Você está na página 1de 22

ESTUDOS ECONÔMICOS E

POLÍTICOS
AULA 3

Profª Regina Paulista Fernandes Reinert


CONVERSA INICIAL

Olá, nesta aula iremos aprofundar o nosso conhecimento sobre o


capitalismo, sistema socioeconômico entendido como um processo que tem
como finalidade o lucro, por meio de uma economia de mercado competitivo,
cujas características estão na propriedade privada, na acumulação do capital,
trabalho assalariado. Processo esse que está em constante transformação,
adquirindo várias facetas, nos mais diversos momento da história. A sua
reinvenção é uma forma de se perpetuar como gestor hegemônico global. Para
isso, destacaremos as suas formas de acumulação e as suas consequências
econômicas e políticas, o que nos permite visualizar em cada uma das etapas
as características que este sistema vai adquirindo no decorrer da sua existência.
Os objetivos de aprendizagem desta aula são:

• Caracterizar as etapas do capitalismo e as condições político-econômicas


a que eram impostas em cada momento da história.
• Identificar as formas que o capitalismo adquire para a sua manutenção do
poder hegemônico, associando economia e política.

Iniciaremos o estudo das quatro etapas do capitalismo: na primeira etapa,


o capitalismo comercial ou mercantil, também conhecido como pré-capitalismo,
por apresentar as primeiras características que servem de alicerce para o
sistema econômico e político que se desenvolve durante séculos, abrange os
séculos XV ao XVIII, com destaque para as grandes navegações, o colonialismo
e a formação dos primeiros Estados Nacionais.
Na segunda etapa, o capitalismo Industrial, no qual, em meados do século
XVIII e século XIX, tem início uma nova fase do capitalismo em decorrência das
alterações na forma de produção, conhecida como Revolução Industrial, na qual
ocorre o rompimento definitivo com a estrutura econômica e política do
feudalismo e as suas consequentes transformações sociais.
Já o capitalismo financeiro, que é a terceira etapa, tem início no fim do
século XIX, é marcado pela junção do capital industrial com o capital financeiro
com a intenção de gerar mais lucro, no qual ocorre uma circulação global de
produtos financeiros, o que possibilita a globalização.
Alguns estudiosos, entre eles o sociólogo espanhol Manuel Castells,
acrescentam uma quarta etapa do capitalismo, o capitalismo informacional, por
apresentar uma nova lógica de acumulação do capital, com um aumento
2
significativo da utilização da tecnologia digital e associado a isso um aumento
dos países que aderem ao neoliberalismo.

CONTEXTUALIZANDO

O sistema capitalista apresenta várias faces de um mesmo modelo


econômico e político que atinge quase a totalidade do globo, muito embora esse
sistema tenha no decorrer da história apresentado várias características,
alterando e sendo alterado com o intuito de se perpetuar como hegemônico, que
significa a dominação que um povo exerce sobre os demais povos.
Apesar das adaptações ocorridas no decorrer da sua história, mantém
suas principais características durante todas as fases, sendo elas: a divisão da
sociedade em classes, as relações de trabalho mediadas pelo salário, a
propriedade privada dos meios de produção concentrada nas mãos de poucos,
as condições de vida da população subordinada ao capital, um grande
contingente de trabalhadores inativos – em decorrência da produção voltada
para redução de custos, além de nas últimas décadas isso ocorrer em
consequência da introdução de novas tecnologias.
Como poderemos perceber no decorrer da nossa aula, com o fim do
feudalismo, da produção autossuficiente, há uma alteração no modo de
produção e no consumo, que era local, passando à etapa pré-capitalista, ou
capitalismo mercantilista, quando os interesses econômicos, políticos e sociais
de uma nova classe, denominada de burguesia, determina o novo modelo de
produção.
Sua principal característica é o enriquecimento por meio da acumulação
de metais preciosos e o lucro no comércio de mercadoria, trazida em sua maioria
de outras regiões do planeta, o que incentiva as grandes navegações.
No período da Revolução Industrial, tem a consolidação do sistema
capitalista. Com a divisão da sociedade em classes sociais, a concentração dos
lucros nas mãos dos proprietários dos meios de produção e o aumento de uma
população que vive apenas do seu salário, que sempre está abaixo do real valor.
A introdução das novas tecnologias permite que o capitalismo novamente
se recrie, alie-se ao capital financeiro, que passa a controlar o globo com a
incorporação de várias empresas transnacionais.
A atual etapa do capitalismo tem como aliadas as inovações tecnológicas
digitais, o que nos permite a obtenção uma expansão de seus domínios em todo
3
o globo, levando transformações aos mais remotos espaços terrestre. Portanto,
podemos perceber um sistema que se altera e se recria nos mais diversos
momentos da história.
Importante
O conteúdo da nossa aula foi divido em quatro temas, cada um
explicitando uma etapa do capitalismo, desta forma será possível perceber as
características de cada fase. Faça a leitura dos textos e assista aos vídeos
propostos nas aulas e anote suas dúvidas para que possamos esclarecê-las.

TEMA 1 – CAPITALISMO COMERCIAL OU MERCANTIL (PRÉ-CAPITALISMO)

A desconstrução da autossuficiência do sistema feudal abre espaço para


um novo sistema conhecido por mercantilismo ou capitalismo comercial, que
compreende do fim do século XV até o século XVII (aproximadamente entre 1500
até 1776).
Junto a essa desconstrução do sistema feudal emerge um novo sistema
político, a partir da aliança entre o rei e a burguesia, conhecido por absolutismo.
Os incentivos comerciais servem para o enfraquecimento da nobreza feudal que,
em contrapartida, garante a supremacia política do rei e os interesses de
enriquecimento da nova classe social que começa a emergir, a burguesia.
A burguesia tem interesses no poder político centralizado nas mãos do
rei, pois dessa forma conseguem benesses, como a padronização monetária,
leis protecionistas que estimulavam a exportação e inibiam a importação, por
meio de taxas alfandegárias, o que proporciona o máximo de acúmulo de
riquezas.

Os mercantilistas acreditavam que, no comércio, o prejuízo de um país


era lucro de outro – isto é, um país só podia aumentar seu comércio a
expensas de outros. Não considerava o comércio com algo que
proporciona benefício mutuo – uma troca vantajosa – mas como uma
quantidade fixa, da qual todos procuravam tirar a maior parte
(Huberman, 1989, p. 141)

Percebe-se o renascimento do comércio internacional e o


desenvolvimento do comércio interno, ambos sob o controle do Estado, que tenta
manter a balança comercial favorável, tanto internamente, assim como na
relação com outros países, sendo a exportação muito mais incentivada do que a
importação.

4
Segundo Thomas Mun, um dos expoentes do mercantilismo, sua doutrina
afirmava que

Embora um reino possa ser enriquecido por presentes recebidos, ou


por compras feitas de algumas outras nações, ainda assim essas
coisas são incertas e de pequena consideração quando acontecem. A
maneira comum, portanto, de aumentar a nossa riqueza e o nosso
tesouro é por meio do comércio exterior, em que devemos sempre
observar esta regra: vender mais para estrangeiros anualmente do
consumimos deles em valor. (Brue, 2005, p. 22)

A presença do Estado estava associada aos incentivos à expansão


comercial, ações para a conquista de novos mercados, a regulamentação das
atividades comerciais, a concessão de monopólios à exploração das colônias,
taxas alfandegárias.
Os principais feitos do Mercantilismo são:

1.1 Colonialismo e monopolização do comércio colonial

Esta etapa é marcada pelas grandes navegações, quando as principais


cidades europeias, Veneza e Genova, na Itália, e posteriormente Portugal e
Espanha buscavam novas rotas para Índia, o que possibilitava a descoberta de
novas terras, África, Ásia e América, contribuindo para a formação de colônias
europeias em várias regiões do mundo. Segundo Leo Huberman,

Os governos davam ênfase, na proporção de seu interesse pelo


comércio exterior, à importância de recursos marítimos adequados
para transportar seus produtos a outros países [...] Os construtores de
navios recebiam prêmios governamentais; os produtos necessários à
indústria naval, alcatrão, piche, madeiras fortes etc., eram buscados e
podiam entrar no país sem pagar taxas; os homens era obrigados a
ingressar na marinha. (Huberman, 1989, p.137)

O desenvolvimento da navegação e a consequente expansão marítima é


de fundamental importância para o início da formação do capitalismo
mercantilista, contribuindo para as descobertas geográficas de novos povos,
ampliação de novas rotas comerciais internacionais e para o acúmulo do capital.
A política mercantilista permite a acumulação primitiva do capital, as
relações comerciais entre a metrópole e a colônia ocorre com a busca de
riquezas e produtos nas novas terras, intensificando cada vez mais as relações
comerciais.
Ao se apropriarem da produção da colônia, apropriam-se também de
matérias-primas por um preço baixo, revendendo a preço alto no mercado

5
europeu ou obrigando as colônias a comprarem os produtos manufaturados a
preços elevados, regra que fica conhecida por Pacto Colonial.
Com esta relação entre a burguesia da metrópole que adquire os produtos
das colônias com exclusividade e os revendem no mercado europeu, a colônia
é obrigada a consumir apenas o que é vendido pela metrópole, o que gera um
monopólio.

Os capitalistas mercadores eram a favor da colonização e queriam


manter as colônias eternamente dependentes e subservientes ao país
colonizador. [...] Certos produtos coloniais tinham de ser vendidos
somente para a Inglaterra e outros tinham de chegar à Inglaterra antes
de serem enviados para países estrangeiros. (Brue, 2005, p. 15)

As colônias fornecem para as metrópoles metais preciosos, pois a


quantidade acumulada em suas reservas de ouro e prata servem para
determinar a riqueza das nações, época conhecida como metalismo – sistema
monetário que o valor da moeda é definido pela quantidade de metal,
principalmente ouro e prata.
Os comerciantes europeus transformam em mercadoria tudo que pode
ser vendido e gere lucro, como perfumes, sedas, tapetes, especiarias. Inclusive
seres humanos tornam-se mercadorias, pois são vendidos como escravos.

Figura 1 – Soldados escoltando índios, litografia, século XIX

Fonte: DEBRET, J.-B. Pinacoteca do Estado de São Paulo, São Paulo

6
Vários povos dos novos continentes, com culturas diferentes da europeia,
foram exterminados, prática conhecida como genocídio de povos colonizados.
No Brasil, a figura anterior é a representação do que ocorreu com centenas de
povos indígenas, após a chegada dos colonizadores europeus, pois, na tentativa
de torná-los escravos, muitos grupos foram extintos.

1.2 Estados nacionais

A formação dos Estados nacionais promove o nacionalismo, a busca do


fortalecimento do poder político do Estado e da classe burguesa por meio da
associação entre eles, com o intuito de valorizar o mercado e justificar as
políticas de expansão econômica e militar, desarticulando totalmente o sistema
feudal.
Inicia-se o processo de acumulação primitiva do capital, a partir da
concentração de uma grande quantidade de recursos, moedas, metais
preciosos, terras e trabalhadores. Por um lado, aos camponeses que têm a sua
terra apropriada só resta a venda da sua força de trabalho (capacidade de
trabalhar) em troca de um salário que os permita sobreviver.
Por outro lado, um pequeno número de proprietários consegue concentrar
a renda, com o tráfico de escravos africanos, saques das colônias, apropriação
das terras dos camponeses, protecionismo às manufaturas nacionais.
Os Estados nacionais disputam o mercado com outras nações, o que gera
uma série de rivalidades, pois cada Estado busca a ampliação dos lucros e o
fortalecimento da sua economia.

Os países não podiam exportar simultaneamente mais do que


importavam. Portanto, cada um deveria promover exportações e
acumular riqueza à custa dos vizinhos. Somente uma nação poderosa
poderia conquistar e manter colônias, dominar rotas comerciais, vencer
guerras contra rivais e competir com êxito no comercial internacional”.
(Brue, 2005, p. 14)

Leis que garantem o protecionismo econômico são instituídas pelo


governo central, que protegem as atividades econômicas internas, favorecendo
a exportação e dificultando a importação. Isso se deu por meio da isenção de
taxas de matérias-primas não produzidas na metrópole, restrições à importação
de matérias-primas, sendo nesse período que surgem as barreiras
alfandegárias.

7
Na fase do capitalismo mercantilista, o acúmulo de capitais nos países
europeus ocorreu principalmente pela exploração das colônias, foi um dos
principais facilitadores para que ocorresse a Revolução Industrial.
Saiba mais
A minissérie A Muralha, obra homônima de Dinah Silveira de Queiroz,
apresenta a trama que passa em torno de 1600, período em que os bandeirantes
buscavam terras cultiváveis, riquezas e escravos. A intensão do patriarca era
dominar e vender mão de obra indígena. Por meio deste vídeo, é possível
visualizar como o capitalismo comercial atingiu o Brasil nos primeiros anos de
sua colonização.
A Muralha (Capítulo 1/Parte1). Disponível em:
<https://www.youtube.com/watch?v=DxLuko1rO2U>. Acesso em: 11 jul. 2018.

TEMA 2 – CAPITALISMO INDUSTRIAL

2.1 Revolução Industrial

O marco da ruptura da Idade Média para a Idade Moderna, século XVIII,


é a introdução de novas técnicas e tecnologias na produção de bens, a
substituição da produção artesanal para a produção fabril, o que permite uma
produção em escala.
Segundo Giddens, para Marx “o capitalismo é um sistema de produção
que contrasta radicalmente com os sistemas econômicos anteriores da história,
já que envolve a produção de mercadorias e de serviços vendidos a uma ampla
faixa de consumidores” (2000, p. 31)
O sistema capitalista adquire um novo formato no modo de produção,
passa de um sistema comercial para o industrial, que altera as relações sociais,
econômicas e políticas, defende a democracia, a liberdade do indivíduo, o direito
à propriedade e à livre iniciativa, a livre ação das forças do mercado e a riqueza
que vem da produção industrial.
Uma nova estrutura social agora dividida em classes sociais, entre
trabalhadores e patrões. Se por um lado os trabalhadores perdem o controle do
processo produtivo, por outro passam a vender a sua força de trabalho por uma
determinada quantia, chamado salário, por não possuírem mais os meios de
produção (as matérias-primas, nem os instrumentos de produção).

8
A aceleração produtiva com a introdução de máquinas hidráulicas e a
vapor, como: o tear mecânico e a máquina à vapor, que pertence aos patrões,
obriga a migração de camponeses expulsos da terra por falta de trabalho e os
força a buscar trabalho em fábricas, nos centros urbanos.
Dessa forma, acelerando o processo de urbanização e, em consequência,
os problemas sociais causados pelo aumento populacional das áreas urbanas.
As cidades incham de trabalhadores que aceitam baixa remuneração, o número
de vagas ofertadas é menor que o número de trabalhadores.
Vivem em condições de vida miserável, ainda que consideradas um
símbolo de progresso, mas as condições são desumanas, vivem em cortiços nos
arredores dos grandes centros, falta de higiene, saneamento básico e condições
de saúde precárias e alto índice de desemprego.

Figura 2 – Trabalhadores em linha de produção

Crédito: Everett Historical/Shutterstock.

As condições de trabalho são precárias, com uma jornada de trabalho


extenuante, que as vezes varia entre 14 a 16 horas diárias. As mulheres também
faziam essa jornada, inclusive grávidas e crianças (10 a 12 anos) realizavam
trabalhos pesados e insalubres, recebendo um salário menor que o suficiente
para sobrevivência, sendo menor que o que era pago aos homens.
Apesar de todos os problemas sociais causados pela Revolução
Industrial, ocorre estímulo à produção científica, necessário aos novos produtos
para serem colocados no mercado, o desenvolvimento de novas tecnologias; os
meios de transporte à vapor, o telégrafo, a fotografia foram apenas alguns itens
criados no período.

9
2.2 Adam Smith e o liberalismo

Em conjunto com a Revolução Industrial surge o sistema filosófico


conhecido por liberalismo, com base na economia industrial, cuja principal
premissa é que a decisão é individual, defendendo que não cabe ao Estado
interferir nas relações econômicas.
Seu principal expoente é Adam Smith, contrário à política econômica
mercantilista e contra o regime feudal, que ainda ocorria em algumas regiões da
Europa. Suas ideias influenciaram a elite industrial do século XVIII.
Em sua principal obra, A Riqueza das Nações, de 1776, diferencia a
economia política da ciência política, sendo um referencial para o enfoque
científico da economia e servindo de base para a tributação moderna,
fundamental para o desenvolvimento do capitalismo nos moldes que se
apresentam nos séculos XIX e XX.
Adam Smith faz críticas à intervenção do Estado na economia, defende
que o desenvolvimento econômico e o bem-estar de uma nação advenha do
crescimento econômico e da divisão do trabalho. Na sua concepção de estrutura
de classes, na sociedade capitalista, e seus respectivos rendimentos, fica dessa
maneira distribuído

• Capitalista – o lucro;
• Proprietário de terra – a renda fundiária;
• Trabalhadores – o salário.

Os principais fatores que conduzem ao crescimento econômico, segundo


Adam Smith (Brue, 2005):

1. A intervenção mínima do Estado na economia: deve haver uma total


liberdade econômica, dessa forma há o desenvolvimento da iniciativa
privada. Ao Estado apenas cabe defender a nação, promover a justiça e
a segurança aos cidadãos e empreender obras sociais, quais não
pudessem ser promovidas pela iniciativa privada.
2. A livre concorrência e a baixa tributação regularia o mercado, a economia
é regida pela lei da oferta e da procura; os melhores obterão melhores
resultados. O incentivo ao desenvolvimento tecnológico como uma forma
de melhorar os produtos e aumentar a produção.

10
3. Aumento na divisão do trabalho, por meio da especialização das tarefas
como forma de aumentar a produtividade, dessa maneira há a redução
dos custos de produção e a queda de preços das mercadorias.

Os meios de produção também passaram por modificações no fim do


século XIX, com a introdução de novos equipamentos e novas fontes de energia
mais eficientes, entre elas o petróleo e a eletricidade; ocorre também o aumento
da produção em série.
Saiba mais
Assista ao filme Mauá – O Imperador e o Rei. Disponível em:
<https://www.youtube.com/watch?v=UDtL-dOAHYQ>. Acesso em: 11 jul. 2018.
Veja também sua análise no site
<http://artigos.netsaber.com.br/resumo_artigo_18574/artigo_sobre_analise-do-
filme---maua---o-imperador-e-o-rei>. Acesso em: 11 jul. 2018.

TEMA 3 – CAPITALISMO FINANCEIRO

O século XX é marcado por várias transformações sociais que exigem


habilidades tanto na economia como na política, pois muitas delas, em um
primeiro momento, desestabilizam a sociedade. Entre elas, destacam-se:

1. A Revolução Russa, de 1917 – neste período, o governo czarista dos


Romanov sofria pressões econômicas e política, principalmente por
apresentar um atraso tecnológico. Há um atraso no desenvolvimento
industrial, que faz com que o país permaneça em uma condição agrária
diferente do que ocorre em outros países. A Revolução propõe edificar
uma sociedade comunista, o que coloca em cheque toda uma ordem
capitalista, proporcionando uma disputa mundial da hegemonia da política
econômica. Dividindo os países em dois blocos econômicos, conhecido
como Guerra Fria, de um lado o capitalismo com as inovações
tecnológicas, de outro lado uma economia planificada e igualdade social.
2. Primeira Guerra Mundial ocorre no período de 1914 a 1918; esse período
é marcado por uma concorrência muito forte entre as empresas e países.
Empresas se fortalecem em detrimento do fracasso de outras. Entre os
países que se fortaleceram, temos a Alemanha e a Inglaterra. Na tentativa
de manter a supremacia política e econômica sobre os países mais

11
pobres, esse período é conhecido como Imperialismo, que suscita a
Primeira Guerra Mundial.
3. Segunda Guerra Mundial – 1939 a 1945; considerado um dos conflitos de
maior magnitude do século XX, atinge as maiores potências da época,
Alemanha e Inglaterra. Entre os fatores que contribuem para que a guerra
ocorresse está a crise de 1929, com a quebra da bolsa de valores de Nova
York, Estados Unidos, mas que afetou a economia mundial. Ocorre entre
as guerras um aumento de regimes totalitários, como o Nazismo, na
Alemanha – na figura de Adolfo Hitler, o Fascismo, na Itália – Benito
Mussolini, disseminando ideologias: como a supremacia ariana e em
consequência a exclusão racial de negros, judeus e ciganos,
homossexuais, perseguição a comunistas e socialistas. Do outro lado
estão os aliados, liderados por Estados Unidos, Inglaterra, França e União
Soviética.

O capitalismo industrial apresenta transformações a partir fim do Século


XIX, quando ocorre a integração do capital industrial com o mercado financeiro,
no intuito de obter mais lucros. Isso ocorre com a subordinação dos meios de
produção à acumulação financeira. Entre as negociações realizadas estão
diversos produtos financeiros que passam a ser o interesse do mercado, como:
ações, câmbio, títulos de renda, bolsa de valores, financiamentos e
empréstimos.
No início do século XX, o mundo do trabalho já apresenta alterações no
modo de produção industrial, com a introdução do método taylorista, quando os
trabalhadores são controlados para que produzam maior quantidade em menor
tempo possível. E, posteriormente, o método fordismo introduz a linha de
montagem.
O Estado também adquire um novo papel adotado em vários países do
bloco capitalista como solução de recuperação no pós-guerra. O Estado
intervencionista tem como característica estimular os gastos públicos para
fomentar a economia, possibilitando a geração de empregos e evitando crises
de superprodução.
Defende “Estado de bem-estar social” (do inglês, welfare state), que
intervém nas áreas que acha necessárias, garantindo aos trabalhadores os
benefícios sociais como forma de combater as desigualdades sociais, garantir
os direitos dos cidadãos.

12
Entre os teóricos do capitalismo financeiro está John Keynes, que elabora
a doutrina político-econômica que defende a intervenção do Estado na economia
como forma de gerar pleno emprego e controlar a inflação; pode-se dizer que
essa doutrina se opõe ao liberalismo.
Nessa etapa do capitalismo, o mercado financeiro vai ganhando espaço
em várias funções da vida: contas bancárias para receber salários, fazer
pagamentos, investimentos, o que aumenta a especulação. O perfil do
trabalhador também sofre alteração, pois o mercado exige profissionais
especializados em finanças e tecnologia.
Possibilita a formação de empresas multinacionais e globais, por meio de
fusões e incorporações que resultam em monopólios e oligopólios, que impõem
normas de produção e definem os seus preços no mercado.
Entendemos por monopólio (vem do grego monos, que significa “um” e
polien, que significa vender) a exploração sem concorrente de um negócio ou
empresa, tendo o direito exclusivo de explorar determinado negócio, sem um
concorrente para determinar os preços dos produtos ou serviços.
Já os oligopólios são um conjunto de empresas que domina um
determinado setor da economia ou produção, determina a quantidade de
produtos ou bens que será colocada no mercado, estabelece a divisão territorial
dos consumidores entre si, determina o aumento das taxas de lucros e por meio
da aquisição de pequenas empresas eliminam a concorrência.
O capitalismo financeiro tem como uma de suas características principais
a expansão imperialista, que é um processo de expansão do capitalismo
industrial pelo mundo. Isto é, ao mesmo tempo em que as nações europeias
precisavam de matéria-prima, também precisavam de um novo mercado
consumidor para o escoamento de sua produção e de espaços onde o custo de
produção fosse mais baixo, dessa forma gerando mais lucro.
Apesar do capitalismo considerar a livre concorrência, o que se observa
na realidade é “a busca por parte da maioria das empresas” de evitá-la ou
atenuar os seus efeitos Existem várias estratégias de domínio por bancos
comerciais, entre eles, pode-se citar:

• Truste – são empresas integradas, do mesmo ramo ou de diversos


segmentos da economia, que realizam uma fusão, com a intensão de
controlar todo o processo de produção e o mercado para a obtenção de
maior percentual de lucro; os trustes são regulados por leis.

13
• Cartel – são empresas similares que realizam acordos para determinar
preços e áreas de atuação no intuito de evitar a perda de lucros, criando
monopólio de mercado. Esta é uma prática considerada ilegal em
praticamente todo o mundo.
• Holding – são empresas de diversos setores, inclusive concorrentes
entre si, que se unem e são gerenciadas por uma empresa ou indivíduo
que tem o controle acionário, com a intenção de determinar as condições
de produções e do mercado. A figura demostra que o controle exercido
pelos conglomerados internacionais está nas mãos de poucas empresas
que estão presentes em quase tudo o que consumimos.
• Joint venture – para a realização de um empreendimento, um grupo de
empresas se une por um tempo determinado, mantendo as características
próprias, dividindo os lucros e as responsabilidades.

O cenário mundial transformou-se a partir da crise de 2008. Com uma


crise financeira, o sistema global de especulação econômica para a obtenção de
lucros entrou em colapso, atingindo todos os países, inclusive os em
desenvolvimento, menos que em menor monta.

Saiba mais
Assista ao filme: Capitalismo: uma história de amor (Capitalism: a love
story). Direção: Michael Moore, 2009.
“O documentário explora as raízes da crise financeira global, no período
de transição entre a saída de George Bush e a posse de Barack Obama no
governo dos EUA, as falcatruas políticas e econômicas que culminaram no que
o diretor descreve como "o maior roubo da história dos EUA": a transferência de
dinheiro dos contribuintes para instituições financeiras privadas”. (Interfilmes.
Disponível em: <https://www.youtube.com/watch?v=FaMRSjiL4IE>. Acesso em:
11 jul. 2018).

TEMA 4 – CAPITALISMO INFORMACIONAL

A segunda metade do século XX é marcada por inovações tecnológicas,


que ampliam a capacidade de armazenamento e memorização de informações.
O desenvolvimento de microcomputadores, robôs, satélites, cabos de fibras
ópticas, a popularização da internet, circulação de capitais e mercadorias,

14
permitem uma conexão mundial entre pessoas, compartilhando informações,
culturas e saberes, alterando a noção de tempo e de espaço.
É um período de grandes transformações, tanto nas tecnologias como nas
relações políticas econômicas, entre elas a Nova Ordem Mundial, que se
estabelece com a alteração na forma como o mundo está se reordenando com
a concepção neoliberal, com a participação mínima do Estado na economia.
E com a globalização que unifica e homogeneíza territórios, povos e
culturas, “a velocidade dos fluxos econômicos, sociais, culturais, linguísticos,
dentre outros, amplia-se em ritmo exponencial, deflagrando uma sucessão de
novas revoluções a cada instante” (Pena, 2017, p. 4).
A partir da década de 1970, entramos na era da informação ou era digital,
termo utilizado para designar as inovações tecnológicas, que são possíveis
graças à Terceira Revolução Industrial, transformando a sociedade industrial
para uma sociedade digital.
O termo capitalismo informacional é de autoria do sociólogo espanhol
Manuel Castells, em sua obra A Sociedade em Rede, de 1996, que trata do
processo de transformação dos equipamentos tecnológicos e o seu impacto
sobre a sociedade, sendo que sua maior consequência é a facilidade e rapidez
de deslocamento de pessoas, de ideias pelo globo, dessa forma alterando a
noção de tempo e de espaço.
O sistema capitalista financeiro é difundido amplamente pelo mundo,
assim como as empresas multinacionais. O mercado de trabalho transforma-se
com a introdução de novas tecnologias que são utilizadas no processo de
produção de bens, a substituição de trabalhadores por robótica nas indústrias,
os sistemas produtivos são flexibilizados, o toyotismo, just-in-time, terceirização
dos serviços, entre outras.
Ocorre uma reconfiguração do Trabalho Internacional, polarizando, de um
lado, países em desenvolvimento e se industrializando e, por outro lado, países
com tecnologia de ponta.
O capitalismo financeiro monopolista se intensifica; com trustes e holdings
as transações financeiras tornam-se virtuais, o sistema financeiro circula
rapidamente no mundo globalizado, o dinheiro torna-se os smart Money, que
significa dinheiro inteligente.

É o investimento feito por pessoas consideradas experientes e bem


informadas. Apesar de não haver suporte para que esse tipo de
investimento seja garantia de sucesso, costuma-se levar muito a sério
15
quanto esses investidores apostam em uma empresa. (Destino
Negócio)

O paradigma de tecnologia da informação significa a evolução dos


instrumentos utilizados pelo sistema capitalista, principalmente os que envolvem
a tecnologia digital, que, segundo Christopher Freeman, é

Um paradigma tecnológico é um agrupamento de inovações técnicas,


organizacionais e administrativas inter-relacionadas cujas vantagens
devem ser descobertas não apenas em uma nova gama de produtos e
sistemas, mas sobretudo na dinâmica da estrutura dos custos relativos
de todos os possíveis insumos para a produção. (Castells, 2002, p. 77)

O paradigma de tecnologia da informação, segundo Castells (2000) seria


composto de três principais características:

1. A informação é sua matéria-prima: e a tecnologia age sobre a informação;


2. Penetrabilidade dos efeitos das novas tecnologias, todos os seres
humanos se moldam na ação da informação;
3. O paradigma da tecnologia da informação é baseado na flexibilidade.
Capacidade de reconfiguração, em uma sociedade em constante
mudança e fluidez organizacional.

O capitalismo informacional alia os princípios do liberalismo clássico com


o capitalismo financeiro; ele amplia e consolida o processo de globalização com
o instrumento da tecnologia, possibilitando uma maior circulação do capital
financeiro. Recomendam uma intervenção mínima do Estado, no sentido de
garantir a estabilidade monetária e a livre concorrência, abertura econômico-
financeira e privatização de estatais.

4.1 Globalização

O fim do século XX e início do século XXI é marcado pelo processo de


globalização, modelo capitalista, que extrapola a relações comerciais e
financeiras com a integração de países e atinge as diversas áreas da vida
humana, como a cultura, a economia social e política em todo o planeta.
Consiste na globalização de informações, tornando o mundo em uma
aldeia global, termo criado pelo sociólogo canadense Herbert Marshall Mc
Luhan, significa as inovações tecnológicas mediando as relações culturais e
costumes das populações, em alguns casos alterando hábitos locais, portanto,
estabelecendo uma relação global e local, mantendo as características locais
dentro de um mundo globalizado.
16
Estamos conectados com vários locais ao mesmo tempo, o que altera a
noção de tempo e espaço, as distâncias ficam cada vez menores, podendo estar
virtualmente em vários espaços ao mesmo tempo.
Com a globalização econômica, há uma junção de vários países em
blocos econômicos, União Europeia, Mercosul, com o intuito de aumentar as
relações comerciais dos membros. Existe a intenção de buscar novos mercados
consumidores, principalmente nos países do leste europeu, tidos como países
socialistas.
Segundo Octavio Ianni, o que está por traz da globalização é

O que está em causa, na base da política de reestruturação do Estado,


destinada a criar o Estado mínimo e decretar a formação de mercados
emergentes, é a destruição de projetos de capitalismo nacional e de
socialismo nacional; bem como a transformação dessas nações em
províncias do capitalismo global. Em lugar do projeto nacional,
capitalista ou socialista, o projeto de capitalismo transnacional,
transnacionalizado, administrado do alto e de fora.

Com a intenção de reduzir custos, a produção é dividida entre vários


países, os bens são produzidos em partes, nos mais diversos países, as fábricas
tornam-se montadoras. Busca-se matéria-prima e mão de obra cujo preço seja
menor. As relações internacionais são mediadas por tecnologia, também
utilizada em ações financeiras, investimentos, transferências bancárias etc.
Apesar de tomar corpo e abrangência no século XX e XXI, o processo de
globalização já se apresentou em outras épocas da história, podendo-se dividir
em quatro fases:

• 1ª Fase – século XV ao XIX: As primeiras manifestações de troca de


mercadorias, principalmente especiarias e metais preciosos, feitas em as
grandes navegações, propiciaram uma transformação gradativa nas
relações que se estabeleciam entre os diversos países, principalmente na
busca de novas terras e novas rotas no início da integração dos mercados
internacionais. Neste período, houve a formação de colônias que
forneciam para as metrópoles a matéria-prima e trabalho escravo e, em
contrapartida, compravam os produtos manufaturados.
• 2ª Fase – século XIX e meados do século XX: Os meios de comunicação
e transporte começam a se desenvolver, tornando o mundo mais
interligado, apesar dessa ligação aproximar os mais semelhantes e
dificultar o acesso das economias dependentes. A lógica da etapa anterior
do capitalismo é mantida, os países ricos (desenvolvidos) produzem e
17
fornecem produtos industrializados, enquanto os subdesenvolvidos
vendem apenas matéria-prima.
• 3ª Fase – 1945-1989: Começa nesse período uma ampla integração
mundial, ainda que distribuída de forma desigual entre os países. Período
em que há a formação dos blocos políticos econômicos, de um lado os
Estados Unidos, bloco conhecido como capitalista, e do outro lado a União
Soviética, conhecido como bloco socialista. Essa polarização
proporcionou um avanço tecnológico e científico com o desenvolvimento
da informática, robótica, internet, biotecnologia, entre os motivos está a
corrida armamentista e a conquista do espaço. O neoliberalismo, que
ganha força na década de 1970, impulsionando ainda mais o processo de
globalização econômica.
• 4ª Fase – de 1989 até os dias atuais: Após a queda o muro de Berlim, o
capitalismo se alastra pelo globo, inclusive entre os países do leste
europeu ou socialistas. Junto a isso, as distâncias tornam-se reduzidas
em consequência do desenvolvimento de tecnologia de transporte, que
realizam grandes distâncias em curto espaço de tempo. Há a aceleração
do tempo em consequência do aparecimento de tecnologia em constante
transformação, o que obriga a sua substituição constante por algo ultra
novo.

4.2 Neoliberalismo

A origem do neoliberalismo ocorreu após a Segunda Guerra Mundial, na


Europa e nos Estados Unidos, onde o sistema econômico e político era o
capitalismo, com a proposta de desarticulação do Estado intervencionista e o
Estado de bem-estar social. É uma forma de adaptação do liberalismo clássico
dos séculos XVIII e XIX, sendo seu maior expoente o economista Milton
Friedman, da Escola Monetarista, tendo surgido como uma solução para a crise.
Com a crise econômica mundial de 1973, conhecida como crise do
petróleo, em consequência do aumento de preço excessivo, o capitalismo entra
em processo de recessão, com baixas taxas de crescimento e altas taxas de
inflação.
Com uma das características desse momento histórico, houve na área
político-econômica a ampliação do neoliberalismo, que surgiu a partir dos anos
1970, defendendo o livre-mercado e a mínima intervenção do Estado na
18
economia e no país como um todo, só devendo ocorrer em setores
imprescindíveis e ainda assim em um grau mínimo.
Caracteriza-se pela ausência de políticas sociais, deterioração dos
direitos trabalhistas, desregulamentação do trabalho, o aparato policial utilizado
de forma repressiva e coercitiva como forma de barrar as manifestações dos
trabalhadores.
Segundo Anderson (1995), a ideia do neoliberalismo é

Manter um Estado forte, sim, em sua capacidade de romper o poder


dos sindicatos e no controle do dinheiro, mas parco em todos os gastos
sociais e nas intervenções econômicas. A estabilidade monetária
deveria ser a meta suprema de qualquer governo. Para isso seria
necessária uma disciplina orçamentária, com a contenção dos gastos
com bem-estar, e a restauração da taxa “natural” de desemprego, ou
seja, a criação de um exército de reserva de trabalho para quebrar os
sindicatos. Ademais, reformas fiscais eram imprescindíveis, para
incentivar os agentes econômicos. Em outras palavras, isso significava
reduções de impostos sobre os rendimentos mais altos e sobre as
rendas. Desta forma, uma nova e saudável desigualdade iria voltar a
dinamizar as economias avançadas, então às voltas com uma
estagflação.

A base da economia é formada por empresas privadas, inclusive com a


privatização das estatais, a liberação do comércio e dos fluxos de capitais e
organizações internacionais, como FMI e Banco Mundial como mediadoras da
acumulação e transferência do capital dos países pobres para os ricos.
O Estado atua como incentivador da globalização, da circulação de capital
estrangeiro, como facilitador para a entrada de empresas estrangeiras por meio
de leis e regras mais flexíveis, intervindo nas mudanças das relações
internacionais, onde as fronteiras acabariam com a circulação financeira e
remessas de lucros de países periféricos para os centros financeiros globais.
A disseminação do neoliberalismo proporciona um aumento das
desigualdades sociais, com aumento nas taxas de desemprego, aumento da
violência, diminuição do poder aquisitivo, xenofobia, discriminação das
mulheres, aumento do aparato de repressão, inclusive contra o próprio
trabalhador, que tem seus direitos restringidos.
Conforme o editorial da Folha de S.Paulo, de 13 de junho de 2011:

A diferença entre ricos e pobres, que diminuiu sensivelmente nas


sociedades desenvolvidas durante a maior parte do século 20, dá
sinais de recrudescimento em países como EUA e Inglaterra. [...]
pesquisa encomendada pelo governo britânico projeta para as
próximas décadas níveis de desigualdade social equivalentes aos do
período vitoriano (1837-1901). [...] O padrão de vida geral elevou-se de
modo inimaginável, se comparado ao que vigia no século 19. Mesmo

19
assim, aparece como um retrocesso o agravamento das diferenças
entre ricos e pobres, em países onde tudo parecia encaminhar-se, não
para um nivelamento irrealista, mas a padrões razoáveis de
diferenciação baseados em mérito e esforço pessoal.

Alguns teóricos, entre eles Anderson (1995), criticam o neoliberalismo,


acusando-o de ter promovido muito mais uma versão especulativa do que
produtiva, o que significa que houve uma explosão de transações monetárias e
financeiras do que circulação de mercadoria reais.
Saiba mais
Assista ao filme A Dama de Ferro (2011), que permite uma discussão
sobre o significado do neoliberalismo e uma das suas principais líderes, Margaret
Thatcher (1925-2013), primeira ministra do Reino Unido entre 1979 e 1990.
Disponível em: <https://www.youtube.com/watch?v=Z-5V_8CQ20Q>. Acesso
em: 11 jul. 2018.

TROCANDO IDEIAS

Como observamos, o capitalismo exposto em nossa aula apresenta várias


características, que no decorrer da história vai se adaptando às novas condições
apresentadas, mas não só se adapta como também transforma essa realidade,
estabelece uma relação dialética. Esta relação cria e é criada por uma relação
contraditória e interdependente. O capitalismo proporciona uma série de conflitos
e diferenciações, não apenas pela questão econômica, mas também pela
dominação de culturas consideradas de segundo plano. Segundo Giddens
(2000, p. 534), “o capitalismo é um sistema econômico bem mais dinâmico do
que qualquer outro que o precedeu”. Reflita sobre essa experiência e responda
ao seguinte questionamento: pensando na forma como interagimos no mundo
capitalista, teremos condições de manter as culturas locais, ou, como vimos no
decorrer da aula, os países mais pobres são modelados pelos países
hegemônicos?

NA PRÁTICA

O texto de Perry Anderson faz um balanço do que seja o neoliberalismo e


como ele atua. Faça uma resenha (com aproximadamente 2 laudas) sobre o
neoliberalismo na contemporaneidade. Disponível em:
<http://paje.fe.usp.br/~mbarbosa/cursograd/anderson.doc>. Acesso em: 11 jul.
2018.
20
FINALIZANDO

O estudo das etapas do capitalismo permite observar que o capitalismo


se reinventa como uma forma de sobrevivência, mas mesmo nessa reinvenção
ele mantém em seu cerne a sua essência. Desde o seu surgimento, ele mantém
a sua principal característica, que é a divisão da sociedade em classes, sendo
os proprietários dos meios de produção e os assalariados aqueles que só restam
vender a sua força de trabalho, a sua capacidade de realizar determinada
atividade. Atualmente, podemos observar a nova onda conhecida por
neoliberalismo, que atinge a maioria dos países capitalistas, com um aumento
significativo do desemprego em consequência das leis trabalhistas difundidas
em todo o globo.

21
REFERÊNCIAS

ANDERSON, P. Balanço do neoliberalismo. In: SADER, E.; GENTILI, P. (Org.).


Pós-neoliberalismo: as políticas sociais e o Estado democrático. Rio de
Janeiro: Paz e Terra, 1995.

CASTELLS, M. A sociedade em rede. São Paulo: Paz e Terra, 2000.

GIDDENS, A. Sociologia. 6. ed. Porto Alegre: Artmed, 2005.

HOBSBAWN, E. Era dos extremos: o breve século XX (1914-1991). São Paulo:


Companhia das Letras. 2009.

HUBERMAN, L. História da riqueza do homem. 21. ed. Rio de Janeiro: LTC,


1989.

IANNI, O. O Estado-Nação na época da globalização. Econômica. Disponível


em: <http://www.uff.br/revistaeconomica/v1n1/octavio.pdf>. Acesso em: 11 jul.
2018.

MAIS desigualdade. Folha de S.Paulo, 13 jun. 2011. Disponível em:


<https://www1.folha.uol.com.br/fsp/opiniao/fz1306201102.htm>. Acesso em: 12
jul. 2018.

PENA, R. A era da informação. Kultura, out. 2017. Disponível em:


<https://issuu.com/folhaopiniao/docs/revista16out2017issuu>. Acesso em: 11
jul. 2018.

SMART money: por que o investidor certo é essencial para a sua empresa. Vivo:
Destino Negócio. Disponível em: <https://destinonegocio.com/br/financas/smart-
money-porque-o-investidor-certo-e-essencial-para-a-sua-empresa/>. Acesso
em: 12 jul. 2018.

22

Você também pode gostar