
•  Estimular o autocuidado;
•  Verificar as dúvidas e necessidades do paciente e familiares em relação
à cirurgia;

capítulo 3 • 58
•  Realizar as devidas orientações sobre recepção no CC, procedimentos anes-
tésico-cirúrgicos, recuperação pós anestésica e pós-operatório imediato, exercícios
respiratórios, desconfortos causados pela dor, posição e permanência no leito,
deambulação precoce, prevenção de complicações respiratórias, cardiovasculares
e lesão por pressão;
•  Atentar para jejum oral;
•  Retirada de próteses, adornos e esmalte;
•  Higiene corporal com agente antisséptico e oral prévios;
•  Tricotomia (até duas horas antes do procedimento cirúrgico, caso seja real-
mente necessária, de preferência na SO com aparelho elétrico);
•  Esvaziamento vesical e intestinal;
•  Verificar também sinais vitais, peso e altura;
•  Demarcação do local a ser operado em casos de lateralidade;
•  Administração de pré-anestésicos (sedativos, ansiolíticos, opióides, barbitú-
ricos) e antibiótico profilático conforme prescrição;
•  Solicitar a assinatura do consentimento para a realização da cirurgia;
•  Verificar e anotar o peso e a altura do paciente (alguns fármacos e medica-
mentos são calculados conforme o peso e o IMC);
•  Observar sinais de medo e ansiedade, procurando estimular o paciente a
falar sobre suas expectativas e receios.

Após finalizar a visita pré-operatória, o enfermeiro possui dados que vão sub-
sidiar seu julgamento clínico para realizar o planejamento da assistência periope-
ratória. São formulados então os DE, integrando a coleta de dados ao planeja-
mento das ações, que envolve julgamento, avaliação crítica e tomada de decisão.
Diversos DE podem ser identificados de acordo com a Taxonomia da NANDA. A
Association of periOperative Registered Nurses (AORN) aponta os DE considerados
críticos para o cliente cirúrgico: Risco de infecção e Risco de lesão por posiciona-
mento perioperatório.
Os DE considerados frequentes no cliente cirúrgico são: Risco de glicemia
instável, Risco de desequilíbrio de volume de líquido, Eliminação urinária preju-
dicada, Risco de constipação, Padrão de sono prejudicado, Deambulação preju-
dicada, Mobilidade física prejudicada, Padrão respiratório ineficaz, Risco de san-
gramento, Conhecimento deficiente, Risco de síndrome de estresse por mudança,

capítulo 3 • 59
Ansiedade, Medo, Risco de aspiração, Integridade da pele prejudicada, Risco de
queda, Risco de desequilíbrio da temperatura corporal, Conforto prejudicado,
Dor aguda e muitos outros.
A etapa de identificação dos DE promove direcionamento da assistência de
enfermagem, visão ampliada da assistência, melhora a interação enfermeiro e
cliente, possibilita a melhoria da qualidade da assistência de enfermagem, permite
o planejamento de recursos materiais e humanos e facilita a avaliação. É, portan-
to, um instrumento a ser utilizado também para o gerenciamento da assistência,
uma vez que identifica as necessidades, contribuindo na delimitação de recur-
sos assistenciais.
O período pré-operatório é finalizado com a transferência do cliente ao CC,
momento em que o enfermeiro deve atentar:
•  Para vestimenta e transporte adequados.
•  Encaminhá-lo com camisola, gorro e propé (se necessário) em cadeira de
rodas ou maca com grades elevadas coberto com lençol e cobertor (se necessário),
resguardando sua privacidade e segurança.

No período transoperatório:
•  Recepção do paciente no CC, realizada preferencialmente pelo enfermeiro;
•  Intervenções que devem ser desenvolvidas por toda a equipe de enfermagem
de acordo com a competência de cada profissional, oferecendo ao paciente apoio,
atenção, respeito às suas crenças, seus valores, aos seus medos, às suas necessidades,
intervindo com segurança, destreza e eficácia;
•  Conferir o mapa cirúrgico;
•  Receber o cliente no CC e apresentar-se;
•  Verificar identificação do cliente, estado geral, prontuário, exames laborato-
riais e de imagem, demarcação cirúrgica; confirmar jejum, alergias, doenças pré-
vias e medicações em uso; verificar sinais vitais e realizar exame físico simplificado
(nível de consciência, padrão respiratório, queixas álgicas, mobilidade, integridade
da pele, infusões, drenos, sondas, cateteres, curativos);
•  Encaminhar o cliente para a SO na maca, com as grades sempre elevadas,
quando a sala estiver equipada e a equipe completa presente;
•  A montagem da SO é imprescindível para o bom andamento do procedi-
mento anestésico-cirúrgico, normalmente realizado pelo circulante de sala;

capítulo 3 • 60
•  Antes de encaminhar o cliente para a SO, devem ser verificados limpeza da
sala, controle da temperatura (22 a 24°C) e segurança elétrica para manter técni-
ca asséptica, prever e prover materiais e equipamentos para anestesia e cirurgia e
adequar recursos humanos aos protocolos assistenciais com eficiência e eficácia;
•  Ao receber o cliente na SO, é necessário posicioná-lo de modo confortável
e seguro, manter a privacidade, aquecer e monitorizar;
•  Realizar o checklist de cirurgia segura antes da indução anestésica, antes da
incisão cirúrgica e antes da saída da sala de operação;
•  Auxiliar o anestesista durante a indução anestésica;
•  Posicionar o paciente de acordo com o procedimento cirúrgico a ser realizado;
•  Proteger a pele do paciente; realizar medidas profiláticas para trombose ve-
nosa profunda (tvp) quando indicado;
•  Se necessário realizar cateterismo gástrico ou vesical;
•  Posicionar adequadamente a placa do bisturi elétrico;
•  Controlar perdas sanguíneas, intestinais e vesicais;
•  Identificar peça anatômica e encaminhar para o serviço anatomopatológico
(se necessário);
•  Registrar todos os cuidados de enfermagem prestados;
•  Preservar a segurança física e emocional do cliente; e manter a família infor-
mada sobre o andamento da cirurgia.

No intraoperatório, inserido no transoperatório, o instrumentador deve


acompanhar com atenção os tempos cirúrgicos adequadamente (diérese, hemos-
tasia, exérese e síntese), fornecendo ao cirurgião o instrumental adequado a cada
tempo padronizado.

ATENÇÃO
Faz-se o registro da identificação do paciente e da equipe cirúrgica, horário de início e
término do procedimento, nome da cirurgia, tipo de anestesia, posição do cliente, uso de co-
xins, antissépticos utilizados na degermação e antissepsia, local da placa de bisturi, intercor-
rências, hemotransfusões, alterações hemodinâmicas, balanço hídrico, utilização de implan-
tes e próteses, passagem de cateteres, sondas, drenos, realização de curativos e acrescentar
no prontuário os indicadores multiparamétricos do material esterilizado.

capítulo 3 • 61
No período pós-operatório:
•  Com base na prescrição médica e de enfermagem, a equipe de enfermagem
presta cuidados intensivos e semi-intensivos durante a recuperação pós anestésica,
voltados à recuperação da consciência, estabilização dos sinais vitais, motilidade e
homeostase do cliente;
•  Verificar as condições clínicas do paciente (monitorização, padrão respira-
tório, nível de consciência, resposta motora, presença de dor, náuseas e vômitos);
•  Observar ocorrência de infecção do sítio cirúrgico;
•  São avaliadas também as intercorrências quanto à venóclise (acesso venoso);
•  Observadas a integridade da pele;
•  Fixação de drenos e cateteres e realização de curativos.

A prática da assistência de enfermagem sistematizada se apresenta como forma


de humanização por estabelecer uma relação terapêutica com o cliente e oferecer
mais segurança durante o período perioperatório.
Embora os enfermeiros estejam atentos à questão da humanização, estes pro-
fissionais acabam sendo direcionados ao gerenciamento e administração do bloco
cirúrgico, prejudicando o atendimento direto ao paciente e a relevância da assis-
tência de enfermagem humanizada.
A aplicação da SAEP reflete ações individualizadas, integradas, coordenadas,
planejadas, documentadas e avaliadas, de modo a proporcionar humanização e a
segurança na assistência prestada ao cliente cirúrgico.
Os impressos próprios do CC devem permitir o registro desde a recepção até
o final da cirurgia, possibilitando a identificação de outros DE e a proposição das
intervenções pertinentes. O cliente deve ser encaminhado à unidade de origem
com todas as anotações de pré, trans e pós-operatórios para garantir a continuida-
de da assistência.
No pós-operatório podem ocorrer algumas complicações, como: insuficiên-
cia respiratória, hipotensão, arritmias, dor, ansiedade, náuseas, vômitos, retenção
urinária, trombose venosa periférica. Existem os fatores que predispõem o indi-
víduo a complicações potenciais: idade, estado nutricional, obesidade, condições
pulmonares. Assim cabe a enfermagem perceber os sinais e sintomas e tomar as
providências necessárias aos cuidados com o paciente em complicação.

capítulo 3 • 62
Objetivos da SAEP

A SAEP é um processo que objetiva a promoção, manutenção e recuperação


da saúde do cliente e da comunidade, deve ser desenvolvida pelo enfermeiro com
base nos conhecimentos técnicos e científicos inerentes à profissão.
A SAEP deve ser o alicerce que sustenta as ações de enfermagem no Centro
Cirúrgico (CC), além de promover a interação da assistência nos períodos pré,
trans e pós-operatórios.
A Sistematização envolve todas as atividades desde a consulta no ambulatório
de cirurgia, a admissão do paciente no serviço de saúde até as orientações para os
cuidados em domicílio na alta hospitalar.
Os principais objetivos da SAEP são:
•  Ajudar o paciente e a família a compreenderem e a se prepararem para o
tratamento anestésico-cirúrgico proposto;
•  Prever, prover e controlar recursos humanos e materiais necessários ao ato
anestésico-cirúrgico;
•  Diminuir ao máximo os riscos decorrentes da utilização dos materiais e
equipamentos necessários para o desenvolvimento desses procedimentos;
•  Diminuir ao máximo os riscos inerentes ao ambiente específico do CC e da
sala de recuperação pós-anestésica (SRPA).

Assistência de enfermagem no pré-operatório

A fase pré-operatória do cliente pode ser considerada como um dos pontos


principais para a atuação do Enfermeiro, visto que por meio do contato inicial
pode-se fazer todo o planejamento da assistência que será prestada ao cliente. É
nesse momento que a atuação próxima, completando as informações, avaliando o
cliente e iniciando o processo de sistematização da assistência, amenizará o stress,
transmitindo confiança e segurança.

Período pré-operatório imediato

É o período de 24 horas antes do procedimento anestésico-cirúrgico, esten-


dendo-se até o encaminhamento do paciente ao CC.
Ao avaliar um paciente no pré-operatório imediato, devem-se considerar al-
guns fatores, tais como:

capítulo 3 • 63
•  Porte da cirurgia;
•  Duração do procedimento;
•  Tipo de anestesia;
•  Estado físico geral;
•  Idade;
•  Gravidade da doença cirúrgica;
•  Estado nutricional;
•  Risco no transoperatório; e
•  Possíveis complicações no pós operatório imediato (POI).

O risco cirúrgico é a reunião de todas as alterações funcionais ou orgânicas


que poderiam, de alguma forma, comprometer o resultado final da cirurgia.

Visita pré-operatória

A visita pré-operatória é uma estratégia proposta pela SAEP em que o en-


fermeiro tem a possibilidade do contato com o paciente cirúrgico e sua família
e pode, nesta interação, obter dados indispensáveis para a realização do procedi-
mento anestésico-cirúrgico.
Objetivos da visita pré-operatória:
•  Identificar, reduzir ou minimizar o nível de ansiedade do doente;
•  Promover a continuidade do cuidado de enfermagem entre a unidade de
internação e o centro cirúrgico;
•  Promover uma assistência de enfermagem individualizada;
•  Estabelecer um vínculo de comunicação entre a unidade de internação e o
centro cirúrgico;
•  Estabelecer o diagnóstico de enfermagem, formular objetivos e planejar os
cuidados para o período transoperatório;
•  Realizar uma continuidade de cuidados na unidade de internação e CC;
•  Verificar as dúvidas e necessidades do paciente e família em relação ao ato
anestésico-cirúrgico;
•  Prestar uma assistência mais qualificada ao paciente através da elaboração de
um plano de cuidados para o CC;

capítulo 3 • 64
•  Reforçar informações recebidas da equipe de saúde;
•  Ampliar as atividades do enfermeiro de CC, aproximando-o mais do pa-
ciente e do enfermeiro da unidade de internação;
•  Verificar e orientar também o preparo para o procedimento cirúrgico: ba-
nho, tricotomia, vestuário, remoção de adornos e próteses, cuidados com drenos,
sondas e cateteres;
•  Verificar se o prontuário está em ordem, exames laboratoriais e de imagem,
observar as anotações de enfermagem, prescrição de pré-anestésico, valores dos
sinais vitais.

Assistência de enfermagem no transoperatório

Recomenda-se a utilização da lista de verificação (checklist) nas três fases, cada


uma correspondendo a um momento específico no fluxo normal do procedimen-
to anestésico-cirúrgico:
•  Checar imediatamente antes da indução anestésica (sing in);
•  Checar antes da incisão na pele (time out);
•  Checar depois, porém, antes da saída do paciente da sala de operações
(sing out).

Protocolo para cirurgia segura (checklist)

A finalidade do protocolo de cirurgia segura é determinar as medidas a serem


implantadas para reduzir a ocorrência de incidentes, eventos adversos e mortalida-
de cirúrgica, possibilitando o aumento da segurança na realização de procedimen-
tos cirúrgicos, no local correto e no paciente correto.
Quanto à utilização do Checklist de Cirurgia Segura, trata-se de uma lista de
verificação elaborada pela Organização Mundial da Saúde (OMS) aplicada por
um profissional no intraoperatório. Os diversos casos identificados de erros ci-
rúrgicos ao longo da história fizeram com que a Cirurgia Segura se tornasse uma
meta global, com a necessidade do estabelecimento de normas e padronizações. O
segundo desafio global e a quarta meta, propostos pela OMS, são voltadas para a
segurança cirúrgica: “Cirurgias Seguras Salvam Vidas”.

capítulo 3 • 65
O protocolo para Cirurgia Segura deverá ser aplicado em todos os locais dos
estabelecimentos de saúde em que sejam realizados procedimentos, quer terapêu-
ticos, quer diagnósticos, que impliquem em incisão no corpo humano ou em
introdução de equipamentos endoscópios, dentro ou fora de centro cirúrgico, por
qualquer profissional de saúde.
Muitos fatores ocorrem para que um procedimento cirúrgico seja realizado de
forma segura:
•  Profissionais capacitados;
•  Ambiente;
•  Equipamentos e materiais adequados para a realização do procedimento;
•  Conformidade com a legislação vigente.

Definições

LISTA DE Lista formal utilizada para identificar, comparar e verificar um


VERIFICAÇÃO grupo de itens/procedimentos.

Demarcação de local ou locais a serem operados. Esta demar-


cação é particularmente importante em casos de lateralidade
DEMARCAÇÃO DE (distinção entre direita e esquerda), estruturas múltiplas (por
LATERALIDADE ex.: dedos das mãos e dos pés, costelas) e níveis múltiplos (por
ex.: coluna vertebral).

CONDUTOR Profissional de saúde (médico ou profissional da enferma-


gem), que esteja participando da cirurgia e seja responsável
DA LISTA DE por conduzir a aplicação da lista de verificação, de acordo com
VERIFICAÇÃO diretrizes da instituição de saúde.

Conjunto de ações realizadas pelo anestesiologista, que visa


a redução da insegurança anestésica por meio da inspeção
formal do equipamento anestésico, da checagem dos medica-
SEGURANÇA mentos e do risco anestésico do paciente antes da realização
ANESTÉSICA de cada cirurgia. Este procedimento deve seguir as orienta-
ções contidas no Manual para Cirurgia Segura da OMS, tradu-
zido pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária – ANVISA

Equipe composta por cirurgiões, anestesiologistas, profissio-


EQUIPE nais de enfermagem, técnicos e todos os profissionais envol-
CIRÚRGICA vidos na cirurgia.

capítulo 3 • 66
CHECKLIST DA CAMPANHA DE CIRURGIA SEGURA - OMS
ANTES DE O
ANTES DA INDUÇÃO ANTES DA INCISÃO PACIENTE SAIR
ANESTÉSICA CIRÚRGICA DA SALA DE
OPERAÇÕES
Paciente confirmou Confirmar que todos os O profissional da
membros da equipe se apresen- equipe de enferma-
•  Identidade
taram pelo nome e função gem ou da equipe
•  Local da cirurgia médica confirma
Cirurgião, anestesiologista e
•  Procedimento a equipe de enfermagem confir- verbalmente com
•  Consentimento mam verbalmente: a equipe:
Nome do procedi-
Sítio cirúrgico do lado •  Identificação do paciente
mento realizado
correto/não se aplica •  Sítio cirúrgico A contagem de
Checagem do equipamen- •  Procedimento compressas, instru-
to anestésico OK Eventos críticos previstos mentos e agulhas
Oxímetro de pulso instala- Revisão do cirurgião: quais está correta (ou não
do e funcionando são as etapas críticas ou inespe- se aplica)
Paciente tem algum aler- radas, duração da operação, perda Biópsias estão
gia conhecida? sanguínea prevista? identificadas e com o
Não Revisão da equipe de nome do paciente
Sim ___________________ anestesiologia: há alguma Houve algum
preocupação específica em relação problema com equi-
Via aérea difícil/risco
ao paciente? pamento que deve
de aspiração?
Revisão da equipe de enfer- ser resolvido
Não
magem: os materiais necessários (ex. O cirurgião, o
Sim, e equipamento/assis-
Instrumentais, próteses) estão presen- anestesista e a enfer-
tência disponíveis
tes e dentro do prazo de esterilização, magem analisam os
Risco de perda sanguínea > incluindo resultados do indicador? Há pontos mais importan-
500 ml questões relacionadas a equipamen- tes na recuperação
(7 Ml/kg em crianças)? tos ou quaisquer preocupações? pós-anestésica e
Não O antibiótico profilático foi dado pós-operatória desse
Sim, e acesso endoveno- nos últimos 60 minutos? paciente
so adequado Sim
E planejamento para fluidos Não se aplica
Exames de imagem es-
tão disponíveis?
Sim
Não se aplica

Tabela 3.1  –  Checklist da Campaha de Cirurgia Segura - OMS

capítulo 3 • 67
10 Objetivos da cirurgia segura:

1. Operar o paciente correto no local correto


2. Usar métodos conhecidos para prevenção de dano pela administração
de anestésicos e ao mesmo tempo impedir que o paciente sinta dor
3. Preparar-se para risco no manuseio de vias aéreas ou perda da função
respiratória
4. Preparar-se para grande perda sanguínea
5. Evitar indução de reações alérgicas ou efeitos adversos
6. Diminuir os riscos de infecção do sítio cirúrgico
7. Prevenir o esquecimento de instrumental, gazes ou compressas
8. Identificar todos os procedimentos cirúrgicos realizados
9. Comunicação efetiva para condução segura da operação
10. Rotina de vigilância da capacidade cirúrgica e seus resultados

Assistência de enfermagem no pós-peratório

Esta fase compreende todo o período após a realização do procedimento anes-


tésico-cirúrgico, que se subdivide em três momentos:

RECUPERAÇÃO Compreende desde a chegada do paciente na SRPA até a


PÓS-ANESTÉSICA sua alta para a unidade de origem.

PÓS-OPERATÓRIO Compreende as primeiras 24 horas após a intervenção


IMEDIATO anestésico-cirúrgica.

Inicia-se após as primeiras 24 horas que se seguem à ci-


PÓS-OPERATÓRIO rurgia e estende-se até a alta do paciente ou mesmo após
MEDIATO seu retorno ao domicílio.

ATENÇÃO
O tempo dessa etapa é variável, a depender do procedimento ao qual o paciente
foi submetido.
Nesta fase, o enfermeiro, juntamente com a equipe médica, deverá avaliar a complexida-
de do procedimento anestésico-cirúrgico realizado e implementar o plano de cuidados para
pacientes internados até que recebam alta.

capítulo 3 • 68
Agora que você já aprendeu tudo sobre SAEP, vamos estudar os fios de sutura
Hoje existe uma grande variedade de fios, porém no centro cirúrgico precisa-
mos conhecer os principais:
Os fios de sutura podem ser classificados em diferentes grupos.

CLASSIFICAÇÃO DOS FIOS


Categute simples e cremado

MONOFILAMENTARES Seda

Aço inoxidável

Polipropileno
QUANTO A ESTRUTURA

Colágeno

Polidioxanone

Algodão
MULTIFILAMENTARES

Seda

Nylon

Dacron

Aço inoxidável

Ácido poliglicólico

Poligactina revestido

CLASSIFICAÇÃO DOS FIOS


QUANTO AO CALIBRE
Maior diâmetro:
Ç ...3-2-1-0-2.0-3.0-4.0
Menor diâmetros:
È 5.0-6.0-7.0-8.0-9.0-10.0...

Diâmetro

Å Menor diâmetro Maior diâmetro Æ


3 - 2 - 1 - 0 - 2.0 - 3.0 - 4.0 - 5.0 - 6.0 - 7.0 - 8.0 - 9.0 - 10.0 - 11.0 - 12.0

capítulo 3 • 69
Os fios podem ser:

ABSORVÍVEIS Biológicos e sintéticos.

NÃO ABSORVÍVEIS Animal, Vegetal, Mineral e sintético .

•  Absorvíveis: são aqueles que perdem gradualmente sua resistência à tração


até serem fagocitados ou hidrolisados. Eles podem ser de origem animal (catgut
simples - É feito de intestinos de carneiro ou boi, não submetido a tratamento
específico e cromado - Fio tratado com solução crômico tânico ou outro sal, resis-
tindo a digestão das enzimas por períodos mais variáveis) ou sintéticos multi ou
monofilamentares (poliglactina, poliglecaprone e polidioxanona).
– São fagocitados, hidrolisados, degradados e assimilados pelo tecido em
que são implantados;
– Os de origem animal são fagocitados por meio de atividade enzimática
durante o processo de cicatrização;
– Os de origem sintética são hidrolisados quando da reação com as mo-
léculas de água dos líquidos corporais, que se degradam e são assimiladas
pelos tecidos em cicatrização;
– Eles são divididos em dois grupos: sintéticos e biológico;
– Fios cirúrgicos absorvíveis sintéticos: Ácido poliglicólico – fio multifila-
mentar com excelente maleabilidade e tem sido empregado em larga escala
como substituto dos fios de absorção lenta e dos inabsorvíveis. O ácido
poliglicólico é um material sintético obtido por meio de polimerização do
ácido glicólico, de fácil manuseio, forte, flexível e de boa tolerância. São
utilizados em anastomoses gastrointestinais, cirurgias ginecológicas, cirur-
gia geral e operações urológicas.

•  Não absorvíveis: são aqueles que se mantêm no tecido onde foram im-
plantados. Podem ser de origem animal (seda), mineral (aço), vegetal (algodão ou
linho) ou sintéticos (poliamida, poliéster, polipropileno).

Existem também os fios de aço: Fio de sutura cirúrgico em aço inoxidável


316L, não absorvível, estéril de construção monofilamentar. Apresentação em em-
balagens individuais esterilizadas por radiação gama.

capítulo 3 • 70
É importante saber que os fios de sutura possuem tamanhos e curvaturas di-
ferentes nos padrões de agulhas, estas podem ser: circulares, cortantes, retas
ou curvas.
Os fios possuem numeração de identificação que vão desde o 0 ao 10-0, quan-
to maior o nº, menor a espessura, portanto mais fino.
Após aprender que existem diferentes tipos e classes de fios, fica a dúvida:

PERGUNTA
Qual fio usar?

A escolha do fio cirúrgico para cada situação, depende das características fí-
sicas e biológicas de cada fio da tensão da linha de sutura, do tempo necessário
para a cicatrização, das restrições de escolhas devido ao custo, além da experiência,
gosto pessoal e bom senso do cirurgião.
É um material caro e deve ser escolhido corretamente antes de abrir o envelo-
pe, quanto ao tipo, calibre e o comprimento necessário.
Antes de escolher um fio, olhar se ele tem essas características:
•  Resistência;
•  Calibre fino e regular;
•  Flexível e pouco elástico;
•  Pouca reação tecidual;
•  Esterilização fácil e repetida;
•  Pouco custo.

PARA QUE SERVEM Para realizar a sutura, que é a aproximação das estru-
OS FIOS? turas teciduais.

O mais breve possível, logo que a cicatriz adquira resis-


E QUANDO OS FIOS tência. Em média em incisões pequenas (4 cm) a retira-
SÃO RETIRADOS? da ocorre por volta do quarto dia e se for mais extensa
ou nas articulações por volta do décimo dia.

capítulo 3 • 71
ATIVIDADES
01. Vamos exercitar o aprendizado sobre SAEP. O resumo a seguir possui lacunas que pre-
cisam ser preenchidas por você.
A enfermagem peri-operatória envolve 1.________ fases: pré-operatória, intra-operatória
(ou trans-operatória) e 2._______________________. Cada fase tem um início e término bem
delimitado na sequência de eventos que constitui a cirurgia. Nelas a enfermagem desempe-
nha suas atividades usando o processo de enfermagem e a base da prática.
O enfermeiro realiza a educação pré-operatória do paciente. Inicialmente, realiza-se a
avaliação pré-operatória que envolve: histórico, exame físico (utilizando os 4 métodos prope-
dêuticos: inspeção, palpação, percussão e ausculta), 3. ___________ (FC, FR, PA, Tempera-
tura, dor), exames laboratoriais e radiológicos, avaliação do estado nutricional e do estado de
hidratação, informar aos pacientes sobre a medicação pré-anestésica, analgésicos, equipa-
mentos a serem utilizados, sensações que venha a sentir e rotinas hospitalares.
Segundo passo será a realização do preparo imediato do paciente para a cirurgia: hi-
giene rigorosa, 4._______________________ , esvaziamento da bexiga e dos intestinos,
5._______________________, retirar próteses, joias, colocar a vestimenta apropriada, admi-
nistrar medicação se necessária e por fim encaminhar o paciente para o centro cirúrgico com
as devidas anotações de enfermagem e os exames.
Dessa forma, o pré-operatório se inicia com a decisão da intervenção cirúrgica e termina
6.____________________________________________________. Iniciando o período intra
-operatório (ou trans-operatório) o mesmo só termina quando 7._______________________
_________________________________.
São atividades de enfermagem no período intra-operatório: receber cordialmente o pa-
ciente, 8. _______________________________ e procedimento cirúrgico a ser realizado,
fornecer segurança ao cliente, manutenção de um ambiente asséptico, garantia do funcio-
namento apropriado dos equipamentos, elaboração dos registros de forma apropriada, apoio
emocional ao paciente, atuar como circulante ou instrumentador se necessário.
O período pós-operatório se inicia 9. __________________________________ e termina
com a avaliação do seguimento na unidade clínica ou no domicílio. No pós- operatório ime-
diato o enfermeiro deve: avaliar a permeabilidade das vias aéreas, os sinais vitais, o sistema
nervoso e mental, verificar as drogas usadas no trans-operatório, inspecionar sítio cirúrgico,
10. ________________________________, manter paciente seguro no leito, chegar tipo de
cirurgia, anestesia, nome do cirurgião e anestesista, realizar todas as anotações necessárias
no prontuário.

capítulo 3 • 72
02. Entende-se que o paciente cirúrgico passa por diferentes períodos. Defina cada um
desses períodos.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
BRUNNER,L. SUDDART,D. Tratado de enfermagem médico cirúrgica. 13ªed. Rio de Janeiro:
Guanabara- Koogan, 2013.
CARVALHO, R., Bianchi ERF. Enfermagem em Centro Cirúrgico e Recuperação. Barueri, SP.
Manole, 2007.
ROTHROCK, Jane C. Alexander - Cuidados de Enfermagem ao Paciente Cirúrgico. 13ªedição. Rio
de Janeiro: Elsevier, 2007.
SOCIEDADE BRASILEIRA DE ENFERMEIROS DE CENTRO CIRÚRGICO RECUPERAÇÃO
ANESTÉSICA E CENTRO DE MATERIAL E ESTERILIZAÇÃO - SOBECC. Práticas recomendadas da
SOBECC. 7. ed. São Paulo: SOBECC; 2017.
<https://www.portaleducacao.com.br/conteudo/artigos/enfermagem/classificacao-dos-fios-
cirurgicos/23160>.
<https://laborimportshop.com.br/blog/hospitalar/fios-de-sutura-e-suas-indicacoesfios e suturas -
HU/USP www.hu.usp.br/wp-content/uploads/sites/74/2016/03/2.pdf>.

capítulo 3 • 73
capítulo 3 • 74
4
Anestesia e sala de
recuperação pós
anestésica
Anestesia e sala de recuperação pós anestésica
Olá, Pessoal!
Estamos, mais uma vez, aqui reunidos para falar de um assunto que requer
uma enorme participação do enfermeiro na assistência ao paciente. Iremos abor-
dar a Anestesia e suas implicações para a Assistência de Enfermagem, assim como
o cuidado de enfermagem na Sala de Recuperação Pós Anestésica (SRPA).
Esses dois temas possuem várias subdivisões que iremos tratar durante todo
esse capítulo, desde a estrutura física, complicações cirúrgicas, curativos, drenos,
tipos de anestesias e por aí vai. Venha se deliciar na leitura e estudo desse capítulo.

OBJETIVOS
•  Conhecer o histórico da evolução anestésica;
•  Diferenciar os termos sedação, analgesia e anestesia;
•  Conhecer os tipos de anestesia;
•  Identificar os cuidados e as complicações associadas às anestesias;
•  Aprender sobre a Assistência de Enfermagem no pós-operatório;
•  Compreender a estrutura e funcionamento da Sala de Recuperação Pós-anestésica (SRPA).

A anestesia e suas implicações para a assistência de enfermagem

Histórico da evolução anestésica

Anestesia é um assunto abordado em diferentes setores, não sendo exclusi-


vo do centro cirúrgico e tampouco do anestesiologista, como visto nos exemplos
a seguir: dentista o realiza em seu consultório, médicos fazem no ambulatório,
obstetras e enfermeiros obstetras realizam em sala de parto. Visto que esse ato
de anestesiar é bem mais complexo do que pode imaginar, para compreendê-lo
vamos estudá-lo desde o início.

capítulo 4 • 76
Anestesia é uma palavra de origem grega que se origina das expressões na (pri-
vação) e aísthesis (sensação), significando, semanticamente, perda total ou parcial
da sensibilidade, sobretudo da tátil. Implica a ausência de dor e outras sensa-
ções para a realização tanto de cirurgias, quanto de procedimentos terapêuticos
e diagnósticos.
O primeiro relato sobre a Anestesia data do século I d.C., em que a man-
drágora (propriedades tóxicas e medicinais: afrodisíaca, alucinógena, analgésica
e narcótica) era citada como uma planta que, preparada com vinho e fervida,
poderia produzir anestesia. Do século IX ao XII foi usada uma esponja preparada
com folhas de mandrágora, papoulas e outras ervas, e que era colocada sob o nariz
do paciente.
O éter, que desde o século XIV era pesquisado, foi utilizado pela primeira
vez em 1846 para administração de uma anestesia em um paciente submetido a
uma ressecção cirúrgica. Desde então, diversas drogas e tipos de anestesia foram
descobertos e desenvolvidos, sempre com o objetivo de promover o alívio da dor.
O clorofórmio e o óxido nitroso eram administrados através de máscaras e bolsas.
Em 1899 foi realizada a primeira anestesia subaracnóidea, e ao longo do século XX
desenvolveram-se aparelhos de anestesia, anestésicos inalatórios e endovenosos.
A anestesiologia é a especialidade médica que estuda e proporciona ausência
ou alívio da dor e outras sensações ao paciente. Considera-se que o procedimento
anestésico inclui a avaliação pré-anestésica, a anestesia propriamente dita, o perío-
do de recuperação da anestesia, bem como a analgesia pós-operatória.

Objetivos relacionados ao ato anestésico

•  Suprimir a sensibilidade dolorosa do paciente durante todo o procedimento


cirúrgico, mantendo ou não a sua consciência;
•  Promover relaxamento muscular;
•  Proporcionar condições ideais de atuação para os médicos-cirurgiões.

Classificação do estado físico do paciente cirúrgico, segundo a American


Society of Anesthesiologists (ASA):

•  Classe I: paciente saudável;


•  Classe II: paciente com doença sistêmica leve;
•  Classe III: paciente com doença sistêmica grave;

capítulo 4 • 77
•  Classe IV: paciente com doença sistêmica grave, com ameaça constante à vida;
•  Classe V: paciente moribundo que não sobreviverá sem a cirurgia;
•  Classe VI: paciente com morte cerebral cujos órgãos estão sendo removidos
para doação;
•  Classe E: paciente que requer cirurgia de emergência.

ATENÇÃO
Quem realiza essa classificação é o anestesiologista, mas o enfermeiro precisa saber
interpretá-la para conhecer o paciente que está sob seus cuidados. Por exemplo: um pacien-
te que chegou com ASA IV, mostra que devemos ter atenção redobrada e intensa a esse
paciente por ter uma ameaça constante à vida.

Tipos de anestesia

A anestesia é um procedimento que visa bloquear temporariamente a capa-


cidade do cérebro de reconhecer um estímulo doloroso; é o estado de total ou
parcial da ausência da sensibilidade. Implica na ausência de dor e outras sensações
durante uma operação, exame, diagnóstico ou curativo; graças à anestesia, os mé-
dicos são capazes de realizar cirurgias e outros procedimentos invasivos sem que o
paciente sinta dor.
Existem diferentes tipos de anestesia, o profissional precisa escolher aquela
que mais se adequa a situação do paciente, levando em conta alguns fatores.
Fatores que determinam a escolha do tipo de anestesia
•  Condições fisiológicas, mentais e psicológicas do paciente;
•  Doenças preexistentes;
•  Tipo e duração do procedimento cirúrgico;
•  Posição do paciente para a realização da cirurgia;
•  Exigências particulares do cirurgião;
•  Recuperação pós-operatória;
•  Manuseio da dor no período pós-operatório.

capítulo 4 • 78
Entenda a diferença de sedação, analgesia e anestesia.

As anestesias são classificadas, quanto ao tipo, em:

Inalatória, venosa total e balanceada (inalatória e ve-


ANESTESIA GERAL nosa total);

ANESTESIA REGIONAL Peridural, raquidiana e bloqueio de plexos nervosos;

ANESTESIA COMBINADA Geral e regional;

Injeção de lidocaína na pele e nos tecidos


ANESTESIA LOCAL subcutâneos.
©© CHANAWIT | SHUTTERSTOCK.COM

Figura 4.1  –  Anestesia Regional.


©© SFAM_PHOTO | SHUTTERSTOCK.COM

Figura 4.2  –  Anestesia Inalatória. .

capítulo 4 • 79
O enfermeiro tem função primordial nos cuidados e acompanhamento anes-
tésico, no auxílio do ato anestésico e na recuperação pós-anestésica, dentre as ati-
vidades de enfermagem a Monitorização perioperatória e dos equipamentos deve
ser feita criteriosamente pelos profissionais.
Durante todo o processo anestésico, deve haver uma monitoração contínua
das condições do paciente. Essa monitoração depende de:
•  Condições fisiológicas e estabilidade do indivíduo;
•  Cirurgia programada, com potencial para causar alterações bruscas nas fun-
ções cardiopulmonares;
•  Extensão da perda sanguínea e deslocamento de líquidos;
•  Tipos de anestesia (geral ou regional).

O nome do aparelho ou equipamento de anestesia é sistema de adminis-


tração de anestesia, cuja finalidade é suprir uma mistura de gases anestésicos e
promover a sustentação da vida do indivíduo anestesiado com segurança. Sendo
que vocês podem ver as pessoas se referindo a esse aparelho como “carrinho de
anestesia”, terminologia mais utilizada no dia a dia do centro cirúrgico.
As funções básicas do aparelho de anestesia são:
•  Prover oxigênio (O2) ao paciente;
•  Remover gás carbônico/dióxido de carbono (CO2);
•  Fornecer e quantificar o volume de gases (O2, óxido nitroso, ar comprimido);
•  Fornecer vapor anestésico;
•  Facilitar/promover a ventilação adequada do paciente.

O sistema integrado de anestesia permite a monitoração constante e simultâ-


nea dos seguintes parâmetros:
•  Taxa de fluxo de gases;
•  Concentração do agente volátil liberada;
•  Fração de O2 inspirada e expirada;
•  Pressão parcial de CO2 inspirado e expirado;
•  Volume corrente;
•  Volume minuto;
•  Frequência respiratória do ventilador;
•  Pressões inspiratória e expiratória;
•  Pressão nas vias aéreas;

capítulo 4 • 80
•  Pressão das fontes de gases.

Imagino que nesse momento você deve estar se perguntando sobre o significa-
do desses termos anteriores, realmente eles são difíceis de compreender e precisaria
de um capítulo para cada item, pois a explicação deles requer abordagem sobre
fisiologia, anatomia, farmacologia, farmacodinâmica e outros.
•  O exercício será pesquisar e estudar cada um desses itens anteriores.

Permite, ainda, a verificação dos parâmetros vitais do paciente, incluindo:


•  Emissão de traçado eletrocardiográfico (ECG);
•  Verificação dos valores de pressão arterial não invasiva;
•  Frequência cardíaca;
•  Temperatura corpórea;
•  Saturação de O2.

Esse equipamento dispara alarmes de segurança relacionados à baixa do aporte


pressórico dos gases fornecidos e às alterações dos parâmetros vitais do paciente.
Lembrando que cada máquina difere da outra dependendo do seu fornece-
dor/marca, mas no geral eles são bem parecidos. A seguir tem a figura de um tipo
de equipamento:
©© PRO3DARTT | SHUTTERSTOCK.COM

Figura 4.3  – 

capítulo 4 • 81
Visita pré-anestésica

A avaliação pré-anestésica ideal deve ser realizada antes da internação, em am-


bulatório, como uma consulta comum. Nela o profissional pode fazer: Revisão
do prontuário do paciente; anamnese: história clínica, anestesias prévias, medica-
mentos em uso; aspectos do exame físico de importância e/ou risco durante o ato
anestésico-cirúrgico; exames de laboratório e/ou consultas especializadas e outros.
O propósito principal da avaliação pré-operatória é reduzir a morbimortalida-
de do paciente cirúrgico. São também objetivos inerentes, minimizar a ansiedade
pré-operatória, diminuir o custo do atendimento perioperatório e possibilitar ao
paciente a recuperação de suas funções em um ritmo adequado.
Essa consulta é feita por um médico anestesista e tem como objetivo avaliar as
condições clínicas do paciente, esclarecer dúvidas, recomendar preparos especiais,
além de planejar a técnica mais adequada e segura visando reduzir o risco de com-
plicações no procedimento cirúrgico.

Medicações pré-anestésicas

A medicação pré-anestésica é indicada e prescrita de acordo com o paciente,


suas condições clínicas, sua idade e o tipo de procedimento que será realizado.
A finalidade dessa medicação é diminuir a ansiedade do paciente e, conse-
quentemente, evitar níveis pressóricos elevados, possibilidade de angina e crises de
broncoespasmos no momento do procedimento anestésico.
Lembrando que a medicação pré-anestésica não precisa ser realizada em todos
os procedimentos cirúrgicos, o médico irá analisar a necessidade da mesma.
A maioria dos procedimentos cirúrgicos requer:
•  Inconsciência (hipnose);
•  Analgesia (ausência de dor);
•  Amnésia (perda temporária da memória);
•  Relaxamento neuromuscular;
•  Boa exposição visceral;
•  Controle respiratório;
•  Controle dos reflexos autonômicos;
•  Bloqueio da condução dos impulsos em tecidos nervosos.

capítulo 4 • 82
Não existe um único fármaco capaz de produzir todos os efeitos desejados, por isso
o anestesiologista utiliza uma associação de diversos medicamentos, que podem ser
administrados desde o período pré-operatório, como medicação pré-anestésica, até o
pós-operatório, como analgésico.

Assistência de Enfermagem durante o processo anestésico

Como foi falado no início do capítulo, o enfermeiro participa do processo


anestésico de diferentes formas, sua atuação no procedimento anestésico é essen-
cial para o planejamento e a organização de materiais e equipamentos, trabalho
conjunto com o anestesiologista durante a anestesia, e também para o acompa-
nhamento do paciente ao término do procedimento anestésico-cirúrgico.
No Brasil, o procedimento anestésico é privativo do médico anestesiologista,
diferente do que ocorre em países como Estados Unidos e alguns da Europa, nos
quais o enfermeiro tem a possibilidade de realizar um curso de especialização e
obter a certificação para o exercício da anestesia como profissional independente,
ou supervisionado por um médico anestesiologista.
A passagem de sondas, manuseio e preparo de materiais e equipamentos, mo-
nitorização e por todo o acompanhamento ao paciente que compreende a atenção
pré, trans e pós-operatória, estão sob sua responsabilidade.

Controle da dor

A dor é uma sensação ou experiência emocional desagradável, sendo pessoal,


cada ser humano possui um limiar de dor diferente. A dor impõe limitações no
estilo de vida, particularmente na mobilidade, paciência, podendo ser interpreta-
da como um “saldo” da doença que progride. O controle da dor deve ser baseado
em avaliação cuidadosa com elucidação das possíveis causas e dos efeitos deste
sintoma na vida do paciente, investigando fatores psicossociais que possam estar
influenciando e seu impacto, no paciente.
Quando o paciente se queixa de dor é judicioso acreditar nele. A dor é sub-
jetiva e o seu limiar é imensurável. É importante um cuidadoso exame, antes de
medicá-lo com analgésicos.
As dificuldades em identificar e tratar a dor pelos profissionais de saúde:
•  Condição do paciente;
•  Impossibilidade para referir e/ou comunicar;

capítulo 4 • 83
•  Restrições impostas pelos métodos terapêuticos;
•  Falta de valorização da dor;
•  Tratamento precoce da dor sem avaliação da patologia causal pode predis-
por a um risco para o paciente;
•  Falta de capacitação do profissional;
•  Falta de conhecimento dos instrumentos de avaliação da dor.

Complicações anestésicas

Sabe-se que existem complicações para todos os tipos de intervenções, sendo


que ao utilizar anestésicos e cuidar do paciente cirúrgico, se faz necessário o co-
nhecimento dessas possíveis complicações.
•  Em relação a anestesia local:
– Reações tóxicas locais;
– Reações tóxicas sistêmicas;
– Reações graves (se as reações tóxicas não forem atendidas rapidamen-
te): hipotensão, bradicardia, arritmia, sudorese, palidez, ansiedade, tontura,
convulsões, depressão respiratória e parada cardíaca.
•  Em relação a anestesia geral:
– Sedação insuficiente
– Complicações respiratórias: hipóxia, broncoespasmo, aspiração do
conteúdo gástrico (Síndrome de Mendelson), apneia;
– Complicações cardiovasculares: bradicardias, arritmias, hipotensão,
hipertensão, embolia, parada cardíaca;
– Complicações neurológicas: anóxia cerebral, cefaleia, convulsões;
– Complicações digestivas: parada da motilidade intestinal, insuficiên-
cia hepática;
– Hipertermia maligna: é uma desordem farmacogenética potencial-
mente fatal. Durante a crise, os anestésicos inalatórios, os relaxantes muscu-
lares (succinilcolina) são os gatilhos para desencadear um imenso acúmulo
de cálcio (Ca2+) no mioplasma, o que leva a uma aceleração do metabolis-
mo e atividade contrátil do músculo esquelético. Esse estado hipermetabó-
lico gera calor e leva à hipoxemia, acidose metabólica, rabdomiólise (lesão
muscular) e um rápido aumento da temperatura corporal, que pode ser
fatal se não reconhecida e tratada precocemente.

capítulo 4 • 84
•  Em relação a raquianestesia:
– Cefaleia pós-raquianestesia (a mais comum): Acontece devido o ex-
travasamento do líquor;
– Retenção urinária;
– Hipotensão por bloqueio de nervos simpáticos;
– Lesão das raízes nervosas;
– Hematoma espinhal;
– Meningites sépticas: decorrente da contaminação do líquor por ger-
mes patogênicos;
– Meningites assépticas: decorrente da irritação meníngea;
– Síndrome da calda equina: disfunção vesical e intestinal, perda da
sensibilidade do períneo e fraqueza de membros inferiores decorrentes do
trauma das raízes nervosas, isquemia, infecção ou reações neurológicas.

•  Em relação a anestesia peridural:


– Cefaleia por punção subaracnóidea acidental;
– Retenção urinária;
– Hipotensão e bradicardia por bloqueio de nervos simpáticos;
– Abscesso epidural: por infecção local;
– Hematoma peridural;
– Dor lombar.

•  Em relação ao bloqueio de nervos periféricos:


– Lesões de plexo;
– Hematomas.

Assistência de Enfermagem no pós-operatório

A Sala de Recuperação Pós-anestésica (SRPA) é uma das unidades mais com-


plexas da instituição hospitalar, em decorrência de seus inúmeros processos e
subprocessos ligados, direta ou indiretamente, à realização das cirurgias. O pós
-operatório inicia-se no pós-operatório imediato, nos quais o paciente está se re-
cuperando dos efeitos anestésicos.
No Brasil, somente em 1994, ficou determinada a obrigatoriedade da exis-
tência de SRPA para atender, no mínimo, dois pacientes simultaneamente, com

capítulo 4 • 85
dimensão mínima – 6m2 – para permitir adequada distribuição dos equipamentos
e mobilidade dos profissionais.
Pertence à planta física da Unidade de Centro Cirúrgico (UCC), onde permite
acompanhamento clínico especializado e intervenção imediata quando necessária.
Abaixo vamos estudar a estrutura física da SRPA

Material resistente, não poroso e livre de frestas; resistentes


PISO à lavagens e uso de produtos químicos, como desinfetantes;

Cor neutra, suave e fosca para evitar emissão de reflexos lumi-


PAREDES nosos, fadiga visual e cansaço, além de permitir identificação
de alterações na coloração da pele;

Não deve ter exposição de fios e tubulações (dificulta a


TETO limpeza do teto e acumula resíduos e partículas) e; permitir
manutenção;

PORTAS “De correr” e largas para passagem de macas e aparelhos;

Lâmpadas devem ser fluorescentes e incandescentes para


minimizar a fadiga visual; deve permitir a correta avaliação de
ILUMINAÇÃO coloração da pele e avaliação geral; permitir o preparo de me-
dicações e realização de registros em prontuários;

VENTILAÇÃO, Entradas de ar deve estar localizada e afastada do chão e


saídas, partes inferiores das paredes e permitir fluxo unidire-
TEMPERATURA E cional; Regulação do ar-condicionado de forma independente;
UMIDADE Temperatura de 20 - 24°C;

Tomadas elétricas devem estar situadas a 1,5m do chão, no


SISTEMA intuito de evitar riscos de explosão e acidentes; Sistema de
ELÉTRICO voltagem de 110 e 220 volts e com regulação independente;

Igual ao número de salas de cirurgia mais um; A distância en-


tre os leitos deve ser 0,8m; A distância entre leitos e paredes
NÚMERO DE (exceto a cabeceira) deve ser 0,6m, com espaços suficientes
LEITOS para manobras; Leitos móveis, com freios nas rodas, grades
laterais e dispostas à visualização do paciente por qualquer
ângulo.

Figura 4.4  – 

capítulo 4 • 86
A Enfermagem no pós-operatório tem inúmeras atividades, dentre elas:
•  Proporcionar cuidado até que o paciente tenha se recuperado dos efeitos
da anestesia;
•  Acompanhar o paciente para retomar as funções motoras e sensoriais e es-
teja orientado;
•  Checar nenhuma evidência de hemorragia, náusea ou vômitos;
•  Orientar movimentação precoce, contudo depende do tipo e da extensão
da cirurgia;
•  Realizar mudança de decúbito várias vezes ao dia no sentido de prevenir o
acúmulo de secreções e a atelectasia pulmonar, quando possível; A presença da dor
pós-operatória dificulta a mobilização ativa, restringe o esforço para a tosse pro-
dutiva, leva à hipoventilação e compromete o estado geral do paciente operado.
Geralmente é mais intensa nas primeiras 24 a 36 horas, sendo que na maioria dos
casos já se observa melhora nas primeiras 48 horas.
•  Checar temperatura. A elevação da temperatura favorece a infecção nas pri-
meiras 48 horas de pós-operatório (temperatura até 38ºC) consequente à elevação
do metabolismo e ao trauma cirúrgico.
•  Controlar a dor: uso de analgésicos anti-inflamatórios não hormonais e
morfínicos, por diversas vias, conforme prescrição; intervenções cognitivo-com-
portamentais, como técnicas educativas, de relaxamento, distração e imaginação
dirigida; uso de agentes físicos como massagens, aplicação de calor ou frio.
•  Fiscalizar os sinais vitais; ©© BALONCICI | SHUTTERSTOCK.COM

Monitorização
•  Pressão arterial;
•  Traçado de ECG;
•  Oximetria de pulso;
•  Temperatura;
•  Frequência cardíaca;
•  Controles: 15/15 min (mínimo).

Tabela 4.1  –  Fonte: Oliveira (2017).

capítulo 4 • 87
AVALIAÇÃO INICIAL NA UNIDADE DE RECUPERAÇÃO PÓS-ANESTÉSICA
1. Integração dos dados recebidos quando da transferência dos cuidados.

2. Sinais vitais.
3. Nível de consciência.
4. Níveis de pressão.
5. Posição do paciente.
6. Condição e coloração da pele.
7. Necessidades de segurança do paciente.
8. Neurovascular.
9. Condição do curativo.
10. Condição da linha de sutura, na ausência de curativos.
11. Tipo, perviedade e segurança dos drenos, cateteres e receptáculos.
12. Quantidade e tipo de drenagem.
13. Resposta muscular e força.
14. Resposta pupilar.
15. Reposição hídrica.
16. Nível de conforto físico e emocional.
17. Sistema de pontuação pós-anestésica, se utilizado.
18. Avaliação específica de procedimento.

Tabela 4.2  –  Avaliação inicial do paciente na SRPA. Fonte: Rothrock, 2007.

O enfermeiro ao receber o paciente na SRPA precisa prestar uma avaliação/


cuidado imediata ao paciente. Não podendo esquecer de aquecer o paciente, co-
locar as grades de segurança, acompanhar os sinais vitais de 15-15 minutos na
primeira hora, dentre inúmeros outros cuidados. A figura adiante segue tópicos
que devem ser contemplados:
Nas páginas seguintes iremos abordar alguns desses tópicos, principalmente
sobre curativos e drenos.
Esse período de recuperação pós-anestésica é considerado crítico, pois, muitas
vezes, os pacientes se encontram inconscientes, entorpecidos e com diminuição
dos reflexos protetores.

capítulo 4 • 88
Os fatores sistêmicos que favorecem o surgimento de infecção cirúrgica são:
desnutrição, obesidade, presença de infecção concomitante em outro local do cor-
po, depressão da imunidade, uso de corticoesteróides e citotóxicos, diabete melito,
hospitalização prolongada, doenças debilitantes.
As complicações pulmonares são as mais comumente observadas no período
pós-operatório. A atelectasia é a complicação pulmonar mais comum no pós-opera-
tório. A pneumonia é complicação mais frequente das atelectasias persistentes ou da
aspiração de secreções. A embolia pulmonar é complicação mais frequente no pós
-operatório de indivíduos imobilizados por longo período de tempo, nos idosos, nas
cirurgias pélvicas e do colo do fêmur, nos cardiopatas, nos obesos, em pacientes com
história de acidentes tromboembólicos e naqueles apresentando insuficiência venosa
periférica ou em uso de anovulatórios. Dentre as complicações mais presentes tem:

Desagradável complicação cirúrgica determinada por ir-


SOLUÇO ritação frênica, pequena quantidade de CO2 ou acidose
respiratória.

De imediato pensar na possibilidade de pneumopatia agu-


DISPNEIA da ou no início de uma complicação cardíaca.

Evolução habitual da doença pós-operatória ou indício


FEBRE precoce de uma infecção aguda. Até 48 a 72 horas pode
ser consequente apenas a reação à agressão cirúrgica.

Exacerba a dor após laparotomia pode provocar eviscera-


TOSSE ção e evidencia uma complicação do sistema respiratório.

Habitual nas primeiras horas de pós-operatório. A reali-


mentação oral precoce é uma importante causa de vô-
VÔMITO mito. Antes da administração de um anti-emético, pensar
na possibilidade de obstrução mecânica do tubo digestivo.

O débito urinário na faixa de 30 a 50ml por hora, com


OLIGÚRIA densidade satisfatória, constitui importante evidência de
funções cardiovascular e renal satisfatórias.

Drenos

Geralmente o paciente chega à sala de recuperação trazendo alguns dispositi-


vos, dentre eles os drenos, que são pequenos tubos finos que são inseridos na pele

capítulo 4 • 89
após uma cirurgia para ajudar a retirar o excesso de líquidos, como sangue e pus,
que se podem acumular no local operado.
Os tubos para drenagem de secreções (gástrica, torácica e do mediastino) são
drenados por gravidade ou, quando necessário, ligados à aspiração contínua ou
intermitente. O volume e o aspecto das secreções devem ser registrados. Quando
houver drenos exteriorizados por contra-abertura, estes são adaptados a um siste-
ma de coletor fechado.
Dessa forma, o dreno pode ficar colocado em várias regiões do corpo e, por
isso, existem diferentes tipos de drenos, como o dreno Penrose, Blake, Portovac,
Redivac ou Jackson-Pratt por exemplo, que podem ser de borracha, plástico
ou silicone. Embora existam vários tipos de dreno, os cuidados normalmente
são semelhantes.

Cuidados gerais de enfermagem

•  Manter a permeabilidade, visando garantir uma drenagem eficiente;


•  Realizar o adequado posicionamento do dreno, evitando que ocorra tração
e posterior deslocamento;
•  Realizar o curativo conforme a necessidade e com o material determinado
para a prevenção de infecções;
•  Controlar a drenagem, atentando para a quantidade e aspecto da secreção
drenada, e registrar corretamente todos estes dados.

Curativo e cicatrização de feridas

O enfermeiro tem como responsabilidade cuidar da ferida operatória


(FO), lembrar-se de sempre verificar as condições do curativo e acompanhar
sua cicatrização.
As Feridas Operatórias são exemplos de incisões, cortes ou aberturas cutâneas
intencionais. Por regra as incisões cirúrgicas são visíveis na pele (epiderme) mas
sua profundidade avança no mínimo pelas três camadas cutâneas, mas podem ain-
da seguir pelas estruturas das cavidades internas (torácica ou abdominal), e pelas
estruturas dos órgãos internos.
Devem-se utilizar instrumentais adequados, minimizando o trauma e a ma-
nipulação ao tecido, no intuito de se evitar cicatrizes adicionais. A compressão
do tecido deve ser evitada ao máximo. O fio cirúrgico deve ser o mais fino que

capítulo 4 • 90
consiga manter a tensão dos tecidos aproximados em um tempo necessário. Na
técnica de sutura as bordas da ferida cirúrgica devem ser aproximadas por planos
anatômicos, respeitando-se as características de cada tecido.
Os curativos devem ser oclusivos por no mínimo 24 horas, para manter a
umidade da ferida e absorver o sangramento e o exsudato (secreção). Neste perío-
do, até aproximadamente 48 horas do término do procedimento, ocorre a epite-
lização da camada superficial da pele, capaz de manter a umidade e proteção da
área traumatizada.
Curativo é um procedimento utilizado para a limpeza, proteção e tratamento
das lesões. Consiste no cuidado dispensado a uma região do corpo com presença
de uma ruptura da integridade de um tecido corpóreo. A principal função do
curativo é o de estabelecer uma barreira artificial entre a lesão e o ambiente. Ele
isolará parcialmente a ferida, e minimizará o contato com materiais e organis-
mos infectantes.
Vale esclarecer que todos os tecidos seccionados foram provavelmente sutu-
rados (fechamento do corte com 'costura' cirúrgica) para que haja a cicatrização
com maior facilidade.
Quando tratamos de uma incisão cirúrgica estamos na verdade tratando da
parte externa de um ferimento importante que dá acesso a vasos e estruturas sig-
nificativas do corpo, sendo de extrema necessidade os cuidados com esse corte
aparentemente modesto.

Aspectos da ferida operatória infectada

As feridas operatórias quando infectadas têm aspecto avermelhado, bordas


endurecidas e doloridas, febre local, edema e drenagem de secreções. A tempe-
ratura corporal elevada também indica algum tipo de infecção, por isso deve ser
considerada na evolução do quadro clínico. Esses sintomas podem instaurar-se
aos poucos, agrupados ou com maior relevância de um ou outro. A qualquer um
desses sinais a equipe de saúde deve ser comunicada com urgência.

Secreção e/ou sangramento da ferida operatória

As feridas operatórias não podem apresentar secreção ou sangramento, se isso


acontecer pode ficar alerta para sinais de problemas. Em casos extremos pode
haver deiscência da ferida operatória, que é o rompimento ou desligamento total

capítulo 4 • 91
ou parcial dos bordos da ferida, e evoluir ainda para a evisceração, principalmen-
te no abdômen, onde grande quantidade de líquido e secreção flui pela ferida
operatória.
O controle da infecção pode ser dificultado pelo grau de debilidade do pacien-
te, por isso observar tais sinais e estar atento a qualquer mudança no quadro de
saúde é de extrema importância.

Fatores de risco nas feridas operatórias

O processo de cicatrização das feridas operatórias é o processo natural de ci-


catrização da pele, onde a recomposição do tecido é feita pela regularização dos
vasos sanguíneos periféricos, pela sintetização do colágeno e pela recomposição da
fibra da pele e sua fisiologia normal. Pacientes com dificuldades de cicatrização
(diabéticos, hipertensos, portadores de doença vascular periférica entre outras)
devem tomar precauções e avaliar o risco de incisões eletivas. Crianças cujo desen-
volvimento do sistema imunológico ainda não esteja perfeitamente acabado, por
aumentar o risco de infecção, e idosos, quando naturalmente a pele perde sua alta
capacidade de regeneração das fibras (principalmente pela deficiência na formação
do colágeno), o que acaba por retardar o processo de cicatrização também.

Tratamento das feridas operatórias

De acordo com a abordagem da equipe de saúde as feridas operatórias podem


ser fechadas com curativos: normais ou compressivos, mas por regra deve-se pre-
ferir sua estada aberta, limpa e seca, para que o oxigênio do ar contribua com o
processamento do colágeno pela pele, acelerando o processo de cicatrização. Após
a maturação da ferida cirúrgica deve-se proceder a retirada dos pontos da sutura
cirúrgica, normalmente feita com fio cirúrgico não absorvível.

Educação e preparo para alta

O enfermeiro, juntamente com sua equipe, é o profissional mais habilitado


para realizar a orientação da família e do doente, seja pelo fato de estar mais pre-
sente durante a assistência ou pelo caráter holístico da enfermagem, possuindo
assim, neste momento, uma oportunidade de desenvolver sua função de educador,
estabelecendo uma relação de confiança e parceria.

capítulo 4 • 92
A interação enfermeira-paciente, quando efetiva, contribui para o aprendiza-
do, aquisição e modificação do comportamento deste último. Todavia, seu efei-
to será mais eficaz e facilitado quando dispõe do reforço de outros elementos
da equipe.

Pontos que devem ser tratados na alta do paciente

Orientação sobre a doença, suas complicações e a terapêutica. Tendo em vista


que todo indivíduo tem necessidade de perceber claramente a situação pessoal, a
intenção é corrigir um conhecimento débil, a fim de tornar mais estável sua atitu-
de e mais positiva sua conduta.
Nessa orientação parte-se das noções que ele já possui e tenta-se explicar por-
que isso ocorre, de modo simples e exato, à altura da compreensão do paciente,
e dizendo sempre a verdade. É preciso "cobrar" para verificar o que foi retido.
Deve-se ensinar novamente. Há necessidade de convencê-lo a agir bem e a coo-
perar espontaneamente com a equipe de saúde em seu próprio benefício. É, pois,
importante ajudá-lo a enfrentar a realidade com firmeza e apoio. Reforço do valor
que o paciente atribui ao fato de ser forte e sadio. Conhecendo sua doença, ser-
lhe-á mais fácil cooperar no tratamento e consequentemente se manterá sadio
(normotenso), evitando as lesões da moléstia a longo prazo.
Apelar para sua conduta positiva, na enfermaria, de modo a aceitar bem
o tratamento. Instrução minuciosa sobre os medicamentos, sua posologia e os
efeitos esperados, motivando o paciente para um longo processo de tratamento.
Programação, junto com o paciente, dos horários mais convenientes para tomar a
medicação sem risco de esquecimento, do dia da semana mais propício para ir à
farmácia controlar o peso e a pressão. Orientá-lo na manutenção do registro desses
dados adequadamente. Fazer ver ao paciente que quando observa variações signifi-
cativas deve procurar assistência médica mesmo fora do dia da consulta.
Ele precisa saber avaliar o perigo de estar descontrolada sua PA e cientificar-se
da importância de sua cooperação no retorno periódico ao ambulatório para con-
seguir um ótimo controle. Ênfase ao fato de o paciente ser querido pelos seus fa-
miliares e à importância da manutenção dessa atmosfera sem tensões. Explicar-lhe
que o fato de ser trabalhador lhe dá direito ao sono e repouso suficientes, a férias e
fins de semana recreativos. Realçar que para todo indivíduo que deseja manter-se
sadio tais hábitos são altamente valiosos.

capítulo 4 • 93
RECUPERAÇÃO PÓS-ANESTÉSICA

RESPONSABILIDADE PELA
ANESTESIOLOGISTA
INTERNAÇÃO E ALTA DA SRPA

RESOLUÇÃO CFM Nº 1.802/2006


Figura 4.5  –  Fonte: Oliveira (2017).

ATIVIDADES
01. Montar um resumo com os valores de normalidade dos sinais vitais para adulto e crian-
ça. Colocar também as nomenclaturas utilizadas quando os parâmetros encontra-se normal,
alto ou baixo. E a unidade utilizada para cada sinal vital. Exemplo: Frequência respiratória em
adulto: 12-20rpm (eupneico, taquipneico, bradipneico).

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
BRUNNER,L. SUDDART, D. Tratado de enfermagem médico cirúrgica. 13ªed. Rio de Janeiro:
Guanabara- Koogan, 2013.
CARVALHO, R., Bianchi ERF. Enfermagem em Centro Cirúrgico e Recuperação. Barueri, SP.
Manole, 2007.
ROTHROCK, Jane C. Alexander - Cuidados de Enfermagem ao Paciente Cirúrgico. 13ªedição. Rio
de Janeiro: Elsevier, 2007.
SOCIEDADE BRASILEIRA DE ENFERMEIROS DE CENTRO CIRÚRGICO RECUPERAÇÃO
ANESTÉSICA E CENTRO DE MATERIAL E ESTERILIZAÇÃO - SOBECC. Práticas recomendadas da
SOBECC. 7. ed. São Paulo: SOBECC; 2017.

capítulo 4 • 94
5
A cirurgia
A cirurgia
Olá, Pessoal!
Estou aqui mais uma vez para trazer conteúdo da Clínica Cirúrgica, esse é
nosso último capítulo, mas não é por isso que será menos importante que os
outros. Pelo contrário, ele traz uma mistura de assuntos relevantes. Primeiro ire-
mos abordar o preparo cirúrgico, que consiste em compreender: a degermação e
paramentação cirúrgica, posições cirúrgicas, tempos cirúrgicos e os instrumentais
cirúrgicos. Em seguida falar sobre Central de Material e Esterilização (CME).
Nesse capítulo utilizaremos muitas figuras, tornando o aprendizado mais praze-
roso e lúdico.
O assunto da CME é bastante amplo, pois aborda conteúdos que podem ser
vistos em outras disciplinas e/ou outros estabelecimentos de saúde.

OBJETIVOS
•  Compreender o procedimento da degermação cirúrgica e a paramentação cirúrgica;
•  Conhecer as posições cirúrgicas;
•  Identificar os tempos cirúrgicos e os instrumentais;
•  Aprender sobre CME.

Degermação cirúrgica das mãos

A Degermação das mãos e antebraços é denominada como escovação ou an-


tissepsia cutânea. Para efeitos de antissepsia a mão e o antebraço são divididos em
dois territórios:

Mão e punho (área mais nobre devido ao contato direto com os


1º TERRITÓRIO órgãos);

2º TERRITÓRIO É a parte do antebraço até o cotovelo.

Duração do Procedimento: de 3 a 5 minutos para a primeira cirurgia, e de 2 a


3 minutos para as cirurgias subsequentes.

capítulo 5 • 96
CHECK-LIST DEGERMAÇÃO DAS MÃOS E ANTEBRAÇO
1. Estar devidamente uniformizado de acordo com as normas do Centro Cirúrgico;

2. Ter unhas aparadas e sem esmalte;

3. Retirar relógios e joias;

4. Abrir a torneira, molhar as mãos, antebraços e cotovelos;

5. Recolher, com as mãos em concha, o antisséptico e espalhar nas, mãos, antebraço e


cotovelo. No caso de escova impregnada com antisséptico, pressione a parte de esponja
contra a pele e espalhe;

6. Limpar sob as unhas com as cerdas da escova;

7. Friccionar as mãos, observando os dedos, espaços interdigitais e antebraços por no


mínimo 3 a 5 minutos, mantendo as mãos em cima do cotovelo;

8. Escovar a palma da mão;

9. Face lateral do dedo mínimo e espaços interdigitais;

10. Região dorsal (começando pela face lateral externa do polegar);

11. Região anterior, lateral e posterior do antebraço (do pulso para o cotovelo);

12. Cotovelo com movimentos circulares;

13. Lavar a escova conservando-a em posição vertical;

14. Repetir o procedimento na outra mão;

15. Enxaguar as mãos em água corrente, no sentido das mãos para os cotovelos, reti-
rando todo resíduo do produto;

16. Fechar a torneira com o cotovelo se a torneira não possuir sensor;

17. Manter as mãos e antebraços em posição vertical acima da cintura;

18. Enxugar as mãos em toalhas ou compressas estéreis, com movimentos compressi-


vos, iniciando pelas mãos e seguindo pelo antebraço e cotovelo.

Tabela 5.1  –  Fonte: Oliveira (2017).

capítulo 5 • 97
Paramentação cirúrgica

•  A Paramentação cirúrgica é um processo específico e padronizado, que en-


volve as técnicas de degermar as mãos, vestir avental ou roupa esterilizada e cal-
çar luvas.
•  Após o término da escovação a equipe deverá encaminhar-se para a sala de
cirurgia com os antebraços fletidos, elevados e afastados do corpo.
•  Na sala de cirurgia já estará aberto o LAP (pacote contendo campos e aven-
tais estéreis), cada avental possui, no seu interior, uma compressa.
•  Usa-se a primeira compressa para secar as mãos, iniciando-se pelos dedos,
palma, dorso da mão e antebraço. Vira-se a compressa para o lado oposto e inicia-
se a secagem da outra mão. Despreza-se a compressa no hamper. Iniciar a coloca-
ção do avental cirúrgico.
•  Segurar o avental pela parte superior, com os dedos indicador e polegar de
cada mão.
•  Balançar suavemente para que se abra.
•  Vesti-lo cuidadosamente sem tocar na parte externa do mesmo.
•  Solicitar que a circulante da sala ajuste e amarre o avental.
•  Calçar luvas cirúrgicas.
•  Dentre a paramentação cirúrgica, tradicionalmente, inclui, uniforme priva-
tivo (calça e blusa), propé ou sapato privativo, gorro, máscara, avental cirúrgico e
luva cirúrgica.
•  A seguir a ordem de paramentação e desparamentação.

PARAMENTAÇÃO DESPARAMENTAÇÃO
1º Avental 1º Luvas
2º Máscara (ou N95) 2º Óculos de proteção
3º Óculos de proteção 3º Avental
4º Luvas 4º Máscara

Tabela 5.2  –  Fonte: Internet (2017).

capítulo 5 • 98
Posições cirúrgicas

Para o procedimento cirúrgico acontecer o paciente precisa ser colocado na po-


sição ideal para cada tipo de cirurgia, assim como no pós-operatório. Geralmente,
o enfermeiro é o responsável por esse cuidado.
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Figura 5.1  –  Posição Trendelemburg.

•  Esta posição é indicada para manter as alças intestinais na parte superior da


cavidade abdominal, oferecendo melhor visualização dos órgãos pélvicos durante
a abertura da cavidade abdominal, em cirurgias laparoscópicas;
•  Decúbito dorsal horizontal com o corpo em um plano inclinado, de forma
que a cabeça fique mais baixa em relação ao corpo;
•  Indicação: cirurgias região pélvica, trombofletibes, edema de membros infe-
riores, queda de pressão arterial, visando aumentar a oxigenação cerebral;
•  Após o término do procedimento cirúrgico o paciente deve ser retornado
vagarosamente à posição de decúbito dorsal para evitar a hipotensão arterial;
•  Deve ser colocado vagarosamente na posição de decúbito dorsal para pre-
venir hipotensão.
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Figura 5.2  –  Posição sentada.

capítulo 5 • 99
•  Permite a expansão completa dos pulmões e visão da simetria superior
do corpo.
•  Utilizada como posição de conforto, quando há dispneia após a cirurgia de
tireoide, mamoplastia e abdominoplastia.

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Figura 5.3  –  Posição ereta ou anatômica ou ortostática.

•  Em pé (ortostática), com peso distribuído equitativamente nos MMII, pés


ligeiramente afastados, mãos voltadas para frente e olhar para o horizonte.
•  Permite ao examinador visualizar a deambulação do cliente e o exame
musculoesquelético.
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Figura 5.4  –  Posição semi-fowler. Fonte: Oliveira (2017).

•  Indicação: alimentação, patologias respiratórias, passagem de sonda.


•  Decúbito dorsal horizontal com o corpo em um plano inclinado, de forma
que a cabeça fique elevada em um ângulo de 45 graus em relação ao corpo.

capítulo 5 • 100
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Figura 5.5  –  Decúbito dorsal ou supina.

•  Deitado de costas, pernas estendidas ou ligeiramente flexionadas;


•  Dentre todas as posições é a mais utilizada e a que traz menor número de
complicações respiratórias intra e pós-operatória;
•  As áreas de pressão da pele ocorrem mais frequentemente nesta posição.
Sendo assim, devem se protegidas com dispositivo redutor de pressão, contendo
espuma, gel ou ar;
•  Melhor tolerância para o paciente anestesiado sendo utilizada em cirurgias
abdominais supra e infra-umbilicais, torácicas e vasculares entre outras
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Figura 5.6  –  Posição sims.

•  Indicação: cirurgias retais, clister. Utilizadas nas cirurgias de toracotomia e


cirurgias na loja renal;
•  Deitado de lado, com a perna que está em cima flexionada, afastada e apoia-
da na superfície de repouso;
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Figura 5.7  –  Decúbito ventral ou prona.

capítulo 5 • 101
•  Deitado de frente, pernas estendidas ou ligeiramente flexionadas com os
braços estendidos para frente e apoiados em talas;
•  Usada nas cirurgias da região dorsal, lombar, sacrococcígea e occipital;
•  Apoiar os ombros e o abdômen, a fim de facilitar a expansão pulmonar;
•  Evitar o apoio da cabeça sobre o nariz;

Figura 5.8  –  Posição ginecológica.

•  Indicação: exames e procedimentos ginecológicos e obstétricos.


•  Decúbito dorsal com pernas flexionadas, planta dos pés apoiadas sobre o
colchão e os joelhos bem afastados.
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Figura 5.9  –  Posição litotômica.

•  Indicação: exame ou cirurgia de períneo, reto, vagina e bexiga;


•  Semelhante a ginecológica;
•  Decúbito dorsal, cabeça e ombros ligeiramente elevados. Coxas bem flexio-
nadas sobre o abdome afastadas uma da outra e as pernas sobre as coxas;
•  Se a cirúrgica tiver duração mais de duas horas, é recomendável usar banda-
gens ou meias antiembolísticas.

Figura 5.10  –  Posição genupeitoral.

capítulo 5 • 102
•  Ajoelhada sobre a cama com os joelhos afastados, pernas estendidas e peito
apoiado sobre a cama, cabeça lateralizada apoiada sobre os braços.

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Figura 5.11  –  Posição jackknife ou canivete.

•  Paciente se encontra em decúbito ventral, com as coxas e pernas para fora


da mesa e o tórax sobre a mesa, a qual está levemente inclinada no sentido oposto
das pernas, e os braços estendidos e apoiados em talas;
•  Indicação: exame ou cirurgias anais;
•  Eleva-se o quadril e abaixa a cabeça e o corpo;
•  A cabeça, o tórax e os pés precisam de suportes adicionais nessa posição para
evitar complicações pós-operatórias;
•  Utiliza-se em cirurgias de coluna lombar.

Tempos cirúrgicos

Tempos cirúrgicos ou operatórios, são os procedimentos ou manobras con-


secutivas realizadas pelo cirurgião desde o início até o término da cirurgia. Com
relação aos tempos cirúrgicos ou operatórios, eles são divididos em quatro fases
que segue essa ordem.
1. Diérese é um conjunto de manobras manuais ou instrumentais para di-
vidir, separar ou cortar os tecidos através do bisturi, bisturi elétrico, tesoura,
serra ou laser. Ex.: (Bisturi, tesouras, trépano).
2. Hemostasia designa a compressão direta com os dedos, uso de pinças,
bisturi elétrico (termocautério) ou sutura para prevenir, deter ou impedir o
sangramento. Ex.: (Kelly, Kocher, Rochester).
3. Exérese é a remoção ou extirpação cirúrgica de órgãos ou de estruturas
anatômicas, ou seja, o momento da cirurgia propriamente dita.
4. Síntese designa a etapa final da cirúrgica, aproximação das bordas da
ferida operatória (FO) através de sutura, adesivos e/ou ataduras, usa-se agu-
lha de sutura presa no porta-agulha.

capítulo 5 • 103
As intervenções cirúrgicas se realizam em quatro tempos: Diérese, hemostasia,
exérese e síntese, respectivamente, nesta sequência. A utilização do instrumental
cirúrgico é planejada em função do tipo de cirurgia e do tempo cirúrgico.
Instrumental é todo material utilizado na realização de intervenções cirúrgi-
cas, retirada de pontos, exames, tratamentos e curativos.
Classificam-se em especiais e comuns:

São os instrumentos utilizados apenas em determina-


ESPECIAIS das cirurgias e em tempos específicos;

São os instrumentais básicos utilizados em qualquer


COMUNS tipo de intervenção cirúrgica nos tempos fundamentais.

Nas fotos a seguir podem ser visualizados alguns tipos de instrumentais com
seus respectivos nomes.

Figura 5.12  –  Os principais instrumentais cirúrgicos. Fonte: Oliveira (2017).

capítulo 5 • 104
Cada um desses instrumentais tem uma finalidade que depende do tempo
cirúrgico: Diérese, hemostasia, exérese (Preensão e separação e síntese).
•  Diérese: fase de abertura – serve para cortar e dissecar os tecidos.

BISTURI Instrumento cirúrgico em forma de pequena faca,


(NÚMERO 18 E 19) reta ou curva, para praticar incisões.

TESOURA DE METZEMBAUM Usada para corte de tecidos, menos traumática,


(NÚMERO 15) ponta delicada.

TESOURA DE MAYO Usada para cortar fios de sutura, gaze ou outros


(NÚMERO 14) materiais, mais traumática, ponta grosseira.

•  Hemostasia: conter sangramento – serve para pinçamento de vasos sangrantes.


– Pinças Kelly;
– Pinças Kocher;
– Pinças Halstead ou mosquito;
– Pinças Mixter.

•  Preensão: servem para segurar e suspender vísceras e órgãos.


– Pinça de Allis;
– Collin;
– Duval (triangular);
– Pinça Babcook;
– Pinça Adson.

•  Separação ou Afastadores: servem para afastar os tecidos abertos. Pode ser


autoestático ou manuais/dinâmicos.
– Gosset;
– Balfour;
– Finochietto.

•  Síntese: união dos tecidos – serve para suturar.


– Porta-agulhas;
– Agulhas.

capítulo 5 • 105
Montagem da mesa de instrumental

Os objetivos da montagem são:


•  Proporcionar a realização do ato anestésico-cirúrgico com técnica asséptica;
•  Planejar e disponibilizar materiais e equipamentos adequados ao tipo de
anestesia e cirurgia;
•  Adequar recursos humanos aos protocolos assistenciais.
Dividi-se a mesa em 12 áreas:

ÁREA 1 Coloca-se o bisturi com a lâmina para baixo e o corte para a esquerda;

Tesouras curvas, delicadas (Metzembaum) e forte (Mayo) com as


ÁREA 2 pontas viradas para o instrumentador e a curvatura para baixo;

ÁREA 3 Pinças hemostáticas (Kelly curvas e retas);

ÁREA 4 Instrumentais versáteis do tipo Mixter e outros hemostáticos;

ÁREA 5 Kocher reta;

ÁREA 6 Pinças dissecção com e sem dente;

ÁREA 7 Porta-agulhas com anéis voltados para baixo;

Pinças de preensão Babcock, Allis e Duval e outros instrumentos


ÁREA 8 complementares;

ÁREA 9 Backaus;

ÁREA 10 Pinças, tesouras e porta-agulhas longos;

ÁREA 11 Compressa dobrada, fios pré-cortados, e fios de sutura;

ÁREA 12 Uso versátil (cuba rim, cuba redonda, afastadores, seringa, gazes).

9 8 7 6

12 11 10

5 4 3 2 1

capítulo 5 • 106
Para haver a reutilização desses instrumentais se faz necessário submetê-los
ao reprocessamento, que será explicado mais adiante, mas essa técnica é realizada
dentro da Central de Material e Esterilização (CME).

Central de material e esterilização (CME)

A central de material é uma unidade de apoio a todos os serviços assisten-


ciais e de diagnóstico que necessita de artigos odonto-médico-hospitalares para
a prestação do cuidado a seus clientes. Nessa central acontece o reprocessamento
dos produtos odonto-médico-hospitalar para serem reutilizados. Lembra que foi
comentado anteriormente que esse assunto pode ser utilizado em outros setores de
saúde?! Não fica exclusivo para o centro cirúrgico.
O reprocessamento consiste de cinco passos, todos extremamente importantes
e relacionados um com o outro, existe passos que depende de outro para acontecer:

Consiste na remoção mecânica da sujidade. Utiliza-se detergente enzimático, es-


LIMPEZA

covas, jatos d’água e água quente. Nunca esquecer de usar os Equipamentos de


Proteção Individual (EPIs): luvas grossas, máscara, avental impermeável, óculos. A
limpeza pode ser automatizada, usando lavadoras.
DESINFECÇÃO

Pode ser de dois tipos: química manual ou termodesinfecção. Faz uso de aldeídos,
ácido paracético, hipoclorito de sódio e outros.

Servem para permitir o transporte e o armazenamento do artigo e mantê-lo estéril


EMBALAGEM

até o seu uso. Essa embalagem usada permite a saída do ar e a entrada do agente
esterilizante, mas proíbe os microrganismos. O ideal é que essas embalagens se-
jam de tamanhos variados, selagem segura, com indicação de abertura, validade
e lote, com indicadores químicos e que seja possível visualizar o produto. Lembrar
de armazenar em local seco, longe de umidade, elevado do chão, armários com
portas, não dobrar, amassar ou usar elásticos.
ESTERILIZAÇÃO

Pode ser física ou química (solução ou gasosa). Na física usa-se radiação ioni-
zante ou calor. O calor pode ser úmido (autoclave) ou seco (estufa). A autoclave
(gravitacional ou pré-vácuo) precisa obedecer a seus parâmetros essenciais de
tempo, temperatura e pressão. É necessário o monitoramento das máquinas, veri-
ficar a eficácia e realizar testes.

capítulo 5 • 107
Pode ser indicadores químicos e biológicos. Os químicos se dividem em seis
classes:
1) Tiras impregnadas com tintas termoquímicas que mudam de cor quando
expostas a temperaturas, é usada externamente em todas as embalagens;
2) Teste de Bowie-Dick testa a eficácia do sistema de vácuo da autoclave
TESTE DE QUALIDADE

pré-vácuo. Recomenda-se fazer a cada 24h ou cada 1° ciclo, a figura deve


mudar de cor uniforme;
3) Indicador de paramétrico único, controla a temperatura pré estabelecida
utilizada no centro dos pacotes; 4) Indicador multiparamétrico, controla a
temperatura e o tempo necessário.
5) Integrador controla tempo;
6) Integrador mais preciso. Os indicadores biológicos são preparações pa-
dronizadas de microrganismos para demonstrar a efetividade do processo.
Onde são usadas duas ampolas com microrganismos vivos, na qual um fica
na incubadora (local onde o mantém vivos) e o outro vai para a máquina de
esterilização, ao término as duas ampolas são comparadas e a que foi para
a máquina precisa ter os microrganismos mortos.

Na reesterilização, o produto já foi esterilizado, mas não foi usado dentro do


período de validade.

PERGUNTA
Agora você consegue entender a diferença de reprocessamento e reesterilização?

Todas essas medidas e outras são para evitar as infecções que se define como a
penetração, alojamento e multiplicação de microrganismos patogênicos no corpo
do hospedeiro.
O risco de infecção é o principal Diagnóstico de Enfermagem (DE) associado
ao trabalho na CME e as intervenções de enfermagem tem por objetivo evitar
infecção cruzada através dos artigos utilizados na assistência ao cliente.
Nas últimas décadas do século XX, a CME se tornou centralizada em razão
da exigência de um local único e apropriado para o processamento dos produtos
hospitalares, assim como a necessidade de recursos humanos qualificados. Essa
centralização otimiza os recursos humanos e materiais, promove maior segurança
para o trabalhador e para o cliente, favorece técnicas seguras e eficientes e maior

capítulo 5 • 108
produtividade, facilidade de supervisão e treinamento e adequação no campo de
ensino e pesquisa.
As instituições hospitalares que contarem com centro cirúrgico, centro obs-
tétrico e/ou ambulatorial, hemodinâmica, emergência de alta complexidade e ur-
gência deverá ter uma CME. Quanto à localização, o ideal é que esteja o mais
próximo possível das unidades fornecedoras (almoxarifado e lavanderia), podendo
também estar próxima das unidades consumidoras, priorizando sempre o espaço
físico para o desenvolvimento adequado do seu processo de trabalho. Sendo assim
entende-se que não tem um local próprio para instalar uma CME, precisa-se ava-
liar a logística da Instituição.
Sobre os aspectos físicos, recomenda-se que pisos e paredes sejam predomi-
nantemente em cor clara e de fácil limpeza, piso antiderrapante (áreas molhadas),
sem porosidade, não sonoro com forro acústico para minimizar os ruídos. Deve
ter uma boa iluminação geral com janelas para entrada de luz natural, mantidas
sempre fechadas. A ventilação é feita por sistema de ar condicionado e nas áreas
onde ficam as autoclaves requer sistema de exaustão de calor para manter a tem-
peratura no nível de conforto.
A área física deve permitir um fluxo contínuo e unidirecional de forma a evitar
o cruzamento de artigos e trânsito de profissionais da área contaminada (suja) para
as áreas limpa e estéril (armazenamento e distribuição). A CME pode ser classificada
em Classe I e Classe II, onde a primeira se destina ao processamento de artigos com
conformação não complexa passíveis de processamento, devendo possuir no mínimo
barreira técnica (medida comportamental dos profissionais) entre a área contaminada
das demais, e a segunda de artigos de conformação não complexa e complexa, também
passíveis de processamento, onde é obrigatória uma barreira física (paredes).
A equipe de enfermagem presta uma assistência indireta ao paciente, tão im-
portante quanto à assistência direta, que é realizada pela equipe de enfermagem
que atende ao cliente. As ações de enfermagem desenvolvidas na CME envol-
vem o recebimento dos materiais para a saúde, utilizados na prática assistencial
pelas unidades consumidoras, e os fornecidos pela lavanderia e almoxarifado
para processamento.
O fluxo unidirecional inicia pela área contaminada, na sala de recepção e lim-
peza, com o recebimento no expurgo de artigos sujos que são submetidos à limpe-
za através da lavagem com detergente enzimático, enxágue e secagem, conferidos e
separados conforme o tipo (instrumentais cirúrgicos, materiais de aço inoxidável,
vidro, cânulas, extensões de borracha e equipamentos de ventilação mecânica).

capítulo 5 • 109
Em seguida, os materiais são encaminhados para a sala de preparo e esteriliza-
ção, área limpa, onde são preparados e acondicionados. Os materiais são inspecio-
nados quanto à presença de sujidade, por meio de testes visuais e químicos, emba-
lados e identificados, os campos e os aventais cirúrgicos são dobrados, e todos são
enviados à esterilização, que ocorre na área onde estão localizadas as autoclaves e
outros equipamentos de esterilização.
A CME, quando aplicável, pode apresentar a sala de desinfecção química,
onde se localizam os desinfetantes utilizados nesse processo, como glutaraldeído e
ácido peracético, e deve contar também com a área de monitoramento do proces-
so de esterilização, para a armazenagem dos registros de monitoramento por um
período de cinco anos.
Após a esterilização, os materiais são enviados para a área estéril, na sala de ar-
mazenamento e distribuição de materiais esterilizados, local exclusivo e de acesso
restrito, não podendo se situar em área de grande circulação, mesmo que tem-
porariamente, devendo ser um local limpo e seco, protegido da luz solar e em
temperatura adequada (18°C a 25°C).
A figura a seguir é um resumo do fluxo unidirecional explicado anteriormen-
te: Fluxo em linha reta, desde a área de recepção até a de distribuição, no sentido
de evitar cruzamento do material limpo com o contaminado.

Expurgo Preparo de material e carga Retirada de material da autoclave e


de autoclave guarda do material estéril
ÁREA SUJA ÁREA LIMPA ÁREA ESTÉRIL

FLUXO UNIDIRECIONAL COM BARREIRAS FÍSICAS ENTRE AS ÁREAS

Figura 5.13  –  Fluxograma unidirecional do CME.

Trabalhar na CME exige dos profissionais conhecimentos técnico-científicos


específicos. O tipo de processamento, por exemplo, deve ocorrer de acordo com a
classificação do artigo em críticos, semicríticos e não-críticos conforme o risco de
infecção. Aqueles utilizados em procedimentos invasivos com penetração em pele
e mucosas adjacentes, tecidos subepiteliais e sistema vascular, incluindo todos os
materiais que estejam diretamente conectados com essas regiões, como agulhas,
campos, gazes, compressas, fios cirúrgicos e cateteres, são considerados críticos e é
obrigatória sua esterilização.

capítulo 5 • 110
Já os artigos semicríticos, como os nebulizadores, umidificadores, inaladores,
endoscópios e espéculo vaginal, entram em contato com pele não íntegra, mas
restrita a ela, ou mucosa íntegra colonizada. Por fim, os não-críticos são destinados
ao contato com a pele íntegra e mesmo aqueles artigos que nem sequer contatam
diretamente o paciente, como termômetro, manguitos de esfigmo, sensor do oxí-
metro, comadres e outros.
Após classificar os artigos utilizados na assistência ao cliente, estes deverão ser
processados. A limpeza é a primeira etapa, sendo essencial e indispensável para
todos os artigos críticos, semicríticos e não críticos. Consiste na remoção por
ação mecânica de forma manual ou automatizada de sujidade visível (orgânica ou
inorgânica) de um artigo e, por conseguinte, na retirada de sua carga microbiana
(bioburden), e deve sempre preceder a desinfecção e a esterilização, pois a matéria
orgânica protege os microrganismos tornando as etapas subsequentes ineficientes.
A desinfecção é o processo de eliminação dos microrganismos em objetos ina-
nimados, que não destrói todas as formas de vida microbiana, principalmente os
esporos, classificada em alto nível, nível intermediário e baixo nível. A desinfecção
de alto nível é aplicada em artigos semicríticos para eliminar todos os microrga-
nismos em forma vegetativa e alguns esporos com o uso de desinfetantes como
glutaraldeído e ácido peracético.
A desinfecção de nível intermediário pode ser aplicada em artigos semicríticos
de inalo-terapia e assistência ventilatória e não críticos, usada para eliminar bacilo
da tuberculose, alguns vírus não lipídicos, fungos, bactérias vegetativas e vírus li-
pídicos, mas não elimina esporos, através de compostos como álcool e hipoclorito
de sódio 1%.
Por fim, a desinfecção de baixo nível, aplicada em artigos não críticos, utili-
zada para eliminar alguns vírus não lipídicos, alguns fungos, bactérias vegetativas
e vírus lipídicos, mas não elimina o bacilo da tuberculose nem esporos, sendo o
quaternário de amônia e o hipoclorito de sódio 0,2% os produtos utilizados.
A esterilização é o conjunto de meios empregados para exterminar todos os
microrganismos, inclusive os que estiverem na forma de esporos, que é a forma
de resistência dos microrganismos. Além dos passos fundamentais para o artigo
estar rigorosamente limpo, depende-se da natureza do produto a ser esterilizado,
do tipo e da segurança do equipamento esterilizador, do acondicionamento do
invólucro compatível com o método de esterilização e do carregamento e descar-
regamento adequados.

capítulo 5 • 111
Em relação ao tipo do equipamento esterilizador, tem-se os meios de processos
físicos, químicos ou físico-químicos. O processo físico utilizado no ambiente hos-
pitalar é a esterilização por vapor saturado sob pressão, que se dá por meio de calor
úmido de autoclaves (pré-vácuo e gravitacional). É o mais utilizado e econômico,
ideal para todos os artigos críticos e semicríticos termorresistentes. A temperatura
varia de 121°C a 134°C sob pressão de um a 1,8 atm e tempo de três a 30 minutos.
Sobre os processos químicos, os métodos manuais de esterilização utilizan-
do soluções químicas (aldeídos e ácido peracético) estão proibidos fundamentado
pelo fato de ser de difícil controle os erros humanos no procedimento como con-
centração inadequada da solução, contado parcial do artigo com o agente esterili-
zante e enxague insuficiente (ANVISA, 2009), entretanto, a esterilização automa-
tizada por ácido peracético ainda é permitida.
Os processos físico-químicos de esterilização mais utilizados são pelo óxido
de etileno (ETO), por vapor de baixa temperatura e formaldeído gasoso (VBTF)
e por plasma e vapor de peróxido de hidrogênio (VPH). Todas são realizadas em
autoclaves próprias com temperaturas relativamente baixas, indicadas para arti-
gos termossensíveis de conformação complexa, com lúmens longos, estreitos e de
fundo cego.
Quanto à utilização do invólucro na esterilização física ou físico-química, este
deve ser compatível com o processo e com o próprio material para manter a este-
rilidade do produto no que se refere ao uso pretendido, à vida útil, às condições
de funcionalidade, à proteção apropriada para transporte e armazenagem até utili-
zação. As embalagens podem ser divididas em reutilizáveis, tecido algodão, estojo
metálico, vidro refratário, container rígido, e descartáveis, papel grau cirúrgico,
papel crepado, SMS, Tyvek.
São ações de enfermagem para o empacotamento: lavar as mãos; inspecionar
o produto, verificando limpeza, integridade e funcionalidade; selecionar a embala-
gem de acordo com o processo, peso e o tamanho do item; avaliar a necessidade de
utilização de embalagens duplas; realizar o ajuste perfeito de embalagens duplas;
e identificar em etiqueta adequada a descrição do conteúdo, método de esteriliza-
ção, controle do lote, data da esterilização, data de validade e nome do preparador.
O processo de esterilização deve ter um controle rigoroso. A sobrevivência de
microrganismos pode decorrer de falhas humanas e mecânicas, sendo imprescin-
díveis controles de rotina dos processos de esterilização através de indicadores físi-
cos, químicos e biológicos. Os indicadores físicos correspondem ao relatório dos
parâmetros de temperatura, tempo e vapor que as autoclaves emitem a cada ciclo.

capítulo 5 • 112
Os indicadores químicos são divididos em:

CLASSE I Fita zebrada ou teste.

CLASSE II Teste Bowie-Dick.

CLASSE III Indicador de parâmetro único.

CLASSE IV Indicadores multiparâmetros.

CLASSE V Indicadores integradores.

CLASSE VI Indicadores emuladores ou simuladores.

Já os indicadores biológicos são divididos por primeira, segunda e terceira


geração. Os indicadores de primeira geração são tiras impregnadas com esporos
contidos em um envelope, cuja leitura definitiva ocorre após sete dias. Os de se-
gunda geração são frascos com esporos incubados e a leitura é realizada após 48
horas pela mudança na coloração do frasco. Por fim, os de terceira utilizam tam-
bém uma incubadora específica por um período de uma a três horas com leitura
realizada por meio da incidência da luz ultravioleta.
Dessa forma, para a viabilização do trabalho em CME, é necessário que todas
as atividades desenvolvidas sejam embasadas por regimentos, diretrizes, normas,
protocolos e rotinas que não só garantam a organização do setor, como facilitem
o treinamento dos funcionários, bem como sua segurança. Atualmente, conta-se
com tecnologias avançadas, das quais grande parte das tarefas é automatizada, os
equipamentos de esterilização modernos e sofisticados, exigindo gestor e profis-
sionais qualificados.
A CME deve contar com um profissional de nível superior responsável por:
coordenar todas as atividades relacionadas ao processamento de artigos para a saú-
de; avaliar as etapas dos processos de trabalho; participar do processo de educação
continuada e avaliação do desempenho dos profissionais; propor indicadores de
controle de qualidade; contribuir com ações de prevenção e controle de eventos
adversos, incluindo o controle de infecção; participar do dimensionamento de pes-
soal e orientar as unidades consumidoras quanto ao transporte e armazenamento.
O enfermeiro, integrante da equipe de saúde, pode ser esse profissional por re-
unir as condições imprescindíveis para assumir a responsabilidade pela CME, uma
vez que exerce todas as atividades de enfermagem, incluindo a chefia do serviço e

capítulo 5 • 113
da unidade, a organização e direção, com atribuições voltadas a garantir condições
para que ele próprio e sua equipe desenvolvam um trabalho com qualidade.
Além das ações de coordenação como profissional de nível superior res-
ponsável, o enfermeiro deve planejar, executar, supervisionar e avaliar todas
as etapas relacionadas ao processamento dos artigos; garantir a utilização de
Equipamentos de Proteção Individual (EPI); prever os materiais necessários
para prover as unidades consumidoras; participar da elaboração e atualização
de protocolos, manual de normas, rotinas, sistemas de registro das etapas de
processamento; elaborar relatórios mensais estatísticos de custo e produtividade;
emitir pareceres técnicos relativo à aquisição de produtos; planejar e fazer anual-
mente o orçamento da CME.
É função do enfermeiro ainda desenvolver pesquisas e trabalhos científicos que
contribuam para o crescimento e as boas práticas de Enfermagem; acompanhar e
documentar visitas técnicas; manter-se atualizado acerca das tendências técnicas e
científicas relacionadas com controle de infecção hospitalar e uso de tecnologias
avançadas nos procedimentos que englobem artigos processados pela CME; e par-
ticipar de comissões institucionais que interfiram na dinâmica de trabalho.
Compete ao técnico e auxiliar de enfermagem sob supervisão do enfermeiro
atividades de nível médio previstas nos protocolos e de acordo com as rotinas da
instituição: realizar a limpeza, o preparo, a esterilização, a guarda e a distribuição
de artigos; monitorar cada lote ou carga nos processos de esterilização; fazer a
leitura dos indicadores biológicos; receber e preparar roupas limpas; preparar as
caixas cirúrgicas; e fazer listagem e encaminhamento de artigos e instrumental
cirúrgico para conserto.
Dessa forma, é necessário conhecimento sobre a classificação dos produtos
para a saúde; os conceitos de microbiologia; o transporte dos produtos contamina-
dos; os processos de limpeza, desinfecção, preparo, inspeção, acondicionamento,
sistema de barreira estéril (embalagens), esterilização, funcionamento dos equipa-
mentos; monitoramento de processos por indicadores; rastreabilidade, armazena-
mento e distribuição e manutenção da esterilidade do produto.
Por fim, entende-se que a CME tem por obrigação disponibilizar a todos os
serviços assistenciais e de diagnóstico de produtos para a saúde processados, garan-
tindo a quantidade e a qualidade necessárias para uma assistência segura.

capítulo 5 • 114
ATIVIDADES
01. Coloque a numeração de 01 a 18 conforme a ordem correta dos passos.

CHECK-LIST DEGERMAÇÃO DAS MÃOS E ANTEBRAÇO


Face lateral do dedo mínimo e espaços interdigitais; 9

Ter unhas aparadas e sem esmalte; 2

Região dorsal (começando pela face lateral externa do polegar); 10

Abrir a torneira, molhar as mãos, antebraços e cotovelos; 4

Cotovelo com movimentos circulares; 12

Limpar sob as unhas com as cerdas da escova; 6

Friccionar as mãos, observando os dedos, espaços interdigitais e antebraços por no míni-


7
mo 3 a 5 minutos, mantendo as mãos em cima do cotovelo;

Escovar a palma da mão; 8

Estar devidamente uniformizado de acordo com as normas do Centro Cirúrgico; 1

Retirar relógios e joias; 3

Região anterior, lateral e posterior do antebraço (do pulso para o cotovelo); 11

Recolher, com as mãos em concha, o antisséptico e espalhar nas mãos, antebraço e co-
tovelo. No caso de escova impregnada com antisséptico, pressione a parte de esponja 5
contra a pele e espalhe;

Lavar a escova conservando-a em posição vertical; 13

Repetir o procedimento na outra mão; 14

Enxaguar as mãos em água corrente, no sentido das mãos para o cotovelos, retirando
15
todo resíduo do produto;

Enxugar as mãos em toalhas ou compressas estéreis, com movimentos compressivos,


18
iniciando pelas mãos e seguindo pelo antebraço e cotovelo.

Manter as mãos e antebraços em posição vertical acima da cintura; 17

Fechar a torneira com o cotovelo se a torneira não possuir sensor; 16

capítulo 5 • 115
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
BRUNNER,L. SUDDART,D. Tratado de enfermagem médico cirúrgica. 13ªed. Rio de Janeiro:
Guanabara- Koogan, 2013.
CARVALHO, R., Bianchi ERF. Enfermagem em Centro Cirúrgico e Recuperação. Barueri, SP.
Manole, 2007.
ROTHROCK, Jane C. Alexander - Cuidados de Enfermagem ao Paciente Cirúrgico. 13ªedição. Rio
de Janeiro: Elsevier, 2007.
SOCIEDADE BRASILEIRA DE ENFERMEIROS DE CENTRO CIRÚRGICO RECUPERAÇÃO
ANESTÉSICA E CENTRO DE MATERIAL E ESTERILIZAÇÃO - SOBECC. Práticas recomendadas da
SOBECC. 7. ed. São Paulo: SOBECC; 2017.

GABARITO
Capítulo 1

01. Resposta no início do tópico “Terminologia Cirúrgica”, abaixo do quadro.

02. Resposta na parte da terminologia cirúrgica ou consulte um dicionário.

03. B 04. D 05. B

06.
•  Estrutura corpórea (órgão)
•  Intervenção cirúrgica (procedimento)

Capítulo 2

01. 02. E 03. D

04. A chegada de uma pessoa que necessita de cirurgia, nesse setor, é sempre precedida da
sensação de medo: medo do desconhecido, do ambiente estranho, medo da cirurgia e do seu
resultado, medo da anestesia, das alterações da imagem corporal, enfim, medo da morte, além
de outros tidos como grandes inimigos do homem. Assim, a necessidade de receber informa-
ções, atenção e apoio, como um cuidado especial, é imprescindível, até porque sua percepção
está, muitas vezes, aguçada tentando captar algo que possa estar interferindo ou que venha a

capítulo 5 • 116
interferir na sua dita operação. Dentre as ocorrências que podem surgir no contexto do ambien-
te em CC, encontram-se aquelas referentes à própria dinâmica do trabalho de equipe, além de
outras relacionadas ao fluxo de pessoas, de vez que o ambiente é único e compartilhado por
todos. Tem-se, como exemplos, o transporte de grandes frascos com conteúdo sanguinolento,
aspirado de cirurgias anteriores; o transporte de peças cirúrgicas mal acondicionadas e desco-
bertas; o abandono do paciente para cumprimentos efusivos e demorados com companheiros
(as) de trabalho; o surgimento inoportuno, naquele local e naquele momento, de funcionário,
dirigindo-se à enfermeira próxima ao paciente, para informar que: “o aspirador desta sala não
está funcionando”, ou “está faltando oxigênio nesta sala”, ou “o ar condicionado desta sala não
está funcionando” ou, ainda, “o anestesista desta sala não chegou”. Essas situações podem ser
comuns e naturais para a equipe, mas não o são para o paciente.

05. O cuidado da enfermeira, na admissão do paciente em CC, deve ter como um dos objeti-
vos o de reduzir os agentes estressores, que podem ocorrer nesse momento, proporcionando
o conforto, a ajuda e o apoio exigidos para o bem-estar da pessoa necessitada de cirurgia.
Diretamente, o enfermeiro interfere prestando seu cuidado, ou seja, monitorando sinais vi-
tais, proporcionando conforto, posicionando o paciente de forma correta de acordo com o
procedimento realizado etc. Indiretamente, ele interfere quando se preocupa com questões
não relacionadas diretamente ao procedimento como por exemplo a organização e fluxo de
trabalho no CC, a garantia de que todo o material necessário estará à disposição etc.
Mesmo quando não se encontra presente no cuidado direto a enfermeira presta cuida-
dos indiretos ao cliente, no planejamento e na delegação de ações, na previsão e provisão
de recursos, na capacitação de sua equipe, visando sempre à concretização e melhorias
no cuidado. Portanto, ela toma as devidas providências para que os profissionais possam
exercer suas funções do modo mais eficiente possível, criando um ambiente favorável ao de-
senvolvimento de seu trabalho, propiciando, assim, a qualidade da assistência que os clientes
necessitam. Deste modo, esta profissional congrega uma série de ações que no seu conjunto
visam proporcionar a restauração plena do cliente.

06. Embora haja uma ênfase sobre o ambiente físico, na atenção à ventilação, iluminação,
limpeza, aspectos estes que, quando adequados, são capazes de manter o organismo em con-
dições favoráveis para o restabelecimento da saúde do cliente, as preocupações da teoria am-
bientalista também incluem os aspectos psicológicos, referentes aos relacionamentos estabe-
lecidos entre profissionais e clientes, além dos profissionais entre si; e sociais desse ambiente,
relacionados ao ambiente total do cliente, isto é, para além do espaço hospitalar. Inclui as suas
condições de vida e de visão de mundo que interferem no seu processo saúde-doença.

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07. No ambiente de CC existe alta concentração de procedimentos invasivos, assim salien-
tamos a importância da lavagem das mãos como cumprimento de medidas de precaução
padrão que devem ser adotadas pelos profissionais de saúde. Além disso, a identificação de
fontes de transmissão de infecção direta relacionada ao indivíduo colonizado ou infectado e
por transmissão indireta através de recursos materiais pode ser determinante no controle e
na prevenção de infecção hospitalar. Para alguns autores, há praticamente um consenso de
que as principais fontes de microrganismos no hospital, incluindo o CC, em ordem de impor-
tância são: paciente, profissionais, artigos e equipamentos e o ar ambiente.

08. As primeiras 24 horas do pós-operatório exigem atenção especial da equipe de saú-


de, pois o paciente pode apresentar distúrbios pulmonares, cardiovasculares, renais, entre
outros, que devem ser reconhecidos e tratados imediatamente. Assim, as principais compli-
cações têm relação com o controle da Pressão Arterial, Dor, Hipoxemia, Hipertermia, Déficit
Urinário. Assim as intervenções de Enfermagem cabíveis são as relacionadas ao alívio da
dor, monitorização de sinais vitais, correta acomodação do paciente no leito, administração
de terapêutica prescrita, vigilância rigorosa, oxigenoterapia etc.

09. Correto dimensionamento de pessoal para que não haja sobrecarga de trabalho, boa re-
lação interpessoal entre os membros da equipe multiprofissional para que seja estabelecido
uma corrente de diálogo entre os mesmo em prol de sistematização de condutas.

10. A disputa entre os membros da equipe na responsabilização e na divisão de tarefas


burocráticas que contribuem de forma significativa para o êxito do procedimento, a falta de
diálogo a respeito de como todos podem colaborar naquele tratamento, já que o procedimen-
to não é feito por um único profissional, pelo contrário, mobiliza-se todo um aparato humano
e tecnológico.

Capítulo 3

01.
1. Três
2. Pós-operatória
3. Sinais vitais
4. Tricotomia
5. Jejum
6. Com a transferência do paciente para a mesa cirúrgica
7. O paciente é admitido no setor de recuperação

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8. Checar nome
9. Com a admissão do paciente na área de recuperação
10. Verificar funcionamento de drenos, sondas e equipamentos.

02.

Capítulo 4

Capítulo 5

01. Sequência: 9; 2; 10; 4; 12; 6; 7; 8; 1; 3; 11; 5; 13; 14; 15; 18; 17; 16.

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ANOTAÇÕES

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