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Resumo e Comentário da Lei de Base das Instituições Financeiras

Por: Paulo de Carvalho-----------------------------------------------------------------Direito Bancário e dos Seguros, 5º Ano

L EI DE B ASE DAS I NSTITUIÇÕES F INANCEIRAS

A abordagem relativa à Lei de Base das Instituições Financeiras nº


12/15 de 17 de Junho torna-se importante no âmbito da cardeira de Direito
Bancário e dos Seguros, pois a matéria por ela tratada ocupa um realce no
tratamento jurídico concernente ao processo de estabelecimento, no
exercício da actividade, na supervisão, no processo de intervenção e no
regime sancionatório das instituições bancárias e de seguros, enquanto
instituições financeiras e todas outras que assim se caracterizam.

As instituições financeiras bancárias e não bancárias são regidas por


normas que definem o exercício das suas actividades, supervisão, o
processo de intervenção e o regime sancionatório das mesmas, com base
nessa mesma lei; porém, as instituições financeiras bancárias e não
bancárias que revistam a natureza societária, que pertencem ano sector
empresarial público, não estão sujeitas à fiscalização prévia do Tribunal de
Conta, nem a fiscalização sucessiva no que diz respeito ao exercício das
suas operações.

A lei clarifica, no seu artigo 2º, os mais diversos conceitos ligados às


instituições financeiras, assim com os elementos relevantes e
característicos das mesmas. Entende Instituições Financeiras como sendo
empresas de direito público ou privado que exerçam actividade financeira
bancarias e não bancárias, nos termos da lei. Importante aqui realçar, no
âmbito das instituições financeiras, os conceitos e as diferenças entre
Instituições Financeiras Bancárias e Instituições Financeiras não
Bancárias. Sendo que o Banco nacional de Angola pode estabelecer
diferentes tipologias de Instituições Financeiras Bancárias.

Essa lei entende Instituições Financeiras Bancárias como bancos,


empresas cuja actividade principal consiste em receber do público
depósitos ou outros fundos reembolsáveis, a fim de os aplicar por conta
própria, mediante a concessão de crédito. Também desenvolvem
actividades ligadas aos serviços de pagamentos, emissão de moedas
electrónicas, etc., bem como as acções previstas para a Instituições
Financeiras não Bancárias.

Relativo às Instituições Financeiras não Bancárias, sua actividade principal


consiste na actuação de mercados intercâmbios; compromissos, bem como
a locação financeiras; tomada de participação no capital de sociedade;
mediação de seguros; a prestação de informação comercial; consultoria
das empresas em matéria de estrutura de capital, de estratégia empresarial
e de questões conexas; bem como consultoria e serviços no domínio da
fusão; compra de empresa e também a alocação de bens nos termos, nos
termos permitidos às sociedades sociedade de locação financeira. As
Instituições Financeiras não Bancárias ligadas à moeda e crédito 1 , estão
sujeitas à jurisdição do Banco Nacional de Angola.

1
A lei define crédito como sendo o acto pelo qual uma instituição financeira bancária ou não bancária,
agindo a título oneroso, coloca ou promete colocar fundos à disposição de uma pessoa singular ou
colectiva, contra a promessa de esta lhos restituir na data de vencimento, ou contrai, no interesse da
mesma, uma obrigação por assinatura, tal como uma garantia.

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Por: Paulo de Carvalho-----------------------------------------------------------------Direito Bancário e dos Seguros, 5º Ano

 A referida lei regula em dez capítulos os seguintes aspectos, no âmbito


das Instituições Financeiras:

 Sobre as Disposições Gerais:


Esclarece o objecto a que se propõe regular, apresenta também diversos
conceitos ligados às instituições financeiras, descreve o regime jurídico
das instituições financeiras, suas actividades e espécies.

 Sobre a Autorização das Instituições Financeiras Bancárias com Sede


em Angola:
Neste capítulo a lei apresenta os requisitos necessários as instituições
financeiras bancárias com sede em Angola, sua composição,
funcionalidade e capital social.

 Sobre a Actividade no Estrangeiro:


As instituições financeiras bancárias com sede em Angola que pretendam
estabelecer filial ou sucursal no estrangeiro devem notificar previamente
desse facto a Banco Nacional de Angola, especificando as seguintes
elementos: Pais onde se propõe estabelecer a filial ou sucursal; programa
de actividades, no qual sejam indicados, nomeadamente, o tipo de
operações a realizar e a estrutura de organização da sucursal,
identificação dos responsáveis da filial e da sucursal e o
endereço da filial ou sucursal no país de acolhimento.

 Sobre a Actividade em Angola :


Determina que a actividade desenvolvida de em território nacional de
instituições financeiras bancárias com sede no estrangeiro deve observar a
legislação angolana e apresenta alguns critérios de funcionalidade.

 Sobre o Registo:
Determina, claramente, que as instituições financeiras bancárias não
podem iniciar a sua actividade enquanto não se encontrarem inscritas em
registo especial no Banco Nacional de Angola; faz menção aos elementos
sujeitos ao registo e seus critérios.

 Sobre a Supervisão e as Competências do BNA:


Compete ao Banco Nacional de Angola a regulação e orientação dos
mercados monetário e cambial de acordo com a Lei do Banco Nacional de
Angola e a presente Lei.

É da competência do BNA estabelecer o capital mínimo das instituições


financeiras bancárias e a forma de realização do mesmo, bem como as
modalidades de subscrição do capital.

Para além da condução, execução, acompanhamento e controlo das


políticas monetária, financeira, cambial e de crédito no âmbito da política
económica do Poder Executivo, compete ainda ao Banco Nacional de
Angola:

- Actuar como banqueiro único do Estado;

- Aconselhar o Executivo nos domínios monetários, financeiro e cambial;

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- Participar com o Poder Executivo na definição, condução, execução,


acompanhamento e controlo a política cambial e respectivo mercado;

- Agir, como intermediário, nas relações monetárias internacionais do


Estado;

- Velar pela estabilidade do sistema financeiro nacional, assegurando, com


essa finalidade, a função de financiador de última instância;

- Gerir as disponibilidades externas do país que lhe estejam cometidas,


sem prejuízo do disposto em Lei especial;

- Participar na elaboração da programação financeira anual do Executivo,


de modo
a compatibilizar a gestão das reservas cambiais e o crédito a conceder
pelo Banco Nacional de Angola com as necessidades de estabilização e
desenvolvimento da economia.

Compete, igualmente, ao Banco Nacional de Angola:

- Garantir e assegurar um sistema de informação, compilação e tratamento


das estatísticas monetárias, financeiras e cambiais e demais
documentação, nos domínios da sua actividade por forma a servir como
instrumento eficiente de coordenação, gestão e controlo;
- Elaborar e manter actualizado o registo completo da dívida externa do
País, assim como efectuar a sua gestão;

- Elaborar a balança de pagamentos externos do País.

Ainda é competência do BNA a autorização das instruções de pedidos


recebidos das Instituições Financeiras Bancárias, que deverá exigir os
seguintes elementos: projectos e estatutos, informação detalhada sobre a
solidez financeira, Estado de viabilidades económica e financeira,
identificação dos accionistas, documento comprovativo da proveniência dos
fundos das operações, etc.. assim como a revocação da autorização com
os devidos fundamentos legais previstos no artigo 29º e suas formas pelo
artigo 30º.

 Sobre as Instituições Financeiras Não Bancárias:


A Lei determina os requisitos das instituições financeiras não bancárias
com sede em Angola, seus capitais, competências, regras de conduta; por
outro lado, determina também os requisitos das actividades em Angola de
Instituições Financeiras não Bancárias com Sede no Estrangeiro.
A intervenção do Organismo de Supervisão do Mercado
de Valor de Mobiliários é outro assunto abordado nesse apartado.

 Sobre o Processo de Intervenção em Instituições Financeiras:


O organsino de supervisão, já trás aflorado, pode adoptar as medidas
previstas nesse capítulo capitulo, relativamente a instituições
financeiras, com os seguintes objectivos: Assegurar a continuidade da
prestação dos serviços financeiros essenciais, acautelar a risco sistémico,
salvaguardar os interesses dos contribuintes e do Estado e Salvaguardar a
confiança dos depositantes.

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 Sobre o Infracções e Sanções:


A lei abre a possibilidade da punição dos actos contrários à lei e à moral
praticados pelas Instituições Financeiras, bem como aos seus
responsáveis. Designa claramente os diferentes tipos de punição, suas
causas e consequências.

Não menos importante é aclararmos que estão bem definidas as regras de


conduta, as competências técnicas, o segredo profissional, o dever de
informação e assistência aso clientes, no âmbito da supervisão
comportamental das instituições financeiras.

As instituições financeiras são obrigadas apresentar ao organismo de


supervisão competente, no prazo este determino, as informações
necessárias à verificação do seu grau de liquidez e solvabilidade e outras
no âmbito legal.

Convém que digamos que a lei define claramente para as instituições


financeiras, os valores pecuniários e suas modalidades relativos às
actividades ilícitas e contravenções, assim como os requisitos para a
manutenção da autorização para o exercício da sua actividade.

A lei dita a obrigatoriedade dos membros dos órgãos de administração,


bem como as pessoas que exerçam cargos de direcção, gerência, chefia e
similares, de observarem critérios de idoneidade e disponibilidade que
dêem garantia de sã e prudência da instituição bancárias, tendo em vista,
de modo particular, a segurança dos fundos confiados à instituição.

“O Titular do Poder Executivo, sob proposta do Banco Nacional de Angola,


pode alterar os limites máximos e extremos das multas previstas na
presente lei.” 2

 Disposições Finais e Transitórias


As disposições finais e transitórias dessa lei dizem respeito,
essencialmente, a forma de realização dos actos e contratos, a forma e
publicidade dos actos dos organismos de supervisão e sobre o dever de
arquivo.
=
Para concluir esse apartado, importar  dizer que o progresso de qualquer
economia moderna está associado ao funcionamento eficiente do seu
sistema financeiro. É o sistema financeiro que disponibiliza recursos para o
início de novas actividades económicas ou para o desenvolvimento de
novos projectos e iniciativas.

2
Vide artigo 153º

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BIBIOGRAFIA

Principal Consulta:
- Lei 12/15 – Lei de Base das Instituições Financeiras, 17 de Junho

Outras Consultas:
- Constituição de Angola - 2010
- Lei Constituição de Angola - 1975
- Lei Constitucional de Angola – 1992
- SANTOS, Morais. Políticas e Funcionamento das Instituições Financeiras .
Editora Paulus, São Paulo, 2013

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