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ASSISTÊNCIA

FARMACÊUTICA

Liliana Rockenbach
Atenção farmacêutica
Objetivos de aprendizagem
Ao final deste texto, você deve apresentar os seguintes aprendizados:

 Identificar as bases conceituais de atenção farmacêutica.


 Diferenciar atenção farmacêutica de Assistência Farmacêutica.
 Reconhecer a importância da atenção farmacêutica nos planos de
cuidado do paciente.

Introdução
As mudanças históricas nos processos produtivos e a influência des-
sas mudanças nos currículos acadêmicos de Farmácia resultaram em
um profissional tecnicista, de conhecimentos multicompartimentados,
descontextualizado da equipe multidisciplinar e com uma relação mais
íntima com o produto (medicamento) do que com o usuário (paciente).
No início da década de 1960, teve início a prática farmacêutica assisten-
cial centrada no paciente com o advento da farmácia clínica nos serviços
hospitalares. Algumas décadas depois, essa prática já caracterizava uma
área de atuação farmacêutica em todos os pontos e níveis de atenção à
saúde e todas as atividades clínicas do farmacêutico, tanto as de suporte à
equipe de saúde quanto aquelas voltadas ao cuidado direto do paciente
(BRASIL, 2014). Assim, a farmácia clínica contemporânea agrega a prática
que ficou conhecida no Brasil como atenção ou cuidado farmacêutico,
do termo original em inglês pharmaceutical care (AMERICAN COLLEGE,
2008 apud BRASIL, 2015).
Assim, neste capítulo, você vai conhecer as bases conceituais da
atenção farmacêutica, diferenciando-a da Assistência Farmacêutica e
entendendo a sua importância nos planos de cuidado do paciente.
2 Atenção farmacêutica

As bases conceituais da atenção


farmacêutica
Atenção farmacêutica, do inglês pharmaceutical care, é sinônimo de cuidado
farmacêutico ou clínica farmacêutica. Apesar de serem sinônimos, o termo
clínica farmacêutica é mais utilizado para se referenciar a atenção farmacêu-
tica realizada em hospitais ou nas unidades públicas de saúde vinculadas aos
componentes Básico, Estratégico e Especializado.
A atenção farmacêutica modificou a realidade do profissional tecnicista,
promovendo o reencontro do farmacêutico com o paciente e exigindo do
profissional novas competências, de modo que ele possa responsabilizar-se
pelo bem-estar do paciente e ser um provedor de cuidados em saúde.
A Federação Farmacêutica Internacional (FIP) afirma que “O cuidado
farmacêutico é o fornecimento responsável de terapia medicamentosa com
o objetivo de alcançar resultados definidos que melhorem ou mantenham a
qualidade de vida” (WORLD..., 2006, documento on-line). Já Hepler e Strand
(1990) definem que o cuidado farmacêutico é o fornecimento de terapia medi-
camentosa com a finalidade de alcançar resultados definidos que melhorem a
qualidade de vida de um paciente, em um relacionamento em que o paciente
concede autoridade e o provedor concede competência e comprometimento.
Perceba que essas definições restringem as atividades de atenção farmacêutica
ao fornecimento de medicamentos.
O Consenso Brasileiro de Atenção Farmacêutica propôs como definição
de atenção farmacêutica o seguinte:

[...] um modelo de prática farmacêutica, desenvolvida no contexto da Assis-


tência Farmacêutica. Compreende atitudes, valores éticos, comportamentos,
habilidades, compromissos e co-responsabilidades na prevençãode doenças,
promoção e recuperação da saúde, de forma integrada à equipe de saúde. É a
interação direta do farmacêutico com o usuário, visando uma farmacoterapia
racional e a obtenção de resultados definidos e mensuráveis, voltados para
a melhoria da qualidade de vida. Esta interação também deve envolver as
concepções dos seus sujeitos, respeitadas as suas especificidadesbio-psico-
-sociais, sob a ótica da integralidade das ações de saúde. (ORGANIZAÇÃO...,
2002, p. 16–17).

Essa proposta de definição que amplifica as atividades de cuidado farma-


cêutico para além do fornecimento de medicamentos, incluindo a prevenção
de doenças e melhoria da qualidade de vida da população, é atendida pela
RDC nº. 44, de 17 de agosto de 2009, a qual define que:
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[...] a prestação de serviço de atenção farmacêutica compreende a atenção


farmacêutica domiciliar, a aferição de parâmetros fisiológicos e bioquímicos
e a administração de medicamentos e deve ter como objetivos a prevenção,
detecção e resolução de problemas relacionados a medicamentos, promover
o uso racional dos medicamentos, a fim de melhorar a saúde e qualidade de
vida dos usuários (AGÊNCIA..., 2009, documento on-line).

Por sua vez, a RDC nº. 585, de 29 de agosto de 2013, consolida e aprofunda
a definição anterior, definindo que a clínica farmacêutica deve ser centrada no
paciente, que pode ser desenvolvida em hospitais, ambulatórios, unidades de
atenção primária à saúde, farmácias comunitárias, instituições de longa perma-
nência e domicílios, entre outros. Além disso, essa norma detalha as atribuições
clínicas do farmacêutico relativas ao cuidado à saúde, nos âmbitos individual e
coletivo; as relacionadas à comunicação e educação em saúde; e as relacionadas à
gestão da prática, produção e aplicação do conhecimento — e o faz descrevendo
de forma detalhada como o farmacêutico deve proceder com relação à equipe
de saúde, ao paciente/usuário e às próprias atividades (CONSELHO..., 2013).
A RDC nº. 586, de 29 de agosto de 2013, ainda reforça a clínica farmacêu-
tica e regula a prescrição farmacêutica, que passa a fazer parte do cuidado
farmacêutico. Ela inova ao considerar a prescrição como uma atribuição clínica
do farmacêutico, define sua natureza, especifica o seu escopo e descreve seu
processo, estabelecendo seus limites. Por fim, essa norma determina que as
atividades de prescrição devem ser documentadas e avaliadas. De acordo
com essa RDC,

[...] define-se a prescrição far macêutica como ato pelo qual o farmacêutico
seleciona e documenta terapias farmacológicas e não farmacológicas, e outras
intervenções relativas ao cuidado à saúde do paciente, visando à promoção,
proteção e recuperação da saúde, e à prevenção de doenças e de outros pro-
blemas de saúde (CONSELHO..., 2013, documento on-line).

Veja que a prescrição farmacêutica não corresponde a uma prescrição


médica, ela se encaixa nas novas práticas de prescrição multiprofissional, em
que cada profissão possui modos específicos de fazê-la, de acordo com as
necessidades de cuidado do paciente, bem como com as responsabilidades e
os limites de atuação de cada profissional. Assim, a prescrição farmacêutica
permite a indicação de medicamentos isentos de prescrição, mas a transcende,
sendo principalmente a documentação das melhores condutas selecionadas pelo
farmacêutico para orientar o paciente na resolução de problemas associados à
farmacoterapia e à promoção de sua saúde e qualidade de vida.
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Cabe lembrar que a Lei nº. 13.021, de 8 de agosto de 2014, dispõe sobre o
exercício e a fiscalização das atividades farmacêuticas, incluindo a atenção
terapêutica (BRASIL, 2014).

É importante ressaltar que, no Brasil, a promoção da saúde, que inclui a educação


em saúde, é componente do conceito de atenção farmacêutica, o que constitui um
diferencial marcante em relação ao conceito adotado em outros países (CONSELHO...,
2013; ORGANIZAÇÃO..., 2002).

Dessa forma, a atenção farmacêutica retorna a dispensação para sua ver-


dadeira constituição, integrada ao processo de cuidado e considerando o
acesso como um atributo; o acolhimento como vínculo e responsabilização;
a gestão e os aspectos clínico-farmacêuticos como seus componentes; e o uso
racional dos medicamentos como propósito (SOARES, 2013). Nesse formato, a
dispensação compreende, necessariamente, a interação entre os farmacêuticos
(provedores do serviço) e os pacientes ou cuidadores (usuários do serviço),
resultando em um processo de trabalho de cocriação de valores, a partir da
relação direta entre o profissional e o usuário, na avaliação da necessidade e
da utilização de medicamentos (SOARES et al., 2013).
Conforme estabelecido pela RDC nº. 585 de 2013, na atenção farmacêutica,
o foco sai do medicamento, redirecionando a centralidade dos problemas e da
doença para o indivíduo, o que significa entender os fatores e as necessidades
que impactam a saúde das pessoas para, então, agir com maior resolutividade
(CONSELHO..., 2013). Essa abordagem está baseada em concepções teóricas
a respeito das necessidades de saúde, como a de Stotz (1991 apud CECÍLIO,
2009, p. 118): “[...] as necessidades de saúde são social e historicamente determi-
nadas, elas só podem ser captadas e trabalhadas em sua dimensão individual”.
Ou seja, é fundamental compreender os contextos pessoais e sociais, e ainda
considerar a história e as necessidades dos pacientes, para desenvolver uma
escuta mais efetiva, que gere melhores resoluções. Essa ideia fica mais clara se
pensamos que é fácil identificar os problemas e pontos de ação quando alguém
descreve situações e procedimentos que conhecemos, enquanto é muito difícil
agir assertivamente sobre situações e procedimentos desconhecidos. Cecílio
(2009) propõe que as necessidades de saúde do paciente sejam identificadas
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e compreendidas em quatro grandes conjuntos: nas condições de vida, no


acesso às diferentes tecnologias em saúde, no vínculo usuário-profissional e
na autonomia do sujeito.
As condições de vida envolvem infraestrutura urbana, moradia, sanea-
mento, condições ambientais, bem como as características dos dados sociode-
mográficos. Por exemplo, a necessidade percebida por um idoso aposentado é
diferente da necessidade de um trabalhador mais jovem. Logo, entre adultos,
o emprego e a busca de melhores condições de vida e moradia são meios
para alcançar alguns resultados de saúde e, muitas vezes, são considerados
prioritários pelo indivíduo em relação a práticas de cuidado indicadas pelos
profissionais de saúde (SOARES et al., 2016). Portanto, analisar a relação
da pessoa com o meio no qual vive, assim como as condições ambientais,
sociais e culturais, é determinante para o sucesso da atenção farmacêutica. A
territorialização também é fundamental, pois permite conhecer os aspectos
geográficos, demográficos, indicadores sociais, a origem, a organização e
a estrutura do local onde o indivíduo se insere, os quais podem ser causas
determinantes das necessidades de saúde (RICIERI et al., 2006).
O acesso aos serviços de saúde corresponde à disponibilidade do uso
desses serviços pelo indivíduo, e o próprio Ministério da Saúde se preocupa
em desenvolver políticas para o aumento do acesso da população aos medica-
mentos (BRASIL, 1998; 2004). Contudo, não basta disponibilizar o serviço, é
preciso orientar o seu uso para garantir os resulados desejados e, nesse ponto,
entra a atenção farmacêutica (SOARES et al., 2016).
A farmácia é, em sua essencialidade, um serviço de porta aberta, com
livre acesso, o que caracteriza uma vantagem do farmacêutico com relação a
outros profissionais da saúde. Além disso, propicia ao farmacêutico estabelecer
uma relação profissional-usuário com maior horizontalidade, permitindo e
fortalecendo o trabalho de atenção farmacêutica (SOARES et al., 2016). Para
facilitar a criação desse vínculo, é necessário combater a visão da farmácia
como ambiente comercial e promover a ambiência, que se refere “[...] ao trata-
mento dado ao espaço físico, entendido como espaço social, profissional e de
relações interpessoais, que deve proporcionar atenção acolhedora, resolutiva e
humana” (BRASIL, 2010, p. 5). Portanto, a atenção farmacêutica será realizada
em local apropriado para a promoção da ambiência.
A autonomia do sujeito é a última dimensão apontada por Cecílio (2009)
para compreensão das necessidades de saúde do indivíduo. A autonomia do
sujeito é promovida pela atenção farmacêutica a partir da informação e da
educação em saúde. A autonomia, segundo o autor, implica na possibilidade
de o próprio sujeito reconstruir os sentidos de sua vida e, a partir dessa
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ressignificação, identificar o peso efetivo no seu modo de viver, incluindo


aí a luta pela satisfação de suas necessidades, da forma mais ampla possível
(CECÍLIO, 2009). Contudo, a autonomia não é construída apenas a partir das
informações dos profissionais de saúde, já que o usuário mantém diversas rela-
ções em sua casa, no seu trabalho, em seus círculos sociais, que lhe fornecem
acesso a outras informações e possibilidades de cuidado e atenção. Por isso,
é essencial que o profissional entenda o sujeito, sua história e seus hábitos,
respeitando-os de forma a não submeter o indivíduo às técnicas estabelecidas
pelos serviços de saúde, mas entendendo como inserir o serviço na realidade do
indivíduo, facilitando e promovendo a adesão aos tratamentos. Veja que esse
processo requer a convivência com dilemas morais, principalmente quando o
indivíduo apresenta resistência ou contrariedade às instruções do profissional de
saúde; nesses momentos, a sensibilidade, o conhecimento técnico e a vivência
profissional tornam-se fundamentais (SOARES et al., 2016).
Todo o processo de atenção farmacêutica envolve respeito aos princípios
da bioética, habilidades de comunicação e conhecimentos técnico-científicos
(SOARES et al., 2016; BRASIL, 2015). A prática da Assistência Farmacêutica
assume a responsabilidade pelo cuidado da saúde da pessoa e exige a docu-
mentação adequada, o monitoramento e a revisão dos cuidados prestados. Para
realizar essa atividade, o farmacêutico deve ser capaz de assumir diferentes
funções: cuidador, comunicador, decisor, professor, aprendiz, líder e gestor
(WORLD..., 2006).
No processo de atenção farmacêutica, é importante ressaltar mais alguns
conceitos, como:

 Farmacoterapia: tratamento de doenças e de outras condições de saúde


por meio do uso de medicamentos (CONSELHO..., 2013).
 Problema relacionado a medicamento (PRM): “É um problema de
saúde, relacionado ou suspeito de estar relacionado à farmacoterapia, que
interfere ou pode interferir nos resultados terapêuticos e na qualidade
de vida do usuário” (ORGANIZAÇÃO..., 2002, documento on-line) ou,
ainda, segundo Machuca, Fernandez-Llimos e Faus (2003), um problema
que é resultado de tratamento farmacológico que não alcança o objetivo
terapêutico ao qual se propõe ou que causa efeitos indesejados. O PRM
é real, se manifestado, ou potencial, se há apenas a possibilidade de
suaocorrência. Tem como origem causas relacionadas ao sistema de
saúde, ao usuário e seus aspectos biopsicossociais, aos profissionais
de saúde e ao medicamento (ORGANIZAÇÃO..., 2002).
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 Acompanhamento ou seguimento farmacoterapêutico: “[...] processo


no qual o farmacêutico se responsabiliza pelas necessidades do usu-
ário relacionadas ao medicamento, por meio da detecção, prevenção
e resolução de problemas relacionados aos medicamentos (PRM), [...]
buscando a melhoria da qualidade de vida do usuário” (ORGANIZA-
ÇÃO..., 2002, documento on-line). A promoção da saúde também deve
ocorrer a partir do acompanhamento farmacoterapêutico, uma vez que
“resultado definido” significa a cura, o controle ou o retardamento
de uma enfermidade, sempre considerando os aspectos referentes à
efetividade e à segurança (ORGANIZAÇÃO..., 2002).
 Atendimento farmacêutico: atuação do farmacêutico, “[...] que interage
e responde às demandas dos usuários do sistema de saúde, buscando
aresolução de problemas de saúde que envolvam, ou não, o uso demedi-
camentos. Esse processo pode compreender escuta ativa, identificação”
(ORGANIZAÇÃO..., 2002, documento on-line). O atendimento garma-
cêutico pode, ou não, gerar uma intervenção farmacêutica.
 Anamnese farmacêutica: etapa do atendimento farmacêutico na qual é
realizada a coleta de dados sobre o paciente, realizada pelo farmacêutico
por meio de entrevista, com a finalidade de conhecer sua história de
saúde, elaborar o perfil farmacoterapêutico e identificar suas necessi-
dades relacionadas à saúde (CONSELHO..., 2013).
 Intervenção farmacêutica: ato que é resultado de um planejamento
e que é documentado e realizado pelo profissional de saúde junto
ao usuário com o objetivo de eliminar ou prevenir problemas rela-
cionados à farmacoterapia (MACHUCA; FERNANDEZ-LLIMOS;
FAUS, 2003).
 Plano de atuação: é o conjunto de intervenções que o paciente e o far-
macêutico em comum acordo se comprometem a realizar para resolver os
PRM detectados (MACHUCA; FERNANDEZ-LLIMOS; FAUS, 2003).
 Plano de seguimento: é o projeto de encontros acordado entre paciente e
farmacêutico para assegurar que os medicamentos que o paciente utiliza
continuarão sendo somente aqueles de que necessita e que continuarão
sendo os mais efetivos e seguros possíveis (MACHUCA; FERNANDEZ-
-LLIMOS; FAUS, 2003).
 Parecer farmacêutico: é inadequado pedir ao paciente que relate ao
médico o plano de seguimento, já que a informação pode chegar distor-
cida e gerar desentendimento. Quando o contato direto com o médico
não está disponível ou é inoportuno, elaborar um informe escrito é a
solução. Atenção, o objetivo da carta não é apontar erros de prescrição,
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tampouco expor o comportamento do paciente, mas “[...] apresentar um


laudo farmacêutico, com a identificação de problemas do paciente, de
interesse deste e do médico, e propor alternativas de resolução, deixando
clara a responsabilidade e o comprometimento do farmacêutico com
a continuidade do cuidado e o trabalho multidisciplinar” (CORRER;
OTUKI, 2013, p. 13).
 Documento de encaminhamento: quando o farmacêutico decide en-
caminhar o paciente a outro profissional ou serviço de saúde como
a melhor conduta, ele precisa garantir que tanto o usuário quanto o
profissional ou serviço compreendam o motivo do encaminhamento.
O documento serve para formalizar a comunicação com outros profis-
sionais (CONSELHO..., 2016).
 Interface entre atenção farmacêutica e farmacovigilância: a atenção
farmacêutica é uma das fontes do sistema de farmacovigilância. O
artigo 67 da RCD nº. 44, de 2009, diz: “O farmacêutico deve con-
tribuir para a farmacovigilância, notificando a ocorrência ou sus-
peita de evento adverso ou queixa técnica às autoridades sanitárias”
(AGÊNCIA..., 2009, documento on-line). Na atenção farmacêutica,
o profissional identifica e avalia os problemas e riscos relacionados a
segurança, efetividade e desvios da qualidade de medicamentos me-
diante o acompanhamento/seguimento farmacoterapêutico ou outros
componentes da atenção farmacêutica. Nesse processo, é produzida
a documentação e a avaliação dos resultados, gerando notificações
e novos dados para o sistema por meio de estudos complementares.
Ao mesmo tempo, o Sistema de Farmacovigilância retro-alimenta a
atenção farmacêutica por meio de alertas e informes técnicos, infor-
mações sobre medicamentos e intercâmbio de informações, poten-
cializa as ações clínicas individuais (acompanhamento/seguimento,
dispensação, educação, etc.), outras atividades de atenção e Assis-
tência Farmacêutica, como o processo de seleção de medicamentos, a
produção de protocolos clínicos com prática baseada em evidências,
integrada nas ações interdisciplinares e multiprofissionais, entre ou-
tras (SILVA; PRANDO, 2004). Assim, a comunicação da atenção
farmacêutica-farmacovigilância melhora a capacidade de avaliação
da relação benefício/risco, otimizando os resultados da terapêutica e
contribuindo paraa melhoria da qualidade de vida e a adequação do
arsenal terapêutico (SILVA; PRANDO, 2004).
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Atenção farmacêutica e Assistência


Farmacêutica: diferenças
Assistência Farmacêutica é todo o conjunto de ações relacionadas ao medica-
mento, enquanto atenção farmacêutica é uma área da Assistência Farmacêutica
que vem crescendo muito e se refere ao conjunto de ações para acompanhar
e orientar o paciente quanto ao uso correto dos medicamentos e à promoção
da sua saúde.
De modo mais aprofundado, a Política Nacional de Assistência Farmacêu-
tica, RDC nº. 338, de 2004, define que:

Assistência Farmacêutica trata de um conjunto de ações voltadas à promoção,


proteção e recuperação da saúde, tanto individual como coletivo, tendo o
medicamento como insumo essencial e visando o acesso e ao seu uso racio-
nal. Este conjunto envolve a pesquisa, o desenvolvimento e a produção de
medicamentos e insumos, bem como a sua seleção, programação, aquisição,
distribuição, dispensação, garantia da qualidade dos produtos e serviços,
acompanhamento e avaliação de sua utilização, na perspectiva da obtenção
de resultados concretos e da melhoria da qualidade de vida da população
(BRASIL, 2004, documento on-line).

Assim, todos os processos ligados ao medicamento fazem parte da Assis-


tência Farmacêutica, da produção ao uso, inclusive os serviços prestados na
atenção farmacêutica. Dessa forma, a atenção farmacêutica é uma atividade de
Assistência Farmacêutica e todo serviço de cuidado farmacêutico é um serviço
de Assistência Farmacêutica. No entanto, nem todo serviço de Assistência
Farmacêutica corresponde à atenção farmacêutica, uma vez que, conforme
você aprendeu na primeira parte deste capítulo, a atenção farmacêutica é
aplicada apenas no processo de utilização do medicamento pelo indivíduo e
ocorre a partir da comunicação e vínculo profissional-paciente.
Também é possível diferenciar esses conceitos e ações quanto ao tipo de
atividade, uma vez que a atenção farmacêutica envolve apenas atividades espe-
cíficas do farmacêutico no âmbito da atenção à saúde, enquanto a Assistência
Farmacêutica envolve um conjunto mais amplo de ações, com características
multiprofissionais (ORGANIZAÇÃO..., 2002).
O local de realização dessas ações também difere: a Assistência Farma-
cêutica é realizada em diversos locais, de acordo com a atividade proposta
— por exemplo, a produção é na indústria, a gestão é nas drogarias e nos
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órgãos públicos de saúde e assim por diante; já para a realização da atenção


farmacêutica em farmácias e drogarias, a RDC nº. 44, de 2009, exige que o
ambiente destinado aos serviços farmacêuticos deve ser diferente daquele des-
tinado à venda e à circulação de pessoas em geral, devendo o estabelecimento
dispor de espaço específico para esse fim. O mesmo vale para o atendimento
farmacêutico realizado em postos de saúde e hospitais (AGÊNCIA..., 2009).
Além disso, é importante destacar que, segundo essa RDC:

 quando realizado em drogarias, o ambiente para prestação dos serviços


que demandam atendimento individualizado deve garantir a privacidade
e o conforto dos usuários, possuindo dimensões, mobiliário e infraes-
trutura compatíveis com as atividades e os serviços a serem oferecidos;
 o ambiente deve ser provido de lavatório contendo água corrente e
dispor de toalha de uso individual e descartável, sabonete líquido, gel
bactericida e lixeira com pedal e tampa;
 o acesso ao sanitário, caso exista, não deve se dar por ambiente destinado
aos serviços farmacêuticos;
 o conjunto de materiais para primeiros-socorros deve estar identificado
e de fácil acesso nesse ambiente;
 o procedimento de limpeza do espaço para a prestação de serviços
farmacêuticos deve ser registrado e realizado diariamente no início e
ao término do horário de funcionamento, e o ambiente deve estar limpo
antes de todos os atendimentos nele realizados, a fim de minimizar
riscos à saúde dos usuários e dos funcionários do estabelecimento.
Além disso, após a prestação de cada serviço, deve ser verificada a
necessidade de realizar novo procedimento de limpeza, a fim de garantir
o cumprimento ao parágrafo anterior (AGÊNCIA..., 2009).

Perceba que as regras estabelecidas pela RDC nº. 44, de 2009, vão ao
encontro do conceito de ambiência discutido na primeira parte deste capítulo
e cujos eixos estão expostos na Figura 1, a seguir.
Atenção farmacêutica 11

Figura 1. Os eixos relacionados a ambiência e suas características.


Fonte: Adaptada de Soares et al. (2016).

Ainda quanto à diferenciação entre Assistência e atenção farmacêutica,


dentro da Assistência Farmacêutica, temos a pesquisa, o desenvolvimento, a
produção de medicamentos e insumos, bem como a sua seleção, programação,
aquisição, distribuição, dispensação, garantia da qualidade dos produtos e
serviços, acompanhamento e avaliação de sua utilização. Dessa forma, a
Assistência Farmacêutica engloba a atenção farmacêutica e a farmacovigi-
lância e, enquanto a Assistência Farmacêutica tem a farmacovigilância como
componente, a atenção farmacêutica, que também é componente da Assistência
Farmacêutica, relaciona-se com a farmacovigilância.
A atenção farmacêutica tem como macrocomponentes (ORGANIZAÇÃO...,
2002):

1. educação em saúde (incluindo promoção do uso racional de


medicamentos);
2. orientação farmacêutica;
3. dispensação;
4. atendimento farmacêutico;
5. acompanhamento/seguimento farmacoterapêutico;
6. registro sistemático das atividades, mensuração e avaliação dos resultados.
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De acordo com a RDC nº. 44, de 2009, para que o farmacêutico seja capaz
de avaliar o estado de saúde do indivíduo, possíveis situações de risco, bem
como permitir o acompanhamento ou a avaliação da eficácia do tratamento
prescrito por profissional habilitado, ele pode efetuar a aferição de determinados
parâmetros fisiológicos e bioquímicos do usuário nos termos da resolução.
Além disso, caso seja necessária intervenção farmacoterapêutica, também
é permitido ao profissional à administração de medicamentos, nos termos e
condições da resolução citada (AGÊNCIA..., 2009).
A RDC nº. 44, de 2009, prevê, ainda, que os estabelecimentos licenciados
e autorizados pelos órgãos sanitários competentes podem prestar atenção
farmacêutica domiciliar. Por fim, na farmácia, drogaria ou no domicílio, após a
prestação de atenção farmacêutica, deve ser preenchida a declaração de serviço
farmacêutico em papel com identificação do estabelecimento, contendo nome,
endereço, telefone e CNPJ, assim como a identificação do usuário ou de seu
responsável legal, quando for o caso. Essa declaração deve conter, conforme
o serviço farmacêutico prestado, no mínimo, as seguintes informações:

I - atenção farmacêutica:
a) medicamento prescrito e dados do prescritor (nome e inscrição no conselho
profissional), quando houver;
b) indicação de medicamento isento de prescrição e a respectiva posologia,
quando houver;
c) valores dos parâmetros fisiológicos e bioquímico, quando houver, seguidos
dos respectivos valores considerados normais;
d) frase de alerta, quando houver medição de parâmetros fisiológicos e
bioquímico: “ESTE PROCEDIMENTO NÃO TEM FINALIDADE DE
DIAGNÓSTICO E NÃO SUBSTITUI A CONSULTA MÉDICA OU A
REALIZAÇÃO DE EXAMES LABORATORIAIS”;
e) dados do medicamento administrado, quando houver:
1. nome comercial, exceto para genéricos;
2. denominação comum brasileira;
3. concentração e forma farmacêutica;
4. via de administração;
5. número do lote; e
6. número de registro na Anvisa.
f) orientação farmacêutica;
g) plano de intervenção, quando houver; e
h) data, assinatura e carimbo com inscrição no Conselho Regional de Farmá-
cia (CRF) do farmacêutico responsável pelo serviço (AGÊNCIA..., 2009,
documento on-line).
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Além disso, a RDC esclarece que a declaração de serviço farmacêutico


deve ser emitida em duas vias — a primeira deve ser entregue ao usuário e a
segunda deve permanecer arquivada no estabelecimento.
Na Atenção Básica à saúde, o cuidado farmacêutico como parte do cuidado
multidisciplinar é facilitado devido à proximidade e à interação do profissional
com a equipe de saúde. Já em estabelecimentos privados, a atividade não deixa
de fazer parte de um processo de cuidado multidisciplinar, mas a comunicação
médico-farmacêutico, por exemplo, será diferente. Contudo, é sempre necessá-
ria e imprescindível a avaliação integral do paciente, isto é, do paciente como
um todo, permitindo a identificação da necessidade do compartilhamento do
caso com outros profissionais de saúde, gerando um cuidado interdisciplinar
ou mesmo transdisciplinar (BRASIL, 2015). O farmacêutico deve dominar o
conhecimento referente aos medicamentos, mas também deve conhecer seus
limites, buscando sempre a promoção da saúde do indivíduo em primeiro lugar;
então, quando julgar necessário, deve orientar o usuário a buscar a assistência
de outros profissionais de saúde (BRASIL, 2004).
A clínica farmacêutica compreende a seleção e o agendamento de pacientes,
a consulta farmacêutica, a avaliação e o seguimento farmacoterapêuticos.
No que diz respeito a seleção e agendamento, com o tempo, a atividade fica
conhecida entre profissionais e usuários, de modo que se estabelece uma
demanda espontânea, tanto pelo encaminhamento dos pacientes pelos pro-
fissionais da equipe de saúde quanto pela procura dos próprios usuários ao
serviço. Contudo, no início das atividades, é necessário estabelecer critérios
de seleção de pacientes, na qual se deve identificar os que mais necessitam do
atendimento farmacêutico — por exemplo, aqueles com problemas crônicos
e/ou que fazem uso de polifarmácia (BRASIL, 2015). Esses pacientes podem
ser selecionados por meio dos prontuários ou pelo contato com a equipe de
saúde, que os encaminha. O farmacêutico entra em contato com o paciente
e explica a importância da consulta farmacêutica, o objetivo e a necessidade
de que o paciente leve todos os medicamentos, exames e receitas que possam
auxiliar (BRASIL, 2015).
A atenção farmacêutica não é realizada de acordo com decisões pessoais do
profissional, deve seguir protocolos elaborados para as suas atividades, que, por
sua vez, devem ser baseados em procedimentos cientificamente comprovados
e ter suas referências bibliográficas incluídas nos seus registros (AGÊNCIA...,
2009) — isto é, saúde baseada em evidências (BRASIL, 2015). Todas as
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atividades de atenção farmacêutica devem ser documentadas de forma siste-


mática e contínua, com o consentimento expresso do usuário, e devem conter
informações referentes ao usuário (nome, endereço e telefone), orientações
e intervenções farmacêuticas realizadas e resultados delas decorrentes, bem
como informações do profissional responsável pela execução do serviço (nome
e número de inscrição no Conselho Regional de Farmácia) (AGÊNCIA..., 2009).
O roteiro da consulta farmacêutica compreende: introdução ou acolhimento
do paciente, coleta de dados e identificação de problemas, estabelecimento do
plano de conduta e o fechamento da consulta, no qual farmacêutico e paciente
pactuam a respeito das estratégias a serem utilizadas (ABDEL-TAWAB et al.,
2011; BRASIL, 2015). Além disso, as ações relacionadas à atenção farmacêutica
devem ser registradas de modo a permitir a avaliação de seus resultados e o
seguimento farmacoterapêutico (BRASIL, 2004).
Na prática, e de acordo com as bases explicitadas até aqui, o Método Dáder,
desenvolvido pelo Grupo de Investigação em Atenção Farmacêutica da Uni-
versidade de Granada, em 1999, é o método utilizado na realização da atenção
farmacêutica; atualmente, centenas de farmacêuticos de diversos países têm
utilizado esse método em milhares de pacientes. O Método Dáder se baseia na
obtenção da história farmacoterapêutica do paciente, ou seja, os problemas de
saúde que ele apresenta e os medicamentos que utiliza, junto à avaliação de seu
estado de situação em uma data determinada, a fim de identificar e resolver os
possíveis problemas relacionados a medicamentos (PRM) que apresenta. Após
essa identificação, são realizadas as intervenções farmacêuticas necessárias
para resolver os PRM e, posteriormente, são avaliados os resultados obtidos
(MACHUCA; FERNANDEZ-LLIMOS; FAUS, 2003).
Por fim, uma vez que todo o processo deve ser registrado, a documentação
do processo de cuidado deve ser feita no prontuário do paciente, organizado
para possibilitar o registro dos atendimentos e, portanto, a história farmaco-
terapêutica e clínica do paciente. Uma das formas mais comuns de registro,
adotada por diferentes profissionais da saúde, é o modelo SOAP (subjetivo,
objetivo, avaliação e plano), também chamado SOIC (subjetivo, objetivo,
impressão e conduta), que organiza as informações em:

 dados subjetivos (S): sintomas relatados pelo paciente/cuidador, cren-


ças, preocupações e outros dados clínicos (história clínica), tentativas
de tratamento e expectativas (CONSELHO..., 2016; BRASIL, 2015);
 dados objetivos (O): sinais ou dados mensurados e/ou observados,
incluindo resultados de exame;
Atenção farmacêutica 15

 avaliação (A): análise dos dados subjetivos e objetivos a fim de identificar


a(s) necessidade(s) e o(s) problema(s) de saúde do paciente, considerando as
possíveis intervenções, os fatores que agravam os sinais/sintomas e os sinais
de alerta para encaminhamento (CONSELHO..., 2016; BRASIL, 2015);
 plano (P): na elaboração do plano, devem ser definidos os objetivos terapêu-
ticos, as intervenções e os critérios de acompanhamento para avaliação dos
resultados. As opções de intervenção selecionadas podem incluir: terapias
farmacológica e não farmacológica e outras intervenções relacionadas ao
cuidado, como o encaminhamento (CONSELHO..., 2016; BRASIL, 2015).

A importância da atenção farmacêutica


nos planos de cuidado do paciente
Os problemas relacionados à farmacoterapia tornaram-se uma epidemia mo-
derna: de acordo com a Organização Mundial da Saúde, mais de 50% dos
medicamentos apresentam erros de prescrição, dispensação ou venda, e mais
de 50% são usados incorretamente pelos pacientes (MARIN et al., 2003).
Mundialmente, as fontes que geram o uso incorreto dos medicamentos são
diversas e vão desde a falta de preparo dos médicos e condições precárias a
falhas no diagnóstico que geram erros de prescrição, bem como a aquisição
de medicamentos com menor preço e qualidade duvidosa que levam à inefe-
tividade terapêutica, até a incapacidade da população em seguir a posologia
corretamente, o que gera os erros de uso e armazenamento (BRASIL, 2012;
MASTROIANNI;VARALLO, 2013). No Brasil, os fatores que mais contribuem
para erros medicamentosos são: uso concomitante de mais de três medicamen-
tos (polifarmácia), uso indiscriminado de antibióticos, prescrições não baseadas
em diretrizes ou protocolos validados, automedicação e o grande arsenal
terapêutico disponível nas drogarias (MARIN et al., 2003; BRASIL, 2012).
Além disso, no Brasil,

[...] a expansão das atividades clínicas do farmacêutico ocorreu, em parte, como


resposta ao fenômeno da transição demográfica e epidemiológica observado
na sociedade. A crescente morbimortalidade relativa às doenças e agravos não
transmissíveis e à farmacoterapia repercutiu nos sistemas de saúde e exigiu um
novo perfil do farmacêutico. Nesse contexto, o farmacêutico contemporâneo
atua no cuidado direto ao paciente, promove o uso racional de medicamentos
e de outras tecnologias em saúde, redefinindo sua prática a partir das ne-
cessidades dos pacientes, família, cuidadores e sociedade (CONSELHO...,
2013, documento on-line).
16 Atenção farmacêutica

A longevidade tem aumentado no nosso país, o que caracteriza o aumento


da população com idade avançada e que, em sua maioria, faz uso de mais de um
tipo de medicamento, o fenômeno de polifarmácia, e também está dentro das
estatísticas de aumento do número de pessoas que fazem uso de tratamentos
crônicos. O Ministério da Saúde, em parceria com o Instituto Brasileiro de
Geografia e Estatística (IBGE), mostrou que aproximadamente 40% da popu-
lação adulta brasileira, o que corresponde a 57,4 milhões de pessoas, possui
pelo menos uma doença crônica não transmissível (DCNT), compreendendo
principalmente mulheres (44,5%) (BRASIL, 2014). Os exemplos de doenças
crônicas de maior prevalência no país são: a hipertensão arterial, o diabetes,
a doença crônica de coluna, o colesterol (principal fator de risco para as car-
diovasculares) e a depressão. Essas doenças são responsáveis por mais de 72%
das mortes no país (BRASIL, 2014), e a consequência disso é o aumento da
procura por consultas, aumento do uso de medicamentos e, com isso, aumento
do número de erros no uso de medicamentos. Um estudo com 503 idosos, cuja
média de idade foi 74,6 anos, mostrou que o uso inapropriado de medicamentos
e a subutilização eram comuns entre os idosos que tomavam cinco ou mais
medicamentos, com ambos os problemas presentes simultaneamente em mais
de 40% dos pacientes (STEINMAN et al., 2006).
A automedicação, cultura comum no país, também é fonte de erros me-
dicamentosos (CONSELHO..., 2014). O sistema nacional de informações
tóxico-farmacológicas aponta para a ocorrência de 22.144 intoxicações por
medicamento em 2014, embora esses dados, provavelmente, não correspondam
à realidade, pois houve diminuição da participação dos centros de informação
e assistência tóxico-farmacológica na pesquisa. Nesse sentido, surpreendem as
informações sobre erros de medicação em hospitais: nos Estados Unidos, cada
paciente internado está sujeito a um erro de medicação por dia, o que acarreta,
no mínimo, 400.000 eventos adversos evitáveis relacionados a medicamentos
por ano (ASPDEN et al., 2007) — esses erros de medicação resultam em
mais de 7.000 mortes por ano (FERRACINI, 2005). No Brasil, um estudo de
2006, aponta uma incidência de 7,6% de pacientes com eventos adversos; em
números, são 1.140.000 pacientes sofrendo eventos adversos no Brasil por
ano, uma vez que as estimativas são de 11.000.000 de internações pelo SUS
(Sistema Único de Saúde) e 4.000.000 de internações no setor privado, em um
total estimado de 15.000.000 de internações por ano. Em 2014, o Ministério
da Saúde lançou, com a Fundação Oswaldo Cruz e a ANVISA, o documento
de referência para o Programa Nacional de Segurança do Paciente, o qual
aponta que 10% dos pacientes sofrem algum tipo de evento adverso, dentre
os quais 50% seria evitável (AZEVEDO, 2014).
Atenção farmacêutica 17

Existem diferentes tipos de erro medicamentoso dentro das diferentes


etapas do uso de medicamentos: prescrição, dispensação, administração.
Alguns dados de estudos mostram:

 7.148 prescrições com medicamentos potencialmente perigosos, dentre


as quais 56% com erros de prescrição (2009);
 ocorrência de 34% dos erros de dispensação em hospital público (2003)
e de 2,4% em hospitais particulares (2007);
 dos medicamentos administrados, há erros em 33% deles, sendo que
em 75% das administrações as mãos não foram lavadas (2009) (AZE-
VEDO, 2014).

Esses erros representam gastos enormes para o sistema de saúde (COHEN,


2010; JOÃO, 2010) e, além disso, trazem como consequência: diminuição da
disponibilidade de leitos, sofrimento humano, abalo da reputação de uma
instituição e problemas judiciais (AZEVEDO, 2014).
Kelian (2014) realizou uma pesquisa bibliográfica com artigos publicados
entre 1995 e 2014, nacionais e internacionais, e mostrou a necessidade de
avaliarmos com mais cuidado as consequências para o paciente, a família e
para a instituição desses eventos adversos, como, por exemplo, um erro de
medicação. O trabalho ressalta que o erro relacionado à administração de
medicamentos ocorre com uma frequência muito maior do que deveria, tanto
nacional quanto internacionalmente, causando, muitas vezes, maior tempo
de internação ao paciente. Por fim, o trabalho considera os enormes custos
financeiros utilizados para tratar eventos adversos com danos moderados,
graves ou até mesmo o óbito, os quais poderiam ser investidos em outras
áreas, como novas tecnologias, novos prédios, recursos humanos, mídia,
entre outros.
Dessa forma, “Os serviços farmacêuticos de atenção primária contribuem
para a diminuição da internação ou do tempo de permanência no hospital, para
a assistência aos portadores de doenças crônicas, para a prática de educação
em saúde e para uma intervenção terapêutica mais custo-efetiva” (JOÃO,
2010, p. 44).
Tendo em vista o grande número de erros de utilização de medicamentos
e que o objetivo da atenção farmacêutica é garantir o sucesso do tratamento e
evitar a ocorrência de problemas relacionados ao uso de medicamentos (PRMs),
promovendo, assim, o uso racional dos mesmos, destaca-se com evidência a
importância dessa atividade farmacêutica.
18 Atenção farmacêutica

Acesse o link a seguir para conhecer o site do Instituto para Práticas Seguras no Uso
de Medicamentos.

https://goo.gl/hD7TZD

1. A consulta farmacêutica é farmacêutico a conduz como


importante para prevenção e/ desejar, de acordo com seu
ou detecção e correção de conhecimento e com as
problemas relacionados ao uso de características do paciente. 
medicamentos, a fim de promover d) ter sido reforçada pela
a saúde do usuário e sua qualidade legalização que instituiu
de vida. São características a prescrição farmacêutica.
da consulta farmacêutica: Assim, o farmacêutico tem
a) compreender a  dispensação independência e monopólio
de medicamentos prescritos e, do processo de correção
durante o processo, identificar dos problemas relacionados
os problemas relacionados aos à farmacoterapia.
medicamentos em dispensação, e) o resultado da consulta
bem como aos já utilizados, terapêutica é um documento
apenas a partir das características entregue ao paciente e destinado
dos farmácos, sem necessidade ao médico. Nesse documento,
de conhecer o usuário. chamado parecer farmacêutico,
b) estabelecer um atendimento estão relatados e documentados
humanizado, com foco no os problemas relacionados à
indivíduo, nas suas características, farmacoterapia que devem ser
dificuldades e necessidades, solucionados pelo médico.
a fim de traçar estratégias 2. É importante saber diferenciar
efetivas para a realidade do a atenção farmacêutica da
indivíduo e, consequentemente, Assistência Farmacêutica. Quanto
promover a adesão e o ao vínculo e às diferenças
sucesso do tratamento.  entre atenção farmacêutica e
c) não ter um roteiro Assistência Farmacêutica, qual
preestabelecido — o alternativa está correta?
Atenção farmacêutica 19

a) As  atividades de de forma completa, a


atenção farmacêutica são fim de garantir o uso
também consideradas atividades correto dos mesmos.
de Assistência Farmacêutica, b) O único e principal objetivo da
mas nem toda atividade atenção farmacêutica é alimentar
de  Assistência Farmacêutica os dados de farmacovigilância.
é também de atenção Assim, a importância está em
farmacêutica. Ambas diferem levantar dados suficientes para
quanto ao tipo de atividade, local análises e determinação de novas
de realização e quanto à sua ações em farmacovigilância.
relação com a farmacovigilância. c) Os objetivos são: a
b) Ambas contam com o mesmo promoção do uso racional de
tipo e escopo de atividades medicamentos e a promoção
e características; a única da saúde do indivíduo e da
diferença é que são realizadas população. A importância
em locais diferentes. está em evitar e solucionar
c) A atenção farmacêutica conta problemas relacionados ao
com o componente uso de medicamentos.
de farmacovigilância, d) O objetivo é rastrear os principais
ausente na Assistência problemas referentes ao uso
Farmacêutica. Ademais, não de medicamentos, o que
existem outras diferenças é de extrema importância
entre essas duas atividades para que os médicos sejam
farmacêuticas. instruídos na condução dos
d) Diferem quanto ao tipo de pacientes em relação a evitar
atividade, local de realização e que esses problemas ocorram.
relação com a farmacovigilância. e) O objetivo é promover a
Além disso, as atividades de divulgação da Assistência
Assistência Farmacêutica Farmacêutica, educando a
estão contidas na atenção população e, por consequência,
farmacêutica, mas nem toda ação gerando o uso racional de
de Atenção Farmacêutica é uma medicamentos. É justamente
ação de Assistência Farmacêutica. na promoção do uso racional
e) São sinônimas e, portanto, de medicamentos que se
não possuem diferenças. encontra a sua importância.
3. Assinale a alternativa que contém 4. Selecione a alternativa que
o(s) objetivo(s) e a importância correlaciona corretamente os
da atenção farmacêutica. conceitos de atenção farmacêutica.
a) Os objetivos são compreender a) Na atenção farmacêutica,
a letra do médico na receita o profissional faz o
e realizar a dispensação dos acompanhamento ou
medicamentos prescritos seguimento farmacoterapêutico
20 Atenção farmacêutica

do usuário e, somente quando para garantir o uso correto


necessário, realiza a consulta dos medicamentos e a
farmacêutica e a intervenção eficácia do tratamento.
farmacêutica para garantir o 5. Para trabalhar na atenção
uso correto dos medicamentos farmacêutica, o profissional:
e a eficácia do tratamento. a) não precisa ser farmacêutico,
b) Na atenção farmacêutica, o pode ser qualquer profissional
profissional identifica e soluciona da saúde que domine o
sozinho, a partir da análise do conhecimento sobre a forma
prontuário do paciente, os de uso dos medicamentos.
problemas relacionados à b) deve ser farmacêutico,
farmacoterapia. O resultado da conhecer e dominar as etapas
consulta farmacêutica é o plano da consulta farmacêutica,
de ação decorrente dessa análise ser comunicativo e capaz de
que é entregue ao paciente. criar vínculo com pessoas
c) Na atenção farmacêutica, o diferentes e, ainda, dominar
profissional faz o atendimento o conhecimento referente
farmacêutico do ususário, aos medicamentos. 
seguindo o plano de ação c) pode ser qualquer farmacêutico
previamente padronizado graduado que tenha um curso
pelo Sistema de Saúde. de pós-graduação relacionado
d) Na atenção farmacêutica, o a qualquer área da farmácia.
profissional realiza o seguimento d) que for farmacêutico industrial
farmacoterapêutico por meio não pode exercer atenção
de consulta farmacêutica. farmacêutica, mas os com
Sempre que necessário, realiza especialização em bioquímica
intervenções farmacêuticas e alimentos podem.
que resultam em um plano e) deve ser médico ou
de ação que é pactuado farmacêutico capacitado que
com o paciente. conheça e domine as etapas
e) Na atenção farmacêutica, o da consulta farmacêutica,
profissional faz o atendimento seja comunicativo e capaz
farmacêutico a partir de criar vínculo com pessoas
da farmacovigilância e, diferentes e que compreenda os
quando necessário, realiza medicamentos e seus limites.
uma intervenção farmacêutica
Atenção farmacêutica 21

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