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SONEGAÇÃO FISCAL BRASILEIRA,

CULPA DO CONTRIBUINTE OU DO ESTADO

Gisley de Andrade Faria1


¹ Bacharel em Ciências Contábeis (UNIGRAN)
E-mail: gisleyms@gmail.com

Introdução: A sonegação de tributos no Brasil é praticada por pessoas físicas e


jurídicas, muitas vezes infelizmente, orientadas por profissionais formados e
atuantes na área de contabilidade, e talvez auxiliadas por funcionários públicos do
Estado. Algumas dessas pessoas, usam como argumento o fato de o país ter a
carga tributária mais onerosa do mundo, outras, culpam a corrupção, deixando
assim de cumprir com suas obrigações fiscais, prejudicando assim a sua população,
que depende do Estado para que este supra suas necessidades coletivas e
individuais. Objetivo: Este trabalho tem como escopo discorrer sobre a evasão
fiscal, suas possíveis causas e consequências, tanto para o Estado, quanto para sua
população. Métodos: Para o presente trabalho foi utilizada pesquisa bibliográfica,
consulta de livros, artigos e materiais da internet, com o intuito de argumentar sobre
o tema e a partir de uma análise teórica, chegar a uma conclusão sobre o tema.
Discussão: A tributação tem por objetivo principal, obter recursos para
financiamento geral do Estado, para que este possa atender ao interesse e os
anseios da população (PAULSEN, 2017). A sonegação fiscal de tributos no Brasil,
não é um problema novo, entretanto se tais tributos não fossem sonegados,
poderiam reforçar investimentos públicos, auxiliando a atenuar crises nas áreas de
educação, saúde e segurança, por meio de investimentos financeiros. Mas porque
os tributos são sonegados? As principais alegações para a sonegação destas
obrigações tributárias tem sido o excesso de tributos existentes no país, assim como
o desvio de verbas públicas, por meio da corrupção da máquina estatal, sendo
ambas as situações de natureza ilícita. E que contribuinte tem interesse em financiar
um Estado oneroso e corrupto? Assim, tem início a sonegação fiscal. São as
obrigações tributárias que vinculam o Estado, sujeito ativo, ao contribuinte, sujeito
passivo nessa relação jurídica, sendo que essa obrigação tributária pode ser
principal, surgindo com a ocorrência do fato gerador; ou acessória, que decorre da
legislação tributária (BRASIL, 1966). Se após a ocorrência do fato gerador, o
contribuinte, seja pessoa física ou jurídica, reduzir o valor referente a esta obrigação,
por meios fraudulentos ou até mesmo ocultá-lo, estará cometendo evasão fiscal,
prevista pela Lei n° 8.137/90, aumentando assim o déficit nas receitas para o
orçamento público (FABRETTI, 2015). A evasão fiscal cometida tem a intenção de
lesar o fisco, sendo considerada então crime contra a ordem tributária. De janeiro a
agosto do ano de 2018, foram sonegados aproximadamente 24,46%, do total
arrecadado com tributos. Entretanto, o Estado colabora com essa evasão fiscal, pois
há uma ausência de energia por parte dele para o combate contra este crime, falta
planejamento para fiscalização; há a morosidade por parte do poder Judiciário,
permitindo que muito processos venham a prescrever, com isso os grandes
sonegadores não pagam por seu crime; e caso o processo não perca sua validade,
basta que os sonegadores paguem ao fisco (caso seja descoberta sua sonegação,
do contrário continuam a praticá-la), para que não sejam presos; como exemplo
temos os acordos de leniência, além de também não existirem punições severas
para evasão fiscal; assim como funcionários públicos podem ajudar a cometer as
fraudes fiscais. Com relação ao profissional de contabilidade, o contador de uma
entidade, este somente é responsabilizado pela evasão fiscal quando é comprovada
sua vontade e consciência em realizar o ato ilícito, caso contrário, apenas aquele
que forneceu informações fraudulentas ao contador responde pelo ato. O Estado
também colabora com a evasão fiscal, de maneira indireta, ou seja, muito
contribuintes sonegam sem ter conhecimento; são os trabalhadores informais,
muitos deles perderam seus empregos porque seus empregadores não conseguem
arcar com os excessivos e pesados tributos, forçando-os a fecharem seus
empreendimentos e levando muitas pessoas ao desemprego, fazendo com que
estas trabalhem por conta própria. Conclusão: Sonegar impostos não é a solução
correta para a redução da carga tributária, nem para a diminuição da corrupção.
Diminuindo a sonegação, pode ser possível que haja uma diminuição de tributos,
podendo assim gerar um crescimento econômico com o aumento do consumo e com
o aumento da arrecadação, também poderia haveria um aumento de investimento
nas áreas sociais, e tanto o contribuinte, como o próprio Estado podem alterar essa
situação.

Palavras-chave: Sonegação; Tributos; Evasão.

Referências Bibliográficas

BRASIL. Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966: Código Tributária Nacional.


Brasília, DF, out 1966.

FABRETTI, Láudio Camargo. Contabilidade Tributária. 15 ed. São Paulo: Atlas,


2015. 386p.

MARQUES, Heitor Romero Marques (et al.). Metodologia da Pesquisa e do


Trabalho Científico. 5 ed. Campo Grande: UCDB, 2017. 140p.

LEITE, Fábio Henrique Cardoso; BIN, Marcia Crestani; SCHMITZ, Wanderlei Onofre.
Produção do Artigo Científico. 3. ed. Dourados, MS: Seriema Indústria Gráfica e
Editora Ltda-EPP, 2015. 218p.
PAULSEN, Leandro. Curso de Direito Tributário Completo. 8. ed. São Paulo:
Saraiva, 2017. 536p.

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