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GRADUAÇÃO

Ciências do
Ambiente
ME. GUSTAVO AFFONSO PISANO MATEUS
ME. RENATA CRISTINA DE SOUZA CHATALOV
ESP. JOÃO MARCOS PARDO

Híbrido
GRADUAÇÃO
Ciências do
Ambiente
Esp. João Marcos Pardo
Me. Gustavo Affonso Pisano Mateus
Me. Renata Cristina de Souza Chatalov
DIREÇÃO UNICESUMAR
Reitor Wilson de Matos Silva, Vice-Reitor e
Pró-Reitor de Administração Wilson de Matos
Silva Filho, Pró-Reitor Executivo de EAD William
Victor Kendrick de Matos Silva, Pró-Reitor de
C397 CENTRO UNIVERSITÁRIO DE MARINGÁ. Núcleo de Educação a
Ensino de EAD Janes Fidélis Tomelin, Presidente
Distância; MATEUS, Gustavo Affonso Pisano ; CHATALOV, Rena- da Mantenedora Cláudio Ferdinandi.
ta Cristina de Souza; PARDO, João Marcos.

Ciências do Ambiente. Gustavo Affonso Pisano Mateus; Rena- NEAD - NÚCLEO DE EDUCAÇÃO A DISTÂNCIA
ta Cristina de Souza Chatalov e João Marcos Pardo.
Maringá-PR.: Unicesumar, 2019. Diretoria Executiva Chrystiano Mincoff, James
240 p. Prestes e Tiago Stachon; Diretoria de Graduação
“Graduação - EAD”. e Pós-graduação Kátia Coelho; Diretoria de
Permanência Leonardo Spaine; Diretoria de
1. Ciências. 2. Ambiente. 3. EaD. I. Título.
Design Educacional Débora Leite; Head de
ISBN 978-85-459-1984-1 Produção de Conteúdos Celso Luiz Braga de Souza
CDD - 22 ed. 577 Filho; Head de Metodologias Ativas Thuinie Daros;
CIP - NBR 12899 - AACR/2 Head de Curadoria e Inovação Tania Cristiane Yoshie
Fukushima; Gerência de Projetos Especiais Daniel
F. Hey; Gerência de Produção de Conteúdos Diogo
Impresso por: Ribeiro Garcia; Gerência de Curadoria Carolina
Abdalla Normann de Freitas; Supervisão do Núcleo
de Produção de Materiais Nádila de Almeida
Toledo; Projeto Gráfico José Jhonny Coelho e
Thayla Guimarães Cripaldi; Fotos Shutterstock.

Coordenador de Conteúdo Crislaine Rodrigues


Galan e Fabio Augusto Gentilin.
Designer Educacional Janaína de Souza Pontes e
NEAD - Núcleo de Educação a Distância Yasminn Talyta Tavares Zagonel.
Av. Guedner, 1610, Bloco 4 - Jardim Aclimação Revisão Textual Érica Fernanda Ortega e Cíntia
CEP 87050-900 - Maringá - Paraná Prezoto Ferreira.
unicesumar.edu.br | 0800 600 6360 Editoração Isabela Mezzaroba Belido.
Ilustração Natália de Souza Scalassara
Realidade Aumentada Kleber Ribeiro, Leandro
Naldei e Thiago Surmani.
PALAVRA DO REITOR

Em um mundo global e dinâmico, nós trabalha-


mos com princípios éticos e profissionalismo, não
somente para oferecer uma educação de qualida-
de, mas, acima de tudo, para gerar uma conversão
integral das pessoas ao conhecimento. Baseamo-
-nos em 4 pilares: intelectual, profissional, emo-
cional e espiritual.
Iniciamos a Unicesumar em 1990, com dois
cursos de graduação e 180 alunos. Hoje, temos
mais de 100 mil estudantes espalhados em todo
o Brasil: nos quatro campi presenciais (Maringá,
Curitiba, Ponta Grossa e Londrina) e em mais de
300 polos EAD no país, com dezenas de cursos de
graduação e pós-graduação. Produzimos e revi-
samos 500 livros e distribuímos mais de 500 mil
exemplares por ano. Somos reconhecidos pelo
MEC como uma instituição de excelência, com
IGC 4 em 7 anos consecutivos. Estamos entre os
10 maiores grupos educacionais do Brasil.
A rapidez do mundo moderno exige dos
educadores soluções inteligentes para as ne-
cessidades de todos. Para continuar relevante, a
instituição de educação precisa ter pelo menos
três virtudes: inovação, coragem e compromisso
com a qualidade. Por isso, desenvolvemos, para
os cursos de Engenharia, metodologias ativas, as
quais visam reunir o melhor do ensino presencial
e a distância.
Tudo isso para honrarmos a nossa missão que é
promover a educação de qualidade nas diferentes
áreas do conhecimento, formando profissionais
cidadãos que contribuam para o desenvolvimento
de uma sociedade justa e solidária.
Vamos juntos!
BOAS-VINDAS

Prezado(a) Acadêmico(a), bem-vindo(a) à Co-


munidade do Conhecimento.
Essa é a característica principal pela qual a
Unicesumar tem sido conhecida pelos nossos alu-
nos, professores e pela nossa sociedade. Porém, é
importante destacar aqui que não estamos falando
mais daquele conhecimento estático, repetitivo,
local e elitizado, mas de um conhecimento dinâ-
mico, renovável em minutos, atemporal, global,
democratizado, transformado pelas tecnologias
digitais e virtuais.
De fato, as tecnologias de informação e comu-
nicação têm nos aproximado cada vez mais de
pessoas, lugares, informações, da educação por
meio da conectividade via internet, do acesso
wireless em diferentes lugares e da mobilidade
dos celulares.
As redes sociais, os sites, blogs e os tablets ace-
leraram a informação e a produção do conheci-
mento, que não reconhece mais fuso horário e
atravessa oceanos em segundos.
A apropriação dessa nova forma de conhecer
transformou-se hoje em um dos principais fatores de
agregação de valor, de superação das desigualdades,
propagação de trabalho qualificado e de bem-estar.
Logo, como agente social, convido você a saber
cada vez mais, a conhecer, entender, selecionar e
usar a tecnologia que temos e que está disponível.
Da mesma forma que a imprensa de Gutenberg
modificou toda uma cultura e forma de conhecer,
as tecnologias atuais e suas novas ferramentas,
equipamentos e aplicações estão mudando a nossa
cultura e transformando a todos nós. Então, prio-
rizar o conhecimento hoje, por meio da Educação
a Distância (EAD), significa possibilitar o contato
com ambientes cativantes, ricos em informações
e interatividade. É um processo desafiador, que
ao mesmo tempo abrirá as portas para melhores
oportunidades. Como já disse Sócrates, “a vida
sem desafios não vale a pena ser vivida”. É isso que
a EAD da Unicesumar se propõe a fazer.
Seja bem-vindo(a), caro(a) acadêmico(a)! Você
está iniciando um processo de transformação,
pois quando investimos em nossa formação, seja
ela pessoal ou profissional, nos transformamos e,
consequentemente, transformamos também a so-
ciedade na qual estamos inseridos. De que forma
o fazemos? Criando oportunidades e/ou estabe-
lecendo mudanças capazes de alcançar um nível
de desenvolvimento compatível com os desafios
que surgem no mundo contemporâneo.
O Centro Universitário Cesumar mediante o
Núcleo de Educação a Distância, o(a) acompa-
nhará durante todo este processo, pois conforme
Freire (1996): “Os homens se educam juntos, na
transformação do mundo”.
Os materiais produzidos oferecem linguagem
dialógica e encontram-se integrados à proposta
pedagógica, contribuindo no processo educa-
cional, complementando sua formação profis-
sional, desenvolvendo competências e habilida-
des, e aplicando conceitos teóricos em situação
de realidade, de maneira a inseri-lo no mercado
de trabalho. Ou seja, estes materiais têm como
principal objetivo “provocar uma aproximação
entre você e o conteúdo”, desta forma possibilita
o desenvolvimento da autonomia em busca dos
conhecimentos necessários para a sua formação
pessoal e profissional.
Portanto, nossa distância nesse processo de
crescimento e construção do conhecimento deve
ser apenas geográfica. Utilize os diversos recursos
pedagógicos que o Centro Universitário Cesumar
lhe possibilita. Ou seja, acesse regularmente o Stu-
deo, que é o seu Ambiente Virtual de Aprendiza-
gem, interaja nos fóruns e enquetes, assista às aulas
ao vivo e participe das discussões. Além disso,
lembre-se que existe uma equipe de professores e
tutores que se encontra disponível para sanar suas
dúvidas e auxiliá-lo(a) em seu processo de apren-
dizagem, possibilitando-lhe trilhar com tranquili-
dade e segurança sua trajetória acadêmica.
APRESENTAÇÃO

Seja bem-vindo(a)! Estima-se que a vida na Terra existe há cerca de 3,5


bilhões de anos, no entanto, apenas há duzentos anos que a vida humana
se tornou mais confortável devido aos grandes avanços na área tecnológica.
Nesses duzentos anos, a população mundial aumentou significativamente,
a sociedade tornou-se cada vez mais consumista e, com isso, houve um
aumento no consumo de recursos naturais que estão tornando-se cada
vez mais escassos.
A história do homem no planeta é diferente se compararmos com os demais
animais, pois o homem se apropria da natureza para satisfazer suas neces-
sidades, criando sistemas mais elaborados, embasados em tecnologias que
nem sempre são sustentáveis, que podem ocorrer de forma tão acelerada
que os sistemas naturais não conseguem repor tudo com a mesma agilidade
em que são consumidos.
Nosso planeta, a água, o ar e o solo estão deteriorando qualitativamente,
colocando em evidência o prejuízo biológico de muitas espécies, das quais o
homem está incluído. Como exemplos de degradação ambiental, podemos
citar: as queimadas, o consumo de combustíveis fósseis, o desflorestamento,
a poluição das águas, do ar, do solo, entre outros que, na maioria das vezes,
têm origem antrópica.
Dessa forma, quando estudamos as questões ambientais, nós estudamos
temas muito importantes para a formação acadêmica, tanto que a inter-
disciplinaridade é essencial para compreensão do tema e exige esforços
de profissionais nas mais diversas áreas do conhecimento. Nesse sentido,
procuramos contribuir na disciplina de Ciências do Ambiente.
Diante desse contexto, trataremos dos nossos estudos de Ciências do Am-
biente que foram divididos em nove unidades.
Nas Unidades 1 e 2, estudaremos o meio ambiente e o desenvolvimento
sustentável. Veremos os conceitos de meio ambiente e desenvolvimento
sustentável, apresentando seu histórico, bem como as questões do meio
ambiente no meio econômico com bens e serviços ambientais.
Nas Unidades 3 e 4, estudaremos sobre o gerenciamento e tratamento
de águas e efluentes. Abordaremos os conceitos de águas subterrâneas,
as questões da qualidade da água e as formas de tratamento de efluentes.
Nas Unidades 5 e 6, abordaremos a questão de resíduos sólidos, desde
a geração, a coleta, o acondicionamento, o transporte, o tratamento e a
destinação final.
Na Unidade 7, analisaremos o controle e qualidade de emissões atmosféricas
e conceituaremos a poluição atmosférica, bem como suas formas de controle.
Finalmente, nas Unidades 8 e 9, estudaremos as questões da Política Am-
biental no Brasil, apresentando as legislações ambientais vigentes e a im-
plementação de Sistemas de Gestão Ambiental.
Desejamos a você ótimos estudos!
CURRÍCULO DOS PROFESSORES

Esp. João Marcos Pardo


Especialização em Educação à Distância pelo Instituto Eficaz (2017-2018). Graduação em
Engenharia Civil pelo Centro de Ensino Superior de Maringá (2012-2016). Especialização em
andamento em Gestão de Projetos e Docência no Ensino Superior pela Unicesumar. Atual-
mente, é Professor Mediador I do Centro de Ensino Superior de Maringá. Tem experiência
na área de Engenharia Civil, com ênfase em gestão de resíduos sólidos na construção civil,
projeto arquitetônico e licitação em obras públicas.
Currículo Lattes disponível em: http://lattes.cnpq.br/7568262155594348

Me. Gustavo Affonso Pisano Mateus


Mestrado em Biotecnologia Ambiental pela Universidade Estadual de Maringá (UEM). Espe-
cialização em Docência no Ensino Superior e Análise Ambiental pela Unicesumar e Graduação
em Ciências Biológicas pelo Centro Universitário de Maringá (Unicesumar). Possui experiência
nas áreas de Fitossanidade, com ênfase em fungos fitopatogênicos e Tratamentos Alternativos
de Água e Efluentes, em especial com os temas: processos de separação por membranas e
coagulantes naturais. Atualmente, é aluno do Programa de Pós-Graduação em Biotecnologia
Ambiental da Universidade Estadual de Maringá em nível de Doutorado.
Currículo Lattes disponível em: http://lattes.cnpq.br/1379816809384173

Me. Renata Cristina de Souza Chatalov


Possui Mestrado em Engenharia Urbana pela Universidade Estadual de Maringá – UEM, Es-
pecialização em Gestão Ambiental pela Faculdade Estadual de Ciências e Letras de Campo
Mourão – FECILCAM, Graduação em Engenharia Ambiental e Sanitária pelo Centro Universi-
tário de Maringá (Unicesumar); Graduação em Tecnologia Ambiental pelo Centro Federal de
Educação Tecnológica do Paraná. Tem experiência em pesquisa na área de Sistema de Gestão
de Qualidade e na Área Ambiental, com ênfase em Tecnologias Avançadas de Tratamento de
Efluentes, Gestão e Tratamento de Resíduos Sólidos. Trabalha como Professora Formadora no
curso de Gestão Ambiental, Gestão de Recursos Humanos, Gestão de Negócios Imobiliários,
Segurança do Trabalho no EAD, no Centro Universitário Maringá (Unicesumar). Trabalhou
como professora no curso de graduação em Administração na Faculdade Metropolitana
de Maringá. Professora da disciplina de Indústria e Meio Ambiente na Pós-graduação em
Gestão Ambiental na Faculdade Metropolitana de Maringá. Professora da pós-graduação
EAD - Unicesumar.
Currículo Lattes disponível em: http://buscatextual.cnpq.br/buscatextual/visualizacv.
do?id=K4400997J9
Meio Ambiente e
Sustentabilidade

13

Dinâmicas
Ambientais

43

Gerenciamento
de Recursos
Hídricos - Captação e
Tratamento de Água

71
Gerenciamento de Poluição Atmosférica
Recursos Hídricos – – Controle e
Tratamento de Qualidade
Águas Residuárias das Emissões

91 157

Resíduos Sólidos
– Geração, A Política Ambiental
Classificação, no Brasil
Coleta e Transporte

115 193

Resíduos Sólidos – Gestão Ambiental -


Tratamento e Certificação e
Disposição Final Auditoria Ambiental

135 215
53 Ciclo da água
142 Aterro sanitário

Utilize o aplicativo
Unicesumar Experience
para visualizar a
Realidade Aumentada.
Esp. João Marcos Pardo
Me. Gustavo Affonso Pisano Mateus

Meio Ambiente e
Sustentabilidade

PLANO DE ESTUDOS

Alterações de O que é Desenvolvimento


Origem Antrópica Sustentável?

O que é Meio A Questão Ambiental De que se trata a


Ambiente? nas Empresas Sustentabilidade?

OBJETIVOS DE APRENDIZAGEM

• Definir meio ambiente de acordo com as mudanças que • Definir desenvolvimento sustentável a partir de seu en-
o conceito sofre com o passar do tempo. tendimento em âmbito internacional.
• Entender como a ação humana interfere nos ambientes • Definir sustentabilidade e sua relação com sistemas du-
naturais. ráveis.
• Descrever como a questão do meio ambiente evoluiu junto
aos meios de produção ao longo das revoluções industriais.
O Que é
Meio Ambiente?

Olá, aluno(a)! Seja bem-vindo(a) à primeira uni-


dade do livro de Ciências do Ambiente: “Meio
Ambiente e Sustentabilidade”. Esta unidade tem
como objetivo ajudar-te a compreender o contex-
to histórico acerca das modificações ambientais
de origem antrópica, ou seja, a capacidade e a ne-
cessidade do homem em modificar o ambiente a
sua volta. Mediante uma breve retrospectiva his-
tórica, iremos discutir sobre alguns marcos his-
tóricos que influenciaram os modelos sociais e
que foram, em parte, responsáveis pelos processos
produtivos como nós os conhecemos.
Em seguida, iremos conhecer algumas espe-
cificidades acerca dos conceitos de sustentabi-
lidade e desenvolvimento sustentável e discutir
os motivos pelos quais ambos conceitos são tão
relevantes na atualidade e também em suas jor-
nadas acadêmicas e profissionais. Iremos, ainda,
conhecer algumas de suas aplicações em ambien-
tes empresariais/coorporativos, representadas por
algumas normas de certificação socioambiental.
Sendo assim, convido você a uma leitura acerca
dos conceitos apresentados.
Bons estudos!
As ciências do ambiente compreendem um campo acadêmico multidisciplinar que integra as ciências
físicas e biológicas e sua ampla gama de recursos para a compreensão dos fenômenos ambientais
existentes, visando o desenvolvimento de soluções para as problemáticas ambientais atuais.

Inicialmente, realizaremos uma retrospectiva histó- da Lei nº. 6.938/81, que discorre acerca da Política
rica para compreender e conhecer as definições de Nacional do Meio Ambiente, que definiu meio
meio ambiente existentes, bem como a intensidade ambiente como:



e origem das alterações e impactos ambientais.
É fato que as definições atuais de meio ambien- o conjunto de condições, leis, influências e
te são resultado de uma série de estudos, reflexões interações de ordem física, química e bioló-
e eventos históricos acerca desse tema, que foram gica, que permitem, abrigam e regem a vida
fundamentais para a compreensão desse conceito em todas as suas formas (BRASIL, 1981).
em sua totalidade. As preocupações com o am-
biente tomaram proporções internacionais em Entretanto, analisando esse conceito, é comum
1960, atingindo seu ápice na década seguinte, com nos remetermos apenas a ambientes naturais, pai-
o relatório e marco histórico intitulado: Os limites sagens, ecossistemas e outros meios de obtenção
do crescimento (The limits to Growth), divulgado de recursos naturais que sejam possíveis.
pelos intelectuais e empresários que faziam parte Apesar de correto, o conceito apresentado de-
do Clube de Roma. veria ser mais abrangente, englobando ambien-
Conforme Salheb et al. (2009), o relatório bus- tes “naturais” oriundos da intervenção antrópica,
cava a limitação do desenvolvimento econômico conforme postulado por Silva (2004, p. 20), o qual
baseado na extração de recursos naturais, porém, compreende que



para os países em desenvolvimento, como o Brasil,
as sugestões do relatório não foram convenientes, [...] a natureza, o artificial e o original, bem
uma vez que limitava a exploração de recursos, como os bens culturais correlatos, com-
“restringindo”, consequentemente, seu desenvol- preendendo, portanto, o solo, a água, o ar,
vimento econômico. a flora, as belezas naturais, o patrimônio
Uma das principais contribuições desse relató- histórico, artístico, turístico, paisagístico e
rio consistiu no despertar da consciência ambien- arquitetônico.
tal coletiva, uma vez que, em sua conclusão, foram
apresentados indícios de que, em uma projeção Logo, passamos a considerar as alterações estrutu-
fictícia, caso fossem mantidos os níveis de indus- rais realizadas no meio ambiente como parte de sua
trialização, poluição e exploração de recursos, o composição. Contudo, a Constituição Federal de
limite de desenvolvimento do planeta seria atin- 5 de outubro de 1988 alterou o conceito até então
gido em até 100 anos. utilizado, conforme pode ser observado na Tabela 1,
Entretanto, apesar das discussões e controvér- passando a incluir uma vertente relacionada à prá-
sias envolvendo o conceito de meio ambiente, este tica laboral, como reflexo ao advento dos direitos
somente foi disposto em nosso país no art. 3º, I, trabalhistas expressivos naquele período histórico.

UNIDADE 1 15
Tabela 1 - Tipos de Ambiente definido pela Constituição Federal de 1988
NATURAL ARTIFICIAL CULTURAL (PATRIMÔNIO) TRABALHO
Fauna, Flora, Ecos- Conjunto de edifi- Cultural, Artístico, Arqueoló- Conjunto de condições
sistemas, Solo, Água cações particulares gico, Paisagístico, Manifesta- existentes no local de
e Atmosfera. ou públicas, princi- ções culturais e populares. trabalho relacionadas à
palmente urbanas. qualidade de vida do tra-
balhador.
(Art. 225, § 1°, I e VII) (Art. 5°, XXIII, art. 21, (Art. 225, § 1° e § 2º) (Art. 7°, XXXIII, e art. 200)
XX e art.182)
Fonte: adaptada de Alencastro (2012).

Podemos concluir que Meio Ambiente é o termo utilizado para designar quaisquer espaços físicos,
naturais, artificiais, culturais e, até mesmo, de trabalho, que se relacionem com a vida no planeta
Terra. Meio Ambiente não somente se refere a florestas, rios, lagos e outros ambientes naturais.

Essa nova definição de meio ambiente, que apre- não serão solucionados apenas com o advento do
senta caráter amplo e generalista, leva-nos a uma cenário tecnológico, mas por uma ação conjunta
reflexão sobre nosso próprio posicionamento en- de avanços no paradigma científico e mudanças
quanto seres humanos e como “parte” constituinte comportamentais (PIRES et al., 2014).
do meio ambiente. Nesse sentido, dentre as várias contribuições
Em um contexto histórico, a vertente teórica do voltadas a essa perspectiva crítica, destacam-se os
homem enquanto centro do universo surgiu e foi valores ambientais sugeridos pelo ecocentrismo,
evidenciada com o antropocentrismo – concepção que se refere ao grau de conscientização, interesse,
criada em resposta ao posicionamento teocentrista esforços e engajamento sobre os problemas am-
da Idade Média. Na concepção antropocentrista, bientais (DUNLAP, 2008).
o homem passa a considerar a humanidade como Nesse entendimento, caro(a) aluno(a), po-
ponto central do universo, pressupondo que o meio demos inferir que dependemos diretamente do
ambiente e as demais espécies existem para servir meio ambiente, uma vez que tudo o que nos cerca
e satisfazer suas necessidades (PIRES et al., 2014). é considerado parte fundamental e componente
Essa vertente, em um contexto moderno, está inti- do meio ambiente. Assim, toda e qualquer forma
mamente associada à desvalorização e degradação do ambiente está diretamente relacionada com o
do meio ambiente e das outras espécies, uma vez bem-estar da população e com o desenvolvimen-
que, dentro de seu contexto e momento histórico, o to social, especialmente pelos recursos biológicos,
antropocentrismo considera a natureza e todos os químicos e físicos que o meio ambiente em sua
seus componentes subordinados à espécie humana. totalidade proporciona para a manutenção da vida
Assim, observa-se que a destruição intrínseca em nosso planeta. Logo, um colapso ambiental re-
à presença humana no ambiente está atrelada a sultaria em sérias consequências para a saúde da
um comportamento patológico, prejudicial à so- população. Alguns exemplos de consequências das
brevivência humana e de outras formas de vida. alterações antrópicas serão abordados ao longo
Portanto, os impactos causados ao meio ambiente deste material didático.

16 Meio Ambiente e Sustentabilidade


Cabe ressaltar que, dentre as espécies
que habitam nosso planeta, os seres
humanos (Homo sapiens sapiens)
destacaram-se em função de sua ca-
pacidade de transformação do am-
biente. Tal fato não significa que as
demais espécies, aqui presentes, não
sejam providas de intelecto, porém,
o ser humano, em uma perspectiva
evolutiva, apresentou características
e habilidades que favoreceram seu
pleno desenvolvimento e sua capa-
cidade de adaptação.

UNIDADE 1 17
Alterações de
Origem Antrópica

Segundo Ninis e Bilibio (2012), a separação da


condição animal do homem ocorreu em função
de uma série de fatores, como o domínio do fogo,
aquisição da linguagem, a formação de sociedades,
o advento da agricultura, dentre outros. Entretan-
to, independentemente da razão, ainda de acordo
com os autores, o ser humano apresenta certas ca-
racterísticas que os tornam únicos em um sistema
natural, sendo elas: crenças, consciência da própria
morte; razão; moral; domínio tecnológico apura-
do; capacidade de aprendizagem; adaptabilidade;
cultura e sociedade e, em especial, a capacidade
de alteração ou modificação do meio em que vive.
Seria de grande pretensão listar todos os fatos,
acontecimentos e passos evolutivos que garanti-
ram ou possibilitaram o sucesso do ser humano
até os dias atuais, entretanto, minha intenção aqui
é ressaltar que, independente do acontecimento
ou passo evolutivo, a capacidade de análise do am-
biente a sua volta, sua capacidade de modificá-lo
e sua dinâmica com ele é que promoveu tal passo.
Em face dessa capacidade, a dinâmica do ho-
mem com o ambiente foi sendo constantemente
alterada, os meios naturais que já possuíam dinâ-
micas próprias, inerentes à influência do homem
e caracterizadas, principalmente, pela presença

18 Meio Ambiente e Sustentabilidade


de um fluxo de energia e matéria entre seus ele- existe certa dificuldade em estabelecer uma defi-
mentos constituintes, passaram a ser substituídos nição concreta para o termo “tecnologia”, uma vez
por ambientes artificiais, voltados à produção em que, historicamente, diferentes interpretações ou
ampla escala de bens e serviços (CORTEZ; OR- considerações podem ser realizadas ou atreladas
TIGOZA, 2009). a esse conceito. Entretanto, tais autores postulam:



Findada uma explicação inicial e não extensiva
sobre a capacidade do ser humano de alterar o [...] torna-se notório conhecer que as pa-
meio ambiente, torna-se essencial discorrer sobre lavras técnica e tecnologia tem origem co-
os impactos e modificações sobre uma perspecti- mum na palavra grega techné que consistia
va ambiental. É fato que, historicamente, as ações muito mais em se alterar o mundo de forma
antrópicas foram responsáveis por inúmeras mo- prática do que compreendê-lo. [...] Na técni-
dificações ambientais e tais alterações apresenta- ca, a questão principal é do como transfor-
ram diversas vertentes positivas e negativas. Um mar, como modificar. O significado original
exemplo notório dessa afirmação é representa- do termo techné tem sua origem a partir de
do pela Revolução Industrial – período no qual uma das variáveis de um verbo que signifi-
houve intensa e extensiva exploração de recursos ca fabricar, produzir, construir, dar à luz, o
naturais e, consequentemente, elevada geração verbo teuchô ou tictein, cujo sentido vem de
de resíduos persistentes; em contrapartida, esse Homero; e teuchos que significa ferramen-
período proporcionou amplo desenvolvimento ta, instrumento. [...] A palavra tecnologia
de novas tecnologias e vasto conhecimento so- provém de uma junção do termo tecno, do
bre processos produtivos, bens e serviços que grego techné, que é saber fazer, e logia, do
influenciaram na melhoria da qualidade de vida grego logus, razão. Portanto, tecnologia é a
da população no período; tal avanço tecnológico razão do saber fazer [...]. Em outras palavras
se estende até os dias atuais e são responsáveis, o estudo da técnica. O estudo da própria
de certa forma, pelo modelo social e econômico atividade de modificar, do transformar, do
como nós o conhecemos. agir (VERAZSTO et al., 2008, p. 62).
Incontáveis estudos atuais apontam que as mo-
dificações ambientais de origem antrópica vêm Logo, o desenvolvimento de técnicas e tecnologias
alterando, significativamente, os ecossistemas na- para otimização de quaisquer processos produ-
turais, consumindo recursos desenfreadamente e tivos, apesar de necessários para o atendimento
causando alterações aos meios naturais, tornando das demandas populacionais cada vez mais cres-
a associação desses fatores responsáveis pela dimi- centes, tomaram vias contrárias ao equilíbrio e
nuição da qualidade de vida da população. Aliás, manutenção ambiental. Diversos autores indicam
caro(a) aluno(a), arriscaria-me a inferir que gran- que a crise ambiental da modernidade é oriunda
de parte da produção científica de nosso país, nas de um modelo societário pautado em metodolo-
mais diversas áreas do conhecimento, são voltadas gias desenvolvimentistas e com visão exclusiva
ao desenvolvimento de tecnologias e/ou técnicas ao progresso científico e tecnológico, resultando,
relacionadas à diminuição de impactos, prevenção assim, em uma sociedade extremamente consu-
e recuperação ambiental. mista e utilitarista que atrela a degradação am-
Tal afirmação nos remete à necessidade de dis- biental apenas a uma mínima consequência de
tinguir tais conceitos. Para Verazsto et al. (2008), seus processos (LEFF, 2010).

UNIDADE 1 19
Ainda nessa linha de raciocínio, para Sampaio et al. (2013), o Em outras palavras, segun-
estabelecimento do sistema capitalista, no qual vivemos, consoli- do Carvalho e Almeida (2008),
da-se por meio da degradação ambiental e é baseado em teorias o conceito descreve a trajetória
neoclássicas que buscam legitimar cientificamente a convicção de (em tempo) pela qual a poluição
que o crescimento econômico e tecnológico é capaz de solucionar de um país seguirá como resul-
problemas de degradação ambiental com o passar do tempo. tado do desenvolvimento eco-
A teoria econômica que melhor embasa esse pensamento é a nômico. Quando o crescimento
chamada Curva Ambiental de Kuznets, que estabelece uma relação ocorre em um país extremamen-
direta entre a distribuição individual de renda e a degradação am- te pobre, a poluição inicialmente
biental. Mediante informações referentes ao crescimento e distri- cresce drasticamente, especial-
buição de renda dos Estados Unidos, Inglaterra e Alemanha, o autor mente em função do aumento
Kuznets formulou uma curva em “U invertido”, que, teoricamente, na produção que geram emis-
indica que a distribuição individual da renda tende a ser pior nos sões dos mais variados poluentes
primeiros estágios do desenvolvimento econômico; entretanto, fa- e porque o país, dado sua pobre-
tores, como alterações na composição da produção e do consumo, za, coloca uma baixa prioridade
aumento do nível educacional e da conscientização relacionada às sobre o controle da degradação
questões ambientais, bem como sistemas políticos mais abertos, em ambiental. Logo, uma vez que o
teoria, a partir de determinado ponto, resultam em tendências am- país atinge determinado grau de
bientais favoráveis, proporcionando um crescimento da renda per desenvolvimento, sua prioridade
capita, ou seja, melhor distribuição de renda e, consequentemente, muda e volta-se para a proteção
um consumo mais racional dos recursos naturais. da qualidade ambiental.
Em relação ao “compor-
tamento” da curva, conforme
Carvalho e Almeida (2008),
vários fatores podem ser indi-
cados como “responsáveis” por
Degradação Ambiental

seu formato, dentre eles:


1. Favorecimento e aprecia-
ção da qualidade ambien-
tal, ou seja, mediante o
aumento de renda, a po-
pulação tende a requerer
maior qualidade ambiental.
2. Alterações na composição
da produção e do consumo.
3. Aumento dos níveis de
educação ambiental e
conscientização das con-
Renda per capta em função da Educação
sequências das atividades
Figura 1 - Curva de Kuznets econômicas sobre o meio
Fonte: o autor. ambiente.

20 Meio Ambiente e Sustentabilidade


4. Desenvolvimento de sistemas políticos comparativa aumentada em relação à produção
mais abertos. de bens ambientalmente sensíveis (produzidos
por indústrias “sujas” ou altamente poluidoras)
Dentre outros fatores, como aumento na rigidez (SIEBERT, 1977).
da regulação ambiental impulsionada pelo au- Historicamente, e pautadas nos princípios des-
mento da pressão social, melhorias tecnológicas sa hipótese, as indústrias consideradas poluidoras
e uma amplitude comercial também podem estar ou “sujas” deslocaram-se do norte para o sul, ou,
atrelados a esse fenômeno. em uma analogia plausível, dos países desenvol-
Existem, ainda, autores que desacreditam ou vidos para os em desenvolvimento. Porém, evi-
descredibilizam a teoria Kuznets, especialmente dências empíricas não sustentam essa hipótese,
em função de outras teorias ou hipóteses, como, especialmente em relação à competitividade entre
por exemplo, a hipótese de poluição de portos. os países desenvolvidos e os em desenvolvimento
Esta gira em torno da relação entre o comércio, e a vantagens comparativas (AZEVEDO, 2009).
desenvolvimento e o meio ambiente e, basica- Dentre os fatores que “desqualificam” essa van-
mente, segundo Feijó (2001) e Azevedo (2009), tagem competitiva/comparativa em termos de
sugerem que a utilização de políticas ambientais mercado econômico internacional, figuram não
aumenta os custos de produção, reduzindo a pos- somente os custos de controle ambiental, mas
sibilidade de especialização de alguns países na também a estabilidade política, acesso ao merca-
produção de bens que exigem atividades polui- do, qualificação e especialização de mão de obra,
doras. Em outras palavras, países com políticas custos com logística e transporte e incentivos fis-
ambientais menos rígidas apresentam vantagem cais (ANDERSON, 1996).

Independentemente do modelo teórico utilizado para a compreensão do desenvolvimento, é fato


que deve haver uma harmonização entre o desenvolvimento/crescimento econômico e a exploração
de recursos naturais ou, em outras palavras, sustentabilidade!

UNIDADE 1 21
A Questão Ambiental
nas Empresas

Em sua essência, o principal objetivo das ativida-


des de uma empresa é o lucro. Essa problemática
de todas as empresas traz com ela várias preocu-
pações inerentes a qualquer processo produtivo
há tempos longínquos, mas principalmente esta:
Como gastar menos recursos e produzir mais,
maximizando meus lucros?
Após as duas Revoluções Industriais – a pri-
meira, na metade do século XVIII, e a segunda a
partir da metade final do século XX – a indústria
existente sofreu drásticas modificações, princi-
palmente relacionadas à organização do trabalho.
A mecanização do trabalho com a evolução das
máquinas trouxe uma nova realidade às empre-
sas. Agora, é necessário preocupar-se com no-
vas legislações relacionadas à saúde e segurança
do trabalhador e normas de vigilância sanitária,
além das limitações financeiras que começaram
a existir, afinal, era preciso recursos financeiros
para adquirir os meios de produção. Quem não
conseguiu seguir o ritmo acelerado das transfor-
mações, foi engolido pelo mercado e, basicamente,
deixou de existir.

22 Meio Ambiente e Sustentabilidade


Em termos de utilização de recursos, houve um cionalização e padronização. Propõe incen-
crescimento e evolução exponencial. Trabalhos tivos salariais e prêmios pressupondo que as
que, antes, eram realizados manualmente e que pessoas são motivadas exclusivamente por
levavam muito tempo a serem concluídos e que, interesses salariais e materiais de onde surge
consequentemente, significam uma produção me- o termo ‘homo economicus’ [...].
nor, agora, passam a ser realizados por maquiná-
rios avançados em um tempo muito, muito menor. Outra corrente teórica relevante foi desenvolvida
Se minha empresa passa a produzir mais, isso por Henry Ford, por volta de 1913, pautada nos
quer dizer que eu gasto mais recursos e gero mais mesmos princípios de Taylor, entretanto, com uma
resíduos ao final do meu processo produtivo. abordagem abrangente de organização da produ-
Então, o que antes limitava-se a apenas algumas ção, contemplando extensa mecanização, como
centenas de quilos por semana, agora passa a ser o uso de máquinas e ferramentas especializadas
toneladas de resíduos todos os dias. Você conse- em uma linha de montagem e formato de esteira
gue, a partir daí, entender qual outra preocupação rolante e crescente divisão do trabalho (LARAN-
começa a surgir no contexto empresarial, além das JEIRA, 1999).
mencionadas anteriormente? A título de comparação, antes de Ford surgir
A questão do meio ambiente. com o sistema de produção por esteiras, a fabrica-
Segundo Xavier et al. (2015), a necessidade ção de um veículo Ford T levava, em média, 12,5
do aumento da produção possibilitou o surgi- horas. Após a revolução na indústria trazida por
mento de diversos modelos de produção inicial- meio da linha de montagem de Ford, em que cada
mente aplicados à indústria automobilística e trabalhador realizava uma função específica, esse
que, posteriormente, foram adotados e adapta- tempo foi reduzido para, pasmem, 93 minutos
dos por indústrias dos mais variados segmentos, (SZEZERBICKI; PILATTI; KOVALESKI, 2004).
revolucionando o pensamento administrativo e, A partir do momento em que se aumenta o
em especial, o mundo industrial. Dentre eles, a passivo ambiental gerado com os resíduos de-
teoria da administração científica de Frederick correntes dos meus processos produtivos, even-
W. Taylor, que se baseia em métodos de ciência tualmente passa-se a ter problemas relacionados
positiva, racional e metódica em relação aos pro- ao impacto das atividades, principalmente in-
blemas administrativos, objetivando maximizar a dustriais, no meio ambiente em que estou inse-
produtividade. Taylor propôs métodos e sistemas rido, seja ele natural ou artificial. A população
racionais e disciplinados voltados ao operário, passa a ter problemas de saúde relacionados a
colocando-o sob comando da gerência. Segundo potenciais agentes poluidores, aumenta-se o
Matos e Pires (2006, p. 509): custo com limpeza pública, além de, é claro, os

““
danos causados à fauna e flora nativas. Surgem
[...] promovendo a seleção rigorosa dos mais políticas públicas (leia-se multas) que abordarão
aptos para realizar as tarefas; a fragmentação esses problemas. Logo, as indústrias não teriam
e hierarquização do trabalho. Investiu nos mais que se adaptar aos modelos sugeridos pelos
estudos de tempos e movimentos para me- gestores, mas sim os gestores passaram a se adap-
lhorar a eficiência do trabalhador e propôs tar às necessidades dos processos e das empresas,
que as atividades complexas fossem dividi- buscando torná-las competitivas e, sobretudo,
das em partes mais simples facilitando a ra- lucrativas (XAVIER et al., 2015).

UNIDADE 1 23
Em face dos desafios existentes, os profissionais desse segmento passaram a deparar-se não somente
às necessidades de cada empresa, mas também com as preocupações com o meio ambiente, que con-
sistem em alinhar as questões ambientais (legislações ambientais pertinentes), de forma a interferir
minimamente nos lucros da empresa, buscando a sustentabilidade e o desenvolvimento sustentável.
Qual a diferença entre esses dois termos? A partir de agora, iremos, juntos, conhecer as mais diversas
definições, variáveis e aplicações relacionadas a esse conceito.

24 Meio Ambiente e Sustentabilidade


O Que é
Desenvolvimento
Sustentável?

Em 1987, surge o conceito de desenvolvimen-


to sustentável como resultado das reflexões da
Comissão Mundial do Meio Ambiente e Desen-
volvimento, patrocinada pela Organização das
Nações Unidas (ONU). O relatório publicado pela
comissão ficou conhecido como o “Relatório de
Brundtland”, em homenagem à coordenadora da
comissão Gro Harlem Brundtland. O relatório in-
titulado “Nosso futuro comum” ou “Our commom
future” versava sobre a desigualdade econômica
entre os países e apontava a pobreza como uma
das grandes causas dos problemas ambientais;
como solução, o relatório apontou detalhadamen-
te as medidas, esforços e desafios que deveriam ser
superados para que fosse possível alcançar o de-
senvolvimento sustentável (XAVIER et al., 2015).
Nesse instante é que foi introduzida a ideia
de que o desenvolvimento econômico atual deve
ocorrer sem comprometer as necessidades das
gerações vindouras (SEIFFERT, 2009). Sendo
considerado um marco inovador em raciocínio
ambiental da época, o relatório discorreu sobre:

UNIDADE 1 25


[...] estratégias ambientais de longo prazo Sustentabilidade social: que representa a
para obter um desenvolvimento sustentável equidade na distribuição dos bens e da renda para
por volta do ano 2000 e daí em diante; reco- melhorar os direitos e condições da população,
mendar maneiras para que a preocupação e reduzir as distâncias entre os padrões de vida
com o meio ambiente se traduza em maior das pessoas.
cooperação entre os países em desenvolvi- Sustentabilidade econômica: representa a
mento e entre países em estágios diferentes distribuição e gestão eficiente dos recursos pro-
de desenvolvimento econômico e social e dutivos, bem como fluxo regular de investimentos
leve à consecução de objetivos comuns e in- público e privado.
terligados que considerem as inter-relações Sustentabilidade ecológica: busca pela dimi-
de pessoas, recursos, meio ambiente e desen- nuição de carga de impactos ou pressão exercida
volvimento (DRUMMOND, [2019],on-line). sobre o planeta para evitar danos ao meio ambien-
te, principalmente os causados pelos processos do
Para alcançar esses objetivos, Souza Filho (2008) crescimento econômico.
sugere que os países em desenvolvimento priori- Sustentabilidade espacial: que se refere ao
zem políticas que fomentem: a reciclagem, o uso equilíbrio do assentamento humano rural/urbano.
eficiente de energia, a conservação, a recuperação Sustentabilidade cultural: diz respeito à
de áreas degradadas, a busca pela equidade, justi- pluralidade de soluções particulares específicas
ça, redistribuição e geração de riquezas. Ao seguir a cada ecossistema, cada cultura e cada local.
tais recomendações, o desenvolvimento alcan- Considerando essas vertentes estruturantes
çado será diferente do crescimento econômico, do desenvolvimento sustentável, será comum,
indo além da “riqueza” material, alcançando me- ao longo de sua jornada acadêmica e profissio-
tas e reparando desigualdades passadas. Segundo nal, encontrar bibliografias que os apresentem
Barbieri e Cajazeira (2009), o desenvolvimento divididos em três dimensões básicas, conforme
sustentável se ampara nos pilares: a Figura 2, a seguir:

DESENVOLVIMENTO
SUSTENTÁVEL
ECONOMICAMENTE

AMBIENTALMENTE

SOCIALMENTE
CORRETO

JUSTO
VIÁVEL

Figura 2 - Pilares do Desenvolvimento Sustentável


Fonte: o autor.

26 Meio Ambiente e Sustentabilidade


De que se Trata a
Sustentabilidade?

Em primeira instância, a sustentabilidade é um


conceito antigo que vem sendo discutido e apri-
morado por décadas, sendo alguns eventos, encon-
tros, manifestos e a própria realidade social, econô-
mica e ambiental responsáveis pela definição atual
como a conhecemos. Segundo Almeida (1997), a
noção de sustentabilidade deve ser tomada como
ponto de partida para a compreensão e interpre-
tação de processos sociais e econômicos e de suas
relações com o equilíbrio dos ecossistemas.
As discussões iniciais sobre sustentabilidade
foram de responsabilidade do Clube de Roma, em
1968. Segundo Kruger (2001), o Clube de Roma
correspondia a uma organização formada por
cientistas, pedagogos, economistas, representan-
tes da indústria e colaboradores reunidos com o
objetivo de debater a crise da humanidade.
Antes de surgirem as discussões acerca de sus-
tentabilidade e sobre o desenvolvimento susten-
tável, veio à tona o termo ecodesenvolvimento,
idealizado por Ignach Sachs, por volta de 1970,
que antecipou a formalização dos ideais promo-
vidos pela sustentabilidade, porém, na época, o
autor discutia o papel do homem no processo de
desenvolvimento, como protagonista ou vítima
(CACHON, 2007).

UNIDADE 1 27
Ainda, segundo Cachon (2007), o ecodesen- As mais diversas reflexões sobre desenvolvi-
volvimento significa um desenvolvimento socioe- mento sustentável e sustentabilidade buscam, em
conômico equitativo e implica na escolha de um geral, possibilitar a construção de processos eco-
processo de desenvolvimento ou crescimento que nômicos e sustentáveis dentro dos mais variados
também contemple a dimensão ambiental e reco- segmentos, como a agricultura sustentável, in-
nheça sua importância; a problemática relaciona- dústria sustentável, sociedade sustentável, dentre
da a esse conceito ocorreu em função da dicotomia outros. Em uma analogia simples, Merico (2002)
entre os termos “crescimento” e “desenvolvimento”, sugere que ser sustentável é tornar as “coisas” per-
uma vez que o crescimento ocorre em termos eco- manentes ou duráveis. Portanto, caro(a) aluno(a),
nômicos, em determinado tempo, em dado espaço a transição de uma simples consciência susten-
territorial; enquanto o desenvolvimento se dá em tável social para o desenvolvimento sustentável
função da distribuição equitativa dos resultados propriamente dito caracteriza-se como um pro-
do crescimento para a população. cesso bastante lento, que requer paciência, tempo
Logo, somente o crescimento não induz es- e, sobretudo, participação ativa da sociedade na
pontaneamente à equidade social e tampouco construção de projetos, leis e políticas públicas.
à eficiência alocativa de recursos naturais, seria Exato! A cidadania e a ética se fazem mais que
necessária a coordenação pública, presença da relevantes quando se discute essas temáticas!
sociedade civil em um processo cooperativo Desde a revolução industrial, tais temas têm
para alcançar o desenvolvimento equitativo que sido enfoque de eventos, conferências e debates,
não degrade ambiente (MENEGETTI, 2004). Já em especial por tratar-se de um desafio coletivo e
a sustentabilidade, segundo a World Comission de escala global. Tal afirmação se faz relevante, pois
on Environment and Development, propõe estar a coletividade, mencionada anteriormente, con-
diretamente ligada ao desenvolvimento econômi- templa os mais variados “setores” da sociedade, em
co sem a agressão do meio ambiente, utilizando especial o coorporativo (XAVIER et al., 2015). Na
recursos de forma inteligente, garantindo, assim, Tabela 2, estão sumarizados diversos marcos histó-
o desenvolvimento sustentável (WCED, 1987). ricos relevantes para a definição desses conceitos:

28 Meio Ambiente e Sustentabilidade


Tabela 2 - Marcos históricos que contribuíram para o desenvolvimento dos conceitos sustentabilidade e desenvolvimento
sustentável
MARCO
ANO DESCRIÇÃO
HISTÓRICO
Dentre outras funções citadas anteriormente, o clube de Roma possuía,
por finalidade, discutir sobre temáticas ou complexo de problemas re-
levantes para o período, como: a degradação ambiental; a crescente
Clube de pobreza em meio a riqueza; o crescimento urbano descontrolado; a
1968
Roma insegurança econômica, e outras questões monetárias. O clube de Roma
ainda pregava pela visão sistêmica de compreensão global, em outras
palavras, defendiam que era possível compreender o mundo com um
sistema único.
Essa conferência foi considerada um marco ambiental internacional
contemporâneo, pois foi a primeira reunião mundial a tratar da temáti-
ca em escala global. As temáticas lá debatidas continuam a influenciar
Conferência
a importantes discussões e, principalmente, a formulação de políticas
de Estocol- 1972
ambientais por todo o mundo. A conferência produziu a “Declaração
mo
sobre o Meio Ambiente Humano”, que corresponde a uma declaração
dos princípios e responsabilidades que deveriam nortear as decisões
concernentes ao meio ambiente.
Criada como uma agência da ONU voltada para as temáticas ambientais
e considerada uma “consequência” à conferência de Estocolmo, a agência
atua apoiando instituições em seus processos de governança ambien-
Programa tal, estando relacionada a uma ampla gama de instituições dos setores
das Nações governamentais, não governamentais, acadêmico e privado. A agência
Unidas internacional avalia as condições e tendências ambientais globais; o de-
1972-1973
para o Meio senvolvimento de instrumentos ambientais nacionais e internacionais.
Ambiente Dentre seus objetivos, figuram o monitoramento do meio ambiente em
(PNUMA) escala global; alertar as nações sobre os problemas ambientais existen-
tes; e a recomendação de medidas que auxiliem na qualidade de vida da
população, buscando o não comprometimento dos recursos naturais e
serviços ambientais para as futuras gerações.
Aprovada pela Assembleia das Nações Unidas, em 1989, a Cnumad é
também conhecida como Rio-92. Dentre os efeitos mais efetivos da Rio-
Conferência
92, destacam-se a criação da Convenção da Biodiversidade e das Mu-
das Nações
danças Climáticas (que posteriormente resultou no Protocolo de Kyoto),
Unidas
a Declaração do Rio e a Agenda 21. A Declaração do Rio relaciona meio
para o Meio
1992 ambiente e desenvolvimento, mediante uma boa gestão dos recursos
Ambiente
naturais e sem comprometer o modelo econômico expansionista da épo-
e o Desen-
ca. Já a agenda 21 caracteriza-se como um instrumento de planejamento
volvimento
para a construção de sociedades sustentáveis em diferentes localidades
(CNUMAD)
geográficas, a agenda concilia métodos de eficiência econômica, proteção
ambiental e justiça social.
Também considerado um grande marco, o protocolo estabeleceu metas
para a redução da emissão de gases causadores do efeito estufa e propôs
mecanismos adicionais de implementação para que esse objetivo fosse
alcançado. Dentre os mecanismos propostos, encontrava-se o mecanis-
Protocolo mo de desenvolvimento limpo (MDL), que possibilitava a participação de
1997
de Kyoto países em desenvolvimento em cooperação com países desenvolvidos. O
objetivo desse mecanismo consistia na redução das emissões mediante
os investimentos em tecnologias eficientes, a substituição de fontes tra-
dicionais de energia fósseis por renováveis, a racionalização do uso de
energia, o reflorestamento, entre outros.

UNIDADE 1 29
O propósito dessa conferência foi obter um plano de ação factível. Dentre
os desafios citados no documento, persistiam diversos problemas am-
bientais globais. Entretanto, foram, pela primeira vez, mencionados os
problemas relacionados à globalização, uma vez que os benefícios e os
custos a ela atrelados estão distribuídos desigualmente. Foi apontado,
A Cúpula também, o risco das condições extremas de pobreza gerar a desconfiança
Mundial so- nos sistemas democráticos, resultando no surgimento de sistemas dita-
bre Desen- toriais. Como medidas detalhadas, foram sugeridos aumentar a proteção
volvimento 2002 da biodiversidade e o acesso à água potável, ao saneamento, ao abrigo, à
Sustentável energia, à saúde e à segurança alimentar, bem como priorizar o combate
(CMDS) ou a diversas situações adversas: fome crônica, desnutrição, ocupação es-
Rio+10 trangeira, conflitos armados, narcotráfico, crime organizado, corrupção,
desastres naturais, tráfico ilícito de armas, tráfico de pessoas, terrorismo,
xenofobia, doenças crônicas transmissíveis (aids, malária, tuberculose e
outras), intolerância e incitação a ódios raciais, étnicos e religiosos. Para
atingir os objetivos, o documento ressalta a importância de instituições
multilaterais e internacionais mais efetivas, democráticas e responsáveis.
Realizada no Rio de Janeiro, a conferência teve por objetivo renovar o
comprometimento dos líderes mundiais com o desenvolvimento sus-
tentável. O documento confeccionando após o evento foi intitulado “O
Rio + 20 2012 Futuro que Nós Queremos”, e retrata as principais ameaças ao planeta,
sendo alguns exemplos: a desertificação, o esgotamento dos recursos
pesqueiros, contaminação, desmatamento, extinção de espécies e aque-
cimento global.

Fonte: adaptada de Kruger (2001); Alencastro (2012); Brasil (2004); Lopes (2002); Paschoaleto et al. (2014); CDMAALC
(1991); Viana, Silva e Diniz. (2001).

Segundo Dovers e Handmer (1992), a sustentabilidade se caracteriza como a capacidade de um


sistema, seja ele humano, natural ou misto, de adaptar-se à mudança interna ou externa por tempo
indeterminado; já o desenvolvimento sustentável é uma via de melhoria e mudança intencional que
responde às necessidades populacionais atuais.

Torna-se interessante observar como se deu a tra-


jetória histórica desses conceitos e como diversas
dificuldades foram superadas. Lembrando que
não foram apenas estes os eventos que influen-
Tenha sua dose extra de ciaram a temática ambiental em escala global
conhecimento assistindo ao como a conhecemos, inúmeros outros tiveram
vídeo. Para acessar, use seu grande relevância, assim como inúmeros outros
leitor de QR Code. serão responsáveis por alterar o cenário atual das
condições ambientais. Neste ponto de sua leitura,
você deve estar se perguntando: afinal, o que di-
ferencia a sustentabilidade do desenvolvimento
sustentável? Iremos elucidar!

30 Meio Ambiente e Sustentabilidade


Na primeira visão, o desenvolvimento susten- No contexto empresarial, espera-se que as
tável trata do caminho para alcançar a sustenta- empresas contribuam de forma progressiva com
bilidade, sendo ela considerada o objetivo final a a sustentabilidade, sobretudo quando precisam
ser alcançado a longo prazo. de mercados estáveis; e, para tanto, elas devem
Entretanto, é válido destacar que pautado em possuir habilidades tecnológicas, financeiras e de
algumas das discussões ambientais da época, em gerenciamento, que possibilitem a transição rumo
1994, Elkington criou o termo “Triple Bottom ao desenvolvimento sustentável (ELKINGTON,
Line” ou Tripé da Sustentabilidade, definindo 2001). Temos aqui, caro(a) aluno(a), uma segunda
sustentabilidade como o equilíbrio dos pilares: visão, diferente da primeira: em que o desenvol-
ambiental, social e econômico, dando origem à vimento sustentável é o objetivo a ser alcançado
famosa imagem da sustentabilidade amplamente e a sustentabilidade é o processo para se atingir o
utilizada no segmento empresarial. desenvolvimento sustentável.

Para fins didáticos, a menos que indiquemos o contrário, utilizaremos durante o livro a primeira
definição de sustentabilidade e desenvolvimento sustentável.

Iremos explorar as ferramentas da sustentabilidade no contexto empresarial em um segundo momento.


O relevante, aqui, é compreender que ambas as abordagens estão corretas e que o amplo in-
teresse e busca por esses conceitos fez com que diversas abordagens ambientais surgissem nos
mais variados segmentos, como economia, engenharia, ecologia, administração e outros, sendo
as estratégias listadas a seguir, segundo Glavic e Lukman (2007), “derivadas” desses conceitos:

Economia Verde
Produção mais limpa
Responsabilidade Social

Resíduos zero, e outros

Controle de poluição Ecodesign Reúso

Ecoeficiência
Ecologia Industrial

Investimentos éticos Consumo sustentável


Gestão Ambiental

UNIDADE 1 31
Todos esses conceitos citados serão muito relevantes e se farão
presentes ao longo de sua carreira como futuro profissional desse
segmento, seja como um desafio ou requisito de implementação
ou como um objetivo a ser alcançado! As ferramentas de susten-
tabilidade empresarial serão apresentadas nas próximas unidades.

Os diferentes selos ambientais existentes possuem como fina-


lidade informar aos consumidores que determinados produtos
passaram por auditorias internas ou autorreguladoras e externas
ou independentes de qualidade. Saiba mais sobre os diferentes
selos de qualidade acessando: https://sustentarqui.com.br/uma-
-breve-historia-sobre-os-selos-verdes/.

Nesta unidade, inicialmente, foi apresentada uma breve introdução


pautada em eventos históricos que discorreu sobre a capacidade do
ser humano de alterar o ambiente a sua volta. Tal discussão teve, por
finalidade, não apenas apresentar as características evolutivas que
fizeram do homem o ser vivo capaz de modificar o ambiente em
que vive de forma favorável ao seu desenvolvimento, mas também
explicitar que tais alterações ambientais foram necessárias para
separar o homem da condição animal e foram, ainda, responsáveis
pela história como nós a conhecemos.
Vimos como o advento da produção fomentada pela revolução
industrial e as conquistas sociais influenciadas por esse período
afetam positivamente nosso modelo social até os dias atuais.
Finalmente, conceituamos sustentabilidade e desenvolvimento
sustentável e conhecemos alguns marcos históricos na definição
desses termos que ressoam na realidade das empresas até hoje.
Os conceitos aprendidos e as discussões apresentadas objetivam
incitá-lo(a) a ter uma visão crítica acerca dos impactos ambientais
decorrentes da ação humana e, dessa forma, buscar soluções pau-
tadas na Engenharia que poderão sanar boa parte dos problemas
encontrados na produção de bens e serviços atualmente.
Na próxima unidade, abordaremos alguns conceitos relacio-
nados a como o planeta Terra se comporta frente aos diferentes
elementos químicos presentes em sua constituição atmosférica,
terrestre e aquática, bem como a relação que esses elementos pos-
suem com os demais seres vivos. Até já!

32 Meio Ambiente e Sustentabilidade


Você pode utilizar seu diário de bordo para a resolução.

1. O termo “Meio Ambiente” sofre alterações de acordo com o contexto histórico


e evolui com o passar do tempo, à medida que instituições e governos em nível
internacional se reúnem para discutir as questões ambientais. É um erro pensar
que “Meio Ambiente” inclui apenas a fauna e a flora locais, como as florestas,
rios e lagos. Assim, descreva, em suas palavras, o que entendemos atualmente
por “Meio Ambiente”.

2. A Curva Ambiental de Kuznets (CAK) tem a mesma forma do “U invertido”, mas


é aplicada para a área ambiental. A CAK tem sido usada pelas pessoas que
defendem o desenvolvimento econômico como uma prioridade em relação ao
meio ambiente. A ideia básica é que o desenvolvimento só causa grandes pro-
blemas ambientais em suas etapas iniciais. Porém, a partir de um certo ponto, o
desenvolvimento econômico e o tecnológico levariam a uma menor degradação
ambiental. Portanto, segundo o otimismo kuznetiano, altas doses de desenvol-
vimento seriam úteis também para salvar a natureza (ALVES, 2012, on-line)1.
A respeito da degradação ambiental sob a ótica capitalista, podemos afirmar
que a degradação ambiental diminui à medida que:
I) A população passa a exigir mais qualidade ambiental com o aumento de sua
renda.
II) Os hábitos de consumo e produção são alterados com a evolução das tec-
nologias.
III) Aumenta-se o nível de conscientização e educação ambiental da população.
IV) Surgem sistemas políticos mais voltados às questões ambientais.

Está correto o que se afirma em:


a) II, apenas.
b) I e III, apenas.
c) I, II, III e IV.
d) III e IV, apenas.
e) II e III, apenas.

33
3. Foram concluídas, em agosto de 2015, as negociações que culminaram na ado-
ção, em setembro, dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS), por
ocasião da Cúpula das Nações Unidas para o Desenvolvimento Sustentável.
Processo iniciado em 2013, seguindo mandato emanado da Conferência Rio+20,
os ODS deverão orientar as políticas nacionais e as atividades de cooperação
internacional nos próximos quinze anos, sucedendo e atualizando os Objetivos
de Desenvolvimento do Milênio (ODM) (BRASIL, [2019], on-line)2.
A questão do Desenvolvimento Sustentável ganha bastante relevância no con-
texto empresarial atual e baseia-se nos seguintes pilares:
I) Socialmente justo.
II) Humanamente possível.
III) Economicamente viável.
IV) Politicamente correto.
V) Ambientalmente correto.

É correto o que se afirma em:


a) I, somente.
b) II e V, somente.
c) II e IV, somente.
d) I, II, III, IV e V.
e) I, III e V, somente.

34
LIVRO

Introdução à Engenharia Ambiental: o desafio do desenvolvimento sustentável


Autor: Benedito Braga, Ivanildo Hespanhol, João G. L. Conejo, José C. Mierzwa,
Mario T. L. de Barros, Mailton Spencer, Monica Porto, Nelson Nucci, Nelsa Juliano
e Sérgio Elger.
Editora: Pearson
Sinopse: escrito por um grupo de professores pioneiros no estudo e no ensino
do tema, esse livro procura relacionar a engenharia com outras áreas do conhe-
cimento, já que transmite a visão da engenharia em relação ao meio ambiente,
além de apresentar a questão do conflito entre os aspectos socioeconômicos e
os ambientais como um dos grandes desafios da engenharia no futuro. Essa nova
edição leva em conta o dinamismo dos temas e dos próprios sistemas abordados,
atualizando dados e conceitos e incluindo um novo capítulo sobre métodos de
gestão corporativa para o meio ambiente e prevenção da poluição. Destinado
aos cursos de engenharia, esse livro também atende às necessidades de profis-
sionais de outras áreas interessados no presente e no futuro do meio ambiente.

FILME

Uma Verdade Inconveniente


Ano: 2006
Sinopse: o cineasta Davis Guggenheim acompanha Al Gore, o ex-candidato à
presidência dos EUA, no circuito de palestras para conscientizar o público sobre
os perigos do aquecimento global, e pede uma ação imediata para conter seus
efeitos destrutivos ao meio ambiente.

35
ALENCASTRO, M. S. C. Empresas, ambiente e sociedade: introdução à gestão socioambiental corporativa.
Curitiba: InterSaberes, 2012.

ALMEIDA, J. A problemática do desenvolvimento sustentável. In: BECKER, F. D. (orgs). Desenvolvimento


sustentável: necessidade e/ou possibilidade? Santa Cruz do Sul: EDUNISC, 1997.

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39
1. Meio Ambiente é o termo utilizado para designar quaisquer espaços físicos, naturais, artificiais, culturais
e, até mesmo, de trabalho, que se relacionem com a vida no planeta Terra. Meio Ambiente não somente
se refere a florestas, rios, lagos e outros ambientes naturais.

2. C.

3. E.

40
41
42
Esp. João Marcos Pardo
Me. Gustavo Affonso Pisano Mateus

Dinâmicas Ambientais

PLANO DE ESTUDOS

Fatores Limitantes ao
Desenvolvimento dos Seres Vivos

Hierarquia e Ciclos
Organização Ecológica Biogeoquímicos

OBJETIVOS DE APRENDIZAGEM

• Classificar os seres vivos de acordo com sua complexidade • Introduzir o conceito de ciclos biogeoquímicos e dos com-
e influência no planeta Terra. portamentos dos elementos no planeta.
• Explicar como as dinâmicas ambientais influenciam o de-
senvolvimento de todos os seres vivos.
Hierarquia e
Organização Ecológica

Prezado(a) aluno(a), nesta segunda unidade, ire-


mos explorar alguns conceitos relacionados à bio-
logia e à ecologia conservacionista, a fim de conhe-
cer e conceituar corretamente os diferentes níveis
ou hierarquias de organização ecológica existentes.
Iremos conhecer algumas das dinâmicas am-
bientais naturais que serão apresentadas, a fim de
elucidar suas finalidades e subsidiar a compreen-
são das mais amplas dimensões que os impactos
ambientais podem afetar, sendo estes relacionados
à distribuição de recursos e/ou às alterações das
condições ambientais favoráveis ao desenvolvi-
mento dos indivíduos ou, ainda, relacionadas às
alterações nos ciclos biogeoquímicos existentes e
observados na biosfera terrestre.
Ciclos biogeoquímicos envolvem os diversos ele-
mentos presentes na atmosfera, solo e águas do pla-
neta Terra. Cada um desses ciclos é importante para
a sobrevivência dos diferentes tipos de organismos
vivos. Sua utilização e reposição no meio ambiente,
dentro de um período de tempo, é fundamental.
A partir de agora, daremos atenção ao co-
nhecimento de alguns conceitos básicos acerca
das dinâmicas ambientais existentes. Torna-se
importante conhecer as dinâmicas ambientais
naturais para que seja possível compreender, efe-
tivamente, a extensão dos impactos ambientais
causados pelas ações antrópicas e também pelos processos produ- Assim, temos uma breve re-
tivos. Inicialmente, iremos relembrar acerca da hierarquia dos ní- tomada evolutiva da formação
veis ecológicos ou hierarquia dos níveis de organização ecológica. dos indivíduos e, com diferen-
A hierarquia dos níveis ecológicos é representada pela seguinte tes indivíduos, passamos à se-
cadeia inicial: guinte cadeia:

ORGANISMOS BIOSFERA
SISTEMAS
BIOMAS
ÓRGÃOS
ECOSSISTEMAS
TECIDO

COMUNIDADES
CÉLULA OU BIOCENOSE

ORGANELAS
CELULARES POPULAÇÕES

MOLÉCULA ORGANISMO

ÁTOMO

UNIDADE 2 45
Lembrando que cada subconjunto apresentado é menor do que o próximo, sendo a biosfera considerada
o maior nível. A Figura 1 representa todo o sistema de hierarquização ecológico.

Figura 1 - Sistema de Hierarquização Ecológico


Fonte: adaptada de Quizlet (on-line)1.

Conhecer esses níveis hierárquicos se torna relevante, pois nos auxilia a compreender a dimensão dos
impactos causados e sua extensão biológica. Sendo assim, vamos às definições, com enfoque nos níveis
superiores, iniciando nos organismos.

46 Dinâmicas Ambientais
• Organismo: uma forma de vida indivi- qual as plantas ou as formações vegetais se
dual e livre, composta pela associação de destacam como características, assim como
sistemas, órgãos e tecidos que operam e suas especificidades climáticas. São exem-
realizam suas funções de forma conjunta plos de biomas brasileiros: a Caatinga, o
para proporcionar as condições favoráveis Cerrado, a floresta amazônica, a mata atlân-
à vida. Para a ecologia, trata-se de uma uni- tica, o Pantanal, os pampas, dentre outros.
dade fundamental de estudos. • Biosfera: a biosfera se caracteriza como a
• Populações: populações podem ser de- junção das interações que ocorrem entre
finidas como grupos de indivíduos per- a atmosfera, hidrosfera e a litosfera. Sendo
tencentes a uma mesma espécie presente cada uma delas, segundo Rosa, Messias e
e ocupante de uma determinada área por Ambrozini (2003), correspondente às se-
um período de tempo. Além disso, uma guintes porções:
população apresenta como característica »» Atmosfera: porção gasosa da Terra e
uma ampla probabilidade de realizar cru- seus componentes.
zamento entre si, quando consideramos »» Hidrosfera: porção aquosa da Terra e
fatores, como localização geográfica e ou- seus componentes.
tros fatores favoráveis. »» Litosfera: porção mineral da Terra e
• Comunidades: consistem de populações seus componentes.
que coexistem e habitam o mesmo am-
biente; interagindo de forma organizada, O conhecimento apropriado sobre esses conceitos
é denominada comunidade, sendo cada nos faz refletir sobre a proporção dos impactos
indivíduo associado a seu respectivo nicho causados, não só em uma escala empresarial/
ecológico existente. industrial, mas também como nossas atitudes
• Ecossistemas: trata-se de um meio no cotidianas podem desencadear impactos mais
qual os organismos interagem com o meio amplos e significativos do que o imaginado. Para
ambiente, realizando trocas de matéria e realizar um manejo adequado de uma atividade
energia pelas vias existentes. Em outras impactante, segundo Peroni e Hernandéz (2011),
palavras, é a interação dos seres bióticos é essencial considerar todas as características e di-
(seres vivos) com os abióticos (solo, água, nâmicas das populações, comunidades e ecossis-
recursos minerais, dentre outros). temas envolvidos, especialmente quando as ações
• Biomas: segundo Colinvaux (1993), um humanas podem favorecer o desenvolvimento de
bioma é composto por um conjunto de ecos- uma população, enquanto outras podem aumen-
sistemas, em uma larga escala geográfica, no tar o número de mortes.

UNIDADE 2 47
Fatores Limitantes
ao Desenvolvimento
dos Seres Vivos

Quando pensamos em fatores limitantes ao de-


senvolvimento dos seres vivos, somos imediata-
mente direcionados aos recursos disponíveis. Cla-
ro que existe uma relação entre disponibilidade de
recursos e o desenvolvimento de uma população,
assim como a retirada de recursos pode levar à
extinção de determinada população. Segundo
Santos (2006), a variação na densidade populacio-
nal está relacionada aos fatores que influenciam
nas taxas de natalidade, mortalidade, imigração
e emigração.
Como mencionado anteriormente, os fatores
ecológicos podem ser classificados em bióticos e
abióticos; porém, devemos levar em consideração
que sua importância varia de acordo com o am-
biente ou área estudada/impactada e de acordo
com a pressão exercida sobre os recursos renová-
veis e não renováveis. Para facilitar a compreensão,
vamos conhecer um pouco mais sobre os fatores
ecológicos que são limitantes ao crescimento dos
seres vivos.

48 Dinâmicas Ambientais
Luz ou intensidade luminosa

Conforme Lovato (1993), a intensidade da luz solar incidente afeta a fotossíntese dos vegetais, cresci-
mento da parte aérea, distribuição da matéria seca e, consequentemente, o rendimento fotossintetizante,
exercendo efeitos sobre outros fatores ambientais, principalmente a temperatura.
Sobre ambientes aquáticos continentais e costeiros, o grau de intensidade luminosa está relacionado à
atividade de algas flutuantes e sésseis e da diversidade de seres planctônicos. A intensidade da luz ainda
serve como parâmetro indicativo da quantidade de partículas em suspensão (turbidez).
Em relação aos animais, a luminosidade está diretamente relacionada a hábitos de repouso ou ativi-
dade, uma vez que haverá atividade animal nos mais variados nichos ecológicos diurnos, noturnos e
crepusculares. A variação desse fator se relaciona com a hibernação de mamíferos, o metabolismo de
seres exotérmicos e com a migração em aves (SANTOS, 2006).

Temperatura

O fator temperatura se destaca como um dos mais relevantes, pois afeta diretamente na distribuição
de espécies animais e vegetais, influenciando todas as fases do ciclo vital dos seres vivos. Atualmente,
existe grande discussão acerca dos efeitos que são observados e que serão observados no futuro, de-
vido às mudanças climáticas geradas pela liberação excessivas de gases relacionados ao efeito estufa
na atmosfera.
Para os vegetais, a temperatura influi grandemente o rendimento de tubérculos, uma vez que afeta a
fotossíntese e a respiração. A magnitude do seu efeito depende de quanto influencia no desenvolvi-
mento da parte aérea, na distribuição da matéria seca produzida e, consequentemente, na qualidade
de suporte do solo (LOVATO, 1993).
No caso dos animais, para a temperatura ambiente, são definidas zonas de conforto térmico e de termo-
neutralidade específicas para as diferentes espécies de animais (PORTUGAL; PIRES; DURAES, 2000).

Umidade

É fato que a umidade e o acesso à água são dois fatores primordiais para a distribuição da fauna e da
flora global. Entretanto, a umidade é diretamente influenciada pela disponibilidade de recursos hídri-
cos, pela temperatura e pela intensidade luminosa. Quando associado o fator temperatura, torna-se
responsável pelo conforto térmico de animais e pelo fator determinante na respiração e transpiração
vegetal. Na agricultura de precisão, por exemplo, a umidade do solo se torna um fator limitante e
imprescindível, especialmente quando se tem por objetivo um manejo adequado do solo visando ao
aumento na produção.

UNIDADE 2 49
Recursos

A disponibilidade de recursos pode ser considerada o fator mais relevante para a sobrevivência e de-
senvolvimento de espécies, especialmente quando associada à capacidade de adaptação ou tolerância
às condições locais. Os organismos ou indivíduos podem tolerar alterações bruscas no ambiente
por um curto período de tempo, ou seja, as condições para o desenvolvimento de cada espécie são
sempre espécie-específicas. Entretanto, os indivíduos e suas atividades não irão esgotar os recursos
disponíveis; via de regra, isso acontece sob condições de estresse populacional (quando, por alguma
razão não natural, eles são forçados a consumir outra fonte de alimento ou quando há a introdução de
uma espécie exótica no ambiente em questão) e quando o ser humano esgota esses recursos ou passa
a utilizá-los de forma não racional. Um exemplo de estresse populacional pode ser competição intra
e interespecífica, devido à diminuição de espaço ou território útil.

Tenha sua dose extra de conhecimento assistindo ao vídeo. Para acessar, use
seu leitor de QR Code.

A salinidade e o potencial de hidrogênio iônico alterando, drasticamente, as condições favoráveis


(pH) são fatores primordiais para a abundância ao desenvolvimento da fauna e da flora aquática
dos seres vivos, especialmente em ambientes e consequentes dos demais seres vivos que se uti-
aquáticos continentais e costeiros. Com exceção lizam da água disponível para sua sobrevivência/
de algumas bactérias que toleram condições ex- atividades.
tremas, os demais seres vivos não toleram pHs Sobre os vegetais, esses parâmetros influenciam
extremamente ácidos (abaixo de 3) ou extrema- na absorção dos nutrientes pelas raízes, limitam o
mente alcalinos (acima de 9). desenvolvimento de fungos benéficos às plantas
Esses parâmetros costumam sofrer alterações nos ambientes aquáticos. No solo, também levam
imediatas após o despejo de efluentes ou substân- à limitação da produção vegetal, dificultando o
cias sem o devido tratamento em corpos hídricos, desenvolvimento de culturas ou espécies vegetais.

50 Dinâmicas Ambientais
Ciclos
Biogeoquímicos

Neste tópico, caro(a) aluno(a), iremos conhecer


as dinâmicas elementares existentes na biosfera,
mencionadas logo no início desta unidade. Des-
considerando os eventos catastróficos isolados e
específicos que acontecem de maneira esporádica
na história da humanidade, é possível afirmar, de
forma grosseira, que nosso planeta é constituí-
do por um sistema químico/biológico/geológico
fechado, cujas reações responsáveis pela manu-
tenção da vida aqui existente são influenciadas e
regidas pela energia solar.
Entretanto, historicamente, inúmeras altera-
ções aconteceram na superfície terrestre, modi-
ficando a biosfera e impulsionando o desenvol-
vimento da vida como nós a conhecemos. Dentre
essas alterações, podemos destacar a interação en-
tre o oxigênio presente na atmosfera com a litos-
fera e a hidrosfera, e o advento/desenvolvimento
dos seres fotossintetizantes. Neste contexto, e em
face dessas alterações, a complexidade das reações
e interações bioquímicas, ou ciclos biogeoquími-
cos, que acontecem na biosfera terrestre, passaram
a ser diferentes, ao passo que pouquíssimas rea-
ções do nosso planeta ocorrem sem influência
direta ou indireta da biosfera.

UNIDADE 2 51
Portanto, podemos definir ciclo biogeoquímico Devemos compreender e reconhecer que as
segundo Rosa, Messias e Ambrozini (2003, p. 9): reações bioquímicas que ocorrem atualmente na



superfície terrestre agora sofrem alguma influência
[...] Os ciclos biogeoquímicos são processos direta ou indireta do homem e dos processos de-
que por diversos meios reciclam vários ele- senvolvidos, sendo necessário que a humanidade
mentos em diferentes formas químicas, do passe a contribuir com soluções para as diferentes
meio ambiente para os organismos e depois, problemáticas ambientais existentes. Para tanto,
fazem o processo contrário, ou seja, trazem inicialmente, torna-se necessário conceituar e
esses elementos dos organismos para o compreender os diferentes ciclos biogeoquímicos
ambiente. Desta forma a água, o carbono, que, devido sua relevância, irão nos orientar a uma
o oxigênio, o nitrogênio, o fósforo, o cálcio compreensão sistemática da dinâmica na biosfera.
e outros elementos, percorrem esses ciclos,
unindo todos os componentes vivos e não
vivos da Terra. O Ciclo da Água

No contexto anteriormente apresentado, um ci- A água é de fundamental importância para a ma-


clo biogeoquímico pode ser entendido como o nutenção da vida na Terra, portanto, discutir sua
movimento ou a ciclagem de elementos químicos relevância, nas mais diversas dimensões, implica em
específicos pela biosfera, que podem ou não sofrer discutir: a sobrevivência da espécie humana, o equi-
influência antrópica. líbrio e a conservação da biodiversidade e as relações
Ainda, em uma perspectiva histórica, as al- de dependência dos seres vivos para com os ambien-
terações químicas e biológicas que acontecem tes naturais (LA CORTE BACCI; PATACA, 2008).
na biosfera e que têm origem natural passaram Um ciclo biogeoquímico está intimamente
a acontecer de forma “lenta”, sendo as alterações relacionado aos diferentes processos biológicos,
e reações que acontecem de forma acelerada fo- hidrológicos e geológicos, sendo estes referentes
mentadas por uma pressão externa, destacando- à disponibilização e redisponibilização de um ele-
-se, principalmente, a intervenção antrópica. mento específico, no presente caso, a água.

52 Dinâmicas Ambientais
A água pode ser representada quimicamente pela molécula H2O,
na qual os elementos hidrogênio e oxigênio se combinaram para
dar origem ao elemento fundamental para a existência da vida.

O ciclo da água ganha destaque uma vez que é responsável pela


maior movimentação de uma substância química pela superfície
terrestre. No ciclo da água, inúmeros processos ocorrem para a re-
disponibilização da água, que podem incluir os diferentes estados
físicos dessa matéria: líquido, sólido e gasoso. Os processos envol-
vidos no referido ciclo estão expressos no quadro a seguir.
Quadro 1 - Fenômenos envolvidos no Ciclo da Água
PROCESSO FENÔMENOS QUE OCORREM NO PROCESSO
Também chamado de condensação, marca a
transição do estado gasoso para o estado líquido
Liquefação
decorrente do resfriamento (arrefecimento). Por
exemplo: o orvalho das plantas.
Transição do estado sólido para o líquido, induzida
por diferentes fontes de energia, sendo a principal
a energia solar (em forma de calor). Esse processo
Fusão
ocorre quando a energia na forma de calor é su-
perior ao ponto de fusão (0 ºC) da água em estado
sólido.
Transição do estado líquido para o estado sólido
Solidificação mediante a temperaturas iguais ou inferiores a
0 ºC.
Transição do estado sólido para o estado gasoso,
via aquecimento. Também denomina a mudança
Sublimação
do estado gasoso para o estado sólido (ressubli-
mação) por arrefecimento.
Transição do estado líquido para o gasoso, no qual
o ponto de ebulição da água é alcançado em 100
ºC. Dentro desse processo, destacam-se a ebulição
Vaporização
e a evaporação que relacionam-se à velocidade
de aquecimento, sendo rápida ou lenta, respec-
tivamente.
Fonte: adaptado de Peruzzo e Canto (2003).

Os diferentes processos desse ciclo em ambientes naturais podem


ser observados no elemento de Realidade Aumentada a seguir. Ciclo da água

UNIDADE 2 53
Apesar da redisponibilização subterrâneos de difícil acesso e apenas 1,2% está disponível em rios
desse recurso mediante um e lagos (SENRA, 2001).
ciclo, sua utilização e disponi- No que tange a sua utilização, segundo Garrido (2000, p. 58):

““
bilidade deve ser considerada,
uma vez que nosso planeta pos- [...] A água doce é um recurso material limitado e com múltiplas
sui dois terços de sua superfície funções; portanto, com diferentes tipos de usos. Para o abas-
cobertos por água (360mi km² tecimento humano, a água é matéria-prima; para a atividade
de um total de 510mi km²) industrial e de irrigação, a água pode ser insumo e matéria-pri-
(GOMES; BARBIERI, 2004). ma; para a navegação, a água é leito navegável; para atividades
Entretanto, cerca de 98% da de recreação e lazer, a água é parte da beleza cênica; para as
água disponível é salgada, im- atividades de pesca, a água é o meio onde vivem as espécies;
própria para consumo direto para o esgotamento de efluentes urbanos e industriais, a água
sem tratamento adequado, que é corpo diluidor e para a produção de energia é necessário ex-
apresenta alto custo, sendo so- plorar os movimentos da água transformando energia cinética
mente os 2% restantes corres- em elétrica.
pondentes à água doce; dessa
porção (2%), valores superiores Ainda em relação às reservas de água, algumas estimativas de vo-
a 68,9% estão dispostos em ge- lumes armazenados nos diferentes reservatórios estão dispostos
leiras, 29,9% em reservatórios na Tabela 1:
Tabela 1 - Diferentes reservatórios de água e seus volumes estimados
RESERVATÓRIO VOLUME ESTIMADO
Oceanos 1.350.000.000 km³
Geleiras 33.000.000 km³
Águas subterrâneas 15.300.000 km³
Solos 121.800 km³
Atmosfera 13.000 km³
Fonte: adaptado de Aduan, Vilela e Reis Júnior (2004).

A transição dentre os volumes presentes nos reservatórios citados também se faz relevante, sendo os
principais reguladores desses fluxos os índices de precipitação e a vegetação. Nesse sentido, a preser-
vação da vegetação (responsável pelo fenômeno evapotranspiração) e, sobretudo, a manutenção das
extensões territoriais recobertas de vegetação nativa remanescente se faz de extrema importância.
Além desse fator, a poluição atmosférica também é preocupante, visto que a qualidade atmosférica
pode resultar em alterações na qualidade das águas pluviais.
Historicamente, a presença ou ausência desse recurso foi e será responsável pela tramitação histórica
da humanidade, pelo desenvolvimento de costumes e hábitos sociais, pela determinação da ocupação
de territórios, pela extinção de espécies e, por fim, pelo futuro de gerações. O planeta Terra não seria
propício à vida caso não houvesse a disponibilidade desse recurso e, apesar de se caracterizar como
um recurso abundante, sua ausência ou um déficit hídrico representaria uma limitação na produti-
vidade primária do planeta (SAUTCHÚCK, 2004), impactando, também, em sistemas agronômicos
(BERNARDO, 2002), pecuários e nos mais variados processos de beneficiamento.

54 Dinâmicas Ambientais
Por fim, faz-se relevante considerar a utiliza- com a atmosfera, bem como nas interações dos
ção e a reutilização que se dá a esse recurso, aliás, processos do continente com os oceanos, ou seja,
caro(a) aluno(a), essa preocupação ganhou espa- relacionam-se aos seres vivos quando os seres fo-
ço considerável no cenário mundial nas últimas tossintetizantes utilizam o CO2 atmosférico ou os
décadas “unificando” diversas áreas do conheci- carbonatos e bicarbonatos dissolvidos na água na
mento, na busca/desenvolvimento de soluções síntese de compostos orgânicos que irão suprir
interdisciplinares para a recuperação/tratamento suas necessidades (ROSA; MESSIAS; AMBRO-
e soluções de problemáticas voltadas a esse recur- ZINI, 2003). Ainda segundo os autores, da mesma
so. Outras informações acerca das técnicas de tra- maneira, as bactérias que realizam a quimiossínte-
tamento de água serão exploradas nas próximas se, produzem compostos essenciais, normalmente
unidades deste livro. carboidratos, a partir do CO2 livre na atmosfera.
Outros processos naturais que estão envolvi-
dos na ciclagem/movimentação do carbono são
O Ciclo do Carbono a fotossíntese realizada pelos organismos planc-
tônicos, a respiração celular realizada pelos seres
vivos, o processo de decomposição da matéria e
a dissolução oceânica; tal movimentação cícli-
ca também pode ser definida como ciclo global
do carbono (ADUAN; VILELA; REIS JÚNIOR,
2004).
Portanto, aluno(a), é fato que a vida na biosfera
só foi possível graças a presença e a atividade dos
seres clorofilados. Tal fato evidencia a necessida-
de de preservação desses organismos, uma vez
que um déficit na produção primária implicaria,
também, na dificuldade de manutenção dos níveis
de CO2 atmosféricos e na ausência de um dos
O carbono é o elemento mais essencial para a vida principais subprodutos da fotossíntese, o oxigênio.
na Terra, em específico, por ampla disponibilida- Segundo Aduan, Vilela, Reis Júnior (2004), ao
de e capacidade de associação/formação de até 4 contrário do que acontece com o ciclo da água, em
ligações covalentes. Essa capacidade possibilitou, que as atividades antrópicas influenciam no fluxo
a esse elemento, constituir ou estar presente em ou índices de ciclos já existentes, para o ciclo do
uma ampla variedade de moléculas inorgânicas, carbono, a influência humana cria novos fluxos,
orgânicas e compostos essenciais, como proteí- antes desconhecidos, como exemplo, a queima de
nas, lipídios, carboidratos e pigmentos (SOUZA combustíveis fósseis, como o carvão mineral e o
et al., 2012). Além das moléculas, o carbono está petróleo, responsáveis por um excessivo aporte de
presente na atmosfera terrestre em uma de suas dióxido de carbono (CO2) na atmosfera. Esse ex-
associações mais simples, na forma CO2. cessivo aporte se faz preocupante, especialmente
O que se faz muito relevante em relação ao pelos efeitos negativos à manutenção da qualidade
ciclo do carbono, é que ele está presente nos inú- de vida na Terra, pois conforme Pacheco e Helene
meros processos naturais que realizam interações (1990, p. 215):

UNIDADE 2 55


[...] as moléculas de nitrogênio, oxigênio e
argônio que constituem quase a totalidade
do ar são transparentes tanto às radiações
infravermelhas como à radiação solar visível, Estimativas globais sugerem que a poluição
tendo um poder de absorção praticamente ambiental externa (outdoors) cause 1,15 mi-
nulo. Ao contrário, um certo número de mo- lhões de óbitos em todo o mundo (correspon-
léculas presentes no ar que não representam dendo a cerca de 2% do total de óbitos) e seja
mais que uma pequena parte dos compo- responsável por 8,75 milhões de anos vividos
nentes da atmosfera, em maior proporção a menos ou com incapacidade; enquanto a po-
vapor d’água (H2O) e dióxido de carbono luição no interior dos domicílios cause, aproxi-
(CO2) e em menor proporção metano (CH4) madamente, 2 milhões de óbitos prematuros
e outros compostos, têm a propriedade de e 41 milhões de anos vividos a menos ou com
serem opacos aos raios infravermelhos do incapacidade.
solo quando dissipados para o espaço e com Fonte: adaptado Öberg et al. (2011).
isto aquecer as baixas camadas da atmosfera.
Graças a este processo, a temperatura do ar
que nos envolve é favorável às formas de vida
existentes; este processo natural é chamado Ao analisarmos de maneira isolada, o fluxo de
de “efeito estufa”, por analogia às instalações energia em diferentes níveis tróficos, como no
que protegem culturas vegetais frágeis do caso de uma cadeia alimentar, pode ser utilizado
frio, onde meios de vidro que deixam passar para exemplificar o fluxo de carbono em uma
a radiação solar visível impedem a fuga dos escala minimalista, conforme ilustrado no fluxo-
raios infravermelhos. grama da Figura 2.

Figura 2 - Fluxo de Carbono


Fonte: adaptada de Rosa, Messias e Ambrozini (2003).

De forma generalista, o fluxograma apresentado ilustra a produção de compostos orgânicos pelos


produtores, que são consumidos pelos herbívoros ou consumidores primários e, na sequência, por
carnívoros de primeira ou segunda ordem, até atingirem os seres decompositores. A Figura 3 repre-
senta o ciclo do carbono em uma perspectiva globalizada e complexa e que compreende a ciclagem do
carbono orgânico e inorgânico. Nesse sentido, torna-se necessário enfatizar a presença de processos
antrópicos, antes desconhecidos à biosfera terrestre e que, graças ao advento das modificações am-
bientais humanas, passam a ser mais efetivas e impactantes na qualidade ambiental.
A Figura 3 ilustra o ciclo do carbono de forma simplificada:

56 Dinâmicas Ambientais
Luz do Sol
Ciclo do CO2
Emissão das
fábricas

Fotossíntese
Respiração
das Plantas
Respiração
dos Animais

Carbono
orgânico
Respiração
das raízes
Decomposição Organismos mortos
de organismos e resíduos orgânicos

Captação dos
Fósseis e oceanos
Combusíveis fósseis

Figura 3 - Ciclo do Carbono


Fonte: adaptada de Ucar ([2019], on-line)2.

Em relação à quantidade de carbono existente em diferentes reservas, algumas estimativas estão ex-
pressas no Quadro 2.
Quadro 2 - Reservas de Carbono
INFORMAÇÕES/FONTES QUANTIDADE
Incremento de Carbono de ori- 5,5 Pg, dos quais: 3,5 Pg permanecem na atmosfera e passam
gem antrópica anual. a contribuir efetivamente para o efeito estufa, sendo o restante
dissolvido no oceano ou sequestrado pela atividade fotossintética,
ficando retido como biomassa viva ou matéria orgânica do solo.
Carbono presente na superfície Cem quatrilhões ou 10²³ toneladas.
terrestre.
Conteúdo fóssil disponível para 4.000 Pg.
captação humana.
Carbono dissolvido nos oceanos. 38.000 Pg.
Carbono disponível no solo. 40.000 Pg.
Carbono estocado na cobertura 120 Pg, sendo 60 Pg redisponibilizado para a atmosfera em fun-
vegetal. ção da decomposição da matéria e 60 Pg redisponibilizado para
a atmosfera pela respiração dos seres vivos.

UNIDADE 2 57
Quantidade de Carbono na forma 560 Pg
de CO2 retirado da atmosfera pela
fotossíntese.
Fluxo de Carbono entre oceano e 120 Pg, sendo 60 Pg redisponibilizado para a atmosfera em fun-
atmosfera anualmente ção da decomposição da matéria e 60 Pg redisponibilizado para
a atmosfera pela respiração dos seres vivos.
1 Pg (peta grama) = 1 bilhão de toneladas.
Fonte: adaptado de Schlesinger (1991); Aduan, Vilela e Reis Júnior (2004).

O Ciclo do Nitrogênio

Apesar da atmosfera da Terra ser composta por Oxigênio, componentes fundamentais da ma-
cerca de 76% de gás nitrogênio (ADUAN; VI- téria orgânica.
LELA; REIS JÚNIOR, 2004), esse gás não está Essa escassez ou dificuldade de obtenção de
disponível para a maioria das espécies vivas, nitrogênio, apesar de sua ampla disponibilidade
pois o N2 é pouco reativo. A baixa disponibili- em forma gasosa na atmosfera, pode ser atribuí-
dade de nitrogênio como nutriente faz com que da à complexidade da ligação covalente apolar,
esse elemento tenha um importante papel nos portanto, o desafio dos seres vivos que necessi-
processos de crescimento e reprodução de or- tam desse macro nutriente, consiste em romper
ganismos, especialmente vegetais, responsáveis essa ligação covalente vias diferentes mecanismos
pela produção primária terrestre ou marinha (o que requer consumo energético) para, então,
(UGUCIONE et al., 2002), além de ser um dos “utilizá-lo” em suas formas mais reativas: amônia
principais componentes das proteínas, das en- (NH3), amônio (NH4) e nitrato (NHO3).
zimas e do DNA (Ácido desoxirribonucleico). As taxas de nitrogênio são direta e indireta-
Tal fato faz com que o ciclo biogeoquímico mente influenciadas por esses mecanismos, que
desse elemento ganhe enfoque, especialmente podem atuar disponibilizando nitrogênio por
se considerarmos que, de todo o nitrogênio pre- diferentes formas, ao passo que também podem
sente na Terra, conforme Ugucione et al. (2002), indisponibilizar esse elemento. Os diferentes
uma quantidade inferior a 2% está disponível mecanismos relacionados à disponibilização de
em associações com o Carbono, Hidrogênio e nitrogênio estão expressos no Quadro 3.

58 Dinâmicas Ambientais
Quadro 3 - Mecanismos, ações e descrições de diferentes processos de disponibilização e indisponibilização de nitrogênio
MECANISMO AÇÃO DESCRIÇÃO/OBSERVAÇÕES
A principal via de fixação natural ocorre
pela ação de microrganismos (do gêne-
Transformação de N2 em ro Rhizobium), algas azuis (do gênero
amônia (NH3) Anabaena e Nostoc) e fungos (algumas
espécies) associados (em relação de mu-
Fixação tualismo) a leguminosas. Existe a fixação
física que ocorre em função de eventos
Disponibilização de amônia atmosféricos (físicos), como descargas
(NH3) elétricas. Por fim, a fixação antrópica,
como nos processos realizados em in-
dústrias de fertilizantes.
O processo de decomposição da matéria
Disponibilização de amônia orgânica nitrogenada por microrganismos
Decomposição
(NH3) libera NH3 em conjunto com outros com-
postos ao meio ambiente.
NH3 + H2O NH4OH NH4+ + OH-
A associação da amônia livre no solo,
Indisponibilização de amônia proveniente da ação dos microrganismos
Amonização (NH3) com a água presente no solo, seguida de
ionização, resulta no íon amônio (NH4+)
e uma hidroxila.
Disponibilização de amônio
(NH4+)
Os processos oxidativos sobre os íons amônio (NH4+) resultam em nitritos (NO2-) que ficam dis-
poníveis no ambiente ou são novamente oxidados em nitratos (NO3-).
Nitrificação Conversão de íons amô- Ocorre pela ação de bactérias nitrificantes
nio (NH4+) em nitrito (NO2-) (Nitrosomas, Nitrosococus, Nitrobacter).
e, posteriormente, nitrato
(NO3-)
O processo de Nitrificação pode ser dividido em duas etapas: Nitração e Nitrosação
Nitração 2HNO2 + 2O2 Transformação da amônia em nitrito.
2HNO3 + Energia
Nitrosação Transformação do íon nitrito em íon ni-
2NH3 + O2 2HNO2 + 2H2O +
trato, que podem ser absorvidos e meta-
Energia
bolizados pelas plantas.
Denitrificação Transformação de amônia Devolução de nitrogênio já metabolizado
(NH3) em N2 para a atmosfera na forma N2, normal-
mente realizado por bactérias ditas des-
nitrificantes (Pseudomonas desnitrificans),
Indisponibilização de amônia
torna-se necessária para não saturar o
(NH3)
solo com íons nitrogenados.

Disponibilização de N2
A queima de matéria orgânica pelo fogo é responsável pela indisponibilização de nitrogênio.
Amonificação Disponibilização de amônia Degradação de produtos metabólicos,
(NH3) como ureia, ácido úrico, proteínas e ou-
tros compostos por microrganismos de-
compositores para formação de amônia.
Fonte: adaptado de Hamilton (1976), Rosa, Messias e Ambrozini (2003); Aduan, Vilela e Reis Júnior (2004).

UNIDADE 2 59
A Figura 4, a seguir, contém uma representação do ciclo global do nitrogênio, explicitando os diferentes
mecanismos relacionados à disponibilização e indisponibilização de nitrogênio em um ambiente natural.

CICLO DO NITROGÊNIO

N2 N2
Fixação do Nitrogênio
(relâmpago) Fixação biológica do Nitrogênio

NO2

NO
fertilizadores

Nitrogênio
livre

bactéria de fixação
NO3 NH4 do Nitrogênio
escoamento
NO2 bactérias
nitrificantes
bactérias desnitrificantes

Figura 4 - Representação do Ciclo Global do Nitrogênio

Vale destacar, conforme mencionado anterior-


mente, que as ações antrópicas atuam sobre esse
ciclo biogeoquímico, influenciando na disponi-
Como é possível observar, o ciclo do nitrogênio bilidade de nitrogênio passível de utilização para
é extremamente complexo e conta com diversos os seres vivos que necessitam desse elemento. O
mecanismos de ação para que esse elemento despejo de efluentes sanitários e industriais, sem
essencial à vida possa ser disponibilizado/rea- o devido tratamento, são uma das atividades an-
proveitado em outras formas. trópicas mais impactantes relacionadas à alteração
dos níveis de nitrogênio e fósforo no ambiente.

60 Dinâmicas Ambientais
O Ciclo do Fósforo

O fósforo (P) é um nutriente essencial com fontes Para Aduan, Vilela e Reis Júnior (2004), a
finitas e não renováveis. Ainda assim, a exploração maior parte do fósforo presente nos ecossistemas
desse elemento, atualmente, é muito superior às é proveniente do intemperismo dos minerais,
taxas de reposição em seu ciclo natural, especial- esse processo pode ser acelerado pela ação de
mente se considerarmos que o ciclo desse elemen- substâncias provenientes das raízes de plantas
to é muito lento. Portanto, a exploração desenfrea- associadas a microrganismos; entretanto, no ci-
da e a escassez das reservas de fósforo podem nos clo do fósforo, nenhuma ação biológica (como
direcionar a um colapso, resultando em impactos as observadas no ciclo do hidrogênio) pode
econômicos, sociais e ambientais imensuráveis, aumentar significativamente a disponibilidade
pois, segundo Cordell (2008), as reservas de rocha desse elemento em ambientes em que ele se en-
fosfática conhecidas e exploráveis estejam extintas contra em baixas quantidades.
no período de 50 a 100 anos. A alteração da di- Em face da escassez desse recurso, os or-
nâmica desse nutriente no meio ambiente ocorre, ganismos presentes na biota terrestre contam
especialmente, em face da ocupação desordenada com um eficiente ciclo de fósforo a partir de
do solo, do desmatamento e do incremento das suas formas orgânicas. O fósforo é liberado por
atividades industriais e agrícolas. meio de processos erosivos e intempéries, sendo
Esse elemento se caracteriza como compo- esse elemento e suas formas fosfatadas (PO4-3)
nente essencial dos fosfolipídios, das coenzimas, limitantes em sistemas agronômicos.
dos ácidos nucleicos e dos elementos de transição A Figura 5, a seguir, representa as etapas do
energética (Adenosina Tri Fosfato = ATP) que são ciclo natural e de influência antrópica do fósforo.
indispensáveis para o funcionamento e manu- O ciclo de influência, sobre influência an-
tenção dos sistemas biológicos dos organismos trópica, representado na figura supracitada,
vivos. Esse elemento também é utilizado como explicita a utilização do fósforo na síntese de
base para síntese de diversos produtos industria- fertilizantes amplamente utilizados em sistemas
lizados, como fertilizantes e detergentes (QUE- agrícolas. Tal utilização, apesar de impactante e
VEDO; PAGANINI, 2011). de estar associada à eutrofização, torna-se neces-
Os reservatórios atuais existentes de fósforo sária, uma vez que os sistemas agrícolas que con-
(litosfera) foram formados ao longo de eras geoló- tam, somente, com o fósforo presente no solo, na
gicas e diferente de outros ciclos. Em nenhum mo- produção de cultivares não conseguiria obter a
mento, o ciclo desse elemento resulta na formação eficiência necessária para atender a demanda
de gás para manutenção de reservas atmosféricas, populacional emergente.
sendo suas fontes naturais oriundas de processos Ainda, os microrganismos exercem papel
erosivos da bacia de contribuição, da decomposi- fundamental no ciclo biogeoquímico do fós-
ção dos organismos aquáticos e dos vegetais que foro e na disponibilização desse elemento para
compõem as matas ciliares, do assoreamento do as plantas, realizando a solubilização do fósforo
corpo d’água, do intemperismo das rochas e da inorgânico, a mineralização do fósforo orgânico
intensidade das trocas ocorridas entre o sedimento e a associação entre plantas e fungos micorrízi-
e a coluna d’água (QUEVEDO; PAGANINI, 2011). cos (PAUL; CLARK, 1996).

UNIDADE 2 61
Tecidos vegetais

Tecidos animais e fezes

Decomposição por
fungos e bactérias

Fosfatos em solução
Fosfato no solo
Assimiliação por
Precipitação
células vegetais Perda por
lixiviação
Intemperismo
das rochas

Incorporação em rochas sedimentares;


os seguimentos geológicos levam essas rochas
para o ambiente da superfície terrestre.

Figura 5 - Ciclo do Fósforo


Fonte: Cola da Web (2018, on-line)3.

Por fim, é válido ressaltar que existem outros ele- porte de ambientes específicos, ecossistemas e/ou
mentos essenciais que também passam por ciclos biomas, uma vez que cada ser vivo tem impacto
biogeoquímicos, porém, os ciclos supracitados sobre o ambiente em que está inserido.
destacam-se por estarem diretamente relacio- Partimos, então, para os ciclos biogeoquímicos
nados e interligados a problemáticas ambientais presentes no planeta Terra. Vimos que os elemen-
atuais, coerentes e de interesse para os diferentes tos que compõem o globo possuem especifici-
processos de produção. dades com relação ao seu tempo de reposição
Nesta unidade, exploramos alguns conceitos no ambiente, de forma que possamos extrai-lo
voltados à ecologia, iniciando com a classifica- novamente. Sendo assim, precisamos sopesar o
ção dos seres vivos em ordem hierárquica. Essa uso que fazemos de cada um desses recursos de
classificação nos proporcionou uma noção mais modo a garantir sua disponibilidade no futuro.
realista da amplitude de níveis hierárquicos que Encerramos as duas primeiras unidades com
as ações antrópicas podem alcançar, sejam elas definições básicas, mas fundamentais para emba-
associadas à alteração das condições ambientais sar nossas discussões sobre as questões ambientais
próximas ou à diminuição da capacidade de su- que virão.

62 Dinâmicas Ambientais
Você pode utilizar seu diário de bordo para a resolução.

1. A vida na superfície terrestre só foi possível em função da presença de determi-


nados elementos dispersos nas mais variadas esferas componentes da biosfera.
Cada uma dessas esferas comporta e é responsável pelas interações naturais e
de origem antrópica que nela ocorrem. Em face do exposto, assinale a alternativa
que contempla as três esferas componentes da biosfera:
a) Litosfera, Biosfera e Atmosfera.
b) Superfície terrestres, Litosfera e Atmosfera.
c) Núcleo, Manto e Atmosfera.
d) Litosfera, Hidrosfera e Atmosfera.
e) Litosfera, Hidrosfera e Hemisfera.

2. Os diferentes ciclos biogeoquímicos apresentam especificidades relativas aos


elementos em questão. Em relação aos elementos: Carbono, Fósforo e Nitro-
gênio, avalie as assertivas:
I) O carbono apresenta capacidade de formar até 4 ligações covalentes.
II) As reservas de fósforo possuem capacidade de renovação extremamente ágil.
III) O ciclo natural do fósforo passa pelas etapas: Rocha, Indústria e Sistema
agrícola.
IV) O processo que transforma amônia em nitrito é denominado nitrofilação.

Assinale a alternativa correta:


a) I, somente.
b) III, somente.
c) IV, somente.
d) II, III e IV, somente.
e) I, II, III e IV.

63
3. Os níveis de organização ecológica ou níveis de hierarquia ecológica classificam
corretamente as diferentes organizações populacionais quanto às suas caracte-
rísticas: densidade ocupacional, distribuição e espaço. Cientes de sua relevância,
avalie as assertivas e classifique-as em Verdadeiras (V) ou Falsas (F):
(( ) Uma população corresponde a um grupo de indivíduos pertencentes a uma
mesma espécie presentes e ocupantes de uma determinada área por um
período de tempo.
(( ) Um ecossistema corresponde a meio, no qual os organismos interagem com
o meio ambiente, realizando trocas de matéria e energia pelas vias existentes.
(( ) A biosfera corresponde às populações que coexistem e habitam o mesmo
ambiente, interagindo de forma organizada.
(( ) Uma organela celular pode ser conceituada como partícula única ou unidade
fundamental em função de sua característica de indivisibilidade por processos
químicos.
(( ) Um bioma é composto por um conjunto de ecossistemas em uma larga escala
geográfica, no qual as plantas ou as formações vegetais se destacam como
características, assim como suas especificidades climáticas.

4. A vida na superfície terrestre sempre foi regida por um conjunto de caracte-


rísticas favoráveis ao seu pleno desenvolvimento. Dentre os motivos conside-
rados favoráveis, figuram os ciclos biogeoquímicos, devido à sua relevância e
amplitude. Considerando o exposto, assinale a alternativa que contém a correta
definição de ciclos biogeoquímicos:
a) Correspondem a grupos de indivíduos pertencentes a uma mesma espécie
presentes e ocupantes de uma determinada área por um período de tempo.
b) Correspondem à associação da superfície terrestre com a Litosfera e Atmosfera.
c) São processos que, por diversos meios, reciclam vários elementos em diferen-
tes formas químicas, do meio ambiente para os organismos e, depois, fazem
o processo contrário, ou seja, trazem esses elementos dos organismos para
o ambiente.
d) São ferramentas de gestão que devem ser utilizadas visando alcançar a efeti-
vidade socioambiental de uma organização.
e) Compreendem uma partícula única ou unidade fundamental em função de sua
característica de indivisibilidade por processos químicos.

64
5. Quando pensamos em fatores limitantes ao desenvolvimento dos seres vivos,
somos imediatamente direcionados aos recursos disponíveis. Claro que existe
uma relação entre disponibilidade de recursos e o desenvolvimento de uma po-
pulação, assim como a retirada de recursos pode levar à extinção de determinada
população. Neste contexto, cite os demais fatores que podem ser considerados
limitantes ao desenvolvimento dos seres vivo.

65
LIVRO

Geoquímica – Uma Introdução


Autor: Francis Albarede
Editora: Oficina de Textos
Sinopse: o livro explica, de forma didática, os fundamentos da geoquímica
moderna, que atua desde a medição do tempo geológico, passando pela ori-
gem dos magmas, pela evolução dos continentes, dos oceanos e do manto,
até a compreensão das mudanças ambientais. Com exemplos e exercícios, a
obra enfatiza os princípios gerais da geoquímica e traz informações essenciais
para estudantes de ciências da Terra e ciências ambientais. São apresentados
os princípios e os métodos da física e da química, utilizados em geoquímica,
além de conceitos de isótopos, fracionamento e mistura, isótopos estáveis,
biogeoquímica, geoquímica ambiental, conservação da massa, fracionamento
elemental, geocronologia, traçadores radiogênicos, transporte de elementos e
Sistemas geoquímicos. Pela abrangência e profundidade dos temas tratados e
pela excelência do trabalho de tradução, esse livro certamente será bastante
útil não apenas aos estudantes da disciplina, mas a todos os interessados nos
conceitos e aplicações da Geoquímica nas diversas áreas das ciências da Terra.

66
ADUAN, R. E.; VILELA, M. F.; REIS JÚNIOR, F. B. Os grandes ciclos biogeoquímicos do Planeta. Documentos
Embrapa, Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento. Distrito Federal, v. 119, 2004.

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2

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3

maio 2019.

68
1. D.

2. A.

3. V, V, F, F, V.

4. C.

5. O segundo tópico da unidade trata dos fatores limitantes ao desenvolvimento dos seres vivos. Recursos
disponíveis é um deles, mas não o único. Sabe-se que qualquer alteração em algum desses fatores pode
afetar sistemas vivos inteiros. Esses fatores, como destacados no segundo tópico, são: pH e salinidade,
umidade, temperatura, luz e recursos.

69
70
Esp. João Marcos Pardo
Me. Gustavo Affonso Pisano Mateus

Gerenciamento
de Recursos Hídricos -
Captação e Tratamento
de Água

PLANO DE ESTUDOS

O Homem e a Fundamentos de Tratamento


Utilização da Água e Qualidade da Água

Papel da Água no Princípios de Estação de Tratamento


Planeta Terra Captação da Água de Água (ETA)

OBJETIVOS DE APRENDIZAGEM

• Entender a relevância da água no planeta. • Abordar os parâmetros e indicadores utilizados na capta-


• Visualizar a relação do homem com os recursos hídricos ção e tratamento de água de abastecimento.
ao longo da história. • Entender o funcionamento de uma ETA convencional.
• Relacionar os fatores que influenciam a escolha dos cor-
pos hídricos para abastecimento.
Papel da Água
no Planeta Terra

Seja bem-vindo(a), caro(a) aluno(a), à terceira


unidade do nosso material didático, intitulada
gerenciamento de recursos hídricos - captação e
tratamento de água. Esta unidade tem por obje-
tivo apresentar algumas informações pertinentes
sobre o tratamento de água.
Serão apresentados, inicialmente, alguns prin-
cípios básicos sobre a coleta, tratamento e distri-
buição de água, que se fazem aqui relevantes em
função da utilização desse recurso. Portanto, co-
nhecer os inúmeros processos envolvidos em sua
utilização, poderá auxiliar na busca por formas de
reduzir o consumo ou, até mesmo, reutilizá-lo na
própria indústria.
Por fim, iremos conhecer as diferentes etapas
de tratamentos que podem ser aplicadas para a
água, considerando a necessidade identificadas
antes do tratamento e também as legislações per-
tinentes envolvidas. Sendo assim, caro(a) aluno(a),
convido você a descobrir novas informações e
curiosidades sobre esses assuntos tão relevantes.
Vamos lá?!
Após uma breve introdução a pendendo das condições, em estado líquido, sólido ou gasoso. Sa-
alguns dos conceitos que se fazem bemos que a água recobre, aproximadamente, 70% da superfície do
relevantes sobre meio ambiente e planeta Terra e devido ao seu ciclo hidrológico, pode ser conside-
de conhecermos um pouco acer- rada um recurso renovável. Conforme Barros et al. (1995), a água
ca de sua dinâmica nas unidades pode ser classificada conforme sua utilização:
anteriores, este material didático, • Elemento de composição da natureza: meio de navegação,
em suas unidades seguintes, irá relativa à regulação da umidade do ar e do clima na Terra, fon-
apresentar, efetivamente, as ações te de geração energética e transporte de despejos sanitários e
que devem ser realizadas no con- industriais (líquidos).
texto empresarial/industrial para • Ambiente para a vida aquática: habitat para organismos
que ocorra a redução dos impac- aquáticos.
tos causados. Introduzindo, as- • Fator indispensável à vida terrestre: irrigação do solo, abas-
sim, as ferramentas, sejam elas de tecimento público e industrial e dessedentação de animal. Ape-
gestão, manejo ou de tratamento sar de facilmente associarmos a geração de resíduos a material
pertinentes e condizentes com as sólido, com os líquidos (recursos hídricos) acontece o mesmo.
questões ambientais. A utilização que se faz desses recursos é que determina as carac-
É de nosso conhecimen- terísticas finais, nesse caso, das águas residuárias ou efluentes. O
to que água é uma substância mesmo acontece para o atendimento das necessidades básicas
insípida, incolor e inodora, humanas, como no caso do esgoto sanitário.
composta por dois átomos de
hidrogênio e um de oxigênio, Fica evidente, portanto, que a água é um recurso indispensável à vida.
que pode ser encontrada, de- Apesar disso, trata-se de um recurso muito mal utilizado.

UNIDADE 3 73
O Homem e a
Utilização da Água

Historicamente, o homem viu, nos recursos hídricos,


formas de fomentar seu desenvolvimento, além de
atender suas necessidades voltadas à potabilidade. Os
corpos hídricos ainda promovem desenvolvimento
econômico desde a idade média, quando povoados
eram formados em regiões próximas à orla marítima
ou a planícies de rios, possibilitando o surgimento
das primeiras rotas comerciais. Além do desenvol-
vimento econômico, o homem, ao longo de sua evo-
lução, concluiu que o consumo ou a proximidade de
águas impróprias poderia resultar na transmissão de
doenças (RESENDE; HELLER, 2002).
Entretanto, por que devemos discutir sobre a
água e o seu uso? Essa substância é indispensável
para a manutenção da vida na Terra e para a sobre-
vivência dos organismos, sendo, portanto, conside-
rada um recurso primordial para a vida, logo, pode-
mos estabelecer uma relação na qual a quantidade
de água disponível em uma região é diretamente
proporcional ao conjunto de seres vivos presentes
nessa mesma região. Além disso, discutir acerca da
utilização consciente dos recursos naturais dispo-
níveis e da necessidade de um manejo/gestão ade-
quados objetivam garantir o direito das gerações
vindouras de acesso a um ambiente equilibrado.
É fato que a dimensão ambiental, segundo San- nacional, esse número alcança 72% do volume
tos e Miguel (2002), vem sendo incorporada aos consumido pelo nosso país, que se destaca nes-
diferentes processos produtivos das indústrias e se setor da economia. Voltando à escala global,
à gestão empresarial, inclusive como ferramenta ainda segundo o autor, depois do setor agrícola,
para redução de custos e aumentos de lucrativi- a atividade das indústrias são responsáveis por
dade, por meio de diferentes medidas para mi- 22% do volume, seguido de 8% atribuído à uti-
nimização, reuso e reciclo dos efluentes líquidos lização doméstica.
gerados pelos diversos processos industriais.
Entretanto, apesar desse eminente despertar da
consciência ambiental que se observa nas últimas
décadas, algumas atividades antrópicas figuram Tenha sua dose extra de
conhecimento assistindo ao
como grandes consumidoras de elevado volume
vídeo. Para acessar, use seu
de água potável, uma vez que, lamentavelmente, leitor de QR Code.
torna-se quase utópico afirmar que exista algum
processo produtivo ou de beneficiamento que não
requer um grande volume de água em sua cadeia Podemos dizer que, no Brasil, há um esforço por
produtiva. parte das indústrias em diminuir o consumo de
Para Pena ([2019], on-line)1, conforme da- água nos processos produtivos. O panorama da
dos da Organização Mundial das Nações Uni- utilização da água é positivo no setor, mas ainda
das para a Alimentação (FAO), a pecuária, e as há campo para melhoras. Na Tabela 1, apresenta-
atividades relacionadas a ela, consome cerca de mos uma perspectiva do volume de água consu-
70% da água do mundo; em uma perspectiva mida nas indústrias brasileiras.

Tabela 1 - Consumo de água nas indústrias do Brasil


TIPO DE INDÚSTRIA CONSUMO
Extração de minerais não metálicos 7,57 m³/t de pedra, areia ou argila
Refinamento de petróleo 0,226 m³ por barril refinado
Indústria têxtil 139 m³/t de tecido
Couro (curtumes) 16,4 m³/t de couro
Papel 33,25 m³/t de papel
Usina de açúcar 5 m³/t de cana processada
Laticínios 2 m³ por m³ de leite
Cervejaria 3,9 m³ por m³ de cerveja
Matadouros 1,2 m³/t de carne bovina
Fonte: CNI (2013, on-line).

UNIDADE 3 75
Visando a diminuição do uso de água na
fabricação de seus refrigerantes, a Coca-Cola
modificou sua postura e tecnologias. Veja como a
empresa fez isso no vídeo disponível em: https://
youtu.be/svTkThQCeec.
A meta à curto prazo é de que seja necessário 1
litro de água para produzir 1 litro de refrigerante.

Apesar da vasta capacidade hídrica de nosso país,


evidenciada pela gama de corpos hídricos, aquífe-
ros, mananciais e rios flutuantes, dados do institu-
to Trata Brasil (ROSA, 2016, on-line)2, indicaram
que, em 2015, 35 milhões de brasileiros ainda so-
friam com a falta de abastecimento de água. Con-
tudo, como em um país cuja a extensão territorial
é privilegiada com um grande potencial hídrico,
a população, em sua totalidade, ainda não possui
acesso a água de qualidade? As respostas para
esse questionamento giram em torno da gestão
desse recurso e das políticas que regulamentam o
desenvolvimento de tecnologias e investimentos
para assegurar o direito a água com elevado grau
de potabilidade a todos.
Princípios de
Captação da Água

Em um primeiro momento, podemos pensar que


o abastecimento de água poderá ser interminável,
mediante a quantidade de água que recobre a su-
perfície terrestre, porém, se considerarmos que,
dessa superfície, a maior parte da água é salgada e,
portanto, não pode ser utilizada para a agricultura,
processos industriais e consumo humano, esse
panorama se inverte.
Historicamente, a captação e obtenção de
água doce, com qualidade aceitável para aten-
dimento das necessidades humanas, sempre
foi uma preocupação. Embora o conhecimen-
to científico só tenha esclarecido/diferenciado
padrões de qualidade da água mediante ao ad-
vento da tecnologia, o homem, nos primórdios
da história, já era capaz de distinguir a água de
qualidade, sem cor, odor ou sabor, daquela que
apresentava características opostas.
O aporte pontual ou difuso de substâncias xe-
nobióticas, organismos ou de matéria orgânica em
excesso na água podem resultar em uma série de
agravos ao meio ambiente, como, por exemplo, a
poluição, contaminação e a eutrofização.

UNIDADE 3 77
Como reflexo da evolução do conhecimento Entretanto, qual fonte de água é utilizada para
acerca da salubridade ambiental, o abastecimento atender nossas necessidades atuais? Os ma-
de água de fontes seguras e o despejo do esgoto nanciais das águas urbanas são as fontes de
passaram a ocorrer em localidades diferentes dos água para abastecimento que visam atender as
corpos hídricos (manancial próximo à cidade). necessidades humanas, animais e industriais.
Essa mudança teve como principal objetivo evitar Essas fontes podem ser superficiais (redes de
doenças relacionadas a condições impróprias de rios da bacia hidrográfica da região) e subterrâ-
saneamento, caracterizando um período histórico neas (aquíferos), cuja disponibilidade de água,
denominado higienista (TUCCI, 2008). especialmente das fontes superficiais, podem
variar conforme sazonalidade, uma vez que a
disponibilidade hídrica depende da capacida-
de do rio de regularizar-se ao longo do tempo
(COSTA et al., 2012).
Substâncias xenobióticas se referem a substân- Outro questionamento que se faz relevante
cias químicas recalcitrantes estranhas ao corpo consiste em: como determinar se um corpo hí-
humano, aos organismos e ao meio ambiente. drico é apto para a captação de água? Além dos
Referem-se a compostos sintéticos, sintetizados padrões de qualidade, a disponibilidade hídrica
via técnicas de engenharia química ou genética, é mensurada mediante uma série de fatores ou
como, por exemplo, pela transformação de mi- condicionantes naturais, tais como: vazão, caracte-
crorganismos, como fungos e bactérias. Alguns rísticas da precipitação, evapotranspiração (total,
exemplos são: fármacos, agentes saneantes ou variabilidade temporal e espacial) e da superfície
tensoativos e defensivos agrícolas. do solo, fatores considerados para uma distribui-
ção estatística temporal.

78 Gerenciamento de Recursos Hídricos - Captação e Tratamento de Água


A hidrologia e a mecânica de fluidos são áreas fundamentais para
os estudos de preservação dos recursos. Com o intuito de de-
mocratizar o acesso à informação nestes segmentos, a Agência
Nacional de Água (ANA) disponibiliza, em seu endereço eletrônico,
inúmeros materiais que podem ser consultados acerca dessas
temáticas. Confira!
Disponível em: https://capacitacao.ead.unesp.br/conhecerh/
handle/ana/240.

As fontes subterrâneas compõem a maior reserva de água doce do


globo (MINAYO-GOMEZ, 2011). Tais reservas se dividem entre
aquíferos confinados e não confinados, de acordo com a formação
geológica, que fazem referência à pressão exercida sobre eles, ou seja,
os confinados estão sobre influência de pressão superior à atmos-
férica, ao passo que os não confinados não estão sobre pressão e
podem ser repostos por fluxos naturais de escoamento (RIBEIRO,
2008). Ainda segundo o autor, normalmente, a água subterrânea é
utilizada no abastecimento de cidades de pequeno e médio porte,
pois depende da vazão de bombeamento que o aquífero permite
retirar sem comprometer seu balanço de entrada e saída de água. A
captação em aquíferos merece uma atenção especial em função do
risco de contaminação por substâncias xenobióticas e recalcitrantes,
que podem se infiltrar/percolar no lençol freático e contaminar
reservas de água.
Segundo Libânio (2010), as tecnologias envolvidas no tratamento
de água têm por objetivo adequar os parâmetros da água bruta aos
limites estabelecidos pela Portaria 2.914 do Ministério da Saúde,
considerando os custos de implementação, manutenção e operação
mais viáveis possíveis. Além disso, para o autor, a escolha da tecno-
logia deve ser permeada por algumas premissas, sendo elas:
a) As características da água bruta disponível para captação.
b) Os custos envolvidos.
c) Manuseio e confiabilidade dos equipamentos.
d) Flexibilidade operacional.
e) Localização geográfica e características da população.

UNIDADE 3 79
Fundamentos de
Tratamento e
Qualidade da Água

Em face de tais problemáticas e da necessidade de


garantia de fornecimento de água de qualidade à
população, o Ministério da Saúde elaborou a Por-
taria 2.914, de 2011, que dispõe sobre os parâme-
tros de qualidade da água potável, sendo alguns
deles expressos na Tabela 2.
Tabela 2 - Parâmetros de potabilidade estabelecidos pela Portaria 2.914/11 do Ministério da Saúde
PARÂMETRO SIGNIFICADO VALOR MÁXIMO PERMITIDO (VMP)
Presença de Coliformes Grupo de bactérias que são indica- Ausência em 100 mL
dores de contaminação ambiental.
Teor de Cloro Agente desinfetante, utilizado para 0,2 mg/L
eliminar microrganismos que pos-
sam estar presentes nas águas e
provocar doenças por via hídrica.
Turbidez É a medida da quantidade de par- 5 UT (unidades de turbidez) ou NTU
tículas em suspensão (material in- (Unidade nefelométrica de turbidez).
solúvel) presentes na água e que
impedem a passagem de luz.
pH Indica a natureza ácida ou básica 6,0 a 9,5
da água. É monitorado durante as
etapas de tratamento e na rede de
distribuição, evitando os processos
de corrosão nas canalizações.
Cor Parâmetro de aspecto estético de 15 Unidade Hazen (mg PtCo/L)
aceitação ou rejeição do produto. A
cor indica a presença de substâncias
dissolvidas ou finamente divididas,
que conferem coloração específica
à água.
Teor de Flúor Composto químico que é adiciona- 1,5 mg/L
do à água tratada para prevenção
da proliferação de microrganismos
indesejados.
Fonte: Brasil (2011, on-line).

Cabe ressaltar que existem outros parâmetros relacionados à potabilidade, que são expressos pela
portaria. Tal portaria ainda discorre acerca das responsabilidades de fiscalização e monitoramento
nas esferas federal, estadual e municipal. Após o tratamento de água potável, a qualidade desta pode
sofrer uma série de alterações após tratamento, fazendo com que a qualidade da água, destinada à po-
pulação, seja diferente da qualidade da água que deixa a estação de tratamento. Tais alterações podem
ser causadas por variações químicas e biológicas (DEININGER et al., 1992). Conforme Clark e Coyle
(1989), dentre os possíveis fatores que influenciam tais mudanças, estão:
a) Qualidade química e biológica da fonte hídrica.
b) Eficácia do processo de tratamento, condições de armazenagem e sistema de distribuição.
c) Idade, tipo, projeto e manutenção da rede.
d) Qualidade da água tratada.

UNIDADE 3 81
Estação de Tratamento
de Água (ETA)

Estação de tratamento de água é o conjunto de ins-


talações e equipamentos destinados ao tratamen-
to de água. Para que a água se torne adequada ao
consumo, deve passar por um processo de trata-
mento que utiliza elementos físicos e químicos.
(Projeto Água para o Futuro)

Após sua captação, a água é transportada até a


ETA e, posteriormente, distribuída à população,
por uma rede. Esse sistema implica elevados in-
vestimentos, geralmente públicos, para garantir
água em quantidade e qualidade adequada.
Normalmente, os municípios adotam o mode-
lo de ETA convencional, conforme proposto pela
resolução CONAMA 357/2005 e pela NBR 12216
de 1992. O modelo de tratamento convencional
ou de ciclo completo compreende as seguintes
etapas: coagulação; floculação; decantação; fil-
tração rápida descendente; ajustes finais - que en-
volvem desinfecção - fluoretação, ajuste de pH,
dentre outros processos necessários (Figura 1).
Coagulação Floculação Decantação Filtração Cloração
Figura 1 – Etapas de uma ETA convencional
Fonte: o autor.

Cada uma das etapas possui uma finalidade no pro- gulantes. Quantidades de alumínio residual na água
cesso de tratamento de água, sendo elas: são mais aptas à absorção biológica, do que as oriun-
• Coagulação: a adição de Sais de Alumínio, das de outras fontes, o que pode resultar em deposi-
Cal e Cloro promove a coagulação de impu- ções de alumínio em vias neuroquímicas, causando
rezas presentes na água, como: matéria orgâ- efeitos adversos indesejáveis, dentre eles, destacam-se
nica e sólidos dissolvidos ou em suspensão os efeitos desproporcionais sobre o mal de Alzheimer
que alteram o pH com o intuito de aumentar (REIBER; KUKULL; STANDISH-LEE, 1995).
a eficiência dos agentes coagulantes e atuam Assim, é importante reavaliar constantemente as
como agente saneante, respectivamente. metodologias empregadas no tratamento de água,
• Floculação: a ação dos agentes coagulantes, com o objetivo de aumentar a eficiência e qualidade
da etapa anterior, provoca uma desestabili- dos processos.
zação das cargas superficiais das impurezas Conforme abordamos na unidade anterior, o ci-
presentes; desta forma, ao serem submetidas clo de reposição da água é de suma importância para
ao processo de agitação intensa, as impurezas que tenhamos esse recurso disponível para utilização.
irão agregar-se, formando flocos de maior O panorama da indústria brasileira no que tange
densidade que serão removidas na etapa se- aos processos produtivos que dependem da água é
guinte. positivo, mas ainda há campo para melhora, princi-
• Decantação: os flocos formados irão de- palmente quando falamos de agricultura e pecuária.
cantar em função das forças gravitacionais, Nossa reflexão deve ser relacionada a como diminuir
gerando uma separação do líquido menos o consumo desse bem tão precioso.
denso das impurezas de maior peso e agre- Vimos, também, nesta unidade, os parâmetros
gadas em função das etapas anteriores. básicos de qualidade da água conforme as nor-
• Filtração: o processo de filtração granular mas e legislações, a partir dos quais poderemos
descendente é relevante para a remoção dos projetar e implementar uma estação de captação
parâmetros: turbidez, cor aparente, sólidos e tratamento de água, para, então, usá-la no abas-
totais e densidade de microrganismos, como tecimento público.
algas e coliformes. Estes são apenas alguns dos temas principais
• Cloração: o cloro e o flúor, adicionados nesta associados ao tratamento de água. Esgotar essa te-
etapa, atuam visando a eliminação de micror- mática em apenas um material didático seria muita
ganismos patogênicos associados a doenças pretensão em função de sua especificidade e da gama
transmitidas pela água, enquanto o Cal rea- de assuntos relacionados que podem ser abordados.
liza o ajuste do pH em faixa condizente com Discutir tantos assuntos voltados ao tratamento de
as legislações estabelecidas. água quando o objetivo é abordar o tratamento de
efluentes é relevante, especialmente quando mui-
Entretanto, atualmente, métodos de tratamento de tos dos princípios aqui apresentados também são
água vêm sendo repensados, em especial, em função válidos para o tratamento de efluentes, que serão
da utilização dos sais de alumínio como agentes coa- tratados na próxima unidade.

UNIDADE 3 83
Você pode utilizar seu diário de bordo para a resolução.

1. Os eventos e peculiaridades acerca do processo de tratamento de água são


diversos e apresentam-se necessários, pois visam a garantia da qualidade da
água enquanto produto final de um processo de tratamento. A Portaria 2914, de
2011, elaborada pelo Ministério da Saúde, dispõe sobre os parâmetros de quali-
dade de água necessários para consumo humano, denominado de parâmetros
de potabilidade. Em relação a esses parâmetros apresentados, associe as duas
colunas, relacionando os parâmetros com a sua correta definição/finalidade:
(1) Cloro.
(2) Turbidez.
(3) pH.
(4) Cor aparente.
(( ) Parâmetro relacionado à quantidade de partículas em suspensão (material
insolúvel) presentes na água e que impedem a passagem de luz.
(( ) Indica a natureza ácida ou básica da água.
(( ) Parâmetro utilizado na eliminação de microrganismos que possam estar pre-
sentes nas águas e que possam provocar doenças relacionadas a vias hídrica.
(( ) Indica a presença de substâncias dissolvidas ou finamente divididas, que con-
ferem coloração específica à água.

Assinale a sequência correta:


a) 2, 3, 1 e 4.
b) 1, 2, 3 e 4.
c) 2, 4, 1 e 3.
d) 2, 3, 4 e 1.
e) 3, 1, 4 e 3.

2. Uma ETA convencional, de acordo com a resolução CONAMA 357/2005 e a NBR


12216, de 1992, possui algumas etapas básicas para realizar o tratamento de
água. São elas: Coagulação, Floculação, Decantação, Filtração e Cloração. Expli-
que, com suas palavras, ao menos três dessas etapas.

84
3. A Portaria 2.914, do Ministério da Saúde, estabelece os parâmetros da água
tratada utilizada para abastecimento. Naturalmente, os corpos hídricos e aquí-
feros não apresentam características dentro desses parâmetros, cabendo ao
responsável pela implantação da ETA analisar a viabilidade do empreendimento
de acordo com alguns fatores. A escolha das tecnologias utilizadas numa ETA
deve levar em conta:
I) As características da água bruta disponível para captação.
II) Os custos envolvidos.
III) Manuseio e confiabilidade dos equipamentos.
IV) Flexibilidade operacional.
V) Hábitos de consumo da população.

É correto o que se afirma em:


a) I, II, III e IV.
b) II, somente.
c) III, somente.
d) IV, somente.
e) II, III e IV, somente.

85
FILME

Ilha das Flores


Ano: 1989
Sinopse: esse filme retrata a sociedade atual, tendo como enfoque seus pro-
blemas de ordem sociais, econômicas e culturais, na medida em que contrasta
a força do apelo consumista, os desvios culturais retratados no desperdício e o
preço da liberdade do homem, enquanto um ser individual e responsável pela
própria sobrevivência. Por meio da demonstração do consumo e desperdício
diários de materiais (lixo), o autor aborda toda a questão da evolução social de
indivíduo, em todos os sentidos. Torna evidente todos os excessos decorrentes
do poder exercido pelo dinheiro, numa sociedade onde a relação opressão e
oprimido é alimentada pela falsa ideia de liberdade de uns, em contraposição
à sobrevivência monitorada de outros.

86
ABNT. NBR 12216: Projeto de estação de tratamento de água para abastecimento público. Rio de Janeiro, 1992.

BARROS, R. T. V. et al. Saneamento. Belo Horizonte: Escola de Engenharia da Universidade Federal de Minas
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BRASIL. Resolução CONAMA nº 357, de 17 de março de 2005. Dispõe sobre a classificação dos corpos
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87
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2019.
2
Em: https://marilianoticia.com.br/o-cenario-atual-do-saneamento-ambiental-no-brasil/. Acesso em: 27 mar.
2019.

88
1. A.

2.

Coagulação: a adição de Sais de Alumínio, Cal e Cloro promove a coagulação de impurezas presentes na
água como: matéria orgânica e sólidos dissolvidos ou em suspensão que alteram o pH, com o intuito de
aumentar a eficiência dos agentes coagulantes e atuam como agente saneante, respectivamente.

Floculação: a ação dos agentes coagulantes, da etapa anterior, provoca uma desestabilização das cargas
superficiais das impurezas presentes; desta forma, ao serem submetidas ao processo de agitação intensa,
as impurezas irão agregar-se, formando flocos de maior densidade, que serão removidas na etapa seguinte.

Decantação: os flocos formados irão decantar em função das forças gravitacionais, gerando uma separa-
ção do líquido menos denso das impurezas de maior peso e agregadas em função das etapas anteriores.

Filtração: o processo de filtração granular descendente é relevante para a remoção dos parâmetros: tur-
bidez, cor aparente, sólidos totais e densidade de microrganismos, como algas e coliformes.

Cloração: o cloro e o flúor, adicionados nesta etapa, atuam visando a eliminação de microrganismos
patogênicos associados a doenças transmitidas pela água, enquanto o Cal realiza o ajuste do pH em faixa
condizente com as legislações estabelecidas.

3. A.

89
90
Esp. João Marcos Pardo
Me. Gustavo Affonso Pisano Mateus

Gerenciamento de
Recursos Hídricos –
Tratamento de
Águas Residuárias

PLANO DE ESTUDOS

ETE - Tratamento Secundário


Efluentes Industriais
e Tratamento Terciário

Estação de Tratamento de
Efluentes Sanitários
Esgoto (ETE) - Pré-tratamento
ou Domésticos
e Tratamento Primário

OBJETIVOS DE APRENDIZAGEM

• Definir as características de águas residuárias decorrentes • Explicar as primeiras fases de tratamento de esgoto em
da utilização doméstica. uma ETE.
• Conhecer as características de águas residuárias decor- • Apresentar as fases finais de tratamento de esgoto em
rentes da utilização industrial. uma ETE, dando ênfase ao tratamento de lodo residual.
Efluentes Sanitários
ou Domésticos

Olá, caro(a) aluno(a)! Em nossa quarta unidade,


continuaremos a abordagem de gerenciamento de
recursos hídricos, mas tomaremos outro foco: o
tratamento de águas residuárias, também conhe-
cidas como efluentes.
A água, como um recurso renovável, pode ser
utilizada nos mais diversos processos, e o produto
da utilização desse recurso precisa de tratamento
e disposição final adequados para que não haja
nenhum problema ambiental, sejam estes reali-
zados mediante um serviço de terceirização ou,
ainda, destinada a uma estação de tratamento de
efluente própria da indústria.
Iremos conhecer as características mais ge-
neralistas dos efluentes sanitários e industriais.
Os efluentes sanitários se fazem relevantes, pois,
muitas vezes, você poderá deparar-se com es-
tações de tratamento industriais que destinam
seus efluentes sanitários no mesmo local que seus
efluentes industriais, conferindo, assim, caracte-
rísticas diferentes ao efluente final a ser tratado.
Portanto, conhecer suas especificidades, assim
como a legislação envolvida em seu despejo final,
é muito importante.
Segundo a Resolução 430/2011 do Conama, efluente é o termo utilizado para caracterizar os des-
pejos líquidos provenientes de diversas atividades ou processos, sejam domésticas, comerciais ou
industriais, sendo uma composição, um reflexo de seu processo ou destinação.

Na sequência, abordaremos as etapas de tratamen- ponde a uma associação de sólidos orgânicos e


to dos efluentes industriais e sanitários com base inorgânicos, suspensos ou dissolvidos, nos quais
nas normas e legislações pertinentes. Finalmente, são encontrados uma série de organismos e mi-
trataremos de algumas tendências no Brasil e ao crorganismos patogênicos, como vírus, bactérias,
redor do mundo no que se refere ao tratamento protozoários e helmintos. A associação desses
de efluentes, trabalho este que possibilita que até compostos aos dejetos humanos faz com que esse
mesmo efluentes sanitários possam ser tratados tipo de efluente apresente características próprias,
e utilizados para abastecimento de água potável. como odor característico e temperatura levemen-
Podemos começar? te elevada, devido à atividade microbiológica.
Segundo Von Sperling (2005), os efluentes do- O quadro a seguir apresenta as principais ca-
mésticos são compostos de, aproximadamente, racterísticas físico-químicas, comumente obser-
99% de água, enquanto a fração restante corres- vadas nos efluentes domésticos/sanitários:

Quadro 1 - Características físico-químicas dos efluentes domésticos/sanitários


PARÂMETRO DESCRIÇÃO
Temperatura Normalmente, possuem temperatura superior à da água de abastecimento e está
relacionada com a atividade dos microrganismos, solubilidade de gases, velocidade
das reações químicas e viscosidade dos líquidos.
Cor A coloração dos efluentes domésticos, normalmente, é cinza, cinza escuro ou preta,
em função do material dissolvido. A cor desse tipo de efluente é diretamente influen-
ciada pela decomposição da matéria orgânica.
Odor O odor dos esgotos domésticos é desagradável em função dos gases sulfídricos
liberados em função do processo de decomposição da matéria orgânica.
Turbidez Influenciada pelos sólidos em suspensão, areia, argila, material orgânico e inorgânico
e microrganismos, faz referência à dificuldade de difração da luz na água. Portanto,
efluentes mais concentrados possuem maior turbidez.
Sólidos totais Referem-se ao balanço de todos os sólidos presentes nos esgotos domésticos.

Sólidos em Fração dos sólidos orgânicos e inorgânicos suspensos no esgoto, que possuem di-
suspensão mensões específicas superiores, variando de > 0,45 a > 2,0 μm.

Sólidos fixos Representam os componentes minerais, não incineráveis e inertes dos sólidos em
suspensão.
Sólidos voláteis Correspondem aos componentes orgânicos dos sólidos em suspensão.

Sólidos Fração dos sólidos orgânicos e inorgânicos suspensos no esgoto, que possuem di-
Dissolvidos mensões específicas inferiores, variando de < 0,45 a < 2,0 μm.

Sólidos Fração de sólidos orgânicos e inorgânicos que possuem peso molecular suficiente
sedimentáveis para sedimentar em um período de 1 hora. É analisado em cone Imhoff.

UNIDADE 4 93
Matéria Refere-se aos compostos orgânicos, sendo os principais componentes: proteínas,
orgânica carboidratos e lipídios. Para sua determinação, normalmente são analisadas as de-
mandas químicas e bioquímicas de oxigênio ou via carbono orgânico total.
Nitrogênio Inclui as formas de nitrogênio orgânico, amônia, nitrito e nitrato. Componentes orgâni-
total cos da matéria orgânica, sua presença em efluentes está relacionada à decomposição.

Fósforo É um nutriente essencial presente na composição de várias substâncias orgânicas e


inorgânicas. Sua presença em esgoto doméstico está relacionada à decomposição
dessas substâncias e a sua disponibilidade no meio é preocupante, pois esses nu-
trientes são essenciais para o desenvolvimento de microrganismos, algas e plantas.
pH Indica se a característica do esgoto é ácida ou básica. A variação nesse parâmetro
pode influenciar a eficiência dos tratamentos para esse tipo de efluente. Valores
ácidos de pH tornam o efluente corrosivo, ao passo que valores básicos aceleram a
incrustação desses efluentes pela tubulação do sistema de esgotamento sanitário.
Alcalinidade Representa a capacidade de um sistema aquoso de neutralizar ácidos sem que haja
a perturbação de forma extrema das atividades biológicas que nele decorrem. Está
relacionada à presença de carbonatos, bicarbonatos e hidroxilas, sódio e cálcio.
Cloretos Provenientes da água de abastecimento e dos dejetos humanos.

Óleos e Graxas Fração de matéria orgânica solúvel em hexano; no caso dos esgotos domésticos,
estão relacionados aos óleos e gorduras utilizados no preparo ou na composição
de alimentos.
Presença de A presença dos microrganismos neste tipo de efluente é predominantemente em
microrganismos função dos dejetos humanos. São comuns a esse tipo de efluente os coliformes
fecais, sendo estes um grupo de bactérias comuns ao trato intestinal humano e de
animais. Esse grupo compreende os gêneros Escherichia e, em menor grau, espécies
de Klebsiella, Enterobacter e Citrobacter (WHO, 1993).
Fonte: adaptado de Von Sperling (2005) e Who (1993).

A legislação que dispõe especificamente sobre os padrões que devem ser atingidos para o lançamento
de efluentes é a Resolução do CONAMA 430/2011. Essa legislação rege parâmetros, diretrizes e padrões
para o despejo de efluentes domésticos/sanitários e industriais em corpos receptores. O artigo 21º
dessa legislação preconiza que o lançamento direto de efluentes oriundos de sistemas de tratamento
de esgotos sanitários deve atender os padrões expressos no quadro a seguir:
Quadro 2 - Parâmetros físico-químicos e valores máximos permitidos para o lançamento de efluentes sanitários em corpos hídricos
PARÂMETRO VALOR MÁXIMO PERMITIDO (VMP)
ph Entre 5 e 9.

Temperatura Inferior a 40 °C.

Sólidos Até 1 mL/L (Teste em cone Inmhoff). Caso a disposição ocorra em lagos/lagoa, os
sedimentáveis sólidos sedimentáveis deverão ser ausentes.

Óleos e Graxas Até 100 mg/L.

Materiais Ausentes.
flutuantes
Demanda Máximo de 120 mg/L, sendo que esse valor poderá ser ultrapassado no caso de
Bioquímica de efluente de sistema de tratamento, com eficiência de remoção mínima de 60%
Oxigênio (DBO5) de DBO, ou mediante estudo de autodepuração do corpo hídrico que comprove
atendimento às metas do enquadramento do corpo receptor.
Fonte: Brasil (2011).

94 Gerenciamento de Recursos Hídricos – Tratamento de Águas Residuárias


Lembrando que existem ressalvas para os efluentes degradação do efluente em questão, estabele-
sanitários, que recebem lixiviados de aterros sani- cendo uma relação sobre a taxa de consumo de
tários; neste caso, o órgão ambiental competente oxigênio em função do tempo.
deverá indicar quais os parâmetros da Tabela I do Em relação à demanda bioquímica de oxigênio,
art. 16, inciso II da Resolução 430/2011 do Co- faz-se relevante apresentar a demanda química
nama que deverão ser atendidos e monitorados. de oxigênio ou DQO. Esse parâmetro indicativo,
Os cuidados específicos com esse tipo de assim como a DBO, avalia o consumo de oxigê-
efluente se dá em função dos possíveis impactos nio, só que, neste caso, a DQO avalia o consumo
causados ao meio ambiente, além do aporte de de oxigênio para a oxidação química da matéria
matéria orgânica, que pode acelerar o processo orgânica, comumente analisada utilizando um
de eutrofização. A presença de microrganismos agente oxidante forte, como o dicromato de po-
patogênicos oriundos do trato digestivo dos se- tássio em uma alíquota da amostra com pH ácido.
res humanos torna-se a principal preocupação. A Esses dois parâmetros, quando comparados
presença desses microrganismos faz com que esse de forma conjunta, proporcionam informações
tipo de efluente, na ausência de tratamento ade- sobre a biodegradabilidade do efluente e, conse-
quado, torne-se agente de transmissão de doenças quentemente, auxilia na escolha do método mais
relacionadas à falta de saneamento básico, como adequado para o seu tratamento. Para estabelecer
a cólera, disenterias, febres tifoides, leptospirose, essa relação, utiliza-se o seguinte cálculo: sendo
amebíase, dentre outras. “r” a relação entre DQO/DBO; o resultado des-
No Quadro 2, fomos apresentados ao pa- sa equação indica qual das frações envolvidas, a
râmetro demanda bioquímica de oxigênio ou inerte ou a biodegradável do efluente, está elevada
DBO; esse parâmetro determina, de forma in- ou não. A Tabela 1 contém informações sobre a
direta, a quantidade (concentração) de matéria relação entre esses parâmetros que, segundo Von
orgânica degradável pela ação microbiológica Sperling (2005), são imprescindíveis para a esco-
presente em um efluente. Ele indica a taxa de lha do tratamento adequado.

DBO trata-se da quantidade de oxigênio consumida pelos microrganismos aeróbios facultativos


e/ou aeróbios presentes no efluente para que ocorra a degradação metabólica de toda a matéria
biodegradável carbonácea presente.
Fonte: adaptado de Brookman (1996)

UNIDADE 4 95
Tabela 1 - Relação Demanda química de oxigênio/Demanda bioquímica de oxigênio em efluentes
RELAÇÃO DQO/DBO INDICAÇÃO DE TRATAMENTO
Baixa - < 2,5 A fração biodegradável do efluente é elevada, podendo ser indicado
tratamento biológico.
Intermediária - Entre A fração biodegradável não é elevada, sendo necessário realizar alguns
2,5 e 3,5 estudos de tratabilidade para verificar a viabilidade do tratamento
biológico.
Elevada - > 3,5 A fração inerte (não biodegradável) é elevada, possível indicação para
tratamento físico-químico.
Fonte: adaptada de Von Sperling (2005).

Ainda sobre o Quadro 2, também foram apresentados valores máximos permitidos (VMP) para alguns
parâmetros pautados em legislação, entretanto, como mensurar se o tratamento proposto está sendo
efetivo e se está de acordo com os valores previstos em legislação? Por meio do cálculo de eficiência
de remoção, representado pela fórmula:

Em que:
• E = eficiência de remoção (%).
• Ce = Concentração na entrada.
• Cs = Concentração na saída.

Para tanto, utiliza-se o valor mensurado do parâmetro em questão antes do tratamento e o valor obtido
após o tratamento aplicado. Algumas das técnicas de quantificação de alguns parâmetros físico-quí-
micos que podem ser aplicadas, tanto para água como para efluentes, serão apresentados na leitura
complementar desta unidade. Já os diferentes tipos de tratamento existentes serão explorados mais
adiante nesta unidade.

96 Gerenciamento de Recursos Hídricos – Tratamento de Águas Residuárias


Efluentes
Industriais

Efluentes industriais são provenientes das ativida-


des industriais diversas e, além de representarem
um reflexo de sua utilização industrial (processos
de beneficiamento), compreendem esgotos sani-
tários, como dejetos humanos sólidos e líquidos;
agentes saneantes, como produtos de limpeza;
dentre outros tipos de resíduos. A fração de es-
goto sanitário, gerado nas indústrias, pode ser
tratada juntamente com os resíduos industriais
ou de forma segregada.
As características são variadas em efluentes
industriais e estão relacionadas aos processos
produtivos realizados, à matéria-prima e aos
insumos utilizados durante o processo, à inten-
sidade das operações realizadas ou, ainda, ao
período de operação da indústria e ao consumo
e reutilização de água.

UNIDADE 4 97
Alguns efluentes industriais podem apresentar características tóxicas, podendo causar efeitos
danosos aos organismos que tiverem contato ou mesmo ao corpo receptor. Alguns ramos industriais
ainda devem controlar as emissões em corpos receptores em função do potencial toxicológico, como
indústrias químicas, petrolíferas, de galvanoplastia, dentre outras (DEZZOTI, 2008).
Para saber se haverá a necessidade de realizar um tratamento prévio dos efluentes industriais e a
fim de caracterizar a carga poluidora, bem como propor o tratamento mais adequado, é necessário ter
um conhecimento de todo o processo para definir as condições de amostragem. Para Giordano (2004),
conhecer as características da produção e todo o fluxograma do processo industrial é fundamental para
lidar com os efluentes gerados. Ainda se destacam como fatores relevantes para as características dos
efluentes os produtos de limpeza utilizados na indústria, a rotina de higienização dos equipamentos
e instalações, horários de manutenção e número de funcionários por turno.
Para a caracterização inicial do efluente (efluente bruto), devem ser considerados parâmetros rela-
cionados à carga poluidora e que sejam relevantes para a compreensão das características do efluente,
devendo ser consideradas a frequência de amostragem, a forma de coleta, o acondicionamento, o
armazenamento, a sazonalidade produtiva e as condições climáticas.
Alguns exemplos de efluentes industriais das mais variadas atividades e suas composições estão
expressos no Quadro 3.
Quadro 3 - Composição de alguns efluentes industriais
ATIVIDADE COMPOSIÇÃO DO EFLUENTE
Agropecuária intensiva Oriundos da bovinocultura e da suinocultura, estão relacionados à quantida-
de de água utilizada nos processos, como limpeza de estabelecimentos ou
equipamentos. Apresentam elevados índices de matéria orgânica, nitrogênio,
fósforo, potássio, cálcio, sódio, magnésio, ferro, zinco e cobre, dentre outros
elementos incluídos na dieta (SILVA, 2007).
Serviços de Saúde Podem ser classificados em duas categorias, uma relacionada aos usos ro-
tineiros, de higiene e sanitários; enquanto a outra classificação refere-se a
pesquisas e utilização de formulações química e de fármacos. Normalmente,
possuem pH diferentes em relação aos esgotos sanitários comuns, devi-
do à presença de excretas contaminadas, líquidos biológicos, resíduos de
medicamentos, solventes, corantes, dentre outros (BOILLOT et al., 2008). O
tratamento dos efluentes dos serviços de saúde estão sujeitos a exigências
especiais previstas por legislação.
Lixiviado (chorume) Em geral, em sua composição, encontram-se matéria orgânica dissolvida e
solubilizada, produtos intermediários da digestão anaeróbia de microrganis-
mos, substâncias químicas persistentes oriundas dos agrotóxicos ou demais
xenobióticos (BASSANI, 2010). A concentração dos metais nos lixiviados está
relacionada à composição dos materiais destinados aos aterros ou aos lixões.
Indústria Têxtil Grandes consumidores de água e de corantes sintéticos, geradores de efluen-
tes volumosos e complexos com elevada carga orgânica, aliada ao elevado
teor de sais inorgânicos (KAMIDA et al., 2005).
Fonte: adaptado de Silva (2007), Boillot et al. (2008), Bassani (2010) e Kamida et al. (2005).

Quanto ao seu descarte, o artigo 16º, da Resolução Conama 430/2011, preconiza que os efluentes de
qualquer fonte poluidora poderão ser lançados em corpos hídricos, desde que atendam os parâmetros
do Quadro 4:

98 Gerenciamento de Recursos Hídricos – Tratamento de Águas Residuárias


Quadro 4 - Parâmetros físico-químicos e valores máximo per-
mitido de efluentes em corpos hídricos, segundo a resolução
Conama

VALOR MÁXIMO PERMITIDO


PARÂMETRO
(VMP)
pH Entre 5 e 9
Temperatura Inferior a 40 °C
Sólidos Até 1 mL/L (Teste em cone
sedimentáveis Inmhoff), caso a disposição
ocorra em lagos/lagoa, os só-
lidos sedimentáveis deverão
ser ausentes.
Regime de Vazão máxima de até 1,5 da
lançamento vazão média do agente polui-
dor, podendo ser superior em
casos permitidos por autorida-
des competentes.
Óleos e graxas Óleos Minerais até 20 mg/L e
Óleos Vegetais e Gordura Ani-
mal até 50 mg/L.
Materiais Ausentes
flutuantes
DBO5 Remoção mínima de 60%, po-
dendo ser alterado somente
mediante a estudo de autode-
puração.
Fonte: Brasil (2011).

Reparem que esses padrões são muito próximos


aos padrões estabelecidos pela mesma resolução
para o despejo de efluentes sanitários em corpos
receptores. Entretanto, cabe destacar que, tanto
para os efluentes industriais como para os do-
mésticos, as legislações estaduais ou municipais
podem apresentar variações em relação aos valo-
res impostos pelo Conama, devendo ser atendida
sempre aquela legislação que se apresentar mais
restritiva.
Ainda sobre a resolução 430/2011 do Conama,
em um segundo momento, ainda no artigo 16,
são apresentados os padrões de lançamento de
efluentes em relação aos parâmetros inorgânicos
e orgânicos, expresso na Tabela 2:

UNIDADE 4 99
Tabela 2 - Padrões de lançamento de efluentes - parâmetros orgânicos e inorgânicos

PARÂMETROS INORGÂNICOS VALOR MÁXIMO PERMITIDO (VMP)


Arsênio total 0,5 mg/L As
Bário total 5,0 mg/L Ba
Boro total (não se aplica a águas salinas) 5,0 mg/L B
Cádmio total 0,2 mg/L Cd
Chumbo total 0,5 mg/L Pb
Cianeto total 1,0 mg/L CN
Cianeto livre 0,2 mg/L CN
Cobre dissolvido 1,0 mg/L Cu
Cromo hexavalente 0,1 mg/L Cr+6
Cromo trivalente 1,0 mg/L Cr+3
Estanho total 4,0 mg/L Sn
Ferro dissolvido 15,0 mg/L Fe
Fluoreto total 10,0 mg/L F
Manganês dissolvido 1,0 mg/L Mn
Mercúrio total 0,01 mg/L Hg
Níquel total 2,0 mg/L Ni
Nitrogênio amoniacal total 20,0 mg/L N
Prata total 0,1 mg/L Ag
Selênio total 0,30 mg/L Se
Sulfeto 1,0 mg/L S
Zinco total 5,0 mg/L Zn
PARÂMETROS ORGÂNICOS VALOR MÁXIMO PERMITIDO (VMP)
Benzeno 1,2 mg/L
Clorofórmio 1,0 mg/L
Dicloroeteno (somatório de 1,1 + 1,2cis + 1,2 trans) 1,0 mg/L
Estireno 0,07 mg/L
Etilbenzeno 0,84 mg/L
Fenóis totais (substâncias que reagem com 4-ami- 0,5 mg/L C6H5OH
noantipirina)
Tetracloreto de carbono 1,0 mg/L
Tricloroeteno 1,0 mg/L
Tolueno 1,2 mg/L
Xileno 1,6 mg/L
Fonte: Brasil (2011).

100 Gerenciamento de Recursos Hídricos – Tratamento de Águas Residuárias


Estação de Tratamento
de Esgoto (ETE) -
Pré-Tratamento e
Tratamento Primário

Anteriormente, foi dito que os tratamentos de


água e de efluentes possuem algumas caracterís-
ticas em comum. Pois bem, nos próximos dois
tópicos, destinados ao tratamento de efluentes,
iremos, novamente, comentar sobre algumas
dessas técnicas. O tratamento de efluentes des-
tina-se à aplicação de técnicas e procedimentos
necessários para adequar as águas residuárias à
legislação pertinente. A eficiência do tratamento
está associada ao nível/complexidade de trata-
mentos aos quais os efluentes estão submetidos.
As etapas do tratamento de efluentes podem ser
classificadas em:
• Tratamento Preliminar ou Pré-tratamento.
• Tratamento Primário.
• Tratamento Secundário.
• Tratamento Terciário.

UNIDADE 4 101
Cada uma dessas etapas é caracterizada por uma série de processos, especificados a seguir. Porém, inicial-
mente, vamos apresentar uma planta modelo de uma estação de tratamento de efluentes. Lembrando que
a estação de tratamento de uma indústria pode variar quando a produção não ficar localizada no mesmo
espaço físico que a indústria, podendo ocorrer o armazenamento e transporte para posterior tratamento ou,
ainda, a terceirização desse serviço para empresas especializadas. A Figura 1 esquematiza uma ETE industrial:

ESTAÇÃO DE TRATAMENTO
DE ESGOTO
Efluente Industrial

Clarificadores Biorreatores de Clarificadores Desinfecção por UV


primários Oxigênio secundários
Caixa de areia e
remoção de lodo
Descarga no
corpo hídrico

Lagoas digestoras Boilers Geradores Energia elétrica


gerada e revertida
Figura 1 – ETE industrial para a indústria

Nesse modelo de planta de estação de tratamento O que se observa, normalmente, são peque-
industrial ocorrem, basicamente, os mesmos pro- nas estações de tratamento compostas por um
cessos descritos na estação de tratamento de água, sistema de gradeamento prévio ao espaço ou
porém com algumas variações. Note que, nesse mo- tanque destinado à equalização e correção de
delo, ainda ocorre a captação dos gases gerados nos pH, seguido de um tanque de coagulação/flo-
digestores e sua conversão em energia elétrica. Infe- culação/sedimentação e uma única lagoa de
lizmente, tal modelo ideal não se aplica com tanta estabilização biológica, onde ocorrerá a degra-
frequência em nosso país, visto que a geração de dação biológica da carga poluidora. A realidade
efluentes de alta carga poluidora ocorre, em geral, ambiental das indústrias, muitas vezes, é bem
em instalações improvisadas de pequeno a médio diferente do que a identidade transmitida por
porte, muitas delas conduzidas por recicladores ela, fique atento(a)!
informais, sem licenciamento para seu funciona- Nesse sentido, vamos dar sequência à descri-
mento e sem qualquer compromisso com a legisla- ção das etapas do tratamento de efluentes.
ção ambiental (BORDONALLI; MENDES, 2009).

102 Gerenciamento de Recursos Hídricos – Tratamento de Águas Residuárias


Tratamento Preliminar Tratamento Primário

O Tratamento Preliminar tem por objetivo a Após o tratamento preliminar, o efluente ainda
remoção de sólidos e materiais que são des- apresenta grande parte de sólidos em suspensão e
cartados nas vias fluviais como, por exemplo, elevada carga de matéria orgânica que podem ser
plástico, madeiras ou qualquer outro tipo de re- separados do efluente pelo processo de separação
síduo sólido estranho à composição do efluente de sólido-líquido, baseado na diferença de densi-
industrial. O princípio do aplicado na remoção dade das substâncias presentes na água que sofrem
desses materiais é física e pode ser realizado via influência da força gravitacional, denominada
gradeamento e/ou peneiramento. Ambas me- sedimentação/decantação. Essa etapa ocorre em
todologias consistem em barreiras físicas com decantadores ou sedimentadores (clarificadores)
grades ou peneiras com espessuras variadas que que são reservatórios circulares ou retangulares.
retém materiais inapropriados e que devem ser O processo mais comum e mais utilizado é o de
retirados manualmente (Figura 2). coagulação/floculação/sedimentação (Figura 3),
Nesta etapa do tratamento, ainda ocorre a se- especialmente pelos países em desenvolvimento;
paração de materiais flutuantes, como espumas nesta etapa do tratamento primário, reagentes quí-
com densidade menor que a da água nas chama- micos coagulantes são adicionados e possibilitam
das caixas de gordura e também a equalização a formação de flocos de carga positiva e com alto
que visa minimizar o fluxo, impossibilitando peso molecular. Desta forma, os flocos formados
o aporte excessivo no sistema de tratamento e, ficam sujeitos à ação gravitacional durante a sedi-
por fim, a correção do pH ou neutralização pela mentação. Esse processo é comumente aplicado no
adição de ácido ou base ao volume armazenado, tratamento de água e os coagulantes mais utilizados
objetivando potencializar as etapas sequenciais. são os sais férricos e o policloreto de alumínio. Ou-
tro tratamento primário que pode ser utilizado é a
flotação, que consiste na injeção de ar comprimido
na parte inferior do tanque, o que faz com que as
impurezas sejam impulsionadas para a parte supe-
rior do tanque após a coagulação, possibilitando a
retirada mecânica por pás ou sistema automatizado.

Figura 2 - Gradeamento para remoção de sólidos grosseiros


numa ETE

Figura 3 - Ensaio de Floculação

UNIDADE 4 103
ETE - Tratamento
Secundário e
Tratamento Terciário

Após a clarificação da água por meio do tratamen-


to primário, ainda é necessário tratar os microrga-
nismos presentes na água, bem como conferir a ela
qualidades almejadas para sua distribuição. É esse
o objetivo do Tratamento Secundário e Terciário.

Tratamento Secundário

O Tratamento Secundário possui como essência a


atividade biológica, visando a remoção de matéria
orgânica. Nesta etapa, em reservatórios destina-
dos exclusivamente a esse tratamento, micror-
ganismos, como bactérias e fungos, consomem/
degradam a matéria orgânica, gerando subprodu-
tos não tóxicos, água e gás carbônico. Entretanto,
para o sucesso desse tratamento, alguns fatores
devem ser controlados para otimizar a ação dos
microrganismos, como temperatura, pH e pre-
sença ou ausência de oxigênio. Os tratamentos
mais comuns são: lagoas de estabilização, reatores
anaeróbios, formação de biofilmes e lodo ativado.
Para esse processo, dependendo da aplicação, tratamentos preliminares são dispensados, pois os
sólidos são necessários para o acúmulo e a manutenção do sistema biológico. Tratamentos secundários
são constituídos por uma gama de metodologias que apresentam vantagens específicas relacionadas
às aplicações e aos resultados desejados. Para auxiliar na comparação dos diversos tratamentos secun-
dários existentes, o Quadro 5 expressa algumas informações.
Quadro 5 - Tratamentos Secundários
TRATAMENTO VANTAGENS DESVANTAGENS
Lagoas Facultativas Remoção da demanda bioquí- Necessita de grandes extensões territoriais.
e Anaeróbias- mica de oxigênio. Dificuldade em atender os padrões de lan-
Facultativas Fácil construção e Manutenção. çamento.
Proliferação de insetos.
Sujeito à interferência climática.
Lagoa Aerada Fácil construção, operação e Elevado consumo energético.
Facultativa manutenção. Necessidade de equipamento e maquinário.
Não requer tanta extensão de Baixa remoção de coliformes.
território.
Manutenção para remoção de lodo periódica.
Eficiente na remoção da de-
manda bioquímica de oxigênio.
Tanque Séptico Resistência à variação de carga. Baixa eficiência aos nutrientes relacionados
Não requer extensão territorial à eutrofização.
elevada. Gera odores fortes e desagradáveis.
Eficiente remoção da demanda Necessita de pós-tratamento.
bioquímica de oxigênio.
Reator UASB Baixos requisitos de área e Necessita de pós-tratamento.
energia. Baixa eficiência aos nutrientes relacionados
Eficiente para a remoção da de- à eutrofização.
manda bioquímica de oxigênio.
Possibilita reuso do Biogás.
Lodos Ativados Baixos requisitos de área. Elevados consumos de energia para opera-
Eficiente para remoção de fós- ção.
foro, nitrogênio e demanda Problemática com ruídos.
bioquímica de oxigênio. Pouca eficiência para remoção de coliformes.

Fonte: adaptado de Andreoli, Von Sperling e Fernandes (2001).

Em todos os tipos de tratamento secundário citados, é necessário fazer a gestão adequada do lodo
gerado, sendo que o lodo resultante da atividade biológica, eventualmente e conforme a necessi-
dade, deverá ser retirado da lagoa em que estiver sendo aplicado, preferencialmente quando sua
atividade biológica for reduzida devido à intensa utilização. Antes de seu descarte, todo esse lodo
residual deverá ser tratado antes de receber uma destinação final adequada.

UNIDADE 4 105
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Tratamento Terciário

A última etapa do tratamento de A adsorção consiste em um processo físico ou químico que in-
efluentes consiste na última ten- duz aglomeração das substâncias de interesse em uma superfície,
tativa de adequar os parâmetros como exemplo é possível citar o carvão ativado, que apresenta sua
que ainda não se enquadraram superfície modificada para atrair substâncias específicas. A adsor-
nos valores estabelecidos pela ção pode ser realizada utilizando resíduos da produção que sirvam
legislação. Dentre as opções an- como suporte ou superfície para a adesão de moléculas elaboradas/
teriores, o tratamento terciário se específicas, como pesticidas, corantes, hormônios, dentre outras.
torna o mais variável de acordo Já os processos oxidativos avançados (POA) consistem em pro-
com a necessidade, logo, pode- cessos que visam a eliminação de substâncias mediante a quantidade
mos relacionar essa etapa com a de radicais hidroxilos (OH) disponíveis para oxidação da substância
composição inicial do efluente de interesse. Alguns exemplos de POA são a fotocatálise (Figura 4),
e suas necessidades específicas. ozonização e fotólise. Para acelerar esses processos, utilizam-se ra-
Alguns exemplos desse trata- dicais oxidantes e pouco seletivos, que podem ser obtidos por meio
mento são a desinfecção, adsor- de diferentes combinações entre a radiação ultravioleta, peróxido
ção em carvão ativado, processos de oxigênio, ozônio e fotocatalisadores.
oxidativos avançados, dentre Fotocatálise
outros processos que visam a re-
moção de poluentes específicos,
como o nitrogênio e o fósforo
que aceleram o processo de eu-
trofização em corpos hídricos. A
desinfecção é realizada pela ação H20
de agentes saneantes ou energia CO2
na forma de radiação ultraviole- Poluente orgânico
ta, com o intuito de eliminar mi-
crorganismos característicos do
tratamento de esgotos e estranhos TiO2
ao meio ambiente. Esses micror- lente
ganismos, normalmente, estão
atrelados a doenças de veiculação CO2
Poluente orgânico H20
hídrica e serão abordadas em um
encontro específico. Figura 4 - Fotocatálise

106 Gerenciamento de Recursos Hídricos – Tratamento de Águas Residuárias


Outro tratamento terciário relevante é o trata- formação de um gel. Uma problemática relaciona-
mento por meio de membranas filtrantes, que são da ao uso de membranas no tratamento de efluen-
capazes de realizar a separação de partículas só- tes está relacionada ao acúmulo de substâncias na
lidas da água, por meio de pequenas membranas superfície da membrana, ocasionando o fouling
porosas ou semipermeáveis, planas ou tubulares. ou entupimento da membrana. Para solucionar
As membranas são capazes de remover moléculas tal problema, limpezas devem ser incorporadas
e compostos iônicos dissolvidos, atuando como ao sistema de operação como forma de prevenir
barreira seletiva, retendo determinadas substân- o fouling (LAUTENSCHLAGER; DERREIRA
cias. A filtração por meio de membranas, atual- FILHO; PEREIRA, 2009).
mente, tem sido objeto de grande atenção nos Para László et al. (2009), a filtração por mem-
processos de tratamento de água potável. Dentre branas é um método eficiente para redução de
os motivos para tal atenção, destacam-se as legis- DQO, entretanto, amostras com elevado teor de
lações cada vez mais rígidas e a pressão social para matéria orgânica ocasionam o fouling da mem-
melhoria do padrão de saúde. brana e reduzem drasticamente o fluxo de per-
Dentre os diferentes tipos de membranas uti- meado. Tal fato dificulta a utilização de membra-
lizadas no tratamento de água, destacam-se as nas em escala industrial.
membranas de microfiltração, ultrafiltração, na- Porém, países desenvolvidos já vêm aplican-
nofiltração e a de osmose reversa. Tais membranas do com sucesso o tratamento com membranas
podem ser diferenciadas pelo diâmetro dos poros em amostras com menor teor de sólidos e menor
e resistência à pressão que promove a separação carga orgânica; as membranas filtrantes ainda são
dos contaminantes. As membranas de osmose encontradas nas indústrias alimentícias como fer-
reversa são mais seletivas, e as de microfiltração ramenta para recuperação de insumos proteicos,
são as menos seletivas. demonstrando que essa tecnologia emergente
A deposição de material em suspensão sobre a apresenta tendências de adaptabilidade e, em um
superfície da membrana ocasiona a formação da futuro próximo, poderão ser empregadas com
torta, podendo ocorrer o acúmulo da solução na sucesso no tratamento de efluentes (MATEUS et
região, contribuindo com a resistência devido à al., 2017a; MATEUS et al., 2017b).

Ouça o Podcast da CBN – Cidadania e Sustentabilidade e entenda como Cingapura tem combatido a
falta de água cada vez maior. Utilizando tecnologias de ponta, o país é capaz de, até mesmo, reciclar
esgoto doméstico e potabilizá-lo.
Disponível em: http://www.cbnmaringa.com.br/noticia/cingapura-possui-estrategias-hidricas-para-
-combater-falta-de-agua.

UNIDADE 4 107
Vale ressaltar que, dependendo do objetivo a ser alcançado, para
o efluente a ser tratado, nem todas essas etapas precisam ser realiza-
das, por exemplo, caso você busque apenas alcançar os padrões es-
pecificados para o descarte de efluentes, normalmente, a associação
de tratamentos preliminares, primário e secundário proporcionarão
os resultados esperados; agora, caso você almeje a reutilização de
água dentro da indústria, alguns cuidados devem ser tomados.
A reutilização de água dentro da indústria tem recebido grande
atenção nos últimos anos e se tornado foco de inúmeras pesquisas;
entretanto, a maior realização que se faz de água dentro das indús-
trias após o tratamento é a reutilização secundária, destinada a
processos que não requerem elevada qualidade e que não prejudique
a qualidade final do produto, como a irrigação, higiene de áreas de
lazer, pátios e caminhões. Para que seja possível uma reutilização
primária de água pela indústria, ou seja, como parte ou insumo
no processo, a água deve atender elevados padrões de qualidade,
incluindo do ponto de vista microbiológico, sendo os processos
terciários de nanofiltração ou osmose reversa recomendados para
tal ação.
Nesta unidade, observamos inúmeras informações sobre os
efluentes industriais e sanitários, desde limites para a disposição
em corpo hídrico até a sua legislação específica e podemos com-
preender que ambos os efluentes são um reflexo expresso de sua
utilização, assim, aprendemos que um efluente nunca apresentará
composição diferente daquela que está relacionada ao seu processo
produtivo ou de beneficiamento.
Podemos, por fim, conhecer os diferentes tipos de tratamento
utilizados, sendo eles o tratamento preliminar, primário, secundário
e terciário, este que se faz tão relevante para indústria, especialmente
por ser a última etapa para adequar os efluentes aos padrões dese-
jados e esperados para seu despejo, possibilitando, ainda, condições
de reutilização do efluente tratado dentro da própria indústria.
Sendo assim, conhecer todos os processos da indústria nunca foi
tão importante, pois, desta forma, é possível conhecer a composi-
ção do efluente final e buscar, dentre as alternativas de tratamento
disponível/existentes, aquela que melhor se adequa à realidade
financeira e operacional da indústria.

108 Gerenciamento de Recursos Hídricos – Tratamento de Águas Residuárias


Você pode utilizar seu diário de bordo para a resolução.

1. Os processos oxidativos avançados têm obtido grande atenção em função do aumento


da complexidade e dificuldade no tratamento de águas residuárias. Tal fato resultou
na intensificação da busca por novas metodologias, visando a remediação desses re-
jeitos. Em relação aos processos oxidativos avançados, assinale a alternativa correta.
a) Os processos oxidativos avançados são componentes do tratamento primário.
b) Possuem como principal objetivo a eliminação de sólidos dissolvidos e em suspensão.
c) São exemplos de processos oxidativos avançados o gradeamento e a coagulação.
d) Processos oxidativos avançados são componentes do tratamento preliminar.
e) Visam eliminação de substâncias mediante a quantidade de radicais hidroxilos (OH)
disponíveis para oxidação.

2. As técnicas de tratamento terciário são responsáveis pela remoção de substâncias


específicas, como hormônios ou fármacos que não puderam ser removidas nas eta-
pas anteriores de tratamento. Dentre as técnicas destinadas ao tratamento terciário,
figuram a adsorção, os processos oxidativos avançados e a filtração por membranas.
Dentre os processos citados, a filtração em membranas se destaca como uma técnica
emergente que garante excelentes resultados para a recuperação de insumo, trata-
mento de água e efluentes. Em face do exposto, discorra sobre o processo de filtração
em membranas, abordando suas características e especificidades.

3. O tratamento secundário possui como essência a atividade biológica, visando a remo-


ção de matéria orgânica. Nessa etapa, em reservatórios destinados exclusivamente
a esse tratamento, microrganismos, como bactérias e fungos, consomem/degradam
a matéria orgânica, gerando subprodutos não tóxicos, água e gás carbônico. Entre-
tanto, para o sucesso desse tratamento, alguns fatores devem ser controlados para
otimizar a ação dos microrganismos, como temperatura, pH e presença ou ausência
de oxigênio. Entretanto, todo tratamento secundário resultará em um lodo residual
da atividade microbiológica que deve receber uma atenção especial. Considerando o
exposto, discorra brevemente sobre as medidas que devem ser tomadas em relação
a esse novo resíduo.

109
LIVRO

Manual de Tratamento de Efluentes Industriais


Autor: José Eduardo W. Cavalcanti
Editora: Engenho
Sinopse: esse manual visa proporcionar aos profissionais conhecer as nuances
que envolvem o tratamento de efluentes industriais. Prioritariamente dirigido à
indústria, é constituído por 18 capítulos, abordando temas especialmente se-
lecionados em função das necessidades na condução do processo de controle
de poluição no que tange a tratamento de efluentes e reuso de água.

110
ANDREOLI, C. V.; VON SPERLING, M.; FERNANDES, F. Lodo de Esgotos: tratamento e disposição final.
Belo Horizonte: Departamento de Engenharia Sanitária e Ambiental, UFMG, 2001.

BASSANI, F. Monitoramento do lixiviado do aterro controlado de Maringá, Paraná, e avaliação da


tratabilidade com coagulantes naturais, radiação ultravioleta (UV) e ozônio. 2010. 127 f. Dissertação
(Mestrado em Engenharia Urbana) - UEM, Maringá, 2010.

BOILLOT, C. et al. Daily physicochemical, microbiological and ecotoxicological floculations of a hospital


effluent according technical and care activities. Science of the Total environment, n. 403, p. 113-129, 2008.

BORDONALLI, A. C. O.; MENDES, C. G. N. Reuso de água em indústria de reciclagem de plástico tipo PEAD.
Eng Sanit Ambient., v. 14, n. 2, p. 235-244, 2009.

BRASIL. Resolução CONAMA nº 430/2011. Dispõe sobre condições e padrões de lançamento de efluentes e
altera a Resolução 357, de 17 de Março de 2005, do Conselho Nacional do Meio Ambiente – CONAMA, 2011.

BROOKMAN, S. K. E. Estimation of biochemical oxygen demand in slurry and effluents using ultra-
-violet spectrophotometry. Water Research, [s.l.], v. 31, n. 2, p. 372-374, fev. 1997. Elsevier BV. http://dx.doi.
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DEZZOTI, M. (coord.). Processos e técnicas para o controle ambiental de efluentes líquidos. Rio de
Janeiro: E-papers, 2008.

GIORDANO, G. Tratamento e controle de efluentes industriais. Revista ABES. Rio de Janeiro, n. 76, v. 4, p. 81,
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KAMIDA, H. M. et al. Biodegradação de efluente têxtil por Pleurotus sajor-caju. Quím. Nova. São Paulo, v. 28,
n. 4, p. 629-632, ago. 2005.

LÁSZLÓ, Z. et al. Effect of preozonation on the filterability of model dairy waste water in nanofiltration. De-
salination, v. 240, p. 170-177, 2009.

LAUTENSCHLAGER, S. R.; FERREIRA FILHO, S. S.; PEREIRA, O. Modelação matemática e otimização ope-
racional de processos de membrana de ultrafiltração. Revista Engenharia Sanitária Ambiental, v. 14, n. 2, p.
215-222, abr./jun. 2009.

111
MATEUS, G. A. P. et al. Evaluation of natural coagulant Moringa oleifera Lam. in the treatment of dairy was-
tewater in different pH. Acta Hortic. v. 1158, p. 357-364, 2017a.

MATEUS, G. A. P. et al. Coagulation/Flocculation with Moringa oleifera and Membrane Filtration for Dairy
Wastewater Treatment. Water Air Soil Pollut. p. 228-342, 2017b.

SILVA, E. M. Avaliação de um sistema piloto para tratamento de efluentes de sala de ordenha de bovi-
nocultura. Campinas, 2007, 130 f. Dissertação (Mestrado em Engenharia Agrícola) - Universidade Estadual
de Campinas – UNICAMP, 2007.

VON SPERLING, M. Introdução à qualidade das águas e ao tratamento de esgotos. 3. ed. Belo Horizonte:
Departamento de Engenharia Hidráulica e Ambiental - UFMG, 2005.

WHO. World Health Organization. Guidelines for drinking-water quality, 2 ed. Geneva: WHO, 1993.

112
1. E.

2. Dentre os diferentes tipos de membranas utilizadas no tratamento de água, destacam-se as membranas


de microfiltração, ultrafiltração, nanofiltração e a de osmose reversa. Tais membranas podem ser diferen-
ciadas pelo diâmetro dos poros e resistência à pressão que promove a separação dos contaminantes. As
membranas de osmose reversa são mais seletivas, e as de microfiltração são as menos seletivas. A depo-
sição de material em suspensão sobre a superfície da membrana ocasiona a formação da torta, podendo
ocorrer o acúmulo da solução na região, contribuindo com a resistência devido à formação de um gel. Uma
problemática relacionada ao uso de membranas no tratamento de efluentes está relacionada ao acúmulo
de substâncias na superfície da membrana, ocasionando o fouling ou entupimento da membrana. Para
solucionar tal problema, limpezas devem ser incorporadas ao sistema de operação como forma de prevenir
o fouling. A filtração por membranas é um método eficiente para redução de DQO, entretanto, amostras
com elevado teor de matéria orgânica ocasionam o fouling da membrana e reduzem drasticamente o fluxo
de permeado. Tal fato dificulta a utilização de membranas em escala industrial.

3. Em todos os tipos de tratamento secundário citados, é necessário fazer a gestão adequada do lodo gerado,
sendo que o lodo resultante da atividade biológica, eventualmente e conforme a necessidade, deverá ser
retirado da lagoa em que estiver sendo aplicado, preferencialmente quando sua atividade biológica for
reduzida devido à intensa utilização. Antes de seu descarte, todo esse lodo residual deverá ser tratado
antes de receber uma destinação final adequada.

113
114
Esp. João Marcos Pardo
Me. Gustavo Affonso Pisano Mateus
Me. Renata Cristina de Souza Chatalov

Resíduos Sólidos –
Geração, Classificação,
Coleta e Transporte

PLANO DE ESTUDOS

Classificação dos
Resíduos Sólidos

De onde vêm os Coleta e Transporte


Resíduos Sólidos? de Resíduos Sólidos

OBJETIVOS DE APRENDIZAGEM

• Apresentar os fatores influenciadores da geração de re- • Entender o papel da coleta e transporte na gestão ade-
síduos sólidos. quada dos resíduos sólidos.
• Classificar os tipos de resíduos de acordo com normas e
legislações vigentes.
De onde vêm os
Resíduos Sólidos?

Caro(a) aluno(a), nesta unidade, abordaremos a


questão dos resíduos sólidos gerados por quase
todas as atividades humanas e compreendidos por
uma grande diversidade de materiais, em que es-
tão incluídos: orgânicos, papéis, plásticos, garrafas,
lâmpadas, bagaço de cana, entulho de construção
civil, pneus, pilhas, baterias, medicamentos ven-
cidos, entre outros.
Se não bastasse a grande variedade na com-
posição dos resíduos sólidos, sua quantidade e
qualidade mudaram no decorrer dos anos, acom-
panhando as mudanças culturais, tecnológicas e
comportamentais da sociedade, pois quanto mais
a população e a economia crescem, mais quanti-
dades de resíduos são geradas.
Veremos, também, a definição de resíduos só-
lidos, de acordo com a NBR ABNT 10.004/2004;
a classificação dos resíduos sólidos, bem como a
sua tipologia. Essa norma classifica os resíduos
sólidos em: I - perigosos, II-A - não inertes e II-B
- inertes, e é importante para se pensar na gestão
de resíduos dentro de uma organização.
Finalmente, estudaremos aspectos importantes
e iniciais do gerenciamento de resíduos sólidos:
a geração, a coleta, o acondicionamento, a coleta
externa e o transporte.
A palavra lixo é derivada do latim lix, que signi-
fica cinza. No dicionário, ela é definida como sujeira,
imundície, coisa ou coisas inúteis, velhas, sem valor.
De acordo com Rocha, Rosa e Cardoso (2009), lixo
é considerado como sendo restos das atividades hu-
manas consideradas, pelos geradores, como inúteis,
descartáveis ou indesejáveis. Para Philippi Jr. e Aguiar
(2005), os resíduos constituem os subprodutos da
atividade humana com características específicas,
definidas, geralmente, pelo processo que os gerou. Já
os rejeitos são todos os resíduos que não têm apro-
veitamento econômico por nenhum processo tecno-
lógico disponível e acessível. A Associação Brasileira
de Normas e Técnicas (ABNT), por meio da Norma
Regulamentadora NBR 10.004/2004, define resíduos
sólidos como sendo:

““
[...] aqueles que resultam de atividades de
origem industrial, doméstica, hospitalar,
comercial, agrícola, de serviços e varrição.
Ficam incluídos nesta definição os lodos
provenientes de sistemas de tratamento de
água, aqueles gerados em equipamentos e Figura 1 - Resíduos Sólidos
instalações de controle de poluição, bem
como determinados líquidos cujas particu- Outros fatores que influenciam a geração dos re-
laridades tornem inviável o seu lançamento síduos sólidos no meio urbano são:
na rede pública de esgotos ou corpos d’água, • Variações sazonais.
ou exijam para isso soluções técnicas e eco- • Condições climáticas.
nomicamente inviáveis em face à melhor • Nível educacional.
tecnologia disponível (ABNT, 2004, p. 1). • Poder aquisitivo.
• Área relativa de produção.
Os resíduos sólidos (Figura 1) são gerados por • Sistematização na origem.
quase todas as atividades humanas, compreendem • Número de habitantes do local.
uma grande diversidade de materiais, nos quais • Segregação na origem.
incluem restos de alimentos, computadores, gar- • Leis e regulamentações específicas.
rafas, plástico, papelão, bagaço de cana, lâmpadas • Tipo de equipamentos de coleta.
queimadas, palha de milho, baterias, pilhas, lodos • Hábitos e costumes da população.
de estação de tratamento de esgoto (ETE), pneus,
peças anatômicas, remédios vencidos, materiais Naturalmente, a gestão adequada dos resíduos
radioativos, sucata de metal, produtos químicos sólidos depende da análise de tais fatores com o
perigosos, trapos velhos e outros. fim de otimizar recursos.

UNIDADE 5 117
Classificação dos
Resíduos Sólidos

As classificações mais utilizadas dos resíduos só-


lidos são quanto aos riscos potenciais de conta-
minação do meio ambiente e quanto à natureza
ou origem.

Classificação quanto
aos Riscos Potenciais
de Contaminação
do Meio Ambiente

A ABNT NBR 10.004/2004 estabelece que a clas-


sificação dos resíduos pode ser feita com base nos
critérios de periculosidade. Podemos observar
essa classificação na Figura 2.

118 Resíduos Sólidos – Geração, Classificação, Coleta e Transporte


(ABNT, 2004). Como exemplos desses resíduos,
Resíduos
Sólidos temos: resíduos orgânicos, papéis, plásticos, po-
das de árvores e outros.
Resíduos da Classe II-B (Inertes): não apre-
Não
Perigosos sentam nenhum de seus constituintes solubili-
Perigosos
zados a concentrações superiores aos padrões de
potabilidade em água, com exceção dos aspectos
Classe l Classe ll cor, turbidez, dureza e sabor. Ocorrendo a impos-
sibilidade do enquadramento dos resíduos, em
pelo menos um dos critérios (tóxico, corrosivo,
Classe ll A Classe ll B inflamável, reativo e patogênico), a mesma norma
estabelece a necessidade de que amostras deles
sejam submetidas a ensaios tecnológicos.
Não
Inertes
Inertes

Figura 2 - Classificação dos Resíduos Sólidos de acordo Classificação quanto


com a NBR 10.004/2004
Fonte: adaptada de ABNT (2004).
à Origem ou Natureza
No que diz respeito em função de sua origem
Resíduos Classe I – Perigosos: são provenientes, ou natureza, a classificação dos resíduos sólidos
principalmente, de processos produtivos, em uni- pode ser: domiciliar ou doméstico, comercial, pú-
dades industriais e fontes específicas. No entanto, blico, serviços de saúde, agrícola, industrial e de
podem estar presentes, também, em domicílios e construção civil. Os resíduos domiciliares são
comércios (ABNT, 2004). São resíduos ou mis- provenientes de atividades residenciais, como res-
tura de resíduos que, por sua natureza (inflama- tos de alimentos, jornais, revistas, garrafas, emba-
bilidade, corrosividade, reatividade, toxicidade e lagens, papel higiênico e uma variedade de outros
patogenicidade) e por suas propriedades físicas, itens. Os resíduos comerciais são originados a
químicas ou infectocontagiosas, podem apresen- partir de atividades comerciais e de serviços, por
tar riscos à saúde pública, provocando ou acen- exemplo, papel, plásticos, embalagens e outros.
tuando aumento da mortalidade por incidências Os resíduos públicos são oriundos de limpeza
de doenças e dos riscos ao meio ambiente, quando pública urbana, logradouros públicos, feiras livres
o resíduo for gerenciado de maneira inadequada e outros. Como exemplos, podemos citar: terra,
(DERÍSIO, 2012). areia, folhas, galhadas e também aqueles descar-
Como exemplos de resíduos classe I, temos: tados de forma inadequada pela população, como
pilhas, baterias, lâmpadas fluorescentes, compo- entulho, papéis, restos de alimentos e embalagens.
nentes eletrônicos de alta tecnologia (chips, fibra Os resíduos de serviços de saúde são aqueles
ótica, semicondutores, tubos de raios catódicos), comuns e especiais, produzidos em serviços de
embalagens de agrotóxicos, resíduos de tintas e saúde, tais como hospitais, laboratórios, farmácias,
solventes (BRASIL, 2006). clínicas veterinárias etc. Podemos observar essa
Resíduos Classe II-A (Não Inertes): podem classificação de acordo com a RDC ANVISA nº
ter como propriedades a biodegradabilidade, 306/04 e a Resolução do CONAMA 358/05, no
a combustibilidade ou a solubilidade em água Quadro 1 a seguir:

UNIDADE 5 119
Quadro 1 - Classificação dos Resíduos de Serviços de Saúde
CLASSE DEFINIÇÃO EXEMPLO
A – Biológicos Resíduos com a possível presença de Culturas e estoques de microrga-
agentes biológicos que, por suas caracte- nismos, bolsas contendo sangue,
rísticas de maior virulência ou concentra- peças anatômicas e outros.
ção, podem apresentar risco de infecção.
B – Químicos Resíduos contendo substâncias químicas Resíduos de saneantes, desinfec-
que podem apresentar risco à saúde pú- tantes, efluentes de processadores
blica ou ao meio ambiente, dependendo de imagem, reagentes para labora-
de suas características de inflamabilidade, tório e outros.
corrosividade, reatividade e toxicidade.
C – Radioativos Quaisquer materiais resultantes de ativi- Materiais resultantes de laborató-
dades humanas que contenham radionu- rios de pesquisa e ensino na área
clídeos em quantidades superiores aos de saúde, laboratórios de análises
limites de eliminação especificados nas clínicas e serviços de medicina
normas da Comissão Nacional de Energia nuclear e radioterapia que conte-
Nuclear (CNEN) e para os quais a reutili- nham radionuclídeos em quanti-
zação é imprópria ou não prevista. dade superior aos limites de elimi-
nação.
D – Comuns Resíduos que não apresentem risco bio- Papéis, plásticos, resíduos orgâni-
lógico, químico ou radiológico à saúde ou cos, papelão e outros.
ao meio ambiente, podendo ser equipa-
rados aos resíduos domiciliares.
E – Perfurocortantes Materiais perfurocortantes ou escarifi- Lâminas de barbear, agulhas, es-
cantes. calpes, ampolas de vidro, brocas,
limas endodônticas e outros.
Fonte: adaptado de Conama (2005) e Anvisa (2004).

O manejo dos resíduos de saúde é entendido como a ação de gerenciar os resíduos em seus aspec-
tos dentro e fora do estabelecimento, desde a geração até a disposição final (DUARTE, 2010). O seu
manuseio está regulamentado pela norma NBR 12.809/93 da ABNT e compreende os cuidados que
se deve ter para segregar os resíduos na fonte e para lidar com os resíduos perigosos. Monteiro et al.
(2001) afirma que o procedimento mais importante para manusear os resíduos dos serviços de saúde
é a hora de separar, na própria origem, o lixo infectante dos resíduos comuns, uma vez que o primeiro
representa apenas 10 a 15% do total de resíduos, e o lixo comum não necessita de muitos cuidados.
Além disso, para manusear os resíduos infectantes, devem ser utilizados os seguintes equipamentos
de proteção individual (EPI): avental plástico, luvas, bota ou sapato fechado, óculos e máscara. Os resí-
duos de serviços de saúde devem ser acondicionados diretamente nos sacos plásticos regulamentados
pela norma NBR 9.191/2000 da ABNT, sustentados por suportes metálicos, para que não haja contato
direto dos funcionários com os resíduos, e os suportes são operados por pedais.
No gerenciamento dos resíduos de saúde, devem estar previstos, além do manejo, a segregação, o
tratamento, o acondicionamento, a identificação, coleta e transporte interno, o armazenamento tem-
porário, a coleta externa e a disposição final (DUARTE, 2010).

120 Resíduos Sólidos – Geração, Classificação, Coleta e Transporte


• Os resíduos de portos, aeroportos e ter- versificadas, pois estas dependem do tipo
minais rodoviários são gerados em termi- de produto manufaturado. Portanto, devem
nais, dentro de navios, aviões e veículos de ser estudados caso a caso e é imprescindível
transporte. Resíduos de aeroportos e portos o conhecimento prévio do processo indus-
podem ser decorrentes do consumo dos pas- trial para classificação do resíduo.
sageiros, e sua periculosidade está no risco de
transmissão de doenças, que já foram erra- Para isto, é adotada a NBR 10.004/04 da ABNT,
dicadas no país. A transmissão pode ocorrer, para se classificarem os resíduos industriais: Classe
também, por meio de cargas que podem es- I (Perigosos), Classe II-A (Não Inertes) e Classe II-B
tar contaminadas, tais como animais, plantas (Inertes), que abordamos no início deste tópico.
e carnes (MONTEIRO et al., 2001). No caso dos resíduos industriais, quando a sua
• Os resíduos agrícolas são compostos por origem é desconhecida, o trabalho para classificá-
embalagens de fertilizantes e defensivos agrí- -lo se torna mais complexo. Nesse caso, a experiên-
colas, rações, resíduos de colheita e outros. cia e o bom senso do técnico serão fundamentais.
Assim, o manuseio deles deve seguir as mes- Muitas vezes, mesmo para resíduos com origem
mas rotinas e utilizar os mesmos recipientes conhecida, torna-se impossível conseguir uma res-
empregados para resíduos classe I (Perigo- posta conclusiva e, para estes casos, será necessário
sos), no caso de embalagens de agrotóxicos. analisar parâmetros indiretos ou realizar bioen-
• Os resíduos industriais são aqueles gera- saios. A NBR 10.004/04 apresenta um fluxograma
dos pelas atividades industriais, são muito simples com etapas necessárias para classificação
variados e apresentam características di- de um resíduo, que podemos visualizar na Figura 3.

RESÍDUO

O resíduo tem NÃO


origem conhecida?

SIM
Resíduo não perigoso
SIM Consta nos classe ll
anexos A ou B?

NÃO
Possui constituintes que são
solubilizados em concentrações NÃO

Tem catacterísticas de: superiores ao anexo G?


Inflamabilidade,corrosividade, NÃO
reatividade,toxicidade ou
patogenicidade?
SIM
SIM

RESÍDUO PERIGOSO RESÍDUO NÃO-INERTE RESÍDUO INERTE


classe l classe ll A classe ll B

Figura 3 - Fluxograma NBR 10.004/2004


Fonte: adaptada de Brasil (2004).

UNIDADE 5 121
A caracterização de um resíduo inicia-se du- é importante verificar informações sobre esse re-
rante o processo industrial que originou o resí- síduo, com o intuito de verificar se ele possui ou
duo. É importante que se obtenha informações não características de inflamabilidade, corrosivi-
suficientes do processo que possa permitir a dade, reatividade, toxicidade ou patogenicidade.
caracterização correta do resíduo, por exem- Caso não consiga verificar essas características,
plo, revisando fluxogramas, balanços de mas- é recomendado que se faça coleta de amostras
sa, localizando entradas e saídas. Além disso, desse resíduo e encaminhe para um laboratório
é importante observar as características físicas especializado, para que façam testes que permitam
do resíduo, volume produzido, bem como sua verificar essas especificações (SILVA, 2008).
composição. Baseado nestas informações, po- Os Resíduos da Construção Civil são com-
de-se definir se o resíduo é ou não conhecido e postos por materiais de demolições, entulhos e
verificar se ele é encontrado no Anexo A ou B solos de escavações, além disso, podem conter
da NBR 10.004 (ABNT, 2004). componentes tóxicos, tais como resíduos de tin-
Caso seja encontrado o resíduo em uma des- tas, solventes e peças de Amiantos. São classifi-
sas listagens, ele é automaticamente classificado cados de acordo com a Resolução do CONAMA
como perigoso (classe I). Se não for encontrado, 307/02, que podemos visualizar no Quadro 2.

Quadro 2 - Classificação dos Resíduos de Construção Civil


CLASSE DEFINIÇÃO EXEMPLOS
A Resíduos reutilizáveis ou recicláveis Tijolos, blocos, telhas, placas de revestimento,
como agregados. argamassa, concreto.
B Resíduos recicláveis para outras des- Plástico, papel, papelão, metais, vidros e ma-
tinações. deiras.
C Resíduos para os quais não foram de- Gesso.
senvolvidas tecnologias ou aplicações
economicamente viáveis que permi-
tam a sua reciclagem/recuperação.
D Resíduos perigosos oriundos do pro- Tintas, solventes, óleos e outros, ou aqueles conta-
cesso de construção. minados oriundos de demolições, reformas e repa-
ros de clínicas radiológicas e instalações industriais.
Fonte: adaptado de Conama (2002).

Sobre a disposição dos resíduos de construção civil,


a Resolução CONAMA n° 307/2002 afirma que eles
não poderão ser dispostos em aterros de resíduos do-
miciliares, em áreas de bota fora, em encostas, corpos Resíduos sólidos com características especiais,
d’água, lotes vazios e em áreas protegidas por Lei; como os vistos anteriormente (saúde, agríco-
mas, infelizmente, em grande parte dos municípios, las, construção civil, entre outros), possuem
esses resíduos são depositados clandestinamente em regulamentações específicas com relação à
margens de rios ou terrenos baldios. sua geração, classificação, coleta, transpor-
A deposição irregular de entulho pode ocasionar te, tratamento e destinação final. Consultar
proliferação de vetores de doenças, entupimento de as normas de cada um deles é essencial para
galerias e bueiros, assoreamento de córregos e rios, realizar sua gestão adequada.
contaminação de águas superficiais e poluição visual.

122 Resíduos Sólidos – Geração, Classificação, Coleta e Transporte


Coleta e Transporte
de Resíduos Sólidos

Para Souto e Povinelli (2013), a coleta é o ponto-


-chave no gerenciamento de resíduos sólidos, é a
etapa em que os resíduos são recolhidos junto ao
gerador e encaminhados para a destinação final.
A coleta dos resíduos sólidos urbanos, feita pelo
município ou empresa concessionária, recebe o
nome de coleta regular. A coleta de outros tipos de
resíduos recebe o nome de coleta especial. Quan-
do existe uma segregação prévia de acordo com
a composição ou na constituição dos resíduos,
temos a coleta seletiva.
A segregação na fonte permite-nos otimizar
os sistemas de tratamento e disposição final dos
resíduos. Quando se permite que um resíduo pe-
rigoso seja misturado a resíduos não perigosos, o
resultado é que a massa total de resíduo acaba sen-
do classificada como perigosa, tratada e disposta
como tal. Dessa maneira, nunca devemos misturar
resíduos perigosos com resíduos comuns.

UNIDADE 5 123
Coleta Regular Coleta Especial

Geralmente, essa coleta é feita de porta em porta, com caminhões Existem vários tipos de resíduos
compactadores. Os Resíduos Sólidos Urbanos (RSU) podem ser que não devem ser misturados
acondicionados em sacos plásticos (Figura 4), como é feita aqui no aos RSU, como: Resíduos de Ser-
Brasil, ou contêineres. viços de Saúde (RSS) e Resíduos
da Construção Civil (RCC). Para
alguns resíduos, como é o caso
dos RCC, pode ser aplicada a lo-
gística reversa, que consiste no
processo de retornar um mate-
rial do consumidor ao fabricante.
Outros exemplos de mate-
riais que estão sujeitos à logís-
tica reversa são os agrotóxicos,
pilhas, baterias, lâmpadas fluo-
rescentes e outros.

Coleta Seletiva
Figura 4 - Sacos plásticos para acondicionamento de resíduos

A coleta seletiva é muito impor-


tante para o sucesso de inicia-
tivas como a reciclagem, pois
tende a aumentar a quantidade
Logística reversa é: o conjunto de ações, procedimentos e meios de matéria-prima disponível.
destinados a viabilizar a coleta e a restituição dos resíduos sólidos ao Em um programa de coleta
setor empresarial, para reaproveitamento, em seu ciclo ou em outros seletiva, o acondicionamento
ciclos produtivos, ou outra destinação final ambientalmente adequada dos resíduos recicláveis pode
(BRASIL, Lei °12.305/10). ser feito de forma diferencia-
da. A Resolução CONAMA n°
275/2001 estabelece um código
de cores para os diferentes tipos
de resíduos na coleta seletiva, de
acordo com o Quadro 3.

124 Resíduos Sólidos – Geração, Classificação, Coleta e Transporte


Quadro 3 - Código de Cores para resíduos sólidos
COR MATERIAL
Azul Papel e papelão
Vermelho Plástico
Verde Vidro
Amarelo Metal
Preto Madeira
Laranja Resíduos perigosos
Branco Resíduos ambulatoriais e de saúde
Roxo Resíduos radioativos
Marrom Resíduos orgânicos
Cinza Resíduo geral não reciclável, misturado ou contaminado, não passível de segregação
Fonte: adaptado da Conama (2001).

A coleta seletiva de lixo pode Transporte de Resíduos Sólidos


apresentar inúmeras vantagens,
tais como: Os resíduos, quando coletados, devem ser transportados até os
• Aumento da vida útil no pontos de destinação final, sejam eles as indústrias de reciclagem,
aterro sanitário. centrais de tratamento ou aterros. Quando as distâncias e volumes
• Redução no consumo de são pequenos, o transporte pode ser feito pelos próprios veículos
energia. de coleta (Figura 5).
• Redução dos gastos com
limpeza urbana.
• Diminuição na poluição
da água e do solo.
• Geração de empregos.
• Renda para comercializa-
ção dos recicláveis.

Além disso, os resíduos recicláveis


retornam ao ciclo de produção
como matéria-prima, reduzindo
o consumo de energia e de recur-
sos naturais, e a matéria orgânica,
após sua transformação em com-
postos orgânicos, é reintroduzida
no ciclo ecológico como condi-
cionador de solos, rico em húmus
Figura 5 - Caminhão de coleta de lixo automatizado
(DUARTE, 2010).

UNIDADE 5 125
Nesta unidade, abordamos a
problemática dos resíduos só-
lidos, bem como suas formas
de gerenciamento. Vimos as-
pectos pertinentes à geração,
estudamos que a mudança de
comportamento da população,
a economia, a sazonalidade, há-
bitos de consumo, mudanças
tecnológicas e mudanças cul-
turais influenciam diretamente
na geração de resíduos, pois, à
medida que há crescimento e
mudança, consequentemente
há um aumento na quantida-
de de resíduos. Estudamos que
uma das formas de minimizar a
quantidade de resíduos sólidos
é a redução na geração, coleta
seletiva, reciclagem e outros
programas para diminuir a
quantidade de resíduos.
Para melhor entendermos a
gestão de resíduos, estudamos
a classificação dos resíduos
sólidos, de acordo com a NBR
14001/2004, como Classe I – pe-
rigosos; Classe II-A não inertes;
e classe II-B inertes. Além disso,
vimos que os resíduos sólidos
são classificados de acordo com
sua origem em: domésticos,
industriais, serviços de saúde,
construção civil, radioativos,
públicos, comerciais, agrícolas
e outros. O processo que os ori-
ginou é fundamental para seu
manejo e gerenciamento.
Bons estudos!

126 Resíduos Sólidos – Geração, Classificação, Coleta e Transporte


Você pode utilizar seu diário de bordo para a resolução.

1. Assinale a alternativa correta quanto à norma brasileira que define e classifica


os resíduos sólidos:
a) NBR 12.216/1992.
b) NBR 10.004/2004.
c) NBR 10.006/2004.
d) NBR 10.007/2004.
e) NBR 10.120/2007.

2. Os resíduos são constituídos por subprodutos da atividade humana com ca-


racterísticas específicas, definidas, geralmente, pelo processo que os gerou.
Sobre os fatores que influenciam a geração dos resíduos sólidos, analise as
afirmativas a seguir.
I) A urbanização, bem como o aumento populacional, acompanha a série de
mudanças no estilo de vida e consumo da população e, consequentemente,
aumentam a geração de resíduos.
II) Os resíduos produzidos passaram a abrigar compostos sintéticos e prejudi-
ciais aos ecossistemas e à saúde humana, decorrente das novas tecnologias
incorporadas ao cotidiano.
III) No Brasil, temos uma estimativa exata da quantidade de resíduos sólidos
gerados por habitante/dia.
IV) A maior parte dos resíduos sólidos gerados no Brasil é composta por resíduos
hospitalares.

É correto o que se afirma em:


a) I e II, apenas.
b) I e III, apenas.
c) II e III, apenas.
d) I, II e III, apenas.
e) II, III e IV, apenas.

127
3. A responsabilidade compartilhada pelo ciclo de vida dos produtos trata-se do
“conjunto de atribuições individualizadas e encadeadas dos fabricantes, impor-
tadores, distribuidores e comerciantes, dos consumidores e dos titulares dos
serviços públicos de limpeza urbana e de manejo dos resíduos sólidos, para mi-
nimizar o volume de resíduos sólidos e rejeitos gerados, bem como para reduzir
os impactos causados à saúde humana e à qualidade ambiental decorrentes do
ciclo de vida dos produtos” (BRASIL, [2019]).

Fonte: BRASIL. Ministério do Meio Ambiente. Logística Reversa. Disponível em: http://
www.mma.gov.br/cidades-sustentaveis/residuos-perigosos/logistica-reversa. Acesso
em: 28 mar. 2019.

Assim, os fabricantes e comerciantes precisam criar ferramentas ou instrumen-


tos que permitam o retorno do produto ao início do ciclo produtivo, quando
possível. Um dos instrumentos utilizados para fazer com que isso aconteça é:
a) O ecodesign.
b) A logística reversa.
c) A gestão da cadeia de suprimentos.
d) O gerenciamento da qualidade dos produtos.
e) O gerenciamento dos canais de distribuição.

128
LIVRO

Engenharia Ambiental
Autor: Maria do Carmo Calijuri; Davi Gasparini Fernandes Cunha
Editora: Campus
Sinopse: livro pioneiro na área, “Engenharia Ambiental: Conceitos, Tecnologia
e Gestão” reúne material didático proveniente de diversos campos de conhe-
cimento para oferecer uma boa base aos alunos de cursos de graduação em
Engenharia Ambiental. O livro busca uma transição das engenharias “hard” para
uma engenharia que leva explicitamente em conta a vida no planeta e repre-
senta um acordar para a Engenharia Ambiental de maneira fluida, reforçando a
responsabilidade da engenharia para com o meio ambiente. Dividido em cinco
eixos temáticos, desde fundamentos até gestão ambiental, varrendo os ecos-
sistemas, impactos ambientais e ações mitigadoras, o livro apresenta, de forma
didática, os conceitos modernos, como os da microbiologia e as suas técnicas.
São ressaltados os serviços proporcionados por diversos ecossistemas e as
estratégias sustentáveis para os usos humanos.

129
ABNT. NBR 8.419: Apresentação de projetos de aterros sanitários de resíduos sólidos urbanos. Brasília, 1992.

ABNT. NBR 9.191: Sacos plásticos para acondicionamento de lixo - Requisitos e métodos de ensaio. Brasília,
2000.

ABNT. NBR 10.004: Resíduos sólidos – Classificação. Brasília, 2004.

ABNT. NBR 12.809: Manuseio de resíduos de serviços de saúde - Procedimento. Brasília, 1993.

ANVISA. Agência Nacional de Vigilância Sanitária. Resolução RDC nº 306, de 07 de dezembro de 2004.
Dispõe sobre o regulamento técnico para o gerenciamento de resíduos de serviços de saúde. Ministério da
Saúde, 2004. Disponível em: http://bvsms.saude.gov.br/bvs/saudelegis/anvisa/2004/res0306_07_12_2004.html.
Acesso em: 28 mar. 2019.

BRASIL. Lei nº 12.305, de 02 de agosto de 2010. Institui a Política Nacional de Resíduos Sólidos; altera a Lei
nº 9.605, de 12 de fevereiro de 1998; e dá outras providências. Presidência da República, 2010. Disponível em:
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2007-2010/2010/Lei/L12305.htm. Acesso em: 28 mar. 2019.

BRASIL. Ministério da Saúde. Agência Nacional de Vigilância Sanitária. Manual de gerenciamento de resí-
duos de serviços de saúde. Ministério da Saúde, Agência Nacional de Vigilância Sanitária. Brasília: Ministério
da Saúde, 2006.

CONAMA. Conselho Nacional de Meio Ambiente. Resolução nº 275, de 25 de abril de 2001. Estabelece o
código de cores para os diferentes tipos de resíduos, a ser adotado na identificação de coletores e transportadores,
bem como nas campanhas informativas para a coleta seletiva. Diário Oficial da União, 2001.

CONAMA. Conselho Nacional de Meio Ambiente. Resolução nº 307, de 5 de julho de 2002. Ministério das
Cidades, Secretaria Nacional de Habitação. Diário Oficial da União, 2002.

CONAMA. Conselho Nacional de Meio Ambiente. Resolução nº 358 de 29 de abril de 2005. Dispõe sobre
o tratamento e a disposição final dos resíduos de serviços de saúde e dá outras providências. Diário Oficial da
União, 2005.

DERÍSIO, J. C. Introdução ao controle de poluição ambiental. 4. ed. São Paulo: Oficina de Textos, 2012.

DUARTE, M. C. Avaliação do Gerenciamento dos Resíduos Sólidos Urbanos do Município de Floresta/


PR. Dissertação (Mestrado em Engenharia Urbana) - Universidade Estadual de Maringá, Maringá, 2010.

130
MONTEIRO, J. H. P. et al. Manual de Gerenciamento Integrado de resíduos sólidos. Rio de Janeiro: IBAM,
2001.

PHILIPPI JR., A.; AGUIAR, A. O. Resíduos sólidos: características e gerenciamento. In: PHILIPPI JR., A. Sanea-
mento, Saúde e Ambiente. Fundamentos para um desenvolvimento sustentável. Barueri: Manole, 2005.

ROCHA, J. C.; ROSA, A. H.; CARDOSO, A. A. Introdução à Química Ambiental. 2. ed. Porto Alegre: Bookman,
2009.

SILVA, F. R. Gestão de Resíduos Industriais. 2. ed. São Paulo: Via Spaipa, 2008.

SOUTO, G. D. B.; POVINELLI, J. Resíduos Sólidos. In: CALIJURI, M. C.; CUNHA, D. G. F. (ed.). Engenharia
Ambiental: Conceitos, Tecnologia e Gestão. Rio de Janeiro: Elsevier, 2013.

131
1. A.

2. A.

3. B.

132
133
134
Esp. João Marcos Pardo
Me. Gustavo Affonso Pisano Mateus
Me. Renata Cristina de Souza Chatalov

Resíduos Sólidos – Trata-


mento e Disposição Final

PLANO DE ESTUDOS

Disposição Final de Gestão de Resíduos


Resíduos Sólidos Radioativos

Técnicas e Tratamentos Gestão de Resíduos


de Resíduos Sólidos Perigosos

OBJETIVOS DE APRENDIZAGEM

• Descrever as técnicas utilizadas no tratamento de resíduos • Indicar as principais tratativas relacionadas a resíduos
sólidos. perigosos.
• Abordar a importância da disposição final adequada de • Apresentar as principais tratativas relacionadas a resíduos
resíduos sólidos. Radioativos.
Técnicas e Tratamentos
de Resíduos Sólidos

Olá, caro(a) aluno(a)! Nesta unidade, daremos


sequência aos conteúdos relacionados aos resí-
duos sólidos.
Após termos uma visão geral dos fatores
envolvidos na geração de resíduos, abordare-
mos algumas técnicas de tratamento, tais como:
compostagem, vermicompostagem, incineração,
além do aproveitamento energético de resíduos
sólidos. Além disso, trataremos de fatores-chave
no gerenciamento de resíduos, sendo a coleta, o
acondicionamento, a coleta externa, o transpor-
te, o tratamento e disposição final adequada de
resíduos sólidos.
Apesar de a legislação brasileira proibir a exis-
tência de lixões a céu aberto desde 2014, preci-
samos enfrentar a realidade destes que são uma
ofensa ao meio ambiente, uma forma totalmente
inadequada de disposição final de resíduos. Ao
mesmo tempo, daremos atenção aos aterros con-
trolados e sanitários, definindo-os e os diferen-
ciando. Veremos, também, as particularidades de
aterros industriais.
Finalizaremos esta unidade abordando os cuidados necessários Compostagem
para gestão de resíduos perigosos e radioativos, que também estão
presentes nas indústrias em geral. Para Bidone e Povinelli (2010),
Quando pensamos em uma técnica de tratamento para resíduos a compostagem é um processo
sólidos, a alternativa a ser adotada deve abordar os aspectos: de tratamento biológico que
• Custo de implantação e operação. transforma resíduos orgânicos
• Disponibilidade financeira dos agentes envolvidos. em um material estabilizado, de-
• Capacidade de atender às exigências legais. nominado húmus ou composto.
• Quantidade e capacitação técnica de recursos humanos. Essa técnica pode ser utilizada
para tratar a parcela orgânica
Para Calijuri e Cunha (2013), o fato de uma alternativa apresentar dos resíduos sólidos urbanos. A
um custo alto em termos absolutos, como um incinerador, não é ra- compostagem pode ser feita pelo
zão suficiente para que seja descartada, pois talvez seja a mais barata método convencional, em que os
e eficaz para tratar um determinado resíduo industrial ou de servi- resíduos são dispostos em leiras
ços de saúde quando comparadas a outras tecnologias existentes. de forma cônica ou prismática.
Nesse processo, as leiras (pilhas)
são removidas e umedecidas pe-
riodicamente (por pás carrega-
deiras ou escavadeiras) para se
obter a aeração necessária no
processo (Figura 1).
Já no processo de leiras ae-
radas, não há revolvimento por
meio de pás ou escavadeiras. A
aeração é obtida insuflando-se
ar pela base da leira. Para Bidone
e Povinelli (2010), isso acelera o
processo de compostagem, mas
exige um maior controle das
Figura 1 - Pá carregadeira removendo húmus
condições da massa de resíduos.

UNIDADE 6 137
A compostagem ocorre em quatro fases, sendo 2. A segunda fase, com a temperatura ótima,
(CALIJURI; CUNHA, 2013): a decomposição leva entre 60 a 90 dias
1. A primeira fase ocorre com a decomposi- (pelo método tradicional) e 30 dias (pelo
ção da matéria orgânica pelas bactérias e método de leiras aeradas); a manutenção
fungos, gerando um excedente de calor, e de temperaturas elevadas por um tempo
isso faz com que a temperatura da leira de suficientemente longo garante a elimina-
compostagem suba rapidamente e atinja ção dos patógenos (BIDONE; POVINEL-
a faixa ótima do processo (entre 55 ºC e LI, 2010).
60 ºC). Caso seja deixado ao natural, a 3. Após a fase mais ativa, a temperatura
temperatura pode atingir 70 ºC e, assim, da leira começa a diminuir, retornando
os microrganismos podem morrer; en- à temperatura ambiente, e esse processo
tão, é preciso introduzir um fator externo dura de 3 a 5 dias.
de controle, por isso, há a necessidade de 4. Na quarta etapa, ocorre a fase de matura-
fazer um revolvimento da leira de com- ção ou cura do composto, com a formação
postagem e adição de umidade. de ácidos húmicos, que leva de 30 a 60 dias.

A Figura 2 apresenta o composto final (húmus).

Figura 2 - Composto ao término do processo de compostagem

138 Resíduos Sólidos – Tratamento e Disposição Final


Vermicompostagem Incineração

De acordo com Calijuri e Cunha (2013), a ver- A incineração consiste na combustão dos resíduos
micompostagem é um processo complementar à em temperaturas elevadas, acima de 800 ºC, com
compostagem, em que há a adição de minhocas, injeção de ar para garantir a queima completa
que dependem de determinadas condições para (conversão total da matéria orgânica em CO2 e
sobrevivência. Assim, o composto não pode ser água). Praticamente toda matéria orgânica e umi-
encharcado, pois afogaria as minhocas, e também dade são eliminados (CALIJURI; CUNHA, 2013).
não pode ser ressecado. As leiras não podem ser Os resíduos são convertidos em cinzas e devem
tão profundas (pois há a necessidade de ar) e a ser classificados com a NBR 10.004/2004 (ABNT,
temperatura deve estar entre 12 e 25 ºC. 2004) e encaminhados para destinação final cor-
A Figura 3 apresenta um processo de vermi- respondente. Na incineração, os gases gerados no
compostagem. processo devem ser tratados.

Aproveitamento Energético

Alguns resíduos podem ser utilizados para ob-


tenção de energia. O reaproveitamento pode ser
direto ou indireto. No reaproveitamento direto, os
resíduos são usados diretamente como fonte de
energia, podendo passar, antes, por alguns proces-
sos simples de tratamento, como fragmentação ou
moagem. No reaproveitamento indireto, os resíduos
são convertidos por via química, ou biológica em
outros materiais, os quais são empregados como
Figura 3 - Vermicompostagem fonte de energia (CALIJURI; CUNHA, 2013).

UNIDADE 6 139
Disposição Final
de Resíduos Sólidos

Dentre as técnicas para disposição final de resí-


duos sólidos, temos a forma inadequada, que são
os lixões, e as formas apropriadas e recomendadas,
que são os aterros sanitários e industriais. Veremos
cada um deles, a seguir.

Lixões

Os lixões (Figura 4) apresentam-se como o meio


mais barato e o pior, ambientalmente, para dis-
posição final de resíduos sólidos, pois não impli-
cam custos de tratamento e controle. Em outras
palavras, é apenas a disposição do resíduo a céu
aberto em terrenos baldios, que fica exposto sem
nenhum tratamento, provocando intensa prolife-
ração de moscas, baratas e ratos, vetores de doenças
por meio de organismos patogênicos, poluindo o
solo e os corpos d’água com o chorume – líquido
que, além de exalar mau cheiro pelos gases produ-
zidos, é um detrimento visual das cidades. Phili-
ppi Jr. e Aguiar (2005) afirmam que os lixões são

140 Resíduos Sólidos – Tratamento e Disposição Final


considerados locais ou formas de disposição final e Além de todos os problemas ambientais que
de tratamento totalmente inadequados do ponto de os resíduos podem causar ao meio ambiente, ou-
vista social, sanitário e ecológico, pois, no conjunto, tra questão deve ser levada em consideração, a
propiciam a proliferação de vetores e o aparecimen- questão social. É um aspecto social degradante,
to de doenças em animais e em seres humanos, nos serviços de limpeza pública, os catadores de
além da poluição atmosférica e das contaminações recicláveis misturados ao lixo, entre animais e má-
do solo e dos recursos naturais. quinas, em condições insalubres.

Figura 4 - Lixão a céu aberto

Aterros Controlados Aterros

Para Rocha, Rosa e Cardoso (2009), a disposição O aterro é uma forma de disposição de resíduos
final de resíduos sólidos, em aterros sanitários, é no solo, que, fundamentada em critérios de enge-
semelhante a dos lixões, cujos resíduos são coloca- nharia operacionais específicos, garante um confi-
dos direto no solo antes impermeabilizado. Diaria- namento seguro em termos de poluição ambiental
mente, é feita uma cobertura com terra no resíduo e proteção à saúde pública. Como vimos anterior-
depositado para minimizar os efeitos ambientais, mente, são inúmeros os problemas oriundos da
como os dos lixões. O lixiviado (chorume), gerado disposição final inadequada de resíduos sólidos,
da decomposição do resíduo, pode ser drenado como odores, gases tóxicos, poluição da água, do
de forma controlada, podendo ou não ser tratado. solo e outros. Esses problemas são eliminados
Dessa forma, podemos afirmar que o aterro con- em um aterro pela adoção das seguintes medidas
trolado é uma fase intermediária entre lixão e aterro (SILVA, 2008):
sanitário. Neste caso, após a cobertura dos resíduos, • Localização adequada.
verifica-se que o impacto visual e o odor são muito • Elaboração de projeto criterioso.
menores se comparados ao lixão, graças à cobertura • Implantação de infraestrutura de apoio.
que é feita. Além disso, essa cobertura contribui para • Implantação de obras de controle de po-
impedir a proliferação de insetos e outros animais luição.
que visitam o local em busca de alimentos. • Regras operacionais específicas.

UNIDADE 6 141
Os aterros podem ser chamados de aterros sanitários, quando são
projetados e implantados, especialmente, para disposição de resí-
duos sólidos urbanos, ou aterros industriais, quando são projetados
para disposição de resíduos sólidos industriais.

Aterro Sanitário

Os aterros sanitários consistem em um sistema de impermeabiliza-


ção de base e laterais, normalmente um filme plástico de polietileno
de alta densidade, com sistema de recobrimento diário do resíduo
depositado e com cobertura final da área quando saturada. É defi-
nido pela NBR 8.419/92 como sendo:

““
[...] uma técnica de disposição de resíduos sólidos urbanos
no solo, sem causar danos à saúde pública e à segurança, mi-
nimizando os impactos ambientais, método este que utiliza
princípios de engenharia para confinar os resíduos sólidos à
menor área possível e reduzi-los ao menor volume permissível,
cobrindo-os com uma camada de terra na conclusão de cada
jornada de trabalho, ou a intervalos menores, se necessário. O
projeto deve ser elaborado para a implantação de um aterro
sanitário que deve contemplar todas as instalações fundamen-
tais ao bom funcionamento e ao necessário controle sanitário
e ambiental durante o período de operação e fechamento do
aterro (ABNT, 1992, p. 1).

Para o IBGE (2007), o aterro sanitário consiste em uma técnica


de disposição do lixo fundamentada em critérios de engenharia e
normas operacionais específicas, que permite a confinação segura
em termos de controle da poluição ambiental e proteção à saúde
pública (Figura 5). É uma forma adequada de disposição dos resí-
duos no solo; logo, o aterro sanitário dispõe de impermeabilização
de base, de sistemas de tratamento de chorume e de sistemas de
Aterro sanitário dispersão dos gases gerados.

142 Resíduos Sólidos – Tratamento e Disposição Final


Figura 5 - Aterro sanitário

De acordo com Donha (2002), aterro sanitário é matérias orgânicas. Como característica, é visco-
um método de disposição final do lixo sob o solo, so, escuro, possui odor muito forte e desagradá-
sem que se crie, no meio ambiente, incômodos ou vel. Em função da grande quantidade de matéria
perigos à segurança e à saúde públicas, em que se orgânica presente no chorume, costuma atrair
utilizam princípios da engenharia para confinar vetores e microrganismos que podem contribuir
o lixo à menor área possível, reduzindo-o ao me- com a proliferação de doenças aos seres humanos
nor volume verificável na prática e o cobrindo (BRAGA et al., 2005).
com uma camada de terra ao fim de cada dia de Quando não tratado, ele pode atingir lençóis
operação ou a menores intervalos. freáticos, rios e córregos, levando a contamina-
Os aterros sanitários são construídos seguin- ção para esses recursos hídricos e interferindo na
do o que exige a legislação, ou seja, distante das vida da fauna e da flora. Nessa situação, os peixes
cidades. Essa exigência legal a ser respeitada serve podem ser contaminados e, caso a água seja usada
para distanciar os moradores dos diversos tipos na irrigação agrícola, a contaminação pode chegar
de odores, da contaminação do solo e do lençol aos alimentos. A escolha de um local para a im-
freático provenientes da degradação dos materiais plantação de um aterro sanitário não é tão simples,
orgânicos (PHILIPPI JR.; AGUIAR, 2005). pois, devido ao alto grau de urbanização das cida-
O resíduo enterrado sofre decomposição des, a ocupação intensiva do solo pode restringir
anaeróbia, gerando o produto líquido, o chorume, a disponibilidade de áreas próximas aos locais de
grande quantidade de gases, o metano, além de geração de lixo e com as dimensões requeridas
dióxido de carbono e sulfeto de hidrogênio e amô- para se implantar um aterro sanitário que atenda às
nia, que são responsáveis pelo odor característico necessidades dos municípios (MONTEIRO et al.,
desses locais (ROCHA; ROSA; CARDOSO, 2009). 2001). Também é preciso pensar no aspecto de vida
O lixiviado, conhecido como chorume, é um útil do aterro, visto que é difícil encontrar novos
líquido resultante do processo de putrefação de locais para disposição de resíduos sólidos urbanos.

UNIDADE 6 143
Em aterro sanitário, o lixiviado é drenado para
o tratamento, que pode ser uma lagoa de estabili-
zação aeróbia ou anaeróbia, para, em seguida, ser
Existem diferenças entre lixões, aterros lançado em um corpo receptor, desde que atenda
controlados e aterros industriais. Lixões causam à legislação ambiental vigente.
poluição no solo, na água, pois não oferece
nenhum tipo de tratamento aos resíduos; Biogás
enquanto os aterros possuem critérios de
engenharia para sua projeção e operação. Acesse Os gases gerados em aterro sanitário, se gerencia-
o link a seguir e saiba mais sobre a diferença dos de forma adequada, podem gerar energia para
entre lixões, aterro controlado e aterro industrial: o próprio aterro ou serem vendidos para com-
http://mundoeducacao.bol.uol.com.br/quimica/ panhias elétricas. Esses gases são compostos por
diferenca-entre-lixao-aterro-controlado-aterro- metano, dióxido de carbono e outros em quanti-
sanitario.htm. dades em traços. Os gases presentes nos aterros
de resíduos incluem o metano (CH4), dióxido de
carbono (CO2), amônia (NH3), hidrogênio (H2),
Tratamento do Lixiviado gás sulfídrico (H2S), nitrogênio (N2) e oxigênio
(O2). O metano e o dióxido de carbono são os
O lixiviado pode conter matéria orgânica dissol- principais gases provenientes da decomposição
vida ou solubilizada, nutrientes, produtos inter- anaeróbia dos compostos biodegradáveis dos re-
mediários da digestão anaeróbia dos resíduos, síduos orgânicos (PHILIPPI JR.; AGUIAR, 2005).
ácidos orgânicos voláteis e substâncias químicas Diante disso, a captação e a utilização do gás pro-
provenientes do descarte de inseticidas e agrotóxi- duzido em aterros é uma boa opção para a redução
cos, além de microrganismos patógenos. Também de gases do efeito estufa. Além disso, o metano pos-
podem ter compostos xenobióticos, presentes em sui grande energia contida nos seus átomos, que faz
baixas concentrações, como: hidrocarbonetos aro- com que o gás possa ser usado para a produção de
máticos, fenóis e compostos alifáticos clorados; energia elétrica por meio de sua combustão den-
metais, como boro, mercúrio, selênio e cobalto; e tro de motogeradores que movem turbinas (SILVA;
substâncias húmicas (CHRISTENSEN et al., 2001). CAMPOS, 2008).
Visto a recalcitrância desses efluentes, é preciso Projetos desse tipo são importantes, pois dife-
fazer um tratamento prévio de remoção da carga rentes fontes de energia alternativa podem diversi-
poluidora, e esses componentes são específicos. ficar ou incrementar a matriz energética atualmente
Dependendo das características, têm de ser empre- existente, tais como a eólica, a solar, a biomassa e
gadas técnicas acopladas de tratabilidade para que também a proveniente do biogás. Nesse sentido, as
o efluente se adeque aos padrões de lançamento vantagens da transformação do lixo em energia são
de efluentes determinados pela legislação vigente. muitas, tais como:

144 Resíduos Sólidos – Tratamento e Disposição Final


• Diminuição do volume de resíduos em ater- cobertura total, com o intuito de evitar a formação
ros sanitários e em lixões. de percolado, devido à ocorrência de águas pluviais.
• Menor produção de gases poluentes. Para isso, possui sistema de dupla impermeabilização
• Menores riscos ao meio ambiente e à saúde com manta polietileno de alta densidade (PEAD),
pública. protegendo o solo e as águas subterrâneas. O aterro
• Mais economia e geração de empregos. Classe I deve estar de acordo com o estabelecido
pela NBR 10.157, que define as exigências quanto
aos critérios de projeto, construção e operação de
Aterros Industriais aterros industriais Classe I (SILVA, 2008).
O Aterro Classe II-A compreende a destina-
Os aterros industriais (Figura 6) podem ser classi- ção final de resíduos não perigosos e não inertes
ficados nas classes I, II-A ou II-B, de acordo com a e tem as seguintes características: impermeabi-
periculosidade dos resíduos a serem dispostos, isto é, lização com argila e geomembrana de PEAD,
aterros Classe I podem receber resíduos industriais; sistema de drenagem e tratamento de efluentes
Classe II-A resíduos não inertes; enquanto aterro líquidos e gasosos e completo programa de mo-
Classe II-B resíduos inertes. Essa classificação dos nitoramento ambiental.
resíduos sólidos quanto à periculosidade foi abor- O Aterro Classe II-B compreende a destinação fi-
dada na unidade anterior. nal de resíduos inertes. Devido à característica inerte
No Aterro Classe I, são destinados os resíduos dos resíduos dispostos, esse tipo de aterro dispensa
considerados perigosos de alta periculosidade, como a impermeabilização do solo; no entanto, possui sis-
resíduos inflamáveis, cinzas de incineradores, tóxicos tema de drenagem de águas pluviais e um programa
e outros. Esse tipo de aterro precisa ser operado com de monitoramento ambiental.

Figura 6 - Aterro industrial

UNIDADE 6 145
Gestão de
Resíduos Perigosos

Uma substância perigosa é definida como qual-


quer substância que:



[...] em razão de sua quantidade, concen-
tração, características físicas, químicas ou
infecciosas, pode causar ou contribuir con-
sideravelmente para um aumento na morta-
lidade, provocar um aumento no número de
casos de doenças graves irreversíveis ou in-
capacitantes reversíveis, ou representar um
risco substancial atual ou potencial à saúde
humana e ao meio ambiente quando trata-
da, armazenada, transportada, descartada
ou gerenciada inadequada (VESILIND;
MORGAN, 2011, p. 351).

Resíduo perigoso é o nome dado ao material que,


quando deve ser descartado, atende a um ou dois
critérios, a saber:
1. Contém um ou mais dos critérios de po-
luentes ou de substâncias químicas que
foram listadas como perigosas.
2. O resíduo pode ser assim definido (por
testes de laboratório) como tendo, pelo
menos, uma das seguintes características:

146 Resíduos Sólidos – Tratamento e Disposição Final


a) Inflamabilidade. 4. Descontaminação e a neutralização de
b) Reatividade. resíduos perigosos líquidos mediante
c) Corrosividade. tratamento químico e biológico.
d) Toxicidade. 5. Redução do volume com a desidratação
de lodos.
Segundo Vesilind e Morgan (2011), materiais in- 6. Destruição de resíduos perigosos com-
flamáveis são líquidos com ponto de fusão abaixo bustíveis em incineradores especiais,
de 60 ºC ou materiais que são facilmente incen- capazes de propiciar temperaturas de
diados e queimam de forma vigorosa e persisten- combustão elevadas e equipamentos
te. Materiais corrosivos são aqueles que, em uma com dispositivos de controle e monito-
solução aquosa, têm valores de pH fora da faixa de ramento de emissões atmosféricas ade-
2,0 a 12,5 ou qualquer líquido que mostre corro- quadas.
sividade ao aço a uma taxa superior a 6,5 mm por 7. Estabilizar lodos solidificados e de cin-
ano. Resíduos reativos são classificados como ins- zas, no sentido de reduzir os índices de
táveis e podem formar vapores tóxicos ou explodir. lixiviação de metais.
A maior dificuldade em definir resíduos perigosos 8. Descarte de resíduos tratados remanes-
vem do estabelecimento do que é ou não tóxico. centes em aterros especiais.
Para Davis e Masten (2016), a escala de priori-
dades na gestão de resíduos sólidos consiste em: Outro aspecto importante na gestão de resí-
1. Priorizar a redução da quantidade de re- duos perigosos é a minimização na geração
síduos perigosos gerados. de resíduos, para isso, esse tipo de programa
2. Estimular a criação de bolsas resíduos: os deve incluir:
resíduos perigosos de uma indústria po- • O compromisso dos níveis hierárquicos
dem ser utilizados como matéria-prima mais altos da organização.
de outra indústria. • Os recursos financeiros.
3. Reciclar materiais, aproveitar o conteúdo • Os recursos técnicos.
energético ou outros recursos úteis con- • A organização, as metas e as estratégias
tidos como resíduos perigosos. adequadas.

UNIDADE 6 147
Gestão de
Resíduos Radioativos

Os Resíduos Radioativos são definidos como


qualquer material resultante de atividades huma-
nas, que contém radionuclídeos em quantidades
superiores aos limites de isenção especificados
nas Instruções Normativas da Comissão Nacional
de Energia Nuclear – Norma CNEN-NE-6.02 –,
Licenciamento de Instalações Radioativas e para
o qual a reutilização é imprópria ou não prevista.
Existem vários tipos de resíduos radioativos, tais
como:
a) Líquidos: apresentam-se como solvente
aquoso e solvente orgânico.
b) Gasosos: constituem-se de radionuclí-
deos gasosos ou subprodutos de outros
resíduos.
c) Sólidos: constituem-se de lixo radioati-
vo em geral, como frascos, ponteiras para
pipeta, microplacas, luvas, papel toalha,
membrana de nitrocelulose, géis radioa-
tivos, animais e sangue.

148 Resíduos Sólidos – Tratamento e Disposição Final


A separação desses resíduos deve ser feita no mes-
mo local em que foram produzidos, levando em
conta as seguintes características: se são sólidos,
líquidos e gasosos, meia vida curta ou longa; se
são ou não compatíveis; orgânicos ou inorgâni-
cos; putrescíveis ou patogênicos; e outras carac-
terísticas, como explosividade, combustibilidade,
inflamabilidade, piroforicidade, corrosividade e
toxicidade química (DUARTE, 2010).

Tenha sua dose extra de


conhecimento assistindo ao
vídeo. Para acessar, use seu
leitor de QR Code.

Encerramos o assunto “Resíduos Sólidos” nesta


unidade.
Após estas duas unidades, certamente fica cla-
ra a necessidade de gerenciar adequadamente os
resíduos sólidos, uma vez que, dadas as suas ca-
racterísticas, poderemos gerar danos ambientais
permanentes na fauna e flora locais, bem como
prejuízos à saúde humana.
Diminuir a geração de resíduos, segregá-los
adequadamente de acordo com suas classifi-
cações e transportá-los em segurança até uma
destinação final dentro dos parâmetros técnicos
deve ser a régua de ação no gerenciamento dos
resíduos sólidos.
Esperamos que você tenha compreendido to-
dos esses aspectos, desde a geração até a disposi-
ção final, pois são fundamentais para sua gestão.
Na próxima unidade, trataremos de outro tó-
pico também interessante na gestão ambiental:
Poluição Atmosférica. Até lá!

UNIDADE 6 149
Você pode utilizar seu diário de bordo para a resolução.

1. Consiste em uma área licenciada por órgãos ambientais, que é destinada a re-
ceber os resíduos sólidos urbanos, de forma planejada, em que os resíduos são
compactados e cobertos por terra, formando diversas camadas. Essa técnica
trata-se de:
a) Lixões.
b) Aterro sanitário.
c) Aterro industrial.
d) Compostagem.
e) Reciclagem.

2. A incineração é um processo de queima, na presença de excesso de oxigênio,


em que os materiais à base de carbono são decompostos, desprendendo calor
e gerando um resíduo de cinzas, gases e escória. Diante do exposto, leia as
afirmativas a seguir:
I) A incineração de resíduos sólidos é um tratamento eficaz para aumentar o
seu volume, tornando o resíduo absolutamente inerte em pouco tempo, se
realizada de forma adequada.
II) Na incineração, ocorre a decomposição térmica via oxidação à alta tempera-
tura da parcela orgânica dos resíduos, em que é transformada na fase gasosa
e outra sólida, na qual é reduzido: o volume, o peso e as características de
periculosidade dos resíduos.
III) A incineração é um processo que, se não operado em condições adequadas,
pode liberar gases nocivos à saúde humana.
IV) A incineração é uma alternativa que resolveria integralmente todos os pro-
blemas da destinação final de resíduos sólidos.

150
É correto o que se afirma em:
a) I e II, apenas.
b) I e III, apenas.
c) II e III, apenas.
d) I, II e III, apenas.
e) II, III e IV, apenas.

3. O aterro sanitário consiste em uma técnica de disposição do lixo fundamentada


em critérios de engenharia e em normas operacionais específicas. Sobre o aterro
sanitário, analise as afirmativas a seguir:
I) O projeto de um aterro sanitário deve incluir todas as instalações fundamen-
tais ao bom funcionamento e ao necessário controle sanitário e ambiental
durante o período de operação e fechamento.
II) O aterro sanitário é um método de disposição final do lixo sob o solo, que
minimiza a geração de incômodos ou perigos à segurança e saúde públicas.
III) Em um aterro são utilizadas técnicas da engenharia para confinar o lixo à
menor área possível, reduzindo-o ao menor volume.
IV) Aterro sanitário é indicado para disposição final de resíduos coletados apenas
em pequenas comunidades.

É correto o que se afirma em:


a) I e II, apenas.
b) I e III, apenas.
c) II e III, apenas.
d) I, II e III, apenas.
e) II, III e IV, apenas

151
WEB

Reaproveitamento de Energia
A Politécnica da USP patenteou, em 2015, uma invenção que aproveita o aqueci-
mento da geladeira para também aquecer a água de torneiras e chuveiros. A dis-
posição final dos resíduos sólidos também pode gerar calor e, consequentemente,
energia. Quais serão as próximas invenções utilizando-se do mesmo conceito?
Para acessar, use seu leitor de QR Code.

FILME

Lixo Extraordinário
Ano: 2010
Sinopse: Lixo Extraordinário” mostra a produção de obras de arte com material
coletado no aterro do Jardim Gramacho. Ao longo da produção dessas obras,
entre 2007 e 2008, transformações se produzem na vida e nas visões de mundo
dos sete catadores participantes do projeto, entre eles, Tião Santos, presidente
da Associação dos Catadores do Aterro Metropolitano do Jardim Gramacho.

152
ABNT. NBR 8.419: Apresentação de projetos de aterros sanitários de resíduos sólidos urbanos. Brasília, 1992.

ABNT. NBR 10.004: Resíduos sólidos – Classificação. Brasília, 2004.

ABNT. NBR 10.157: Aterro de resíduo perigoso – Critérios para projetos, construção e operação. Brasília, 1987.

BIDONE, F. R. A.; POVINELLI, J. Conceitos básicos de resíduos sólidos. São Carlos: Escola de Engenharia
de São Carlos, USP, 2010.

BRAGA, B. et al. Introdução a Engenharia Ambiental. 2. ed. São Paulo: Prentice Hall, 2005.

CALIJURI, M. C.; CUNHA, D. G. F. Engenharia Ambiental. Rio de Janeiro: Elsevier, 2013.

CHRISTENSEN, T. H. et al. Biochemistry of landfil leachate plumes. Applied Geochemistry, v. 16, p. 659-718,
2001.

DAVIS, M. L.; MASTEN, S. J. Princípios de Engenharia Ambiental. 3. ed. Porto Alegre: AMGH, 2016.

DONHA, M. S. Conhecimento e participação da comunidade no sistema de gerenciamento de resíduos


sólidos urbanos: o caso de Marechal Cândido Rondon/ PR. 2002. 113 f. Dissertação (Mestrado em Engenharia
de Produção) - Universidade Estadual de Santa Catarina, Florianópolis, 2002.

DUARTE, M. C. Avaliação do Gerenciamento dos Resíduos Sólidos Urbanos do Município de Floresta/


PR. Dissertação (Mestrado em Engenharia Urbana) - Universidade Estadual de Maringá, Maringá, 2010.

IBGE. Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística. Pesquisa Nacional de Saneamento Básico – PNSB.
Contagem Populacional. Rio de Janeiro, 2007.

MONTEIRO, J. H. P. et al. Manual de Gerenciamento Integrado de resíduos sólidos. Rio de Janeiro: IBAM,
2001.

PHILIPPI JR., A.; AGUIAR, A. O. Resíduos sólidos: características e gerenciamento. In: PHILIPPI JR., A. Sa-
neamento, Saúde e Ambiente: Fundamentos para um desenvolvimento sustentável. Barueri: Manole, 2005.

ROCHA, J. C.; ROSA, A. H.; CARDOSO, A. A. Introdução à Química Ambiental. 2. ed. Porto Alegre: Bookman,
2009.

SILVA, F. R. Gestão de Resíduos Industriais. 2. ed. São Paulo: Via Spaipa, 2008.

SILVA, T. N.; CAMPOS, L. M. Avaliação da produção e qualidade do gás de aterro para energia no aterro sanitário
dos Bandeirantes – SP. Revista de Engenharia Sanitária e Ambiental, v. 13, n. 1, jan./mar., 2008.

VESILIND, P. A.; MORGAN, S. M. Introdução à Engenharia Ambiental. São Paulo: Cengage Learning, 2011.

153
1. B.

2. C.

3. D.

154
155
156
Esp. João Marcos Pardo
Me. Gustavo Affonso Pisano Mateus
Me. Renata Cristina de Souza Chatalov

Poluição Atmosférica
– Controle e Qualidade
das Emissões

PLANO DE ESTUDOS

Métodos de Controle Poluição Sonora

Poluição do Ar e Redução e Controle


Padrões de Qualidade
Fontes de Emissão de Ruídos

OBJETIVOS DE APRENDIZAGEM

• Definir poluição do ar, bem como apresentar quais as • Estudar os padrões de qualidade do ar de acordo com as
fontes de emissão. legislações pertinentes.
• Apresentar os principais métodos de controle de quali- • Conceituar poluição sonora, suas fontes e efeitos.
dade do ar. • Apresentar metodologias para controle e redução de ruídos.
Poluição do Ar e
Fontes de Emissão

Caro(a) aluno(a), nesta unidade, abordaremos a


questão da poluição atmosférica e da poluição
sonora. Veremos que, ao tratarmos de poluição do
ar, temos as fontes naturais e as fontes antrópicas.
As fontes naturais são aquelas cuja origem está
ligada diretamente à natureza, em que não há in-
terferência humana, como o vulcanismo; as fontes
antrópicas ou antropogênicas têm a origem rela-
cionada a atividades humanas, como indústrias,
automóveis e outras cujos impactos ambientais
das atividades tornaram-se mais significativos
quanto à poluição do ar.
A maior parte dos problemas relacionados
à poluição atmosférica está relacionada com a
exploração e a utilização de energia em vários
processos produtivos. Poluição atmosférica, chu-
va ácida, destruição da camada de ozônio, efeito
estufa, destruição da fauna e da flora são alguns
exemplos que podemos citar causados por pro-
cessos produtivos.
Podemos classificar os agentes poluidores do suficientemente alta, causarão efeitos adversos,
ar em dois grupos principais: os primários e os como compostos de enxofre emitidos na atmos-
secundários. Os poluentes primários são os que fera, que reduzem o pH da chuva e resultam em
saem diretamente da fonte emissora; enquanto acidez de rios e lagos, ocasionando danos.
os poluentes formados pela interação entre com- Para Derisio (2012), o uso básico do recurso na-
ponentes naturais e poluentes primários são cha- tural ar é para manter a vida. Todos os usos devem
mados de secundários. Os principais poluentes estar sujeitos à manutenção da qualidade de ar que
atmosféricos são: monóxido de carbono, dióxido não degrada – aguda ou cronicamente – a saúde ou
de enxofre, dióxido de carbono, chumbo, ozônio, o bem-estar humano. Além disso, é preciso levar
clorofluorcarbonetos e materiais particulados. em consideração os aspectos estéticos e os impac-
Também apresentaremos alguns métodos de con- tos econômicos decorrentes da poluição do ar.
trole da poluição do ar e dividimos em: controle O conceito de poluição atmosférica envolve
de particulados e controle de poluentes. Em se- uma série de atividades, fenômenos e substâncias
guida, estudaremos sobre os padrões de qualidade que contribuem para o desequilíbrio e a deterio-
do ar, bem como as legislações aplicáveis. ração da qualidade natural da atmosfera. A Lei nº
Além disso, abordaremos o conceito de polui- 6.938/81, que estabelece a Política Nacional do
ção sonora, suas principais fontes e seus efeitos Meio Ambiente (PNMA), por meio do seu art. 3º,
sobre a saúde humana, além de métodos de con- define poluição como a degradação da qualidade
trole de ruídos. ambiental resultante de atividade que, direta ou
O ar que respiramos é essencial à vida. Dessa indiretamente (BRASIL, 1981):
maneira, esperamos respirar um ar limpo; contu- • Prejudique a saúde, a segurança e o bem-
do, em que consiste esse ar limpo? Ele é uma mis- -estar da população.
tura de gases e, de acordo com Vesilind e Morgan • Crie condições adversas às atividades so-
(2011), é composto por: ciais e econômicas.
• 78,0% de nitrogênio. • Afete, desfavoravelmente, a biota.
• 20,1% de oxigênio. • Afete as condições estéticas ou sanitárias
• 0,9% de argônio. do meio ambiente.
• 0,03% de dióxido de carbono.
• 0,002% de neônio. A poluição atmosférica é abordada como um
• 0,0005% de hélio. fenômeno decorrente devido, principalmente,
à ação humana em vários aspectos, citando-se
No entanto, esse ar não é encontrado na natureza o rápido crescimento populacional, industrial e
e nos serve como referência. Se isso é ar puro, en- econômico, a concentração populacional e in-
tão, é importante definir como poluentes aqueles dustrial, bem como dos hábitos da população e
materiais (líquidos, gases ou sólidos) que, quando as medidas adotadas para o controle da poluição
são adicionados ao ar puro, em uma concentração (DALLAROSA, 2005, p. 5).

UNIDADE 7 159
Materiais particulados

O material particulado é uma mistura de partículas


líquidas e sólidas em suspensão na atmosfera. Pode
A atmosfera apresenta, naturalmente, certa con- ser classificado como névoa, poeira, vapor, fumaça
centração típica de compostos químicos em sua ou spray. Sua composição e o tamanho das partículas
composição, o que, de uma forma geral, não afeta vão depender de sua fonte de emissão (SALDIVA;
as condições normais de existência dos seres vivos COELHO, 2013).
e dos materiais. Assim, a poluição atmosférica con- As faixas de tamanho dos poluentes são apresen-
siste na adição desses elementos capazes de atin- tadas a seguir (VESILIND; MORGAN, 2011):
gir concentrações que são nocivas ao ambiente. • Poeira: são partículas relativamente gran-
des, sendo definida como partículas sóli-
das, que são:
»» Carregadas por gases de processo prove-
Principais Poluentes do Ar nientes de materiais sendo manipulados
ou processados, como carvão, cinzas e
Os principais poluentes atmosféricos podem ser cimento.
classificados, de maneira genérica, em três gru- »» Produtos diretos de um material básico,
pos de substâncias: líquidas, sólidas e gasosas. No passando por operações mecânicas, como
entanto, na prática, eles podem ser apresentados serragem de um trabalho com madeira.
de forma combinada entre si, de tal maneira que »» Materiais carregados após a utilização em
conseguimos restringi-los em dois grupos: os ga- operações mecânicas, como a areia utili-
ses e os materiais particulados. Ao observarmos zada no processo de jateamento.
a origem dos poluentes, eles podem ser classifi- • Vapor: consiste em uma partícula sólida, fre-
cados como primários ou secundários. Segundo quentemente, um óxido metálico, formado
Dallarosa (2005), são: pela condensação de vapores por sublimação,
• Poluentes primários: aqueles emitidos destilação, calcinação ou processos de reações
diretamente na atmosfera. Constituem essa químicas, como: óxidos de zinco e chumbo
classe: dióxido de enxofre (SO2), monóxi- oriundos da condensação e oxidação de me-
do de carbono (CO), óxidos de nitrogênio tal volatilizado em um processo a uma alta
(NOx) e hidrocarbonetos (HC). temperatura. São partículas bem pequenas,
• Poluentes secundários: formados pela com diâmetros entre 0,03 a 0,3 µ.
reação química entre poluentes primários • Névoa: consiste em partículas líquidas
ou destes com constituintes naturais da formadas pela condensação de um vapor
atmosfera. Como exemplos pertencentes e uma reação química. Seu diâmetro varia
dessa classe, podemos citar: ozônio (O3), de 0,5 a 3,0 µ.
peróxido de hidrogênio (H2O2), aldeídos • Fumaça: partículas sólidas formadas pela
(RCHO) e peroxiacetilnitrato (PAN). combustão incompleta de metais carbo-

160 Poluição Atmosférica – Controle e Qualidade das Emissões


náceos. Embora hidrocarbonetos, ácidos Poluentes gasosos
orgânicos, óxidos de enxofre e óxidos de
nitrogênio sejam também produzidos por Os poluentes gasosos incluem substâncias que
processos de combustão, apenas as par- são gases a uma temperatura e pressão normais,
tículas sólidas resultantes da combustão assim como vapores de substâncias líquidas ou
incompleta de materiais carbonáceos são sólidas sob condições normais. Dentre esses
chamados de fumaça. Possuem diâmetros poluentes, os que apresentam maior relevância
de 0,05 até, aproximadamente, 1 µ. são: monóxido de carbono, hidrocarbonetos,
• Sprays: consiste em partículas líquidas for- ácido sulfúrico, óxidos de nitrogênio, ozônio e
madas pela atomização de um líquido base outros. O Quadro 1 apresenta alguns poluentes
e sedimentam sob o efeito da gravidade. gasosos presentes no ar.
Quadro 1 - Poluentes gasosos presentes no ar
SIGNIFICÂNCIA COMO
NOME FÓRMULA PROPRIEDADES RELEVANTES
POLUENTE DO AR
Dióxido de enxofre SO2 Gás incolor, provoca asfixia Perigo para propriedade, saú-
intensa, forte odor, altamente de e vegetação.
solúvel em água, formando áci-
do sulfurosos, H2SO3.
Trióxido de enxofre SO3 Solúvel em água, formando o Altamente corrosivo.
ácido sulfúrico - H2SO4.
Ácido sulfídrico H2S Odor de ovo estragado em bai- Altamente venenoso.
xas concentrações, inodoro a
altas concentrações.
Óxido nitroso N2O Gás incolor, utilizado como gás Relativamente inerte; não pro-
de transporte em produtos duzido na combustão.
com aerossol.
Óxido nítrico NO Gás incolor. Produzido em combustão a
altas temperaturas e pressão,
oxida para NO2.
Dióxido de nitrogênio NO2 Gás de cor marrom a alaran- Principal componente na for-
jada. mação de névoa fotoquímica.
Monóxido de carbono CO Incolor e inodoro. Produtos de combustões in-
completas, venenoso.
Dióxido de carbono CO2 Incolor e inodoro. Formado durante combustões
completas; gás do efeito estu-
fa.
Ozônio O3 Altamente reativo. Perigo para vegetações e pro-
priedades, produzido, princi-
palmente, durante a formação
de névoa fotoquímica.
Hidrocarboneto CXHY ou HC Diversas. Emitido por automóveis e in-
dústrias, formado na atmos-
fera.
Metano CH4 Combustível, inodoro. Gás do efeito estufa.
Clorofluorcarbonetos CFC Não reativo, excelentes pro- Decompõe o ozônio na cama-
priedades térmicas. da superior da atmosfera.
Fonte: adaptado de Vesilind e Morgan (2011, p. 279).
UNIDADE 7 161
Fontes de Poluição Fontes Fixas ou Estacionárias

Quando discutimos a origem da poluição atmosfé- As fontes fixas de poluição atmosféricas são
rica, devemos distinguir os processos envolvidos na aquelas que ocupam uma área relativamente
formação dos poluentes atmosféricos, que resultam limitada, que permitem uma análise direta na
de processos naturais ou processos antropogênicos. fonte. As fontes classificadas como fixas são
As fontes de poluição consistem em qualquer pro- referentes às atividades industriais de trans-
cesso natural ou antropogênico que possa liberar ou formação, mineração e produção de energia
emitir matéria ou energia para atmosfera, deixando-a por meio de usinas termelétricas (BRASIL,
contaminada ou poluída (DALLAROSA, 2005). [2019]).
As fontes naturais de poluentes consistem em Cada fonte industrial de poluição do ar
emissões que ocorrem na natureza sem a interfe- apresenta problemas específicos de poluição,
rência humana, como a emissão de gases provocada pois as emissões são decorrentes de caracte-
por erupções vulcânicas (vulcanismo) (Figura 1), a rísticas inerentes do processo de produção,
decomposição de vegetais e animais, a ressuspensão das quais podemos citar: matérias-primas e
de poeira do solo pela ação do vento, os aerossóis combustíveis, processos e operações adotados,
marinhos, a formação de ozônio devido a descargas produtos fabricados, eficiência do processo in-
elétricas na atmosfera, os incêndios naturais em flo- dustrial e medidas de controle utilizadas pela
restas e os pólens de plantas (DALLAROSA, 2005). indústria.
As fontes antropogênicas (ou antrópicas) são De acordo com Derisio (2012), as indústrias,
aquelas que emitem poluentes a partir de ativida- normalmente, são classificadas em categorias
des humanas, provenientes de transportes, ativi- (metalúrgicas, mecânicas, têxteis, bebidas, ali-
dades industriais e fontes de descargas de resíduos mentícias, químicas e outras) por meio das
sólidos. No que diz respeito a processos industriais quais se pode calcular o potencial de poluição
que podem ocasionar a poluição do ar, podemos atmosférica por categoria. O Quadro 2 apresen-
destacar a queima de combustível por meio de ta os tipos de indústrias, bem como os tipos de
veículos a álcool, à gasolina ou a outro combustí- poluentes emitidos por elas.
vel, combustão industrial e à geração de energia.
Quadro 2 - Tipos de indústrias e tipos de poluentes
TIPOLOGIA DA INDÚSTRIA NATUREZA DA ATIVIDADE TIPOS DE POLUENTES
Indústria de minerais não Os principais processos e opera- Poeiras: principalmente provenien-
metálicos: incluem indús- ções poluidores são constituídos tes de operações de redução de
trias que fabricam produ- pelas operações de redução de tamanho;
tos de material cerâmico e tamanho, pela manipulação e Fumaça e fumos: principalmente
refratário, cimento, vidro, pelo transporte de matéria-pri- provenientes dos processos de
concreto, produtos de ma, por processos de desidra- combustão e de secagem e cozi-
gesso e abrasivos. tação, calcinação, oxidação da mento em fornos.
matéria orgânica e íon ferroso e
formação de silicatos em estufas
e fornos, por operações e acaba-
mento, como de esmaltação.

162 Poluição Atmosférica – Controle e Qualidade das Emissões


Indústrias metalúrgicas – Fundições primárias, que se re- Fumos de óxidos metálicos, poeira
fundições ferem àquelas que produzem o e produtos de combustão da opera-
metal do minério, e as fundições ção de fusão, dependendo da volati-
secundárias, que incluem aque- lidade e das impurezas dos metais,
las que recuperam o metal de sucata ou minério.
sucatas e refugos e produzem Dióxido de enxofre, dependendo do
ligas e lingotes. enxofre no minério, no carvão e no
combustível utilizado.
Indústrias metalúrgicas – Envolvem indústrias que produ- Fumos metálicos, poeiras das fundi-
produtos zem peças forjadas, laminadas, ções, névoas e vapores de solventes
trefiladas e extrudadas. provenientes da aplicação do reves-
timento de proteção nos departa-
mentos de acabamento.
Indústria de madeira e Indústrias de desdobramento, Material particulado, gotícula de
mobiliário compensação e produção de tinta, solventes e fumaça de equi-
chapas de madeira prensada, de pamentos que queimam resíduos.
fabricação de peças e estruturas
de madeira aparelhada, fabrica-
ção de artigos de tancara e de
cortiça, fabricação de artigos di-
versos de madeiras e produtos
afins.
Indústrias químicas e Incluem uma variedade de pro- Fabricação do ácido nítrico: por
farmacêuticas dutos: elementos químicos e meio do processo de oxidação da
produtos químicos inorgânicos amônia, são emitidos cerca de
e orgânicos, matérias plásticas 26 kg de óxidos de nitrogênio, ex-
básicas e fios artificiais, pólvora pressos em NO2, por tonelada de
e explosivos, óleos brutos, essên- ácido produzida.
cias vegetais e matérias graxas Fabricação de ácido sulfúrico:
animais, preparados para limpe- por meio do processo de conta-
za e polimento, desinfetantes, to, estima-se uma emissão de 9 a
inseticidas, germicidas, tintas, 32 kg de SO2 e de 0,14 a 3,40 kg
esmaltes, vernizes, sabões, velas, de névoas ácidas por tonelada de
produtos farmacêuticos e outros. ácido produzida.
Fabricação de ácido fosfórico:
por meio do processo unido, esti-
ma-se uma emissão de compostos
de flúor de 9 a 27 kg por tonelada
de P2O5 produzida.
Indústria de produtos Incluem beneficiamento, torre- Diferentes poluentes e odores po-
alimentares e bebidas fação e moagem de produtos dem ocorrer nas fases do proces-
alimentares, preparação de con- samento dos produtos. Poeiras são
servas de frutas, legumes, espe- emitidas das operações de benefi-
ciarias, pasteurização de leite e ciamento e moagem.
fabricação de laticínios, fabrica-
ção e refino de açúcar, fabricação
de balas, produtos de padaria e
outros produtos.
Indústrias de papel e Fabricação de papel e papelão. Material particulado e substâncias
papelão odoríferas (mercaptanas e sulfeto
de hidrogênio).
Fonte: adaptado de Derisio (2012).

UNIDADE 7 163
Tenha sua dose extra de conhecimento assistindo ao vídeo. Para acessar, use
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Fontes móveis No que diz respeito à escala global, podemos


citar a alteração da acidez das águas da chuva
São constituídos por veículos automotores, trens, (chuva ácida), aumento da temperatura do pla-
aviões, embarcações marinhas, denominadas de neta e modificação da intensidade da radiação
fontes móveis. Para Derisio (2012), os veículos são solar (DALLAROSA, 2005).
divididos em leves, que utilizam gasolina, álcool De uma maneira geral, os efeitos causados pela
e gás natural, e pesados, que utilizam óleo diesel. poluição do ar são manifestados por danos à saú-
Independentemente do tipo do veículo, ele produz de humana, às propriedades da atmosfera, à ve-
gases, vapores e materiais particulados. Os prin- getação, à economia, bem como danos materiais.
cipais gases tóxicos são o monóxido de carbono
(CO), compostos orgânicos chamados de hidro-
carbonetos (HC), óxidos de nitrogênio (NOx), Danos à saúde
aldeídos e material particulado, que é constituído
por partículas de dimensões diminutas, da ordem Poluentes atmosféricos podem causar um impacto
milésimos de milímetros, identificados como fu- negativo na saúde humana. De acordo com Deri-
ligem ou poeira. sio (2012), os efeitos da poluição atmosférica sobre
o que pode provocar na saúde são: doenças agudas
ou morte, doenças crônicas, encurtamento da vida
Efeitos da Poluição ou dano ao crescimento, alteração de importantes
Atmosférica funções fisiológicas, tais como ventilação do pul-
mão, asma, bronquite, transporte de oxigênio pela
Os efeitos da poluição atmosférica são caracteri- hemoglobina, irritação sensorial, fadiga e outros.
zados de acordo com a alteração das condições É importante salientar que, no decorrer dos
normais da atmosfera ou pelo aumento de proble- anos, a poluição atmosférica provocou uma série
mas já existentes. Esses efeitos podem ser globais, de episódios agudos. O Quadro 3 apresenta alguns
locais ou regionais. episódios ocasionados pela poluição do ar.

Em 5 de dezembro de 1952, um grande nevoeiro tomou conta da cidade de Londres: era o começo
do desastre de poluição atmosférica mais letal da história britânica. Mais de 60 anos depois, uma
equipe internacional de químicos descobriu por que a névoa era fatal. Saiba mais acessando o link:
https://gizmodo.uol.com.br/formacao-nevoeiro-londres/.

164 Poluição Atmosférica – Controle e Qualidade das Emissões


Quadro 3 - Episódios provocados pela poluição do ar
ANO LOCAL HISTÓRICO Nº DE MORTES
1930 Bélgica – Vale do Rio Meuse Região que tinha muitas indústrias, na qual 60
ocorreu uma inversão de temperatura, pro-
vocando congestão das vias respiratórias es-
pecialmente em crianças e pessoas idosas.
1948 Estados Unidos – Donnora Região de indústrias metalúrgicas onde 17
ocorreu inversão de temperatura, provo-
cando congestão das vias respiratórias.
1950 México – Poza Rica Compostos de enxofre emitidos por uma 32
indústria provocaram a internação de 320
pessoas acometidas de problemas respira-
tórios e nervosos, durante uma inversão de
temperatura.
1952 Brasil – Bauru Doenças respiratórias agudas em 150 pes- 9
soas, provocadas por alergia ao pó de se-
mente de mamona, utilizada na fabricação
de óleo.
1957 Inglaterra Smog (mistura de fumaça com neblina). 1000
1960 Inglaterra Smog 800
1962 Inglaterra Smog 700
Fonte: adaptado de Derisio (2012).

Danos aos materiais Danos à vegetação

A poluição atmosférica também pode causar da- As plantas podem ser afetadas por poluentes
nos aos materiais, tais como: a deposição sobre atmosféricos, tais como: necrose de tecidos de
materiais, abrasão, remoção, ataques químicos folhas, redução da penetração de luz (isso reduz
diretos e indiretos e a corrosão eletroquímica. a capacidade da fotossíntese), penetração de po-
luentes pelos estômatos das plantas, redução da
taxa de crescimento, aumento na suscetibilidade
Danos às propriedades de doenças e interrupções do processo reprodu-
da atmosfera tivo da planta (DALLAROSA, 2005).

A falta de visibilidade é um dos principais problemas


ocasionados pela poluição atmosférica. Para Deri- Danos à economia
sio (2012), a visibilidade urbana pode ser afetada,
principalmente, por fatores meteorológicos, a saber: Para controlar e/ou remover a poluição atmosféri-
• Altura de inversão e velocidade dos ventos. ca, os efeitos adversos são extremamente onerosos
• Elevadas condições de umidade. para os habitantes de áreas urbanas industrializa-
das (DERISIO, 2012). O custo é complexo, entre-
A diminuição da visibilidade ocorre em função tanto, podemos fazer certas estimativas.
das partículas líquidas e sólidas que estão suspen-
sas na atmosfera, que dispersam e absorvem a luz.

UNIDADE 7 165
Métodos
de Controle

Vimos que as fontes de poluição do ar podem emi-


tir poluentes gasosos ou partículas, monóxido de
carbono, hidrocarbonetos, dióxido de enxofre e
óxidos de nitrogênio, que são exemplos de poluen-
tes gasosos. Já como exemplos de emissões de par-
tículas, temos: fumaça, emissões de poeira e outros.
Segundo Marra Junior (2013), os poluentes
existentes na atmosfera, lançados pelas fontes de
emissão, são denominados poluentes primários,
por exemplo: monóxido de carbono, dióxido de
enxofre e óxidos de nitrogênio. Enquanto os po-
luentes secundários são aqueles formados na at-
mosfera como resultados de reações, tais como:
hidrólise, oxidação e oxidação fotoquímica, como
névoas ácidas e oxidantes fotoquímicos. No que
diz respeito à gestão da qualidade do ar, as prin-
cipais estratégias estão voltadas ao controle da
origem dos poluentes primários, pois o meio mais
eficaz de controlar os poluentes secundários é
minimizar os poluentes primários. Quando ava-
liamos os níveis de qualidade do ar em uma região,
devemos saber algumas informações importantes,
como conhecer a quantidade, bem como as carac-
terísticas das emissões.
Dessa maneira, podemos dividir os métodos de controle da po-
luição do ar em duas categorias: aquelas que realizam a remoção de
material particulado em suspensão e aquelas que buscam a remoção
de poluentes gasosos das correntes gasosas.

Controle de Particulados

Primeiramente, começaremos nossos estudos com o controle de


métodos para remoção do material particulado suspenso, são eles:
câmara gravitacional, ciclone, filtros de saco, precipitador eletros-
tático e Lavador Venturi. Veremos com detalhes o funcionamento
desses equipamentos a seguir.

Figura 1 - Modelo de um ciclone


Câmara gravitacional
Apresentam baixo custo de insta-
É um modelo simples e um dos mais antigos para controle da polui- lação e manutenção, não possuem
ção do ar, que consiste, basicamente, em uma câmara de expansão, partes móveis, podem ser confec-
na qual ocorre a redução da velocidade do gás até um ponto em cionados em vários materiais e
que as partículas nele em suspensão são capturadas pela ação da ocupam espaço reduzido. Podem
gravidade (sedimentação) (MARRA JUNIOR, 2013). Quanto maior apresentar-se em muitas formas e
for a partícula, maior será a taxa de sedimentação. Em uma dada tamanhos, mas o princípio básico
corrente gasosa, as partículas maiores sedimentam mais rápido do da separação consiste na atuação
que as maiores. da força centrífuga sobre as par-
tículas. Para Vesilind e Morgan
(2011), o esquema consiste no ar
Ciclone sujo que é forçado para dentro do
cone, como em uma centrífuga.
Conhecidos como separadores centrífugos (Figura 1), os ciclones Os sólidos pesados migram para a
são bem utilizados no controle de particulados, em especial quando parede do cilindro, onde reduzem
partículas relativamente grandes precisam ser coletadas (MARRA a velocidade em função do atrito,
JUNIOR, 2013). deslizam pelo cone e saem pelo
fundo. O ar limpo fica no meio
do cilindro e sai pelo topo.

UNIDADE 7 167
Filtros de saco pequeno e outro, uma placa plana, gerando,
assim, um campo elétrico não uniforme.
Também conhecidos como filtros de tecido, utili- Como resultado, o campo elétrico nas pro-
zados para coletar a poeira, que deve ser retirada ximidades do eletrodo fino é intensificado.
do saco periodicamente. Segundo Marra Junior
(2013), em aplicações industriais, o meio material
poroso é, geralmente, um tecido (pano), com que Lavador Venturi
se confecciona uma estrutura de formato tubular,
semelhante a uma manga de camisa. Consiste em colocar em contato íntimo a corrente
gasosa e um líquido atomizado, geralmente água.
O termo “lavadores”, de certa forma, é utilizado
Precipitador eletrostático para remover ou coletar materiais particulados
(MARRA JUNIOR, 2013). Um dos lavadores que
O material particulado é removido após ser ele- são bem utilizados em indústrias para tratamento
tricamente carregado por elétrons, passando de de efluentes gasosos é o lavador tipo Venturi, um
um eletrodo de alta tensão para outro e, então, equipamento industrial que tem como principal
migra para o eletrodo de coleta com carga positiva objetivo limpar a corrente gasosa dos contaminan-
(VESILIND; MORGAN, 2011). Existem vários tes antes de sua emissão externa, assim, trabalha
mecanismos pelos quais partículas sólidas ou lí- com um aumento da velocidade da corrente de ar
quidas podem adquirir cargas elétricas, e os mais em sua garganta, a fim de aumentar sua eficiência
comuns são: eletrificação por contato ou atrito na coleta (COSTA, 2002).
(triboeletrificação) por indução, por corrente co- O lavador Venturi é exigido em casos em que a
rona e por ionização (MARRA JUNIOR, 2013). eficiência precisa ultrapassar 90% para partículas



Para Marra Junior (2013, p. 549): finas. É composto por um duto transversal (circu-
[...] uma corrente ou descarga corona é pro- lar ou retangular), sendo distinto em três partes:
duzida quando uma alta voltagem é aplicada seção convergente, a garganta e a seção divergente
entre dois eletrodos, sendo um deles, nor- (ou difusor). Podemos observar o esquema do
malmente, um fio ou uma barra de diâmetro lavador Venturi, na Figura 2:

Líquido

Gás “sujo”
Saída do
contaminado por Garganta
ar limpo
particulados

Seção Seção
convergente divergente
Figura 2 - Lavador Venturi e suas partes principais
Fonte: adaptada de Marra Junior (2013).

168 Poluição Atmosférica – Controle e Qualidade das Emissões


O seu funcionamento ocorre da seguinte maneira: • Pode necessitar de um sistema de trata-
o líquido de lavagem é introduzido com pressão mento de efluentes líquidos.
na “garganta” (vena contracta), por meio de bicos • O material é coletado a úmido, dificultan-
atomizadores, em que são geradas pequenas gotas. do a sua reutilização.
O gás sujo, contaminado por materiais particula- • Mais suscetível a problemas de corrosão.
dos, atravessa essa região em alta velocidade, em • Perda de carga alta para altas eficiências
torno de 30 m/s a 120 m/s (MARRA JUNIOR, de coleta.
2013), o que ajuda na dispersão das gotas de líqui- • Pode apresentar problemas de incrustação.
do e na captura do material particulado.
Nesse equipamento, tem-se a necessidade
de introduzir uma corrente gasosa (que é a que Controle de
será tratada) e uma corrente líquida (corrente de Poluentes Gasosos
tratamento). Podem ser empregadas no controle
de emissão de partículas oriundas de indústrias Agora, estudaremos os métodos de controle de
químicas de produtos minerais, polpa e papel, alu- métodos para remoção de poluentes gasosos,
mínio, ferro e outros tipos de resíduos sólidos de como: condensador, absorvedor, incinerador e
origem tóxica, abrasiva, corrosiva e, até mesmo ex- separador por membranas.
plosiva (COSTA, 2002). Em aplicações industriais,
há muitas vantagens, a saber (COSTA, 2002):
• Alta eficiência na coleta de partículas finas Condensador
e ultrafinas (respiráveis).
• É compacto, exige pouco espaço físico nas Segundo Marra Junior (2013), a condensação
indústrias. consiste em um processo de conversão de um
• Capacidade de trabalhar com particulados gás ou de um vapor líquido (ocorre a mudança
explosivos, inflamáveis, pegajosos e ade- de fase). Assim, os condensadores, normalmente,
rentes, pelo fato de operar como coletores utilizam água ou ar para resfriar e condensar uma
úmidos. corrente gasosa ou um de seus componentes. São
• Pode-se trabalhar com a limpeza simultâ- dispositivos que não atingem temperaturas muito
nea de gases tóxicos e particulados. baixas (aproximadamente 30 ºC), portanto, não
• Reaproveitamento do efluente líquido ge- têm muita eficiência de remoção da maioria dos
rado, por trabalhar em um sistema fechado. gases, apenas em casos que o vapor se conden-
• Pode trabalhar no tratamento de gases a se em altas temperaturas. A condensação pode
altas temperaturas e altas umidades. ocorrer quando a pressão parcial do poluente na
corrente (mistura) gasosa é igual à sua pressão
Costa (2002) também elenca algumas desvanta- de vapor como substância pura, na temperatura
gens na sua utilização, tais como: considerada.

UNIDADE 7 169
As condições nas quais um determinado gás Para utilizar a absorção em seu dimensionamento,
pode se condensar dependerá de suas proprieda- é preciso conhecer as características do solvente,
des físicas e químicas, que podem ocorrer quando que precisa ter as seguintes características, a saber
a pressão parcial do poluente na corrente (mis- (VESILIND; MORGAN, 2011):
tura) gasosa é igual à sua pressão de vapor como • Alta solubilidade no gás.
substância pura, na temperatura considerada. Em • Baixa volatilidade.
situações práticas, os condensadores operam com • Baixa viscosidade e toxicidade.
remoção de calor da corrente gasosa (abaixamen- • Alta estabilidade química e baixo ponto de
to de temperatura). Os tipos mais comuns são: congelamento.
condensadores de contato (fluido resfriador ou • Baixo custo.
fluido é colocado em contato direto com a corren-
te gasosa), misturado com o gás e os de superfície Segundo Marra Junior (2013), temos configurações
(fluido do resfriador está confinado em um com- de equipamentos diferentes, sendo as mais utiliza-
partimento distinto da corrente gasosa). das as colunas de recheio ou empacotadas (packed
beds) ou colunas de aspersão (spray towers).

Absorvedor
Adsorvedor



Segundo Marra Junior (2013, p. 555):
absorção envolve a remoção de poluentes ga- De acordo com Vesilind e Morgan (2011), a
sosos (chamados de absorvados ou solutos) adsorção é um método importante quando
de uma corrente de processos pela dissolu- conseguimos colocar o poluente em contato
ção em um líquido (chamado de absorvente com um adsorvente, como o carvão ativado. A
ou solvente). A condição necessária para a quantidade de moléculas (ou massa) que um
aplicação da absorção para o controle da adsorvente é capaz de reter chamamos de ad-
poluição é a solubilidade dos poluentes no sorção, e é expressa pela razão entre a massa
líquido. Em um processo de absorção, colo- de adsorvato e a massa de adsorvente, como,
camos em contato íntimo a corrente gasosa por exemplo, g de adsorvato/ g de adsorvente
e o líquido, mais favorável é a condição para (MARRA JUNIOR, 2013).
a absorção, pois, sendo este um processo de Os adsorventes podem ter formas e tama-
transferência de massa, a elevada área infer- nhos diferentes, e seu processo, normalmen-
facial líquido-gás colabora com o fenômeno. te, se dá por meio de um sistema cíclico, no
O mecanismo principal de transferência de qual o adsorvente é submetido a uma etapa de
massa é a difusão entre os constituintes das adsorção, em que os componentes adsorvidos
fases gasosa e líquida. Consequentemente, a são removidos e o adsorvente é regenerado;
taxa de absorção é determinada pelas taxas esse tipo de operação chamamos de batelada
de difusão nas fases. O processo de transfe- cíclica. Além disso, temos configurações de
rência de massa ocorre até que o equilíbrio equipamentos (recheio ou empacotadas) ou
seja atingido (equilíbrio de fases). de leitos fixos.

170 Poluição Atmosférica – Controle e Qualidade das Emissões


Incinerador

De acordo com Marra Junior (2013), a combustão como dióxido de enxofre, ácido clorídrico ou
é um processo químico que ocorre com a combi- fosgênio (COCl2). Sendo assim, um processo de
nação do oxigênio com vários compostos quími- absorção deve ser utilizado para tratamento das
cos, que liberam calor. O processo de combustão emissões. Para que seja alcançada a combustão
(oxidação térmica) é mais frequente no controle completa, devemos colocar em contato íntimo
de emissões de compostos orgânicos. os poluentes, o combustível e o ar (oxigênio),
Além disso, esse processo pode ser empre- proporcionando as seguintes condições: tempe-
gado quando for necessário anular de forma ratura elevada para ignição da mistura poluente/
mais eficiente alguns poluentes, como é o caso combustível, mistura turbulenta dos reagentes
de gases tóxicos ou perigosos. Os sistemas de e tempo de residência suficiente para a reação
combustão são relativamente caros, utilizam um ocorrer (MARRA JUNIOR, 2013).
sistema adicional para queima dos poluentes e, Incineradores operam com temperaturas entre
geralmente, possuem algum dispositivo para 600 e 650 ºC quando oxidam a maioria dos com-
recuperação do calor gerado. Um processo ideal postos orgânicos, mas, em alguns casos, podem
é aquele que a combustão é completa, ou seja, variar entre 1.800 e 2.200 ºC para poluentes mais
os produtos da reação são apenas H2O e CO2. perigosos. Podem ser utilizados gás natural ou
Se outros produtos são gerados, como o CO ou propano como combustíveis para manutenção
óxidos de nitrogênio, a combustão é incompleta. das temperaturas adequadas. A Figura 3 apresenta
Se a combustão é incompleta, pode gerar pro- a forma simplificada de um incinerador.
blemas adicionais, resultando na formação de O oxigênio é necessário para a combustão ocor-
aldeídos ou ácidos orgânicos. rer e, para combustão completa de um composto,
A oxidação de compostos contendo enxofre uma quantidade de oxigênio deve estar presente
ou halogênios produz compostos indesejáveis, para a conversão de todo carbono a gás carbônico.

Gás “sujo”
Câmara de Recuperação
combustão Calor
Combustível de calor
Gás
Ar “limpo”
Queimador

Figura 3 - Esquema simplificado de um incinerador


Fonte: adaptada de Marra Junior (2013).

UNIDADE 7 171
No processo de incineração, se não houver oxi-
gênio suficiente, a combustão será incompleta.
Quando trabalhamos a incineração no trata-
mento de gases, é preciso que haja a quantida-
de de oxigênio adequada, se não, a combustão
será incompleta.

Separador de membranas

Esse processo tem como característica a passa-


gem da mistura gasosa por meio de uma mem-
brana permeável, ocorrendo separação seletiva
dos componentes (esse processo também pode
ser utilizado no tratamento de efluentes líquidos,
tratamento de águas).
As membranas comerciais são, normalmente,
sintetizadas a partir de materiais polimétricos. O
polipropileno, a poliamida e o poliacrilonitrilo
(MARRA JUNIOR, 2013) são utilizados na fa-
bricação de membranas. Também são utilizados
materiais inorgânicos, como alumina e sílica. Na
limpeza dos gases, as membranas são mais fre-
quentemente utilizadas para o tratamento de cor-
rentes gasosas que contém compostos orgânicos
voláteis com concentrações acima de 1.000 ppm
e vazões moderadas.
Padrões de
Qualidade

Para conhecer os padrões de qualidade, é preciso


conhecer alguns conceitos importantes, que, se-
gundo Derisio (2012), são:
• Meteorologia: ciência que estuda os fe-
nômenos atmosféricos que se manifestam
e ocorrem na natureza. É de suma impor-
tância, pois esses fenômenos são funda-
mentais em relação à poluição do ar. As
condições meteorológicas possibilitam
estabelecer uma forma de ligação entre a
fonte de poluição e o receptor, tendo como
referência o transporte e dispersão dos po-
luentes.
• Estabilidade atmosférica: relacionada
com os movimentos ascendentes e descen-
dentes de volumes de ar, depende da velo-
cidade do vento, turbulência atmosférica,
insolação, chuva, neve e outras condições
climáticas.

UNIDADE 7 173
• Inversões térmicas: temos duas formas • Prover dados para o planejamento de uso
por radiação e subsidiência: e ocupação do solo.
»» Por radiação: acontece quando o solo • Estudar a viabilidade de modelos matemá-
esfria por radiação durante a noite, ticos utilizados na dispersão atmosférica.
isso impede a dispersão das emissões
de poluentes na cidade, à noite.
»» Térmica: ocorre quando da existência Indicadores de Qualidade
do processo de afundamento e compres-
são de massa de ar, quanto maior for a Os indicadores de qualidade do ar são medidos
convergência em altitude, maior o movi- pela quantificação de suas substâncias poluentes.
mento descendente, havendo maior grau Para Derisio (2012), a variedade de substâncias
de compressão da atmosfera, com isso há presentes na atmosfera é muito grande, o que torna
o aumento de temperatura. difícil a tarefa de estabelecer uma classificação;
no entanto, podemos dividir em duas categorias,
a saber:
• Poluentes primários: emitidos direta-
A inversão térmica é um fenômeno que dificulta mente pelas fontes de emissão.
a dispersão dos poluentes gerados nos centros • Poluentes secundários: formados por
urbanos. Ela é consequência do rápido aqueci- meio da reação química entre poluentes
mento e resfriamento da superfície. Esse fenô- primários e constituintes naturais da at-
meno pode ocorrer naturalmente ou ser causado mosfera.
pela maneira como a cidade está estruturada.

Padrões de Qualidade do Ar

Qualidade do Ar Os principais objetivos da avaliação da qualidade


Além das condições meteorológicas, a aná- por monitoramento são:
lise da concentração de poluentes presentes na • Avaliar a qualidade do ar com o intuito de
atmosfera é fundamental para um programa de proteger a saúde e o bem-estar das pessoas.
controle da poluição do ar por parte da agência • Fornecer dados para ativar ações de emer-
governamental responsável por esse controle. Se- gência durante períodos de estagnação at-
gundo Derisio (2012), os propósitos em avaliar mosférica (quando os níveis de poluentes
são inúmeros, a saber: na atmosfera possam representar risco à
• Ter conhecimento e fazer comparação da saúde pública).
atual qualidade do ar na área de jurisdição. • Acompanhar as tendências e mudanças na
• Analisar tendências com o intuito de fixar qualidade do ar.
padrões de qualidade do ar.
• Ativar ações de emergência com o objeti- Com o intuito de atender a esses objetivos, faz-se
vo de evitar episódios agudos referentes à necessária a fixação de padrões de qualidade do
poluição atmosférica. ar, que, para Derisio (2012, p. 133):

174 Poluição Atmosférica – Controle e Qualidade das Emissões


““
[...] define legalmente um limite máximo PRONAR - Programa Nacional
para a concentração de um componente at- de Controle da Poluição do Ar
mosférico, que garanta a proteção da saúde
e do bem-estar das pessoas. Os padrões de A Resolução CONAMA nº 003, de 1990, ins-
qualidade do ar são baseados em estudos tituiu o PRONAR como um dos instrumentos
científicos dos efeitos produzidos por po- básicos da gestão ambiental para proteção da
luentes específicos e são fixados em níveis saúde e bem-estar das populações e melhoria da
que possam propiciar uma margem de se- qualidade de vida, que tem por objetivo permitir
gurança adequada. o desenvolvimento econômico e social do país,
de forma ambientalmente segura, pela limitação
Os padrões de qualidade do ar (PQAr) podem dos níveis de emissão de poluentes por fontes de
variar de acordo com a abordagem adotada para poluição atmosférica, com vistas (BRASIL, 1990c):
balancear riscos à saúde, viabilidade técnica, con- • À melhoria na qualidade do ar.
siderações econômicas e vários outros fatores po- • Ao atendimento aos padrões estabelecidos.
líticos e sociais que, por sua vez, dependem, entre • Ao não comprometimento da qualidade
outras coisas, do nível de desenvolvimento e da do ar em áreas consideradas não degra-
capacidade nacional de gerenciar a qualidade do dadas.
ar (BRASIL, 2017).
Aqui no Brasil, os padrões de qualidade do ar A estratégia era limitar, em nível nacional, as emis-
foram estabelecidos pela Resolução CONAMA sões por tipologia de fontes e poluentes prioritários,
nº 003/1990, sendo, de acordo com esta resolu- reservando o uso dos padrões de qualidade do ar
ção, divididos em padrões primários e secundá- como ação complementar de controle, conceituan-
rios, a saber: do e propondo-se a estabelecer (BRASIL, 1990c):
• São padrões primários de qualidade • Limites Máximos de Emissão: a quanti-
do ar: as concentrações de poluentes que, dade de poluentes permissível de ser lan-
ultrapassadas, poderão afetar a saúde da çada por fontes poluidoras para a atmos-
população. Podem ser entendidos como fera, que serão diferenciados em função
níveis máximos toleráveis de concentra- da classificação de usos pretendidos para
ção de poluentes atmosféricos, constituin- as diversas áreas e serão mais rígidos para
do-se em metas de curto e médio prazo as fontes novas de poluição - aqueles em-
(BRASIL, 1990c). preendimentos que não tenham obtido a
• São padrões secundários de qualida- licença prévia do órgão ambiental na data
de do ar: as concentrações de poluentes da publicação da Resolução.
atmosféricos abaixo das quais se prevê o • Adoção de Padrões Nacionais de Quali-
mínimo efeito adverso sobre o bem-estar dade do Ar: para uma avaliação permanen-
da população, assim como o mínimo dano te das ações de controle estabelecidas, são
à fauna e à flora, aos materiais e ao meio adotados padrões de qualidade do ar, como
ambiente em geral. Podem ser entendidos ação complementar e referencial aos limites
como níveis desejados de concentração máximos de emissão estabelecidos. Foram
de poluentes, constituindo-se em meta de estabelecidos dois tipos de padrões de qua-
longo prazo (BRASIL, 1990c). lidade do ar: os primários e os secundários.

UNIDADE 7 175
• Prevenção de Deterioração Significati- venindo a deterioração descontrolada da
va da Qualidade do Ar: para implemen- qualidade do ar.
tar a política de não deterioração significa- • Inventário Nacional de Fontes e Poluen-
tiva da qualidade do ar em todo o território tes do Ar: estabeleceu a criação, objetivan-
nacional, previa que as áreas deveriam ser do desenvolver metodologias que permitam
enquadradas de acordo com a seguinte o cadastramento e a estimativa das emissões,
classificação de usos pretendidos: bem como o devido processamento dos da-
»» Classe I: áreas de preservação, lazer dos referentes às fontes de poluição do ar.
e turismo, tais como Parques Nacio- • Gestões Políticas: estabeleceu que o IBA-
nais e Estaduais, Reservas e Estações MA coordene gestões junto aos órgãos da
Ecológicas, Estâncias Hidrominerais e Administração Pública Direta ou Indireta,
Hidrotermais. Nessas áreas, deverá ser Federais, Estaduais ou Municipais e Enti-
mantida a qualidade do ar em nível o dades Privadas, no intuito de se manter
mais próximo possível do verificado permanente canal de comunicação, vi-
sem a intervenção antropogênica. sando viabilizar a solução de aplicação de
»» Classe II: áreas onde o nível de deterio- medidas de controle da poluição do ar nos
ração da qualidade do ar seja limitado diferentes setores da sociedade.
pelo padrão secundário de qualidade. • Desenvolvimento Nacional na Área de
»» Classe III: áreas de desenvolvimento Poluição do Ar: promover junto aos ór-
onde o nível de deterioração da qua- gãos ambientais meios de estruturação de
lidade do ar seja limitado pelo padrão recursos humanos e laboratoriais, a fim de
primário de qualidade; por meio de Re- se desenvolver programas regionais que
solução específica do CONAMA, serão viabilizarão o atendimento dos objetivos
definidas as áreas Classe I e Classe III, estabelecidos no PRONAR.
sendo as demais consideradas Classe II. • Ações de Curto, Médio e Longo Prazo:
• Monitoramento da Qualidade do Ar: definiu metas de curto, médio e longo pra-
com base na necessidade de conhecer e zo para as ações, considerando:
acompanhar os níveis de qualidade do ar, »» Curto Prazo: definição dos limites de
como forma de avaliação das ações de con- emissão para fontes poluidoras priori-
trole estabelecidas, estabeleceu a criação de tárias; definição dos padrões de quali-
uma Rede Nacional de Monitoramento da dade do ar; enquadramento das áreas
Qualidade do Ar, que deveria permitir o na classificação de usos pretendidos;
acompanhamento e a comparação com os apoio à formulação dos Programas Es-
respectivos padrões estabelecidos. taduais de Controle de Poluição do Ar;
• Gerenciamento do Licenciamento de capacitação laboratorial e capacitação
Fontes de Poluição do Ar: estabeleceu de recursos humanos.
um sistema de disciplinamento da ocu- »» Médio Prazo: definição dos demais li-
pação do solo baseado no licenciamento mites de emissão para fontes poluido-
prévio das fontes de poluição, por meio ras; implementação da Rede Nacional
do qual o impacto de atividades poluido- de Monitoramento da Qualidade do
ras deve ser analisado previamente, pre- Ar; criação do Inventário Nacional de

176 Poluição Atmosférica – Controle e Qualidade das Emissões


Fontes e Emissões; capacitação labora- o desenvolvimento econômico e social. A
torial (continuidade) e capacitação de gestão da qualidade do ar envolve, portan-
recursos humanos (continuidade). to, medidas mitigadoras que tenham como
»» Longo Prazo: capacitação laboratorial base a definição de limites permissíveis de
(continuidade); capacitação de recursos concentração dos poluentes na atmosfera,
humanos (continuidade) e avaliação e a restrição de emissão dos mesmos, bem
retroavaliação do PRONAR. como um melhor desempenho na aplicação
dos instrumentos de comando e controle,
Para que as ações de controle definidas pudessem entre eles o licenciamento ambiental e o
ser concretizadas e como meio de instrumentali- monitoramento.
zar tais medidas, foram estabelecidos alguns ins-
trumentos de apoio e operacionalização: limites Os objetivos estratégicos do PNQA são (BRA-
máximos de emissão; padrões de qualidade do ar; SIL, 2009):
o Programa de Controle da Poluição do Ar por • Reduzir as concentrações de contaminan-
Veículos Automotores (PROCONVE); o Progra- tes na atmosfera de modo a assegurar a
ma Nacional de Controle da Poluição Industrial melhoria da qualidade ambiental e a pro-
(PRONACOP); o Programa Nacional de Avalia- teção à saúde, compatibilizando o alcance
ção da Qualidade do Ar; o Programa Nacional de metas de qualidade do ar com desen-
de Inventário de Fontes Poluidoras do Ar e os volvimento econômico.
Programas Estaduais de Controle da Poluição do • Integrar políticas públicas e instrumentos
Ar que, sob uma perspectiva conceitual, dá ao que se complementam nas ações de plane-
PRONAR uma ótica de gestão. jamento territorial, setorial e de fomento
e na aplicação de mecanismos de coman-
do e controle necessários ao alcance de
PNQA - Plano Nacional de metas de qualidade do ar temporalmente
Qualidade do Ar definidas.
• Contribuir para a diminuição da emissão
No ano de 2009, o Ministério das Cidades, o Mi- de gases do efeito estufa.
nistério da Saúde e o Ministério do Meio Am-
biente lançaram, em conjunto, o Plano Nacional Observa-se que, apesar da abordagem mais mo-
de Qualidade do Ar. De acordo com o documento derna sobre o tema, ainda persiste a ênfase no

““
(BRASIL, 2009, p. 1): comando e controle. Complementarmente à legis-
Ações de gestão são necessárias para pre- lação federal vigente, os Estados também possuem
venir ou reduzir as emissões de poluentes uma série de instrumentos legais destinados a
e os efeitos da degradação do meio aéreo, o medidas de controle da poluição e prevenção da
que já foi demonstrado ser compatível com degradação da qualidade do ar.

UNIDADE 7 177
Poluição
Sonora

O som puro é descrito como ondas de pressão


que se propagam em um meio (ar) (VESILIND;
MORGAN, 2011) e nos permite comunicar, faz-
-nos alertas ou previne em muitas circunstâncias.

O som é qualquer vibração ou conjunto de vibra-


ções ou ondas mecânicas que podem ser ouvidas.
(Tuffi Messias Saliba)

Essas ondas são transmitidas por meio de várias


fontes (veículos, televisão, conversa entre pessoas,
eletrodomésticos etc.) e produzem, no meio em
que se propagam, uma variação de pressão no ar,
no caso, pressão das ondas sonoras ou, simples-
mente, pressão sonora.
Dessa maneira, as fontes sonoras são os meios
pelos quais as ondas de pressão são formadas no
ar, podendo ser um equipamento em vibração,
uma música, o chiado de uma chaleira etc. Para
Vesilind e Morgan (2011), os ouvidos humanos
saudáveis captam sons cuja frequência variam
de, aproximadamente, 15 Hz a 20.000 Hz, uma
ampla faixa. Os sons de baixa frequência são graves, enquanto de
alta frequência são mais agudos.
De acordo com Rosa (2007), as ondas sonoras são as que pos-
suem frequência de vibração entre 20 Hz e 20.000 Hz, sendo recebi-
das e processadas por nosso sistema auditivo e originam-se a partir
de vibrações do ar que são captadas pelo tímpano com frequência
e amplitudes predefinidas. Pessoas jovens e saudáveis podem ouvir
frequências muito altas, que geralmente incluem os sinais de portas
automáticas. Com a idade, infelizmente, com os danos causados, a
habilidade de detectar uma ampla faixa de frequências diminui.
A amplitude (A) representa a intensidade do som que perce-
bemos. A sua variação é proporcionalmente relativa à variação da
pressão atmosférica causada pela onda (pressão sonora) represen-
tada pela diferença de seus valores, máximo e médio, no tempo e
num determinado ponto do espaço ou, também, ao longo do espaço
num determinado instante de tempo (SALIBA, 2009).
Frequência (f) é o número de oscilações (vibrações completas)
por segundo de uma determinada onda, sendo que a unidade de
medida da frequência no Sistema Internacional (SI) é o hertz (Hz),
que corresponde à frequência de um som que executa vibração
completa ou um ciclo por segundo. Para uma onda sonora em
propagação, a frequência é o número de ondas que passam por um
determinado referencial em um intervalo de tempo (SALIBA, 2009).

Medição do Som

O som é medido com um instrumento que converte a energia das


ondas de pressão em um sinal elétrico. Um microfone capta as ondas
de pressão, e um medidor lê o nível de pressão sonora, diretamente
calibrado para decibéis. Os dados obtidos dessa forma, com um
medidor de nível de pressão sonora, representam uma medição
precisa do nível de energia do ar (VESILIND; MORGAN, 2011).
Contudo, esse nível de pressão não é, necessariamente, o que
os ouvidos humanos escutam, conforme já mencionado em tópi-
co anterior – que o ouvido humano detecta frequências entre 20 e
20.000 Hz. A escala decibel (dB) usa o limiar da audição µPa como
seu ponto de partida ou pressão de referência. Isso é definido como
ser igual a 0dB. Cada vez que se multiplica por 10, a pressão sonora
em Pa, adiciona-se 20 dB; assim, 200 µPa corresponde a 20 dB; 2.000
µPa corresponde a 40 dB e assim sucessivamente (DERISIO, 2012).

UNIDADE 7 179
Efeitos de Ruídos na Saúde Humana

Os efeitos do ruído, no homem, podem ser físicos, psicológicos e


sociais. O ruído prejudica a audição, interfere em comunicações,
provoca fadiga, incômodo, aumenta produção de adrenalina, rea-
ções musculares e outros (DERISIO, 2012). Os efeitos quanto à
saúde e bem-estar do homem são:
• Redução da capacidade auditiva.
• Resposta vegetativa, quer seja involuntária quer seja cons-
ciente.
• Cardiovascular.
• Incômodo.
• Alterações fisiológicas (como perturbação ao sono, aumento
de riscos de acidentes e outros).
• Medo, ansiedade.

Fontes de Ruído

As fontes de ruído, para Derisio (2012), podem ser classificadas em es-


tacionárias ou móveis, a saber:
• Estacionárias: encontram-se fixas em certos locais, como
indústrias, construções, casas noturnas e outros.
• Móveis: movimentam de um lugar para outro, como exem-
plos: veículos, aeronaves e trens.

Definição de Poluição Sonora

A poluição sonora é um dos grandes problemas ambientais dos


centros urbanos. Para Saliba (2009), ela consiste na emissão de
barulhos, ruídos e sons em limites perturbadores da comodidade
auditiva. Todo ruído que causa incômodo pode ser considerado
poluição sonora. A noção do que é barulho (ruído) pode variar de
pessoa para pessoa, mas o organismo tem limites físicos para su-
portá-lo. Barulho em excesso pode provocar surdez e desencadear
outras doenças, como pressão alta e disfunções.

180 Poluição Atmosférica – Controle e Qualidade das Emissões


Redução e
Controle de Ruídos

As técnicas de controle de ruídos podem ser reali-


zadas na própria fonte, no percurso entre a fonte e
o receptor, podem ser utilizadas isolada ou simul-
taneamente e devem contemplar medidas, a saber
(DERISIO, 2012):
Substituição do equipamento por outro mais
silencioso:
• Redução ou minimização das forças envol-
vidas, as quais podem compreender uma
correta lubrificação, alinhamento, equilíbrio
das partes móveis e ancoragem do equipa-
mento em suportes antivibratórios;
• Alteração de processos produtivos, com a
substituição de equipamentos em períodos
preestabelecidos, eliminação ou redução de
atividades em períodos noturnos.

Para Vesilind e Morgan (2011), podemos ter:


• Proteção do receptor: medidas que en-
volvem o uso de protetores auriculares ou
outros tipos de proteção.
• Redução nas fontes do ruído: mudanças em
motores utilizados, trocas de equipamentos.
• Controle do caminho dos ruídos: au-
mento das paredes antirruídos ou barreiras
ao longo das estradas.

UNIDADE 7 181
Os problemas relativos aos níveis excessivos de ruí- des heterogêneas, o nível de som produzido
dos estão incluídos entre os sujeitos ao controle da por uma delas não poderá ultrapassar os
poluição ambiental, em que a normatização e o es- níveis estabelecidos pela NBR 10.152 - Ava-
tabelecimento de padrões compatíveis com o meio liação do Ruído em Áreas Habitadas visando
ambiente equilibrado e necessário à sadia qualidade ao conforto da comunidade, da Associação
de vida são atribuídos ao CONAMA, segundo o que Brasileira de Normas Técnicas - ABNT.
está disposto no inciso II, do artigo 6º, da Lei 6.938 IV - A emissão de ruídos produzidos por
(BRASIL, 1981). Vimos, anteriormente, que a identi- veículos automotores e os produzidos no
ficação entre som e ruído é feita por meio da utiliza- interior dos ambientes de trabalho, obedece-
ção de unidades de medição do nível de ruído. Com rão às normas expedidas, respectivamente,
isso, também são definidos os padrões de emissão pelo Conselho Nacional de Trânsito - CON-
aceitáveis e inaceitáveis, criando-se e permitindo-se TRAN e pelo órgão competente do Minis-
a verificação do ponto limítrofe com o ruído. tério do Trabalho.
O nível de intensidade sonora é apresentado, V - As entidades e órgãos públicos (federais,
geralmente, em decibéis (dB) e é apurada com estaduais e municipais) competentes, no uso
a utilização de um aparelho chamado decibelí- do respectivo poder de política, disporão, de
metro. No que diz respeito ao ruído, é regulado acordo com o estabelecido nesta Resolução,
pela Resolução do CONAMA 001/1990 (BRASIL, sobre a emissão ou proibição da emissão de
1990a), a qual considera um problema os níveis ruídos produzidos por quaisquer meios ou
excessivos de ruídos, bem como a deterioração de qualquer espécie, considerando sempre
da qualidade de vida causada pela poluição. Essa os locais, os horários e a natureza das ativi-
Resolução adota os padrões estabelecidos pela dades emissoras, com vistas a compatibilizar
Associação Brasileira de Normas Técnicas e pela o exercício das atividades com a preservação
Norma Brasileira Regulamentar, NBR 10.151 da saúde e do sossego público.
(ABNT, 2000). A Resolução 001 do CONAMA



(1990a, p. 1) determina que: A NBR 10.151 (ABNT, 2000) dispõe sobre a
I - A emissão de ruídos, em decorrência de avaliação do ruído em áreas habitadas, visan-
quaisquer atividades industriais, comerciais, do ao conforto da comunidade. Essa Norma
sociais ou recreativas, inclusive as de propa- fixa as condições exigíveis para a avaliação da
ganda política obedecerá no interesse da saú- aceitabilidade do ruído em comunidades, inde-
de, do sossego público, aos padrões, critérios pendentemente da existência de reclamações.
e diretrizes estabelecidos nesta Resolução. Além da NBR 10.151, tem-se a NBR 10.152
II - São prejudiciais à saúde e ao sossego pú- (ABNT, 1987), que trata dos níveis de ruídos
blico, para os fins do item anterior aos ruí- para conforto acústico, estabelecendo os limi-
dos com níveis superiores aos considerados tes máximos em decibéis a serem adotados em
aceitáveis pela norma NBR 10.152 - Avalia- determinados locais. Exemplificando, em um
ção do Ruído em Áreas Habitadas visando restaurante, o nível de ruído não deve ultra-
ao conforto da comunidade, da Associação passar os 50 decibéis estabelecidos pela NBR
Brasileira de Normas Técnicas – ABNT. 10.152. Vale lembrar que a NBR 10.152 referente
III - Na execução dos projetos de construção à acústica de edificações sofreu alterações no
ou de reformas de edificações para ativida- ano de 2017.

182 Poluição Atmosférica – Controle e Qualidade das Emissões


A norma NBR 10.152 Acústica – Níveis de Pressão Sonora em Ambientes Internos a Edificações foi
revisada desde 2014, pelo Comitê Brasileiro da Construção Civil (CB-002), da Associação Brasileira de
Normas Técnicas (ABNT). Esse texto substituirá a NBR 10152 – Níveis de Ruído para Conforto Acústico,
que está em vigor desde 1987. Saiba mais sobre as mudanças na NBR 10.152, acessando o link a seguir:
http://techne.pini.com.br/2017/12/nbr-10152-de-acustica-em-edificacoes-e-publicada-apos-revisao/.

O Conselho Nacional do Meio Ambiente (CO- e) Incentivar a capacitação de recursos hu-


NAMA), considerando que o crescimento de- manos e apoio técnico e logístico dentro
mográfico descontrolado ocorrido nos centros da política civil e militar para receber de-
urbanos acarreta uma concentração de diversos núncias e tomar providências de combate
tipos de fontes de poluição sonora, sendo funda- à poluição sonora urbana em todo o Terri-
mental o estabelecimento de normas, métodos e tório Nacional;
ações para controlar o ruído excessivo que pos- f) Estabelecer convênios, contratos e ati-
sa interferir na saúde e bem-estar da população, vidades afins com órgãos e entidades que,
estabeleceu a Resolução 2 (BRASIL, 1990b), que direta ou indiretamente, possam contri-
veio a instituir o Programa Nacional de Educação buir para o desenvolvimento do Programa
e Controle da Poluição Sonora – Silêncio (12), SILÊNCIO.

““
com o seguinte objetivo (BRASIL, 1990b, p. 01):
a) Promover cursos técnicos para capacitar Em relação a níveis de ruído em ambientes inter-
pessoal e controlar os problemas de polui- nos, a competência é exclusiva do âmbito federal,
ção sonora nos órgãos de meio ambiente a cargo do Ministério do Trabalho.
estaduais e municipais em todo o país; Estudamos, nesta unidade, as principais fon-
b) Divulgar junto à população, através dos tes de poluição atmosférica, além de classificar
meios de comunicação disponíveis, maté- os poluentes em primários e secundários. Vimos
ria educativa e conscientizadora dos efeitos que os materiais particulados consistem em uma
prejudiciais causados pelo excesso de ruído; mistura de partículas líquidas e sólidas que es-
c) Introduzir o tema “poluição sonora” nos tão em suspensão na atmosfera e classificamos
cursos secundários da rede oficial e privada de acordo com seu tamanho em: poeira, vapor,
de ensino, através de um Programa de Edu- névoa, fumaça e sprays. Enquanto poluentes ga-
cação Nacional; sosos, estão incluídas as substâncias que são gases
d) Incentivar a fabricação e uso de máquinas, a uma temperatura e pressão normais, e vapores
motores, equipamentos e dispositivos com de substâncias líquidas ou sólidas sob condições
menor intensidade de ruído quando de sua normais, por exemplo: monóxido de carbono,
utilização na indústria, veículos em geral, hidrocarbonetos, ácido sulfúrico, óxidos de ni-
construção civil, utilidades domésticas etc. trogênio, ozônio e outros.

UNIDADE 7 183
Vimos que as fontes fixas de poluição do ar
são aquelas que ocupam uma área relativamente
limitada e que podem ser avaliadas diretamente
na fonte, como indústrias, mineração e produ-
ção de energia por meio de usinas termelétricas.
Enquanto as fontes móveis são aquelas que não
podem ser avaliadas diretamente na fonte, como
veículos, aviões, trens e outros. Além disso, estu-
damos que os efeitos da poluição do ar podem
ser caracterizados de acordo com a alteração
das condições normais da atmosfera ou por au-
mento de problemas já existentes e que, de uma
forma geral, os efeitos causados pela poluição do
ar são manifestados por muitos danos à saúde
humana, materiais, propriedades da atmosfera,
vegetação e economia.
Também vimos as formas de controlar as
emissões atmosféricas e os aspectos legais, es-
tudamos os indicadores de qualidade do ar, os
padrões de qualidade do ar e os programas de
prevenção da qualidade do ar. Definimos, por
fim, poluição sonora como a emissão de baru-
lhos, ruídos e sons em limites perturbadores da
comodidade auditiva, as suas consequências para
a saúde humana e algumas técnicas para o con-
trole de ruídos, que podem ser feitas na própria
fonte, percurso e receptor.
Na próxima unidade, trataremos da evolução
das leis ambientais no Brasil. Encontro você lá!

184 Poluição Atmosférica – Controle e Qualidade das Emissões


Você pode utilizar seu diário de bordo para a resolução.

1. São chamados de poluentes originados diretamente na atmosfera. Estamos


falando de:
a) Poluentes primários.
b) Poluentes secundários.
c) Poluentes terciários.
d) Poluição atmosférica.
e) Poluição por atividades industriais.

2. Consiste em um tratamento para remoção de particulados, que também é de-


nominado de separador centrífugo. Trata-se de:
a) Câmara gravitacional.
b) Ciclone.
c) Filtros de saco.
d) Precipitador eletrostático.
e) Lavador Venturi.

3. Os padrões de qualidade do ar, aqui no Brasil, foram estabelecidos pela Reso-


lução CONAMA nº 003/1990. Diante disso, as concentrações de poluentes, que
sejam excedidas e que podem afetar a saúde da população, são chamadas de:
a) Padrões primários.
b) Padrões secundários.
c) Padrões terciários.
d) Monitoramento de qualidade do ar.
e) Inventário Nacional de Fontes e Poluentes do Ar.

185
4. Consiste no número de vibrações completas por segundo de uma determinada
onda. Trata-se de:
a) Ondas sonoras.
b) Amplitude.
c) Frequência.
d) Som.
e) Pressão.

5. É a norma que dispõe sobre a avaliação do ruído em áreas habitadas, visando


ao conforto da comunidade. Estamos falando de qual Norma?
a) NBR 10.151.
b) NBR 10.152.
c) NBR 10.155.
d) NBR 10.044.
e) NBR 10.066.

186
LIVRO

Introdução à Engenharia Ambiental


Autor: P. Aarne Vesilind e Susan M. Morgan
Editora: Cengage Learning
Sinopse: Introdução à Engenharia Ambiental traz discussões, principalmente,
sobre dois temas: o balanço de materiais e a ética ambiental. A obra é dividida
em três partes: a primeira parte oferece exemplos de questões complexas que
circundam a identificação e a solução dos problemas ambientais. A segunda
parte introduz os conceitos fundamentais do balanço de materiais e reações
que ocorrem em reatores. Na terceira parte, esses princípios são aplicados à
engenharia ambiental e à ciência.

187
ABNT. NBR 10.151: Acústica - Avaliação do ruído em áreas habitadas, visando o conforto da comunidade -
Procedimento. Rio de Janeiro, 2000.

ABNT. NBR 10.152: Níveis de ruído para conforto acústico. Rio de Janeiro, 1987.

BRASIL. Conama. Resolução nº 001, de 08 de junho de 1990. Dispõe sobre critérios de padrões de emissão
de ruídos decorrentes de quaisquer atividades industriais, comerciais, sociais ou recreativas, inclusive as de
propaganda política. Diário Oficial da União, 1990a.

BRASIL. Conama. Resolução nº 002, de 08 de junho de 1990. Dispõe sobre o Programa Nacional de Educação
e Controle da Poluição Sonora. Diário Oficial da União, 1990b.

BRASIL. Conama. Resolução nº 003, de 28 de junho de 1990. Dispõe sobre padrões de qualidade do ar,
previstos no PRONAR. Diário Oficial da União, 1990c. Disponível em: http://www.mma.gov.br/port/conama/
legiabre.cfm?codlegi=100. Acesso em: 1 abr. 2019.

BRASIL. Fontes Fixas. Brasília: Ministério do Meio Ambiente, [2019]. Disponível em: http://www.mma.gov.
br/cidades-sustentaveis/qualidade-do-ar/fontes-fixas. Acesso em: 1 abr. 2019.

BRASIL. Lei nº 6.938, de 31 de agosto de 1981. Dispõe sobre a Política Nacional do Meio Ambiente, seus fins
e mecanismos de formulação e aplicação, e dá outras providências. Presidência da Republica, 1981. Disponível
em: http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/Leis/L6938.htm. Acesso em: 1 abr. 2019.

BRASIL. Ministério do Meio Ambiente. Compromisso pela Qualidade do Ar e Saúde Ambiental. Brasília:
Ministério da Saúde, 2009. Disponível em: http://www.mma.gov.br/images/arquivo/80060/Compromisso%20
pela%20Qualidade%20do%20Ar%20e%20Saude%20Ambiental.pdf. Acesso em: 1 abr. 2019.

BRASIL. Padrões de Qualidade do Ar. Brasília: Ministério do Meio Ambiente, 2017. Disponível em: http://
www.mma.gov.br/cidades-sustentaveis/qualidade-do-ar/padroes-de-qualidade-do-ar. Acesso em: 1 abr. 2019.

COSTA, M. A. M. Eficiência de coleta de partículas em lavadores Venturi. 2002. 220 f. Tese (Doutorado
em Engenharia Química) – Centro de Ciências Exatas e de Tecnologia, Universidade Federal de São Carlos,
São Carlos, 2002.

DALLAROSA, J. B. Estudo da formação e dispersão de Ozônio Troposférico em áreas de atividade de


processamento de carvão aplicando modelos numéricos. Programa de Pós-graduação em Sensoriamento
remoto (Dissertação de Mestrado). Universidade Federal do Rio Grande do Sul, Porto Alegre, 2005.

DERISIO, J. C. Introdução ao controle de poluição ambiental. 4. ed. São Paulo: Oficina de Textos, 2012.

MARRA JUNIOR, W. D. Tratamento de efluentes gasosos. In: CALIJURI, M. C.; CUNHA, D. G. F. (coord.).
Engenharia Ambiental. Rio de Janeiro: Elsevier, 2013.

188
ROSA, R. S. Ruído Urbano: Estudo de Caso da Cidade de Sapucaia do Sul - RS, 2007. Disponível em: http://
www.projetos.unijui.edu.br/petegc/wp-content/uploads/2010/03/TCC-Rodrigo-Silva-da-Rosa.pdf. Acesso
em: 19 mar. 2018.

SALDIVA, P. H. N.; COELHO, M. S. Z. S. Poluição Atmosférica e Saúde Humana. In: CALIJURI, M. C.; CUNHA,
D. G. F. Engenharia Ambiental. Rio de Janeiro: Elsevier, 2013.

SALIBA, T. M. Manual prático de higiene ocupacional e PPRA: avaliação e controle dos riscos ambientais,
2. ed. Belo Horizonte: Astec, 2009.

VESILIND, P. A.; MORGAN, S. M. Introdução à Engenharia Ambiental. 2. ed. São Paulo: Cengage Learning,
2011.

189
1. A.

2. B.

3. A.

4. C.

5. A.

190
191
192
Esp. João Marcos Pardo
Me. Gustavo Affonso Pisano Mateus
Me. Renata Cristina de Souza Chatalov

A Política
Ambiental no Brasil

PLANO DE ESTUDOS

Política Nacional Licenciamento


do Meio Ambiente Ambiental

Marcos da Política Política Nacional de


Ambiental Brasileira Resíduos Sólidos

OBJETIVOS DE APRENDIZAGEM

• Sintetizar os principais marcos da política ambiental no • Detalhar a Política Nacional de Resíduos Sólidos e desta-
Brasil. car sua relevância na gestão de resíduos sólidos do país.
• Detalhar a Política Nacional do Meio Ambiente e destacar • Definir Licenciamento Ambiental e classificar as licenças
sua relevância nas questões ambientais do país. existentes.
Marcos da Política
Ambiental Brasileira

Caro(a) aluno(a), nesta unidade, vamos estudar a


evolução das políticas ambientais no Brasil. Trata-
remos de leis importantes que gestores precisam,
que são aplicáveis a organizações e/ou indústrias.
Definiremos o que é Legislação Ambiental e, em
seguida, falaremos sobre os principais marcos da
política ambiental brasileira, abrangendo as leis:
código das águas, código florestal, Política Na-
cional de Meio Ambiente (Lei 6.938/81), lei da
política agrícola, lei das águas, lei de crimes am-
bientais e Política Nacional de Resíduos Sólidos.
Também vamos abordar uma questão impor-
tante referente à legislação ambiental que deve ser
cumprida pelas organizações: o licenciamento
ambiental, definiremos a licença prévia, licença de
instalação e licença de operação, cada uma com
suas particularidades.
Diferentes tipos de empreendimento apresen-
tam diferentes requisitos para sua implantação e
operação; assim, é necessário que você, enquanto
profissional, possua um conhecimento básico acer-
ca das legislações a que sua empresa está sujeita.
Vamos lá?
Código das Águas
– Decreto
nº 24.643/1934
Legislação Ambiental consiste em um conjunto de leis, normas,
regras e padrões criados para proteger o meio ambiente, buscando Norma legal que disciplina o
planejar e controlar os impactos ambientais. aproveitamento industrial das
(Marcelo Testa) águas e o aproveitamento e a
exploração da energia elétrica,
sendo dividida em duas partes.
As atitudes relacionadas com a gestão ambiental só começaram A primeira é reservada às águas
a manifestar-se por meio dos governos estaduais ao passo que os em geral e ao seu domínio; já a
problemas iam surgindo, isto é, eram medidas isoladas de caráter segunda parte estabelece uma
remediador ou reparador. disciplina legal para geração,
As resoluções iniciais, no que diz respeito à gestão ambiental, transmissão e distribuição de
eram apenas corretivas e não preventivas; a partir da década de 70, energia elétrica.
tiveram início algumas medidas preventivas por meio de políticas
governamentais.
O Poder Público, no Brasil, começou a se preocupar com o meio Código Florestal –
ambiente na década de 30. Não que antes não houvesse nada a esse Decreto
respeito, mas eram poucas iniciativas e não eram tão eficazes. nº 23.793/1934
Para Barbieri (2016), antes do século XX, o campo político e
institucional brasileiro não se sensibilizava com os problemas O Decreto n° 23.793/1934 es-
ambientais, embora não faltassem problemas que os apontassem. tabeleceu o Código Florestal,
A abundância de terras férteis, além de outros recursos naturais, que tratava de regras acerca de
enaltecida desde a carta de Pero Vaz de Caminha ao rei de Por- onde e de que forma a vegeta-
tugal, tornou-se uma espécie de dogma que impedia enxergar a ção nativa do território bra-
destruição que vinha ocorrendo desde o período da colonização. sileiro poderia ser explorada.
A degradação de uma área não era considerada um problema Determinava, também, as áreas
ambiental pela classe política. As denúncias sobre a má gestão e que devem ser preservadas e
uso de recursos naturais não encontravam eco na esfera política quais regiões podem receber
dessa época. Somente quando o Brasil começa a dar passos firmes diferentes tipos de produção
em direção à industrialização, inicia-se o esboço de uma política rural. O Código Florestal so-
ambiental. Tomando como critério a eficácia da ação pública, e não freu modificações importantes
apenas a geração de leis, pode-se apontar a década de 30 como início e, em 1965, tornou-se mais exi-
de uma política ambiental mais efetiva. gente. Teve sua última altera-
A partir de agora, estudaremos os principais marcos da Política ção em maio de 2012, por meio
Ambiental Brasileira. da Lei n° 12.521/2012.

UNIDADE 8 195
O Código Florestal brasileiro institui as regras gerais acerca de onde e de que forma o território bra-
sileiro pode ser explorado, ao determinar as áreas de vegetação nativa que devem ser preservadas
e quais regiões são legalmente autorizadas a receber os diferentes tipos de produção rural. Você já
ouviu falar no novo Código Florestal? Pesquise sobre ele para saber mais.

Política Agrícola – Lei nº O instrumento legal prevê que a gestão dos


8.171/1991 recursos hídricos deve proporcionar os usos
múltiplos das águas, de forma descentralizada e
Essa lei tem como principal objetivo proteger o participativa, contando com a participação do
meio ambiente; define que o poder público deve Poder Público, dos usuários e das comunidades.
disciplinar e fiscalizar o uso racional do solo, da O consumo humano e de animais é prioritário em
água, da fauna e da flora. O Estado também deve situações de escassez (BRASIL, 1997).
realizar zoneamentos agroecológicos, buscando
ordenar a ocupação de atividades produtivas, de-
senvolver programas de educação ambiental e in- Lei de Crimes Ambientais –
centivar a produção de mudas de espécies nativas. Lei nº 9.605/98

Condutas e atividades consideradas lesivas ao


Lei dos Recursos Hídricos – meio ambiente passaram a ser punidas, de forma
Lei nº 9.433/1997 civil, administrativa e criminal. A lei não trata ape-
nas de punições severas, pois incorpora métodos
Também conhecida como a Lei dos Recursos e possibilidades de não aplicação das penas, desde
Hídricos ou Lei das Águas, instituiu a Política que o infrator recupere o dano ou, de outra forma,
Nacional de Recursos Hídricos e criou o Sistema pague sua dívida à sociedade (BRASIL, 1998).
Nacional de Gerenciamento de Recursos Hídricos
(SINGREH). Segundo a Lei das Águas, a Política
Nacional de Recursos Hídricos tem seis funda-
mentos. A água é considerada um bem de domí- Tenha sua dose extra de
nio público e um recurso natural limitado, dotado conhecimento assistindo ao
vídeo. Para acessar, use seu
de valor econômico, sendo sua gestão baseada em leitor de QR Code.
usos múltiplos (abastecimento, energia, irrigação,
indústria etc.) (BRASIL, 1997).

196 A Política Ambiental no Brasil


Política Nacional
do Meio Ambiente

A Lei nº 6.938/1981 estabeleceu a Política Nacio-


nal do Meio Ambiente (PNMA). A PNMA repre-
sentou uma mudança importante no tratamento
das questões ambientais, na medida em que pro-
cura integrar as ações governamentais dentro de
uma abordagem sistemática.
Tem por objetivo a preservação, a melhoria e
a recuperação da qualidade ambiental propícia à
vida, visando assegurar as condições de desenvol-
vimento socioeconômico, os interesses da segu-
rança nacional e a proteção da dignidade humana.
O meio ambiente como um todo é considerado
patrimônio público que deve ser protegido, tendo
em vista o uso coletivo (BRASIL, 1981).
Com essa Lei, foi instituído o Sistema Nacio-
nal do Meio Ambiente (SISNAMA), responsável
pela proteção e melhoria do meio ambiente e
constituído por órgãos e entidades da União, dos
Estados, do Distrito Federal e dos Municípios.
Podemos observar os componentes do SISNAMA
no Quadro 1.

UNIDADE 8 197
Quadro 1 - Componentes do SISNAMA
ÓRGÃO COMPONENTE
Órgão superior Conselho de Governo que auxilia o presidente da República na
formulação de políticas públicas.
Órgão consultivo e deliberativo Conselho Nacional do Meio Ambiente (CONAMA), presidido pelo
ministro do meio ambiente. Esse órgão analisa, delibera e propõe
diretrizes e normas acerca da política ambiental.
Órgão central Ministério do Meio Ambiente, dos Recursos Hídricos e da Amazônia
Legal (MMA). Órgão responsável por planejamento, coordenação,
supervisão e controle da Política Nacional do Meio Ambiente.
Órgãos executores Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais (IBA-
MA) e Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade.
Autarquias vinculadas ao Ministério do Meio Ambiente que executam
e fiscalizam a política ambiental no âmbito federal.
Órgãos seccionais Órgãos ou entidades estaduais responsáveis pela execução de
programas e projetos e pelo controle e fiscalização de atividades
capazes de provocar a degradação ambiental.
Órgãos locais Órgãos ou entidades municipais responsáveis pelo controle e pela
fiscalização dessas atividades nas suas respectivas jurisdições.
Fonte: adaptado de Brasil (1981).

Ao se espelharem no SISNAMA, os estados criaram seus Sistemas Estaduais do Meio Ambiente para
integrar as ações ambientais de diferentes entidades públicas nesse âmbito de abrangência. Outra ino-
vação importante foi o conceito de responsabilidade objetiva do poluidor. O poluidor fica obrigado,
independentemente de existência de culpa, a indenizar ou reparar os danos causados ao meio ambiente
e a terceiros afetados por suas atividades (BARBIERI, 2016).
De acordo com Dias (2017), o princípio do poluidor-pagador é uma das principais normas do direito
ambiental e um importante instrumento de políticas governamentais. O princípio torna a organiza-
ção que contamina responsável pelo pagamento do prejuízo que causou, dessa maneira, os custos de
tratamentos dos danos ou de recuperação de áreas poluídas não reincidem no governo.

198 A Política Ambiental no Brasil


O Art. 9º, da Lei nº 6.938/81, aborda os instru- XI - a garantia da prestação de informações
mentos da Política Nacional do Meio Ambiente: relativas ao Meio Ambiente, obrigando-se

““
o Poder Público a produzi-las, quando ine-
I - o estabelecimento de padrões de quali- xistentes;
dade ambiental; XII - o Cadastro Técnico Federal de ativi-
II - o zoneamento ambiental; dades potencialmente poluidoras e/ou uti-
III - a avaliação de impactos ambientais; lizadoras dos recursos ambientais.
IV - o licenciamento e a revisão de ativida- XIII - instrumentos econômicos, como con-
des efetiva ou potencialmente poluidoras; cessão florestal, servidão ambiental, seguro
V - os incentivos à produção e instalação ambiental e outros (BRASIL, 1981, p. 3).
de equipamentos e a criação ou absorção
de tecnologia, voltados para a melhoria da A Constituição Federal (CF) de 1988 estabelece
qualidade ambiental; que a construção, a instalação, a ampliação e o
VI - a criação de espaços territoriais espe- funcionamento de estabelecimentos e de ati-
cialmente protegidos pelo Poder Público vidades utilizadoras dos recursos ambientais,
federal, estadual e municipal, tais como considerados efetivos ou potencialmente po-
áreas de proteção ambiental, de relevante luidores, dependeriam de prévio licenciamento
interesse ecológico e reservas extrativistas; por órgão estadual integrante do SISNAMA,
VII - o sistema nacional de informações sem prejuízo de outras licenças exigíveis (BRA-
sobre o meio ambiente; SIL, 1988).
VIII - o Cadastro Técnico Federal de Ativi- Assim, também se torna importante conhe-
dades e Instrumentos de Defesa Ambiental; cermos o capítulo VI, do art. 225 da Constituição
IX - as penalidades disciplinares ou com- Federal de 1998, o qual afirma que:



pensatórias ao não cumprimento das me-
didas necessárias à preservação ou correção Todos têm direito ao meio ambiente ecolo-
da degradação ambiental. gicamente equilibrado, bem de uso comum
X - a instituição do Relatório de Qualidade do povo e essencial à sadia qualidade de
do Meio Ambiente, a ser divulgado anual- vida, impondo-se ao Poder Público e à co-
mente pelo Instituto Brasileiro do Meio letividade o dever de defendê-lo e preser-
Ambiente e Recursos Naturais Renováveis vá-lo para as presentes e futuras gerações
– IBAMA. (BRASIL, 1988).

UNIDADE 8 199
Política Nacional de
Resíduos Sólidos

A Política Nacional de Resíduos Sólidos (PNRS)


foi um marco regulatório na área de Resíduos
Sólidos. A PNRS faz a distinção entre resíduo (lixo
que pode ser reaproveitado ou reciclado) e rejeito
(o que não é passível de reaproveitamento), além
de se referir a todo tipo de resíduo: doméstico,
industrial, da construção civil, eletroeletrônico,
lâmpadas de vapores mercuriais, agrosilvopastoril,
da área de saúde e perigosos (BRASIL, 2010).
A PNRS instituiu o princípio de responsabi-
lidade compartilhada pelo ciclo de vida dos pro-
dutos, incluiu a chamada logística reversa, que se
refere ao conjunto de ações para facilitar o retorno
dos resíduos aos seus geradores, a fim de que se-
jam tratados ou reaproveitados em novos produ-
tos e estabeleceu princípios para a elaboração dos
Planos Nacional, Estadual, Regional e Municipal
de Resíduos Sólidos. Ainda propiciou oportunida-
des de cooperação entre o poder público federal,
estadual e municipal, o setor produtivo e a socie-
dade em geral (BRASIL, 2010).

200 A Política Ambiental no Brasil


Dentre os principais instrumentos instituídos pela PNRS (BRA- Os principais objetivos da
SIL, 2010, p. 3), destacam-se: PNRS são (BRASIL, 2010):

““
I - os planos de resíduos sólidos; • Não geração, redução,
II - os inventários e o sistema declaratório anual de resíduos reutilização e tratamento
sólidos; de resíduos sólidos.
III - a coleta seletiva, os sistemas de logística reversa e outras • Destinação final am-
ferramentas relacionadas à implementação da responsabilidade bientalmente adequada
compartilhada pelo ciclo de vida dos produtos; dos rejeitos.
IV - o incentivo à criação e ao desenvolvimento de cooperativas • Diminuição do uso de
ou de outras formas de associação de catadores de materiais recursos naturais, no
reutilizáveis e recicláveis; processo de produção
V - o monitoramento e a fiscalização ambiental, sanitária e de novos produtos.
agropecuária; • Intensificação de ações
VI - a cooperação técnica e financeira entre os setores público de educação ambiental.
e privado para o desenvolvimento de pesquisas de novos pro- • Aumento da reciclagem
dutos, métodos, processos e tecnologias de gestão, reciclagem, no país.
reutilização, tratamento de resíduos e disposição final ambien- • Promoção da inclusão
talmente adequada de rejeitos; social.
VII - a pesquisa científica e tecnológica; • Geração de emprego e
VIII - a educação ambiental; renda para catadores de
IX - os incentivos fiscais, financeiros e creditícios; materiais recicláveis.
X - o Fundo Nacional do Meio Ambiente e o Fundo Nacional
de Desenvolvimento Científico e Tecnológico;
XI - o Sistema Nacional de Informações sobre a Gestão dos
Resíduos Sólidos (Sinir);
XII - o Sistema Nacional de Informações em Saneamento Bá-
sico (Sinisa);
XIII - os conselhos de meio ambiente e, no que couber, os de
saúde;
XIV - os órgãos colegiados municipais destinados ao controle
social dos serviços de resíduos sólidos urbanos;
XV - o Cadastro Nacional de Operadores de Resíduos Peri-
gosos;
XVI - os acordos setoriais;
XVII - no que couber, os instrumentos da Política Nacional
de Meio Ambiente, entre eles: a) os padrões de qualidade am-
biental.

UNIDADE 8 201
Licenciamento
Ambiental

O licenciamento é um dos instrumentos da Política


Nacional do Meio Ambiente (PNMA) que tem como
objetivo agir preventivamente sobre a proteção do
bem comum do povo – o meio ambiente – além de
compatibilizar sua preservação com o desenvolvi-
mento econômico-social, essencial para a sociedade
(TCU, 2007). O Licenciamento Ambiental pode ser
definido como:



Procedimento administrativo pelo qual o
órgão ambiental competente licencia a lo-
calização, instalação, ampliação e a operação
de empreendimentos e atividades utiliza-
doras de recursos ambientais, consideradas
efetiva ou potencialmente poluidoras; ou
aquelas que, sob qualquer forma, possam
causar degradação ambiental, considerando
as disposições legais e regulamentares e as
normas técnicas aplicáveis ao caso (CONA-
MA, 1997, p. 1).

202 A Política Ambiental no Brasil


É importante compreendermos que essas licenças não dispensam o empreendedor da obtenção de
outras autorizações ambientais específicas junto aos órgãos competentes, a depender da natureza
do empreendimento e dos recursos ambientais envolvidos. Por exemplo, se temos uma indústria
que for utilizar algum recurso hídrico em sua atividade, também é necessária a outorga de direito de
uso do recurso hídrico, de acordo com os preceitos da Lei 9.433/97, que institui a Política Nacional
de Recursos Hídricos.

Dessa maneira, a Licença Ambiental pode ser en- Veremos, a seguir, os tipos de licenciamento am-
tendida como: biental: licença prévia, licença de instalação e li-

““
cença de operação.
Ato administrativo pelo qual o órgão am-
biental competente estabelece as condições,
restrições e medidas de controle ambiental Licença Prévia
que deverão ser obedecidas pelo empreen-
dedor, pessoa física ou jurídica, para loca- É a licença que precisa ser solicitada na fase preli-
lizar, instalar, ampliar e operar empreen- minar de planejamento da atividade, deve conter
dimentos ou atividades utilizadoras dos os requisitos básicos a serem atendidos nas fases
recursos ambientais consideradas efetiva de localização, instalação e operação, observa-
ou potencialmente poluidoras ou aquelas dos os planos municipais, estaduais e federais de
que, sob qualquer forma, possam causar de- uso do solo (CONAMA, 1997). Seu objetivo é
gradação ambiental (CONAMA, 1997, p. 1). definir as condições a partir das quais o projeto
se torne compatível com a preservação do meio
De acordo com TCU (2007, p. 10), a licença que afetará. Consiste no compromisso que o em-
ambiental é: preendedor assume de que irá seguir o projeto,

““
de acordo com os requisitos determinados pelo
[...] uma autorização emitida pelo órgão órgão ambiental (TCU, 2007).
público competente, que é concedida ao É importante salientar que as atividades que
empreendedor para que possa exercer seu são consideradas efetivas ou potencialmente cau-
direito à livre iniciativa, desde que sejam sadoras de significativa degradação ambiental,
atendidas às precauções requeridas, com o a concessão da licença prévia, irá depender da
intuito de resguardar o direito coletivo ao aprovação de estudo prévio de impacto ambiental
meio ambiente ecologicamente equilibrado. e do respectivo relatório de impacto sobre o meio
ambiente (EIA/RIMA) (CONAMA, 1997). Além
O licenciamento ambiental é composto por três disso, esses instrumentos também são essenciais
tipos de licença: a licença prévia, a licença de ins- para a solicitação de financiamentos e obtenção
talação e a licença de operação. Cada uma das de incentivos fiscais.
licenças refere-se a uma fase distinta do empreen- A licença prévia tem extrema importância no
dimento e segue uma sequência lógica. atendimento ao princípio da prevenção (TCU, 2007).

UNIDADE 8 203
Licença de Instalação Licença de Operação

A licença de instalação é a autorização para o A licença de operação autoriza, após as verifica-


início da implantação, de acordo com as especifi- ções necessárias, o início da atividade licenciada e
cações constantes no projeto executivo aprovado. o funcionamento de seus equipamentos de contro-
O início da instalação do empreendimento ou da le da poluição, de acordo com o previsto na licença
atividade só deve acontecer depois da expedição prévia e de instalação (CONAMA, 1997). A licença
da licença de instalação, em que são verificadas de operação é aquela que autorizará o início das
especificações constantes nos planos, progra- operações do empreendimento ou da atividade
mas e projetos aprovados, bem como medidas objeto do projeto; sua expedição depende da ve-
de controle ambiental, de compensação e outras rificação e do cumprimento das etapas anteriores
consideradas importantes na fase anterior (CO- e tem três características básicas (TCU, 2007):
NAMA, 1997). 1. É concedida após a verificação, pelo ór-
Ao conceder a licença de instalação, o órgão gão ambiental do efetivo cumprimento
gestor de meio ambiente terá (TCU, 2007): das condicionantes estabelecidas nas li-
• Autorizado o empreendedor a começar as cenças anteriores (prévia e de instalação).
obras. 2. Contém as medidas de controle ambien-
• Concordado com as especificações cons- tal (padrões ambientais) que servirão de
tantes dos planos, programas e projetos limite para o funcionamento do empreen-
ambientais, seus detalhamentos e respec- dimento ou da atividade.
tivos cronogramas de implementação. 3. Especifica as condicionantes determina-
• Verificado o atendimento das condicio- das para a operação do empreendimen-
nantes determinadas na licença prévia. to, cujo cumprimento é obrigatório, sob
• Estabelecido medidas de controle ambien- pena de suspensão ou cancelamento da
tal, com vistas a garantir que a fase de im- operação.
plantação do empreendimento obedecerá
aos padrões de qualidade ambiental esta- Cada uma das licenças ambientais tem prazos
belecidos em lei ou regulamentos. de validade que estão apresentadas no Quadro 2.

Quadro 2 - Prazos de validade das Licenças ambientais


TIPO DE LICENÇA PRAZO MÁXIMO PRAZO MÍNIMO
Licença Prévia 5 anos Prazo estabelecido pelo cronograma de planos, progra-
mas e projetos relativos à atividade ou ao empreendi-
Licença de Instalação 6 anos mento. Esse prazo poderá ser prorrogado desde que
não ultrapasse o prazo máximo da licença.

Licença de Operação 10 anos Mínimo de 4 anos ou o prazo considerado nos planos de


controle ambiental. Prazos específicos para empreendi-
mentos ou atividades sujeitos a encerramentos ou mo-
dificações em prazos inferiores
Fonte: Barbieri (2016, p. 267).

204 A Política Ambiental no Brasil


Além disso, é importante entendermos que nem • Transporte, terminais e depósitos.
toda a atividade ou empreendimento está sujeita • Turismo (complexos turísticos e de lazer,
ao licenciamento ambiental. Para saber qual ati- inclusive parques temáticos e autódromos).
vidade deve passar por todo processo de licen- • Atividades diversas.
ciamento, a Resolução 237 (CONAMA, 1997), • Atividades agropecuárias.
no seu anexo 1, apresenta as atividades sujeitas • Uso de recursos naturais (silvicultura, ex-
ao licenciamento. No entanto, caso você tenha ploração econômica da madeira ou lenha
dúvida de alguma atividade, deve ser feita uma e subprodutos florestais, atividade de ma-
consulta ao órgão ambiental competente, pois a nejo de fauna exótica e criadouro de fauna
lista do anexo 1 não se trata de uma lista exaustiva. silvestre e outros).
São exemplos do anexo 1, da Resolução 237
de 1997, de atividades sujeitas ao licenciamento
ambiental (CONAMA, 1997):
• Extração e tratamento de minerais.
• Indústria de produtos minerais não me-
tálicos. A Resolução CONAMA nº 001/86 define que o Es-
• Indústria metalúrgica. tudo de Impacto Ambiental (EIA) é o conjunto de
• Indústria mecânica. estudos realizados por especialistas de diversas
• Indústria de material elétrico, eletrônico e áreas, com dados técnicos detalhados. O acesso
comunicações. a ele é restrito, em respeito ao sigilo industrial. O
• Indústria de material de transporte. relatório de impacto ambiental, RIMA, refletirá as
• Indústria de madeira. conclusões do estudo de impacto ambiental (EIA).
• Indústria de papel e celulose. O RIMA deve ser apresentado de forma objetiva
• Indústria de borracha. e adequada à sua compreensão; as informações
• Indústria de couros e peles. devem ser traduzidas em linguagem acessível,
• Indústria química. ilustradas por mapas, cartas, quadros, gráficos e
• Indústria de produtos de matéria plástica. demais técnicas de comunicação visual, de modo
• Indústria têxtil, de vestuário, calçados e que se possam entender as vantagens e des-
artefatos de tecidos. vantagens do projeto, bem como todas as con-
• Indústria de produtos alimentares e bebidas. sequências ambientais de sua implementação.
• Indústria de fumo.
• Indústrias diversas.
• Obras civis (rodovias, hidrovias, ferrovias, Nesta unidade, estudamos as principais legisla-
barragens e outros). ções ambientais que são aplicáveis às organizações
• Serviços de utilidade (produção de ener- cujo conhecimento é de suma importância para
gia termoelétrica, transmissão de energia gestores. Empresas que utilizam recursos naturais
elétrica, estações de tratamento de água, in- em seus processos e geram resíduos, como efluen-
terceptores, emissários, estação elevatória e tes, resíduos sólidos e emissões atmosféricas de-
tratamento de esgoto sanitário, tratamento vem estar atentos à legislação ambiental, pois elas
e destinação de resíduos industriais (líqui- definem padrões máximos aceitáveis e também
dos e sólidos) e outros). recomendações para as organizações.

UNIDADE 8 205
Podemos dizer que a política
ambiental no Brasil, principal-
mente sob a forma da Política
Nacional do Meio Ambiente e
da PNRS são exemplos em nível
mundial no que se refere à ges-
tão ambiental adequada. Se as
leis são cumpridas, no entanto,
isso é um outro assunto.
Outro aspecto importante
que também abordamos é o
licenciamento ambiental a que
empresas que estão no anexo 1,
da Resolução 237/97 do CO-
NAMA, tais como indústrias
têxteis, de fumo, alimentícias e
outras, estão sujeitas. É impor-
tante que, enquanto profissio-
nal da Engenharia e gestor de
uma empresa, conheça-se os
órgãos ambientais específicos
para lidar com cada aspecto da
implantação e operação de um
empreendimento.
Esperamos que, a partir des-
ses conteúdos apresentados,
você tenha uma base para agir de
forma ética e cidadã no exercício
de sua atividade, seja qual for.
Na próxima e última unida-
de, trataremos especificamen-
te das ferramentas de Gestão
Ambiental nas empresas. Cer-
tamente, esses conteúdos soma-
rão muito ao seu arcabouço de
conhecimentos e competências.
Até lá!

206 A Política Ambiental no Brasil


Você pode utilizar seu diário de bordo para a resolução.

1. A Política Nacional de Resíduos Sólidos (PNRS) é uma lei (Lei nº 12.305/10) que procura
organizar a forma com que o país lida com o lixo e exigir dos setores públicos e priva-
dos transparência no gerenciamento de seus resíduos. A PNRS foi um marco no setor
por tratar de todos os resíduos sólidos e rejeitos, de forma compartilhada ao integrar
poder público, iniciativa privada e cidadão (ECYCLE, [2019], on-line)1.
A principal diferença entre resíduo sólido e rejeito é:
a) Resíduo sólido trata-se de matéria-prima utilizada em residências e comércios, en-
quanto rejeito está relacionado a atividades industriais e da construção civil.
b) Resíduo sólido é tudo aquilo que pode ser reciclado ou reaproveitado de alguma
maneira, e rejeitos são itens que não podem ser reaproveitados.
c) Resíduo sólido é tudo aquilo encontrado em estado natural, e rejeito é decorrente da
atividade humana.
d) Tanto os resíduos sólidos quanto os rejeitos devem ser dispostos em aterro sanitário,
com a diferença de que o último deve receber tratamento específico para emissão de
gases poluentes.
e) Os resíduos sólidos representam riscos à saúde humana e dos animais, enquanto
rejeitos são inertes e não representam perigo ao homem.

207
2. A logística reversa é um “instrumento de desenvolvimento econômico e social
caracterizado por um conjunto de ações, procedimentos e meios destinados
a viabilizar a coleta e a restituição dos resíduos sólidos ao setor empresarial,
para reaproveitamento, em seu ciclo ou em outros ciclos produtivos, ou outra
destinação final ambientalmente adequada” (BRASIL, [2019]).
Dentre os vários conceitos introduzidos em nossa legislação ambiental pela
Política Nacional de Resíduos Sólidos – PNRS e que encontra na logística reversa
uma solução, podemos destacar principalmente:
a) O princípio do poluidor pagador.
b) A separação entre resíduo e rejeito.
c) A classificação dos resíduos sólidos em diferentes tipos.
d) A responsabilidade compartilhada pelo ciclo de vida do produto.
e) As sanções penais e administrativas derivadas de condutas e atividades lesivas
ao meio ambiente.

3. O Licenciamento ambiental é uma exigência legal e uma ferramenta do poder


público para o controle ambiental. E, em muitos casos, apresenta-se como um
desafio para o setor empresarial. Trata-se do procedimento no qual o poder
público, representado por órgãos ambientais, autoriza e acompanha a implan-
tação e a operação de atividades, que utilizam recursos naturais ou que sejam
consideradas efetiva ou potencialmente poluidoras (FIRJAN, 2004).
Sobre esse assunto, descreva os tipos de Licença Ambiental, destacando a di-
ferença entre eles.

208
LIVRO

Política Nacional, Gestão e Gerenciamento de Resíduos Sólidos


Autor: Jardim, Arnaldo - Yoshida, Consuelo - Machado Filho, José Valverde
Editora: Manole
Sinopse: a Coleção Ambiental, coordenada por Arlindo Philippi Jr., reúne resul-
tados de estudos, pesquisas e experiências de professores, pesquisadores e
profissionais com reconhecida e expressiva atuação na área ambiental, oriun-
dos de conceituadas instituições de ensino e pesquisa, caracterizando-se pelo
tratamento multi e interdisciplinar que essa área do conhecimento requer. As
obras contribuem tanto para a disseminação do conhecimento em bases cienti-
ficamente sólidas e conectadas às intervenções reais da sociedade quando para
a ampliação das reflexões e dos debates sobre questões sociais, econômicas,
políticas e ambientais, fundamentais para a formação, qualificação e capacitação
de profissionais. Este livro, Política Nacional, Gestão e Gerenciamento de Resíduos
Sólidos, busca retratar o processo de formulação da Lei que institui a Política
Nacional de Resíduos Sólidos, bem como trazer a lume seus principais conceitos
e os contornos estabelecidos por seu decreto regulamentador. Considerando,
sobretudo, um contexto no qual são lançadas as bases para um novo parâmetro
de construção legislativa que contemplam a gestão ambiental, a participação
e a organização social, o crescimento econômico e a articulação de políticas
públicas calcadas no princípio do desenvolvimento sustentável. Ousadamente,
talvez até pretensiosamente, essa obra pretende ser um referencial de formu-
lação de políticas públicas que tenham a marca da perenidade, demonstrando
que é possível superar vícios, ajustar as ousadias que as tornariam apenas uma
utopia. Assim, torna-se indispensável não apenas aos especialistas da área do
direito, mas também a profissionais, como engenheiros, arquitetos, administra-
dores, economistas, sociólogos, biólogos, entre outros, além de todo o público
interessado nessa questão ampla, atual e importante.

209
BARBIERI, J. C. Gestão Ambiental Empresarial. 4. ed. São Paulo: Saraiva, 2016.

BRASIL. Constituição da República Federativa do Brasil de 1988. Diário Oficial da União, 1988. Disponível
em: http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/constituicao/constituicaocompilado.htm. Acesso em: 2 abr. 2019.

BRASIL. Decreto nº 23.793, de 23 de janeiro de 1934. Aprova o código florestal que com este baixa. Presidência
da República, 1934. Disponível em: http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/decreto/1930-1949/d23793.htm.
Acesso em: 2 abr. 2019.

BRASIL. Decreto nº 24.643, de 10 de julho de 1934. Decreta o Código das Águas. Presidência da República,
1934. Disponível em: http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/decreto/d24643compilado.htm. Acesso em: 2 abr.
2019.

BRASIL. Lei nº 6.938, de 31 de agosto de 1981. Dispõe sobre a Política Nacional do Meio Ambiente, seus fins
e mecanismos de formulação e aplicação, e dá outras providências. Presidência da República, 1981. Disponível
em: http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/L6938.htm. Acesso em: 2 abr. 2019.

BRASIL. Lei nº 8.171, de 17 de janeiro de 1991. Dispõe sobre a política agrícola. Presidência da República,
1991. Disponível em: http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/L8171.htm. Acesso em: 2 abr. 2019.

BRASIL. Lei nº 9.433, de 8 de janeiro de 1997. Institui a Política Nacional de Recursos Hídricos, cria o Sistema
Nacional de Gerenciamento de Recursos Hídricos, regulamenta o inciso XIX do art. 21 da Constituição Federal, e
altera o art. 1º da Lei nº 8.001, de 13 de março de 1990, que modificou a Lei nº 7.990, de 28 de dezembro de 1989.
Presidência da República, 1997. Disponível em: http://www.mma.gov.br/port/conama/legiabre.cfm?codlegi=370.
Acesso em: 2 abr. 2019.

BRASIL. Lei nº 9.605, de 12 de fevereiro de 1998. Dispõe sobre as sanções penais e administrativas derivadas
de condutas e atividades lesivas ao meio ambiente, e dá outras providências. Presidência da República, 1998.
Disponível em: http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/L9605.htm. Acesso em: 2 abr. 2019.

BRASIL. Senir. Ministério do Meio Ambiente. Disponível em: http://sinir.gov.br/web/guest/logistica-reversa.


Acesso em: 2 abr. 2019.

210
BRASIL. Lei nº 12.305, de 2 de agosto de 2010. Institui a Política Nacional de Resíduos Sólidos; altera a Lei
no 9.605, de 12 de fevereiro de 1998; e dá outras providências. Presidência da República, 2010. Disponível em:
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2007-2010/2010/lei/l12305.htm. Acesso em: 2 abr. 2019.

CONAMA. Resolução nº 001, de 23 de janeiro de 1986. Ministério do Meio Ambiente, 1986. Disponível em:
http://www2.mma.gov.br/port/conama/res/res86/res0186.html. Acesso em: 02 abr. 2019.

CONAMA. Resolução nº 237, de 19 de dezembro de 1997. Ministério do Meio Ambiente, 1997. Disponível
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DIAS, R. Gestão Ambiental. 3. ed. São Paulo: Atlas, 2017.

FIRJAN. Manual de Licenciamento ambiental: guia de procedimentos passo a passo. Rio de Janeiro: GMA,
2004. Disponível em: http://www.mma.gov.br/estruturas/sqa_pnla/_arquivos/cart_sebrae.pdf. Acesso em: 2
abr. 2019.

TCU. Cartilha de Licenciamento Ambiental. 2. ed. Brasília: TCU, 4ª Secretaria de Controle Externo, 2007.

TESTA, M. (org.). Legislação ambiental e do trabalhador. São Paulo: Pearson, 2015.

REFERÊNCIA ON-LINE
1
Em: https://www.ecycle.com.br/component/content/article/67-dia-a-dia/3705-o-que-e-politica-nacional-de-
residuos-solidos-pnrs-urbanos-descartes-danos-saude-meio-ambiente-qualidade-vida-reciclagem-consumo-
instrumento-responsabilidade-produto-metas-lixoes.html. Acesso em: 2 abr. 2019.

211
1. B.

2. D.

3. A licença prévia é a licença que precisa ser solicitada na fase preliminar de planejamento da atividade, deve
conter os requisitos básicos a serem atendidos nas fases de localização, instalação e operação, observados
os planos municipais, estaduais e federais de uso do solo (CONAMA, 1997). Seu objetivo é definir as con-
dições a partir das quais o projeto se torne compatível com a preservação do meio que afetará. Consiste
no compromisso que o empreendedor assume de que irá seguir o projeto, de acordo com os requisitos
determinados pelo órgão ambiental (TCU, 2007).

A licença de instalação é a autorização para o início da implantação, de acordo com as especificações


constantes no projeto executivo aprovado. O início da instalação do empreendimento ou da atividade só
deve acontecer depois da expedição da licença de instalação.

A licença de operação autoriza, após as verificações necessárias, o início da atividade licenciada e o fun-
cionamento de seus equipamentos de controle da poluição, de acordo com o previsto na licença prévia e
de instalação (CONAMA, 1997).

212
213
214
Esp. João Marcos Pardo
Me. Gustavo Affonso Pisano Mateus
Me. Renata Cristina de Souza Chatalov

Gestão Ambiental -
Certificação e Auditoria
Ambiental

PLANO DE ESTUDOS

Auditoria Ambiental

A Gestão Ambiental Produção Mais Limpa (P+L) e outros


de Empresas Modelos de Gestão Ambiental

OBJETIVOS DE APRENDIZAGEM

• Conceituar Gestão Ambiental Empresarial e suas diferen- • Conceituar P+L como ferramenta de Gestão Ambiental e
tes abordagens. apresentar os modelos TQM, Ecoeficiência e Ecodesign.
• Definir Auditoria Ambiental e conceituar as normas vigentes.
A Gestão Ambiental
de Empresas

Olá, aluno(a)! Em nossa última unidade, vamos


falar sobre a importância da gestão ambiental para
as organizações.
Trabalharemos com as abordagens da questão
ambiental, sendo a primeira o controle da polui-
ção, que consiste apenas em impedir os efeitos da
poluição ocasionados por determinado proces-
so produtivo. A segunda abordagem trata-se da
prevenção da poluição, que envolve ações orga-
nizacionais, buscando evitar, reduzir e modificar
a geração da poluição. A terceira abordagem é a
abordagem estratégica, na qual os problemas am-
bientais são vistos como uma questão estratégica
pela organização.
Nesta unidade, definiremos auditoria ambien-
tal, apresentando os diferentes tipos de auditorias
ambientais e a auditoria ambiental mediante a
norma ISO 19011:2012. Abordaremos, também,
as vantagens competitivas que uma empresa am-
bientalmente certificada obtém no mercado e, ao
mesmo tempo, as dificuldades em se conseguir
uma certificação.
Finalizaremos falando sobre a produção mais
limpa, seus aspectos, aplicações e importância
para as organizações, bem como outros modelos
de gestão ambiental.
Gestão Ambiental tenso debate entre os membros
da comunidade científica e ar-
Agora que já estudamos as legislações ambientais pertinentes, co- tística para delimitar as áreas
nheceremos um pouco sobre a gestão ambiental e suas formas de do ambiente natural a serem
gestão dentro de uma empresa. Segundo Campos (2001, p. 116), a protegidas e foram criados san-
gestão ambiental é definida como sendo: tuários onde a vida selvagem

““
pudesse ser preservada.
[...]a administração do uso dos recursos ambientais, por meio Assim, a questão ambiental
de ações ou medidas econômicas, investimentos e potenciais era restrita a pequenos grupos
institucionais e jurídicos, com a finalidade de manter ou recu- de políticos e cientistas e foi se
perar a qualidade de recursos e desenvolvimento social. Dessa espalhando devido ao grau de
maneira, temos uma sociedade e empresas mais preocupadas e deterioração que o meio am-
conscientes de suas responsabilidades frente à exploração dos re- biente estava sofrendo. Apre-
cursos naturais, assim, surgiu a necessidade de uma gestão mais sentamos alguns marcos das
especializada, com uma visão estratégica no que diz respeito à questões ambientais em âmbi-
exploração dos recursos de maneira mais racional. to mundial na Unidade 1 deste
livro. Esses marcos indicam a
Dessa forma, podemos afirmar que a gestão ambiental iniciou a crescente preocupação com o
partir da necessidade de o homem organizar sua maneira de rela- meio ambiente e exigiu das or-
cionar-se com o meio ambiente. De acordo com Valle (2002, p. 39), ganizações uma postura mais
a gestão ambiental consiste em: proativa nesse assunto.

““
[...] um conjunto de medidas e procedimentos definidos e
adequadamente aplicados que visam reduzir e controlar os Abordagens da
impactos introduzidos por um empreendimento sobre o Gestão Ambiental
meio ambiente.
Existem três diferentes aborda-
Para Barbieri (2016, p. 18), a gestão ambiental: gens de que as empresas podem

““
se valer para lidarem com pro-
[...] compreende as diretrizes e as atividades administrativas blemas ambientais: de controle
realizadas por uma organização para alcançar efeitos positivos da poluição, de prevenção da
sobre o meio ambiente, ou seja, para reduzir, eliminar ou com- poluição e estratégica. O Con-
pensar os problemas ambientais decorrentes da sua atuação e trole da poluição, para Barbie-
evitar que outros ocorram no futuro. ri (2016), é caracterizado por
práticas administrativas e ope-
As ações para combater a poluição começaram a ser efetivadas racionais, que têm por intuito
somente a partir da Revolução Industrial. De acordo com Barbieri impedir os efeitos da poluição
(2016), desde a Antiguidade diversas experiências já foram tenta- gerada por certo processo pro-
das, com o intuito de retirar o lixo urbano que se alastrava ruas e dutivo. Aqui, as ações ambien-
cidades, prejudicando o meio ambiente e a saúde dos habitantes. tais são resultantes de uma pos-
Na segunda metade do século XIX, começou também um in- tura reativa da organização.

UNIDADE 9 217
Figura 1 - Planta de tratamento de efluentes

As soluções tecnológicas buscam controlar a po- tratamento e disposição final. Na abordagem es-
luição gerada sem alterar seus processos produ- tratégica, os problemas ambientais são tratados
tivos, tendo dois tipos: tecnologia de remediação como uma das questões estratégicas da empresa,
e controle no final do processo (end-of-pipe). A relacionadas com a busca de uma situação vanta-
tecnologia de remediação procura resolver pro- josa no futuro, tais como lucratividade, melhoria
blemas que já ocorreram, como tecnologia para na imagem no mercado, entre outros. Para Bar-
remediação de um solo contaminado, enquan- bieri (2016), a gestão ambiental traz os benefícios
to as tecnologias end-of-pipe (ou fim de tubo) estratégicos:
procuram captar e tratar a poluição resultante de a) melhoria da imagem institucional;
seus processos produtivos, como, por exemplo, b) renovação do portfólio de produtos;
uma chaminé ou uma planta de tratamento de c) aumento da produtividade;
efluentes (Figura 1). d) maior comprometimento dos funcioná-
A prevenção da poluição envolve ações em- rios e melhores relações do trabalho;
presariais que buscam atuar sobre os produtos e) criatividade e abertura para novos desa-
e processos produtivos com o intuito de evitar, fios;
reduzir e modificar a geração da poluição, isso f) melhores relações com autoridades pú-
requer mudanças em processos produtivos, a fim blicas, comunidade e grupos ambientais
de reduzir ou eliminar os rejeitos na fonte, isto é, ativistas;
antes que eles sejam produzidos e lançados ao g) acesso assegurado aos mercados externos;
ambiente. Suas prioridades são: reduzir na fonte, h) mais facilidade para cumprir os padrões
reciclagem (ou reuso), recuperação energética, ambientais (BARBIERI, 2016, p. 90).

218 Gestão Ambiental - Certificação e Auditoria Ambiental


O Quadro 1 resume as abordagens da gestão ambiental empresarial:
Quadro 1 - Abordagens da gestão ambiental empresarial
CARACTERÍSTICAS ABORDAGEM DO ABORDAGEM DA ABORDAGEM
CONTROLE DA POLUIÇÃO POLUIÇÃO ESTRATÉGICA
Preocupação Cumprir legislação e Uso eficiente dos Competitividade.
Básica respostas às pressões da insumos.
comunidade.
Postura Reativa. Reativa e proativa. Reativa e proativa.
Ações Típicas Corretivas; uso de tecno- Corretivas e preven- Corretivas, preventi-
logias de remediação e fim tivas; conservação vas e antecipatórias.
de tubo; aplicações de nor- e substituição de
mas de saúde e segurança insumos; tecnologias
do trabalho. limpas.
Percepção dos Custo adicional. Redução do custo; Vantagens competi-
Empresários aumento de produti- tivas.
vidade.
Envolvimento da Esporádico. Periódico. Permanente e siste-
alta administração mático.
Áreas envolvidas Áreas geradoras da poluição. Crescente envol- Atividades ambientais
vimento de outras disseminadas pela or-
áreas, como pro- ganização; ampliação
dução, compras, das ações ambientais
desenvolvimento de para a cadeia de
produto e marketing. suprimentos.
Fonte: Barbieri (2016, p. 86).

Tenha sua dose extra de conhecimento assistindo ao vídeo. Para acessar, use
seu leitor de QR Code.

UNIDADE 9 219
Auditoria
Ambiental

Auditoria ambiental trata-se de uma atividade


administrativa e documentada que compreende
uma sistemática avaliação de como a organiza-
ção se encontra em relação à questão ambiental,
e visa facilitar a atuação e o controle da gestão
ambiental da empresa.
(Clauciana Schimidt Bueno de Moraes)

Os critérios para realização de auditoria ambien-


tal devem ser realizados com base na ISO NBR
14.001 e também na resolução do CONAMA
306/2002, que estabelecem os requisitos míni-
mos e o termo de referência para realização de
auditorias ambientais.

Normas da Família ISO 14.000

Agora que vimos as formas de gestão ambiental,


veremos como funciona a certificação e a auditoria
ambiental, especialmente a partir da ISO 14.000.
As normas ISO 14.000 são uma família de normas que procuram estabelecer ferramentas e sistemas
para gestão ambiental de uma organização, buscam a padronização de algumas ferramentas-chave
de análise, tais como a auditoria ambiental e a análise do ciclo de vida.

O Quadro 2 apresenta as normas da família ISO 14.000:


Quadro 2 - Família ISO 14.000
NORMA ISO DESCRIÇÃO
14.001 Sistema de Gestão Ambiental (SGA) – Requisitos com orientações para uso
14.004 Sistema de Gestão Ambiental - Diretrizes Gerais para a implementação
14.010 Guias para Auditoria Ambiental - Diretrizes Gerais
14.011 Diretrizes para Auditoria Ambiental e Procedimentos para Auditorias
14.012 Diretrizes para Auditoria Ambiental - Critérios de Qualificação
14.020 Rotulagem Ambiental - Princípios Básicos
14.021 Rotulagem Ambiental - Termos e Definições
14.022 Rotulagem Ambiental - Simbologia para Rótulos
14.023 Rotulagem Ambiental - Testes e Metodologias de Verificação
14.024 Rotulagem Ambiental - Guia para Certificação com Base em Análise Multicriterial
14.031 Avaliação da Performance Ambiental
14.032 Avaliação da Performance Ambiental dos Sistemas de Operações
14.040 Análise do Ciclo de Vida - Princípios Gerais
14.041 Análise do Ciclo de Vida - Inventário
14.042 Análise do Ciclo de Vida - Análise dos Impactos
14.043 Análise do Ciclo de Vida - Migração dos Impactos
Fonte: ABNT (2015).

A principal norma da família ISO 14.000 é a ISO 14.001, que estabelece os requisitos necessários para
implementação do Sistema de Gestão Ambiental (SGA). Ela tem por objetivo gerir a organização den-
tro de um SGA certificável, estruturado e integrado à atividade geral de gestão, buscando apresentar
requisitos que sejam aplicáveis a qualquer tipo e tamanho de organização (SEIFFERT, 2011). Segundo
Barbieri (2016), de forma sucinta, o SGA proposto deve cumprir estes requisitos:
• Política Ambiental.
• Planejamento.
• Implementação e Operação.
• Verificação e Ação Corretiva.

UNIDADE 9 221
No que diz respeito à Política Ambiental, é pre- portes e segmentos. É uma norma aplicável para
ciso que a alta administração defina sua política empresas que desejam:



ambiental e assegure que ela (ABNT, 2015, p. 8):



- Implantar, manter e aprimorar um sistema
- seja apropriada à natureza, à escala e aos im- de gestão ambiental.
pactos ambientais de suas atividades, produtos - Assegurar-se do atendimento à sua política
ou serviços; ambiental.
- inclua o comprometimento com a melhoria - Demonstrar tal conformidade a terceiros.
contínua e com a prevenção da poluição; - Buscar certificação/registro de seu SGA
- inclua o comprometimento com o atendi- por uma organização externa.
mento à legislação, às normas ambientais apli- - Realizar auto-avaliação e emitir declaração
cáveis e aos demais requisitos da organização; de conformidade à norma (ROBLES JR.,
- forneça estrutura para o estabelecimento e a 2003, p. 136).
revisão dos objetivos e das metas ambientais;
- seja documentada, implementada, mantida e A primeira edição da ISO 14.001 foi no ano de
comunicada a todos os colaboradores; 1996, a segunda edição em 2004, quando se bus-
esteja disponível para o público. cou esclarecer a edição de 1996 e alinhá-la me-
lhor com a norma ISO 9.001:2000. Com isso, al-
O Sistema de Gestão Ambiental (SGA) pode ser gumas seções não modificadas em seu conteúdo
criado e implementado para alcançar diversos foram reescritas para alinhar à ISO 14.001:2004
objetivos. A norma ISO 14.001 pode ser aplicada com o formato, os termos e a diagramação da
a qualquer organização que deseja (DIAS, 2017): ISO 9.001:2000 e para aumentar a compatibi-
• Estabelecer, implementar e aprimorar um lidade entre as duas normas (SEIFFERT, 2011).
SGA.
• Assegurar sua conformidade com a Polí-
tica Ambiental. ISO 14.001:2015
• Demonstrar conformidade com essa
norma ao fazer uma autodeclaração ou Após onze anos da publicação da última revisão
autoafirmação; buscar confirmação da da norma ISO 14.001 (em 2004), no segundo
sua conformidade por partes interessa- semestre de 2015, ocorreu o lançamento oficial
das na organização; buscar confirmação da ISO 14.001:2015, que estabelece os requisitos
de sua autodeclaração por meio de uma para implementação e certificação do Sistema de
organização externa; buscar certificação Gestão Ambiental (SGA). Essa nova versão teve
ou registro de seu SGA por uma organi- várias modificações que ocorreram para adaptar
zação externa. a norma de acordo com a estrutura do Anexo SL,
que tem por intuito criar uma estrutura padrão
A ISO 14.001 pode ser implementada e aplica- para todas as normas que orientam a implanta-
da por qualquer tipo de organização de todos os ção e a certificação dos sistemas de gestão.

222 Gestão Ambiental - Certificação e Auditoria Ambiental


O prazo final para transição das empresas que têm a certificação ISO 14.001:2004 foi até o final de 2018.
As empresas certificadas pela versão de 2004, da ISO 14.001, precisaram fazer a transição em 2018.

Dessa maneira, de acordo com a A Figura 2 apresenta a estrutura da norma ISO 14.001:2015 inte-
ABNT (2015), a nova estrutura grada ao ciclo PDCA:
da ISO 14.001, também propos-
ta no anexo SL, é:
• Introdução.
• Escopo.
• Referência normativa.
• Termos e definições.
• Contexto da organização.
• Liderança.
• Planejamento.
• Apoio.
• Operação.
• Avaliação de desempe-
nho.
• Melhoria.

Essa estrutura da nova versão é


a mesma ISO 9.001 que aborda
o Sistema de Gestão de Qua-
lidade (SGQ). A estrutura que
sustenta um SGA é baseada no
Figura 2 - Modelo do Sistema de Gestão Ambiental
ciclo PDCA (Plan-Do-Check- Fonte: Carpinetti e Gerolamo (2016, p. 159).
-Act). O ciclo PDCA fornece
um processo interativo utili- A Estrutura de Alto Nível distribui as cláusulas em 10 seções (ou
zado pelas organizações para seja, em 10 itens), alinhadas com a abordagem PDCA (Figura 2), de
alcançar a melhoria contínua. modo a dar sequência lógica aos requisitos dos sistemas de gestão e
Esse ciclo pode ser aplicado a propõe texto comum para requisitos muito estáveis dos sistemas de
um sistema de gestão ambiental gestão, tais como a informação documentada, as ações corretivas,
e a cada um dos seus elemen- as auditorias internas, a revisão pela gestão, dentre outros. Assim, a
tos individuais (ABNT, 2015). nova versão da ISO 14.001 tem a estrutura apresentada no Quadro 3.

UNIDADE 9 223
Quadro 3 - Estrutura da Norma ISO 14.001:2015
0. Introdução
1. Escopo
2. Referências normativas
3. Termos e definições
4. Contexto da organização
4.1 Entendendo a organização e seu contexto
4.2 Entendendo as necessidades e as expectativas de partes interessadas.
4.3 Determinando o escopo do sistema de gestão ambiental (SGA).
4.4 Sistema de Gestão Ambiental
5. Liderança
5.1 Liderança e comprometimento
5.2 Política ambiental
5.3 Papéis, responsabilidades e autoridades organizacionais
6. Planejamento
6.1 Ações para abordar riscos e oportunidades
6.1.1 Generalidades
6.1.2 Aspectos ambientais
6.1.3 Requisitos legais e outros requisitos
6.1.4 Planejamento das ações
PLANEJAR
6.2 Objetivos ambientais e planejamento para alcançá-los
6.2.1 Objetivos ambientais
6.2.2 Planejamento de ações para alcançar os objetivos ambientais
7. Apoio
7.1 Recursos
7.2 Competência
7.3 Conscientização
7.4 Comunicação
7.4.1 Generalidades
7.4.2 Comunicação interna
7.4.3 Comunicação externa
7.5 Informação documentada
7.5.1 Generalidades
7.5.2 Criando e atualizando
7.5.3 Controle de informação documentada

224 Gestão Ambiental - Certificação e Auditoria Ambiental


8. Operação
EXECUTAR 8.1 Planejamento e controle operacionais
8.2 Preparação e resposta a emergências
9. Avaliação de desempenho
9.1 Monitoramento, medição, análise e avaliação
9.1.1 Generalidades
9.1.2 Avaliação do atendimento aos requisitos legais e outros requisitos
AVALIAR
9.2 Auditoria Interna
9.2.1 Generalidades
9.2.2 Programa de auditoria interna
9.3 Análise crítica pela direção
10. Melhoria
10.1 Generalidades
AGIR
10.2 Não conformidade e ação corretiva
10.3 Melhoria contínua
Fonte: adaptado de ABNT (2015).

Tipos de Auditorias Ambientais

Quanto aos tipos, as auditorias ambientais po- A auditoria Sistema de Gestão Ambiental
dem ser: de conformidade legal, due diligence, (SGA): é aquela auditoria realizada em orga-
auditoria pós-acidente, auditoria de fornecedor nizações que possuem ou estejam implemen-
e auditoria focada em questões específicas, que tando um SGA, de acordo com a ISO 14001.
serão especificadas a seguir. Ela é utilizada para determinar se as atividades
A auditoria de conformidade legal tem por de gestão ambiental da organização estão em
intuito verificar o cumprimento da legislação am- conformidade com a documentação do sistema
biental e correlata aplicável à organização. É pos- e se as práticas são implementadas de acordo
sível que incluam avaliações de diferentes origens, com o planejamento ambiental e com a políti-
tais como: exigências legais atuais ou futuras, nor- ca ambiental da organização. Essas auditorias
mas e diretrizes dos setores industriais, políticas podem ser de quatro tipos, segundo Pugliesi e
ambientais e normas internas, melhores práticas Moraes (2014):
ambientais e outros (PUGLIESI; MORAES, 2014). • Auditoria pré-certificação ou auditoria
A auditoria due diligence (devido cuidado) inicial: tem por objetivo ajustar o sistema
tem um caráter reativo, uma vez que as primeiras antes da auditoria de certificação e não é
normas legais quase sempre eram do tipo coman- obrigatória.
do e controle (BARBIEIRI, 2016). Seu principal • Auditoria de certificação: obrigatória
intuito é evitar assumir responsabilidades por ris- em processos de certificação do SGA, o
cos ambientais em potencial ou por algum tipo de resultado é a recomendação, ou não, da
passivo ambiental (PUGLIESI; MORAES, 2014). certificação do sistema.

UNIDADE 9 225
• Auditoria de manutenção: é realizada, As auditorias focadas em questões ambien-
semestral ou anualmente, entre a auditoria tais, para Barbieri (2016), são específicas e utili-
de certificação e a recertificação. zadas para detectar problemas e oportunidades
• Auditoria de recertificação: ocorre três em áreas ou atividades, a saber:
anos após a auditoria de certificação para • Fontes de controle de poluição.
renovação do certificado, apresenta maior • Uso de energia.
nível de exigência, pois busca a consolida- • Pesquisas e desenvolvimento.
ção do SGA no período avaliado. • Uso, armazenagem, manuseio, transporte
de produtos controlados.
A auditoria pós-acidente tem por objetivo • Subprodutos e desperdícios.
verificar se os procedimentos para evitar emer- • Sítios contaminados.
gências ou acidentes ambientais foram seguidos • Estações de tratamento de águas residuárias.
de acordo com normas e manuais apropriados • Reformas e manutenções de prédios e ins-
(BARBIERI, 2016). talações.
A auditoria de fornecedor é utilizada em • Panes, acidentes e medidas de emergência.
processos de seleção e avaliação de fornecedores. • Saúde ocupacional e segurança do trabalho.

O Quadro 4 apresenta os tipos de auditorias ambientais, bem como exemplos:


Quadro 4 - Tipos de auditorias ambientais
TIPO DA AUDITORIA OBJETIVO PRINCIPAIS INSTRUMENTOS DE REFERÊNCIA
Conformidade Legal Verificar o grau de conformi- Legislação ambiental, licenças e processos
dade com a legislação am- de licenciamento; termos de ajustamento.
biental.
Due diligence Verificar a responsabilidade Legislação ambiental, trabalhista, civil e ou-
de uma empresa perante tras; contrato social; títulos de propriedade
acionistas, credores, forne- e certidões negativas.
cedores, clientes, governos
e outras partes interessadas.
Pós-acidente Verificar as causas do aci- Legislação ambiental e trabalhista; normas
dente, identificar as res- técnicas; plano de emergência; normas da
ponsabilidades e avaliar os organização; programas de treinamento.
danos.
Fornecedor Avaliar o desempenho do Legislação ambiental; acordos voluntários
fornecedor atual e também subscritos; normas técnicas; normas da
para seleção de novos for- própria empresa; licenças, certificações e
necedores. premiações.
Questões específicas Verificar a ocorrência de pro- Legislação ambiental; acordos voluntários
blemas ambientais específi- subscritos; normas técnicas; especificações
cos e localizados. dos fabricantes.
SGA Avaliar o SGA, seu grau de Normas que especificam SGA (ISO 14001),
conformidade com os requi- legislação aplicável, requisitos de partes inte-
sitos e a política da empresa. ressadas, informação documentada do SGA;
critérios de auditoria do SGA.
Fonte: Barbieri (2016, p. 171).

226 Gestão Ambiental - Certificação e Auditoria Ambiental


Auditoria Ambiental de É importante entendermos que as auditorias in-
Acordo com a NBR 19.011 ternas (também denominadas de primeira parte)
podem ser feitas pela própria organização, com o
A Norma Técnica 19.011 (ABNT, 2012) consis- objetivo de analisar como está o sistema de ges-
te nas Diretrizes para Auditorias de Sistemas de tão ou com o intuito de obter informações para
Gestão. Essa norma tem como escopo fornecer melhorá-lo. De acordo com a ABNT (2012), as
as orientações acerca das auditorias de sistemas auditorias internas podem formar a base para
de gestão. Nela, estão incluídos os princípios de uma autodeclaração de conformidade da orga-
auditoria, a gestão de um programa de auditoria, nização. A norma também nos apresenta concei-
a realização de auditorias de sistema de gestão, tos de auditorias externas, em que estão incluídas
assim como orientação acerca da avaliação da auditorias de segunda e terceira parte.
competência de pessoas envolvidas no processo Auditorias de segunda parte são realizadas por
de auditoria, incluindo a pessoa que gerencia o partes que apresentam algum interesse na orga-
programa, os auditores e a equipe de auditoria. nização, por exemplo clientes ou outras pessoas
A ISO 19.011:2012 não estabelece requisitos, em seu nome. As auditorias de terceira parte são
entretanto, oferece as diretrizes a respeito da gestão realizadas por organizações de auditoria indepen-
de um programa de auditoria, do planejamento dentes, tais como organismos de regulamentação
e da realização de uma auditoria de sistema de ou organismos de certificação (ABNT, 2012).
gestão, bem como da competência e da avaliação Existe, ainda, a auditoria combinada, que se
de um auditor e de uma equipe auditora (ABNT, forma quando dois ou mais sistemas de gestão
2012). Essa norma pode ser aplicável a qualquer de disciplinas diferentes, por exemplo, qualidade,
tipo de organização que necessita realizar audito- meio ambiente, segurança e saúde ocupacional,
rias internas e/ou externas de sistemas de gestão são auditados juntos e quando duas ou mais or-
ou gerenciar um programa de auditoria. A ABNT ganizações de auditoria cooperam para auditar
(2012) define auditoria como sendo um único auditado, isso é chamado de auditoria

““
conjunta (ABNT, 2012).
processo sistemático, documentado e inde-
pendente para obter evidência de auditoria
e avaliá-las, objetivamente, para determinar Certificação
a extensão na qual os critérios da auditoria
são atendidos (ABNT, 2012, p. 6). A autodeclaração de conformidade é realizada por
De acordo com a norma ABNT NBR ISO meio de avaliações que são conduzidas pela própria
19.011:2012, temos: organização que criou o SGA ou por uma organi-
• Evidência de auditoria: registros, apre- zação externa em seu nome (BARBIERI, 2016).
sentação de fatos ou outras informações A certificação é o procedimento em que
pertinentes aos critérios de auditoria e uma terceira parte garante por escrito que o
verificáveis. SGA está em conformidade com os requisitos
• Critério de auditoria: conjunto de polí- especificados; a terceira parte é a pessoa ou o
ticas, procedimentos ou requisitos usados organismo reconhecida como independente das
como uma referência na qual a evidência partes envolvidas no que se refere a um dado
de auditoria é comparada. assunto. O registro é o procedimento pelo qual

UNIDADE 9 227
um organismo indica as características perti- • Contribuir para eliminar as barreiras
nentes de um produto, processo ou serviço, ou técnicas.
as características particulares de um organismo • Papel importante nos processos de pro-
ou pessoa, em lista apropriada e disponível ao dução e distribuição, podendo facilitar o
público (ABNT, 2015). comércio internacional.
O SGA pode ser certificado por organizações • Aumentar a visibilidade no mercado na-
que estão relacionadas com ele em seu ambiente cional e internacional.
de negócio, por exemplo, bancos, clientes e outros • Facilitar o acompanhamento da legislação
agentes financeiros. Também é possível que a orga- e busca da conformidade legal.
nização cliente avalie o SGA dos seus fornecedores • Simplificar e uniformizar procedimentos
(DIAS, 2017). Barbieri (2016) analisa que, em situa- administrativos e operacionais.
ções práticas, a preferência das organizações são cer- • Consolidar a credibilidade junto a clientes,
tificações de terceira parte por empresas acreditadas. fornecedores e colaboradores.
O Organismo de Certificação Credenciado
(OCC) tem que atender a critérios previamente No que diz respeito às dificuldades que as orga-
estabelecidos em documentos normativos esta- nizações têm para a certificação pela ISO 14.001,
belecidos pelo órgão governamental competente. Barbieri (2016) apresenta as seguintes:
Cada país tem esquemas próprios para acreditar e • Alto custo que representa para micro e pe-
controlar as atividades de certificação de terceira quenas empresas.
parte, embora haja amplo esforço internacional • Desprendimento de capital para a área am-
para harmonizar critérios e procedimentos, tendo biental.
à frente a ISO, a International Electrotechnical • Relacionamento com os órgãos ambientais.
Commision (IEC) e o International Accreditation • Estruturação do setor ambiental na em-
Forum (IAF) (DIAS, 2017). presa.
A acreditação consiste no reconhecimento for-
mal por parte do órgão governamental competente
de um organismo, pessoa ou organização que aten-
de aos requisitos previamente definidos por leis e
regulamentos para realizar atividades específicas de
modo confiável. Um desses requisitos é a indepen- Veja a reportagem do portal GoingGreen
dência dos organismos acreditados, o que impede sobre Savona, na Itália. Essa cidade recebeu,
que eles sejam contratados para auxiliar a organiza- recentemente, o selo LEED para cidades
ção em relação ao objeto da certificação, com vistas sustentáveis, tornando-se a terceira cidade no
a facilitar a avaliação da conformidade (ONA, 2017, mundo a possuir essa certificação. Uma cidade
on-line)1. Os principais objetivos de certificar um inteira pode receber um selo de certificação
SGA pela ISO 14.001 são (DIAS, 2017): ambiental? O que foi feito em termos de gestão
• Uma organização que tem um SGA imple- ambiental para alcançar esse importante alvo?
mentado e certificado poderá equilibrar e Disponível em: http://goinggreen.com.
integrar interesses econômicos e ambien- br/2018/05/24/leed-for-cities-savona-na-italia-
tais e alcançar vantagens competitivas sig- conquista-certificacao/.
nificativas.

228 Gestão Ambiental - Certificação e Auditoria Ambiental


Produção Mais Limpa
(P+L) e Outros Modelos
de Gestão Ambiental

P+L

Durante o ano de 1989, o Programa das Nações


Unidas para o Meio Ambiente (PNUMA) intro-
duziu o conceito de produção mais limpa para
definir a aplicação contínua de uma estratégia
ambiental preventiva e integral que envolve pro-
cessos, produtos e serviços, de maneira que se
previnam ou reduzam os riscos de curto ou lon-
go prazo para o ser humano e o meio ambiente
(DIAS, 2017). A produção mais limpa (P+L) adota
os seguintes procedimentos:
• Processos de produção: conservando
as matérias-primas e energia, eliminando
aquelas que são tóxicas, bem como redu-
zindo a quantidade e a toxicidade de todas
as emissões e resíduos.
• Produtos: buscando reduzir os impactos
ambientais negativos ao longo do ciclo de
vida do produto, desde a extração da ma-
téria-prima até a disposição final.
• Serviços: incorporando as preocupações
ambientais no projeto e fornecimento de
serviços.

UNIDADE 9 229
Além disso, podemos definir como sendo uma estratégia ambiental, organização do local de
de caráter preventivo, que é aplicada a processos, produtos e serviços trabalho, limpeza, manu-
empresariais, com o intuito de utilizar eficientemente os recursos e tenção de equipamentos,
diminuir o impacto no meio ambiente (DIAS, 2017). providências para evitar
Para o CNTL (1999), a produção mais limpa é uma aplicação acidentes nos desloca-
contínua de uma estratégia ambiental, econômica e tecnológica, que mentos de materiais,
está integrada aos processos e produtos, com o intuito de aumentar coleta e separação de re-
a eficiência no uso de matérias-primas, energia e água, por meio síduos, padronização de
da não geração, minimização ou reciclagem de resíduos gerados. atividades, elaboração e
A Figura 3 apresenta os níveis de P+L. atualização de manuais,
fichas técnicas, treina-
mento e outros.
• Substituição de mate-
Minimização Reúso de
de resíduos resíduos e riais: avaliação e seleção
e emissões emissões
de materiais para redu-
Nível 1 Nível 2 Nível 3
zir ou eliminar materiais
perigosos nos processos
Redução na fonte Reciclagem produtivos ou na gera-
interna Reciclagem Ciclo
externa biogênicos ção de resíduos perigo-
sos, por exemplo, subs-
Modificação Modificação
do produto do processo Estruturas tituir solventes químicos
por solventes à base de
Housekeeping
(boas práticas) Materiais água, selecionar maté-
rias-primas e materiais
Substituição auxiliares que gerem
de materiais
menos resíduos.
Mudanças
• Mudanças na tecnologia:
de tecnologia
inovações nos processos
Figura 3 - P+L - Níveis de intervenção produtivos para redu-
Fonte: adaptada de Barbieri (2016). zir emissões e perdas,
Podemos observar, na Figura 4, que as alternativas do nível 1, que podendo ser inovações
constituem a prioridade máxima, envolvem modificações em pro- incrementais, como mu-
cessos e produtos, com o intuito de reduzir emissões e resíduos na danças nas especificações
fonte, bem como para eliminar e reduzir sua toxicidade. Para Barbieri do processo ou no layout,
(2016), essas modificações ocorrem mediante revisões de suas espe- ou radicais, como novos
cificações para reduzir geração de resíduos, realizadas por meio de: equipamentos, instala-
• Boas práticas operacionais (housekeeping): procedimen- ções e outros componen-
tos administrativos e operacionais usuais, como planeja- tes do processo (BAR-
mento e programação da produção, gestão de estoques, BIERI, 2016, p. 100).

230 Gestão Ambiental - Certificação e Auditoria Ambiental


Emissões e ruídos que continuam Administração da
sendo gerados nos processos de- Qualidade Total (TQM)
vem ser reutilizados internamen-
te, como apresentado no nível 2. No ano de 1990, 21 empresas multinacionais formaram a Global
Já no nível 3, quando não existe Environmental Management Initiative (Gemi), que criou o con-
a possibilidade do resíduo ou da ceito de Total Quality Environmental Management (TQEM),
emissão ser utilizado na própria uma extensão dos conceitos da Administração da Qualidade Total
unidade produtiva que o gerou, (TQM). A Administração da Qualidade Total (TQM) tem como
pode ser feita a reciclagem exter- meta o defeito zero, e a Administração da Qualidade Ambiental
na, por meio de doações ou venda. Total tem como meta a poluição zero. Para alcançar seus objetivos
Caso isso ainda não seja possível, ambientais, a TQEM utiliza ferramentas típicas da qualidade, como
podem ser tratados para serem diagrama de causa e efeito, benchmarking, diagramas de fluxos
assimilados no meio ambiente, de processos, gráfico de Pareto e ciclo PDCA (BARBIERI, 2016).
como a compostagem (ciclos Veja no Quadro 5.
biogênicos) (BARBIERI, 2016).

Quadro 5 - Ferramentas da qualidade


FERRAMENTA DESCRIÇÃO
Ciclo PDCA Do inglês plan, do, check, act, propõe a análise dos processos com
vistas à sua melhoria.
Diagrama de causa e efeito Sua representação é comparada a uma espinha de peixe, em que,
na coluna do meio, sinalizada por uma seta, é representado o efeito
ou a consequência, e, na parte lateral, acima e abaixo da seta, estão
as causas que interferem no processo.
Gráfico de Pareto Pode ser utilizado para classificar causas que atuam em um pro-
cesso com maior ou menor intensidade ou, ainda, com diferentes
níveis de importância.
Lista de verificação (checklist) É um método pelo qual se faz a constatação de quantas vezes
algo ocorre e mostra a frequência de sua ocorrência. Também é
conhecida como folha de checagem. É uma das ferramentas mais
simples e mais eficientes para analisar o desenvolvimento de ati-
vidades ao longo de um processo.
Gráficos de controle Buscam trabalhar com as variações de um processo e estão res-
tritos a áreas determinadas do processo. Como regra geral, os
gráficos de controle são instrumentos para separar causas alea-
tórias das causas assinaláveis, verificam se o processo é estável,
se o processo está sob controle e se permanecem assim e, ainda,
permitem a análise das tendências do processo.
Fonte: Carvalho e Paladini (2012, p. 358).

Os custos de prevenção estão associados a ações para evitar problemas ambientais futuros. Os custos
de avaliação consistem nas ações para verificar como a organização está em relação aos cumprimentos
das normas legais. Os custos de falhas internas estão relacionados às ações para controle de impactos
ambientais, já os custos de falhas externas relacionam-se às ações para controlar, reparar e mitigar
impactos produzidos fora da empresa (DIAS, 2017).

UNIDADE 9 231
Ecoeficiência • Reconhecerem a diversidade inerente a
cada negócio.
A ecoeficiência tem por intuito o uso mais eficien- • Apoiarem o benchmarking e monitorarem
te de matérias-primas e energia, com o objetivo a evolução do desempenho.
de reduzir os custos econômicos, os impactos • Serem claramente definidos, mensuráveis,
ambientais e os riscos de acidente, melhorando a transparentes e verificáveis.
relação da organização com as partes interessa- • Serem compreensíveis e significativos para
das (DIAS, 2017). Assim, uma empresa torna-se as várias partes interessadas.
ecoeficiente para Barbieri (2016) quando: • Basearem-se em uma avaliação geral da
• Reduz o consumo de materiais com bens atividade da empresa, dos produtos e dos
e serviços. serviços, concentrando-se, principalmen-
• Reduz o consumo de energia com bens e te, nas áreas controladas diretamente pela
serviços. gestão.
• Reduz a dispersão de substâncias tóxicas. • Levarem em consideração questões rele-
• Intensifica a reciclagem de materiais. vantes e significativas, relacionadas com
• Maximiza o uso sustentável dos recursos as atividades da empresa, a montante (ex.:
naturais. fornecedores) e a jusante (ex.: utilização do
• Prolonga a durabilidade dos produtos. produto) (BARBIERI, 2016).
• Agrega valor aos bens e serviços.
A P+L e a Ecoeficiência são modelos de gestão
A ecoeficiência é baseada na ideia de que a redução que têm muitas semelhanças entre si. Contudo,
de materiais e energia, ao longo do sistema pro- a reciclagem interna e externa é muito valoriza-
dutivo, aumenta a competitividade da empresa ao da pela ecoeficiência, diferentemente da P+L, na
mesmo tempo que reduz as pressões sobre o meio qual essa reciclagem é uma opção de segundo e
ambiente (DIAS, 2017). A ecoeficiência está rela- terceiro nível.
cionada a três importantes objetivos (DIAS, 2017):
• Redução do consumo de recursos.
• Redução no impacto na natureza. Projeto para o Meio Ambiente
• Aumento de produtividade ou do valor do
produto. É um modelo de gestão focado na fase de con-
cepção dos produtos e em seus respectivos pro-
Os princípios para a definição e para a utilização cessos de produção, distribuição e utilização,
dos indicadores de ecoeficiência estão apresen- também denominado ecodesign, que busca in-
tados a seguir: tegrar um conjunto de atividades e disciplinas
• Serem relevantes e significativos na prote- que, historicamente, sempre foi tratado separa-
ção do meio ambiente e da saúde humana damente tanto em termos operacionais quan-
e/ou na melhoria da qualidade de vida. to estratégicos, como saúde e segurança dos
• Fornecerem informação aos tomadores trabalhadores e consumidores, conservação de
de decisão, com o objetivo de melhorar o recursos, prevenção de acidentes e gestão de
desempenho da organização. resíduos (DIAS, 2017).

232 Gestão Ambiental - Certificação e Auditoria Ambiental


Barbieri (2016) explica que o ecodesign baseia-se em inovações
de produtos e processos que reduzam a poluição em todas as fases
do ciclo de vida e exige a participação de todos os segmentos da
empresa, bem como de fornecedores e outros membros do canal de
distribuição, podendo, por isso, ser considerado um modelo de gestão,
pois não se trata da realização de atividades isoladas nem episódicas.
Para organizar as atividades diante de várias possibilidades de
atuação em projeto, temos quatro estratégias (BARBIERI, 2016):
• Projeto para desmaterialização: busca a redução da quan-
tidade necessária de materiais para um produto, assim como
a energia correspondente, considerando seu ciclo de vida.
• Projeto para desintoxicação: busca reduzir ou eliminar a
toxicidade, a periculosidade ou outras características preju-
diciais ao produto.
• Projeto para revalorização: busca recuperar, reciclar e reu-
tilizar resíduos materiais e energia gerados em cada fase do
ciclo de vida do produto.
• Projeto para a renovação e a proteção do capital: busca
garantir a segurança, a vitalidade, a integridade, a produti-
vidade e a continuidade de recursos naturais, humanos e
econômicos para manter o ciclo de vida do produto.

Prezado(a) aluno(a), nesta última unidade, abordamos aspectos


de gestão ambiental, que consiste na gestão de recursos naturais
por parte das organizações e que qualquer empresa, de qualquer
tamanho ou porte, pode implementar um sistema de gestão am-
biental que, posteriormente, pode ser certificado por meio da ISO
14001, norma certificável e voluntária, que traz muitas vantagens
competitivas para as organizações.
Vimos que a ISO 14001 passou por atualização, no ano de 2015, e
que sua estrutura está de acordo com o proposto no Anexo SL, cujo
objetivo é facilitar a integração entre as normas e que um SGA segue
os princípios do ciclo PDCA. Trabalhamos com a produção mais
limpa, que busca adotar procedimentos em processos de produção,
produtos e serviços, visando ao aproveitamento de recursos naturais
e resíduos no processo produtivo. É uma ferramenta importante de
gestão ambiental.
Também trabalhamos com outras ferramentas importantes:
administração da qualidade total, ecoeficiência e projeto para o
meio ambiente. Assim, finalizamos nosso estudo sobre o processo
de certificação e os tipos de auditoria ambiental.

UNIDADE 9 233
Você pode utilizar seu diário de bordo para a resolução.

1. A Política Ambiental pode ser considerada um conjunto de ações que é orde-


nado e praticado por organizações ou governos com o intuito de preservar o
meio ambiente. Sobre a política ambiental proposta pela ISO 14001, leia as
afirmativas a seguir:
I) A Política Ambiental deve ser implementada pelo setor de Compra e Vendas
de uma organização.
II) A Política Ambiental deve ser documentada.
III) A Política Ambiental pode incluir aspectos, como inclusão de uso sustentável
dos recursos naturais, mitigação e adaptação às mudanças climáticas, prote-
ção à biodiversidade e ecossistemas.
IV) Uma vez implementada, não existe a necessidade de atualização da Política
Ambiental.

É correto o que se afirma em:


a) I e II, apenas.
b) I e III, apenas.
c) II e III, apenas.
d) I, II e III, apenas.
e) I, II e IV, apenas.

2. Existem certificações ambientais para todos os gostos. Escritórios, construções


e mesmo cidades podem receber certificações por realizar mudanças em sua
estrutura e processos produtivos. No entanto, as empresas no Brasil encontram
algumas dificuldades para obter uma certificação ambiental. Entre as dificuldades
para obter uma das certificações mais comuns, a ISO 14.001, podemos destacar:
I) Custos de implementação altos para micro e pequenas empresas.
II) Desprendimento de recursos para a área ambiental vista como gasto.
III) Relacionamento com orgãos ambientais e sua burocracia.
IV) IV - Dificuldades para estruturar a empresa para as mudanças visando sus-
tentabilidade.

234
É correto o que se afirma em:
a) I, II, III e IV.
b) I, somente.
c) II e IV, somente.
d) I, III e IV, somente.
e) III, somente.”

3. Na abordagem estratégica, os problemas ambientais são tratados como uma


das questões estratégicas da empresa. Sobre os benefícios que uma organiza-
ção tem, por meio dessa abordagem, assinale V para afirmativas verdadeiras
e F para falsas:
(( ) Melhoria da imagem da organização.
(( ) Renovação dos produtos.
(( ) Conquista de mercados externos.
(( ) Crescimento da produtividade.

Assinale a sequência correta:


a) V, V, V, V.
b) F, F, F, F.
c) V, F, F, F.
d) V, F, F, V.
e) V, V, V, F.

235
LIVRO

Gestão Ambiental Empresarial - conceitos, modelos e instrumentos


Autor: José Carlos Barbieri
Editora: Saraiva
Sinopse: a obra apresenta ampla discussão sobre os problemas ambientais:
contempla o conceito de gestão ambiental e suas diferentes dimensões; discute
as iniciativas de gestão ambiental global e regional com base no enfrentamento
do aquecimento global, da destruição da camada de ozônio e da proteção à
biodiversidade, nas experiências da União Europeia, Mercosul e Nafta e discu-
te os principais instrumentos de política pública ambiental e as polêmicas em
torno deles quanto à sua eficácia na resolução dos problemas ambientais e
seus efeitos sobre a competitividade das empresas. Também apresenta diver-
sos modelos de gestão ambiental, como Produção Mais Limpa, Ecoeficiência,
Ecologia Industrial, entre outros.

236
ABNT. NBR ISO 14.001: Diretrizes para auditorias de sistema de gestão de qualidade e/ou ambiental. Brasília, 2015.

ABNT. NBR ISO 14.001:2015: Sistemas de Gestão Ambiental – Requisitos com Orientações para Uso. ABNT.
2015. Disponível em: http://abnt.org.br/PAGINAMPE/noticias/218-abnt-nbr-iso-14001-2015-sistemas-de-gest%-
C3%A3o-ambiental-%E2%80%94-requisitos-com-orienta%C3%A7%C3%B5es-para-uso. Acesso em: 3 abr. 2019.

ABNT. NBR ISO 19.011: Diretrizes para auditorias de sistema de gestão de qualidade e/ou ambiental. Brasília, 2012.

BARBIERI, J. C. Gestão Ambiental Empresarial. 4. ed. São Paulo: Saraiva, 2016.

CAMPOS, L. M. S. SGADA – Sistema de Gestão e Avaliação de Desempenho Ambiental: uma proposta de


implementação. 2000. Tese (Doutorado em Engenharia da Produção) - Universidade Federal de Santa Catarina,
Florianópolis, 2001.

CARPINETTI, L. C. R.; GEROLAMO, M. C. Gestão da Qualidade: ISO 9001: 2015 - Requisitos e Integração
com a ISO 14001:2015. São Paulo: Atlas, 2016.

CARVALHO, M. M.; PALADINI, E. P. Gestão da Qualidade. 2. ed. Rio de Janeiro: Elsevier: ABEPRO, 2012.

CNTL. Manual: Metodologia de Implantação do Programa de Produção Mais Limpa. Porto Alegre, 1999.

DIAS, R. Gestão Ambiental. 3. ed. São Paulo: Atlas, 2017.

MORAES, C. S. B. Gestão Ambiental Empresarial: análise da contribuição dos indicadores ambientais. In: Congresso
Brasileiro de Engenharia Sanitária e Ambiental, 2011, Porto Alegre. Anais […] Porto Alegre: CBESA/ABES, 2012.

PUGLIESI, É.; MORAES, C. S. B. (org.). Auditoria e certificação ambiental. Curitiba: InterSaberes, 2014.

ROBLES JR., A. Custos da qualidade: aspectos econômicos da gestão da qualidade e da gestão ambiental. 2. ed.
São Paulo: Atlas, 2003.

SEIFFERT, M. E. B. ISO 14001 - Sistemas de gestão ambiental: implantação objetiva e econômica. 4. ed. São
Paulo: Atlas, 2011.

VALLE, C. E. Qualidade Ambiental - ISO 14000. São Paulo: SENAC, 2002.

REFERÊNCIA ON-LINE

Em: https://www.ona.org.br/Pagina/33/Acreditacao. Acesso em: 3 abr. 2019.


1

237
1. C.

2. A.

3. A.

238
239
CONCLUSÃO

Chegamos ao final do livro Ciências do Ambiente. Compreendemos a importância


desse assunto na atuação do Engenheiro a partir de conceitos e fundamentos da
gestão ambiental.
Para isso, a partir da Unidade 1, Meio Ambiente e Sustentabilidade, apresenta-
mos as principais definições de meio ambiente e desenvolvimento sustentável. Na
Unidade 2, Dinâmicas Ambientais, descrevemos os processos que estão envolvidos
nos ciclos biogeoquímicos e demonstramos a hierarquia ecológica, enfatizando a
importância destes tópicos dentro das questões ambientais.
Nas Unidades 3 e 4, trabalhamos temas importantes relacionados ao Gerencia-
mento de Recursos Hídricos. Mostramos, a você, a importância da água para os
seres vivos, além de apresentar os padrões de potabilidade para consumo humano,
bem como os tratamentos existentes. Discorremos, também, sobre Tratamento
de Efluentes e a questão de reuso de águas, uma alternativa razoável, visto a falta
desse recurso em grandes centros.
Ao longo das Unidades 5 e 6, onde tratamos dos Resíduos Sólidos, apresentamos
todas as etapas de sua gestão: geração, classificação, coleta, transporte de resíduos,
tratamentos e formas de destinação final de resíduos sólidos.
Na Unidade 7, sobre Controle e Qualidade de Emissões Atmosféricas, desta-
camos os principais poluentes atmosféricos, bem como suas fontes, métodos de
controle de emissão e padrões de qualidade. Conceituamos a poluição sonora,
bem como sua redução e o controle de ruídos.
Finalizando com as Unidades 8 e 9, desenvolvemos os conhecimentos necessá-
rios para aplicação das legislações ambientais e ferramentas de gestão nas empresas,
bem como as formas de certificação e auditoria ambiental.
Esperamos ter contribuído com sua formação e que você veja que realmente
a questão ambiental está presente em todas as formações, em especial, na área de
Engenharia.
Um forte abraço.

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