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QUESTÃO 2

FUNDAMENTAÇÃO:

DOS FATOS

A babá Eneida Santana, responsável pelos cuidados prestados à Estela, filha do médico José
Silveira, teve seu ingresso negado na piscina do condomínio onde a criança reside, nomeado
“Vila Azul” e localizado em Vila Isabel. Haja vista que, a situação se deu no dia 19 de março
de 2008. Dado que, o argumento empregado pelo conjunto habitacional consiste na vedação
do acesso à piscina para todas as pessoas que não residem no local, conforme o artigo 18 do
Regulamento Interno do Condomínio. Ademais, é válido ressaltar que, o Dr. José Silveira
propôs que Eneida realizasse os exames médicos exigidos pelo condomínio, com o fim de
avaliar se a saúde desta não oferece risco aos moradores e atende aos critérios constantes no
regulamento. Caso restasse comprovado que a babá estivesse saudável e atendesse aos
protocolos de permissão, tornar-se-ia possível sua entrada na piscina. Ainda sim, segundo o
síndico, a assembleia composta a fim de avaliar o caso ratificou a proibição.
Convém registrar que Estela não pode desfrutar da piscina, pois sua idade é inferior a 2 anos,
que constitui-se como mínima para que a entrada de crianças seja permitida sem
acompanhante. Por fim, somente Eneida apresenta disponibilidade para acompanhar a
menina, porquanto seus pais encontram-se ocupados em seus trabalhos, isto é, não estão de
férias como Estela.

DOS DIREITOS

Tendo em vista que, Eneida foi proibida de frequentar a piscina, por sua vez, a criança
também teve esse direito cerceado, apesar de ser moradora do condomínio Vila Azul. Tal
limitação imposta à menina decorre da ausência de acompanhante permitido, para viabilizar
seu ingresso no ambiente aquático em questão, pois a única pessoa responsável por Estela e
simultaneamente disponível para cuidar dela é a sua babá.
Em uma tentativa de garantir o direito subjetivo de sua filha, José Silveira propôs a
autorização da entrada de Eneida na piscina, mediante a apresentação de laudo clínico
probatório de sua boa saúde, adequada aos requisitos do condomínio. Por fim, cabe salientar
que o direito de recorrer à proibição, com auxílio da utilização do recurso de provas de
aptidão da saúde de Eneida, foi negado. De semelhante modo, o direito de a babá ter
condições plenas para exercer sua profissão, fora limitado.

CONCLUSÃO:

Ora, a proposta de concessão da entrada de Eneida na piscina do condomínio Vila Azul,


condicionada ao fornecimento de atestado médico de sua saúde, deveria ter sido considerada.
Visto que, por se tratar de uma situação que envolve dois direitos, o da criança - de frequentar
a piscina -, bem como o dos demais moradores - de exigirem o cumprimento do artigo 18 e,
assim, evitarem condutas arbitrárias por parte dos gestores do conjunto habitacional.
Ademais, restou comprovado que a babá não oferecia riscos à saúde dos demais residentes do
conjunto habitacional. Tal constatação, atrelada ao direito de Estela de frequentar a piscina do
local, bem como ao direito da babá de atuar em seu ofício sem impedimentos, torna
procedente o ingresso de Eneida na piscina do referido condomínio, com a ressalva de que
isso ocorra, apenas, para acompanhar a criança.
Para tanto, deve ser acrescida no artigo 18 do regulamento do condomínio a possibilidade de
análise de casos excepcionais como este, com a finalidade de também preservar o direito de
todos os habitantes do local, além de evitar arbitrariedades e eventuais transgressões. Além do
mais, o serviço prestado por Eneida foi limitado pela proibição relatada, a qual figura como
um fator de caráter subjetivo, também

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