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UNIVERSIDADE TECNOLÓGICA FEDERAL DO PARANÁ

DEPARTAMENTO ACADÊMICO DE ELETROTECNICA


CURSO DE ENGENHARIA ELÉTRICA

ADRIANO GIMENES RAMOS


JOÃO PAULO JAKOBI MOREIRA

SEGURANÇA EM USINAS
FOTOVOLTAICAS CONFORME A NBR 16690:2019

TRABALHO DE CONCLUSÃO DE CURSO

CURITIBA
2021
ADRIANO GIMENES RAMOS
JOÃO PAULO JAKOBI MOREIRA

SEGURANÇA EM USINAS
FOTOVOLTAICAS CONFORME A NBR 16690:2019

SAFETY IN PHOTOVOLTAIC PLANTS


ACCORDING TO NBR 16690:2019

Trabalho de Conclusão do curso de


Graduação em Engenharia Elétrica
apresentado à Disciplina de Trabalho de
conclusão de curso 2, do Departamento
Acadêmico de Eletrotécnica (DAELT) da
Universidade Tecnológica Federal do Paraná
– UTFPR, como requisito parcial para
obtenção do título de Engenheiro Eletricista.

Orientador: Prof. Dr. Luiz Erley Schafranski

CURITIBA
2021

Esta licença permite compartilhamento, remixe, adaptação e criação a


partir do trabalho, mesmo para fins comerciais, desde que sejam
atribuídos créditos ao(s) autor(es).
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4.0 Internacional não são cobertos pela licença.
ADRIANO GIMENES RAMOS

JOÃO PAULO JAKOBI MOREIRA

SEGURANÇA EM USINAS
FOTOVOLTAICAS CONFORME A NBR 16690:2019

Este Trabalho de Conclusão de Curso de Graduação foi julgado e aprovado como requisito parcial para
a obtenção do Título de Engenheiro Eletricista do curso de Engenharia Elétrica do Departamento
Acadêmico de Eletrotécnica (DAELT) da Universidade Tecnológica Federal do Paraná (UTFPR).

Curitiba, 23 de fevereiro de 2021.

____________________________________
Prof. Antonio Carlos Pinho, Dr.
Coordenador de Curso
Engenharia Elétrica

____________________________________
Prof. Marcelo Rosa, Dr.
Responsável pelos Trabalhos de Conclusão de Curso
de Engenharia Elétrica do DAELT

ORIENTAÇÃO BANCA EXAMINADORA

______________________________________ _____________________________________
Luiz Erley Schafranski, Dr. Carlos Henrique Karam Salata
Universidade Tecnológica Federal do Paraná Universidade Tecnológica Federal do Paraná
Orientador
_____________________________________
Luiz Gustavo Trevisan
Universidade Tecnológica Federal do Paraná

_____________________________________
Marcelo Rodrigues, Dr.
Universidade Tecnológica Federal do Paraná

A folha de aprovação assinada encontra-se na Coordenação do Curso de Engenharia Elétrica.


RESUMO

RAMOS, Adriano Gimenes, MOREIRA, João Paulo Jakobi. Segurança em


usinas fotovoltaicas conforme a NBR 16690:2019. 2021. 167 f. Trabalho de
conclusão de curso (Graduação – Curso de Engenharia Elétrica), Universidade
Tecnológica Federal do Paraná – UTFPR, Curitiba, 2021.

Diante da expansão da geração distribuída em território nacional, o presente


trabalho aborda os requisitos de segurança em usinas fotovoltaicas, abrangendo a
geração em corrente contínua até a unidade de condicionamento de potência
(inversor), baseado na ABNT NBR 16690, publicada na data de 04/10/2019, que
complementa os requisitos não-abrangidos pela ABNT NBR 5410. Neste estudo
serão apresentados exemplos reais e situações não-desejáveis demonstrando
riscos que podem acarretar tanto em perdas financeiras quanto de vida humana,
bem como uma adequação de usina com todo o memorial descritivo e de cálculo.

Palavras-chave: Geração Distribuída, Usina fotovoltaica, Projeto,


Segurança em Eletricidade, ABNT NBR 16.690:2019.
ABSTRACT

RAMOS, Adriano Gimenes, MOREIRA, João Paulo Jakobi. Safety in


photovoltaic plants according to NBR 16690:2019. 2021. 167 f. Trabalho de
conclusão de curso (Graduação – Curso de Engenharia Elétrica), Universidade
Tecnológica Federal do Paraná – UTFPR, Curitiba, 2021.

Given the expansion of distributed generation in national territory, the present


work addresses the safety requirements in photovoltaic plants, including the
generation in direct current until the power conditioning unit (inverter), based on the
ABNT NBR 16690, published on 04/10/2019, which complements the requirements
not covered by the ABNT NBR 5410. In this study real examples and undesirable
situations will be presented, demonstrating risks that can lead to both financial and
human life losses, as well as a adjustment in a plant with all the descriptive and
calculation memorial.

Palavras-chave: Distributed generation, Photovoltaic plant, Project, Safety


in electricity, ABNT NBR 16.690:2019.
LISTA DE FIGURAS

Figura 1 - Matriz elétrica brasileira. .......................................................................18


Figura 2 - Fluxo energético – Eletricidade. ............................................................20
Figura 3 – Abrangência da ABNT NBR 16690:2019 .............................................22
Figura 4 - Mini e microgeração distribuída ............................................................25
Figura 5 - Comparativo de acidentes de origem elétrica de 2013 a 2019. ............25
Figura 6 - Ilustração do efeito fotovoltaico .............................................................28
Figura 7 - Ilustração da conversão fotovoltaica em materiais semicondutores .....29
Figura 8 - Histórico da produção percentual de células fotovoltaicas por tecnologia
..............................................................................................................................30
Figura 9 - Exemplo de célula fotovoltaica a base silício do tipo monocristalino ....31
Figura 10- Estrutura básica de uma célula fotovoltaica de silício ..........................31
Figura 11 - Circuito equivalente de uma célula fotovoltaica ..................................32
Figura 12 - Exemplo de Curva I-V de uma célula fotovoltaica ...............................33
Figura 13 - Comportamento da curva I-V em relação a associação de células em
série ......................................................................................................................36
Figura 14 - Comportamento da curva I-V em relação a associação de células em
paralelo .................................................................................................................36
Figura 15 - Ilustração de um módulo a base de silício ..........................................37
Figura 16 - Vista transversal de um módulo fotovoltaico .......................................38
Figura 17- Representação de um módulo fotovoltaico com cabos e conectores ..38
Figura 18 - Influência do nível de irradiância na curva I-V de um módulo fotovoltaico
..............................................................................................................................39
Figura 19 - Influência do nível de temperatura na curva I-V de um módulo
fotovoltaico ............................................................................................................40
Figura 20 - Exemplo de módulo fotovoltaico formado por células fotovoltaicas ....41
Figura 21 - Exemplo de configuração de módulos fotovoltaicos ...........................42
Figura 22 - Exemplo de uma associação de diversos módulos em paralelo .........43
Figura 23 - Célula fotovoltaica submetida ao sombreamento................................44
Figura 24 - Esquema de operação dos diodos de passagem ...............................45
Figura 25 - Diodos de passagem inseridos nas caixas de conexões dos módulos
..............................................................................................................................46
Figura 26 - Representação de diversas séries de módulos em paralelo ...............46
Figura 27 - Representação do surgimento de correntes reversas nas séries
fotovoltaicas ..........................................................................................................47
Figura 28 - Associação de módulos fotovoltaicos com diodos de bloqueio ...........48
Figura 29-Topologia típica de inversor fotovoltaico ...............................................50
Figura 30 - Exemplo de ligação de entradas CC de um inversor ..........................53
Figura 31 - Curva de eficiência de um inversor .....................................................54
Figura 32 - Instrução de espaçamentos necessários para a montagem de inversor
fotovoltaico. ...........................................................................................................55
Figura 33 - Exemplo de microinversor ...................................................................56
Figura 34 - Local típico de instalação de um microinversor ..................................57
Figura 35 - Exemplo de caixa de junção – vista frontal. ........................................58
Figura 36 - Diagrama de montagem de alguns componentes de manobra e proteção
de uma caixa de junção. .......................................................................................59
Figura 37 - Exemplo de fusível e porta fusível ......................................................60
Figura 38 - Comportamento da corrente CA e sua passagem pelo valor zero ......62
Figura 39 - Comportamento da corrente no disjuntor CC durante sua interrupção
..............................................................................................................................62
Figura 40 - Exemplo disjuntor CC e seus esquemas de ligação ...........................63
Figura 41 - Exemplo de seccionador e formas possíveis de ligação .....................65
Figura 42 - Exemplo de interruptor-seccionador e seu diagrama de ligação ........65
Figura 43 - Representação de um evento de sobretensão ...................................66
Figura 44 - Instalação de DPS sem SPDA externo ...............................................68
Figura 45 - Instalação de DPS com SPDA não conectado ao SFVCR .................70
Figura 46 - Instalação de DPS com SPDA conectado ao SFVCR ........................70
Figura 47 - Par de conectores macho-fêmea ........................................................72
Figura 48 - Cabos e conectores da parte traseira do módulo fotovoltaico ............72
Figura 49 - Conexão entre módulos através de conectores apropriados ..............73
Figura 50 -Conectores do tipo ilhós pré-isolado ....................................................73
Figura 51 - Principais itens de um cabo utilizado em sistemas fotovoltaicos. .......74
Figura 52 - Esquemático do barramento de equipotencialização principal ...........78
Figura 53 - Esquemático de conexão BEP com as equipotencializações locais. ..78
Figura 54 - Esquema de aterramento típico em SFCR .........................................79
Figura 55 - Furos para aterramento da moldura dos módulos fotovoltaicos .........80
Figura 56 - Exemplo de malha de aterramento e SPDA em grandes usinas em solo.
..............................................................................................................................81
Figura 57 - Configuração funcional geral de um sistema fotovoltaico. ..................82
Figura 58 - Arranjo fotovoltaico com uma única série fotovoltaica ........................83
Figura 59 - Arranjo fotovoltaico com múltiplas séries fotovoltaicas .......................84
Figura 60 - Arranjo fotovoltaico com múltiplos subarranjos fotovoltaicos ..............85
Figura 61 - Arranjo com múltiplas entradas CC com SPMP individuais ................86
Figura 62 - Arranjo com múltiplas entradas CC e um barramento em CC comum87
Figura 63 - Instalação de dispositivo de proteção contra sobrecorrente para um
grupo de séries......................................................................................................92
Figura 64 - Requisitos de meios de manobra em instalações fotovoltaicas ..........94
Figura 65 - Classes de tensão decisiva .................................................................99
Figura 66 - Forma de instalação do cabeamento a fim de se evitar a formação de
laços. ...................................................................................................................100
Figura 67 - Aterramento de partes condutoras expostas ....................................102
Figura 68 - Esquemas de aterramento funcional.................................................103
Figura 69 - Exemplo de ensaio de continuidade da ligação à terra e dos condutores
de equipotencialização ........................................................................................107
Figura 70 - Exemplo de ensaio de polaridade .....................................................108
Figura 71 - Ilustração de teste de tensão de circuito aberto ................................109
Figura 72 - Ilustração de ensaio de resistência de isolamento em um arranjo
fotovoltaico ..........................................................................................................110
Figura 73 - Exemplo de anormalidades que podem ser detectadas com base na
análise da curva IV de um arranjo fotovoltaico. ...................................................111
Figura 74 - Detecção de falha em diodo de passagem com base em medição com
câmera IR. ...........................................................................................................112
Figura 75 – Terminais de fixação da estrutura metálica soltos durante as obras 113
Figura 76 – Cabos CC energizados sem proteção adequada durante as obras .114
Figura 77 –Rachaduras na célula do módulo ......................................................115
Figura 78 - Módulos instalados com 5º de inclinação. ........................................116
Figura 79 - Módulos instalados com 6º inclinação após 15 dias de instalação. ..116
Figura 80 – Sombreamento nos módulos fotovoltaicos causado pela chaminé ..117
Figura 81 – Sombreamento causado pelo telhado da edificação ........................118
Figura 82 – Obstrução da superfície do módulo fotovoltaico causado por silicone
............................................................................................................................118
Figura 83 – Ausência de manutenção do local da usina .....................................119
Figura 84 - Afrouxamento das fixações devido à inadequada fixação com a estrutura
do telhado da edificação .....................................................................................120
Figura 85 – Ausência de terminal intermediário entre dois módulos ...................121
Figura 86 – Sistema fotovoltaico danificado devido às ações do vento ..............122
Figura 87 – Estruturas metálicas improvisadas ...................................................122
Figura 88 – Barra roscada e porca de aço galvanizado em união com terminal de
alumínio. ..............................................................................................................123
Figura 89 – Terminal intermediário de fixação de aço galvanizado em contato com
a moldura em alumínio anodizado dos módulos fotovoltaicos. ...........................124
Figura 90 – Trilhos fixados diretamente à telha de fibrocimento .........................124
Figura 91 - Estrutura metálica sem aterramento e equipotencialização: nota-se que
não há nenhum condutor equipotencializando o trilho que está sem um módulo
apoiado. ..............................................................................................................126
Figura 92 – Aterramento instalado em ponto isolado ..........................................127
Figura 93 – Aterramento não-realizado do ponto de aterramento do microinversor
ao trilho de fixação. .............................................................................................127
Figura 94 - Captor Franklin inadequado ..............................................................128
Figura 95- Fixação incorreta do sistema de captação do SPDA na estrutura do
telhado e encaminhamento incorreto do cabo de cobre nu. ................................129
Figura 96 – Curto-circuito em caixa de junção ....................................................130
Figura 97 – Séries ligadas diretamente à UCP sem dispositivos de proteção. ...131
Figura 98 – Série fotovoltaica com polaridade invertida ......................................131
Figura 99- Uso de presilhas de nylon como elemento de fixação principal .........132
Figura 100: Bordas cortantes em eletrodutos......................................................133
Figura 101 – Borda cortante em elemento da estrutura metálica ........................133
Figura 102 – Não conformidades no encaminhamento de cabos em telhados ...134
Figura 103 – Cabos CC sem fixação atrás dos módulos ....................................134
Figura 104 – Strings com roteamento inadequado – Caso 1. .............................135
Figura 105 – Strings com roteamento inadequado – Caso 2. .............................135
Figura 106 – Penetração de espuma expansiva no interior dos eletrodutos .......136
Figura 107 – Eletroduto enterrado sem a profundidade mínima .........................137
Figura 108 – Utilização de materiais hidráulicos na infraestrutura elétrica. .........137
Figura 109 – Inversor com infraestrutura para instalação em local exposto à luz
solar. ...................................................................................................................138
Figura 110 – Inversores instalados em abrigo com dimensões insuficientes ......139
Figura 111 – módulos com acessibilidade restrita – Caso 1. ..............................140
Figura 112 – módulos com acessibilidade restrita – Caso 2. ..............................140
Figura 113 – Módulo quebrado por esforço mecânico. .......................................141
Figura 114 – Análise termográfica em módulos instalados com pequenas
rachaduras ..........................................................................................................142
Figura 115 – Análise termográfica das conexões da UCP. .................................142
Figura 116 – Usina fotovoltaica a ser readequada ..............................................144
Figura 117 – Dados CC do inversor Solis 50K ....................................................146
Figura 118 – Características do módulo DHP-72 ................................................147
Figura 119 – Esquemático do arranjo fotovoltaico ..............................................151
Figura 120 – Capacidade mínima de corrente para os condutores das séries
fotovoltaicas ........................................................................................................154
Figura 121 – Trecho da tabela C.4 da NBR 16612 (2020) ..................................155
Figura 122 – Valores de tensões impulsivas que devem ser suportadas pelos
equipamentos do arranjo fotovoltaico..................................................................159
LISTA DE SIGLAS

ABNT Associação Brasileira de Normas Técnicas


ABRACOPEL Associação Brasileira de Conscientização para Perigos da
Eletricidade
ANEEL Agência Nacional de Energia Elétrica
AQ2 Influência externa: risco de ocorrência de descargas
atmosféricas indiretas por mais de 25 dias ao ano
AQ3 Influência externa: risco de ocorrência de descargas
atmosféricas diretas em componentes externos da sua
instalação
BEN Balanço Energético Nacional
BEP Barramento de equipotencialização principal
CA Corrente alternada
CAR Curva de aversão de risco
CC Corrente contínua
DPS Dispositivo de proteção contra surtos
DR Dispositivo de proteção à corrente diferencial residual
EPE Empresa de Pesquisa Energética
EVA Acetato de vinil-etila
FF Fator de forma
gPV Fusível para aplicações em sistemas fotovoltaicos
GD Geração distribuída
IEC International Electrotechnical Commission
IGBT Transistor bipolar de porta isolada
IP Grau de Proteção
IR Infravermelho
ISO Organização internacional de padronização
MOSFET Transistor de efeito de campo de óxido de metal semicondutor
MLPE Module level power eletronics
MPS Medida de proteção contra surtos
NBR Norma Brasileira
NOCT Nominal operating cell temperature
NR Norma regulamentadora
ONS Operador Nacional do Sistema Elétrico
PDA Proteção contra descargas atmosféricas
PE Condutor de proteção
PWM Modulação por largura de pulso
SFCR Sistema fotovoltaico conectado à rede
SFI Sistema fotovoltaico isolado
SIN Sistema interligado nacional
SPDA Sistema de proteção contra descargas atmosféricas
SPMP Seguimento do ponto de máxima potência
STC Standard test conditions
UCP Unidade de Condicionamento de Potência
UFV Usina fotovoltaica
UV Ultravioleta
LISTA DE SÍMBOLOS

𝑰 Corrente de saída de um módulo fotovoltaico


𝑰𝑳 Corrente fotogerada de um módulo fotovoltaico
𝒆 Carga elementar do elétron
𝑽𝒅 Tensão aplicada nos terminais da junção p-n da célula
fotovoltaica (diodo equivalente)
𝒎 Fator de idealidade do diodo equivalente da célula fotovoltaica
𝒌 Constante de Boltzmann
𝑻𝒄 Temperatura equivalente de operação da célula fotovoltaica
𝑽 Tensão de saída da célula fotovoltaica
𝑰𝟎 Corrente de saturação do diodo no escuro
𝑹𝑺 Resistência em série da célula fotovoltaica
𝑹𝒑 Resistência em paralelo da célula fotovoltaica
𝑽𝑶𝑪 Tensão de circuito aberto de uma célula/módulo fotovoltaico
𝑰𝑺𝑪 Corrente de curto-circuito de uma célula/módulo fotovoltaico
𝑷𝒎𝒑 Ponto de máxima potência
𝑰𝑴𝑷 Corrente de máxima potência
𝑽𝑴𝑷. Tensão de máxima potência
𝒏 Eficiência da célula fotovoltaica
𝑨 Área da célula fotovoltaica
𝑮 Irradiância solar incidente
𝑺𝑨 Número de séries fotovoltaicas conectadas em paralelo
𝑰𝑺𝑪𝑴𝑶𝑫 Corrente de curto-circuito de um módulo fotovoltaico
𝑰𝑴𝑶𝑫 𝑴𝑨𝑿. 𝑶𝑪𝑷𝑹 Valor máximo de proteção contra sobrecorrente do módulo
fotovoltaico
𝑰𝒏 Corrente nominal do dispositivo de proteção contra sobrecorrente
𝑺𝑮 Número de séries fotovoltaica protegidas por um único
dispositivo de proteção contra sobrecorrente
𝑰𝑺𝑪 𝑺−𝑨𝑹𝑹𝑨𝑵𝑱𝑶 Corrente de curto-circuito total de um subarranjo fotovoltaico
𝑰𝑺𝑪 −𝑨𝑹𝑹𝑨𝑵𝑱𝑶 Corrente de curto-circuito total de um arranjo fotovoltaico
𝑺𝑺𝑨 Número total de séries fotovoltaicas conectadas em paralelo em
um subarranjo fotovoltaico
𝑽𝑶𝑪 −𝑨𝑹𝑹𝑨𝑵𝑱𝑶 Tensão de circuito aberto de um arranjo fotovoltaico
SUMÁRIO

1. INTRODUÇÃO.......................................................................................... 18
1.1. TEMA........................................................................................................18

1.2. DELIMITAÇÃO DO TEMA ........................................................................21

1.3. PROBLEMAS E PREMISSAS ..................................................................22

1.4. OBJETIVOS .............................................................................................23

1.4.1. Objetivo geral ...........................................................................................23

1.4.2. Objetivos específicos ................................................................................24

1.5. JUSTIFICATIVA........................................................................................24

1.6. PROCEDIMENTOS METODOLÓGICOS .................................................26

1.7. ESTRUTURA DO TRABALHO .................................................................26

2. COMPONENTES E CARACTERÍSTICAS PRINCIPAIS .......................... 28


2.1. Considerações iniciais ..............................................................................28

2.2. Células fotovoltaicas .................................................................................32

2.3. Módulos fotovoltaicos ...............................................................................36

2.4. Associação de módulos em série e em paralelo ......................................41

2.5. O efeito do sombreamento .......................................................................42

2.6. Diodos de passagem (by-pass) ................................................................44

2.7. Sobrecorrentes reversas ..........................................................................46

2.8. Diodos de bloqueio ...................................................................................48

2.9. UCP ..........................................................................................................49

2.9.1. Considerações iniciais ..............................................................................49

2.9.2. Características e dados importantes ........................................................52

2.9.3. Inversor String x Microinversor .................................................................55

2.10. Caixa de junção ........................................................................................57

2.11. Fusível ......................................................................................................59


2.12. Disjuntor CC .............................................................................................60

2.13. Interruptor-Seccionador, Seccionador e Interruptor ..................................63

2.14. Dispositivo de proteção Contra Surtos (DPS) ...........................................66

2.15. Conectores ...............................................................................................71

2.16. Terminais de fixação.................................................................................73

2.17. Cabos .......................................................................................................74

2.18. Aterramento, equipotencialização e seus componentes...........................76

2.18.1. Conceitos básicos.....................................................................................76

2.18.2. Aterramento e equipotencialização em SFCR ..........................................79

3. UMA ANÁLISE DA NBR 16690:2019 ....................................................... 82


3.1. Princípios fundamentais ...........................................................................82

3.2. Recomendações quanto ao desempenho ................................................88

3.3. Projeto mecânico ......................................................................................89

3.4. Proteção contra choques elétricos............................................................89

3.5. Proteção contra efeitos térmicos ..............................................................90

3.6. Proteção contra sobrecorrentes ...............................................................90

3.7. Proteção contra sobretensões e perturbações eletromagnéticas .............93

3.8. Proteção contra quedas e faltas de tensão ..............................................93

3.9. Seccionamento e comando ......................................................................94

3.10. Seleção e instalação dos componentes – Geral .......................................96

3.11. Classes de tensão decisiva ......................................................................98

3.12. Seleção de linhas elétricas .......................................................................99

3.13. Aterramento e equipotencialização dos arranjos fotovoltaicos ...............101

3.14. Verificação final e manutenção ...............................................................103

3.14.1. Inspeção da instalação ...........................................................................104

3.14.1.1. Inspeção do sistema CC ..................................................................104

3.14.1.2. Proteção contra sobretensões / choque elétrico ..............................105


3.14.1.3. Proteção contra sobretensões / choque elétrico ..............................105

3.14.1.4. Instalação mecânica ........................................................................106

3.14.2. Comissionamento ...................................................................................106

3.14.2.1. Continuidade da ligação à terra e/ou dos condutores de ligação


equipotencial .......................................................................................................106

3.14.2.2. Ensaio de polaridade .......................................................................107

3.14.2.3. Ensaio das caixas de junção ...........................................................108

3.14.2.4. Ensaio de corrente das séries fotovoltaicas ....................................108

3.14.2.5. Ensaio de circuito aberto .................................................................109

3.14.2.6. Ensaios funcionais ...........................................................................109

3.14.2.7. Ensaio da resistência de isolamento dos circuitos CC ....................110

3.14.2.8. Ensaio de curva IV das séries fotovoltaicas ....................................111

3.14.2.9. Inspeção com câmera infravermelha (IR) ........................................111

4. NÃO CONFORMIDADES ....................................................................... 113


4.1. Falta de segurança durante a realização das obras ...............................113

4.2. Avarias nos módulos fotovoltaicos..........................................................114

4.3. Problemas de inclinação e orientação ....................................................115

4.4. Sombreamento .......................................................................................117

4.5. Problemas em estruturas metálicas........................................................119

4.6. Problemas no aterramento e equipotencialização ..................................125

4.7. Problemas no SPDA ...............................................................................128

4.8. Dispositivos de proteção, seccionamento, manobra e caixa de junção ..129

4.9. Problemas com a infraestrutura elétrica .................................................132

4.10. Não conformidades na instalação dos inversores ..................................138

4.11. Problemas de acessibilidade ..................................................................139

4.12. Não conformidades detectadas em inspeções termográficas ................141

4.13. Considerações finais do capítulo ............................................................143

5. ADEQUAÇÃO DE PROJETO FOTOVOLTAICO .................................... 144


5.1. Verificação da instalação mecânica existente ........................................145

5.2. Verificação da localização, orientação e inclinação dos módulos ..........145

5.3. Compatibilidade módulo-inversor e definição da configuração do arranjo


fotovoltaico ..........................................................................................................146

6. CONCLUSÕES....................................................................................... 160
REFERÊNCIAS ................................................................................................... 161
18

1. INTRODUÇÃO

1.1. TEMA

O avanço no desenvolvimento da tecnologia que permitiu gerar, distribuir e


usar a energia elétrica teve seu advento no período da segunda revolução industrial
(AYRÃO,2018). A energia elétrica tornou-se, desde então, essencial e
indispensável para suprir as necessidades do desenvolvimento de uma nação
(GOLDEMBERG, 1998).
Atualmente, a matriz elétrica brasileira é baseada, em sua maioria, na
geração hidráulica Figura 1, com 66,6% do total de geração de energia do país. Tal
número equivale a 423,9 TWh da oferta de energia disponível por este tipo de
geração, enquanto a oferta total de energia é de 636,4 TWh. Tais dados foram
compilados segundo o Balanço Energético Nacional (BEN) em 2019, ano base
2018, fornecido pela Empresa de Pesquisa Energética (EPE). Por questões
geográficas, estes recursos hídricos se localizam, em grande parte, em pontos
muito distante dos grandes centros consumidores, como por exemplo a usina de
Belo Monte no Rio Xingu ou a usina de Jirau no Rio Madeira, ambas localizadas na
bacia amazônica, configurando assim uma geração centralizada.

Figura 1 - Matriz elétrica brasileira.

Fonte: Empresa de Pesquisa Energética (2019)


19

A maior fonte de energia elétrica da matriz brasileira, a hidráulica, necessita


de regimes regulares de chuva. Uma estiagem prolongada pode ocasionar redução
significativa dos reservatórios e causar o desequilíbrio entre a oferta e demanda de
energia elétrica ao mercado nacional. Tal fato ocorreu em 2012, levando o
Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) a autorizar o despacho de 2100 MW
de geração de energia mediante acionamento das usinas termelétricas, no intuito
de preservar os níveis dos reservatórios em patamares seguros, ou seja, acima da
chamada Curva de Aversão de Risco (CAR). A CAR é um mecanismo que
estabelece o nível mínimo de armazenamento dos reservatórios para que se
produza energia com segurança para o Sistema Interligado Nacional (SIN)
(AGÊNCIA NACIONAL DE ENERGIA ELÉTRICA, 2013).
Em 2009,uma falha na unidade de transmissão fez com que a proteção das
20 unidades geradoras da usina de Itaipu atuassem, ocasionando a redução da
oferta de energia elétrica em aproximadamente 100 GWh e levando a uma falta de
energia que totalizou três horas e meia até a recomposição total do sistema,
afetando 18 estados (BORBA, 2015).
Os exemplos citados anteriormente, ajudam a demonstrar que por mais
que os grandes sistemas elétricos interligados tenham obtido, ao longo tempo,
grande êxito em fornecer energia elétrica de forma contínua e adequada, podem
ocorrer falhas e eventos que comprometem este fornecimento em grande escala.
Assim, diversas soluções e estudos são desenvolvidos pelas mais diversas áreas
do setor de energia elétrica, sempre objetivando melhorar a continuidade, a
qualidade e os aspectos econômicos relacionados.
Dentre outras alternativas e técnicas aplicadas, a geração distribuída (GD)
tem se demonstrado um dos caminhos mais promissores. Segundo a EPE (2019),
a GD possuí a capacidade de melhorar a confiabilidade do sistema, assim como
reduzir perdas elétricas nos sistemas de transmissão devido a sua proximidade
com a carga, além de uma série de benefícios econômicos ao sistema como um
todo.
Dentro do contexto de regulamentação e legislação, a Agência Nacional de
Energia Elétrica (ANEEL) (2012), publicou a resolução normativa 482 e
posteriormente atualizada pela resolução normativa 687 em 2015, definindo a
geração distribuída como microgeração e minigeração. A Microgeração pode ser
definida como uma central geradora, com potência instalada menor ou igual a 75
20

kW que pode utilizar cogeração qualificada ou fontes renováveis, sendo essa


conectada à rede de distribuição pública por meio de instalações de unidades
consumidoras (AGÊNCIA NACIONAL DE ENERGIA ELÉTRICA, 2012). A
minigeração conceitua-se da mesma forma, no entanto, possui uma faixa de
potência instalada que compreende valores maiores que 75kW e menores ou iguais
a 5MW.
A elaboração e publicação deste documento teve o objetivo de incentivar a
adição de um novo método de geração de energia renovável (hidráulica, eólica,
solar ou biomassa). O objetivo desta publicação é aumentar a eficiência energética
na matriz nacional, mediante energia renovável, por meio do incentivo da criação
de pontos de geração distribuída– o que possibilita a geração da energia no ponto
de consumo, garantindo mais autonomia e independência ao consumidor cativo,
que pertence ao ambiente de contratação regulada pelo governo por meio dos
leiloes de energia (RUBIM, 2019). Outro aspecto relacionado aos benefícios da
REN 482, visa a redução das perdas técnicas mediante o transporte da energia
(transmissão, transformação e distribuição), que representam 15.9% do consumo
conforme o fluxo energético apresentado na Figura 2.

Figura 2 - Fluxo energético – Eletricidade.

Fonte: Empresa de Pesquisa Energética (2019)

Dada esta grande expansão da energia fotovoltaica em todo o mundo e sua


considerável perspectiva de crescimento, é essencial dar atenção especial aos
21

requisitos de segurança, sejam estes aplicados ao projeto, execução, operação e


manutenção de sistemas de geração fotovoltaica.

1.2. DELIMITAÇÃO DO TEMA

Foi constatado na Alemanha, com base em dados de 1000 sistemas


fotovoltaicos instalados nos anos de 1991 a 1995, que 40% das falhas ocorreram
devido a erros de instalação e 30% devido a erros de projeto (PINHO et al., 2014).
É importante avaliar este período da pesquisa realizada na Alemanha, pois naquela
época a penetração da geração fotovoltaica ainda era incipiente, semelhante ao
cenário do Brasil (PINHO et al., 2014).
Como será mostrado adiante neste texto, o Brasil possui muitos problemas
relativos aos acidentes com eletricidade em geral e que o grande aumento deste
número pode estar relacionado, em parte, com a expansão das instalações de
energia fotovoltaica em todo o país.
Por este motivo, é essencial que todos os profissionais envolvidos na
instalação destes geradores estejam tecnicamente capacitados, conforme as
normas vigentes e seguindo as recomendações dos fabricantes dos itens que
compõe o sistema (PINHO et al., 2014). Com isto, o desenvolvimento de trabalhos
e análises que possam contribuir para um maior esclarecimento de normas e
equipamentos referentes as instalações de energia solar, é de grande importância
para os profissionais que atuam e pretendem atuar neste segmento. Outro aspecto
importante a se notar é o caráter recente que tais normas e recomendações
possuem no Brasil, dando uma importância ainda maior para a elaboração de
trabalhos e conteúdo deste tipo.
O presente trabalho possui como escopo estudar a segurança de usinas
fotovoltaicas à luz da ABNT NBR 16690 - Instalações de Arranjos Fotovoltaicos:
Requisitos de Projeto - publicada em 2019. Além desta norma principal, serão
apresentados alguns pontos importantes referentes a outras normas brasileiras que
a complementam desde os módulos até a unidade de condicionamento de potência.
Os conceitos estudados serão aplicados na análise de estudos de caso e na
elaboração de um projeto fotovoltaico que também aplicará os requisitos desta
norma.
Para a realização deste estudo, as informações técnicas dos elementos que
compõem um gerador fotovoltaicos serão provenientes de normas técnicas,
22

literaturas técnicas bem como dados de catálogos de fabricantes. A análise central


discorrerá sobre os requisitos de projeto, considerando a associação dos elementos
do gerador do ponto de vista dos requisitos de segurança da instalação.
Assim como na própria NBR 16690 (2019), este trabalho tem como escopo
os requisitos de projeto para sistemas fotovoltaicos, incluindo disposições sobre
seus condutores, proteções, dispositivos de manobra, aterramento e
equipotencialização. Este escopo se estende por todas as partes do sistema
fotovoltaico até os dispositivos de armazenamento de energia (exemplo: baterias)
Unidades de condicionamento de potência (UCP) ou as cargas, mas não incluindo
esses elementos.
Este trabalho terá como foco somente os Sistemas fotovoltaicos conectados
à rede (SFCR), ou seja, sistemas que geram a sua potência em corrente contínua
(CC) e injetam esta potência nas suas cargas ligadas e para rede de distribuição à
qual está conectada. A Figura 3 ilustra um sistema fotovoltaico conectado à rede,
bem como a abrangência deste trabalho e da NBR16690 (2019).

Figura 3 – Abrangência da ABNT NBR 16690:2019

Fonte: Adaptado ABB (2014).

Assim, limitando o estudo até a UCP do SFCR, ou seja, os componentes dos


arranjos e séries fotovoltaicas até a interface eletrônica responsável por converter
a potência gerada no lado CC, para o lado da instalação em Corrente Alternada
(CA).

1.3. PROBLEMAS E PREMISSAS

Atualmente, existem diversas normas técnicas para a elaboração de projetos


elétricos, sendo a ABNT NBR 5410, Instalações Elétricas de Baixa Tensão (2004),
23

a mais utilizada. Por ser uma norma extensa e bastante abrangente, é também
referenciada e tomada por base em outras normas técnicas. Algumas normas que
complementam e até substituem determinados pontos da NBR 5410 como a NBR
13534 – Instalações Elétricas em Estabelecimentos Assistenciais de Saúde:
Requisitos de Segurança (2008) (MORENO et al., 2011). Cada uma destas normas
adiciona mais requisitos específicos de segurança, devido às particularidades e
riscos adicionais que determinados ambientes oferecem para as instalações
elétricas e às pessoas que as frequentam. Isto sem contar as outras normas
referentes aos materiais e equipamentos elétricos utilizados nestas instalações.
Semelhante aos exemplos das outras normas citadas acima, a NBR 5410
(2004), uma vez que fora revisada em 2004, não abrange totalmente as
particularidades de critérios de projeto de sistemas fotovoltaicos, cujo crescimento
e efetiva disponibilidade é bem mais recente.
A partir da necessidade de se abranger tais particularidades, no ano de 2016,
a ABNT criou uma comissão para desenvolver uma norma que complementasse a
NBR 5410, elaborando a NBR 16690, que teve por base a IEC/TS 62548:2016 –
Photovoltaic (PV) Arrays – Design requirements (2016). O objetivo da norma é
especificar os requisitos de segurança que surgem das características particulares
dos sistemas fotovoltaicos.
Tendo em vista a data da publicação da norma, que foi no dia 04/10/2019,
pode-se ter uma determinada dificuldade em encontrar referencias técnicas e
estudos de caso que sirvam de base para a elaboração deste trabalho.
Portanto, este trabalho terá o desafio de analisar, de forma contextualizada,
os requisitos de uma norma técnica de recente publicação e que se baseia em um
conjunto de tecnologias relativamente novo, especialmente no Brasil. Além desta
análise, deverão ser coletados dados relativos à sistemas já instalados e
projetados. Por fim, todos estes conceitos deverão ser aplicados na realização de
um projeto que servirá de exemplo de aplicação desta NBR 16690 (2019).

1.4. OBJETIVOS

1.4.1. Objetivo geral

Analisar a segurança em usinas fotovoltaicas e requisitos mínimos de


projeto à luz da ABNT NBR 16690 (2019) e suas outras normas complementares.
24

1.4.2. Objetivos específicos

Para se alcançar o objetivo do presente trabalho é necessária à


realização dos seguintes estudos:
i. Elaborar um referencial teórico sólido dos elementos que compõe uma
usina fotovoltaica para uma abordagem precisa da compatibilidade
destes elementos para a segurança do sistema;
ii. Detalhar o emprego da nova norma em usinas fotovoltaicas;
iii. Explorar falhas no desenvolvimento e implantação de projetos de usinas
fotovoltaicas existentes com base em dados e documentos de sistemas
existentes e em funcionamento;
iv. Utilizar os conteúdos produzidos a respeito da NBR 16690 (2019) na
realização de um projeto fotovoltaico conectado à rede como exemplo
de aplicação da norma.

1.5. JUSTIFICATIVA

As fontes renováveis de energia se mostram como uma opção eficaz para a


diversificação da matriz de geração brasileira (CARACHENSKI, 2017). De acordo
com o que foi descrito nas seções anteriores deste trabalho, o mercado brasileiro
de energia solar cresce de forma vertiginosa, como visto na Figura 4, elevando sua
presença nas instalações elétricas do Brasil.
O balanço energético nacional de 2019, ano base 2018, apresenta o
aumento expressivo da geração distribuída no país conforme Figura 4. Esse
aumento deverá ser superior a 100% nos próximos anos e as preocupações com a
mão de obra qualificada e a segurança das instalações fotovoltaicas deverão ser
cada vez mais valorizadas e necessárias no Brasil (AYRÃO, 2018).
25

Figura 4 - Mini e microgeração distribuída

Fonte: Empresa de Pesquisa energética (2019)

O Brasil possui grandes problemas relacionados à qualificação de mão de


obra para as instalações elétricas e cumprimento de requisitos de segurança nestas
instalações. Como consequência há um crescente aumento no número dos
acidentes de origem elétrica, aumento este de 2,67% em 2018, conforme Figura 5
do Anuário Estatístico da Associação Brasileira de Conscientização para Perigos
da Eletricidade (ABRACOPEL), sendo o sexto ano consecutivo em que se observa
a elevação de acidentes elétricos (ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE
CONSCIENTIZAÇÃO PARA OS PERGOS DA ELETRICIDADE, 2019)

Figura 5 - Comparativo de acidentes de origem elétrica de 2013 a 2019.

Fonte: Associação Brasileira de conscientização para os perigos da eletricidade


(2019)

Com aumento das instalações fotovoltaicas e o crescente número de


acidentes elétricos no Brasil visto na figura 5, há uma grande importância para a
26

correta aplicação dos requisitos mínimos de segurança para o projeto de gerador


fotovoltaico, a fim de conscientizar instaladores, projetistas, engenheiros,
concessionárias de energia e o poder público aos riscos inerentes da utilização
dessa fonte de energia que se faz cada vez mais presente.

1.6. PROCEDIMENTOS METODOLÓGICOS

Para que os objetivos deste trabalho sejam cumpridos, as seguintes


etapas serão realizadas:
i. Realizar a seleção de bibliografias e normas relevantes para o tema
abordado e de acordo com o escopo e os objetivos deste trabalho;
ii. Elaborar o referencial teórico com base nas bibliografias selecionadas,
tendo o foco na descrição dos componentes de um sistema fotovoltaico;
iii. Realizar um estudo detalhado da NBR 16690 (2019) levantando seus
principais itens, definições e requisitos;
iv. Organizar e inserir dados e registros de não conformidades encontradas
em instalações fotovoltaicas;
v. Aplicar o estudo da NBR 16690 (2019) e outras normas complementares
para analisar estas não conformidades e indicar as correções
necessárias;
vi. Aplicar o estudo em um exemplo de projeto de usina fotovoltaica a fim
de aplicar o estudo realizado da norma;
vii. Concluir acerca do trabalho realizado: comentar o que foi elaborado,
levantar dificuldades, constatações e possibilidades de continuidade em
trabalhos futuros.

1.7. ESTRUTURA DO TRABALHO

Este trabalho de conclusão de curso será dividido em 6 capítulos, sendo


o primeiro dedicado a uma introdução e delimitação do tema. Além disso, são
abordados os objetivos, sua justificativa, problemas, premissas e metodologia
aplicada. Dessa forma, o primeiro capítulo define a forma com que o trabalho será
estruturado e como será elaborado.
O segundo capítulo fará uma descrição dos componentes de uma UFV,
referente a instalação em Corrente Contínua como: módulos fotovoltaicos, cabos,
fusíveis, caixas de junção, Dispositivos de Proteção contra Surtos (DPS), estruturas
27

metálicas, componentes do sistema de equipotencialização, entre outros. O terceiro


capítulo irá apresentar uma análise aprofundada referente a NBR 16690 (2019)
com foco nos SFCR e suas instalações em CC.
O quarto capítulo irá apresentar registros referentes à não
conformidades identificadas em diferentes usinas fotovoltaicas, apresentando os
erros e apontando as correções necessárias. O quinto capítulo será referente a
elaboração de um projeto de uma usina fotovoltaica de acordo com os requisitos
normativos estudados
No sexto e último capítulo serão feitas as conclusões e considerações
finais do trabalho. Primeiramente, será descrito de maneira geral o que foi
apresentado neste texto. Também serão levantadas as principais contribuições que
este estudo proporcionou, além de suas dificuldades para a realização. Por fim
serão formuladas sugestões para trabalhos futuros e para a continuidade desta
pesquisa.
28

2. COMPONENTES E CARACTERÍSTICAS PRINCIPAIS

2.1. Considerações iniciais

A tecnologia de funcionamento dos geradores fotovoltaicos é baseada


no chamado Efeito Fotovoltaico, que foi descoberto pelo cientista Francês
Alexandre Edmond Becquerel em 1839, que observou que uma solução de um
eletrólito com eletrodos de metal possui sua condutividade aumentada, ao ser
exposta a radiação luminosa (ZILLES et al., 2012). O Efeito fotovoltaico pode ser
entendida como a conversão de energia luminosa em energia elétrica associada a
uma corrente elétrica e uma diferença de potencial. Tal fenômeno é encontrado em
determinados materiais semicondutores, após tratamentos físico-químicos (PINHO
et al., 2014). Tal característica permite que estes materiais absorvam a energia
contida em fótons presentes na radiação incidente e transformem esta energia em
eletricidade (ZILLES et al., 2012).
Com base na mecânica quântica, os fótons estão presentes em qualquer
tipo de radiação eletromagnética, e podem ser entendidos como partículas que
transportam determinadas quantidades de energia, quantidades estas muitas
vezes denominadas como pacotes de energia. Esta energia é absorvida pelos
elétrons das camadas de menor energia (camada de valência), pertencentes aos
átomos dos materiais semicondutores. Isto faz com que os elétrons deixem esta
camada tendendo a se movimentarem com maior facilidade, podendo gerar
corrente elétrica (PINHO et al., 2014). Isto acaba gerando o que se denomina par
elétron lacuna ou portadores de carga. A Figura 6 ilustra o efeito fotovoltaico:

Figura 6 - Ilustração do efeito fotovoltaico

Fonte: Zilles et al. (2012)

No entanto, tal fenômeno por si só não é suficiente para que ocorra o


efetivo aproveitamento das cargas elétricas geradas e de sua corrente elétrica. É
necessária a realização de determinados tratamentos físico-químicos, semelhantes
aos aplicados nos processos de fabricação de componentes como diodos e
29

transistores. Tais tratamentos transformam basicamente estes em materiais do tipo


p e n e em junções p-n. Com isto, pode-se aproveitar a energia proveniente da
radiação eletromagnética para gerar tensão e corrente elétrica para circuitos
externos. Os materiais semicondutores com estas características terão a tendência
de causar uma diferença de potencial, devido ao aparecimento de um campo
elétrico em sua estrutura. Isto poderá gerar correntes elétricas que poderão ser
entregues para circuitos elétricos externos. A Figura 7 apresenta uma ilustração do
processo de conversão fotovoltaica nestes materiais:

Figura 7 - Ilustração da conversão fotovoltaica em materiais semicondutores

Fonte:Zilles et al. (2012)

Deve-se ressaltar que a descrição dos princípios físicos das tecnologias


fotovoltaicas é mais complexa e não é o foco deste trabalho. Para uma análise mais
detalhada recomenda-se um estudo mais aprofundado em Zilles et al. (2012) e
Pinho et al. (2014).
Como visto acima, o desenvolvimento dos materiais semicondutores é
extremamente importante para o funcionamento das tecnologias de geração
fotovoltaica. O desenvolvimento e aperfeiçoamento destes materiais nos séculos
XIX e XX foi essencial para que a indústria fotovoltaica se desenvolvesse.
30

No decorrer do século XIX e início do século XX, alguns cientistas


registraram avanços em experimentos relacionados a conversão fotovoltaica.
Enfim, nos anos de 1950, os Laboratórios Bell fabricaram as primeiras células
fotovoltaicas, que foram baseadas nos avanços tecnológicos na área dos
semicondutores. Estas células foram fabricadas a partir de Lâminas de Silício
cristalino (PINHO et al., 2014). Desde então, outras tecnologias com diferentes
materiais estão sendo propostas e aplicadas, no entanto, a maioria da produção
mundial tem sido baseada em materiais a base de silício. As tecnologias de células
fotovoltaicas mais produzidas no mundo são: Silício Policristalino, Silício
Monocristalino e Filme Fino, como pode ser visto no gráfico da Figura 8.

Figura 8 - Histórico da produção percentual de células fotovoltaicas por tecnologia

Fonte: Fraunhofer Institute for solar Energy Systems(2020)

Umas das grandes razões para que as tecnologias de silício


dominassem o mercado mundial é o fato de que tal material foi aperfeiçoado
progressivamente pela indústria da microeletrônica, além de ser um material com
relativa abundância na natureza (ZILLES et al., 2012). Por este motivo, as
tecnologias que serão brevemente descritas neste trabalho serão aquelas
baseadas em silício, ou seja, mono e policristalino.

As células fotovoltaicas são definidas, conforme a ABNT NBR 10899


(2013) como dispositivos fotovoltaicos elementares que são específicos para
realizar a conversão direta de energia solar em energia elétrica. Na Figura 9, tem-
se um exemplo de uma célula fotovoltaica com material a base de silício, do tipo
monocristalino:
31

Figura 9 - Exemplo de célula fotovoltaica a base silício do tipo monocristalino

Fonte: Pinho et al. (2014)

Estas células são compostas por lâminas de silício, podendo ser do tipo
mono ou policristalino com uma área que varia de 50 a 150 cm² e espessura entre
0,2 e 0,3 mm. Em conjunto com as células, na parte frontal da sua superfície,
existem as raias, representadas na Figura 9 com a coloração cinza, que coletam as
carga elétricas geradas por tais células (ZILLES et al., 2012). Os principais
componentes que estruturam uma célula FV são mostrados na Figura 10.

Figura 10- Estrutura básica de uma célula fotovoltaica de silício

Fonte: Villalva (2015)

Na Figura 10, pode-se identificar a presença de condutores do tipo p e


do tipo n, que são os materiais semicondutores que possuem respectivamente a
falta e o excesso de elétrons em suas estruturas (VILLALVA, 2015). Estes
semicondutores apresentam esta característica após a realização do processo
físico-químico denominado dopagem. Mostra-se também a grade ou raia metálica,
já comentada anteriormente. Além disso há uma base metálica, que juntamente
com as raias, tem como objetivo coletar a carga elétrica resultante da exposição
destes materiais P-N a luz solar (VILLALVA, 2015).
32

Como apresentado anteriormente, as tecnologias mais empregadas pela


indústria de energia solar são do tipo mono e policristalino. A primeira possui uma
única estrutura de cristais de silício, fazendo com que este seja mais eficiente, se
comparado às células do tipo policristalino, que são formadas por diversas
estruturas de cristais de silício (VILLALVA, 2015). No entanto, o processo de
fabricação da tecnologia policristalino tem um custo menor, se comparado a
primeira. Observando o gráfico da Figura 8 apresentado anteriormente, observa-se
uma utilização maior da tecnologia policristalino nos últimos anos, no entanto, a
redução dos custos de fabricação das células do tipo monocristalino vem se
reduzindo, com a tendência de se tornar a tecnologia mais utilizada futuramente.

2.2. Células fotovoltaicas

Como já citado anteriormente, as formas de fabricação das células


fotovoltaicas se assemelham aos dispositivos eletrônicos, como diodos e
transistores. Esta semelhança pode ser verificada ao se analisar o circuito
equivalente de uma célula fotovoltaica, conforme a Figura 11:

Figura 11 - Circuito equivalente de uma célula fotovoltaica

Fonte: Zilles et al. (2012)

A partir deste circuito, é apresentada a equação (1) que descreve a


relação entre tensão e corrente fornecidas, com base em Zilles et al. (2012) e Pinho
et al. (2014):

𝒆𝑽𝒅 𝑽 + 𝑰𝑹𝑺 (1)


𝑰 = 𝑰𝑳 − 𝑰𝟎 [𝐞𝐱𝐩 ( ) − 𝟏] −
𝒎𝒌𝑻𝒄 𝑹𝒑
33

Neste caso as variáveis são:

𝐼- Corrente de saída [A];


𝐼𝐿 - Corrente fotogerada: a corrente que é gerada pela variação de radiação incidente
na célula [A];
𝑒 - Carga elementar do elétron [C];
𝑉𝑑 - Tensão aplicada nos terminais do diodo equivalente [V];
𝑚- Fator de idealidade do diodo (entre 1 e 2 para as tecnologias mono policristalino)
𝑘- Constante de Boltzmann;
𝑇𝑐 - Temperatura equivalente de operação da célula [°C];
𝑉- Tensão de saída da célula [V];
𝐼0 - Corrente de saturação do diodo no escuro: é um pequeno valor de corrente que
circula na junção P-N quando a célula não está exposta a luz solar;
𝑅𝑆 - Resistência em série da célula [Ω];
𝑅𝑝 - Resistência em paralelo da célula [Ω];

Com base no comportamento entre tensão e corrente da equação(1),


pode-se determinar a chamada Curva I-V. Este gráfico fornece parâmetros
importantes de análise e projeto de geradores fotovoltaicos. A rigor, a Curva I-V
pode ser definida como a representação da corrente de saída de uma célula
fotovoltaica em função da sua tensão, para condições preestabelecidas de
temperatura e radiação (ZILLES et al., 2012). Segue na Figura 12um exemplo:

Figura 12 - Exemplo de Curva I-V de uma célula fotovoltaica

Fonte: Zilles et al. (2012)


34

Deve-se ressaltar que esta curva é medida pelos fabricantes e é


informada com base em testes padronizados em laboratório. Estas condições são
chamadas de STC, que são as condições padrão de ensaio. Estas condições
padrão são: irradiância em1000 𝑊/𝑚2 , temperatura da célula em 25 C° e espectro
solar AM1,5 (PINHO et al., 2014). A Figura 12 destaca 5 dos parâmetros mais
importantes ao se realizar projetos e análises de sistemas fotovoltaicos. Estes
parâmetros são segundo Zilles et al. (2012) e Pinho et al. (2014):

• Tensão de circuito aberto𝑉𝑂𝐶 : tensão entre os terminais da célula quando


não há corrente elétrica circulando. Este é o maior valor de tensão que
estas células podem produzir;
• Corrente de curto circuito 𝐼𝑆𝐶 : é a máxima corrente que pode-se obter de
uma célula. A mesma ocorre quando a tensão entre seus terminais é
nula;
• Ponto de potência máxima 𝑃𝑚𝑝 : é o ponto onde ocorre a máxima
transferência de potência da célula para a carga conectada ao sistema.
Este ponto possui valores de tensão e corrente correspondentes que são
denominados como𝐼𝑀𝑃 e 𝑉𝑀𝑃.

Segundo Pinho et al. (2014), ainda há outros parâmetros importantes a


se considerar para estas células:

• Fator de Forma FF: Razão entre a máxima potência da célula e o produto


entre 𝑉𝑂𝐶 e 𝐼𝑆𝐶 . Este parâmetro quantifica o quão próxima a curva I-V do
módulo é da idealidade, ou seja o quão próxima seria de uma curva que
teria a forma de um retângulo demarcado pelos valores de 𝐼𝑀𝑃 e 𝑉𝑀𝑃 .
Pode ser expresso como:

𝑽𝑴𝑷 𝑰𝑴𝑷 (2)


𝑽𝑶𝑪 𝑰𝑺𝑪

• Eficiência: Define a parcela de energia que é de fato aproveitada para a


carga a partir da energia solar disponibilizada:
35

𝑷𝑴𝑷 (3)
𝒏=
𝑨𝑮

Sendo 𝐴 ,a área de célula em 𝑚2 e 𝐺 a irradiância solar incidente, que é


dada em 𝑊/𝑚2 . Por mais que os parâmetros descritos acima sejam denominados
para as células fotovoltaicas, os mesmos são especificados também para os
módulos fotovoltaicos, pois estes últimos são uma associação em série e paralelo
das primeiras citadas acima. Com isto, o circuito equivalente, os parâmetros de
tensão, corrente e potência continuam válidos na análise dos módulos fotovoltaicos.
Nas Figuras 13 e 14 são apresentados exemplos que relacionam o aumento de
tensão e corrente entregue pelas associações de células em paralelo e em série,
respectivamente.
36

Figura 13 - Comportamento da curva I-V em relação a associação de células em


série

Fonte: Pinho et al. (2014)

Figura 14 - Comportamento da curva I-V em relação a associação de células em


paralelo

Fonte: Pinho et al. (2014)

Com base na Figura 13 e na


Figura 14, pode-se observar que o formato da curva I-V não se altera
com tais associações de células, o que se alteram são as amplitudes dos valores
de tensão, corrente e potência, que aumentam a medida que mais células são
inseridas e conectadas nos módulos

2.3. Módulos fotovoltaicos

As células fotovoltaicas, sozinhas, são capazes de produzir pouca


energia elétrica, com parâmetros de tensão e corrente muito baixos para a maioria
das suas aplicações, além de possuírem grande fragilidade quando submetidas a
esforços mecânicos. Dessa forma, as células são agrupadas em série e/ou paralelo
formando os chamados módulos fotovoltaicos, que segundo a NBR 10899 (2013)
é uma unidade básica formada por um conjunto de células fotovoltaicas,
37

interligadas eletricamente e encapsuladas com o objetivo de gerar energia elétrica.


Os agrupamentos destas células em módulos trazem grande facilidade e
conveniência nas aplicações práticas e comerciais. A determinação da quantidade
de células em série e/ou paralelo, na formação de cada módulo, depende dos
valores de tensão e corrente propostos pelos fabricantes. A Figura 15 ilustra os
principais componentes que compõe os módulos fotovoltaicos:

Figura 15 - Ilustração de um módulo a base de silício

Fonte: Pinho et al. (2014)

Na figura 15 pode-se observar a presença de outros materiais que


compõe o módulo. O encapsulamento é composto pelo vidro temperado, deve
oferecer proteção mecânica para as células e ter boa transparência para que não
prejudique a absorção da irradiação solar, além de camadas de EVA (Acetato de
Vinil- Etila), que é o material posto diretamente sobre as células. Além da camada
de vidro frontal, o encapsulamento conta com uma camada de filme posterior. Este
encapsulamento deve fornecer proteção mecânica e melhor durabilidade para o
conjunto de células. Por fim, o módulo é percorrido por uma moldura de alumínio,
que fornece sustentação aos outros componentes do módulo.
Na Figura 16, é apresentada a vista transversal do módulo. Além dos
elementos mostrados na Figura 15, pode-se observar o contato metálico, que é um
conjunto de soldas realizadas entre as células em série ou paralelo, além de um
conjunto de conexões externas que fornecem os polos positivo e negativo
referentes a tensão CC fornecida por este conjunto.
38

Figura 16 - Vista transversal de um módulo fotovoltaico

Fonte: Zilles et al. (2012)

Tais conexões externas se encontram dentro das caixas de conexão,


como pode ser mostrado na Figura 17. Além disso, esta figura mostra os cabos que
são conectados a esta caixa e conectores específicos que são utilizados para
associar outros módulos em série.

Figura 17- Representação de um módulo fotovoltaico com cabos e conectores

Fonte: Villalva (2015)

Como citado anteriormente, os módulos são basicamente uma


associação elétrica de células em série e/ou em paralelo. Dessa forma, os
39

parâmetros de correntes, tensões e potências são igualmente validos para a análise


dos módulos fotovoltaicos.
Observando as variáveis e constantes da equação (1), percebe-se que
uma determinada curva I-V depende também da sua temperatura e do nível de
irradiância solar incidente na superfície dos módulos. Isto ocorre devido a
dependência que a corrente fotogerada 𝐼𝐿 tem do nível de irradiância solar incidente
𝐺. Logo o nível de 𝐺, que varia ao longo do tempo, influencia a curva I-V. Tal
influência pode ser verificada na Figura 18, considerando uma determinada
temperatura constante, que normalmente é de 25°C:

Figura 18 - Influência do nível de irradiância na curva I-V de um módulo


fotovoltaico

Fonte: Pinho et al. (2014)

Pode-se observar que tal irradiância solar altera de forma significativa os


valores de operação da corrente entregue pelo módulo. Por outro lado, a influência
desta grandeza é pouco significativa para os valores de tensão nestes módulos.
Além da influência da irradiância solar, as curvas I-V dos módulos são
alteradas de acordo com a variação da temperatura ambiente e da temperatura na
superfície dos módulos. Ao contrário dos efeitos da irradiância, a temperatura causa
variações significativas nos valores de tensão dos módulos e pouca influência na
sua corrente elétrica. A Figura 19 apresenta variação na curva I-V causada por
diferentes níveis de temperatura na superfície dos módulos, considerando um nível
de irradiância constante, normalmente de 1000 𝑊/𝑚2 :
40

Figura 19 - Influência do nível de temperatura na curva I-V de um módulo


fotovoltaico

Fonte: Pinho et al. (2014)

Ainda em relação a temperatura dos módulos fotovoltaicos, os módulos


fotovoltaicos podem ter seus parâmetros referenciados a sua Temperatura Nominal
de Operação, com sua sigla em inglês denominada NOCT (nominal operating cell
temperature). Segundo a ABNT 10899 (2013), a temperatura nominal de operação
de uma célula fotovoltaica é a temperatura média de equilíbrio de uma célula
encapsulada, em um ambiente com 𝐺 = 800 𝑊/𝑚2, temperatura ambiente de 20°C
e velocidade do vento de 1𝑚/𝑠, além de estar na condição de circuito aberto. Estas
condições padrão, que referenciam os valores da curva I-V representam melhor
das condições reais de operação dos geradores fotovoltaicos, em relação as
condições STC citadas anteriormente (PINHO et al., 2014).
Para as tecnologias baseadas em silício, tais temperaturas de operação
estão compreendidas entre 40 e 50°C. Deve-se ressaltar uma diferença importante
entre a temperatura dos módulos e da temperatura ambiente considerada. Por
exemplo, nas condições STC a temperatura padrão da célula é de 25°C, enquanto
que para o padrão NOCT a temperatura padrão considerada esta referida ao
ambiente, em 20°C. A temperatura considerada dos módulos é diferente que a
temperatura do ambiente em que estes materiais estão inseridos.
41

Como pôde ser observado nas descrições e figuras 18 e 19


apresentadas, podemos concluir que as características de corrente, tensão e
potência dos módulos variam sensivelmente com as condições externas de
temperatura e irradiância solar. Portanto, ao se realizar um determinado
dimensionamento, tais condições devem ser levadas em consideração para que os
parâmetros elétricos do projeto sejam corrigidos, fazendo com que a instalação
destes geradores seja segura.

2.4. Associação de módulos em série e em paralelo

Como visto anteriormente, as células podem ser associadas em série e


paralelo de forma conveniente e formar os módulos fotovoltaicos. Na Figura 20 tem-
se um exemplo de módulo formado por 36 células em uma série:

Figura 20 - Exemplo de módulo fotovoltaico formado por células fotovoltaicas

Fonte: Zilles et al. (2012)

Atualmente, os módulos fabricados em grande escala comercial chegam


a ter até 144 células, podendo ser arranjados em duas ou até 4 séries.
Assim como as células, os módulos fotovoltaicos geralmente são
associados em série e/ou em paralelo para que se obtenha os valores de tensão e
corrente adequados para os equipamentos e instalações das quais este gerador
estará conectado. Estes valores de tensão e corrente são utilizados como base
para o dimensionamento dos outros componentes do sistema, sendo estes: cabos,
dispositivos de proteção, caixas de junção, entre outros. Um exemplo de
configuração de módulos fotovoltaicos é apresentado na Figura 21.
42

Figura 21 - Exemplo de configuração de módulos fotovoltaicos

Fonte: Zilles et al. (2012)

Com base na Figura 21, há um arranjo fotovoltaico com 40 módulos, com


duas séries de 20 módulos cada uma. Mais detalhes e conceitos referentes às
diferentes configurações de sistemas fotovoltaicos, com base na NBR16690 (2019)
serão apresentados em seções posteriores deste trabalho.

2.5. O efeito do sombreamento

Ao se associar diversas células e/ou módulos em série, a corrente que


circula em todos os elementos da série é igual. Caso os módulos possuam as
mesmas características, ou seja, são do mesmo modelo e fabricante, além de o
valor da corrente ser único para cada série, tais valores serão limitados pelas
características de uma unidade destes módulos. Assim, ao se construir diversas
séries em paralelo com um número igual de módulos e do mesmo modelo dispõe-
se de uma curva I-V como mostra a Figura 22.
43

Figura 22 - Exemplo de uma associação de diversos módulos em paralelo

Fonte: Pinho et al. (2014)

O comportamento apresentado na Figura 22 é o ideal para a associação


de diversas séries em paralelo. No entanto, mesmo mantendo módulos de
características iguais, o que significa também, curvas I-V com o mesmo formato, as
condições de irradiância e temperatura devem ser iguais para todos os módulos
(PINHO et al., 2014). Na pratica, a ocorrência de sombras em diferentes partes do
arranjo fotovoltaico em diferentes momentos do dia, tornam tal condição impossível
de ser satisfeita em todos os momentos. Mesmo que o arranjo seja bem projetado
e bem localizado em relação à possíveis sombreamentos causados por outras
construções ou acúmulo de sujeira, o movimento do sol em relação aos módulos
torna tal sombreamento inevitável.
A influência deste efeito do sombreamento no funcionamento das células
e módulos fotovoltaicos é significativo visto que se uma única célula de um arranjo
em série for parcialmente sombreada, a mesma irá absorver um menor nível de
irradiância em relação às outras células. Isto fará com que a mesma produza menos
corrente elétrica, limitando o restante da série a este valor mais baixo de corrente
(PINHO et al., 2014). A Figura 23apresenta uma ilustração deste problema de
sombreamento em uma única célula.
44

Figura 23 - Célula fotovoltaica submetida ao sombreamento

Fonte: Adaptado Villalva (2015)

Em resumo, a geração de energia em uma série é limitada pela pior


geração individual de tal série, ou seja, um único módulo ou série com
sombreamento pode comprometer a geração de energia de toda uma série e
dependendo do caso, de todo o sistema (AYRÃO, 2018). Com isso o
sombreamento causa problemas de rendimento ao sistema, pois não converte toda
a potência que poderia entregar a sua carga instalada.
Além do problema de rendimento, o sombreamento de uma determinada
célula ou conjunto de células faz com que se acumule uma tensão de polaridade
inversa na célula afetada, tendo como valor a soma das tensões dos outros
elementos da série (ZILLES et al., 2012). Este valor de tensão inversa pode superar
a tensão máxima de circuito aberto suportada por tal elemento. Além disso, a
potência que não é entregue pelo sistema é dissipada na forma de calor nas
próprias células sombreadas, criando os chamados pontos quentes, levando a uma
deterioração e possível queima destas regiões dos módulos(PINHO et al., 2014). A
solução aplicada para este problema é a utilização de diodos de passagem
(também chamados de diodos de bypass).

2.6. Diodos de passagem (bypass)

Os diodos de passagem tem como objetivo oferecer um caminho


alternativo para a corrente limitada por uma célula com sombreamento ou que
possua algum defeito (ZILLES et al., 2012). Isto limita a dissipação de potência nas
células sujeitas ao sombreamento (PINHO et al., 2014). Estes diodos são
45

conectados em antiparalelo com os módulos, ou seja, em paralelo, mas com a


polaridade inversa em relação a polaridade dos módulos. A Figura 24 ilustra a
operação deste diodo. Quando há o sombreamento ou o defeito, a tensão reversa
no módulo possibilita a passagem de corrente pelo diodo. Quando não há este
sombreamento, o diodo permanece polarizado de forma reversa pela tensão
normalmente aplicada no módulo.

Figura 24 - Esquema de operação dos diodos de passagem

Fonte: Adaptado Pinho et al. (2014)

Estes diodos já são incorporados aos módulos fabricados e se localizam


na caixa de conexão de cada módulo. Conforme a Figura 17 apresentada
anteriormente, estas caixas se localizam abaixo da superfície dos módulos que
ficam expostas a radiação solar. A Figura 25 mostra à esquerda os elementos
conectados e dispostos, sendo que à direita, é mostrado um diagrama
exemplificando a ligação entre estes elementos. Este exemplo é referente a um
módulo de 60 células em série, logo, cada um dos 3 diodos está em antiparalelo
com um conjunto de 20 células em série (PINHO et al., 2014).
46

Figura 25 - Diodos de passagem inseridos nas caixas de conexões dos módulos

Fonte: Pinho et al. (2014)

Tal arranjo mostra que os diodos são colocados a cada grupo de células
e não 1 diodo para cada célula, o que é economicamente vantajoso, além de
conseguir amenizar os problemas causados pelo sombreamento (ZILLES et al.,
2012).

2.7. Sobrecorrentes reversas

Basicamente, ao se conectar um conjunto de séries de módulos iguais


em paralelo, considera-se que há uma associação em paralelo de fontes de tensão
iguais. A Figura 26 ilustra tal associação.

Figura 26 - Representação de diversas séries de módulos em paralelo

Fonte: Ayrão (2018)

Se houver uma diferença de tensão entre as séries, esta faz com que a
série de menor tensão se comporte como uma carga fazendo com que as correntes
das outra séries sejam, pelo menos em parte, absorvidas pelos elementos desta
47

série com tensão menor (AYRÃO, 2018; ZILLES et al., 2012). Com isto, há o
surgimento de sobrecorrentes reversas em uma determinada série.
Estas correntes reversas entre séries podem ser causadas devido a
ocorrência de curto circuito em algum ponto da série fotovoltaica e ocorrência de
correntes de falta para a terra a partir dos módulos ou nos cabos destas séries
(SYSTEM MESS AND ANLAGENTECHNIK, 2009). Além disso, o próprio
sombreamento pode ocasionar estas sobrecorrentes, pois o mesmo ocasiona a
redução dos níveis de tensão nas séries afetadas. A Figura 27 representa o fluxo
das correntes reversas se encaminhando para uma série em que surgiu uma
determinada corrente falta.

Figura 27 - Representação do surgimento de correntes reversas nas séries


fotovoltaicas

Fonte: System Mess and Anlagentechnik (2009)

Pode-se observar na Figura 27 que a corrente reversa que circulará na


série é igual a soma das correntes das outras séries deste arranjo. Tais valores de
corrente podem danificar gravemente os componentes do sistema.
Com isto, os elementos das séries fotovoltaicas devem ser
dimensionados para suportar as máximas correntes reversas possíveis, sempre
observando o tempo máximo que cada componente pode suportar. Caso seja
necessário, deve-se incluir elementos que evitem ou atuem no caso de circulação
destas correntes. A necessidade de inclusão destes componentes está relacionada
a intensidade de corrente que módulos, cabos e outros componentes do sistema
podem suportar. Normalmente, sistemas pequenos, com poucas séries em
paralelo, não necessitam destes componentes. Em sistemas com muitos arranjos
48

e/ou séries em paralelo, a corrente reversa pode chegar a valores que ultrapassem
os máximos valores de corrente suportados.
Dentre os elementos que podem ser utilizados para evitar estas
sobrecorrentes, dispõe-se dos Diodos de bloqueio. No caso de dispositivos que
atuem e interrompam estas correntes, podem ser empregados dispositivos Fusíveis
específicos para aplicações em energia solar. Ambos são descritos nas próximas
seções.

2.8. Diodos de bloqueio

Os diodos de bloqueio podem ser uma solução contra a circulação de


correntes reversas nos módulos. Os mesmos podem ser instalados nas
extremidades das séries, polarizados de forma inversa em relação a um possível
fluxo destas correntes (PINHO et al., 2014). Na Figura 28 é representado um arranjo
fotovoltaico com 4 séries em paralelo com diodos de bloqueio.

Figura 28 - Associação de módulos fotovoltaicos com diodos de bloqueio

Fonte: Pinho et al. (2014)

Ressalta-se que cuidados devem ser tomados quanto ao


dimensionamento e seleção destes componentes. Por exemplo, tais diodos devem
suportar a máxima corrente de curto circuito produzida pelos módulos da série,
além de suportar uma tensão reversa, no mínimo, igual ao dobro da tensão de
circuito aberto de toda a série (PINHO et.al,2014). A própria NBR 16690 (2019)
49

discorre de forma mais aprofundada em relação a este tema. Mais detalhes serão
apresentados no capítulo seguinte.
Atualmente, a aplicação destes diodos de bloqueio não chega a ser mais
tão comum, ressaltando que tais dispositivos não possuem função de proteger os
elementos do sistema (ZILLES et al., 2012). Em vez de diodos, fusíveis específicos
para a aplicação em sistemas fotovoltaicos são largamente empregados em
sistemas que necessitam de proteção contra sobrecorrentes.

2.9. UCP

A UCP é a unidade de condicionamento de potência de um arranjo


fotovoltaico. Tal elemento pode ser entendido como um sistema que converte a
potência elétrica entregue por um arranjo fotovoltaico na potência elétrica adequada
para a carga e/ou a este conectado (ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS
TÉCNICAS, 2019). Grande parte das aplicações de geradores fotovoltaicos são
para conexões em redes elétricas em corrente alternada. Dessa forma o inversor
deve fornecer a energia convertida com parâmetros de tensão e frequência
compatíveis com o sistema em que se está conectado.
Atualmente, tais unidades são predominantemente os inversores, que
são conversores estáticos de potência que convertem a corrente contínua do
gerador fotovoltaico em corrente alternada (ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE
NORMAS TÉCNICAS, 2013a). Comercialmente, os chamados Inversores String
são utilizados para grande parte das aplicações. Nos últimos anos, no entanto,
houve um grande avanço na aplicação de soluções diferentes, como a tecnologia
MLPE – module-level power electronics – (AYRÃO, 2018). Dentro desta última, os
chamados microinversores vem ganhando mais espaço no mercado. Nas próximas
subseções, serão apresentadas as características gerais dos inversores e
posteriormente, um breve comparativo entre inversores string e microinversores.

2.9.1. Considerações iniciais

Os inversores para aplicação em sistemas fotovoltaicos variam de


acordo com sua configuração, por exemplo, se é do tipo conectado na rede (SFCR)
ou se é do tipo isolado (SFI). Em ambos os casos, os inversores operam
normalmente como uma fonte de tensão (denominado também VSI – voltage
source converter). No entanto, estes se diferenciam pela forma de controle, nos
50

SFCR o controle é feito por corrente, enquanto que nos sistemas isolados (também
chamados de autônomos ou off-grid) este controle é realizado por tensão (PINHO
et al., 2014). Quanto aos semicondutores utilizados, atualmente os inversores
conectados à rede utilizam comumente transistores de tecnologia MOSFET e IGBT.
Tais elementos tem a capacidade de realizar chaveamento em altas frequências,
além de possuírem baixas perdas de comutação (PINHO et al., 2014).
A estratégia de controle empregada no chaveamento é a já difundida e
eficiente técnica PWM (modulação por largura de pulso). Tais características
garantem uma operação mais satisfatória dos inversores quanto ao formato do sinal
de corrente entregue à rede, fornecendo uma onda mais próxima da senoidal, em
relação às outras estratégias. A Figura 29 apresenta uma topologia comum de
inversor conectado à rede:

Figura 29 - Topologia típica de inversor fotovoltaico

Fonte: Adaptado Pinho et al. (2014)

O exemplo acima apresenta uma topologia com 2 estágios, um de


conversão CC-CC e um de conversão CC-CA. O primeiro estágio deve gerar uma
tensão CC adequada no seu elo interno, também chamado de link CC. Neste elo
há um elemento capacitivo com função de armazenamento e filtragem. O segundo
estágio, CC-CA, realiza o chaveamento, normalmente via controle PWM, para que
se gere uma corrente CA com o menor nível de distorção harmônica possível. O
elemento indutivo na saída, realiza também uma função de filtragem na corrente de
saída.
Uma característica extremamente importante das UCP comerciais é o
Seguimento do Ponto de Máxima Potência (SPMP), que é uma estratégia de
51

controle utilizada para maximizar a potência fornecida pelo gerador fotovoltaico em


função das condições de operação (ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS
TÉCNICAS, 2013a). Como as características de tensão e de corrente alteram-se
de forma aleatória (pois dependem de variáveis como a temperatura e irradiância
solar) a potência entregue pelos módulos também varia. No entanto, para garantir
a máxima potência em cada instante de operação, é empregada a estratégia SPMP
para que o sistema selecione, dentro das faixas possíveis de acordo com as
condições de operação, quais os valores de corrente e de tensão dos módulos
devem entregar para que tal potência máxima seja entregue ao sistema.
Deve-se ressaltar que os inversores conectados à rede só devem
funcionar enquanto determinados parâmetros de tensão e frequência fornecidos
pelo sistema elétrico conectado estiverem dentro de faixas adequadas. Este tipo de
inversor é projetado para que se forneça corrente elétrica a instalação, não tendo a
capacidade de fornecer tensão. Com isto, o mesmo depende da alimentação da
rede elétrica à ele conectada (VILLALVA, 2015).
A conexão de SFCR devem seguir uma série de requisitos para que sua
conexão à rede ocorra de forma adequada. Com base na norma ABNT NBR
16149:2013 – Sistemas Fotovoltaicos: Características da interface de conexão com
a rede elétrica de distribuição, são definidos faixas máximas toleráveis de variação
de tensão e frequência da rede CA que a UCP deve monitorar e se desconectar
caso algum parâmetro esteja fora destas faixas (ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE
NORMAS TÉCNICAS, 2013b). Ainda com base nestes requisitos, a UCP deve
desconectar o sistema da rede CA caso a mesma interrompa seu fornecimento, ou
apresente parâmetros de frequência e de tensão foras das faixas permitidas pela
própria NBR 16149 (2013b). Este é um recurso que impede que o SFCR continue
operando de forma ilhada. A operação ilhada não é permitida para estes tipos de
sistemas fotovoltaicos pois traz grandes riscos à segurança dos equipamentos
alimentados pelo sistema, à manutenção da rede de distribuição ligada ao sistema
e às pessoas que interagem com a instalação elétrica em que a UCP se encontra.
Esta função do inversor chama-se anti-ilhamento (VILLALVA, 2015).
52

2.9.2. Características e dados importantes

As características de um inversor devem ser estudadas com base na sua


folha de dados. Normalmente tais dados são divididos em: dados de entrada CC,
dados de saída CA, Dados gerais e Eficiência. Segue abaixo uma descrição dos
dados principais com base em Villalva (2015), Pinho et al. (2014) e Fronius (2019):

• Faixa de tensão MPPT (SPMP em português): é o intervalo de tensões


em CC que a UCP consegue operar com o SPMP, ou seja, o inversor só
conseguirá otimizar a potência entregue à rede se a tensão aplicada em
suas entradas estiver nesta faixa de valores de tensão;

• Tensão mínima de entrada: é o valor mínimo de tensão para que o


inversor possa operar (permanecer no estado ligado). Este valor
normalmente está um pouco abaixo do valor mínimo de MPPT;

• Tensão máxima de entrada: é o máximo valor de tensão suportado pelas


entradas do inversor. Tal valor está relacionado à máxima tensão de
circuito aberto da associação de módulos em série e está acima da
tensão máxima de MPPT;

• Corrente máxima de entrada: é o valor máximo de corrente suportado


pelas entradas do inversor. Está relacionado à máxima corrente de curto-
circuito que o conjunto de módulos conectados a esta entrada pode
injetar no inversor;

• Corrente máxima por MPPT: é o valor máximo de corrente de curto-


circuito suportado pelas entradas MPPT. Ressaltando que a corrente
máxima suportada pelas entradas CC do inversor não é
necessariamente igual ao valor máximo de corrente das entradas MPPT.
A Figura 30 ilustra a diferença entre as entradas CC e as entradas MPPT.
Neste caso, é representado uma entrada MPPT do inversor e que pode
receber até duas séries diretamente conectadas ao MPPT;
53

Figura 30 - Exemplo de ligação de entradas CC de um inversor

Fonte: Fronius (2015)

• Potência de saída: é o valor máximo de potência que pode ser


processado pelo inversor em condições normais de operação;
• Corrente máxima de saída: é o valor máximo da corrente entregue no
lado CA do inversor;
• Faixa de tensão: faixa de valores de tensão CA que permite a operação
do inversor;
• Grau de proteção: classificação do grau de proteção do inversor frente a
intrusão, poeiras, contato, acidental, água, etc.

Outra característica extremamente importante do inversor é sua curva


de eficiência. A análise da mesma permite otimizar sua eficiência em função da
tensão da operação e da relação entre a potência máxima nominal do inversor e a
potência de saída que está sendo entregue pelo sistema fotovoltaico. Na Figura 31
tem-se um exemplo de curva de eficiência de um inversor:
54

Figura 31 - Curva de eficiência de um inversor

Fonte: Fronius (2015)

Observando a Figura 31, verifica-se a importância de se estabelecer


valores de tensão CC adequados para as entradas do inversor. Neste caso, o
melhor valor de tensão para a melhor eficiência estaria em torno de 710 V. No eixo
das abscissas, há a relação entre a potência máxima nominal do inversor e a
potência entregue pelo sistema.
Alguns requisitos de segurança relativos às UCP e particularmente aos
inversores são estabelecidos pelos fabricantes destes equipamentos. Seguem
abaixo algumas recomendações importantes com base no manual de instalação da
linha Fronius Primo, com base em Fronius (2019):

• Os terminais de conexão dos inversores devem estar fixados conforme


especificações de torque fornecidas;
• Verificar o grau de proteção IP especificado. Com isto é possível avaliar
o ambiente de instalação ideal para o equipamento. Evitar a exposição
direta ao sol, mantê-lo em local com ventilação adequada, não instalar
em locais com incidência de poeiras, entre outros requisitos;
• A montagem deve seguir determinados critérios de espaçamento e de
temperatura ambiente, como ilustra a Figura 32.
55

Figura 32 - Instrução de espaçamentos necessários para a montagem de inversor


fotovoltaico.

Fonte: Fronius (2019)

• Para a realização de qualquer serviço de manutenção e instalação no


inversor, certificar que há isolação elétrica entre a parte CC da instalação
e o inversor. Isto pode ser garantido com a presença de elementos
seccionadores previstos na norma NBR 16690 (2019);
• Não realizar o aterramento de um dos polos dos arranjos. Esta
configuração seria o denominado aterramento funcional do arranjo
fotovoltaico e só deve ser empregado em alguns tipos de inversores que
permitem este tipo de aterramento.

2.9.3. Inversor String x Microinversor

As características e funções básicas dos inversores String e


microinversor são as mesmas. O inversor do tipo String ainda é o mais utilizado e
se baseia na conexão de várias séries e arranjos em uma determinada
configuração. Isto permite o fornecimento de potencias altas nas entradas do
inversor (AYRÃO, 2018). No entanto, há questões técnicas importantes a serem
levantadas em relação a este tipo de inversor. Primeiramente, a baixa eficiência de
um único módulo, ou de um conjunto reduzido de módulos pode comprometer a
produtividade de todo o sistema e até mesmo a segurança do mesmo (como
exemplo o efeito do sombreamento citado anteriormente). A baixa produtividade
56

ocorre devido ao fato de que os inversores possuem um número limitado de


entradas de SPMP. Com 2 ou mais módulos dependentes de uma única entrada
SPMP, a geração desta será limitada pelo módulo com menor corrente gerada. Em
segundo, com o uso de inversores string, as características e posicionamentos dos
módulos devem ser iguais para cada entrada MPPT dos inversores.
Com isto, cada SPMP só deverá possuir módulos de mesmas
características, o que dificulta muito a reposição e todos estes deverão estar com
o mesmo posicionamento geométrico (AYRÃO, 2018). Este último requisito é
necessário, pois módulos com posicionamentos distintos geram correntes distintas,
causando problemas semelhantes àqueles relacionados ao sombreamento. Ainda
deve-se considerar que os inversores String necessitam de uma infraestrutura
elétrica CC composta por caixas de junção, elementos de proteção, seccionamento,
conexões e cabeamento em corrente contínua.
Os microinversores aparecem como uma alternativa capaz de solucionar
muitas das desvantagens dos inversores String. Na maioria dos microinversores
comercialmente ofertados, conecta-se1, 2 ou 4 módulos em cada equipamento,
sendo que cada módulo possui um próprio SPMP ou no máximo um SPMP para
cada 2 módulos. Sua instalação ocorre próxima aos módulos, fazendo com que na
grande maioria das vezes elimine-se a necessidade de cabeamento e proteção em
CC, visto que após a saída dos microinversores, a infraestrutura elétrica será em
CA. No entanto, sob o ponto de vista financeiro, a utilização de inversores string
ainda é mais vantajosa, principalmente em instalações de maior porte, conforme
estudo realizado por (ENOVA SOLAR ENERGIA, 2018). A Figura 33 mostra um
exemplo de microinversor comercializado:

Figura 33 - Exemplo de microinversor

Fonte: Ayrão (2018)


57

O local de instalação típico dos microinversores é muito próximo aos


módulos, normalmente fixado abaixo dos módulos. A Figura 34 mostra um exemplo
de local de instalação:

Figura 34 - Local típico de instalação de um microinversor

Fonte: Apsystems (2017)

Nota-se que o microinversor fica instalado diretamente sob os módulos


em um telhado.

2.10. Caixa de junção

A caixa de junção é definida pela NBR 10899 (2013) como um invólucro


no qual arranjos, subarranjos e séries fotovoltaicas são conectadas em paralelo e
que alojam dispositivos de proteção e/ou seccionamento. Um invólucro pode ser
definido como um elemento que assegura proteção contra contatos diretos em
qualquer direção, sendo estes classificados por graus de proteção (MORENO et
al., 2011). O cumprimento em relação aos graus de proteção exigidos é
extremamente importante para as instalações fotovoltaicas, visto que, não apenas
os módulos, mas os cabos, UCP, e as próprias caixas de junção estarão sujeitas
às condições e influências de ambientes externos, e muitas vezes, com o fácil
acesso e circulação de pessoas. Dessa forma, as caixas de junção devem também
estar adequadas quanto classificação das influências externas do ambiente em que
será instalada. Tais influências externas são classificadas, dependendo do local da
instalação, de acordo com a NBR 5410 (2004).
Além dos requisitos citados acima, tal item deve obedecer a série de
normas ABNT NBR IEC 61439 - Conjuntos de manobra e comando de baixa tensão
58

(2016) que se referem aos conjuntos de manobra e comando de baixa tensão


(ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS, 2016a). As caixas de
junção e todos os seus dispositivos devem ser fabricados, testados e montados de
acordo com tais normas.
Segue na Figura 35 um exemplo de caixa de junção, sua vista frontal
especificamente, contendo alguns dos dispositivos de proteção e seccionamento
necessários para o sistema:

Figura 35 - Exemplo de caixa de junção – vista frontal.

Fonte: Ecosolys (2018)

A Figura 36 apresenta na forma de diagrama, a caixa de junção


mostrada na Figura 35:
59

Figura 36 - Diagrama de montagem de alguns componentes de manobra e


proteção de uma caixa de junção.

Fonte: Adaptado Ecosolys (2018)

O exemplo de caixa de junção da Figura 36 é composta por uma


montagem com a entrada de duas séries e uma saída, ou seja, as duas séries
realizam paralelismo no interior da caixa. Ainda no interior, há um DPS específico
para aplicações em CC, um conjunto com 2 fusíveis (um para cada polo na sua
saída) e um Disjuntor para aplicações em CC. Além de condutores, barramentos e
terminais específicos e próprios para esta aplicação. Deve-se ressaltar que este
exemplo é para uma montagem em especifico. Os requisitos para a determinação
de quais componentes devem estar contidos variam a cada projeto e são
determinados pela NBR 16690 (2019).

2.11. Fusível

Em geral, os fusíveis podem ser entendidos como dispositivos de


proteção que realizam a abertura de um circuito a ele conectado, através da fusão
de uma parte especialmente projetada. Tal fusão ocorre após a ocorrência de uma
determinada corrente em um determinado tempo, com base na sua curva de
atuação (COTRIM, 2009). Existem diversas aplicações e tipos de fusíveis e para os
sistemas fotovoltaicos há fusíveis de aplicação especifica. Para estes casos, os
fusíveis devem seguir a norma o IEC 60269-6: Low-voltage fuses - Part 6:
Supplementary requirements for fuse-links for the protection of solar photovoltaic
energy systems. Esta norma indica que a categoria a ser utilizada é do tipo gPV,
que é especifica para aplicações em energia fotovoltaica (INTERNATIONAL
ELECTROTECHNICAL COMMISSION, 2010). A NBR 16690 (2019) baseia seus
60

critérios de dimensionamento e seleção de fusíveis nesta última norma IEC citada


acima. Em sistemas fotovoltaicos, tais dispositivos podem ser utilizados na
proteção contra sobrecorrentes e estão localizados nas extremidades de séries,
arranjos e subarranjos fotovoltaicos.
Dentre outros pontos, deve-se atentar para os seguintes aspectos
quanto à seleção e dimensionamento dos fusíveis: como citado acima, serem
fabricados e possuírem as características baseadas na IEC 60269-6 (2010); serem
dimensionados e aplicados de forma especifica (tais critérios são abordados na
NBR 16690 (2019) e serão abordados posteriormente neste trabalho); recomenda-
se instala-los em dispositivos seccionadores, denominados porta-fusíveis; devem
ser instalados nos polos positivo e negativo das séries, subarranjos ou arranjos.
Dentre as desvantagens de utilização destes dispositivos, pode se citar a
necessidade de troca após a sua atuação (ABB, 2014). Na Figura 37 tem-se um
exemplo de fusível do tipo gPV.

Figura 37 - Exemplo de fusível e porta fusível

Fonte: Adaptado ABB (2014).

Estes porta fusíveis, quando necessários são instalados nas


extremidades das séries fotovoltaicas e agrupados nas caixas de junção.

2.12. Disjuntor CC

O Disjuntor é um dispositivo de manobra e de proteção, capaz de


estabelecer, conduzir e interromper correntes em condições normais do circuito,
61

além de conduzir e interromper correntes em condições anormais especificadas,


como curto-circuito e sobrecarga (COTRIM, 2009).
Os disjuntores normalmente empregados em instalações em CA não
devem em nenhuma hipótese ser empregados nas instalações em CC dos sistemas
fotovoltaicos. Em termos normativos, tais dispositivos devem obedecer à norma
ABNT NBR IEC 60947-2 (2013): Dispositivos de manobra e comando de baixa
tensão – Parte 2 ou à IEC 60898-2: Electrical accessories – Circuit-breakers for
over current protection for house hold and similar installations – Part 2: Circuit-
breakers for A.C. and D.C. operation. Em tais normas, verificam-se diferenças
importantes de requisitos, especificações e tipos de ensaios que devem ser
seguidos entre os disjuntores CC e CA(ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS
TÉCNICAS, 2016b; INTERNATIONAL ELECTROTECHNICAL COMMISSION,
2016b). Por isto, caso especifique-se um disjuntor para a parte CC de um sistema
fotovoltaico, o mesmo deve seguir estas normas.
A diferença mais básica entre os disjuntores CC e os aplicados para
corrente alternada está na forma com que o arco elétrico resultante da abertura dos
seus contatos é extinguido(CARVALHO et al., 1995). Sempre quando houver a
abertura dos contatos de um disjuntor, ocorrerá a formação deste arco. A
interrupção só ocorrerá adequadamente com a extinção e/ou controle deste
(CARVALHO et al., 1995). Nos disjuntores que alimentam circuitos de corrente
alternada, a corrente elétrica passa pelo valor igual a zero duas vezes a cada ciclo.
Esta passagem deve ser aproveitada para a extinção de tal fenômeno juntamente
com o afastamento dos seus contatos. Na Figura 38 tem-se uma ilustração desta
passagem:
62

Figura 38 - Comportamento da corrente CA e sua passagem pelo valor zero

Fonte: ABB (2016)

No caso da corrente CC, seu valor não passa por zero e por isto, devem
ser empregadas técnicas e dispositivos capazes de forçar este valor a zero antes
que ocorra a interrupção (CARVALHO et al., 1995). O método de interrupção mais
básico consiste em produzir uma tensão contrária e superior a tensão do sistema.
Essa tensão contrária gerada e maior que a tensão empregada no circuito fará com
que a corrente decresça ao longo do tempo. Tal comportamento pode ser ilustrado
na Figura 39:

Figura 39 - Comportamento da corrente no disjuntor CC durante sua interrupção

Fonte: Carvalho et al. (1995)

Outro ponto importante relacionado a utilização de disjuntores CC está


relacionado à sua forma de ligação. Há modelos com 1,2, 3 e até 4 polos. A forma
de ligação está diretamente relacionada a tensão e corrente nominal que podem ou
não ser aplicadas nestes dispositivos. Na Figura 40 tem-se um exemplo de modelo
de disjuntor CC e possíveis ligações:
63

Figura 40 - Exemplo disjuntor CC e seus esquemas de ligação

Fonte: Beny (2015)

O disjuntor do exemplo da Figura 40 pode operar com tensão nominal


de até 300V na versão com 1 polo e com 600 V na versão com 2 polos. Os valores
de corrente nominal também se alteram. Com isto a ligação e seleção deste
dispositivo deve ser feita também com base na observação dos seus diagramas de
ligação.

2.13. Interruptor-Seccionador, Seccionador e Interruptor

Um seccionador é um dispositivo, que na posição aberta, assegura uma


distância de isolamento que satisfaz os requisitos de segurança especificados. O
mesmo deve ser capaz de estabelecer e interromper determinado circuito quando
sua corrente elétrica é desprezível e sua tensão não sofre variações significativas
entre seus terminais (COTRIM, 2009). Segundo a ABNT NBR IEC 60947: 2013 -
Dispositivos de manobra e controle de baixa tensão Parte 1: Regras gerais, o
seccionador é um dispositivo de manobra mecânica que atende à requisitos
especificados para a função de isolação.
Um interruptor é uma chave capaz de conduzir e interromper correntes
sob condições normais do circuito (COTRIM, 2009). Ainda segundo NBR IEC 60947
Parte 1 (2013c), o interruptor também pode interromper correntes em determinadas
condições de sobrecarga. Além disso, pode conduzir, por tempo determinado,
certas condições anormais, como curto-circuito. Importante esclarecer que os
64

interruptores podem conduzir, mas não podem interromper correntes de curto


circuito. Em termos práticos, o interruptor é uma chave que pode ser manobrada
sob carga. A presença de um dispositivo que possa ser manobrado com carga é
fundamental, pois permite a interrupção do circuito em funcionamento normal.
Há ainda o interruptor-seccionador, também conhecido como interruptor
sob carga e é uma chave que une as características de interruptor e de seccionador.
Como será mostrado posteriormente neste trabalho, a NBR 16690 (2019)
apresenta critérios que podem empregar um dos 3 dispositivos citados acima, ou
uma utilização em conjunto entre estes. Os requisitos normativos específicos de
cada um destes componentes devem estar de acordo com a ABNT NBR IEC 60947:
2014 - Dispositivos de manobra e controle de baixa tensão Parte 3: Interruptores,
seccionadores, interruptores-seccionadores e unidades combinadas com fusíveis
(ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS, 2014a)
Na prática, um dispositivo seccionador tem a função de realizar uma
manobra mecânica que, na posição aberta, proporcione um distanciamento e
isolação adequados em relação aos seus contatos. Tal isolação deve garantir uma
determinada distância de segurança na ocorrência de determinados surtos e
impulsos de tensão. Tais parâmetros de distância e tensão suportáveis estão
especificados na ABNT NBR IEC 60947 – 1 (2013c). Com isto um dispositivo
seccionador deverá ser selecionado caso sua fabricação esteja conforme tal
conjunto de normas. Deve-se ressaltar que a função de seccionamento é
extremamente importante, pois além de outros aspectos, permite que operações
de manutenção no sistema sejam realizadas de forma segura, pois o
seccionamento garante a isolação elétrica requerida para cada tipo de tarefa e nível
de tensão relacionado. A NR10 – Segurança em instalações e serviços de
eletricidade - impõe o seccionamento como uma das etapas de desenergização.
Assim o seccionamento é fundamental para a realização de qualquer trabalho em
eletricidade (MINISTÉRIO DO TRABALHO E EMPREGO, 2004)
Segue na Figura 41exemplo de dispositivo seccionador para aplicações
em instalações fotovoltaicas. É comum que tais dispositivos tenham diferentes
possibilidades de ligação oferecendo diferentes níveis de tensão. Nesse exemplo a
ligação com 3 polos em série suporta até 500V CC em condições nominais,
enquanto que na ligação de 4 polos em série esse valor de tensão pode chegar a
750V CC.
65

Figura 41 - Exemplo de seccionador e formas possíveis de ligação

Fonte: adaptado ABB (2014)

Como dito anteriormente, o interruptor-seccionador acumula ambas as


funções. Assim, este dispositivo deve, na posição aberta, garantir uma distância de
segurança para determinados níveis de tensão, além de poderem ser manobrados
em regime nominal de carga. Segue na Figura 42 um exemplo de interruptor
seccionador:

Figura 42 - Exemplo de interruptor-seccionador e seu diagrama de ligação

Fonte: adaptado ABB (2014)

Como será visto no próximo capítulo deste trabalho, a NBR 16690 (2019)
exige nos diferentes pontos do arranjo fotovoltaico dispositivos seccionadores ou
interruptores-seccionadores. Por isto é importante buscar a especificação e
identificação de cada componente de manobra e seccionamento.
66

2.14. Dispositivo de proteção Contra Surtos (DPS)

A ABNT NBR 5419 (2015) - Proteção contra descargas atmosféricas


parte 1: Princípios gerais – define o DPS como um dispositivo destinado a limitar
sobretensões e desviar correntes de surto (ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE
NORMAS TÉCNICAS, 2015). O mesmo contém ao menos um componente não-
linear. Estas sobretensões e surtos de corrente são provenientes de descargas
atmosféricas ocorridas nas estruturas de edificações ou em suas proximidades,
além de poderem ser resultantes de manobras e chaveamentos no Sistema Elétrico
de Potência. Segue na Figura 43 uma representação de um surto de tensão que
pode ocorrer em instalações elétricas.

Figura 43 - Representação de um evento de sobretensão

Fonte: Adaptado Clamper (2017)

Ressalta-se que os DPS devem ser selecionados de acordo com o


conjunto de normas NBR 5419 (2015) além da NBR 5410 (2004).
A NBR 5410 (2004) coloca o uso de DPS como uma forma de proteção
contra sobretensões transitórias e obriga o uso destas em edificações que se
encaixam nas duas situações a seguir: são alimentadas por linhas de energia total
ou parcialmente aéreas, ou se possuírem linhas aéreas próprias, além de se
situarem em ambiente com influência externa do tipo AQ2, ou seja, risco de
ocorrência de descargas atmosféricas indiretas por mais de 25 dias ao ano; se
situarem em ambiente do tipo AQ3, ou seja, risco de ocorrência de descargas
atmosféricas diretas em componentes externos da sua instalação. Um exemplo
neste último caso seriam instalações que possuem partes situadas no exterior de
edificações. Nos casos em que há a entrada de linhas externas de sinal (telefonia,
67

comunicação, dados, etc.) na edificação, a presença de proteção contra


sobretensões transitórias é obrigatória.
Em termos práticos, é muito raro que tais condições não estejam
presentes nas edificações do Brasil. Dessa forma, o emprego de proteção contra
sobretensões, segundo a NBR 5410 (2004) será necessária em grande parte das
edificações do Brasil (PAULINO et al., 2016).
Com base na ABNT NBR 5419 (2015) - Proteção contra descargas
atmosféricas parte 4: sistemas elétricos e eletrônicos internos na estrutura – o DPS
é apresentado como uma das Medidas de Proteção contra Surtos (MPS) nestes
sistemas internos eletroeletrônicos. Um MPS pode ser entendido como um conjunto
de medidas tomadas para proteger tais sistemas internos contra os efeitos
eletromagnéticos causados por descargas atmosféricas. Além do DPS, existem
outras MPS, como: sistema de aterramento, equipotencialização, blindagem de
ambientes e cabos, etc.
A utilização de MPS em geral, faz parte do projeto completo de Proteção
Contra Descargas Atmosféricas (PDA). A utilização correta dos DPS reduz os
riscos e probabilidades de ocorrerem danos aos equipamentos internos e às
pessoas presentes nas edificações. Tais riscos devem ser reduzidos a patamares
aceitáveis conforme a ABNT NBR 5419 (2015) - Proteção contra descargas
atmosféricas parte 2: Gerenciamento de risco.
No contexto das instalações fotovoltaicas, o DPS aplicado corretamente
reduz os riscos de danos aos equipamentos do gerador fotovoltaico, como módulos
e inversores, provenientes das sobretensões. Deve-se ressaltar que o DPS
aplicado a sistemas fotovoltaicos tem características próprias, sendo que este deve
ser fabricado conforme a norma IEC 61643 (2018): Low-voltage surge protective
devices – Part 31: Requirements and test methods for SPDs for photovoltaic
installations). Há algumas características que estes dispositivos possuem em
relação aos DPS em CA e CC convencionais, que são fundamentais para a
segurança das instalações.
Algumas tecnologias de DPS tem como característica fazer com que
alguns de seus componentes entrem em curto-circuito e por isto devem possuir um
dispositivo que realize a desconexão destes componentes. Os dispositivos de
desconexão desenvolvidos para aplicações em CA não são adequados pois não
são apropriados para realizarem a extinção de arcos voltaicos em CC. Além disso,
68

em SFVCR, as correntes de curto circuito e de falta não alcançam valores muito


maiores que suas correntes nominais, sendo que muitas vezes, a depender do nível
de irradiação, possuem valores menores que seu valor nominal. Isto faz com que
dispositivos fusíveis empregados nos outros tipos de DPS não se sensibilizem e
não desconectem o DPS em curto-circuito. A circulação destas corrente nestas
condições poderá provocar incêndios nas instalações (AYRÃO, 2018).
Os requisitos para a seleção e instalação de DPS nos SFVCR devem
estar conforme a IEC 61643 (2017): Low-voltage surge protective devices – Part
32: Surge protective devices connected to the d.c. side of photovoltaic installations
– Selection and application principles.Em típicos sistemas instalados nos telhados
de edificações, há 3 cenários básicos referentes a instalação de DPS.
Primeiramente há a instalação de DPS em edificações sem a presença de SPDA
externo, conforme a Figura 44, ressaltando que tal configuração seria adequada
apenas para a proteção contra a incidência de descargas atmosféricas indiretas no
sistema.

Figura 44 - Instalação de DPS sem SPDA externo

Fonte: International Electrotechnical Commision (2017)

São colocados DPS nos lados CC e CA, conforme a Figura 44. O DPS
na posição 3, que normalmente é colocado no quadro de distribuição CA principal
da edificação e é de classe I ou II. Estas classes estão relacionadas aos tipos de
ensaios que são realizados nos dispositivos. Segundo a IEC 61643-32 (2017), os
DPS nas posições 1,2 e 4 devem ser de classe II.
O DPS 2 em CA não é necessário caso a distância entre o quadro
principal e o inversor for inferior a 10 metros ou se caso o inversor e o quadro
compartilharem o mesmo barramento de equipotencialização. Na prática, esta
69

última situação ocorre quando o inversor está instalado muito próximo do quadro
principal.
Ainda conforme a IEC 61643-32 (2017), o DPS 4 não será necessário se
a distância entre os módulos e o inversor for menor que 10 metros e se o nível de
proteção do DPS 1 for menor ou igual a 80% da tensão suportável dos módulos
fotovoltaicos, ou ainda, se este nível de proteção for menor ou igual a 50% da
tensão suportável dos módulos e o condutor de proteção (PE) estiver próximo dos
condutores CC. Exemplificando esses requisitos acima, um sistema com módulos
fotovoltaicos de classe B com isolação básica e que opera com uma tensão máxima
de circuito aberto de 300 V CC, possui uma suportabilidade de 2,5 kV à tensões
impulsivas (CLAMPER, 2018). Assim o DPS na posição 4 pode ser dispensado
caso a distância entre os módulos e inversor for menor que 10 metros e além do
nível de proteção do DPS 1 possuir um nível de proteção igual ou inferior a 80% da
suportabilidade de 2,5 kV dos módulos fotovoltaicos.
Há também a configuração básica que representa um SFCR instalado
na presença de um SPDA externo. Normalmente tal situação é configurada quando
uma edificação já possui SPDA com subsistemas de captação e descida,
encaminhando grande parte das correntes de surto até o sistema de aterramento.
Uma das principais características desta configuração é a chamada distância de
separação, denominada por “s”. Esta se refere a distância entre os módulos
fotovoltaicos instalados e os componentes do SPDA externo (CLAMPER, 2017).
Tal distância mínima deverá ser mantida, caso contrário, deve-se realizar a
interligação dos componentes do SPDA ao SFCR. Este valor é determinado em
conformidade com a NBR 5419 (2015). Segue na Figura 45 o esquemático que
ilustra este tipo de instalação.
70

Figura 45 - Instalação de DPS com SPDA não conectado ao SFVCR

Fonte: International Electrotechnical Commision (2017)

Neste tipo de configuração, os requisitos para a instalação do DPS 4 são


iguais ao da configuração sem presença de SPDA. Para o DPS 2, mantém-se o
requisito de distância entre inversor e quadro principal. O elemento “5” refere ao
sistema de captação do SPDA e o elemento “6” refere aos condutores de descida.
No entanto, a própria IEC 61643-32 (2017) aponta que em geral os DPS 1,2 3 e 4
devem ser instalados nesta configuração. As classes dos DPS são as mesmas que
para a situação sem a presença do SPDA.
Caso não seja possível posicionar os módulos a esta distância “S” dos
componentes do SPDA externo, deve-se proceder com a conexão adequada dos
módulos ao subsistema de captação. Segue na Figura o esquemático desta
configuração:

Figura 46 - Instalação de DPS com SPDA conectado ao SFVCR

Fonte: (International Electrotechnical Commision (2017)


71

Esta configuração torna os requisitos de seleção de DPS mais rigorosos


pois sem a distância s praticada, a influência das correntes de descarga que fluem
nos captores e condutores de descida é maior. Todos os 4 DPS devem ser de
classe I. Os critérios para a instalação do DPS 2 são semelhantes aos critérios das
configurações anteriores.
A utilização de DPS é fundamental para a proteção dos equipamentos
de um sistema fotovoltaico. Há diferenças fundamentais para as proteções nos
lados CC e CA. Em edificações com a presença de SPDA, deve-se fazer uma
análise anda mais cautelosa em conformidade com as normas técnicas vigentes.

2.15. Conectores

As conexões entre módulos fotovoltaicos, para a formação de séries,


arranjos e subarranjos, devem ser realizadas de forma adequada. Estas conexões
são realizadas através das caixas de junção ou através de conectores apropriados.
As conexões entre módulos nas séries são realizadas por conectores
apropriados. Estes conectores devem operar de forma segura nos ambientes
típicos de uma instalação fotovoltaica, ou seja, devem ser resistentes às elevadas
temperaturas ambientes, serem resistentes a radiação UV, além de suportarem os
níveis de tensão e corrente praticados na instalação (VILLALVA, 2015).
Em termos comerciais, conectores denominados como MC4 são os mais
utilizados e foram desenvolvidos especialmente para instalações fotovoltaicas. Tais
conectores também possuem sistemas de segurança que realizam o engate e
travamento de forma que torne a conexão mais segura e que dificulte o rompimento
(VILLALVA, 2015). Estes conectores são constituídos por um par que se denomina
comumente como “macho” e “fêmea” e que realizam o engate rápido, seguro e
simples das conexões em CC. A Figura 47 apresenta estes tipos de conectores.
72

Figura 47 - Par de conectores macho-fêmea

Fonte: Pinho et al. (2014)

Os módulos geralmente vêm de fábrica contendo um par de cabos, um


para cada polo, e com um conector do tipo MC4 em cada cabo. Estes cabos são
conectados em uma pequena caixa de junção que fica localizada na parte traseira
do módulo conforme a Figura 48.

Figura 48 - Cabos e conectores da parte traseira do módulo fotovoltaico

Fonte: Adaptado Portal Solar (2020)

Deve-se ressaltar que estes conectores não são apenas empregados


nas conexões em série dos módulos. Em sistemas de maior porte, podem-se
empregar tais dispositivos para a conexão entre séries, subarranjos e arranjos. A
Figura 49 ilustra a instalação destes conectores para realizar as associações de
módulos fotovoltaicos:
73

Figura 49 - Conexão entre módulos através de conectores apropriados

Fonte: Adaptado Helukabel, (2020)

Os conectores MC4, além de outros que podem ser utilizados nas


instalações fotovoltaicas devem cumprir importantes requisitos de segurança, a fim
de tornar as conexões em CC seguras frente as condições climáticas adversas e
dos riscos ocasionados as pessoas que vivem nas edificações em que os SFCR
são instalados.

2.16. Terminais de fixação

A utilização de terminais do tipo ilhós do tipo pré-isolado contribui para


que as fixações dos cabos aos dispositivos de comando e manobra dos sistemas
fotovoltaicos sejam mais seguras e confiáveis. Estes conectores podem garantir
alta condutividade e resistência à corrosão (INTELLI, 2019). Segue na Figura 50
um exemplo destes elementos de conexão:

Figura 50 -Conectores do tipo ilhós pré-isolado

Fonte: Intelli (2019)

Estes conectores devem ser previamente crimpados no cabo que fará a


conexão elétrica entre os dispositivos.
74

2.17. Cabos

Os cabos aplicados para as instalações fotovoltaicas possuem


características fundamentalmente diferentes em relação aos cabos aplicados nas
instalações convencionais em CA. Estes cabos são aplicados desde a saída dos
módulos fotovoltaicos até a entrada das UCP, ou seja, na parte CC da instalação
fotovoltaica.
O condutor deve ser de cobre estanhado, têmpera mole e classe 5 de
encordoamento. Esta classe de encordoamento traz boas características de
flexibilidade ao condutor, o que é necessário visto que estes cabos são submetidos
a esforços causados pelo vento, além de ser submetido a uma considerável
dilatação térmica. O cabo deve ser estanhado para que melhore a confiabilidade
das suas conexões (MORENO, 2019).
Neste tipo de cabo normalmente é incorporado um elemento
denominado separador. O mesmo é um item não obrigatório, mas facilita a remoção
da sua isolação evitando a aderência ao cobre estanhado. A isolação do cabo deve
ser feita de compostos termo fixos não halogenados. Estes compostos termo fixos
garantem maiores capacidades de condução de corrente e maior estabilidade
térmica. Os compostos não halogenados trazem boas características quanto a
emissão de fumaça, gases tóxicos, etc. Por fim, estes tipos de cabo devem possuir
cobertura, que também é composta de material termo fixo não halogenado
(MORENO, 2019).
Estes cabos são fabricados e dimensionados conforme a norma ABNT
NBR 16612 (2020) - Cabos de potência para sistemas fotovoltaicos, não
halogenados, isolados, com cobertura – Requisitos de desempenho (2020). A
Figura 51 ilustra este tipo de cabo.

Figura 51 - Principais itens de um cabo utilizado em sistemas fotovoltaicos.

Fonte: Moreno (2019)


75

Deve-se ressaltar que as características e requisitos dos cabos utilizados


comumente em instalações em CA fixas (construídos conforme NBR 7286 e NBR
7287), são diferentes dos cabos usados em instalações fotovoltaicas. A utilização
de alguns tipos destes cabos mais comuns pode ser realizada de forma bastante
restrita nas instalações fotovoltaicas. Os mesmos devem atender também aos
requisitos da NBR 16612 (2020) e só podem ser aplicados em arranjos e
subarranjos com métodos de instalação específicos, conforme aponta a própria
NBR 16690 (2019) (MORENO, 2019). Estes requisitos são rigorosos e tornam a
aplicação destes cabos praticamente inviável em instalações fotovoltaicas.
Os principais requisitos para estes tipos de cabos estão relacionados
aos níveis de tensão normalmente aplicados nas instalações e aos fatores e
influências ambientais que estes ficarão submetidos continuamente.
A tensão máxima de operação deve ser de 1800 V em CC. Isto se torna
necessário devido aos níveis de tensão alcançados em grandes usinas, com a
associação de vários módulos em série (MORENO, 2019). Até mesmo nas
instalações menores, dependendo da forma com que os módulos são associados,
podem-se alcançar valores de tensão que se aproximem deste máximo.
Os requisitos de operação em temperaturas mais adversas também são
característicos destes cabos. As faixas de temperatura ambiente variam de -15 C°
até + 90 C°. Esta característica é extremamente importante no Brasil,
principalmente para os valores positivos máximos suportáveis (MORENO, 2019).
Segundo a própria NBR 16612 (2020), a temperatura em regime permanente não
pode ultrapassar 90°C. Em um período máximo de 20.000 horas, permite-se uma
temperatura máxima de operação de 120°C no condutor com uma temperatura
ambiente máxima de 90°C. Em condições de curto-circuito a temperatura não pode
ultrapassar 250°C, sendo que este regime não pode durar mais que 5 segundos.
Além dos requisitos de temperatura propriamente ditos, estes cabos devem possuir
resistência contra radiação ultravioleta (UV) e resistência à água (MORENO, 2019).
As características acima apresentadas são apenas as principais
relacionadas aos cabos para sistemas fotovoltaicos conforme a NBR 16612 (2020).
A NBR 16690 (2019) apresenta requisitos de dimensionamento e instalação destes
componentes. Deve-se ressaltar que estes cabos possuem características de
isolação e suportabilidade adequados para instalações solares. Tais ambientes
estão expostos a altas e baixas temperaturas, fatores climáticos adversos e
76

elevados valores de tensão CC. A seleção do cabo correto para instalações de


energia solar é fundamental para a segurança destes sistemas.

2.18. Aterramento, equipotencialização e seus componentes

2.18.1. Conceitos básicos

O aterramento pode ser entendido como uma ligação elétrica intencional


e de baixa impedância com a terra (solo), ao passo que uma ligação equipotencial
pode ser entendida como uma ligação elétrica que coloca massas e condutores
praticamente no mesmo potencial. Assim, pode-se verificar que o aterramento
envolve necessariamente a conexão de determinados elementos ao potencial
elétrico do solo e equipotencialização envolve levar todos os elementos e massas
conectados ao mesmo potencial, sem ser necessariamente o potencial elétrico do
solo (COTRIM, 2009).
A aplicação destes 2 conceitos, baseados na NBR 5410 (2004), é
fundamental para que a segurança em instalações fotovoltaicas e nas instalações
elétricas em geral seja garantida. Os sistemas de aterramento possuem diversas
finalidades, as principais, conforme Moreno e Costa (2018), são:

i. Segurança pessoal: caso ocorram falhas nas isolações de cabos e


equipamentos, a corrente de falta resultante deste evento deve circular
pelos condutores de equipotencialização e pelo sistema de aterramento
ao invés de circular pelo corpo de alguma pessoa ou animal que estiver
em contato elétrico com estes equipamentos e cabos;
ii. Desligamento automático: os diferentes dispositivos de proteção contra
sobrecorrentes (por exemplo: disjuntores e fusíveis) são dimensionados
e parametrizados para atuarem caso consigam “enxergar” os níveis mais
altos de corrente resultantes de faltas e falhas nos componentes e
equipamentos elétricos. Isto só ocorrerá em sistemas que ofereçam um
caminho de baixa impedância para estas correntes, fazendo com que
estas proteções atuem de forma rápida e segura;
iii. Controle de tensões e estabilização de transitórios: um bom sistema de
aterramento deve garantir que tensões de toque e passo permaneçam a
77

níveis considerados seguros na ocorrência de curto-circuito ou descarga


atmosférica próxima a edificação;
iv. Cargas estáticas: cargas elétricas estáticas acumuladas em estruturas e
equipamentos devem ser encaminhadas para a terra, através do sistema
de aterramento para que não provoquem choques elétricos em pessoas
ou animais que possam estar em contato elétrico com esses elementos;
v. Funcionamento de equipamentos eletrônicos: os equipamentos
eletrônicos só funcionarão corretamente caso haja um plano de
referência de potencial estável para que estes dispositivos possam
operar de forma adequada em baixas e altas frequências.

Todos os itens citados acima são aplicados à segurança e


funcionamento dos sistemas de geração fotovoltaica. Para que fusíveis e
disjuntores possam operar corretamente o aterramento deve garantir um caminho
de baixa impedância. Os DPS, tanto CC quanto CA devem possuir um plano de
referência para detectar os surtos de tensão e um caminho de baixa impedância
para drenar as correntes originadas por este surto. Os módulos e estruturas
metálicas são compostos por elementos que acumulam cargas estáticas facilmente
e devem possuir um caminho seguro para a terra. As UCP, geralmente inversores,
são equipamentos eletrônicos que se comunicam e realizam chaveamentos em
altas frequências, fazendo com que necessitem de um sistema de aterramento
corretamente instalado.
Segundo a NBR 5410 (2004), toda a edificação deve possuir uma
infraestrutura de aterramento, denominada eletrodo de aterramento. Este eletrodo
pode ser composto pelas próprias armaduras do concreto das fundações da
edificação ou fitas, cabos metálicos imersos na fundação, malhas enterradas no
nível das fundações, anel metálico enterrado podendo ser conectado a hastes
metálicas enterradas ou não, entre outras possibilidades.
Este eletrodo de aterramento deve ser único para cada edificação e deve
estar conectado a um barramento de aterramento, que muitas vezes pode ser o
próprio barramento de equipotencialização principal (BEP) da edificação. Ambos,
eletrodo e BEP, são equipotencializados através de condutores de aterramento. No
BEP, além dos condutores de aterramento, devem ser conectados condutores de
equipotencialização vindos de elementos e estruturas metálicas da edificação, de
78

circuitos elétricos e eletrônicos que entram ou saem da edificação, entre outras


estruturas (ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS, 2004). Os
condutores utilizados para realizar esta equipotencialização de massas e circuitos
eletroeletrônicos é denominado condutor de proteção (PE).
A equipotencialização realizada no BEP é denominada como
equipotencialização principal e deve convergir todos estes condutores e massas
metálicas da edificação A Figura 52 mostra uma situação comum: a
equipotencialização principal de uma edificação.

Figura 52 - Esquemático do barramento de equipotencialização principal

Fonte: Adaptado Cotrim (2009)

Em muitos casos, devido às dimensões da edificação, a


equipotencialização principal é realizada de forma indireta através de quadros
parciais, como mostrado na Figura 53.

Figura 53 - Esquemático de conexão BEP com as equipotencializações locais.

Fonte: Adaptado Cotrim (2009)


79

2.18.2. Aterramento e equipotencialização em SFCR

Como mostrado na sessão anterior, conforme a NBR 5410 (2004), as


massas metálicas e equipamentos elétricos devem estar equipotencializados em
um BEP, seja diretamente, seja através de equipotencializações locais.
Nos sistemas fotovoltaicos, seus condutores de proteção, além do
aterramento de suas estruturas metálicas devem estar equipotencializados em
relação ao BEP e ao eletrodo de aterramento da instalação. Em resumo, o
aterramento do lado em CC e do lado CA devem estar equipotencializados
(AYRÃO, 2018).
Tipicamente em edificações de menor porte, o esquema de aterramento
dessas instalações pode ser representado conforme a Figura 54.

Figura 54 - Esquema de aterramento típico em SFCR

Fonte: Adaptado Pinho et al. (2014)

Assim, com base na Figura 54, o aterramento do sistema fotovoltaico


deve ser equipotencializado com a malha de aterramento do restante da instalação.
A equipotencialização CC incluí o aterramento da estrutura metálica, dos módulos,
do inversor, da saída do DPS em CC e do barramento de equipotencialização da
caixa de junção. Esta equipotencialização deve ser conectada à mesma da parte
CA restante da instalação.
Atenção importante deve ser dada ao aterramento da moldura dos
módulos, que é diferente do aterramento da estrutura metálicas e da parte dos
módulos conectadas as estas estruturas. Tal aterramento é recomendado por
80

fabricantes como Canadian Solar (2016), sendo que estes indicam nos próprios
módulos o local em que o aterramento deve ser feito.
Ainda segundo este fabricante, os condutores de aterramento devem ser
fixados nestes locais por sistemas de parafusos e arruelas que sejam de materiais
inoxidáveis para evitar danos a estas conexões. A Figura 55 ilustra a localização
do furo em que o condutor de aterramento deve ser fixado.

Figura 55 - Furos para aterramento da moldura dos módulos fotovoltaicos

Fonte: Adaptado Canadian Solar (2016)

Em sistemas de maior porte, como em plantas fotovoltaicas de grande


escala instaladas em solo e em grandes áreas abertas, o sistema de aterramento
é normalmente composto por grandes malhas com condutores de cobre nú
enterrados.
As estruturas metálicas das fundações são normalmente aproveitadas e
são equipotencializadas na malha de condutores. Para sistemas de aterramento de
grandes usinas em solo parâmetros como resistividade do solo, temperatura,
umidade e o tipo de estrutura da sua fundação são extremamente importantes no
seu dimensionamento (OSORIO; PAN, 2018). Em alguns casos, dependendo de
uma análise de risco conforme NBR 5419 (2015), pode ser necessária a instalação
de sistemas de captores e conecta-los a malha. A Figura 56 ilustra um sistema de
aterramento e SPDA nestes tipos de sistemas
81

Figura 56 - Exemplo de malha de aterramento e SPDA em grandes usinas em


solo.

Fonte: Clamper (2017)

Os sistemas de aterramento, assim como nas instalações elétricas


convencionais, são essenciais para a segurança em plantas fotovoltaicas de
qualquer porte. Seus materiais típicos para instalações de menor porte em
edificações são: condutores conforme NBR 16612 (2020), barramentos em quadros
CC e CA, sistemas de parafusos e arruelas para conexão aos módulos, além de
hastes e condutores nus necessários para a malha de terra. Em sistemas de maior
porte, além dos citados anteriormente, há também os elementos das fundações que
podem ser integrados ao sistema de aterramento.
82

3. UMA ANÁLISE DA NBR 16690:2019

3.1. Princípios fundamentais

Primeiramente, as instalações fotovoltaicas conforme a NBR 16690


(2019), devem satisfazer as condições e características gerais que uma instalação
elétrica em baixa tensão deve possuir, conforme a NBR 5410 (2004). Estes
requisitos estão descritos nos itens 4.1 e 4.2 desta norma.
A NBR 16690 (2019) define uma configuração funcional geral de um
sistema fotovoltaico, com base na Figura 57.

Figura 57 - Configuração funcional geral de um sistema fotovoltaico.

Fonte: Associação Brasileira de Normas Técnicas (2019)

O Arranjo fotovoltaico, segundo a NBR 10899 (2013) pode ser definido


como um conjunto de módulos integrados mecânica e eletricamente, incluindo sua
estrutura de suporte. O Circuito de aplicação é o circuito elétrico do qual o arranjo
está conectado. Este circuito é classificado de 3 formas diferentes: cargas em
corrente contínua; sistema em corrente alternada via UCP que inclua isolação
galvânica; sistema em corrente alternada via UCP que não inclua isolação
galvânica.
O conceito de isolação galvânica é importante e se torna recorrente na
aplicação desta norma. A mesma a define como a Isolação de seções funcionais
de sistemas elétricos que evitam o fluxo de corrente entre estas. O exemplo mais
comum de isolação galvânica pode ser observado em circuitos com acoplamento
magnético, ou mais comum, com transformadores. A isolação galvânica deve estar
83

presente no sistema fotovoltaico, seja internamente na UCP, seja externamente


através de algum meio dedicado para isto. Geralmente emprega-se um
transformador para cumprir este requisito.
Ainda segundo a NBR 16690 (2019), os arranjos podem ser divididos em
subarranjos. Segundo a NBR 10899 (2013) um subarranjo é a parte de um arranjo
fotovoltaico que pode ser considerada como uma unidade. Isto é exemplificado da
Figura 58 à Figura 62. Um subarranjo pode ser entendido como um conjunto
formado por séries fotovoltaicas que estão dispostas em paralelo. Se há um arranjo
com 2 destes conjuntos, há um arranjo com 2subarranjos.
A NBR 16690 (2019) define 5 esquemas elétricos básicos de arranjos
fotovoltaicos. Primeiramente, existem os arranjos com uma única série
fotovoltaica: todos os módulos são conectados em uma única série fotovoltaica.
Pode-se observar que o sistema é composto por uma única UCP e um único par
de polos positivo (+) e negativo (-), compondo uma única entrada de corrente
contínua, podendo ser conectados diretamente na UCP. Este tipo de arranjo é
mostrado na Figura 58.

Figura 58 - Arranjo fotovoltaico com uma única série fotovoltaica

Fonte: Associação Brasileira de Normas Técnicas (2019)

O Arranjo com múltiplas séries fotovoltaicas é aquele em que há um


único arranjo formado por diversas séries em paralelo. Dependendo do número de
84

entradas independentes em CC, é necessária a colocação de um elemento que


realize o paralelismo entre as séries e entregue a corrente resultante a UCP. Este
paralelismo pode ser realizado pela caixa de junção. A Figura 59 apresenta este
tipo de configuração:

Figura 59 - Arranjo fotovoltaico com múltiplas séries fotovoltaicas

Fonte: Adaptado Associação Brasileira de Normas Técnicas (2019)

O esquema com arranjo fotovoltaico com múltiplos subarranjos


fotovoltaicos é aquele que concentra 2 ou mais subarranjos, sendo estes
dispostos em paralelo através de um número adequado de caixas de junção. O
esquemático desta configuração é apresentado na Figura 60.
85

Figura 60 - Arranjo fotovoltaico com múltiplos subarranjos fotovoltaicos

Fonte: Adaptado Associação Brasileira de Normas Técnicas (2019)

Este esquema apresentado com múltiplos subarranjos é implementado


em plantas de maior porte, onde várias situações de paralelismo são necessárias.
É cada vez mais comum que os inversores disponham de diversas
entradas em CC, cada uma com um SPMP individual por questões relacionadas a
otimização da produção de energia. Com isto, há o arranjo fotovoltaico com UCP
com múltiplas entradas em corrente contínua com SPMP individuais. A Figura
61ilustra este esquema.
86

Figura 61 - Arranjo com múltiplas entradas CC com SPMP individuais

Fonte: Adaptado Associação Brasileira de Normas Técnicas (2019)

Deve-se ressaltar que esta configuração exige que o dimensionamento


dos dispositivos contra sobrecorrente e condutores vivos levem em consideração
as possíveis correntes de realimentação de cada entrada (CC), além de possuírem
um dispositivo interruptor-seccionador em cada uma destas entradas da UCP.
Por fim, há ainda a possibilidade de haver diversas entradas (CC) com
um mesmo barramento e um SPMP em comum. A Figura 62 apresenta a
configuração do tipo arranjo com UCP com múltiplas entradas em corrente continua
conectadas internamente em um barramento CC comum.
87

Figura 62 - Arranjo com múltiplas entradas CC e um barramento em CC comum

Fonte: Adaptado Associação Brasileira de Normas Técnicas (2019)

Assim como na configuração com SPMP individuais, cada entrada (CC)


deve possuir um dispositivo interruptor-seccionador para prover a isolação da UCP.
Além disso, os dispositivos contra sobrecorrentes e condutores vivos conectados
devem levar em consideração as possíveis correntes de realimentação de cada
uma destas entradas.
Com base nos esquemas da Figura 59 até a Figura 62, existe a
associação de diversos módulos em série-paralelo, principalmente quando a
potência das plantas fotovoltaicas aumenta. O paralelismo de várias séries, como
apresentado anteriormente, pode ocasionar a circulação de correntes reversas
entre as séries e podem assumir valores prejudiciais aos equipamentos e a
segurança das pessoas. Por este motivo, a NBR 16690 (2019) aponta que as
88

tensões de circuito aberto provenientes de séries em paralelismo sejam o mais


próximas o possível com uma variação máxima de 5% entre as mesmas.
O posicionamento dos módulos também influencia o valor das tensões
das séries, pois isto altera o nível de irradiação absorvido pelas células e sua
corrente gerada. Por isto, os módulos que estiverem conectados a um mesmo
SPMP devem possuir ângulos de azimute e inclinação o mais semelhante possível,
sendo tolerada uma variação de até mais ou menos 5°.

3.2. Recomendações quanto ao desempenho

No item 4.3.10 norma NBR 16690 (2019), são descritos brevemente


alguns fatores responsáveis por prejudicar o desempenho de um sistema
fotovoltaico. Primeiramente, é citado o sombreamento. A norma recomenda que o
local de instalação seja cuidadosamente escolhido para que não haja a ocorrência
de sombreamento durante o dia, ou que o mesmo seja o mais reduzido possível.
O aumento da temperatura altera as condições de operação dos
componentes das instalações fotovoltaicas. Além das questões de segurança, a
temperatura afeta o desempenho destas plantas.
A queda de tensão nos condutores é um fator importante de
desempenho e recomenda-se que em condições de carga máxima, a queda de
tensão não seja superior a 3%, considerando seu ponto de máxima potência nas
STC.
A obstrução da superfície dos módulos também compromete a geração
de energia do sistema. Essa obstrução é causada por acúmulo de poeira, sujeiras,
dejetos de aves, etc. Por isto, manter os módulos sempre limpos, é essencial para
assegurar um bom desempenho do sistema.
Como já citado anteriormente, o posicionamento dos módulos de
diferentes formas em um mesmo SPMP pode comprometer a segurança das
instalações. Além disso, pode comprometer também seu desempenho, pois
diferentes inclinações e orientações (azimutes) podem maximizar ou minimizar a
produção de energia. Na etapa de projeto, a escolha dos posicionamentos pode
otimizar a produção de energia do sistema.
A norma também cita a degradação dos módulos. Esta degradação pode
ser causada por falta de cuidado por parte dos instaladores, como permanecer
89

apoiado sobre os módulos, causar impactos e choques mecânicos devido ao seu


manuseio, entre outros fatores.

3.3. Projeto mecânico

Os módulos fotovoltaicos são sustentados por estruturas mecânicas,


sejam fixados em edificações, sejam estes fixados ao solo. A seleção das
estruturas deve levar em consideração aspectos térmicos, de carregamento, de
forças devido ao vento, radiação UV e de acúmulo de materiais como areia, neve,
entre outros.
A corrosão eletroquímica é outro problema importante de ser
mencionado. Por serem estruturas expostas continuamente ao tempo, além de
haver diversas conexões de diferentes materiais, os elementos destas estruturas
devem ser fabricados de forma que evitem tal fenômeno eletroquímico.
Além dos aspectos citados acima pela NBR 16690 (2019), a mesma
ainda recomenda considerar a capacidade que as edificações possuem de suportar
a estrutura do arranjo fotovoltaico. Estes aspectos mecânicos devem ser cumpridos
por suas normas especificas e serem garantidos pelos fabricantes.

3.4. Proteção contra choques elétricos

As instalações fotovoltaicas compreendidas pela NBR 16690 (2019)


devem seguir os mesmos princípios de proteção contra choques elétricos
enunciados na NBR 5410 (2004). Este tipo de proteção se fundamenta em dois
princípios básicos que são: partes vivas perigosas não devem ser acessíveis e;
massas ou partes condutivas acessíveis não devem oferecer perigo, seja em
condições normais, seja, em particular, em caso de alguma falha que as tornem
acidentalmente vivas.
As medidas necessárias para se alcançar estes dois princípios citados
acima, é provendo meios de proteção básica (contra contatos diretos) e proteção
supletiva (contra contatos indiretos). Exemplos de proteção básica são: isolação
básica de materiais e equipamentos, uso de barreiras e invólucros com
determinados graus de proteção IP, entre outras. A proteção supletiva se baseia
em aterramento e equipotencialização, seccionamento automático da alimentação,
isolação suplementar, entre outros meios. Uma característica importante, que é
particular das instalações em CC é a exigência de que todos os componentes
90

elétricos desta parte da instalação, ou seja, até as entradas CC das UCP, devam
possuir isolação dupla ou reforçada (classe II), ou seja, devem possuir isolação
básica e suplementar simultaneamente.

3.5. Proteção contra efeitos térmicos

A proteção contra efeitos térmicos também deve seguir os princípios da


NBR 5410 (2004). Especificamente, os efeitos térmicos podem ser subdivididos em
incêndios e queimaduras. No geral, instalação elétrica deve ser concebida de forma
a excluir qualquer risco de incêndio de materiais inflamáveis devido a temperaturas
elevadas ou arcos elétricos. Ressalta-se que as condições de temperatura elevada
são comuns para as instalações fotovoltaicas e o risco de arco elétrico também está
presente nestes sistemas (MORENO et al., 2011).
De forma prática, as medidas contra incêndio se baseiam na seleção de
materiais adequados de acordo as influências externas em que serão instalados,
por exemplo a temperatura ambiente do local e taxa de ocupação da edificação. A
proteção contra queimaduras pode ser cumprida ao respeitar determinadas
temperaturas limites especificadas pela própria NBR 5410 (2004) e/ou manter as
partes acessíveis dos equipamentos elétricos a determinadas distâncias das
pessoas que circulam no ambiente.

3.6. Proteção contra sobrecorrentes

As sobrecorrentes em um arranjo fotovoltaico podem ser causadas por:


faltas à terra nos seus condutores; correntes de curto-circuito em módulos, caixas
de junção e cabeamento; correntes reversas devido ao paralelismo entre séries e
a presença de diferenças de tensão entre estas.
Boa parte dos requisitos da NBR 5410(2004) para a proteção contra
sobrecorrentes deve ser cumprido para as instalações fotovoltaicas.
Especificamente os itens 5.3.2 ao 5.3.7 da NBR 5410 (2004) devem ser aplicados
conforme indicado pela NBR 16690 (2019).
Especificamente, para os arranjos e módulos fotovoltaicos, a definição
da necessidade, a localização e o dimensionamento das proteções contra
sobrecorrentes dependem basicamente da configuração do arranjo (número de
arranjos, subarranjos e séries em paralelo) e da suportabilidade que os módulos
possuem, de acordo com cada fabricante. Uma outra exigência específica para os
91

sistemas fotovoltaicos é de que estes dispositivos devem ser selecionados para


atuarem em até duas horas quando uma corrente equivalente a 135% da corrente
nominal do dispositivo for aplicada. Primeiramente, em séries fotovoltaicas, a
proteção contra sobrecorrentes deve ser utilizada se:

((𝑺𝑨 − 𝟏). 𝑰𝑺𝑪𝑴𝑶𝑫 ) > 𝑰𝑴𝑶𝑫 𝑴𝑨𝑿. 𝑶𝑪𝑷𝑹 (4)

Sendo 𝑆𝐴 o número total de séries fotovoltaicas conectadas em


paralelo,𝐼𝑆𝐶𝑀𝑂𝐷 a corrente de curto-circuito do módulo fotovoltaico em condições
STC e 𝐼𝑀𝑂𝐷 𝑀𝐴𝑋. 𝑂𝐶𝑃𝑅 é o valor máximo de proteção contra sobrecorrente do módulo
fotovoltaico, que pode ser entendido como um valor máximo de corrente que o
módulo suporta.
Após confirmar a necessidade da instalação desta proteção, calcula-se
a corrente nominal do dispositivo. Existe ainda a possibilidade de utilizar um
dispositivo para cada série ou um único dispositivo que proteja um determinado
número de séries agrupadas. Para o caso de um dispositivo por série:

𝟏, 𝟓. 𝑰𝑺𝑪𝑴𝑶𝑫 > 𝑰𝒏 > 𝟐, 𝟒. 𝑰𝑺𝑪𝑴𝑶𝑫 (5)

𝑰𝒏 ≤ 𝑰𝑴𝑶𝑫 𝑴𝑨𝑿. 𝑶𝑪𝑷𝑹 (6)

Para o caso de um único dispositivo para um grupo de séries, os critérios


são:
𝑰𝒏 > 𝟏, 𝟓. 𝑺𝑮 . 𝑰𝑺𝑪𝑴𝑶𝑫 (7)

𝑰𝒏 < 𝑰𝑴𝑶𝑫 𝑴𝑨𝑿. 𝑶𝑪𝑷𝑹 − [(𝑺𝑮 − 𝟏). 𝑰𝑺𝑪𝑴𝑶𝑫 ] (8)

Sendo 𝑆𝐺 o número de séries que é protegida por um único dispositivo


contra sobrecorrente. A Figura 63 ilustra esta configuração.
92

Figura 63 - Instalação de dispositivo de proteção contra sobrecorrente para um


grupo de séries

Fonte: Adaptado Associação Brasileira de Normas Técnicas (2019)

Nos trechos dos subarranjos fotovoltaicos, a necessidade de aplicação


de dispositivo de proteção contra sobrecorrente sempre será necessária se mais
de dois subarranjos estiverem ligados a uma única UCP. Caso esta condição seja
cumprida, o dimensionamento da proteção contra sobrecorrentes deve seguir o
seguinte critério:

𝟏, 𝟐𝟓. 𝑰𝑺𝑪 𝑺−𝑨𝑹𝑹𝑨𝑵𝑱𝑶 < 𝑰𝒏 < 𝟐, 𝟒. 𝑰𝑺𝑪 𝑺−𝑨𝑹𝑹𝑨𝑵𝑱𝑶 (9)

𝑰𝑺𝑪 𝑺−𝑨𝑹𝑹𝑨𝑵𝑱𝑶 = 𝑺𝑺𝑨 . 𝑰𝑺𝑪𝑴𝑶𝑫 (10)

Sendo 𝑆𝑆𝐴 o número total de séries fotovoltaicas conectadas em paralelo


no subarranjo fotovoltaico. Nos trechos dos arranjos fotovoltaicos, a proteção contra
sobrecorrentes só será necessária em sistemas com baterias ou outras fontes de
corrente que possam fluir para estes arranjos nas condições de falta. Caso haja
esta configuração o dimensionamento é:

𝟏, 𝟐𝟓. 𝑰𝑺𝑪 𝑨𝑹𝑹𝑨𝑵𝑱𝑶 < 𝑰𝒏 < 𝟐, 𝟒. 𝑰𝑺𝑪 𝑨𝑹𝑹𝑨𝑵𝑱𝑶 (11)

𝑰𝑺𝑪 −𝑨𝑹𝑹𝑨𝑵𝑱𝑶 = 𝑺𝑨 . 𝑰𝑺𝑪𝑴𝑶𝑫 (12)


93

Sendo 𝑆𝐴 o número de séries conectadas em paralelo ao arranjo


fotovoltaico. A localização destes dispositivos é ilustrada nas Figura 58 a Figura 63.
Nas séries fotovoltaicas a localização ocorre nos pontos em que os condutores se
conectam para formar os arranjos ou subarranjos fotovoltaicos, que são nas caixas
de junção. Nos subarranjos, os mesmos devem ser instalados nos pontos em que
os cabos dos subarranjos de conectam para formar o trecho do arranjo fotovoltaico,
que é na caixa de junção deste trecho. Para os arranjos, este dispositivo deve ser
instalado no ponto em que o cabo do arranjo se conecta a UCP.

3.7. Proteção contra sobretensões e perturbações eletromagnéticas

Os requisitos da NBR 16690 (2019) englobam a proteção contra


sobretensões induzidas por descargas atmosféricas indiretas. A análise referente a
proteção contra estas sobretensões deve levar em conta os requisitos da NBR
16690 (2019) e do conjunto de normas NBR 5419 (2015).
Um requisito importante para atenuar os riscos provenientes destas
sobretensões está relacionado a forma de instalação e posicionamento dos cabos
CC. Este posicionamento deve ser feito de tal maneira que não forma grandes laços
entre os condutores de uma mesma série fotovoltaicos.
A instalação de DPS é outra medida fundamental para reduzir os riscos
de danos ao sistema causados por estas sobretensões. Os posicionamentos destes
DPS seguem os critérios apresentados na seção 2.14 deste trabalho, que está
baseada na norma IEC 61643-32 (2017), além de uma análise com base na NBR
5419 (2015).

3.8. Proteção contra quedas e faltas de tensão

Os problemas relacionados a faltas e quedas de tensão em tempos


relativamente curtos são também denominados como subtensão. Tais problemas
estão normalmente relacionados à qualidade de energia elétrica (MORENO et al.,
2011). A NBR 16690 (2019) indica que a proteção contra tal fenômeno deve seguir
o item 5.5 da NBR 5410.
Segundo a própria NBR 5410 (2004) a utilização destes tipos de
proteções deve ser condicionada a uma análise da instalação, levando em
consideração os riscos trazidos aos equipamentos e às pessoas. Além disso, caso
se empreguem tais proteções, as mesmas podem ser temporizadas caso não haja
94

risco nesse tempo de atuação, não podem prejudicar a atuação de outras proteções
e do seccionamento automático da alimentação e não podem permitir o religamento
automático, caso isto ofereça algum risco ou perigo a instalação e as pessoas.

3.9. Seccionamento e comando

Quanto a parte de seccionamento e comando, os requisitos da NBR


5410 (2004) continuam válidos, ou seja, os requisitos da seção 5.6 desta norma
devem ser cumpridos. Primeiramente, o seccionamento deve ser possibilitado em
todos os condutores vivos de todos os circuitos e o condutor de proteção não deve
ser seccionado. Todos os circuitos devem ter seu próprio dispositivo de
seccionamento. Além de dispositivos próprios, pode-se instalar um dispositivo de
seccionamento geral.
Garantir o seccionamento da instalação é fundamental para que ocorram
intervenções e manutenções no sistema de forma segura (MORENO et al., 2011).
Para garantir a possibilidade de realizar o seccionamento seguro destas
instalações, devem ser empregados os meios corretos de manobra no sistema. Na
Figura 64, é apresentada a obrigatoriedade, ou não, da instalação de dispositivos
de manobra, em função da sua localização e da sua tensão decisiva:

Figura 64 - Requisitos de meios de manobra em instalações fotovoltaicas

Fonte: Associação Brasileira de Normas Técnicas (2019)

Como descrito na seção 2.13 deste trabalho estes dispositivos devem


ser fabricados conforme ABNT NBR IEC 60947 partes 1 e 3. Também devem
cumprir os seguintes requisitos:
95

i. Possuir mecanismos de operação manual independentes;


ii. Possuírem corrente nominal superior ao dispositivo de proteção contra
sobrecorrentes ou a capacidade de condução de corrente do circuito;
iii. Não possuírem qualquer parte de metal exposta tanto no estado ligado
quanto desligado;
iv. Não serem sensíveis a polaridade dos circuitos;
v. Seccionar a plena carga e potenciais correntes de falta do arranjo e
quaisquer outras fontes de energia conectadas (por exemplo: baterias e
a rede elétrica);
vi. Caso este elemento tenha proteção contra sobrecorrente incorporada,
deve-se dimensionar o dispositivo conforme, também os critérios
específicos em relação a esta;
vii. Interromper todos os condutores energizados simultaneamente.

Há a possibilidade de se utilizar dispositivos disjuntores para a proteção


contra sobrecorrentes e terem a função de interrupção. Os mesmos devem seguir
a norma ABNT NBR IEC 60947 parte 2 ou a IEC 60898-2. Além disso, devem seguir
os requisitos para os interruptores seccionadores.
Requisitos importantes são adicionados ao dispositivo interruptor-
seccionador da UCP. Com exceção dos módulos fotovoltaicos CA (conjunto
integrado módulo/inversor cujos terminais de interface são somente em CA) e
instalações com microinversores, deve ser possível isolar eletricamente todos os
polos do arranjo fotovoltaico da UCP para que a mesma possa ser substituída ou
posta em manutenção. Para que este processo possa ser realizado conforme a
NBR 16690 (2019), uma das opções de manobra deve ser cumprida:

i. Um interruptor-seccionador fisicamente separado;


ii. Um interruptor-seccionador mecanicamente ligado a UCP e que permita
a sua remoção sem riscos elétricos;
iii. Um interruptor seccionador localizado dentro da UCP que possua algum
mecanismo que garanta que a UCP só possa ser retirada caso este
interruptor esteja na posição aberta;
iv. Um interruptor-seccionador localizado dentro da UCP se a mesma incluir
um meio de isolamento que só pode ser operado com ferramenta e
96

conter uma marcação de alerta visível com o texto: “Não desligar sob
carga”.

Para que se possa identificar em qual situação uma determinada UCP


se encaixa, deve-se consultar os manuais e folhas de dados dos inversores. Esta
questão é importante, pois os inversores muitas vezes são fabricados com
dispositivos de abertura, mas que nem sempre cumprem os requisitos de
seccionamento listados acima, fazendo com que a colocação de um interruptor-
seccionador fisicamente separado seja obrigatória, mesmo havendo dispositivos de
abertura dentro das UCP (AYRÃO, 2018).
Por fim, alguns outros requisitos importantes para a instalação de
dispositivos de seccionamento e comando devem cumpridos, conforme a seguir:

i. Disjuntores podem ser utilizados como elementos de interrupção;


ii. Fusíveis podem ser utilizados como meios de seccionamento sem carga
desde que possuam elementos removíveis (preferencialmente porta-
fusíveis);
iii. Quando vários dispositivos de manobra forem necessários para isolar a
UCP, os mesmos devem ser todos interruptores-seccionadores.

Para o caso de sistemas conectados à microinversores, fica dispensada


a utilização de dispositivos de manobra (incluindo o interruptor-seccionador), desde
que o comprimento entre a caixa de conexão do módulo fotovoltaico e o
microinversor não seja maior que 5 metros.

3.10. Seleção e instalação dos componentes – Geral

Os critérios gerais e comuns para a instalação dos componentes de um


arranjo fotovoltaico são os mesmos que os indicados pela NBR 5410 (2004),
conforme seu item 6.1.
Primeiramente, todos os componentes devem satisfazer as normas
técnicas brasileiras vigentes. Na falta destas, deve-se seguir normas padrão IEC e
ISO. Caso não haja uma norma especifica brasileira, IEC ou ISO, normas regionais
devem ser consultadas. Em último caso, deve-se prever um acordo especial entre
97

o responsável pela obra e o responsável pela instalação elétrica (ASSOCIAÇÃO


BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS, 2004).
Os componentes devem ser projetados para as condições normais de
operação do sistema, como tensões nominais, correntes de projeto, potência,
frequência e questões de compatibilidade, ou seja, o funcionamento de
determinado componente não pode prejudicar o desempenho de outros
componentes e da alimentação elétrica (ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS
TÉCNICAS, 2004).
Uma análise relativa às influências externas é fundamental para a
seleção dos componentes dos arranjos fotovoltaicos. Estas influências externas
são características que compreendem fatores como temperatura, umidade,
presença de água, altitude, presença de substancias corrosivas, entre outras
características que influenciam na segurança e no desempenho destes
componentes (ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS, 2004).
As soluções indicadas pela NBR 5410 (2004) compreendem desde a
seleção de equipamentos com determinado grau de proteção (IP), utilização de
medidas de proteção adicionais e recomendações de normas especificas para a
seleção dos componentes e equipamentos do arranjo.
Os requisitos de acessibilidade devem ser cumpridos para que facilite a
operação e manutenção do sistema. A identificação dos componentes como cabos
e proteções deve ser feita de acordo com um sistema de sinalizações, etiquetas,
placas e/ou colorações especificas conforme a própria NBR 5410.
Especificamente para os sistemas fotovoltaicos, a NBR 16690 (2019)
alerta para o cálculo da tensão nominal dos equipamentos, que deve levar em
consideração a tensão de circuito aberto do arranjo fotovoltaico𝑉𝑂𝐶 −𝐴𝑅𝑅𝐴𝑁𝐽𝑂
corrigida para a menor temperatura de operação esperada. O procedimento de
cálculo deve ser feito conforme instruções dos fabricantes de módulos fotovoltaicos.
Caso o projeto esteja sendo realizado com módulos de tecnologia de silício mono
e policristalino, a NBR 16690 (2019) oferece na sua Tabela 4 fatores de correção
para temperaturas de 24°C a -40°C.
Como resultado destes critérios de instalação e seleção, constitui-se
uma documentação de projeto que segundo a NBR 5410 (2004) deve conter no
mínimo: plantas, memorial descritivo, especificação dos componentes e
parâmetros elétricos de projeto. Além destes itens obrigatórios, quando necessários
98

deve-se incluir diagramas unifilares e detalhes de montagem, quando necessário.


Especificamente para as instalações fotovoltaicas, a documentação deve ser
complementada conforme especifica a norma ABNT NBR 16274 (2014b) –
Sistemas fotovoltaicos conectados à rede: Requisitos mínimos para documentação,
ensaios de comissionamento, inspeção e avaliação de desempenho – que obriga
a elaboração da seguinte documentação:

i. Informações básicas do sistema: número de referência do projeto,


proprietário, localização, potência nominal do sistema, fabricante e
modelo de módulos e inversores, período da instalação, período dos
ensaios de comissionamento e período dos ensaios de avaliação de
desempenho quando aplicável;
ii. Dados dos responsáveis pelo projeto e instalação;
iii. Diagramas e parâmetros elétricos da parte CC e do trecho CA que
alimenta a UCP;
iv. Folhas de dados de módulos, inversores e transformadores quando
houver;
v. Informações e desenhos relativos a montagem das estruturas e do
sistema de rastreamento (quando houver), além de informações
relativas à manutenção destes itens;
vi. Informações sobre operação e manutenção: procedimentos para
verificar o funcionamento, desligamento de emergência, recomendação
e limpeza, entre outros;
vii. Resultados de ensaios de comissionamento e avaliação do
desempenho.

3.11. Classes de tensão decisiva

A NBR 16690 (2019) define a classe de tensão decisiva como sendo


atenção mais elevada que ocorre continuamente entre quaisquer duas partes vivas
arbitrárias da UCP durante o pior caso de condição operacional quando utilizado
como previsto. Segue na Figura 65 o resumo da classificação de tensão decisiva,
conforme tabela E.1 da norma.
99

Figura 65 - Classes de tensão decisiva

Fonte: Associação Brasileira de Normas Técnicas (2019)

Essa classificação é essencial e define quais serão as medidas de


proteção contra choques elétricos e indica as tensões de trabalho limites para cada
parte e circuito do sistema.

3.12. Seleção de linhas elétricas

Os cabos que compões as linhas elétricas dos arranjos fotovoltaicos


devem ser fabricadas conforme a NBR 16612 (2020) que garante adequados níveis
de proteção e resistência contra condições climáticas típicas de materiais que
permanecem expostos ao tempo como: temperatura, umidade, radiação UV
esforços causados pelo vento, bem como esta protegidos contra bordas cortantes
e perfurantes, o que é um risco recorrente devido ao formato de alguns
componentes presentes nas estruturas metálicas da instalação.
No caso comum de presilhas abraçadeiras, as mesmas não podem ser
usadas como método de fixação principal a menos que estes possuam vida útil
maior ou igual à do sistema ou até o período de manutenção programada.
Deve ser garantida a segregação entre as linhas CC e CA. com os
mesmos requisitos de segregação para diferentes níveis de tensão. Isto é
necessário para que não haja uma confusão entre as instalações em CC e CA.
além de evitar riscos de faltas entre linhas de alimentações distintas. Além disto,
deve haver uma identificação que diferencie estes circuitos através de um sistema
de etiquetas e de coloração dos condutores. O dimensionamento dos condutores
em séries, subarranjos e arranjos fotovoltaicos deve ser realizado com base nos
critérios:
100

i. Níveis de proteção contra sobrecorrente (quando em uso);


ii. Mínima capacidade de corrente dos circuitos;
iii. Queda de tensão;
iv. Potencial corrente de falta.

Por fim, deve se aplicar a maior seção nominal obtida a partir destes
critérios. A descrição destes critérios e citação das normas que devem ser utilizadas
em conjunto para a aplicação destes critérios estão presentes na própria NBR
16690 (2019). Quanto a instalação dos cabos algumas exigências importantes
devem ser cumpridas:

i. Instalar de forma que não sofram fadiga devido a esforços mecânicos,


como, por exemplo, o vento;
ii. Conexões devem ser verificadas quanto o seu torque mínimo e a correta
polaridade para reduzir os riscos de arcos elétricos;
iii. O cabeamento deve ser disposto de tal forma que reduza ao máximo a
área formada de laços condutores. Esta medida reduz a magnitude de
tensões induzidas provenientes de descargas atmosféricas. Segue na
Figura 66 um exemplo de como deve-se dispor os condutores e módulos
para que este requisito seja cumprido.

Figura 66 - Forma de instalação do cabeamento a fim de se evitar a formação de


laços.

Fonte: Associação Brasileira de Normas Técnicas (2019)


101

iv. Quando os condutores forem inseridos nas caixas de junção sem


condutos (por exemplo, sem eletrodutos) deve utilizar algum sistema que
alivie a tensão mecânica para que os cabos sofram desconexões. Uma
solução possível é a utilização de terminais do tipo prensa-cabo;
v. As entradas dos cabos nas caixas de junção devem manter o IP
adequado do ambiente em que forem instaladas.

Os elementos de conexão (usualmente conectores denominados como


MC4) são elementos essenciais, pois permitem as conexões entre módulos ou para
cabos de arranjos e subarranjos formando as associações de módulos
fotovoltaicos. As principais exigências referentes a estes elementos são:

i. Serem do mesmo tipo e fabricante;


ii. Possuírem níveis de tensão e corrente adequados aos da instalação;
iii. Oferecer proteção contra contato com partes vivas tanto no estado
conectado quanto desconectado;
iv. Abrigar adequadamente todas as camadas do condutor;
v. Estarem de acordo com as classes de tensão do circuito e possuírem o
IP adequado às condições ambientais em que estão instalados;
vi. Serem “crimpados” por ferramenta especifica;
vii. Serem fabricados conforme normas especificas;
viii. Exigirem força intencional para serem separados;
ix. Serem polarizados em caso de conexões multipolares;
x. Se forem acessíveis a pessoas não qualificadas, devem ser do tipo com
bloqueio, em que duas ações independentes são necessárias para
desconecta-los.

3.13. Aterramento e equipotencialização dos arranjos fotovoltaicos

No contexto das instalações fotovoltaicas, existem as seguintes opções


para aterramento ou equipotencialização de um determinado arranjo:

i. Aterramento funcional de peças metálicas não energizadas;


ii. Aterramento para proteção contra descargas atmosféricas;
iii. Barramento de equipotencialização;
102

iv. Aterramento funcional de um polo do arranjo fotovoltaico, chamado de


aterramento funcional do arranjo fotovoltaico.

Os requisitos da seção 6.4.1 da NBR 5410 (2004) relativos à aterramento


são aplicáveis para os sistemas fotovoltaicos e são resumidos na seção 2.18 deste
trabalho.
Quanto aos condutores de proteção (PE), deve-se seguir os requisitos
da seção 6.4.3 da NBR 5410 (2004). Estes requisitos são relativos a determinação
da sua seção mínima e formas de instalação. Desses requisitos, deve-se excluir o
item 6.4.3.4.
Os condutores de equipotencialização do arranjo fotovoltaico são
utilizados para realizar a equipotencialização funcional de partes condutoras
expostas e devem possuir, no mínimo diâmetro de 6mm² em cobre ou equivalente.
No entanto, seções maiores podem ser exigidas caso o sistema de aterramento
seja utilizado para fins de proteção contra surtos provocados por descargas
atmosféricas. A Figura 67 ilustra a equipotencialização de partes condutoras
expostas de um arranjo fotovoltaico:

Figura 67 - Aterramento de partes condutoras expostas

Fonte: Associação Brasileira de Normas Técnicas (2019)

Há também a possibilidade de se realizar o aterramento funcionado


sistema, cujos esquemas são vistos na Figura 68 conforme anexo B da NBR 16690
(2019), que ocorre quando um condutor é intencionalmente conectado à terra para
garantir o funcionamento correto do sistema, ou seja, por propósitos não
103

relacionados à segurança. Os condutores empregados para a realização deste


aterramento são os polos positivo ou negativo dos arranjos e deve ser feito em um
único ponto, próximo à entrada CC ou na própria UCP o mais próximo possível do
interruptor seccionador deste arranjo. Este aterramento pode ser realizado
diretamente à terra ou através de resistência juntamente com um dispositivo
supervisor de isolamento. Ainda, deve-se ressaltar que este tipo de aterramento só
pode ser aplicado caso haja um meio de isolação galvânica entre os circuitos CC e
CA.

Figura 68 - Esquemas de aterramento funcional

Fonte: Associação Brasileira de Normas Técnicas (2019)

Este tipo de aterramento pode ser necessário para o correto


funcionamento de algumas tecnologias de módulos fotovoltaicos. Por exemplo, as
tecnologias mono e policristalinas, em geral, não utilizam este aterramento, ou seja,
ficam em flutuação. Outras características, como filmes finos, necessitam deste
esquema (PINHO et al., 2014).

3.14. Verificação final e manutenção

Após instalado, o sistema deve ser verificado conforme seção 7 da NBR


5410 (2004), ou seja, a instalação deve passar por inspeções visuais e ensaios que
garantam a segurança. Em caso de ampliações e reformas em relação a instalação
existente (que é um caso muito comum para as instalações de SFVCR em
edificações) deve ser verificado se a instalação nova não compromete a segurança
da instalação existente. No entanto, as instalações fotovoltaicas possuem
104

características específicas e, portanto, seus ensaios e verificações são


especificados pela norma NBR 16274 (2014).
A verificação inicial ocorre sempre após a conclusão das instalações, ou
após acréscimos e modificações das instalações existentes. As verificações
periódicas devem ser feitas tanto quanto possível, se nesse intervalo todos os
componentes da instalação permanecerem em condições satisfatórias de uso. Este
intervalo não pode ser mais longo do que o requerido pela instalação CA conectada.

3.14.1. Inspeção da instalação

A inspeção da instalação é realizada anteriormente ao comissionamento


e energização da mesma. Deve-se inspecionar os seguintes itens conforme a
própria NBR 16274 (2014):

3.14.1.1. Inspeção do sistema CC

• Todos os componentes são adequados para operação em CC e


suportam a máxima tensão do sistema e máxima corrente de falta;
• Materiais e equipamentos são protegidos por isolamento classe II ou
equivalente;
• Os cabos foram selecionados e montados de forma a reduzir os riscos
de faltas e curto-circuito (normalmente este requisito é alcançado ao se
utilizar cabos com duplo isolamento);
• Todos os cabos foram selecionados e montados para resistir a
influências externas esperadas como: vento, gelo, temperatura e
radiação solar;
• Em sistemas que não possuem dispositivos de proteção contra
sobrecorrentes, os cabos e módulos devem suportar a máxima corrente
reversa possível das séries combinadas em paralelo no sistema;
• Meios de desconexão foram instalados nas séries, subarranjos e
arranjos;
105

• A conformidade dos diodos de bloqueio;


• Um dos condutores CC está ligado à terra, se existe um meio de
separação simples entre as instalações CC e CA, além de verificar se as
ligações foram feitas de forma a evitar a corrosão;
• Plugues e soquetes são do mesmo fabricante;
• Caso o sistema possua aterramento funcional, deve haver um dispositivo
de interrupção de falta a terra instalado (normalmente este dispositivo é
provido por UCP apropriada).

3.14.1.2. Proteção contra sobretensões / choque elétrico

• Há um dispositivo supervisor de isolamento do arranjo e um sistema de


alarme (normalmente provido pela UCP);
• Quando necessário o uso de um DR no circuito CA do inversor, se o
mesmo foi selecionado corretamente (Em alguns casos necessidade de
um DR tipo B);
• Os laços formados pelos cabos nas instalações possuem a menor área
possível;
• Os dispositivos de isolamento e seccionamento foram instalados de
forma que a instalação fotovoltaica esteja localizada no lado “carga” e a
rede CA no lado “fonte”;
• A UCP possui parâmetros operacionais (tensão, frequência, fator de
potência, etc.) conforme requisitos de conexão da NBR 16149 (2013) e
regulamentações da concessionária local.

3.14.1.3. Proteção contra sobretensões / choque elétrico

• Cabos e proteções devidamente identificados;


• Caixa de junção indicando que as partes vivas desta são alimentadas
por arranjo fotovoltaico e que permanecem vivas mesmo após o
seccionamento da UCP;
106

• Etiquetas de advertência fixadas no ponto de interconexão com a rede;


• Diagrama unifilar e configurações do inversor exibidas no local;
• Identificações devidamente instaladas e são duráveis.

3.14.1.4. Instalação mecânica

• Há ventilação possível por trás do arranjo para evitar sobreaquecimento


e incêndio;
• Estrutura e os materiais do arranjo são à prova de corrosão;
• A estrutura está corretamente fixada, é estável e as fixações são à prova
de intempéries;
• As entradas de cabos são a prova destas intempéries.

3.14.2. Comissionamento

Além das inspeções, a NBR 16274 (2014) também obriga a verificação


de conformidade dos arranjos fotovoltaicos deve ser feita através de ensaios de
comissionamento. Nas instalações fotovoltaicas estes ensaios são divididos em 2
grupos principais. O regime de ensaio categoria 1 é o conjunto de ensaios que
devem ser feitos em todos os sistemas, independentes do tamanho e da
complexidade do mesmo. O regime de ensaios categoria 2 se destina à sistemas
mais complexos. O regime categoria 1 apresenta os seguintes ensaios na parte
CC:

3.14.2.1. Continuidade da ligação à terra e/ou dos condutores de ligação


equipotencial

Quando os condutores de aterramento e/ou equipotencialização são


utilizados no lado CC, assim como os da armação (estrutura), um ensaio de
continuidade destes condutores deve ser realizado. A continuidade da ligação ao
107

terminal de terra principal também deve ser verificada. Os instrumentos


normalmente utilizados são o ohmímetro ou o terrômetro (NASCIMENTO, 2019).
Na Figura 69 há um exemplo referente à medição de continuidade da
equipotencialização nas estruturas de módulos.

Figura 69 - Exemplo de ensaio de continuidade da ligação à terra e dos


condutores de equipotencialização

Fonte: Paula (2017)

Desta forma, é possível assegurar que os dois pontos testados têm


continuidade elétrica entre si e constituem um ponto elétrico comum.

3.14.2.2. Ensaio de polaridade

A polaridade de todos os cabos CC deve ser verificada. Uma vez que a


mesma é confirmada os cabos devem ser conferidos para garantir que estão
conectados e identificados corretamente conforme o projeto. Um instrumento
multímetro pode ser utilizado para realizar as medições e as mesmas devem ser
feitas em dias com céu limpo (NASCIMENTO, 2019). Na Figura 70 tem-se um
exemplo de medição relativa ao teste de polaridade:
108

Figura 70 - Exemplo de ensaio de polaridade

Fonte: Paula (2017)

É importante assegurar a polaridade correta das séries antes de


conectá-las ao inversor, pois enquanto alguns equipamentos possuem proteção
contra polaridade reversa, outros não a possuem, e podem ser danificados.

3.14.2.3. Ensaio das caixas de junção

O ensaio realizado nas caixas de junção tem como objetivo verificar se


todas as ligações que estão em paralelismo em uma caixa de junção estão corretas,
especificamente com a polaridade correta. Este ensaio se apresenta com uma
alternativa mais eficaz e menos suscetível à erros, se comparado ao ensaio de
polaridade em grandes sistemas, em que há uma grande quantidade de séries para
conferir sua polaridade.

3.14.2.4. Ensaio de corrente das séries fotovoltaicas

O ensaio de corrente tem como objetivo verificar se não há falhas graves


na fiação do arranjo fotovoltaico. Há 2 ensaios possíveis, o ensaio de curto-circuito
e o ensaio operacional. No primeiro caso, deve-se montar os circuitos das séries
fotovoltaicas de tal forma em que seja possível medir as correntes de curto-circuito
e compará-las aos valores esperados em projeto. No segundo caso, deve-se medir
as correntes em condições nominais de operação e compará-las aos valores
esperados em projeto. O ensaio operacional pode ser feito com um alicate
amperímetro.
109

3.14.2.5. Ensaio de circuito aberto

Tem o objetivo de medir as tensões de circuito aberto nas séries


fotovoltaicas, a fim de se verificar se os módulos estão corretamente conectados e
se o número esperado (projetado) de módulos está instalado nas séries. Um
multímetro pode ser utilizado para realizar estes ensaios. Assim como no ensaio de
polaridade, as medições devem ser feitas em dias com céu limpo (NASCIMENTO,
2019). Na Figura 71 tem-se uma ilustração referente ao teste de tensão de circuito
aberto, que é realizado entre os polos positivo e negativo das séries fotovoltaicas:

Figura 71 - Ilustração de teste de tensão de circuito aberto

Fonte: Nascimento (2019)

Com este teste é possível verificar se a tensão obtida no teste bate com a
tensão de circuito aberto calculada para as séries projetadas, verificando se a
instalação está coerente com o esperado.

3.14.2.6. Ensaios funcionais

A NBR 16274 (2014) ainda indica a realização de ensaios funcionais. A


mesma indica que ensaios devem ser realizados nos dispositivos de
seccionamento e outros aparelhos de controle, para garantir o funcionamento
110

correto destes dispositivos. Ensaios nos inversores também devem ser realizados,
de acordo com as instruções dos fabricantes destes equipamentos.

3.14.2.7. Ensaio da resistência de isolamento dos circuitos CC

O ensaio de resistência de isolamento tem como objetivo verificar se a


resistências de isolamento entre as partes condutoras de corrente e a estrutura
possuem valores adequados. O instrumento utilizado é o megômetro e o ensaio
deve ser realizado em dias de céu limpo (NASCIMENTO, 2019). Existem 2 métodos
de ensaio disponíveis. O primeiro consiste em realizar a medição entre o polo
negativo do arranjo e a terra, seguido de um ensaio entre o positivo e a terra. O
segundo consiste no ensaio entre a terra e o curto-circuito formado entre os polos
positivo e negativo do arranjo fotovoltaico. A Figura 72 apresenta uma ilustração do
primeiro método citado:

Figura 72 - Ilustração de ensaio de resistência de isolamento em um arranjo


fotovoltaico

Fonte: Adaptado Nascimento (2019)

O regime de ensaio categoria 2, é destinado a sistemas maiores e mais


complexos. Este conjunto de ensaios deve ser realizado somente com a verificação
de conformidade em relação aos ensaios de categoria 1. Os ensaios são:
111

3.14.2.8. Ensaio de curva IV das séries fotovoltaicas

O ensaio de curva IV é um meio capaz de medir a potência de um arranjo


fotovoltaico, além de fornecer dados referentes às medidas de tensão de circuito
aberto e corrente de curto-circuito neste arranjo. Com isto, pode-se verificar se as
condições de potência, tensão e corrente especificadas em projeto estão sendo
satisfeitas. No entanto, este ensaio deve ser feito com condições de irradiância e
incidência solar específicos conforme especifica a própria NBR 16690 (2019).
Esse ensaio é realizado por um equipamento especifico denominado
Traçador de curva IV. Como visto anteriormente, a curva IV de um módulo ou de
um arranjo de módulos fornece as suas características elétricas fundamentais. Com
isto a NBR 16274 (2014) indica que é possível detectar os seguintes diversos
problemas nos arranjos, como: módulos danificados, diodos de passagem curto-
circuitados, sombreamento localizado, entre outros. A Figura 73 apresenta um
exemplo de curva IV com a indicação de determinadas anormalidades com base
na sua curva IV.

Figura 73 - Exemplo de anormalidades que podem ser detectadas com base na


análise da curva IV de um arranjo fotovoltaico.

Fonte: Paula (2017)

Mediante este teste e seus indicadores, é possível localizar os problemas


encontrados para corrigi-los.

3.14.2.9. Inspeção com câmera infravermelha (IR)

A NBR 16274 (2014) indica que a finalidade de uma inspeção com


câmera IR é detectar variações de temperatura anormais em módulos em
112

operação. Trata-se de um recurso poderoso que podem detectar problemas como:


células reversamente polarizadas, falha de diodo de passagem, falhas em
conexões, pontos quentes devido ao sombreamento, entre outras anormalidades
que podem ter como consequência a variação de temperatura. A Figura 74
apresenta um exemplo de detecção de diodo de passagem danificado com base
em medição termográfica com câmera IR.

Figura 74 - Detecção de falha em diodo de passagem com base em medição com


câmera IR.

Fonte: Nascimento (2019)

Há ainda alguns ensaios adicionais, que não fazem parte dos ensaios
obrigatórios expostos acima. Podem ser aplicados para determinadas
circunstâncias, a pedido de um cliente em específico ou como um meio de detecção
de falhas e anomalias Estes são: ensaio de tensão ao solo, ensaio do diodo de
bloqueio, resistência de isolamento úmido e avaliação de sombreamento.
Este capítulo teve como propósito apresentar os principais itens da NBR
16690 (2019) aplicados no contexto dos SFCR. Apresentou-se os requisitos
principais quanto às configurações, dimensionamentos, instalação, verificação e
comissionamento destes sistemas. Além dos itens dessa norma, foram citadas
outras normas importantes complementares.
113

4. NÃO CONFORMIDADES

Neste capítulo são apresentados diversos exemplos de não


conformidades identificadas em instalações fotovoltaicas no estado do Paraná no
ano de 2019. Ressalta-se que o escopo das não conformidades abrange a NBR
16690 (2019) e suas normas complementares para sistemas fotovoltaicos. Assim,
são descritas não conformidades que abrangem desde os módulos e suas fixações
até as UCP empregadas nos sistemas, sem considerar os elementos da conexão
em CA.

4.1. Falta de segurança durante a realização das obras

Os exemplos nesta seção apresentam situações de instalações


fotovoltaicas que, mesmo em caráter temporário para a realização das obras, são
inadmissíveis devido aos riscos oferecidos à segurança dos trabalhadores e
pessoas que frequentam a edificação.
Na Figura 75 foram identificados terminais sem a devida fixação entre
módulos e estrutura metálica, o que pode ocasionar o deslocamento e até mesmo,
a queda dos módulos em solo durante a realização da obra, colocando em risco as
instalações e as pessoas.

Figura 75 – Terminais de fixação da estrutura metálica soltos durante as obras

Fonte: Autoria própria (2019).

Deve-se atentar ao fato de que a parte CC do sistema fotovoltaico sempre


estará energizada na presença de irradiação solar. Com isso, mesmo sem a
alimentação da tensão da rede CA, o sistema com módulos conectados poderá
apresentar níveis perigosos de tensão e corrente. Por este motivo, a interligação
do conector de toque seguro (MC4) do módulo fotovoltaico ao cabeamento que se
114

conectará à série fotovoltaica até à caixa de junção só deverá ser efetuada após a
devida conexão e aperto dos cabos nos elementos de proteção/manobra, borne
tipo SAK ou conector de toque seguro, no interior da caixa de junção.
A Figura 76 mostra um exemplo em que o cabeamento CC, durante a obra,
estava suspenso e submetido a esforços mecânicos.

Figura 76 – Cabos CC energizados sem proteção adequada durante as obras

Fonte: Autoria própria (2019)

Desta forma, as séries já conectadas podem afrouxar as suas conexões


localizadas no telhado. Além disso, não há proteção ou sinalização das
extremidades dos cabos, que estão energizados (vivos).

4.2. Avarias nos módulos fotovoltaicos

Ao se manusear módulos fotovoltaicos, deve-se tomar o cuidado para


não causar impactos na sua superfície que possam danificar suas células. A Figura
77 apresenta células fotovoltaicas de um módulo danificado após os trabalhadores
da instalação se apoiarem sobre eles.
115

Figura 77 –Rachaduras na célula do módulo

Fonte: Autoria própria

Esses impactos causam pequenas rachaduras nas células, que se


expandem ao longo do tempo, provocando perdas de desempenho e ocorrência de
pontos quentes nos locais afetados. Tais avarias são causadas muitas vezes no
processo de instalação, em que os trabalhadores não respeitam as recomendações
dos fabricantes e se apoiam na superfície dos módulos. Além disso, pequenos
impactos, como pequenos galhos de árvores e pequenas pedras ou dejetos podem
causar esse problema.

4.3. Problemas de inclinação e orientação

A inclinação mínima dos módulos fotovoltaicos deve ser 10º para auxiliar
na limpeza natural sem o acúmulo de água. A Figura 78 apresenta módulos
fotovoltaicos instalados na mesma inclinação do telhado com 5º de inclinação e a
Figura 79 apresenta inclinação 6º, facilitando o acúmulo de sujeira, poluição,
dejetos de árvore e acúmulo de água. Isto faz com que o item 4.3.10 da NBR 16690
(2019) que trata das considerações quanto ao desempenho do sistema não seja
atendido. Desta forma, a produção energética será inferior quando comparada a
uma instalação cuja inclinação dos módulos é maior.
116

Figura 78 - Módulos instalados com 5º de inclinação.

Fonte: Autoria própria (2019)

Figura 79 - Módulos instalados com 6º inclinação após 15 dias de instalação.

Fonte: Autoria própria (2019)

Para solucionar este problema, pode-se adequar a inclinação dos


módulos com uma estrutura metálica ajustável, ou instalá-los em outra localidade
cuja inclinação seja adequada.
117

4.4. Sombreamento

O sombreamento é um problema que afeta os arranjos fotovoltaicos,


tanto no desempenho quanto na sua segurança. A Figura 80 mostra a presença de
uma chaminé próxima ao arranjo fotovoltaico. Além de emitir substâncias e
elementos que se acumulam nos módulos em forma de sujeira, tal objeto causa
sombreamento permanentemente, que incorre no surgimento de pontos quentes
nos módulos instalados. Desta forma, há até mesmo o risco de se iniciar um
incêndio na usina fotovoltaica.

Figura 80 – Sombreamento nos módulos fotovoltaicos causado pela chaminé

Fonte: Autoria própria (2019)

Isto faz com que o item 4.3.10 da NBR 16690 (2019) não seja cumprido,
além da elevação de temperatura e risco de incêndio já mencionados.
Outro exemplo pode ser visto na Figura 81, em que parte do telhado da
edificação causa o sombreamento de parte dos módulos. Por esta razão é
demandada uma análise detalhada da trajetória das sombras presentes nas
edificações ao longo de todo o ano, garantindo assim que o sistema manterá um
bom desempenho e não desenvolverá inconformidades relacionadas ao
sombreamento. Alguns softwares apropriados para simulação de sistemas
fotovoltaicos podem auxiliar na concepção de um projeto.
118

Figura 81 – Sombreamento causado pelo telhado da edificação

Fonte: Autoria própria (2019)

A Figura 82 apresenta módulos fotovoltaicos utilizados como cobertura


estanque de uma edificação. Esta solução foi pensada pelo instalador para eliminar
vazamentos de água para o interior da estrutura/edificação, porém houve excesso
na aplicação do silicone, que acabou cobrindo a parte superior do módulo. Desta
forma ocorreu uma drástica redução da performance deste módulo e dos demais
módulos conectados em série a ele.

Figura 82 – Obstrução da superfície do módulo fotovoltaico causado por silicone

Fonte: Autoria própria (2019)


119

O sombreamento também pode ser causado pela ausência de


manutenção periódica, principalmente quando o sistema está instalado em um local
agressivo que necessite de cuidados especiais, fato que se pode observar na
Figura 83.

Figura 83 – Ausência de manutenção do local da usina

Fonte: Autoria própria (2019)

Usinas de solo normalmente são instaladas sobre solo bruto, necessitando


de cuidados com a vegetação ou por exemplo quando localizados próximos a
estradas rurais.

4.5. Problemas em estruturas metálicas

Deve-se tomar um grande cuidado ao se fixar os módulos à estrutura


metálica e na fixação da estrutura metálica com o telhado da edificação. Caso a
estrutura do telhado seja muito fina e/ou frágil, ou esteja fixada inadequadamente,
há o risco de que os esforços causados pelo vento afrouxem as fixações
continuamente, trazendo grandes riscos ao sistema e às pessoas. A Figura 84
mostra um exemplo de fixação que sofreu tal afrouxamento.
120

Figura 84 - Afrouxamento das fixações devido à inadequada fixação com a


estrutura do telhado da edificação

Fonte: Autoria própria (2019)

O uso e instalação das estruturas metálicas implica em seguir as normas


vigentes relacionadas bem como as recomendações dos fabricantes. Na Figura 85,
pode-se observar que não foram instalados terminais de fixação entre os módulos
fotovoltaicos, conhecidos também como terminais intermediários. A utilização
desses terminais deve ser obrigatória conforme instruções do fabricante da
estrutura.
121

Figura 85 – Ausência de terminal intermediário entre dois módulos

Fonte: Autoria própria (2019)

Além dos problemas de conexões e fixações com os módulos, a


estrutura deve ser analisada como um todo. O item 4.3.11 da NBR 16690 (2019),
indica que o projeto mecânico da estrutura metálica deve levar em conta aspectos
térmicos, de carregamento, corrosão e forças devidas ao vento. A figura 86 mostra
um exemplo de estrutura que foi montada sem uma devida análise por parte de
profissional qualificado. Devido à ocorrência de fortes ventos, a estrutura e o
sistema fotovoltaico foram seriamente danificados.
122

Figura 86 – Sistema fotovoltaico danificado devido às ações do vento

Fonte: Autoria própria (2020).

As estruturas metálicas são projetadas e ensaiadas para suportar os


esforços mecânicos e de ventos típicos de cada região. A Figura 87 apresenta a
improvisação de materiais não projetados para a sustentação de módulos
fotovoltaicos.

Figura 87 – Estruturas metálicas improvisadas

Fonte: Autoria própria (2020).


123

A mistura de materiais quimicamente incompatíveis acelera o processo


corrosivo, reduzindo a vida útil dos elementos estruturais e de fixação conforme
apresentado nas Figura 88 e 89.

Figura 88 – Barra roscada e porca de aço galvanizado em união com terminal de


alumínio.

Fonte: Autoria própria (2020).


124

Figura 89 – Terminal intermediário de fixação de aço galvanizado em contato com


a moldura em alumínio anodizado dos módulos fotovoltaicos.

Fonte: Autoria própria (2020).

A estrutura deve ser fixada em um elemento da edificação que garanta


rigidez adequada. A Figura 90 apresenta a improvisação da instalação dos trilhos
metálicos fixados em telha de fibrocimento por meio de parafuso autobrocante,
transmitindo esforço e vibração para o telhado, ocasionando rachaduras e
infiltração de água, com posterior soltura dos trilhos metálicos.

Figura 90 – Trilhos fixados diretamente à telha de fibrocimento


125

Fonte: Autoria própria (2020).

Os sistemas fotovoltaicos são projetados para uma longa vida útil,


geralmente estipulada em 25 anos. Desta forma, a integridade da estrutura de
fixação é fundamental para que este objetivo seja atingido.

4.6. Problemas no aterramento e equipotencialização

Conforme o item 3.2 da NBR 5410 (2004), um dos requisitos para a


proteção contra choques elétricos é a realização da equipotencialização e o
aterramento de todas as partes metálicas, porque essas podem permanecer
energizadas em caso de alguma corrente de falta no sistema. A Figura 91 mostra
que não houve a equipotencialização dos trilhos de fixação da estrutura metálica
com o telhado da instalação fotovoltaica.
126

Figura 91 - Estrutura metálica sem aterramento e equipotencialização: nota-se


que não há nenhum condutor equipotencializando o trilho que está sem um
módulo apoiado.

Fonte: Autoria própria (2019)

A moldura dos módulos fotovoltaicos é fabricada em alumínio protegida


por uma cobertura de anodização. Esta camada é um excelente isolante elétrico.
Por este motivo os módulos possuem local apropriado para a ligação do
aterramento, garantindo-se a continuidade elétrica das partes metálicas. A Figura
92 apresenta a utilização de furos de drenagem e furos fabricados no módulo para
a instalação do cabo de interligação do aterramento, o que não garante a
continuidade elétrica necessária.
127

Figura 92 – Aterramento instalado em ponto isolado

Fonte: Autoria própria (2019)

Os microinversores são UCP instalados no telhado sob os módulos e


fixados à estrutura metálica de sustentação. Para a durabilidade, possuem
revestimento de uma camada de tinta com ponto específico de aterramento.
Analogamente aos módulos fotovoltaicos, a ausência da interligação do
aterramento da carcaça ao trilho aterrado exemplificado na Figura 93, pode
ocasionar a energização da carcaça da UCP durante uma falha de isolação dos
seus componentes.

Figura 93 – Aterramento não-realizado do ponto de aterramento do microinversor


ao trilho de fixação.

Fonte: Autoria própria (2019)


128

Esta energização da carcaça põe em risco um profissional que venha a


realizar a manutenção do equipamento, uma vez que esta energia não é escoada
para o aterramento.

4.7. Problemas no SPDA

Conforme pode ser visto na Figura 94, foi instalado na edificação um


sistema de captação do tipo Franklin. Primeiramente, não havia nenhum registro
da análise de risco e memorial descritivo conforme a NBR 5419 (2015) que
comprove a conformidade desse sistema de captação e do SPDA em geral. Além
disso, não havia sequer uma malha de aterramento para conectar tal sistema de
captação, o que é inadequado conforme a própria NBR 5419 (2015). Ressalta-se
ainda que o captor provoca sombreamento sobre os módulos.

Figura 94 - Captor Franklin inadequado

Fonte: Autoria própria (2019)

A fixação dos captores com a estrutura metálica do telhado foi realizada


por elementos de fixação inadequados (cabo de cobre nu e parafusos metálicos
129

que não são apropriados para esta aplicação). Essa forma de fixação gera um par
galvânico comprometendo a continuidade elétrica nesses pontos. A Figura 95
apresenta o percurso do cabo de cobre nu e a fixação desse cabo com o parafuso
junto ao telhado da edificação.

Figura 95- Fixação incorreta do sistema de captação do SPDA na estrutura do


telhado e encaminhamento incorreto do cabo de cobre nu.

Fonte: Autoria própria (2019)

Além das inconformidades mostradas anteriormente, verificou-se que o


sistema de captação possui apenas uma descida e não respeita a distância de
segurança que deve ser mantida entre os módulos e os captores e condutores de
descida. Se esta distância não for estabelecida, deve-se interligar o SPDA com a
estrutura dos módulos, fato que não foi verificado no local.

4.8. Dispositivos de proteção, seccionamento, manobra e caixa de junção

Cuidados na instalação de dispositivos de proteção, seccionamento e


manobra devem ser tomados para que não se comprometa a segurança das
instalações fotovoltaicas. Dentre estes cuidados, há a correta fixação dos cabos a
esses dispositivos e a verificação minuciosa das polaridades das séries conectadas
a eles. A Figura 96 mostra o resultado de um curto-circuito em uma caixa de junção.
130

Figura 96 – Curto-circuito em caixa de junção

Fonte: Autoria própria (2019)

Fabricantes de UCP tentam adequar seus equipamentos de forma a


atender requisitos da maioria dos países, visando mitigar custos de adaptação a
cada mercado. A Figura 97 apresenta um inversor com várias entradas por MPPT
em que as séries foram conectadas diretamente ao mesmo, sem utilizar
dispositivos de proteção entre séries e arranjos, caracterizando uma falta conforme
a NBR 16690.
131

Figura 97 – Séries ligadas diretamente à UCP sem dispositivos de proteção.

Fonte: Autoria própria (2019)

Na Figura 98 é mostrada a inversão de polaridade em uma das séries


em uma caixa de junção durante o comissionamento do sistema.

Figura 98 – Série fotovoltaica com polaridade invertida

Fonte: Autoria própria (2019)


132

Conforme discutido anteriormente, esta inversão poderia causar dano ao


inversor ao qual a série seria conectada.

4.9. Problemas com a infraestrutura elétrica

Conforme a seção 4.3 da NBR 16690 (2019), os eletrodutos, assim como


outros elementos da instalação fotovoltaica, devem ser resistentes à radiação UV.
Os eletrodutos instalados não apresentam tal proteção, fazendo com que se reduza
a vida útil do sistema, podendo afetar a fixação e sustentação dos cabos elétricos
utilizados. A fixação dos eletrodutos foi realizada com abraçadeiras de nylon. O
item 6.2.4 da NBR 16690 (2019) não permite o uso de presilhas e abraçadeiras
como o principal método de fixação, a menos que possuam vida útil maior que a do
sistema fotovoltaico, o que não é o caso dos elementos empregados na instalação
da Figura 99.

Figura 99- Uso de presilhas de nylon como elemento de fixação principal

Fonte: Autoria própria (2019)

Outro problema grave encontrado é a formação de bordas cortantes nas


estruturas metálicas e eletrodutos. Conforme pode ser visto na Figura 100, os
cabos estão próximos a esses elementos e podem ter suas isolações e coberturas
danificadas devido aos esforços causados por intempéries, como ventos.
133

Figura 100: Bordas cortantes em eletrodutos

Fonte: Autoria própria (2019)

As bordas cortantes também podem estar presentes nos elementos


metálicos das estruturas e podem danificar a isolação dos cabos conforme
mostrado na Figura 101.

Figura 101 – Borda cortante em elemento da estrutura metálica

Fonte: Autoria própria (2019)

Telhados também podem formar bordas cortantes, por isso, recomenda-


se verificar com cuidado o encaminhamento de cabos e eletrodutos através destes
elementos para acessar o interior das edificações. A Figura 102 apresenta
exemplos de recortes em telhas que podem danificar os dutos e isolações dos
cabos, além de cabos que permaneceram prensados em telhas.
134

Figura 102 – Não conformidades no encaminhamento de cabos em telhados

Fonte: Autoria própria (2019)

Instalar os cabos CC sem fixação adequada atrás dos módulos


fotovoltaicos, pode ocasionar o rompimento dos mesmos, devido principalmente
aos esforços causados por intempéries como o vento, conforme visto na Figura
103.

Figura 103 – Cabos CC sem fixação atrás dos módulos

Fonte: Autoria própria (2019)


135

Além disso, o roteamento inadequado dos cabos pode causar a


formação de laços eletromagnéticos, que conforme a NBR 16690 (2019) aumenta
o efeito das sobretensões causadas por descargas atmosféricas indiretas. As
Figuras 104 e 105 apresentam este tipo de não conformidade:

Figura 104 – Strings com roteamento inadequado – Caso 1.

Fonte: Autoria própria (2019)

Figura 105 – Strings com roteamento inadequado – Caso 2.

Fonte: Autoria própria (2019)

No exemplo da Figura 106, foi utilizado espuma de poliuretano expansiva


para auxiliar na vedação do telhado no ponto de descida do eletroduto para o
inversor. Além de estar com o acabamento em condições inadequadas, este
136

material penetrou dentro do eletroduto, o que não é permitido pela NBR 5410
(2004).

Figura 106 – Penetração de espuma expansiva no interior dos eletrodutos

Fonte: Autoria própria (2019)

Segundo a NBR 5410 (2004), as linhas elétricas enterradas devem ser


instaladas, no mínimo, a 70cm do solo, como forma de prevenção contra
movimentações de terra. A Figura 107 mostra eletrodutos com cabeamento CC
encaminhados ao inversor, enterrados a uma profundidade menor que exigido pela
NBR 5410 (2004).
137

Figura 107 – Eletroduto enterrado sem a profundidade mínima

Fonte: Autoria própria (2019)

Em algumas instalações, encontrou-se problemas como a utilização de


materiais que não são próprios de instalações elétricas. Na Figura 108, vê-se que
foi empregado o uso de materiais hidráulicos no encaminhamento da infraestrutura
elétrica:

Figura 108 – Utilização de materiais hidráulicos na infraestrutura elétrica.

Fonte: Autoria própria (2019)

Tal uso de material impróprio põe em risco a instalação, pois os materiais


elétricos são especificados para uso em eletricidade, tendo todas as disposições
de segurança acerca da sua concepção.
138

4.10. Não conformidades na instalação dos inversores

A instalação dos inversores deve seguir as instruções dos fabricantes


dos equipamentos. De acordo com os inversores do fabricante Fronius (2019), não
se deve instalar estes equipamentos em locais expostos continuamente à luz solar
direta, devendo ser mantido em ambiente interno ou protegido por estruturas como
telheiros e coberturas similares.
Na Figura 109, a infraestrutura dos inversores estava preparada para
recebê-los em área externa em que os inversores seriam instalados com incidência
contínua de irradiação solar e chuva.

Figura 109 – Inversor com infraestrutura para instalação em local exposto à luz
solar.

Fonte: Autoria própria (2019)

Além disso, fatores como temperatura e espaçamento são importantes


para manter o desempenho e a vida útil adequados. Na Figura 110, mostra-se um
exemplo de inversores instalados em abrigo com dimensões insuficientes para
prover o espaçamento adequado entre os equipamentos. Nesse abrigo ainda
seriam instalados um quadro CA. e um transformador para adequar a tensão do
inversor com a tensão da rede de distribuição.
139

Figura 110 – Inversores instalados em abrigo com dimensões insuficientes

Fonte: Autoria própria (2019)

Conforme instrução dos fabricantes, é importante que o inversor seja


instalado em locais arejados e com distâncias de segurança conforme seus
manuais, para que a troca de calor seja assegurada e não ocorra o
superaquecimento do equipamento, o que causará perda de potência (e
consequentemente geração) além de encurtar a vida útil do aparelho, podendo até
mesmo danificá-lo.

4.11. Problemas de acessibilidade

A NBR 16690 (2019) indica as prescrições da NBR 5410 (2004) quanto


à acessibilidade aos componentes da instalação. Com isso, dentro do contexto das
instalações fotovoltaicas, módulos, cabos, inversores e demais componentes
devem estar instalados de forma a não reduzir significativamente o acesso a esses
elementos para a operação, manutenção e inspeção do sistema.
Observa-se nas Figuras 111 e 112 que uma grande quantidade de
módulos fotovoltaicos foi instalada sem nenhum espaçamento, dificultando o
acesso a profissionais de manutenção e limpeza.
140

Figura 111 – módulos com acessibilidade restrita – Caso 1.

Fonte: Autoria própria (2019)

Figura 112 – módulos com acessibilidade restrita – Caso 2.

Fonte: Autoria própria (2019)


141

Locais com acesso inadequado fazem com que intervenções e


manutenções se tornem difíceis, de forma que muitas vezes o interventor caminha
ou se apoia sobre os módulos. A Figura 113 apresenta um módulo quebrado devido
ao esforço ocasionado pelo caminhar sobre o módulo em uma instalação de difícil
acesso.

Figura 113 – Módulo quebrado por esforço mecânico.

Fonte: Autoria própria (2019)

Desta forma, é importante assegurar espaço para que se possa fazer a


manutenção adequada. A manutenção não necessariamente será realizada pela
equipe que instalou o sistema, e deve ser pensada de forma a resguardar a
integridade desse.

4.12. Não conformidades detectadas em inspeções termográficas

As inspeções termográficas, além de serem obrigatórias em usinas


fotovoltaicas de maior porte, são meios eficientes de se detectar falhas de
instalação e inconformidades nas instalações. Analisando o mesmo conjunto de
módulos com pequenas rachaduras da Figura 77 através de câmera infravermelha,
é possível detectar a ocorrência de pontos quentes conforme mostra a Figura 114
a seguir.
142

Figura 114 – Análise termográfica em módulos instalados com pequenas


rachaduras

Fonte: Autoria própria (2019)

Os pontos mais sensíveis do lado CC são as conexões de dispositivos


de proteção e conectores (terminais tubulares e de toque seguro – MC4). Mesmo
que não se caracterize uma não conformidade, uma vez que o cabo está dentro da
das condições operacionais de funcionamento, a Figura 115 apresenta a
temperatura mais acentuada de um conector MC4, que acaba por transmitir o calor
para o cabo de uma das strings.

Figura 115 – Análise termográfica das conexões da UCP.

Fonte: Autoria própria (2019)


143

O calor acentuado encurtará a vida útil do dispositivo, e pode vir a danificá-


lo com a constante operação, além de ser um potencial foco de incêndio.

4.13. Considerações finais do capítulo

Este capítulo teve como objetivo apresentar inconformidades em obras


de instalações fotovoltaicas ainda na fase de construção, ou seja, com o sistema
ainda não homologado pela concessionária de energia local. No entanto foram
apresentadas diversas falhas por motivos de má qualificação técnica na parte de
instalação e fiscalização destas obras. Além de não seguirem as diretrizes da NBR
16690 (2019), não estavam em conformidade com outras normas complementares,
como a própria NBR 5410 (2004).
144

5. ADEQUAÇÃO DE PROJETO FOTOVOLTAICO

Neste capítulo será apresentada a realização de um projeto fotovoltaico


com o objetivo de adequar uma obra que já estava em andamento e concluí-la
conforme a NBR 16690 (2019). A obra foi iniciada por terceiros e posteriormente
adequada pela equipe a qual os autores deste trabalho fizeram parte, além de
outros profissionais qualificados, concluída conforme os requisitos de segurança
normativos. Trata-se de uma usina fotovoltaica instalada em solo. A Figura 116 a
seguir mostra a obra parcialmente construída e que ainda não estava em
funcionamento.

Figura 116 – Usina fotovoltaica a ser readequada

Fonte: Autoria própria (2019)

A infraestrutura elétrica, malha de aterramento, conjuntos de proteção e


manobra, assim como a configuração de ligação entre séries fotovoltaicas e
inversores, foram dimensionadas e montadas novamente para serem adequadas
às normas vigentes.
Por se tratar de uma readequação e para não onerar ainda mais o
proprietário do sistema, decidiu-se buscar ao máximo manter as características da
instalação existente, sempre respeitando os requisitos de segurança. Em geral, os
itens analisados foram:
145

• Verificação da instalação mecânica existente: para avaliar as condições


da estrutura metálica existente e necessidade de terraplanagem no local
da instalação, foi realizada a contratação de empresa e profissional da
área civil e mecânica devidamente qualificada para atestar a segurança
e apontar soluções nos casos das inconformidades na estrutura
mecânica;
• Verificação da localização, orientação e inclinação dos módulos: foi
avaliado se há elementos que possam causar o sombreamento no
sistema e se a inclinação dos módulos é mínima para que não haja o
acúmulo excessivo de sujeira nos módulos;
• Compatibilidade módulo-inversor e definição da configuração do arranjo
fotovoltaico: não houve um novo cálculo da potência do sistema, ou seja,
manteve-se a quantidade de módulos e inversores que havia antes.
Caso esta compatibilidade não fosse possível, seria avaliada a adição
de mais inversores ou redução do número de módulos fotovoltaicos no
sistema;
• Dimensionamento de cabos, dutos, elementos de proteção e manobra
CC: com as novas configurações determinadas, dimensionou-se os
cabos e proteções do sistema conforme a NBR 16690 (2019) e suas
normas complementares.

5.1. Verificação da instalação mecânica existente

Com base em uma análise de empresa competente na área engenharia


civil e mecânica, seria necessário incluir reforços adequados na estrutura metálica
existente. Com isso, procedeu-se com este reforço estrutural removendo todos os
módulos e infraestrutura elétrica já instalados para depois reinstalá-los.

5.2. Verificação da localização, orientação e inclinação dos módulos

A localização e a orientação dos módulos não apresentaram problemas


quanto ao sombreamento, desde que a vegetação do terreno fosse mantida com
uma altura baixa. Quanto à inclinação, devido à inclinação natural do terreno, há
146

diferentes inclinações das séries, porém pequenas e dentro da variação aceitável


conforme a NBR 16690 (2019).

5.3. Compatibilidade módulo-inversor e definição da configuração do arranjo


fotovoltaico

Nesta etapa, deve-se coordenar a configuração do arranjo fotovoltaico


com as novas inclinações dos módulos fotovoltaicos. Na realização desta
adequação havia disponíveis 512 módulos fotovoltaicos do fabricante DAH Solar,
modelo DHP-72 de 320W e 3 inversores do fabricante Solis modelo Solis-50K com
potência nominal de 50kW. Foi proposta uma configuração que utilizasse todos as
entradas SPMP, ou seja, uma configuração que utilizasse todas as 4 entradas
SPMP de cada inversor. A Figura 117 apresenta dados da parte CC do inversor
utilizado:

Figura 117 – Dados CC do inversor Solis 50K

Fonte: Adaptado Solis Solar(2020)

Com base nos dados CC do inversor, observa-se um valor máximo de


44,5A para cada entrada SPMP com a possibilidade de até 3 séries conectadas em
cada SPMP. A faixa de tensão para que o sistema opere com SPMP está entre
200V e 1000V em CC, com valor máximo de 1100 V. Assim, cada série fotovoltaica
deve respeitar o máximo de 1100V em CC e a soma das correntes de curto-circuito
147

das 3 séries deve ser menor que 44,5A. Analisando as características do módulo
DHP-72 na folha de dados, tem-se:

Figura 118 – Características do módulo DHP-72

Fonte: Adaptado Dah Solar (2018)

Primeiramente, deve-se verificar se cada SPMP suporta a utilização das


três entradas CC com este módulo. Com base no equacionamento de Pinho et al.,
(2014), a corrente de curto circuito máxima em cada entrada CC é dada por:

𝑰𝑺𝑪 = 𝑰𝑺𝑪−𝑺𝑻𝑪 (𝟏 + 𝜶(𝑻𝒎𝒐𝒅 − 𝑻𝑺𝑻𝑪 )) (13)

Em que 𝐼𝑆𝐶−𝑆𝑇𝐶 [𝐴] é a corrente de curto-circuito em STC, fornecida pela


folha de dados, que é de 9,10A, 𝑇𝑚𝑜𝑑 [𝐶°] é a temperatura de operação do módulo
e 𝑇𝑆𝑇𝐶 [𝐶°] é a temperatura em condições STC, de 25°C. O valor 𝛼 [% / 𝐶°] é o
coeficiente de temperatura para 𝐼𝑆𝐶 e representa a variação percentual da corrente
de curto-circuito dos módulos em função da temperatura, sendo 0,05% / 𝐶° para
este módulo. O cálculo de 𝑇𝑚𝑜𝑑 pode ser realizado conforme Pinho et al., (2014):

(𝑻𝑵𝑶𝑪𝑻 − 𝟐𝟎) (14)


𝑻𝒎𝒐𝒅 = 𝑻𝒂𝒎𝒃 + 𝑮
𝟖𝟎𝟎

𝑇𝑎𝑚𝑏 refere-se à temperatura ambiente considerada para o


dimensionamento. Como deve-se encontrar o valor máximo de 𝐼𝑆𝐶 , utilizou-se o
148

valor máximo de temperatura para o ano de 2019 na região do município de


Ipiranga-PR, local em que o sistema foi instalado. Com base nos dados do Instituto
Nacional de metereologia (2019) – INMET – a temperatura máxima ambiente foi de
𝑊 𝑊
40°C. O valor 𝐺 [𝑚2 ] é a irradiação incidente, considerando-se 1000 [𝑚2 ] . Os

valores 20 e 800 estão relacionados respectivamente à temperatura e irradiância


de teste nas condições NOCT. 𝑇𝑁𝑂𝐶𝑇 é a temperatura de operação do módulo nas
condições NOCT e é dada no máximo em 47°C conforme sua folha de dados. Com
isso, a corrente de curto-circuito em cada módulo, e consequentemente em cada
série, é dada calculando-se a equação (14) em (13):

(15)
𝟎, 𝟎𝟓 (𝟒𝟕 − 𝟐𝟎)
𝑰𝑺𝑪 = 𝟗, 𝟏𝟎 ((𝟏 + ( ) ((𝟒𝟎 + 𝟏𝟎𝟎𝟎) − 𝟐𝟓)) = 𝟗, 𝟑𝟐𝑨
𝟏𝟎𝟎 𝟖𝟎𝟎

Comparado com a máxima corrente de entrada de cada SPMP, pode-se


utilizar as 3 entradas com este módulo pois a corrente máxima total entrada SPMP
é de 3 𝑥 9,32 = 27,92 𝐴 < 44,5𝐴. Assim pode-se utilizar todas as três séries com
este módulo, sempre verificando o equilíbrio de tensão entre estas séries em cada
SPMP.
Deve-se verificar a quantidade máxima e mínima de módulos que podem
ser conectados em cada série. Assim como para a corrente, deve-se verificar o
máximo de tensão possível que o inversor suporta. Porém, mesmo assim também
é necessário verificar a tensão mínima necessária para operação do inversor: a
tensão deve ficar entre as faixas máxima e mínima do SPMP para que o inversor
opere com maior eficiência. Desta forma, será verificada a quantidade máxima e
mínima de módulos que deverão ser colocados em cada série. A equação para a
correção da tensão de circuito aberto (16) é quase idêntica à equação (13). A
tensão de circuito aberto para cada módulo é dada por:

𝑽𝑶𝑪 = 𝑽𝑶𝑪−𝑺𝑻𝑪 (𝟏 + 𝜷(𝑻𝒎𝒐𝒅 − 𝑻𝑺𝑻𝑪 )) (16)

Sendo 𝛽 [% / 𝐶°] o coeficiente de variação linear da tensão de circuito


aberto em percentual. Ressalta-se que o valor de 𝛽 é negativo, ou seja,
temperaturas mais elevadas acabam por reduzir a tensão dos módulos. Realizando
149

o mesmo procedimento que em (13) e (14), encontra-se o valor corrigido de 𝑉𝑂𝐶 .


Para um valor máximo de temperatura ambiente de 40°C:

(17)
𝟎, 𝟑𝟐 (𝟒𝟕 − 𝟐𝟎)
𝑽𝑶𝑪−𝒎𝒊𝒏 = 𝟒𝟓, 𝟖 ((𝟏 + (− ) ((𝟒𝟎 + 𝟏𝟎𝟎𝟎) − 𝟐𝟓))
𝟏𝟎𝟎 𝟖𝟎𝟎

= 𝟑𝟖, 𝟔𝟔𝑽

Para um valor de temperatura mínimo, que em 2019 chegou, segundo o


INMET(2019), em 1,1 C°, e também considerando uma temperatura NOCT mínima
de 43°:

(18)
𝟎, 𝟑𝟐 (𝟒𝟑 − 𝟐𝟎)
𝑽𝑶𝑪−𝒎𝒂𝒙 = 𝟒𝟓, 𝟖 ((𝟏 + (− ) ((𝟏, 𝟏 + 𝟏𝟎𝟎𝟎) − 𝟐𝟓))
𝟏𝟎𝟎 𝟖𝟎𝟎

= 𝟒𝟓, 𝟎𝟗𝑽

Conforme a folha de dados do inversor apresentada na figura 117, a


faixa de operação do SPMP é entre 200V e 1000V. Desta forma, o número mínimo
e máximo de módulos por série é:

𝟐𝟎𝟎 (19)
𝒏𝒎𝒊𝒏 = = 𝟓, 𝟏𝟕 ≈ 𝟔 𝒎ó𝒅𝒖𝒍𝒐𝒔
𝑽𝑶𝑪−𝒎𝒊𝒏

𝟏𝟎𝟎𝟎 (20)
𝒏𝒎𝒂𝒙 = = 𝟐𝟐, 𝟏𝟕 ≈ 𝟐𝟐 𝒎ó𝒅𝒖𝒍𝒐𝒔
𝑽𝑶𝑪−𝒎𝒂𝒙

Nota-se que para permanecer dentro das faixas, a quantidade de


módulos mínima deve o primeiro valor inteiro superior a nmin, e a quantidade de
módulos máxima deve ser o primeiro valor inteiro inferior a n max.
Com base nos resultados encontrados, pode-se utilizar as 3 séries de
cada SPMP, e em cada uma deve-se formar séries de 6 a 22 módulos.
Analisando estes requisitos em conjunto com o posicionamento dos
módulos, optou-se por utilizar todos os 4 SPMP dos 3 inversores disponíveis. Os
detalhes podem ser resumidos na tabela 1:
150

Tabela 1 – Configuração do Arranjo fotovoltaico

Inversor 1 Inversor 2 Inversor 3


SPMP SPMP SPMP
1 2 3 4 1 2 3 4 1 2 3 4
Número de séries 3 3 2 2 3 3 2 1 3 3 2 1
utilizadas
Número de módulos 19 19 19 14 19 19 19 14 19 19 19 14
por série
Número total de 57 57 38 28 57 57 38 14 57 57 38 14
módulos por SPMP

Total de módulos 180 166 166


por inversor
Fonte – Autoria Própria (2020)

Pode-se observar, com base na Tabela 1, que para cada SPMP todas as
suas entradas CC possuem o mesmo número de módulos entre si. Isto reduz
significativamente a possibilidade de desequilíbrios de tensão, o que por sua vez
minimiza a possibilidade de ocorrência de correntes reversas que podem
comprometer a segurança do sistema. Na Figura 119 a seguir, há um esquemático
da configuração projetada, que leva em conta, além do atendimento aos critérios
de segurança, a melhor distribuição física da estrutura metálica já instalada, para
que cada inversor tenha sua infraestrutura separada em eletrodutos exclusivos.
151

Figura 119 – Esquemático do arranjo fotovoltaico

Fonte – Autoria própria (2020).

Assim, o tipo de configuração proposta para o sistema, conforme a NBR


16690 (2019), é o arranjo fotovoltaico com UCP com múltiplas entradas em
corrente contínua com SPMP individuais, sendo que neste caso são três
arranjos.
De acordo com a Figura 64 deste trabalho, que é baseada na tabela 6
da NBR 16690 (2019), este tipo de configuração exige a instalação de um
dispositivo do tipo interruptor-seccionador nas entradas de cada SPMP, e
recomenda-se a instalação de dispositivos seccionadores em cada série dos
arranjos. A necessidade de utilização de proteção contra sobrecorrentes é
verificada conforme a equação 4. O arranjo fotovoltaico possui trechos com duas e
três séries em paralelo. Para os casos de duas e três séries em paralelo e baseado
na folha de dados do módulo que indica uma corrente máxima de 15A:

((𝟑 − 𝟏). 𝟗, 𝟏𝟎) > 𝟏𝟓 (21)

((𝟐 − 𝟏). 𝟗, 𝟏𝟎) < 𝟏𝟓 (22)

O resultado de (21) e (22) mostra a necessidade de instalação de


dispositivos de proteção contra sobrecorrentes apenas nas séries em que há o
paralelismo com outras duas séries. A corrente nominal destes dispositivos deve
ser:
152

𝟏, 𝟓 . 𝟗, 𝟏𝟎 < 𝑰𝒏 < 𝟐, 𝟒 . 𝟗, 𝟏𝟎 (23)


𝑰𝒏 ≤ 𝟏𝟓𝑨 (24)

Um dispositivo com corrente nominal de 15A satisfaz estas condições.


Conforme exigido pela NBR 16690 (2019), serão utilizados fusíveis do tipo gPV
com tal valor de corrente nominal. Nos trechos com duas séries em paralelo ou uma
única série conectada em cada SPMP, a proteção contra sobrecorrente não é
necessária.
Conforme item 5.3.10 da NBR 16690 (2019), deve ser fornecida a
proteção contra sobrecorrentes se houver mais que dois subarranjos conectados a
uma UCP. Ou seja, devem ser projetadas proteções contra sobrecorrentes em cada
entrada SPMP do projeto trabalhado. Como neste projeto existem os casos de três,
duas e uma série fotovoltaica em cada SPMP, calculam-se os valores nominais da
proteção contra sobrecorrente nos subarranjos conforme as equações (9) e (10).
Os dispositivos escolhidos para esta função foram disjuntores CC conforme norma
NBR IEC 60947-2. Para o caso de três séries em paralelo:

𝟑𝟒, 𝟏𝟑𝑨 = 𝟏, 𝟐𝟓(𝟐𝟕, 𝟑𝟎) < 𝑰𝒏 < 𝟐, 𝟒. (𝟐𝟕, 𝟑𝟎) = 𝟔𝟓, 𝟓𝟑𝑨 (25)
𝑰𝑺𝑪 𝑺−𝑨𝑹𝑹𝑨𝑵𝑱𝑶 = 𝟑(𝟗, 𝟏𝟎) = 𝟐𝟕, 𝟑𝟎𝑨 (26)

Com o resultado acima, optou-se pela utilização de um disjuntor de 40A


nos subarranjos com três séries em paralelo.
Para o subarranjo com duas séries em paralelo:

𝟐𝟐, 𝟕𝟓𝑨 = 𝟏, 𝟐𝟓(𝟏𝟖, 𝟐𝟎) < 𝑰𝒏 < 𝟐, 𝟒. (𝟏𝟖, 𝟐𝟎) = 𝟒𝟑, 𝟔𝟖𝑨 (27)
𝑰𝑺𝑪 𝑺−𝑨𝑹𝑹𝑨𝑵𝑱𝑶 = 𝟐(𝟗, 𝟏𝟎) = 𝟏𝟖, 𝟐𝟎𝑨 (28)

Neste caso, a corrente do disjuntor foi determinada em 32A.


Para o arranjo com uma única série:

𝟏𝟏, 𝟑𝟖𝑨 = 𝟏, 𝟐𝟓(𝟗, 𝟏𝟎) < 𝑰𝒏 < 𝟐, 𝟒. (𝟗, 𝟏𝟎) = 𝟐𝟏, 𝟖𝟒𝑨 (29)
𝑰𝑺𝑪 𝑺−𝑨𝑹𝑹𝑨𝑵𝑱𝑶 = 𝟗, 𝟏𝟎 𝑨 (30)
153

A corrente nominal do disjuntor para esta série foi em 16A. Para todos
os trechos dos subarranjos, o disjuntor CC possuirá também a função de
interruptor-seccionador. Deve-se ressaltar que esta consideração só deve ser
tomada após analisar as características do dispositivo, que deve satisfazer também
a NBR IEC 60947-3, que trata dos dispositivos interruptores-seccionadores.
Assim como nas instalações elétricas mais comuns em CA, o projeto dos
condutores deve estar coordenado com os valores nominais dos dispositivos de
proteção contra sobrecorrente. Como citado anteriormente, os critérios para
determinação da seção dos condutores dos polos positivo e negativo de cada
trecho deve obedecer aos critérios de: nível de proteção contra sobrecorrente
(quando houver); mínima capacidade de corrente; queda de tensão e potencial
corrente de falta. Na prática, o cálculo da capacidade de condução de corrente e
queda de tensão nos trechos são suficientes para avaliar estes quatro critérios.
Neste projeto, os trechos que não possuem proteção contra
sobrecorrentes são aqueles em que há o paralelismo com no máximo uma segunda
série. Para os cabos das séries, com ou sem proteção contra sobrecorrentes, a
mínima capacidade de condução é determinada com base na tabela 5 da NBR
16690 (2019), mostrada na Figura 120:
154

Figura 120 – Capacidade mínima de corrente para os condutores das séries


fotovoltaicas

Fonte: Associação Brasileira de Normas Técnicas(2019)

Com base na Figura 120, os condutores das séries que possuem


proteção contra sobrecorrente — neste caso, as séries que possuem fusíveis —
devem possuir uma capacidade mínima de 15A. Para os condutores que estão em
paralelismo em duas séries e sem proteção, a corrente mínima 𝐼𝐵 é dada por:

𝑰𝑩 = 𝑰𝒏𝒑 + 𝟏, 𝟓. 𝑰𝑺𝑪 𝑴𝑶𝑫 (𝑺𝑷𝑶 − 𝟏) (31)

Nesse caso 𝐼𝑛𝑝 não será levado em conta, pois não há a possiblidade de
corrente reversa entre entradas SPMP independentes. No entanto, recomenda-se
fazer uma análise cuidadosa a respeito das possíveis corrente de retorno nas
entradas de inversores. O valor de 𝐼𝑆𝐶 𝑀𝑂𝐷 = 9,10𝐴 é a corrente de curto-circuito em
STC do módulo, e 𝑆𝑃𝑂 = 2 é o número de séries em paralelo do subarranjo do
disjuntor. Assim, substituindo os valores em (31), 𝐼𝐵 = 13,65𝐴. Para o caso de uma
única série fotovoltaica 𝐼𝐵 = 16𝐴 que é o valor da corrente nominal do seu disjuntor
à jusante.
155

No projeto considerado, os circuitos das séries fotovoltaicas estão


agrupados em eletrodutos enterrados no solo. No pior caso, há um agrupamento
de dez circuitos em um dos inversores e nove circuitos nos demais. Conforme a
NBR 5410 (2004), deve-se aplicar um fator de agrupamento de 0,5 para essa
condição de instalação. Dessa forma, as correntes corrigidas são: 30A para as
séries com fusível (grupos de 3 séries em paralelo), e 27,3A para os grupos de uma
série e duas séries em paralelo. Com base na norma NBR 16612 (2020), a
capacidade de condução de corrente dos cabos deve levar em consideração sua
temperatura de operação e sua forma de instalação. O anexo C desta norma
apresenta as tabelas de capacidade de condução para os cabos CC fotovoltaicos.
Para o trecho das séries, neste projeto, há duas formas de instalação a considerar:
cabo instalado ao ar livre, exposto ao sol e com cabos encostados na vertical e
cabo em eletroduto diretamente enterrado. Com base nestas tabelas a primeira
condição é a mais desfavorável e por isso, será a forma de instalação adotada para
o dimensionamento. A Figura 121 mostra a tabela para a forma de instalação de
cabos expostos ao sol, com temperatura ambiente de 50°C e no condutor de 90°
em regime permanente:

Figura 121 – Trecho da tabela C.4 da NBR 16612 (2020)

Fonte: Associação Brasileira de Normas Técnicas(2020)

Os modos de instalação 1, 2, 3 e 4 estão relacionados ao


posicionamento dos cabos. Neste caso, considerar-se-á o modo 2, que são cabos
encostados dispostos na vertical. Analisando a Figura 121, um cabo de 6mm² é
adequado para as séries fotovoltaicas.
156

O cálculo da queda de tensão nas séries é realizado para o trecho de


maior comprimento, que é de 200m já incluindo o caminho dos polos positivo e
negativo. De acordo com Canal Solar (2020), a queda de tensão ∆𝑉 é dada como
uma razão entre a tensão medida nos trechos do cabo fotovoltaico e a tensão de
máxima potência do circuito. Em valores percentuais, a expressão é:

𝟐. 𝒓𝒌𝒎 . 𝒍𝒌𝒎 . 𝑰𝑩 (32)


∆𝑽% = . 𝟏𝟎𝟎
𝑽𝑺𝑷𝑴𝑷

O termo 2. 𝑙𝑘𝑚 é o comprimento do trecho em quilômetros e 𝑟𝑘𝑚 é a


resistência do condutor por quilômetro, que no caso do cabo 6mm² é 4,323 Ω⁄𝑘𝑚
para uma temperatura de 90°C. O trecho de maior comprimento é aquele em que
𝐼𝐵 = 15𝐴, que é o trecho protegido por fusíveis, e 𝑉𝑆𝑃𝑀𝑃 = 19 𝑥 37,1 = 704,9𝑉 é a
tensão de máxima potência da série considerada com 19 módulos. Substituindo em
(32) a queda de tensão máxima encontrada é de 1,84%. A norma NBR 16690
(2019) recomenda um valor máximo de 3% de queda de tensão em todo o arranjo
fotovoltaico. Assim, o cabo selecionado atende aos requisitos de dimensionamento.
Para os condutores dos subarranjos fotovoltaicos, retoma-se à tabela 5
da NBR 16690. Segundo essa tabela, para os trechos protegidos contra
dispositivos de proteção contra sobrecorrentes, a corrente 𝐼𝐵 deve ser igual à
corrente nominal destes dispositivos. Nesse projeto, há trechos de subarranjos com
16, 32 e 40A de capacidade de condução mínima de corrente.
Como nos trechos entre as caixas de junção e os inversores não há
agrupamento de circuitos, não há a necessidade de corrigir o valor de 𝐼𝐵 . A
instalação dos cabos é feita em eletroduto não metálico em cubículo abrigado da
irradiação solar. Assim, com base na tabela C.10 da NBR 16612 (2020), para uma
temperatura ambiente de 40°C, a capacidade de condução do cabo 6mm² é de 39A.
Com isto, o trecho do subarranjo que possui disjuntor de 40 A deveria ser conectado
com condutor de 10 mm² ou dever-se-ia substituir o disjuntor de 40A por um de
menor corrente nominal. Ainda há a possibilidade de se utilizar dois cabos de 6mm²
em paralelo neste trecho. Optou-se pela última alternativa e com isso o cabo
adotado foi o de 6mm² com dois condutores em paralelo para os polos positivo e
negativo deste trecho, dividindo-se a corrente entre os cabos neste trecho. Nos
demais trechos o cabo 6mm² atende os requisitos.
157

O cálculo da queda de tensão para este trecho segue a mesma


expressão apresentada em (32), com 𝐼𝐵 = 40𝐴 e com um trecho de 10m já incluindo
os polos positivo e negativo. O valor de ∆𝑉% encontrado é de 0,25%. Com isto, a
soma das quedas de tensão nos trechos das séries e subarranjos não chega ao
valor máximo de 3% recomendado pela norma. Por fim, o cabo de 6mm² pode ser
utilizado em todos os trechos da instalação.
A seleção dos dutos é feita com base na NBR 5410 (2004). Nas
proximidades dos módulos fotovoltaicos, os cabos foram instalados ao ar livre com
a fixação realizada conforme os critérios e recomendações da NBR 16690 (2019).
Nos trechos que compreendem a localização dos módulos e o abrigo dos
inversores, a instalação é realizada em partes com eletroduto PVC aparente (com
proteção UV) e parte com eletroduto enterrado no solo, conhecido comercialmente
como Kanaflex. A seção dos mesmos foi definida conforme a taxa de ocupação
máxima permitida em norma de 40%.
O trecho que chega à caixa de junção do inversor 1 (conforme Figura
119) é composto de 10 séries, ou seja, 20 cabos além do condutor de aterramento
que possui também seção de 6mm². O cabo de 6mm² utilizado possui diâmetro
externo de 6,5mm. Com isso a relação entre a seção dos cabos e do eletroduto
deve ser conforme (33):

𝑵𝒄𝒐𝒏𝒅 𝝅(𝒅𝒆𝒙𝒕−𝒄𝒐𝒏𝒅 )𝟐 (33)


𝑺𝒄𝒐𝒏𝒅𝒖𝒕𝒐𝒓𝒆𝒔 𝟒
= 𝟎, 𝟒 = 𝝅(𝒅𝒆𝒍𝒆𝒕𝒓𝒅𝒖𝒕𝒐−𝒎𝒊𝒏 )𝟐
𝑺𝒆𝒍𝒆𝒕𝒓𝒐𝒅𝒖𝒕𝒐
𝟒

Em que 𝑁𝑐𝑜𝑛𝑑 = 21 que é o número de condutores no eletroduto


𝑑𝑒𝑥𝑡−𝑐𝑜𝑛𝑑 = 6,5𝑚𝑚 é o seu diâmetro externo 𝑑𝑒𝑙𝑒𝑡𝑟𝑑𝑢𝑡𝑜−𝑚𝑖𝑛 é o diâmetro mínimo
que o eletroduto deve possuir. Isolando 𝑑𝑒𝑙𝑒𝑡𝑟𝑑𝑢𝑡𝑜−𝑚𝑖𝑛 na equação (33), obtém-se
um diâmetro mínimo de 47,01mm, resultando em um valor comercial de duas
polegadas (2’’). Para o caso das outras duas caixas de junção, há um número de
nove séries (18 condutores e o condutor de aterramento). Realizando o mesmo
cálculo em (33), o diâmetro nominal do eletroduto para os trechos que se conectam
ao inversor 2 e 3 é também de 2’’.
Para os trechos que interligam as caixas de junção e os inversores,
segue-se o mesmo procedimento de cálculo. Para o inversor 1, tem-se ao todo nove
158

cabos, dois para cada SPMP e o cabo de aterramento. Ressalta-se que no interior
da caixa de junção 1 é realizado um paralelismo entre 2 cabos 6mm² para cada
polo de entrada do disjuntor de 40A, conforme dimensionado pelo critério da
capacidade de condução de corrente. Com isso, não há a necessidade de
encaminhar os dois cabos em paralelo até a conexão com o inversor. Assim, há
nove cabos 6mm² neste trecho. Também conforme (33), encontra-se um diâmetro
mínimo calculado de 30,81mm. Em termos comerciais a seção imediatamente
′′
superior encontrada é de 1. 1⁄4 .
Por fim, deve ser dimensionada a proteção contra surtos transitórios de
tensão provenientes de descargas atmosféricas indiretas. Neste caso devem ser
empregados dispositivos de proteção contra surtos (DPS) fabricados conforme a
IEC 61643-31 (2018). Neste projeto, não há a presença de sistema de captores ou
SPDA externo. Assim, conforme a norma NBR 5419 (2015), exige-se o emprego
de DPS classe 2 instalado junto ao inversor em cada polo dos subarranjos
fotovoltaicos. Os parâmetros deste DPS dependem dos valores de tensão de
operação das séries fotovoltaicas e do nível de suportabilidade dos módulos e
inversores.
Como visto, o valor máximo de tensão de operação de cada módulo é
de 𝑉𝑂𝐶−𝑚𝑎𝑥 = 45,09𝑉. A série com mais módulos contém 19 em associação em
série, logo a máxima tensão de operação do sistema é 856,71V. Assim, os DPS
devem possuir uma tensão máxima de operação contínua maior que este valor.
Após isto, deve-se observar o nível de suportabilidade à tensão impulsiva para os
módulos e inversores. A IEC 61643-32 (2017) padroniza os valores de
suportabilidade para tensão impulsiva de inversores e módulos de acordo com a
tensão de operação dos arranjos fotovoltaicos (Figura 122).
159

Figura 122 – Valores de tensões impulsivas que devem ser suportadas pelos
equipamentos do arranjo fotovoltaico

Fonte: International Electrotechnical Commission(2017).

Observa-se que para o nível de tensão do sistema, o inversor deve


suportar um impulso de tensão de até 6kV. Por fim, o DPS com valor comercial que
preenche os requisitos descritos acima é um DPS 1000V CC, classe 2 e com
corrente de descarga nominal e máxima de 20 e 40kA, respectivamente.
Este capítulo teve como objetivo apresentar o dimensionamento dos
principais componentes da parte CC de uma usina fotovoltaica, conforme a norma
NBR 16690 (2019) e suas normas complementares. Estes requisitos são de
fundamental importância para a segurança destes tipos de instalação.
160

6. CONCLUSÕES

A norma NBR 16690 (2019) entrou em vigor somente no final do ano de


2019 e fundamenta o projeto e a instalação de sistemas fotovoltaicos, que são
relativamente novos no Brasil. Com isto, o presente trabalho teve como objetivo
descrever os principais itens desta norma e exemplificá-los através de projetos e
instalações reais, para se tornar um material de consulta útil para profissionais que
trabalharem neste tipo de obra elétrica.
No decorrer do trabalho, percebeu-se a importância que os requisitos e
normas das instalações mais comuns em CA possuem, pois a NBR 16690 (2019)
se fundamenta em muitos requisitos da já muito difundida NBR 5410 (2004), além
de outras normas mais específicas.
No capítulo 2 deste trabalho foram apresentadas definições importantes
relacionadas aos equipamentos do sistema, como seccionadores, interruptores-
seccionadores, fusíveis entre outros. Foram descritos seus requisitos principais e
normas que deve seguir. O capítulo 3 dedicou-se a realizar uma análise detalhada
da norma, focando nos pontos e definições principais.
Com base no capítulo 4 deste trabalho, foi possível observar os tipos e
quantidades de erros graves e inconformidades encontradas em diversos sistemas
fotovoltaicos. Por isto é fundamental que ocorra a qualificação e capacitação dos
profissionais envolvidos, desde a engenharia até a instalação e comissionamento.
O capítulo 5 apresentou as particularidades do dimensionamento dos
componentes condutores e de proteção dos arranjos fotovoltaicos, readequando
um projeto de uma obra que estava em andamento.
Por fim, recomenda-se que para trabalhos futuros, o foco esteja em
comissionamento de usinas e no levantamento de mais inconformidades
encontradas em instalações fotovoltaicas. Também pode ser trabalhado o estudo
de projetos mais específicos e complexos que envolvam, por exemplo, a integração
a um SPDA existente ou a realização do projeto de proteção e seletividade para
usinas de maior potência, com conexão na rede de distribuição em média tensão
do sistema elétrico.
161

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