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CRIMES CONTRA O PATRIMÔNIO

Furto e extinção da punibilidade:


- a restituição voluntária do objeto furtado pelo indiciado se feita antes do oferecimento da denúncia,
extingue a punibilidade? Se já furtou é porque consumou, não caberia desistência voluntária ou
arrependimento eficaz, mas só o Arrependimento posterior. Neste, se o objeto é restituído antes
do Recebimento da denúncia, será CAUSA DE DIMINUIÇÃO DA PENA, não há exclusão da culpabilidade.
Se a restituição ocorrer após o recebimento da denúncia, mas antes do julgamento da sentença, será
atenuante genérica.

FURTO QUALIFICADO PELO EMPREGO DE FRAUDE (OU FURTO MEDIANTE FRAUDE), artigo 155, § 3º e
§ 4º, inciso II, do Código Penal:
(MPE-CE 2021): Inf 645 do STJ: O pagamento do débito antes do recebimento da denúncia, em caso
de furto de energia elétrica mediante fraude, não extingue a punibilidade.

INF. 645, STJ: o pagamento do débito da conta de luz furtada não extingue a punibilidade, mas poderá
servir como Arrependimento Posterior.

OBS2. Arrependimento posterior (art. 16, CP):


 crime sem violência ou grave ameaça
 reparação do dano/restituição da coisa
 Até o recebimento da denúncia
 ato voluntário do agente
 diminui pena de 1/3 a 2/3

(MPE-CE 2021): A ligação clandestina/desvio de energia elétrica e a sua utilização sem qualquer registro
ou pagamento do real consumo configura, segundo entendimento sedimentado no STJ, furto
qualificado pelo emprego de fraude, como se depreende da leitura do artigo 155, § 3º e § 4º, inciso II,
do Código Penal.

Para o STJ, ligação elétrica feita direta do poste/rede elétrica é furto qualificado mediante fraude, em


que o pagamento do débito pode GERAR ARREPENDIMENTO POSTERIOR, MAS NÃO EXTINÇÃO DE
PUNIBILIDADE. Como observação, essa hipótese difere daquela em que há alteração do medidor de
energia elétrica, conduta que caracteriza o “emprego da fraude”, conduta entendida
como estelionato, pois o agente está autorizado, por via de contrato, a gastar energia elétrica, porém
acaba usando de artifício, induzindo a vítima a erro, provocando resultado fictício, lhe advindo indevida
vantagem (nesse sentido: RT726/689).

Subtração de energia elétrica diretamente do poste (“gato”) = furto mediante fraude

Alteração/adulteração do medidor de energia/água, com o fim de diminuir ardilosamente o consumo de


energia, configura ESTELIONATO (STJ)

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CRIMES CONTRA O PATRIMÔNIO

art. 155, §4º, II, do CP, FURTO QUALIFICADO POR ABUSO DE CONFIANÇA: É vedado aplicar o princípio
da insignificância ao furto qualificado pelo abuso de confiança (art. 155, §4º, II, do CP), se o agente for
primário e a coisa, de ínfimo valor. A jurisprudência do STJ segue no sentido de que o furto qualificado
pelo abuso de confiança é INCOMPATÍVEL com a insignificância em razão do maior grau de
reprovabilidade da conduta (AgRg no AREsp n. 697529/MG)- Há precedente em sentido contrário.
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Art 155, FURTO: Segundo o entendimento do STJ, a realização de saques indevidos na conta-corrente de
uma pessoa sem o seu consentimento, por meio da clonagem do cartão e da senha, caracteriza: furto
mediante fraude (art. 155, § 4º, II, do CP)

“A jurisprudência desta Corte tem se orientado no sentido de que a realização de


saques indevidos (ou transferências bancárias) na conta corrente da vítima sem o seu consentimento,
seja por meio de clonagem de cartão e/ou senha, seja por meio de furto do cartão,
seja via internet, configuram o delito de furto mediante fraude (art. 155, § 4º, II, do CP) .(...)" (STJ;
Terceira Seção; CC 149.752/PI; Relator Ministro Reynaldo Soares da Fonseca; DJe 01/02/2017)”

 FRAUDE
FURTO MEDIANTE FRAUDE - O agente engana a vitima para que ela DEIXE A VIRGILANCIA DA COISA, e
assim ele possa subtrai-la

<--- MEIO DE EXECUÇÃO É A FRAUDE --->


ESTELIONATO - Utiliza a fraude, fazendo com que a própria vitima induzida a erro
(enganada), ENTREGUE VOLUNTARIAMENTE o bem a ele.

obs: infrator se passa por suposto comprador de veiculo experimenta e foge. (FURTO MEDIANTE
FRAUDE)
obs: Subtração de dinheiro com senha da vitima ou com CARTÃO CLONADO (questão) STJ - FURTO
MEDIANTE FRAUDE
obs: Mercadoria de maior valor numa embalagem de menor valor. (FURTO MEDIANTE FRAUDE)
Fonte: Curso LFG Profº Silvio Maciel

 Furto Mediante Fraude = Fraude para que o próprio agente subtraia, é dispensável a
participação da vítima, se estiver há a vigilância reduzida por por sua parte, proporcionando
maior facilidade para que o agente subtraia a coisa sem ser percebido. No furto, a fraude é
empregada para subtrair o bem sem o consentimento do proprietário.

 Estelionato = Fraude utilizada para que vítima entregue a coisa VOLUNTARIAMENTE, é


INdispensável a participação da vítima. No estelionato, a fraude ilude o ofendido a entregar o
bem com consentimento.

.Saque na conta bancaria por meio de cartão clonado= FURTO MEDIANTE FRAUDE


1. (Competência= lugar da conta)
 Compras com cartão clonado = ESTELIONATO
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1. (Competência= local das compras)

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TESES STJ - FURTO:
Para a caracterização do furto privilegiado, além da primariedade do réu, o valor do bem subtraído
não deve exceder à importância correspondente ao salário mínimo vigente à época dos fatos. ((HC
583.023/SC, j. 04/08/2020)

A lesão jurídica resultante do crime de furto não pode ser considerada insignificante quando o valor
dos bens subtraídos perfaz mais de 10% do salário mínimo vigente à época dos fatos (AgRg no HC
626.351/SC, j. 15/12/2020).

Para reconhecimento do crime de furto privilegiado é indiferente que o bem furtado tenha sido
restituído à vítima, pois o critério legal para o reconhecimento do privilégio é somente o pequeno
valor da coisa subtraída. ((AgRg no HC 583.651/SC, j. 23/06/2020).

Para efeito da aplicação do princípio da bagatela, é imprescindível a distinção entre valor


insignificante e pequeno valor, uma vez que o primeiro exclui o crime e o segundo pode caracterizar o
furto privilegiado. ((AgRg no AgRg no REsp 1.705.182/RJ, j. 28/05/2019).

É inadmissível aplicar, no furto qualificado, pelo concurso de agentes, a majorante do roubo.


(súmula nº 442)

Nos casos de continuidade delitiva o valor a ser considerado para fins de concessão do privilégio
(artigo 155, § 2º, do CP) ou do reconhecimento da insignificância é a soma dos bens subtraídos.  (AgRg
no AREsp 712.222/MG, j. 03/11/2015).

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Art 157 CP, ROUBO: É típica a conduta de subtração de objeto ilícito mediante grave ameaça. “RECURSO
ESPECIAL. PENAL. APELAÇÃO. LATROCÍNIO. CONSUMAÇÃO. DISSÍDIO NÃO DEMONSTRADO. O dissídio
não restou demonstrado nos moldes regimentais, pois o apelo interposto com fulcro na alínea c do art.
105 da Constituição Federal não atende a alguns dos requisitos exigidos para sua admissão, dentre os
quais, resta a divergência demonstrada de forma analítica (evidenciando e confrontando os arestos para
comprovar o dissenso alegado, não sendo suficiente a mera transcrição de ementas). A substância
entorpecente, por possuir valor econômico, pode ser objeto material do crime de roubo. Razões
recursais implicam reexame de provas. Súmula 7/STJ. Recurso não conhecido. (STJ - REsp: 476661 MG
2002/0101710-0, Relator: Ministro JOSÉ ARNALDO DA FONSECA, Data de Julgamento: 27/05/2003, T5 -
QUINTA TURMA, Data de Publicação: DJ 23.06.2003, p. 421).” E

PENAL. PROCESSO PENAL. RECURSO ESPECIAL. SUBTRAÇÃO DE 5,2 KG DE PASTA BASE DE COCAÍNA,
MEDIANTE USO DE ARMA. RESULTADO MORTE. CONFIGURAÇÃO DO TIPO PENAL DO LATROCÍNIO.
CRIME PATRIMONIAL QUE AFASTA A COMPETÊNCIA DO TRIBUNAL DO JÚRI. 1. O Tribunal de Justiça
mineiro, diante dos fatos constantes da sentença, decidiu por alterar a tipificação feita pelo Magistrado,
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desclassificando o tipo penal de latrocínio para homicídio, por considerar que coisa ilícita não poderia
ser objeto do crime patrimonial, motivo pelo qual considerou que a conduta (subtrair) insere-se em uma
daquelas descritas no tipo penal do tráfico – art. 33 da Lei n. 11.343/2006 –, em concurso material com
o homicídio. 2. A compreensão adotada no acórdão recorrido vai de encontro à jurisprudência do
Superior Tribunal de Justiça, a qual admite a configuração do crime contra o patrimônio nas hipóteses
em que o entorpecente é objeto material do crime de furto ou de roubo. 3. A doutrina é unânime
quanto ao objeto material dos crimes patrimoniais, sendo esse, além da pessoa humana, a coisa em
si, desde que alheia e móvel, e que possua valor (de troca ou de uso), exigindo-se para a consumação
do delito, no tocante ao elemento subjetivo, a intenção de subtraí-la com a finalidade de tê-la para si
ou para outrem. Havendo distinção quanto à capitulação do tipo, em furto ou roubo, a depender da
violência ou grave ameaça utilizadas. 4. Inexistindo no tipo penal dos crimes contra o patrimônio
qualquer análise concernente à ilicitude da coisa alheia, não há como se dispensar tratamento
restritivo na aplicação da norma, já que não há na lei essa limitação concernente ao objeto material.
5. Sendo a hipótese dos autos um ilícito penal relativo ao crime contra o patrimônio, em que o
resultado morte ensejou a configuração do tipo penal do latrocínio – art. 157, § 3º, do Código Penal –,
não há falar em competência do Tribunal do Júri. 6. Recurso especial provido a fim de reformar o
acórdão impugnado para afastar a competência do Tribunal do Júri e determinar que o Tribunal de
Justiça mineiro prossiga no julgamento das apelações, como entender de direito. STJ - REsp
1645969(2016/0337756-6 de 01/02/2019), Rel Min. SEBASTIÃO REIS JÚNIOR, Julgamento 06/12/2018,
T6 – SEXTA TURMA, publicado em 01/02/2019.

Ademais, O código diz "subtrair coisa alheia ", não diz "subtrair coisa alheia e lícita".

A lei (art. 155 e art. 157 do CP) não faz distinção quanto à natureza do objeto material (lícita ou ilícita),
bastando que seja coisa alheia MÓVEL, para que, preenchidos os demais requisitos, seja tipificado o
delito.

 A natureza licita ou ilícita da coisa subtraída é irrelevante para a tipicidade dos crimes contra o


patrimônio. ... para a configuração do delito patrimonial (furto, roubo ou latrocínio), pouco importa que
o bem subtraído seja ilícito, bastando que ele tenha valor econômico ou utilidade para seu dono.  Resp-
1645969-MG.

A substância entorpecente, por possuir valor econômico, pode ser objeto material do crime de
roubo (REsp 476.661/MG, Rel. Ministro JOSÉ ARNALDO DA FONSECA, QUINTA TURMA, julgado em
27/05/2003, DJ 23/06/2003, p. 421)
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Art. 157, ROUBO E CONCURSO DE CRIMES: -Se o agente aborda uma só pessoa e apenas contra ela
emprega a grave ameaça, mas acaba subtraindo objetos desta e de terceiro, que também se
encontravam em poder dela, responde por dois crimes de roubo em concurso formal, desde que a
prova colhida indique que ele sabia que estava subtraindo bens pertencentes a pessoas diversas.
(MPDFT 2021) Não será caso de crime único então, CUIDADO.

Obs:
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ROUBO SE CONSUMA COM A INVERSÃO DA POSSE (TEORIA DA AMOTIO)

(MPE-GO 2019) Súmula 582 STJ: Consuma-se o crime de roubo com a inversão da posse do bem
mediante emprego de violência ou grave ameaça, ainda que por breve tempo e em seguida à
perseguição imediata ao agente e recuperação da coisa roubada, sendo prescindível a posse mansa e
pacífica ou desvigiada.

(MPE-GO 2019) Roubou 4 pessoas dentro de uma van, usando uma faca, responde por 4 roubos
consumados, em concurso formal, com o aumento de 1/3 pelo uso de arma branca.

- Se o agente em um único contexto fático emprega grave ameaça contra duas pessoas e subtrai bens
de ambas, responde por dois crimes de roubo em concurso formal (art. 70 do CP), já que houve uma só
ação (a mesma grave ameaça para ambas as vítimas) e duas lesões patrimoniais. É o que acontece
quando o ladrão vê um casal andando na rua e aponta uma faca para os dois, levando a carteira de
ambos. A jurisprudência tem aplicado o concurso formal próprio a esses casos, provavelmente porque a
pena ficaria muito alta se houvesse muitas vítimas e as penas fossem somadas. Nesse sentido:
“Conforme a iterativa jurisprudência desta Corte, não há que se falar em crime único quando, num
mesmo contexto fático, são subtraídos bens pertencentes a vítimas distintas, caracterizando concurso
formal, por terem sido atingidos patrimônios diversos, nos moldes do art. 70 do Código Penal” (STJ — HC
581.345/SP, Rel. Min. Ribeiro Dantas, 5ª Turma, julgado em 16-6-2020, DJe 22-6-2020); “Praticado o
crime de roubo em um mesmo contexto fático, mediante uma só ação, contra vítimas diferentes, tem-se
configurado o concurso formal de crimes, e não a ocorrência de crime único, visto que violados
patrimônios distintos. Precedentes” (STJ — AgRg no AREsp 1.588.159/GO, Rel. Min. Rogerio Schietti
Cruz, 6ª Turma, julgado em 19-5-2020, DJe 28-5-2020).

- O agente aborda uma pessoa em uma esquina e rouba seu dinheiro. Minutos depois aborda outra
pessoa na esquina de cima e também subtrai seus pertences. Aqui houve claramente duas ações (duas
graves ameaças) contra vítimas distintas, estando caracterizados dois crimes de roubo em continuação
delitiva (art. 71 do CP). Note-se que os crimes foram cometidos em sequência. Mesmo raciocínio
também para os casos de “ARRASTÕES”.

- Se o agente comete roubo em residência subtraindo objetos pertencentes ao corpo familiar como um
todo (aparelho de som e televisão, por exemplo), responde por crime único. Caso, todavia, reste clara a
intenção de subtrair objetos individualizados de cada um integrantes da família, haverá concurso
formal.
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Art 157, ROUBO: Configura o CRIME DE ROUBO (e não estelionato) a conduta do funcionário de uma
empresa que combina com outro indivíduo para que este simule que está assaltando o empregado com
uma arma de fogo e, dessa forma, leve o dinheiro da empresa. STF. 1ª Turma. HC 147584/RJ, Rel. Min.
Marco Aurélio, julgado em 2/6/2020 (Info 980).

Obs:
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E se for com uma simulação de arma de fogo? “O uso de simulacro de arma de fogo, por si só, configura
a grave ameaça elementar do crime de roubo, tornando inviável a desclassificação da conduta para a de
furto.” TJDFT: Acórdão 1213362, 20190610006912APR, Relator: MARIO MACHADO, 1ª Turma Criminal,
data de julgamento: 31/10/2019, publicado no DJE: 8/11/2019. 

“Roubo mediante simulação de arma. Segundo a jurisprudência do STF, se o agente, simulando porte de
arma, ameaça, intimida e subjuga a vítima, subtraindo-lhe os pertences, configura-se o crime de roubo e
não furto qualificado” (STF — RE 108.662-9/SP — 1ª Turma — Rel. Sydney Sanches — RJDTacrim 7/255);

SIMULACRO = arma de brinquedo, dedo por baixo da blusa, mesmo de forma velada, será grave ameaça
(vis relativa/vis compulsiva) se intimidar e subjugar a vítima.

“A simulação de arma de fogo não pode ser utilizada para majorar a pena-base, sob pena de incorrer em
indevido bis in idem, pois tal circunstância já foi valorada para a tipificação da conduta como crime de
roubo, caracterizando a elementar da grave ameaça. Precedentes” (STJ — HC 575.728/SP, Rel. Min.
Ribeiro Dantas, 5ª Turma, julgado em 23- 6-2020, DJe 26-6-2020).

“Anúncio de assalto em circunstâncias capazes de configurar grave ameaça e tipificar crime de roubo,
independentemente da exibição de arma, e não de furto, como concluíra o acórdão recorrido. Recurso
provido por negativa de vigência ao art. 157 do CP” (STF — Rel. Octávio Galloti — RT 638/378);

“A abordagem da vítima com arrocho, isto é, com a presença física e ameaçadora dos marginais, com o
propósito de lesão patrimonial, constitui roubo e não furto” (Tacrim-SP — Rel. Mafra Carbonieri — RJD
5/180);

“Está caracterizado o crime de roubo, e não o de furto, quando a vítima é subjugada psicologicamente,
diante da presença ameaçadora dos agentes e uso de expressão do propósito delituoso mesmo não
havendo emprego de arma” (Tacrim-SP — Rel. Gonçalves Nogueira — RJD 8/257).
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Art 157, ROUBO: "o indivíduo que simula um roubo contra si (simula ser vítima) e outra pessoa (seu
comparsa) visando a se apoderar de dinheiro pertencente à empresa em que ambos trabalham é sujeito
ativo de subtração violenta (crime de roubo, 157), não de estelionato." 1ª Turma do STF/ HC 147.584/RJ
(j. 02/06/2020)
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157:
As hipóteses em que ocorrerá o latrocínio, serão:
1- Homicídio consumado e roubo consumado: Haverá latrocínio.
2 – Homicídio tentado e roubo tentado: Haverá tentativa de latrocínio.
3 – Tentativa de homicídio e roubo consumado: Haverá tentativa de latrocínio.
4 – Homicídio consumado e roubo tentado: Haverá latrocínio.   
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CRIMES CONTRA O PATRIMÔNIO

Súmula 610-STF: Há crime de latrocínio, quando o homicídio se consuma, ainda que não se realize o
agente a subtração de bens da vítima.
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Roubo com destruição de obstáculo MEDIANTE emprego de explosivo ou de artefato análogo que cause
perigo comum (não é em qualquer caso, só mediante este emprego, cuidado MPE-MG 2021) – Majora
de 2/3 (não é até, cuidado) (MPE-MG 2021)

Roubo com emprego de Arma de Fogo de uso PERMITIDO – Hediondo – Majora de 2/3 (não é até,
cuidado)

Roubo com emprego de arma branca - Majora de 1/3 até metade (MPE-MG 2021)

Roubo com emprego de arma de fogo de uso RESTRITO OU PROIBIDO – Hediondo – aplica em DOBRO
a pena do caput do 159 (2x de 4 a 10 anos, e multa) (MPE-MG 2021)

*Homicídio com emprego de arma de fogo de uso restrito ou proibido - Hediondo *


tráfico internacional de arma de fogo - Hediondo
crime de comércio ilegal de armas de fogo - Hediondo
posse ou porte ilegal de arma de fogo de uso proibido - Hediondo
 posse ou porte ilegal de arma de fogo de uso Restrito = NÃO HEDIONDO

resuminho:
Roubo
▬ aumento
 arma branca
 concurso 2+ pessoas
 transporte valores (conhece tal) ― 1/3 até metade
 substração veículo outro E/P
 restrição liberdade hediondo
 substração substâncias explosivas
 arma de fogo ou romp.explo ― 2/3 hediondo
 arma de fogo uso restrito/proibido ― dobro hediondo

Lei dos crimes hediondos - Posse/ Porte ilegal : USO PROIBIDO hediondo

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(MPE-GO 2019) Agente maior e capaz que pratica um crime de furto ou roubo na companhia de um
menor, ele responde por 2 crimes = Roubo majorado pelo concurso de agentes (1/3 até metade)+ 244-B
= Corrupção de menores, em concurso formal (art. 70, primeira parte, do CP) 

SÚM 500 STJ: A configuração do crime do art. 244-B do ECA independe da prova da efetiva corrupção
do menor, por se tratar de delito formal.
CRIMES CONTRA O PATRIMÔNIO

“Não há bis in idem na incidência da causa de aumento referente ao concurso de agentes no ROUBO
cumulada com a condenação pelo crime de CORRUPÇÃO DE MENORES, pois se trata de duas condutas
autônomas e independentes, que ofendem bens jurídicos distintos” (HC 362.726/SP, DJe 06/09/2016).

STJ: corrupção de menores (244-B ECA) é formal, ou seja, para a sua caracterização não é necessária a
prova da efetiva e posterior corrupção do adolescente, bastando a comprovação da participação do
inimputável em prática delituosa na companhia de maior de 18 anos.
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art. 171, § 3º: Paulo é médico concursado da rede pública de saúde e, no desempenho desse cargo
público, costuma registrar o ponto e, em seguida, se retirar do hospital, deixando de cumprir sua carga
horária de trabalho. Cometeu o crime de estelionato qualificado na visão do STJ

Não se admite a incidência do princípio da insignificância na prática de estelionato “qualificado” por


médico que, no desempenho de cargo público, registra o ponto e se retira do hospital.

A jurisprudência do STJ não tem admitido, nos casos de prática de estelionato “qualificado”, a
incidência do princípio da insignificância (princípio inspirado na fragmentariedade do Direito Penal).
Isso porque se identifica, neste caso, uma maior reprovabilidade da conduta delitiva. No caso concreto,
o STJ afirmou que não era possível o trancamento da ação penal, sob o fundamento de inexistência de
prejuízo expressivo para a vítima, considerando que, em se tratando de hospital universitário, os
pagamentos aos médicos são provenientes de verbas federais. STJ. 5ª Turma. AgRg no HC 548.869-RS,
Rel. Min. Joel Ilan Paciornik, julgado em 12/05/2020 (Info 672).

Adendo:
 peculato.
 APROPRIAR-SE OU CONCORRER (RECLUSÃO) de valor ou qualquer outro bem móvel, público ou
particular, de que tem a posse em razão do cargo, ou desviá-lo, em proveito próprio ou alheio: 
corrupção.
 CORRUPÇÃO PASSIVA: SERVIDOR PÚBLICO = solicitar, receber, aceitar promessa. (RECLUSÃO)
 CORRUPÇÃO ATIVA: TERCEIRO/PARTICULAR que
oferecer, prometer vantagem indevida a funcionário público. (RECLUSÃO)
concussão.
 EXIGIR (RECLUSÃO)
 EXIGIR + GRAVE AMEAÇA = EXTORSÃO Sumula 96 STJ: Extorsão consuma-se
independentemente da obtenção da vantagem
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159: Extorsão mediante sequestro: MPE-MG 2021
Crime formal, consuma com o sequestro

Na extorsão mediante sequestro, o resultado morte pode derivar do emprego de grave ameaça. MPE-
MG 2021
CRIMES CONTRA O PATRIMÔNIO

Em poucas palavras, no roubo e na extorsão só existe qualificadora quando a lesão corporal de


natureza grave ou a morte resultam da "violência", ao passo que na extorsão mediante sequestro a
qualificadora resta delineada quando o resultado agravador emana do “fato”, e não necessariamente
da violência. É possível, portanto, que seja resultado agravador provocado não só pela violência física
(ou própria), mas também pela grave ameaça (violência moral) ou pela violência imprópria (exemplo:
uso narcóticos, dosagem excessiva de medicamentos etc.).” (MASSON, Cleber. Direito Penal: Parte
Especial (arts. 121 a 212). Vol. 2. 13ª ed. Rio de Janeiro: Forense. São Paulo: Método, 2020, p. 442).
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158, Extorsão: O delito de extorsão, que é de natureza formal, ADMITE a modalidade TENTADA. MPE-
MG 2021

Tese STJ: Comete o CRIME DE EXTORSÃO e não o de concussão, o funcionário público que se utiliza
de violência ou grave ameaça para obter vantagem indevida.

Consuma-se com a realização do verbo núcleo independentemente do resultado naturalístico.


Entretanto, o caráter formal não impede, por si só, a tentativa. Na extorsão é possível a tentativa
quando, por exemplo, a carta extorsionária é interceptada, ou quando o agente tenta constranger a
vítima, mas essa não se intimida. Na extorsão mediante sequestro também é possível que haja
tentativa, por exemplo, quando o agente tenta privar a liberdade da vítima, mas por algum motivo não
consegue.

“grave ameaça” = ameaça = se com arma de brinquedo a vítima se sentir coagida, amedrontada, já
configura a ameaça do crime de extorsão

Receber telefonema/carta, bater o telefone ou rasgar e procurar a polícia depois, será extorsão tentada.

Súmula 96-STJ: O crime de extorsão consuma-se independentemente da obtenção da vantagem


indevida.
"A admissibilidade ou não da tentativa tem a ver com o caráter plurissubsistente do delito, isto é, com a
composição da conduta em diversos atos executórios, podendo, consequentemente, ser fracionada.
Crimes formais e de mera conduta comportam o conatus, desde que sejam plurissubsistentes. Na seara
dos crimes FORMAIS, tomemos como exemplo uma extorsão mediante sequestro (CP, art. 159), na qual
o agente aponta uma arma de fogo para a vítima, dizendo para ela se render porque seria privada de
sua liberdade para futura troca por vantagem econômica indevida junto aos seus familiares. A vítima,
contudo, consegue fugir e é perseguida. Aciona a Polícia, que aborda o criminoso e efetua sua prisão em
flagrante, antes da privação da liberdade da pessoa visada. Trata-se de tentativa de extorsão mediante
sequestro, exemplo clássico de crime formal, de consumação antecipada ou de resultado cortado."
(MASSON, Cleber. Direito Penal: parte geral. Vol. 1. 12ª ed. Rio de Janeiro: Forense. São Paulo: Método,
2019, p. 520-521).

Art 158, extorsão: Configura o delito de extorsão (art. 158 do CP) a conduta do agente que submete
vítima à grave ameaça espiritual que se revelou idônea a atemorizá-la e compeli-la a realizar o
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pagamento de vantagem econômica indevida.


STJ. 6ª Turma. REsp 1.299.021-SP, Rel. Min. Rogerio Schietti Cruz, julgado em 14/2/2017 (Info 598).

Art 168, Apropriação indébita: Para a caracterização da apropriação indébita previdenciária é


DESNECESSÁRIO o dolo específico. -STJ. 6° turma. AgRg no Ag 1.083.417-SP, Rel. Min Og Fernandes,
Julgado em 25/06/2013 (info 526)/ STJ. 3° seção. EResp. 1.29.631-RN- Rel. Min Laurita Vaz, julgado em
11/09/2013 (info 528).

Pratica o crime de apropriação indébita previsto no artigo 168 do Código Penal, o


Advogado que se apropria de quantia em dinheiro recebida a título de indenização pelo
seu cliente - pessoa maior de 60 anos aplicando-se a causa de aumento de pena por
ter recebido o valor em razão da profissão. (MPE-GO 2019)

169, II, CRIME DE APROPRIAÇÃO DE COISA ACHADA: Aquele que acha coisa alheia
perdida e dela se apropria, total ou parcialmente, deixando de restituí-la ao dono ou
legítimo possuidor ou de entregá-la à autoridade competente, dentro do prazo de 15
(dez) dias, comete o crime de apropriação de coisa achada. (MPE-GO 2019)

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